AJA

  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • Zeca 100
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos

Type [To] Search

AJA

  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • Zeca 100
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos
  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • Zeca 100
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos

AJA

Type [To] Search

AJA

  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • Zeca 100
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos
Author: AJA
Home AJA Page 22
Homenagens e tributos (2007)
25/08/2006By AJA

Fotos de Vila Real de Santo António





Aqui ficam algumas fotos da homenagem a José Afonso em Vila Real de Santo António.
Em cima, as fotos da conferência com Alípio de Freitas, José Luis Louro, Teodomiro Cabrita Neto e António João.
Mais abaixo, o cartaz anunciando a exposição sobre a vida e obra de José Afonso no Arquivo Histórico Municipal.

Em breve, colocaremos mais fotos deste evento que se revelou um enorme sucesso, nomeadamente, no concerto do último dia que esgotou o Centro Cultural António Aleixo.

READ MORE
Fotografia
08/08/2006By AJA

Valência, Abril de 1971

Foto tirada no II FESTIVAL DE LA CANCIÓN IBÉRICA (da esquerda para a direita):
Carlos Correia (Bóris), Zeca Afonso, Miro Casabella, Carlos Carlsen, Poni Micharvegas, Paco Ibañez, María del Mar Bonet. De costas as jornalistas Tina Blanco e Mercedes Arancibia.

READ MORE
Testemunhos
08/08/2006By AJA

Entre o Porto e Coimbra – O Zeca Afonso que eu conheci

Foi durante um ensaio do grupo de serenatas do Orfeão Universitário do Porto que, pela primeira vez, ouvi esse nome pronunciado, com contagiante entusiasmo, por Roxo Leão, um tocador afamado de viola, que tinha vindo para a Faculdade de Farmácia do Porto completar a licenciatura iniciada em Coimbra. A falta da fase terminal do curso de farmácia e de engenharia na Universidade da cidade do Mondego tornava obrigatória a migração de grupos significativos de estudantes que, todos os anos, se transferiam para o Porto, onde vinham frequentar as últimas cadeiras das respectivas licenciaturas. Com estas revoadas de estudantes transferia-se, também, o influente ambiente estudantil coimbrão, culturalmente muito enriquecedor para os universitários portuenses que, assim, recebiam uma infusão de multidisciplinaridade que os cursos eminentemente técnicos ministrados no Porto e o estilo de vida que aqui se adoptava não propiciava.

O Roxo Leão era um daqueles conhecedores certificados do fado de Coimbra e um animador entusiasta da academia portuense, em tudo o que ao fado coimbrão dissesse respeito. Nessa mesma sessão de uma noite de Novembro de 1953, tomaram parte o José Vitorino Santana, que era o mais consistente fadista da nossa Academia, o Barroso, outro estudante de farmácia com carimbo de Coimbra, ele, também, um excelente tocador de viola, e os dois guitarras, o Carlos Couceiro, um executante seguro vindo, também, da cidade do Mondego para acabar no Porto a licenciatura em engenharia, e o Leonel, quartanista de Medicina, segundo guitarra e único elemento daquela tertúlia, genuinamente nortenho. No fim dos primeiros testes, em que a timidez natural de um principiante já tinha conseguido dissipar a expectativa densa que a circunstância exigente criara, todos concordaram em que eu deveria cantar os mesmos fados que o Zeca, porque, segundo as suas esclarecidas opiniões, a minha voz tinha uma estrutura musical parecida e os estilos interpretativos assemelhavam-se. Caloiro, obedeci, longe de saber o que é que esse veredicto, estando certo, significava de Iisongeiro. Contudo, e apesar de, então, essa semelhança me dizer pouco, a comparação ficou a fazer parte do meu consciente passivo, ligando-me, sentimentalmente, a esse nome que haveria de vir a ser, artisticamente, tão honrado. Passei a prestar maior atenção às canções que ele então interpretava e de que sobressaíam o fado «Incerteza», o «Contos velhinhos», o «Águia que vais tão alta», o «Meu menino é d’oiro», entre outros, e confesso o encantamento criado pela sua voz trémula e quente, que era, também, fruto do seu espírito original e sensível, voz que ora se arrastava numa dolorosa queixa, ora se erguia num grito de rebeldia e de protesto. O Zé Afonso, como outros preferiam chamar-lhe, era, sem dúvida, um estudante que cantava um fado novo que Coimbra nunca tinha ouvido.

Mas o Zé Afonso era, vi-o, depois, muito mais do que isso. Pessoalmente, encontrei esse quase-sósia canoro numa tarde de Agosto de 1956, a bordo do «Vera Cruz», a caminho de Angola. Ele viajava integrado à sua maneira (o Zeca nunca se integrou em nada) na Tuna Académica de Coimbra e o seu destino era navegar à roda da África para animar um vasto mundo de gente rica e culta que tinha decidido alugar o «Vera Cruz» para um périplo de África; eu viajava integrado no Orfeão Universitário do Porto, que seguia para Angola como agente de uma festa académica que tinha como missão apertar os nós dos laços de uma identidade lusotropical que se desejava duradoira. Cada grupo possuía a sua equipa de serenatas: a nossa era constituída pelo Rosa Araújo e o Costa Leite (guitarristas), o Hermenegildo Tavares e o Quartim Graça (violas); eram cantores o José Vitorino Santana, o Gameiro e eu. Do lado de Coimbra seguiam o Fernando Xavier e o Júlio Ribeiro (guitarristas), o Manuel Pepe e o Levi Baptista (violas); os cantores eram o Zeca Afonso e o Fernando Machado. Esse encontro fecundou uma amizade que estava destinada a crescer e que sem sobressaltos de percurso veio a ser muito grande e sincera.

Numa tarde de Agosto, quente, apesar de ser de cacimbo o tempo do calendário, o «Vera Cruz» deixou-nos no Lobito e seguiu a sua viagem, à roda do continente africano, levando consigo a «malta» de Coimbra.

Vivíamos nós, por essa altura, numa espécie de república, um vasto espaço de três quartos, uma sala e uma cozinha, num terceiro andar no Campo dos Mártires da Pátria (n.º 135), sob a vigilância aflita mas benevolente de uma velhinha, a Sr.ª D. Aninhas. Eram sete os habitantes regulares desses aposentos, mas alturas havia em que o número de comensais chegava a duplicar. Depois da viagem a Angola, um dos frequentadores desse lar aberto era o Zeca. Sempre que as deslocações da Tuna ou do Orfeão Académico de Coimbra, os seus afazeres pessoais ou qualquer decisão repentista, disparada pela sua irrequietude sentimental, o traziam ao norte, lá o tínhamos connosco, com toda a Fantasia do seu ser poético e a rebeldia do seu idealismo descomprometido. Uma das vezes (em vésperas das férias grandes de 1958), a sessão artística da Tuna ia ser no Rivoli. O Zeca apareceu, como de costume e por uma das razões de sempre. Tinha vindo «à boleia», ia cantar, estava à futrica e tinha umas horas para pôr a conversa em dia. Comeu connosco, cantarolou os fados que tencionava interpretar nessa noite — e que o Costa Leite e eu acompanhámos à guitarra —, enfiou a minha capa e batina, completando, assim, o ritual e lá descemos os dois a Rua dos Clérigos, a caminho do Teatro. Ao passarmos em frente da Igreja dos Congregados, num súbito arrebatamento, parou, fitou-me com o ar concentrado que a testa franzida denunciava — era assim sempre que falava a sério — e atirou-me a seguinte proposta: «— Oh pá (ele usava esta abreviatura quando ela era ainda erudita, tu tocas guitarra, eu toco viola e cantamos ambos. Vamos os dois fazer férias por essa Europa fora, como artistas vadios?» Sorri, creio que candidamente, para quebrar com ternura o ímpeto do seu entusiasmo.

Na verdade, não era fácil recusar tão espontânea, sincera e amiga sugestão; mas a minha vocação de aventura tinha asas mais curtas e, além disso, tinha duas cadeiras do meu quinto ano para fazer em Outubro; e as férias iam ser pequenas para pôr o estudo em dia. Sanado este breve desencontro, retomamos a marcha rumo ao Rivoli.

Este nomadismo, que era nele genómico, era uma das facetas que tornava visível a irrequietude do seu espírito! Mas foi, sobretudo, em Coimbra que convivemos e nos conhecemos melhor e que a nossa amizade cresceu e se radicou. O Zeca era, na verdade, uma criatura rara, de uma enorme originalidade: inteligente, culto, criativo e, ao mesmo tempo, bondoso e decifrável, era muito fácil gostar-se dele. Sempre que nos fins-de-semana o tempo era meu, lá ia até à velha cidade tratar do fado e das guitarradas, em correspondência a esse apelo primário que vinha da infância. E foi assim que muitos fins-de-semana passei na capital do Mondego, onde nos encontrávamos, ora na Baco ou nos lncas, ora em sua casa ou no seu verdadeiro lar, que eram as ruas de Coimbra. E foi assim que se desenvolveu, não uma estima superficial de convenções, mas uma amizade de gente nova, sem rugas, própria dos afectos simples e verdadeiros.

Além de cantar, o que nós conversámos! Os problemas de então, as preocupações humanísticas e sociais eram assuntos nunca calados nos nossos longos diálogos. O cristianismo e os seus valores, os compromissos que a dignidade humana implica; a coerência e a hipocrisia. Avessos a todas as tiranias, éramos, assim, apóstolos silenciosos de um mesmo credo. O Zeca era espontâneo, desacautelado e livre como se vivesse sozinho no Mundo!

Apesar dos anúncios iniciais premonitórios, que estiveram na origem da nossa aproximação, afinal, nós éramos muito mais irmãos pela inteligência interpretativa do mundo e pela confiança na bondade dos afectos, do que pela voz! Éramos mais parecidos calados do que a cantar.

O Zeca tinha sofrido a influência religiosa densa de uma tia «beata», que talvez tenha contribuído para que tivesse deixado, logo no limiar da adolescência, qualquer manifestação de prática religiosa, mas essa formação, que continuou a fazer parte do pavimento em que assentava como criatura, acompanhou-o até ao fim. Nunca rejeitou a essência daquilo que moldou a sua natureza inquieta e generosa e deu expoente aos seus valores sociais.

Uma vez em que, com um pequeno grupo de amigos, decidi ir a Fátima de bicicleta, amedrontado com os duzentos e vinte quilómetros que tínhamos de percorrer, resolvi, com a anuência dos companheiros de viagem, partir a meio a distância e pernoitar na república Baco, sempre a primeira a ser procurada, porque nela viviam muitos conhecidos e alguns bons amigos: o Fernando Machado, o Manuel Pepe, o Batalim, o Dario — e também porque a canção coimbrã tinha aí uma grande sede. O convívio alegre e saudável compensava bem o sacrifício de certas incomodidades do alojamento. Era também frequente o Zeca passar por lá e, nessa noite, passou mesmo. Falou-se de tudo e, obviamente, também do motivo da nossa viagem. Ficou entusiasmado com a «peregrinação» e só não nos acompanhou porque, na manhã seguinte, não conseguimos encontrar em Coimbra uma bicicleta disponível.

A convergência das nossas pessoas, sentenciada naquela noite de Inverno, nunca sofreu retrocessos ou foi posta em causa por qualquer acidente ou assintonia. Pelo contrário, foi tomando corpo, progressivamente, mais verdadeira e consciente. Quanto melhor nos conhecíamos, mais os nossos ideais batiam certo ao ritmo de um mesmo compasso. Não há dúvida de que social e humanamente assentávamos os pés num mesmo chão e que, no essencial, éramos guiados por uma bússola orientada para um mesmo norte. Menos ancorado nos valores tradicionais, o Zeca sempre foi mais solto e, por isso, vagabundo. Mas, se em alguma coisa divergíamos, era em pequeníssimos pormenores que se escondiam na espuma de certos comportamentos.

Subitamente, fui mobilizado para prestar serviço médico militar em Angola. Os três anos (de 1963 a 1966) que lá passei foram muito mais do que a interrupção fortuita de um convívio que sempre fora reciprocamente desejado. Nenhuma das minhas outras amizades sofreu com essa ausência forçada.

Quando regressei de Angola, fui reencontrar o meu Amigo Zeca em Vilar de Mouros, protagonista zangado de um extenso protesto, ora em prosa ora em verso, meio recitado, meio cantado e que tinha como objecto a história de Catarina Eufémia. A mudança senti-a, sobretudo, no abraço frio que me deu quando, no fim da longa catilinária, desceu do palco! Não me surpreendeu o seu entusiasmo pela causa abraçada. Alguém agarrou bem a sua generosidade disponível, o vazio criado pela sua bondade por realizar. Espantou-me, sim, que na sua mente independente e lúcida deixasse de haver lugar para a sublimidade poética que nos tinha feito muito amigos! Nem a poesia escapa a certas escorregadelas da lógica! Tão semelhantes e, contudo, o Zeca acabou por ser o símbolo de uma revolução que me expulsou da Universidade.

Serafim Guimarães

READ MORE
GrândolaJoão AfonsoJosé SaramagoLuís PastorVídeo
07/08/2006By AJA

Na biblioteca de Saramago

El sábado de la semana pasada tuvimos la fortuna de conocer a Joao Afonso, el sobrino de José Alfonso. Fué en la biblioteca de Saramago en Tías -Lanzarote-. Allí coincidió el grupo de artistas que visitaba la isla con motivo del concierto de Luis Pastor y su nuevo disco Duos. Fue una reunión íntima que terminó acariciada por poemas y canciones. Y no pude evitar coger la cámara y ponerme a grabar para socializar el pasaje.

READ MORE
Biografia
02/08/2006By AJA

2 de Agosto – data de nascimento de José Afonso

“Parece que em princípio ninguém se lembra do acto de nascimento. Cientifi­camente não se pode confirmar que um indivíduo que nasce tenha a percepção do seu próprio nascimento. Agora que existe uma imagem persistente, uma luz muito difusa, translúcida e que através dessa luz figuras mal definidas se debru­çam sobre mim e a minha mãe…, tenho uma ideia disso. Há muitos anos que te­nho essa impressão.»

Para José Afonso, que assim «revelou»o seu próprio nascimento a Luís Filipe Rocha, «tudo parte de uma luz indife­renciável, uma luz que invade tudo, que me penetra por todos os lados, não é? Progressivamente através dessa luz vou distinguindo uma ou outra fi­gura. Tudo parte de uma luz branca, uma luz láctea. E não é uma luz do ti­po hectoplasma ou transcendental. Pelo contrário, é uma luz imanente, uma luz muito vital, como se fosse uma película, como se fosse um banho de leite, estás a perceber? Que me mergulhasse a mim ou que mergulhasse o universo.»

READ MORE
Biografia
01/08/2006By AJA

Zeca a propósito da sua passagem pelo Algarve

Faro 1961 – 1964

Foi uma fase de euforia extremamente gratificante e das coisas mais felizes da minha vida. Escrevi na altura “Tenho barco, tenho remos”, a propósito de um barco que utilizávamos. Nesse barco do diabo fazíamos viagens fantásticas ou fantasmas(…) discutíamos pontos de vista vários. Tinhamos a mania de andar a pé até Olhão, até Quarteira e ainda mais longe.

José Afonso

READ MORE
Homenagens e tributos (poesia)Luiza Neto Jorge
01/08/2006By AJA

Novos cruzados

Luiza Neto Jorge lembrando as suas deambulações em Faro com A. Barahona, Zeca Afonso, Bronze e Pité

Novos Cruzados

Sequiosos descem
seus corpos de esponja

a rolar na treva,
iates rompendo
à babugem da água,
caravanas caras
em fossados por
rochedos e hortas,
sedentos recolhem
cisternas, piscinas
sob o seu pendão,
e saqueiam, sangram
consagrados à
salvação do corpo
estes cruzados!



Luiza Neto Jorge

READ MORE
Homenagens e tributos (2006)
30/07/2006By AJA

Vila Real de Santo António recebe os amigos de José Afonso

READ MORE
António Pedro VasconcelosTestemunhos
28/07/2006By AJA

António Pedro Vasconcelos sobre o Zeca

«Morra um homem. Fique a fama». (Zé do Telhado)

Era um senhor. Desprendido e simples.
Arrogante e firme. Um aristocrata. De uma espécie em vias de extinção: um homem livre.
Quis um pano vermelho a cobrir-lhe o caixão, porque era fiel, como os partisans do poema de Aragon -, mas sem insígnias, porque, se ele serviu de bandeira a muita gente, a muitos grupos e partidos, a quem emprestou a voz, a bolsa e a vida, não pertencia a ninguém. Era de uma espécie em vias de extinção: um homem livre, solitário e fraterno.
E ademais um poeta. Um grande poeta lírico, – da família de Nobre e Camões. Um cantor -, como Dylan e Ferré. Tão grande ou maior do que eles todos, como pretendia Paco Ibanez? Talvez, mesmo se uma doença traidora e a má sorte de nascer em Portugal, . que ele tanto e tão bem amou, lhe fecharam tão cedo os horizontes.
Berlioz fez adoptar a «Marselhesa» pelo povo de Paris, nos dias eufóricos de Julho; ele compôs a «Grândola» em comunhão clandestina com o povo, que a iria adoptar nos dias memoráveis de Abril. É ela, e não a «Portuguesa», o nosso Hino Nacional.
Dizem que teve dúvidas, hesitações, desalentos. Era o sinal da grandeza. Mas não baralhava os inimigos: a miséria e o medo, a mentira e o abuso.
Nestes tempos de promiscuidade e memória curta, em que uma espécie de SIDA moral começa a contaminar tudo e todos, ele disse sempre de que lado estava, sem ambiguidades. Era um homem de esquerda, irredutível, irreconciliável. Um exemplo.

READ MORE
Luiz GoesTestemunhos
28/07/2006By AJA

Luiz Goes sobre o Zeca

Falar do Zeca é falar de um grande amigo com quem convivi muito intimamente em Coimbra, sobretuto nos anos 50.
Quando se dão os grandes acontecimentos dos anos 60 eu já não estava lá, já me tinha formado. O Zeca se fosse vivo tinha mais quatro anos do que eu de idade, mas eu era dos cantores o que me formei mais cedo, porque tinha a mania de ser bom aluno, e não era suficientemente boémio, se fosse hoje, reprovava mais de dez anos.
Formara-me em Outubro de 1958 e em 1959 já estava em Lisboa, nos Hospitais Civis, e a partir daí perdi aquele contacto diário, constante, com esses meus queridos amigos, o Zeca era um deles. Como é evidente, com essa vinda para Lisboa, perdi o convívio com aquela geração, e com aqueles acontecimentos da época lá em Coimbra. Mas acompa­nhei-os muito de perto.
Entretanto fui mobilizado, para a Guiné, onde estive dois anos e, quando voltei, procurei recuperar o tempo que tinha perdido em termos de cantigas, estimulado por terceiros. Depois lá recuperei um pouco e entrei numa fase da minha vida, mais amadurecida talvez, mais velho por dentro também, e, naturalmente, modifiquei a minha maneira de ser. Mas, falar do Zeca é falar de uma pessoa inesquecível. Do seu talento, do seu lirismo, no fundo, para mim, o Zeca foi sempre um lírico, punha as palavras também ao serviço do coração. Eu sei que era assim. E depois de tantos episódios curiosos vou-lhes lembrar apenas um. Eu durante muito tempo não fui república em Coimbra, porque a minha mãe vivia lá, pois eu sou natural de Coimbra. Devo ser talvez, o único cantor conhecido, pelo menos do nosso tempo, que tenha nascido em Coimbra, de maneira que tinha casa. O Zeca já era casado, era a primeira mulher, tinha dois filhos e a minha casa era uma “República”, e então, muitas vezes, o Zeca chegava e dizia assim: “á D. Leopoldina”, que era a minha mãe, “não se importa que os miúdos fiquem aí?” E a minha mãe respondia: “á Sr. Doutor”, a minha mãe tratava toda a gente por doutores, porque era costume lá em Coimbra, um indivíduo desde que tivesse capa e batina tratava-se logo por senhor doutor, desde o primeiro ano, “isto é uma maravilha, hem?”. Entretanto ficavam lá os dois miúdos e o Zeca esquecia-se. Um dia, a minha mãe, ao fim de dois dias, disse-me assim: “á Luís, desculpa lá, eu sou muito amiga do Zeca, mas ele. . . quando é que? .. ” E eu: “… O quê? ainda cá estão?…” Tinha-se esquecido. Depois ia buscá-los. Isto é um episódio que revelo com muita ternura, com muita saudade e com muita afectividade. Eu tenho orgulho de ter pertencido à geração dele, e também, em ter contribuído à minha
maneira, para que as coisas mudassem. Mas não me esqueço dele. Foi um grande amigo, é uma grande memória, uma pessoa que eu trago sempre no coração e na minha sensibi­lidade.

Luiz Goes

READ MORE
Homenagens e tributos (poesia)Sérgio GodinhoTestemunhos
28/07/2006By AJA

José Afonso trouxe canções que rebentavam diques, ideias feitas, praxes, estruturas

Eu teria então os meus quinze anos, e não gostava de quase nada do que se fazia na música portuguesa.
Nisso, devo dizer, não estava só.
Ora um país onde a gente nova não se reco­nhece, seja na música ou no resto, é um país doente, a precisar urgentemente de um doutor.
Ouvi então uma voz única, e vinha de facto de um doutor: chamavam-lhe, e chamava-se, Dr. José Afonso, à boa maneira coimbrã, pom­posa e c1assista; mas este doutor trazia canções que rebentavam diques, ideias feitas, praxes, estruturas. “O meu menino é de oiro, é de oiro só, hei-de levá-lo no meu trenó”. O Zeca passou a ser o meu doutor particular, a minha referên­cia só pouco a pouco assimilada.
Em 1972, respondendo a uma carta que ele me tinha escrito (estava eu impedido de cá vir) respondi-lhe glosando a sua poética, fazendo sobre a música do Sr. Arcanjo uma nova letra, em jeito de dedicatória e homenagem. Hoje, quando a releio, descubro-a de certo modo pro­fética, não só na descrição metafórica dos anos que se seguiram, desde o 25 de Abril até hoje, como na própria referência ao olhar do Zeca, sempre atento e perspicaz, a última coisa a mor­rer quando ele já tão doente estava. Dizia assim a canção:
Eh Zeca Afonso
canto para ti
ainda era moço
quando te ouvi

Convite à dança
fizeste a quem

era criança
soube-me bem

Eh Zeca Afonso

mal tu sabias
que duro osso
que então roías

Menino de oiro
no teu trenó
foi mau agoiro
deixar-te só

As mafarricas
vieram todas
pobres ou ricas
celebram bodas

Disparam tiros
de tudo comem
até vampiros
e um lobisomem

E os surdos mudos
tapam os olhos
sopram canudos
catam piolhos

Coçam sovacos
abrem a cova
metem em sacos
a tua trova

Mas não te afobes
quem te amofina
só fez que sobes
na nossa estima

Há nas janelas
do teu olhar
duas donzelas
ainda a espreitar

Olham para o mundo
para o alecrim
respiram fundo
cantas assim

Senhor arcanjo
Vamos dançar
afina o banjo
pelo luar

Sérgio Godinho

READ MORE
DiscografiaJosé Mário BrancoTestemunhos
27/07/2006By AJA

Chamava-se Catarina

Nascido para, como diz a cantiga, “abrir grandes janelas”, o Zeca sempre suportou maio fechamento – quer o das ideias, quer o dos espaços. Das duas vezes que foi a Paris gravar comigo, em 1971 (“Cantigas do Maio”) e 1973 (“Venham mais cinco”), nunca ele escondeu quanto lhe desagradava e o indispunha a necessidade de ficar fechado no estúdio durante horas, e quanto ele não gostava nada de Paris nem do ambiente dos portugueses de Paris – hoje entendo como tinha razão.
Porque haveria de ser preciso fecharmo-nos, horas e horas a fio, na tensa clausura de um estúdio de gravações, se o objectivo era precisamente registar os grandes e puros espaços sonoros das suas melodias, a frescura densa da sua voz, a força simples e lírica das suas palavras? As máquinas! custava.lhe aceitar que a “limpeza” e a “verdade” do som só pudessem ser conseguidas, neste mundo sujo e atravancado, por meio das máquinas, das técnicas, do isolamento acústico. Custava.lhe aceitar que, para fazer chegar aos outros as coisas belas e simples que inventava, fosse preciso tanta guerra para reconquistar o silêncio, a página branca, o patamar vazio donde tudo tem que partir.
Assim, por entre mil episódios que atestam o que acabo de dizer, há esse – o da gravação do “Cantar Alentejano” (“Chamava-se Catarina… “) – que testemunhei aquando da gravação das “Cantigas do Maio”, juntamente com a Zélia, o Fanhais, a Isabel Alves Costa, o técnico Gilles Sallé e, naturalmente, o violista Carlos Correia (Bóris). A opção de arranjo foi: só a viola, e a voz do Zeca. Sem rede.
O regime de gravações – tardes e noites – fez que, nesse princí­pio de tarde, fosse a altura de gravar o “Cantar Alentejano”, “Vamos a isto, Zeca?”, ia eu dizendo, naturalmente preocupado com a factura do estúdio. “Não tens nada para ir metendo?”, desconversava ele. Via-se que não estava pronto. “Queres ir me­tendo outras coisas? Faltam vozes no “Milho Verde” e no “Senhor Arcanjo”… E assim ia passando a tarde. “Está bem, vamos me­tendo outras vozes”. Mas não se conseguia grande coisa. A alma dele – percebi depois – estava toda no Alentejo, nos olhos de Catarina Eufémia. E, como tantas vezes acontecia, andava no estúdio para cá e para lá, em passos nervosos, como o jóvem leão na sua jaula.
Até que, já pela tardinha: “Eu vou até lá fora, olhar para as vacas” – o estúdio era numa quinta apalaçada, no meio dos campos. Desapareceu, uma hora ou duas. Quando voltou já era quase noite. “Vamos gravar a Catarina”. O Bóris meteu-se na pequena cabina, para o som da viola ficar isolado da voz. O Zeca, no meio do estúdio, sozinho e às escuras, cantou. Uma só vez. Essa que está no disco.
Nós, os outros, os privilegiados espectadores, estávamos na cen­tral técnica, quase todos a chorar incluindo o técnico francês. “Acham que é melhor eu cantar isto outra vez?”
“Não, Zeca, não. Está muito bem assim…”

José Mário Branco
in Revista nº1 da AJA de 1988

READ MORE
Adelino GomesTestemunhos
27/07/2006By AJA

Carta de agradecimento a José Afonso um ano depois da despedida

Conheci-te pessoalmente vai fazer 21 anos.
Esperei-te no cais da Rocha do Conde de Óbidos, junto dos fun­cionários da Alfândega, da Guarda Fiscal, da Pide. Vasculhavam eles arcas e malas e eu, de gravador ainda desligado, para trás e para diante, ao sabor das tuas necessidades alfandegárias, ten­tando vencer a (futura) lendária relutância do dr. José Afonso a falar de música, das suas cantigas.
Guardo uma vaga memória da tua mulher, da(s) criança(s), das respostas evasivas a provocarem-me a situação de desconforto que volta e meia tenho de suportar noutros episódios desta pro­fissão de intruso.
Ninguém para te abraçar, à chegada do navio.
E tu a mostrares-te admirado (desconfiado?) com a minha insis­tência em falar-te de música, e da importância das tuas canções. A minha tarefa era recolher as tuas primeiras declarações no re­gresso à “metrópole”. Não me lembro como, mas eles eram bons profissionais) o Carlos Cruz e o Fialho Gouveia, realizadores do programa PBX (Onda Média do Rádio Clube Português, da meia­-noite às duas), sabiam que ias chegar naquele dia do Verão de 1967. Encarregaram-se de te entrevistar, e de te convencer a gravar algumas canções para o programa. Gravar gratuitamente, que era a velha forma nacional – porreirista de aproveitar os can­tores de resistência sem olhar aos seus dramas, sem nos interro­garmos sobre (se tinham) dificuldades materiais.
Vinhas esgotado da experiência colonial de Lourenço Marques e da Beira. E sem um tostão. Não sabias bem ainda onde ficarias a residir. Julgo que me falaste de Setúbal, mas também de Faro. Só encaravas o ensino como modo de vida.
Regressei impressionado à Sampaio e Pina. Tentei que os reali­zadores convencessem os produtores – os Parodiantes de Lis­boa – a pagarem as gravações que te dispuseras a ir fazer dentro de dias. Recordo a alguém a argumentar (interessa saber quem, em particular?) que o Zeca Afonso se devia sentir muito grato ao PBX por este o relançar no país.
A fiscalização do RCP – junto da qual funcionava um represen­tante dos Serviços de Censura – cortou o programa e só uma cunha do actor Raúl Solnado ao Subsecretário de Estado da Pre­sidência do Conselho, Paulo Rodrigues, permitiu a sua trans­missão umas noites depois.
Nunca tive coragem de te perguntar se recebeste algum dinheiro pelas gravações. Julgo que te pagaram apenas os transportes para e de Lisboa. Não me lembro que canções novas (era a exigência) cantaste. A lógica manda-me pensar que foram canções incluidas no LP Cantares do Andarilho (1968) ou nos Contos Velhos Rumos Novos. Porém, não sei porquê, fiquei sempre com a ideia que foi no PBX, em 1967, que deste a conhecer as Cantigas do Maio. Talvez porque a esse espantoso monumento da MPP /Canção de Intervenção nada foi feito antes nem nada foi feito depois que se igualasse.
Para mim, o momento do solitário encontro no cais e o episódio do “cravanço” do PBX constituiram a revelação em corpo inteiro de um José Afonso que andou pela nossa terra, como tu próprio declararias mais tarde, a pagar a sua dívida política e cultural para fins que considerava correctos e a pessoas ou organizações para quem valia a pena fazê-lo.
Jornalista da Rádio, foi a ti, à inspiração da tua música e ao apelo dos teus versos que recorri, como outros companheiros, nos tempos de Salazar e Caetano, para fazer passar a mensagem do inconformismo.
Tu dizias por música o que nós não podíamos dizer por palavras. O que nós não tínhamos coragem para dizer por palavras. Devo-te essa lição.
Devo-te tudo o que se deve a quem nos dá força para resistir. Tudo o que se deve a quem tem a coragem de ser até ao fim igual a si mesmo e às ideias que apregoou algum dia.”Outra voz outra garganta/Outra mão que se estende à que tom­bara/Uma fagulha num palheiro acesa/Ó meus irmãos a luta não pára”.

Adelino Gomes, in Revista nº 1 da AJA, 1988

READ MORE
António Vitorino de AlmeidaTestemunhos
27/07/2006By AJA

Era um redondo vocábulo

“Grande engano! Mísera sorte! Estranha confusão! …” – são palavras utilizadas por Luís de Camões para definir alguns de­sastres do aventureirismo lusitano.. .
E não sei porquê – até porque o espírito que presidiu a essas aventuras se baseava num conhecimento profundo e altamente especializado da arte de marear, devendo-se os desastres a con­tigências próprias dos anseios descomedidos do Poder, e nunca a falhas gritantes de competência técnica… -, estas palavras in­cisivas do poeta renascentista vêm-me à memória sempre que penso nos sons da angustiosa indigência artística e intelectual produzidos por alguns grupos musicais portugueses com larga audiência no nosso caseiro mundo do espectáculo, afora alguns indeléveis recortes para o álbum das recordações excursionistas por terras de Espanha, alegria das famílias e orgulho patriótico de uma imprensa dita especializada…
A eminência parda que, em derradeira instância, sempre decide as eternas questiúnculas entre o “querer” e o “poder’ é, indu­bitavelmente, o “saber”… Quem sabe, pode quando quer; quem não sabe, até ignora o que poderia se acaso quisse aprender… Para mim, a norma de conduta mais razoável e eficaz consiste em saber-se o que se pode e fazer-se, em função disso, o que se quer. Quem não sabe o que pode, acaba por fazer o que não quer. . . E quando vejo louvar e incentivar a actividade desses inválidos da música, o seu trôpego caminhar por sobre os calhaus ásperos de um som não dominado, por entre os cardos da inépcia mais grotesca, volto a lembrar-me do discurso camoneano, sou tentado a perguntar aos empresários, aos agentes, a certos críticos e jornalistas confessamente virgens de qualquer conhecimento técnico (ou mesmo histórico!…) Na matéria sobre que dissertam enquanto apoiam movimentos de tão previsível mau destino:
“A que novos desastres determinas de levar estes Reinos e esta gente? Que perigos, que mortes lhes destinas debaixo de algum nome proeminente? Que promessas de reinos e de minas de ouro, que lhe farás tão facilmente? Que famas lhe prometerás? Que histórias?.. Que triunfos? Que palmas? Que vitórias?
Camões acaba por amaldiçoar aqueles que puzeram nas ondas o primitivo madeirame de barcaças encimadas por uma vela. Eu não amaldiçoo ninguém, é óbvio; mas espanta-me, assusta-me, a leviandade com que se põe num palco, num estúdio, sujeito à verdadeira – e implacável – crítica do futuro, gente que nem sabe pegar num microfone para gemer a sua importância vocal, poética e musical…
De todos os actuais êxitos e aplausos ficará cinza, pó e nada. Ficará o fel das grandes ressacas, o sabor do papel de música que nunca se provou… E isso é tanto mais grave quanto não está provado que todos esses infelizes homenageados de hoje, gozados de um amanhã já próximo, sejam por natureza destituí­dos de jeito, capacidade de aprendizagem, até de certo talento para a arte que tanto amam, ainda que sem serem correspondi­dos… A música (tal como qualquer outra actividade profissio­nal…) não vai nas cantigas de tais namorados: São fulanos que ostentam, na melhor das hipóteses, uma fachada razoável, mas que deixam logo a certeza de não terem o interior mobilado…
Nós podemos apreciar mais ou menos, muito, pouco ou mesmo nada, um determinado estilo, sem que isso nos leve a ignorar onde é que está um profissional, alguém que se sabe mexer, al­guém que sabe cantar, que sabe tocar, que consegue indiscuti­velmente transmitir uma ideia, um pensamento, uma filosofia… Essa filosofia pode desagradar-nos, até; mas a capacidade té­cnica ou artística de quem a comunica não deve ser posta em causa, sob risco de perdermos o desafio por abuso da autocon­fiança, por ridícula estultícia e arrogância…
Portanto, não interessa, em princípio, saber se todos gostamos ou não da mesma música, se todos estamos de acordo com deter­minadas correntes de pensamento; trata-se, para já, de exigir que os seus defensores saibam exprimir-se, pois só a partir daí poderá haver discussão ou confronto de opiniões.
Não caindo na tendência altamente reaccionária de separar as formas dos conteúdos, temos que admitir que o mundo em que vivemos – ou sobrevivemos… – tem ao seu serviço expressões artísticas que definem as suas problemáticas, a sua ideologia, as suas coordenadas de pensamento: a música de uma sociedade poluída não pode ser límpida como um ribeiro de águas nascen­tes, não pode ter contornos sonoros definidos ou puríssimos, mas terá, necessariamente, de ser pastosa, poluente, insalubre, en­démica. Na verdade, se consentimos que um rio seja sinónimo de esterqueira, como poderíamos aspirar a uma música de en­cantos pastorais onde pudéssemos mergulhar e nadar sem o perigo das mais abjectas contaminações?!
É evidente que este é o meu ponto de vista. Mas há quem de­fenda que toda a trampa vale a pena quando a ind ústria não épequena. Há quem colabore com as forças de manutenção deste mundo e que defenda como útil e indispensável a entrega a pa­raísos artificiais compensatórios do inferno em que transforma­ram a realidade concreta. Há quem defenda efectivamente a droga e a alienação, a ignorância das tragédias e das aberrações como forma de sobrevivência – e essa filosofia tem a sua música própria, assente numa estética correspondente e coerente.
Eu sou contra esse mundo, essa filosofia e essa música – e estou no meu direito, parece-me… Tal não significa, entretanto, que negue (seria absurdo fazê-lo!) a capacidade profissional dos seus mais eficazes defensores: são de tal modo eficientes que há mi­lhões de pessoas que não reagem contra esse destino de inqui­linos de uma sempre crescente lixeira, ou que julgam que para combater semelhantes perigos e ameaças bastará ouvir música e idolatrar cantores, o que deixa, naturalmente, uma invejável margem de manobra aos responsáveis pela esterqueira.. .
Pelo contrário, há grupos musicais entre nós cuja nulidade não permite discussão; é correspondente à sua total ausência de ideologia – direi mesmo de raciocínio em relação aos problemas sociais, culturais ou políticos… Mas essa nulidade permite que o grotesco macaqueamento de uma linguagem de teor neo-fascista, por exemplo, possa ser utilizado, sem atritos de qualquer espécie, numa festa de ideologia progressista – e vice-versa!
Mais ainda, estes párias da cultura são muito estimados e pro­movidos por todas as forças partidárias, tanto faz que cantem para uns como para outros, que mudem de candidato presiden­cial ou de grupo parlamentar como quem troca as cuecas. Essen­cial é que a sua mensagem seja absolutamente õca de sentido e que a própria forma como se exprimem não se arrisque a nenhu­ma definição de fins nem de princípios. É gente para usar e deitar fora. . .
Ora essa gente… é gente! Longe de os condenar como culpados, eu considero que esses lamentáveis grupos são as grandes vítimas de um sistema efectivamente infame, pluralista saga de uma anti-cultura militante, a castração da crítica, a busca a uma so­ciedade amorfa e conformada, apenas ruidosa, o muito barulho para nada, a ausência de uma vontade autêntica e actuante. Al­guns desses actuais incapazes poderiam talvez deixar de o ser se seguissem um exemplo respeitável, uma filosofia concreta.
O símbolo de uma filosofia de participação e de responsabili­zação dos artistas e intelectuais nos destinos do mundo encon­tra-se na música e nas ideias de José Afonso.
É um disparate argumentar-se com a teoria de que ele não sabia música. Sabia a música de que necessitava para defender os seus conceitos. Poucos como ele foram capazes de tomar conhecimento do que podiam para fazerem depois o que queriam!
Em nenhuma obra de José Afonso se pode lamentar que ele não tivesse conhecimentos suficientes para se exprimir literária e musicalmente. Foi um artista que soube paradigmaticamente en­contrar a forma que correspondia ao seu conteúdo ideológico, sem cedências nem transigências, sem qualquer vislumbre de conformismo ou de aceitação de uma menoridade: o que fazia era bem pensado, bem escrito, bem composto e bem cantado! José Afonso é hoje muito elogiado, nomeadamente por alguns que ele menos poderia suportar em termos artísticos – e não só… Mas isso não é grave. Antes pelo contrário, pode ser muito relevante se os homenageadores se esforçarem por aprender com o homenageado. Que se transformem, quanto possível, os ama­dores na coisa amada – e tudo ficará certo. . .
Não se trata de saber solfejo, leis de harmonia ou normas de con­traponto. Nem mesmo se trata de conhecer muitas posições na guitarra. José Afonso nunca precisou disso… Do que ele nunca prescindiu foi de criar uma técnica própria, foi de evoluir artis­ticamente até ao ponto de ser, para todos os efeitos, um Mestre. E o caminho por ele percorrido passou, inevitavelmente, pela consciência de que toda a arte exprime um ideário, se orienta por conceitos estruturados com base naquilo em que se acredita e que se pretende defender.
Não vou sequer ao ponto de desejar que todos perfilhem – como eu tento perfilhar, na medida do meu possível – a linha ideo­lógica pura e intransigente de José Afonso, um homem bafejado pela Razão e por um superior sentido de Justiça, valores que se pagam muito caro. . .
Penso, isso sim, que o simples respeito pelo artista que ele foi, o seguir do seu sistema de trabalho como padrão para o estabe­lecimento de um critério de valores profissionais, já poderia ajudar muita gente a enveredar por uma estrada digna e a li­vrar-se do juizo final de um público que aplaude, compra, con­some… – mas, no fundo, não perdoa!

