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José Mário Branco
Home Archive by Category "José Mário Branco"

Category: José Mário Branco

José Mário Branco
29/11/2023By admin-aja

José Mário Branco: uma petição

Partilhamos convosco a Petição para classificar obra de José Mário Branco de interesse nacional.
Uma ideia que partiu de 39 pessoas ligadas à música portuguesa e foi lançada no início do mês.

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AJA NorteJosé Mário BrancoNúcleos AJA
15/04/2022By admin-aja

Concerto-tributo a José Mário Branco

É com natural satisfação que a Associação José Afonso – Núcleo do Norte (AJA Norte) anuncia a realização de um Concerto-tributo a JOSÉ MÁRIO BRANCO. Será no dia 28 maio de 2022, às 19 horas, na Sala Estúdio Perpétuo, Rua de Costa Cabral, 128, Porto.

Os bilhetes (custo unitário de 10,00€) podem ser adquiridos de duas formas:

1. Via correio electrónico: ajanorte4@gmail.com, indicando:
– Nº de bilhetes pretendidos;
– Nome completo de quem adquire;
– Contacto de telemóvel (opcional).
O pagamento é feito por transferência bancária para o IBAN PT 50 0007 0000 00384197019 23.
O comprovativo da transferência deve ser remetido para ajanorte4@gmail.com.
O levantamento dos bilhetes (sem lugar marcado) será feito no dia e local do concerto das 10:30h às12:00h e das 15:00h às 18:30h.

2. Presencialmente:
a) A partir de 2 de maio, na Sede da AJA Norte, Rua do Bonjardim, 635 – 1.º Traseiras, Porto (a Gonçalo Cristóvão).
Horário: 2ª feira, 4ª feira e sábado, das 10:00h às 12:00h e das 18:00h às 20:00h. Pagamento em numerário.
b) No dia e local do Concerto, das 10:30h às 12:00h e a partir das 15:00h. Pagamento em numerário.

Contamos contigo no dia 28 de maio pelas 19 horas na Sala Estúdio Perpétuo e TRAZ OUTRA/O AMIGA/O TAMBÉM!

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DiscografiaFaustoJosé Mário Branco
16/03/2022By admin-aja

Como nasce uma música

José Mário Branco, na “Playlist da TSF”, conta como nasceu o tema «O homem voltou» do disco «O coro dos tribunais»
Vídeo completo aqui: https://bit.ly/36cKbSq

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FaustoImprensaJosé Mário BrancoSérgio Godinho
27/02/2022By admin-aja

Os Filhotes do Zeca

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Associação José AfonsoImprensaJosé Mário Branco
19/11/2021By admin-aja

José Mário Branco homenageado pela Associação José Afonso com dois concertos

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DiscografiaGrândolaImprensaJosé Mário Branco
19/11/2019By admin-aja

Grândola, vila morena: como um erro tecnológico determinou o futuro histórico de uma canção

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Associação José AfonsoJosé Mário Branco
19/11/2019By AJA

Morreu José Mário Branco (1942-2019)

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AJA NorteJosé Mário BrancoNúcleos AJA
24/06/2018By AJA

José Mário Branco – Cantar a Inquietação

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Associação José AfonsoJosé Mário Branco
02/11/2016By AJA

As Canções do Zé Mário

AS CANÇÕES DO ZE MARIO

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ConferênciasJosé Mário Branco
02/03/2014By AJA

José Afonso por José Mário Branco

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O Salão Nobre dos Paços do Concelho foi pequeno para receber todos aqueles que quiseram assistir à Conferência “José Afonso – A canção, do cliché à educação do gosto”, apresentada por José Mário Branco, no âmbito do ciclo “Mestres e Discípulos nas Artes, nas Ciências, nas Humanidades”, e que decorreu no passado sábado.
No ano em que se assinala o 40º aniversário do 25 de Abril, falar da música de José Afonso e da música de intervenção em geral, é também falar de todos os acontecimentos antes e depois da Revolução.

