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Author: AJA
Home AJA Page 19
Homenagens e tributos (música)Vídeo
31/07/2007By AJA

Concerto de homenagem a José Afonso em Bravães


Excertos de um concerto dado pelo grupo TELA em Bravães, Ponte da Barca, numa solene homenagem a Zeca Afonso.

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CoimbraImprensa
30/07/2007By AJA

“José Afonso e Coimbra” na Casa Municipal da Cultura de Coimbra

A Galeria Ferrer Correia, da Casa Municipal da Cultura acolhe, a partir do próximo dia 2, uma exposição fotográfica e biodiscográfica evocativa de José Afonso.
O período evocado na mostra que será inagurada quinta-feira, pelas 18H30, compreende o tempo em que Zeca Afonso esteve em Coimbra, quer como estudante do liceu e da Faculdade de Letras, quer como cantor, autor e compositor musicalmente ligado aos sons matricialmente identificáveis com a canção de Coimbra.
José Afonso nasceu em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929, e faleceu em Setúbal, a 23 de Fevereiro de 1987, com 57 anos de idade.
Chegou a Coimbra em 1940 para frequentar o ensino liceal e, no ano lectivo de 1949/50, matriculou-se na Universidade de Coimbra, vindo a licenciar-se em Histórico-filosóficas, em 3 de Novembro de 1961.
Começou a cantar ainda estudante de liceu e, em 1953, gravou os seus dois primeiros discos de 78 rpm para a editora “Alvorada”.
Depois de algumas gravações de temas mais tradicionais de Coimbra revitaliza, a partir de 1961, a Balada como género musical ligado à Canção Coimbrã.
É com o viola Rui Pato que grava a sua fase mais lírica das baladas, embora surja, em 1963, o seu primeiro tema de forte intervenção musical, “Menino do Bairro Negro”. Até 1969, gravou sempre acompanhado por Rui Pato.
É este período que agora será alvo de evocação por vários núcleos de serviços que compõem a Biblioteca Municipal de Coimbra. A exposição vai estar patente até ao dia 8 de Setembro, de segunda a sexta-feira, entre as 09H00 e as 18H30.

Retirado do Diário “As Beiras”

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Homenagens e tributos (artes plásticas)
29/07/2007By AJA

Caricatura de autor desconhecido

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Rui Pato
29/07/2007By AJA

Entrevista a Rui Pato

Parte de uma entrevista a Rui Pato, por Dora Loureiro, no suplemento “Olá Gente” do Diário as Beiras de sexta-feira passada. Foto de Carlos Constantino.

Retirado do blog http://guitarradecoimbra.blogspot.com/

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Homenagens e tributos (poesia)
26/07/2007By AJA

Uma barquinha para o Zeca

Vai a barquinha
vai
a menina
vai
p’lo rio a passar

cai a neblina
cai
a farinha
cai
moleira do mar.

Vai a barquinha
cai
a neblina
vai
p´lo rio a passar

vai a menina
cai
a farinha
cai
moleira do mar.

Vai a barquinha
vai
a menina
vai a barquinha
vai .

Cai a neblina
cai
a farinha
cai
moleira do mar.

Carlos Carranca7.julho.2007

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FotografiaRui Pato
26/07/2007By AJA

Rui Pato e José Afonso

Data – ?

Local – ?

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Capas de revistas
26/07/2007By AJA

“Revista Trá lá lá”, 1998

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Bibliografia
26/07/2007By AJA

Do fundo da arca: “Memória do canto livre” de Viale Moutinho

Memória do Canto Livre em Portugal

José Viale Moutinho Lisboa Futura 1975
Inclui um texto de Viale Moutinho, depoimentos de vários cantores, entre os quais José Afonso, e uma antologia de canções de intervenção.

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João de Freitas BrancoTestemunhos
24/07/2007By AJA

João de Freitas Branco sobre José Afonso

José Afonso tem um significado muito importante no panorama da cultura musical portuguesa. Isto, para além do valor de cada uma das suas criações, em função da comunicabilidade para com um auditório vasto e diferenciado. Um significado que tem a ver com a habitual, há muito estabelecida e felizmente em vias de ser superada, oposição entre música dita “clássica”, ou “séria”, e música “ligeira”.

Tirante um que outro caso especial, nomeadamente a do “jazz”, entendeu-se que todo e qualquer trecho de música não só portuguesa, mas europeia, tinha que ser arrumável numa das duas classes: ou na “séria” ou na “ligeira”. E bem sabemos quão deplorável era, em regra, o conteúdo da segunda, com excepções, aliás, interessantes e meritórias, entre as quais avulta o exemplo de um Frederico de Freitas.
É evidente que a arte poético-musical de José Afonso não pertence, nem sequer minimamente, à esfera do ligeiro. Como tão pouco pertence essoutro caso notável de música portuguesa que é o de Carlos Paredes. O mais de salientar é que, em José Afonso, o sentido e as implicações das palavras dos poemas cantados, contribuindo embora para aquela incompatibilidade com o “ligeiro”, não são factor exclusivo. O papel da música toma-se relevante, num fenómeno ao mesmo tempo unitário e dividido por dois planos.

No plano criativo, impõe-se acima de tudo o carácter português de raiz popular, isento de qualquer efeito de estilização de artificio que procurasse o afago do pior gosto musical, ou pseudomusical. É um portuguesismo autêntico que também resulta imensamente da perfeita arte de tratar a nossa língua, em termos de verdadeira música. Finalmente, no plano interpretativo, sem esquecer a inconfundível qualidade da voz, o medular sentido rítmico e a intencionalidade expressiva da articulação, gostaria de focar a peculariedade de José Afonso que talvez tenha sido, até hoje, a menos referida. A sua emissão de voz, habilmente conjugada com a tessitura estabelecida nos diferentes trechos, constitui, se não estou em erro, um dos mais actuantes ingredientes da irresistibilidade da sua mensagem de artista.
Se os encartados arrumadores de música persistirem, mesmo assim, em recusar à obra de José Afonso um lugar na categoría da música “clássica”, que se apressem a rever a sua definição desta, antes que, por completo, os deixemos de tomar a sério.


Como conferencista, jornalista, ensaista, historiador, professor (e até compositor) João de Freitas Branco foi o grande educador musical de várias gerações de portugueses. Era um comunicador nato. O seu programa de divulgação na rádio, O Gosto pela Música manteve-se no ar durante 30 anos (1956-86). Fez as célebres Melomania(s) para a televisão (1976-78). Foi, durante longos anos, Presidente da Juventude Musical Portuguesa e também da Academia dos Amadores de Música. Foi o melhor director do Teatro Nacional de S. Carlos (1970-74), foi professor da Universidade Nova de Lisboa e chegou a Secretário de Estado da Cultura nos tempos iniciais (e difíceis) da democracia portuguesa. É o autor de livros importantes, nomeadamente uma História da Música Portuguesa (1959) e uma biografia de Viana da Mota (1972).

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Homenagens e tributos (2007)
23/07/2007By AJA

José Afonso na Feira de Sant´Iago em Setúbal

A vida em Setúbal e a actividade do autor de “Grândola, Vila Morena”

Oito painéis que retratam a vida e obra de José Afonso podem ser vistos no pavilhão da Câmara Municipal da Feira de Sant´Iago, certame que começou no sábado e termina a 5 de Agosto, nas Manteigadas.

Fotografias, excertos de uma entrevista de José Afonso a José Salvador, publicada em “O Rosto da Utopia”, além de letras de várias composições do cantor, formam esta mostra, intitulada “Vários caminhos até Setúbal”.

A vida em Setúbal e a actividade do autor de “Grândola, Vila Morena” no extinto Círculo Cultural estão contadas nesta mostra, que conta com a colaboração da Associação José Afonso.

Esta edição da Feira de Sant´Iago, com o tema “Setúbal de Zeca Afonso”, conta com um espectáculo de homenagem ao cantor, no último dia do certame, a 5 de Agosto, com a actuação dos Terra d´Água, projecto que conta com a participação de Dulce Pontes, Filipa Pais, Maria Anadon, Lúcia Moniz e Ûxia.

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ManuscritosPoesia
22/07/2007By AJA

Texto manuscrito de “Os vampiros” (1968)

Retirado do “Dossiê Zeca” do Centro de Documentação 25 Abril

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No verso dos versos
22/07/2007By AJA

A música tradicional na obra de José Afonso

 
Retirado do livro “A música tradicional na obra de José Afonso” de Mário Correia
(Poderão fazer a descarga deste livro na secção “discografia e letras” do sítio da AJA.)
 


CANÇÃO LONGE
Canção tradicional açoriana que começou por receber arranjo da autoria de António Portugal para uma interpretação de Luis Goes. José Afonso alterou os dois primeiros versos da segunda quadra (Quando o meu amor se foi/ Sete lenços alaguei..) e procedeu à introdução da terceira quadra.


CANTA CAMARADA CANTA
Segundo Fernando Lopes-Graça, esta canção lúdica foi recolhida em Canas de Senhorim, na Beira Baixa, com o título Vira-te pr’aqui ó Rosa, com uma só estrofe:

Vira-te pr’aqui, ó Rosa
Ó cravo já ‘stou virado
É o brio dos rapazes
Usar o chapéu de lado

Ainda segundo Lopes-Graça: É um dos exemplares do nosso folclore em que a letra se nos afigura bem inferior à melodia. Na nossa versão à capella, que faz parte do repertório do Coro da Academia de Amadores de Música, substituímos a insípida letra original por quadras populares, que nos parecem corresponder mais cabalmente ao tónus heróico da melodia. José Afonso adoptou justamente esse texto, introduzindo-lhe apenas ligeiras alterações.

 

DEUS TE SALVE ROSA

Romance narrativo conhecido em todo o país, recolhido em Aljezur, Faro, em 1961 por Michel Giacometti, espécime incluído no Cancioneiro Popular Português sob o nº 122. José Afonso optou por uma adaptação de uma das versões de Trás-os-Montes, onde este romance pastoril é comumente designado La pastorica.
 
 
MARIA FAIA
Canção popular associada às tarefas agrícolas do trabalho da apanha da azeitona, proveniente de Malpica, na Beira Baixa.

MILHO VERDE
Cantiga da sacha, recolhida por Fernando Lopes-Graça com a designação O milho da nossa terra. Diversas foram as quadras que ao longo dos tempos foram sendo introduzidas, tal como José Afonso também o fez.

MODA DO ENTRUDO
No Cancioneiro Popular Português, Michel Giacometti refere sob o nº 34 esta canção carnavalesca com o título Lá em baixo vem o Entrudo como tendo sido recolhida em Malpica do Tejo, Castelo Branco, em 1938, por António Joyce. Em 1985, José Afonso fez incluir no álbum “Galinhas do Mato” uma variante da mesma canção.
 
OS BRAVOS
Canção tradicional dos Açores extremamente popular e divulgada, de um modo geral, por todos quanto se dedicaram à recriação e estilização de música da tradição oral do arquipélago.
 
Ó MINHA AMORA MADURA
Segundo Fernando Lopes-Graça tratar-se-á possivelmente de uma canção dançada, com uma malícia leve, eufemisticamente envolta, como tantas vezes se nos depara na nossa poética popular, numa saborosa imagética silvestre. José Afonso não cantou a segunda quadra registada por Lopes-Graça:

E o calor que ela apanhava
Debaixo da silveirinha
Ó minha amora madura
Minha amora madurinha

OH! QUE CALMA VAI CAINDO
Trata-se de uma cantiga da ceifa, recolhida por Rodney Gallop em Casegas, na Covilhã, em 1953, tendo sido incluída por Michel Giacometti no “Cancioneiro Popular português” sob o nº 81. Em relação À canção que foi fixada por Fernado Lopes-Graça na sua obra “A canção popular portuguesa”, José Afonso apenas utiliza duas quadras: a primeira e a última. de referir que Fernando Lopes Graça registou este canto de trabalho sob o título Já são horas da merenda.
 
RESINEIRO ENGRAÇADO
Esta canção popular da Beira Baixa alcançou enorme popularidade nacional graças à interpretação de José Afonso, tendo sido mesmo um dos espécimes preferidos por um grande número de cantores popularuchos.
 
S. MACAIO
José Afonso serviu-se daversão que foi recolhida nos Flamengos do Faial, ilha de S. Jorge, nos Açores, por J. de Lacerda e incluída por Michel Giacometti no Cancioneiro Popular Português sob o nº 165
 
SAUDADINHA
Trata-se de um tema popular açoriano que foi interpretado por Edmundo de Bettencourt e Luis Goes. José Afonso acrescentou a esta canção a última quadra, a qual não constava da versão original (com arranjo de Bettencourt)

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Associação José AfonsoImprensa
22/07/2007By AJA

Associação José Afonso em Setúbal – Câmara Municipal aprovou texto de Protocolo

A Câmara Municipal aprovou, ontem, em reunião pública, o texto de um protocolo a celebrar com a Associação José Afonso (AJA), visando o “apoio ao desenvolvimento da actividade cultural permanente” da colectividade.

Entre o apoio conta-se a cedência, gratuita, das instalações, na Rua de Damão, em Setúbal, para sede da AJA e a colaboração na “promoção das actividades e eventos organizados” pela Associação.

A AJA, em contrapartida, compromete-se, “sem qualquer encargo para a Câmara”, a participar, anualmente, em, “pelo menos, uma actividade de natureza cultural promovida” pelo Município, “desde que enquadrada com os objectivos e missão da associação”.

A AJA fica, também, obrigada a disponibilizar as suas instalações à Autarquia, de “forma gratuita”, “tendo em vista a promoção e realização de iniciativas de carácter formativo/informativo destinadas à comunidade, sem prejuízo das actividades” da associação.

A associação tem, igualmente, de “fazer referência ao apoio” da Câmara e inserir o logotipo da Autarquia em “todos os materiais de promoção e divulgação que venha a editar”.

A AJA compromete-se, ainda, a apresentar, no início de cada ano, o Plano de Actividades e o Orçamento Anual e, até 31 de Janeiro, o Relatório de Contas referente ao ano anterior.

in Rostos on-line

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EscolasEscritas do Maio
21/07/2007By AJA

“Escritas do Maio” já à venda!

Trata-se de uma obra que resulta da colaboração entre a editora Profedições e a Associação José Afonso. Uma unidade didáctica que, centrada na pessoa e na obra de José Afonso, apresenta propostas de trabalho não só na área da língua portuguesa mas em outros aspectos da educação e formação dos alunos. Indispensável aos educadores sociais e professores.

Preço – 14 Euros
Adquira já o seu através da AJA!

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    Sérgio Godinho
    20/07/2007By AJA

    Sérgio Godinho – 55 Canções – Partituras, Letras e Cifras “Assírio e Alvim”

    Sinopse
    «Foi há tantos anos que ainda me lembro: adolescente, eram livros como este que me levaram a experimentar as primeiras (e rudimentares) formas de escrita; e, desde aí, nunca me têm largado. Ou seja, tenho-os à mão e eles têm-me à perna. O acesso prático aos mecanismos que outros usaram para criar (ou criaram para usar) nunca deixou de me trazer luzes e dicas importantes, neste ofício intermitente da feitura de canções. Imitamos, transformamos, inventamos, emperramos e solucionamos, mas nunca a partir do nada — há sempre, num ponto de partida, de percurso ou de chegada, o que nos foi sugerido por outros saberes. Com livro ou sem livro. Mas é destes manuais que falamos: sabemos como em Portugal, são ainda, infelizmente, aves raras. Começam agora algumas a pousar, e serão cada vez mais bem-vindas. Que prenda para todos que praticam estas coisas, ter um dia acesso a toda a música portuguesa (enfim, não exageremos) neste formato, ou formatos afins. Estatisticamente, o meu contributo passaria a ser muito menor, e eu com isso no maior contentamento.»
    Sérgio Godinho

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    Elfried EngelmayerPoesia
    19/07/2007By AJA

    A poesia não musicada de José Afonso

    “O poeta José Afonso que vive na sombra de Zeca Afonso, cantor político”Elfried Engelmayer.

    De forma a demonstrar este facto e de forma a balançar cada vez mais as duas facetas, demos lugar no sítio da AJA à poesia não musicada de José Afonso. Com a regularidade possível iremos mudando os poemas.

    Tu morres todos os dias

    Tu morres todos os dias
    libertando telefonemas
    diante da minha mágoa
    exposta à ira dos dias
    levo-te cravos vermelhos
    flores recentes da estação
    Morres e vais caminhando
    sobre uma estrada de fumo
    o lume que nos sustenta
    Já não cheira não tem vida
    Às vezes vens-me à lembrança
    descalça ao longo da praia
    Vivo terrores de madraço
    Com dívidas acumuladas
    Seguindo de perto o tráfego
    Saberei um dia amar-te
    Tu morres tu pontificas
    eu respiro a tua sombra
    Ai repouso do guerreiro
    Sobre o abismo repousas

    Azeitão, 31 de Março de 1981.

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    Biografia
    17/07/2007By AJA

    A cronologia de José Afonso foi adicionada à secção ‘biografia’ da página da AJA

    1929 – Nasce em Aveiro, no dia 2 de Agosto, José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos.

    1930 – Os pais ausentam-se para Angola. José Afonso permanece em Aveiro, por razões de saúde, confiado a uns tios.

    1933 – Por exigência da mãe, com três anos e meio é enviado para Angola, onde o pai é procurador da República.

    1933/36 – Permance em Angola, onde inicia os estudos da instrução primária.

    1936 – Regressa a Aveiro, para casa de umas tias. “Aos sete anos volto para a Europa, para Aveiro, é a escola primária. Foi violentamente traumatizante: o professor pendurava-me pelas orelhas porque eu era distraído”.

    1937 – “Aos oito anos regresso a África. Agora é Moçambique, não é Angola. Pouco tempo ali estou mas é de novo o paraíso. Somos eu, o meu irmão, a minha irmã… Também nesse tempo vamos com a família à África do Sul e vemos as feras em liberdade… Eu sonhava nunca mais abandonar aquela terra.”

    1938 – Vai para Belmonte, para casa do tio Filomeno que era Presidente da Câmara. Aí conclui a quarta classe. O tio fá-lo envergar a farda da Mocidade portuguesa. “Uma terra horrível. Um período fechado. Privado de contactos. Eu não podia sequer dar-me com os meninos da vila. Fiz ali a 4ª classe”.

    1940 – Entra para o Liceu D. João III, em Coimbra. Vai morar para casa de uma tia. ” O ambiente era muito conservador: mulheres de escapulário ao pescoço Proibições…”. A família parte de Moçambique para Timor, onde o pai vai exercer as funções de juiz. Mariazinha vai com eles, enquanto o seu irmão João vem para Portugal. Com a ocupação de Timor pelos japoneses, José Afonso fica sem notícias dos pais durante três anos, até ao final da 2ª guerra mundial, em 1945.

    1945 – Começa a cantar serenatas como “bicho”, designação da praxe de Coimbra para os estudantes liceais. Vida de boémia e fados tradicionais de Coimbra.

    1946/1948 – Completa o curso dos liceus, após dois chumbos. Entretanto, conhece Maria Amália, com quem vem a casar. Viagens com o Orfeão e com a Tuna Académica.

    1949 – Matricula-se no curso de Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras de Coimbra. Vai a Angola e Moçambique integrado numa comitiva do Orefeão Académico.

    1953 – Grava os seus dois primeiros discos de fado de Coimbra, em 78 rotações.
    Nasce o seu primeiro filho José Manuel, fruto do seu casamento com Maria Amália de Oliveira

    1953/1955 – Em Mafra cumpre o serviço militar obrigatório. Depois é colocado num quartel em Coimbra. Grandes dificuldades para sustentar a família, como refere em carta enviada aos pai em Moçambique. A crise conjugal é muito sentida. Após o serviço militar, já com dois filhos, José Manuel e Helena, tenta concluir o curso

    1955/56 – Começa a dar aulas em Mangualde. Inicia-se o processo de separação e posteriormente divórcio de Amália.

    1956/57 – Professor em Aljustrel e Lagos

    1958 – Já é professor em Faro, quando vem a Coimbra gravar o seu primeiro disco “Baladas de Coimbra/Menino d’oiro”, um single acompanhado à viola por Rui Pato. Em dificuldades económicas, envia os dois filhos para Moçambique, para junto dos avós. Neste ano fica impressionado com a campanha eleitoral de Humberto Delgado.

    1959 – Começa a frequentar colectividades e a cantar regularmente em meios populares.

    1960 – Edita o EP “Balada de outono”

    1961/62 – Segue atentamente a crise estudantil deste último ano. Convive em Faro com Luiza Neto Jorge, António Barahona, Ramos Rosa e namora com Zélia, que será sua segunda mulher. Edita os Eps “Coimbra e “Baladas de Coimbra”

    1961/ 62 – No Algarve conhece Zélia, a sua segunda mulher e com quem viria a ter dois filhos, Joana e Pedro

    1963 – Grava “Os Vampiros”.
    Termina o curso com uma tese sobre Jean- Paul Sartre, “Implicações substancialistas na filosofia sartriana”, na qual obtém onze valores.
    Até 1964, manteve sempre ligação à vida académica coimbrã. Participa em várias digressões da Tuna e do Orfeão Académico. Continua na faculdade como estudante voluntário.

    1964 – Vai para Moçambique ao encontro dos pais e dos seus dois filhos, na companhia de Zélia. Dá aulas em Lourenço Marques e na Beira. Aqui musicou Brecht. Em Moçambique nasce a sua filha Joana.

    1967 – Desembarca em Lisboa esgotado pelo sistema colonial. Deixa o filho mais velho, José Manuel, confiado aos avós em Moçambique. Colocado como professor em Setúbal sofre uma grave crise de saúde que o leva a ser internado em Belas. Quando sai da clínica, tinha sido expulso do ensino oficial. Neste ano é publicado o LP “Baladas e canções”, onde se reúnem temas de EP’s anteriores. É publicado o livro “Cantares de José Afonso” pela Nova Realidade.

    1968 – Expulso do ensino, dedica-se a dar explicações e a cantar com mais assiduidade nas colectividades da margem Sul, onde é nítida a influência do PCP. Grava para a Orfeu o LP “Cantares do Andarilho”.

    1969 – A Primavera Marcelista abre perspectivas ao moviemnto sindical. José Afonso participa activamente neste movimento, assim como nas acções dos estudantes em Coimbra. Lança o LP “Contos Velhos Novos Rumos” e edita o single “Menina dos olhos tristes”, que contém a canção popular “Canta Camarada”

    1970 – Grava em Londres “Traz outro amigo também”. Rui Pato impedido de sair de Portugal é substituido na viola por Carlos Correia (Boris).
    1971 – Num dos estúdios mais caros da Europa, os de Herouville, em Paris, é feita a gravação de “Cantigas do Maio”. Cabe a José Mário Branco, exilado em França, os arranjos e a direcção musical do disco. A editora Nova Realidade publica o livro “Cantar de novo”.

    1972- Madrid é o local escolhido para gravar “Eu vou ser como a toupeira”. É editado o livro “José Afonso” pela editora Paisagem.

    1973 – Está vinte dias preso em Caxias, onde escreve entre outros textos “Era um redondo vocábulo”. Pelo Natal publica o disco “Venham Mais Cinco” gravado em Paris, de novo sob a direcção de José Mário Branco. Foi o último disco de José Afonso antes da revolução de Abril.

