AJA

  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • Zeca 100
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos

Type [To] Search

AJA

  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • Zeca 100
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos
  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • Zeca 100
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos

AJA

Type [To] Search

AJA

  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • Zeca 100
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos
Concertos de José Afonso
Home Archive by Category "Concertos de José Afonso"

Category: Concertos de José Afonso

Concertos de José AfonsoTestemunhos
25/01/2023By admin-aja

40 anos do concerto do Coliseu

A 29 de janeiro passam 40 anos sobre um dos últimos grandes concertos de José Afonso. Foi no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, memória que ficou fixada tanto no disco ao vivo que nasceria da gravação desse momento como nas imagens então registadas pela RTP. Ao longo da semana, a Antena 1 recorda algumas das canções desse concerto histórico e escuta o testemunho de músicos que, no palco, acompanharam José Afonso naquele serão.

Para ouvir de segunda a sexta-feira às 09h50 e 17h50 e, em compacto, num programa especial, este domingo. Um especial com produção de Ana Sofia Carvalhêda.

Saiba mais no site da Antena 1

READ MORE
BiografiaConcertos de José AfonsoRui Pato
10/01/2023By admin-aja

Primaveras Estudantis

José Afonso lembrado na exposição “Primaveras Estudantis” (patente até 25 de abril no Convento São Francisco, em Coimbra) através de uma das fotografias de um concerto nos jardins da Associação Académica de Coimbra, que foi palco de vários encontros culturais durante a crise académica de 1969, e que contaram com a presença de José Afonso e Rui Pato, entre outros.

A fotografia é acompanhada da seguinte legenda: “Zeca Afonso durante um espectáculo em solidariedade com os estudantes. A fotografia foi impressa como postal e vendida, tendo a receita revertido em favor do cantor e compositor, impedido de trabalhar pelo regime fascista”

Nesse dia, José Afonso terá deixado a seguinte mensagem:

“Lembra-te que o dia de amanhã é o dia de hoje que tu ontem tanto temias”.

READ MORE
Cartazes de concertosConcertos de José AfonsoFotografia
26/10/2022By admin-aja

José Afonso no Teatro Alcala Palace

Pela generosa mão de Emilio Souto, acaba de nos chegar de Espanha esta fotografia inédita de José Afonso nos bastidores do Teatro Alcala Palace, quando aí, acompanhado por Fausto, Jaime e Carlos Meireles (com apresentação de Luis Pastor), deu um par de concertos no dia 16 de Fevereiro de 1979.
Acrescenta Emilio que entrevistou José Afonso para o jornal “Mundo Obrero”, entrevista essa que levou o título: “Los claveles están en manos del Fondo Monetario Internacional” e que esperamos em breve contar com ela no Centro de Documentação José Afonso.
Muito obrigado, Emilio!
 

READ MORE
Concertos de José AfonsoFaustoFotografia
26/10/2022By admin-aja

José Afonso em Bruxelas

Fotografias de um concerto de José Afonso em Bruxelas no ano de 1978, com a participação de Fausto Bordalo Dias.

Haverá por aí alguém com memória deste concerto e que possa acrescentar alguma informação?

Fonte: 25APRILPTLAB
Laboratório Interativo da Transição Democrática Portuguesa.
Fotos: ©Álvaro Miranda

READ MORE
Concertos de José AfonsoFrancisco FanhaisLUARVitorino
13/09/2022By admin-aja

Imagens inéditas de José Afonso

A RTP Arquivos disponibilizou estas imagens inéditas de um comício de apoio ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e ao povo de Angola, promovido em Junho de 1975, no Coliseu dos Recreios, pela Liga de Unidade e Ação Revolucionária (LUAR), o qual contou com a participação de José Afonso, Francisco Fanhais e Vitorino Salomé. São interpretados os temas “Os Fantoches De Kissinger” e “No Dia da Unidade”.

Clique na imagem para aceder ao vídeo.

READ MORE
Concertos de José AfonsoFotografiaJúlio Pereira
21/02/2022By admin-aja

José Afonso em Itália

  • José Afonso com Júlio Pereira em Pisa, Itália, em 1980.
  • O cartaz do concerto.

