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Author: AJA
Home AJA Page 21
Imprensa
21/02/2007By AJA

José Afonso lembrado um pouco por todo o País | “Primeiro de Janeiro”

José Afonso constitui-se como uma referência do sonho, da procura do humanismo e da utopia de um mundo melhor. Mais do que utilizar a sua música como instrumento de luta, o cantautor foi também um homem e militante político sempre presente no lugar certo dos acontecimentos. Sexta-feira, dia 23, assinalam-se 20 anos sobre a sua morte, uma efeméride que vai ser marcada ao longo do ano com diversas iniciativas.

Goreti Teixeira
A Associação José Afonso (AJA) não teve mãos a medir para a organização de um programa de homenagem que visa recordar José Afonso no ano em que passam duas décadas sobre a sua morte. As parcerias são muitas e estendem-se por várias regiões do País. De acordo com Paulo Esperança, presidente do núcleo do Norte da AJA, todas estas iniciativas têm um objectivo como “partilhar o imaginário do Zeca com quem nunca o conheceu, nem à sua música, muitas vezes em locais onde ele não chegou a tocar”. Uma destas partilhas terminou, ontem, no Clube Literário do Porto que desde quarta-feira apresentou um conjunto de debates em torno da figura do autor de «Traz um amigo também». Quatro dias de testemunhos dos muitos amigos que conviveram de perto com José Afonso e que ficaram também marcados pela inauguração da exposição temática «José Afonso – andarilho, poeta e cantor» que percorre a sua vida desde a infância, passando por Coimbra, Angola e Moçambique, até à sua militância política, discografia e rascunhos de letras musicais.Na cidade berçoDepois do Porto chegou a vez de Guimarães se juntar à festa. A Oficina/Centro Cultural de Vila Flor, em parceria, com a AJA, o Círculo de Arte e Recreio iniciam a sua homenagem, na terça-feira, dia 20, com a exibição do filme «Continuar a Viver» (Os Índios da Meia Praia), sendo que os pontos altos acontecem entre os dias 23 e 24. Assim sendo, a 23, será inaugurada, no grande auditório, a exposição «O que faz falta» que incluirá livros, discos, objectos e documentos pessoais do cantor, seguida do espectáculo teatral e musical «Menino D’Oiro», com dramaturgia e encenação de Gil Filipe. No dia 24, às 15h30, a Banda Militar do Porto actua no pequeno auditório e, uma hora depois, Gil Filipe sobe ao palco para protagonizar a peça «O Incorruptível», de Hélder Costa. Pelas 17h30, «A Vida e Obra de José Afonso» será o tema central do debate que contará com as intervenções de Alípio de Freitas, Mário Barradas, José Mário Branco, Hélder Costa e José António Gomes. A homenagem termina com a música de José Mário Branco, Amélia Muge e João Afonso num concerto intitulado «Maio Maduro Maio», às 21h30, no grande auditório. A noite conta ainda com a presença da poesia de Manuel de Freitas e do grupo galego Ardentía. Paralelamente ao programa do CCVF, a empresa de panificação Pavico e a Biblioteca Municipal Raul Brandão protagonizam, durante todo o mês, a iniciativa «Pão com Sonho» que tem distribuído milhares de sacos de pão com dados biográficos e alguns poemas do cantautor. Entretanto, a 26 de Maio, a Associação Cultural RITUS sedeada em Milheirós de Poiares, concelho da Vila da Feira, tem previsto a realização de um debate, um encontro musical e a inauguração de uma exposição evocativa que reunirá desenhos criados pelos alunos das escolas da região. Já a 3 de Março, em Viana do Castelo, o programa comemorativa inclui um debate e um concerto com 16 músicos, no Teatro Sá de Miranda. Também a Cooperativa Árvore, no Porto, não quis passar à margem da efeméride e entre os meses de Setembro/Outubro, organiza «O Zeca na Cooperativa Árvore» que inclui uma exposição de pintura e escultura. No último trimestre do ano, na Casa das Artes de Arco de Valdevez, a celebração da vida e obra de Zeca será assinalada com um debate, uma exposição e um concerto.

21 de Fevereiro de 2007

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CoimbraTertúlias
21/02/2007By AJA

José Afonso em Coimbra

TERTÚLIAS D’ALMEDINA | FALAR DO ZECA AFONSO | 24 de Fevereiro | 21h

Abílio Hernandez, Carlos Correia, José Jorge Letria, José Mesquita, Manuel Freire, Rui Pato.

Nos 20 anos sobre a morte do Zeca Afonso vamos falar do homem, do poeta, do cantor.

Durante a sessão irá ser passada uma gravação audio inédita.

Livraria Almedina
Estádio Cidade de Coimbra
Rua D. Manuel I, n.° 26 e 28
Coimbra

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João Afonso
21/02/2007By AJA

“Uma leitura diferente” de Zeca Afonso | Jornal “Tribuna de Macau”

O gesto “estritamente musical” de Zeca Afonso é o que os músicos João Afonso e João Lucas se propõem apresentar durante o espectáculo de amanhã à noite no Centro Cultural de Macau, no âmbito de uma iniciativa da Casa de Portugal. Os lucros do projecto “Um Redondo Vocábulo” revertem a favor da construção de uma escola em Timor-Leste

“Um Redondo Vocábulo” é o nome do espectáculo que traz ao território João Afonso e João Lucas, num “concerto intimista” em que vão interpretar uma selecção das canções “menos conhecidas” de José Afonso. As receitas do concerto, que tem lugar amanhã, às 20:30, no pequeno auditório do Centro Cultural, revertem a favor da construção de uma escola em Timor-Leste. A iniciativa partiu da Casa de Portugal em Macau que, há um ano, visitou aquele país e se apercebeu das necessidades das crianças de uma cidade do interior.
De acordo com a presidente da direcção da Casa de Portugal, Maria Amélia António, a ideia surgiu também por este o ano do 20o aniversário da morte de Zeca Afonso. “A homenagem ao homem que ele foi seria fazer algo que soubéssemos que ele também faria com muito gosto”, salientou.
Para os músicos, o projecto, que é recente, cresceu depois do convite da Casa de Portugal e principalmente pela causa a que se dedica. “Temos prazer em ajudar a pôr uns quantos tijolos na escola de Timor-Leste”, afirmou João Afonso explicando que também o seu tio, José Afonso, esteve muito ligado à causa timorense.
O facto de terem seleccionado temas menos familiares ao público pretende ser uma forma de “contribuir para uma leitura diferente de José Afonso”, frisou João Afonso. Por sua vez, João Lucas considera que a escolha das músicas não obedeceu a um motivo específico mas nasceu “de uma mistura de circunstâncias que estão mais relacionadas com o gesto estritamente musical de José Afonso e não sócio-político”. Isto porque, de acordo com o pianista, “por vezes dá-se muita importância a essas questões e uma parte do génio fica perdida”.
As canções têm todas em comum o facto de serem “brilhantes e complexas do ponto de vista musical, ao nível do carácter intuitivo, no contexto da música popular”, referiu João Lucas. A cumplicidade entre os músicos facilitou o arranjo dos temas. “Temos um grande respeito pela obra de José Afonso e uma proximidade muito grande com as canções”, sublinhou João Lucas.
Através da voz de João Afonso e da música ao piano de João Lucas, este pretende também ser um passeio cronológico por “um momento muito importante da vida de José Afonso que foi a infância”, destacou o vocalista do projecto “Um Redondo Vocábulo”. É uma leitura do autor “no sentido de mostrar, através de alguns poemas e canções, a atitude de liberdade de José Afonso”.
Relativamente ao concerto de amanhã à noite, e porque depois partem para Banguecoque onde repetem a actuação na Embaixada de Portugal, os artistas consideram que “em Macau a palavra será mais valorizada, porque os textos valem muito pelas palavras”. Para João Afonso, “é um pouco como se Macau servisse de prova dos nove”.
João Afonso, que soma a sua quinta passagem pelo território, confessou que a sua maior curiosidade “é ir à parte velha da cidade e ver como cresceu Macau”. Mas o músico tem outro desejo, que esta passagem pela RAEM o faça criar algo novo, tal como aconteceu quando, em 1999, cá esteve pela última vez e compôs um tema inspirado na cidade.
Durante a actuação no território, que conta com um tema inédito de José Afonso intitulado “Bombons Todos os Dias”, os músicos interpretam também baladas como “Papuça”, “Pombas Brancas” ou “Redondo Vocábulo”.

MARTA BILROJornal “Tribuna de Macau” Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007

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Homenagens e tributos (2007)
21/02/2007By AJA

José Afonso na sede da SPA

A Sociedade Portuguesa de Autores associa – se às comemorações do 20º Aniversário da morte de José Afonso, com uma sessão a realizar no dia 23 de Fevereiro, pelas 18.30H, no Auditório Maestro Frederico de Freitas, (Av. Duque de Loulé, 31 – Lisboa) em que serão evocadas a vida e a obra do cantor e autor. Samuel interpretará algumas das suas canções mais conhecidas.
Na sessão intervirão também Manuel Freire, José Niza, Francisco Fanhais, Luiz Goes e José Jorge Letria, que foram amigos e companheiros de José Afonso

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Homenagens e tributos (2007)
21/02/2007By AJA

José Afonso na Guarda

No dia 23 de Fevereiro, pelas 21h:30m no Café Central- Guarda, vai realizar-se uma Homenagem a José Afonso, com uma tertúlia e música ao vivo!

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Homenagens e tributos (2007)
19/02/2007By AJA

Concerto nos Açores | Tributo a Zeca Afonso pelo Quinteto de Jazz de Lisboa

O espectáculo Tributo a Zeca Afonso, pelo Quinteto de Jazz de Lisboa, homenageia aquele que foi sem dúvida o Mestre da música popular portuguesa do século XX, José Afonso, quando passam 20 anos sobre a sua morte. O Município das Lajes do Pico sente-se honrado por se associar a esta mais que justa homenagem ao criador de Vampiros e Grândola, Vila Morena.

AUDITÓRIO MUNICIPAL DAS LAJES DO PICO 24 de Fevereiro 21.30 horas
Quinteto Jazz de Lisboa
Fundado em 1988, o Quinteto Jazz de Lisboa é desde a sua origem o grupo de jazz português com mais discos vendidos nesta área musical, tendo editado o seu primeiro trabalho discográfico Viragens em 1999. De realçar que o grupo foi criado para levar este género musical a percorrer todo o país com o intuito de romper as barreiras existentes entre o jazz e o grande público, descentralizando a cultura, na medida em que o repertório do grupo vai da fusão da música de raiz popular portuguesa, fado e o jazz, num espectáculo com grande qualidade musical.Com dois discos editados o Quinteto Jazz de Lisboa conta, no seu currículo, com digressões por vários festivais de jazz em países como Holanda, França, Espanha, Alemanha e Brasil.O elenco é constituído por José Carvalho (voz), João Courinha (saxofone), Paleka (bateria), Emílio Robalo (piano e teclados) e Paulo Neves (baixo).

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ExposiçõesHomenagens e tributos (2007)
19/02/2007By AJA

Loures convida

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TestemunhosViriato Teles
19/02/2007By AJA

Vinte anos sempre com Zeca

Duas décadas já se passaram sobre o desaparecimento físico de José Afonso, e no entanto parece que foi ontem. Apesar disso, desde essa triste madrugada de Fevereiro de 1987, o mundo mudou como nenhum de nós podia então imaginar que mudasse. Desde o fim da União Soviética – que, nessa altura, quase todos nós ainda acreditávamos ser eterna ou, pelo menos, muito duradoura – até à unipolarização dos dias de hoje e à consequente submissão do mundo à vontade imperial da superpotência sobejante, tudo se tornou bem diferente do que poderia supor-se vinte anos atrás.Vinte anos é a idade de uma geração. E a geração desta idade, afundada em incertezas e com muito menos esperanças do que as que a antecederam, dificilmente consegue vislumbrar uma qualquer «cidade sem muros nem ameias» onde o presente e o futuro façam sentido. Não é uma geração rasca, mas é sem dúvida uma geração à rasca, afogada no quotidiano globalizado do consumo e da precariedade.O mundo mudou imenso, de facto, nestes vinte anos. Mas não tanto que tenha feito com que as canções de José Afonso ficassem fora de moda ou se tornassem meros documentos de um tempo passado. E não só porque universalidade e intemporalidade são duas características centrais de toda a obra de Zeca – as suas músicas de há quarenta anos mantém hoje a mesma frescura e a mesma modernidade que tinham quando foram escritas – mas porque a vida real se encarregou de negar todos os sonhos que, num dia de Abril, chegámos a acreditar que estavam prestes a concretizar-se. Trinta anos depois do «dia inicial», os vampiros e os eunucos voltaram a estar activos e dominantes. E se hoje não temos (ainda) um outro avô cavernoso a comandar as nossas vidas, é só porque a mãe Europa não deixa. A verdade é que muitos dos pressupostos políticos e sociais que ditaram a criação de tantas canções do Zeca voltaram a instalar-se no nosso quotidiano. E também por isso estas palavras permanecem tão dolorosamente actuais.Mas não é por isso – não só por isso – que estas canções se mantêm dentro do prazo de validade. A verdade é que todas elas possuem essa qualidade única que distingue os grandes mestres dos criadores vulgares: a capacidade de resistir ao tempo e de o ultrapassar. Re-ouvindo hoje o legado de José Afonso, dificilmente encontramos os chamados temas «datados». E no entanto eles existem (sobretudo nos discos da segunda metade da década de 70, muito marcados pelas lutas do período revolucionário), mas as marcas temporais das situações concretas que lhes deram origem não chegam para fazer com que, actualmente, essas músicas percam o interesse ou se nos apresentem como meros documentos testemunhais de uma época.Pelo contrário: as canções de Zeca, mesmo aquelas que reflectem e retratam determinados episódios ou momentos históricos específicos, conseguem sempre ter uma dimensão musical e poética que não se confina nunca ao seu próprio tempo. Desde «A Morte Saiu à Rua» até ao mobilizador «Coro da Primavera», todas elas foram capazes de resistir ao grande juízo do tempo e se nos apresentam hoje como obras tão ou mais modernas do que muitas produções dos nossos dias. E a prova está na quantidade de jovens músicos que continuam a ter em Zeca uma referência essencial.É tudo isto que esta exposição também nos recorda, a par com a evocação de uma vida ímpar de um ser humano excepcional, política e socialmente comprometido com os mais nobres ideais. A tudo isto acresce o facto de se tratar de uma iniciativa com a marca de uma instituição que fez história e ocupa um lugar de destaque no universo cultural português: o MC-Mundo da Canção, que desde há quase 40 anos tem desempenhado um papel central na divulgação da melhor música que se faz em Portugal e no Mundo. Tal como o Zeca – que, vinte anos depois, teima em permanecer vivo através das palavras e da música que hoje são património de todos nós – também o MC se recusa a morrer e promete continuar. De pé, enfrentando todas as adversidades, disposto a resistir, sempre. Ou, pelo menos, enquanto há força.

Viriato Teles

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Homenagens e tributos (2007)
19/02/2007By AJA

Odivelas homenageia Zeca Afonso

Em colaboração com a Assembleia Municipal de Odivelas e a Associação Zeca Afonso, a Câmara de Odivelas vai marcar o dia 23 de Fevereiro com um colóquio intitulado «Conversa em torno da personalidade e do papel de José Afonso na cultura e sociedade portuguesas», que decorrerá no auditório da Quinta da Memória.
O dia fecha com a apresentação de temas de José Afonso pelo Grupo Coral Maria Gomes, da Sociedade Musical Odivelense.
Segunda-feira é inaugurada uma exposição sobre o músico no átrio dos paços do concelho, que pode ser vista até dia 5 de Março.

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Homenagens e tributos (2007)ImprensaJanita SaloméVitorino
19/02/2007By AJA

Vitorino e Janita juntos em tributo

Os dois irmãos vão passar em revista as canções do ‘mestre’.

No dia em que se assinalam duas décadas sobre o desaparecimento de Zeca Afonso, Vitorino vai reunir-se em palco com o irmão, Janita Salomé, e o músico José Carvalho, para juntos interpretarem os eternos hinos do ‘mestre’. O espectáculo de homenagem dá pelo nome de ‘Zeca Afonso – 20 Anos’ e será realizado a 23 de Fevereiro, no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, pelas 21h30. Mas o sentido tributo da dupla de músicos alentejanos promete não ficar por aqui. “A ideia é levarmos este espectáculo, cujo alinhamento é inteiramente composto por canções de Zeca Afonso, a outras salas do País. Para que a homenagem se prolongue por todo o ano em que se celebra o aniversário”, explicou Vitorino ao Correio Êxito. O músico do Redondo revelou ainda que o tema ‘Canção da Primavera’ dará o arranque ao concerto, enquanto o revolucionário ‘Grândola Vila Morena’ fechará em apoteose a actuação. Ao longo de 2007, Vitorino acumulará os tributos a Zeca Afonso com a digressão comemorativa dos seus 30 anos de carreira, ‘Tudo! Alentejo, Amor, Lisboa. Ao Vivo!’. A primeira apresentação desta digressão de “Inverno” – conforme Vitorino prefere apelidar – realiza-se esta noite no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira.“Trata-se de uma série de espectáculos que passam em revista a minha carreira, já que o ano passado, quando lancei o álbum comemorativo, não tive oportunidade de o fazer. E agora que está frio, é a altura mais indicada. Os concertos foram especialmente concebidos para serem apresentados em pequenos auditórios e teatros. No Inverno, as pessoas têm mais predisposição para se aconchegarem a ouvir a música”, brincou.

SÍMBOLO DO POVO

Vinte anos volvidos sobre a sua morte, Zeca Afonso continua a ser um dos símbolos maiores da música portuguesa. Protagonizou uma carreira marcada por uma produção rica e constante que foi só interrompida pela fatalidade da sua morte, corria o ano de 1987. Ao longo do tempo, Zeca Afonso mostrou a sua capacidade criativa em inúmeros géneros, bem como a sintonia com os sentimentos populares do povo português, o que o tornou igualmente uma da vozes do 25 de Abril.

Vanessa Fidalgo Correio da Manhã 2007-01-27

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BiografiaImprensa
19/02/2007By AJA

Correio da manhã | Especial Zeca Afonso | O Andarilho na juventude

José Afonso morreu há vinte anos. Inscrito nas páginas da História como autor da canção que trouxe para a rua a Revolução de Abril, é recordado pelos seus colegas de liceu como um jovem utópico, distraído e profundamente humano.

Vinte e quatro de Fevereiro de 1987. Mais de trinta mil pessoas percorrem as ruas de Setúbal entre a Escola Secundária de S. Julião e o Cemitério da Senhora da Piedade entoando canções de protesto. Uma das maiores manifestações de que a cidade tem memória. Greve? Movimento operário? Estudantil? Não. Na frente do cortejo segue um caixão, coberto com um pano vermelho, e que vai levado em ombros por Sérgio Godinho, José Mário Branco, Júlio Pereira, Francisco Fanhais, Luís Cília… O desfile, que, não fora a urna, mais parece uma festa, é afinal o funeral de Zeca Afonso. Um mar de gente acompanhando o trovador de Abril à sua última morada. Cumprindo a sua vontade, ninguém usa luto.

“Quando vi aquilo na televisão mal podia acreditar: poderia ser o ‘nosso’ Zeca?” Vinte anos depois de ver o amigo partir, feito “um herói nacional”, o engenheiro António Santos Silva ainda tem dificuldade em compenetrar-se de que o “seu” Zeca veio a tornar-se num símbolo, uma figura quase irreal, um nome de rua, de escola, uma “estátua fria ‘numa praça de gente madura’”, como escreveu no seu livro de 2000 sobre Zeca Afonso, sugestivamente intitulado ‘Antes do Mito’. Para ele, José Afonso continua a ser ainda hoje o seu companheiro de liceu, o “gajo porreiro” que chumbara duas vezes quando se conheceram em 1946. “Era então conhecido como o ‘Torgupês’, por falar uma linguagem na qual baralhava as sílabas. Carlos Couceiro, que chegara de Angola nesse ano, e que também veio a tornar-se engenheiro, era outro dos membros daquela “turma de repetentes”. “Quando falávamos assim, com as sílabas trocadas, ninguém nos entendia, tal era a velocidade”, conta. Os dois velhos amigos estavam longe de imaginar que algum dia aquele rapaz desprendido, “completamente desligado das coisas materiais e sem qualquer sentido prático da vida” viria a ser o Zeca Afonso, conhecido por todos, símbolo da Revolução dos Cravos e referência musical de várias gerações. “‘Que vai ser deste gajo?!’ – era o que a malta pensava”, refere Santos Silva no seu livro.

Percorrendo as ruas da Alta de Coimbra, Santos Silva e Carlos Couceiro, pai do piloto Pedro Couceiro, aceitaram fazer para a Domingo uma viagem no tempo e na memória, recordando alguns dos episódios passados com o ‘seu’ Zeca, na inocência dos verdes anos, quando o jovem estudante dava voz às serenatas e os três saltavam os muros do liceu para penetrar nos bailes aos quais não tinham acesso por falta de dinheiro. Foi na sequência de uma noitada dessas – por sinal, frustrada, já que não tinham conseguido os seus intentos e a noite fora passada no alto do muro à espera que a guarda montada, que patrulhava a avenida, dispersasse – que o jovem Zeca, estoirado pelas emoções da aventura, adormeceu na aula de Ciências Naturais, em plena chamada. “O professor chamou pelo número dele, duas vezes” recorda Santos Silva. “Olhámos. O Zeca dormia profundamente, encostado à parede. ‘Pronto!’, pensei. É desta. Vai ser expulso da aula e chumba o ano. Qual não foi o nosso espanto quando o professor leva o indicador aos lábios e faz: ‘Schiu!’” É que, apesar de “distraído” e “mau aluno”, nas palavras dos seus velhos companheiros, José Afonso seduzia todos pela sua forma de ser autêntica, “sem poses”.