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Guilhermino MonteiroJoão LóioJosé Mário BrancoOctávio FonsecaPartituras e tablaturas
28/11/2010By AJA

Texto de apresentação da obra “José Afonso – Todas as canções”

«”José Afonso é o nosso maior cantor de intervenção!”
Este elogio tão consensual e aparentemente tão generoso é a forma mais eficaz de liquidar a obra do grande mestre da música popular portuguesa no que ela tem de universal e de artisticamente superior.
Não é sequer uma meia verdade. É, de facto, uma «falsa» verdade.
Reduzir José Afonso ao cantor de intervenção, que ele também foi, é induzir no grande contingente de distraídos a ideia de menoridade artística, (mal) associada à canção política.
É claro que, numa análise larga, podemos considerar cada cantiga de José Afonso uma canção de intervenção, na medida em que todas elas reflectem a sua forma de estar na vida e de a observar. Desse ponto de vista, cada uma das suas cantigas foi concebida deliberadamente à revelia da ideologia dominante e contra ela.
Na realidade, porém, as canções de conteúdo expressamente político são até minoritárias no conjunto da sua obra.
Arrumar José Afonso na gaveta da canção de intervenção, é não compreender que a dimensão da sua obra está ao nível do que de mais importante se fez na música popular universal do século XX. E se não teve o impacto mundial que merecia, foi tão-somente porque ele nasceu onde nasceu.
Além disso, essa etiqueta é um óptimo álibi para que os divulgadores musicais o possam banir com toda a tranquilidade. Porque “a música de intervenção já teve o seu tempo e já não interessa ao grande público”.
Mas sejamos justos: se a rádio e a televisão ignoram a obra de José Afonso, esse facto não se deve apenas ao analfabetismo musical e ao mau gosto de muitos dos seus directores de programas. Deve-se também às imposições do mercado, para o qual e com o qual esses directores trabalham.
Sintomaticamente, essa marginalização não tem hoje reflexo no meio musical. Pelo contrário, de há uns anos a esta parte, José Afonso passou a ser o autor mais cantado por todas as gerações e diferentes escolas de músicos.
Este facto atesta bem a sua importância na história da música popular portuguesa. Graças ao seu talento excepcional, renovou a nossa canção popular a partir da tradição musical coimbrã em que se iniciou, integrando novas influências e marcando decisivamente as gerações seguintes. A esse papel não são estranhos três factores resultantes da sua própria vivência: o meio universitário coimbrão, culto e boémio, onde estudavam jovens oriundos de zonas rurais ou semi-rurais, que integrava já, na tipicidade das suas baladas, fortes influências da poesia e da música tradicionais de várias regiões do país, sobretudo das Beiras e dos Açores; a instabilidade, pouco normal para a época, da sua infância e da sua adolescência, que muito cedo o levou a contactar com meios socioculturais muito diferentes; uma cultura literária acima da média, adquirida sobretudo em Coimbra, que contribuiu para elevar os seus padrões de qualidade no uso da palavra cantada.
Mestre incontestado da canção popular portuguesa, simultaneamente um genial autor e intérprete de canções, cidadão exemplar e incansável lutador pela liberdade e pela justiça no contexto da ditadura salazarista, mas também no pós 25 de Abril, a sua vasta obra discográfica, iniciada em 1953 e terminada em 1985, constitui um manancial inesgotável de inspiração e de aprendizagem.
José Afonso deixou-nos em 1987. Num país tremendamente desculturado e desatento foi preciso esperar quase um quarto de século para ver aparecer o presente trabalho, que reúne as partituras de todas as 159 canções que gravou, com as respectivas letras e cifras, exceptuando apenas os fados de Coimbra de autoria alheia que interpretou.
Para que este livro possa constituir um complemento de alguma utilidade para quem pretender conhecer e estudar a sua obra, optámos pela transcrição fidedigna do que está registado nos fonogramas, independentemente de pensarmos, num ou outro caso, que poderia haver outras soluções ao nível da estrutura ou da harmonia. Pela mesma razão, não sugerimos qualquer hipótese de harmonização, quando a harmonia não é evidente no arranjo.
Apenas nos permitimos alterar a tonalidade de algumas canções na transcrição, nos seguintes três casos:
— Para que a partitura reflicta a digitação utilizada, nas situações em que a afinação habitual das violas foi alterada;
— Quando os instrumentistas utilizaram um transpositor;
— No limite, quando a tonalidade da gravação, com pequena diferença de tessitura, poderia dificultar desnecessariamente a leitura e a execução.
A autoria das letras e das músicas é de José Afonso, excepto quando são indicados outros autores.
Esperamos que este José Afonso — Todas as canções possa contribuir para um melhor conhecimento e estudo deste precioso património.»