António Vitorino de Almeida
in Revista nº 1 da AJA de 1988

READ MORE
Carlos Paredes
24/07/2006By AJA

Por estes dias, vamos lembrando Carlos Paredes

Desenho de RIB http://www.rib-acaso.com

READ MORE
Carlos Paredes
23/07/2006By AJA

Carlos Paredes – A magia da guitarra aliada à lúcida memória das coisas

A proposta era a de Carlos Paredes nos falar do seu album ES­PELHO DE SONS, recentemente editado e ao mesmo tempo relembrar José Afonso através da memória, das pequenas e gran­des histórias vividas em comum.
Carlos Paredes não aceitou o jogo. Quis falar e falou, quase só sobre José Afonso – “um grande amigo, um homem que marcou a sua geração” – relembrando momentos, acentuando facetas menos conhecidas.
“O José Afonso era um cantor ambulante, um músico ambulante no melhor sentido da palavra. Era um homem que oferecia a sua música aqui e além, onde era possível ter público. O José Afonso chegou a cantar em cima duma árvore, em cima dum camião. O que ele se propunha dar às pessoas não era só a sua arte de cantor. Tinha também por objectivo divulgar ideias, esclarecer as pessoas, levá-Ias a conversar sobre a vida”.
A guitarra portuguesa aparece quase sempre ligada ao fado. Carlos Paredes é um homem cuja tradição entronca na do fado de Coimbra. José Afonso bebeu dessa mesma fonte, como de muitas outras, mas, no dizer de Carlos Paredes, ele realizou-se muito melhor na balada.
“As apreciações que se faziam em Coimbra eram à voz, à ampli­tude da voz, à força da voz. Dizia-se que fulano tinha uma voz extensa, uma voz forte. Ora o José Afonso não era bem um cantor que correspondesse a estas características e precisamente por isso, saiu-se muito melhor nas suas baladas do que no fado. Mas as suas ligações a Coimbra eram bem fortes. Ocasião houve em que achou que havia figuras do fado de Coimbra que lhe mereciam todo o respeito e que, em certa medida, estavam na mesma linha que ele trilhara. Foi o caso de Edmundo de Betten­court do qual dizia sér um cantor progressista e inovador, e do meu pai que ele gostava muito de ouvir tocar. Acabou por gravar um disco de fados de Coimbra que foi uma forma de mergulhar nas origens, homenageando ao mesmo tempo uma tradição fa­dista que o havia inspirado, lírica mas não piegas.
O acompanhamento preferencial de José Afonso era a viola; Carlos Paredes vê nisso uma atitude inovadora, dado que a gui­tarra portuguesa limita o cantor.
“Eu não sou contra a guitarra portuguesa, como é lógico, visto que a toco, mas José Afonso tinha absoluta razão. Eu penso que a guitarra portuguesa molda o cantor. O cantor que canta ao som da guitarra portuguesa, quer queira quer não, acaba por ser in­tegrado num certo estilo. O José Afonso saíu disso. Compreendeu que a guitarra portuguesa o desviaria da busca de uma canção que correspondesse à sua própria personalidade. Suprimiu por­tanto a guitarra e sentiu-se mais liberto acompanhado pela vio­la”. E, aparentemente, mudando de assunto:
“José Afonso foi o marco de toda uma geração de cantores, num tempo em que a canção de protesto, a balada, foram bandeira e estandarte dos que procuravam a ruptura com o nacional-cin­zentismo” .
“Levou atrás de si outros cantores, e pode dizer-se que toda uma geração foi por ele inspirada. Surgiram assim nomes que dignifi­caram a canção em Portugal, a ponto de se ter criado esta divisão: os que correspondiam ao nacional-cançonetismo e os cantores de intervenção.
O nacional-cançonetismo era entendido como uma forma de comodamente se ignorarem os problemas, de se cantarem coisas que não fossem incómodas. A canção de intervenção, essa tinha uma capacidade de análise da realidade portuguesa, uma reali­dade dramática naquela altura”.
Para Carlos Paredes, em José Afonso as rotas da vida e da canção misturaram-se de forma exemplar.
“Nós nunca saberemos se foi através do percurso que escolheu para a canção que José Afonso encontrou o seu caminho da vida, ou se foi por ter escolhido um determinado sentido da vida que optou por um determinado tipo de canção. Parece-me que as duas coisas estão bastante ligadas. O José Afonso procurou a verdade e a verdade, naquela época, obrigava a trilhar esse ca­minho de denúncia com muita coragem, confrontando-se com perigos constantes. Mas ele era um homem de coragem, inteli­gente, interessado no futuro das pessoas, no mundo que o ro­deava e tudo isso traduzia nas suas canções. Algumas delas tor­naram-se autênticos símbolos que todos nós trauteávamos em determinadas ocasiões, porque tinham a ver com a existência de todos nós”.
“Penso – diz, rematando com um gesto a afirmação – que, com os anos, muitas das suas canções virão à memória a propósito de qualquer coisa”. E acrescenta:
“Ele disse-me um dia que gostava das minhas músicas, do meu reportório. Apreciava a alegria daquelas músicas, sentia profun­damente a vivacidade popular das canções.
Nesta conversa com o José Afonso pressenti que ele, já naquela altura, procurava fugir à melancolia do fado de Coimbra, àquele saudosismo a que era avesso, e fugindo da melancolia encontra­va-se com o povo, com o folclore. Talvez tenha sido por isso que a sua música se tornou tão universal.”
E Carlos Paredes dá conta do apreço com que eram ouvidas as canções do Zeca em alguns países por onde andou.
Três dedos mais de conversa. Para o entrevistado já é tempo de dar a José Afonso o lugar devido, como figura nacional, ímpar na história da canção portuguesa.
“Eu participei em algumas festas de homenagem a José Afonso, mas devo-lhe dizer que essas homenagens deviam partir do pró­prio Estado, das próprias entidades oficiais. Independentemente de se ter ou não princípios idênticos aos seus, as pessoas devem reconhecer que José Afonso lutou por qualquer coisa que interes­sava a todos e que, criticando a vida nacional, estava a fornecer matéria para que se formasse uma ideia mais concreta das reali­dades. E isso beneficiou toda a gente, de esquerda como de di­reita. Nem sempre se entende assim, as pessoas estão fanatica­mente agarradas às suas idiossincrasias e não pensam que a ver­dade possa ser útil.”
A conversa flui. Um olhar ainda para “Espelho de Sons”, disco de Carlos Paredes recentemente editado, quebrando um “jejum” de quinze anos. “Espelho de Sons” é uma espécie de apanhado de ligações – diz – de circunstâncias, e sobretudo a presença do rio. “Com o meu conhecimento de Lisboa posso dizer que o Tejo é uma evidência constante na cidade (tal como o Mondego em Coimbra), que fatalmente acaba por influenciar os seus mú­sicos e que me.influenciou a mim.
O “Espelho de Sons” é esta relação da guitarra ou do guitarrista com o seu mundo, o mundo em que vive, com quem convive, os seus problemas, as suas queixas.”
A conversa chegou ao fim. Uma última observação: “A obra de José Afonso é para ouvir no seu conjunto.
Cada canção corresponde a uma faceta, a uma característica diferente da sua maneira de ser. É uma obra virada para o futuro” .
Carlos Júlio in Revista nº2 da AJA, 1988

READ MORE
Carlos Paredes
23/07/2006By AJA

Cine-tributo a Carlos Paredes de Edgar Pêra

Movimentos Perpétuos – Tributo a Carlos Paredes
“Movimentos Perpétuos – Tributo a Carlos Paredes” é um documentário em 17 movimentos, em que os testemunhos e a guitarra definem o génio, a bravura, e a modéstia deste grandioso músico.Evocando a memória dos velhos filmes de família, plenos de intimidade, estabelece um diálogo entre uma guitarra e uma câmara de Super8, enquanto vai partilhando pequenas histórias da vida de Carlos Paredes.O concerto que o guitarrista deu no Auditório Carlos Alberto, no Porto, em 1984 – onde antecedia cada interpretação com longas explicações sobre o seu método de trabalho – é o ponto de partida para o desenrolar de histórias de prisão, resistência, sucessos e amadorismo, todas elas relatos marcados pela simplicidade e pela paixão.Imagens, sons de arquivo e depoimentos (de Rui Vieira Nery, José Jorge Letria, Paulo Rocha, Malangatana e José Carlos Vasconcelos), contextualizam a importância do músico, não se sobrepondo nunca à própria voz de Paredes. Obviamente que falando-se de Edgar Pêra, tudo isto aparece fragmentado, estilhaçado, multiplicado e reinventado a seu bel-prazer.Como quase sempre faz, o cineasta constrói um “mundo paralelo”, onde o passado e o presente se confundem, como se a portugalidade indefinível que constitui a essência da música de Paredes continuasse presente e não nos tivesse abandonado.Sobre este filme-tributo, confessa-se surpreendido pelas afinidades que encontrou com o músico. “Sinto-me pouco à vontade com ícones como o Carlos Paredes. Não por não gostar do trabalho deles – exactamente por gostar e achar que é uma armadilha prestar homenagens. Mas há ali muitas frases que subscrevo… Ele e os que falam dele levantam questões que afectam qualquer pessoa que tenha um percurso independente em Portugal – que conduz na maior parte das vezes a uma marginalização”, explicou numa entrevista concedida ao ‘Público’. Para além de uma tocante homenagem ao músico, e à pessoa que se escondia por detrás dele, este é também o filme mais bem conseguido e acessível de Edgar Pêra. De resto, o cineasta reconheceu, na mesma entrevista, que a linguagem que habitualmente usa lhe tem tolhido os movimentos. “A realidade é que para fazer ficção em Portugal é complicadíssimo convencer um produtor a investir num filme. As pessoas não me dão dinheiro porque devem ter medo que eu faça uma coisa esquisita. Ora, quando cheguei a 2001 e vi ‘A Janela’, ‘O Homem-Teatro’ [documentário sobre o encenador e actor António Pedro] e ‘Oito, Oito’ a estrear, tudo no mesmo ano, apercebi-me de que podia lidar com matéria ficcional linear com destreza”, diz, acrescentando “mas tenho esbarrado naquela coisa chamada júris…”.Neste momento, está a ultimar “Rio Turvo”, adaptação de um conto de Aquilino Ribeiro, filmado em regime de produção independente, sem subsídio.

READ MORE
Carlos ParedesCartasGrândola
22/07/2006By AJA

«O Carlos Paredes é um grandalhão»

Em carta dirigida a seus pais, datada de Faro a 23 de Maio de1964, Zeca Afonso refere-se nestes termos à sua passagem pela colectividade grandolense:

Eu e a Zélia estivemos em Grândola numa sociedade operária. Aí actuámos, eu e o Paredes (o filho é ainda melhor que o pai) no meio de uma assistência atenta e compenetrada, toda ela de operários e mulheres de xaile e lenço. Ofereci-lhes uma canção feita na véspera (16-5-64), uma espécie de evocação da terra alentejana e do seu símbolo ainda vivo na lembrança do homem do povo: a Catarina Eufémia, uma ceifeira de Baleizão morta pela Guarda Republicana em circunstâncias, que forneceriam matéria para uma canção de gesta. É claro, que não é isto que interessa manter nestes contactos efémeros com os «mujiks» do nosso tempo. Se alguma vez tiver de deixar esta terra é a lembrança dos homens que conheci em Grândola e noutros lugares semelhantes que me fará voltar. A sociedade grandolense é um casinhoto antigo com meia dúzia de divisões, uma orquestra, um grupo cénico e uma bibloteca. A direcção, toda ela constituída por operários, já promoveu a realização de palestras e concertos em que colaboraram o Alves Redol, o Romeu Correia, o Lopes Graça e o Rogério Paulo. As auroridades não só lhes têm recusado o mínimo apoio com têm entravado outras tantas iniciativas deste género. Em compensação os grupos puramente destinados a actividades recreativas (e são os que existem em maior número) funcionam permanentemente e com carta branca para realizar bailes e biscas lambidas. O Carlos Paredes é um grandalhão com aspecto simplório, mas o que esse bicho faz da guitarra é inacreditável! Nas mãos dele, este instrumento assume uma altura comparável à dos instru­mentos para música de concerto. Nada de trinadinhos à maneira do Armandinho. O exemplo do pai, o Artur Paredes, foi continuado pelo filho mas de uma forma diferente: só ouvido! O fulano consegue abranger duas séries de escalas exactamente como fazem os tocadores do flamengo e os grandes concertistas de guitarra espanhola.
Cartaz anunciando o espectáculo de Zeca Afonso e Carlos Paredes na Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense. Quem acompanhou o Paredes foi o Fernando Alvim e não o Júlio Abreu, ciclista da época, que só Deus sabe como aparece ali!

READ MORE
João Afonso dos SantosTestemunhos
22/07/2006By AJA

As vozes que nos faltam – João Afonso dos Santos

A tendência é para esquecermos as pessoas, na sua vera efígie, depois que desaparecem. Às tantas, estamos a moldá-las segundo a perspectiva dominante, ou, na melhor das hipóteses, pela nossa, supondo que a temos discordante da primeira. O que de algum modo não deixa de ser natural, enquanto essa incorporação nos valores cor­rentes (de circulação fiduciária, passe o termo) ou na nossa subjecti­vidade induzida não é o resultado dum acto deliberado do poder ou poderes constituídos ou a emanência deles. Aí, sim, nada se configura como natural na aparente naturalidade com que se nivelam os mortos pela rasa bitola dos vivos.
Por isso, fomos hoje buscar a voz parcelar do Zeca a uma das suas menos distantes entrevistas, porventura das mais fiéis, atributo de que poucas vezes beneficiou. E a um cenário não muito diferente do actual, nem diferentes os actores da cena pública, o mesmo se dizendo dos problemas capitais. Isto é, a um tempo próximo, não tanto no sentido cronológico do termo, antes na sua significação valorativa e sociológica. Com este expressivo acréscimo, o de que, en­tretanto, se agravaram os pressupostos de desumanização, de cin­zentismo cultural, de omnipresente oficiosidade administrativa, de aceitação conformista; e também daquilo a que se poderá chamar, com alguma ironia, a ética da desigualdade. Consiste ela em se colo­car na gamela da nossa frustração quotidiana os famosos indicado­res macro-económicos, enquanto os novos privilegiados se banque­teiam magnlfica e impudicamente, e erigir tudo isso em respeitável regra de vida e meta nacional, ao mesmo tempo. Que este tipo de “desenvolvimento” é o adequado, inevitável e até excelente afir­mam-nos, abonados em modelos que nos apontam, os demiurgos desta outra harmonia universal sobre a qual recai a suspeita de ser tão falaz, caduca e falsa como a profetizada no século passado.
Hoje, que certos círculos bem pensantes têm por moda celebrar, com grande clamor e alguma má consciência, a suposta morte das ideologias; e se generaliza a apetência pela dissolução da identidade colectiva em troca duns dinheiros por que tudo se afere – onde se mostra que há Judas bem mais rapaces do que os dos Santos Evan­gelhos; hoje, que todos querem ser, e não mais do que isso, sacer­dotes ordenados desse culto das novas tecnologias; que se maca­queiam provincianamente os figurinos importados, com grande sobra de fazenda; – bom é que se oiçam e façam ouvir vozes criticas, re­beldes e solidárias como a do Zeca.

Artigo publicado na revista nº 3 da AJA em 1989

READ MORE
Testemunhos
22/07/2006By AJA

A Minha História de José Afonso

Havia um poema e um enigma disfarçado de canção, nessa voz atormentada e vagamente trémula que me dizia: “A toda a parte chegam os vampiros… “. Eu escutava­-o, baixinho e às escondidas, algo ensimesmado pelo acto do meu próprio entendimento,
esforçando-me por decorá-lo mas não o compreendia. Pala­vra!, não o entendia porque não aprendera ainda o segre­do das suas palavras, nem isso a que hoje chamam o sentido figurado ou conotativo da linguagem que então se escondia por trás da sua música. Como compreender que o disco tivesse sido proi­bido (e creio preso ou dester­rado o seu cantor, como na altura se dizia), só por dizer que eles os vampiros, pousa­vam nas tulhas, traziam no ventre despojos antigos e nada os prendia às vidas acabadas? Ou seria simples­mente por aquilo de eles comerem tudo, tudo, tudo…e não deixarem nada?
Assim começa a minha história pessoal acerca do Zeca. Não é verdade que todos temos uma história pessoal acerca de um homem paradigmático e superior como o Zeca? Podem ser
histórias de amor ou de ódio, ou mesmo constataçães da mais plana e turva indiferença, mas nunca de um desconheci­mento diferente e distinto da pura e frívola ignorância. Por mim, que comecei por amá-lo antes mesmo de o entender, a história de José Afonso situa-se entre dois extremos opostos, os quais se tocam,
de um lado, a minha inocência política, e do outro, a noção do tempo, da idade e da cul­tura. No extremo da inocên­cia, começa a memória de “Os Vampiros” e da sua proibição; no outro, colhe-me a surpresa de ter sabido ler o oculto, a alegoria dessa “Grândola, Vila Morena “, que afinal era a pro­fecia de um país, a sua espe­rança ou mesmo a sua identi­ficação. Não tinha idade para decifrar a mensagem, vinda na denúncia encoberta do tal poema que dizia: “Enchem as tulhas, bebem vinho novo/ Dançam a ronda no pinhal do rei”. Muitos anos mais tarde, soube desde o primeiro mo­mento que Grândola, na voz e na ideia do Zeca, não era apenas uma vila morena, muito plana, situada ao sul da cidade com um rio – mas a própria cidade branca e altiva da alma e da honra que muitos de nós conhecíamos…
Houve um tempo em que tínhamos apenas os nosso cantores. Hoje, temos a eter­nidade deles, que é feita à nossa medida. José Afonso continua fora do tempo e das geraçães porque nunca foi credo nem um mito, menos ainda uma lenda não compor­tada pelos sentidos da músi­ca. Ergueu em torno de si, sem nunca ter tido esse propósito, uma escola para a educação e para o sentimento do mundo. Da sua vida, é injusto dizer que pas­sou. Seria aliás ofensivo recor­dá-la apenas como um caso de fé. A única coisa que dela sei é que pode hoje estar aqui e amanhã ter-se ido ao vento, porquanto nunca teve um destino. Por andar ao vento lhe chamaram andarilho. Por ainda agora ela, a sua música, se fazer ouvir, trovador.

João de MeIo Lisboa, 1 de Junho de 1992

READ MORE
João Afonso dos Santos
21/07/2006By AJA

Senhora do Almortão – João Afonso dos Santos (irmão de José Afonso)



Artigo publicado na extinta revista da AJA (nº3), em 1989
Clique nas imagens para ampliar

READ MORE
Octávio SérgioPartituras e tablaturas
21/07/2006By AJA

Senhora do Almortão



Pautas gentilmente cedidas pelo guitarrista Octávio Sérgio.

Transcrição musical: Octávio Sérgio (2006)
Arranjo para Guitarra de Coimbra: Octávio Sérgio (1981)

Senhora do Almo(r)tão,
Ó minha rosa encarnada,
Ao cimo do Alentejo
Chega a vossa nomeada.

Senhora do Almo(r)tão
Ó minha linda raiana,
Virai costas a Castela,
Não queirais ser castelhana!
Não queirais ser castelhana (Ai)

Nossa Senhora da Póvoa, (bis)
Minha boquinha de riso,
Minha maçã camoesa (bis)
Criada no paraíso. (bis)

Senhora do Almo(r)tão,
A vossa capela cheira:
Cheira a cravos, cheira a rosas,
Cheira à flor da laranjeira.

Cheira à flor da laranjeira (Ai)
Nossa Senhora da Póvoa, (bis)
Minha boquinha de riso,
Minha maçã camoesa (bis)
Criada no paraíso. (bis)

Esquema do Acompanhamento:

1ª quadra: Mi menor // Dó maior, Mi menor // 2ª Mi, Mi menor // Dó maior, 2ª Mi;
2ªs quadras: Mi menor // 2ª Mi, Mi menor // Mi menor // 2ª Mi, Mi menor;Refrão: 2ª Sol, Sol maior; Si maior;SI maior, 2ª Si; 2ª Si, Si maior // 2ª Si, Si maior // Si menor, 2ª Si; 2ª Si, Si maior // 2ª Si, Si maior; 2ª Si, Si maior;

Para mais informações sobre esta música de José Afonso, consultem “No verso dos versos” no site da AJA

READ MORE
Homenagens e tributos (2006)
19/07/2006By AJA

Vila Real de Santo António recebe os amigos de José Afonso

READ MORE
No verso dos versos
18/07/2006By AJA

Menino d’oiro – Luísa Medeiros e Carlos Brito Mendes



Artigo publicado na extinta revista da AJA (nº2), em 1988.
Clique nas imagens para ampliar.

READ MORE
CartasManuscritosNatália Correia
18/07/2006By AJA

Para Natália Correia


Azeitão,/12/86

Cara Natália
Não consigo ver televisão, mas a sua presença.
Vi por momentos um programa na TV em que você
intervinha, sobre o tema “Amor e paixão”.
Gostei de ouvir a sua afirmação de que é necessário
recuperar a cultura dos incultos.
Preciso da sua presença nem que seja por momentos na TV.

Um abraço amigo do
José Afonso

READ MORE
Natália CorreiaTestemunhos
17/07/2006By AJA

Zeca: Encantava cantando – Natália Correia

Encontrámo-nos no mar alto. Ambos vindos de África. Eu, de An­gola onde, com o pretexto que me calhava ao gosto, de fluir feitiços africanos escapados à ganância evangelizadora dos missionários, ia em missão de tratos conspiratórios que a Pide farejava no cerco das andanças. O Zeca, de Moçambique, onde a sua voz de gorgolejos de água fora com a Tuna Académica, humedecedor com toadas saudo­sas de Coimbra cora­ções endurecidos pela faina de enriquecer a ex­pensas do indígena. O encontro foi de im­pacto mágico. Noctíva­go, por conseguinte. Enlevos, sonhos e indig­nação contra a mordaça com bota de elástico, exaltações vividas noite fora por um pequeno grupo que só recolhia ao camarote quando o raiar da manhã aureoleava o ritual da baldeação que nos expulsava do convés.
Recordo-o ali entre um apaixonado estar presente e um despren­dimento de não estar. Era belo. Mas o pudor de o ser ornava-lhe a cabeça de grego deslei­xado. Parecia que se envergonhava da beleza do seu rosto talhado pela medida ouro. A alma, essa porém expu­nha-se quando nos fazia ouvir o correr do seu sangue para a Poesia.
A sua demanda de cavaleiro da Causa que os fantoches do viver por viver, dizem ser coisa perdida.
Em Lisboa chega­ram-me os seus versos com uma pergunta. Ele queria saber se em minha opinião aquilo era publicável. Perplexa in­terroguei-me: mas então aquele génio da poesia cantabile não sabia que os fados o tinham predestinado para despertar a adormecida origem do nosso lirismo na recomposição das núpcias do canto e do poema?! Foi o que lhe respondi por outras palavras: Publicáveis? Não. Melhor do que isso. Cantáveis.
E de que maneira o foram, fei­tos sustento do anseio revolucio­nário que, se não for impulso da poética da libertação acaba sem­pre no bolso dos abutres dos Termidores.
Recordo-o ainda nas ferventes noites alentejanas em que envol­vidos no coral enluarado dos homens da planicie, emparelhá­vamos em estampidos de revolta cantada e recitada, o Zeca, o Adriano e poetas do claro grito da indignação, entre os quais eu, como fêmea guerrilheira da palavra libertária fruía o piropo alentejano de ai filha de um real cabrão! que a urbani­dade ensossa toma por ofensa E nessa maré de vozes concertadas no esconjuro dos vampiros boiava a voz andrógina do Zeca, como uma es­treia de cantos acesa pelo que sufocadamente remanesce no coração do povo das antigas idades em que todos eram irmãos no reino da Mãe Natureza.
Alinhei imagens que a minha memória selec­tiva elege das muitas que guarda de um con­vívio persistentemente afectivo apesar de entre­cortado pela sua errân­cia residencial desde Coimbra até fixar-se em Setúbal.
Foi-me tremendo sa­ber que as Parcas lhe teciam o fim. Ciosos dos que amam, os deuses en­comendaram-lhes o te­cer fatal. Porque o Zeca era jovem. Não o era nos anos? Sei lá com que idade morreu. A úni­ca juventude que me des­lumbra é a que tem o dom de encantar. E ele encantava cantando.
Porque cantar e encan­tar são uma só coisa na arte de fazer ascender os corações em que o canto sortilegamente se derrama, àquele ponto espiritual do sentimento de todos serem Um.

READ MORE
Atahualpa YupanquiHomenagens e tributos (poesia)
17/07/2006By AJA

Como no Amar la Tierra, Compañero?

Março aconteceu chuvoso em 1985. Vestia­-se de cinzento à cidade quando a atravessei, emocionado, rumo ao hotel. E o caso não era para menos: tinha chegado Atahualpa Yupanqui!
Era chegado um tempo de pampa e de milongas na voz e na guitarra de um dos maiores trovadores de todos os tempos, um verdadeiro símbolo do canto e da luta dos povos latino­-americanos. Daí a emoção do encontro…
Atahualpa falava com supreendente vivacidade e entusiasmo própria de um veterano «payador» sobre memórias dispersas de vivências, chamando para a conversa amigos e companheiros como a chilena Violeta Parra, o cubano Carlos Puebla, o uruguaio Daniel Viglietti e o brasileiro Chico Buarque, entre outros, todos eles cidadãos de uma só pátria – a da libertação do homem!
A dada altura, Atahualpa estendeu-me uma folha de papel pautado, dizendo: «Escrevi este poema para o José Afonso e gostava de lho poder entregar pessoalmente mas tal não me vai ser possível. Agradeço-te que lho envies…»
Enviei. Esclarecendo o Zeca de que se tratava do original (conforme repetida insistência do próprio Atahualpa Yupanqui) e de que iria procurar, por todos os meios, divulgá-lo o mais amplamente possível como tinha sido expressamente desejado pelo seu autor.
Os tempos passaram. Das andanças do Zeca sempre fomos sabendo. E de Atahualpa Yupanqui uma ou outra notícia dispersa. E ontem a da inevitável partida física do trovador Yupanqui. Num momento de partida antecipo uma chegada imaginada: nesta altura, para onde quer que tenham ido, o Zeca e o Atahualpa. Já se encontraram. Com o velho índio a dizer: «Te abrazo, hermano, y ai combate vamos. Somos hechos de lúz y polvareda.»

Mário Correia



Ya no estoy en tu piedra, hermano José Afonso
Como un viento de mim pampa
llegué lleno de cantos enamorados y salvages.
Aqui quedan algunos, cerca de tus olivos.
Junto a los rios, trepando calles
y caminos duros. Duros como los hombres y las cosas.
Como no amar la tierra, compañero?
si en el aroma fuerte de la hierba
te saluda en la tarde la paloma escondida.
La mano del amigo es tu estandarte.
Tan hondo como el mar es el amor del pueblo.
Donde quiera que vayas, la poesia amanece
como uma novia inacabable y tierna.
A mi América vuelvo, José Afonso.
Te abrazo, hermano, y al combate vamos.
Somo hechos de lúz y polvareda.

Atahualpa Yupanqui
9 de Marzo 1985

READ MORE
João Afonso dos SantosTestemunhos
16/07/2006By AJA

A solidariedade em José Afonso

Era por excelência solidário, o Zeca. Foi-o, a bem dizer, até ao derradeiro limite, desprendido de si e do que é de uso chamar-se, numa perspectiva de fora, os interesses pessoais… que não eram naturalmente os seus interesses pessoais. De o ser, pelos caminhos da vida e ao longo dela, de temperar a prática de o ser no crisol dessa inexaurível convivência com as situa­ções, as pessoas comuns e seus agrupamentos, a soli­dariedade que dele se desprendia era uma soalheira sala-abrigo, toda caiada de branco, um gesto natural, uma espécie de atributo da personalidade. Nunca toda­via contraditoriamente inconsciente e fácil, menos ainda piedosa. O fraternal impulso para com os outros, especialmente os “esquecidos” do poder (com os quais se identificava), melhor dizendo, de todos os poderes, institucionalizados ou não, convertia-o ele na exigência dum sentido de mudança (não esta festiva e formal mudança em que vivemos), no alertar pedagógico das consciências para a potencialidade da acção colectiva. Tendo por horizonte a edificação da cidade utópica, de que nos fala a canção, “sem muros nem ameias, gente igual por dentro, gente igual por fora”? Esse desígnio ideal, profundamente ancorado no seu substracto ético e político, não o impediu de se bater pelas causas con­cretas, radicadas nos interesses e nas organizações populares, profissionais ou outras, de as estimular ou apoiar à sua maneira. Por muito imediatos e circunstan­ciais que fossem, segundo o princípio mesmo da solida­riedade assumida. Zeca media bem a distância que vai da sociedade real, desumana e injusta, para o sonho dela que sempre sonhou. E, para além das metas reali­záveis sabe-se lá quando, que serão as utopias senão a denúncia, por alto contraste, da cidade actual?
Essa atitude solidária era claramente adversa a todo o dogmatismo intransigente, ou talvez este segundo comportamento seja a condição essencial do primeiro. Aos juízos categóricos, às verdades reveladas, trans­cendentes ou imanentes, às infalibilidades dos papas laicos Que enxameiam o nosso pequeno universo – tudo isso que desde sempre traçou as fronteiras da intole­rância – opunha ele o permanente interrogar-se das questões, a dúvida crítica e o esforço da sua supera­ção, a relatividade das soluções, em suma, a abertura de espírito. Questionando os outros e a si mesmo, lan­çava pontes de diálogo, abria clareiras de convívio, atava os laços da aproximação, sem ceder todavia nas suas posições de fundo e na sua “praxis” actuante.
Esta postura transmudou-a o Zeca para o plano musical. Cantou. Mas o canto solidário foi mais do que mera consequência da atitude solidária do seu autor. Dele fez deliberadamente – como sabemos – um instru­mento de acusação e de protesto colectivos, uma senha de reconhecimento comum, uma mensagem de luta e de porvir. Nos signos explrcitos da linguagem do tempo reconhecemos os nossos verdugos e o seu fim anunciado. Uma vezes em metáforas carregadas de significação facilmente perceptível (“Coro dos Caídos”, “Os Vampiros”, “O Avô Cavernoso”, etc.); outras, ser­vindo-se de casos singulares como paradigmas da opressão a vários níveis (“Vai Maria Vai”, “Cantar Alen­tejano”, “Teresa Torga”, etc.); sobre o pano de fundo dum lirismo que mergulhou as raízes na verdade da terra e da gente, e tinto também, aqui e ali, das tintas do surrealismo.
Foram perto de trinta anos da Mcanção de interven­ção”. Se quisermos fixar um momento, poderemos dá-Ia por começada em 1959, com a edição do “Menino do Bairro Negro” e prolongada por todo o tempo que a ditadura levou enfim a cair. Zeca não se deu, no entan­to, por quite com o derrube do fascismo. Celebrou, em novas formas semânticas e musicais, o prometimento do novo dia, exprimiu, de modo mais conjuntural e directo, as vicissitudes dessa época histórica, e, visto que o acto solidário se não nega em fronteiras, cantou o amanhecer esperado doutros povos, não tão seguro como isso. Escarmentou, por fim, o adiamento da socie­dade prometida pela revolução de 74, os seus alibis, as suas entorses, os seus glutões insaciáveis, herdeiros
. directos dos vampiros de recentes eras. Esteve onde o reclamaram, enquanto pôde, ele mais os seus colegas de ofício, até ao osso da resistência. Pelas associações recreativas e culturais, nos colectivos dos trabalhado­res, nas escolas e academias, entre os intelectuais e os emigrantes, nos campos e nas cidades, em Angola e Moçambique, ele e a sua voz foram companheiros fiéis das nossas dúvidas e revoltas, dos nossos anseios e esperanças.
Em 1985, ano da última gravação, Zeca cantou, na sua “Alegria da Criação”, o que podemos interpretar como sendo uma espécie de balanço antecipado,

“De nada me arrependo
Só a vida
Me ensinou a cantar
Esta cantiga”

João Afonso dos Santos

READ MORE
Alípio de Freitas
13/07/2006By AJA

“Testemunho de Uma Vida” por Alípio de Freitas

Tertúlia realizada quarta feira, dia 12 de Julho, na Unicepe – Porto, após o jantar de amizade em honra do Alípio de Freitas.

Olhar que engana o tempo;
Palavras que cantam a alegria de ter sofrido;
Na prisão de tira-dentes não lhe roubaram a alma





READ MORE
DiscografiaTestemunhosVídeo
02/07/2006By AJA

Um Bom Pastor (video – 2001)

Um documentário de Jorge Pereirinha Pires e José Francisco Pinheiro

Documentário sobre as gravações do último disco de José Afonso, «Galinhas do Mato», a convite de Nuno Rodrigues – antigo compositor da Banda do Casaco, e actual editor da MVM, a etiqueta discográfica responsável pela reedição de «Galinhas do Mato» em CD, onde este trabalho foi incluído como extra.

Podem vê-lo em http://bravadanca.blogspot.com/2006/06/um-bom-pastor-video-2001.html

READ MORE
AJA Norte
30/06/2006By AJA

Depois de um dia trabalho, vieram mais de cinco…

Dirigido ao pessoal da PT-Porto e com o objectivo de lembrar José Afonso, a AJA -NORTE realizou nas instalações do pessoal da PT em Tenente Valadim um convívio com o tema “VENHAM MAIS CINCO”.
Depois de um dia normal de trabalho, os presentes poderam ouvir e cantar temas interpretados pelo Grupo Musical AJA FORÇA. A participação do referido grupo musical estava prevista para trinta minutos, mas prolongou-se por cerca de uma hora.





READ MORE
AJA Norte
26/06/2006By AJA

Mais uma iniciativa da AJA Norte

READ MORE
GalizaUnha rúa para Zeca Afonso
23/06/2006By AJA

UNHA RÚA PARA ZECA AFONSO

2.922 SINATURAS

Logo dunha minuciosa revisión e peinado das sinaturas, o total, salvo erro, é este: 2.922

E agora quedan os outros pasos,dos que vos iremos informando puntualmente e aqueles, en Portugal ou España, vaian tomando iniciativas similares saben que non teñen máis que dicilo e nos faremos eco delo por tódolos medios ó noso alcance.

Pensábamos concluí-lo envío de comentarios, pero hai un, particularmente singular que se resiste a quedar no listado. Aí vai:

Nome: Francisco Fernandes
Concello: Braga(Minho)/Portugal
Profesión: Contabilista

Comentarios:

Mais uma formiguinha para que o carreiro se torne uma rua.

READ MORE
Unha rúa para Zeca Afonso
16/06/2006By AJA

UNHA RÚA PARA ZECA AFONSO – 3.021 SINATURAS

Foron, nada máis e nada menos que 3.021 as adhesións que chegaron nestas catro semanas ata nós a través de internet. Xentes de todo lugar e condición que transmitiron o seu apoio inequívoco a JOSÉ AFONSO e todo o que el signicou e segue a significar.
Agora queda un primeiro traballo de “peinado” (para eliminar duplicidades, que as hai) e a continuación queremos facer varias cousas:
– Por unha banda, e como primeiro paso, levarlle o “dossier” ó Alcalde de Santiago, Xosé Sánchez Bugallo e facer patente e oficial a petición. Podemos adiantar que xa tivemos algún contacto informal con el e manifestou unha disposición óptima para a nosa petición. Tamén podemos indicar que entre os asinantes está o ex-alcalde, Xerardo Estévez.
– En segundo lugar lanzar a idea desde xa, contemplada en moitos comentarios, de que se tomen iniciativas similares en toda Galicia e fóra dela (Asturias, Extremadura, etc.) demostrando en vivo e en directo o carácter internacional e internacionalista – “por encima de tódalas fronteiras, por encima de muros e balados…” que dicía Celso Emilio – que a figura do Zeca representa.
– Ademais, e dado o enorme peso e contundencia das adhesións procedentes de Portugal, facer chegar ó Governo Portugués e ós Presidentes das Cámaras máis importantes do país e con máis relación con José Afonso este mesmo dossier.
– Ao mesmo tempo animamos ós irmáns portugueses que tomen iniciativas similares alí, seguro que máis de unha prosperará.
Incluímos, para rematar este ponto e seguido, que non final, estes comentarios:
Nome: Teresa Potugal
Concello: Coimbra Portugal
Profesión: DeputadaC
Comentarios:
Fomos grandes amigos. Estou emocionada.O meu marido, António Portugal acompanhou-o á guitarra.Parabéns á Galiza.
Nome: Lena Afonso
Concello: Leiria
Profesión: Educadora
Comentarios:
“Cidade, sem muros nem ameias…”Zeca, cidadão português, galego, do mundo, que cantou a “Grândola” em público pela primeira vez em Santiago, estará nalgum lado, algures na nossa imaginação, a alegrar-se muitíssimo com esta homenagem (e a dizer:”Ó pá, se possível ao pé da catedral!!!”).Um grande abraço, cheio de carinho aos seus companheiros, especialmente, claro, Benedicto e Arturo.
Nome: Vitor Parola
Concello: Coimbra
Profesión: Administ.Saúde
Comentarios:
O Zeca ficará para sempre na memória de várias gerações, até pq a algumas delas fez chegar como boa nova ” o sentimento das palavras Liberdade, Igualdade, Fraternidade e Justiça” que ele tanto defendia . A Galiza já está de parabéns, se não for por mais, pq teve a iniciativa e mostra que comunga estes ideais. Agora a responsabiliade fica nas mãos de quem decide. Os actos e as acções ficam nas mãos de quem os pratica. Um abraço Fraterno.