Zeca distinguia-se já entre os seus pares pela sua profunda aversão a qualquer tipo de amarras ou forma de autoridade. Era conhecido o seu horror a polícias que, mais tarde, lhe veio a trazer alguns dissabores assim como a quem o acompanhasse nas ocasiões em que mostrava atitudes provocatórias. Como daquela vez em que seguia no eléctrico e resolveu contar em voz alta uma anedota sobre o então Presidente do Conselho: “Quando se queria falar do Salazar, para que ninguém percebesse, dizia-se o António”, explica Santos Silva. E prossegue: “diz então o Zeca: ‘Olha, sabes, o António tem um cancro… Coitadinho do cancro!” Depois de muito se rirem, os dois amigos apeiam-se do eléctrico, logo seguidos por outro indivíduo. É então que Santos Silva se apercebe que o companheiro ficou para trás: o outro tinha- -o agarrado pelos colarinhos. “O Zeca, à rasca, a tentar escapar e o tipo mostra- -lhe algo na própria lapela: ‘Sabes o que é isto?’. ‘Sei lá o que é essa m….’, responde o Zeca. Aquela ‘m….’ era uma insígnia: o gajo era um PIDE. Não sei como é que ele escapou! Mas ele era assim, dava a volta a toda a gente! Disse ‘m….’ a um PIDE e nem sequer foi preso!”, remata o antigo colega, entre gargalhadas.

Alguns anos antes deste episódio, contudo, muito inocente e longe de qualquer consciência política, o aluno do liceu deslocara-se com uma delegação de estudantes a Braga, para uma comemoração do 28 de Maio, data em que fora implantado o Estado Novo, e participara num momento de euforia no qual a multidão acabara levantando em braços o Marechal Carmona. Uma experiência empolgante, à época, da qual mais tarde se envergonhava, exclamando, quando lha recordavam, com um sorriso meio comprometido: “Tu nem me fales nisso, pá!”
José Afonso vivia então com o irmão mais velho, João, em casa da sua tia Avrilete. Santos Silva era hóspede e lembra que ali se revelou a faceta anticlerical do jovem: “A tia Avrilete era muito devota e ia todos os dias à missa. Um belo dia, à saída da igreja, a senhora caiu e partiu um braço. O Zeca, que estava sempre a gozar com a religiosidade da tia, não perdeu a oportunidade: ‘Está a ver! Devia ter ficado em casa!’. Mas a tia Avrilete apressou-se a garantir que ainda iria agradecer ao Senhor a graça concedida: ‘Podia ter sido pior!’ E o Zeca: ‘Não vá, olhe que ainda cai outra vez! E não é que caiu mesmo?!!”

Em frente à casa da tia Avrilete morava uma jovem costureirinha de origem humilde, Maria Amália, por quem o cantor não tardou a apaixonar-se. Casou à revelia da família e foi instalar-se com a esposa num quarto alugado paredes-meias com o inseparável Santos Silva. Foi ali que conheceram o Dr. Jorge P. com quem os jovens estudantes descobriram o cinema neo-realista italiano e autores como Jorge Amado e Pablo Neruda: “Desconfiávamos que ele era comunista, embora nunca nos tenha tentado ‘engajar’ no partido. Mas com ele assinámos abaixo-assinados a favor dos presos políticos, da Amnistia Internacional… foi, sobretudo para o Zeca, uma iniciação política”. No entanto, quem realmente governava a casa era a mãe do Dr. Jorge P., Dona Guilhermina: “Era uma chupista, via-nos apenas como hóspedes para dar lucro”. A velha senhora, que poupava até na comida que servia para rentabilizar os ganhos, tinha ao seu serviço uma criada chamada Maria, que explorava até mais não. “Era vê-la, às sete da manhã, já a lavar a roupa no tanque do quintal. Pois, certo dia, a moça adoeceu. Tossia que metia dó. Mas a D. Guilhermina, indiferente à febre que lhe rosava as bochechas, recusava-se a chamar um médico”. E então, deu-se a gota de água, conta Santos Silva: “Numa manhã, a Maria Amália foi dar com ela a lavar a roupa no quintal, com um frio de rachar. O Zeca ficou furioso: ‘De certeza que o Dr. Jorge não sabe disto’”. Mas o dono da casa sabia. O desencanto foi demasiado. E José Afonso mudou-se com a mulher para um pequeno apartamento no Beco da Carqueja. Esperavam um filho e a situação financeira era precária. O casamento ressentia-se, não só dos fracos recursos como da diferença cultural entre ambos. Nesse período, os dois grandes amigos de Zeca viviam na República do Sobado Kakulo, e Carlos Couceiro recorda as muitas noites – e manhãs! – em que se deparou com o companheiro deitado, na sua cama, “a dormir ferrado”. “Que remédio tinha eu senão estender um colchão no chão!” E, rindo, conta como o amigo lhe levava a capa e batina “em muito melhor estado que as dele!” e mesmo os sapatos: “Um dia, o tipo até levou um sapato dele e um meu! Dei com ele na Baixa e disse-lhe: ‘Dá cá isso!’ Nem se tinha apercebido.”

Deprimido com as dificuldades financeiras e com o casamento em crise, José Afonso trava um dia conhecimento com uma personagem descrita por Santos Silva como uma espécie de “hippie prematuro”, pelo qual os dois jovens desenvolveram profunda admiração: “Vagueava pelo mundo em busca da ‘luz do nada’. Defendia o despojamento material e tinha preocupações ecológicas”. Estavam criadas as condições para o desenvolvimento de uma corrente filosófica pessoal, a que Zeca deu o nome de Pantrampismo: tudo é trampa. Os amigos chegaram a pensar publicar um jornal que servisse de suporte àquele original paradigma de pensamento. Para a publicação, que nunca chegou a ver a luz do dia, escreveram quadras e sonetos. Mas as circunstâncias da vida não tardariam a separar os três amigos. Estava-se em 1953 e findavam os anos da inocência. Nada seria como antes. Para Santos Silva e Carlos Couceiro, o amor mal sucedido, a falta de dinheiro, os revezes na faculdade, as desilusões com “o mundo real” vieram a ser determinantes no génio criativo que então despertou. Pois, se José Afonso já era então conhecido como um razoável cantor de fados – dando voz às guitarras de António Portugal ou do próprio Carlos Couceiro e às violas de Durval Moreirinhas e Mário Barroso, entre outros –, ainda não começara a escrever nem a compor. Sobrevivia a custo da mesada, algumas aulas particulares que dava e das costuras de Maria Amália que entretanto se empregara à noite no Teatro Avenida a vender doces no intervalo das sessões.

No final dos anos cinquenta, à beira do divórcio e já a dar aulas, Zeca escreve as primeiras baladas. Em Coimbra, todos o conhecem. Frequenta a “ala esquerda” da Brasileira, na qual desponta uma ‘movida’ intelectual. Poetas, jornalistas e artistas fazem ali longas tertúlias. Rui Pato, hoje médico e director do Hospital dos Covões, tinha então 14 anos e desde os 11 tocava viola com vários músicos em casa de António Portugal – um grupo de jovens artistas conhecido como o ‘Portugal dos Pequeninos’. Foi numa das tertúlias da Brasileira que Zeca uma noite exclama: ‘Preciso de uma viola!’ O pai de Pato, jornalista no ‘Primeiro de Janeiro’, responde: ‘O meu filho tem lá uma viola’. E leva “a malta toda lá para casa”. Sentado a um canto, o adolescente observa José Afonso que toca ‘O Menino de Oiro’: “Às tantas, vi que ele estava a engatilhar com aquilo. Muito a custo, lá ganhei coragem e sugeri que talvez conseguisse acompanhar. Tinha aprendido viola clássica e comecei a fazer um dedilhado muito simples mas que caiu ali bem. E o Zeca diz: ‘Esse puto é que me vai acompanhar’! Passado uns dias estava num estúdio de gravação!”

Iniciou-se então a parceria que iria durar até ao final dos anos sessenta, quando Rui Pato acabou por ter de optar entre medicina e a música. Apesar do seu imenso talento, com quota parte de responsabilidade pelo sucesso de Zeca, optou pela primeira. Mas os dados estavam lançados: o menino d’oiro iniciava a sua subida apoteótica rumo à imortalidade. Onde chegou. Mas essa parte da estória, já todos a conhecem…

FILOSOFIA
Ninguém dava muito pelo rapaz, detestava amarras, tinha profunda aversão à autoridade. Zeca até deu nome a uma corrente filosófica: o Pantrampismo; ou seja, tudo é uma trampa. Depois descobriu a música. António Pato acompanhava-o à guitarra.

AS RECORDAÇÕES DE MARIAZINHA
FAMÍLIA APARTADA
A infância de Zeca ficou marcada pelas partidas dos pais e irmã mais nova, Mariazinha, para Timor e depois para Moçambique. Depois dos primeiros anos em Angola com toda a família junta, permanecia longos períodos em casa de familiares com o irmão mais velho João, em Belmonte e em Coimbra. Mariazinha, hoje com 75 anos, recorda as difíceis separações: “Eu era muito ligada ao Zeca. O meu irmão João era mais fechado. Lembro-me de um almoço em Lisboa, antes da nossa partida para Moçambique. As lágrimas corriam-me pela cara. Quase tiveram de me arrancar de junto dele.” Mas a relação entre os dois irmãos manteve-se sempre. Foi Mariazinha que, juntamente com os pais, acabou por “criar” os filhos mais velhos de Zeca que, ironicamente, cresceram longe dos pais, tal como ele próprio crescera. Numa ocasião, Zeca foi a Moçambique visitar a família. Acabou por lá ficar 24 horas. Foi levado pela PIDE. Quando regressou a Portugal, Mariazinha assistiu a alguns concertos, como o do Coliseu: “Tremiam-me as pernas. Eu nunca via serenamente os espectáculos do meu irmão”. Acabou por acompanhá-lo mais regularmente na última fase da sua vida. No dia do enterro, quando viu a multidão e tomou noção da dimensão atingida por Zeca, ficou “assombrada”. E recorda as palavras do filho naquela tarde: “Mãe, o tio Zeca já não é nosso”.

GRÂNDOLA VILA MORENA
A HISTÓRIA DO HINO
De todas as canções de Zeca que ficaram para a história da música portuguesa, ‘Grândola Vila Morena’ ficou como ícone incontornavelmente associado à liberdade.Hélder Costa, hoje director artístico do Teatro A Barraca, natural daquela vila alentejana, contou à Domingo a estória da canção que serviu de senha aos militares de Abril: “Na primeira metade dos anos 60, o País estava em polvorosa. As lutas estudantis de 62 tinham desencadeado um movimento de greves operárias e, em Grândola, a Sociedade Fraternidade Operária Grandolense fazia mexer toda a região”. Espectáculos de teatro, concertos e happenings sucediam-se na colectividade também conhecida como ‘Música Velha’. Foi ali que Hélder Costa, que estudava em Coimbra, levou, em Maio de 64, dois artistas já conhecidos para fazer um espectáculo com um programa aliciante: “Primeira parte – Carlos Paredes; segunda parte – Zeca Afonso”.Impressionado com o ambiente de solidariedade e luta que se sentia na ‘Música Velha’, o músico regressou a casa e dois dias depois enviou uma carta a um dos directores da Sociedade, José da Conceição. Nela vinha um conjunto de quadras: o original de ‘Grândola Vila Morena’. “E não é que o sacana perdeu a carta?!”, exclama Hélder Costa. Mesmo assim, a canção nasceu, foi orquestrada em Paris vários anos mais tarde por José Mário Branco… e o resto faz parte da História.

EM CD DUPLO
REGRESSO DO CANTOR
Os 20 anos da morte de Zeca são pretexto para numerosas manifestações de Norte a Sul do país, entre espectáculos, debates e edições de discos. A Farol Música lança agora a reedição de uma colectânea cujo original saiu em 1983 sob a chancela da Orfeu, em triplo disco de vinil, pela primeira vez em Portugal. São trinta canções, datadas entre 1968 e 1981.

A CANÇÃO DE NOBRE GUEDES
‘VENHAM MAIS CINCO’
José Afonso foi um homem indiscutivelmente ligado à Esquerda, embora sempre se tenha recusado a ser arrumado em qualquer partido. Apesar disso, a sua dimensão universal permitiu-lhe granjear admiradores em todas as cores do espectro político. Luís Nobre Guedes, um dos rostos mais conhecidos do CDS-PP, é um deles e até chegou a eleger ‘Venham Mais Cinco’ como a sua canção favorita. Não poupa elogios a Zeca que define como “um poeta extraordinário e um músico fantástico”, dotado de “uma voz belíssima”. Lembra-se de o ouvir ainda no tempo do antigo regime, numa “rádio meio-clandestina que havia aí” e possui mais do que um disco daquele “grande artista”. A quem possa estranhar que um homem assumidamente de Direita goste tanto de um cantor de posição radicalmente oposta à sua, Nobre Guedes responde sem rodeios: “A arte não é de Esquerda nem de Direita!”

Myriam Zaluar | 2007-02-18

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Homenagens e tributos (2007)
17/02/2007By AJA

O Andarilho das Bruxas – Homenagem no Sport Clube Português em Newark | E.U.A.

PROGRAMA

~ Poesia ~

Paula Seca

Ary dos Santos
“O Sangue das Palavras”
“Cantiga de Amigo”
“Meu Amor, Meu Amor”
Manuel Alegre
“Do Poeta ao Seu Povo”
“Soneto”
“Explicação do País de Abril”

Sila Santos

“Traz Outro Amigo Também”
“Vejam Bem”
“A Morte Saiu à Rua”
“Menino do Bairro Negro”
“Balada do Outono”

~ Música ~

Jorge Quaresma

“Milho Verde”
“Moda do Entrudo”

Luís Manuel

“Grândola, Vila Morena”

Fátima Santos

Lucho Barrios “Unico Que Tengo”
“Traz Outro Amigo Também”
“Canto Moço”
“Vejam Bem”
“Canção de Embalar”
Teresa Silva Carvalho /Almeida Garrett “Barca Bela”
Fito Paez “Yo Vengo Oferecer Mi Corazon”

José Luis Iglésias
“Os Fantoches de Kissinger”
“A Morte Saiu à Rua”
“Vejam Mais Cinco”

Sport Club Português 51-55 Prospect Street Newark, NJ 07105

Contactos: Fátima Santos, musicanocoracao1@hotmail.com, www.fatimasantos.com

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Documentários
17/02/2007By AJA

Documentário sobre José Afonso na RTP | 22 de Fevereiro

A RTP irá transmitir um documentário sobre José Afonso na 5ª feira, 22 de Fevereiro.
RTP 1 – 00:30 RTP Internacional – 21:45

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Helena LangrouvaTestemunhos
17/02/2007By AJA

Nos 20 anos da partida de Zeca Afonso, por Helena Langrouva

Um trabalho antigo a refundir e um projecto avançado, a aguardar apoio. No próximo dia 23 de Fevereiro passam vinte anos sobre a morte de Zeca Afonso. Parece que o tempo tem contribuído para guardar a sua memória. Porque não está esquecido, nos jornais, nos meios de comunicação social, nas sessões de homenagem.

Quando, em 1978-1979, eu preparava, na Universidade de Paris III – La Sorbonne Nouvelle – a minha pós-graduação – D.E.A – em Estudos Portugueses e Brasileiros- opção Literaturas, no qual se estudava, com o prestigiado Professor Raymond Cantel, literatura de cordel brasileira e poesia popular brasileira, propus fazer uma sessão de seminário sobre a poesia cantada do cantautor José Afonso. Fiz um trabalho de pesquisa e reflexão sobre a obra de José Afonso que não chegou a ser publicado nem em francês nem em português nessa época. Já me foi pedido recentemente que refundisse e actualizasse o texto para ser publicado nas duas línguas. Os inúmeros compromissos que me têm ocupado nestes últimos anos em que, trabalhando sempre sozinha, publiquei finalmente quatro dos meus livros – que reúnem trabalho de uma vida – e trabalhei durante um ano para o volume de Homenagem ao Professor Luís de Sousa Rebelo- Humanismo para o nosso Tempo, não me foi possível tirar uns meses para refundir e actualizar esse meu trabalho sobre José Afonso. Espero fazê-lo ao longo deste ano, depois de concluir entretanto outros compromissos que ainda me esperam.

Entretanto, em 2000, elaborei todo um projecto diferente sobre José Afonso que foi reelaborado e refundido em 2005-2006, para o qual tive, em 2006, o apoio do Prof. Mário Vieira de Carvalho, Secretário de Estado da Cultura. O projecto não foi para a frente em 2006 – era para sair em 2007, nos vinte anos da morte de José Afonso – por falta de subsídios e porque os músicos que convidei para trabalhar comigo exigiam ser muito bem pagos. Tenho esperança de conseguir, através de uma Associação que me apoie, a aquisição de fundos para que tão belo projecto se realize.

Procurei conhecer José Afonso para me ajudar no meu trabalho sobre a sua obra. Eu vivia no estrangeiro e vinha passar férias a Sintra. Então lembro-me de um amigo o acompanhar um dia, no verão de 1978, a Sintra, para nos encontrarmos e falarmos sobre a sua obra. Já a sua saúde começava a ficar debilitada, mas a chama da sua alma do maior génio da música popular portuguesa espraiava o seu fulgor até ao fim, em encontros que se prolongaram durante alguns anos. Esses encontros cimentaram a procura de entendimento da sua obra e contribuíram inesperadamente também para eu ser por ele reconhecida como a pessoa diferente de todas as que o rodeavam – “amiga súbita e diferente”, escreveu na dedicatória de um dos livros das suas canções, então editado por Viale Moutinho. Diferente, penso eu – nunca lhe perguntei a razão – porque estava apenas comprometida comigo própria a tentar entender a sua obra para também a transmitir nas minhas aulas, no tempo em que fui leitora na universidade de Rouen, França, e para escrever o melhor possível o meu estudo.

De regresso a Portugal, eu morava em Colares – Sintra e, ao tentar experimentar todos os graus de ensino, concorri para ser professora de Português e História do então Ciclo Preparatório, na escola Sarrazola, Colares. Para grande surpresa dos meus colegas, uma boa parte das minhas aulas de português, para crianças e jovens adolescentes do ciclo preparatório era o estudo, seguido de canto em coro de canções de Zeca Afonso que ecoavam pelos corredores da Escola. Não me livrei de comentários, porque as pessoas não entendiam por que razão eu tomava esta liberdade. Não raro os alunos diziam no início de cada aula: “Então, stora, qual é a canção para hoje?” E deliciavam-se com a beleza e o sentido profundo das palavras, as melodias a que eram tão permeáveis.

No fim do ano escolar de 82-83, a escola Sarrazola de Colares organizou uma festa no espaço de uma antiga colónia de férias que pertencia então à Quimigal, perto de Almoçageme. Como os ouvidos de toda a gente já se tinham habituado às canções de Zeca Afonso, cantadas em coro pelos meus alunos, pensei que o melhor seria levar folhas para distribuir pelas cerca de quinhentas pessoas entre alunos, professores e funcionários da escola, para a nossa festa. Os meus alunos acharam que era uma excelente ideia. Então eles constituíram-se em vários núcleos espaçados no meio de todos os outros e distribuíram as folhas com as canções de Zeca Afonso, por colegas, professores e funcionários. Para grande alegria e surpresa nossa conseguimos – os meus alunos e eu – pôr toda a escola Sarrazola de Colares a cantar em coro canções de Zeca Afonso. Ele também recebeu esse documento que foi distribuído na festa e soube com muito agrado deste acontecimento que em princípio terá sido único, pelo menos até àquela data, em Portugal. Para mim foi uma experiência extraordinária pôr toda uma escola a cantar.

Estudei canto popular, canto litúrgico, canto gregoriano e canto lírico muito a fundo, ao longo da vida, lutei com muitas dificuldades, tudo à minha custa, com muitas vicissitudes para arranjar acompanhadores, mas nunca desisti, participei em concertos. Em França, os meus amigos gravaram muito do que eu cantava a solo.

O meu maior respeito pela presença única de José Afonso como cantor e autor levou-me a não lhe dizer que eu também cantava. Limitei-me a ouvir o que ele dizia já para o fim da sua vida, quando, para o seu último disco- Galinhas do Mato- convidou cantores e cantoras para cantarem algumas das canções que ele já não podia cantar. E ele dizia, a propósito de uma canção cantada por Helena Vieira: “Afinal escrevo canções que dão para todo o tipo de vozes, até de pessoas, como a Helena Vieira, que cultivam o canto lírico clássico”. Esse foi um dos discretos desafios, entre muitos outros que Zeca Afonso me deixou para sempre.

Espero que os meus dois projectos sobre José Afonso avancem e possam sair até finais deste ano de 2007 ou mais tarde, se for possível e se conseguir apoio financeiro, através de uma Associação que me ajude para este fim. Fica aqui o apelo.

Helena Santos C. Langrouva (14.02.2007).