Guilhermino Monteiro
João Lóio
José Mário Branco
Octávio Fonseca

Retirado do blogue da Assíro & Alvim

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Homenagens e tributos (música)José Mário BrancoVídeo
11/06/2009By AJA

Maria Guinot – Saudação a José Afonso

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Homenagens e tributos (2009)José Mário Branco
05/04/2009By AJA

José Afonso e José Mário Branco homenageados no Festival de Música Aveirense

Com o objectivo de promover a nova música residente em Aveiro, surge o primeiro festival de musica aveirense, montra de um leque de estilos musicais que vão do clássico ao experimentalismo, passando pelo jazz, funk, rock e cancão de intervenção e que é inteiramente preenchido por músicos ligados à cidade, como: Rui Pedro, que apresenta o seu espectáculo Andarilho; Óscar Graça (LiftOff, Joploop, Riff) e João Guimarães, que tocarão no Nuno Costa quinteto; Jorge Deus da Loura (Zen, Fadomorse, Música.com), na estreia da sua nova band, os Suoq; João Fino (Zen), com os Lazy Lizard; Jorge Cruz (Superego, Pequeno Aquiles e Diabo na Cruz), a solo; João Figueiredo (Conservatório de Aveiro, Fadomorse), com os QuadQuartet; Zé Tó Rodrigues (Oficina da Música), com os Icon Vadis; e Hugo Correia (Mdparte e Filarmonia das Beiras), com os Fadomorse e os Bic Ensemble, prestando homenagem a Zeca Afonso e a José Mario Branco nas comemorações do 25 de Abril. [Direcção de Hugo Correia]
Teatro Aveirense

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José Mário Branco
26/10/2008By AJA

José Mário Branco na Culturgest dias 30 e 31 de Outubro

Convidado pela Culturgest para criar um espectáculo único e específico para o Grande Auditório, José Mário Branco fará aquilo que sempre fez nos seus álbuns e espectáculos: uma referência – como alguém escreveu, sempre autobiográfica – ao estado em que, no seu sentir, se encontra a sociedade de que faz parte.
Será nos dias 30 e 31 de Outubro de 2008, às 21h30, no Grande Auditório·

Tomando como base o mais recente repertório, José Mário Branco decidiu optar por um formato “em tripé” para os músicos que o acompanharão em palco. Primeiro, um conjunto de músicos, todos eles excelentes intérpretes-compositores que o têm acompanhado nos últimos anos nos momentos cruciais: José Peixoto, Carlos Bica, Rui Júnior, Filipe Raposo ou Guto Lucena, instrumentistas de excepção.

Segundo, como no seu álbum mais recente Resistir É Vencer (2004), a presença de um quarteto de cordas (liderado pelo jovem Luís Morais, concertino e professor em Viena) irá reforçar o pendor introspectivo que sempre existe quando José Mário Branco nos fala do mundo e da vida.

E, terceiro, os convidados muito especiais deste espectáculo: os Gaiteiros de Lisboa (grupo de que José Mário Branco fez parte na sua primeira fase) irão garantir duas componentes sempre presentes na sua música, as partes corais e as percussões. Este conjunto de músicos permitirá apresentar em Lisboa (pela primeira vez, e talvez única) a canção-rap-fleuve Mudar de Vida, escrita para o concerto de Abril de 2007 na Casa da Música, no Porto. Por isso este concerto se chama Mudar de Vida - 2.

José Mário Branco é um artista do seu tempo e da sua comunidade. E este tempo é de introspecção e de eterna busca, mas também de denúncia (”Isto não é sociedade que se apresente”) e de acção (”Vamos mudar de vida!”).