READ MORE
Viriato Teles
10/06/2006By AJA

Contas à vida – Viriato Teles

Uma reflexão a vinte vozes sobre os 30 anos do PREC

Entrevistas com Alberto Pimenta, Alice Vieira, António Pinho Vargas, Baptista-Bastos, Edmundo Pedro, Fausto Bordalo Dias, Fernando Relvas, Francisco Louçã, Isabel do Carmo, João Soares, José Mário Branco, José Medeiros, Luís Filipe Costa, Manuel Freire, Maria Teresa Horta, Mário Alberto, Padre Mário de Oliveira, Odete Santos, Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves.

Edição SeteCaminhos, 2005

http://viriatoteles.com.sapo.pt/

READ MORE
AJA NorteFilmografia
03/06/2006By AJA

“Continuar a viver (Os índios da Meia-praia)” no Porto


Cinemascópio – Ciclos de cinema temático

No Círculo Católico dos Operários do Porto Rua Duque de Loulé 202

A COSTA DOS MURMÚRIOS• Margarida Cardoso 02 Jun 06 • sexta • 21h45

CONTINUAR A VIVER (OS ÍNDIOS DA MEIA PRAIA)• António da Cunha Telles 09 Jun 06 • sexta• 21h45

CINCO DIAS, CINCO NOITES• José Fonseca e Costa 16 Jun 06 • sexta • 21h45

TORRE BELA• Thomas Harlan 30 Jun • sexta • 21h45

Iniciativa em cooperação com a Associação José Afonso

READ MORE
Elfried Engelmayer
30/05/2006By AJA

Há “comments” que são demasiado importantes para ficarem escondidos

A Elfriede Engelmayer é de fato uma importante referência para o olhar acadêmico desta rica produção poética do cancioneiro de Zeca Afonso. Em minha tese, escrevi a seguinte crítica:”Enquanto no Brasil esta produção musical é elevada a uma das mais representativas fontes de análise histórica, sociológica, literária e antropológica, em Portugal, a chamada canção popular portuguesa, não tem sido objeto privilegiado de análise por estas diferentes áreas do conhecimento. As letras das canções brasileiras foram equiparadas à poesia, analisadas, publicadas e exploradas pelo mercado editorial e não apenas pela indústria fonográfica. Em Portugal, as letras das canções não aparecem citadas em livros didáticos e em outros de cunho acadêmico, indicando mesmo um desprezo (ou desconhecimento) pela rica produção poética daí advinda. Os compositores José Afonso e Sérgio Godinho, por exemplo, tiveram suas letras reunidas e publicadas entre as décadas de 1970 e 1980, porém, de forma muito incipiente. Um sinal claro da ausência de pesquisas acadêmicas sobre a canção portuguesa está no fato de haver até o momento uma única dissertação sobre o tema da canção de intervenção em Portugal, no caso, a obra Canto de Intervenção (1960-1974), de Eduardo Raposo, publicada no ano de 2000. Houve ainda dois outros trabalhos acadêmicos, mas desta vez unicamente sobre José Afonso, realizados em Viena de Áustria (Utopie und Vergangenheit: Das Liedwerk des portugiesischen Sangers José Afonso. Elfriede Engelmeyer. Editora da Universidade de Viena, 1985, 267 páginas. Esta é a primeira tese sobre os textos de José Afonso, apresentada em 1983 na Universidade de Viena/ Áustria) e na Itália (La “Canção de Intervenção” e L’Opera Lirico-Musicale di José Afonso. Tesi di Laurea in Lingua e Letteratura Portoghese. Relatore: Chiar.mo Prof. Roberto Vechi. Presentata da: Nicolleta Nanni. Anno Accademico 1998/ 9) encontrados na Associação José Afonso (AJA).”

Alexandre Fiuza (Brasil)

READ MORE
Associação José Afonso
24/05/2006By AJA

2007 | ano José Afonso

2007 será o ano Zeca Afonso. Além de serem assinalados os 20 anos da sua morte, a Associação José Afonso (AJA) comemora 20 anos… de vida. A convite da Câmara Municipal de Setúbal (que cedeu as actuais instalações da sede desta associação), a AJA tem em execução um conjunto de diversas actividades em torno da vida e obra de um dos maiores vultos de sempre da MPP. Para além da grande exposição que será inaugurada por alturas do 25 de Abril, haverá também um colóquio centrado no ciclo “As Geografias do Zeca” e uma unidade didáctica que promoverá em todas as escolas do Distrito de Setúbal a aprendizagem da obra do cantautor. De acordo com Rui Mota da AJA, com esta iniciativa “procura-se que os alunos, através de aprendizagem, consigam identificar e aprender a obra do Zeca e o português através da suas canções”.
O Ponto mais alto das festividades, deverá ocorrer no final de Maio, princípio de Junho, altura em que terá lugar a realização de um mini-festival que “não terá as características do desaparecido Cantigas do Maio”, mas que se espera que seja o primeiro de muitos.

READ MORE
Homenagens e tributos (música)
24/05/2006By AJA

“Maio, Maduro Maio” evoca Zeca Afonso dia 27 no D. Maria II

“Maio, Maduro Maio” é o título do recital evocativo da obra poética de José Afonso a realizar dia 27 no Teatro Nacional D.Maria II, em Lisboa, com Luís Machado, Filipa Pais e o Coro Polifónico de Almada.
“Maio, Maduro Maio”, “Vejam Bem”, “Traz outro amigo também”, “Cantigas de Maio”, “As palavras”, “Utopia”, “Menino do bairro negro”, “Os vampiros”, “Canção de embalar”, “Milho verde”, “Venham mais cinco”, “Grândola, vila morena” e “A morte saiu à rua” são alguns dos poemas que irão ser ditos no recital, que conta com a participação dos músicos Nelson Martins, ao acordeão, e de Paulo Borges, ao piano.
“Há uma luz pura cimeira”, “por um momento mefui habituando”, “Isto é sono”, “Canto moço”, “Maravilha, maravilha”, “Nefertiti não tinha papeira”, “Mulher”, “Vai-te circunspecta” e “Sabia antigamente de palavras” são os restantes poemas, alguns dos quais nunca gravados, a apresentar no recital.
A iniciativa “Maio, maduro Maio” é da responsabilidade de Luís Machado, diplomado em teatro pelo Conservatório Nacional e que tem CD gravados de poesia.
Em declarações à agência Lusa, Luís Machado disse que a iniciativa visa divulgar ” o homem vertical que ajudou a tornar possível o sonho de Abril” e está enquadrado num projecto mais global destinado a divulgar a poesia portuguesa.
José Afonso nasceu a 02 de Agosto de 1929, em Aveiro, e morreu a 23 de Fevereiro de 1987 em Setúbal.
Agência LUSA

READ MORE
Associação José AfonsoImprensa
24/05/2006By AJA

Câmara de Setúbal ajuda Associação José Afonso

A Câmara Municipal de Setúbal vai atribuir um apoio financeiro de cinco mil euros à Associação José Afonso (AJA), como ajuda para o processo de instalação desta colectividade, actualmente com sede provisória na Avenida S. Francisco Xavier, revela fonte da autarquia.
O apoio vem no seguimento de um protocolo estabelecido, no ano passado, entre as duas instituições, em que a autarquia se comprometia a ajudar financeiramente no pagamento das rendas das instalações provisórias da associação.
As obras de remodelação e adaptação do espaço definitivo da AJA, na Rua de Damão, não ficaram concluídas dentro do período inicialmente previsto, pelo que a Câmara Municipal decidiu atribuir cinco mil euros para o pagamento das rendas referentes ao ano de 2006, entre os meses de Janeiro e Maio.
Os trabalhos na futura sede da Associação José Afonso devem ficar terminados brevemente, pelo que a AJA continuará, até essa altura, nas actuais instalações provisórias.

http://www.reporter.online.pt/

READ MORE
Andrés Stagnaro
21/05/2006By AJA

Andrés com o seu “Pañuelo alentejano” interpretando Grândola, vila morena



READ MORE
Andrés Stagnaro
20/05/2006By AJA

O concerto do Andrés em Montevideo











READ MORE
Elfried EngelmayerPoesia
19/05/2006By AJA

Texto de Evocação de José Afonso por Elfriede Engelmayer

Núcleo do Norte da Associação José Afonso (AJA) na Câmara Municipal de Matosinhos

As canções de José Afonso foram a porta pela qual entrei em Portugal para ficar. Num verão longínquo, durante o qual frequentei um curso de língua portuguesa em Lisboa, a nossa professora fez-nos ouvir o Zeca. Regressada à Áustria, minha terra natal, e apesar de ainda não conhecer a totalidade da sua produção, decidi escrever a minha tese sobre a sua lírica. Mais tarde, ao longo de um ano em que vivi em Lisboa para iniciar o trabalho de pesquisa, conheci pessoalmente José Afonso – que se tornou meu mestre, não só em relação à sua obra, mas também a este país que ele amava e que ao mesmo tempo o desesperava.

Nesse tempo, o Zeca já era um cantautor consagrado, e no entanto, o meu projecto de tese causou-lhe algum espanto, porque em Portugal ninguém se tinha lembrado de fazer algo de parecido. E mesmo hoje em dia, passados quase vinte anos sobre a sua morte, neste país os seus textos não constam de nenhuma antologia lírica, nem encontramos o seu nome referido nas histórias da literatura portuguesa. Será que a música ensombrou os seus textos?

Não há dúvida de que as numerosas adaptações, variações e reinterpretações e o uso de uma canção de José Afonso em circunstâncias festivas ou reivindicativas provam a sua canonização. Mas por outro lado continuam ignorados os seus textos, musicados ou não, uma obra lírica de mais de 300 páginas, com uma evolução ao longo das décadas, marcada por influências literárias, circunstâncias sociais e desenvolvimento pessoal. Poderia descrever essa evolução como um arco que se inicia com textos inspirados em tradições populares, nos fados e baladas de Coimbra, na lírica de Camões e Pessoa, entre outros, passando por influências surrealistas e fases de grande hermetismo como resposta à censura da época, passando também, logo depois do 25 de Abril, por uma “abertura” discursiva (e nesse aspecto, José Afonso foi um dos poucos no campo da literatura cuja produção reflectiu também formalmente a revolução de 1974). Mas foi também o desencanto que moldou a sua poesia, e naqueles anos entre 1978 e a morte, os seus textos documentam a história deste país e sobretudo a sua história pessoal.

A crítica literária portuguesa tem manifestos problemas em reconhecer um valor autónomo à lírica do Zeca. Se, no universo das canções de intervenção em geral, existem letras que, sem música, perdem a sua força, não é este o caso dos textos de José Afonso. É verdade que a música transforma e intensifica o texto (e poderia aqui lembrar, numa outra escala, as versões musicais que Franz Schubert fez a partir dos poemas de Goethe); mas parece-me óbvio que a autonomia do texto depende simplesmente da sua qualidade e não da circunstância de ser ou não musicado.

Para explicar o fenómeno do desconhecimento de que é vítima ainda hoje em dia o poeta José Afonso, gostaria de desenvolver um pouco mais uma tese que já defendi em outras ocasiões. É o rótulo de “político” que veda a entrada da poesia de José Afonso no campo da literatura reconhecida. Gostaria de deixar bem claro que, em minha opinião, “político” não é apenas um rótulo, mas uma realidade; só que não pode pôr em causa outra realidade, a “estética”. Esse veredicto, aliás, tem uma longa tradição e peca por cegueira e erros de lógica. É mais um gesto de “vade retro” do que um julgamento baseado em critérios científicos.

Senão, vejamos: no caso da lírica de José Afonso, a qualidade de “político” nem sequer é sempre intrínseca ao texto, mas muitas vezes é devida às circunstâncias em que o texto surgiu e em que depois chegou ao público (ouvinte). São disso exemplo “Grândola, vila morena”, mas também os cerca de vinte poemas que nasceram na prisão de Caxias e de que há pouco tempo só conhecíamos como canções criadas pelo próprio Zeca “Era um redondo vocábulo” (do disco Venham mais cinco, de 1973) e “De sal de linguagem feita” (de Fura fura, editado em 1978). Surgiu agora um inédito, que João Afonso interpreta no seu mais recente álbum Outra vida (2006). Trata-se do texto “Ao Zé Letria que também sofre de azia”, escrito em Caxias a 11 de Maio de 1973, e intitulado agora “Bombons de todos os dias”.

O hermetismo inerente a todos esses poemas é a consequência do isolamento físico e psíquico de que José Afonso foi alvo na prisão, mas também da necessidade de cifrar a mensagem.

A suposta contradição entre valores poéticos e políticos que a crítica literária académica tantas vezes invoca, encontra o seu reflexo em abordagens isoladas do poema político sem fazer a ligação dialéctica entre eles, ou seja, a interpretação estética só analisa a forma artística, enquanto a abordagem ideológica só avalia o conteúdo. Mas é paradoxalmente por causa do seu valor “ideológico” no sentido mais lato do termo que o valor artístico do poema político nem sequer é tomado em conta.

E que fazer dos inúmeros poemas de José Afonso que não foram musicados e/ou que não são políticos? Que fazer de facetas do poeta e homem que admirava os textos de Santa Teresa D’ Ávila e de São João da Cruz? Ou que propôs ao Padre Mário fazer um LP inspirado no seu livro Maria de Nazaré com o argumento de que “aquela Maria de Nazaré que canta um Deus que derruba os poderosos dos seus tronos e levanta os pequenos, despede de mãos vazias os ricos e enche de bens os esfomeados é uma mulher revolucionária”? (jornal fraternizar Nº 161, Abril/ Junho 2006. Padre Mário no Café Concerto, “E quanto ao poder que vá para a puta que o pariu!”)

O que distingue os textos políticos de José Afonso do chavão e os torna poesia não é diferente da qualidade que torna poesia os seus textos não-políticos. O chavão é sempre redução, é o chapéu que cobre as particularidades. Mas a literatura nasce sempre do particular, do subjectivo, para poder ser lida como universal. A título de exemplo gostaria de pegar em dois poemas, “Inúteis eram as vozes”, texto não musicado e escrito em Caxias, e “Benditos”, musicado e parte do disco Galinhas do mato.

Inúteis eram as vozes e as palavras
O cativeiro preso dos sentidos
Abre-se uma comporta e nada altera
A matéria dura de que é feita a vida
Ferros pedaços brancura nunca vista
E um rio que não pára nem descansa
Que perfeita modorra não se esconde
Nesta vasa indecisa e aos ouvidos
Chegam silvos cantantes gargalhadas
E tudo dói como se fora treva
Como se fora vinho esta névoa

Mesmo se não soubéssemos onde e em que circunstâncias nasceu este poema, percebíamos que o texto assenta no contraste entre um fora e um dentro, entre um mundo em movimento povoado de sons de barcos e pessoas, onde o tempo passa normalmente, e a clausura de um indivíduo separado desse mundo. Isolamento e dor caracterizam a sua situação, a inutilidade e, provavelmente, a impossibilidade de comunicação. Os muros da prisão não são nomeados. Mas também não é preciso, eles estão lá, no texto. O poema poderia não tratar da prisão de Caxias, mas sempre tratará da experiência extrema do cativeiro. O elo entre estes dois mundos separados são as imagens do “cativeiro represo dos sentidos” e da comporta que se abre, é um elo meramente imaginário porque “a matéria dura de que é feita a vida” fica inalterada. Este poema, por partir de uma situação pessoal de limite e ao mesmo tempo encontrar meios literários adequados para transportar a sua mensagem, consegue não só exprimir, de uma maneira universal, o sofrimento do indivíduo preso, mas transforma-se ao mesmo tempo numa acusação. A mais-valia do texto reside, a meu ver, exactamente no facto de essa acusação não ser directamente expressa por palavras.

Por fim, e no fim da minha (espero) breve intervenção, convido-os a olhar um pouco mais de perto o poema “Benditos”.

Já fui neve no mar
Já fui espada na mão
Já fui a corda
Da lira a vibrar

Já fui servo de um Deus
Vida e morte num momento
Já nasci no barlavento
Já fui como a erva do chão

Bendito seja o pão
Bendita seja a dor
Benditas as portas do amor
Já fui favo de mel
Cajado de pastor
Já fui a nuvem correndo no céu

Já fui ceptro de um rei
Arco-íris num instante
Já fui vento do Levante
Já fui andarilho e cantor

Bendita seja a paz
Bendita sejas tu
Benditos os peixes do azul

Não há, na literatura que conheço, um texto de despedida que mais me comova. E não é por ter conhecido pessoalmente José Afonso.

Só há duas formas de verbo ao longo do poema: o passado que nomeia tudo o que o “eu” já foi “em vida” e o conjuntivo que projecta o desejo da bênção num futuro que já não faz parte do texto (e do tempo do “eu” que fala). De entre aquilo que o “eu” já foi, aparecem fenómenos da natureza, como “a neve no mar”; instrumentos como a “espada na mão”; aparece a caracterização como “servo de um Deus” e “andarilho e cantor”; momentos existenciais como vida/nascimento e morte. É um inventário de identidades de quem parte e se quer reassegurar daquilo que já foi.

E a partir dessa (s) identidade (s) que nitidamente destroem as fronteiras entre o que é considerado humano e não-humano, é proferida a bênção a todos os aspectos pretensamente simples da vida como o pão e a paz, a beleza e o amor, em suma, à criação.

Mas onde fica quem abençoa? Não há presente no poema, a não ser o acto de fala de quem se lembra daquilo que foi e que deixa um legado. É um legado de uma pessoa que já está a partir e que fez as pazes com todos os seus caminhos e desvios. Se olharmos de perto as enumerações que surgem no texto, vemos contradições. Quem foi espada na mão, não foi, ao mesmo tempo, favo de mel; quem foi cajado de pastor, não foi, ao mesmo tempo, andarilho e cantor. Mas quem foi tudo o que o texto diz, em momentos diferentes, sem renegar nada do seu passado, encontra-se no lugar certo.

A despedida poética e a outra despedida de José Afonso não se fizeram com amargura. Por sugestão dele, o título do último disco estava para ser “Nem o pai morre nem a gente almoça”. E é espantoso que um dos traços mais marcantes da sua obra seja a força que dá para viver. Deveria ouvir-se mais a sua música, ler mais os seus textos. Pode viciar, mas os efeitos secundários são benéficos.

Elfriede Engelmayer

READ MORE
Homenagens e tributos (poesia)
18/05/2006By AJA

Poema de José Manuel Mendes


somos a verdade nua
o rosto erguido
não a máscara
o gesto que não
teme

sofremos na carne o flagelo
dos chicotes
sangramos a determinação
e a coragem
a luta
– incêndio vivo
força nova em nossos
braços

Canta Zeca Afonso
tua voz desnuda
e térrea
canta e desperta
os punhais
do vento

atam-se as mãos que soltaram
os balões
levaram as flores
na manhã
ao coração do povo

e unidas ganham o caminho
despedaçam as algemas
fazem as praias
do rubro sol

cresce a certeza
da vitória
urgem as horas
ardem as palavras

canta Zeca
canta e desprende
os fios
das tempestades

READ MORE
Testemunhos
18/05/2006By AJA

Traz outro amigo também

Quando foi publicado o álbum “traz outro amigo também” do José Afonso, nos finais dos anos sessenta, princípios dos setenta, o meu grande amigo Nando, um dos tipos mais inteligentes e mais cultos que conheço (então estudante na FEUP e actualmente no nível abaixo de catedrático de Engenharia Civil e projectista de vias de comunicação rodoviárias), não resistiu a comprá-lo.Não era propriamente um revolucionário, mas tudo o que considerava ter qualidade, agradava-lhe. Ainda hoje é assim.Seu pai, arquitecto talentoso e amante dos livros e da música, tinha uma biblioteca e uma discoteca de discos clássicos que davam gosto. Muitas vezes ouvi obras de grandes compositores na sua casa. Desapareceu da nossa companhia precocemente, quando ainda caminhava para o sucesso e reconhecimento público que merecia.Pois quando o Nando chegou, depois de ter adquirido o LP, encontrou na sala o pai com um amigo.Muito satisfeito, exibiu o disco como um troféu e falou dele como de uma obra-prima.O professor, pois o pai também tinha essa actividade, perante tantas loas, não se conteve:- Mas quem é esse tipo? Dizes que também é poeta? Ora, poemas desses também eu faço. Ou ainda melhores – e lançou um olhar de gozo ao amigo, que concordou.- Ó pai! Estás a falar e não ouviste o disco. Portanto, estás a falar do que não sabes.- Já ouvi esse tipo a cantar na rádio. Não o queiras comparar aos que são verdadeiramente talentosos, como o Camões, por exemplo. Pode ter uma voz agradável e algumas músicas com boa sonoridade, mas…- Olha, pai. Neste disco, está uma canção cuja letra é um poema de Camões e as outras são quasi todas feitas com poemas do José Afonso.E lançou o desafio:- Eu ponho o disco a tocar e tu, e o Sr. Eng. também, no fim dizem qual dos poemas é do Camões. Reconhecem que o Camões é um poeta fora de série, não é verdade?E esperou, com o ar mais sério do mundo a resposta ao repto que habilmente lançara.O arquitecto hesitou um pouco. Mas não tinha alternativa, e anuiu. O amigo também.E o Nando coloca o disco no prato do aparelho e senta-se.- Mas não digo os títulos – sentenciou o meu colega.- Ah! As músicas também são quasi todas da sua autoria – esclareceu.E vão passando sucessivamente:“Traz outro amigo também”- Hum…não me parece Camões. Podes eliminar.“Maria Faia” (uma canção popular da Beira – Baixa)- Esta não! Podes avançar!“Canto Moço”- Essa não elimines, para já!“Epígrafe para a arte de furtar” (sobre um poema de Jorge de Sena)- Hum…aguenta essa!“Moda do Entrudo”- Isso não! Passa à seguinte!“Os eunucos”- Essa também não! A seguinte!“Avenida de Angola”- Isso não é Camões!“Canção do desterro”- Aguenta essa! Muitas alusões ao mar!“Verdes são os campos” (a que tinha como texto um poema de Camões)- Essa tem laivos da lírica camoniana. É capaz de ser essa!“Carta a Miguel Djéjé”- Podes passar! Essa não é de certeza!“Cantiga do monte”- Não é má! Mas podes eliminar!(todas aquelas em que não mencionei o autor tinham poemas do Zeca)- Então pai? Ainda tens de optar por quatro.- Põe essas outra vez – ordena o arquitecto.E o Fernando lá fez tocar as que não tinham sido eliminadas.Terminada a segunda sessão, o pai ainda hesitava entre a realmente camoniana e o “Canto Moço”.- Bom! – disse – é a dos campos verdes.- É, pai! Mas, afinal, não há assim uma diferença tão grande entre o José Afonso e o Camões! – disparou o jovem com um sorriso mordaz.- Ora! E esse gajo era capaz de escrever os Lusíadas ou compor a Nona?- Se calhar fazia melhor! – murmurou entre dentes o Nando.E agora vão ouvir o disquinho, está bem?É dos melhores do Zeca, na minha opinião.
António Castilho Dias
in http://eusoulouco.blogspot.com/2005/05/traz-outro-amigo-tambm.html

READ MORE
Andrés StagnaroImprensa estrangeira
12/05/2006By AJA

Para descubrir a un maestro portugués

Notícia de 11-5-2006 no “El País” do Uruguai dando conta do concerto de Andres Stagnaro na sala Zitarrosa em Montevideo.
ANDRES STAGNARO RECUERDA A JOSE AFONSO
No es nada habitual escuchar una composición de José Afonso en un escenario uruguayo. Ocurre que la obra del maestro portugués ha tenido casi una nula difusión en nuestro medio, pese a ser uno de los mayores emblemas de su país, una especie de Zitarrosa lusitano, cruce de historia musical, poesía conmovedora y contestataria. Por eso la idea de Andrés Stagnaro de recordar “Las canciones de José Afonso”, esta noche en sala Zitarrosa, tiene mucho de cita educativa.

READ MORE
Homenagens e tributos (artes plásticas)
11/05/2006By AJA

Desenho de Mito dedicado a José Afonso – 1987

Especial homenagem ao grande artista português JOSÉ (ZECA) AFONSO

Mito artista multifacetado que busca na luz e no som, a poesia em movimento. Nasceu em Santiago de Cabo Verde, trabalha e vive em Portugal desde 1989. Tem desenvolvido uma linguagem plástica muito original, que consiste na recuperação da tradição oral e do fabulário crioulo, estilo simbiótico entre aguada e escrita que apelidou de mare calamus.

http://www.tanboru.org/mito/biografia.htm

READ MORE
ImprensaTestemunhos
11/05/2006By AJA

Zeca, 75 Anos

Por NUNO PACHECO
Jornal Público | 02 de Agosto de 2004

Aveiro, 2 de Agosto de 1929. Na freguesia da Glória nascia um menino que teria o nome de José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos. Pai: José Nepomuceno Afonso, magistrado. Mãe: Maria das Dores, professora primária. Não tardarão a embarcar, os pais, para África. Ele irá depois.

Aveiro, 2 de Agosto de 2004. Hoje. Junto à Praça Fonte Nova, uma rua vai receber o nome do menino que foi para África e voltou, para aqui viver, cantar e morrer: José Afonso. Há outras ruas ou praças com o nome dele, em terras que alguma vez o viram ou ouviram, na sua errância pelo Portugal que amava, aquele que lhe permitia sentir de perto a vida das suas gentes. Agora haverá mais uma, na cidade onde nasceu. À noite, para que e lembrança não se confine à laje suspensa da toponímia, haverá música de homenagem no Largo do Rossio (21h30). De entrada livre, como ele idealizava o universo, e com nomes próximos: Sérgio Godinho, que com ele cantou, e Vítor Almeida Silva que, de óculos de aros grossos, o imitou no antigo “Chuva de Estrelas”.

Depois, o que virá? De novo o silêncio? O que é possível saber dele, para que o não esqueçam? Há, disponíveis, além dos discos, vários livros e informações dispersas que permitem conhecer melhor não só o músico como também o homem (ver caixa). Para este ano, a juntar aos materiais disponíveis, prevê-se o lançamento pela primeira vez em DVD (há uma edição, em VHS) do Concerto no Coliseu dos Recreios de Lisboa, gravado a 29 de Janeiro de 1983 e difundido pela RTP com críticas do próprio cantor pela forma como o programa foi, então, montado e reduzido. Mesmo assim, ficou para a história como o único registo videográfico disponível de um momento irrepetível: sendo o primeiro concerto de José Afonso como músico profissional foi também o último, porque a doença que o minava (uma esclerose lateral amiotrópica) só lhe daria mais quatro anos de vida. Morreria em Setúbal, a 23 de Fevereiro de 1987, com 57 anos.

Uma noite histórica e outros registos

Na noite do Coliseu, tensa e inesquecível, há um momento em que a voz do cantor cede à comoção e denota um estrangulamento breve, numa passagem da “Balada do Outono” que, ali e naquelas circunstâncias, soava já como epitáfio: “Águas das fontes calai / Ó ribeiras chorai / Que eu não volto a cantar”. Muitos dos presentes não conseguiram esconder as lágrimas e ainda hoje, ao ouvir ao gravação do espectáculo, é possível sentir esse momento como um arrepio. Com José Afonso, nesse palco onde o abraço era já meia despedida, estavam, entre músicos e cantores, Octávio Sérgio, Lopes Almeida, Durval Moreirinhas, António Sérgio, Rui Pato, Francisco Fanhais, Fausto, Júlio Pereira, Janita Salomé, Serginho, Guilherme Inês, Rui Júnior e Rui Castro.

A edição do DVD, quase pronta, reunirá, segundo a editora que a preparou (a Costa do Castelo), mais uma hora de extras à gravação do concerto tal como foi difundido pela RTP, também com 60 minutos (terá sido impossível uma remontagem, para ampliação, do material original). Serão sete extras, no total, todos dos arquivos da RTP: uma participação do cantor no programa Lugar de Exílio, em Maio de 1980, onde fala, da sua vida e carreira, e canta, acompanhando-se à viola (a gravação é a cores); uma espécie de teledisco gravado numa quinta de Azeitão, 1981, com a canção “Saudades de Coimbra”; imagens do 25 de Abril com “Grândola Vila Morena” em fundo; e vários registos a preto e branco, dele a cantar: “Os vampiros”; “Menino do bairro negro” na série Coimbra Musical, em 1978; “Os fantoches de Kissinger”, na série Pifelin, 1975; “Milho Verde”, num dueto com o cantor francês Georges Moustaki, 1975; e um registo do I Encontro Livre da Canção Portuguesa, no Palácio de Cristal do Porto, logo a seguir ao 25 de Abril (na noite de a 3 de Maio de 1974), ele e outros cantores a entoarem juntos “Venham mais cinco”.

Grândola e o que se seguiu

Para quem conhece mal ou não conhece sequer José Afonso, refira-se que dos três aos dez anos ele andou por Angola (1933-36), Aveiro (1936), Moçambique (1937), Belmonte (1938-39), devido a obrigações de carreira do pai. Em 1940 vai para Coimbra, onde casa pela primeira vez e onde fica até ser chamado ao serviço militar, em 1953. Entretanto, começa a cantar. Primeiro no liceu, depois na Universidade. Rui Pato, seu amigo, acompanha-o à viola. Grava o primeiro 45 rotações, “Baladas de Coimbra”, em 1958 e, durante uma deslocação ao Algarve (é então professor) conhece aquela que virá a ser a sua futura mulher: Zélia Santos. É com ela que, em 1964, ruma de novo a África, com destino a Moçambique, uma viagem decisiva no cimentar da sua consciência anti-colonial. No regresso, é expulso do liceu e perseguido pelas suas posições políticas. Canta mais para sobreviver do que por opção de carreira, mas no entanto os seus discos começam a ser bandeira de uma geração que vê nele um dos seus mais lúcidos arautos.

A escolha de “Grândola Vila Morena” para senha do 25 de Abril de 1974 associa para sempre o seu nome à história da revolução dos cravos. De 1966 até 1985 gravou 15 álbuns, todos já reeditados em CD (a esmagadora maioria pela Movieplay, que possui o catálogo Orfeu, mas também pela EMI-VC e pela Strauss). O último, “Galinhas do Mato”, teve em 2002 uma edição especial, pela MVM, com um documentário vídeo extra, com vários depoimentos. A estes álbuns juntaram-se nestes anos algumas colectâneas e três outros CD com gravações antigas: “Carlos Paredes/José Afonso/Luiz Goes”, da EMI, 1992 (que tem, por exemplo, o “Coro dos Caídos” e “Canção do Mar”), “Os Vampiros” (uma edição medíocre da Edisco, de 1987) e “De Capa e Batina”, esta com libreto biográfico de 72 páginas e textos de José Niza (Movieplay, 1996).

Para perpetuar a sua obra e memória, como músico, poeta, cantor e compositor, têm contribuído a actividade da Associação José Afonso, o prémio musical José Afonso atribuído anualmente pela Câmara da Amadora e os discos (de homenagem ou reencontro) “Filhos da Madrugada” (1994) e “Maio Maduro Maio” (1995), onde se propõem diferentes releituras de muitas das suas canções.

DISCOS OBRIGATÓRIOS

Sem dispensar outros, há pelo menos cinco discos de José Afonso de audição obrigatória, todos disponíveis em CD: “Baladas e Canções” (1967, com registos de 1964), “Traz Outro Amigo Também” (1970), “Cantigas do Maio” (1971). “Venham Mais Cinco” (1973) e ‘Como Se Fora Seu Filho” (1983). Correspondendo a várias fases da sua evolução criativa, são obras-primas.

OBRAS BIOGRÁFICAS

A par de inúmeros artigos dispersos, há três livros de referência: José Afonso—Andarilho, Poeta e Cantor”, editado pela Associação José Afonso (1994), “José Afonso, O Rosto da Utopia”, de José A. Salvador (Terramar, 1994, 1999) e “Zeca Afonso, As Voltas de um Andarilho”, de Viriato Telas (Ulmeiro, 1999).

MEMÓRIAS INTIMISTAS

Aos ensaios juntam-se memórias de amigos ou familiares. É o caso de “José Afonso, Um Olhar Fraterno”, do irmão mais velho do cantor, João Afonso dos Santos (Caminho, 2002) e de “Zeca Afonso Antes do Mito”, de um amigo dos tempos de Coimbra, António dos Santos Silva (Minerva, 2000). De José Jorge Letria, cantor nos anos -70, há três: “José Afonso: O Que Faz Falta”, colectânea de depoimentos co-organizada com José Fanha (Campo das Letras, 2804); “Zeca Afonso e a Malta das Cantigas”, a história contada aos mais novos (Terramar, 2882); e “Carta a Zeca Afonso”, epístola em forma de poema (Universitária Poesia, 1999).

POESIA E CANÇÕES

Livros com poemas e canções há três: uma reedição actualizada de “Cantares”, editado pela Nova Realidade em 1965 e reeditado pela Fora do Texto, Coimbra, 1992; o pequeno “Quadras Populares”, de 1982. reeditado pela Ulmeiro em 1990; e, por fim, o único que reúne a totalidade da sua poesia, “Textos e Canções, editado pela Assírio & Alvim em 1983 e com última edição revista e aumentada por Elfriede Engelmayer datada de 2000. Este último é essencial.

ANÁLISE DA OBRA

O livro mais relevante é “José Afonso, Poeta”, de Elfriede Engelmayer, estudiosa da obra de José Afonso (Ulmeiro, 1999). Mas é também digno de nota o opúsculo “A Música Tradicional na Obra de José Afonso”, de Mário Correia (Câmara da Amadora, 1999).

READ MORE
Testemunhos
07/05/2006By AJA

Variações sobre vozes esmorecidas – Jorge Abegão

Artigo publicado no 7º número da revista AJA, em Maio de 1993

Seleccione a imagem para a aumentar.

READ MORE
João Afonso dos Santos
07/05/2006By AJA

Lá no Xipangara – João Afonso (irmão de José Afonso)

Artigo publicado no 7º número da revista AJA, em Maio de 1993

Seleccione a imagem para a aumentar.

READ MORE
Miguel Djéjé
07/05/2006By AJA

Miguel Djéjé



Carta a Miguel Djéje
 
Diga amigo Miguel
Como está você?
Em todo o Xipamanine
Já ninguém o vê
Vou dar-lhe a minha viola   
Para tocar outra vez

O seu valor um dia
Você mostrou
Todo o mainato o ouvia
E até dançou
Miguel só você sabia
Tocar como já tocou

Vinha maningue gente
Para aprender
Moda lá da sua terra
Bonita a valer
O Jaime e o Etekinse
Amigos não volt’haver

Quando a noite se ouvia
Miguel tocar
Também havia a marimba
Para acompanhar
A noite
Na Ponta Geia
Amigos hei-de recordar

READ MORE
Unha rúa para Zeca Afonso
04/05/2006By AJA

Rua para Zeca Afonso

Podem assinar o “FORMULARIO DE ADHESIÓNS” em: http://www.ghastaspista.com/novas/ruazeca.php

READ MORE
Unha rúa para Zeca Afonso
03/05/2006By AJA

RÚA PARA JOSÉ AFONSO

Xa que andamos de nomes de rúas, estamos preparando un sistema informático para recoller desde o blog do editor deste semanario-e con toda comodidade as adhesións. Mentres, aqueles que queiran xa poden envia-la súa a este enderezo: polaesquerda@yahoo.es indicando no “Asunto” RÚA PARA O ZECA, para que non fagamos confusión aquí. Dentro, co voso nome chega (se queredes, tamén DNI e profesión e lugar de domicilio)
Nada contradí, faltaba máis! as outras iniciativas que poida haber ou que desde aquí tamén saíron, como a de JOSÉ VILLAR GRANJEL ou outras que poida haber.
Esta é a carta (que xa asinaron Uxía Senlle, Suso de Toro, Xesús Alonso Montero, Manolo Rivas, Xoán Guitián ou Benedicto García, estes últimos responsables de recolle-los apoios e “mobilizar” a quen fagha falta…
Estivemos vendo algunha das prazas que hai na zona do antigo “Burgo” e posiblemente pensemos en propoñer unha daquelas prazas tan acolledoras. ¿Que tal cunha peza de Acisclo que foi un dos que enchían a sáa do Ateneo de Ourense cando o Zeca deu o seu primeiro recital en Galicia, o 9 de maio de 1972? A quenon estaba nada mal?
Aquí tendes o texto da carta (que queremos vaia encabezada por Emilio Pérez Touriño, como Presidente da Xunta e amigo de José Afonso e Vicente Álvarez Areces, como Presidente do Principado de Asturias e amigo de José Afonso)

D. Xosé A. Sánchez Bugallo


Alcalde de Santiago de Compostela

Sr. Alcalde:

O pasado día 23 de febreiro cumpríronse 19 anos da morte en Setubal (Portugal) do artista portugués José Afonso. Músico, poeta e cantor, José Afonso acadou en tódalas súas actividades artísticas un nivel de calidade que o levou a ser considerado como unha das máis imprortantes figuras da música popular mundial.
José Afonso foi ademais un home solidario, un loitador incansable pola liberdade e un exemplo de compromiso cos máis desfavorecidos, mantendo ó longo da súa vida unha traxectoria éticamente exemplar.
José Afonso foi ademais un gran amigo de Galicia. Viaxou ó noso país en numerosas ocasións cantando en diversas cidades, entre elas Santiago, mantendo contactos con intelectuais e artistas e exercendo unha importante influencia na música galega. A súa presencia xenerosa en intres de enorme dificultade para o noso país foi unha lección de solidariedade que non podemos nin debemos esquecer. 
Estes motivos abondarían para que José Afonso fora merecedor de respecto e admiración por parte de tódolos galegos. Pero José Afonso escolleu ademais a cidade de Santiago para interpretar por vez primeira en público con carácter de estrea mundial a súa canción “Grândola, vila morena”, no recital celebrado no Burgo das Nacións na tarde do 10 de maio de 1972. Esa canción converteríase, sen el sabelo nin pretendelo, dous anos máis tarde no sinal e símbolo da Revolución do 25 de abril, que derrubou á dictadura e devolveu a liberdade ó pobo portugués nun dos acontecementos máis fermosos da historia contemporánea.
A canción “Grándola, vila morena” e a figura de José Afonso representan pois os mellores anceios de liberdade, igualdade e fraternidade que aniñan nos corazóns de tódolos demócratas, sentimentos que temos a obriga de promover e defender.