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Homenagens e tributos (2007)
17/02/2007By AJA

Um apanhado…

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Elfried EngelmayerPoesia
17/02/2007By AJA

Claro e escuro, mas não a preto e branco

Toda a verdadeira obra de arte está sujeita à acção do tempo, que se encarrega de a lapidar até ela revelar o seu valor intemporal. Por isso, muitas vezes, quando um artista morre, entra numa espécie de limbo. Os que partilharam os problemas sociais e políticos a que ele deu expressão ficam ligados, também emocionalmente, a essa obra. Mas às gerações mais novas – e tendo em conta, como é óbvio, os vinte anos que já passaram sobre a morte do Zeca – falta essa vivência, essa referência. Paradoxalmente, para se descobrir e redescobrir o que a obra de José Afonso realmente significa para Portugal, ainda é preciso algum tempo e, sobretudo, trabalho. Um trabalho que o leve aos mais novos, às escolas, que ultrapasse de longe (mas sem o ignorar!) o conhecimento rudimentar de algumas das canções mais populares, que o valorize não só como músico genial, mas também como poeta e artista que, como poucos, se soube renovar ao longo das décadas e demonstrou uma sensibilidade sismográfica em relação aos problemas do seu tempo. Ou seja: um trabalho de memória que não o transforme numa múmia, um trabalho científico que não o aprisione em grelhas interpretativas, um trabalho pedagógico que não o torne numa chatice. Uma festa viva, plural, tumultuária.
Há quem diga que o Zeca foi um gigante. E, de facto, essa coincidência rara do criador musical com o poeta e intérprete já em si o torna numa figura de excepção. Mas os que o conheceram gostariam com certeza de lembrar mais um dos seus dons que atravessa todos os outros aspectos da sua vida. Falo da sua pureza humana (não confundir com ingenuidade). Ele soube não esconder a criança que existia em si, não rasurar medos, e por isso não criar muros entre si e os outros. Essa parece-me a fonte da sua sensibilidade e solidariedade, do seu sentido de justiça. E essa também é uma das razões por que a sua obra, depositária da sua dimensão humana, sobreviver quando já nenhum dos que conviveram com ele esteja vivo.
Ao olharmos de perto os textos líricos de José Afonso, há os que parecem simples, mas poucas vezes o são, (como exemplo mais conhecido, “Grândola, vila morena”) e cuja pretensa simplicidade vem do facto de serem facilmente cantáveis. Outros, herméticos, que, além de nos exigirem o conhecimento das circunstâncias em que nasceram, também do ponto de vista musical só dificilmente são assimiláveis, como por exemplo “Era um redondo vocábulo”. E ainda há os muitos outros, não musicados, quase desconhecidos, à espera de reconhecimento por parte de uma crítica literária preconceituosa para a qual a rotulagem de José Afonso como cantor político serve de motivo para o ignorar como poeta.
Alguns dos seus textos, inspirados em formas populares, de facto parecem simples. Mas será que a poesia popular alguma vez foi simples? Para prova em contrário basta a leitura atenta dos Cancioneiros. E basta também pegar num dos poemas do Zeca, de cariz mais popular, para percebermos a sua mestria formal e densidade poéticas. Cito, a título de exemplo, a “Canção de embalar” do LP Cantares do andarilho (1968):

Dorme meu menino a estrela d’alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber ser p’ra ti

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvir s cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar

Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d’alva o seu fulgor

Perde a estrela d’alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu’inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer

Essa densidade que acabei de referir deve-se ao uso, nas quatro estrofes com versos de nove sílabas, à chamada técnica de leixa-pren que retoma elementos do último verso de uma estrofe para os integrar e alargar no primeiro verso da estrofe seguinte. Assim nasce um tecido textual em que o fim do poema remete outra vez para o início. A voz do adulto tem a função de sossegar a criança, de a acompanhar na sua viagem para o sono, mas ao mesmo tempo as imagens poéticas ganham uma autonomia e grandeza que ultrapassam a compreensão do menino. A estrela d’alva, visível ao amanhecer, é o planeta Vénus, também denominada de estrela da tarde, visível ao cair da noite. É a ela que o cantor delega a protecção da criança e, por ela ainda não ter aparecido, a substitui. Mas essa substituição , ao nível do texto, é dupla. Outra estrela tomar o lugar da estrela d’alva na ausência dessa, porque a criança, para não se sentir abandonada na noite, necessita, se não da luz concreta e real, pelo menos da ideia da permanência. Por isso, a voz do cantor evoca as trovas e cantigas, pondo todo o universo nocturno ao serviço do menino e colocando-o numa espécie de redoma para que nada de mal lhe possa acontecer. Ao prometer a estrela para a manhã seguinte ele garante a restituição da ordem visível em que a criança se move.
A estrela d’alva é o elo entre a noite e a manhã, a maior estrela no céu na perspectiva humana, mas no fim do poema o cantor torna-a pequena, à dimensão da criança, para a integrar no seu mundo infantil, tal como procede com a noite, transformada em menina cansada.
A singular beleza desta “Canção de embalar” reside na sequência das suas imagens, em que o ponto de partida é o menino pequenino, para depois evocar o universo todo e, no final, reduzi-lo ao tamanho de uma criança: um acto de amor transformado em cantiga.
Num texto lírico não musicado, “Fui ontem ao Norte”, que deve ter sido escrito nos anos que precederam o 25 de Abril, ou seja, em proximidade temporal com a “Canção de embalar”, o tema da opressão política invade a linguagem poética e torna-a hermética.

Fui ontem ao Norte
era ainda cedo
guizos tremiam numa feira de gado
Caras extintas por dentro
Caíam das janelas
Perguntei se era ali
a batina do cacique
a mentira das reses
nos açougues
Ao longo da torreira
Cresciam as uvas
De súbito
fechei os olhos
Sons estridentes
rompiam as paredes
Duma casa em ruínas
A suástica luzia
num círculo
de sinais obscuros
Como a morte
Fez-se noite
Ergui o punho
À onda que passava

À primeira leitura, o poema parece “contar” um incidente numa aldeia algures no norte do país em que a irrupção dos sinais do fascismo contradiz uma aparente calma e pacatez. No entanto, deste o início do texto o tom é tudo menos idílico, porque não existe voz humana a acompanhar o tinir alegre dos guizos, e as “caras extintas por dentro” acusam uma ameaça não expressa. O único ser humano que fala é o elemento que vem de fora, o “eu lírico”, um intruso que ousa fazer perguntas acerca do cacique (de batina…) e do gado que vai ao engano para o açouge, uma provocação a que ninguém responde.
E é exactamente neste momento que o texto passa para um nível diferente. Porque, como é que se exprime, em palavra poética, o que não é expresso em palavras? Como se torna visível a indesmentível verdade da opressão? José Afonso opta por um paradoxo. Ao fechar os olhos, como se fosse no negativo de uma fotografia, o que estava oculto sobressai iluminado na sua mente. Sons estridentes sobrepõem-se aos guizos, e a suástica fala mais alto do que o silêncio das caras extintas. Esta imagem é tão forte que inverte as leis da natureza, porque, de repente, a morte ensombra a manhã transformando-a em noite. O punho erguido, sinal de resistência, surge no fim do poema como única resposta possível, não verbal, a uma realidade em que a palavra desapareceu, uma imagem tanto mais expressiva se considerarmos as muitas outras imagens de resistência na poesia de José Afonso. Nomeadamente nos textos musicados, ele invoca a própria cantiga ou a voz do cantor como portadoras de esperança e da vontade de continuar a luta. Mas neste poema, a lógica textual exclui a voz audível como contraponto ao silêncio opressor. A imagem fica: “No pasaran!”
Os dois poemas que escolhi – e que, recordo, terão sido escritos num arco temporal muito fechado – revelam uma fascinante contradição. O primeiro, ao anoitecer, é um texto luminoso. O segundo, à torreira do sol, é um texto ensombrado (não sei se não deveria antes dizer assombrado). Na sua dimensão poliédrica, está neles presente o cunho inconfundível do autor, o seu DNA. E só me resta esperar que as entidades que procuram identificar o genome literário sejam mais rápidas do que as suas congéneres na biologia – que se vão agora dedicar ao cavalo (animal que aliás muito prezo).


Elfriede Engelmayer
(Texto para o debate “José Afonso, a obra poética”, integrado na iniciativa “Com José Afonso, 20 anos de caminho”, organizada pela AJA-Norte (Núcleo da Associação José Afonso) e o Clube Literário do Porto. Porto, CLP, 16 de Fevereiro de 2007
)

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Homenagens e tributos (música)Imprensa
16/02/2007By AJA

Um outro Zeca Afonso em Macau

“Um Redondo Vocábulo” é o título do espectáculo promovido pela Casa de Portugal em Macau que João Afonso e João Lucas irão protagonizar a 15 de Fevereiro e que percorrerá canções menos conhecidas de Zeca Afonso.

Com bilhetes entre os 10 e os 15 euros, o espectáculo decorrerá no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau e de acordo com a organização será um concerto “intimista” que contará com a voz de João Afonso (sobrinho do malogrado cantor) e com a música ao piano de João Lucas.”Viajando entre os temas oníricos da primeira fase musical de Zeca Afonso, com baladas como “Pombas Brancas” e outros de um surrealismo Afonsino marcado, de que são exemplo “Redondo Vocábulo”, “Papuça” e o inédito “Bombons Todos os Dias”, entre outros, o recital mergulha numa linguagem musical nova e intensa”, lê -se na nota explicativa do concerto.Escolhidas pessoalmente por João Afonso, as músicas do alinhamento do espectáculo percorrem cronologicamente “canções menos conhecidas e mais intimistas de José Afonso”.Além de Macau, os dois músicos seguem depois para a Tailândia onde repetem a actuação na Embaixada de Portugal na capital tailandesa numa iniciativa que conta com o apoio do Centro Cultural Português daquela cidade.As receitas do concerto em Macau revertem a favor do projecto de construção de uma escola em Timor-Leste, uma iniciativa da Casa de Portugal, que em 2006 se deslocou àquele país numa visita mista de turismo e apoio com a distribuição de bens aos jovens e crianças timorenses.
Notícia do “Ponto Final” portal do diário de Macau

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Homenagens e tributos (2007)Imprensa
16/02/2007By AJA

Clube Literário do Porto homenageia José Afonso

Clube Literário do Porto homenageia José Afonso no mês em que se assinala 20 anos sobre a sua morte
Estrela na constelação da utopia«20 Anos de Caminho» é o tema da homenagem organizada pela Associação José Afonso e que decorre até amanhã no Clube Literário do Porto. O serão de anteontem foi dedicado aos testemunhos de dois grandes amigos do cantautor, Alípio de Freitas e Benedicto Garcia Villar.

Goreti Teixeira
O dia foi dos namorados, mas a noite foi dedicada a lembrar aquele que ainda hoje é considerado um dos mentores da música de intervenção em Portugal: José Afonso. Este ano assinalam-se 20 anos sobre a sua morte e, um pouco por todo o País, as iniciativas sucedem-se para recordar não só o músico, mas o homem e militante político que utilizou a música como instrumento de luta em prol de um mundo melhor. Anteontem, o Clube Literário do Porto abriu as suas portas à homenagem «20 Anos de Caminho», organizada pela Associação José Afonso, que termina amanhã, com um debate em torno da música e para o qual foram convidados Francisco Fanhais e José Mário Branco. Em vez das rosas, os cravos vermelhos decoravam a sala. Em vez da música romântica ecoava a «Grandola, Vila Morena» através de uma gravação inédita que registou a primeira vez em que o tema foi cantado na Galiza. Sentados à mesma mesa estiveram Alípio de Freitas, presidente da associação, e Benedicto Garcia Villar, cantor galego, que durante anos acompanhou José Afonso. Ao longo de mais de uma hora, ambos falaram das suas vivências pessoais com o cantautor. Alípio de Freitas recusou-se a falar especificamente da obra, pois não se considera um estudioso “como aqueles que organizaram toda uma teoria sobre o Zeca e que jamais lhe teria passado pela cabeça, porque ele nunca planeou nada. Ia avançando de acordo com a sua percepção e, por isso, esteve sempre no lugar certo”, disse o orador que, aos 26 anos, parte para o Brasil, onde começou a sua grande experiência de vida. “Fui preso, torturado, exilado, lutei contra a ditadura na América Latina e só ouvi falar de Zeca Afonso quando, depois de ter enviado uma carta para Portugal, me apercebi que do outro lado estava alguém que se preocupava com a luta que estávamos a travar”, explica. Mas apesar da distância e do desconhecimento, Alípio de Freitas recorda que a primeira vez que o viu, em 1980, “abracei-o e achei que o tinha reencontrado e não que o estava a conhecer”. Um sentimento mútuo que perdurou até aos últimos dias de vida do músico, quando Alípio se tornou o seu repórter pessoal lendo-lhe todos os jornais e revistas, contando-lhe as intrigas políticas, “porque grande parte das pessoas que o visitavam pareciam que estavam num funeral”, constata. “Com ele – continua – aprendi imensas lições: a da solidariedade, a da amizade e do estar atento ao mundo que me rodeia e compreendi o sentido de todas as suas canções, porque nada nele foi casual”. Para este amigo, José Afonso, assim como Camilo Torres, Che Guevara, Adriano e outros nomes mais que “deram a vida pela utopia, por um mundo melhor” não estão em parte incerta, são “estrelas na constelação da utopia e, destas estrelas, os astrónomos não percebem nada”, assegura.
Benedicto Garcia VillarCompanheiro de ViagemJuntamente com José Afonso, Benedicto Garcia Villar andou, segundo Alípio de Freitas, “a incomodar aqueles que eram os senhores do poder e só não o fizeram mais porque não lhes foi permitido”. Um privilégio que o ex-cantor galego afirma “não se poder resumir em palavras”. Para complementar o seu testemunho pessoal trouxe um conjunto de documentos escritos e áudio e fotografias inéditas que são o registo dos muitos momentos vividos por ambos e que intitulou de «História de uma amizade incombustível». A primeira vez que ouviu José Afonso foi através do disco «Traz outro amigo também» e, juntamente, com um grupo de amigos partiu em direcção a Portugal para o conhecer.

Notícia da edição on-line do “Primeiro de Janeiro” 16 de Fevereiro de 2007

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Homenagens e tributos (2007)
15/02/2007By AJA

José Afonso em Guimarães

HOMENAGEM A JOSÉ AFONSO
23 E 24 DE FEVEREIRO 2007
CENTRO CULTURAL VILA FLOR GUIMARÃES


PROGRAMA

Dia 20 CINEMA 22h00
Continuar a Viver (Os Índios da Meia Praia) de António da Cunha Telles com Fernando Romão, José Romão, José Veloso Pequeno auditório

Integrado na Homenagem a José Afonso, o Cineclube de Guimarães apresenta o filme de António da Cunha Telles, “Continuar a Viver” (Os Índios da Meia Praia) com música de José Afonso. Cunha Telles filmou a experiência levada a cabo após o 25 de Abril de 1974 na comunidade piscatória da Meia Praia, em Lagos. Entre 74 e 76 foi ensaiado um projecto que implicou a substituição das casas tradicionais por moradias de pedra e a tentativa de criação de uma cooperativa de pesca.

Dia 23 EXPOSIÇÃO
“O que faz falta”
MUNDO DA CANÇÃO
Grande auditório

Dia 23 TEATRO/CONCERTO 21h30
MENINO D’OIRO – Vida de José Afonso
Dramaturgia/Encenação de Gil Filipe
Grande auditório

Participação Teatral: TERB; G.T. Coelima; G.T. Campelos; G.T. Citânia Associação Juvenil
Participação Musical: Dino Freitas, Zecafusão – Let the Jam Roll, Ajaforça, Manuel Abreu, Carlos Cunha, Academia de Música Valentim Moreira de Sá, Luís Almeida, Amigos de Guimarães, Tun’obebes, Nicolinos

Dia 24 Concerto 15h30
Banda Militar do Porto
Pequeno Auditório

Dia 24 Teatro 16h30
“O Incorruptível”
de Hélder Costa com interpretação de Gil Filipe
Pequeno auditório

Dia 24 Debate 17h30
Vida e Obra de José Afonso
Alípio de Freitas, Mário Barradas, José Mário Branco, Hélder Costa, José António Gomes
Pequeno Auditório

Dia 24 Concerto 21h30
“Maio Maduro Maio” (José Mário Branco, Amélia Muge e João Afonso) e Ardentía
Poesia de Manuela de Freitas
Grande auditório

Durante o mês de Fevereiro
“Pão com sonho” – pavico
Sacos de pão com biografia e poemas de José Afonso

Organização
Círculo de Arte e Recreio
Associação José Afonso
Associação 25 de Abril
A Oficina

Apoios
Câmara Municipal de Guimarães
CICP – Centro Infantil e Cultural Popular
Convívio
Associação Académica da Universidade do Minho
Cineclube de Guimarães
Pavico
Academia de Música Valentim Moreira de Sá

Bilhetes à venda
Centro Cultural Vila Flor
http://www.aoficina.pt/

Preços
Sexta-feira 10 €
Sábado 15 €

Contactos
Telf. 253 424 700
Fax 253 424 710
E-mail geral@aoficina.pt

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Homenagens e tributos (2007)
15/02/2007By AJA

Tributo a José Afonso no Bar Café do Mercado da Ribeira em Lisboa

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Homenagens e tributos (música)
15/02/2007By AJA

A formiga no carreiro

A FORMIGA NO CARREIRO (25 Canções para Abril) é um espectáculo musical construído sobre Canções de José Afonso.

Com um formato intimista (interpretado por um trio de músicos), A FORMIGA NO CARREIRO (25 Canções para Abril) visa corresponder a apresentações configuradas tanto para Teatros como para pequenas Salas ou Auditórios. Contando com a Encenação e Guião de Carlos Clara Gomes (que também integra o trio de músicos como cantor e guitarrista), A FORMIGA NO CARREIRO (25 Canções para Abril) pretende assinalar os 20 anos sobre a morte deste importante marco da recente História de Portugal que foi José Afonso, enquanto contextualiza a
sua obra e o seu envolvimento político e histórico.
Estas 25 canções de Abril ilustram publicamente o recriar duma matéria-prima cujo princípio activos são pedras preciosas. Ilustrando a vocação internacionalista de Zeca, os restantes componentes do trio são o pianista angolano André Varandas e a percussionista uruguaia Sandra
Ramírez.

Companhia De Mente
Rua Moita Dianteira, Lote 4 1ºD, 3505-416 FRAGOSELA DE CIMA
VISEU – PORTUGAL
companhiademente@gmail.com – Tel. 232488425 / 919822930

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Homenagens e tributos (2007)
14/02/2007By AJA

José Afonso em Odivelas

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Homenagens e tributos (2007)Imprensa
14/02/2007By AJA

Guimarães homenageia José Afonso vinte anos depois da sua morte

Durante dois dias, o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, será o palco das várias iniciativas do programa de «Homenagem a José Afonso», organizado em parceria com outras entidades. Concertos, exposições e colóquios são alguns dos eventos previstos, ontem anunciados em conferência de imprensa.

Goreti Teixeira
A 23 de Fevereiro de 1987, a voz daquele que ainda hoje é considerado um dos mentores da música de intervenção em Portugal deixou de se ouvir. José Afonso morreu vítima de doença incurável, mas nem por isso o legado musical que deixou se perdeu no tempo e são muitos os que ainda o recordam com saudade.No próximo dia 23 deste mês assinalam-se 20 anos sobre a sua morte e, um pouco por todo o País, são muitas as iniciativas que visam lembrar a data. A Oficina/Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães apresentou, ontem, em conferência de imprensa, o programa de «Homenagem a José Afonso». Em representação das entidades organizadores estiveram José Bastos (A Oficina), Tino Flores (Círculo de Arte e Recreio), Paulo Esperança (Associação José Afonso) e Rui Guimarães (Associação 25 de Abril). A programação inicia-se com a exibição do filme «Continuar a Viver» (Os Índios da Meia Praia), no dia 20, no Cineclube de Guimarães, pelas 22h00, sendo que os pontos altos da homenagem acontecem entre os dias 23 e 24. Assim sendo, a 23, será inaugurada, no grande auditório, a exposição «O que faz falta» que incluirá livros, discos, objectos e documentos pessoais do cantor, seguida do espectáculo teatral e musical «Menino D’Oiro», com dramaturgia e encenação a cargo de Gil Filipe.No dia 24, pelas 15h30, a Banda Militar do Porto actua no pequeno auditório e, uma hora depois, Gil Filipe sobe ao palco para protagonizar a peça «O Incorruptível», de Hélder Costa. Ao final da tarde, pelas 17h30, «A Vida e Obra de José Afonso» será o tema central do debate que contará com as intervenções de Alípio de Freitas, Mário Barradas, José Mário Branco, Hélder Costa e José António Gomes. A homenagem termina com a música de José Mário Branco, Amélia Muge e João Afonso num concerto intitulado «Maio Maduro Maio», às 21h30, no grande auditório. A noite conta ainda com a presença da poesia de Manuel de Freitas e do grupo Ardentía.Além do programa do CCVF, a empresa de panificação Pavico e a Biblioteca Municipal Raul Brandão protagonizam, durante todo o mês, a iniciativa «Pão com Sonho» que tem distribuído milhares de sacos de pão com dados biográficos e alguns poemas do cantautor.

Notícia do “Primeiro de Janeiro” 14.2.07

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Homenagens e tributos (2007)
14/02/2007By AJA

José Afonso no Entroncamento

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DiscografiaImprensa
13/02/2007By AJA

A música de Zeca num duplo CD

Dar a conhecer às gerações mais novas a obra de José Afonso é um dos objectivos da reedição pela Farol de um duplo CD com 30 canções de José Afonso, cuja morte ocorreu há 20 anos.Esta edição, nas lojas na próxima semana, “é aquela que melhor resume a carreira de José Afonso, abrangendo desde a canção de Coimbra à de intervenção política”, disse à Lusa João Miguel Almeida, director-geral da Farol.”O alinhamento da edição original foi do próprio Zeca Afonso – esclareceu – pelo que não fomos autorizados a fazer alterações, para além de termos melhorado o aspecto gráfico”. “Natal dos simples”, “Menina dos olhos tristes”, “Verdes são os campos”, “Eu vou ser como a toupeira”, “Coro dos tribunais” ou “Grândola, vila morena”, são alguns dos temas incluídos na colectânea licenciada pela Movieplay Portuguesa à Farol.João Miguel Almeida sublinhou “o papel pedagógico e cultural” desta reedição, na medida em que pretende “dar a conhecer às gerações mais novas um marco fundamental da música popular portuguesa”. A edição do duplo CD insere-se no projecto da editora em realizar antologias de nomes fundamentais da música portuguesa, explicou o mesmo responsável, adiantando que Fernando Tordo “é um dos nomes na calha”.
in Jornal de Notícias

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Homenagens e tributos (2007)
13/02/2007By AJA

José Afonso em Viana do Castelo

Neste ano de 2007, cumprem-se 20 anos sobre a morte do compositor e cantor português Zeca Afonso, figura que deu grande contributo à cultura em Portugal e no mundo.
Está em preparação um grande espectáculo musical sobre a sua vida e obra. Um espectáculo pleno de luz e cor, com uma banda de oito músicos (piano, 2 guitarras, baixo, acordeão, saxofone, trompete, bateria) e cinco cantores, que percorrerá toda a vasta obra poética e musical de José Afonso. A banda fez os seus próprios arranjos, sob a direcção musical de Ricardo Pinto.