    1974 – No dia 24 de Março José Afonso participa no I Encontro da Canção Portuguesa, em Lisboa. Debaixo do olhar atento da PIDE, passaram pelo palco do Coliseu alguns dos nomes mais sonantes do canto de intervenção, como Adriano Correia de Oliveira, José Barata Moura, Fernando Tordo, José Carlos Ary dos Santos, Fausto, Vitorino.
    No dia 25 de Abril é derrubado o regime fascista de Marcelo Caetano, pelo Movimento das Forças Armadas. Grândola Vila Morena , do disco “Cantigas do Maio”, é escolhida como senha para o arranque do movimento, passando na madrugada de 25 na Rádio Renascença. Sai o disco “Coro dos Tribunais”, com arranjos de Fausto.

    1975 – Lança o single “Viva o Poder Popular”, em colaboração com a LUAR.

    1976 – Grava o LP “Com as minhas Tamanquinhas”. Segundo José Niza, este disco representa “uma espécie de repositório e balanço das experiências vividas e recentes”. É a ressaca do PREC. Apoia a candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho à presidência.

    1977 – Não há disco.

    1978 – É o ano de “Enquanto há força”, novamente dirigido por Fausto. Este LP conta com a participação de numerosos músicos e cantores portugueses.

    1979- Vai viver para Azeitão. Sai “Fura, Fura”, com arranjos de José Afonso e Júlio Pereira. Deste disco, oito faixas são temas para as peças de teatro “José do Telhado” (A Barraca, 1978) e “Guerras do Alecrim e Manjerona” (A Comuna, 1979)

    1981 – Grava o último disco para a Orfeu. Chama-se “Fados de Coimbra e outras canções”. Dedica-o a Edmundo Bettencourt e a seu pai. Começam-se a conhecer sintomas da doença do cantor.

    1983 – A 29 de Janeiro dá um espectáculo no Coliseu dos Recreios, para uma sala completamente cheia. Do espectáculo resultará o disco “José Afonso ao vivo no Coliseu”. Grava “Como se Fora seu Filho”. Recusa a Ordem da Liberdade.
    É publicado o livro “Textos e canções” pela Assírio e Alvim

    1984 – A doença agrava-se. ”Livra-te do medo, estórias e andanças de Zeca Afonso” de José Salvador, é publicado pela Regra do Jogo.

    1985 – Sai o seu último álbum, “Galinhas do Mato” com arranjos musicais de Júlio Pereira e Fausto. José Afonso só canta algumas faixas, devido ao seu estado de saúde estar prejudicado pela doença de que sofre, uma esclerose lateral amiotrófica.

    1987 – José Afonso morre na madrugada do dia 23 de Fevereiro, no Hospital de Setúbal.

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    Benedicto Garcia VillarNo verso dos versos
    17/07/2007By AJA

    “Chula da Póvoa” e “Nossa Senhora da Guia” seguido de testemunho de Benedicto Garcia Villar

    Os gaiteiros Treixadura intrepretam um tema tradicional Galego. Os gaiteiros de Lisboa interpretam um tema tradicional Português. O que se vê é uma mostra da cultura comum entre galegos e portugueses…

    Testemunho de Benedicto Garcia Villar

    No verão do 73 fomos á Illa da Fuzeta para estrear umas tendas de campismo que compráramos em “Trigano” numa viagem a França e Bélgica, á que viera o Zeca e o meu camarada Bibiano.
    A estrea foi por tudo o alto e a ela asistiron o Zeca e a Zèlia, os miúdos, Pedro e Joana e nós, Maite e eu. A do Zeca, familiar, com vários quartos, já se adivinhava de lonje que não ía ser morada do seu dono que na altura andava lixado coa súa perenne insomnia. Nós, os galegos, ficamos naquela tenda máis pequena que para dois era de máis. Aliás, e único que había a fazer naquela illa despovoada (a penas ían pessoas e non había nem “vaporetto” nem nada parecido e assim as viajems ao “continente” eram a “brazo”, a vogar co remo) era poñer o coiro, tudo o coiro, ao sol, para escándalo, é verdade, de algúms. Si había dúas Zeca e família cada día para tomar aquela marabilla de sardinhas grelhadas. Não tenho a certeza de se são as melhores as de além ou as de Rianxo, na ría de Arousa, ou as de Safi, no atlántico marroquino, onde as tomamos no ano 2000 numa viajem que fizemos coa Zèlia e onde há muitos portugueses a travalhar, entre eles um tío da Zèlia que era a quem íamos em particular a visitar naquele porto tão cheio de color e alegría. Isto deve ser aplicável a casi tudos os portos, hajo eu, de jeito que não estou a descuvrir nada novo, pero dado que pasávamos pelo sabor das sardinhas…
    segundo as súas fontes, era cantada nas celebrações nas dúas beiras do Minho, no norte galego e no sul portugués. A canção, simples de composição, tinha tres quadras:

    Nosa Senhora da Guía
    Guía aos homens do mare
    Venha ver a barca vela
    Que se vai deitar no mare
    Nosa Senhora vai dentro
    Os anjinhos a remare

    A partir desse momento a canção, tal e como estava, foi incluída por nós nos espectáculos que sempre realizávamos acompanhándonos mutuamente para, com máis ou menos fortuna, sumar dúas violas e, sobre de tudo, dúas vozes, pois os dois éramos moito dados a fazer dúos. Sempre era eu quem aprendía alguma nova forma de impostar, de flexionar a voz, de construir as segundas vozes á “alentejana” ou como fosse. É a vantagem de compartir com um génio: um sempre receve muito, muito, muito…

    A partir do 25 de avril, não voltamos a ter esta espécie de parelha (o seu lugar sería ocupado pelo Bibiano ata o 78). Aínda que sempre mantivemos, até o fim dos seus días, a mesma cordialidade, o “guião” que tinhamos que interpretar foi outro bem diferente. Em tanto que, em Portugal, as liberdades inundavan as rúas e o Zeca tinha que dedicarse a canalizar tuda aquela energía desbordante que o mantinha em constante “bebedeira” intelectual, artística, política e humana, em Espanha aínda tardaríam em chegar: em fevereiro do 77 aínda eram prohibidos espectáculos.
    No mes de maio desse ano gravei o meu primeiro L.P.: “Pola Unión” e nele havía uma canção intitulada “Nosa Señora da Guía”:

    Nosa Senhora da Guía
    Guía ós homes do mare
    Veña ver a barca vela
    Que se vai deitar no mare
    Nosa Señora vai dentro
    E os anxiños a remare
    En Ourense as gueivotas
    Non saben o que é voare
    Os mariñeiros traballan
    No mare da liberdade
    Outros pesqueiros reventan
    Prós señores engordare
    Hai un caravel vermello
    No fusil do militare
    Quen non viu cantar un vello
    Non sabe o que é cantare

    Coa emoção própria do neófito (e eu éra-o pois a penas gravara um e.p. de 4 canções no 68 em Barcelona) dinlhe ao Zeca o disco e ele fez o próprio e trocou-o por um dele. Neste dico estava “Chula da Póvoa” a súa versão, máis portuguesa, com uma irmá no meu disco, máis galega.
    Á “Nosa Señora da Guía” aconteceulhe o melhor que lhe pode acontecer a uma canção: sem saver a súa origem, sem saver sequera quem a gravou, agúms, moços e não tão moços cántana pelas rúas…
    Nesta página-e pódese ouvir um bocadinho:

    http://www.ghastaspista.com/historia/polaunion.php

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    Poesia
    15/07/2007By AJA

    Dos muitos filhos grados | José Afonso

    Dos muitos filhos grados
    que tiveste
    nem um se lembra
    da velha casa térrea
    onde concebeste sem pecado
    e estragaste os teus dias
    entre a corda da roupa
    a cozinha e o homem
    Amanhã sem aviso
    apanhas um eléctrico
    mudas de roupa
    acompanhas
    o trajecto dos astros
    De repente
    é o arco-íris em volta
    o guarda-freio a volúpia
    a rua o beiral
    duma grande família

    Não voltes

    Tal como Elfried Engelmayer nos vem avisando desde há muito tempo, temos que fazer mais pelo “poeta José Afonso que vive na sombra de Zeca Afonso, cantor político”. Colocá-lo nos livros escolares, colectâneas de poesia contemporânea, organizar colóquios sobre a sua poesia musicada e não musicada, surpreender em todos os momentos possíveis com textos ainda desconhecidos e incrivelmente belos como este acima publicado. Para mais poemas podem aceder à secção “poesia” no site da AJA. Cá esperamos pelas vossas sugestões.

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    Poesia
    15/07/2007By AJA

    Quadras de José Afonso

    Nestas quadras vão notícias
    P’ra quem está mal informado
    Dá-me o tom desta cantiga
    Quero estar bem preparado

    Nestas quadras vão notícias
    P’ra quem está mal informado
    Dá-me o tom desta cantiga
    Quero estar bem preparado

    Quero estar bem preparado
    O Sol e Dó bate fino
    Quando o compasso é folgado
    Entra melhor no ouvido

    Os ricos mentem ao povo
    Com artes de feiticeiro
    Dizem que são pela Pátria
    Mas só pensam no dinheiro

    Hoje os tempos estão mudados
    Mal vai para quem trabalha
    Sai das tuas tamanquinhas
    E luta contra o canalha

    Sobem as rendas de casa
    A habitação é um luxo
    Mas há quem tenha palácio
    Piscina, parque e repuxo.

    Foi dar a Lisboa um Pinto
    Habitar um aviário
    Fizeram dele ministro
    Mas não passa dum falsário

    Nunca vi na minha vida
    De uniforme ou à paisana
    Um guarda republicana
    Bater num capitalista

    Tu chamaste-me comuna
    Pensando que me ofendias
    Com esse nome viveu
    Paris os seus melhores dias

    Haja ganas com fartura
    P’ra levantar o país
    Quando o mal não tem remédio
    Corta-se o mal pela raiz

    Mineiros da nossa terra
    Abrindo covas no fundo
    Pescadores lá do mar alto
    Que deram lições ao mundo

    Muita gente prevenida
    Grita e berra que se farta
    Antes que seja crescida
    Há que matar a lagarta

    Cãezinhos de pelo fino
    Pela trela passeando
    São os últimos suspiros
    Que a Europa nos está mandando

    Hoje há Sandras e Patrícias
    Sinal dos tempos que vão
    Acabaram-se as Marias
    Tudo vem da imitação

    Sónias, Mónicas, Sofias
    E Carlas ao desbarato
    Ninguém quer um fato próprio
    Tudo quer mudar de fato

    Algarve, o que vejo agora?
    Fazem de ti capoeira
    Para pedires uma bica
    Falas em língua estrangeira

    Vida cara, vida cara
    Onde irá isto parar?
    Pergunta a dona de casa
    Sem ter com que se amanhar

    É já miséria doirada
    Ver comida boa e farta
    E pagar uma fortuna
    Por um quilo de batata

    É já miséria revolta
    Ver a loiça sobre a mesa
    Quem fez o cabaz da fome,
    Rouba, rouba concerteza

    Tudo são palavras mansas
    Tudo são palavras caras
    Avança, meu povo, avança
    Avança que já não páras

    Há de tudo nesta feira
    Juncada de rosmaninho
    Menina, toma cautela
    Que andam chulos p’lo caminho

    Na sociedade marcada
    O sistema é que não presta
    E p’ra manter a fachada
    Há sempre um tambor da festa

    Tenho debaixo da língua
    O princípio duma trova
    Hei-de encontrar uma rima
    Dedicada à gente nova

    A velhice não se enjeita
    Como o lixo da calçada
    País que os velhos rejeita
    Não é país, não é nada

    Numa escola de Setúbal
    Ficou surda uma menina
    Tanta pancada lhe dera
    A professora malina

    Discursos, festas, colóquios
    Não chegam (nem caridade)
    O melhor são as crianças
    Disse o poeta, e é verdade

    Seja cada dia um ano
    Que um ano não dá p’ra mais:
    Colóquios, festas, sorrisos,
    Missas internacionais

    Faz aqui falta uma trova
    Duma criança oprimida;
    Ela que fale da fome,
    Ela que fale da vida

    Ela que fale da pomba
    Que tem a asa ferida;
    Ela que fale da nuvem
    Que encobre a terra poluída

    Veio uma carta de longe
    Dum amigo de Bragança
    Que fugiu daqui a salto
    E hoje vive na França

    Diz que trabalha na “chaine”
    Como uma besta de carga
    E que não foi de vontade
    Que deixou a pátria amada

    Mandou o filho à escola
    Onde só fala francês
    Quando as saudades apertam
    Diz que vai voltar de vez

    Mas sabe que o desemprego
    É um inimigo real
    E assim se vai conformando
    Longe da terra natal

    O emigra erga a mola
    Num país que não é seu
    Produz fortunas alheias
    Com as mãos que Deus lhe deu

    Disse-me um dia um careca
    Quando uma cobra tem sede
    Corta-lhe logo a cabeça
    Encosta-a bem à parede

    Quando uma lancha se afunda
    Nunca a culpa é do patrão
    É sempre de quem se amola
    Lá no fundo do porão

    Esta terra será nossa
    Quando houver revolução

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    António PimentelCapas de discos
    15/07/2007By AJA

    Desenho de António Pimentel

    Desenho que foi usado para o LP “Baladas e Canções”

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    GalizaHomenagens e tributos (2007)
    14/07/2007By AJA

    Concerto na Galiza homenageando José Afonso

    Concerto do grupo “De outra margem” celebrando José Afonso em Chapela (perto de Vigo) no dia 20 de Julho, pelas 22 horas, na praia de Arealonga (Chapela-Redondela).

    http://www.deoutramargem.com/

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    AJA Norte
    14/07/2007By AJA

    Debate sobre José Afonso na Feira do livro de Ermesinde | 11.7.07

    Debate moderado por Carlos Faria, Presidente da “AGORarte” que teve a participação
    de Manuel Pereira Cardoso, Paulo Esperança (AJA) e José António Gomes.

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    AJAforça
    13/07/2007By AJA

    O grupo Aja força actuando em Ermesinde | 11.7.07

    Num magnífico cenário ao ar livre, Ermesinde, 11 de Julho de 2007
    Organização: AGORArte

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    Canção de CoimbraCoimbra
    12/07/2007By AJA

    José Afonso e a canção de Coimbra

    José Afonso, Coimbra, 1950

    José Afonso começou a cantar fados quando frequentava o liceu D. Joao III, em Coimbra. Aí conheceu Luís Goes e António Portugal, ambos um pouco mais novos do que ele, e ai se iniciou um rico percurso musical comum, só interrompido quando rompeu com o acompanhamento da guitarra e evoluiu para outro género de cançao: a “balada”. José Afonso matricula-se em 1949 na Faculdade de Letras, em Ciências Histórico-Filosóficas, e, simultaneamente, é convidado por António Brojo para o seu grupo de fados. Este grupo, depois da “geração de oiro” dos anos 20-30 (António Menano, Edmundo Bettencourt, Lucas Junot, Paradela de Oliveira, Armando Goes, Artur Paredes!) recolocou o fado e a guitarra de Coimbra ao seu mais alto nível de sempre. Para além de António Brojo e António Portugal (guitarras) e de Aurélio Reis e Mário de Castro (violas) integraram este grupo Luís Goes, José Afonso, Femando Machado Soares, Femando Rolim, Sutil Roque e Florêncio de Carvalho, entre outros. . Em 1953, e depois de muitos anos em que não se tinham realizado quaisquer gravações de fados ou guitarradas de Coimbra, foi registado um conjunto de 8 discos de 78 rotações por minuto (isto é, 16 titulos no total), onde a voz de José Afonso foi pela primeira vez fixada em fonogramas, o mesmo acontecendo, aliás, com Luís Goes e Femando Rolim. Posteriormente, em 1956, José Afonso voltou a gravar mais fados de Coimbra. E só nao terá gravado mais porque, mesmo antes de terminar o curso, já casado e com dois filhos, teve de deixar Coimbra para ganhar a vida como professor do ensino secundário. Em 1981 – 28 anos depois de ter registado os seus primeiros fados de Coimbra – José Afonso reconcilia-se com a cançao coimbrã. Grava, entao, o LP ‘Fados de CoImbra e outras canções”, que de­dica a seu pai e a Edmundo Betten­court. (Refira-se que o Juiz Nepomuceno, pai do cantor, foi contem­porâneo e amigo de Bettencourt). Na realidade, este cantor-poeta da geraçao da Presença, a par de José Régio, Joao Gaspar Simões, Vltorino Nemésio e outros, é, de todos os cantores de Coimbra, o melhor para José Afonso: “O Edmundo Bettencourt foi o maior cantor de fados de todos os tempos. Ele marcou uma época, foi um elemento decisivo para a melhoría do gosto coimbrão, tendo sido, acima de tudo, um grande poeta” (Entrevista de José Afonso a António Macedo, “Sete”, 1979). Numa modesta autobiografia, incluida no livro de José Viale Moutinho sobre o cantor (Vozes Livres – Livraria Paisagem – 1972), José Afonso recorda a sua iniciaçao no fado de Coimbra: “As minhas primeiras veleidades de cantor surgiram quando andava no 6º ano do liceu. As noites passava-as em deambulações secretas pela cidade, acompanhado de meia dúzia de meliantes da minha idade, amantes inconsequentes da noite. Com uma guitarra e uma viola fazíamos a festa. Estávamos ainda longe do hieratismo triunfal das serenatas na Sé Velha diante de multidões atentas e respeitosas. O velho Flávio Rodrigues conti­nuava a ser o Mestre, venerado por um pequeno discipulado de guitarristas e acompa­nhadores que com ele se reuniam numa pequena casa do bairro de Celas, onde acabou os seus dias minado por uma doença fatal (…). Seguiu-se um período de promoçao fadista em que acabaram por me colocar no palanque das estrelas de primeira grandeza. Outros acompanhadores (peritos e sisudos) e outras oportunidades em viagens pro­movidas pela Tuna e pelo Orfeon. São dessa época as minhas idas a África e as tournées através da província. Recordo-me de ter participado na inauguraçao de uma auto-maca, para os Bombeiros Voluntários de Pádua e de, por diversas vezes, ter dormido ao relen­to nos pinhais do rei.” Mas, a certa altura, no final dos anos 60, José Afonso rompe com o fado de Coimbra e inventa (reinventa?) a balada. Numa entrevista a José Armando Carvalho (“Comércio do Funchal”, em 1970) o can­tor explica- -se: “Designei as minhas cançoes por baladas não porque soubesse exactamente o significado deste termo, mas para as distinguir do fado de Coimbra, que comecei por can­tar e que, quanto a mim, atingiu uma fase de saturação. Achava-o muito sebentarizado, como que uma liçao que se receita de cor, pouco amplo nos termos e nos propósitos, um condimento mais na panóplia turística coimbrã”. Anos depois, noutra entrevista (a Fernando Assis Pacheco, “Jornal de Letras”, 1982), José Afonso afirma: “O fado de Coimbra era um folclore de elite, apesar de popularizado. Atraía irresistívelmente os futricas com quem os estudantes tinham uma relaçao simultânea de carinho e ressentimento.” Com a gravação de “Fados de Coimbra e outras canções”, em 1981, José Afonso re­concilia-se com o fado de Coimbra. Numa entrevista concedida a Belino Costa (“Sete”, de 25/11/81), o cantor reconsidera alguns excessos anteriores: “O fado de Coimbra nao é de direita nem de esquerda: é um depósito de carácter cultural (…). Quando fui fazendo cançoes que me afastaram do fado de Coimbra nunca tive a atitude condenatória de dizer que o fado de Coimbra é uma grande merda, por isso acabou, ponto final. Naquela altura vivia-se um intenso periodo de actividade antifascista e tudo o que fosse tradlçao tinha de ser rejeitado. Foi uma atitude absolutista, de certo modo despótica, que foi necessário corrigir com o tempo e hoje está a ser corrigida” . Texto de José Niza

    José Afonso no liceu D. João III com Manuel Nemésio, Carlos Couceiro,
    António Santos Silva, entre outros. Coimbra, 1948

    José Afonso no grupo de António Brojo com Mário Mendes, Fernando Rolim,
    Carlos Figueiredo, João Melo e Mário Castro

    José Afonso com Carlos Couceiro (espreitando) entre outros.

    Sessão de fados em Casa do Dr. Carlos de Figueiredo em Nova Lisboa, 1960.
    David Leandro, Jorge de Morais(Xabregas), José Niza, Sutil Roque e José Afonso.

    José Afonso canta “Adeus Mouraria” com a Orquestra Ligeira da Tuna Académica. Angola, 1958.

    José Afonso com David Leandro, José Niza, Levy Baptista e Sousa Rafael
    no Cine-Teatro Restauração, Luanda, 1958.

    José Afonso com Gouveia e Melo, César Faustino, Adriano C. de Oliveira,
    Jorge Godinho e José Niza, em Estocolmo

    José Afonso com Lopes de Almeida, Júlio Ribeiro, José Tito Mackay,
    Álvaro Bandeira, José Niza e Machado Soares, entre outros.

    Canta Luis Goes acompanhado por Fernando Xavier, António Portugal e Manuel Pepe.
    Ao fundo, Rui Neto, Machado Soares e José Afonso.

    De pé: Fernando Rolim, José Afonso, Florêncio de Carvalho, Luis Goes, Augusto Camacho e Machado Soares

    Sentados: Aurélio Reis, António Brojo, António Portugal e Mário de Castro. 1952

    José Afonso com Durval Moreirinhas e Octávio Sérgio, aquando da gravação do disco “Fados de Coimbra e outras canções” 1981.

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    ConferênciasGuilhermino MonteiroOctávio Fonseca
    11/07/2007By AJA

    Conferência “José Afonso, a balada e a renovação da música popular portuguesa”

    Rua dos Fenianos,29 (Perto da Câmara Municipal do Porto)
    http://www.clubefenianos.pt/

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    Entrevistas
    08/07/2007By AJA

    Zeca Afonso: conjugar o verbo ser

    Excertos substanciais da entrevista concedida por José Afonso ao jornalista e escritor José Amaro Dionísio em Junho de 1985.