READ MORE
Concertos de José AfonsoImprensa
27/11/2021By admin-aja

Canta, Zeca.

READ MORE
Concertos de José AfonsoDiscografiaImprensa
25/04/2019By admin-aja

José Afonso ao vivo

READ MORE
Concertos de José AfonsoDiscografia
04/04/2019By admin-aja

Voz de José Afonso volta a ouvir-se em Carreço, quatro décadas depois

READ MORE
Concertos de José AfonsoDiscografiaSem categoria
29/01/2019By admin-aja

Gravações inéditas de José Afonso ao vivo vão ser editadas em Abril

READ MORE
Concertos de José AfonsoImprensa
23/02/2017By admin-aja

Estávamos todos no palco…

READ MORE
Concertos de José AfonsoTestemunhos
03/03/2013By AJA

Sobre um concerto em Viana do Alentejo

1

Até as cantigas eram recebidas de armas nas mãos…

Há precisamente quarenta anos, no dia 3 de Março de 1973 e a pouco mais de um ano da eclosão da Revolução dos Cravos, Viana do Alentejo assistiu àquele que terá sido o mais participado e mediático acto colectivo de resistência contra a ditadura ocorrido na nossa terra: o espectáculo de “canto livre” onde deveria ter actuado, entre outros, o cantor José Afonso.

A ideia desse espectáculo tinha nascido um mês antes, no dia 31 de Janeiro, durante um jantar que decorreu no Monte Alentejano, em Évora, onde se reuniram largas dezenas de oponentes ao regime a pretexto de celebrarem aquela data histórica. Esses jantares, embora vigiados de muito perto pela polícia política – a tenebrosa PIDE -, estavam autorizados desde a chamada “primavera marcelista”, uma tentativa de reciclagem do Estado Novo que, contudo, deixou tudo na mesma… Muito amigo de Francisco Pinto de Sá (pai do anterior presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo), Zeca Afonso participou, cremos que a seu convite, nesse jantar, tendo actuado no final. Acompanhavam-no José Jorge Letria (actual presidente da Sociedade Portuguesa de Autores), o jovem cantor açoriano Carlos Alberto Moniz e a sua companheira de então, a Maria do Amparo.

O Cine Teatro Vianense pertencia, desde 1970, à família Baião, muito ligada aos meios de oposição ao regime. Um dos seus elementos, então estudante em Évora, estava presente nesse jantar, pelo que em conversa com os “cantautores” logo ali delineou a possibilidade de organizarem uma sessão de “canto livre” naquela sala, marcando-se o dia 3 de Março, um sábado de Carnaval, para a sua realização. Sendo sobejamente conhecido que o Zeca Afonso encabeçava uma longa lista de artistas proibidos pelo regime, o espectáculo foi cautelosamente divulgado como sendo de “variedades”, procurando-se assim iludir a vigilância da PIDE. A sua “comissão organizadora” era composta pelo António Murteira, de Évora e pelos jovens Luís Filipe Branco e Francisco Baião, estes dois últimos de Viana.

A partir de Évora foi organizada uma excursão, em autocarro alugado nos “Belos”: o bilhete, vinte escudos, incluía o transporte e a entrada na sessão. Os folhetos de divulgação foram mandados fazer na Tipografia Diana – infelizmente não se conhece nenhum exemplar. O programa incluía, para além de José Afonso, a participação de José Jorge Letria, do grupo vocal “Intróito” (tinham sido lançados, anos antes, no famoso programa da televisão “Zip-Zip” e tinham também participado no Festival da Canção de 1970), um grupo de “free-jazz” da linha do Estoril, os “M.S.A” (em que tocava um outro Chico Baião, mais tarde conhecido como mentor dos “Ortigões”) e o Grupo Coral dos Vindimadores da Vidigueira, este último então liderado pelo saudoso poeta Manuel João Mansos.