Este espectáculo terá como cantor principal José Carlos Barbosa, também “Zeca”. Nasceu em Viana do Castelo, em Agosto de 1956. Desde muito novo acompanhou a evolução da música portuguesa, particularmente dos compositores e cantores da resistência. Desde sempre cantou por todo o norte de Portugal, em diversos espaços públicos, tendo gravado e editado em 2003, um trabalho em CD, “Sentidos Afectos”, com a participação de João Afonso. Trata-se de um percurso pela poesia portuguesa ligada aos afectos.
Este evento conta com a colaboração, entre outros, da Associação José Afonso, que se dedica à preservação e divulgação, nas suas múltiplas facetas, da personalidade e obra do artista e do homem que agora recordamos.

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Homenagens e tributos (2007)
13/02/2007By AJA

José Afonso em Faro

Com o apoio da Câmara de Faro, no próximo dia 27 de Fevereiro, pelas 21.30H vai decorrer em Faro, no Club Farense, uma homenagem a Zeca Afonso, evocando os 20 anos do seu falecimento.
Protagonizarão esta homenagem os artistas Afonso Dias e Francisco Fanhais.

Clube Farense
Morada: Rua de Santo António
Telefone: 289 822 324

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Imprensa
11/02/2007By AJA

…o Zeca Afonso com a matéria que sobrou…

Retirado da revista “Pública” 4 de Fevereiro 2007
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Testemunhos
11/02/2007By AJA

“O filho do povo, com nobreza e com modernidade”

Depoimento de Eduardo Luís Cortesão a JC Pereira

Em 1988 – um ano após Zeca Afonso ter partido, em viagem, para o outro lado da terra (expressão que, semanticamente, parece representar a palavra “utopia”) –, tive a grata oportunidade de entrevistar para um programa da Rádio Felgueiras uma outra figura proeminente do reportório nacional, Eduardo Luís Cortesão, professor catedrático de Psiquiatria, psicanalista, falecido em 1991, e que muito se notabilizou por ter fundado, em 1958, e desenvolvido o Grupo de Estudos de Grupanálise em Portugal.
Na altura, Eduardo Luís Cortesão pertencia a um dos órgãos sociais da AJA, sendo João Afonso dos Santos o presidente da direcção. Obviamente, o programa de rádio, de duas horas, foi inteiramente dedicado ao estudo sobre a vida e a obra do Zeca.
Decorridos dezanove anos após essa entrevista, considero que o seu conteúdo e a sua essencial mensagem se mantêm, praticamente, actuais. Eis um excerto da mesma:

RF – Senhor Professor, o que pensa sobre a vida e a obra de José Afonso?
Eduardo Luís Cortesão – Penso que na história de um país é importante que haja figuras que possam merecer o nosso respeito e que sejam alvo da nossa estima. José Afonso é uma figura histórica do património artístico do nosso povo, porque José Afonso foi um homem com coragem, foi um homem que lutou, foi um homem bom, foi um homem que soube amar, foi um artista e um poeta excepcional.
A mensagem de José Afonso tem sido deliberadamente esquecida e reprimida e não publicada e asfixiada e ofuscada pelos poderes políticos que estão neste país. Isso constitui, para mim, um crime grave, visto que os nossos jovens, a nossa juventude, as mulheres e os homens deste país necessitavam de saber mais pormenores do que foi a vida, do que foi a coragem desse grande português.

RF – Poder-se-á dizer que José Afonso, comportando-se à maneira de uma criança feliz num bairro de lata, era filho do Maio de 68 e pai, juntamente com outros, de Abril de 74. Concorda comigo, senhor Professor?
Eduardo Luís Cortesão – Eu concordo consigo. Mas creio que José Afonso tem dentro dele as raízes e a herança de Viriato, de Afonso Henriques, de todos os lutadores (…). Ele representa algo, que é o filho do povo com nobreza e com modernidade. Isto é muito importante, porque, neste momento, é que no nosso país se pretende falar de modernidade, o país, os homens e as mulheres não estão correctos, estão envelhecendo, estão caquécticos de estupidificação. E José Afonso foi um homem da modernidade, foi um homem que lutou, louvou e defendeu aquilo que é actual mas sempre em relação com o passado e numa perspectiva futura.
(…) Eu conheci José Afonso e convivi com ele muito intimamente durante um período curto de tempo e não tenho qualquer dúvida que o que se justificava neste momento é que se fizesse um filme sobre a vida de José Afonso, um filme sobre a sua mensagem. Porque nós, portugueses, neste momento somos um país triste; somos um país pobre de ideias; somos um país de indivíduos cinzentos, que se levantam tristemente, que rancorosamente labutam pelo seu pão, que fazem negócios doidos. Nós, neste momento, somos um país sem poesia, sem beleza, e José Afonso devia ser evocado, porque foi num outro período histórico de Portugal, em que se viveu, realmente, a escuridão, a estupidificação e o abandono, que ele apareceu e deu alma e esperança a muito de nós.

RF – O que podemos fazer por Abril?
Eduardo Luís Cortesão – (…) Falar com pessoas que sejam jovens como você, falar com jovens como eu, que não desesperamos, não somos pessimistas e continuamos a alertar para aquilo que há de belo e que há de positivo na nossa cultura. (…) Nós não devemos desesperar, não devemos desistir, ainda que, neste momento, já não tenhamos o Zeca Afonso para cantar connosco que é preciso “avisar a malta”. É, talvez, necessário que façamos algo semelhante: que continuemos aquela mensagem tão pura, tão nobre, tão viril, tão corajosa, que esse grande amigo, esse grande português nos deixou.

José Carlos Pereira

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Homenagens e tributos (2007)
09/02/2007By AJA

“Um mês com o Zeca”

O ano passado, a Isabel Faria, do blogue Troll Urbano, lançou, nas vésperas do dia 23 de Fevereiro, uma campanha de saudação ao Zeca, iniciativa a que associaram muitos e muitos blogues nacionais, entre os quais o meu, Diário de Felgueiras
http://josecarlospereira.blogspot.com/
Este ano, em que se completam “20 coros da Primavera”, lancei o repto à Isabel, que diz que anda muito atarefada, mas já deu o mote no seu blogue, no post
http://troll-urbano.blogspot.com/2007/02/um-ms-com-o-zeca.html
Vamos lá, rapaziada da blogsfera!… Vamos dizer ao Zeca que a sua voz é uma presença diária; a sua poesia, um legado histórico muito importante; o seu testemunho, um molho de sementes cujo fruto brota diariamente.

José Carlos Pereira

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AJA NorteHomenagens e tributos (2007)
08/02/2007By AJA

“COM JOSÉ AFONSO – 20 ANOS DE CAMINHO”

José Afonso de 14 a 17 de Fereiro no Clube Literário do Porto, (CLP- RUA NOVA DA ALFANDEGA Nº 22) em parceria coma Associação José Afonso (AJA – Núcleo do Norte) vai celebrar 20 anos decaminho com o Zeca.

14 Fevereiro 21h30m: Inauguração de exposição temática sobre José Afonso
22h: Debate “JOSÉ AFONSO- TESTEMUNHOS”, com a participação de Alípio de Freitas e Benedicto Garcia Villar

15 Fevereiro 22h: Tertúlia “O PRAZER DO TEXTO”, com intervenções poéticas e musicais a decorrer no “Piano-Bar” do CLP.

16 Fevereiro 21h30m: Debate “JOSÉ AFONSO-A LÍRICA”, com a participação de José António Gomes e Elfriede Engelmayer

17 Fevereiro 21h30m: Debate “JOSÉ AFONSO-A MÚSICA”, com a participação de Francisco Fanhais e José Mário Branco.

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Homenagens e tributos (2007)
08/02/2007By AJA

José Afonso nos E.U.A.

“O Andarilho das Bruxas – Uma Homenagem a Jose Afonso”, vai ter lugar no dia 23 de Fevereiro, pelas 8:30PM, no Sport Club Portugues, 51-55 Prospect Street, Newark, New Jersey (EUA). Estarão em palco Fatima Santos (http://www.fatimasantos.com/), Jorge Quaresma, Jose Luis Iglesias, Luis Manuel, Sila Santos, Paula Seca, Jennifer Vincent e Todd Isler.

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Homenagens e tributos (2007)
05/02/2007By AJA

Casa cheia na Longra para celebrar Zeca Afonso

As crianças que participaram na oficina de escrita “Escrever com José Afonso”

No debate/tertúlia: José Carlos Pereira, Alexandre Manuel, Gabriela Alves, Alípio de Freitas, filhos e netas de Adriano, Paulo Alão e Adão Coelho.
Foi um dia cultural o vivido no passado sábado em Felgueiras, na Casa do Povo da Longra, na abertura do ciclo de festas nacionais em homenagem a Zeca Afonso, nos 20 anos após a sua partida, em viagem com bilhete de ida e volta.
A iniciativa, denominada “Somos Nós Os Teus Cantores”, foi organizada pela Casa do Povo em parceria com o núcleo do norte da Associação José Afonso (AJA) e com o apoio da Associação 25 de Abril e do Sindicato dos Professores do Norte. Neste evento, denominado “Somos Nós Os Teus Cantores”, foi também evocado Adriano Correia de Oliveira, desaparecido há 25 anos, em 16 de Outubro de 1982.
“É lamentável o esquecimento a que foi votado o nosso amigo Adriano, grande e bom companheiro do Zeca, a quem o país tudo deve. É um enorme crime colectivo. Os poderes instituídos são os culpados desse crime. Este silêncio não é inocente, não é casual” – acusou Alípio de Freitas, presidente da AJA, de lágrimas nos olhos, de tarde, na abertura da iniciativa de Felgueiras, na qual participaram Isabel e José Manuel Correia de Oliveira (filhos de Adriano), os jornalistas Alexandre Manuel e Soares Novais e o músico Paulo Alão, entre outros.
Ainda da parte da tarde, foi inaugurada uma exposição muito completa sobre a vida e a obra do homenageado e anunciados dois livros – um da Arca das Letras, sobre Adriano Correia de Oliveira; outro de Miguel Gouveia, de escrita criativa para crianças sobre José Afonso. A propósito deste livro, o seu autor, levou a efeito um workshop para as crianças. Este tipo de publicação é inédito em Portugal e vai ao encontro da política cultural da Galiza, onde a obra de José Afonso é ministrada oficialmente nas escolas, do ensino básico ao universitário.
O ponto alto deste dia foi, sem dúvida, o espectáculo musical, à noite, no auditório da Casa do Povo, com casa, praticamente, cheia (mais de 90%), a participar festivamente nas canções. Actuaram Francisco Fanhais (ex-padre, que acompanhou José Afonso em muitos espectáculos e lhe passava as partituras), Tino Flores, outro antigo companheiro do homenageado, a banda “Hyubris”, que se notabilizou com uma versão muito bem trabalhada da “Canção de Embalar”, os “Erva de Cheiro”, que lançaram ali o CD “Que Viva o Zeca!” e puseram o público a cantar em uníssono; e o grupo AJAforça, que nasceu em torno da AJA (Norte) e que iniciou o espectáculo. No final do espectáculo, uma parte assistência subiu ao palco para cantar a “Grândola”. Antes disso, o presidente da AJA insistiu subir para a agradecer às pessoas a sua presença, mesmo naquela noite fria de Fevereiro. A maioria da assistência era de fora, do Porto, Guimarães, Amarante, Coimbra, Lisboa e outros pontos. Ainda antes da “Grândola”, trajados académicos e elementos da organização distribuíram 400 cravos de Abril pela assistência.
Comissão organizadora agradece
A comissão organizadora, em nota de imprensa, agradece publicamente a todos as pessoas singulares e colectivas que se associaram ao evento de Felgueiras: as deram o seu alto patrocínio – a Associação 25 de Abril e o Sindicato dos Professores do Norte; as que deram o apoio logístico e/ou material – Semanário de Felgueiras, Hotel Hórus, Quinta do Ferro, Quinta de Maderne, Terras de Felgueiras. Móveis Ruca, Restaurante Juventude e o Restaurante Feijoeira; e as que deram o apoio a nível de divulgação informativa – RTP, Rádio Renascença, Antena 1, TSF, jornal SOL, Jornal de Notícias, Público, Jornal de Letras, Lusa, Primeiro de Janeiro, Correio do Minho, Diário do Minho, Semanário de Felgueiras, Jornal da Lixa, Rádio Felgueiras, Expresso de Felgueiras, Jornal de Lousada, Notícias de Vizela, Jornal NOVAS, Benedicto García Villar (jornalista galego), Viriato Teles (jornalista), editora Arca das Letras, Soares Novais (jornalista), Manuel Alegre, Amélia Muge, Hélder Costa, Elfriede Engelmayer, entre outros órgãos de informação, jornalistas, artistas e intectuais, cuja lista é impossível enumerar, pedindo-se desculpa se, eventualmente, não for mencionado alguém que o deveria ser.

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MirandêsTestemunhos
05/02/2007By AJA

Canta, que naide t’afronta

Artigo de Amadeu Ferreira em Mirandês



Miu armano, arrimado a dous anhos apuis de haber ido a salto, bieno de França ende por 1968. Stá eiqui stá a fazer quarenta anhos. Era un tiempo an que ls suonhos se dezien an francés i l mais grande einfierno se chamaba Guerra de l Oultramar, que solo algo apuis daprendi que era ua guerra quelonial. Quien stubira fuora i nun benisse a apersentar-se pa la guerra era dado cumo zertor i lhougo preso s’atentasse a poner pie na sue tierra. Stranha pátria que ampuntaba ls sous filhos pul mundo a saber de la bida i los oubrigaba a benir para s’antregáren a ua guerra que naide antendie para que serbie i de que se scapaba quien podie. Un tiempo de bergonha, assi me lhembro del.
Bieno miu armano, i todo quanto trouxo cun el de França fui ua bicicleta de mudanças, un giradiscos i arrimado a ua dúzia de discos. Agosto corrie, marralheiro, yá cula trilha feita, i sobraba l tiempo para oubir aqueilhas modas a que ls mius oubidos nunca habien podido chegar. Nien sei cumo l disco nun se gastou d’oubir tanta beç «Os Vampiros», «Menino do Bairro Negro» i «No lago do Breu», modas dun tal José Afonso, de que nunca oubira falar. Un die, l disco scachou-se, mas las músicas yá las habie grabado de las cantar tanta beç. Assi i todo, solo le tornei a oubir la boç yá an 1972, nua Bergança que abafaba. Un amigo habie arranjado un disco chamado «Cantigas do Maio»: habie que oubir a las scundidas, l sonido baixico para que nun chegara a la rue. Apuis, apuis fui até siempre, inda agora cumpanhie, nunca cansada, de las lhargas biaijes de Lisboa a Sendin i a Bila Rial.
Anquanto asperaba oubir la Grândola Vila Morena, na madrugaga de 25 de Abril de 1974, ne l Depósito Geral de Adidos, tenie un nuolo tan fuorte que nun sabie an que parte de l cuorpo se me habie dado. Apuis, fui un arrebento, cumo ua nuite de foguetes de lhágrimas, cumo se aquel que «Era um Redondo Vocábulo», argolha dua cadena, se houbira spartiçado. Solo apuis dessa nuoba era lo oubi cantar algues bezes de biba boç i fui coincendo toda la sue música por uns lhados i por outros, yá que nien denheiro tenie para giradiscos i essas cousas. Tube inda que asperar muito anho para ajuntar la coleçon de las sues músicas, que cuntino a oubir nua ruodra que bai demudando.
Cun el tamien daprendi a dar balor a modas que oubie zde pequeinho, anque an mirandés, cumo aquel «Dius te guarde Rosa, / Lindo Çarafin, / Linda pastorica, / Que fazes eiqui?». I doutras nun falo, que gusto mais de oubir i, al mesmo tiempo que oubo, ir bendo ls cinemas an que ls sonidos se zróban andrento. Nun sei porquei, mas hai palabras, hai sonidos que se buolben quelobrinas de cada beç que las oubo. Nun adelantra ua pessona querer antender essas cousas, bonda oubir. I pensar, mais ua beç, que ciertas pessonas nunca se habien de morrer.
Un die, bai a fazer binte anhos este Febreiro, staba a oubir l telejornal i pónen aqueilha moda d’Outonho que manda calhar fuontes i chorar ribeiras i todo, «que eu não volto a cantar». Tamien ende you le pedi algue auga a las ribeiras i me calhei cumo las fuontes. Era 1986 i la mie bida staba a dar un bolco cumo ua campana, nun fuolego que inda mal daba seinhas d’agarrar un nuobo baláncio. Nun me dou la gana d’ir al antierro, para quedar cula eilusion de que nun se habie muorto i nun deixara de ser l que siempre fura, ua ambuça de sonidos que se sórben. Até hoije el cuntina-me a cantar, siempre cumo se fura la purmeira beç. Quando oubo las sues modas, mais do que de José Afonso, lhembra-se-me de mi. Ye ua música que m’ampurra acontra mi, zde aquel Agosto marralheiro de 1968. Nó cun suidades, mas cun gana de hoije, i de cuntinar a sonhar cun ua tierra de fraternidade. Cun música que faga bolar, nien que seia solo a cachicos, que ye un modo de un nun se sabarrar tanto ne ls tropieços de l camino.

4 de Fevereiro de 2007amadeuf@gmail.com

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Homenagens e tributos (2007)
02/02/2007By AJA

José Afonso em Loulé

Fado e música de Zeca Afonso em destaque no Centro de Documentação de Loulé

No âmbito do programa de actividades do Centro de Documentação da Divisão de Cultura e História Local de Loulé, ao longo do mês de Fevereiro vão ter lugar três iniciativas: uma exposição, um espectáculo/colóquio e uma visita guiada.
Deste modo, entre 10 de Fevereiro e 10 de Março, vai estar patente ao público, na Galeria de Arte do Convento Espírito Santo, a exposição “O Fado na Pintura”, de José Maria Oliveira. Na inauguração, a 10 de Fevereiro, pelas 17h00, os visitantes serão brindados com um momento de fado de Coimbra pelo grupo “Ecos de Coimbra” e um beberete relacionado com a ambiência do fado.
As criações artísticas de José Maria Oliveira são diversas, livres e apresentam formas que a arte e o engenho permitem: pintura, desenho, escultura em terracota, cartoon, etc.. As suas exposições surgiram pela primeira vez ao olhar do público em 1963, no Círculo Cultural do Algarve, em Faro. Daí até aos nossos dias, mais de duas dezenas de mostras das suas criações têm circulado pelo Algarve, se não incluirmos as colectivas.
Do seu espólio artístico constam cerca de quatro centenas de trabalhos na área da pintura e cerca de dois mil e quinhentos trabalhos em desenhos (gravuras, aguarelas, retratos, etc.). Lançou-se também na cenografia, coreografia e publicidade.
A sua arte, de cariz surrealista, define-se pela sensualidade embrenhada na subtileza do humor, da beleza e da crítica, pelo grito da cor, pelo arrojo das temáticas. Por isso, a Exposição “O Fado na Pintura” testemunha a capacidade do artista sintetizar a música e a pintura num processo criativo único.
A segunda iniciativa do Centro de Documentação prevista para o mês de Fevereiro tem lugar dia 16, pelas 18h00, com uma visita guiada à Igreja Matriz de Loulé. Com o tema “Igreja Matriz de Loulé: mistérios do anoitecer na luz e na sombra”, esta visita será orientada pelo Professor Doutor Francisco Lameira, Historiador de Arte, e pelo Professor Doutor Luís Filipe Oliveira, Historiador da Idade Média, ambos da Universidade do Algarve.
Finalmente, a 24 de Fevereiro, às 17h00, decorre na Galeria de Arte do Convento Espírito Santo, o espectáculo/colóquio de homenagem a Zeca Afonso, por ocasião dos 20 anos do seu falecimento. Para além de um debate sobre a vida e obra daquele que é considerado um dos maiores músicos portugueses de todos os tempos, esta iniciativa conta com um momento musical com o grupo “Ecos de Coimbra”.

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Imprensa
02/02/2007By AJA

“A música sai à rua” – Jornal de Letras

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Homenagens e tributos (2007)
01/02/2007By AJA

“Guimarães canta Zeca Afonso”

A 23 de Fevereiro inicia-se em Guimarães, no Centro Cultural Vila Flor, a iniciativa “Guimarães canta Zeca Afonso”, com a exposição “O que faz falta”, cedida pelo Mundo da Canção (18:00) e o espectáculo “O Menino de Oiro” (21:30), uma teatralização da vida e obra de José Afonso dirigida por Gil Filipe.
No dia seguinte realizar-se-á, às 15:30, um concerto com a Banda Militar do Norte, seguindo-se, às 17:30, um debate com a participação de Hélder Costa, José Mário Branco, José António Gomes, Alípio de Freitas e Mário Barradas.
A jornada prossegue às 21:30 com um concerto do grupo ARDENTÍA, que antecede o espectáculo “Maio, maduro Maio”, com Amélia Muge, João Afonso e José Mário Branco.