    É belo, talentoso e honesto – e declinar esta adjectivação em português conduz facilmente a esse estado de orgulho e humildade que a história cultural do país tem rematado demasiadas vezes pela tragédia e quase sempre pela excomunhão. Aqui como em qualquer parte do mundo tirar-se-ia maior proveito do ser canhestro, medíocre e torpe, a trindade gloriosa dos winners que nesta viragem dos dias os media de bom senso e gosto corrente à falta de ideais um pouco menos fossilizados voltam a identificar com a trafulhice da política e dos negócios. Contra tal maré José Afonso fez claramente questão de cultivar duas ou três ideias sem cotação na bolsa: convicções, a palavra dada, a abjecção ao parasitismo ideológico e institucional. Hoje como ontem, aqui como não importa onde, há poucas pessoas assim em cada geração. A sublinhá-lo não deixa de ser curiosa a comédia que num país socialmente aviltado e politicamente traficado, onde os princípios sofrem sorrateiro escárnio no dicionário do lucro, José Afonso tenha sido uma referência ética para essa geração de esquerda que hoje está no poder, nos vários poderes, para aí cultivar a mistificação intelectual, a desonestidade moral e uma repugnante falta de escrúpulos a troco das migalhas da “democracia burguesa” que nos tempo áureos do seu esquerdismo tal esquerda acusava o intérprete de Cantigas de Maio de defender. E acusava-o porquê? Porque em pleno fascismo ele participava em reuniões e espectáculos de agitação ao lado de pessoas ou integrando organizações que para os puros da revolução e do marxismo-leninismo-maoísmo não estavam à altura dos horizontes vermelhos que profetizavam. Activista de “uma festa colaborante”, bateu-se por ela. Terno e agressivo, sarcástico e sensual, cantor de raízes populares e de Edmundo Bettencourt, credor de um trabalho fortemente personalizado mas sempre aberto à criação colectiva, sentimental irónico, andarilho dos grandes espaços, implacável quando confrontado com a hipocrisia, humilde, precário, contraditório e teimoso mas nunca sectário, atrevido frente à doença, José Afonso vive como só os melhores sabem viver: solitário e solidário, intransigente e dialéctico, leal nos ódios e nas paixões. O resultado ele sabe qual é:

    Tudo está vazio e morto
    Na abalada dos caminhos
    E os homens estão sozinhos.

    E di-lo à sua maneira nesta entrevista. A biografia deste país excessivas vezes subalterno é flagrante na persistência de um Portugal dos Pequeninos, feito de episódios a submissões estrangeiras, impérios castrados, fugas reais, governos humilhantes, obediências servis, uma congénita incapacidade de revolta colectiva e individual. Mas há também um Portugal dos grandes, habitado por essas resistências discretas que ao indecoro do salve-se quem puder tem preferido ao longo da história o desenlace da solidão moral e física, do exílio interior e exterior, muitas vezes do suicídio. José Afonso é uma criatura desse Portugal dos grandes. Sê-lo-á para sempre, porque homens assim nunca morrem. (…) Fisicamente debilitado aos 55 anos, ergue no entanto a mesma cabeça altiva que pequenas e grandes multidões conhecem de três décadas de cantorias e confrontos, dezena e meia de álbuns, centenas de milhar de discos, espectáculos sem conta, várias vezes cantor do ano e vários discos de ouro, bandeira enfim do 25 de Abril. Pessoalmente lembro-me dele de calças arregaçadas a apanhar caranguejos na Ria de Faro em certos fins de tarde mais soalheiros, era então professor numa escola da cidade e eu seu aluno – que apenas agora, quase trinta anos depois, volta a encontrá-lo cara a cara. Um dia, talvez na cantina, ouvi-lhe uma coisa que na altura me pareceu despropositada mas cujo sentido não tardaria a perceber – e que em 1968 se tornou um facto. Algo como isto: se correrem comigo do ensino não há problema, agarro numa viola e vou cantando por aí a fora. Estávamos em 1961 e ele era praticamente desconhecido.

    Direita, esquerda. São noções que ainda determinam a sua relação com o mundo?

    Não de forma maniqueísta. Nunca fiz isso e hoje ainda menos. Estamos sempre a mudar dentro daquilo que somos profundamente. A verdade é que a minha formação de origem é cristã. Até ao fim da adolescência eu ia regularmente à missa, assistia ao santo ofício, confessava-me. Hoje passa-se algo como o regresso às origens, não porque me tenha tornado de novo católico praticante, evidentemente, mas percebo que no fundo tenho uma concepção religiosa do universo. Vi um dia destes O Evangelho Segundo São Mateus, de Pasolini, e fiquei perturbado. E estou a ler autores como São João da Cruz e São Francisco de Assis. Há uma espécie de reencontro com os ensinamentos de Cristo, não o Cristo institucional e eclesiástico da minha infância, mas o Cristo dos que têm fome e sede de justiça.

    E o marxismo, o leninismo, o maoísmo, a extrema esquerda?

    Há um cruzamento dos dois tipos de formação. O marxismo, em sentido lato, não esgota o que eu penso, muito embora continue a reconhecer as suas descobertas fundamentais, como o conceito da alienação, a mais-valia, até mesmo a luta de classes. E há ainda o existencialismo. Fiz aliás a tese de licenciatura, má, sobre Sartre, e em particular sobre O Ser e o Nada. De resto nunca disse que era marxista, stricto sensu – aliás seria incapaz de ler alguma coisa como O Capital, no seu conjunto. O meu envolvimento nas coisas foi sempre de carácter existencial, a partir da observação directa de situações que me revoltaram e que têm a ver com o mundo do trabalho, da família, ou com noções muito gerais como a luta anti-imperialista, o direito dos povos à autonomia, etc. É algo que passa mais pela sensibilidade, pela maneira como cada um se move no mundo, do que por questões de principio ou de filosofia.

    É uma imagem bastante mais tolerante do que aquela que se cola ao seu perfil público.

    Não renego nada do que fiz, mas também não receio corrigir a minha imagem perante mim próprio adoptando atitudes nas quais me sinto bem e combatem os meus álibis internos e autojustificativos.

    Que álibis?

    Finalmente sou um pequeno-burguês, filho de um juiz supremo que fez carreira nas colónias. Isto e uma infância vivida na solidão deixa marca de cuja importância muitas vezes só nos damos conta muito tarde. Quando fui preso tive bem consciência das minhas limitações.

    Que limitações?

    Bem, não estou a fazer uma confissão para que me absolvam, mas tenho mais pés de barro do que se poderá pensar.

    Mas você é tido como um intelectual que sempre esteve do lado oposto ao poder, de todos os poderes, e que age de acordo com as suas convicções. Corajoso e frontal.

    São palavras.

    Enfim, é o que pensa muita gente.

    Frontal, sim. Corajoso, não. O medo foi sempre um sentimento que conviveu comigo. O medo a que se sobrepunha uma sensação de angústia, género “como é que me vou comportar em tal ou tal situação?”. Pouco depois dos Acordos de Alvor fiz uma digressão com o Fausto a Angola e vivemos situações difíceis. Também aí tive medo, várias vezes.

    Disse-se na altura que lhe tinham querido bater em palco.

    Ou mais do que isso. Tudo começou numa conferência de imprensa em que eu defendi o MPLA contra os outros movimentos. A partir daí as provocações acompanharam-nos por todo o lado. Tipos da UNITA, da PIDE, que ainda por lá andavam, da FNLA, etc. Foram uns bons cagaços.

    Mas alguma vez deixou de fazer, por medo, alguma coisa que entendia dever fazer?

    Em geral não. Mas houve uma vez, durante a campanha de Otelo, em 76, o carro dele tinha sido baleado ali para os lados de Lamego e a certa altura põe-se o problema de ir ou não ir a Viseu. Dizem-nos que a cidade estava agitada com uma data de retornados que nos queriam limpar o sebo. Bem, eu fui dos que fez pressão para não irmos, e não fomos.
    (…) Após o 25 de Abril pus-me à disposição das comissões de trabalhadores, moradores, de grupos, para animar as lutas que faziam nos seus locais de trabalho. Então recebia cartas, telefonemas, deputações de facções opostas que reivindicavam a liderança das lutas e a justeza das teorias que apresentavam. Acabei por ser obrigado a analisar montes de documentos antes de decidir se havia de ir cantar ou não ao sítio tal, e como. Mas este tipo de coisas não se passou só comigo, há pessoas que se desgastaram bastante mais. Os tipos do GAC, por exemplo. Ou o Adriano. O Adriano chegava a ter de andar à porrada por essas aldeias fora. Houve casos em que o padre da terra utilizava a missa para avisar a população contra os comunistas que iam chegar. Em Maceira da Nazaré as pessoas puseram-se uma noite ao largo durante o espectáculo, ou na soleira da porta, ou atrás das janelas, empoleiradas, etc, por causa do padre. E cantámos com microfones mais do que rudimentares ligados a cornetas de circo em vez de colunas. Era uma coisa que acontecia com frequência, e se perguntávamos aos organizadores “mas vocês querem que a gente cante com cornetas?”, os tipos admiravam-se muito. “O quê? Vocês duvidam desta aparelhagem? Olhem que isto faz um berreiro dos diabos!”. E fazia, claro. Era um cagaçal de tal ordem que acabávamos por pedir que desligassem aquilo e púnhamo-nos a cantar vira. Apareciam então uns velhinhos do asilo ou coisa parecida que fazem pares à boca de cena e dançavam… Outras vezes, como éramos um grupo que defendia a iniciativa popular, convidámos para cantar quem quisesse. E aconteciam coisas do diabo, do género um tipo a cantar fados marialvas à brava depois de nós termos acabado de fazer uma prelecção a favor da igualdade de sexos. Ou uma voz lá atrás a gritar “A gente quer é gajas!”. Esta das gajas foi num foyer, em Paris, numa sessão para portugueses, marroquinos e espanhóis. Estava a casa cheia. No fim eles vinhem até junto do palco e punham-se a olhar para as nossas mulheres. Os comentários eram de desarmar qualquer um. A pouco e pouco perdi por completo as esperanças de atribuir aos cantores qualquer papel providencial, senti-me mais como uma Supico Pinto de esquerda a distribuir engodos. Uma vez na Marinha Grande estava eu a cantar “Ò meu Potugal tão lindo / Ó meu Portugal tão belo / Metade é Jorge de Brito / Metade é Jorge de Melo” e aparece ao meu lado um espontâneo coxo que à cadência da música atirava a perna incrivelmente longe e gritava “Não há pai para o coxo / Não há pai para o coxo…”. São momentos verdadeiramente memoráveis das campanhas de politização da Música Popular Portuguesa.

    Se voltasse a cantar faria um percurso diferente?

    Não voltaria a cantar.

    Em nenhuma circunstância?

    Em nenhuma circunstância. Para o público, não. Até porque possivelmente não teria nada de novo a apresentar. E acho que as coisas devem acabar quando não adiantam nada. De resto sou obrigado a concluir que o meu trabalho como cantor é menor… A crítica em geral reduz-me ao autor das Cantigas de Maio, o que quer dizer que antes e depois não fiz nada que preste. É uma bela crítica de música, a nossa! Tem-me proporcionado notáveis baboseiras sobre o trabalho de colegas, trabalho esse que em qualquer país decente seria suficiente para afirmar o mérito dum cantor, pelo menos.

    Não voltaria a cantar, é claro nesse ponto e já explicou porquê. Mas está arrependido de ter participado em toda essa actividade de agitação?

    De forma alguma, e que isso fique também claro. Não me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou aquilo que fiz. Embora com reservas acreditava o suficiente no que estava a fazer, e isso é o que fica. De resto nunca confundi as coisas, sempre disse o que hoje continuo a dizer: uma viola é uma viola, uma canção é uma canção, e não se pode confundir isso com armas e granadas. Nenhum instrumento musical faz tiro curvo.

    Que pode pedir a uma canção então?

    Que faça bem aquilo que tem a fazer, que é do domínio da fruição musical, com o que isso implica de voz, arranjos, ritmos, intenção, energia. No meu caso o que fiz foi procurar conciliar isso com as raízes da nossa cultura musical reflectindo uma certa ordem de preocupações sociais, de solidariedade e afectividade.

    Musicalmente fez o que queria fazer?

    Não. Gostaria de ter trabalhado muito mais na investigação dos instrumentos, das lendas, da música regional. E fiz demasiadas sessões sem concretizar o que queria, como se depreende do que estou a contar.

    Na última fase da sua carreira manifestou desejo de suscitar o interesse dos jovens para o seu trabalho. Em que consistiria essa fase?

    Gostaria de ajudar a mostrar à juventude que há alternativas, no estrito campo da fruição musical, a certas correntes puramente comerciais, como a maior parte do rock que nos metralha os ouvidos de manhã à noite. A música irlandesa nunca passou por aqui, tal como a occitana, a afro-cubana, e mesmo muito da música africana.

    Tem pena de não ter realizado esse trabalho?

    Não. Afinal de contas tudo o que fiz como cantor foi porque não pude continuar a ser professor. Em resumo foi cantor porque deixei de ser professor e finalmente sou coisa nenhuma porque deixei de ser cantor. Estou preparado portanto para renunciar de boa vontade ao que não fiz.

    Esse tom de renúncia não se aplica contudo à política.

    Não, embora hoje confira um papel mais modesto à luta política. Pode modificar estruturas, mas não remove uma sociedade, não transforma um homem noutro homem. Admito que a revolução seja uma utopia, mas no meu dia a dia procuro comportar-me como se ela fosse tangível. Continuo a pensar que devemos lutar onde existe opressão, seja a que nível for. De resto tenho pouca autoridade para falar porque a minha contribuição foi bem pobre. Nunca estive na luta armada, nem sequer fui torturado.

    Mas esteve preso várias vezes.

    Sempre pequenas detenções. A maior foi de 21 dias. Estive incomunicável mas nunca me torturaram fisicamente.

    A propósito de prisões e luta armada. Qual é a sua posição sobre a guerrilha urbana, o chamado terrorismo?

    Penso que é um recurso legítimo. Sabemos hoje que os programas de partidos, as promessas eleitorais, a igualdade dos cidadãos perante a lei, o parlamentarismo, enfim, todas essas tretas são armadilhas de uma imensa minoria que vive luxuosamente à custa de uma imensa maioria. O Estado democrático revelou-se tão arbitrário como qualquer outro, serve antes de mais nada para impor as leis relativamente às quais se constitui em excepção. Por outro lado embora haja partidos que se aproximam mais dos interesses dos trabalhadores e outros que são contra esses interesses a verdade é que a escolha entre os partidos A, B, C ou D acaba por não oferecer uma alternativa de fundo aos privilégios de Estado uma vez que todos eles se movem segundo a mesma lógica que cria um fosso entre o cidadão comum e os senhores do Poder. Perante um quadro destes acho absolutamente legítima a guerrilha urbana. Não faz a revolução, presta-se mesmo a alguns equívocos, mas tem ao menos a vantagem de radicalizar a indignação e sobretudo de repor pontos de equilíbrio numa relação de forças em que o cidadão comum é permanentemente ludibriado pelo discurso e pelas artimanhas dos profissionais da política. Só é pena que a guerrilha urbana em Portugal seja tão incipiente e não tenha ainda apontado as armas para onde deve apontar. A partir da altura em que o fizer talvez a classe política se dê conta de que os brandos costumes do bom povo português não são uma fatalidade do destino.
    (…) Admito-o hoje sem reticências: não temos revolucionários, não temos sido um povo de grandes revolucionários. Mas uma esquerda que não consegue juntar mais dumas mil pessoas numa manifestação contra a visita de Ronald Reagan é uma esquerda que não existe.

    Admite que a fim e ao cabo os povos têm os governos que merecem?

    Tenho oscilado entre recusar essa conclusão e admiti-la. É um facto que no povo português há uma tendência para a subserviência, para se curvar perante a autoridade, para o compadrio, os favores, para o deixar andar. Mas tudo isso existe ao lado de uma certa truculência e dignidade. Conheço muito bem os alentejanos, por exemplo. São pessoas pobres, talvez sem grande combatividade, mas existe nelas uma dignidade perturbante. Não é fácil pisá-las, embora pareça fácil abusar delas durante muito tempo.

    Segundo a antiga Comissão de Extinção da PIDE/DGS os processos efectivamente levados a tribunal por actividade política antes do 25 de Abril não chegaram a atingir 3 mil pessoas ao longo de 48 anos. É um quadro um pouco diferente daquele que a oposição gostava de publicitar e que ainda hoje reivindica.

    Antes do 25 de Abril nós conhecíamos de Norte a Sul do país as pessoas que se atreviam a lutar realmente contra o regime – e eram de facto muito menos do que se gostava de dizer. Alguns intelectuais afirmam ainda hoje que a nossa geração, a minha geração, foi muito castigada, mas eu não penso isso. Mesmo a repressão foi adaptada aos bons costumes deste povo. Não se mata um governante em Portugal há 75 anos. Isso diz tudo, se pensarmos que tivemos o regime fascista mais longo da história contemporânea.

    Por outro lado esses intelectuais estão hoje no Poder. Um pouco por todo o lado, dos gabinetes ministeriais ao IPC, da Gulbenkian ao Governo de Macau, da Comissões da CEE às empresas públicas e à Comunicação Social. Na noite da vigília a Otelo Saraiva de Carvalho esteve lá você, o Vítor Wengorovius, Luís Galvão Teles, Luís Moita e poucos mais. Que é feito dos seus amigos de Coimbra, das baladas, da resistência, do famoso PREC?

    Pela minha parte não tenho grande coisa a dizer sobre isso. Acho que os intelectuais deste país têm os Soares que merecem. É realmente uma geração que gosta de se apresentar a si mesma como vítima da desilusão. Para mim é uma atitude de traição, que não têm a coragem de confessar e por isso inventaram grandes malabarismos. Depois encostam-se ao PS, ao PSD ou a qualquer outra muleta do poder. Digamos que são pessoas que não me interessam.

    O que acaba por ser curioso é que você contesta a democracia parlamentar com a mesma veemência com que contestou o fascismo.

    O problema é que os direitos formais têm cada vez menos conteúdo prático. As liberdades formais não servem para nada se não tiverem consequências no dia a dia das pessoas. Teoricamente não há censura, não existe repressão policial ao nível da política, pode-se portanto falar, escrever, etc. Mas os mecanismos de coerção e discriminação permanecem. Mais subtis, mais pulverizados, mas permanecem. O que não quer dizer que eu não preferia a democracia formal ao fascismo, é evidente. Mas no fundo a liberdade é antes de mais nada a liberdade de se viver melhor. Por isso a liberdade para o doutor Mário Soares é uma coisa e para o tipo que está sem salários ou sem emprego ou sem casa é outra. Em quase toda a região de Setúbal há fome, mulheres casadas e raparigas prostituem-se para comer. Que sentido faz falar a estas pessoas da liberdade da democracia? Claro, há uma data de gente que vive melhor do que antes do 25 de Abril, mas à custa de clientelismos partidários e favores políticos que não afirmam propriamente os trunfos dum regime. (…)

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    Fotografia
    07/07/2007By AJA

    Foto de José D’Almeida

    José Afonso numa cooperativa com os trabalhadores – Junho de 1976

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    Homenagens e tributos (poesia)
    05/07/2007By AJA

    “Uma canção” por Maria Teresa Duarte Marinho

    Correm velozes vários animais na erva molhada. É ele que os vê espreitar e logo de seguida desaparecer, enquanto vai conduzindo o camião cheio de homens que vestem ganga velha, a cara da cor do carvão. Gritam e agitam os braços para as mulheres à beira da estrada, as crianças em busca de mais amoras.
    Ao longe tocam guizos. E sinos. Depois de algum silêncio, recomeçam todos os sons. Da mais antiga cidade alemã trouxe um rádio chamado ELEKTRA, que pôs sobre o chão de ardósia do moinho de azenha transformado em casa para viver. Avança para ele e espera um bocadinho (antes da música, já se acende dentro uma luz constante). E agora ouve-se de novo a mesma canção.

    Fragância morena/ Portal de marfim/ Ondina açucena/ Chamando por mim

    Às vezes também canta. Com o casaco pelos ombros, caminha entre os pinheiros, esta mania dos pés quase descalços, pisar flores que ninguém viu nascer. Segura um pau e com ele recusa os picos, afasta fetos. Pingas grossas caem-lhe na testa e desata a correr, lembrando-se da voz desconhecida. Inventa novas palavras para a música da canção; escreveu uma vez um poeta que tudo canta e cantar é enorme. Tudo canta e cantar é enorme.
    Procura a bicicleta debaixo da caruma e monta-a. Pára para colher frutos, enche com castanhas ainda verdes os bolsos. Retira-as dos ouriços e fica feliz por não se magoar. Ali em baixo, inventou há muitos anos uma história. Eram duas miúdas em que uma tinha olhos de quem está sempre a subir uma escada de caracol. Essa dizia à outra que via na rua jarras cheias de prata e saturava-a, propondo-lhe planos de roubos e fugas. A outra respondia-lhe que isso tudo era uma alucinação com tanta luz, o que na verdade tinha diante dos olhos eram vasos do longo corredor segurando abundantes ramos de camélia branca, com um brilho não muito longe do da suave prata. Ele contorna as árvores em sitios cada vez mais perigosos, levanta-se do selim. Fixa-se o riso; como sempre quer agarrar tudo à volta.

    Na flor da montanha/ Na espuma a cair/ Nos frutos de Agosto/ Na boca a sorrir

    À noite, a euforia das festas. As luzes, o fogo. Jogos de moedas. Tremem os palcos improvisados à frente de cafés e tabernas com rendas de videira sobre as portas. Bebidas, conversas, mais canções que se ouvem. Muitos rapazes e raparigas com fitas apertando os pulsos, é ai que acreditam estar a sua sorte. Atravessa as aldeias, nos caminhos às curvas inclina-se, solta do guiador as mãos, procurando equilíbrio. Fogo de artifício começou há pouco a cair, sem sequer chegar a deitar lágrimas.

    Ai húmida prata/ Meu sonho sem ver/ Ai noite de lua/ Meu lume de arder

    Ele está de pé, frente à última janela na sua casa da cidade. Uma boca que pousa na orelha. Quem é? Vira-se e diz-lhe nos cabelos: pensa na tua cabeça, já viste como a tens? Ela leva logo as mãos à nuca. (Com o avanço dos dias, ELEKTRA repete maior número de canções. Algumas pessoas já foram à rádio falar da vida do autor, mas eles preferem a voz de quem canta). Regressa trazendo uma tijela de água, sai-lhe um fino pente do bolso. Ele ajoelha defronte dela e molha devagar o pente. Em que pensas? Em nada. Faz-me um risco ao lado que é o risco mais bonito que há. Depois levanta-se e vai até ao primeiro degrau da escada, apoia-se e começa a escorregar no corrimão lustroso, reflectindo a humidade dos cabelos. Nunca mais a há-de ver.
    Tinha uma oficina junto ao porto. Ao acabar de limpar vasos e pintar azulejos, imaginava futuras combinações, então beijava as suas próprias mãos. Nos instantes em que sinos tocavam, acreditava poder encontrá-la ao pé da água, mirando luzes frouxas. Acertara um encontro, mas tomava-se cada vez mais tarde. Passeava à beira das docas e nas praças pareceu-lhe uma noite reconhecer o homem que cantava aquela canção. Chamava-o pelo próprio nome mas ele não respondia, acabando por se sumir, como se a Terra fosse demasiado redonda. Queria dizer-lhe uma coisa, desejava dar-lhe o braço e repetir-lhe ao ouvido um elogio. Se não nascesse, tinha que ser inventado.

    Da morte zombando/ Na aurora lunar/ Num jardim suspenso/ Do seu fulgor.