As licenças para a sessão foram tiradas na Câmara Municipal pelo Luís Filipe, que vivia em Viana e trabalhava nos escritórios dos “Moinhos de Santo António”. Conseguiu-as sem dificuldade de maior, certamente porque naquela altura se realizavam com alguma regularidade espectáculos de variedades no Cine-Teatro Vianense – a maioria a favor da construção do campo de jogos do Sporting -, pelo que aquele bem pode ter passado por ter sido apenas mais um. Mas também e sobretudo porque o funcionário da câmara que as emitiu, na altura ainda há pouco tempo naquelas funções, desconhecia por completo o interdito que pairava sobre tal naipe de artistas.

A poucos dias do espectáculo e com centenas de bilhetes já vendidos o regime percebeu, finalmente, que tinha autorizado algo que não o devia ter sido. O Luís Filipe foi então mandado chamar à Câmara, sendo-lhe comunicado pelo Andrade, o chefe da Secretaria, que afinal ainda era necessário submeter “à apreciação superior” a lista das canções que iriam ser interpretadas. Alinhavado esse rol de cantigas, no qual os organizadores da sessão tiveram o cuidado de não fazer incluir temas que, à partida, ainda comprometeriam mais as já escassas hipóteses de realização da sessão (nem pensar em incluir, por exemplo, temas como “Os Vampiros” ou a “Menina dos Olhos Tristes”), foi o mesmo entregue na Câmara. A resposta apenas chegou no próprio dia do evento, às onze horas da manhã: apesar de já estar autorizada, a realização do espectáculo estava agora proibida!

Em entrevista ao Jornal de Viana do Alentejo, publicada no seu número 4 de Março/Abril de 1973, o Luís Filipe Branco conta as peripécias desses dias:

“Do dia 27 [de Fevereiro de 1973], ficaram todas as autorizações em ordem: na Secção de Finanças, na Câmara e na Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais.

No dia 28 recebemos uma comunicação assinada pelo chefe da Secretaria da Câmara, em que nos informava que teríamos que apresentar os títulos das canções. No dia 29 fui apresentar os títulos requeridos, mas como o chefe da Secretaria estava ausente, voltei no dia seguinte. Apresentei então as canções e fui informado de que era necessário um “visto superior” que o próprio Secretário iria requerer.

No dia do espectáculo, cerca das onze horas, veio a resposta definitiva, não o autorizando.”

Chegamos então ao dia 3 de Março. A vila, habitualmente calma e pacata, começou a ver-se repleta de gentes logo pela manhã, caras desconhecidas, muitos de cabelos compridos e com mochila às costas, uns de transporte próprio, outros vindos nos transportes públicos. A Praça da República e o largo em frente do Cine Teatro foram-se enchendo de gente. Entretanto também já tinham chegado a Viana alguns agentes da delegação de Évora da PIDE/DGS, comandados pelo célebre inspector Melo. A sua viatura de serviço, toda a gente a conhecia: um Volkswagen 1200 verde, com a matrícula FE-52-24. A Guarda Republicana, reforçada com elementos vindos de Évora e de outras localidades vizinhas, tentou impedir o acesso à vila; mas sem grande sucesso, uma vez que até a excursão organizada a partir de Évora conseguiu chegar a Viana.

Ao longo de todo o dia os organizadores desdobraram-se em tentativas que pudessem conduzir a um eventual desbloqueamento da proibição. A intermediação do então presidente da Câmara de Viana, José Carlos Guerreiro Duarte, não resultou, o Governo Civil estava encerrado e o chefe da Secretaria da Câmara, que na altura já vivia em Évora, não se encontrou ou não se deixou convenientemente encontrar.

Entretanto a tensão ia subindo. Ao cair da noite as pessoas não arredavam pé, já toda a gente sabia que o espectáculo não se iria realizar. Centenas de pessoas aglomeravam-se frente ao Cine Teatro: porque estar ali, uns ao lado dos outros num espaço que se queria público, em suposta transgressão perante um poder considerado arbitrário e ilegítimo era, por si só, já um acto de efectiva resistência.