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AJA Norte
01/02/2007By AJA

Núcleo do norte da AJA descentraliza inciativas – Notícia “Primeiro de Janeiro”

Celebrar o Zeca cidadão.
O núcleo do Norte da Associação José Afonso preparou um conjunto de iniciativas para celebrar a vida e obra do poeta e músico, no ano em que passam 20 anos sobre a sua morte, a 23 de Fevereiro de 1987. Uma lógica de cidadania preside à homenagem, com exposições, debates e concertos. Ana Sofia Rosado
Resultado da vontade da Associação José Afonso (AJA) e de parcerias diversas, o programa da homenagem foi ontem apresentado em conferência de imprensa por Paulo Esperança, da direcção nacional, e Fernando Lacerda, Eduardo Pinheiro e Teresa Figueiredo, do núcleo do Norte, nas instalações da UNICEPE, no Porto. Sábado, dia 3, Felgueiras inaugura a homenagem «Somos nós os teus cantores», na Casa do Povo da Longra, com uma exposição dedicada à vida e obra de José Afonso, seguida de tertúlia com Alípio de Freitas, presidente da AJA, a quem Zeca dedicou uma canção, e Paulo Alão, viola dos tempos de Coimbra. A obra de Adriano Correia de Oliveira integra esta homenagem, no ano em que também se completam 25 anos da sua morte (16 de Outubro de 1982). Antes do concerto às 21h30 com Tino Flores, Francisco Fanhais, e os grupos Ajaforça, Hyubris e Erva de Cheiro, decorre um ateliê de escrita criativa orientado por Miguel Gouveia, autor de um livro sobre José Afonso, a ser editado pela AJA. A iniciativa realiza-se em parceria com a Associação 25 de Abril e o Sindicato dos Professores do Norte.
O Clube Literário do Porto recebe de 14 a 17 deste mês «Com José Afonso – 20 anos de caminho». O primeiro dia é marcado pela inauguração de uma exposição temática sobre o homenageado e pelo debate «José Afonso – Os amigos», com Alípio de Freitas e o convidado galego Benedicto Garcia Vilar. Dia 15 há tertúlia poética e musical no piano-bar, com «O prazer do texto», e, no dia seguinte, realiza-se o debate «José Afonso – A Lírica», com o professor e poeta José António Gomes e a especialista em José Afonso Elfriede Engelmayer. Francisco Fanhais e José Mário Branco protagonizam o último debate no Clube, dia 17, intitulado «José Afonso – A Música».
A cidade de Guimarães junta-se a esta festa no Centro Cultural Vila Flor, dias 23 e 24 de Fevereiro, numa parceria com o Círculo de Arte e Recreio de Guimarães, a Associação 25 de Abril e a Régie Cooperativa Oficina. A exposição inédita «O que faz falta», cedida graciosamente pelo Mundo da Música, do acervo documental de Avelino Tavares, abre a iniciativa. No mesmo dia, tem lugar a teatralização musicada da vida e obra de José Afonso «O menino D’Oiro», sob a direcção de Gil Filipe, com mais de 60 actores de grupos amadores de Guimarães, cantores da Academia de Música Valentim Moreira de Sá e os Ajaforça. Dia 24, há concerto com a Banda Militar do Norte, um debate com Hélder Costa, que assinou a letra de algumas canções do Zeca, José Mário Branco, um dos principais orquestradores da sua música, Alípio de Freitas e o encenador Mário Barradas, entre outros. À noite, reúnem-se em concerto o grupo galego Ardentía e o espectáculo «Maio, Maduro Maio», com Amélia Muge, João Afonso e José Mário Branco.
Dia 3 de Março, realiza-se novo concerto no Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo, e a 26 de Maio a jovem Associação Cultural RITUS, em Milheiros de Poiares, realiza uma exposição evocativa com alunos das escolas da região de Vila da Feira. Muitas são as iniciativas que a AJA, que celebra 20 anos no próximo dia 18 de Novembro, promove até ao final do ano para partilhar “o imaginário do Zeca com quem nunca o conheceu, nem à sua música, muitas vezes em locais onde ele não chegou a tocar”, sublinhou Paulo Esperança. Destaque para a possibilidade de animar com música as estações de Metro do Porto e de dedicar um dia da Feira do Livro do Porto a José Afonso. Será ainda lançado o livro «Adriano Sempre», pela Arca das Letras.

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Homenagens e tributos (2007)
31/01/2007By AJA

José Afonso em Évora

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Homenagens e tributos (2007)
30/01/2007By AJA

José Afonso em Santo António dos Cavaleiros

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Hélder Costa
29/01/2007By AJA

Mensagem de Hélder Costa

Eu apoio a iniciativa de Felgueiras porque…

Passam tempos difíceis no nosso país e nas nossas gentes.Não são muitas as vozes que se levantam contra injustiças, discriminações emediocridades que nos fazem recordar os tempos miseráveis e desprezíveis davelha ditadura.E não são muitas as vozes de revolta, porque os poderes políticos e culturaisque são o “posso, quero e mando” do nosso dia a dia, pouco tiveram a ver com aluta do povo português e a data libertadora do 25 de Abril.Por isso mesmo, por ignorancia ou cobardia, ocultam a memória das marcasindeléveis desses anos de violencia e de esperança.”Somos nós os teus cantores”, bela imagem do Canto da Primavera e do ” Sol quehá-de nascer”.Para que se recorde que essas palavras são eternas na procurade um Mundo melhor.

HÉLDER COSTA

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Elfried Engelmayer
27/01/2007By AJA

De Elfriede Engelmayer

Apoio a iniciativa de Felgueiras porque, sem o trabalho de memória, a perda que sofremos é sempre a dobrar. Neste trabalho, cada iniciativa junta uma pedra ao mosaico que fará realçar a personalidade de José Afonso, a riqueza do seu universo musical e poético, a sua dimensão humana, o seu espírito de solidariedade, a sua integridade. Lembrar José Afonso nos 20 anos da sua morte significa demonstrar que continua vivo, que não passou à história, mas continua a ser história deste país.

Elfriede Engelmayer

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Homenagens e tributos (2007)
25/01/2007By AJA

Conferência de imprensa em Felgueiras – Roteiro de festas em homenagens a José Afonso em parceria com a AJA (Norte)

Felgueiras está na agenda de um acontecimento cultural a nível nacional, no próximo dia 3, sendo o concelho que vai abrir o ciclo de festas nacionais em homenagem a José Afonso, no mês em que se completam 20 anos após a sua morte, ocorrida a 23 de Fevereiro de 1987. Porto e Guimarães são algumas das diversas regiões que vão prestar tributo ao músico, no âmbito de parcerias entre o núcleo do norte da Associação José Afonso (AJA) e colectividades locais. Zeca Afonso, tido como um dos ícones da liberdade em Portugal e figura marcante da música portuguesa, será lembrado em vários pontos do país durante todo o ano de 2007. Na passada terça-feira, a direcção da Casa do Povo da Longra convocou uma conferência de imprensa no Hotel Horus para dar a conhecer oficialmente que aquela associação cultural vai arrancar, no primeiro sábado de Fevereiro, nas suas instalações, com o evento de tributo inaugural ao autor de “Grândola” e que, para tal, conta com a parceria da AJA (núcleo do norte) e com o apoio da Associação 25 de Abril e do Sindicato dos Professores. A iniciativa de Felgueiras denomina-se “Somos Nós os Teus Cantores”, em que será também evocado Adriano Correia de Oliveira, cujo falecimento prematuro completa 25 anos em Outubro, a quem, na altura, a Casa do Povo e a AJA prestarão igual tributo. Nessa conferência de imprensa, estiveram presentes Adão Coelho (presidente da CP Longra), José Carlos Pereira (membro activo das duas associações), o coronel Rui Castro Guimarães, da Associação 25 de Abril, e António Baldaia, do Sindicato dos Professores do Norte.
Felgueiras – “Somos Nós os Teus Cantores”
O ponto alto deste dia consistirá num espectáculo musical, pelas 21,30 horas, em que irão actuar Francisco Fanhais e Tino Flores, da geração da canção de intervenção, e três grupos musicais: a banda “Hyubris”, que tem dado muitos espectáculos, principalmente nas FNAC’s, e se destacou no programa da RTP “Portugal no Coração”; os “Erva de Cheiro”, de Lisboa, muito numeroso, com um reportório alargado na música tradicional, que vão lançar, nesse dia, em Felgueiras, o CD “Que Viva o Zeca!”; e o grupo AJAforça, que nasceu em torno da AJA (norte). A embelezar o espectáculo, serão distribuídos pela assistência cravos de Abril.
Da parte da tarde, será inaugurada uma exposição muito completa sobre a vida e a obra do homenageado e vão ser anunciados dois livros – um da Arca das Letras, sobre Adriano Correia de Oliveira; outro de Miguel Gouveia, de escrita criativa para crianças sobre José Afonso. Segue-se a assinatura de um protocolo entre a AJA e a CP Longra, antes da realização de um debate/tertúlia, em que irão estar presentes, Alípio de Freitas (presidente da AJA), Isabel e José Manuel Correia de Oliveira (filhos do Adriano), Alexandre Manuel (jornalista, ex-editor do DN), Alexandre Castanheira (académico), Paulo Alão (antigo executante musical de Zeca e Adriano), entre outros que se deverão juntar. Simultaneamente, ao lado, será realizado um workshop com um grupo de crianças sobre a vida e a obra de José Afonso.
Porto e Guimarães
No Porto, no Clube Literário, entre os dias 14 e 17, dar-se-á lugar a um conjunto de debates, colóquios e uma exposição, onde irão falar José Mário Branco, Francisco Fanhais, Elfried Elgelmeyer, José António Gomes, entre outros.
Em Guimarães, a noite de 23 de Fevereiro será dedicado a grupos de teatro amador e a uma exposição do “Mundo da Canção”. No dia 24, haverá um debate; à noite, no concerto “Maio Maduro Maio” irão actuar José Mário Branco, João Afonso, Amélia Muge e o grupo galego “Ardentía”
Veja a reportagem em – http://www.valedosousa.tv/

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António M. NunesJosé Anjos de CarvalhoNo verso dos versosOctávio SérgioPartituras e tablaturas
23/01/2007By AJA

Verdes são os campos

Música: José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (1929-1987)
Letra: mote de autor desconhecido; voltas de Luis Vaz de Camões (ca. 1524-1580)
Origem: Setúbal?Data: 1970

Verdes são os campos
Da cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,

De erva vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.(…)

Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Verdes são os campos
Da cor de limão:
Assim são os olhos
Do meu coração.

Campo, que te estendes
Com verdura bela;
Ovelhas, que nela
Vosso pasto tendes,

De ervas vos mantendes
Que traz o Verão,
E eu das lembranças
Do meu coração.

Isso que comeis
Não são ervas, não:
São graças dos olhos
Do meu coração.

Informação complementar:Canção melodia singela e agradável efeito auditivo, em compasso quaternário (4/4), originariamente no tom de Fá# Maior, com uma espécie de refrão atípico. Na presente transcrição adopta-se a afinação de Coimbra, ficando a melodia em Lá Bemol Maior.Uma das versões impressas mais recuada destas redondilhas com voltas e mote alheio, consta na edição de 1598, de Estêvão Lopes.“Verdes são…” foi gravada por José Afonso em Londres no ano de 1970, nos estúdios Pye Records. Integrou o LP “Traz Outro Amigo Também”, ORFEU STAT 055, do ano de 1970, tendo sido o cantor acampanhado em viola de cordas de nylon não por Rui Pato mas por Carlos Correia (Bóris).Na letra, José Afonso socorre-se de um mote alheio (Verdes são os campos), glosado por Luis de Camões em duas “voltas” de oitavas.O cantor pouco ou nada altera em termos de mote (quadra) ede 1ª volta. Contudo, nos versos dois e três do mote, moderniza “assi” para “assim” e toma “de” por “da”. Na 2ª volta suprime os primeiros quatros versos (Gados, que pasceis,/Com contentamento,/Vosso mantimento/Não o entendereis), construindo a oitava com os quatro versos finais da 1ª volta.Após terminar a 2ª oitava, o cantor volta a repetir o texto, mantendo-se dentro da melodia.Para acabar, canta apenas uma quadra (Isso que comeis), deixando incompleta a 2ª oitava. José Afonso segue uma dicção vincadamente conimbricense, onde merece destaque o dizer “ovêlhas”.Não se conhece notícia de cantores ligados à CC que tenham regravado este espécime, nem de translado em notação impressa. O seu repousado ar de salão como que se adequa a renovados tratamentos e a incursões de meias sopranos, possibilitando diversificações reportoriais. Embora o tema mais conhecido deste disco de 1970 seja “Traz Outro Amigo Também”, popularizado a partir de uma gravação feita ao vivo no Jardim de Santa Cruz de Coimbra (com o grupo de António Portugal, disco “Zeca em Coimbra”, Fotosonoro SPA 83), pode considerar-se que o tema “Verdes são…” é a chave de encerramento do Movimento da Balada.Original disponível no CD “Jose Afonso. Traz Outro Amigo Também”, Lisboa, Movieplay, JA 8003, ano de 1996, faixa nº 9, com discutível transcrição da letra em 4 quadras.

Transcrição musical: Octávio Sérgio (2007)
Texto: José Anjos de Carvalho e António Manuel Nunes

Retirado do blog http://guitarradecoimbra.blogspot.com

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Prémio José Afonso
23/01/2007By AJA

Petição “Prémio José Afonso”

A atitude necessária! Há 18 anos consecutivos que a Câmara Municipal da Amadora (CMA), tem atribuído o PRÉMIO JOSÉ AFONSO (PJA). Inesperada e inaceitavelmente, no último ano, 2006, não o fez, porque o Júri não encontrou “mérito consonante com o prestígio do Prémio.“, nem organizou o FESTIVAL DE MÚSICA POPULAR PORTUGUESA (FMPP) do qual o PJA era o ponto alto. Tal conclusão tem duas causas, não sendo nenhuma delas da responsabilidade do Júri. São elas: 1ª – Alteração do regulamento do PJA; 2ª – O seu não cumprimento. Desde 1988 que o regulamento do PJA, no seu preâmbulo e artigo primeiro, indicava claramente as razões e o fim que se pretendia atingir com a atribuição deste galardão: Com o objectivo de homenagear JOSÉ AFONSO, incentivar a criação musical de raíz portuguesa e animar turística e culturalmente a Cidade da Amadora, organizará a autarquia anualmente um FESTIVAL DE MÚSICA POPULAR PORTUGUESA o qual terá como ponto alto a atribuição do PRÉMIO JOSÉ AFONSO. 1 – O PRÉMIO JOSÉ AFONSO destina-se a galardoar um álbum inédito editado durante o ano anterior ao da realização do FESTIVAL DE MÚSICA POPULAR PORTUGUESA, cujos temas tenham como referência a Cultura e a História portuguesas, tal como a obra do autor de “Grândola”. Na nova redacção aprovada pela CMA, embora articulada de outra forma, os propósitos enunciados anteriormente mantém-se. Todavia, procede a uma alteração de fundo que é a primeira causa do presente resultado, já que elimina a existência do Júri de Nomeação, constituído por jornalistas e um funcionário da autarquia, a quem competia “elaborar uma lista de trabalhos a propor ao Júri Final.”; modifica a composição do Júri Final, e, mais importante, passa a convidar, por escrito, as editoras para participarem enviando as obras que editaram e que entenderam estar de acordo com o Regulamento. Como se depreende, é toda uma nova filosofia que é adoptada, uma vez que se deixa o Prémio entregue ao maior ou menor envolvimento das editoras. E assim se chegou à frustrante edição do PRÉMIO JOSÉ AFONSO/2006. Apesar de não ter convidado, por desconhecimento ou por qualquer outra razão, todas as editoras da área da Música Popular Portuguesa, a CMA recebeu para concurso, os seguintes trabalhos:
“Apontamento” – Margarida Pinto
“Mulheres” – Vozes da Rádio
“Amores Imperfeitos” – Viviane
“Éramos Assim” – Boite Zuleika
“Groovin´on monster`s eye-balls ” – Hands on Approach
“Cacus” – José Peixoto e Carlos Zíngaro
“Coisas Simples” – Maria Léon
“Almadrava” – Marenostrum
“Cantes D´Álem Tejo” – Francisco Naia
Qualquer pessoa minimamente interessada e informada nestas coisas da música facilmente constata a diversidade de estilos musicais que a lista inclui: hip-hop, rap, pop, música tradicional portuguesa… E ela seguiu direitinha para o Júrí Final do PJA, sem que alguém da organização do evento, logo da CMA, tivesse confirmado se estes trabalhos, independentemente do seu valor e qualidade, estavam ou não de acordo com o Regulamento. E esta é a segunda causa da não atribuição do PJA. Por outro lado, se bem que face à última versão do Regulamento, a CMA não tenha que confirmar se houve ou não outros cd’s editados e eventuais concorrentes ao Prémio que não foram apresentados pelas editoras, o que é facto é que quer o vereador do pelouro, a sua assessora, entre outros, tinham em seu poder a lista elaborada pelo funcionário coordenador do processo de atribuição do PJA durante os 18 anos anteriores, Júlio Murraças, que, antes de se aposentar, lhes entregou. Dela constavam, além do “Almadrava” do Marenostrum e do “Cantes D´Álem Tejo” de Francisco Naia, os seguintes:
“Ulisses” – Cristina Branco
“Tributo a los laureados” – Fernando Tordo
“Filarmónica Gil” – Filarmónica Gil
“Modas i Anzonas” – Galandum Galundaina
“Ao vivo em Lisboa” – Joana Amendoeira
“Anjos da noite” – Jorge Vadio
“Tudo ou nada” – Kátia Guerreitro
“Faluas do Tejo” –Madredeus
“Diário” – Mafalda Arnaulth
“Transparente” – Mariza
“Obrigado” – Teresa Salgueiro
Face a este conjunto de trabalhos não temos quaisquer dúvidas em afirmar que um deles merece o PRÈMIO JOSÉ AFONSO/2006. Aliás, a qualidade exibida não prevê tarefa fácil para o Júri. Portanto, em nome do “ZECA”, da MÚSICA POPULAR PORTUGUESA, dos seus CANTAUTORES e da nossa CULTURA e IDENTIDADE, os abaixo assinados, propõem: 1 – Que a CMA anule a decisão do Júri de não atribuir o PJA/2006, saída da sua última reunião; 2 – Que se reabra o processo de atribuição considerando os trabalhos aqui apresentados; 3 – Que, para 2007, se altere o Regulamento do PJA de modo a não se estar exclusivamente dependente do que as editoras enviam, completando a lista de concorrentes com o resultado da pesquisa feita pelos serviços camarários.

20 de Janeiro de 2007 – Júlio Murraças

Link para a petição: http://www.petitiononline.com/ja25ja/petition.html

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CoimbraHomenagens e tributos (artes plásticas)
23/01/2007By AJA

Pintura do Zeca na Real República do Bota Abaixo

Os repúblicos da Bota Abaixo preparam-se para soprar o bolo do Centenário de 1989. Ao fundo, vê-se o retrato de José Afonso numa das pinturas murais pós-1974. Coincidência curiosa, o Centenário da casa celebra-se a 06 de Fevereiro e José Afonso faleceu a 27 de Fevereiro. O cantor pernoitou várias vezes nesta República nas suas idas a Coimbra pelos inícios da década de 1960. O motivo de capa do LP “Baladas e Canções”, Ofir, 1964, mostra José Afonso sentado no interior de um quarto da Bota Abaixo, com viola na mão.
A Bota Abaixo foi a 1ª antiga República da Velha Alta a dignificar o regresso da Canção de Coimbra: no Centenário de 06/02/1988 promoveu uma serenata com as formações Praxis Nova e Tertúlia do Fado de Coimbra.
AMNunes
Informação retirada do blog http://guitarradecoimbra.blogspot.com

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Homenagens e tributos (2007)
20/01/2007By AJA

José Afonso em Felgueiras

2007, Fevereiro, 23. O andarilho “voou” para outras paragens mas continuou a caminhar connosco, como sempre. Lamúrias e velórios, medalhas e estátuas… tudo há-de vir ao de cima! Nós, Casa do Povo da Longra, concelho de Felgueiras, sabemos o que queremos – porque “conhecemos o Zeca” – já que é natural que se multipliquem pelo país iniciativas evocativas da sua vida, da sua obra e do seu exemplo de cidadania. Felgueiras, felizmente, vai abrir esse ciclo, no dia 3 de Fevereiro, na sala de espectáculos da Casa do Povo da Longra, em resultado de uma parceria com o Núcleo do Norte da AJA. Esta iniciativa terá como o símbolo principal o espectáculo “Somos Nós os Teus Cantores”, e contará com a participação de Francisco Fanhais, Tino Flores, grupo Erva de Cheiro, grupo AJAFORÇA, banda Hyubris e, possivelmente, Manuel Freire. Os actores Alexandre Castanheira e Fernando Soares farão da poesia o eco do homem da “Grândola”. Neste dia vai falar-se, também de Adriano Correia de Oliveira, companheiro de canções de luta e de vida de José Afonso a quem a Casa do Povo da Longra dedicará em Outubro, um evento de tributo ao cantor da “Trova do Vento que Passa”, na passagem dos 25 anos da sua ida para outras paragens. Na parte de tarde, pelas 16 horas, haverá lugar a um debate/tertúlia, ao qual foram convidados Alexandre Manuel (jornalista e ex-editor do DN), Isabel e José Manuel Correia de Oliveira (filhos de Adriano), Paulo Alão (músico que participou em algumas gravações do Zeca e do Adriano), Alexandre Castanheira, Soares Novais (jornalista e editor da Arca das Letras), representantes da AJA-NORTE e da Casa do Povo, entre outros que poderão juntar-se. A 3 DE FEVEREIRO….ZECA…SEREMOS NÓS TODOS… MELHOR OU PIOR… OS TEUS CANTORES! PARA O QUE DER E VIER…SEM MUROS NEM AMEIAS! IGUAIS POR DENTRO E IGUAIS POR FORA! Os amigos do Zeca da Casa do Povo da Longra Felgueiras

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Homenagens e tributos (2007)
20/01/2007By AJA

José Afonso na Moita

Para recordar o cantor e músico José Afonso, falecido em Fevereiro de 1987, a Câmara Municipal promove algumas actividades culturais, entre Janeiro e Fevereiro, inseridas no programa comemorativo “Zeca Afonso – 20 Anos Depois”. Espectáculos musicais com CLAUD, com o cantor alentejano Vitorino e com a Brigada Vítor Jara, bem como uma festa popular, são apenas algumas das actividades previstas.