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    Censura
    05/07/2007By AJA

    Pela memória, contra o esquecimento – Júlio Murraças

    Para não deixar que, mesmo temporariamente, o Esquecimento enterre a Memória, trazemos à lem­brança sinais de um tempo em que, como recentemente recordou Manuel Alegre, havia o fascismo e havia a guerra, havia a guitarra do Portugal e do Paredes, as vozes do Zeca e do Adriano. E, a par da brutal repressão política havia também, acções, hoje felizmente consideradas inconcebíveis e risíveis, como aquela lembrada por Zeca Afonso numa entrevista ao “Sete” em 83, ” em que os polícias anda­vam pelos jardins a ver quais os parzinhos enlaçados para lhes pedirem a identificação e os levarem para a prisão”. Mas havia sempre alguém que resistía, alguém que dizia não, lembramos nós. E a cantiga era uma arma, que o regime fascista não queria deixar funcionar. Para tal, recorria aos meios repressivos que tinha, nos quais voluntáriamente se incluíam, entre outros governadores civis, presidentes de câmara e administradores de bairro. Sempre A Bem da Nação, todos cumpriam, servil e fervorosamente, o seu papel na máquina policial do Estado, denunciando entre si a ocorrência de actos tidos por subversivos, com o claro e propositado objectivo final de informar a polícia política -Pide/DGS-, e manter o regime. Neste sentido, e para exemplificar, em 17-4-70, reinava a ilusória “Primavera Marcelista”, o governador civil de Lisboa transmitia ao administrador de bairro da Amadora o conteúdo de uma circular do gabinete do Ministro do Interior (Doc.l), no qual fazia saber que “As informações recebidas através da P.S.P. mostram que o Padre Fanhais desenvolve em todo o País uma actividade indesejável cantando baladas cujos temas não se compadecem com o clima rmJral que é preciso manter para assegurar a defesa do Ultramar e garantir a integridade da Pátria.” Menos célere no cumprimento dos seus deveres foi o governador civil de Santarém, que enviou a mesma circular 4 dias depois para o presidente da câmara municipal da mesma cidade. A velocidades diferentes, o sistema repressivo funcionava. Contudo não impedia a multiplicação dos “espectáculos/convívios” que se iam realizando, “algumas vezes até clandestinos”, sem sequer submeter as canções à obrigatória censura prévia, desafiando as regras impostas pela ditadura. Ultrapassado pela persistência e coragem dos seus opositores, o governo não desistia e aprefeiçoava os seus métodos: Afonso Marchueta, governador civil de Lisboa, em aditamento a anterior circular, enviava a transcrição de um ofício da Direcção dos Serviços de Espectáculos aos seus delegados concelhios (Doc.II), onde se preconizavam medidas mais drásticas, tendentes a dificultar a realização dos espectá­culos e limitar os seus protagonistas, indicando alguns nomes “a cujos programas não deve ser conce­dido o visto: Padre Francisco Fanhais, Zeca Afonso (Dr. José Afonso), Barata Moura, Manuel Freire, etc.”. Meses mais tarde, em Março de 1971, outra missiva (Doc.III) acrescentava a esta lista outros nomes: Adriano Correia de Oliveira, Rui Mingas, (José) Jorge Letria, Tossan, Deniz Cintra e o Grupo Intróito, classificando como “os mais extremistas” Padre Francisco Fanhais, Zeca Afonso e Manuel Freire, e “mais moderados” os restantes… Em 73, ano de “eleições”, o regime continuava a isolar-se, interna e externamente, e a afundar-se em fatais contradições. Ainda assim, continuava a procurar aperfeiçoar os métodos repressivos para impedir que as vozes dos cantores da Liberdade se fizessem ouvir, para o que contava com os seus Venerandos e Obrigados ser­vidores. E é neste quadro, onde, em clubes e colectividades recreativas e associações estudantis, os “convívios” eram cada vez mais usuais, que em 27 de Março o ministro Gonçalves Rapazote, transmite a todos os governadores civis e presidentes de câmara, a indicação para a adopção do conjunto de medidas suge­ridas pelo director geral da Cultura Popular e Espectáculos (Doc.IV), com o intuito de dificultar a sua con­cretização, tornando mais exigente a aquisição do visto e impondo a necessidade de exercer pressão ‘Junto dos organizadores, dos exploradores dos recintos ou dos dirigentes das instituições onde se saiba que devem ser realizados…” Mais tarde, a 29 de Março de 1974, no Coliseu dos Recreios de Lisboa, sob a habitual vigilância polici­al, teve lugar o Encontro da Canção Portuguesa, com a participação, entre outros, de Zeca Afonso, a quem a Pide e a censura apenas deixou cantar “Milho Verde” e “Grândola, Vila Morena”. Esta ultima, sugeriu a elementos do MFA que se encontravem presentes a senha do movimento libertador. Pouco tempo depois, como é sabido, a ditadura caíu dando lugar à Liberdade e Solidariedade, permitin­do ver mais de perto a UTOPIA: cidade sem muros nem ameias.

    Doc.I
    Doc.II


    Doc.III

    Doc.IV

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    Homenagens e tributos (artes plásticas)
    05/07/2007By AJA

    Pintura de António Galvão – 1994

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    Homenagens e tributos (artes plásticas)
    05/07/2007By AJA

    Escultura de Francisco Simões

    Estátua em mármore de José Afonso, de 4 metros, da autoria do escultor Francisco Simões. Inaugurada em 1991 pela Câmara Municipal da Amadora, situa-se no Parque Central cidade.

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    Tertúlias
    02/07/2007By AJA

    “Zeca Afonso, a vida e a obra”, por José Mário Branco

    Conversas de fim de tarde 10 de Julho, das 19.00h às 21.00h
    Sede da Associação Abril ( Rua de S. Pedro de Alcântara, n.º 63 – 1.º Dto. – metro Chiado)
    Amigas e amigos, “maiores que o pensamento”:
    A Abril vem convidar-vos para um encontro, tornado evocação ou homenagem a um Homem que lutou para que Abril acontecesse, e em Abril transformou em símbolo a sua voz, clamando a fraternidade e a justiça e fazendo bater, ao compasso da esperança, muitos dos nossos corações.
    Vimos chamar-vos para ouvir a voz de José Afonso, a sua vida e a sua música, através das palavras de outro homem, também José, também músico, que viveu os mesmos sonhos, esperou e ainda espera pela “cidade sem muros nem ameias” e continua a lutar por um mundo melhor.
    Sem querermos ser demasiado óbvios, mas inevitavelmente com a música do Zeca na cabeça, venham e tragam amigos também!
    Um abraço carinhoso,
    A presidente da Comissão Coordenadora da Associação Abril
    Maria Guadalupe Magalhães

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    AJAforçaHomenagens e tributos (2007)
    30/06/2007By AJA

    José Afonso lembrado na XIV Feira do Livro de Valongo

    No próximo dia 11 de Julho, a AJA( por intermédio do seu núcleo do norte) e José Afonso vão estar presentes na “XIV FEIRA DO LIVRO DE VALONGO”. Pelas 21h 30m haverá um debate sobre a vida e obra do “andarilho, poeta e cantor” moderado por Carlos Faria, Presidente da “AGORarte” que terá a participação de Manuel Pereira Cardoso, Paulo Esperança( em nome da Aja) e Tino Flores. Às 22h30 o grupo “AJAFORÇA “cantará Zeca e outro seus companheiros de “estrada” e de causas. Esta iniciativa é promovida pela “AGORarte-Associação Cultural e Artística” que este ano tem algumas responsabilidades na animação da respectiva Feira. Nos pavilhões destinados à “AGORarte” estarão presentes diversos materiais alusivos aJosé Afonso, como livros, cartazes, fotografias e audiovisual.
    A feira decorre no Parque Urbano Dr. Fernando Melo, em Ermesinde.

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    Homenagens e tributos (música)ImprensaTerra do Zeca
    27/06/2007By AJA

    Cantoras de várias áreas interpretam José Afonso

    Zaccaria promove projecto “Terra d’Água”

    O Teatro da Luz recebe quinta-feira o projecto “Terra d’Água”, que une diversas vozes para cantar músicas de Zeca Afonso.
    A proposta do músico Davide Zaccaria que idealizou as músicas de José Afonso como ponto de encontro de cantoras de áreas diferentes e “retirando-lhe a simbologia política” é apresentado quinta-feira, no Teatro da Luz, em Lisboa. O projecto intitula-se “Terra d’Água” e, sábado, é novamente apresentado na renovada Praça de Toiros de Évora. Algumas das cantoras escolhidas para interpretar os temas de José Afonso são Dulce Pontes, Filipa Pais, Lúcia Moniz e Maria Anadon e Uxía. Davide Zaccaria, explicou à Lusa que “este é um tributo ao músico e poeta que foi José Afonso, sem mais, retirando-lhe a simbologia política”. Para Zaccaria, recriar o repertório do autor de “Grândola, vila morena”, foi “relativamente fácil” por estar já habituado a ele e “corresponder a uma paixão”. “Tenho tocado e feito arranjos para canções do Zeca, quer com o meu grupo, quer com Dulce Pontes, até neste seu recente trabalho”, assinalou à Lusa. O projecto completa-se com os músicos Filipe Lucas, à guitarra portuguesa, Jaume Pradas, na percussão, Nuno Oliveira, no baixo acústico, Victor Zamora, ao piano eléctrico, e José Soares, à guitarra clássica. A 17 de Julho, o projecto será apresentado em Roma, no âmbito do Festival Sete Sóis Sete Luas.

    http://www.rollsrock.com/terra_d_agua/
    Diário XXI

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    Associação José Afonso
    27/06/2007By AJA

    “Cantos livres” dia 20 de Julho, em Setúbal

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    Adriano Correia de Oliveira
    24/06/2007By AJA

    Adriano Correia de Oliveira e José Afonso

    Foto retirada do site http://adrianosempre.com

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    Júlio PereiraTestemunhos
    23/06/2007By AJA

    Júlio Pereira sobre José Afonso

    Na revista do quarto Festival da Música Popular Portuguesa, em 1991, Júlio Pereira escreveu o seguinte:



    “Sempre que assistíamos a um concerto de música erudita, não importa agora de que tipo, Zeca mostrava-me sempre a verdade. Ele sentia, de facto, e por ficar fascinado perante uma outra música da qual era admirador, uma espécie de sensação de frustração, até de inferioridade, do género: «o que é a minha música ao pé de uma música tão grande?». É evidente que eu não tinha resposta. Qualquer resposta era absurda: «não se podem fazer comparações» ou «o popular e o erudito são uma complementaridade». Absurdas, porque o Zeca sabia muito bem tudo isso. Absurdas sim, porque aquele momento é verdadeiro. Porque o fascínio não passava levianamente pela nossa dimensão. O que a Arte nos provoca é isso mesmo: a noção do nosso exacto tamanho. A música não engana ninguém, muito menos um músico. A música é que não deixa um músico mentir. (…)

    Falo-te em abstracto de coisas concretas. Falo-te da melhor escola de música ou de outra coisa qualquer. Falo-te de experiências reais, vividas, comuns a todos nós. (…) Falo ainda de tudo o que nasce, ou do que nasce em nós quando nos encontramos perante um outro músico que admiramos. Nesse preciso momento somos pequenos. (…)

    Muitas das coisas da vida estão mesmo ao nosso lado. E acredito que muito boa gente ao longo da sua existência, não se tenha apercebido dessa proximidade. É sempre mais fácil esperar o que já se sabe ser, do que o que não se sabe o que é. Venha da Natureza, venha do ser humano. Venha, ainda, da própria música. E que esperas tu da vida, músico? (…)

    Tens aí um gravador? Sabe-se lá como, daquela boca saia uma melodia espantosa! E eu, eterno curioso, levava-a comigo e tentava harmonizá-la. (…) Feliz e contente ia ter com ele mostrar-lhe o resultado. O inesperado era inevitável. O Zeca ouvia… –“Mas não é bem isso…” – “Esta canção é uma história” – “Deverá ter uma atmosfera própria”. – “Estás a ver uma fogueira, com pessoas à volta tendo à roda dos tornezelos uns guizos?” (…)

    «Quem canta por conta sua, canta sempre com razão».

    Percebes colega músico, a verdade irónica desta frase? Os teu ídolos, aqueles que admiras, aqueles sem os quais não passas, os que te põem os pelinhos do braço eriçados, têm na realidade, razão. Toda. Por isso mesmo, sempre que me tocares por conta tua, se és mesmo músico, acompanhar-te-ei sempre que o desejares. É talvez a única matéria que não precisa de escola para ser aprendida. E é desta matéria que se faz a música.

    (…)

    E tu, outro músico, que julgas que já ouviste o suficiente, quando tocares Zeca, não vás pela facilidade. Deixa-me sentir o Zeca quando tocas. Não o subestimes com esse ritmo «chapa 5», ou essa harmonia complexada cheia de 13ª monopolizando o arranjo. Essa música é uma história. É preciso encontrar a atmosfera própria… Lembraste do que o Zeca dizia?”.


    “Faro Luso” tema retirado do disco”Geografias”

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    Couple CoffeeVídeo
    22/06/2007By AJA

    Couple Coffee e “Com as tamanquinhas do Zeca”

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    Associação José Afonso
    19/06/2007By AJA

    Debate sobre José Afonso na Biblioteca Museu República e Resistência

    A AJA promove amanhã, quarta feira, pelas 18.30, na Biblioteca Museu da República e Resistência um debate sobre José Afonso.

    Morada: Rua Alberto de Sousa, nº 10 A – Zona B do Rêgo1600-002 Lisboa – Tel: 21 7802760

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    Júlio Pereira
    18/06/2007By AJA

    Lançamento do último disco de Júlio Pereira “Geografias”

    O álbum “Geografias”, editado dia 18 de Junho, assinala o regresso de Júlio Pereira ao bandolim, um instrumento que acompanha o músico desde a infância e que neste disco se conjuga de forma inédita com a guitarra portuguesa. Um disco a descobrir!

    Fonte: Lusa

    Depois de ter composto para crianças, com “Faz-de-conta” (2003), Júlio Pereira gravou um álbum instrumental onde demonstra o seu virtuosismo como intérprete e autor. Nos onze temas de “Geografias” o músico viaja para várias latitudes, combinando sonoridades e ritmos que à partida podem não fazer sentido juntos. “Este é um disco onde vou a mais sítios, porque a música instrumental leva as pessoas a lugares diferentes”, afirmou Júlio Pereira em entrevista à agência Lusa.

    Se dentro de “Fado Luso” há música popular portuguesa e ritmos africanos, “Porta do Oriente” remete para rotas longínquas e “Santa Moura” num instante parece uma canção de embalar, para de seguida fazer lembrar canto árabe ou uma moda minhota.

    São geografias recriadas por Júlio Pereira a partir de uma memória pessoal e da combinação entre bandolim, guitarra portuguesa, viola, bouzouki e sintetizadores. “Esta mistura, sobretudo do bandolim com a guitarra portuguesa, acho que deve ter sido a primeira em termos de trabalho com alguma profundidade”, disse.

    Para o novo álbum, Júlio Pereira contou ainda com a colaboração de três vozes femininas num registo de vocalizações que funcionam como um instrumento: Sara Tavares, Marisa Pinto, dos Donna Maria, e Isabel Dias, do grupo tradicional minhoto Raízes. Para “Geografias”, o músico abdicou de tocar todos os instrumentos em estúdio, repartindo as despesas com Miguel Veras (viola acústica) e Bernardo Couto (guitarra portuguesa). O processo de composição e de gravação acabou por ser inédito, precisamente por causa dessa partilha.

    “Compor é um acto solitário, mas esta é a primeira vez que componho à frente de outra pessoa”, referiu o autor de “Rituais” (2001), recordando as sessões em que experimentava temas novos no bandolim.

    Júlio Pereira, que durante muitos anos ficou praticamente conotado com o cavaquinho, diz que prefere cada vez mais o bandolim. “O cavaquinho é uma memória”, afirma o tocador ao recordar o sucesso alcançado com o álbum “Cavaquinho” em 1981. “Não sei o que é que aconteceu, mas teve consequências completamente inesperadas e é a partir daí que saio do anonimato”, assinala.

    Actualmente, é o bandolim o instrumento que mais gosta de tocar, por ser, entre os cordofones pequenos, “aquele que tem mais possibilidades de evolução”. É também o instrumento que o acompanha desde a infância, nos tempos em que o pai o ensinou a tocar “modinhas tradicionais”. Além de ser um disco com composições inspiradas na música popular e tradicional, “Geografias” introduz ainda apontamentos electrónicos, com a presença discreta de sintetizadores em temas como “Colares de Luz” e “Porta do Oriente”.

    Júlio Pereira explica que sempre teve apetência tanto para instrumentos tradicionais como para os novos instrumentos. “Faço parte de uma geração que é transversal às duas coisas. Apanho tanto o que é antigo como os novos instrumentos”, refere o músico, num exercício de memória que o leva aos tempos da guitarra eléctrica e do rock na década de 1970. Pode haver quem só se lembre de Júlio Pereira a tocar cavaquinho e viola braguesa ou ao lado de Zeca Afonso, com quem tocou durante muitos anos.

    Mas a verdade é que Júlio Pereira fez parte do movimento rock da década de setenta, no pós-25 de Abril, empunhando uma guitarra eléctrica e gravando com grupos como os Petrus Castrus e os Xarhanga. “Há uma grande parte da minha vida em que oiço géneros musicais que não passam por nada do que é, digamos, tradicional”, reforça Júlio Pereira.

    No entanto, o músico garante que não regressará a esses tempos e que se afastou do rock como músico. Da dedicação e pesquisa das raízes da música tradicional e popular portuguesa saíram álbuns como “O meu bandolim” (1992), “Miradouro” (1988), “Braguesa” (1983) ou este “Geografias”. Para Setembro, Júlio Pereira prepara uma digressão por Portugal e Espanha, onde “Geografias” também será também editado.

    O músico quer que os concertos sejam um prolongamento do álbum, com a participação em palco dos músicos Miguel Veras e Bernardo Couto. A digressão, ainda sem datas anunciadas, será a primeira em nome próprio ao cabo de dez anos, marcados apenas por actuações como convidado de outros músicos. “Nos últimos anos toquei sobretudo lá fora”, afirmou o músico, constatando que o actual cenário musical português não é dos melhores. Júlio Pereira reconhece que a música instrumental de raiz popular e tradicional não passa tanto na rádio ou na televisão, mas esta realidade é contornada através da Internet.

    No portal Myspace.com (www.myspace.com/juliopereira ), o músico apresenta algumas das suas composições e não esconde a surpresa ao ver que tem cem ou duzentas audições diárias dos seus temas. Em apenas dois meses registou 12 mil audições no myspace, um espaço virtual acessível para milhões de utilizadores onde “a música acaba por se tornar física”. “Não imaginava que isto ia acontecer – disse – e não tenho dúvidas de que a Internet é o maior dos presentes”.

    Biografia
    João Luís Oliva
    Como multi-instrumentista, compositor e produtor, ao longo de 30 anos de carreira, Júlio Pereira tem norteado a sua preocupação artística por parâmetros que tomam como referência a universalidade das manifestações culturais.
    O que, de forma nenhuma, contraria a importância do seu trabalho no âmbito da música tradicional portuguesa e da consideração étnica dos sons e das suas raízes. É que esse trabalho sempre teve como horizonte a incorporação da tradição portuguesa nas correntes estéticas que marcam as sucessivas“contemporaneidades”.

    Assim, as suas obras de autor, concretizadas em 15 discos de longa duração, depois de reflectirem a importância da inovação musical dos anos 60/70, cen­traram-se num trabalho de recuperação renovadora dos sons dos instrumentos tradicionais “quase perdidos” — de que os mais paradigmáticos exemplos são Cavaquinho (1981) , Braguesa (1982) e O meu bandolim (1992) —, bem como, sobretudo a partir dos anos 90, na associação desses sons a (sempre) novas soluções acústicas — como Rituais (2000) significativamente documenta. O que, aliás, o situa como figura incontornável da música portuguesa da se­gunda metade do séc. XX.

    Embora o seu trabalho não se tenha — até agora, e dominantemente — cruzado com a melodização de textos, a sua selectividade poética leva-o, actual­mente, a preparar um disco – Faz-de-conta – que se cruza com nomes nucleares de autores de língua portuguesa, como Eugénio de Andrade e Vinicius de Moraes.

    A atestar a sua experiência e o seu testemunho musical, referem-se a centena de discos em que interveio como instrumentista, orquestrador ou produtor. Não sem deixar de referir a importância da sua íntima ligação à carreira de José Afonso, a partir de finais dos anos 70, bem como a sua participação em trabal­hos conjuntos com Pete Seeger e The Chieftains”

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    Cristina BrancoVídeo
    16/06/2007By AJA

    Cristina Branco interpreta “Era um redondo vocábulo” acompanhada por Ricardo Rocha

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    Homenagens e tributos (música)
    15/06/2007By AJA

    Concerto “ Que viva o Zeca” pelos “Erva de Cheiro” no mês de Junho

    No mês de Junho o espectáculo de homenagem a José Afonso “ Que viva o Zeca”, continua. Convidamos os nossos amigos a assistirem aos espectáculos que realizaremos durante este mês:

    Dia 15
    Seixal – Sociedade Filarmónica União Seixalense – 21,30 horas
    Dia 16
    Sacavém – Quinta de S.José – 22 horas
    Dia 24
    Alcântara – Romaria de Santo Amaro – 21,30 h
    Dia 30
    Póvoa de Sto Adrião – Parque Desportivo 25 de Abril – 22,30

    http://www.ervadecheiro.com/

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    Homenagens e tributos (2007)
    13/06/2007By AJA

    Tributo a José Afonso em Bravães, Ponte da Barca

    Eram 22H30, de Domingo, quando se ouviram os primeiros acordes do Grupo Tela, que animou musicalmente a festa em Tributo ao Zeca, promovida pela Junta de Freguesia de Bravães, pequena comunidade de 600 eleitores, no concelho de Ponte da Barca. Pensada e concebida para ser ao ar livre, tendo por pano de fundo a pequena mas bonita Igreja da freguesia, a festa acabou por ser feita dentro duma grande tenda, montada à pressa, devida à chuva que caiu de madrugada e ameaçava voltar a qualquer instante. Antes da intervenção musical do Grupo Tela, que cantou Zeca, num reportório bem pensado e melhor recreado, num ecrã iam passando as entrevistas de rua, sobre José Afonso, feitas pela organização e durante o espectáculo iam passando imagens do e sobre o Zeca. Entre cantigas, uma voz feminina ia lendo depoimentos do Zeca e de outros amigos sobre ele. Coisa bem feita e bonita. Emocionante a entrada inesperada dos Bombos de Bravães irrompendo a plateia que aguardava, a próxima cantiga.(e mais emocionante quando todos cantaram o “Milho verde” ao som dos mesmos bombos). Este espectáculo, a que assistiram e participaram mais de 100 pessoas, foi digno do Zeca e, quando assim é, resta-nos reconhecer o bom trabalho e agradecer os momentos de vida e de emoção sentidos e vividos. Foi isso, que, em representação e em nome da AJA, fizemos.


    Entrevistas sobre José Afonso, realizadas à população de Ponte da Barca, no âmbito das comemorações dos 20 anos do seu falecimento. Este vídeo foi apresentado em Bravães, freguesia onde se realizou a homenagem, juntamente com um memorável concerto com músicos locais

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    AJA NorteAJAforça
    13/06/2007By AJA

    A AJA norte no hospital Joaquim Urbano no Porto

    A AJAnorte, levou a efeito mais uma iniciativa, desta vez no hospital Joaquim Urbano no Porto.
    Esta iniciativa consistiu no seguinte:
    Exposição “José Afonso, Poeta, Andarilho e Cantor”, aberta ao público nos dias 11, 12 e 13 de Junho, entre as 09:00 às 18:00 Horas;
    Sessão de CANTO LIVRE na tarde do dia 12, com a participação do Grupo Ajaforça e aberta a quem quis participar.
    Convívio do agrado geral, onde se criou uma empatia entre público e cantores, em torno das canções de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Sérgio Godinho e Manuel Freire. Esta sessão de CANTO LIVRE estava prevista para ter uma duração de uma hora, acabando por se prolongar por cerca de três horas.
    Ultrapassados os objectivos iniciais, nesta tertúlia salienta-se:
    A vontade de repetir;
    Os felizes encontros com antigos amigos e companheiros de José Afonso;
    O estabelecimento novos contactos;
    A vontade de promover novos encontros.