Por estes motivos, considerando que a nosa cidade ten unha débeda de gratitude con José Afonso, dirixímonos a Vde. para solicitar que promova as accións necesarias a fin de que o Concello de Santiago adopte o acordo de dar o nome de José Afonso a unha rúa ou praza da cidade.

Os promotores e asinantes desta proposta queremos expresar ó Sr. Alcalde e ó Concello de Santiago a nosa vontade de colaborar nesta iniciativa na medida das nosas posibilidades, poñéndonos á total disposición das autoridades municipais.

READ MORE
Bernardo SantarenoDiscografiaTestemunhos
03/05/2006By AJA

Bernardo Santareno sobre a música de José Afonso

Incluído originalmente no álbum “Traz outro amigo também” aqui fica o sempre actual texto de Bernardo Santareno.


A arte de José Afonso é um jorro de água clara, puríssima, portuguesa sem mácula. Realmente é a “pureza” a nota maIor desta arte: Pureza de voz, pureza no poema, pureza na música. Neste disco, um dos mais ricos quanto a valores poéticos, é ela que domina: Trova antiga purificada, folclore limpo de excrescências, balada de combate em que a justiça vai de bandeira. E o ouvinte fica tonificado, «limpo», cheio de graça, com mais vigor para a luta. No chiqueiro velho e saudosista, insignificativo e feio da música ligeira do nosso país, José Afonso surgiu como um renovador: De riso claro e leal, com punho duro de diamante, terno e gentil sem maneiramentos. Limpou crostas, desatou amarras, descolniu ramos verdes e ocultos, abriu janelas na parede bolorenta do fatalismo lusíada. E como esta arte pura e viril habitava já, nebulosamente, nos anseios da Juventude que tanto pechisbeque musical mórbido e paupérrimo a traz nauseada, José Afonso conseguiu rapidamente uma enorme audiência. Ele é hoje o mais autêntico trovador do povo português, nesta hora que todos vivemos. Ninguém melhor que ele transmite os seus desesperos e raivas, as suas aspirações de amor, de paz, de justiça, de verdade. Por isto, todos o amam. E o amor do povo, dos jovens, de todos aqueles que ainda não estão definitivamente contaminados, esclerosados, é, tenho a certeza a recompensa e a glória de José Afonso. Nem tudo está podre no reino da Dinamarca.

Bernardo Santareno

READ MORE
Biografia
03/05/2006By AJA

O barco “Mouzinho”

“Não foi talvez, nem a minha infância em Portugal, nem a segunda fase em África; foi a fase intermédia que foi a mais marcante. (…). Foi a minha viagem no barco Mouzinho… Fui entregue (…) a um primo muito conhecido em Luanda que ia de lua de mel, (…) e que praticamente desapareceu…! E eu transformei um sujeito que conheci a bordo numa espécie de parente vitalício que foi um sacerdote a que eu chamava… o homem das barbas… Missionário de certeza! (…). O homem das barbas deve ter substituído integralmente as minhas tias… Esse homem era quase para mim um absoluto…”.

José Afonso

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
03/05/2006By AJA

Adriano Correia de Oliveira: um grande cantor silenciado na rádio pública

Muita gente – eu incluído – se lamenta da qualidade da música que passa na rádio portuguesa e do facto de tanta e boa música que se faz (ou se fez) não chegar à luz do éter. São muitos os artistas de talento atingidos, mas no caso de Adriano Correia de Oliveira o silêncio dói ainda mais, justamente por se tratar de um dos nomes maiores da música portuguesa de sempre. Pessoalmente, não é pelo facto de a rádio não o passar que deixo de o ouvir sempre que me apetece porque felizmente tenho na minha discoteca uma caixa com a sua obra completa. Devo confessar que foi a rádio – mais concretamente a Antena 1 – que mo deu a ouvir pela primeira vez quando passou a “Trova do Vento que Passa” (salvo erro, no programa “Retratos”, de Ana Aranha). Nesses anos 90, já o grande cantor não pertencia ao número dos vivos, mas foi tal o fascínio que aquela voz cristalina e de uma beleza ímpar me causou que fui logo à procura de outras músicas suas. A primeira aquisição foi uma antologia a que se seguiu a referida caixa, editada pela Movieplay, com 7 CDs organizados tematicamente por José Niza (autor da música de alguns dos mais belos temas de Adriano e também da letra de “E Depois do Adeus” imortalizada por Paulo de Carvalho). Escusado será dizer que Adriano Correia de Oliveira se tornou um dos meus cantores de culto e, tal como eu que o descobri pela rádio há uma dúzia de anos, não duvido que aconteceria o mesmo com muitos jovens de agora se a rádio o passasse. A este propósito, gostei que Paulo de Carvalho, na última edição do “Viva a Música”, tivesse lamentado o ostracismo a que a rádio portuguesa tem votado o grande Adriano Correia de Oliveira dizendo muito propositadamente que, apesar de ele já não se encontrar entre nós, existe a obra – uma obra sublime, acrescento eu. Por tudo isto, solidarizo-me com a indignação manifestada por Paulo de Carvalho e apreciei a homenagem que fez a Adriano ao recuperar “Cantar de Emigração”, um dos seus temas emblemáticos.
A este propósito, impõe-se a pergunta: por que razão é que Adriano Correia de Oliveira não passa actualmente na Antena 1 e na Antena 3, ao contrário que acontece com António Variações que morreu, mais ou menos, na mesma altura? Não queria ser indelicado mas, quando se decide silenciar Adriano Correia de Oliveira na rádio pública, a razão de fundo só pode ser a ignorância e ou a falta de sensibilidade musical.
Em agradecimento a Adriano Correia de Oliveira por tantas e belas canções que nos deixou, fica aqui a letra da minha preferida:

Fala do Homem Nascido

Poema: António Gedeão
Música: José Niza

Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca p’ra comer
e olhos p’ra desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr

Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a Natureza
que a Natureza sou eu
e as forças da Natureza
nunca ninguém as venceu

Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à Estrela Polar

Álvaro José Ferreira

READ MORE
Benedicto Garcia Villar
02/05/2006By AJA

O blog do Benedicto

Desde há algum tempo que temos estado em contacto com uma pessoa que conviveu muito de perto com o Zeca e tem partilhado connosco histórias desses tempos. Essa pessoa é o Benedicto Garcia Villar, que nos tem enviado boas novas da Galiza. O seu cantinho está em: http://www.blogoteca.com/chiscandounollo/, onde tem publicado bastantes coisas sobre o Zeca. Visitem-no, a porta está sempre aberta.

READ MORE
Mário Viegas
30/04/2006By AJA

Proibido esquecer!

Nesta enxurrada de “artristes” disfarçados de “artistas”, agarremo-nos com toda a força ao Mário, ao Zeca, ao Sena, ao Giacometti e a todos aqueles cujos três “f” eram outros: força, fraternidade e futuro. A falta que vocês fazem!

Nas suas primeiras férias de Natal, após ter ingressado no Colégio Internato Pio XII, em Lisboa, e ter passado o primeiro semestre longe de casa, Mário Viegas anunciou aos pais: “Matriculei-me no Conservatório”. Em meados dos anos 60, num país em plena guerra colonial e governado por uma ditadura já bolorenta, uma declaração destas poderia parecer bombástica. Não foi o caso. António Mário Lopes Pereira Viegas, que na altura era ainda o António, filho varão de uma linhagem de farmacêuticos do lado paterno, não ouviu nenhuma reprimenda. O pai disse-lhe que esta era uma decisão dele. A mãe exclamou: “Eu ficaria admirada se não tivesses tomado esta decisão”.
O teatro era o caminho mais que natural para quem, no seu diário, aos treze anos de idade, escrevia que o seu sonho era ser actor. Naquela noite de Natal, António ainda ouviu da mãe: “Que faças o melhor”. As palavras revelaram-se quase proféticas. Raul Solnado – o único que poderia ocupar, na história do teatro português contemporâneo, o lugar do filho de Francisco e Mariana Viegas – sempre disse: “Ele é o melhor actor da nossa geração”.
Espírita por convicção, apesar da educação católica, Mário Viegas sempre acreditou nos desígnios da sua família. No seu livro auto-photo-biográfico, com apenas duzentos exemplares editados, conta a história da sua família, tanto do lado do pai como da mãe. Mário Viegas, que morreu há cinco anos, dizia ser a encarnação do seu trisavô paterno, o famoso actor Francisco Leoni, fundador do Teatro da Trindade.
Do lado da mãe, a história é mais comprida. O seu tio, António Cardoso Lopes Júnior, foi o fundador da famosa revista de banda desenhada “O Mosquito”, pioneira em Portugal. A sua mãe, Mariana, aos dezoito anos, foi convidada pelo irmão para dirigir o suplemento feminino da revista, denominado “A Formiga”. Assinava como Tia Nita e chegava a dar aconselhamento às muitas cartas de raparigas que chegavam à redacção. Pela sua tenra idade, nunca se deu a conhecer.
Com esta tradição de família e um ambiente propício, era natural que Mário Viegas já brincasse aos quatro anos de idade com os fantoches que a mãe lhe dera. Não era criança para brincar de carrinhos e passava os dias a ler, fechado no quarto e a ensaiar as vozes das personagens que imaginava. Inventou o Teatro ABC, criava as personagens e desenhava os cartazes das peças de escrevia, espalhando-os pela casa. Já aos dez anos de idade, não havia festa ou sarau em Santarém que não fosse convidado para apresentar o seu teatro, sempre auxiliado pela sua irmã mais velha, Hélia Viegas.
Nos seus 47 anos de vida, Mário Viegas fundou várias companhias de teatro – entre elas a “sua” Companhia do Chiado -, contracenou com Maria do Céu Guerra, fez inúmeras sessões públicas com Zeca Afonso e outros cantores de resistência, trabalhou com Carlos Avilez e encenou peças de vários autores, com especial ênfase para a obra de Samuel Beckett. No cinema, encarnou “Kilas, o Mau da Fita” (um dos filmes portugueses mais vistos de sempre), trabalhou com Manoel de Oliveira e contracenou com Marcelo Mastroianni e Victoria Abril. Na televisão, atingiu grande popularidade com o programa “Palavras Ditas, entre 1978 e 1982. Ao longo da sua vida, gravou catorze discos de poesia, onde declamou mais de 200 versos de Almada Negreiros, Alexandre O’Neill, Pablo Neruda, Ruy Belo, entre muitos outros.
Nos seus últimos anos de vida, Mário Viegas não parou de surpreender. Autor de seus próprios textos, concebeu “Europa, Não! Portugal Nunca!!”, um espectáculo em forma de conferência de imprensa onde personifica um pseudocandidato à Presidência da República. Levou tão a sério a sua preocupação com o estado geral do País, que participou nas eleições legislativas de 1995 como candidato independente pela UDP. Um ano antes, era galardoado por Mário Soares, então Presidente da República, com a Ordem do Infante D. Henrique.
Dois meses antes da sua morte, a 1 de Abril de 1996, Mário Viegas entregou o seu espólio pessoal a sua sobrinha, com quem viveu os seus três últimos anos de vida. Ana Viegas é a filha que o actor não teve, nas palavras de sua mãe. Pressentindo o fim da sua vida, ensinou à sobrinha o que fazer com o material que acumulou, deixando instruções por escrito. Nos quadros que tanto gostava, escreveu por detrás: “Este quadro custou tanto, se um dia venderem, não se deixem morder”, conta a mãe Mariana. Mesmo vivendo em Lisboa, Mário Viegas vinha sempre aos fins-de-semana à casa de família, pois “tinha saudades do seu quarto de garoto”.

“Nascemos e durante a vida estamos à espera de uma coisa que nunca chegará, que chega pouco… A vida sempre foi assim.”

Mário Viegas

READ MORE
EscolasHomenagens e tributos (música)José Jorge LetriaManuel FreireVitorino
30/04/2006By AJA

Abril, Abrilzinho


Amanhã, dia 1 de Maio, com o Jornal PÚBLICO.
“Abril, Abrilzinho” é um livro com textos de Alice Vieira e do Coronel Vsco Lourenço. O disco conta com Manuel Freire, Vitorino e José Jorge Letria que cantam Abril aos mais novos.

READ MORE
Benedicto Garcia VillarGalizaHomenagens e tributos (2006)Imprensa
29/04/2006By AJA

Notícia de “A Coruña Digital” sobre a homenagem feita a José Afonso

Benedicto e Miro Casabella, pertencentes ao movemento da nova canción galega, reúnense na Coruña para honrar a Jose Afonso.

A. R..A Coruña

“Durante os últimos vinte anos, ninguén cantou á palabra en Galicia”. É Miro Casabella, músico das Voces Ceibes que crearon en galego pola Galicia perseguida. Alto e sereno, aperta ao que fora un dos seus compañeiros no movemento musical da última década do franquismo, Benedicto, pequeno e de fala rápida.

Non é doado velos xuntos. Onte reuníronse na Coruña nunha homenaxe que o colectivo Urbano Lugrís rendeu á voz da Revolución dos Caraveis, Jose Afonso, na que tamén participaron, e cantaron, os fundadores de Fuxan os Ventos e actualmente integrantes de A Quenlla, Mini e Mero.

Recordan xuntos con paixón. Recordan as moitas veces que encheron o Pavillón de Deportes de A Coruña e como Jose Afonso reuniu auténticas masas entregadas na cidade herculina. E recordan a súa contribución a remover unha sociedade na que cantar canción social era perigoso.

Ambos foron amigos do cantante luso e Bendicto traballou con el na música durante dous anos. “Era un xenio, tremendamente nervioso, pero capaz de converter ese carácter nun acto de xenialidade creativa”, explica Benedicto, agora profesor en Ames. “Se fose inglés ou americano, nin Bob Dylan”, engade.

“Era unha voz crítica permanente e sempre pasaba lista”, lembra Benedicto. “E foi quen de, sen saírse das raíces, innovar; gozaba coa cultura popular”.

Miro Casabella e Benedicto explican ademais o amor que sentía o autor de Grandola, vila morena por Galicia. “Sempre dicía este era o lugar onde mellor lle entenderan”.

Casabella defende a vixencia de voces como a de Jose Afonso ou de movementos como Voces Ceibes. “É máis necesario ca nunca”, di.

“Houbo un tempo de sequía dende os oitenta ata agora”, afirma crendo que os tempos mudan. “Ningúen cantou palabra en Galicia, non estaba premiado dicir cousas”, considera o músico.

Ambos gustan da música que se fai agora en Galicia, dende o rap a o folk e admiran a todos os grupos que son quen de levar a cultura galega por todo o mundo, como Luar na lubre, Berrogüetto, Susana Seivane, Xosé Manuel Budiño ou Carlos Núñez.

Pero din que hai que facer máis. “Deixouse de axudar a xente que compón, toca ou canta”, lamenta Miro Casabella.

“Axudan ao audiviosual, axudan aos que practican balompé e crean a Selección Galega de fútbol, pero non aos músicos”, explica Casabella.

READ MORE
GalizaHomenagens e tributos (2006)
29/04/2006By AJA

Aconteceu na Galiza…



No passado dia 25, na Fundación Caixa Galicia na Coruña, o Colectivo Urbano Lugrís rendeu uma homenagem a José Afonso e lembrou o 25 de Abril. Aqui fica o texto de apresentação desse evento. Embora nunca seja tarde para dar a conhecer estes eventos, pedimos desculpas pelas nossa distracção que nos impediu de publicitar este acontecimento a tempo e horas.

O 25 de Abril do ano 1974 mudou o panorama político e social de Portugal. Producíuse unha revolución liderada por capitáns do exercito que foi coñecida no mundo enteiro pola “Revolución dos caraveis”. Revolución apoiada polo pobo e que puso fin a 50 anos de dictadura. Deu paso non somentes á democracia, senón tamén á descolonización de Angola, Mozambique, Cabo Verde, Guinea Bissau, S. Tomé e Príncipe e Timor.

Ún dos protagonistas fundamentais neste proceso foron os cantautores e, particularmente, a voz e o compromiso de José Afonso.

Por elo o Colectivo Urbano Lugrís quere rendir homenaxe a José Afonso e lembrar os acontecementos do ano 74. A influencia que o cantautor tivo co movemento da canción galega e os seus integrantes.

E que millor que os proprios protagonistas para profundizar no tema. Contaremos coa presencia de dous dos fundadores e amigos de Jose Afonso, como foron Benedicto e Miro Casabella. Tamén estarán con nós os fundadores do grupo Fuxan os Ventos, actualmente integrantes do grupo A Quenlla; Mini e Mero.

Cada un deles contribuiu á toma de conciencia da nosa sociedade nuns momentos que cantar canción social era perigoso pola dictadura franquista. O seu compromiso servíu para que amplas capas sociais tomaran conciencia da represión imperante naqueles momentos e polo tanto convertéronse en “Voces Ceibes” que o pobo precisaba para seguir loitando contra as inxustizas.

Para saber mais sobre o Colectivo Urbano Lugris
http://www.colectivourbanolugris.org/

READ MORE
AJA NorteHomenagens e tributos (2006)
28/04/2006By AJA

As fotos de Matosinhos: O debate e o concerto





READ MORE
AJAforça
28/04/2006By AJA

Actuação do quinteto AJAforça nas Comemorações do 25 de Abril em Guimarães

READ MORE
Coro Zeca Afonso das voces vulgares
27/04/2006By AJA

Coro Zeca Afonso das voces vulgares

Cantando e aprendendo temas do Zeca Afonso, de outros cantautores, música popular e temas escritos polo coro.
Somos poucos e non cantamos ben, e dicir, non somos en absoluto un coro profesional, nin tampoco é un obxetivo. Cantamos nun Café, quen quere pode vir a cantar ou a escoitar, as veces tamen a comer e beber.
O lugar de encontro é o CAFÉ UF en Vigo, Galiza.
Algúns dos temas do coro na paxina WEB:
http://www.nodo50.org/utopiaforo/LETRAS%20CORO.htm
PORQUE NO PEITO DOS DESAFINADOS TAMÉN LATE UN CORAZÓN

A canción ten dous elementos, a estética, máis coñecida, e outra máis 

difícil, a ética. Se xuntamos ética e estética temos un bonito monstruo que 
acompaña as luitas dos pobos.

Francisco Villa

As cancións vannos tranformando , incluso nos van metendo en líos. Un abre 

un xornal, escribe algo indignado e logo remata o frente dunha 
manifestación. A canción é unha grande escola a que todos nos debemos.

Sivio Rodríguez

Sempre se cantou, sen saber música, sen saber que existía a música, o pobo cantou. Nas segas e nas desfoliadas, nas labranzas e nas muiñeiras, mentres pescaba e mentres recolectaba, cando construia unha casa ou abría un camiño, cando nos asteleiros contruía barcos, ou cando nas cidades levantaba edificios. Cando amaba e cando luitaba, cando sufría e cando lecía, o pobo cantou. Sen saber o que é un compás, sen saber o que é a armonía, él cantou acompasado e ármonico, porque aquel son era a vida e esta sempre ten unha armonía aínda que sexa oculta. Viviu e morreu cunha canción nos beizos. Afinada ou desafinada esa canción conmoveu os corazóns. Cantoulle aos seus deuses e aos seus amores. Cantoulle aos seres queridos e aos seu dores. Cantoulle as súas patrias e aos soños que esas patrias resume. Camiño do cadalso, cantou. Camiño da liberdade, cantou. Nas cadeas e nas tabernas, nos templos e nos prostíbulos, nos túmulos e nos tálamos, sempre cantou. Os reis e príncipes, os señores, os aristócratas, os burgueses, as xerarquías eclesiásticas, buscaron profesionais para que lles cantaran. Fixeron o que sempre fan os poderosos: mercar en vez de crear, pagar en vez de sentir, comerciar en vez de cantar. Dende Homero até Dylan en vez de entonar prefiriron mercar gaiolas con canarios dentro. Pero o pobo seguiu a cantar, a viver e a cantar, a beber e a cantar, sempre a cantar. Despois os mercaderes de todo cadricularon o tempo e o espazo todo foi diñeiro e o cantar tamén foi codificado, regulamentado, mercantilizado. O cantar quedou relegado aos profesionais e aos aspirantes a selo, aos escenarios. O pobo que cantaba foi convertido no pobo que escoitaba, o pobo que creaba cancións foi convertido no pobo que mercaba cancións, o pobo que se unía para cantar, foi convertido en masa de solitarios para encher concertos.

Voltar a ser humanos, aínda que sexa nun cativo símbolico número. Voltar a ser humanos que cantan, uns máis afinados outros menos, como sempre se fixo. 
Voltar a cantar todos, xuntos, muitos. Porlle música à vida, a todo o que na vida pasa, como sempre se fixo. E Botar ao mar a todos os profesionais, a todos os que nos calaron para que os escoitemos a eles e os enriquezamos, a todos os que comercian con cualidades que a vida puxo neles e que precisan do noso embrutecemento para brilar máis. A os que usurparon o noso espazo, a nosa voz, para pecharse en estudos de grabación e lanzar productos que nós temos que mercar para que eles poidan contruir as súas mansións. À merda cos profesionais, cos artistas autonombrados, cos creadores de fume. Que nos deixen desafinar en paz e amizade, que vale mil veces máis unhas cancións malamente cantadas en boa compaña que todo ese río de fecales CDs no que tentan afogar.

CORO ZECA AFONSO DAS VOCES VULGARES

READ MORE
Associação José Afonso
27/04/2006By AJA

A AJA e a Escola Superior de Educação de Setúbal

Hoje, dia 27 de Abril, a Escola Superior de Educação de Setúbal (ESE) assina protocolo com a Associação José Afonso (AJA) no Anfiteatro desta Escola às 14h, inserido nas comemorações do 25 de Abril.

Estão agendados outros EVENTOS:

Músicas de Zeca Afonso no Átrio, toda a manhã com Rui de Sá Sequeira que interpretará José Afonso, no Átrio, às 14.30h (Músico Convidado: Nuno Rafael Silva)

“Testemunhos de Abril – O Período Revolucionário em Setúbal” no Anfiteatro,
às 15:30h

Convidados:
Carlos Beato – militar de Abril, integrou a coluna de Salgueiro Maia que marchou sobre Lisboa, actual presidente da Câmara Municipal de Grândola, eleito pelo PS
Henrique Guerreiro – operário envolvido nos movimentos sindicais e de contestação, actual membro da Assembleia Municipal de Sesimbra, eleito pelo BE Regina Marques – exilada no estrangeiro, dedicou-se à actividade política autárquica mal regressou ao país, actual docente da ESE

Ricardo Motas – na altura soldado do Serviço Militar Obrigatório, conheceu bem o PREC por dentro, actual membro da Assembleia de Freguesia de S. Sebastião,eleito pela CDU.

Moderador: Pedro Brinca – docente na ESE, jornalista e autor dos livros: “Memórias da Revolução no distrito de Setúbal – 25 anos depois”, volumes I e II.
Na ocasião estarão disponíveis para consulta alguns exemplares do livro.

A entrada é livre

READ MORE
Andrés Stagnaro
26/04/2006By AJA

José Afonso no Uruguai | Sala Zitarrosa | Montevideo

READ MORE
Homenagens e tributos (2006)
22/04/2006By AJA

José Afonso em Alcácer do Sal

O concelho de Alcácer do Sal abraça a liberdade, este ano pela 32ª vez.
As comemorações iniciaram-se no fim de Março e prolongam-se até ao próximo dia 1 de Maio. Nas festividades estão incluídos vários eventos (de acordo com o programa em anexo), tanto desportivos como culturais, organizados pela câmara municipal, juntas de freguesias e movimento associativo, com o objectivo comum de gerar um convívio salutar entre todos.
O ponto alto é o espectáculo comemorativo dos 32 anos do 25 de Abril, a ter lugar no dia 24, na Praça Pedro Nunes, que engloba “Poesia e Música de José Afonso”, assim como, pela meia-noite, um espectáculo piromusical no rio, que será certamente inesquecível. Os Terrakota encerram a noite em tom de festa, com os seus ritmos quentes.

READ MORE
Associação José Afonso
22/04/2006By AJA

Quem tem medo do 25 de Abril?

Comunicado

Quem tem medo do 25 de Abril?
Pela 3.ª vez consecutiva um grupo de Associações decidiu comemorar Abril, num Arraial Popular, no mítico largo do Carmo.
Quando se esperava obter a colaboração da Junta de Freguesia do Sacramento, na continuação dos anos anteriores, eis que a barreira se ergueu, a uma semana do evento, afirmando o senhor presidente que estava fora de questão prosseguir com tal apoio, a pretexto de uma Associação participante, em 2005, ter elaborado um cartaz com frases com as quais estaria em desacordo (trata-se de um diferendo entre uma Associação teatral inquilina e o proprietário, o Patriarcado de Lisboa).
Utilizar uma argumentação desta natureza leva-nos a concluir que o que está em causa é uma tentativa de impedir que, em clima de Festa, se comemore o reassumir da liberdade que o 25 de Abril restituiu.
Mesmo com os obstáculos criados, as Associações que aprenderam a preservar a liberdade, a exercer a sua cidadania e a vivenciar a democracia estão determinadas a festejar o 25 de Abril e prosseguir na realização desta Festa com os seus escassos meios, não permitindo que se fechem as “portas que Abril abriu”.
As associações participantes:
Abril – Associação para a Democracia e o Desenvolvimento;
Associação Solidariedade Imigrante;
Associação Unidos de Cabo Verde;
Associação de mulheres contra a violência (AMCV );
Associação da Comunidade de S. Tomé e Príncipe;
Associação Povos Unidos;
Conselho Português para os Refugiados( RefugiActo);
Associação Espaço Rui de Noronha;
Brigadas Internacionais da Paz ;
Associação Moçambique Sempre;
Espaço Espírito Nativo;
Aldeia da música;
Tribunal Iraque Audiência Portuguesa;
Edições Dinossauro;
Movimento de Solidariedade Rural;
Casa do Brasil de Lisboa;
UMAR;
S.O.S. Racismo ;
Associação Luso – Senegalesa ;
Aldraba – Associação do Espaço e Património Popular;
Colectivo Múmia Abu-Jamal ;
Associação de Solidariedade com a Galiza;
Associação Cultural “Palco Oriental”;
“Não apaguem a memória”;
Coordenação portuguesa da Marcha Mundial das Mulheres(MMM);
Associação José Afonso

READ MORE
Homenagens e tributos (2006)
22/04/2006By AJA

José Afonso em Joane – Famalicão


READ MORE
AJAforça
21/04/2006By AJA

AJAforça

Porque era Inverno vieram pela noite calada.
Entraram, sentaram-se e disseram: “contem comigo” !
O Zeca motivava-os e a AJANORTE estava ali.
As andanças deram muitas voltas. Bares, as “casas da malta”, a rua!
A Ana, a Gabi, a Inês , o Manel Sampaio e o Zé Luis “juntaram os trapinhos”, as guitarras e outros instrumentos e formaram, por sua iniciativa, o “AJAforça”.

Vão cantar o Zeca:

Dia 22 de Abril, no “Trovador do Cano” em Guimarães.
Dia 24 à noite na Praça D. João I, Porto, integrados nas Comemorações Populares do “25 de Abril”.
Dia 25 à noite no Salão Nobre da Câmara Municipal de Matosinhos.
Dia 29, à noite, em Joane – Famalicão , na “Associação- Teatro Construção”.

Estão vivos e recomendam-se!

READ MORE
Homenagens e tributos (2006)Imprensa
14/04/2006By AJA

Zeca no Luxemburgo

José Afonso recordado no Luxemburgo. Diário das Beiras do dia 12 deste mês. Informação retirada do blog de Octávio Sérgio “guitarradecoimbra.blogspot.com”

READ MORE
Canção de Coimbra
12/04/2006By AJA

Colecção “Um século de fado” – Ediclube

Estes dois volumes fazem parte de uma colecção mais alargada dedicada ao fado. Nesta colecção, foram dedicados ao fado de Coimbra estes dois volumes em conjunto com 7 CD’s, tendo cabido a José Niza a sua coordenação.

As referências a José Afonso podem ser encontradas no final do primeiro volume, o qual termina com estórias de estudantes onde se podem encontrar algumas peripécias vividas por estes. José Afonso aparece nas histórias “Contrabando de ouro”, “Contraplacado furado”, “O senhor comendador e a sua generosidade”, ” De como os sapatos do Zeca Afonso dobraram o Bojador” e fora dos tempos de estudante ” Coro dos tribunais, chouriço e vinho”.

No segundo volume, dedicado a biografias de cantores e guitarristas desde o século XIX, a biografia de José Afonso encontra-se nas páginas 174 a 188.

Para mais informações sobre esta colecção podem contactar a “Casa do fado e guitarra portuguesa”.

READ MORE
Michel Giacometti
12/04/2006By AJA

Michel Giacometti

Capa do livro “Michel Giacometti – caminho para um museu”. Este livro foi lançado em 2004, aquando da exposição organizada pela Câmara Municipal de Cascais. Para além da abordagem da vida e obra do etnomusicólogo, esta obra contém uma mostra da colecção instrumental apresentada nessa exposição, entre outras informações valiosas sobre o legado de Michel Giacometti. O acervo de Michel Giacometti pode ser visto na Casa Verdade de Faria no Monte Estoril. Para mais informações contactem a Câmara de Cascais.

READ MORE
BibliografiaViriato Teles
12/04/2006By AJA

O humor na Música popular portuguesa

Obra de Viriato Teles, onde se incluem os temas de José Afonso: “Gastão era perfeito”, “Nefretite não tinha papeira”, “O homem da gaita”, “Os meninos nazis”, “Viva o poder popular”.
Esta obra pode ser consultada na AJA e, à semelhança d’ “A música popular na obra de José Afonso” de Mário Correia, fazem parte da colecção “Cadernos de música popular portuguesa” da Câmara Municipal da Amadora.

READ MORE
BibliografiaMário Correia
12/04/2006By AJA

A música tradicional na obra de José Afonso

READ MORE
Alexandre FiúzaCensura
11/04/2006By AJA

Censura en España, Brasil y Portugal

Censura en España, Brasil y Portugal: esa cámara de torturar palabras y sonidos durante las dictaduras en las décadas de 1960 y 1970

Alexandre Felipe Fiuza | alefiuza@terra.com.br

O autor deste texto já esteve na AJA e deixou algumas palavras no livro de visitas.

Tive o privilégio de poder consultar este belo arquivo da AJA em 2004. Vida longa à esta empreitada sempre tão difícil que é a preservação da memória. Estou à espera da defesa de minha tese de doutorado, que será dia 26 de abril (quase conseguimos marcá-la para od ia anterior…), em que comparo a censura e a repressão aos músicos no Brasil e em Portugal. Dediquei-a ao Zeca Afonso, afinal ele foi o maior incentivador da paixão que nutro pela música e pela história portuguesa. Parabéns pelo site e sorte sempre. 

Alexandre Fiuza – Paraná/ Brasil

Obrigado ao Benedicto pela indicação deste link.

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
10/04/2006By AJA

Adriano

Passaram-se ontem 64 anos sobre o nascimento de Adriano Correia de Oliveira.
Inexplicavamente esquecido, alguém tem que pegar na sua figura e trabalho e começar um trabalho de divulgação.
Abraço onde quer que estejas, Adriano.

READ MORE
Exposições
05/04/2006By AJA

“Os rostos de José Afonso” em Peniche

Durante este mês o Espaço Cultural da Câmara Municipal de Peniche está a celebrar a liberdade. A galeria tem patente uma exposição produzida pela autarquia a partir de uma fotobiografia de José Afonso.
A mostra “Os rostos de José Afonso” pode ser vista até 29 de Abril.
De acordo com a autarquia Zeca Afonso é a primeira figura a relembrar num ciclo de figuras que marcaram os tempos finais da ditadura e pós-revolução na área artística em Portugal.

READ MORE
No verso dos versos
30/03/2006By AJA

Notas de José Afonso sobre algumas músicas

Estas notas, incluídas nas diversas edições do livro “Cantares”, forma há pouco introduzidas na discografia no site da AJA. Aqui ficam mais uma vez.

BALADA DO OUTONO – Mais propriamente Balada do rio. Dominada ainda pelo velho espírito coimbrão, é o produto de um estado perpétuo de enamoramento ou como tal vivido, uma espécie de revivescência tardia da juventude. O trovador julga-se imprescindível, como um protagonista que a si próprio se interpela para convocar a presença das águas dos ribeiros e dos rios, testemunhas vivas do seu solitário cantar. A imagem do “Basófias” (Nome por que é conhecido o Mondego na gíria coimbrã), que incha e desincha quando lhe apetece, deve ter influído na gestação da “partitura”. Uma certa disposição fisiológica propensa à melancolia explica o começo das dores sem falar na albumina anunciadora de futuras e promissoras “partenogéneses”.

PASTOR DE BENSAFRIM – Letra e música de José Afonso, sendo a letra vagamente inspirada nas éclogas de Bernardim – desde crianças que mostramos uma propensão natural para as rimas em imo Num desses retornos à fase pré-Iógica das origens, o autor destas linhas travou conhecimento com um pastor que lhe narrou as suas mágoas. Um pouco a martelo, o assundo da conhecida écloga de Bemardim apareceu metamorfoseado num drama pastoril cujo nome “Bensafrim” os montes e as ervinhas repetem até aos mais humildes recantos da serra algarvia.

MENINO DO BAIRRO NEGRO – Estilização decente de um refrão indecente recolhido numa parede cheia de sinais cabalísticos, desses que conservam para a posteridade as mais expressivas jóias dos géneros líricos nacionais. A negritude de que fala o poema existe nos estômagos diagnosticados por Josué de Castro no seu livro “Geopolítica da Fome”. Os meninos de ouro que habitavam os céus antes do Dilúvio descem à Terra e são condenados pelo tribunal de menores a viverem em habitações palafitas até ao dia do Juízo Final representado por uma bola de cartão que desce, desce até tocar nas montanhas.

MINHA MÃE – Letra e música de José Afonso. A uma mãe não canonizada por nenhuma data oficial nem institucionalizada por nenhuma nota oficiosa.

TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM – Qualquer semelhança entre a epígrafe sintetisadora da Amizade e “Uma Casa Portuguesa Com Certeza” é com certeza pura coincidência. O autor nunca se colocou, por falta de méritos próprios, no plano polemístico da hospitalidade lusitana, o que não o impede de abrir a porta a quem quer que venha por bem, excluídos, até prova em contrário, os amigos das bibliotecas alheias.

LES BALADINS – O período lourenço-marquino, canto do cisne de uma série iniciada na “Companhia Nacional de Navegação” conheceu o aparecimento de “Les Baladins”, eventualmente roubado ao título de um poema de Appolinaire para figurar no que foi depois um arremedo de “valsa musette” repenicada e saltitante.

CORO DA PRIMAVERA – Consultem-se os comentários ao “Canto Jovem” do qual o “Coro da Primavera” é a introdução coral e orquestral. A composição da letra resistiu a todas as tentativas de lubrificação. O rufar dos tímbales e dos tambores intervém gradualmente como simples apoio no início, contagiante e poderoso no final.

PERSPECTIVE – Melodia interrompida em Pombal pela chegada de um DKW descapotável à estação de serviço da “Shell”. O resto dos preparos e dos alinhavos continuou a viagem até Lisboa em dois carros pesados do mesmo modelo.

CANÇÃO DO MAR – O tema evocado no cenário um tanto simplista do casinodaFigueiradaFoz vive de uma valorização puramente sonora que lhe é dada pelo acompanhamento e pela repetição cadenciada da palavra mar. A dificuldade consistiu em fazêla passar ao plano abstracto como elemento omnipresente no espírito do cantor fora do ambiente convencional para que foi criada.

CANÇÃO – Letra de Luís de Camões (modificada). Música de José Afonso. A leitura cadenciada do início da “Canção IV” susicitou a presumível adaptação musical requerida pela primeira estrofe, mas de impossível aplicação que garantissem um mínimo de unidade e sequência.

BALADA ALEIXO – Homenagem a António Aleixo, poeta cauteleiro, natural de Loulé.

LAGO DO BREU – Balada de inspiração Brassens, define simultâneamente um estado de espírito e uma autobiografia, uma crise de consciência (destruição do sentimento de remorso) e um meio social (os prostíbulos do “Terreiro da Erva” ou os seus sucedâneos mais ou menos bem iluminados).

TENHO BARCOS, TENHO REMOS – O barco aludido pertencia a uma pequena sociedade constituída por Manuel Pité, António Barahona, António Bronze & José Afonso. Situações vividas pelos quatro, em comunidade perfeita com o mar algarvio, agruparam-se numa espécie de ciclo fraterno representativo de uma das fases mais felizes da vida do autor.

SENHOR POETA – Complemento noctívago de “Tenho barcos…” Os dois versos Soltam-se as velas / Vamos largar foram intercalados na estrofe com o consentimento de Barahona a fim de ajustarem o conjunto às necessidades da composição musical.

ALTOS CASTELOS – Para ser executada à viola por Rui Pato, obedecia mais às exigências duma instrumentação de tipo clássico ao gosto dos tocadores de alaúde do século XVI. Limitei-me depois a reajustar uma letra, ou melhor, um conjunto de sons que não ultrapassasse na divisão silábica a divisão musical. A ingenuidade de certas canções de roda e a gratuidade de alguns poemas surrealistas (lembrei-me duma canção de António Barahona) indicaram-me o sentido do conjunto apropriado ao canto.

POMBAS – Pretendia-se que a melopeia, feita de reiterações e alongamentos em que a voz mantém as sílabas finais até se extinguir lentamente, correspondesse a um fundo independente do contexto literário e vice-versa. O poema, a melodia e o acompanhamento separam-se e reúnem-se de novo, repelidos por uma espécie de movimento ascencional sem princípio nem fim. A voz eleva-se e tenta fixar por meio de modulações adequadas o voo dos pássaros que se perde na distância.