“Zeca Afonso – 20 Anos Depois” Programa

20 de Janeiro – 22:00h
Espectáculo com CLAUD
Lançamento do disco “Contradições”
Fórum Cultural José Manuel Figueiredo – Baixa da Banheira
Preço dos Bilhetes: 5 euros

27 de Janeiro – 22:00h
Espectáculo com Vitorino
“Tudo! Alentejo, Amor, Lisboa”
Fórum Cultural José Manuel Figueiredo – Baixa da Banheira
Preço dos Bilhetes: 12,50 euros

23 de Fevereiro – 15:45h
Romagem à Capa de Zeca Afonso
Concentração no Cemitério de Setúbal
Organização: Academia Musical 8 de Janeiro

24 de Fevereiro – 21:00h
Poesia – Palavras e Música
Biblioteca Municipal – Pólo de Alhos Vedros

24 de Fevereiro – 22:00h
Espectáculo com Brigada Vítor Jara
“Ceia Louca”
Fórum Cultural José Manuel Figueiredo – Baixa da Banheira
Preço dos Bilhetes: 7,50 euros

24 de Fevereiro
Festa Popular – Desporto, Música, Gastronomia…
Escola Básica 2, 3 José Afonso – Alhos Vedros

Reserva de bilhetes para os espectáculos no Fórum Cultural
Horário da Bilheteira: De 3ª a sábado – 14:30h às 17:30h Dias de espectáculo – 20:30h até início do espectáculo Domingo – 10:00h às 11:00h
Os bilhetes podem ainda ser reservados, através do telefone 210 888 900, das 14.30h às 17.30h, de terça a sábado, com um limite de 5 bilhetes por reserva, havendo um limite de 100 reservas por espectáculo. O levantamento das reservas deve ser efectuado até 48 horas antes do espectáculo.

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Cristina Branco
20/01/2007By AJA

Cristina Branco canta José Afonso

Já pouca coisa vinda da fadista (e não só) Cristina Branco pode surpreender, tantos são os caminhos próprios por ela já tomados, através do fado, fora do fado, a viés do fado. Mas a expectativa é enorme quando se sabe que o seu novo projecto (disco e espectáculos) é dedicado à obra de José Afonso e que para ele Cristina Branco se fez rodear por uma banda formada por Ricardo Dias (da Brigada Victor Jara e já um «habitué» na equipa da cantora) no piano e direcção musical e três conceituados músicos vindos do jazz: Mário Delgado (guitarras acústicas e eléctricas), Bernardo Moreira (contrabaixo) e Alexandre Frazão (bateria). A apresentação do projecto decorre no Jardim de Inverno do Teatro S.Luiz, em Lisboa, dias 2, 3, 9, 10, 16, 17, 23 e 24 de Fevereiro. De José Afonso diz Cristina Branco: «O Zeca foi e será sempre um exemplo de simplicidade, de convicção (mesmo quando dizia que nem sempre gostava de cantar!). É assim o amigo da minha adolescência, o amigo do meu canto, da minha busca pessoal. Não trazemos nada de novo, vimos apenas lembrar».
Texto retirado do blog http://raizeseantenas.blogspot.com/ de António Pires

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Homenagens e tributos (2007)
15/01/2007By AJA

Zeca Afonso – 20 anos | Figueira da Foz | Centro de artes e espectáculos | 23 de Fevereiro.

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Capas de revistas
31/12/2006By AJA

Algumas capas de revistas com José Afonso




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Homenagens e tributos (artes plásticas)
31/12/2006By AJA

Gravura de Alexandre Saldanha Gama

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Homenagens e tributos (artes plásticas)
31/12/2006By AJA

José Afonso pelo violinista Carlos Zíngaro

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Homenagens e tributos (artes plásticas)
31/12/2006By AJA

José Afonso por António Galvão

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Homenagens e tributos (artes plásticas)
27/12/2006By AJA

Desenhos de João Lucas sobre a música “Ó Ti Alves”


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Adelino GomesTestemunhos
27/12/2006By AJA

Porto de Lisboa, 1967 – Adelino Gomes

Olhou-me surpreendido, quan­do, gravador ao peito, lhe pe­di uma entrevista. “Porquê?
Para quê? Deixei-me dessas coisas”. Ia e vinha, naquele jeito desengonçado de andar. Apontava as malas aos baga­geiros, à polícia de fronteira, nervoso. Fiquei por ali, esquecido, eu próprio a sentir-me guarda fiscal também, no porto de Lisboa (Cais da Rocha? AI­cântara?, a memória retém apenas um balcão comprido num vasto recinto de tectos altos). “O Zeca Afonso regressa amanhã de Moçambique, vais fazer-lhe uma entrevista ao barco”; disseram-me na véspera – estávamos em Setembro – não sei se o Carlos Cruz, se o Fialho Gouveia, realizadores do programa PBX. Transmitido da meia-noite às duas, através do Rádio Ciube Portu­guês, o programa tinha vindo agitar as ondas conformadas do espectro radio­fónico daquele 1967, levando os micro­fones para a rua, à procura de gente,de histórias, de vida.
José Afonso diz-me que há muito perdeu o contacto com a música, que era professor na Beira, e que professor vai voltar a ser, em Setúbal, depois.de uns dias em Faro, para onde eguirá com a mulher Zélia, logo que a alfândega os.libertar .Projectos, como cantor, nenhuns. A entrevista passa para plano secundário. Digo-lhe ali entre o abrir e fechar de malas, e a azáfama de viajan­tes e polícias, aquilo que muitos outros portugueses teriam respondido, se ou­vissem o autor dos “Vampiros”, e do “Menino do Bairro Negro” anunciar-­lhes que ia deixar de cantar por esse país fora: que ele não pode abandonar aquela frente de luta cultural e cívica, tão importante para milhares de estudantes, de oposicionistas. “Importantes, umas cantiguetas?”, auto-escarnece-se, enquanto dá uma última olhadela aos haveres desembarcados.. Explico-lhe que era através das suas baladas, e das do Adriano Correia de Oliveira, passadas em sequências musicais, ou em montagens de entrevistas ou reporta­gens, que nós, na Rádio, dizíamos aquilo que de outra forma a censura corta­ria. Zeca Afonso terá ficado surpreendido com aquele discurso de um desconhe­cido repórter radiofónico. Acredito que, humilde, não sabia quão importante se tornara para muitos dos seus concidadãos. E, se alguma vez chegou a acredi­tar na influência da sua acção como cantor, a experiência traumatizante que acabava de viver em Lourenço Marques e na Beira convencera-o de que deveriam ser outras e mais directas as fórmulas a utilizar para uma altera­ção do regime político salazar-marce­lista. Acabou por dar a entrevista.
Mas as suas declarações, cortadas pela ”fis­calização” do RCP (um serviço de cen­sura tutelado por um representante do governo mas assegurado por funcionários da estação), só iriam para o “ar” depois de Raul Solnado – amigos dos realizadores do programa – fazer um pedido nesse sentido a Paulo Rodrigues, o subsecretário de estado que aIi mes­mo se designou um dia, como “a caneta de Sua Excelência” (o presidente do Conselho). José Afonso é expulso do li­ceu de Setúbal. O seu nome passa a .ser cortado nos jornais. A Pide prende-o, mais tarde. Nunca mais deixa de com­por e cantar. Sempre de serviço à causa do antifascismo, em sindiatos, associa­ções recreativas, cineclubes. Será uma “cantigueta” que um grupo de militares escolhe para o 25 de Abril.

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DiscografiaNo verso dos versos
27/12/2006By AJA

Teresa Torga

Com o título “Quem se despiu na via pública, onte, às 4 da tarde?”, no Diário de Lisboa (7.5.75), Rogério Rodrigues conta a história de uma mulher “de que não se conhecia o nome”, que ontem, às quatro da tarde, fazia strip-tease enquanto dançava, ao centro do cruzamento da Avenida Miguel Bombarda com a Avenida 5 de Outubro.”Visivelmente surpreendidos, alguns espectadores da cena, invulgar em ruas de Lisboa, dirigiram-se para a mulher no intento de a proteger das vistas de quem passava e de quem parava, persuadi-la a vestir-se e abandonar o local. No meio da confusão, surge o repórter António Capela, que começa a disparar. Os populares, indignados com o que consideram ‘uma baixeza moral’, investem sobre ele, insultam-no, empurram-no, agridem-no e só a intervenção do proprietário da drogaria vizinha impede que não lhe partam a máquina. (…) Entretanto a mulher tinha sido levada para o limiar de um prédio com porteira à porta. Já vestida, olhava apática para as pessoas que a rodeavam. Dizem-me que se chamava Maria Teresa. ‘Não sou Maria. Não sou Teresa. Tenho muitos nomes.’ Tinha os lábios encortiçados e recusava o copo de água que lhe ofereciam.””Quem se despiu na via pública, ontem, às 4 da tarde?”. interroga-se o jornalista. que passa a contar o percurso de vida, entretanto averiguado, de uma mulher de 41 anos, divorciada, sucessivamente actriz de revista, emigrante no Brasil, cantora de fado e que agora, no intervalo de tratamentos no Júlio de Matos, “mudava discos no pick-up” de uma boite em Benfica.Usava o nome de Teresa Torga “porque há um escritor que se chama assim” e ela gostava muito de ler, conta uma vizinha. A última vez que o repórter a viu seguia ela num carro da polícia para a esquadra do Matadouro.Zeca Afonso lê a crónica, magnífica, põe-lhe notas e voz, e imortaliza-a.
(in “Os dias loucos do PREC” de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira. Ed. Expresso/ Público, 2006)

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Amílcar Vasques Dias
22/12/2006By AJA

Persistências – Da importância da música de José Afonso na Holanda

Este artigo, da autoria de Rui Mota, foi retirado da revista nº7 da AJA de 1993

Esta história começa em 1972…
Nesse ano, num dia em Janeiro, uma orquestra holande­
sa de instrumentos de sopro nascia em Amsterdão. O nome que adoptaram foi o título da sua primeira composição: ‘De Volharding’. Em tradução literal, qualquer coisa como ‘Perseverança’ ou ‘Persistência’.
Tocavam em tudo o que era manifestações de rua, fosse con­tra a guerra do Vietnam, pela democratização da universida­de ou a favor do aborto. De acordo com a sua filosofia o grupo dirigia-se a si mesmo e não obedecia a dirigentes…
Vinte anos mais tarde, a orquestra ainda existe. Com outros membros, é certo (da formação original, mais não restam do que dois ou três nomes), continuando a tocar temas que fize­ram (a sua) história.
Entre os mais conhecidos, alguns que nos são particularmente gratos. Estão neste caso, ‘Grândola’ e ‘Coro da Primavera’. E é aqui que entra o Zeca…

ENTRA O ZECA AFONSO

Porque isso aconteceu, já todos os leitores estão neste mo­mento a imaginar. . .
Até 1974, Portugal ‘não existia’ nos meios de informação holandeses.

Para além dos ‘heróis’ nacionais da época (que incluíam sím­bolos como Fátima, Salazar e Eusébio), parcas eram as refe­rências na imprensa local ao nosso país.
A partir desse ano, e pelas razões que muitos de nós persis­tem em não esquecer, ‘surgiu’ mais um país no mapa da Europa democrática. Indelevelmente ligado a esse ano e data histórica estava uma canção que passou a fazer parte do património cultural da resistência e solidariedade holandesa. Não passava semana, que a televisão não transmitisse ima­gens do nosso país, invariavelmente acompanhadas das estrofes da ‘Grândola’.
Na verdade, a canção chegaria à Holanda muito antes do Zeca… Este passaria (praticamente despercebido) pelo cir­cuito emigrante de Amsterdão na sua primeira visita àquela cidade em Setembro de 1974 e, só quase dois anos mais tarde, cantaria pela primeira vez para o público holandês.
Nessa altura, perante uma assistência de 5.000 espectadores que, de braço dado e a uma temperatura ambiente de 13 graus negativos, repetiram as estrofes da canção obrigando o cantor a actuar em dois palcos na mesma noite do Festival da Contra-Cultura, em Utrechí.
Com ‘Grândola’ eleito hino da ‘resistência europeia’, a popu­laridade da música portuguesa não parou de aumentar…
É aqui que entra o Amilcar.

AMILCAR VASQUES DIAS
Chegado à Holanda em 1974, Amilcar Vasques Dias – um
estudante-compositor de música contemporânea – cedo entraria em contacto com o circuito musical holandês. Aí conheceria Louis Andriessen, fundador e principal impul­sionador do ‘De Volharding’, através de quem chegaria àorquestra com quem começou a trabalhar.

Estamos no princípio dos anos oitenta e José Afonso inicia um período de visitas regulares à Holanda, durante as quais a sua obra ganha uma nova dimensão, graças a duas digres­sões de relativo sucesso.

Amilcar é convidado a fazer arranjos de composições do Zeca para o ‘De Volharding’, que serão gravadas posteriormente. Datam desse período, as gravações de ‘Grândola’ e ‘Coro da Primavera’ e, posteriormente, ‘Amor Militante’ baseado num poema de Manuel Alegre.
Mais tarde, já com José Afonso doente e durante um concerto de homenagem que lhe foi feito no ‘Melkweg’ de Amsterdão (Abril de 1985), e que juntou mais de 50 artistas em palco, lá estavam, lado a lado, a orquestra ‘De Volharding’ e o Amilcar, que tocou piano nessa noite…

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No verso dos versos
22/12/2006By AJA

Lá no Xipangara

“Na viagem de regresso de Moçambique para Portugal comecei a curtir saudades, como agora se diz. E durante a viagem de barco, fiz «Lá no Xipangara» canção meramente rememorativa – evocativa de personagens e lugares que inseri no meu álbum «Coro dos Tribunais».” José Afonso



Lá no Xipangara

Lá no Xepangara
Vai nascer menino
Dentro da palhota
Tem a seu destino

Lá no Xepangara
Fica muito bem
Deitado na esteira
Ao lado da mãe

Há-de ter um nome
Lá prò fim do ano
Se morrer de fome
Tapa-se com um pano

Se tiver já corpo
Rega-se com vinho
Se não cair morto
Chama-se menino

Se tiver umbigo
Corta-se à navalha
Tira-se uma tripa
Faz-se uma mortalha

Pretinho de raça
Sempre desconfia
Se o musungo passa
Diz muito bom dia

Quando for mufana
E já pedir pão
Dá-se uma lambada
Vem comer à mão

Mais uma patada
Vai-te embora cão
Dá-se-lhe porrada
Porque é mandrião

Lá prò fim do ano
Quando já for moço
Guarda-se o tutano
Fica pele e osso

Quando já for homem
Tira-se o retrato
Come na cozinha
Chama-se mainato

Se mudar de vida
Vai para o contrato
No fundo da mina
Fica mais barato

Quando já for velho
Chama-se tratante
Dá-se-lhe aguardente
Morre num instante

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Capas de discosJosé Brandão
21/12/2006By AJA

Ilustração de José Brandão para a capa do disco “Coro dos tribunais”

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Moçambique
21/12/2006By AJA

Imagens do bairro do Xipangara




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João Afonso dos SantosMoçambiqueTeatro
21/12/2006By AJA

Lá no Xipangara

Aos fins de semana, saíamos pela tarde, aparelhados. O Alvaro Simões, que por lá ficou, moçambicano por opção, com a sua câmara fotográfica a tiracolo, eu armado da minha 8 mm. de filmar, e o Zeca. Com todos os comple­mentos da ordem: tripés, jogos de lentes e filtros, fotómetros, gravador, que sei eu. Isto depois de termos espiado o céu, medindo a olho a luminosidade e o “calor” da luz. E, quando o sol a meio do quadrante perdia o gume de aço, começava a projectar sombras e a desentranhar-se em cores, vagueáva­mos pelo “Xipangara”, essa outra cidade do caniço que envolve a Beira. Dos três, era Zeca o único que não dependia senão dele mesmo, num indeterminismo vagabundo que desde sempre foi uma sua segunda natureza, acrescentado da crónica aversão que sentia ou acreditava sentir pela máquina em geral, penso que para melhor defender o seu livre arbí­trio. Levava os olhos e o espírito para ver, naquela peculiar e muito pessoal maneira que era a sua de ver as coisas, captan­do-lhes por debaixo da pele, se assim me posso exprimir, os sinais duma verdade oculta. Via e, claro, cumulativamente, ouvia e registava os sons, o ritmo, a linguagem expressiva dos corpos. Posso bem dizer que mergulham nessas convivências os sincretismos musicais afro-europeus que depois aparece­ram dispersos por vários discos editados a partir de 1970, quer dizer, quatro anos mais tarde. Nessas e em outras expe­riências congéneres que já trouxera de Lourenço Marques, donde um despacho atrabiliário e despótico da administração o baniu, por causa desses mesmos convívios, especialmente os que mantinha com a Associação dos Negros de Moçam­bique. Diga-se de passagem, que sempre estranhei que can­ções como “Carta a Miguel Djéjé” ou “Lá no Xipangara”, por exemplo, não desfrutem dum favor pelos menos igual ao de outras mais notórias, pela frescura da inovação, o arranjo musical e a construção melódica. Voltando, porém, ao tempo a que estas breves memórias se referem, não me lembra de termos, na altura, notícia desses cantares de raíz moçambicana, cuja maturação se veio a desentranhar em obra provavelmente já depois do Zeca ter regressado a Portugal, em 1967. “Avenida de Angola”, que ele trouxe de Lourenço Marques com a bagagem, inspirada é certo por quadros dos subúrbios negros da capital, é ainda uma canção exclusivamente portuguesa, na estrutura melódi­ca e rítmica. Outras eram, pois, as composições que Zeca trazia no seu saco de segrel, criadas em momentos anteriores e editadas depois conjuntamente, com diferentes cronologias. Algumas vezes, ao anoitecer, depois que os dois marimbeiros do pé da porta calavam o seu diálogo demorado e perfeito, a toada onomatopaica e encantatória, era a vez do Zeca cantar para alguns amigos “intra-muros”, acompanhando-se tosca­mente à viola, com o auxílio de uma braçadeira que é assim como uma espécie de cábula de tocar. Guardo comigo a gra­vação dum desses momentos que o mesmo Álvaro Simões me enviou por portador, com tantas recomendações como se do velo de ouro se tratasse. Entre outras, lá estão registadas “O Cavaleiro e o Anjo”, “Traz Outro Amigo Também” e o “Cantar Alentejano”, que acabaram por figurar nos álbuns editados de sessenta e oito a setenta, um por cada ano. Em dada altura, uns tantos devotos saudosistas empreende­ram comemorar, ali nos limites do mangal africano, um feito académico celebrado em Coimbra sob a designação de “Tomada da Bastilha”. Ao tempo em que o grupo teatral da cidade se preparava para levar à cena “A Excepção e a Regra”, do Bertolt Brecht. Zeca encarregou-se de criar para a peça umas tantas canções destinadas a assegurar o necessário distanciamento brechtia­no da representação dramática. Duas delas vieram a ser incluídas, como se sabe, em discos mais tardios, “Eu Vou Ser Como a Toupeira” e o “Coro Dos Tribunais”. E ele mesmo ensaiou este último, tarefa que se verificou não ser menor, nem menos perseverante, do que a do acto de criação pro­priamente dito. Veio o dia em que surgiu, encostada a uma das faces da praça central, com o seu quê de imponente, a réplica em madeira do pórtico fronteiro da Sé Velha de Coimbra, tão semelhante à vista que apenas se poderia lamentar o desam­paro dos vetustos muros a que se encosta o original. A inten­ção era, claro, reproduzir o “clima” convencional duma serenata de Coimbra e Zeca e dois acompanhantes, mais o primeiro do que os segundos, eram dados como certos, até por serem os únicos disponíveis e, portanto, insubstituíveis. Enquanto isto, as provas teatrais enviadas à censura oficial regressaram tão retalhadas que ficava prejudicada qualquer representação. O Dr. Carvalheira – creio que assim se chama­va o censor – era ferocíssimo a empenhar o instrumento cen­sório, a caneta ou a tesoura, conforme as circunstâncias. Mas, ao mesmo tempo, escrupuloso, deu-se ao incómodo de recri­ar, à margem, algumas falas integrais e outras parciais das personagens, depuradas dos aspectos que mais o beliscavam. Logo ali foi mandatado um emissário para fazer saber ao censor que sem Brecht não haveria fados. Torceu-se o homem que, acima de ser censor convicto, era coimbrão ferrenho e empenhado concorrente. Subiu, pois, à cena a “Excepção e a Regra” e atrevo-me a dizer que pela primeira vez em todo o decrépito império.
– João Afonso dos Santos (irmão de José Afonso)
O programa onde se anunciavam canções inéditas de José Afonso
e algumas fotos da estreia da “Excepção e a Regra”






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Homenagens e tributos (artes plásticas)
21/12/2006By AJA

Retrato imaginário de José Afonso – Artur Bual 1994

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AJAforça
19/12/2006By AJA

Um concerto em Braga por músicos do grupo Ajaforça




Músicos da Aja norte animaram a noite de 16 de Dezembro num bar em Braga. Foi uma boa tertúlia criada pelos nossos companheiros Manuel Sampaio e Ana Ribeiro que cantaram a duo e individualmente inúmeras músicas do Zeca.
A assistência foi animada e participativa.

