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Luiz Goes
Home Archive by Category "Luiz Goes"

Category: Luiz Goes

Luiz Goes
18/09/2012By AJA

Luiz Goes 1933-2012

Os dados biográficos estão por aí, os textos laudatórios, tal como este, não tardarão. As notícias falam de um “fadista”, falam de Fado de Coimbra: porventura fracos epítetos e rótulos (como todos serão) para um legado que tudo extravasa, inova e anima. Tenhamos agora a força de não o deixar no limbo entre o esquecimento e o altar de peregrinação das homenagens póstumas, agarrando o seu exemplo perene da invenção e inovação.
Como tantos outros grandes artistas, Goes foi também ele um “homem só” no seu tempo, criando e cantando sem concessões para um país maioritariamente ignorante da perda que sofreu hoje. Talvez o tempo remende, talvez o tempo surpreenda, mas seja qual for o futuro da obra de Goes, uma coisa é certa: com o enorme coração que levava dentro, Luiz Goes a todos agradeceria e apertaria num longo abraço, embora hoje, a sua lágrima fácil seja nossa.

Fotografia de João Vasco

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Canção de CoimbraLuiz Goes
16/12/2009By AJA

Lançamento do livro “Luiz Goes: O Neo-Modernismo na Canção de Coimbra ou o Advento da Escola Goesiana”

Depois do lançamento do livro “José Afonso – Da Boémia Coimbrã à Fraternidade Utópica”, Jorge Cravo surpreende-nos agora com mais uma publicação, desta feita sobre o mais representativo cultor do Canto de Coimbra, com o título “Luiz Goes – O Neo-Modernismo na Canção de Coimbra ou o Advento da Escola Goesiana”.
Luiz Goes é, a partir da segunda metade do século XX, uma figura incontornável e acima de quaisquer suspeitas quanto à importância que tem na evolução da Canção de Coimbra.
Ideologicamente a partir da escola modernista de Edmundo de Bettencourt, Goes encetou uma renovação na Canção de Coimbra que o guindou à posição de legítimo e único sucessor daquele poeta-cantor presencista na afirmação de uma Nova Canção de Coimbra. Ou seja, o Neo-Modernismo chega à Canção de Coimbra através da escola Goesiana.
Demonstrando uma grande generosidade e disponibilidade, Goes tem revelado, nos últimos anos, um envolvimento, um amor e uma ternura por esta Canção que o permitem indexar como um Mestre, na acepção plena da palavra. Com ele se aprende todo um imaginário a preservar e a actualizar para que se não perca a Canção de Coimbra.
Uma Canção que muito deve à sua profunda veia artística como autor, compositor, poeta e, fundamentalmente, cultor inimitável.
Retirado do blogue Guitarra de Coimbra

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Luiz GoesTestemunhos
28/07/2006By AJA

Luiz Goes sobre o Zeca

Falar do Zeca é falar de um grande amigo com quem convivi muito intimamente em Coimbra, sobretuto nos anos 50.
Quando se dão os grandes acontecimentos dos anos 60 eu já não estava lá, já me tinha formado. O Zeca se fosse vivo tinha mais quatro anos do que eu de idade, mas eu era dos cantores o que me formei mais cedo, porque tinha a mania de ser bom aluno, e não era suficientemente boémio, se fosse hoje, reprovava mais de dez anos.
Formara-me em Outubro de 1958 e em 1959 já estava em Lisboa, nos Hospitais Civis, e a partir daí perdi aquele contacto diário, constante, com esses meus queridos amigos, o Zeca era um deles. Como é evidente, com essa vinda para Lisboa, perdi o convívio com aquela geração, e com aqueles acontecimentos da época lá em Coimbra. Mas acompa­nhei-os muito de perto.
Entretanto fui mobilizado, para a Guiné, onde estive dois anos e, quando voltei, procurei recuperar o tempo que tinha perdido em termos de cantigas, estimulado por terceiros. Depois lá recuperei um pouco e entrei numa fase da minha vida, mais amadurecida talvez, mais velho por dentro também, e, naturalmente, modifiquei a minha maneira de ser. Mas, falar do Zeca é falar de uma pessoa inesquecível. Do seu talento, do seu lirismo, no fundo, para mim, o Zeca foi sempre um lírico, punha as palavras também ao serviço do coração. Eu sei que era assim. E depois de tantos episódios curiosos vou-lhes lembrar apenas um. Eu durante muito tempo não fui república em Coimbra, porque a minha mãe vivia lá, pois eu sou natural de Coimbra. Devo ser talvez, o único cantor conhecido, pelo menos do nosso tempo, que tenha nascido em Coimbra, de maneira que tinha casa. O Zeca já era casado, era a primeira mulher, tinha dois filhos e a minha casa era uma “República”, e então, muitas vezes, o Zeca chegava e dizia assim: “á D. Leopoldina”, que era a minha mãe, “não se importa que os miúdos fiquem aí?” E a minha mãe respondia: “á Sr. Doutor”, a minha mãe tratava toda a gente por doutores, porque era costume lá em Coimbra, um indivíduo desde que tivesse capa e batina tratava-se logo por senhor doutor, desde o primeiro ano, “isto é uma maravilha, hem?”. Entretanto ficavam lá os dois miúdos e o Zeca esquecia-se. Um dia, a minha mãe, ao fim de dois dias, disse-me assim: “á Luís, desculpa lá, eu sou muito amiga do Zeca, mas ele. . . quando é que? .. ” E eu: “… O quê? ainda cá estão?…” Tinha-se esquecido. Depois ia buscá-los. Isto é um episódio que revelo com muita ternura, com muita saudade e com muita afectividade. Eu tenho orgulho de ter pertencido à geração dele, e também, em ter contribuído à minha
maneira, para que as coisas mudassem. Mas não me esqueço dele. Foi um grande amigo, é uma grande memória, uma pessoa que eu trago sempre no coração e na minha sensibi­lidade.

Luiz Goes

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