Voz, guitarra José Mário Branco
Guitarra José Peixoto
Contrabaixo Carlos Bica
Percussão Rui Júnior
Piano, teclados Filipe Raposo
Sopros Guto Lucena
1º Violino Luís Morais
2º Violino Jorge Vinhas
Viola Joana Moser
Violoncelo João Pires
Concepção e direcção musical José Mário Branco
Guião José Mário Branco e Manuela de Freitas
Foto Isabel Pinto

Classificação: M/12Informações e reservas21 790 51 55Duração 1h30 – 20 Euros (Jovens até aos 30 anos: 5 Euros. Preço único)

culturgest.bilheteira@cgd.pt

Bilhetes à venda: Culturgest-Fnac-Bliss-Livrarias Bulhosa (Oeiras Parque)-lojas Abreu-Wortenwww.ticketline.sapo.ptReservas -707 234 234

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José Mário Branco
15/08/2008By AJA

Luis Represas interpreta “Carta a José Afonso”

Tema interpretado ao vivo no programa “A musica dos outros”. Musica da autoria de José Mário Branco.

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AJA NorteJosé Mário BrancoTertúlias
13/05/2008By AJA

“Maio de 68 – Os dias felizes” com José Mário Branco

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ImprensaJosé Mário Branco
07/12/2007By AJA

Homenagem ao músico e poeta Zeca Afonso no museu de Vila Franca de Xira

O Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, encheu-se para ouvir falar de Zeca Afonso. Alípio de Freitas e José Mário Branco evocaram o homem que lutou contra o regime através da música e da poesia.

“O Zeca não só é intemporal, como é, acima de tudo, universal. É um músico e um poeta extraordinário em qualquer lugar e em qualquer tempo deste mundo”. Foi com estas palavras que Alípio de Freitas recordou o eterno amigo Zeca Afonso. Emoção e saudade foram dois dos sentimentos presentes durante toda a sessão de homenagem a José Afonso que decorreu domingo, 2 de Dezembro, no auditório do museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, e que contou com a presença dos amigos Alípio de Freitas e José Mário Branco. Os 96 lugares do auditório foram poucos para todas as pessoas que quiseram ouvir falar do músico português.

Alípio de Freitas contou, perante uma plateia atenta e entusiasmada, o episódio que o levou a conhecer o grande músico e poeta Zeca Afonso. Alípio de Freitas, natural de Trás-os-Montes, foi vigário e emigrou para o Brasil no final da década de 50 onde foi sacerdote e professor universitário.

Devido à sua actividade revolucionária esteve preso duas vezes. Soube-se em Portugal através de uma carta que Alípio de Freitas conseguiu contrabandear do presídio onde se encontrava que havia, nessa altura, dois portugueses presos no Brasil. Zeca Afonso teve conhecimento desta carta e compôs uma música à qual deu o nome de “Alípio de Freitas” como forma de homenagear o português que também lutava pela liberdade no país irmão. Quando lhe contaram da música que José Afonso tinha feito, o sacerdote que estava preso em Santa Cruz não conhecia o cantor nem o seu trabalho. “Era muito difícil a informação de Portugal chegar ao Brasil naqueles tempos e ninguém me sabia dar indicações sobre o Zeca”, explica.

Depois deste episódio a vontade de conhecer Zeca Afonso cresceu. Assim que regressou a Portugal, em 1980, Alípio foi apresentando ao cantor e, segundo o sacerdote, a empatia foi imediata. “Quando conheci o Zeca tive a sensação que já o conhecia há muitos anos e ele sentiu o mesmo. Por isso, costumo dizer que não conheci o Zeca mas sim, reencontrei-o”, afirma.

Também José Mário Branco, cantor intervencionista, trabalhou e privou com Zeca Afonso enquanto autor de arranjos dos discos do falecido músico. A relação com Zeca foi mais próxima depois da Revolução do 25 de Abril. Antes de 1974, José Mário Branco esteve exilado em Paris por ser contra o regime ditatorial. O cantor recorda que, durante a gravação dos discos de Zeca, houve apenas uma vez um pequeno desacordo entre ambos. “O Zeca não concordava com os arranjos musicais que eu tinha feito para a canção “Maio, maduro Maio”. Achava estranho e não tinha a certeza se iria funcionar com o público. Disse-lhe que a música ia ficar assim e que dali a dez anos conversávamos sobre o assunto. A música foi um sucesso e nunca mais falamos nisso até que, uma década depois, o Zeca veio ter comigo e deu-me razão”, recorda, divertido.