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    Andrés StagnaroHomenagens e tributos (2007)ToponímiaUruguai
    12/06/2007By AJA

    Zeca no Uruguai. Obrigado Andrés Stagnaro

    Queridos amigos, todavía me dura la alegría y se que durará mucho más.
    Agradezco a la Junta Departamental de Montevideo y a la Intendencia Municipal de Montevideo por haber escuchado esta iniciativa y llevarla a cabo. A los amigos de Casa de Portugal por haber apoyado y a todos quienes han estado presentes de una u otra manera.
    Es la primera vez que Montevideo homenajea a un cantautor no uruguayo con una placa en una plaza.
    No se en cuantos lugares del mundo se le ha puesto una placa a Zeca, pero si se que el día de ayer en esta ciudad por lo manos para mi, es diferente. No me canso de pasar y sacarle fotos.

    Les mando estas fotografías del día de ayer, las comprimí para que la puedan recibir a todas, pero pueden pedirme la que les guste.

    Fotografía tomadas el día 10 de junio a la mañana.

    Plaza Portugal , Camões , a lo lejos el monolito a Zeca.

    Monolito cubierto con la bandera uruguaya

    Intendente de la Ciudad de Montevideo Dr. Ricardo Ehrlich en su dicurso de homenaje.

    Embajadora de Portugal Luisa Bastos de Almeida – En su discurso de Homenaje

    Descubrimiento de la placa por la Embajadora y el Intendente



    Intendente de Montevideo Ricardo Eherlich en Casad e Portugal en su saludo

    Cantautor Andrés Stagnaro en su conferencia sobre Zeca en Casa de Portugal

    Fotografías tomadas a la noche

    Abrazos,
    Andrés Stagnaro
    Para conhecerem melhor Andrés Stagnaro, aqui fica um vídeo de um espectáculo que organizou em Montevideo, de homenagem a José Afonso em 2006. Podem visualizar o espectáculo na íntegra no centro de documentação da AJA. Mais informações em www.andresstagnaro.com

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    Jacinta
    11/06/2007By AJA

    Jacinta e José Afonso

    A cantora de jazz Jacinta disse estar “muito contente” por ter sido escolhida por 20 editores europeus da revista “Selecções Reader’s Digest” como “a melhor artista jovem de jazz” da Europa. “Nem podia acreditar, tanto mais que sou a única portuguesa da lista”, declarou à agência Lusa.

    A cantora espera que, “com este prémio, surjam mais oportunidades” para apresentar o seu trabalho. O seu mais recente disco “Day dream”, onde contou com a produção do saxofonista Greg Osby, é uma das razões apontadas para a escolha dos 20 editores europeus da popular revista.

    “Além deste meu trabalho, no qual canto de uma maneira que não está na moda, outras razões da escolha terão sido a minha voz forte, longe do registo cool jazz actualmente mais em voga e a forma de interpretar”.

    Actualmente, está trabalhar o repertório de José Afonso com vista à edição de um novo álbum e a realização de vários espectáculos. “Desde sempre canto repertório do Zeca”, afirmou.

    Segundo a cantora, “a aproximação a José Afonso deveu-se a Amílcar Vasco Dias, que chegou a fazer arranjos musicais para ele”. Jacinta explica que, “apesar de sermos superfiéis ao José Afonso, a nossa inovação é ao nível métrico, área que o jazz permite expandir e desenvolver”. Neste trabalho, Jacinta é acompanhada por Rui Quitano ao piano e Bruno Pedroso na bateria.

    Depois de ter chegado à final de um concurso televisivo, em 1993, que procurava novos talentos, Jacinta mudou-se em 1997 para Nova Iorque, onde estudou na Manhattan School of Music.

    “A criatividade constante, o recriar o tema, que obriga a que estejamos muito dentro da música”, são o que mais a atrai no jazz, conforme disse à Lusa quando lançou o seu primeiro álbum “Tribute to Bessie Smith”, um disco de prata. Posteriormente, editou um álbum com repertório de Thelonious Monk, que considerou “um desafio muito mais difícil, até porque ninguém o canta”.

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    Homenagens e tributos (2007)Uruguai
    08/06/2007By AJA

    José Afonso recordado no Uruguai no dia 10 de Junho

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    Carlos do Carmo
    05/06/2007By AJA

    O fado que José Afonso musicou para Carlos do Carmo

    Fado Excursionista

    Letra: Ary dos Santos e José Mário Branco
    Música: José Afonso
    Intérprete: Carlos do Carmo* (in “Um Homem no País”, Polygram, 1983)

    Anda depressa, ó Elvirinha
    Já chegou a camioneta
    Pega na cesta e vem azinha
    Vamos é pôr-nos na alheta.

    O pão-de-ló não dispenso
    Nem o arroz de cabidela
    Não há quem faça um farnel tão bom
    Não há mulher como ela
    Vem passear, Elvirinha vem
    Tens um lugar à janela.

    Portugal que eu desconheço
    Em permanente excursão
    No caminho em que tropeço
    É qu’eu meço a solidão.

    Solidão de andar parado, ai!
    Sou um motor em viagem
    Será que vem? Será que vai?
    É só questão de embraiagem!

    Anda Elvirinha, anda meu bem
    Segura na melancia
    Se não te importas traz-me também
    O arroz doce da tia.

    Não te esqueças da mantinha
    Nem do banco desdobrável
    Traz, Elvirinha, traz a sombrinha
    Que o campo é descapotável
    Ai Elvirinha, traz a sombrinha
    Que o tempo está variável

    Portugal que eu desconheço
    Em permanente excursão
    No caminho em que tropeço
    É qu’eu meço a solidão.

    Solidão de andar parado, ai!
    Sou um motor em viagem
    Será que vem? Será que vai?
    É só questão de embraiagem!

    Anda Elvirinha p’ra camioneta
    Já vejo a nossa comadre
    E mais a outra da roupa preta
    Que é irmã do senhor padre.
    Temos bela companhia
    Que excursão tão porreirinha…

    Mas o que é isto? A tua tia
    Não me disseste que vinha.
    Se for com ela estraga-se o dia
    Volta p’ra casa, Elvirinha

    Não “vou à bola” com a tua tia
    Volta p’ra casa, Elvirinha
    Ficas em casa, Elvirinha
    Ficas comigo, Elvirinha

    Vamos p’ra casa, Elvirinha
    Ai que Domingo, Elvirinha

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    Escolas
    05/06/2007By AJA

    Animação sobre José Afonso no DVD “25 de Abril, 32 Anos, 32 Perguntas”

    Seleccione a pergunta abaixo para ver a animação.

    O Zeca Afonso já tinha as canções preparadas? Ele já sabia que no dia 25 de Abril de 1974 ia haver uma revolução?

    Para ver as restantes animações clique aqui

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    Exposições
    04/06/2007By AJA

    Exposição na Biblioteca Museu República e Resistência

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    Homenagens e tributos (2007)
    04/06/2007By AJA

    Homenagem a José Afonso em Bravães, Ponte da Barca


    Com o apoio da CM de Ponte da Barca, a Junta de Freguesia de Bravães organiza uma homenagem a José Afonso no próximo dia 10 de Junho.

    Será um espectáculo centrado nas músicas e nos textos de Zeca Afonso.

    Palavras cúmplices na voz de Eugénia Brito.

    Com múltiplas influências, o grupo Tela preparou o concerto com novos arranjos para as canções do Zeca, encontrando inspiração na música clássica e no jazz mas que igualmente faz pequenas incursões às raízes mais étnico-populares.

    Com um estilo muito próprio já reconhecido localmente, o “som” peculiar da * Tela * consegue-se com o recurso a vários instrumentos: Voz, Guitarras, Baixo, Percussão, Bateria, Flauta transversal, Clarinete, Saxofones, Acordeão, Bandolim, tocados por músicos cuja formação e percurso artístico é profundamente diversificado: desde a formação clássica até ao jazz passando
    por música de raiz popular.

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    Traduções
    03/06/2007By AJA

    Poemas portugueses em Sho

    Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Camões, António Nobre e José Afonso são alguns dos autores dos poemas expostos na Biblioteca Florbela Espanca, em Matosinhos. Trata-se da transcrição dos textos para Sho, arte da caligrafia japonesa.

    A artista plástica japonesa Iku Yamamoto inaugurou, na passada sexta-feira, uma exposição de Sho, arte da caligrafia daquele país do extremo-oriente. A mostra está patente na Biblioteca Municipal Florbela Espanca, em Matosinhos, e pode ser visitada até ao dia 16 do corrente mês.
    Este é um trabalho que tem a particularidade de transpor para aquela forma de arte poemas de alguns dos mais conhecidos autores portugueses, como o caso de Fernando Pessoa, Florbela Espanca, Camões, António Nobre e José Afonso, entre outros.
    Quanto a motivações para a realização deste trabalho, Iku Yamamoto confessou a O PRIMEIRO DE JANEIRO ter um particular fascínio pelo nosso país, tendo em conta o facto de terem sido os navegadores portugueses que levaram, ao “país do Sol Nascente” a cultura europeia.
    Tendo em conta este facto, a artista nipónica pediu a alguns portugueses a residir na sua cidade (Quioto) que lhe indicassem alguns dos poetas portugueses, tendo-lhe sido sugeridos os que estão presentes na mostra agora inaugurada em Matosinhos.

    Conceito
    Conforme é referido na nota de imprensa distribuída pela Câmara Municipal de Matosinhos, a caligrafia japonesa Sho é uma forma de arte minimal milenar que utiliza na sua execução apenas duas cores, o branco e o preto, para condensar em si todos os elementos próprios de uma obra de arte.
    Segundo Iku Yamamoto, a ideia base desta arte é a tomada de consciência da relação entre o céu (cima) e a terra (baixo), “ou seja o Universo e exprimir a sua beleza. Esta é a razão pela qual o sho é escrito verticalmente de cima para baixo”.
    A artista plástica japonesa confessa mesmo ter sido esta a primeira vez que tentou escrever letras no alfabeto sho. “Confesso ter sido uma tarefa difícil e levou-me mais tempo que esperava”.
    Apesar desta dificuldade, Iku Yamamoto considerou esta primeira experiência de 20 quadros como positiva e afirmou ter vontade de continuar o seu trabalho.

    Eduardo Coelho – Primeiro de Janeiro

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    BiografiaFotografia
    03/06/2007By AJA

    José Afonso em Mangualde


    José Afonso (ao centro de mãos nos bolsos) com alguns dos seus alunos, no Largo da Igreja da Misericórdia

    Fotografia retirada de um artigo do jornal Mangualde Online, intitulado “Antigos Alunos e Professores, desfilam memórias dos Colégios de S. José e Stª Maria”

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    AJA NorteHomenagens e tributos (2007)
    03/06/2007By AJA

    Zeca Afonso homenageado na Feira do Livro

    “Traz outro amigo também” trouxe testemunhos de quem conviveu de perto com Zeca Afonso. Já com cerca de 100 mil visitantes contabilizados, a Feira do Livro do Porto prestou ontem uma homenagem a Zeca Afonso. Problemas de saúde impediram João Afonso dos Santos, irmão mais velho do cantor, de participar na iniciativa promovida pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros, mas muitos outros amigos marcaram presença. Hoje, o destaque do certame vai para a apresentação de “L Galaton”, o segundo livro de Asterix que a Asa publica em mirandês. Ao repto “Traz um amigo também” responderam algumas dezenas de pessoas, que ouviram no Pavilhão Rosa Mota testemunhos de quem conviveu de perto com Zeca Afonso. Foi o caso do escritor José Soares Martins, que se cruzou com o quotidiano do cantor na Cidade da Beira, em Moçambique. Referiu que foi em África – “uma pátria mítica para José Afonso” – que o poeta “criou a sua consciência pessoal e humana”, tendo sido ainda a partir da realidade colonial que formou a sua “consciência política”. A Associação José Afonso esteve representada por Paulo Esperança, que destacou “dois triângulos mágicos na vida de Zeca”. O primeiro, relativo à sua obra, contemplando “a poesia, a música e o exemplo cívico”, facetas que diz ser impossível dissociar quando se fala do autor de “Grândola”. No segundo triângulo colocou o facto de o cantor ter percorrido o país de lés a lés e o quanto isso influenciou o seu trabalho “Os 125 títulos conhecidos traduzem todos os aspectos da sociedade portuguesa”. A homenagem terminou com a actuação do grupo Canto Décimo, interpretando temas de José Afonso.

    Ainda na tarde de ontem foi apresentado o livro “O mel e o fel”, uma série de contos da autoria de Vítor Hugo, jornalista de 30 anos que está a dar os primeiros passos na escrita. À noite, por ocasião de um debate sobre as colectividades e o futebol na cidade do Porto, foi também lançada a obra “Biografia de Pinto da Costa – 20 anos de dirigente desportivo”.

    A partir das 17 horas de hoje, as atenções viram-se para o stand da Asa, onde o público poderá conhecer a segunda série de aventuras de Asterix em mirandês. Depois de “L Gaules”, chega agora “L Galaton” (“O grande fosso”), que, tal como o primeiro livro, foi traduzido por Amadeu Ferreira, cuja presença está garantida. Quem lá for poderá encontrar também Baptista-Bastos, cumprindo mais uma sessão de autógrafos.

    A feira termina de hoje a oito dias, prestando no sábado uma homenagem a Vasco Graça Moura.

    Fernando Oliveira – Jornal de Notícias

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    BelmonteBiografiaHomenagens e tributos (2007)
    02/06/2007By AJA

    Passagem de Zeca Afonso por Belmonte

    “Ó pá, desculpa lá isso!”.
    Zeca Afonso

    Atrevo-me a dizer que é verdade que o bom senso me desaconselha a reproduzir certas palavras de Zeca Afonso sobre Belmonte. Creio mesmo que, em tempo de Comemorações dos 500 anos do Achamento do Brasil, por Pedro Álvares Cabral, navegador de raiz belmontense, seria politicamente correcto… omitir.

    Mas é certo que a sua intransigência na defesa de princípios e valores tornaria imperdoável desvirtuar as suas memórias. Vénias rituais nunca couberam na voz em que ressoava a poesia e o apelo à fraternidade. É, por isso, proibido, imoral, esconder a fala do mistério duma relação com as gentes e um lugar…

    Em 1938, diz “…fui para casa de meu tio (em Belmonte) onde vivi o pior ano da minha vida, o mais desgraçado. O meu Tio era Presidente da Câmara, comandante da Legião, germanófilo (…)”*. Foi um período “fechado”. Sentia-se só, privado de contactos. Lembranças que não oculta, justifica e ilumina em busca de outra verdade: o tio que assinava o “Sinal” e outras revistas, que faziam o elogio do esforço bélico alemão, que sintonizava a Rádio Paris colaboracionista… “teve uma coisa boa: ensinou-me cantigas populares antigas da Beira; ouvi-o cantar líricas de óperas (…)”*; acrescenta: “foi ele que me incutiu o gosto pela música”*.

    O prisma das cores é múltiplo e de Belmonte ficaram imagens polícromas. E guardou também o Professor Tavares “… que gostaria de ver porque era um indivíduo sério”; e os jogos populares (canicho e bilharda) em que não participava por ser “sobrinho do senhor doutor”.

    Na vila acontece-lhe a primeira “paixoneta”, por Helena Cabeças que “… me desapareceu furtada por um indivíduo com muito mais experiência do que eu”*; a segunda nasce também na localidade, por uma rapariga judia: “Nutri por ela uma paixão inexprimível e inenarrável”*. Amores que não eram confessados e eram vividos em tempo de passar férias na casa do Tio.

    Sem dúvida que o passado que se conta, não pode ser se não imperfeito… e, (quantas vezes!) contraditório. Todavia, o saber que diz aquele Belmonte, a ternura com que acalentou as memórias desvelam a verdade de um lugar e de um tempo com versões verdadeiras…

    Talvez, por isso, ainda em Abril, em 1974, veio à Beira e a Belmonte festejar a Esperança de um tempo novo. No Castelo teve uma recepção inigualável. Toda a gente sabia quem era Zeca Afonso, a liberdade rodopiava por ali a propiciar intimidades, cumplicidades, fraternidade. Zeca estava do lado dos desfavorecidos, ninguém ignorava. Na vila tinha sido o “sobrinho do Senhor doutor”. No Castelo , ouviu, então: “Ó meu sacana não te lembras, quando me atiraste um calhau às costas?” O Zeca olhou-o estremecido; condoído abraçou-o, e saiu-lhe “Ó pá, desculpa lá isso!”.

    Guardou esta história e lembrava-a, quando nos juntávamos.

    As “meninas Martinho”, como dizia, tinham também lugar no álbum da memória. A última vez que falámos, quando desaparecia a esperança de voltar à Beira, pediu: “Dêem um abraço às meninas Martinho”. E no dia em que a Zélia Afonso, veio a Belmonte para participar na homenagem da Câmara Municipal, ao Zeca, em 1990, Judite Martinho ofereceu-lhe uma peça que confeccionara com carinho “… uma lembrança para o enxoval da filha, da menina”.

    Em Belmonte, uma placa lembra Zeca Afonso; foi colocada em frente da casa doutro amigo – Zeca Argentina -, junto da Escola Primária mais antiga, num largo que, pelo Natal, ouve a voz do Zeca:

    “Muita neve cai na serra,
    Muita neve cai na serra,
    Só se lembra dos caminhos velhos,
    Quem tem saudades da terra.”.

    Nota: * José A. Salvador, Livra-te do medo, Lisboa, A Regra do Jogo, 1984

    Maria Antonieta Garcia – 20.4.00

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    Fotografia
    02/06/2007By AJA

    Imagens soltas…

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    Homenagens e tributos (artes plásticas)
    02/06/2007By AJA

    Escultura de António Andrade

    Trabalho de António Andrade em frente ao Complexo Desportivo Municipal José Afonso em Grândola, inaugurado a 23 de Abril de 1999

    Em 25 de Abril, nos dias seguintes e desde aí, sempre que a Revolução de Abril é evocada nos meios audio-visuais uma canção ecoa nos ouvidos de todo o mundo: Grândola, Vila Morena.
    Canção escrita por José Afonso numa das suas estadias na vila de Grândola, onde manteve um convívio intenso com as suas gentes e, particularmente, com uma das suas associações culturais, a Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, a popular “Música Velha”, que era um dos polos da luta, em Grândola, contra o fascismo.
    Este contacto de José Afonso com Grândola e com as suas gentes, está documentado em várias cartas do cantor, que ficou vivamente impressionado com o espírito de resistência, e com a dignidade com que a população enfrentava as dificuldades quotidianas e a repressão do regime.
    Grândola, Vila Morena, terra da fraternidade, em cada esquina um amigo, dentro de ti ò cidade, traduz claramente, em versos e música, a ligação humana e sentimental do cantor com Grândola.
    A canção popularizou-se e tornou-se emblemática do espírito de resistência ao fascismo.
    Escolhida para senha do desencadear da Revolução de Abril, ultrapassou fronteiras e corre o mundo.
    Grândola tinha que corresponder ao suplemento de alma que José Afonso lhe ofereceu.
    Nos 25 anos do 25 de Abril, José Afonso sairá da memória dos grandolenses para fisicamente estar sempre presente no Concelho, numa escultura que, em linguagem moderna, o perpetuará.

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    Fotografia
    02/06/2007By AJA

    Zeca Afonso, em visita a Londres em 1979

    Zeca Afonso, em visita a Londres para as comemorações do 5º aniversário do jornal “Luta Comum”, participa numa manisfestação promovida pela Amnistia Internacional

    Zeca Afonso, no concerto comemorativo do 5º aniversário do jornal “Luta Comum”


    (Ambas as fotos são do arquivo do Centro de Documentação 25 de Abril em Coimbra)

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    AJA Norte
    31/05/2007By AJA

    José Afonso evocado no Norte

    No passado dia 29 de Maio, resultante de uma parceria entre o Núcleo do Norte da AJA e o Grupo Desportivo dos Trabalhadores do Banco de Portugal, realizou-se uma sessão evocativa de José Afonso sob o tema ” Cantar José Afonso no Banco de Portugal”. Esta sessão, em forma de convívio, contou com uma intervenção do nosso companheiro Paulo Esperança, e com músicas do Zeca e Adriano cantadas pelos nossos amigos José Luís, João Teixeira e Manuel Sampaio. Estiveram presentes quatro dezenas de trabalhadores da delegação do Porto de Portugal que, animadamente participaram na iniciativa.

    Eduardo Pinheiro

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    Imprensa
    31/05/2007By AJA

    Monsanto recupera a Casa Zeca Afonso

    Vinte anos depois da morte de Zeca Afonso, a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, e a Associação José Afonso querem cumprir aquilo que o cantor não conseguiu fazer em vida: recuperar a casa, que ele em tempos ali comprara.

    O autor de “Grândola Vila Morena” chegou a comprar uma casa na aldeia mais portuguesa de Portugal, um espaço que nunca conseguiu recuperar. É esse fim que as duas entidades querem agora levar a bom porto criando em Monsanto aquilo que poderá ser uma casa-museu dedicada ao cantor.
    Ao que se sabe, a casa foi comprada por Zeca Afonso, mas este nunca chegou a fazer o registo para o seu nome. Agora as duas entidades querem não só legalizar a situação, para a qual devem contar com o aval da família que ainda é proprietária do imóvel, como recuperá-la e torná-la num espaço ligado ao cantor e autor. O caminho mais provável deverá ser a criação de uma pequena casa-museu.
    Helena Carmo, da Associação José Afonso , recorda que “a Sr.ª do Almortão era cantada frequentemente pelo José Afonso”. E a ideia de comprar uma casa em Monsanto é um sinal “do seu agrado em aqui estar” mas também a necessidade de ali “encontrar um ponto de inspiração, de descanso” diz Helena Carmo. Por isso, a associação saúda “a disponibilidade da Câmara Municipal e agarramos a ideia com ambas as mãos”.

    José Furtado/www.reconquista.pt

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    Concertos de José AfonsoVídeo
    31/05/2007By AJA

    “A Morte saiu à rua” ao vivo no Coliseu

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    AJAforçaHomenagens e tributos (2007)
    31/05/2007By AJA

    Homenagem a José Afonso em Milheirós de Poiares

    Em Milheirós de Poiares, concelho de Santa Maria da Feira, concluiu-se, no passado sábado, um conjunto de iniciativas de homenagem a José Afonso, promovidas pela Associação Cultural Ritus, em parceria com o Núcleo do Norte da AJA.Esta homenagem constou de um debate, da realização e exposição de trabalhos poralunos da escola EB1 de Milheirós de Poiares e foi encerrado no passado sábado comum espectáculo em que participaram o grupo Canto Novo (constituído por professores, funcionários e alunos da Escola Serafim Leite) e ainda pela actuação do grupo AJAforça.