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Discografia
19/12/2006By AJA

República

“República” foi gravado em Roma, em 30 de Setembro e 1 de Outubro de 1975, nos Estúdios das Santini Edizioni. Álbum de solidariedade para com o jornal República e a Reforma Agrária, editado em 1975, com interpretações de Zeca e de Francisco Fanhais, que inclui um tema inédito, «Foi no Sábado Passado», escrito a propósito de uma manifestação de solidariedade com a revolução portuguesa, realizada em Roma. Os outros temas são: «Para não dizer que não falei de flores», do brasileiro Geraldo Vandré, «Se os teus olhos se vendessem», «Canta camarada», «Eu hei-de ir colher macela», «O pão que sobra à riqueza», «Vampiros», «Senhora do Almortão», «Letra para um hino» e «Ladaínha do Arcebispo».
Editado por iniciativa conjunta do Manifesto e das organizações Lotta Continua e Vanguardia Operaria, nunca foi distribuído em Portugal. O produto da venda dos discos destinava-se ao apoio da Comissão de Trabalhadores do Jornal “República” ou, caso o jornal fosse entretanto extinto, ao Secretariado Provisório das Cooperativas Agrícolas de Alcoentre.

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José Dias CoelhoNo verso dos versos
19/12/2006By AJA

Dias Coelho: o homem a quem o Zeca dedicou “A morte saiu à rua”


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Associação José Afonso
18/12/2006By AJA

Sejam benvindos ao novo site da AJA

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Associação José Afonso
16/12/2006By AJA

Novo logotipo e novo site da AJA

A AJA tem um novo logotipo da autoria da designer Claúdia Lopes.
2007 será para nós um ponto de viragem e por isso decidimos “lavar a cara”.
Também a partir da próxima 2ª feira estará on-line o nosso novo site com nova imagem e algumas novidades.

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Homenagens e tributos (artes plásticas)
05/12/2006By AJA

De Cédric Ribeiro


Retirado de: www.folkmagazine.info/cartoon.htm

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Homenagens e tributos (artes plásticas)
05/12/2006By AJA

Mais uma caricatura

Retirada do blog: teresa-torga.blogspot.com

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Francisco Fanhais
01/12/2006By AJA

Dedicatória


A re-edição em cd (Strauss, 1998) do LP original “Canções da Cidade Nova” (1970), com nova capa e designação (a dedicatória de José Afonso, que no album original se encontrava na contracapa) e um novo alinhamento das canções.
Violas: Fernando Alvim e Pedro Caldeira Cabral
Direção Musical e Arranjos: Thilo Krasmann
Primeiro e único album (listagem das canções incluída no zip) de Francisco Fanhais (na época conhecido como Padre Fanhais), na sequência do qual passa a integrar o grupo de cantores que usam a poesia e a música para dinamizar numerosas sessões de resistência ao regime vigente. No ano anterior tinha sido editado um EP intitulado “Cantilenas”, após uma participação de grande sucesso no programa Zip-Zip, por incentivo de José Afonso (aqui o vosso amigo Rato teve o privilégio de assistir à gravação desse programa no Teatro Villaret, em Lisboa. A esse e a muitos outros!)
«Num tempo marcado pelas guerras de África, pela intransigência acéfala do regime, pelo visco autoritário e dirigista, pela prepotência, pela repressão, pela Ditadura», era-nos pedido que não deixássemos morrer na garganta o grito inventado pela dor, que fizessemos da raiva canção e da canção uma ponte.
E foi o tempo de rejeitar um silêncio cúmplice, tortuoso e sufocante.
Tempo de não adormecer na madrugada.
Tempo do sim irreversível à vida.
Tempo de aprender a não ter medo de amar.
Tempo de encontrar novos companheiros, vindos de outros lugares mas todos sedentos da mesma manhã. E éramos tantos!
“Os tempos eram outros…”
O Tempo é o mesmo.
(Francisco Fanhais)

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Benedicto Garcia Villar
29/11/2006By AJA

DA RAZÓN Ó CORAZÓN – Homenagem a Benedicto Garcia Vilar

Discurso do Benedicto na sua homenagem em Lugo

Sei que me dades este premio, por mil razóns inmerecido, coa convicción de que non equivale a un punto final, que é un punto e seguido para continuar o labor iniciado hai tantos anos con compañeiros de tanta valía, entre eles os cinco hoxe aquí homenaxeados. É meu o privilexio e a fortuna de ter convivido con todos vós, de ter ido moldeando a plastilina, de ir construíndo desde cero. E facelo colectivamente, sabendo que o colectivo é sempre máis que a suma dos individuos que o conforman.Os meus amigos están aquí, son cómplices e partícipes; con eles vivín moitos dos mellores momentos dunha vida sempre xenerosa conmigo. Entenderedes, pois, que ten todo o senso que comparta con vós a frase que, ó meu entender, mellor define a travesía que facemos neste barco: “Da razón ó corazón”. Non son precisas explicacións.Como tampouco serán precisas para que todos entendades que me enche de gratitude e emoción ter estado en Italia o día 10 de marzo de 1972, si, aquel día tan importante, representando ás “comisións obreiras”, daquela aínda “movemento socio-político”, e recibindo a solidariedade dos demócratas italianos. Ou que me encha de orgullo ter participado na primeira e única manifestación de “furgonas” de grupos musicais que, contra os agoiros dalgúns, encheu de colorido, bocinazos e dignidade a Praza do Obradoiro, hai moitos, moitos anos. ¿Teñen problemas os músicos?. Preguntaban algúns, incrédulos.Ou por ter participado na construcción desa gran federación que no ensino ten presencia en tódolos sectores, nalgúns de xeito hexemónico. Cando un sindicato soporta e se alimenta á vez, nesa simbiose xenuína e proveitosa, dunha orquesta polifónica de “kazoos” todo é posible.Como foi posible que este sindicato, practicamete en solitario, enchera con 10.000 traballadores o Pabellón do Obradoiro na homenaxe que un poeta comprometido coa súa causa merecía. Foi o 28 de outubro do 79 e o poeta era C.E.Ferreiro.Como tamén o foi a aportación singular que Comisións fixo na organización da demostración de amor e solidariedade que os galegos de ben fixeron a aquel artista excepcional que tanto nos quería. Era maio do 87 e Galicia enteira sintonizou a frecuencia vital do Zeca Afonso. Sabemos que aínda está todo por facer cos materiais destes eventos como tamén os que se refiren ós sucesos na Universidade de Santiago no ano 68. Estamos próximos a que se cumpran 30, 20 e 40 anos desde aquelas datas. Coido que non desvelo ningún segredo se vos digo que estamos nelo. Só queda que cadaquén aporte o que lle corresponda.As diferentes responsabilidades que me tocou desenvolver nestes anos, tanto nas Federacións como na dirección do Sindicato Nacional, todas e cada unha delas, representaron retos, ¡que duda cabe! Pero sempre representaron para min un inmenso enriquecimento persoal. Espero non ter deixado ningunha ferida polo camiño. A quen poidera ter molestado o meu proceder, as miñas disculpas máis sentidas. A todos e a todas, o meu agradecemento máis profundo: por serdes así e por estar aí.

Benedicto García Villar
11 de marzo do 2006

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Prémio José Afonso
29/11/2006By AJA

Prémio José Afonso sem vencedor

O júri do Prémio José Afonso 2006 decidiu não o atribuir “por não ter encontrado mérito consonante com o prestígio do Prémio”, foi hoje anunciado pela autarquia da Amadora. Os álbuns candidatos, apresentados pelas respectivas editoras, foram: ” Apontamento” de Margarida Pinto, “Mulheres” das Vozes da Rádio, “Amores Imperfei tos” de Viviane, “Éramos Assim” de Boite Zuleika, “Groovin’on monster`s eye-ball s” dos Hands on Approach, “Cacus” de José Peixoto e Carlos Zíngaro, “Coisas Simp les” de María León, “Almadrava” dos Marenostrum e “Cantes d’Além Tejo” de Franci sco Naia. Foi a primeira vez que o Prémio, instituído em 1988, no valor pecuniári o de cinco mil euros, não é atribuído. O júri tomou esta decisão “unanimemente, perante as obras apresentadas a concurso”, lê-se na mesma nota. O júri deste ano foi constituído por António Moreira, vereador da Cultu ra da Câmara Municipal da Amadora, a pianista Olga Prats, o jornalista Carlos Pi nto Coelho, o presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, Manuel Freire, e o maestro António Vitorino de Almeida. O Prémio distinguiu o ano passado o cantautor açoriano Zeca Medeiros pe lo seu álbum “Torna-Viagem”. O Prémio tem como objectivo homenagear o autor de “Grândola Vila Morena “, incentivar a criação musical de raiz portuguesa e animar turística e cultural mente a cidade da Amadora.

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Andrés Stagnaro
28/11/2006By AJA

Andrés Stagnaro


O site do cantor uruguaio Andrés Stagnaro que em 2006 apresentou em Montevideo na sala Zitarrosa o espectáculo – “ Las canciones de José Afonso “

O DVD deste espectáculo pode ser visionado na AJA.

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AJA Norte
28/11/2006By AJA

A Aja norte já está a construir 2007.



Duas imagens do intenso trabalho de preparação de uma iniciativa de pareceria entre a Aja norte e a casa do povo da longra, em Felgueiras.

A iniciativa será a 3 de Fevereiro de 2007.

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Homenagens e tributos (artes plásticas)
24/11/2006By AJA

Desenhos de Serafim Guimarães


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Associação José AfonsoImprensa
19/11/2006By AJA

Notícia no “Correio da Manhã” de hoje

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Associação José Afonso
15/11/2006By AJA

Inauguração da nova sede da AJA em Setúbal

A Associação José Afonso fará a inauguração da sua sede em Setúbal, no próximo sábado, dia 18 de Novembro a partir das 16 horas. Apareçam e tragam um amigo também.

Associação José Afonso
Rua Damão 26 – 28
2900-340 Setúbal

Para mais informações: 265. 185 580

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CoimbraHomenagens e tributos (artes plásticas)
11/11/2006By AJA

Zeca em Coimbra…

Painel de azulejo colocado na casa onde viveu Zeca em Coimbra, junto à Sé Velha.

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Carlos CouceiroTestemunhos
04/11/2006By AJA

José Afonso por Carlos Couceiro

O José Afonso foi meu colega desde o 4º ano de Liceu e aí começaram as primeiras gui­tarradas e os primeiros fados de rua que era a maneira de nós não sermos rapados, lá em Coimbra, com o Mário Barroso.
Saíamos para as nossas noitadas desde que se cantasse e tocasse bem ou mal, e ele can­tava bem e o Barroso tocava muito bem, eu é que era o mais incipiente. Fomos colegas desde o 4º ano, e mais, vim a ser seu compadre, padrinho do seu primeiro filho.
Estava eu na Faculdade de Engenharia no Porto, quando recebi um recado dele, à sua boa maneira: – Quero que sejas o padrinho do meu filho. E lá fui eu para o notário da Avenida da Sofia com a minha comadre, uma moça de Pinhel, a Leia. Entretanto o José Afonso foi dando os nomes e as datas do pai, da mãe e dos avós e daquelas coisas todas que lhe pediam, até que o notário lhe perguntou: – Em que dia é que nasceu a criança?…e ele: Eh, pá, em que dia é que nasceu o meu filho??? E eu disse 17 de Janeiro de 1952. Histórias. . .! ele tem tantas. .. Uma em que ele quer receber a Tuna Académica de Coimbra que vinha de Nova Lisboa, em Angola, para o Lobito, no Caminho de Ferro. Ele pertencia à Comissão de Recepção. Eu já não via o Zeca há seis anos. Ele saíu do com­boio dirigiu-se a mim e disse-me: Eh pá, esta malta agora tem um sentido exagerado de propriedade, e eu perguntei-lhe: Porquê, pá? E ele explicou: Olha quando me levantei, calcei as meias do parceiro que vinha na cabine, comigo, e o tipo refilou tanto, tanto, que eu estive a quase a ir-lhe ao focinho. . .
Outra vez, ainda no Liceu, quando apareceu o aspecto ortográfico de acentuação, o Zeca nas aulas de Português dizia “Estando os conégos da Se com os cotóvelos apoiados numa mesa de pau de ebâno bebendo uma pinga de cáfe, estando uma menina a ler, diz um deles: “Ai que bem que a menina le”, pois ainda não é nada, porquanto ainda vamos no prológo quando formos no epilógo das formigas. . .! E muitas outras mais. .. Há muitas coisas que se sabe pouco dele, eu devo dizer, para mim, que o Santos Silva, engenheiro na Figueira, O Manuel Nemésio, filho do Vitorino Nemésio que o conhecemos na inti­midade desde crianças, sabemos da sua generosidade, da sua coragem e da sua energia física. Nós punhamos as capas em cima da cabeça e ele saltava aquilo. Na Universidade ele corria muito bem. . . e como é que aquele homem vem a morrer com aquela doença de atrofias musculares ele que era de uma elasticidade física como poucos.
Era uma pessoa de grande coragem, pois por vezes em situações de grandes conflitos, em que ele não se metia, mas que não arredava pé.
Dizer dele, que era um homem de boa fé, duma descuidada ingenuidade, um homem bom e assim vivíamos. Convidou-me no dia seguinte ao casamento dele, que fez com umas testemunhas quaisquer, que encontrou. Sentei-me e comi com ele, o primeiro prato de bacalhau com duas batatas, no quarto dele no Beco da Carqueja, era um Beco que havia mesmo em frente da Sé Velha, e ele vivia ali no 32 andar.
Muitas vezes encontrei o Zeca Afonso a dormir na minha cama na minha “República” e eu a ter que me deitar num colchão no chão, porque ele não aceitava que o fossem tirar da cama onde dormia, aquilo era dele. São alguns pormenores que posso contar. Falar dele é falar de muita saudade. São muitos os episódios, mas acho que o António Fernandes Santos Silva engenheiro da Figueira da Foz, tem um livro que traz umas histórias sobre o Zeca. O Santos Silva, julgo que foi a pessoa que melhor retratou a vida do Zeca. O resto, floriram, e na minha opinião exploraram a pessoa que ele era. Nalgumas coisas, uti­lizaram a sua maneira de ser mas este, o Santos Silva, deu em toda a sua beleza a sua grande dimensão com a amizade de irmão.

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Alípio de FreitasTestemunhos
01/11/2006By AJA

CANTIGA DE AMIGO – Alípio de Freitas

Falar de alguém que está sempre presente é muito, muito difícil. E ainda mais se esse alguém que, mais do que um amigo, é um irmão gémeo. É assim que me sinto quando tenho que falar ou escrever sobre o Zeca. Conhecemo-nos sem sequer nos termos visto. Ele, cantando para que a liberdade florescesse. Eu, lutando para que, de tão oprimida, não morresse. Tínhamos o Oceano pelo meio, não como distância, mas como caminho. Para a solidariedade, os muros de qualquer Fortaleza não existem. Quando, finalmente, nos encontrámos, descobrimos que tínhamos mil coisas a nos dizer. E foi sempre assim, até que ele partiu para outra viagem, para a Cidade da Utopia (quem sabe?), onde a cantiga é apenas um hino à fraternidade.

Digo que partiu e digo que ficou. Na memória, no afecto e no retrato que está aqui, ao meu lado, junto do Cardenal, do Cristo de Dali, do Che, do Gregorio Bezerra e dos companheiros da Fortaleza de Santa Cruz. Estamos todos aqui, nas fotos, na lembrança e na música, em diálogo permanente sobre o presente e sobre o futuro, aquele futuro do qual não desistiremos jamais… Esperem um pouco… Eu volto Já… Tenho de ir ao quintal respirar e conversar com as árvores porque o coração se me aperta com a presença-ausência do Zeca. E dos outros. E eu que pensava que a vida já me tinha endurecido o bastante para contrariar a emoção. Mas não.

Houve um tempo em que o mundo que ouviu o Zeca, talvez por má consciência, pareceu querer esquecê-lo. Mas as pessoas são como as sementes. Se são boas, quando descem à terra. frutificam, multiplicam-se por mil. Como o Zeca era uma boa semente, passado o Inverno e aparecida a Primavera explodiu em flores e frutos. E aí está, não apenas na voz dos amigos fiéis que sempre o cantaram, mas, mais que tudo, nas vozes de uma geração que nem sequer o conheceu. O Zeca acendeu uma luz que ninguém pode apagar ou deixar de ver. Sempre acreditei nisso. A luz, a fraternidade, a solidariedade, a amizade, a beleza, o amor, são difusivos por si mesmos. O mundo não pode passar sem eles. Por isso o Zeca estará sempre connosco.

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AJA Norte
29/10/2006By AJA

O aniversário da Aja Norte

Com o objectivo de comemorar o 1º aniversário da AJANORTE (Núcleo do Norte da Associação José Afonso), realizou-se um jantar seguido de alegre e participado convívio, entre cerca de quatro dezenas de convidados. O local escolhido foi o Restaurante do senhor Jorge, em fente à estação de Campanhã na cidade do Porto. Depois das acolhedoras palavras proferidas para o efeito pela Judite Almeida, foi a vez de Alípio de Freitas cumprimentar todos os presentes elogiando o trabalho realizado pela Ajanorte, quer pelas iniciativas realizadas no seu primeiro ano de existência, quer pelo esforço desenvolvido nos contactos estabelecidos entre diversas entidades e organizações culturais, tendo em vista a realização de novas iniciativas para o ano de 2007. Animados por num projecto em torno da divulgação da obra de José Afonso, nosso querido poeta-cantor, para Alípio de Freitas a Ajanorte tem contribuindo de uma forma alegre e cativante sendo exemplo demonstrativo de como com trabalho e a humildade, se consegue contornar obstáculos, dignificando a AJA e todos os seus membros.
Seguiram-se as músicas e as canções, contando com a participação do grupo Ajaforça, Manuel Ramalho, João Teixeira, José Silva, Fernando Lacerda e Tino Flores.
Não poderia-mos deixar de salientar e agradecer o serviço prestado pelo restaurante, e do seu proprietário senhor Jorge, o qual depois de tudo bem servido nos presenteou com a sua presença e participação, comentando que assim dá gosto trabalhar e receber clientes.
No final era bem visível a satisfação de todos.
José Luis Guimarães

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AJA Norte
21/10/2006By AJA

1º aniversário da Aja Norte

Jantar 6ª feira, 27 de Outubro, 20h00 – “Capoeira de Campanhã” (em frente à respectiva estação dos comboios)

Ementa Aperitivos, prato (três opções de prato sob inscrição prévia), fruta ou bolo, café, vinhos, sumos, água

Vitela assada Pataniscas de bacalhau Filetes de pescada com arroz de feijão vermelho

Preço 13 euros – Limite máximo de participantes: 50

Inscrições Gabriela Marques gabrielammarques@gmail.com Paulo Esperança 91 771 19 64

Música membros do grupo “Ajaforça”, João Teixeira, Tino Flores, entre outros

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Homenagens e tributos (artes plásticas)
19/10/2006By AJA

Postal virtual

Postal virtual com José Afonso
Ilustração realizada em 2005 por Augusto Mota e logo posta a circular entre amigos através de e-mail. O poema, da autoria de Luís Serrano, data de Novembro de 1983, e vem publicado na obra “Entre Sono e Abandono”, Aveiro, Estante Editora, 1990.
A fotografia que serviu de base ao trabalho do artista foi captada em Leiria, logo após uma sessão de canto livre que contou com a participação de José Afonso.
[imagem enviada por Augusto Mota em 15 de Outubro de 2006]

Retirado do blog: http://guitarradecoimbra.blogspot.com

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AJA NorteTertúlias
15/10/2006By AJA

A AJA Norte e “Pintar o 7” apresentam…

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GalizaJúlio PereiraTestemunhos
13/10/2006By AJA

Uma pequena história partilhada pelo Júlio Pereira

Era uma vez na Galiza, anos oitenta. Um concerto de José Afonso em Cangas de Morrazo (perto de Vigo) num velho teatro municipal. Acompanhava-o eu, Henri Tabot e Guilherme Inês. Chegados à hora do espectáculo, deparámo-nos com um público, a meio da plateia, de seis pessoas! A minha reacção (suponho que a dos meus colegas) foi a de não tocar. E o Zeca disse não! Tocados os 17 ou 18 temas ensaiados pelo grupo, José Afonso pegou na viola e sozinho, tocou cantando mais oito temas entre os quais “Catarina” – a primeira vez que o ouvi cantar assim. Estranho. As seis pessoas de pé aplaudiram incansavelmente José Afonso e durante muito tempo. Como se a sala estivesse cheia.
Só mais tarde percebi que o Zeca, nesse dia, tinha deixado seis amigos na Galiza.

Júlio Pereira
(Músico e amigo do Zeca)

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Arranjos instrumentais
03/10/2006By AJA

Versão instrumental da Balada de Outono

João Vila ao piano

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Associação José Afonso
03/10/2006By AJA

Ideias para 2007 – Ano José Afonso


Sócio ou não sócio, deixa aqui a tua proposta de celebração da obra de José Afonso no ano que se avizinha. O que gostarias de ver acontecer para o ano. “Lança o teu desafio!”

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FotografiaPatxi Andión
24/09/2006By AJA

Patxi Andion


José Afonso ouvindo Patxi Andion. Entre eles o jornalista José Nuno Martins e do lado esquerdo da imagem, o poeta Alexandre O’Neill. (Cinema Monumental, 1973)

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Homenagens e tributos (poesia)
22/09/2006By AJA

Carta ao Zeca

E se de todas as bocas saísse hoje a palavra liberdade?
E se saíssemos das casas conforto, comodismo
E na rua olhássemos a miséria de frente,
A hipocrisia que alastra,
O egoísmo do eu feito preocupação diária?
E se em vez de sobreviver
Vivêssemos?
E se a indignação fosse decreto,
Obrigatoriedade, dever cívico a cumprir?
E se a miséria fosse crime público
E quem a permite, julgado e condenado pela lei?
E se disséssemos ao Zeca:
Olha pá, tentámos manter Abril vivo
Mas os cravos hoje são todos sintéticos como a liberdade.
Olha Zeca, a malta perdeu a memória
Esqueceu a história e não vai em revoluções
Senta-se no sofá e faz zapping ao mundo.
E o povo Zeca, já não ordena
O povo, Zeca, esqueceu o que é fraternidade!