CANÇÃO VAI-E-VEM -O belo poema de Paulo Armando pareceume, como na realidade foi, inutilmente sacrificado aos compassos de uma valsa monótona e fria. Para finalizar exigia-se uma conclusão airosa; o estribilho, meio anedótico, foi colhido num livro de cancioneiro algarvio pertencente à biblioteca da Capitania de faro. O verso Bonecas, primores, da minha lavra, substituiu o original Bonecos de palha. O resultado, um pouco cabotino, impôs-se pela necessidade de sujeitar a letra ao primado da música.

TECTO DO MENDIGO – Letra concebida em estado de penúria física e mental. O franciscanismo aparece no texto musicado como uma doutrina de compensação sem qualquer relação directa com a camisa lavada do autor.

BALADA DO SINO – Resultou duma acompanhamento à viola para outra canção inacabada. A letra e a melodia retomam o gosto antigo ainda não de todo extinto das barcarolas infantis que falavam de barcos e barqueiros. Numa praceta do Alto Maé, à hora da sesta, as crianças brincavam: Que linda barquinha / Que lá vem, lá vem…

CANTAR ALENTEJANO – A mulher a quem é dedicada esta tentativa de A B C é uma heroína popular bem conhecida no Alentejo onde há anos se deu o facto a que o autor faz discreta mas comovida referência. Numa versão primitiva o tenente dirigese à ceifeira e diz-lhe: Quando eu te furar a pança / Muda a dança / P’ra vocês. Para além do episódio, Catarina vive na memória dos homens e da própria terra que a viu nascer e morrer. Os versos foram modificados por carência de elementos biográficos mas as ceifeiras continuam a pôr flores na campa de Catarina.

SANTA MARIA A SEM-PAR – Este nome um tanto anacrónico é o título de uma pequena toada dedicada a Zélia e depois adaptada a um texto comercializado para ser proposto a um concurso. Os elementos figurativos, excluindo o conhecido símbolo da chaminé algarvia, foram introduzidos na canção a título coercitivo, de acordo com as normas determinadas pelo júri, que a eliminou na primeira volta.

MARIA – O conhecimento da Zélia, num lugar do Algarve, reconciliou-me com a água fresca e com os tons maiores. Passei a fazer canções maiores.

CAVALEIRO E O ANJO – Nasceu a bordo do “Angola”, num estado de espírito que excluía qualquer veleidade criadora. O personagem aparece de relance, indeciso entre ficar na hospedaria e partir a coberto da noite mas em segurança. O mais difícil é ficar. É no interior da hospedaria, guardada à vista pelos “Botas Cardadas”, que o espectro decide permanecer e readquirir as suas humanas e verdadeiras dimensões.

CANÇÃO DO DESTERRO (EMIGRANTES) – Sugerida em Lourenço Marques, pela leitura dum artigo da Seara Nova sobre as causas da emigração portuguesa. Tenta-se evocar a odisseia dos forçados actuais, partindo em modernas naus catrinetas, como os Mendes Pintos de outras épocas, a caminho dum destino que na História se repete como um dobre de finados.

CANÇÃO DE EMBALAR – Lourenço Marques 1965. Toada medievalesca em tom menor. Letra e música ocorreram quase simultâneamente. A estrela d’alva surge acima do horizonte para os lados de Xiparnanime com a cumplicidade das restantes. Quando os adultos dormem e as luzes se apagam nas janelas os meninos levantam-se e vão cumprimentar as estrelas.

CANTO JOVEM – Para ser cantado pelos estudantes universitários que o autor conheceu numa digressão para que foi convidado. Destina-se a ser interpretado como música coral por duzentos figurantes de ambos os sexos e de todas as proveniências e condições.

POR AQUELE CAMINHO – Lourenço Marques 1965. Versos destinados à página literária de “Voz de Moçambique”. A música peca por manifesta ausência de identificação com o espírito dos ritmos e dos temas africanos.

ELEGIA – O Luís de Andrade toca todas as teclas. A música e a letra afiguram-se-me excepcionalmente consorciadas. Pertencem a um tipo de reportório que inclui também as “Pombas”. A interpretação procurou seguir à risca a orientação desejada pelo autor.

NATAL DOS MENDIGOS – Inspirada em parte em “Los Quatro Generales” e outras canções populares espanholas. Os acompanhamentos apropriados deveriam incluir ruídos produzidos por guisos, pedras e matracas. Na região de Alpedrinha e nos ambientes da Beira-Serra, lá para os lados de Folgosinho, os mendigos acercam-se dos portais dos grandes senhores para cantar as janeiras e encher os alforges de pão e castanhas.

RONDA DOS PAISANOS – A música ocorreu-me no WC do rápido Faro-Lisboa, depois da estação da Funcheira. Lembrei-me de algumas, semelhantes na forma e diferentes no seu conteúdo picaresco: D. Miquelina tinha uma sobrinha, Conheci uma francesa, Ó moleiro guarda a filha (esta última, minhota), cantadas em coro nos grandes festins coimbrões. Em Lisboa inteirei-me dos postos do exército, que são muitos e soantes. Rimados às parelhas dariam uma canção popular, capaz de ser entendida por soldados e generais.

CORO DOS CAíDOS – Um antigo poema incompleto serviu de base à música. O conjunto constituiria como que um complemento dos vampiros entretidos, após a batalha, na recolha dos mais valiosos despojos.

CANÇÃO LONGE – Foi a primeira balada a ser composta no edifício dos “Incas”, em Coimbra. Estavam presentes, entre outros, o Vítor Lobão, o Tomé e o Cassiano. O Tomé disse que era semelhante à música de fundo do filme “Sansão e Dalila”. Por isso, nunca a levei muito a sério, embora me tivesse agradado.

NA FONTE ESTÁ LIANOR – O arcaismo repetitivo da melodia coadunava-se, a meu ver, com o espírito de uma redondilha do cancioneiro de Garcia de Resende, mas a métrica depurada da “medida nova” raramente se adaptava à chateza vagamente afadistada da composição. “Cantiga partindo-se” e a redondilha dentro da música não seriam uma ofensa à lírica camoniana mas uma pequena e despretensiosa homenagem prestada, a séculos de distância, ao génio do seu autor.

VAMPIROS – Numa viagem que fiz a Coimbra apercebi-me da inutilidade de se cantar o cor-de-rosa e o bonitinho, muito em voga nas nossas composições radiofónicas e no nosso musichaIl de exportação. Se lhe déssemos uma certa dignidade e lhe atribuíssemos, pela urgência dos temas tratados, um mínimo de valor educativo, conseguiríamos talvez fabricar um novo tipo de canção cuja actualidade poderia repercutir-se no espírito narcotizado do público, molestando-lhe a consciência adormecida em vez de o distrair. Foi essa a intenção que orientou a génese de “Vampiros”, entidades destinadas ao desempenho duma função essencialmente laxante ao contrário do que poderá supor o ouvinte menos atento. A fauna hipernutrida de alguns parasitas do sangue alheio serviu de bode espiatório. Descarreguei a bilis e fiz uma canção para servir de pasto às aranhas e às moscas. Casualmente acabou-se-me o dinheiro e fiquei em Pombal com um amigo chamado Pité. A noite apanhou-nos desprevenidos e enregelados num pinhal que me lembrou o do rei e outros ambientes brr herdados do Velho Testamento.

TROVAS ANTIGAS – Dedicadas ao doutor Vítor Pereira. Correspondem à mesma época em que surgem “Ronda dos Paisanos” e “Altos Castelos”. Do contacto superficial com o folclore romeno, muito semelhante na forma a certas canções raianas, provêm as origens subconscientes destas trovas. A escolha um pouco arbitrária das quadras e os solos introduzidos antes de cada quadra pela viola de Rui Pato deram ao conjunto uma feição mais ligeira, mas talvez mais genuína.

Ó CAVADOR DO ALENTEJO – Feita no Algarve a pensar no Alentejo. A letra foi modificada em África, depois de um efémero mas profundo contacto com uns amigos da “Sociedade Musical Fratemidade Operária Grandolense”, aos quais muito deve o autor.

Ó VILA DE OLHÃO – Fiz muitas viagens a Olhão, minha terra adoptiva. A meio do caminho da Fuzeta, entre Olhão e Marim, a vila vai-se adelgaçando, a viagem toma-se mais rápida e ruidosa, devido ao vento que entra pelas janelas. Pode-se berrar sem que ninguém nos ouça. Foi assim que nasceu esta crónica rimada. Servida pela cadência mecânica do “pouca terra”, versa um tema alusivo às vicissitudes por que passa o mexilhão quando o mar bate na rocha. A culpa não é do mar.

Ó ALTAS FRAGAS DA SERRA – Letra e música de José Afonso, glosando a primeira quadra de origem popular.

MENINO D’OIRO – Letra e música de José Afonso. O tema parece filiar-se em longínquas raízes peninsulares. Tratado pelas mais diversas formas mas conservando a sua origem popular, surge como motivo inspirador dum conhecido fado de Coimbra.

GRÂNDOLA, VILA MORENA – Pequena homenagem à “Sociedade Musical Fratemidade Operária Grandolense”, onde actuei juntamente com Carlos Paredes.

AVENIDA DE ANGOLA – Adaptação dum antigo poema.

VEJAM BEM – Música do filme “O Anúncio”, a apresentar no Festival de Cinema Amador pelo Cineclube da Beira. O filme foi projectado em sessão privada, ainda incompleto e sem diálogos. Um homem procura emprego num escritório, dirigese ao gerente de uma firma conceituada, a capatazes e mestresde-obra. Em vão! Privado de fundos, vê-se obrigado a dormir ao relento e a roubar para comer. Na retrete de um restaurante, único lugar onde não é visto, devora apressadamente dois ovos que metera ao bolso, aproveitando-se da algazarra geral. É à luz deste contexto dramático que poderão entender-se a linha melódica e o texto rimado apensos às sequências julgadas mais expressivas.

READ MORE
Benedicto Garcia VillarGaliza
29/03/2006By AJA

José Afonso e a Galícia

A frialdade dunha reseña enciclopédica non pode, por moito que queira, representar todo o que significou o encontro mútuo e recíproco dun país (Galicia) e unha figura da magnitude humana, política e artística do Zeca. E eu tiven a fortuna de asistir e participar desde moi perto neste encontro.
Cando na primavera do 72 me presentei na súa casa en Setúbal, non podía nin remotamente imaxinar o que viría despois. Aquel home, tan vixiado pola PIDE, era todo preguntas para saber algo do lugar do que procediamos. Naquel momento, Galicia era un mundo xeográficamente distante e culturalmente descoñecido para as persoas máis informadas ó Sul do Miño. A pesar disto, J.A. tiña na súa biblioteca un libro de poemas de Rosalía de Castro, Aires da Miña Terra que me mostrou aquel día. Pero non pasaba de aí o seu coñecemento sobre o noso país. De modo que non foi difícil convencer a un home curioso como el do bó que sería organizar algunha actuación súa en Galicia.
O 8 de maio canta en Ourense, o 9 en Lugo e o 10 en Santiago. Eu, que por indicación súa tiña ensaiado algúns temas (voces e guitarra) véxome atrapado pois os títulos que decide a última hora non son os mesmos e temos que ensaiar rapidamente. En Santiago, na Facultade de CC. Económicas, dá o que sería o seu primeiro recital individual diante dun público tan numeroso (máis de 3.000 persoas) e canta por primeira vez en público Grândola, vila morena quedando impresionado pola receptividade do público galego e repetirá ó longo dos anos que foi un dos mellores recitais da súa vida. Toma contacto coa literatura galega e séntese especialmente atraído polos poetas Curros Enríquez e Celso Emilio Ferreiro. A partir de entón non faltará á cita anual con Galicia. En marzo do 73 traendo consigo a J. J. Letría, Manuel Freire e Francisco Fanhais, e en vísperas do 25 de abril canta en Santiago, alleo ó que se aveciñaba.
Pero mentres, a súa actividade, que comparte conmigo durante dous anos, é constante: actuacións en toda a “margem sul” (Barreiro, Almada, Moita, Alhos Vedros, Zarilhos, Baixa da Banheira, son nomes que se entremezclan na miña memoria) e por outras partes do país (Setúbal, Porto, Coimbra, Mafra, Caldas da Raínha, etc) e de fóra (Asturias en varias ocasións, París e Madrid, onde graba o disco Eu vou ser como a toupeira en decembro do 72) En tódolos recitais que facíamos en Portugal (nos que nos acompañábamos mutuamente) sempre facía “pasar a gorra” pero nunca foi un tostão para el; sempre dicía que o salario do Arnaldo Trindade (a súa discográfica) con ser miserable, era constante e polo tanto tiña que ser eu quen cobrara. Á parte da actividade musical estaba a outra, a de apoio e ánimo a todo o que se movera en contra da incívica dictadura: hoxe podía ser o censo para as eleccións (sumamente perigoso se se ten en conta que había que facelo diante das “carrinhas” da PSP ou da GNR) nas portas das fábricas de Setúbal; mañán, visita a algún preso político en Caxías; outro día, aproveitar unha viaxe a París ou Londres e levar “canetas” grabadas con textos de auxilio para Amnistía Internacional.
E a súa cabeza sempre activa, compoñendo. Nunha viaxe entre Santiago e París foi O que faz falta. “–E, pá, para, pega na viola. ¿Onde está o gravador?. Assim, com ese acorde”. Ó chegarmos a París a canción xa existía. E outra vez para Portugal; ou para Galicia, facéndose sempre acompañar por músicos novos e distintos, abrindo portas e ventanas. Ata o verán do 79 en que fai a súa última actuación por terras galegas, no Parque de Castrelos de Vigo. Viña con Júlio Pereira.
Repercusión de J.A. en Galicia. O 31 de agosto de 1985 celebrouse nese mesmo escenario unha homenaxe co título de Galiza a José Afonso, organizada pola Federación de Asociacións Culturais e Xuventudes Musicais e patrocinado polo semanario A Nosa Terra, no que participaron numerosos músicos e cantores, galegos, portugueses, africanos e de Timor-Leste. Para aquela ocasión o propio Zeca enviou unha gravación na que dicía: “… Aproveito esta oportunidade para unha vez máis afirma-la minha grande amizade pola terra e o pobo galegos, cos que ó longo dos anos mantiven as mellores relacións, e para manifestar tamén a miña enteira solidariedade coa loita polo recoñecemento efectivo da lingua e cultura galegas como unha das máis ricas da península…”
Do 25 de abril ó 23 de maio de 1987 celebráronse moi diversos actos (conferencias, concertos, recitais, publicacións, etc.) en toda Galicia baixo o título xenérico de Enquanto há força, organizados por un grupo de amigos e amigas do Zeca. Milleiros de persoas asistiron ós actos e milleiros de nenos e nenas galegos traballaron nas súas escolas unha unidade didáctica, José Afonso, preparada ó efecto.
No mes de decembro de 1994 a exposición José Afonso, andarilho, poeta e cantor estivo presente no Colexio de Fonseca de Santiago. A mostra foi coorganizada pola Associação José Afonso, a Fundación 10 de Marzo e a Universidade de Santiago. Unha exposición máis reducida e co mesmo título circula desde entón polos centros de ensino de Galicia.
O 8 de maio de 1997 celebráronse unha serie de actos para conmemora-los 25 anos de Grândola, vila morena, e descubriuse unha placa conmemorativa polo alcalde de Santiago, Xerardo Estévez, no Auditorio de Galicia, no lugar onde estivera o escenario da estrea da emblemática canción. Ademais, a Banda Municipal de Música volveu interpreta-lo tema, xunto co público asistente ó acto de homenaxe que se celebrou, e a Facultade de CC. Económicas decidiu pórlle o nome de José Afonso á súa Aula Magna.
Son innumerables os músicos e cantores galegos que interpretaron ou interpretan directamente temas de Zeca Afonso ou que admiten ter bebido na súa obra como inspiración directa, ademais de min, como Bibiano, Uxía, os grupos Candieira, Luar na Lubre e un longo etcétera.
Repercusión de Galicia en J.A. Nada mellor que as súas propias palabras para defini-lo que sentía por este país: “Galicia é para min tamén unha especie de patria espiritual…” “Foi a experiencia máis marabillosa. Algo especial. Tal vez ninguén me entendeu como en Galicia.”

¿Por qué existe en Portugal ese silencio espeso, ese descoñecemento casi total sobre esta páxina tan importante dunha historia que xa é a de todos nós?.

Benedicto García Villar

READ MORE
GalizaHomenagens e tributos (2006)Homenagens e tributos (artes plásticas)
28/03/2006By AJA

Zeca na Galiza

Parte de um mural de mais de 12 metros de comprimento na Fac. Ciências Económicas e empresariais da Universidade de Santiago de Compostela, situado no corredor principal. Na esquerda da imagem vê-se o Zeca entre personalidades que tiveram, segundo o autor, J. Conde Corbal, interesse na Galiza do séc. XX.

Para visualizarem os restantes murais
http://www.usc.es/econo/Conde/Conde51.htm

Para visualizarem mais artistas
http://www.usc.es/econo/Planofac.htm

Texto e imagem enviados por Benedicto Vilar

READ MORE
Associação José Afonso
27/03/2006By AJA

A AJA esteve presente.

READ MORE
Associação José AfonsoNatércia Campos
25/03/2006By AJA

Natércia Campos

A AJA cumpre o doloroso dever de comunicar o súbito falecimento da sua Presidente, Natércia Campos.

“Amigo maior que o pensamento” cantou, José Afonso, um dia. Hoje dizemo-lo nós, sobre a amiga e companheira de árduas e longas batalhas.

O funeral realizar-se-á no Domingo dia 26, pelas 12H00, para o Cemitério dos Olivais, partindo pelas 11H00 das instalações do Teatro O Bando, em Palmela, onde o corpo se encontrará a partir das 12H00 de Sábado, dia 25.

“Outra voz outra garganta
Outra mão que se estende à que tombara
Uma fagulha num palheiro acesa
Ó meus irmãos a luta já não pára”

de José Afonso, escrito na prisão de Caxias

READ MORE
Benedicto Garcia VillarGaliza
23/03/2006By AJA

A nova canción galega e a transición

COMEZO EN MADRID
Para ser mínimamente rigoroso coa historia habería que empezar por dicir que esta parte desta historia empezou alá polos meses de febreiro-marzo do ano 67. Con máis pena que gloria estaba eu tratando de levar con algo de dignidade académica o 2º ano do 2º curso de telecomunicacións (que era así, con tódalas letras, como se lle chamaba) na única escola daquela especialidade que había daquela, ou sexa, a de Madrid. Non é estrano, por tanto, que coincidíramos, tanto na propia escola de enxeñeiros, como nos diferentes Colexios Maiores e os poucos pisos e algunhas pensións que había, con alumnos e, con algunha singularísima excepción, alumnas, doutros lugares de Galicia e moitos de Cataluña e do resto do país.
 
Naquela escola, e dado o carácter diríase “extravagante” dos estudios que se realizaban, pululaban os exemplares máis curiosos que un poidera imaxinar, aínda que non faltaban individuos normaliños de todo. A min, aprendiz de pelacables, admirábame a facilidade dun grupo que alí había para montar, da noite á mañán, unha emisora de radio, un estudio de grabación, ou calquera outro invento que se terciara. Naturalmente, aquel grupo foi o responsable de construír un trebello tal que actuando como “pantalla herziana” impedía ós coches-patrulla dos grises recibi-las órdenes de radio da D.G.S. (Dirección General de Seguridad) dándolles, en troques, órdenes totalmente disparatadas. Se aquel día tocaba manifestación en Paraninfo, na Cidade Universitaria, podíase ver ós coches dirixirse á praza das Ventas ónde tiñan sido astutamente enviados. A verdade é que aquelo durou pouco e no curso seguinte seica as cousas non foron tan doadas para os disuasores das ondas.
 
Pois foi que neses meses de febreiro e marzo tiven a oportunidade de escoitar, en vivo e en directo, primeiro a Joan Manuel Serrat e logo a Raimon. Os dous estaban realizando unha das súas primeiras xiras polos Colexios Maiores e Residencias de Madrid e pasaron por onde eu estaba. Alí deixaron as letras que daquela se repartían sempre nos recitais e máis dunha pegada nalgún de nós. Eu, que viña de disfrutar do latín en todo o gregoriano habido e por haber nunha infancia-adolescencia canora na coral do meu colexio de curas, non atopei demasiadas razóns para non face-lo propio en catalán, ¡por que non!. Se lle engadímo-lo morbo de facer algo que semellaba contestación, a ir contra corrente, non é difícil imaxinar ó rapaz, galego naquela confusión madrileña, a piques de cumpri-los 20 anos, cantando a todo pulmón “Som”, “Diguem no” e claro, “Al vent”, e con algo menos de pulmón “Ara que tinc vint anys” e algunha máis.
 
E seguindo a lóxica das cousas e do momento non é tampouco difícil imaxinar que de entre os colegas e amigos que me escoitaron naqueles días, con moita paciencia e algunha complacencia, algún tivera a xenialidade da pregunta do millón: ¿e por que non en galego?
 
Podo asegurar e aseguro que foi como se me meteran de corpo enteiro na “berenguela” no intre de da-las doce. Claro, era clarísimo, pero arrepiaba todo o corpo só de pensalo. Non se trataba de poñer en galego unha canción que xa estaba feita. O desafío era doble: tiña que ser en galego pero tiña ademais, para ben ser, que facerse ex professo , algo novo, non usando ningún poeta coñecido ou descoñecido; e logo estaba a música. Á parte da experiencia coral, non tiña máis, como algúns outros rapaces, que a da armónica ( Seductora-Honner ) que me regalaran ó cumpri-los 7 anos e o aporreo entusiasta pero de escasa cualificación da guitarra da “reválida de 4º”. Despois un fito poucas veces comentado: no verán dos quince anos, chegamos a formar un trío de piano, batería e guitarra eléctrica que se atrevía con temas dos Shadows como Apache e outros (poucos outros) que bailaban con prestancia os e as quinceañeros de entón no Salón Amarillo do Casino, na rúa do Villar. Na baterÍa estaba Juan Gelabert e no piano, Xerardo Estévez.
 
Con máis esforzo que fortuna o tema foi saíndo e quedou bautizado co título de “Un home” co beneplácito de tódolos presentes que abarrotaban aquel cuarto de estudiante que miraba á magnífica serra do Guadarrama.
 
Compañeiro no estudio da electrónica era Xavier Alcalá quen na primeira ocasión que tiven recibiu a boa nova. Xa que logo fíxome saber que tiña un amigo que empezaba a cantar e a quen nunca cheguei a coñecer: Andrés Lapique Dobarro. Puxemos de manifesto o interés común por “facer algo” e decidimos, entre os dous, que o mellor era botar a andar un grupo, cos tres, que se ía chamar “Os Novos Xoglares Galegos”. Non pasou do maxín pero foi bonito mentres durou.
 
 
NO INTERIOR, GALICIA
Dado o pouco resultado académico que os madriles tiñan para min e como en Santiago iniciábanse os estudios de Económicas, decidín que o mellor era quedar na casa e non seguir de “cara” pola vida. Pero aquel verán do 67 íame dar unha das mellores oportunidades da miña vida: o encontro con Celso Emilio Ferreiro. Coa súa obra, claro, porque el andaba entón polos lares venezolanos sufrindo no “país dos ananos”. Aquí deixara editado por Basilio Losada a “Longa Noite de Pedra”, en Ediciones El Bardo , con vinte exemplares, os da censura, sen prólogo, e os outros, toda a edición que foi ás librerías, con prólogo. O prólogo de marras tiña, entre outras lindezas, un poema tremendo, “Carta a Fuco Buxán”. Naquel intre, a situación do país era tal, que era considerado subversivo, non só o relato despiadado que o Celso facía da situación do “labrego esfarrapado”, senón que tamén o era a conclusión, a orientación, a consigna que se daba: emigrar mentres non pasara o tempo que denigraba, mentres non chegara o tempo da patria. Este magnífico panfleto poético foi posto nas miñas mans por Xan Facal, que asistira, xunto con moitos dos seus hirmáns e os meus primos García Devesa, á miña primeira cantada en Galicia: foi nos montes de Toba próximo a Corcubión. Aquelas terras, aquelas augas, sobre todo as de Sardiñeiro, inspirarían moitos dos meus traballos na canción.
 
Tiña agora diante de min outro reto: facerlle unha música apropiada a aquel poema. E puxémonos un plazo: a finais de verán voltaríamos falar. Dito e feito; claro que a influencia raimoniana poucas veces foi tan evidente. Pero se algo quedaba claro era a contundencia do resultado. Suso García Devesa, Maricarmen Sanleón e Xan Facal, xunto cun pequeno grupo de animadores e animadoras entenderon que aquelo era escoitable e podía ter continuidade co que alimentaron a miña ansia creadora que xa estaba devorando es versos do exemplar de “Longa Noite de Pedra” que conseguira.
 
No primeiro trimestre do curso 67-68, curso singular, plural e pluscuamperfecto, tivemos un fin de semana de reflexión un grupo da JEC (Juventud Estudiantil Católica) que daquela existía en Santiago. Que recorde, estivemos reunidos en Pontedeume o colectivo de “cristianos de base” formado, entre outros, por: Susana López Facal, Sindo Villar, Camino Noia, Tuco Cerviño, Mª Xosé Rodríguez Galdo, Xavier Castillo, Mariquiña Tomé, Enrique Moreno, Marisol Facal, Emilio Pérez Touriño e mais eu. Como non podía ser menos, na cea, ós postres, eu era requerido amablemente polo grupo para interpreta-los meus dous “temas”, cousa que facía sen chistar e con todo o aprecio do mundo por parte daquel auditorio de privilexio. De privilexio para o cantor, naturalmente, descoñecedor entón do papel que a historia do seu país ía adxudicar a moitos dos membros daquel grupo trinta anos máis tarde.
 
No primeiro curso da neonata Facultade de Económicas coincidín con homes e mulleres que tamén irían, como o grupo da JEC , algún tempo despois, a configurar boa parte do noso máis valioso activo político e cultural. De entre eles tivo nesta historia unha particular intervención Arturo Reguera, home sen fendas e amigo implacable da verdade e dos amigos, que me puxo en contacto cos alumnos “organizados” de Filosofía e Letras. Os alumnos de Letras organizaban por aqueles días unha “aula poética” na súa Facultade e fun convidado a cantar. Alí estaba con todo o seu esplendor revolucionario Blanca Caamaño, delegada e presentadora do acto. O cantor cantou as súas dúas cancións e o público fartouse de aplaudir. Era a primeira vez que tal cousa sucedía e serían moitas as “primeiras veces” que se producirían naqueles apretados e densos días. Entre os organizadores estaba Emilio Gregorio Fernández que forneceu a miña despensa poético-musical co texto de “O arte de amar”.
 
De xeito que de alí a pouco xa tiña na miña producción cancioneira tres temas cos que empezar a andar polo mundo. E un novo encontro ía ter lugar para definir máis o escenario. A verdade é que non podo lembrar exactamente as pezas da cadea que o fixeron posible pero o que si sei é que ós poucos días coñecín a Xavier de quen se me fixera unha sinopse como dun -“tipo raro” que anda por ahí tocando a harmónica ó Bob Dylan e cantando cousas do Celso- Con semellante presentación e coas ganas que eu tiña de colegas non era estrano que o panorama poidera adiviñarse prometedor. E abofé que non defraudou.
 
O “tipo raro” aquel tiña de estrano un nada desdeñable arsenal biblio e discográfico no cuarto da Pensión “Touriño” na Rúa Nova, cuarto que tantas veces visitaría eu ó longo daquel curso. Ademais como coincidencia ben explicable, xa tiña pasado polo repertorio máis incandescente de Raimon (convén lembrar que o de Xátiva cantara no Estadio da Residencia de Santiago en maio do 67) No primeiro encontro acordamos ir dar unha serenata ás mozas pola noite e, nin cortos nin perezosos, ahí imos polo Patio de Madres arriba e abaixo coa nosa producción galaica con todo o convencimento do mundo. Non sei realmente o que pasaría por dentro das contras que non se abrían; as poucas que se abriron nos ofreceron rostros que parecían pagar con máis paciencia que agrado o noso esforzo “renovador” do costume tan compostelano da serenata. Non está de máis sinalar aquí que naqueles momentos empezaba a ser de enorme importancia ofrecer unha alternativa a toda canta manifestación humana se produxera presentándose sempre propostas do máis variopinto a cada xesto, costume ou modelo de conducta que se presentara. Frente ó fenómeno da “tuna,” tan identificado naquel entón coa tradición universitaria máis reaccionaria e franquista, probaron sorte outras fórmulas. A nosa, dende logo, non estivo coroada polo éxito.
 
Así que probamos sorte nun mencer en Cambados, onde tiñamos costume de ir ver saí-lo sol, logo dalgunha intensa noite de estudio, cun grupo impagable de compañeiros e compañeiras da Facultade. As pedras milenarias escoitaron impertérritas e o sol saeu como tódolos días. Aínda menos mal.
 
 
DO “GAUDEAMUS” Ó “VENCEREMOS” 
Sempre hai persoas, as máis das veces anónimas, que aportan en intres da historia un aquel de xenialidade á hora de configurar escenografías que pasan a ser definitorias de determinados momentos. Estoume a lembrar, por exemplo, da figura dos barbudos cubanos subidos nos camións confiscados ó exército de Batista entrando na Habana ou a Lenin encaramado na tribuna de madeira arengando á multitude enfervorizada. Pero así como hai estes elementos de carácter plástico, tamén hai outros sonoros que arroupan e, en casos, definen aquelas ou outras escenas.
 
No fervor que a Universidade de Santiago tivo na súa primavera do 68, adianto do maio francés e non influencia daquel, como tantas veces se ten afirmado, houbo tamén un alguén xenial, descoñecido para os historiadores, que se preocupou de dar soporte musical ás concentracións que se realizaban. A primeira gran idea foi aproveitar un himno xa existente. O “Gaudeamos igitur” pasou de ser un himno tremendamente reaccionario, sobre todo naqueles días, coas súas loubanzas á Academia e ós profesores, a ser un elemento de aglutinamento do alumnado en pé de guerra, que o ofrecía como algo propio, exclusivo, inasequible para aqueles mortais que, debaixo dos uniformes de “grises” ou dos grises traxes de “sociais”, representaban o máis burdo do aparato represivo franquista. Pero quenes o cantaban non comprendían tampouco, por moita letra ciclostilada que se pasara, o que decía aquel demo de himno que semellaba na gorxa dos iracundos estudiantes o maior dos panfletos.
 
E claro, o himno tiña que ser sustituído por outro máis “presentable”. Vicente Araguas, que ten memoria de elefante, asegura no seu libro imprescindible, “Voces Ceibes”, publicado hai xa 8 anos por Ed. Xerais, que foi un domingo chuvioso en que se manifestaban os estudiantes frente ó intento do odiado decano de Ciencias, Ocón, de inaugurar un monumento a non sei quen no campus, cando apareceron copias, tamén ciclostiladas, do “Venceremos nós”. Para algún sector do estudiantado máis informado, non era descoñecida a canción gracias a que circulaba a versión orixinal “We shall overcome” cantada por Joan Baez. Por tanto, non foi difícil que os concentrados, antes da disolución pertinente por parte da policía, entonaran, aínda timidamente, a versión galega do himno.
 
A potencia animadora da canción, máxime cando se fai colectiva, empezou a quedar de manifesto e explicaría parte da ansia por ter unha manifestación propia e, ó mesmo tempo, a acollida que a nós se nos dispensou desde aqueles ámbitos.
 
Por aqueles días de finais de febreiro anunciouse profusamente polas facultades unha conferencia de Xesús Alonso Montero na Residencia de “El Pilar” , na Enseñanza. Alí fomos tódolos que podiamos entrar, Xesús falou de literatura e desacougo e ó remate díxosenos a Xavier e a min, que xa estabamos preavisados, que o “profesor” tiña moito interés por escoitarnos. E debeu quedar contento de veras porque o demostrou ben de veces. Ó caso é que fomos ó “Cosechero”, na rúa Nova, enfrente da pensión de Xavier onde tiñámo-las guitarras. Alí, non sei como porque o sitio era mínimo, meteuse unha morea de xente, do P.C. a meirande parte. Recordo a Marisa Melón e a Federico Ordax, ó abogado Manolo Rodríguez, a “Quiques” Montes, a Mario, lector de portugués, José Manuel Mille, Olga Iglesias, Vicente A. Areces, Rafa Bárez, a “Pancho” Fontenla, Eduardo Seijas “Palas”, Luz Rubiños e a Arturo Reguera, ademais dun montón que non podo reproducir. E alí, pingando suor polos catro costados, demos conta do noso repertorio. Xavier xa tiña un feixe importante de cancións, pero aínda que só foran a “María Soliña”, o “Monólogo do vello traballador” e o “Fuco Pérez”, todas elas de Celso, xa pagaba a pena. E claro, o “profesor” quedou encandilado e xa facendo plans para un recital en Lugo.
 
 
A PRIMEIRA, NA FRENTE
E de novo o Arturo Reguera fixo de “ponte”, esta vez con Manuel María a quen escribeu informándolle que en Santiago había un rapaz que cantaba en galego e que estaba precisando letras para cantar. O poeta, descoñecido totalmente para o rapaz, remitiu á volta de correo un “Cancioneiro” con textos para cancións del e mais de Lois Diéguez, quen gozou de mellor fortuna á hora de ver (ou mellor, escoitar) os seus versos convertidos en cancións: “No Vietnam”, “Eu son a voz do pobo” e “Loitemos” pasaron ó repertorio habitual a partir de ahí, aínda que a última correu a mesma sorte que a “Carta a Fuco Buxán” do Celso: a prohibición sistemática e tenaz.
 
Coa miña media ducia de cancións e a ducia larga de Xavier, sempre moito máis prolífico, estabamos en condicións de acepta-lo reto de cantar en público nun recital preparado en serio e así se lle comunicou a Alonso Montero que preparou todo para que poideramos cantar na Escola de Peritos Agrícolas de Lugo o 30 de marzo ás 7 da tarde. Solicitado e obtido o correspondente permiso da autoridade gubernativa, editáronse cancioneiros (os primeiros que tiñamos) cunha fermosísima e afiada presentación de Xesús titulada “Palabras para un recital de canciós” que reproduzo aquí:
 
“Coido que dentro de algús anos se falará de este recital como dun feito histórico. Penso, en verdade, que o feito ten corpo de acontecemento e, como tal, vai marcar, dun xeito ou de outro, a nosa cultura. Dende hoxe Galicia ten o que noutros ámbitos menos precarios teñen dende hai tempo: unha canción á altura do intre histórico, unha canción nascida para desacougar e alumear: unha canción pra acadarmos concencia dos nosos problemas reales.
 
A voz de estes dous mozos, Benedicto e Xavier, vai levar as mellores inquedanzas e as mellores carraxes a eidos deica agora alleos á literatura; por primeira vez tamén, centos e mais centos de homes e mulleres do noso país van escoitar a súa fala feita arte e feita cultura viva.
 
Este xeito de expresión xurde en Galicia un pouco tarde, pero tiña que xurdir porque os países endexamais renuncian á expresión operante. Estes mozos da Universidade Galega chegan a nós no tempo de desacougar, morto xa o tempo de calar e o tempo de falar por falar.”
 
Dende primeira hora da tarde foran chegando á casa de Xesús en Lugo, situada enfrente xusto da Escola de Peritos, do outro lado do xardín, amigos que foran convocados para o acto. Alí coñecimos a Manuel María e a Saleta, a Emilio Valadé, a Moncho Ramos e un longo etcétera que foi enchendo a casa. A iso das seis da tarde unha chamada telefónica poñía lívido o semblante de Xesús: un coñecido chamara para avisar que pola radio estaban dando unha nota do Gobernador Civil pola que se anunciaba a suspensión do recital. De seguido fixéronse chamadas a diversas instancias e a confirmación era unánime: o recital estaba prohibido. Para colmo de ignominia, como se de criminais perigosos se tratara, dous policías de uniforme custiaban a entrada da casa, evidentemente para impedi-la nosa saída da mesma. Asomámonos á ventana e comprobamos que na porta do lugar onde tiñamos que cantar había varios vehículos e furgonas ben recoñecibles. O recital fíxose na casa e quedamos roucos de canto e de carraxe.
 
 
RECITAIS “A EITO”
No mes de abril foi un non parar continuo, de convites que empezamos a recibir, e realizar, por toda a xeografía do país, que tantas veces recorreriamos despois.
O primeiro que si se realizou foi o organizado pola Asociación Cultural de Vigo, o día 4. Imaxino que o traballo correría a cargo de Xan Facal. El foi quen fixo de presentador e el quen me puxo os pelos de punta, por primeira vez, recitando aquelo de Atahualpa Yupanqui:
 
“Soy gaucho entre el gauchaje
y soy naide entre los sabios
y son para mí los agravios
que le hagan al paisanaje”

¡Que bárbaro! ¡Canto que aprender! ¡Canto mundo diante de nós! E do público que enchía a sala só recordo as súas caras amables, acolledoras. Bueno, menos aquel home do fondo, si, aquel de gris, que, cambiando só de rostro, nos acompañaría de recital en recital. Era o encargado de velar polo cumprimento da censura. Convén aclarar, para os que non o viviron, que era preceptivo enviar á censura cunha antelación determinada (normalmente bastantes días) os textos que se pretendía cantar. Alí (sempre imaxinamos que nun cuarto sórdido e sen luz) uns individuos extranos, a quen por certo nunca coñecín, dictaminaban o que se podía e o que non se podía cantar, afinando incluso se se autorizaba para maiores de 14 anos, ou de 18. Pero claro, como non estaba nada escrito nin determinado en norma algunha, os criterios eran totalmente cambiantes, podendo atopar que o que o censor de Vigo consideraba “non cantable” e, polo tanto, olímpicamente “prohibido”, pasaba por non ter o máis mínimo perigo para o censor de Pontevedra que daba o “nihil obstat” correspondente. Isto tamén animou a nosa capacidade creadora e ten habido verdadeiros especialistas na materia. A primeira adaptación, que eu recorde, foi a do final da “Carta a Fuco Buxán” que tiña, ó parecer, un dos principais problemas cando enunciaba:
 
“Fuco Buxán, ¿non sintes que na Iberia
feden a podre os homes e as paisaxes?
 
