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No verso dos versos

A música tradicional na obra de José Afonso

22/07/2007
 
Retirado do livro “A música tradicional na obra de José Afonso” de Mário Correia
(Poderão fazer a descarga deste livro na secção “discografia e letras” do sítio da AJA.)
 


CANÇÃO LONGE
Canção tradicional açoriana que começou por receber arranjo da autoria de António Portugal para uma interpretação de Luis Goes. José Afonso alterou os dois primeiros versos da segunda quadra (Quando o meu amor se foi/ Sete lenços alaguei..) e procedeu à introdução da terceira quadra.


CANTA CAMARADA CANTA
Segundo Fernando Lopes-Graça, esta canção lúdica foi recolhida em Canas de Senhorim, na Beira Baixa, com o título Vira-te pr’aqui ó Rosa, com uma só estrofe:

Vira-te pr’aqui, ó Rosa
Ó cravo já ‘stou virado
É o brio dos rapazes
Usar o chapéu de lado

Ainda segundo Lopes-Graça: É um dos exemplares do nosso folclore em que a letra se nos afigura bem inferior à melodia. Na nossa versão à capella, que faz parte do repertório do Coro da Academia de Amadores de Música, substituímos a insípida letra original por quadras populares, que nos parecem corresponder mais cabalmente ao tónus heróico da melodia. José Afonso adoptou justamente esse texto, introduzindo-lhe apenas ligeiras alterações.

 

DEUS TE SALVE ROSA

Romance narrativo conhecido em todo o país, recolhido em Aljezur, Faro, em 1961 por Michel Giacometti, espécime incluído no Cancioneiro Popular Português sob o nº 122. José Afonso optou por uma adaptação de uma das versões de Trás-os-Montes, onde este romance pastoril é comumente designado La pastorica.
 
 
MARIA FAIA
Canção popular associada às tarefas agrícolas do trabalho da apanha da azeitona, proveniente de Malpica, na Beira Baixa.

MILHO VERDE
Cantiga da sacha, recolhida por Fernando Lopes-Graça com a designação O milho da nossa terra. Diversas foram as quadras que ao longo dos tempos foram sendo introduzidas, tal como José Afonso também o fez.

MODA DO ENTRUDO
No Cancioneiro Popular Português, Michel Giacometti refere sob o nº 34 esta canção carnavalesca com o título Lá em baixo vem o Entrudo como tendo sido recolhida em Malpica do Tejo, Castelo Branco, em 1938, por António Joyce. Em 1985, José Afonso fez incluir no álbum “Galinhas do Mato” uma variante da mesma canção.
 
OS BRAVOS
Canção tradicional dos Açores extremamente popular e divulgada, de um modo geral, por todos quanto se dedicaram à recriação e estilização de música da tradição oral do arquipélago.
 
Ó MINHA AMORA MADURA
Segundo Fernando Lopes-Graça tratar-se-á possivelmente de uma canção dançada, com uma malícia leve, eufemisticamente envolta, como tantas vezes se nos depara na nossa poética popular, numa saborosa imagética silvestre. José Afonso não cantou a segunda quadra registada por Lopes-Graça:

E o calor que ela apanhava
Debaixo da silveirinha
Ó minha amora madura
Minha amora madurinha

OH! QUE CALMA VAI CAINDO
Trata-se de uma cantiga da ceifa, recolhida por Rodney Gallop em Casegas, na Covilhã, em 1953, tendo sido incluída por Michel Giacometti no “Cancioneiro Popular português” sob o nº 81. Em relação À canção que foi fixada por Fernado Lopes-Graça na sua obra “A canção popular portuguesa”, José Afonso apenas utiliza duas quadras: a primeira e a última. de referir que Fernando Lopes Graça registou este canto de trabalho sob o título Já são horas da merenda.
 
RESINEIRO ENGRAÇADO
Esta canção popular da Beira Baixa alcançou enorme popularidade nacional graças à interpretação de José Afonso, tendo sido mesmo um dos espécimes preferidos por um grande número de cantores popularuchos.
 
S. MACAIO
José Afonso serviu-se daversão que foi recolhida nos Flamengos do Faial, ilha de S. Jorge, nos Açores, por J. de Lacerda e incluída por Michel Giacometti no Cancioneiro Popular Português sob o nº 165
 
SAUDADINHA
Trata-se de um tema popular açoriano que foi interpretado por Edmundo de Bettencourt e Luis Goes. José Afonso acrescentou a esta canção a última quadra, a qual não constava da versão original (com arranjo de Bettencourt)

Associação José Afonso em Setúbal - Câmara Municipal aprovou texto de Protocolo

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Texto manuscrito de "Os vampiros" (1968)

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