Poema da Encandescente

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Homenagens e tributos (música)
20/09/2006By AJA

O Grupo “Erva de cheiro” tributa José Afonso e Adriano


Mais informações…

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António Pinho BrojoTestemunhos
10/09/2006By AJA

António Pinho Brojo sobre José Afonso

Excerto de uma entrevista mais alargada a António Pinho Brojo, histórico guitarrista de Coimbra, liderada por António Manuel Nunes, que podem ler na íntegra no blog do guitarrista Octávio Sérgio – http://guitarradecoimbra.blogspot.com

(…)
AMN: Estamos a caminhar para os finais dos anos 40…
APB: Sim. Entretanto aparece o Zeca Afonso, à volta de 1948, também cantando exclusivamente o fado tradicional. Eu, em 1952, exactamente, fiz discos de 78 rotações com o José Afonso, Luiz Goes e Fernando Rolim. É, digamos, depois dos discos do Menano, do Paradela, do Lucas Junot, a primeira vez que são lançados discos de 78 rotações com os três cantores que depois vieram a ser uma Segunda Geração de Ouro. O Luiz Goes, repare, trazia atrás de si um património musical formidável. O tio dele, o Armando Goes, tinha, como sabe, o estilo que nem sempre era o do fado tradicional. Ele insistiu no fado lisboeta, cantou sonetos e o Luiz Goes continuou a herança do tio.

AMN: Estes discos de 1952 eram já um projecto artístico diferenciado em relação às heranças recebidas? Gravou apenas porque havia necessidade de novos discos no mercado, pensou, estudou, ensaiou, ou as gravações foram espontâneas?
APB: Não! Foi um projecto diferente. Não foi espontâneo. Com a aproximação dos Anos 50, aí por 1951, eu venho para Coimbra, para a Universidade. Em minha casa surge uma tertúlia, a Tertúlia do Calhabé. Tertúlia com quem? Com um sujeito que ainda está vivo e que é funcionário da Assistência Social, que era o José Rodrigues, um apaixonado pelo estilo do Artur Paredes e seu conviva. Ele era sobretudo um cultor da guitarra, da guitarra do Artur Paredes e teve uma grande importância na minha formação e na do Portugal também. E com o José Rodrigues e com o Florêncio Neto de Carvalho – que era um homem que tinha uma virtude extraordinária. Conhecia muito bem o fado de Coimbra e sabia interpretar (=imitar) o estilo de cada um dos cantores da Primeira Geração de Ouro, então resolvemos chamar o Fernando Rolim, o Zeca, o Goes e o Machado Soares que entrou mais tarde. E resolvemos que as coisas tinham caído numa tal decadência…

AMN. Vocês tinham consciência dessa “decadência” artística?
APB: Tivemos a noção dessa crise e pensámos “nós temos de fazer um estudo das raízes!” Com o trabalho discográfico do Artur Paredes e o apoio do José Rodrigues surge um “Renascimento”. Em minha casa começámos a fazer exactamente esse trabalho. O Florêncio de Carvalho o que é que fazia? Quando aparecia um rapaz, ele dizia, “ó pá, tu tens uma voz estupenda para cantar, eu vou-te ensinar fados do Bettencourt como ele os cantava”. E depois cantava-lhe à maneira do Bettencourt, do Paradela, do Menano. Depois corrigia o cantor, obrigava-o a dizer o poema. Havia toda uma aprendizagem que era no sentido de primeiro saber o que estava a cantar, reproduzir o conteúdo do poema e dar-lhe depois expressão na música dentro do estilo. Outros teriam um estilo mais parecido com o Menano… de facto, houve um trabalho de sapa, de estudo e de recolha, de regresso às raízes dos anos 20. Mas atenção, o Florêncio representava já algo de progresso, introduzia já o seu contributo. O Florêncio também cantava, embora tivesse problemas de garganta e tivesse muitas vezes dificuldades de cantar, mas sobretudo tinha uma expressividade extraordinária.
Os discos surgem como consequência desse treino, desse estudo. Os discos aparecem, deliberadamente, como uma forma de afirmação e de “reposição”.

AMN: Quais foram as reacções aos discos?
APB: Foi óptimo, foi óptimo!

AMN: Havia uma lacuna fonográfica de quase 30 anos…
APB: Não era fácil. As empresas de gravação eram poucas e não tinham muitos meios. O Fado de Coimbra estava num gueto, verdadeiramente num gueto! Ainda hoje lhe devo dizer uma coisa, o grande mal disto tudo está em a Canção de Coimbra ser sempre associada restritamente ao meio de Coimbra, é sempre considerada como uma música urbana muito local. Nunca adquiriu um estatuto na música ligeira portuguesa, ao contrário do Fado de Lisboa. Ainda hoje na rádio, é difícil, é raro, pode contar pelos dedos o número das situações em que está a ouvir música diversa e no meio da música sai uma canção de Coimbra. É raro! Felizmente que aparece, mas é raro.
Tinha havido ali um hiato tremendo e aqueles discos tiveram uma enorme aceitação. Os discos foram gravados aqui em Coimbra no Emissor Regional, em condições muito fracas, e depois passadas a 45 rotações e 33 rotações e cassetes. O Portugal já nessa altura entrou. Foi o meu 2º guitarra nesses discos. Quando eu me vou embora para a Suiça em 1954 – o meu trajecto vai até 54, de 1943-1944 até 54 – , o Portugal vai continuar o nosso trabalho.
Em toda a minha época, eu cito o João Bagão, cito o José Maria Amaral, o Carvalho Homem, o Manuel Branquinho (embora o Manuel Branquinho nunca tenha sido um guitarrista, em meu entender, eu sou oficial do mesmo ofício, que se tivesse afirmado muito significativamente. Quando reaparece, mais tarde, é a cantar). Como violas eram o Aurélio Reis, que já era uma figura habitual, era o Eduardo Tavares de Melo, o Mário Castro. Na minha geração isto foi o núcleo fundamental.

AMN: Carlos Figueiredo, era um homem marginal a estes meios?
APB: O Figueiredo (risos)… você já se apercebeu que o meio é fechado e pequeno… há certas rivalidades. Há sempre uns ditos de bastidores, umas piadas. Nessa altura também havia essa mesma rivalidade. Ainda que, o João Bagão, o José Maria Amaral e o Carvalho Homem tivessem actuado muitas vezes em conjunto, de tal maneira que o José Maria Amaral foi 2º guitarra do João Bagão, depois o José Maria Amaral autonomiza-se e constitui o seu próprio grupo em que eu entrei como 2º guitarra, depois o José Maria Amaral vai-se embora e eu fico com o Carvalho Homem… Eu não tinha problemas, integrava-me facilmente embora sentisse as rivalidades, que então nos cantores eram “notáveis”. No meu grupo não, o Fernando Rolim, o Luiz Goes e o Zeca Afonso iam cantar a minha casa e havia entre nós um grande entrosamento.
Com havia as estrelas, o Figueiredo, a quem nós chamávamos o Figueiralho (risos), era um homem que não era um violista de primeira água, embora tivesse o seu mérito, era sempre o violista substituto. E então utilizou um sistema curioso: quando arranjava um cantor muito bom, dizia-lhe “eu ponho-o a cantar mas você fica comigo”. Havia este sistema também na altura. Como você sabe os cantores foram sempre adstritos a grupos e de certa maneira era difícil a um cantor ir com um outro grupo, era visto como uma traição aos seus companheiros. Isto já existia.
Muitas vezes o Figueiredo integrava-se nestes grupos, mas sempre com a sensação de que era um elemento de substituição. O que o Figueiredo tinha era coisa extraordinária, apesar de ser um tipo de importância menor, boi um belíssimo compositor. Fez fados tradicionais muito bem feitos, que nós aproveitámos, o “Adeus Sé Velha saudosa”, o “Ondas do Mar”, “O Sol anda lá no Céu”. O Zeca Afonso nessa altura era um cantor tradicional, tendo uma voz de pouca amplitude. Tinha uma voz fraca para cantar o fado tradicional. O ele ter explorado a balada, não há dúvida nenhuma que é esse o tipo de música que ele, já nessa altura, considerava mais adequado à sua maneira de ser e para as suas possibilidades vocais. Aliás, ele tinha uma coisa muito curiosa. Eu posso-lhe contar um episódio. Fomos fazer aí um espectáculo e ele cantou o “Águia que vais tão alta” maravilhosamente. Deram-lhe aplausos. E no fim há um sujeito, um antigo estudante, um velhinho, que vai ter com ele e lhe diz “Você é realmente um cantor extraordinário e deve ser muito feliz”. E diz ele, “Você está enganado”, e acrescenta com aquele ar dele “Eu nem gosto do Fado de Coimbra”. Isto mostra que realmente o Zeca Afonso tinha de evoluir para outro tipo de música.
AMN: Chegou a acompanhar essa evolução?
APB: Não, não acompanhei, porque eu depois da Suiça, aí por 1959, afastei-me. Foi uma fase muito difícil para mim, porque eu preparava a minha tese de doutoramento. Eu doutoro-me em 1961.
Guitarrista que aparece nessa altura com uma pujança formidável é o Jorge Tuna, o Portugal que vem de mim, da minha geração, mas que começa a compor e, sobretudo, já com os poemas do Manuel Alegre a fazer as trovas e baladas. O Portugal acompanha o Zeca Afonso, o Adriano Correia de Oliveira, o António Bernardino. É curioso, o António Bernardino fez lembrar na altura em que apareceu uma espécie, como é que eu hei-de dizer, de Manuel Julião. Um homem versátil, cantava tudo, fado clássico sim, gostava muito dos fados do Ângelo de Araújo, a canção. Eu até 1961 não participei, ainda que uma vez ou outra acompanhasse o Zeca Afonso, sobretudo em férias.
AMN: E ele já em ruptura?
APB: Já! Ele passou férias em minha casa no Algarve, várias vezes, ele era um homem despegado do dinheiro e às tantas chegava ao meio do mês de Agosto e não tinha o dinheiro e ia para minha casa para ter autonomia. Era realmente um artista, um poeta. E nessa altura acompanhei-o, por exemplo na “Balada do Outono” e numa série de canções que ele fez por essa altura. Eu encontrei-me perante um Zeca Afonso a cantar coisas completamente diferentes.
AMN: Na Crise Académica de 1969 estava em Coimbra?
APB: Estava em Coimbra.
AMN: É correcto afirmar-se, como às vezes se diz, que em 1969 se produziu o disco “Flores para Coimbra”, os cantores desertaram e tudo acabou?
APB: A Crise de 1969 provocou um “bouleversement” em Coimbra.
AMN: A linha clássica era apodada de “reaccionária” e de “fascista”…
APB: Exacto. O fado tradicional e a guitarra foram identificados com o regime, com uma carga negativa. Mas nunca até aí o fado tradicional e a guitarra tinham sido identificados com o regime. Normalmente no meio havia contestatários. Muitos guitarristas e cantores eram tipos normalmente não “arregimentáveis”. É evidente que se dizia “é um fado reaccionário”, “é um fado conservador”. É o próprio regime ou as figuras afectas ao regime que agarram o fado de Coimbra armados em protectores, independentemente, meu caro Nunes, de um certo feitio sempre conservador do antigo estudante de Coimbra. Se um velho está sempre a dizer “no meu tempo é que era bom”, o antigo estudante de Coimbra também diz “no meu tempo é que era bom, assim e assado”. Inclusivamente, eu, neste momento, sou capaz de já ser um conservador! Eu já estou a entrar na idade do conservadorismo.
AMN: Assiste-se efectivamente a uma dispersão de cultores com a Crise de 1969?
APB: Há uma dispersão e uma desmotivação dos cultores. 1969 foi um momento tremendo. E repare, se nós quisermos ser justos relativamente ao Zeca Afonso, eu recordo-me perfeitamente dele ter afirmado por volta de 1974 que não queria guitarras a acompanhá-lo, que não queria “raquetes” a acompanhá-lo, como ele chamava à guitarra. Ele não cantava fado de Coimbra. Fado de Coimbra era uma coisa abominável. Ele aí teve também um papel de certa maneira prejudicial. Prejudicou o fado de Coimbra. Depois ele fez contrição. E quando edita o disco de fado de Coimbra (1981) ele vem desdizer tudo quanto tinha afirmado. Isto significa que a partir de 1969, e indo até 1974, há enorme confusão.
(…)

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Homenagens e tributos (2006)
09/09/2006By AJA

Alguns dos intervenientes na homenagem de Vila Real de Santo António

Fotos de Angelo Fernandes (www.oportugues.blogspot.com)

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Homenagens e tributos (poesia)
09/09/2006By AJA

Recitativos de Rui Mendes dedicados a José Afonso

I
E há apenas isto: um homem, companheiro de estrelas e de remos, no arrasto da nossa esperança, rodeado de prados e agruras, e afolhagem de certa guitarra encarnada.

II
E esse homem, pregoeiro da brisa da madrugada, de pulso livre e coração descoberto, à mesa tingida pela luz a que nos sentamos sempre, apenas canta, apenas joeira palavras e miséria, pressagiando coisas bem afortunadas: um céu azul, sem vínculos, sobre o relento do nosso chapéu e um laranjal para o alfange do mendigo.

III
E é um cantar amargo, um cantar de amigo, colher de vento, fímbria do trigo, o que nos deixa a voz garrida desse homem, exonerado do seu próprio chão, ó chão castrado d’alegria, com o olhar pregado nas ruelas atulhadas pelo silvo das crianças do mondego ou na flauta, crivo de águias, de bensafrim.

IV
Ó terreiros da erva, ó terreiros da fome, ó íngremes quebradas do medronho, ó ror de dores, ó ror d’amores, quanto ror de foices tínhamos presas aos pulsos para rasgar, ao sabor dos vales do vento, este pedaço de terra morta e devassada, onde cresce a nossa ira, que as bagas do mar ferviam, junto aos campos cor de lima e de limão.

V
E esse homem, no fresco tingir da outra margem, vigia a crista das colinas, rasga janelas nas ribeiras, remonta às eiras onde as nossas costas são flor da rosa e suão, e queima, no tear das trovas, a dor panfletária das noites e dos dias, e vai-se juntando, como um pensamento puro e repercutido no ladrar dos cães, à garganta dos caminhos, aos vãos das escadas onde dorme a erva cidreira, lavando a luz dos nossos olhos, pernoitando também o olhar nos nossos pra­tos vazios, enquanto os nossosfilhos vazam grandes eiras de sal, sôbolos rios que vão por babilónia.

VI
E essa voz assim cerzida, memória de romãs e arestas cruas, assim aberta a todos os homens que chegam, a todos os homens que partem – amigos e inimigos são a província e a colheita do seu sonho – essa voz, fermento e febre de terno regadio, eis que nos é promessa dum grande dia sobre as pedras manchadas pelas nossas toalhas de malva: as nossas mãos, em pleno tumulto de armas e auroras, ditando o peso e a sentença que carregavam.

VII
E, no usufruto das clareiras que rasgamos por toda a parte, das bandeiras que desfráldamos até às vertentes dos muros e das amuradas, esse homem de novo começa a cantar:fragorde sarças sobre a sombra dos ombros, passos e pássaros na descarga do limiar das noites e dos dias para outros promontórios, e a gadanha movendo a substância putrificada dos presídios e das mansões, e a cor liminar das laranjas do mar, e o azul arável do céu, tudo, por assim dizer, que enchesse, como um frémito, o leito dos rios, a estrela das montanhas, macerando folhas de acanto.

VIII
E assim vos digo: esta voz sobe a prumo e é a folha púrpura das casas, quando amanhece, e é o rumo do pastor, céu abaixo: com a sua manta de açafrão e suas pombas bravas, e é a rede que se lança sobre as abelhas, logo que atravessadas pelas linhas do fogo, e é a fresca flor da nossa mão em vão julgada.
Voz dentro sangue, matriz do nosso sangue, terra indivisa: sangue e rosas.

in “Cantares” | Fora do texto, 1995 | 4ª edição

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Escolas
05/09/2006By AJA

Algumas perguntas sobre José Afonso


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Poesia
02/09/2006By AJA

Insisto não ser tristeza

Insisto não ser tristeza
Soluçar sobre uma mesa

E mais não ser deste mundo
Meter navios no fundo

Num caminho de esqueletos
Sempre se plantam gravetos

E se a velhice for tua
Senta-a no meio da rua.

José Afonso

in «José Afonso – Textos e canções», Relógio D’Água, 2000
Disponível aqui

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Homenagens e tributos (2006)
31/08/2006By AJA

O tributo a José Afonso e outros concertos no Espaço Ribeira

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Homenagens e tributos (2007)
28/08/2006By AJA

Noite de tributo a Zeca Afonso em Lisboa



Na noite de 9 de Setembro, no Bar Café do Mercado da Ribeira, lembramos o Zeca e as suas canções. O compositor e escritor Andrés Stagnaro é o nosso convidado especial….

O bar café do Mercado da Ribeira recebe, na noite de 9 de Setembro o compositor e escritor uruguaio Andés Stagnaro, que nos dará a conhecer o seu albúm “Las canciones de José Afonso”.

Para homenagear o Zeca contamos também com a actuação de alguns musicos residentes deste bar.

Contamos consigo a partir das 22h30.
Reserve a sua mesa através do 210 312 600 / 01 ou 210 312 605.

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Testemunhos
28/08/2006By AJA

“Zeca Afonso ou o ódio idolatrado”. Texto de 23.08.06 retirado do blog – http://combustoes.blogspot.com/

Aquela voz fanhosa, embargada pela raiva – um ódio que se desprendia a cada palavra – nunca foi do meu agrado. Incomodava-me o tom, o conteúdo e a vaidade mal dissimulada de José Afonso. O baladismo – o da esquerda, como o pouco de direita que por aí se ensaiou – nunca fez o meu cup of tea. Vulgar, “intervencionista”, manipulador de afectos e reacções primárias, ersatz da verdadeira arte – que se quer inútil – está para a música como o neo-realejo para a literatura, a publicidade para a fotografia, os retratos de rua para a pintura, os bordados para as belas-artes. Julgo, até, que os baladeiros, não fosse o baladismo, nunca seriam músicos reconhecidos pelos colegas de ofício. Foi uma geração de protestarismo fácil que se impôs de fora da música, que se profissionalizou, coleccionou fama e proveito e nada deixou. Servirá, quando muito, de retrato de uma época em que uma guitarra e uns poemecos carregados de baias e lugares-comuns faziam as delícias de um povo mal-informado, sem referências e prenhe de utopias. Alguns baladeiros por aí continuam como se o tempo não tivesse passado: os irmãos Salomé, o rotundíssimo Tordo, o Sérgio Godinho, o repetidíssimo Manuel Freire – quantos milhões de vezes já cantou a maldita Pedra Filosofal do Gedeão ? – e o vestusto Mário Branco. Reconheço que houve excepções nesta geração de improviso: Adriano Correia de Oliveira, uma bela voz munida de impressionante aparato poético e, no registo afadistado, o grande Carlos do Carmo.
No passado fim de semana, a RTP exibiu um verdadeiro show de totalitarismo revivaleiro. Zeca Afonso divinizado, exaltado e tido como um “génio”, deu azo a uma torrente de cançonetas de incontinente pendor marxista terceiro-mundista. As palavras sempre as mesmas (solidário, inquietação, amigo, companheiro, Maio, ceifeira), o ritmo puxando ao falso-rústico das “raízes” – outra palavra detestável – e a finalidade escancarada: tornar aceitável o abjecto (roubar, sanear, vingar, matar) e abrir portas ao totalitarismo comunista, tornando-o justificável à luz da rábula cantada. Zeca Afonso tinha um ar perturbado, queria mais, mais revolução, mais plano inclinado, mais ocupações, mais saneamentos, mais controlo operário, mais comissões de bairro – aquelas que faziam listagens com as pratas, os quadros e os aquecedores existentes nas casa dos inimigos de classe – mais poder popular, mais armas em boas mãos para defender a revolução; ou seja, mais balbúrdia que pedisse, no fim, mais um Estaline. Aquilo é Babeuf, Marat, a Comuna de Paris, a propaganda pelo facto do bombismo anarquista, mais comunalismo utópico em que entram as CEB’s (Comunidade Eclesiais de Base), as Comissões de Ocupação de herdades (as célebres “comprativas”), os padres Max de gola alta e barbas à Sierra Maestra, a Teologia da Libertação, as mulheres-padres, os poetas repentistas e analfabetos (quantas vezes tivemos de engolir o banalíssimo Aleixo ?), o new-age dos alucinogénios e de outros estados de consciência alterados, o abortismo dá-cá-aquela-palha; sei lá, um sem-número de coisas sem mérito elevadas nos pedestais no culto do mau. Sintomaticamente, o programa terminou com uma discursata do inefável “Zeca”: “a minha democracia não é a dos votos, mas a do poder do povo”. Pois. Uma democracia da rua, de tiros na nuca, prisões arbitrárias, campos de concentração, reeducações e penúria para todos. Uma democracia sem eleições, sem debate, sem opinião pública. Uma democracia com censura, com estribilhos, pinchagens e lavagens ao cérebro. É o que me indigna em tudo isto. Como se pode dourar aquilo que viola a democracia, a liberdade e a dignidade humana ? Como podemos abrir portas ao mundo que nos cerca se nos mantemos barricados nas superstições, ódios e quimeras que levaram à morte de tantos mihões, a tanta tragédia humana e tanta fome ? Só quando essa geração sair de cena poderemos, finalmente, aspirar à Europa.

Miguel Castelo Branco

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BiografiaFotografia
28/08/2006By AJA

José Afonso com 21 anos

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