Debidamente “retocados”, estes versos pasaron a ser:
 
“Fuco Buxán, ¿non sintes que en Liberia
feden a podre os homes e as paisaxes?
¿Que raio nos importaría a nós o que pasaba en Liberia? Pensaría o probo funcionario. Pero pasar, pasou; claro que, na cantarela, cantábase en “versión orixinal” ¿Quen ía se-lo guapo de distingui-lo engano?
 
Otra, máis coñecida, sería a de Bibiano, anos máis tarde, co “Can de palleiro”. ¿Que censor era capaz de imaxina-lo efecto sonoro daqueles versos?:
 
“A túa forte dentadura
viráse abaixo, abaixo a dentadura,
abaixo a dentadura, abaixo a dentadura, …”
 
A complicidade cantores-público era tal quen non se precisaba de ningunha consigna pois xa o respetable se encargaba de face-la modificación pertinente: “dentadura” por “dictadura”; o resultado era espectacular.
 
Pero estabamos en Vigo, no local, en López de Neira e claro, entre o público da primeira fila estaba Camilo Nogueira, Paz e Xaquín Facal e moitos máis que nos fixeron cantar ata que quixeron.
 
O seguinte foi en Pontevedra o día 18 e era organizado pola Aula de Música do Ateneo. Se non recordo mal, alí estaba Xulio (daquela Julio) Pardellas de Blas, Fontenla, Alonso “o esperantista” e Alfredo Conde, que daquela xa era amigo de Xavier e con quen daría moitas paseadas polas rúas de Santiago, falando de poesía, política e do que se terciara.
 
Foi un recital moi “formal” con escenario e todo, nun salón moi señorial nun chaflán dunha tamén señorial rúa de Pontevedra (coido que era prestado por otra institución lerezana) Con “tarxeta-invitación” e todo que anunciaba:
 
 
A NOVA CANCIÓN GALEGA
Sobre poemas de Celso Emilio Ferreiro,
Lois Diéguez e Avelino Díaz
BENEDICTO GARCÍA – XAVIER DEL VALLE
 
Xa só polo feito de atreverse na Pontevedra de entón a organizar tal cousa merecía tódolos parabéns e o público asistente encheu con aplausos incluso as sillas baleiras. Foi o segundo do mes.
 
Ós tres días, é dicir, o domingo 21, para as 11,45, da mañán, claro, como quen di, á hora da misa e co frío correspondente, anunciábase no “Salón Parroquial do Couto”, deste lado do río porque en Ourense non había quen cedera un local para o evento. Pepe Conde Corbal despepitouse facendo os carteis, “un por un”, da súa man. E Carlos López Polo e os seus muchachos, baixo a tutela de Manolo Peña-Rei, despepitáronse repartido, pegando e facendo “boca a boca” para avisar á parroquia. Parroquianos e parroquianas, desde logo había bastantes e non faltou o avogado Alfonso Pazos, sempre seguidor do noso traballo. Era o terceiro da tanda.
 
 
MEDICINA: UN RECITAL PARA A HISTORIA
Do cuarto tense escrito e falado bastante. Foi a “posta de largo” do que se chamaba xa “A Nova Canción Galega”. E para ese día xa non eramos só dous a cantar.
 
Da asemblea de delegados saíra a necesidade de organizar un acto aglutinador para facer, digamos, o remate de campaña, pois a batalla estudiantil, logo de encerros e carreiras, tocaba ó seu fin. Recibímo-la invitación para celebrar un recital en Medicina, no local máis grande dos que habitualmente eran usados para as reunións masivas. Masivas, dunha universidade que daquela andaba polos 5.000 estudiantes.
 
Tamén recibímo-lo encargo de contactar con outros cantores que se estaban incorporando á tarefa. Así conectamos, por diferentes vías, con Xerardo Moscoso, Vicente Araguas e Guillermo Rojo. Coido que incluso tivémo-la ousadía de sometelos a algún tipo de “exame” para ver se podía ser; ¡que burrada! En fin que collímo-las follas cos textos e correndo para a Delegación de Estudiantes, sita nos baixos da Facultade de Medicina, para facer uns improvisados cancioneiros e outros tamén improvisados carteis que anunciaran o acto. Ademais, como sempre se facía, nos boletíns informativos deses días aparecía profusamente anunciado o recital para o venres 26, ás 7 da tarde.
 
E o éxito de asistencia foi manifesto. Penso que non esaxero moito se digo que había perto de 2.000 persoas; todos eran, menos tres ou catro, estudiantes. De entre os profes, claro, Carlos Alonso del Real e José Antonio González Casanova. O público ocupaba non só os asentos senón tamén ata o último centímetro cadrado que había de pasillo, de hoco de ventana,…, só non había xente nas lámpadas.
 
Con un único micrófono daqueles “de pataca” por todo despliegue técnico e co mesmo equipo que o profesor de turno usaba naquela aula, o recital deu comezo, logo dunha intervención chea de ganas e de medo por parte de Manolo Pombo (que debía ser daquela ou delegado do último ano ou responsable de actividades culturais) seguiron os cantantes, un a un. Sei que facía moitísima calor pero sei tamén que poucas veces sentín tremer o corpo daquel xeito. Co noso mal galego alá iamos facendo o que se podía nas presentacións. Cómpre dicir que ningún dos que alí cantamos, como a inmensa maioría dos que alí escoitaban, tiñamos no noso carnet de galegofalantes máis de uns días ou unhas horas. Algún fixo auténticos esforzos para endereitar unha frase medianamente aceptable. Quizais iso lle deu máis forza, máis encanto.
 
Alí cantamos todos coas nosas músicas. Con letras alleas, Xavier e mais eu, e con letras propias, Xerardo, Guillermo e Vicente. Este último, con varias músicas dun compañeiro seu, Antonio Seoane (despois foi Antón, e xa ven…) Ó Xerardo fixéronlle repetir aquel magnífico “Requiem II” adicado a Luther King e a min fixéronme o propio co “Fuco Buxán”, pero o intre máis arrepiante foi cando Xavier na súa “Longa Noite de Pedra” ataca coa súa ben timbrada voz de barítono os versos finais:
 
I eu morrendo …
Nese instante, como se se confabularan as fadas con todos nós, as campás da catedral (de novo discrepo da memoria de Vicente que di no seu libro que eran as de San Francisco, alí perto) empezan a soar, levando o compás
 
Nesta longa noite de pedra …
¡E facendo acorde coa melodía! ¿Pódese pedir máis?
 
A saída foi ordenada, pacífica, cantando, iso si, “Venceremos nós”, mentres se baixaban as escaleiras.
 
Se tiveramos paciencia para suma-las persoas que nos últimos trinta anos aseguran que “estaban alí aquel día” pasarían de 6.000 Curioso fenómeno de aritmética.
 
Ó día seguinte Xavier cantando e Alfredo Conde recitando, foron actuar a Negreira nunha sala de cine, nun acto máis ou menos improvisado por Xulio González, médico do lugar. A pesar da improvisación a Garda Civil deu un bó susto ós actuantes.
 
 
NACE “VOCES CEIBES”
Durante casi todo o mes de maio andivemos teimando en varias e importantes cousas e para tales menesteres nos metiamos nas catacumbas do “Bodegón” do “Compostela”. Non estaba Guillermo que abandonou por un período corto de tempo o grupo para reintegrarse despois e estaba Margariña Valderrama. Por un lado tiñámo-lo ideario, ou mellor, as bases mínimas de traballo que debían aglutinarnos. Estaba claro que o noso era un asunto de canción en galego , monolingüe (non se fora repeti-lo de Serrat co “La, la, la” eurovisivo) e con contido abertamente social (pobre eufemismo) Ademais non podía ter nada de folklore, no formal, polas connotacións inmediatas que aquel tiña cos grupos de Coros y Danzas de la Sección Femenina de Falanje. Por outra parte estaba o asunto dos discos. EDIGSA, editora catalana na que gravara Manuel María un disco de “Poemas ditos coa súa voz”, fermosísima, per certo, tiña interés, transmitido polo poeta, en nós, con grande contento pola nosa parte. A editora tiña por embaixador un toledano galegofalante, cun galego traballadísimo e requintado, Manolo Conde, que trouxo de Barcelona o “gran xefe” Claudi Martí. Na casa de Salvador García-Bodaño realizouse o primeiro contacto cara a cara, quedando para o outono a discusión de contratos e gravación de discos.
 
Pero logo de deixar claros principios e maneiras, ¿como raios chamármonos? Estaba claro que aquelo era un grupo (no que, por certo, tamén estaba incluído Alfredo Conde) e precisaba como agua de maio dun nome identificador porque o de “Nova Canción Galega” era demasiado xenérico. Estaba, ademais, o dos cataláns con “Els setze judges” e dos vascos con “Ez dok amairu” e aquí non podía ser menos. Vicente propuña nomes máis ou menos provocadores ou inverosímiles que non recordo e os demais non aportabamos moito. Ó fin Xavier deu coa clave ¡”Voces Ceibes”! Ademais soaba ben e significaba moito. Veña, aprobado; e ata hoxe. Bueno, ata decembro do 74
 
 
PRIMEIRA DETENCIÓN, PRIMEIRA MULTA
No mes de xullo tiña dúas convocatorias seguidas: unha o 17 no “Silos Club” de Pontevedra (sala de festas ó ar libre, hoxe desaparecida) para participar como convidado e xurado no “Festival Galego da Canción Moderna”, invento que argallara Xulio Pardellas cos seus colegas e outra o 18 que, co título de “Día da Xuventude”, organizaba a Xuventude Rural Católica da Diócesis de Santiago en Ribadumia.
 
Ó día 17, pola tarde, fomos chegando os membros do xurado, entre eles Xosé Luís Méndez Ferrín, que debería dilucidar sobre as cancións que se presentaban naquel incrible “Festival Galego da Canción Moderna” que non pretendía, segundo explicacións dos organizadores, máis que ser un pequeno “impulso” para aqueles que empezaban. Polo tanto, a min chamábaseme como “consagrado” para avalar e esas cousas e, de paso, que cantara. Cantar, cantei, a pesar de que, na interpretación do pobriño do “Fuco Buxán” tivera a un par de individuos, de gris, claro, que con xestos máis que evidentes trataban desde os laterais, tapados do público polas cortinas, de evitar que eu seguira cantando. Cando rematei o “tema” como puiden expliquei, tamén como puiden, que uns “señores” pretendían impedirme cantar. “Se non queres caldo, dúas cuncas”. O público, para que contar; e eles, con máis medo ca min, entran no escenario e … directo para o calabozo.
 
Surrealismo e esperpento déronse cita aquela noite para evidencia-lo que era clarísimo: eu sobráballes alí, queimáballes a miña presencia e non sabían que facer conmigo. E pola mañán, estaba almorzando nunha praza de Pontevedra co abano de periódicos de Galicia que sacaban a noticia. O 23 de xullo o Gobernador Civil comunicoume a multa de MIL PESETAS, daquela eran cartos, por “interpretar canciones prohibidas… y dirigir frases subversivas a los asistentes …”
 
O de Ribadumia ía contar coa presencia (con misa e homilía) do Sr.Cardeal (daquela Don Fernando Quiroga Palacios con quen teríamos un encontro “vis a vis”, non precisamente agradable, anos despois con motivo do “Xuízo dos 23 de Ferrol”) que foi, misou e homiliou. E tamén ía haber un cantante de “Voces Ceibes” (que era eu) que debería actuar no apartado “Canción do atardecer”. Atardecer atardeceu, pero sen canción. A “superioridade” aconsellou ós organizadores que se retirara do programa.
 
Tamén nese verán démo-lo primeiro recital en Ferrol. Sería na Sociedade Cultural e Deportiva “Bertón” en Caranza, aínda incipiente barrio-dormitorio dos traballadores dos asteleiros ferroláns. Naquel recital había, dentro do local, que de planta era un rectángulo non maior de 6×10 metros sen divisións, ademais do público (como medio cento de persoas) máis de vinte números dos “grises” uniformados ó mando dun oficial. A “forza pública” rodeaba á xente e nós tiñamos só dúas cancións autorizadas. Para cantar éramos Xavier, Vicente e mais eu. Sen cortármonos o máis mínimo empezou un de nós cantando os dous temas. Rematou e seguiulle o segundo outra vez cos mesmos temas e logo o terceiro. Cando íamos de novo a inicia-la ronda, o oficial, desencaixado, mandou parar aquilo inmediatamente “por subversivo”.
 
Tense repetido, casi sempre por persoas malintencionadas ou pouco reflexivas, que o noso “caldo de cultivo” foron as multas e prohibicións. Diante desta afirmación sempre contestamos e contestarémo-lo mesmo: ¿Que pasaría se lle deran a “Voces Ceibes” as facilidades que a calquera cantante digamos “comercial” ou de “canción lixeira” (por utilizar términos da época, tipo Juan Pardo) para actuar alí onde lle petara e sen consecuencias sancionadoras? ¿Que pasaría se, en vez do silencio sistemático dos medios de comunicación (a radio daquela, por exemplo) tiveran un espacio as cancións producidas aquí por nós? ¿Cantos posibles organizadores de recitais e outros actos culturais non se viron disuadidos de organizar nada polas posibles consecuencias negativas se levaban a “Voces Ceibes”? As respostas son tan rotundas que non teñen réplica.
 
 
BARCELONA: DISCOS, MIRO E A DEREITA CATALANA
Tal e como se acordara, en setembro fomos a Barcelona coa cabeza chea de boas intencións e ganas de traballar. Viaxamos xuntos Xerardo e mais eu e xuntos pasamos unhas poucas aventuras. A primeira foi a de discuti-lo contido dos contratos. Xa quedara claro en Santiago que estes tiñan que se-los mesmos para tódolos “Voces Ceibes”, que todos gravaríamos e que en tódalas portadas aparecería o nome do grupo ó lado do do cantante respectivo. Pero logo estaba a letra pequena. Para iso foi inestimable a axuda de Raimon, con quen se carteaba daquela Xavier, e que, como “gato escaldado” naquelas lides, nos propuña unha defensa cerrada do noso castelo de esencias inexpugnable. Algunhas torres quedaron en pé pero outras caeron frente ó asedio sistemático dos “homes da empresa”. Ó final gravamos, primeiro eu e logo Xerardo, nuns estudios, Gema, que tiñan unha mesa mezcladora ¡de catro canales!
 
Naquela viaxe contactamos e cantamos con Miro, que viña de graba-lo seu primeiro disco tamén, e entre aquela visita nosa e a que fixeron despois Xavier e máis tarde Vicente, o Miro quedou definitivamente integrado en “Voces Ceibes”.
 
 
TODOS XUNTOS: PRIMEIRA E ÚNICA VEZ
Guillermo tamén se reintegrara no grupo, de xeito que compría facer un recital “de altura”. A Agrupación Cultural “O Galo” de Santiago encargouse de organizar un espectáculo para o día 1 de nadal, domingo, pola mañán, no Cine “Capitol”. Encargouse do cartel Reimundo Patiño, que fixo o recado con mimo e a presentación, nun Capitol cheo ata a bandeira foi de Manuel María. Foi a primeira e última vez que estivemos todos xuntos no escenario e teño dese día o recordo de moitos panfletos voando (tirados desde o piso de arriba) e moitas persoas coñecidas de tódolos puntos de Galicia. Estaba Alfredo Conde, Salvador García-Bodaño, etc. Recordo que á saída, Xerardo Fernández Albor, ademais de felicitar, indicou as súas preferencias de entre as cancións que tiña cantado aquela mañán.
 
En xaneiro do 69 actuamos en Oviedo e Gijón. Era a primeira vez que saíamos (á parte de Barcelona) e alí fomos Xerardo, Guillermo, Xavier e mais eu a cantar a un público interesadísimo no que pasaba aquí ó lado; tan perto e tan lonxano. Universidade en Oviedo, con promotores como Mari Maseda e Moncho Neira, e público de Centro Galego en Gijón. O esquema de funcionamento ía ser sempre o mesmo: cada vez que un ou varios dos membros de “Voces Ceibes” actuase, anunciábase co nome do grupo, independentemente de quen fora (aínda que se podía especificar) Na actuación en si, todos estabamos sentados no escenario e, un a un, iamos saíndo para cantar alternativamente.
 
 
TEMPO DE SEQUÍA
A lista das actuacións autorizadas vai disminuíndo sospeitosamente para engordar a das prohibicións e das actuacións a “salto de mata” nas que, sen permiso previo, e expoñéndose ó que fora, cantábase onde e cando se podía. Cantamos en Colexios Maiores, en Residencias ou en iglesias. Empezamos a ser requeridos nalgunhas das pouquísimas Asociacións Culturais que había e que se atrevían a facer unha actuación salvaxe. Parecía como se cos discos no mercado as dificultades fosen maiores que antes. Non parece que a isto foran alleos o titular do Ministerio de Información y Turismo , Fraga Iribarne e o seu “segundo” Pío Cabanillas. A xogada era boa: por un lado amordazábase a canción operante de “Voces Ceibes” mentres por outro potenciábase a “alternativa Juan Pardo” e adláteres .
 
A finais dese ano fun chamado a filas e ¡adiós canción!, polo menos para min. E ós de aquí, polo que narra Vicente, non lles foi alá moi ben. Miro seguía en Barcelona, Xavier e Guillermo dicen “adeus” ese mesmo ano e o “Chuspe” (Xaime Barreiro) entra e sae do grupo coa velocidade do raio.
 
As mobilizacións contra o Consello de Guerra de Burgos e as penúltimas sentencias de morte do franquismo (decembro do 70) foron especialmente fortes en Madrid, onde remataba a mili en xaneiro do 71. A partir de ahí son chamado a colaborar cos cantantes do grupo de “Canción del Pueblo” de Madrid onde estaban Elisa Serna, Adolfo Celdrán, Hilario Camacho, etc. e cos que actuaba de “animador” o periodista Antonio Gómez, quen pasearía coa “Castañuela 70” de “Las Madres del Cordero” por toda España .
 
Mentres, o grupo ía cambiando algunhas caras. Moscoso, que traballaba nunha clínica en Pontevedra, introducía en “Voces Ceibes” a Suso Vaamonde, con quen non recordo ter cantado algunhas veces e Vicente Araguas facía o propio con Bibiano, incorporación esta procedente do singular mundo dos grupos de “pop-rock” do momento.
 
Nunha reunión celebrada en Santiago, no “Gaiola”, coa presencia de Xerardo, Vicente e Bibiano, indicóuseme que tiña que vir para Galicia se pretendía seguir formando parte de “Voces Ceibes”. Levantei a casa que tiña nos madriles e os proxectos que tiña alá e viñen para acó. Iso si que era “todo po-la patria” e o demais son pamplinas.
 
Desta segunda estadía en Madrid, teño necesariamente que facer mención do descubrimento dun amigo, o “Mañas” (home bondadosísimo, ¿que sería del?) quen nun ático ínfimo no Madrid dos Austrias onde vivía, me fixo escoitar un disco dun “tipo estrano”, portugués. O disco era “Traz outro amigo tambêm” e o “tipo estrano”, Xosé Afonso.
 
En xullo, xa instalado acá definitivamente, tiven oportunidade de estrear pasaporte e aproveitei para facer pinitos por ahí fóra. Tiven ocasión de coñecer xentes no exilio socialista en Toulouse onde cantei e outras do mundo da radio en Holanda, onde tamén cantei.
 
No 72 ían pasar cousas moi importantes, un fito á altura, noutro orden de cousas, do 68.
 
 
10 MARZO, FERROL E MILÁN
Para empezar, fumos chamados a prepara-la parte galega da “Exposición de Arte Contemporáneo” que, en solidariedade co movemento obreiro español antifranquista, se celebraría do 10 de marzo ó 20 de abril en Italia. Tratábase de reunir, e abofé que foi así, co “mascarón de proa” de Picasso e Joan Miró, unha parte importante das artes plásticas dos artistas comprometidos máis notables. Paralelamente iría a poesía, baixo a tutela de Rafael Alberti e a canción belixerante do momento onde estaría un pequeno grupo.
 
Os plásticos galegos non se fixeron de rogar e comprometeron obra, importante, Xosé Luís de Dios, Virxilio Fernández, Xulio Maside, Acisclo Manzano, Reimundo Patiño, Agustín Pérez-Bellas, Xaime Quessada e Mercedes Ruibal. Todo foi transportado, xunto con outros centos de obras que saíron do país, en vagóns “camuflados” polos ferroviarios, coa complicidade, claro, dos colegas franceses e italianos. Aquel acontecemento, impulsado por CC.OO. e co apoio solidario dos sindicatos italianos CGIL, CSIL e UIL e a CGT francesa, tivo como marco os inmensos salóns do Palacio das Cariátides ó pé do Duomo de Milán.
 
Ningún de nós (Bibiano e mais eu chegábamos alí o día 10) podía imaxina-lo que estaba a pasar en Ferrol. A consternación, máxime coa encomenda que levábamos, era total. Ós primeiros momentos de confusión e desconcerto seguiu un compromiso aínda máis evidente para da-lo “do de peito”. E traballamos arreo naqueles días, xunto con Xerardo Moscoso, Elisa Serna e Julia León.
 
Á volta, xa estábamos advertidos, era máis que probable que recibíramos algunha “visita” inoportuna. Efectivamente, ós dous días de chegar xa tiña a luz azul intermitente á porta da casa. Acompáñanos. E métenme no coche. A verdade é que aquel subcomisario, Armas, sempre segundón do poderoso e cínico Armada, non daba moito medo, ou non tiña outras instruccións máis que as de, unha vez máis, deixar claro que “aquí se sabe todo” , prometer unha chea de “hostias” e cerrar con “ya verás como cuando lleguen los tuyos quieres ser comisario de pueblo” . A algúns o subsconsciente xógalles malas pasadas ¿non?
 
 
XOSÉ AFONSO, CAPÍTULO APARTE
Aínda houbo tempo antes de rematar abril para chamar a Porto, a Discos Orfeu a pregunta-lo enderezo do Zeca Afonso, colle-lo coche e plantarnos na sala da súa casa. Por fin tiña diante de min a aquel “tipo estrano” que tanto teimara por coñecer. ¡Ah! Pero el non nos coñecía a ningún dos catro galegos que tiña diante del. E non era para andarse de coñas; a PIDE (Policía política de Salazar) rondaba a casa e calquera podía ser PIDE. Ademais estaba o do idioma. E voçês, ¿são mesmo galegos da Galiza? E logo, ¿fálase mesmo assim lá cima? E así dúas horas de duro “sondeo” ata que, atando cabos, entendeu que éramos “galegos da Galiza” e non PIDES. Despois foron outras dúas horas de conversa compulsiva e emocionada de quen acaba de albiscar un océano do outro lado da serra. E dous anos de casi continuo ir e vir estar aquí e estar alá, convivir traballar, cantar, aprender moito a cambio de casi nada. ¡Gracias amigo “Mañas” por facerme oír, no teu mínimo ático do Madrid dos Austrias aquel inesquecible Traz outro amigo tambêm !
 
Primeiro en Galicia (xa o 8, 9 e 10 de maio) Despois, Asturias, París, Bruxelas (cantando con Bibiano debaixo do Atomium no ano 72, ¡casi ná! ) Pero podo asegurar que o público, ás horas que nos tocou tocar, estaba máis interesado en botar unha “soneca” que en escoitarnos a nós.
 
Vicente estaba agora de profesor en Glasgow, e iniciamos Bibiano e mais eu unha serie de xiras (penso que foron 3 en total) por moitos lugares da emigración galega en Suíza.
 
O 73 colle a Bibiano na “mili” en Madrid, Moscoso fixera “abur” para Suíza e quedo máis solo que a unha. Aproveito para ir aprender algo de inglés alá cos nativos mentres paso brillo ós platos e mesas dun griego emprendedor por terras de Dick Turpin, en York, onde estaba Xaquín Álvarez Corbacho preparando o seu “master” . Dun saltiño vexo ó Araguas en Londres e o levo naquel Dyane-6 tolo que tiña a Glasgow.
 
De novo Portugal, Asturias, e Madrid. Todo con Xosé Afonso. Desa época é a gravación do seu L.P. “Eu vou ser como a toupeira” , en Madrid, onde nós, Maite e máis eu, tivemos unha participación moi grata.
 
E o 25 de abril. Para que logo digan. Esta xente, que non tiñan nin para un micro nun pabellón de deportes, teñen para comprar de saldo un xeneral con monóculo; os presos na rúa e os PIDES na trena . E os amigos, periodistas, músicos, escritores, etc., empezan a aparecer dirixindo periódicos, revistas, compañías de teatro, grupos de baile. E o Zeca que delira. ¡É incrible! Pero é verdade: a libertade está alí, daquel lado do río…
 
 
DE “VOCES CEIBES” Ó M.P.C.G.
En xuntanza que reúne a Vicente Araguas, Bibiano e a min dase por “finiquitado” o grupo formalmente no final do ano 74. Pero ¡teimudos que somos! Un mes antes iniciáramo-la constitución do “Movemento Popular da Canción Galega” que, baixo uns principios moito máis “transixentes” que os de “Voces Ceibes”, agrupou xentes tan variopintas como “Faiscas do Xiabre”, Pilocha, Antón Seoane e Rodrigo Romaní, Quintas Canella, Xurxo Mares, Xosé Manuel, Emilio Cao, Jei Noguerol, Miro, Luis Emilio Batallán, “Raíces da Terra”, Bibiano e Benedicto. A primeira e única gran ocasión foi o recital dado no Pabellón do Obradoiro de Santiago o 2 de marzo do 75 que congregou a máis de 5.000 persoas con ganas de canción.
 
Ese ano, o 20-N, todos dormimos máis esperanzados.
 
 
A CHAMADA TRANSICIÓN
Comeza formalmente para tódolos historiadores, coa morte do xeneral, a chamada Transición democrática: paso da dictadura a un sistema de libertades que, no ámbito que nos ocupa, tivo os seus máis e os menos. Padeceu a canción, como outros xeitos de expresión, o que se deu en chamar os “coletazos do franquismo”. Coletazos que non eran máis que a resistencia, a vida ou morte, da máquina enferruxada que nos deixou en herencia o ferrolán. Por unha banda, a canción, arroupada cada día por máis milleiros de seguidores; pola outra, o sistema que prohibía, censuraba e multaba.
 
O primeiro “bombazo” foi o “1º Festival dos Pobos Ibéricos”. A fórmula, moitas veces despois repetida consistía en buscar un cartel o máis amplo posible de cantores nun local, aberto ou pechado, no que poidera congregarse a meirande cantidade posible de público. No anfiteatro natural da Autónoma de Madrid cabían, e abofé que as había, unhas 40.000 persoas. E como se foran coidadores do redil, un cordón de grises e tricornios rodeando o lugar: a pé, a cabalo, en tanquetas e en helicóptero, que recibía os pertinentes asubíos do respetable cada vez que asomaba o fuciño.
 
Como aquelo funcionou mellor que ben, rapidamente se prepararon outros eventos similares noutras cidades con resultados variopintos: por exemplo, en Pamplona xa non se chegou a celebrar o que estaba previsto na Ciudadela e en Valencia, no estadio do Molinón, ateigado de público, fomos amablemente invitados polas porras a abandona-lo lugar.
 
En Galicia tivemos unha mostra que quedou gardada para a posteridade, polo menos na súa dimensión sonora: o 25 de xuño celebrouse unha “Homenaxe a Santiago Álvarez”, a la sazón na prisión de Carabanchel, xunto con Santiago Carrillo e outros dirixentes comunistas. O recital era no Pabellón de Deportes e ademais dos espectadores que enchían as gradas e boa parte do patio de butacas, había un cordón de uniformados que non pagaran entrada e que rodeaban, esta vez sen cabalos, a tódolos asistentes. Nun momento do acto, logo dos consabidos berros de “amnistía e libertá” , un mozo sae de entre o público das gradas cunha bandeira, non lembro se roxa ou tricolor, e inicia unha carreira cara o escenario onde Bibiano e máis eu mantiñamos un acorde rítmico coas guitarras en espera de inicia-lo canto de “Amador e Daniel”. Os policías de paisano preparados no patio de butacas lánzanse sobre o rapaz. Nese instante o graderío vense abaixo de berros e asubíos. Os polis desisten e o rapaz coloca a bandeira no escenario. Nós seguímo-la cantarela, logo doutra tanda de berros.
 
A racha prohibidora chega ata ben entrado o ano 77 dándose xustamente un récord nese tempo: de 12 recitais para os que se solicitara permiso nos meses de xaneiro, febreiro e marzo dese ano, só o concederan ¡para 4! é dicir, o 75 % de prohibicións.
 
 
A “NORMALIDADE”
Ese ano iníciase a “normalidade” profesional coa grabación dos primeiros discos L.P. e continúa cunha moi intensa actividade canora, moi importante no que se refire á presencia fóra de Galicia da canción galega. Cataluña, Navarra, País Basco, Valencia son destinos habituais e tamén Italia, Francia, Bélxica ou Venezuela reciben a visita dalgún de nós.
 
E como tódalas situacións ou actividades máis ou menos normalizadas, a de cantor galego tamén tivo os seus remates. Por agotamento, por outras perspectivas, nalgún momento por desencanto ou por incomprensión, o forno dos nosos bolos quedou no inicio dos 80 definitivamente pechado.
 
Se se fala do 23-F como remate formal da transición, a este menda pescoulle falando en Ribeira sobre instrumentos de música en Galicia a un animoso grupo de entusiastas que alí me levaron.
 
 
FINALE MA NON TROPPO
En tempos en que tantos “aprendices de bruxo” hai, ós que lles encanta o de “todo vale” e, polo tanto, fan a cotío totum revolutum na historia da canción galega, non está de máis botar unha ollada serena para atrás de verdade. Iso pretendín con estas notas, absolutamente subxectivas e apaixoadas ata o tormento e das que o único responsable é quen isto escribe, que exerce libérrimo o dereito da memoria conscientemente selectiva e neuróticamente teimuda.
 
Ós que seguen a pensar que todo vale e que todo é o mesmo dígolles que ¡que se lle vai facer! Algúns seguiremos estando deste lado da raia por moito que outros, gurús de aldea, sigan empeñados en despintala.
 
Para aqueles exploradores da historia que queiran reescribila sen refacela, e poder facer isto sen o peso da propia vivencia, están abertas as carpetas, os arquivos dos papeis e da memoria.
 
A tódolos interesados no tema recomendo vivamente, de novo, a lectura placentera e divertida do libro de Vicente Araguas, “Voces Ceibes”, editado por Edicións Xerais.
 
E os máis novos que, sen saber moi ben como, descubran un interés nisto, que saiban que os que participamos nesta gran aventura non o fixemos atándonos a nada nin a ninguén. Limitámonos a ser “dun tempo e dun país”.
 
 
Santiago, maio de 2001
Benedito García Villar

READ MORE
GrândolaTraduções
23/03/2006By AJA

Grândola traduzida

Retirado do site (http://www.prato.linux.it/~lmasetti/antiwarsongs/)

(Aqui podemos também encontrar 10 músicas de José Afonso traduzidas para italiano.)
GRÂNDOLA VILA MORENA
José “Zeca” Afonso(1950)
Se mai esiste una canzone “storica” nel senso più completo del termine, questa è “Grândola vila morena”. Fu infatti la trasmissione per tre volte consecutive di questa canzone di José Afonso (fino ad allora assolutamente proibita) dalle onde di Radio Renascença, che diede il segnale d’inizio, alla mezzanotte del 25 aprile 1974, ala “Revolução dos cravos”, la “Rivoluzione dei garofani” che mise fine alla dittatura fascista portoghese. Una canzone che parla di fraternità, di pace e di uguaglianza presa a simbolo da delle forze armate che, una volta tanto, fecero veramente il bene del loro popolo (interrompendo, tra le altre cose, le sanguinose guerre coloniali che stavano letteralmente dissanguando il Portogallo).
Grândola è una città del sud del Portogallo che, alla fine degli anni ’40, vide un tentativo di cooperativa agricola popolare del tutto inviso al regime salazarista. Da qui la proibizione della canzone.
GRÂNDOLA BRUNA CITTA’
Versione italiana di Riccardo Venturi
Grândola, bruna città
terra di fratellanza
è il popolo che più comanda
dentro di te, o città.
Dentro di te, o città
è il popolo che più comanda
terra di fratellanza,
Grândola bruna città.
A ogni angolo un amico,
su ogni volto l’uguaglianza
Grândola bruna città
terra di fratellanza
terra di fratellanza,
Grândola bruna città
su ogni volto l’uguaglianza,
è il popolo che più comanda.
Ed all’ombra d’una quercia
di cui non so più l’età
giurai d’aver per compagna,
Grândola, la tua volontà.
Grândola, la tua volontà
giurai d’aver per compagna
all’ombra d’una quercia
di cui non so più l’età.
GRÂNDOLA VILA MORENA
(Stadt der Sonne, Stadt der Brüder)
Versione tedesca di Franz-Josef Degenhardt
Grândola, vila morena
Stadt der Sonne, Stadt der Brüder,
Grândola, vila morena,
Grândola, du Stadt der Lieder.
Grândola, du Stadt der Lieder,
auf den Plätzen, in den Straßen
gehen Freunde, stehen Brüder,
Grândola gehört den Massen.
Grândola, vila morena,
viele Hände, die dich fassen,
Solidarität und Freiheit
geht der Ruf durch deine Straßen.
Geht das Lied durch deine Straßen,
gleich und gleich sind uns’re Schritte,
Grândola, vila morena
gleich und gleich durch deine Mitte.
Deine Kraft und euer Wille
sind so alt wie uns’re Träume,
Grândola, vila morena
alt wie deine Schattenbäume.
Alt wie deine Schattenbäume
Grândola, die Stadt der Brüder,
Grândola, und deine Lieder
sind jetzt nicht mehr nur noch Träume.
GRÂNDOLA LA VILLE BRUNE
Versione francese di Riccardo Venturi
Grândola, la ville brune
terre de fraternité
c’est le peuple qui s’impose
dans toi, ô vieille cité.
Dabs toi, ô vieille cité
c’est le peuple qui s’impose
terre de fraternité,
Grândola, la ville brune.
A chaque coin y a un ami,
dans les yeux l’égalité,
Grândola, la ville brune
terre de fraternité.
Terre de fraternité
Grândola, la ville brune,
dans les yeux l’égalité,
C’est le peuple qui s’impose.
C’est à l’ombre d’une yeuse
dont j’ignore encore l’âge
que j’ai pris ta volonté
comme compagne de voyage.
Comme compagne de voyage
oui, j’ai pris ta volonté

Grândola, sous une yeuse
dont j’ignore encore l’âge.

READ MORE
Homenagens e tributos (poesia)
23/03/2006By AJA

Poemas a José Afonso

Idílio com a morte
Fátima Maldonado

Para o José Afonso

I

Após duelo hórrido
tenaz o cavaleiro
jaz inerte
mas não está vencido,
melhor dizendo perdeu os estribos
e vai sem pedais em direcção à morte.
Quem sabe, talvez ela o console,
lhe dê afinal o que nenhuma mulher,
sereia, sílfide ou cadela
logrou entregar,
abrir, envolver ou mostrar.
Nunca viu horizonte
onde pudesse à sombra do pinhal descansar,
o escudo recebendo a carícia do sol,
nem no regaço a dama do licórnio o acolheu
ou conheceu a partida das lágrimas
e mesmo assim o cavaleiro não esquece
feras letras, vocábulos no zénite
que a vida lhe ensinou a desdenhar.
Quando for o regresso
mais sábio, mais seg’uro e mais audaz
talvez então se resigne ao amor.

II

Pediu o cavaleiro
ao homem que maneja
o ferro
o seu vocabulário.
Pediu-lhe emprestadas
as formas das censuras,
o fia gelo, a vergôntea, o montante,
a pólvora que rodeia
os vocábulos
e fez delas coroas de espinhos.

Salutación á José Afonso
Atahualpa Yupanqui 9 Marzo 1985

Ya no estoy en tu piedra. hermano Afonso.
Como un viento de mi pampa
/legué /leno de cantos enamorados y salvages.
Aqui quedan algunos, cerca de tus olivos.
junto a los rios, trepando ca/les
y caminos duros. Ouros como los hombres y
las cosas.
Como no amar la tierra, compaflero?
Si en el aroma fuerte de la hierba
te saluda en la tarde la paloma escondida.
La mano deI amigo es tu estandarte.
Tan hondo como el mar es el amor deI pueblo.
Donde quiera que vayas, la poesia amanece
como una novia inacabable y tierna.
A mi América vuelvo, José Afonso.
Te abrazo. hermano, y aI combate vamos.
Somos hechos de lúz y polvareda.


José Afonso

Hélia Correia

Em louvor da desordem.
Exaltando
o vinho e os seus fermentos.
Em louvor dos motivos
e em louvor
da pura insensatez,
nos sentaremos nós ouvindo este homem,
atravessados pelo seu galope.

Como a uma criança, aconchegamos tudo aquilo que ele amou.
Tudo o que é térreo
e sujo
e sorridente,
e oferece o rosto
de chapão à luz.
Coisas que nos deslizam sob a pele disparando calor.
Regendo as linhas
fundamentais da vida.

Há um nó de caminhos onde este homem
se pôs a esconder pólvora e sementes,
calendários rurais.
Dele não pode falar-se sem que se ouça
a espantosa alegria.
Sem que de novo bata pelos sítios
o eco de um tambor.

É bem possível
que a canção vele, oculta nas cidades.
Que se incline nos nossos pensamentos
como um espelho lunar,
duro e pacífico.
E sob o seu olhar nos desloquemos
por entre a turbulência.
E dela venha um íntimo sentido
e o seu ardor nos saiba
conduzir.

Pois deste homem ficou o ofício.
Os meios.
Sabemos de que modo se levantam
as pedras sobre as pedras.
Sabemos de que modo
as aguçar.

Existe ainda
um cordão de linguagens.
Vibra teimosamente o ar, movido por sopros
e até mesmo
por fadigas.
E a sua voz empurra e alimenta essas circulações.
É o vento do sol
que permanece.