José Mário Branco lamenta não existir um único livro com as melodias e acordes do “mestre” para as gerações mais novas aprenderem como é que Zeca Afonso cantou e tocou as suas músicas. “É inadmissível que o livro não esteja à venda. Está feito há cerca de quatro anos mas não foi autorizado a ser publicado”, assegura.

Por: Ana Isabel Borrego | O Mirante

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DiscografiaJosé Mário BrancoTestemunhos
27/07/2006By AJA

Chamava-se Catarina

Nascido para, como diz a cantiga, “abrir grandes janelas”, o Zeca sempre suportou maio fechamento – quer o das ideias, quer o dos espaços. Das duas vezes que foi a Paris gravar comigo, em 1971 (“Cantigas do Maio”) e 1973 (“Venham mais cinco”), nunca ele escondeu quanto lhe desagradava e o indispunha a necessidade de ficar fechado no estúdio durante horas, e quanto ele não gostava nada de Paris nem do ambiente dos portugueses de Paris – hoje entendo como tinha razão.
Porque haveria de ser preciso fecharmo-nos, horas e horas a fio, na tensa clausura de um estúdio de gravações, se o objectivo era precisamente registar os grandes e puros espaços sonoros das suas melodias, a frescura densa da sua voz, a força simples e lírica das suas palavras? As máquinas! custava.lhe aceitar que a “limpeza” e a “verdade” do som só pudessem ser conseguidas, neste mundo sujo e atravancado, por meio das máquinas, das técnicas, do isolamento acústico. Custava.lhe aceitar que, para fazer chegar aos outros as coisas belas e simples que inventava, fosse preciso tanta guerra para reconquistar o silêncio, a página branca, o patamar vazio donde tudo tem que partir.
Assim, por entre mil episódios que atestam o que acabo de dizer, há esse – o da gravação do “Cantar Alentejano” (“Chamava-se Catarina… “) – que testemunhei aquando da gravação das “Cantigas do Maio”, juntamente com a Zélia, o Fanhais, a Isabel Alves Costa, o técnico Gilles Sallé e, naturalmente, o violista Carlos Correia (Bóris). A opção de arranjo foi: só a viola, e a voz do Zeca. Sem rede.
O regime de gravações – tardes e noites – fez que, nesse princí­pio de tarde, fosse a altura de gravar o “Cantar Alentejano”, “Vamos a isto, Zeca?”, ia eu dizendo, naturalmente preocupado com a factura do estúdio. “Não tens nada para ir metendo?”, desconversava ele. Via-se que não estava pronto. “Queres ir me­tendo outras coisas? Faltam vozes no “Milho Verde” e no “Senhor Arcanjo”… E assim ia passando a tarde. “Está bem, vamos me­tendo outras vozes”. Mas não se conseguia grande coisa. A alma dele – percebi depois – estava toda no Alentejo, nos olhos de Catarina Eufémia. E, como tantas vezes acontecia, andava no estúdio para cá e para lá, em passos nervosos, como o jóvem leão na sua jaula.
Até que, já pela tardinha: “Eu vou até lá fora, olhar para as vacas” – o estúdio era numa quinta apalaçada, no meio dos campos. Desapareceu, uma hora ou duas. Quando voltou já era quase noite. “Vamos gravar a Catarina”. O Bóris meteu-se na pequena cabina, para o som da viola ficar isolado da voz. O Zeca, no meio do estúdio, sozinho e às escuras, cantou. Uma só vez. Essa que está no disco.
Nós, os outros, os privilegiados espectadores, estávamos na cen­tral técnica, quase todos a chorar incluindo o técnico francês. “Acham que é melhor eu cantar isto outra vez?”
“Não, Zeca, não. Está muito bem assim…”

José Mário Branco
in Revista nº1 da AJA de 1988

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