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    Homenagens e tributos (2007)
    31/05/2007By AJA

    José Afonso na 77ª feira do livro do Porto

    2 Junho Sábado 17:00 – TRAZ UM AMIGO TAMBÉM – HOMENAGEM A JOSÉ AFONSO

    Este Ano a Feira do Livro presta homenagem a um dos maiores cantautores nacionais. Para nos falarem de José Afonso vão estar presentes na Feira o Dr. João Afonso dos Santos (Irmão do cantor, o Dr. José Soares Martins (c/ pseudónimo José Capela e autor da Afrontamento).
    A AJA – Associação José Afonso vai estar representada por Paulo Esperança.
    A Editora Campo das Letras vai apresentar o seu livro “Zeca Afonso – O Andarilho da Voz de Ouro” da autoria de José Jorge Letria, com ilustrações de Evelina Oliveira.

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    Fotografia
    24/05/2007By AJA

    Foto de Jorge Rijo

    jorgerijo@netcabo.pt

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    Fotografia
    24/05/2007By AJA

    Foto de Humberto de Sousa

    presslook@iol.pt

    TIRADA EM: 7 Março 1977
    LUGAR: Pavilhão do Clube Naval Setubalense
    DESCRIÇÃO: Canto livre realizado para marcar o aniversário dos incidentes, em Setúbal, do dia 7/3/75

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    AJA Norte
    20/05/2007By AJA

    Cantar José Afonso no Hospital Joaquim Urbano no Porto

    Hospital Joaquim Urbano
    Rua Câmara Pestana no Porto

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    Imprensa
    20/05/2007By AJA

    José Afonso, cantares de um andarilho

    Texto de Augusto M. Seabra publicado no “Expresso” a 29 de Janeiro de 1983, dia do último concerto de José Afonso, no Coliseu dos Recreios de Lisboa.

    O concerto de José Afonso, hoje, no Coliseu, é um acontecimento excepcional. Um acontecimento que no entanto deve ser tratado nos seus exactos termos, isto é, dum músico, poeta e cantor que, finalmente, se apresenta num concerto pensado como tal.
    Por si só, o atraso com que este concerto se verifica é sintomático dalgumas das contradições que pesam sobre José Afonso, sobretudo o sobrevalorizar da componente política “de protesto”, “de intervenção”, sobre os aspectos poético-musicais.
    Ele foi (é) de facto, um símbolo de transformações na canção e mesmo – pela associação entre o seu tema “Grândola, Vila Morena” e o 25 de Abril no processo histórico-político; a opção de se ligat fundamentalmente a certas tendências e lutas foi sua. Em nenhum caso se poderá no entanto esquecer o dado primeiro: ele não teria uma tal importância se não fosse o músico que é.
    Ao olhar principalmente para o passado discográfico de José Afonso não pretendo reduzi-lo a um valor ultrapassado, mas sim analisar sinteticamente aquilo que o distingue. Se opto por abordar fundamentalmente o período anterior ao 25 de Abril, é porque creio que apesar dalguns temas (por exemplo, “Teresa Torga” do álbum ComAs Minhas Tamanquinhas), ou da opção possível que era o lado A do álbum Fura, Fura (integralmente preenchido com as canções que fez para o espectáculo Zé do Telhado da Barraca), não só há posteriormente uma certa indefinição da sua obra, como ela foi afectada por problemas técnicos e contratuais que não são da sua responsabilidade.

    DO FADO À BALADA

    Começou ele no fado de Coimbra (como nos recordaria o disco que, inesperadamente talvez, gravou em 1981), ou seja, numa tradição musical urbana perfeitamente circunscrita, o que é caso raro, já que por definição aquele tipo de tradições tende a miscigenar-se.
    A especificidade do fado talvez explique algo do percurso singular que seria posteriormente o de José Afonso. Num dos mais belos discos portugueses que conheço, Baladas e Canções (de 1967), ele estava ainda dependente do fado – sobretudo no estilo vocal- e ao mesmo tempo já para além dele, num espírito algo trovadoresco em que o lirismo melódico dominava, mormente em temas como “Canção Longe, Os Bravos e Trovas Antigas”.
    Era ainda, como era apresentado, o Dr. José Afonso (com tudo o que isso tem de coimbrão), que se encontrava com o que seria durante muito tempo o seu companheiro na viola, Rui Pato.
    Dessa altura e dos anos seguintes, fica-nos sobretudo um José Afonso “cantor de protesto” (“Os Vampiros”, “Menino do Bairro Negro”) ou ainda muito ligado a Coimbra (“Menino de Ouro”), que foi progressivamente incluindo no seu repertório canções populares rurais. Entre a produção desse período, registada sobretudo em EP”s, um tema como “Canção do Mar”, é no entanto já revelador, quer no aspecto vocal, quer no instrumental, duma consciência de que a ideia poética se concretiza também no tratamento musical.
    O José Afonso que mais directamente conhecemos é no entanto o que surge em finais dos anos 60, e quando do contrato com a etiqueta Orfeu, numa série de álbuns iniciados com Cantares do Andarilho. A voz está mais segura, encorpada, e sobretudo há um notável recriar (por vezes, em autênticas paráfrases) de linhas melódicas tradicionais. Nos sete álbuns editados durante esse período, até Coro dos Tribunais (publicado já após o 25 de Abril, mas que conclui o período), creio que se podem distinguir fundamentalmente duas faces:
    a) Uma, directamente iniciada com Cantares do Andarilho, prossegue nos álbuns seguintes, Contos Velhos, Rumos Novos e Traz Outro Amigo Também – embora neste, Carlos Correia (Bóris) substitua Rui Pato na viola, alteração relativamente importante – e é retomada mais tarde, já após Cantigas do Maio, em Eu Vou Ser Como a Toupeira.
    b) A outra concentra-se fundamentalmente nos dois álbuns com arranjos de José Mário Branco, Cantigas do Maio e Venham mais Cinco, e prossegue ainda no trabalho com Fausto em Coro dos Tribunais.

    TRADIÇÕES POPULARES

    A diferenciação não é absoluta porque alguns dos temas dos discos da primeira faceta ligam-se estreitamente à segunda, mas creio que é pertinente sobretudo se se atender a que a simplicidade melódica dominante da primeira é substituída na segunda por uma certa luxúria e invenção sonora, ligadas a diferentes características poéticas.
    Digamos que a primeira faceta é ainda e sobretudo um prolongamento da balada, com um encontro directo com tradições populares, e expressa-se sobretudo em temas como “Natal dos Simples”, “Tecto na Montanha” e “Vejam Bem” (todos de Cantares do Andarilho), num hino como “Canto Moço”, no belíssimo tema que é “Traz Outro Amigo Também” (ambos do álbum com o título do último). Um caso à parte é “A Morte Saiu à Rua”, de Eu Vou Ser Como A Toupeira. Caso à parte porque, suponho, só o facto de José Afonso ter sido escolhido, por leitores dum jornal (o Diário de Lisboa) como representante de Portugal num Festival da Canção (do Rio de Janeiro) e ter escolhido apresentar-se com essa canção, permitiu a sua posterior gravação. Caso à parte porque, sendo uma das mais liminares “canções de protesto” (é uma homenagem a José Dias Coelho, militante comunista assassinado pela PIDE, com uma simbologia tradicional – “a foice duma ceifeira”, “o som da bigorna”), sobreleva todas as outras na sua qualidade musical.

    O DISCO MAIOR

    Creio ser no entanto na outra faceta, e no que a ela se liga, que se encontra o mais original José Afonso. Será de recordar os discos que a assinalam.
    Cantigas do Maio é evidentemente o disco maior e que melhor sintetiza o músico (ocorre-me que há uns anos, quando o disco foi votado por críticos como o melhor álbum português de sempre, José Afonso reagiu algo mal, falando em que isso seria social-democrata – não percebo porque é que o seria uma tal constatação da qualidade musical, a não ser como elogio à social-democracia, o que não era evidentemente o objectivo).
    Se exceptuarmos “Mulher da Erva” (de forçado bucolismo), todos os temas são notáveis. A componente política combina-se com um excepcional trabalho vocal em “Cantar Alentejano”, com a fraternidade coral em “Grândola, Vila Morena”. “Milho Verde” prossegue o reportório de temas populares, ligando-se a “Cantigas do Maio” que, com “Maio, Maduro Maio” e “Coro da Primavera” representam uma vertente sempre importante na obra de José Afonso, o do retomar simbólico do ciclo natural das estações. Propositadamente, deixo de fora, por enquanto, “Senhor Arcanjo” e “Ronda das Mafarricas”.

    IMAGINÁRIO DO ABSURDO

    É que penso que essas duas canções, como aliás outras anteriores, sobretudo a titular de Cantares do Andarilho e ainda “Sete Fadas Me Fadaram” e “O Avô Cavernoso” (de Eu Vou Ser Como a Toupeira), e outras posteriores, como “Tenho Um Primo Convexo” e “A Presença das Formigas” (de Coro dos Tribunais), se ligam directamente com o que me parece o álbum mais pessoal de José Afonso, Venham Mais Cinco, constituindo o que ele tem, musical e poeticamente, de mais original, e muitas vezes, de esquecido.
    Originalidade que se revela na excepcional adequação entre os poemas de António Quadros (Pintor), poemas mágicos de bruxas e fadas, em que está latente a sombra dum imaginário africano, entre esses poemas, e a forma como José Afonso os musicou – é “Cantares do Andarilho”, é “Ronda das Mafarricas”, é “Sete Fadas Me Fadaram”.
    Essa adequação liga-se directamente com características importantes nos próprios poemas de José Afonso e nas suas músicas. Neles se manifesta um imaginário do absurdo, do “non-sense” algo surreal, com constantes referências animalísticas, antropofágicas, físicas e matemáticas. São poemas como: “Senhor Arcanjo/Vamos jantar/Caem os Anjos/Num alguidar/Hibernam tíbias/Suspiram rãs/ Comem orquídeas/Nas barbacãs”, “Era um redondo vocábulo/Uma soma agreste/Revelavam-se ondas/Em maninhos dedos” (“Era um redondo vocábulo”, seguramente uma das suas mais belas e inventivas canções); “Tenho um primo convexo/Fadado para amnistias/Em torno de ele nadam/ Plantas carnívoras/Agitando como plumas/ As cordas violáceas”; “A presença das formigas/Nesta oficina caseira/A regra de três composta/Às tantas da madrugada”.
    Musicalmente, este imaginário afirma-se na fusão entre a inventiva melódica e o recurso, mais rímbrico que rítmico, a percussões africanas e brasileiras, numa capacidade de criação de ambientes sonoros que chega a recorrer apenas a sons isolados como envolventes (não suportes) da linha melódica da voz (“O Avô Cavernoso”) – são cantares do andarilho.
    Mas, ainda de Venham Mais Cinco, não podem deixar de se referir dois temas excepcionais, “Que Amor Não Me Engana”, que o acompanhamento de harpa, flauta e violoncelo, envolve como que uma “canção de concerto”, e “Se Voaras Mais ao Perto”, espantoso tema trovadoresco, inclusive na forma como a voz tende ao falsete.
    Se táo múltiplas referências musicais exteriores se podem encontrar assim na obra de José Afonso, adoptadas de forma muito pessoal, é porque ele nunca deixou de se interessar pela multiplicidade das músicas.
    O meu contado pessoal com ele, por exemplo, passa por não sei quantos concertos de jazz, ou pelas manifestações de música contemporânea para as quais, há uns dez anos, tantas vezes fiquei encarregue de o avisar, telefonando para Setúbal: na Gulbenkian, iam executar uma obra de Xenakis, de Penderecki, de Stockhausen…
    Com tanto atraso, temos esta noite a oportunidade de nos lembrarmos desta simples evidência – José Afonso é um grande músico.

    Augusto M. Seabra

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    Adriano Correia de Oliveira
    18/05/2007By AJA

    Homenagem a Adriano

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    AJAforça
    17/05/2007By AJA

    Ajaforça com sítio na net

    O grupo Ajaforça constituído por elementos
    do núcleo do norte da AJA tem já um sítio
    na internet: http://ajaforca.no.sapo.pt/.

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    José NizaTestemunhos
    13/05/2007By AJA

    O meu amigo Zeca por José Niza

    Há uns bons anos atrás, estava a passar um serão em casa do Carlos do Carmo. E o José Mário Branco, como se estivesse a pensar alto, disse-me: “Ó Niza, já te apercebeste da dimensão universal das canções do Zeca?” Isolei-me da cavaqueira e fiquei a matutar naquilo. Afinal o que o Zé Mário me tinha dito era uma evidência. Uma evidência que de tão evidente me escapara até àquela noite.
    Quando estamos muito por dentro das coisas não as vemos de fora. Não temos a noção, quando estamos num estúdio a gravar cantigas, de que podemos estar a fazer história: – o que nos ocupa, e preocupa, é fazer o melhor da melhor forma possível.
    O Zé Mário tinha razão. A obra musical do Zeca está ao nível da de Jacques Brel, Léo Ferré, Serge Reggiani, Georges Brassens, Bob Dylan, ou outros. Atenção que não estou a considerar a eficácia poética da mensagem política, estou sobretudo a sublinhar a qualidade da arquitectura musical das canções do Zeca, a complexa simplicidade das melodias e dos ritmos, a perfeita interacção da poesia com a música e com a voz.
    É por isto que a obra do Zeca está a ser cada vez mais estudada e divulgada, a ser objecto das abordagens mais diversas. Do rock ao jazz. Da música popular à música erudita. É isso que está a acontecer em Portugal e no estrangeiro. Como nunca aconteceu antes. Ainda há dias o Mário Laginha (o nosso Carlos Paredes do piano) – me dizia que a construção musical de “Era um redondo vocábulo”, uma canção “difícil”, era uma obra-prima da música contemporânea.
    A obra musical do Zeca é – e vai ser – um “study case”. Coisas que só acontecem aos génios. E que às vezes levam tempo a perceber.

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    José NizaTestemunhos
    13/05/2007By AJA

    O meu amigo Zeca (II) por José Niza

    Em 1969, pouco antes de ir para a guerra, eu tinha composto a música para duas peças do CITAC, encenadas por um dos maiores nomes do teatro europeu e discípulo de Bertold Brecht: Ricard Salvat. A primeira, “A Excepção e a Regra” de Brecht. A segunda, “Castelao e a sua época”. Ambas foram proibidas e o Ricard Salvat acabou por ser preso pela PIDE e despejado em Badajoz, no dia em que começou a greve académica de 69. Para esta segunda peça compus muitas canções, entre as quais “Cantar de Emigração”, “Emigração”, “Para Rosalía”. O “Cantar de Emigração” era cantado em Coimbra por toda a malta e rapidamente se tornou um sucesso. De tal forma que hoje conheço mais de trinta versões cantadas em português, galego, castelhano, francês e alemão. Foi nessa altura que verdadeiramente comecei a compor a sério e a ser conhecido no pequeno mundo da música portuguesa. A versão do “Cantar de Emigração” que o Adriano lançou no seu LP “Cantaremos” (1970), fez o sucesso desse disco e levou o Adriano a escrever-me para a guerra e a pedir-me que fizesse todas as canções do seu álbum seguinte. Mas, mais do que isso, ele e o Zeca propuseram-me ao Sr. Arnaldo para dirigir a produção dos discos Orfeu. De certa forma foi isso que me abriu as portas para tudo o que depois vim a fazer na música portuguesa.

    Entretanto o Zeca continuava, anualmente, a semear autênticas obras-primas: “Contos Velhos Rumos Novos” (1969), “Traz outro amigo também” (1970).

    E estamos chegados a Agosto de 1971, altura em que regressei da guerra e comecei a trabalhar na produção dos discos Orfeu. Em cima da mesa estavam dois grandes projectos para lançar antes do Natal desse ano: o Zeca iria a França gravar um disco com direcção do José Mário Branco. E o Adriano ficaria em Lisboa (ainda estava na tropa) a gravar comigo o disco que eu tinha composto para ele. Como ambas as gravações foram feitas ao mesmo tempo eu não pude ir a França com o Zeca e fiquei em Lisboa a dirigir o disco do Adriano. Quando o Arnaldo Trindade ouviu os dois discos ficou em estado de choque musical: aquilo era muito mais do que ele sonhara!

    Entretanto – e também de Paris – vieram dois discos cantados por dois exilados políticos, os seus álbuns de estreia: “Mudam-se os tempos, Mudam-se as vontades”, do José Mário Branco e “Sobreviventes”, do Sérgio Godinho.

    Estes quatro discos foram quase simultaneamente postos no mercado. E aconteceu um terramoto, uma revolução musical totalmente imprevista e inovadora na música popular portuguesa. Ao fim de mais de 35 anos ainda há réplicas desse terramoto. As marcas que deixou continuam a ser a matriz e referência da música que hoje se faz em Portugal. Todos estes quatro discos figuram na lista apertada dos melhores discos da segunda metade do século XX.

    O curioso disto tudo é que nenhum de nós sabia o que os outros estavam a preparar. O Zé Mário e o Sérgio estavam em Paris e eu nem sequer os conhecia. O Zeca receava a genial encenação musical do José Mário Branco e nem sequer sabia para o que estava guardado. E o Adriano só depois de comigo entrar em estúdio é que soube o que verdadeiramente lhe iria acontecer.

    Nos anos seguintes produzi, ou dirigi, quatro importantes discos do Zeca: “Eu vou ser como a toupeira” (Madrid – 1972), “Venham mais cinco” (Paris – 1973), “Coro dos Tribunais” (Londres – 1974) e “Com as minhas tamanquinhas” (Lisboa – 1976), os dois primeiros antes do 25 de Abril e os dois últimos, depois. A minha eleição para a Assembleia Constituinte e, depois, para a Assembleia da República, impediram-me de continuar a trabalhar com o Zeca – e na editora. O mais importante estava feito, o fascismo tinha sido derrubado e agora a música era outra.

    Produzir discos do Zeca, ainda por cima no estrangeiro, era qualquer coisa de fascinante, de ciclópico e, sobretudo, uma experiência diferente do habitual.

    Tudo começava com várias idas à casa do Zeca, em Setúbal, para escolher o reportório, a direcção musical, os acompanhantes e o estúdio onde iríamos gravar. Depois havia a insuportável, mas obrigatória, missão de enviar os poemas à censura. Eu aqui inventei um truque que quase sempre funcionou e que aprendi nas artes da pesca: era o “engodo”. A verdade é que à ditadura não interessava calar totalmente o Zeca. Seria demasiado drástico e provocaria efeitos de “boomerang”. À censura interessava sim, controlar o que o Zeca cantaria. Do mal, o menos. Percebendo isto, quando preparava um disco, por exemplo de 10 canções, eu pedia ao Zeca uns 15 poemas. Os que não eram para gravar – e nem sequer tinham sido por ele musicados – eram também os mais explícitos e acirradores. Era sobretudo nesses que o lápis azul colocava a mordaça, deixando luz amarela ou verde para os outros. A estupidez dos censores era equivalente à satisfação do dever cumprido: em 15 cortavam 5 e estava o dia ganho. E eu agradecia. O engodo tinha funcionado. Mas a tarefa não terminava aqui. Era preciso marcar estúdio, combinar datas, tratar de viagens e hotéis, combinar cachets e contratar os músicos, arranjar restaurantes e pagar as contas, dar umas abébias para as rádios e para os jornais, tratar das capas dos discos e das fotografias. Quando as gravações eram lá fora eu levava o dinheiro em notas de banco e pagava “cash”.

    Quando finalmente entrávamos em estúdio, no estrangeiro, era preciso explicar aos engenheiros de som que música era aquela, o que se pretendia, quem era o cantor.

    As gravações do Zeca eram diferentes das habituais em que, quando se entrava em estúdio, já quase tudo estava previsto e preparado. Para ele, o estúdio era sobretudo um laboratório de experiências, uma sala de ensaios, um espaço criativo. As soluções musicais eram geralmente encontradas no momento, à custa de sucessivas tentativas. O meu drama é que tudo aquilo tinha de começar e acabar em sete dias, que era o tempo reservado para as gravações. Se houvesse um atraso teríamos de regressar a penates porque no dia seguinte o estúdio já era para outros. A verdade é que os prazos foram sempre cumpridos.

    O primeiro disco que produzi para o Zeca foi “Eu vou ser como a toupeira” gravado em Madrid, em 1972. Nesse álbum ele queria incluir a canção “A morte saíu à rua” cuja letra, embora de forma não explícita, denunciava o assassinato do pintor comunista Dias Coelho pela PIDE. O poema foi cortado pela censura. O Zeca ficou indignado. E eu não me conformei. O Director Geral de Informação da altura era o Dr. Pedro Feytor Pinto, nascido e licenciado em Coimbra, que tocava umas pianadas e tinha pertencido à Tuna Académica, onde conheceu o Zeca. Era ele o chefe da censura. Telefonei-lhe e convidei-o para almoçar. Durante o almoço fino, na Varanda do Chanceler, convenci-o. “Afinal, quem é que sabia quem era o Dias Coelho?” Saí do restaurante com a autorização e uma conta choruda para o Arnaldo Trindade pagar. Não há almoços grátis.

    Quando gravava, o Zeca gostava de estar sempre acompanhado pelos amigos das cantigas, mesmo que não entrassem no “filme”. Aquilo proporcionava um clima de bom convívio, com copos, conversas e muito humor. Para essa gravação eu reservei um grande apartamento nas Torres de Madrid onde todos ficávamos, e que tinha duas vantagens: uma grande sala, onde podíamos ensaiar à noite; e uma localização próxima da saída da cidade para os Estúdios Cellada, a 12 kms da capital.

    A equipa que acolitava o Zeca tinha como suporte principal a viola do Carlos Alberto Moniz e integrava o galego Benedicto, grande amigo do Zeca, a Teresa Silva Carvalho e o José Jorge Letria.

    O arranque da gravação foi complicado. Ninguém sabia verdadeiramente o que o Zeca queria. Nem ele era capaz de se explicar. A disciplina que o José Mário Branco tinha imposto no disco anterior (“Cantigas do Maio”), a que o Zeca se tinha submetido com alguma reserva, foi substituída por algum excesso de improvisação e de experimentalismo. Começámos por gravar as canções mais simples. Ao segundo dia, numa pausa da gravação, eu andava com o Zeca a passear no corredor. Passámos em frente da porta do estúdio 2 e ouvimos uma viola muito bem tocada. Ficámos ali, o guitarrista estava a ensaiar. O Zeca parou e disse: “É mesmo disto que estamos a precisar! Ó Niza vai lá dentro e convida o gajo para se juntar à malta!” Fui lá, expliquei-lhe ao que ia. O tipo achou o convite algo insólito mas aceitou. Este acaso do destino foi uma enorme mais-valia para o disco. O Carlos Villa, assim se chamava o guitarrista, deu um grande contributo para a sua valorização.

    Uma das canções que o Zeca queria incluir – “O avô cavernoso”- era um tema dedicado ao Cardeal Cerejeira (ou ao Salazar, ou aos dois…) com uma música e um poema completamente fora do seu estilo habitual. O surrealismo do tema só podia ter um acompanhamento musical e coral igualmente insólito. Defendi que, ao contrário das regras, o papel da viola deveria ser o de destruição da música e do poema.