Homenagem a José Afonso
Luís Serrano

Esta voz
é o que resta dum grito
ou dum silêncio
ou dum pranto desabitado
voz solitária e branca
onde uma água desprevenida
lentamente anoitece
a memória das coisas
está nessa luz desamparada
que respira
e também os filhos esses
tão incertos
delicados frutos
por quem perseguimos
lágrimas e risos

Novos cruzados
Lembrando Luiza Neto Jorge e as suas deambulações em Faro com A. Barahona, Zeca, Bronze e Pité
Luiza Neto Jorge

Sequiosos descem,
seus corpos de esponja
a rolar na treva,
iates rompendo
à babugem de água,
caravanas caras
em fossados por
rochedos e hortas,
sedentos recolhem
cisternas, piscinas
sob o seu pendão,
e saqueiam, sangram
consagrados à
salvação do corpo
estes cruzados!

Para José Afonso
António Ramos Rosa

O canto que se erguia
na tua voz de vento
era de sangue e oiro
e um astro insubmisso
que era menino e homem
fulgurava nas águas
entre fogos silvestres.
Cantavas para todos
os acordes da terra,
os obscuros gritos
e os delírios e as fúrias
de uma revolta justa
contra eternos vampiros.
Que imensa a aventura
da luz por entre as sombras!
A vida convertia-se
num rio incandescente
e num prodígio branco
o canto sobre os barcos!
E o desejo tão fundo
centrava-se num ponto
em que atingia o uno
e a claridade intacta.
O canto era carícia
para uma ferida extrema
que era de todos nós
na angústia insustentável.
Mas ressurgia dela
a mais fina energia
ressuscitando o ser
em plenitude de água
e de um fogo amoroso.
É já manhã cantor
e o teu canto não cessa
onde não há a morte
e o coração começa.

Quando a luz fechou os olhos
Janita Salomé

Quando a luz fechou os olhos
Amansou a terra um ar morno
De cinza, doce, de cores desmaiadas
Pelos perfumes vindos no bafo da noite

Do ramo mais fino do silêncio
Soou o rouxinol num canto dorido
De seda e ondas, que soltava em cada nota
Um fio delicado de fumo como fogo-fátuo

Teceu um véu e ali se guardou
De volta às entranhas da vida
Basta um sopro mágico, liberto,
Para que a luz acorde a cantar

READ MORE
Imprensa estrangeiraUruguai
23/03/2006By AJA

Frente a la muerte del gran José Afonso

(Artigo publicado no Uruguai, aquando da morte de José Afonso no semanário Brecha, a 13/3/87)
 
Murió José Afonso
ZECA, LA REVOLUCIÓN Y LOS CLAVELES
Es difícil hablar del portugués José Afonso sin referirse a la revolución de abril del 74, tal vez porque nunca antes el momento insurreccional de un pueblo estuvo tan estrechamente ligado a la figura de un cantante popular. Y viceversa. Muchas veces ha sido narrada en prensa la anécdota de que una canción “Grândola Vila Morena”emitida en cadena por todas las radios portuguesas sirvió de contraseña para el alzamiento del Movimiento de las Fuerzas Armadas, integrado por militares de izquierda, y el apoyo inmediato del pueblo, que el 25 de abridle 1974 acabó incruentamente con más de cuatro décadas de dictadura salazarista en Portugal. Precisamente José Afonso era autor e intérprete de aquella canción, hoy inmortal, que fue señal para que tanques y pueblo ganaran la calle liquidando un sistema de terrorismo de Estado tan ignorado como inconcebible.
 
La revolución de abril “fue hecha sólo con claveles, por eso fue derrotada desde fuera y saboteada desde dentro” según nos lo refieren testigos presenciales de la época. Sin embargo, el nombre de José Afonso continuó creciendo en el tiempo hasta transformarse en el símbolo civil de una revolución originada en los cuarteles.
 
Pero José Afonso fue (y es) mucho más que todo eso. Artista de talla sin par, renovador, cantante notable e investigador de la música de su pueblo, nexo fundamental entre la tradición folclórico-rural y la nueva música, impulsor de la “canción de intervención” (denuncia), figura iluminadora de la Música Popular Portuguesa (MPP), movimiento musical que no tiene parangón en toda Europa Occidental, por su calidad, su diversidad y proyección de avanzada.
 
Extraemos de un reportaje que le fuera realizado por Daniel Viglietti el 26 de enero de 1983:
 
Ha sido (la MPP) un movimiento muy importante porque ha sido subversivo. Ha penetrado en los cuarteles, en todas partes. Nosotros transmitimos clandestinamente en Argel, en Guinea, para los militares y eso tuvo importancia para el golpe del 25 de abril”. (1)
 
Por desgracia, Portugal ha sido siempre un país aislado, ignorado y despreciado por la Europa desarrollada. Y por ende lo han sido su música y sus nuevos compositores. Afonso fue quien más logró trascender fronteras físicas y las que imponía la venta oficialista de estampitas de folclore decorativo hechas con el “fado”, auténtica expresión del pueblo portugués pero manoseada y manipulada hasta el cansancio con fines de explotación turística cuando no política del régimen Salazar-Caetano.
 
José “Zeca” Afonso nace en Aveiro, en 1929. Cantando fados y baladas llegará a adquirir renombre en Coimbra, ciudad universitaria donde es estudiante de historia y filosofía. Más adelante será doctor. Sus primeras grabaciones datan de 1957. Dos períodos de su juventud transcurridos en colonias lo vinculan a la música africana, de la que encontraremos huellas evidentes en su obra posterior. En 1967 regresa a Portugal y dicta clases en el Instituto, de donde la dictadura lo expulsa por su posición antifascista, que también se deja ver en sus nuevas canciones.
 
A partir de lo cual se suceden encarcelamientos, prohibiciones sistemáticas de cantar, de editar y difundir sus grabaciones y libros (que igual corren a través de la resistencia), desplazamientos controlados, penuria económica y un stress nervioso a causa de la persecución física e intelectual. Hay miedo de editarlo, a pesar de su innegable calidad. Por fin logra un acuerdo con el editor Arnaldo Trindade y puede componer, grabar e investigar con regularidad. Sus canciones denuncian abierta o veladamente los crímenes de la represión salazarista, satiriza los reveses militares en las colonias, narra episodios de la resistencia popular, caricaturiza el poder del clero y de la burguesía, sus textos amorosos se alternan con descripciones de la vida del pueblo, el drama de la emigración… Canta donde puede, realiza giras para emigrados y refugiados, se convierte en figura central de la resistencia popular.
 
“La intervención no puede ser directa. No lo puede ser en menosprecio de la calidad. Tiene que haber un ingrediente. Un componente lúdico muy fuerte, muy identificado con las energías de la tradición popular y además creativo. Tiene que ser siempre “para frente”. El clisé, el estereotipo es muy peligroso.” (2)
 
Llegará abril, “Grândola Vila Morena”, las banderas, los camiones y la historia más conocida. Entre sus temas posteriores, también encontramos coplas implacables contra la socialdemocracia, principal agente corruptor de la revolución portuguesa. Todas sus canciones, incluso hasta las que podrían tildarse de “panfletarias”, están signadas por una incomparable altura musical y poética.
 
Hasta tal punto fue incruenta la Revolución Portuguesa, que generó situaciones absurdas. Muchos puestos de poder continuaron detentados de un régimen a otro por elementos caetanistas, por ejemplo en la raioteledifusión. A cierta altura del proceso democratizador, “alguien” imparte la orden de difusión radial a rajatabla de las canciones más panfletarias de la MPP. Resultado: al cabo de un año se logra sobresaturación y desinterés total en el público hacia un movimiento que en realidad entrañaba sus mejores tradiciones culturales. Con la televisión fue distinto. Alegando el conocido “verso” de “falta de calidad, excesivo costo de producción, falta de representatividad, arte menor producido por y para minorías (3), al tiempo que comenzaba la escalada en la producción de lo mediocre, del mal gusto y del enlatado acéfalo”.
 
“Zeca” Afonso, pese a ser obviamente conocido, valorado y respetado en todo Portugal, tampoco pudo escapar a esa política criminal. Sólo en 1983, ante el estado público de su irreversible enfermedad, la televisión le confiere el ridículo espaldarazo de concederle una hora de programa especial, mutilándole un recital en el Coliseu dos Recreios de Lisboa en el que Afonso realizaba un resumen de su obra musical . (4)
 
“¿Y en esa situación actual de Portugal, frente a la que se puede producir un cierto desaliento en la población, es que la canción ha seguido jugando un rolde llamita, de chispa?” “Sí. Creo que nunca se ha terminado ese sentido de militancia política. Creo que la canción política ha pasado de una forma directa y un poco panfletaria -inmediatista, funcional, simplista, casi manifiesto político…se han cometido errores- a una faz un poco tecnicista, evolutiva, un poco esteticista, que es la que estamos viviendo ahora” (5).
 
Pocos días atrás, murió finalmente “Zeca”Afonso, aquejado de una enfermedad que destruía inexorablemente su musculatura. Sus cerca de 20 discos editados nos hablarán por siempre de una obra formidable y ejemplar.
 
Jorge Bonaldi
 
 
(1) Audición musical “Tímpano”
(2) Ídem.
(3) No, lector. No estamos hablando de Uruguay. Pero ¿verdad que lo parece? El entrecomillado pertenece a Mario Correia, ex integrante del Movimiento de las Fuerzas Armadas y director de la revista portuense “Mundo da cançao”. Hoy (2003), al revisar esta líneas, me vuelve a rechinar otra similitud de situaciones: el desmedido apoyo que dio Radiotelevisión Española a “Operación Triunfo” en detrimento de la difusión de la verdadera canción española, la canción de autor, utilizándose casualmente los mismos argumentos que en el caso portugués por parte de las autoridades de RTVE, quienes sin dudas responden a intereses de políticas oficiales. ¿Casualidad?
(4) Presenciamos personalmente la emisión y también la indignación de sus colaboradores cercanos.
(5) Citado reportaje de Viglietti.

READ MORE
Homenagens e tributos (2006)
18/03/2006By AJA

José Afonso na UNICEPE

Na próxima quarta feira, 22 de Março às 21.30 vai haver José Afonso na Unicepe Praça Carlos Alberto 128 A – Porto
A próxima sessão de Memórias da Música UNICEPE fica às portas de Abril. A um mês da data da Revolução é inevitável a sua Senha, quem a criou e cantou.
José Afonso e a utopia, os fados de Coimbra, as baladas, as canções de intervenção. Vamos conversar sobre ele com os seus amigos, ouvir as suas gravações, evocar a sua obra.
Jorge Ribeiro traz consigo escritores, Carlos Andrade e a sua viola, e o actor Amílcar Mendes que vai dizer poemas que o andarilho nunca musicou.
No dia 22 de Março, quarta-feira, às 21h30m, «venham mais cinco» à UNICEPE. É que, como dizia o Zeca, «por vezes o inimigo somos nós próprios, a nossa própria consciência e os alibis de que nos servimos para justificar a modorra e o abandono dos campo de luta».
Traz outro amigo também.

READ MORE
Associação José AfonsoSócios
12/03/2006By AJA

Participar

…mais um apelo, mais um apelo revisitado, desta vez sobre a participação. Actual? Sempre.
As associações são como as marés. Enchem e vazam. Um esforço a mais pedido a cada um dos poucos que se atarefam em redor de actividades particularmente absorventes, tem o seu reflexo numa espécie de maré baixa, em que se reconstituem os novos equilíbrios do esforço colectivo e individual.
O associativismo em Portugal – e não sabemos se fora o será também – é isso mesmo: uma difícil gestão das pessoas disponíveis, das horas disponíveis, dos tostões disponíveis, e também dum capital moral que o quotidiano tende a dissolver no diluente da tecnocracia ou do consumismo pessoal ou, simplesmente, do comodismo.
Este número da revista é testemunho dum desses refluxos, que oferece ao menos a vantagem de se poder olhar o fundo, antes coberto duma superfície azulina, ou seja, a oportunidade dum balanço. De facto, sai com sensível atraso. Se daqui passarmos ao campo das restantes práticas, tardam algumas soluções. Especialmente porque a questão do espaço de que carecem, dito noutros termos, a sede, se mantém em aberto, não obstante os últimos e propiciatórios desenvolvimentos do assunto, a que voltaremos se e quando algo de mais concreto surgir.
Apesar disto, desta limitação espacial, sempre foi possível desenvolver um programa de acção, em que desde o início, de resto, nos empenhámos. Ultrapassando a rotina que, também aqui, espreita, insidiosa, se for fechado e estreito o círculo em que nos movemos.
Não. Abrir sobre o corpo associativo as janelas e nutrir-se dele, da sua seiva renovadora, é o espírito que se quer, se não associacionista, pelo menos da A.J.A.
A participação possível dos associados. Participação desde logo na elaboração da revista, cujo pedido se renova. Participação através das sugestões e reparos. Participação no alargamento dos nossos horizontes sociais, na dinamização local. Participação na revelação ou fornecimento de elementos etnográficos ou simplesmente noticiosos referentes a José Afonso, etc.. Participação, em suma, de tantas e tão diversas maneiras. Participação.

Revista AJA nº5 1989

READ MORE
Rui Eduardo Paes
12/03/2006By AJA

A música de José Afonso está por estudar

Publicado em 1990 na revista nº6 da AJA, este artigo de Rui Eduardo Paes, reveste-se de uma enorme importância por duas razões. Primeira: desde então quase nada foi feito em termos de resposta a este texto/apelo, exceptuando a obra de Elfriede Engelmeyer “José Afonso, poeta”. Segunda: vai ao encontro da frase proferida por Alípio de Freitas “José Afonso é o nosso Bach”, na homenagem de Guimarães do mês passado, a qual, descontextualizada, suscitou algumas reacções precipitadas, já que no contexto do seu discurso, Alípio de Freitas, simplesmente quis dizer o mesmo que Rui Paes disse há mais de 15 anos atrás, ou seja, que chegou a hora da obra de José Afonso ser estudada. Como diz Rui Mota: “Não sei se é o “nosso” Bach, mas deve ser estudado como tal. Porque não promover um colóquio sério sobre a obra poético-musical do Zeca, convidando especialistas da matéria. Há-os em Portugal e no estrangeiro e uma simples pesquisa permitirá descobrir onde eles/elas se encontram…
Esta é uma boa altura para fazê-lo: 20 anos passados sobre a morte do Zeca e a criação da AJA.”
Aqui fica o texto, aqui fica o apelo.
 
Se o leitor destas breves linhas se der ao trabalho de averiguar o que já foi escrito a propósito da música de José Afonso, e falo especificamente da música, não dos poemas ou da sua militância, verificará que muito pouco ou mesmo nada ficou registado em letra de imprensa. É um trabalho, pois, que está por fazer.
E no entanto parecia óbvio a aliciante da tarefa para os musicólogos ou jornalistas especializados que poderiam, juntamente com os cantautores que privaram com o criador de Grândola Vila Morena, ir ao fundo das suas motivacões músicais. Não pretende ainda esta prosa colmatar tal ausência de reflexões retrospectivas, coma adiante se verá, mas tão só Iançar o repto necessário a quem esteja mais preparado.
Tenha-se em consideração, antes do mais, que a música popular portuguesa não é área em que eu habitualmente me movo, mas sem dúvida nenhuma que a música de José Afonso entronca com os valores e os procedimentos que me cativam e vem sendo objecto de uma intervencão jornalística e crítica minha já de anos. 0 que dele sei permite-me considerar que não the tem sido feita uma justiça proporcional ao seu exemplo – é demasiado habitual vermos quem use a figura do Zeca Afonso para defender estranhos conceitos de nacionalismo e isolacionismo músical, ao encontro de uma portugalidade que é na verdade muito menos pura do que se pretende fazer crer. Bastaria ter um mínimo de conhecimentos históricos para percebê-lo, se a ideologia não fosse mais poderosa do que a simples factologia.
Passemos ao lado de maiores considerações a propósito desta esquerda com contornos ideológicos nacionalistas e contra-natura, para argumentar que José Afonso é o primeiro e o maior dos compositores e intérpretes da MPP a configurar uma música que é o produto de confluências de género, geografia e história, ou seja, algo de fabricado e conceptualizado. Pode-se admitir que a introdução de ritmos africanos é complementar, nalgumas das suas cancões, ao projecto de uma música de cariz português que não aliene nenhum dos seus ângulos e nenhuma das consequências presenciais do português no mundo, partindo do razoável princípio de que toda a cultura, incluindo a músical, se alimenta das suas exterioridades, das suas margens. Quando José Afonso tocava e cantava segundo uma tipologia africana era ainda de música portuguesa que se tratava, portanto.
Mas é precisamente neste ponto que reside o cerce da questão. Toda a música que dispõe de uma identidade, distinguindo-se por ela e a partir dela, é também uma música que se dâ ao mundo. Ou para ir ainda urn pouco mais longe: a música portuguesa do Zeca vale enquanto música do mundo, e se é portuguesa porque é uma música do mundo, porque resultou de um determinado percurso histórico e humano, porque transformou as geografias (Europa, Península Ibérica, África, no caso) mediante a sua transversalidade cultural e física, porque interiorizou as expressões musicais que a rodeavam, lhe deram enquadramento e razão de ser.
José Afonso talvez tenha sido o mais feliz cantor do chamado fado de Coimbra, e se esta é uma opinião pessoal, não fica difícil confirmá-la. O fado de Coimbra, como se sabe, é uma música de raiz, tem uma autenticidade própria, mas convém lembrar de que se trata, igualmente, de uma construção, não de uma forma «natural» de música. Em cultura nada há que seja natural, tenha-se coma assente. Vamos pois ao resto. 0 Zeca fez um excelente trabalho de recolha da tradição musical portuguesa, uma tradicão que apresenta, diga-se para mais, uma boa diversificação de modelos a origens e já por si comprova os cruzamentos que constituem isso que é «ser português». Esses temas vestiu-os numa fórmula da canção que, obviamente, não surgiu do nada. De onde vem ela, então?
De tantas e tantas práticas que conheceu de outros músicos a cantores de similar empenhamento, entra catalães a italianos, franceses e bascos, irlandeses e alemães, entra cantores de intervencão de nacionalidades várias, entra escolas muito bem caracterizadas (a «chanson française», por exemplo), entra autores de música popular. Compositor original, sem dúvida, José Afonso pertence de qualquer modo a uma família de características claramente definidas, com pares à altura na cena internacional. E porque nunca o Zeca pretendeu traduzir na sua música aquilo que Portugal era antes da Revolucão, isto é, um país fechado sobre si mesmo, ante a lonjura de um mar metafísico e os montes junto da fronteira espanhola que serviam para esconder a emigragão, ele fez questão em «produzir» os seus discos com a distanciação imprescindível para o reconhecimento. Lembro-me do seu convite a um brasileiro para certo trabalho de produção, um jovem chamado Phototi. Nessa altura não clamaram as salazaristas de esquerda.
José Afonso gostava dos blues, do jazz, e até alguma coisa do rock – menos, todavia – podemos encontrar nos seus álbuns. Nos arranjos, mas mais estruturalmente na composição, isso é evidente, e não oferece matéria para imprecisões conjecturais. Ou julgariamos que não, mas afinal houve quem não escutasse o Zeca com atencão. É pena, mas no meio de outros desmandos que sobre ele já se fizeram não é para admirar. Corrija-se a tempo este legado: a música de José Afonso está por estudar.
Rui Eduardo Paes

READ MORE
Imprensa
03/03/2006By AJA

José Afonso: o último concerto da clandestinidade

– Revista “Pública” 27 de Fevereiro 2006

READ MORE
Imprensa
02/03/2006By AJA

O Zeca Afonso é o nosso Bach

READ MORE
TestemunhosXoán Gutían
28/02/2006By AJA

Texto de Xoán Gutián

(Texto enviado a Viriato Teles)

Amigo Viriato, amigos do Zeca: Foi alá polo ano 1972. Moi poucos na Galiza sabían do Zeca e moi poucos coñecían a realidade dura e triste de Portugal. En maio daquel ano chegou a Compostela da man do Zeca un ar novo que nos falaba de liberdade, de solidariedade, de paz. Sobre o escenario do Burgo das Nacións cantou por vez primeira en público oseu “Grândola”.¡Que lonxe estabamos de saber o que esa canción significaría no futuro! Pero, ¡que cerca sentimos aquela tarde ó pais amigo,a súa realidade, o seu combate!. Foi a vosa canción, pero tamén foi para sempre nosa.Tiña eu 17 anos e non esquecerei nunca aquel día. A voz do Zeca, transparente e luminosa, marcou para sempre a miña traxectoria persoal:Portugal, quer dicir os portugueses (que non hai máis patria que os homes),converteuse xa para sempre nunha constante na miña vida. Foi o mellor regaloque recibín e nunca poderei pagar a débeda que teño contraída.Pasaron logo moitas cousas..A vida dá moitas voltas e eu pasei de ser o mozo deslumbrado pola voz e a poesía do Zeca a ser “o home do armario”… Zelia,Joana e Pedro saben do que falo. Nunca esquecerei. Agora, cando teño dúbidase cando me sinto triste, pego na viola e canto…Sempre Zeca. Seguirán existindo miserias, explotacións, crimes e torturas – existe Guantánamo, por citar un caso- pero o futuro vai ser moito mellor porque andan polo ar as notas das cancións do Zeca, a súa voz, a súa palabra, quenos axudan a saber que o mundo será, máis cedo que tarde, unha cidade sen muros ne ameias.E cando as cousas van mal, cando o pao que comes sabe a merda, o que faz falta é lembrar ó Zeca: cantor, amigo e mestre. Obrigado polos esforzos que facedes mantendo viva a memoria dun artista irrepetible e dun cidadán exemplar.Desde Galiza, unha aperta forte do amigo 
Xoán Guitián
Facultade de Química-Biblioteca
Avda. das Ciencias, s/n15782 – Santiago
xguitian@hotmail.com

READ MORE
Homenagens e tributos (2006)
27/02/2006By AJA

Algumas imagens da homenagem

Continuem a enviar mais imagens para a AJA, de forma a podermos ilustrar melhor o que se passou durante os dois dias de homenagem a José Afonso.

READ MORE
Associação José AfonsoHomenagens e tributos (2006)
24/02/2006By AJA

Programa da homenagem a José Afonso em Guimarães

FEV/ MARÇO | GUIMARÃES
“PÃO COM SONHO”
(distribuição de milhares de sacos de embalagem de pão com dados biográficos e alguns poemas de José Afonso) Iniciativa da “Pavico”
Concentração Vimaranense de Panificação Lda e Biblioteca Municipal Raul Brandão

23 FEV/ 13 ABRIL | BIBLIOTECA MUNICIPAL RAUL BRANDÃO GUIMARÃES EXPOSIÇÃO: “ZECA AFONSO: O SONHO CANTADO”
Exposição da responsabilidade da Biblioteca Municipal Raul Brandão

Zeca Afonso: história de uma vida
Coimbra e os tempos de estudante
A obra – discografia – obras principais
O cantor e a sua criatividade musical: anatomia de uma carreira

24 FEV | 18 H | CENTRO CULTURAL VILA FLOR
ABERTURA DA INICIATIVA
Exposição da responsabilidade da Associação José Afonso
Bancas de livros e discos a cargo da AJA, “Mundo da Canção”, “As Formigas de Macieira da Lixa”
Espaço de mostra de objectos e documentos pessoais sobre José Afonso

18H30 | CENTRO CULTURAL VILA FLOR
ESPAÇO CAFÉ-CONCERTO
LANÇAMENTO DO LIVRO“ZECA SEMPRE”
Livro de depoimentos de autores galegos e portugueses sobre José Afonso da responsabilidade da Editora portuense – ARCA DAS LETRAS
Animação musical de rua

21H30 | CENTRO CULTURAL VILA FLOR | AUDITÓRIO GRANDE | 15 Euros
CONCERTO
MANUEL FREIRE
PEDRO BARROSO
JOÃO LOIO
DE OUTRA MARGEM (galaico-português)
CHAMASTE-ME´Ó
DINO FREITAS
MANUEL DE OLIVEIRA

24h | CENTRO CULTURAL VILA FLOR
ESPAÇO CAFÉ- CONCERTO
MÚSICA E POESIA DE JOSÉ AFONSO
Ambiente de Café – Concerto

25 FEV | 10H 3O | CENTRO CULTURAL VILA FLOR
WORKSHOP” SOB O TEMA: “(RE) VIVER ABRIL COM ZECA AFONSO – PARA UMA DIDÁCTICA DE UNIDADE”
Orientada para o sector do ensino, da responsabilidade do Sindicato dos Professores do Norte, com apoio editorial e audiovisual

A PARTIR DAS 15 H | CENTRO CULTURAL VILA FLOR
EMISSÃO “NON STOP” DE VÍDEO E PROJECÇÃO DO FILME “O ANÚNCIO”DO REALIZADOR JOSÉ CARDOSO
José Afonso participa neste filme interpretando “Vejam Bem”, para o qual compôs esta canção

CENTRO CULTURAL VILA FLOR
ANIMAÇÃO DE RUA NO ÁTRIO E JARDINS
Participação de alguns dos grupos integrantes dos elencos dos concertos

17H | CENTRO CULTURAL VILA FLOR
“JOSÉ AFONSO, O MÚSICO, O POETA, O HOMEM” DEBATE/CONFERÊNCIA
Moderado pelo jornalista RUI PEREIRA, este debate terá a participação de: ALÍPIO DE FREITAS, JOSÉ VIALE MOUTINHO, OCTÁVIO FONSECA, PADRE MÁRIO DE OLIVEIRA E VIRIATO TELES em representação do “mc”-MUNDO DA CANÇÃO,

21H30 | CENTRO CULTURAL VILA FLOR | AUDITÓRIO GRANDE | 15 Euros
CONCERTO
ARDENTÍA (Galiza)
AMELIA MUGE
LUANDA COZETTI
FRANCISCO FANHAIS
JOSE FANHA
ZÉ PERDIGÃO
CANTO NONO
ASTEDIXIE
UXIA (Galiza)

24H | CENTRO CULTURAL VILA FLOR
ESPAÇO CAFÉ- CONCERTO
MÚSICA E POESIA DE JOSÉ AFONSO
Ambiente de Café – Concerto

Os bilhetes para os dois concertos no Centro Cultural de Vila Flor são 15 Euros cada ou 25 Euros se adquirir os dois. À venda no site http://www.aoficina.pt/html/

Para saber como chegar até ao Centro Cultural de Vila Flor consulte também o mesmo site.

Organização do C.A.R. – CIRCULO DE ARTE E RECREIO (GUIMARÃES)
com o apoio de:

AJA- ASSOCIAÇÃO JOSÉ AFONSO
ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DA UNIVERSIDADE DO MINHO
A25A-ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL
BIBLIOTECA MUNICIPAL RAUL BRANDÃO (GUIMARÃES)
CICP-CENTRO INFANTIL, CULTURAL E POPULAR (GUIMARÃES)
CMG-CÂMARA MUNICIPAL DE GUIMARÃES
CINECLUBE DE GUIMARÃES
PAVICO (GUIMARÃES)
REGIE COOPERATIVA OFICINA (GUIMARÃES)
SPN-SINDICATO DOS PROFESSORES DO NORTE
MC- MUNDO DA CANÇÃO
ÁRVORE-COOPERATIVA CULTURAL

CONTACTO | homenagemjoseafonso@aoficina.pt | circulodearteerecreio@hotmail.com

READ MORE
Homenagens e tributos (poesia)João Pedro Grabato Dias
24/02/2006By AJA

Soneto para o José Afonso

O sílex maxilar abaixa e vibra,
viva rocha fremindo o escárnio e a dor
dos outros, que a sua é apenas flor
enrazinhada ao maxilar e frívola

quase, como quem não pretende. Víboras
de ar contente enpinam-se ao calor
da alheia orelha, e passado e amor
e presente e gente, ganham a estrídula

razão que inda não tinham. No paul
de vicioso bafo, um tremendal
de coxas rãs coaxam no azul

um vazio silênclo. E à barragal
do porto aconchegado em ocul-
ta estultícia chega um vento de sal…

João Pedro Grabato Dias*

*Pseudónimo de António Quadros (Viseu, 1933-Santiago de Besteiros, 1994) estudou Pintura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, e Gravura e Pintura a Fresco em Paris. Em 1964 parte para Lourenço Marques. Foi pintor e professor, mas também artista gráfico, ilustrador, ceramista, escultor, fotógrafo, cenógrafo e pedagogo. Trabalhou em arquitetura, apicultura, comunicação, biologia e ecologia, privilegiando uma abordagem interdisciplinar. Escreveu e publicou poesia sob diferentes pseudónimos: João Pedro Grabato Dias, com 40 e Tal Sonetos de Amor e Circunstância e Uma Canção Desesperada (1970), O Morto (1971), A Arca (1971), 21 Laurentinas (1971), Pressaga (1974), Facto/Fado (1986), O Povo É Nós (1991) e Sagapress (1992); Frey Ioannes Garabatus, com o poema épico-paródico As Quybyrycas (1972, prefácio de Jorge de Sena); Mutimati Barnabé João, ficcionado guerrilheiro morto em combate, com os poemas Eu, o Povo (1975), com o poema homónimo musicado por José Afonso/ Fausto Bordalo Dias e integrado no disco Enquanto há força, 1978. Coordenou, com Rui Knopfli, os cadernos de poesia Caliban. Regressa a Portugal em 1984, e leciona na Universidade do Algarve e na Faculdade de Arquitetura do Porto, continuando a pintar e a escrever. Uma parte da sua obra plástica está antologiada no livro O Sinaleiro das Pombas (2001).

𝗟𝗲𝗶𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗿𝗲𝗰𝗼𝗺𝗲𝗻𝗱𝗮𝗱𝗮

READ MORE
Homenagens e tributos (2006)Imprensa
21/02/2006By AJA

Avalancha cultural nos 20 anos de Zeca

O ‘cantautor’ Zeca Afonso vai ser homenageado dias 24 e 25 em Guimarães, com debates, concertos, animação de rua e o lançamento de um livro. Trata-se de um dos mais vastos programas de sempre à volta do compositor português falecido em 23 de Fevereiro de 1987.
O tributo, intitulado “No caminho dos 20 anos”, inclui dois concertos no Centro Cultural Vila Flor, o primeiro dos quais dia 24, com Manuel Freire, Pedro Barroso, João Loio, De Outra Margem, Chamaste-me Ó, Dino Freitas e Manuel de Oliveira. Dia 25, actuam os galegos Ardentía e Uxia, a par de Amélia Muge, Luanda Cozetti, Francisco Fanhais, José Fanha, Zé Perdigão, Canto Novo e Astedixie.
A anteceder o primeiro concerto, a editora Arca das Letras vai lançar “Zeca Sempre”, livro de depoimentos de autores galegos e portugueses sobre o cantor.
Na tarde do segundo dia, haverá um debate sobre “José Afonso, o músico, o poeta e o homem”, moderado pelo jornalista Rui Pereira e com a participação de Alípio de Freitas, José Viale Moutinho, Octávio Fonseca, padre Mário de Oliveira e Viriato Teles. O programa inclui também a exposição “Zeca Afonso o sonho cantado”, que estará patente na Biblioteca Raul Brandão entre 23 de Fevereiro e 13 de Abril.
Um “workshop” intitulado “(Re)Viver Abril com Zeca Afonso – Para um didáctica de unidade”, animação de rua, emissão de vídeo e a projecção do filme “O Anúncio”, de José Cardoso, em que José Afonso interpreta “Vejam Bem”, são outras iniciativas.
Poesia nos sacos de pão
A homenagem integra ainda, a partir da meia-noite dos dois dias, sessões de música e poesia de José Afonso. “Pão com Sonho” é outra iniciativa do tributo, que consiste na distribuição, em Fevereiro e Março, de milhares de sacos de pão com dados biográficos e alguns poemas de José Afonso.
Os bilhetes para os concertos custam 15 euros (um dia) e 25 euros (dois dias). O programa é organizado pelo Círculo de Arte e Recreio, associações José Afonso e 25 de Abril, e Régie Cooperativa Oficina, com o apoio da Câmara de Guimarães e de instituições da cidade.