    A ideia era um bocado abstrusa, mas o Zeca decidiu testá-la. Era o tal experimentalismo de que atrás falei, Coube-me a mim acompanhá-lo. A primeira coisa que fiz foi desafinar a viola. Isso mesmo: desafinar a viola! O Zeca começou a cantar o tema, tal como o tinha criado, e eu a desconstruí-lo com notas desafinadas e acordes dissonantes: era a loucura lúcida! O resultado foi de espanto e aprovação. Com os coros aconteceu mais ou menos o mesmo. Mas faltava ainda o tempero das percussões. E aí caímos num impasse. Parámos a gravação para reflectir. Nesse intervalo fui ao bar do estúdio e trouxe de volta uma cerveja e um “bocadillo de jambón” com aquele pão branco e estaladiço. Fui comer para o estúdio, os microfones estavam ligados e o Zeca estava a descansar na “régie”. Às tantas, ia eu a passar ao lado de um dos microfones e dei uma dentada no pão. O Zeca deu um grito de satisfação: “Eh pá, era mesmo este som que eu queria para a percussão!” O técnico pôs a correr a fita onde estava a voz do Zeca e a minha viola. E eu fiquei no estúdio a morder no “bocadillo” ao ritmo da música. Acho que devíamos ter mandado isto para o Guiness…

    No ano seguinte a gravação foi em Paris, no Estúdio Aquarium. O Zeca resolveu – e bem – reconstituir a equipa de “Cantigas do Maio”, isto é, José Mário Branco e Gilles Sallé, o engenheiro de som. O Zé Mário estava à nossa espera mas, sobre o que o Zeca ia cantar, a informação que tinha era muito escassa. Foi o ano de “Venham mais cinco”. Talvez tenha sido a semana mais dura na vida musical do Zé Mário: de dia gravávamos e à noite ele ia escrever os arranjos para o dia seguinte. Quando chegou o fim da gravação nem podia com uma gata pelo rabo. Este disco contém algumas das melhores canções da obra do Zeca: “Venham mais cinco”, “Era um redondo vocábulo”, “Que amor não me engana”, “A formiga no carreiro”, “Gastão era perfeito” e algumas outras. Ficámos instalados num dos melhores hotéis de Paris, o PLM (da cadeia Paris-Lyon-Marseille, recentemente inaugurado). Tudo era climatizado, as janelas dos quartos e de todo o hotel eram estanques, tudo funcionava com ar condicionado. O ar que respirávamos era quente e absolutamente seco. O pior para a voz de qualquer cantor. O Zeca pediu-me para mudarmos de hotel, mas já estava tudo pago e o tempo ia passando. Ensinei-lhe um truque que tinha aprendido na Suécia quando o tampo da minha guitarra estalou por causa do ar seco: abrir a torneira da água quente da casa de banho e deixá-la a correr. Era a única forma de humidificar o ar. Não resolveu totalmente o problema, mas ajudou.

    Quando o disco ficou pronto segui para Londres. Era lá que se iria fazer o corte do acetato e fabricar o LP. 1973 foi o ano da grande crise do petróleo. O vinil era um bem escasso e o que havia disponível já era reciclado. Quando fui à fábrica, nos arredores de Londres, fiquei decepcionado: aquilo parecia mais uma carpintaria que uma fábrica de discos. A Pye Records tinha enganado a editora. Regressei a Lisboa com os primeiros discos e telefonei ao Zeca para os ouvirmos em minha casa. Ele foi ouvindo, ouvindo, com expressão carregada e sem comentários. Mas, no fim, disse que aquilo não correspondia à qualidade do que tínhamos gravado em Paris e que não autorizava a venda. E tinha razão. A solução de recurso foi fazer a edição em Lisboa, numa fábrica onde ainda havia uma boa reserva de vinil do bom.

    Mal sabíamos nós que “Venham mais cinco” seria o último disco do Zeca antes do 25 de Abril.

    Em 1974, já depois da revolução dos cravos, fomos gravar a Londres, desta vez com o Fausto na direcção musical. Havia uma grande expectativa e curiosidade em saber o que o Zeca iria cantar, finalmente liberto da PIDE e da censura. Foi igual ao que sempre tinha sido. Em Portugal vivia-se o Verão quente, os cristãos-novos da canção panfletária nasciam como cogumelos, numa corrida louca para se saber quem era mais revolucionário. O Zeca não embarcou nessa onda: a grande, longa e penosa marcha já ele a tinha ganho antes.

    Para essa gravação – e pela terceira vez – o Zeca voltou a convidar o Michel Delaporte, um percussionista francês que o José Mário Branco lhe apresentara em “Cantigas do Maio”. O Michel tornara-se um músico residente na sua discografia, que muito valorizou. Para além do Fausto, foram também a Londres o Carlos Alberto Moniz, o Adriano, o Vitorino e eu. A canção do disco foi “O que faz falta”.

    Foi uma gravação tranquila, à inglesa, e na qual os técnicos britânicos tiveram alguma dificuldade em se integrar. Até porque, naqueles tempos conturbados, a imagem mediática que as televisões levavam ao mundo, era a de um Portugal a caminho de uma ditadura comunista. A Europa estava assustada com a ameaça de uma nova Cuba. Recordo-me de um dia, ao chegar ao estúdio, um dos engenheiros de som ingleses me perguntar, preocupado, o que se estava a passar em Lisboa. Tinha havido um atentado numa agência da AIR FRANCE, um pequeno petardo tinha quebrado o vidro da montra. Debaixo do braço eu tinha um jornal londrino. Mostrei-lhe a primeira página, ocupada com a notícia de 14 atentados do IRA, ocorridos na véspera, na Oxford Street. “So What? Pois é, mas nós já estamos habituados…” A conversa acabou logo ali.

    O papel do Adriano e do Vitorino nesta gravação foi mais de animação do que de participação. Cantavam nos coros e andavam a descobrir Londres. Uma tarde irromperam pelo estúdio em grande euforia: tinham descoberto, mesmo ali ao lado, uma loja de um português que vendia chouriço alentejano, pão caseiro e vinho tinto! O Zeca, já farto das comedorias inglesas e pudins de maçã, ordenou às tropas: “Vamos ao ataque!” Os dois engenheiros de som ficaram perplexos: interromper assim uma gravação ia contra os costumes do Reino de Sua Majestade, The Queen! Foram connosco e não se arrependeram. E ficaram a perceber que na vida ou na música, beber um copo ajudava à festa: o que fazia falta era animar a malta.

    Em 1975 o Zeca fez greve às gravações. Não por falta de canções, mas por falta de tempo. Cantava em tudo o que era sítio. Apoiava os trabalhadores, sobretudo no Alentejo, na reforma agrária. Ou os pescadores do Algarve. Cantava no estrangeiro. O seu lema era: “Cantando espalharei por toda a parte”. Grande parte dessas vivências e experiências foi transformada em canções no seu disco seguinte “Com as minhas tamanquinhas”, um trabalho que na minha leitura, mais parece uma foto-reportagem musical. Neste disco o Zeca canta pessoas concretas e conta estórias verídicas: Kissinger, Teresa Torga, os Índios da Meia-Praia, Como se faz um Canalha (Aventino Teixeira), Alípio de Freitas. Um verdadeiro álbum de canções em forma de fotografia. Neste trabalho o Zeca assumiu a orientação musical e nele colaboraram, entre outros, Fausto, Júlio Pereira, Michel Delaporte, Quim Barreiros (!!!), Ramon Galarza, Vitorino e eu próprio. Foi o último disco que fiz com o Zeca.

    A partir daqui as suas gravações começaram a ser mais espaçadas: “Enquanto há força” (1978), “Fura-Fura” (1979), “Fados de Coimbra e outras canções” (1981), “Como se fora seu filho” (1983) e “Galinhas do Mato” (1985). Neste último disco o Zeca já estava gravemente doente. Morreria dois anos depois, vitimado por uma doença incurável, do foro neurológico, com o estranho nome de esclerose lateral amiotrófica.

    in www.oribatejo.pt

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    Homenagens e tributos (2007)
    10/05/2007By AJA

    “Em Maio vamos cantar Zeca Afonso”

    Alhos Vedros – Moita
    21º Aniversário da CACAV em “NOITE DE LUA CHEIA”

    No próximo dia 12 de Maio, sábado, realiza-se a “Noite de Lua Cheia”, na antiga fábrica da Guston, pelas 22 horas, uma iniciativa para assinalar o 21º aniversário da CACAV – Cooperativa de Animação Cultural de Alhos Vedros.

    No decorrer do mês de Maio/2007, está ser comemorado o 21 º Aniversário da CACAV.
    “Vamos festejar 21 anos de um percurso colectivo, feito de encontros, amizades e tantas descobertas, que nos levam a ter saudades do futuro” – sublinha Joaquim Raminhos, Presidente da Direcção da CACAV.

    Foi no dia 9 de Maio de 1986, que “nasceu” a CACAV

    “ O caminho já vai longo, com muitas encruzilhadas, e muitos acrescentos que fizemos à nossa vida. Apesar de tudo, temos motivos para sorrir!” – refere o Presidente da Direcção.
    No próximo dia 12 de Maio,sSábado, “convidamos todos os sócios e amigos, a participarem na “Noite de Lua Cheia”, que terá lugar na antiga fábrica da Guston, pelas 22 horas. Vamos estar juntos, com a poesia à solta dedicando a Zeca Afonso, um momento muito especial!” – sublinha Joaquim Raminhos.
    Uma iniciativa que conta com o apoio da Câmara Mumicipal da Moita e Junta de Freguesia de Alhos Vedros.

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    Rádio
    09/05/2007By AJA

    Emissão de rádio de tributo a Zeca Afonso com Couple Coffee

    Emissão especial dedicada à música de ZECA AFONSO e a alguns dos discos tributo lançados recentemente. Nesta hora conversamos com LUANDA COZETTI e NORTON DAIELLO dos COUPLE COFFEE, autores daquele que é para a Terra Pura /Terra de Abrigo / Crónicas da Terra o melhor disco de tributo a ZECA AFONSO editado nesta fornalha: “Co’as Tamanquinhas do Zeca”.

    CANT’AUTORES – “Alípio de Freitas” (álbum “Cant’autores”)
    COUPLE COFFEE – “O Comboio Descendente” (álbum “Co’as Tamanquinhas do Zeca”)
    ENTREVISTA COUPLE COFFEE
    COUPLE COFFEE – “Vampiros” (álbum “Co’as Tamanquinhas do Zeca”)
    ENTREVISTA COUPLE COFFEE
    COUPLE COFFEE – “Teresa Torga” (álbum “Co’as Tamanquinhas do Zeca”)
    MAWACA – “As Sete Mulheres do Minho” (álbum “Pra Todo o Canto”)
    TERRA D’ÁGUA (com MARIA ANANDON) – “A Morte Saiu à Rua” (álbum “Terra de Zeca”)
    FREI FADO DEL REI – “Senhor Arcanjo” (álbum “Senhor Poeta”)
    TRIGO LIMPO ACERT com AMÉLIA MUGE – “De Sal de Linguagem Feita” (álbum “Cantos da Língua”)
    JOÃO AFONSO – “Bombons Todos os Dias” (álbum “Outra Vida”)

    BANDA FUTRICA + GAITEIROS DA ESPIRAL – “Grândola Vila Morena” (álbum “Com Zeca no Coração”)

    Para ouvir a emissão, clique aqui:

    http://cronicasdaterra.com/cronicas/2007/05/08/terra-de-abrigo-28-de-abril/

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    Homenagens e tributos (2007)
    08/05/2007By AJA

    Cantar e viver José Afonso em Ourém


    Integrado no II Ciclo de Música e Artes de Ourém, irá ter lugar, dia 12 de Maio pelas 16H na praça Mouzinho de Albuquerque o espectáculo “Cantar e Viver José Afonso”. Este evento terá como finalidade homenagear Zeca Afonso, quer pela sua obra notável, quer pela personalidade impar.
    Organização: Associação de Estudantes da Ourearte-Escola de Música e Artes de Ourém

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    Homenagens e tributos (2007)
    05/05/2007By AJA

    Debate sobre a vida e obra de José Afonso na Casa da Música 27.4.07

    Alípio de Freitas

    Helena Afonso

    (Da esquerda para a direita) Helena Afonso, Paulo Esperança, Octávio Fonseca e Alípio de Freitas

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    Vídeo
    04/05/2007By AJA

    Video “Taz outro amigo também”

    Qualquer semelhança entre a epígrafe sintetisadora da Amizade e “Uma Casa Portuguesa Com Certeza” é com certeza pura coincidência. O autor nunca se colocou, por falta de méritos próprios, no plano polemístico da hospitalidade lusitana, o que não o impede de abrir a porta a quem quer que venha por bem, excluídos, até prova em contrário, os amigos das bibliotecas alheias.
    José Afonso

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    Homenagens e tributos (música)Steel Drumming
    04/05/2007By AJA

    Música de aço para José Afonso

    Drumming e J P Simões com «braços como vento» recordaram e recriaram as canções de Zeca. Ainda «caem cometas no alto mar». :: 03-05-2007

    30 de Março de 2007, Pequeno Auditório do Centro Cultural de Belém (Lisboa)

    É, de certeza, a mais arriscada homenagem a José Afonso, em ano que assinala o vigésimo aniversário do desaparecimento do grande artista universal português. Mas não é só original, é soberba no infinito.
    Steel Drumming toca Zeca Afonso, projecto nascido no seio dos Drumming – Grupo de Percussão, arrojado grupo sedeado no Porto, apresentava ainda a companhia do cada vez mais incontornável JP Simões, para cantar. É quase-sempre assim. A percussão, Zeca, e as vozes ora de Simões (recém-baptizado como Bidões por estes amigos nortenhos), ora Miguel Guedes (Blind Zero), ora Sofia Ribeiro. Varia mas não varia. Porque essa é a regra.

    Nesta noite Lisboeta foi Simões. Primeiro hesitante, numa descrição que confunde quem assistiu às suas performances enquanto líder dos Belle Chase Hotel ou até dos Quinteto Tati. Depois, seguríssimo, o carisma e subtileza do costume, na mesma descrição de profundo respeito pelo cantautor e pelos tocadores do Porto. À sua volta, o som enfeitiçante dos bidões. Os chamados steel drums (ou steel pans), instrumentos criados a partir de bidões de aço de ilhas caribenhas, e o ritmo, a harmonia, a melodia, o pequeno auditório do CCB esgotado, o génio de Zeca, uma sala suspensa na ousadia.

    Venham mais cinco é a primeira frase de palco e abre caminho para uma ponte de criatividade indescritível. A de José Afonso, já por si só condenada a complexas experiências musicais. A dos Drumming sobre a de Zeca, substância sonora absolutamente viciante. O registo de vocal JP Simões faz lembrar outro que merece vénia: José Mário Branco. Mas depois passa. E passa a fazer lembrar ninguém mais para além de quem lhe quisermos imaginar. E todos imaginam o autor Balada de Outono, não há dúvida. «À sombra não me calo», canta outro homem que também não se cala sobre as palavras do primeiro, que o disse.

    É uma abordagem arriscada, mas sem perder o norte. É mais uma aplicação prática da universalidade de José Afonso, a música itinerante que desembarca numa vertiginosa reinterpretação de O Canarinho. Garrafas, percussões menos presas ao bidão, maior liberdade rítmica num crescendo de intensidade rejuvenescedora.
    O instrumental de Mário Laginha sobre Redondo Vocábulo e os originais inspirados em Zeca, compostos por Nuno Côrte-Real e Carlos Guedes constituíram também momentos para ficar de boca aberta. A mesma de cada vez que se ouve Senhor Poeta [nota: não incluída no alinhamento] na voz do genial cantador. A mesma que é lágrima e dança. «Cavalgam Zebras, Voam duendes, Atiram pedras, Arrancam dentes. Senhor poeta, Vamos dançar, Caem cometas, No alto mar.»

    A proposta Steel Drumming toca Zeca Afonso já passou pelo Porto, Faro, Sines, Lisboa e Alcobaça e tem agenda preenchida para o futuro imediato. Entroncamento (no dia 5 de Maio), Palmela (12), Seixal (2 de Junho), Coimbra (dia 8 de Junho), Estarreja (dia 18), Santa Maria da Feira (dia 29 de Setembro), Sobral de Monte Agraço (dia 20 de Outubro), Abrantes (dia 26 de Outubro), Montijo (dia 9 de Novembro), Redondo (24 de Novembro) e Torres Vedras (dia 1 de Dezembro) são as localidades com passagem confirmada.

    Sílvio Mendes Rascunho

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    Homenagens e tributos (2007)
    04/05/2007By AJA

    Hoje, 4 de Maio, Cantigas em Maio em Évora


    4 de Maio, sexta-feira
    “Cantigas em Maio”
    em homenagem a José Afonso, comemorando os 20 anos da sua morte.

    Polivalente da Escola Secundária Gabriel Pereira. Rua Dr. Domingos Rosado 7005-469 ÉVORA

    O Grupo da Rádio-Escola, a Associação de Estudantes e alunos e professores
    colaboradores.

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    Homenagens e tributos (2007)
    03/05/2007By AJA

    José Afonso em Bragança dia 4 de Maio

    Vitorino e José Carvalho, no Teatro Municipal de Bragança, apresentam espectáculo de homenagem ao autor de “Grândola Vila Morena”

    Vinte anos após a morte de José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, mais conhecido por Zeca Afonso, Vitorino e José Carvalho apresentam, em várias salas do país, um espectáculo de homenagem ao músico “de intervenção”, que é também um dos símbolos do 25 de Abril. O espectáculo tem lugar amanhã à noite, no Teatro Municipal de Bragança.
    Além de “Grândola Vila Morena”, outras músicas emblemáticas da geração da Revolução de 1974, como “Os vampiros” ou “A formiga no carreiro”, voltar-se-ão a ouvir.
    Neste espectáculo os fãs de Zeca Afonso podem ainda recordar canções como “As 7 mulheres do Minho”, “Do choupal até à Lapa”, “Maria Faia”, “Milho verde”, “O que faz falta”, “Traz outro amigo também”, “Vejam bem” ou “Venham mais cinco”.
    O concerto está também integrado na comemoração dos 30 anos de carreira de Vitorino.
    Neste espectáculo, os cantores são acompanhados por Carlos Salomé (violas, cavaquinho e percussão), Rui Alves (bateria e percussão), Daniel Salomé (clarinete e saxofone) e Sérgio Costa (piano e teclados).

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    Teatro
    03/05/2007By AJA

    Nova peça de teatro para José Afonso pelo grupo “Os saltimbancos”

    Há alguns anos disse a José Jorge Letria que gostaria de organizar um espectáculo com canções do Zeca Afonso.

    Estou certo que ele reteve na memória este meu desejo e por isso me convidou para encenar esta peça. Sendo ele um amigo de longa data, um grande dramaturgo, e figura destacada da nossa cultura, senti-me muito honrado, e foi com entusiasmo e enorme prazer que meti mãos à obra.

    Esta peça, para além de nos falar de Zeca Afonso, um dos maiores cantautores da canção política e da música popular portuguesa, faz também referência ao período conturbado da ditadura de Salazar e Caetano.

    Fala-nos da falta de liberdade, da censura, da PIDE, da guerra colonial, dos que se opuseram ao regime através das canções, dos recitais de poesia, das sessões nos cineclubes e das peças de teatro. Dos que se exilaram, e dos que foram presos e enviados para as prisões de Caxias e Peniche, e para o Campo de Concentração do Tarrafal, também conhecido como campo da morte lenta.

    Este espectáculo não é apenas uma homenagem a Zeca Afonso, mas a todos os que tiveram a coragem de erguer a sua voz e se opuseram ao regime deposto em 25 de Abril de 1974.

    Recordar tudo isto, é não deixar que esquecimento nos apague a memória.

    Benjamim Monteiro

    Abril 2007

    Contactos:
    “Os Saltimbancos” Rua Angelina Vidal, 36-R/C, 1170-020 Lisboa. 968 099 698 e 914 132 418. Endereço electrónico: teatro.ossaltimbancos@gmail.com

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    Homenagens e tributos (2007)
    03/05/2007By AJA

    Maio maduro Maio – Ciclo de homenagens a José Afonso


    A associação cultural RITUS, sedeada em Milheirós de Poiares (concelho de Sta. Maria da Feira), vai levar a efeito, durante o mês de Maio, um ciclo de homenagens a José Afonso.

    Do programa constam:
    Dia 01 de Maio- 15 h
    Apresentação do livro “Zeca Sempre”, da editora Arca das Letras, com a presença do editor Soares Novais, seguindo-se uma tertúlia sobre a vida e obra do cantautor.
    Os convidados são Tino Flores (músico que acompanhou Zeca Afonso), Paulo Esperança (representante da Associação José Afonso) e Professor Serafim Guimarães (colega de Zeca na Universidade de Coimbra).

    A 12 de Maio, pelas 21 horas, dá-se a abertura da exposição fotobiográfica sobre José Afonso, intitulada “O Rosto da Utopia”, feita com base em trabalhos dos alunos das Escolas de Milheirós de Poiares. Paralelamente será exibido o concerto gravado ao vivo de José Afonso, no Coliseu dos Recreios.

    E para encerrar este ciclo de homenagens, no dia 26 de maio, pelas 21.30 horas, o espectáculo musical “Cantar o Zeca!”, com a presença dos grupos Canto Novo e AJA Força.

    Todas as actividades serão desenvolvidas no Cine-Teatro S. Miguel, em Milheirós de Poiares, situado no centro da freguesia. Esta é uma parceria entre a associação cultural RITUS e o núcleo norte da Associação José Afonso.

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    Homenagens e tributos (2007)
    30/04/2007By AJA

    Cartaxo quer homenagear José Afonso

    A realização de um ciclo de actividades e homenagem ao cantor José Afonso com envolvimento de colectividades, escolas e a comunidade a realizar até final do ano é o conteúdo da moção apresentada pelo deputado do BE na Assembleia Municipal do Cartaxo, Francisco Colaço, a 23 de Abril.

    A proposta, aprovada por unanimidade, surge numa altura em que se assinalam os 20 anos da morte do cantor, poeta, músico e combatente anti-fascista.

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    Homenagens e tributos (música)Steel Drumming
    29/04/2007By AJA

    Steel Drumming em Lisboa

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    Homenagens e tributos (música)Steel Drumming
    29/04/2007By AJA

    Steel Drumming em Alcobaça

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    Homenagens e tributos (2007)
    29/04/2007By AJA

    Homenagem a Zeca Afonso em Tomar dia 1 de Maio

    O espectáculo de homenagem a Zeca Afonso em Tomar, adiado no dia 25 de Abril devido ao tempo instável, vai realizar-se na próxima terça-feira, 1 de Maio, Dia do Trabalhador, pelas 16h00. O programa prevê a actuação do grupo musical Contraponto e do grupo O Contador de Histórias. A iniciativa decorre ao ar livre junto ao parque infantil na zona desportiva, com acesso gratuito.