Jornal de Noticias

READ MORE
LobãoMariana d´Almeida y Piñon
10/02/2006By AJA

Zeca Afonso e Lobão

Quando li, e ouvi, o verso “o que é preciso é animar a malta”, de uma composição de Zeca Afonso, fiquei extasiada. E mais ainda ao ler, e ouvir, “…Eles comem tudo/ E não deixam nada./ No chão do medo/ Tombam os vencidos…”, de outra composição do famoso músico-poeta português. E o “chão de medo” fez-me lembrar Lobão, o revolucionário músico-poeta brasileiro, que compôs “Perdoa a fúria do meu sonho/ A violência me distrai/ Pois a violência…/ É você!”. Na dinâmica dos dois compositores encontrei um ponto comum: a perpetuação do instante emocional, político e/ou amoroso, que revoluciona.
Embora a realidade dos dois seja bem diferente, une-os a batalha contra os colonialismos políticos e burocráticos que dimensionam a Música Popular como peça mercantil, ou Produto, não como Arte. “Zeca Afonso gerou, entre os Anos 60 e 70, o que se pode nomear como a mais autêntica Música Lusófona ao aplicar nas suas composições as variantes sócio-políticas e culturais que conheceu em Portugal, Moçambique e Angola, e isso determinou que pusesse de lado a Guitarra Portuguesa, no modelo ´fado-balada´ de Coimbra, para passar a trabalhar com a Viola e outros instrumentos, no que ganhou uma estética musical peculiar, com uma sonoridade tirada dos confins das músicas populares portuguesa e africana…”, escreveu o poeta J. C. Macedo, que conheceu e até acompanhou Zeca Afonso em vários eventos sócio-políticos, na efervescência do ´processo revolucionário em curso´ [prec]. O próprio poeta encarava, na época, a questão “lusofonia” como um palavrão a ser estudado com maior cuidado, mas é certo que caiu muito bem no contexto da explicação sobre a sonoridade conseguida por Zeca Afonso. E este, no conjunto da sua Obra, não poderia ser adotado nunca como peça mercantil ideal pelas editoras convencionais: Zeca Afonso era a antítese do artista-para-consumo. Quer o regime fascista de Salazar, quer as editoras que lhe publicavam os trabalhos fonográficos, tentaram muitas vezes silenciar aquela Voz-Poema… Assim acontece com “…Lobão, o brasileiro que canta o Amor com a mesma paixão da Revolta Social, porque o estado emocional determina a Arte, determina a Sociedade…”, na definição de Prof. Mário Gonçalves de Castro. Os dois músicos e poetas do que agora é chamado ´espaço lusófono´ concentraram os seus esforços no desvendamento das peculiaridades estética do Povo, e nesse trabalho proporcionaram a si mesmos “uma meta-linguagem de rupturas, [re]criadora da mais valiosa participação artística do Povo: a Estética estabelecida como chave para a Nação mental”, no dizer de João Barcellos, a propósito da “ruptura que só o é ao gerar a ´coisa´ nova, o ´ser´ novo, não o continuísmo…”. E foi o que eu percebi ao ler e ouvir Zeca Afonso para logo envolver Lobão.
O cântico poético é um dos caminhos da Liberdade. No final de 2004, a moçambicana Céline Abdullah ofereceu-me uma coletânea de trabalhos de Zeca Afonso que ela havia registrado em fita magnética, e uma carta – ouçamos a bela negra de Moçambique, em parte da ´orientação´: “[…] e se queres saber o que é Cultura Libertadora, ouve com atenção o canto de intervenção de Zeca Afonso, pois, ele, mais do que muitos portugueses e africanos armados até aos dentes, ajudou a libertar os nossos povos da tirania colonialista, que tem pilares no Catolicismo e na Cavalaria medieval. Para os portugueses e africanos sabedores da História recente, ouvir e cantar Zeca Afonso é não deixar cair a Revolução”. E ouvi. E li. E quis retribuir. O que fiz com a remessa de alguns trabalhos de Lobão, “porque ele, Lobão, é o mais fecundo e talentoso músico-poeta do Brasil autêntico, além de ser o brasileiro em ruptura com o sistema consumista que quer a sua alma revolucionária esmagada”, escrevi na carta. Que, antes de enviar, li para o amigo João Barcellos… “Sim, o Lobão é, hoje, um paradigma da Cultura Brasileira não-oficial, e pode-se aferir politicamente o seu trabalho com o de Zeca Afonso na emergência de uma Anarquia geradora do processo artístico-cultural revolucionário”, ouvi. Uns quarenta dias depois do início de 2005, Céline Abdullah endereçou-me um e-mail: “Realmente, Mariana, a Revolução está por todo o lado, e Lobão representa isso contra tudo o que é o fundamental do ´politicamente correcto´. Gostei de conhecer Lobão e o outro lado do Brasil que o mundo não conhece, ou conhece pouco. Agora, é preciso objectivar a união de esforços revolucionários, ou a acção de artistas e de intelectuais vai continuar isolada”. Gosto de Música, e gosto de dedilhar a minha viola, mas nunca pensei envolver-me tão profundamente em um assunto tão ´quente´ como são os do português Zeca Afonso e do brasileiro Lobão. Creio que um desafio até para muitos críticos do ramo…
Zeca Afonso [José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, 1929-1987] nasceu em Aveiro, uma região que foi a ´mãe´ de uma Consciência – verdadeiramente – Portuguesa, e em tenra idade partiu para acompanhar os pais nos seus afazeres profissionais em Angola e em Moçambique, mas voltou para fazer os estudos secundário e superior, em Coimbra, para ser, depois, professor. Os seus primeiros trabalhos discográficos foram publicados em 1953: eram fados de Coimbra. Ainda nesses Anos 50 conhece o alvor de uma política destinada a derrotar eleitoralmente Salazar: a campanha do general Humberto Delgado. Para ele, conhecedor da precariedade social em que o Catolicismo e o Salazarismo haviam mergulhado o Povo Português, a Campanha de Delgado iria abrir portas para democratização. Iria… o ditador manobrou nos bastidores para evitar a vitória daquele que havia ousado gritar “Obviamente, demito-o!” e ordenou que a polícia política o eliminasse da vida pública e política. Mas esse fato político mexeu com Portugal, e mexeu mais ainda com a emoção anti-fascista da jovem intelectualidade e dos artistas não engajados ao regime. Assassinado “o general sem medo”, em 1965, três anos depois, em plena era de terrorismo de Estado, “o professor Zeca Afonso foi expulso do Ensino e iniciou a sua peregrinação cultural e política contra o Fascismo; os comunistas queriam-no nas suas trincheiras, mas ele nunca seria um opositor politicamente correcto, mas ele-mesmo com o Povo…”, como escreveu J. C. Macedo.
Das suas viagens para Angola e Moçambique, ainda nas atividades universitárias, Zeca Afonso aprofundou os seus conhecimentos acerca da ´batida´ musical e emocional da África, assim como Lobão faz agora no reconhecimento da genuína musicalidade que é construída nos morros e favelas brasileiras, principalmente no Rio de Janeiro, musicalidade que é urbana e é rural, pela cumplicidade das levas migratórias. E “…com o conhecimento da diversidade cultural do Povo Português, Zeca Afonso transformou-se no elo captador-difusor dos quereres e dos sonhos do Ser-Português sem nunca esquecer o caminho africano…” [idem]. É esse Zeca Afonso, que já havia composto “Grândola, Vila Morena”, em 1964, a balada-senha que sinalizou o Golpe de Estado de ´25 de Abril de 1974´, revolucionário e agitador cultural, que vai marcar as gerações imediatas do ant e do pós ´25 de Abril´.
Lobão [João Luiz Woerdenbag Filho, 1957] foi, principalmente nos Anos 80, compositor. Tinha tudo para ser mais um carioca a olhar, de maneira turística, “o Brasil dos mafiosos e mesquinhos percursos da classe média que, afinal, sustenta uma Nação de elites dengosamente perdidas no abraço sanguinário do Capitalismo global e colonizador, do qual são cobaias e são escravas”, na análise do Prof. Carlos Firmino. Em vez disso, Lobão percebeu, como Zeca Afonso havia percebido em Portugal, a agressividade institucional que cercava o Povo, e nesse sufoco fez a leitura do não-Amor que o Consumismo e a Política incutiam/incutem no Povo Brasileiro. “Não é difícil pra quem não tem emoções/ Vendem crises/ Vendem misérias/ Vendem tudo até em mil prestações/ Estão brincando”, canta ele na e para a mais abrangente das linguagens: o eco da Consciência.
A práxis artística de Lobão, que tem base no Pop e no Rock´n Roll, ganhou ´batida´ brasileira ao compor para artistas como as cantoras Elza Soares e Marina Lima –, ´batida´ que ilustra o ganho cultural da amplidão musical rural que inundou os morros e favelas cariocas, e assim nasceu um Lobão ´pop-roqueiro´ com densidades melódicas entre a balada marcadamente amorosa e o canto corrosivo da urbanidade criminosamente policiada. Tão policiada que artistas, nascidos até no combate a esse status quo social, passaram [e passam…] a fazer parte do Consumismo mais hediondo e que escraviza o Povo. Aquela ação de Ética pregada por Zeca Afonso na caminhada anti-fascista passou a ser, diante da abjeta atitude da classe média e dos artistas engajados, a mesma ação de Lobão, porque é preciso conscientizar a Classe a que pertencemos para ganharmos o Povo para a luta da melhoria da Vida, da Liberdade. Isolado, mas consciente e ativamente anti-colonialista, Lobão trabalha a sua Obra discográfica e social nos circuitos alternativos, como bancas de jornais, feiras, web, rádios e imprensa comunitária. Tudo aquilo que, em princípio, o ´pop-roqueiro´ não pode ser, ele é e prova que pode e sabe sobreviver enquanto marginal ao Sistema Consumista, além de ter consigo o apoio significativo da juventude mais atenta ao quotidiano da problemática dita ´brasileira´. Mas isso faz com que a Indústria Fonográfica o persiga ainda mais, a ponto de o cantor Zeca Baleiro sair a público, no jornal ´O Estado de S. Paulo´, de 02.08.2002, acusando […] a gravadora Universal Music de querer “desmoralizar” o músico Lobão, ao exigir publicamente que ele pague direitos autorais pelo uso de uma música de Baleiro no álbum A Vida É Bela (1999).
“O cachê que recebi por minha participação é impagável – a satisfação de fazer parte de um disco histórico e belo”, afirmou Baleiro. “Se a indústria fonográfica reclama do projeto de lei que a trata, presumidamente, como fraudadora, que aja então com clara transparência, que conquiste a credibilidade pública com a lisura e evite a prática de golpes baixos como esse”, acrescentou. Zeca é contratado da gravadora […]
O que engrandeceu, pelo reconhecimento público, o caminho ético que Lobão trilha isolado, mas contando com a solidariedade pontual da Classe artística menos ´vendida´. Na maioria esmagadora, os chamados “artistas populares” são os vinculados à Indústria Fonográfica e que, a partir dela, emprestam a sua imagem pública para enfeitar a propaganda de produtos industriais das grandes empresas locais e multinacionais; no entanto, Artista Popular é aquela pessoa que cria e recria a ´batida´ poética e musical que nas comunidades, sendo que alguma dessa produção verdadeiramente comunitária só chega ao grande público quando artistas integrados no Espírito das Tradições neles se inspiram e com eles fazem parcerias. Quando a Classe Artística, notabilizada mais pelas chamadas publicitárias do que pelo trabalho, se vende ao vender outros produtos, ela passa a estar com o Consumismo, deixa de ser Povo, e aí, ao falar de Povo/Popular é já uma caricatura da pessoa que iniciou a carreira artística no balanço tradicional popular… Nesse aspecto é que Zeca Afonso e Lobão, no enquadramento das suas circunstâncias culturais e geográficas, mais se parecem…
Um dos trabalhos fonográficos que mais gosto de Lobão é “Noite”, no qual uma ´base´ Tecno agrega todas as batidas do Pop-Rock ao Samba passando pela Bossa-Nova, e é um trabalho representativo da caminhada artística e cultural desse genial brasileiro do Rio de Janeiro. O seu suporte criativo é um Pensamento conectado com as realidades do Quotidiano que passa pelas suas próprias realidades de Artista consciente e livre.
Entre Zeca Afonso e Lobão existem diferenças estéticas e ideológicas, mas, nos respectivos países, ambos marcaram/marcam uma presença política e cultural de transgressão aos cânones do Poder estabelecido – o político, o religioso e o econômico.
Vivemos o Ano 5 do Séc. 21 e eu sou uma mulher, professora e artista visual, que acabou de conhecer um personagem-marco da História recente de Portugal, e que se confronta com um campo de ação, também artístico e também político, de um personagem-marco da História contemporânea do Brasil. O que encontrei? Um ponto comum onde a Transgressão é o motor libertador e a chave para a Resistência, ou, como me lembrou Céline Abdullah, “…a linguagem da força moral contra todos os colonialismos…”.
Zeca Afonso é profundamente agressivo ao cantar “O povo é quem mais ordena…”, e leio e ouço a mesma agressividade no canto de Lobão em plena obscenidade social e política: “Porque sou bem pretinho/ Pensam que sou marginal […]/ Fui metido a bam-bam-bam/ Católico apostólico soterrado no divã/ Preto vota ´em branco´ / Contestando a razão/ A gente é branco e preto/ Preto e branco… É tudo irmão”. Tudo pela Ruptura. Tudo para que o Povo se perceba Gente e ganhe forças para conquistar o espaço que meia dúzia usurpa em nome de deuses e/ou de mitos familiares grafitados na memória falsa dos manuais escolares. Sem se transgredir não se derrubam muros nem fronteiras, sem se transgredir não se conquista a Liberdade.
Falar de Zeca Afonso e de Lobão não é, propriamente, falar de uma roda de viola – também é, mas… –, é mais falar de atos contemporâneos. Em rodas de artistas e intelectuais já ouvi que “…o Lobão é resto da produção de Cultura Consumista. Ele foi feito pelo Sistema e agora cospe em quem lhe deu nome comercial!”. O que é uma observação completamente equivocada. E mesmo que assim fosse, todas as pessoas têm o direito de arrepiar caminho quando a vivência quotidiana e profissional não lhe faz bem, porque aprendemos da Vida dando as duas faces para bater. Ora, seria o mesmo que dizer: “o fascista Salazar deixou crescer o Zeca Afonso porque sabia que o próprio Sistema não o absorvia e lhe tolhia a carreira. O que faz falta a alguns críticos de Música é serem, de fato, o-Crítico com conhecimento de causa… Entre os dois nem faço comparações, porque cada um tem a sua época/circunstância. A grande Lição social, artística, e política de Zeca Afonso e de Lobão, é terem conseguido construir linguagens próprias e contemporâneas e nelas mostrarem ao Povo, o que fala português em Portugal e no Brasil, como na África, que a grandeza da Humanidade está em ser vivida na plenitude da Liberdade… transgredindo, transgredindo sempre…!

Mariana d´Almeida y Piñon
Professora de Artes Visuais
São Paulo / SP – Br, 2005.

Notas:
MACEDO, J. C. [poeta e ensaísta] – “Zeca Afonso, um anarquista no contra-ponto do capitalismo”, art., Lisboa-Pt, 1974. [Do arquivo de Johanne Liffey.]
CASTRO, Mário G. de [professor e foto-jornalista] – “Na toca do anti-colonialismo com Lobão, ou a certeza de que a Anarquia é a solução para a Paz”, art., Campinas/SP – Br, 2003.
BARCELLOS, João [escritor, jornalista cultural] – “Ruptura: ou a Anarquia filosófica cria uma nova identidade humana, ou o Colonialismo fará de nós simples peças para compra e venda”, ensaio-palestra, Web / TN Comunic & Jeroglífo, Buenos Aires – Arg., 1998.
ABDULLAH, Céline [bioquímica] – “Orientação Para Uma Jovem Brasileira Que Adora Ser Livre”, carta, São Paulo / SP – Br, 2004.
DELGADO, Humberto [1906-1965] – “[…] Militar, opositor do regime colonial salazarista, foi assassinado pela polícia política [PIDE] numa emboscada armada na Espanha, em Villanuena del Fresno, perto de Badajoz, onde também foi morta a sua secretária, a brasileira Arajaryr Moreira Campos. Humberto Delgado reuniu em torno de si as esperanças de Democracia que o Povo Português acalentava contra o sufoco social e econômico instalado por Salazar, com apoio tácito e visível da Igreja Católica. Ao ser questionado sobre Salazar, caso fosse eleito Presidente da República, o general declarou Obviamente, demito-o!… A desassombrada declaração incendiou Portugal e, muito especialmente, a juventude intelectual e militar. O seu assassinato aprofundou ainda mais o sentimento de medo em que Portugal já vivia, e do qual só se libertaria 9 anos depois, com o golpe militar de ´25 de Abril´…” [BARCELLOS, João – in “O Terrorismo Do Estado Novo Salazarista Sob As Bençãos Do Catolicismo”, art., Rio de Janeiro / Br, 1990].
FIRMINO, Carlos [professor] – “Os Medos/Erros Da Classe Média Que Fizeram Mais Ricas As Elites Fascistas Do Brasil”, ensaio, Campinas/SP – Br, 1997.

READ MORE
GalizaImprensa estrangeira
10/02/2006By AJA

José Afonso, el alma de Portugal

Enigmático, escéptico, despistado… Creador con denominación de origen, este sencillo portugués encarnó, en vida, la simbiosis equilibrada de un dilema eterno: el arte por el arte y el arte por la idea.
En Portugal, la figura artística y humana de José Afonso viene siendo protagonista desde hace tiempo de una ya densa bibliografía (1), de la que es buena muestra “Zeca Afonso, as voltas de um andarilho”, libro escrito por el periodista Viriato Teles y avalado por sus tres ediciones en portugués. En esta ocasión, el autor basó su trabajo en una meticulosa pesquisa de hemeroteca para elaborar un volumen en el que compila una serie de entrevistas a través de las cuales se nos muestra en su conjunto la personalidad humana de este creador, ambivalente en su doble faceta artístico-social.
El título resulta de lo más elocuente, al tratarse de un trabajo basado en las vivencias del artista: andarín es el apelativo atribuido en esta ocasión a José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (tal es el nombre completo del cantor). Persona, más que personaje, nacida en Aveiro el 2 de agosto de 1929, trasladado de niño al continente africano, emprendió tiempo después un contínuo deambular geográfico, fruto del cual van surgiendo reflexiones sobre diversos temas que llenan de contenido los distintos apartados en los que está dividida la obra que se nos ofrece.
En su edición portuguesa, el también cantautor luso Sérgio Godinho escribe un breve prólogo en el que sintetiza la poliforme personalidad de su colega, a la sazón protagonista, en su capacidad para unir tantas referencias en una obra creativa única. Posteriormente, el propio Teles, en tanto que autor, se sincera en su intención cuando manifiesta participar en una lucha contra el olvido, hoy tan en boga. Y, ciertamente, ahora que los músicos y cantores portugueses contemplan una mayor facilidad para la difusión de su arte, bueno será historiar tiempos pasados que perviven en el presente, como prueban la cantidad de versiones que de un tiempo a esta parte vienen poniendo en solfa el cancionero del que fue precursor y líder aglutinante de la canción lusitana.
En la introducción del libro se reproduce una frase del propio Afonso: “La realidad es todo: es aquello que existe, aquello que nosotros suponemos que existe y aquello que nosotros inventamos. Hay más cosas en la realidad de las que mucha gente piensa”. Frase muy apropiada, por cierto, para su canción “Utopía” (del disco “Como se fora seu filho”, Sassetti / Ventilador Music, 1984).

ARTISTA CÍVICO

Es opinión común entre quienes trataron en vida a José Afonso su desinterés dialéctico por la propia actividad artística que desarrollaba. En sus encuentros con otros colegas, el artista era más dado a hablar de cualquier otro tema que no del estrictamente musical. Naturalmente, esta actitud está bien reflejada en las páginas de un libro en el que su autor manifiesta que “Zeca prefiere hablar de personas y de la vida, de las cosas que van aconteciendo aquí y allí a lo largo de los años”. El propio artista se refiere en reiteradas ocasiones a esta actitud vital: “Soy una decepción para los músicos”. Incluso recurre a una especie de desdoblamiento para diseccionar su rol artístico como cantor, por una parte, y su faceta cívica como persona, por la otra: “Una cosa es mi actividad musical, la función lúdica de la música; otra cosa es el hombre político que soy. Ahora, cómo armonizan las dos cosas aún lo estoy por saber”.
Lógicamente, su decantación ideológica por la izquierda en general es otro de los contenidos presentes a lo largo de la publicación, hasta el punto de que, a menudo, el lector puede encontrarse más ante un agitador social que ante un creador artístico. De hecho, llegó a afirmar que “prácticamente nunca canto por gusto”.
Los apuntes biográficos aparecen salpicados en el relato de Teles, que da cuenta de su época de estudiante en la Facultad de Letras de la Universidad de Coimbra, donde comenzó su incipiente actividad musical. Posteriormente ejerció la docencia como profesor ambulante en diversas localidades –Alcobaça, Lagos, Faro…– hasta que fue expulsado de la enseñanza –Setúbal, 1967–. Como quiera que estos episodios tienen lugar en plena dictadura salazarista, no es de extrañar que fuese encarcelado en el año 1970. Menos dramática fue la anécdota que el propio Afonso y su público padecieron en su día en la Facultad de Ciencias de la Universidad de Lisboa, donde tuvo que cantar a oscuras, sin micrófono, porque la instalación eléctrica fue saboteada por dos policías disfrazados de ¡electricistas!
Sin embargo, este clarísimo posicionamiento político no le impidió reflexionar y ser crítico con sus propios compañeros de viaje, cuando se refirió a algunos de ellos como “sujetos que ingresan en un partido como si estuviesen en un club o en una iglesia. Eso les lleva a rechazar a otros individuos que tienen una actividad convergente o semejante a la de ellos, pero que pertenecen a otro grupo distinto”.
Llegado el momento de recordar el hito histórico que se produjo en Portugal el 25 de abril de 1974, hay que hacer referencia forzosa a su canción “Grândola, vila morena”, utilizada como contraseña por los impulsores del golpe de estado que reconduciría el país a la democracia. Posteriormente, el periodo iniciado entonces permitió a la nueva canción una mayor difusión que la dispensada anteriormente, en que incluso era censurada. Esta normalidad incluía una mayor facilidad para grabar y difundir discos. De hecho, cualquier oyente que tuviera a su alcance ciertas emisoras de radio lusas durante el verano de 1974, bien podría hacer una especie de bachillerato acelerado en canción portuguesa. Al tiempo, regresaban algunos cantores exiliados, mientras que en el propio país una artista tan asociada al anterior régimen (sic) como la mismísima Amália Rodrigues grabaría en un single (Columbia, 1974; posteriormente incluida en “Fandangueiro”, Columbia, 1977) su propia versión de la emblemática pieza.
El momento histórico que vivió el país durante aquella época es reflejado en algunas páginas del libro, destacando al respecto el llamado processo revolucionário em curso –PREC–, término con el que se designó el clima de agitación política, social y cultural que se vivió durante los años 1974 y 1975. Fue un periodo que condicionó la semántica del cancionero, en el que predominaban palabras de orden como “paz”, “pan”, “habitación”, “salud” o “educación”. Coherentemente, los cantores, como activistas sociales que eran, asumieron con su colaboración una entrega a tareas pendientes, como varias campañas de alfabetización. Este enorme reto también tiene su correlación en el repertorio de Zeca Afonso cuando cantó “O que faz falta é agitar a malta” en el tema “O que faz falta” (del disco “Coro dos tribunais”, Orfeu, 1974).

ARTESANO DE LA CANCIÓN

Sorprenderá siempre a quien conozca la obra de José Afonso el tratamiento, a menudo exquisito, con que cuidó sus grabaciones, en contraste con ese aparente desinterés por su actividad artística. Se trasladó fuera de su Portugal vivencial cuando la ocasión requirió ir a estudios de Madrid, París o Londres. Claro que la desmitificación de su oficio encuentra el razonamiento del propio artista, cuando declara al autor del libro: “Hago música como quien hace un par de zapatos. Sólo intento alinear sonidos y volverlos coherentes entre sí como quien hace un utensilio”. A oídos del aficionado, resalta en su amplio repertorio la variedad tímbrica y de contenidos musicales con que enriquece buena parte de sus canciones. Aunque para el propio Zeca no parece tan importante: “Lo que nosotros hacemos es siempre una cosa muy periclitante: meter en tres minutos una canción y conseguir un efecto único”.
La primera grabación de Zeca Afonso data de 1953. Se titula “Baladas de Coimbra” (Rapsódia) y en ella incluía, entre otros temas, “Fado das águias”, considerada su primera composición. Era un disco con cuatro canciones, en formato ep y de 78 revoluciones por minuto, como otros varios que registró ya durante la siguiente década de los años sesenta. El formato de larga duración lo estrenaría en 1967 con “Baladas e cançoes” (Ofir) y un repertorio en el que se dejaba notar la influencia del músico Edmundo Bettencourt, hombre decisivo en aquella época.
Más adelante, en el apartado dedicado exclusivamente a la discografía, Viriato Teles va detallando el contenido de las distintas grabaciones, resultando una guía especialmente útil para aficionados incipientes, que deben saber de la importancia, e incluso vigencia, de discos como “Cantigas do Maio” (Movieplay Portuguesa), grabado a finales de 1971 y en el que los contenidos surrealistas, apuntados en anteriores registros, aparecen aquí asumidos en su plenitud, al tiempo que inmortalizaba la versión original del citado “Grândola, vila morena”. Mención especial hace el propio artista de su disco “Com as minhas tamanquinhas” (Movieplay Portuguesa, 1976), un trabajo, según el autor del libro, “de temática política pero claramente diferenciado de las tentaciones más primarias del llamado realismo socialista”.
Nuevas grabaciones van manteniendo la continuidad del artista: En “Fura fura” (Orfeu, 1979), Zeca Afonso se acompaña del joven grupo Trovante. Posteriormente, materializa una vuelta a sus orígenes en “Fados de Coimbra e outras cançoes” (Movieplay Portuguesa, 1982). En este disco incluyó otra de sus canciones emblemáticas: “Balada de outono”. Grabada originalmente en 1960, simbolizó la evolución que la música portuguesa comenzaba a experimentar en aquella época. Aunque el propio artista trató una vez más de desmitificar tal razonamiento, cuando declaró al respecto: “Designé mis primeras canciones como baladas no porque supiese exactamente el significado del término, si no para distinguirlas del fado de Coimbra que comenzara a cantar y con el que, personalmente, llegué a una fase de saturación”. Así y todo, esta empatía con el cancionero popular de su país permaneció perceptible a lo largo de toda su obra, al igual que la música procedente de las antiguas colonias –Angola y Mozambique–, destacando en este último aspecto su condición de precursor, habida cuenta de la vigencia actual de los sonidos africanos en el contexto de las músicas del mundo.

ZECA AFONSO, EL MITO

Los discos se sucedían en la carrera de José Afonso, quien, al margen de los estudios de grabación, registraría en directo el que sería su gran acontecimiento: un recital espectacular en el Coliseu de Lisboa el 29 de enero de 1983 –más tarde se reproduciría en Oporto–, organizado por la Cooperativa Artística Eranova y en el que se sucedieron acompañando al cantor una serie de colectivos e individualidades artísticas, al tiempo que desde el palco era recordado Adriano Correia de Oliveira, compañero de vivencias creativas y universitarias fallecido prematuramente en 1982 con tan sólo 40 años de edad. Entre los participantes en aquel histórico encuentro estaba el principal superviviente de los cantores allí presentes: el sin par Fausto, que precisamente en este 2003 verá publicado su nuevo disco, cuyo contenido se anuncia como evocador de aquella época.
Y es que, tal como refleja el libro, todo este movimiento de canción portuguesa se desarrolló durante este periodo con un claro espíritu colectivo. Zeca era el aglutinante, la persona en torno a la cual iba germinando toda una dinámica artístico-social. Algunos de aquellos compañeros de viaje volverían a reunirse en el que sería su último disco: “Galinhas do mato” (Transmédia, 1985), producción que recopiló material disperso que el artista tenía grabado en casetes, posteriormente trabajado en estudio por José Mário Branco y Júlio Pereira. En esta ocasión, además de canciones, también se incluyeron varios temas exclusivamente instrumentales. Una vez más, el artista combina ciertos experimentos sonoros con nuevos cánticos de temática social. Ironiza sobre la integración europea en “Década de Salomé” y se muestra lírico y tierno en “Benditos”. Versatilidad consubstancial a lo largo de su trayectoria que, quizá mejor que nadie, describió una perfecta desconocida entre nosotros. Se llama Elfriede Engelmayer y realizó al respecto una tesis de doctoramiento (“Utopie und vergangenheit: das liedwerk des portugiesischen sängers José Afonso”, Universidad de Viena, Austria, 1985) en la que se puede leer: “José Afonso, el poeta, vive en la sombra de Zeca Afonso, el cantor político”. La cita fue recogida también por Viriato Teles en su cuaderno “Música popular portuguesa, uma bibliografia” (Câmara Municipal de Amadora, Portugal, 2001).
Los homenajes que se le tributaron en vida completan el relato sobre su incidencia social. Éstos comenzaron a lo largo de todo Portugal y después continuaron tanto en Madrid como en Galicia. Especialmente espectacular fue el celebrado el 31 de agosto de 1985 en el auditorio del Parque de Castrelos, en Vigo, con la participación de un enorme elenco de artistas, tanto gallegos como portugueses, y en el que coincidieron algunos cantores de la época de Zeca junto a nombres de la entonces incipiente nómina folk. A saber: Jei Noguerol, Miro Casabella, Doa, Na Lúa, Fuxan os Ventos, Amélia Muge, Vitorino… Otros músicos, como el grupo Clunia Jazz, ampliaron el espectro artístico del homenajeado. El lema que encabezó el festival fue “Galiza a José Afonso”, quedando registrado para la posteridad en un compacto del mismo título editado por Edicións do Cumio en el año 1999.
Pero el autor se detiene especialmente en los actos póstumos celebrados simultáneamente en varias ciudades gallegas durante mayo de 1987, apenas tres meses después de su fallecimiento. Fue aquel un tributo en el que tuvo una especial responsabilidad organizativa el cantor gallego Benedicto, con quien Zeca compartió durante varios años cantidad de escenarios y que con el tiempo llegaría a ser su principal anfitrión galaico. En aquella ocasión, el múltiple homenaje consistió en una serie de conferencias y recitales sobre el cantor y su amplio mundo con la participación de nombres tan representativos como la coral De Ruada, Emilio Cao, Luis Pastor, Maria del Mar Bonet, Milladoiro o Pi de la Serra, entre otros. En esta ocasión, y como reclamo genérico de tan amplio despliegue, se utilizó el título de uno de sus discos: “Enquanto há força” (Orfeu, 1977). La solidaridad en torno al artista fue, pues, tan patente como necesaria, ante el delicado estado de salud en que se encontraba durante la década de los años ochenta, habida cuenta de su precaria situación económica.
Y llegado a este punto, el lector se preguntará, tal vez, cómo fue posible un final semejante para un creador de tan enorme talento. Quizá la respuesta adecuada sea la que se nos ofrece en palabras del periodista António Duarte: “José Afonso murió pobre porque nunca pactó con el sentido común, con la comercialidad, con el poder, con lo fácil y gratuito”. Por su parte, el propio intérprete declaró en su día que “somos un país de cantineros y de vendedores, que vendieron en las Africas, en Brasil, en Extremo Oriente… Ahora somos un país de pequeños comerciantes y estamos a vendernos los unos a los otros, aún apuntando al respecto que se dan excepciones que escapan a esta regla general”.
De su grave enfermedad y posterior fallecimiento el 23 de febrero de 1987, queda para el recuerdo la inmensa concurrencia a su entierro, que hizo del mismo una muestra póstuma de adhesión popular. Mientras, en Portugal las autoridades políticas no decretaron luto oficial.

Xoán Manuel Estévez
Publicado na revista Batonga! – Janeiro, 2003

READ MORE
EntrevistasViriato Teles
10/02/2006By AJA

O que é preciso é criar desassossego

A conversa que se segue aconteceu em finais de Novembro de 1985, por ocasião da gravação de Galinhas do Mato, e foi originalmente publicada no Se7e. Foi das últimas entrevistas que José Afonso concedeu, numa altura em que o seu estado de saúde se agravava dia após dia. Apesar disso, falava do futuro com algum entusiasmo e uma força interior que quase faziam esquecer a enfermidade sem cura que o atormentava.
A sua inclusão no livro Zeca Afonso: As voltas de um andarilho justifica-se, a meu ver, por isso mesmo, por esse sentido dialéctico exemplar que as suas palavras transmitem. Propositadamente, mantive intacto o diálogo original, apesar do carácter datado e circunstancial de algumas das suas declarações – nomeadamente as relativas a questões de ordem política, como o seu apoio à candidatura presidencial de Lourdes Pintasilgo, cuja campanha então se iniciara.

Parte significativa desta conversa refere-se, como é óbvio, ao derradeiro disco de José Afonso, produzido por José Mário Branco e Júlio Pereira, que também nele participam como intérpretes, ao lado de Helena Vieira, Né Ladeiras, Luís Represas, Janita Salomé e as duas filhas deste, Marta e Catarina. Foi «um trabalho de equipa muito bonito», nas palavras de Zé Mário. «Uma coisa que transcendeu a própria ternura», acrescenta Júlio Pereira. Tal como a cavaqueira que se segue.

– Este disco vai, se calhar, surpreender muita gente, que te julgava acabado para a música…

–Talvez. Eu, a princípio, achei que não valia a pena, não estava a ver-me assim no papel de compositor. Por mim punha uma pedra no assunto e ficaria o ‘Como Se Fora Seu Filho’ o meu último disco. Mas a verdade é que tinha por aí algum material, disperso por algumas cassetes, que, se calhar era pena ficar aqui perdido. E achei que as pessoas que estavam mais próximas de mim, até em termos de assiduidade, de acompanharem e se interessarem pelas coisas que eu aqui tinha eram, de facto, o Zé Mário Branco e o Júlio Pereira. E foram eles que insistiram nessa ideia, que seria necessário utilizar essas músicas para um novo disco.

– Além do que agora foi gravado, existem ainda outros inéditos…

– Sim, algumas coisas. Umas que ainda são dos meus primeiros tempos de professorado, em Setúbal, outras feitas em África ou no barco, quando fui colocado em Moçambique. Há coisas que são só pequenos trechos musicais, não são propriamente canções.

– Este disco tem também canções dessa altura?

– Tem. O tema ‘Galinhas do Mato’, por exemplo, é, talvez, o mais representativo. Tem uma certa sugestão africana de ritmos e coros, é uma música que eu pus na prateleira, à espera de um dia ter um texto que se enquadrasse. E há o ‘Tu Gitana’, uma música que eu fiz com uma ‘letra-robot’, a letra de uma canção de Vila Viçosa que eu cantei muito em Coimbra, no grupo que deu origem ao Coral da Faculdade de Letras. Descobri que essa letra se coadunava perfeitamente com aquela música que eu tinha feito.

– É essa que é cantada, no disco, pela Helena Vieira…

– É e, aliás, acho que é admiravelmente cantada. Estas duas músicas são talvez de 1968, portanto anteriores a quase todas as que eu fiz para o ‘Como Se Fora Seu Filho’. A mais recente é, talvez, a ‘Alegria da Criação’, que foi feita para a peça Fernão, Mentes?”.

– Dizia eu que este disco pode surpreender muita gente. Até porque é feito segundo um esquema que creio ser mais ou menos inédito em Portugal: é, digamos, um disco de autor, com a maioria das interpretações entregues a outros cantores…

– Isso é uma coisa que, para lá das condicionantes que obrigaram a que assim fosse, me dá um certo contentamento. Até porque, neste caso, se pode escolher a voz apropriada para cada tipo de canção. O ‘Tu Gitana’, por exemplo, nunca poderia ser cantado por mim, nem mesmo quando eu tinha voz para cantar. Tem uma tessitura, uma escala de tal ordem que só uma mulher com uma voz educada como a Helena Vieira a poderia cantar.

– O Júlio Pereira e o José Mário Branco coordenaram o trabalho de arranjos. Vocês mantiveram-se em contacto com regularidade?

– Sim, sim. O Júlio, por exemplo, não dava um passo que fosse fora do meu conhecimento. E a ‘Alegria da Criação’ é uma canção cujo arranjo coral e instrumental se deve ao Zé Mário. É claro que muito embora eu tenha concebido muitos dos arranjos, ao longo deste meu trabalho, não conseguiria fazer este disco sem a participação do Júlio e do Zé Mário, que foram uns excelentes colaboradores. Estávamos em contacto telefónico quase permanente e, no estúdio, estive regularmente a par do que se foi fazendo. Mas o trabalho de bases foi feito por eles, embora eu soubesse o que quer o Júlio, quer o Zé Mário iam fazer. Eles gravavam previamente o que faziam e eu dava sugestões a partir daí, imitando sons, dando imagens, sei lá… É muito, difícil explicar isto tudo, é um processo empírico…

– Estás, portanto, satisfeito?

– Eh, pá! Pela primeira vez, isto deu-me um prazer bastante grande. Talvez pelo facto de serem outras pessoas a cantar, mas também pelo tipo de músicas… O ‘Agora’ ou o ‘Galinhas do Mato’, por exemplo, eram coisas que estavam na prateleira e cheguei a admitir não poder gravar. ‘Galinhas do Mato’ é uma canção demasiado africana, demasiado ligada às minhas memórias de infância, e pensei que não encontraríamos uma solução instrumental para ela. Mas, afinal, com a ajuda de um computador, conseguiu-se.

– Um computador?

– Um computador, nas mãos do Júlio Pereira. Mete sons vários, desde o kissange, percussões e outros sons mais ou menos electrificados ou plastificados mas que são exactamente tipo som artesanal. E tivemos que recorrer às vozes das mulheres do Coro de Oeiras, um bocadinho modificadas, de modo a criar aquele ambiente africano. E, além disso, contámos com as filhas do Janita que, no caso presente, parecem duas pretinhas a cantar… Eu fiquei surpreendido porque, no final, o resultado é de tal ordem que eu me senti transportado aos meus quatro ou cinco anos, quando estive no planalto do Bié. E há outras coisas: uma música chamada ‘Tarkovsky’, em que utilizámos quase arbitrariamente o nome do cineasta russo porque, a dada altura, eu pensei criar um ambiente, num coro sem palavras, que tivesse um pouco de África e da Rússia. Imagina-te no ‘Andrei Rubliov’ ou, de uma forma geral, nos filmes do [Andrei] Tarkovsky. E lá se fez, com a ajuda da trompa do Adácio Pestana e da voz do Janita.

– Essa música representa, de algum modo, uma homenagem ao Tarkovsky?

– De certo modo. Até porque os filmes dele me impressionaram bastante e deixa-me dizer-te que estou convencido que dificilmente ele poderia fazer, no Ocidente, os filmes que, apesar de todas as limitações que teve, fez na União Soviética. Aquele ‘peso’, aquela ligação telúrica à ‘mãe Rússia’, aqueles personagens espantosos que ele criou, tudo isto é difícil reproduzir aqui, quer na Europa, quer nos Estados Unidos. Por isso a música também é uma homenagem. Sabes?, eu quando falo de coisas de música, falo também muito de questões extramusicais, para dar o ambiente. Socorro-me muito de imagens, de espaços e até da mímica. Quando estou diante de um tipo que vai cantar as minhas coisas bamboleio-me, faço caretas para ele se situar na interpretação que idealizei. Foi um trabalho de equipa excelente, sem qualquer tipo de asperezas, com um entendimento espantoso entre a malta…

– Coisa que nem sempre é fácil, na música…

– Pois não. Isto é tudo um bocado confuso, o que nós fazemos é sempre uma coisa muito periclitante: meter em três minutos uma canção e conseguir um efeito único… Mas que a música, entre aspas, ‘popular portuguesa’ continua viva acho que sim. E a prova é que têm saído coisas, cada músico tem qualquer coisa de seu, não se confunde com outro. Há uma marca pessoal, que é desejável.

– ‘Música popular portuguesa’ entre aspas? Porquê?

– Porque esse conceito é muito polémico. Não sei se lhe chame música de texto, música social, música de intenção política, música de intervenção. São tudo conceitos muito indefinidos, mas música popular é ainda mais polémico. Senão voltamos outra vez para a discussão sobre música popular e música tradicional e eu não quero entrar nisso. Prefiro dizer ‘a música da minha área’ ou ‘da nossa área’, abrangendo um conjunto de colegas ou ex-colegas que sempre estiveram nestas coisas, que sempre tiveram um percurso próprio.

– A própria intenção e a intervenção política são hoje, por vezes, postas de parte por alguns colegas teus…

– Pois é, mas também não quero entrar nessa área. Isso é um problema de consciência. Eu sempre disse que a música é comprometida quando o músico, como cidadão, é um homem comprometido. Não é o produto saído do cantor que define esse compromisso mas o conjunto de circunstâncias que o envolvem com o momento histórico e político que se vive e as pessoas com quem ele priva e com quem ele canta. Tipos como o Daniel Viglietti, por exemplo, são cantores com um inegável perfil político e militante, também. Se isso é viável e de que maneira não sei…

– Mas tu, por exemplo, continuas activo a comprometido politicamente. Ainda há poucos dias apelaste ao voto na APU para as eleições autárquicas…

– Não consigo nem pretendo estar fora das coisas. Este meu apelo ao voto na APU, não é um apelo paternalista, mas fruto da constatação directa, através da minha experiência como cidadão, que as vereações mais honestas, que dão prioridade a coisas essenciais como saneamentos básicos, escolas e jardins de infância, são efectivamente as da APU. Posso citar Coruche, Moura, Seixal, Mértola… E, tomando estes casos como padrão, eu não hesito em dizê-lo às pessoas, se é que a minha presença tem alguma força. Uma coisa é a minha actividade musical, a fruição lúdica da música, outra coisa é o homem político que sou. Agora como é que as duas coisas se harmonizam, ainda estou para saber…

– As Presidenciais estão também a chegar. Já tomaste posição?

– Decidi ontem [22 de Novembro de 1985] apoiar a engenheira Maria de Lourdes Pintasilgo. A política não é o reino do absoluto, estamos numa conjuntura que não aponta para nenhuma acção popular e revolucionária. Afirmar isto era pura demagogia. Portanto eu apoio um candidato que dê margem para determinadas movimentações a que eu chamo de contra-poder… E começo a desconfiar a sério da rigidez partidária. Entendo que, efectivamente, há partidos mais aconselháveis que outros e sou de opinião que não há conciliação entre uma perspectiva de esquerda e uma perspectiva de direita, autoritarista e reaccionária. Continuo a perfilhar convictamente estes pontos de vista, mas isso não me impede de apoiar uma personagem interessante, de grande carisma pessoal como é a Lourdes Pintasilgo. Que, a meu ver, está muito mais ligada a uma conotação de esquerda, de mudança, do que os outros. Há quem se esqueça que o Salgado Zenha foi o arauto do antigonçalvismo, do antipêcêpismo, da ‘Carta Aberta’. E que foi pela boca dele que se fizeram os mais duros ataques à CGTP. Há quem se esqueça, mas eu não tenho falta de memória, pelo menos nestas coisas… Podes escrever isto tudo que eu disse…

– E lá estamos nós a falar de política…

– Como é que da política se chega à música e da música à consciência? Eh, pá, eu acho que as coisas podem estar ou não ligadas, depende do lado para onde estivermos virados. Mas o que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a procurar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! E, quando isso acontecer comigo, eu até agradeço que os meus amigos me chamem à atenção e me critiquem. No campo da música continuo interessadíssimo, nesta área e fora dela. Acho que, por exemplo, é necessário que exista um grupo como o Opus Ensemble, um músico como o Victorino d’Almeida. Ou como o Rão Kyao, embora nem sempre goste das últimas coisas dele – mas isso é outro problema. E, na área do chamado rock português, em relação à qual eu sou muito reticente, há, por exemplo, os Jáfumega, que eu vi há tempos e de quem gostei bastante, fiquei sinceramente impressionado. Estou interessado, sim, pelo que por cá se faz. Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de ‘homenzinhos’ e ‘mulherzinhas’. Temos é que ser gente, pá!

Entrevista de Viriato Teles
Se7e – 27 de Novembro de 1985

READ MORE
1…20212223
PESQUISA DE CATEGORIAS

CONSULTAR ARQUIVO

Newsletter

loader
Email*

Nome

Apelido

O seu endereço de e-mail será usado apenas para enviar newsletters sobre as atividades da Associação José Afonso e da iniciativa do Centenário de José Afonso. Pode sempre escolher deixar de receber estes e-mails clicando link na newsletter.

Copyright © 2021 Thepascal by WebGeniusLab. All Rights Reserved

BACK TO TOP