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    Steel Drumming
    29/04/2007By AJA

    STEEL DRUMMING TOCA ZECA AFONSO

    30 Abril 21h00 Pequeno Auditório Centro Cultural de Belém
    Músicos e Colaboradores:
    Percussão: Juca Monteiro, João Tiago, Paulo Costa, António Sérgio, Rui RodriguesCantor Convidado: JP Simões Som: José PrataLuz e Dispositivo Cénico: David SobralProdução e Gestão Executiva: Joana Ventura e David SobralTécnico de Palco: Paulo Barbosa Arranjos: António Sérgio, Paulo Costa, Rui Rodrigues, David Nunes, Mário Laginha,Telmo Marques, Luís Oliveira, Pedro Moreira, Vasco Mendonça (encomenda da Casa daMúsica)
    Originais: Nuno Corte-Real, Carlos Guedes e Jeffrey Davis
    O Drumming – Grupo de Percussão, nasceu no Porto, em 1999, com direcção artística do percussionista espanhol Miquel Bernat. Desde o seu início tem vindo a contribuir para o estímulo da evolução da percussão, em todos os seus domínios, em Portugal e na cultura ocidental. Nos seus primeiros anos de existência ganhou imediatamente a simpatia do público e da crítica especializada, tornando-se numa referência na vida musical portuguesa. Como objectivo artístico prioritário, o Drumming pretendedireccionar, ao mais alto nível, a percussão, não só pela divulgação do repertóriojá existente, como pelo convite a compositores contemporâneos a criarem novas obras para o grupo, incitando-os a quebrar barreiras musicais no domínio da percussão. Neste projecto de tributo a um autor o grupo apresenta-se como Steel Drumming, uma nova face do Drumming – Grupo de Percussão. A Steel Drumming tem a particularidade de tocar com as chamadas Steel Drums (ou Steel Pans), que são instrumentos musicais criados a partir de bidões de aço originários das ilhas caribenhas de Trinidad eTobago e Saint Vincent. Graças às suas possibilidades rítmicas, melódicas, harmónicas, bem como ao próprio movimento ou coreografia conseguida pelos músicos nasua performance, é um instrumento com uma adesão sem precedentes na história da música. O que o Drumming se propõe a realizar neste espectáculo, com duraçãoaproximada de 60 minutos, é a prestação de um tributo a uma das figuras maisinfluentes da música e cultura portuguesas: José Afonso. Composta pelo quinteto demúsicos: Rui Rodrigues, Paulo Costa, João Tiago, Juca Monteiro e António Sérgio e pelos cantores/intérpretes convidados: JP Simões (ex-Belle Chase Hotel), MiguelGuedes dos Blind Zero e Sofia Ribeiro, uma nova e prometedora voz no universo dojazz português, a Steel Drumming desafia-se, neste novo espectáculo, a criar novosarranjos, feitos pelos próprios elementos do grupo, bem como de reconhecidos músicos portugueses como Bernardo Sassetti, Pedro Moreira e António Augusto Aguiar, MárioLaginha, Pedro Moreira, Vasco Mendonça e Telmo Marques, baseados em temas originais de Zeca Afonso. Por outro lado, também convidamos compositores portugueses como Nuno Côrte-Real, Carlos Guedes e também o elemento do Drumming, Jeffrey Davis, para comporem novas peças inspiradas na obra do incontornável cantautor. Este compositor multifacetado percorreu no seu repertório diversas áreas musicais, desde as baladas de Coimbra à música tradicional, tendo também composto música para teatro. A sua obra musical continua ainda hoje a dar frutos e a influenciar as novas gerações demúsicos e artistas. Admirado pela sua personalidade e forma de estar na vida, foi um homem solidário, movido por causas e ideais que lhe pareciam justos. José Afonso eraum ser humano que se guiava por uma utopia, e que nunca parou por muito tempo no mesmo lugar físico ou filosófico. Um dia disse de si mesmo: “Alguma coisa do que sou e fui foi em viagem.” O Drumming convida-o agora a acompanhar-nos nesta viagem musical pelo mundo sonoro do Zeca Afonso.

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    Homenagens e tributos (música)
    28/04/2007By AJA

    A música de José Afonso em Almada

    O Convento dos Capuchos acolhe no dia 29, às 17 horas os “Incantos” – Música de José Afonso.

    Dia 12 de Maio, “Recordar a Música de José Afonso, às 17 horas no Convento dos Capuchos, com Maria Repas Gonçalves.

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    Homenagens e tributos (vídeo)
    28/04/2007By AJA

    Zeca Afonso, Coração Inteligente

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    Homenagens e tributos (2007)
    27/04/2007By AJA

    José Afonso em Alhos Vedros

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    Homenagens e tributos (2007)
    27/04/2007By AJA

    José Afonso lembrado em Coimbra

    Compositor e militante político, Zeca é uma das figuras de proa do “canto livre” dos anos 60 e 70. Coimbra presta-lhe homenagem com dois espectáculos centrados na sua obra.“Lembrar Zeca” é o nome do projecto lançado pelo município de Coimbra que pretende assinalar, com dois espectáculos, os 20 anos sobre a morte de um dos grandes nomes da música portuguesa. Segunda-feira, pelas 22H30, o Convento de S. Francisco acolhe a sessão de a apresentação oficial do CD “Com Zeca no Coração” da Banda Futrica, num espectáculo co-produzido pela associação Ginga, pelo grupo de teatro Camaleão e pela Câmara Municipal de Coimbra. Participam nesta iniciativa a companhia de teatro Atrás do Pano, Gaiteiros da Espiral, Rebimbomalho (grupo de bombos do Ateneu de Coimbra), a bailarina Andreia Paixão, o grupo de gigantones e cabeçudos da Cooperativa Teatro dos Castelos de Montemor-o-Velho e o Grupo Folclórico de Arzila.O trabalho “Com Zeca no Coração” reúne 14 temas do autor de “Grândola Vila Morena”, e conta com a participação de Isabel Silvestre, Helena Lavouras, Emiliano Toste, Luís Carlos Ferreira, Luís Peixoto e Gonçalo Ramos, além dos Gaiteiros da Espiral, de Braga.“Foi em Coimbra que Zeca, ainda estudante, teve os primeiros contactos com a dureza da vida do povo, dos futricas de Coimbra. Esta é, pois, a nossa maneira de prestarmos homenagem a um dos maiores nomes da música portuguesa de sempre”, referiu ontem durante uma conferência de imprensa na Casa Municipal da Cultura, António Santos Simões, membro da banda Futrica.A homenagem a José Afonso prossegue no próximo 4 de Maio, às 21H30, desta vez no Teatro da Cerca de S. Bernardo com o grupo San’Tiago Sons da Alma. O grupo surgiu em Julho de 2002 e o seu repertório contempla diferentes géneros da música portuguesa. Do fado às baladas, o grupo privilegia temas de José Afonso. Ambos os espectáculos têm entrada livre “para que todos possam homenagear sentimentalmente e em liberdade o Zeca”, lembrou o vereador da Cultura Mário Nunes. É esse o objectivo: relembrar os momentos vividos com “cantautor da liberdade”, a influência que teve no país, nas gerações de músicos que se lhe seguiram e particularmente em Coimbra.

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    Homenagens e tributos (música)Steel Drumming
    27/04/2007By AJA

    Steel Drumming toca Zeca Afonso

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    AJAforça
    27/04/2007By AJA

    O grupo AJA Força em Marco de Canavezes


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    Gala Homenaxe Zeca AfonsoGalizaHomenagens e tributos (2007)Vídeo
    27/04/2007By AJA

    Excertos do programa de homenagem a José Afonso

    En catro días o equipo técnico da TVG convertía, con gran profesionalidade, o escenario do pazo de congresos de Pontevedra nun gran plató. Cables, vías, focos, decorado, etc. foron transformando aquel espazo.

    E o día 13 gravábase alí un programa que, co título de Sempre Abril, será emitido polas televisións públicas de Portugal e Galicia o 25 de abril. Un espectáculo que trata de render homenaxe, tributo, a Zeca Afonso.

    Baixo a dirección de Suso Iglesias e realización de Manolo Abad, o programa, magnífico, recolle vídeos con declaracións e entrevistas con persoas próximas ó Zeca, tanto galegos como portugueses.

    O guión, moi coidado, de Andrés Mahía, que andou un mes nesta empresa e descubriu esa personalidade xenial, para el descoñecida. A directora de programas, Ana Cermeño, desde as bambolinas, controlaba con delicadeza ata o último detalle. Un total de vintedous cantores e grupos, moitos acompañados por un grupo base de oito músicos, dirixido polo azoriano Paulo Borges interpretaron temas de José Afonso. A dirección artística, impecable, da propia Uxía. Por alí pasaron os Cantadores do Redondo, Vitorino, Luis Pastor, Faltriqueira, Xico de Cariño, Manecas Costa, Treixadura, Víctor Coyote, João Afonso, Uxía, Júlio Pereira, Zeca Medeiros, Dulce Pontes, Miro Casabella, Tito París, os irmáns Salomé, Antón Reixa, Janita Salomé, Sergio Godinho e Narf. Contaron cun público cómplice que axudou a un gran espectáculo.

    Nas traseiras, animando a todos, un incansable Luis Pastor, que a todos facía cantar, producindo un “bó rollito” entre todos, mentres no escenario se sucedían as actuacións enlazadas polas felices ocorrencias do presentador, Carlos Blanco.

    En resume, un espectáculo e un programa digno de lembrar. Preparade os gravadores…

    Benedicto García Villar
    22 de abril de 2007

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    Homenagens e tributos (2007)
    27/04/2007By AJA

    Zeca Afonso volta a esgotar salas

    Caros Associados,

    Escrevo esta curta missiva para vos pôr ao corrente do “Ciclo José Afonso”, a decorrer na Casa da Música (Porto) O Ciclo foi ontem inaugurado com a exposição multimédia “José Afonso,
    andarilho, poeta e cantor” da autoria de Rogério Ribeiro. A exposição está a ser projecta na escadaria interior da CdM.
    Decorreu ontem. o primeiro concerto do ciclo, com a actuação do grupo Drumming Steel”. A sala (grande auditório) esteve esgotada!
    Também teve lugar o primeiro debate, com a participação de Eduardo Raposo, com a sala cheia.
    Decorre hoje, dia 26, o segundo concerto, com actuação do grupo “Frei Fado d’el Rei”. A sala (grande auditório) está esgotada!
    Para o concerto de Maria João/Mário Laginha + José Eduardo Unit, foram até hoje vendidos 425 bilhetes e há 125 reservas. Total: 550 bilhetes pré-vendidos. De acordo com as previsões da CdM, a sala deve esgotar…
    Para o concerto do José Mário Branco, estão 900 bilhetes vendidos. De acordo com as previsões da CdM, a sala deve esgotar!

    Palavras para quê?

    Rui Mota

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    Homenagens e tributos (artes plásticas)
    26/04/2007By AJA

    Desenho de António Carmo | 1987

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    BibliografiaEscolasJosé Jorge Letria
    26/04/2007By AJA

    Zeca contado às crianças por José Jorge Letria


    Quando passam 20 anos da morte de Zeca Afonso e no mês que se celebram os 33 anos da revolução dos cravos, chega às livrarias o livro infantil Zeca Afonso – O andarilho da voz de ouro. José Jorge Letria, munindo-se da pureza encantatória da linguagem infantil, reconstrói a história do menino ao homem, e Evelina Oliveira desenha a magia narrativa com cor e emoção.

    Se Zeca foi a voz de ouro, sinónimo de riqueza humana e trigo do futuro, este livro dedicado ao grão do trigo novo é o instrumento que faltava para se passar esse testemunho às nossas crianças. Por isso, e já, «Que é já tempo /D’embalar a trouxa /E zarpar» em direcção ao futuro, «Venham mais cinco» e tragam outros amigos também para que se obtenha uma seara robusta. Assim, os miúdos de hoje poderão perceber mais tarde o que é ser-se maior que o pensamento, e porque as palavras e a voz de Zeca levam ao arrepio.
    Homenagem às crianças, a Zeca Afonso e à Liberdade, este livro da soberba colecção «O Sol e a Lua», da Campo das Letras, veicula ensinamentos indizíveis de sonho, coragem, resistência às amarguras, mas também educa a sensibilidade e as emoções. São propriedades de uma escrita com poética singular, a que José Jorge Letria há muito nos habituou, que provoca no leitor adulto uma inaudita comoção. Um desafio de intimidades para pais e filhos, descoberta para os miúdos, redescoberta para os graúdos, num crescimento conjunto.

    Conta-se a história do menino Zeca, nascido em Aveiro, que desde muito cedo «aprendeu o sentido da palavra longe». As grandes viagens de barco que fazia para estar junto dos pais em territórios que «Portugal então dominava noutros continentes», davam-lhe tempo para sonhar, mas também para escutar as suas primeiras inquietações e medos. Em África fazia amigos, meninos negros com quem brincava numa fraternidade que o acompanharia toda a vida. Por isso, o menino Zeca não percebia a razão dos «adultos brancos», com a marca do poder e da autoridade, distinguirem as duas raças. Escolhia então ser rebelde, «porque era essa a sua maneira de ser livre». Dividido entre África e Portugal, dois mundos onde tinha amigos, «sempre com o coração a bater em dois lados ao mesmo tempo», o menino andarilho crescia nesse desassossego que lhe traçava o rumo futuro, e que seria a sua sina e o seu drama.

    Refere-se que desde menino «Zeca aprendeu o valor que têm as ideias, coisas esquivas e imateriais que não se compram nem se vendem nas bancas do comércio, nos supermercados ou nas feiras». Quando em Timor os pais foram feitos prisioneiros pelos japoneses e levados para um campo de concentração, «o menino, contendo as lágrimas da tristeza e da indignação, aprendeu a não gostar da palavra “guerra”, a mesma que, mais tarde, o inquietaria e o levaria a fazer canções que falassem só de paz».

    Por outro lado, se as ideias que ouvia aos tios de Aveiro eram de liberdade, outras ideias corriam em Belmonte, onde viveu, na casa do tio Filomeno que «gostava de Salazar», pelo qual foi obrigado a vestir a farda da mocidade portuguesa. Foi também lá que aprendeu o outro nome para o Papão: Salazar. Mas o papão tinha um grande ponto fraco: não conseguia lidar com a força da palavra e encarcerava o país «entre as grades do medo que mandara erguer por todo o lado». Todavia, Zeca já tinha aprendido a rebeldia e, por isso, erradicado o desânimo e o medo.

    É em Coimbra, cidade que o formou e ouviu, que Zeca faz novas amizades e começa a usar a voz de ouro para cantar. É lá que encontra Humberto Delgado, general sem medo da «sofreguidão dos vampiros», que acabou por «perder as eleições que ganhou», ousadia que lhe tirou a vida. É também lá que percebe que «as grades piores até eram as que cada um deixava erguer no interior do que pensava e sonhava, tornando cada vez mais difícil a livre partilha de ideias.» Por isso, estudava e cantava procurando actualizar as mensagens dos antigos fados de Coimbra, cultivando com palavras «certeiras», «preocupadas com a vida das pessoas e com os seus problemas», palavras de união, porque «casadas com o sofrimento dos que menos tinham» para «acordar os que o ouviam do sono resignado em que se tinham deixado cair sem quase se aperceberem disso».

    Surgia naturalmente a definição de «Cantor político». «Os vampiros querem calar a voz que os desmascara e condena. Mas o cantor não se cala. E já não está só. Estão com ele outros, como Adriano Correia de Oliveira, Manuel Freire ou Francisco Fanhais», entre muitos outros. Na página 36 irrompe a narração contígua à ilustração do último concerto de Zeca, em 1983, no Coliseu dos Recreios em Lisboa, uma fremente catarse, ainda hoje sem explicação racional.

    O homem de errâncias, criador do soberbo tema «Era um redondo vocábulo» – escrito na prisão de Caxias – via fechar-se-lhe o seu ciclo de vida. José Jorge Letria descreve esse momento, da forma que se segue:

    Era uma madrugada de Fevereiro, fria e húmida, e o ar começava a minguar-lhe nos pulmões. Tinha chegado a hora de partir. Nessa madrugada, uma mulher de rosto luminoso e sorridente acercou-se dele e perguntou-lhe se queria a sua companhia. Respondeu-lhe que sim, reconhecendo nela a jovem que caminhara a seu lado em Coimbra, nos dias em que Humberto Delgado era nome da esperança portuguesa. Perguntou-lhe docemente:

    – És tu que me vens buscar?

    E ela respondeu, apertando-lhe a mão contra o peito:

    – Sim, é comigo que vais partir, mas não penses que sou a Morte. Eu sou a Liberdade, aquela que sempre amaste e seguiste e que agora se erguerá contigo nos ares, perseguindo um sonho que só acabará quando o último ser humano desaparecer deste planeta.

    Texto de Teresa Sá Couto

    Zeca Afonso – O andarilho da voz de ouro, texto de José Jorge Letria e ilustrações de Evelina Oliveira; Editorial Campo das Letras, Porto, Abril de 2007

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    Homenagens e tributos (2007)
    23/04/2007By AJA

    Homenagem a José Afonso em Genebra


    Festa do 33° Aniversário da Revolução de Abril
    Homenagem a José Afonso

    Programa

    Sábado 28 de Abril

    15h – Projecção do filme República, journal d’un peuple, de Ginette Lavigne.
    Documentário que conta a história da ocupação do diário República pela comissão de trabalhadores em Maio de 1975. – 1998, 54’, bilingue português-francês. Seguido de debate.

    17h – Animação com palhaços

    18h – Folclore de vários horizontes culturais
    Rancho português (a confirmar)
    Raices de Bolivia

    20h – Jantar

    21h – Música
    Guillermo Chicaiza (canções revolucionárias latino-americanas)
    A Nosa Galiza (folclore galego)

    23h – Baile
    Alberto Perez (música diversa)

    Domingo 29 de Abril

    Abertura da sala às 15h com bar e restaurante

    15h – Projecção do filme Deux histoires de prison, de Ginette Lavigne.
    Documentário. Duas mulheres, ex-prisoneiras políticas da ditadura, descrevem a sua detenção na prisão de Caxias, assim como as suas lutas de hoje. – 2004, 82’, português, legendado em francês.
    Seguido de debate.

    17h – Performance teatral “Zeca sempre” pelo grupo de teatro da A25A

    Para além destas actividades, uma exposição sobre José Afonso será apresentada e um espaço infantil estará disponível.

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    Documentários
    22/04/2007By AJA

    NÃO ME OBRIGUEM A VIR PARA A RUA GRITAR

    Zeca Afonso, admirado não só pela sua música mas também pela sua personalidade e forma como procurou estar na vida

    Zeca Afonso. O Homem e a Obra marcaram toda uma geração de portugueses. E deixaram uma herança social e cultural às gerações seguintes. Todos temos um pouco de Zeca Afonso, um homem cujo génio ultrapassa qualquer época ou catalogação. Um homem cuja mensagem é veiculada por letras que se revelam sempre actuais.

    “Eu sou aquilo que fiz.” Zeca Afonso deu-nos tanto que agora é a nossa vez de lhe darmos algo. Este programa de homenagem ao Zeca Afonso é uma retribuição por tudo aquilo que ele nos deu.

    A SubFilmes convidou por isso vários artistas de áreas criativas contemporâneas para criarem uma obra de arte especialmente para Zeca Afonso – um filme, uma música, um desenho, uma animação de motion graphics. Será essa a interpretação, a homenagem, o tributo de cada um desses artistas.
    Assim, podemos ter uma colagem de um artista de street art, uma reinterpretação de um tema do Zeca ou uma produção de teatro. Rádio Macau, Nancy Vieira, Couple Coffee, Vicious 5, Raquel Tavares – na música; a companhia de teatro Primeiros Sintomas; a dupla de videojamming Daltonic Brothers; Target e Mosaik no street art; Quebra-Diskos no turntablism; etc.

    Além disso, foram gravadas várias tertúlias, cuja conversa gira à volta da importância do Zeca enquanto músico e activista, mas principalmente à volta da figura humana que foi o Zeca.

    A aposta forte deste programa reside numa abordagem de conteúdos que pretende captar por um lado a actualidade da mensagem do Zeca e por outro a faceta mais humana da sua vida.

    RTP1 – Quarta 25 de Abril – 17:45

    RTP INTERNACIONAL – Quarta 25 de Abril – 18:00

    RTP ÁFRICA – Quarta 25 de Abril – 16:15

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    DocumentáriosImprensa
    22/04/2007By AJA

    Novo documentário sobre José Afonso

    RTP 1 acompanha comemorações relativas à Revolução dos Cravos. Zeca Afonso terá gala de homenagem.

    A RTP 1 vai acompanhar as celebrações do 25 Abril através de vários especiais em directo, uma gala de homenagem a Zeca Afonso e um documentário sobre o cantor de intervenção. Logo às 00h00 de quarta-feira é emitida a gala ‘Sempre Abril’, uma co-produção entre a RTP e a TV Galiza apresentada por Sílvia Alberto e Carlos Blanco, que reúne grandes nomes da música galega e vozes portuguesas. Dulce Pontes, Vitorino, João Afonso – sobrinho de Zeca Afonso – e os Cantadores do Redondo são alguns dos intérpretes que prestam homenagem ao autor de ‘Grândola Vila Morena’. Apontamentos de humor e depoimentos inéditos daqueles que conviveram com o músico marcarão a homenagem. A gala ‘Sempre Abril’ repete-se na RTP 2 no mesmo dia, mas às 15h00. Durante a madrugada, a RTP 1 transmite os documentários ‘Antes e Depois do Adeus’ e ‘A Preto e Branco e a Cores’, duas produções de 2004 que, recorrendo a imagens do arquivo da estação pública, estabelecem a comparação entre a vida antes e depois da revolução.

    ‘Vida de Abril’, uma reportagem que procura demonstrar os receios e as esperanças de quem viveu o 25 de Abril através da história de cinco pessoas marcadas pela Revolução de 1974, vai para o ar na quarta-feira de manhã, pelas 10h00. Como era a vida antes do 25 de Abril, como foi vista a queda do regime e como se ultrapassaram os últimos 30 anos são as perguntas a que os intervenientes irão dar resposta. Às 11h00 tem início a transmissão da ‘Sessão Solene do 25 de Abril’, a partir da Assembleia da República, que contará com a presença de Cavaco Silva e José Sócrates.

    O magazine ‘Só Visto’ terá também uma emissão especial dedicada à efeméride a partir das 14h15 enquanto às 16h30 é exibido o filme escrito e realizado por Maria de Medeiros e protagonizado por Joaquim de Almeida, ‘Capitães de Abril’. À noite, é a vez de José Carlos Malato celebrar a Revolução dos Cravos numa edição especial do concurso ‘Um Contra Todos’ onde o teor das perguntas estará relacionado com o 33.º aniversário do 25 de Abril.

    NÃO ME OBRIGUEM A VIR PARA A RUA GRITAR: ZECA AFONSO (RTP 1, 17h45)

    A Subfilmes produziu um documentário centrado na figura de Zeca Afonso destinado ao público mais jovem, mas não só. Por isso, a produtora convidou vários artistas contemporâneos para criarem uma obra de arte especialmente para o músico – um filme, uma música, um desenho, uma animação. Será esse o tributo de cada um desses artistas. Além disso, foram gravadas várias tertúlias, cuja conversa gira à volta da importância de Zeca Afonso enquanto músico e activista, mas principalmente à volta da figura humana que foi e da actualidade da mensagem que procurou passar à sociedade nas suas canções de intervenção.

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