Os acontecimentos precipitaram-se. A polícia política, acolitada pela Guarda, atarefava-se em mandar dispersar as pessoas que, porém, insistiam em não obedecer. Um jovem, armado com uma simples flauta, tocava perto dos ouvidos do Tarouca, um dos agentes da PIDE. O Melo arrancou-lhe o instrumento das mãos, lançou-o raivosamente ao chão e espezinhou-o. Por esse mesmo tempo cantava o Francisco Fanhais:

“Cortaram o bico, ao rouxinol, Rouxinol sem bico não pode cantar…”

A certa altura o chefe dos Pides sacou da pistola, puxou a culatra atrás e berrou ameaças. Um ano depois, a 18 de Maio de 1974 e passado que estava o pesadelo da ditadura, Nuno Gomes dos Santos, um dos elementos do grupo Intróito que a tudo isto assistiu, escrevia no jornal Diário de Lisboa:

“Foi em Viana do Alentejo, há tempos. Lá fomos, com as violas e as cantigas na bagagem. Era, apenas, mais um de entre os espectáculos em que participávamos regularmente, não em grandes salas, não com bilhetes a um preço exorbitante, mas para o povo, para quem não tinha oportunidade de ouvir senão o que de muito mau lhe davam, em regra, por uma rádio demasiado presa, por uma televisão completamente viciada. Que música tinha Viana do Alentejo? A que lhe davam essa rádio e essa televisão.

Foi por isso que fomos: o José Afonso, o Letria, o Intróito. Que as pessoas estavam entusiasmadas com o espectáculo que lhe apeteciam, via-se pelo movimento desusado das ruas, pelo aglomerado de gentes às portas do teatro. Mas as portas estavam fechadas, e assim continuariam por toda a noite. Não era só o povo que esperava por nós.

De pistola em punho, virada para a multidão, um senhor (?) dizia que ali não se ouviriam cantigas nenhumas. Outros homens (?), também armados, dissuadiram qualquer tentativa de quem queria cantar e de quem se sentia com o direito de ouvir.

Até as cantigas eram recebidas de armas nas mãos…

Por fim a multidão acabou por dispersar. Poder-se-ia pensar que a força tinha vencido a canção, mas não! O espectáculo não se tinha realizado, é certo, mas a mobilização que tinha provocado tinha-se constituído como uma muito bem sucedida acção de luta contra o regime. Mesmo silenciado, o “canto livre” ou “canto de intervenção” revelava-se possuidor de uma enorme eficácia política, nunca até então alcançada por qualquer outra forma de expressão artística. Mesmo com o bico cortado, o rouxinol tinha conseguido passar a sua mensagem…

Anos mais tarde seria o próprio Zeca Afonso a recordar este episódio como paradigmático:

“Algumas das minhas intervenções não se chegaram a concretizar porque a Pide as impedia. Houve sessões suspensas ou interrompidas pela polícia política no próprio local. Por vezes, os acontecimentos a que davam lugar estas interrupções, a repressão exercida sobre os dirigentes dessas colectividades e sobre mim próprio – como aconteceu, por exemplo, em Viana do Alentejo quando a Pide e a GNR vieram interceptar-nos -, funcionavam como estimulante de ordem política muito mais importante do que se houvesse uma intervenção cantada…”.

Até o próprio regime percebeu que tinha cometido um erro grosseiro ao proibir e reprimir algo que já tinha autorizado. Uns dias depois destes eventos, a 19 de Março, o então director-geral da Cultura Popular e Espectáculos, Caetano de Carvalho, dirigia ao ministro César Moreira Baptista uma curiosa exposição em que afirmava a determinado passo:

” Na semana passada, noticiou o jornal “República” que um grupo de jovens democratas ia organizar, em Viana do Alentejo, um espectáculo em que figurava como cabeça de cartaz um desses cantores políticos (José Afonso). Sucedeu que só foi possível intervir à última hora, quando já se encontravam centenas de pessoas junto ao local onde se ia realizar o espectáculo. Proibir o espectáculo em condições destas é também politicamente inconveniente.”

A repressão do regime não se ficou, porém, por aí. Ainda na noite de 3 de Março os organizadores da sessão foram levados para o posto da GNR de Viana onde foram longa e surrealistamente identificados e interrogados pelo cabo Mendes, indivíduo que, mais tarde, se veio a confirmar acumular aquelas funções com as de informador encartado da PIDE. Nos dias que se seguiram, em Évora, muitos dos participantes na jornada de Viana foram compelidos a comparecer na polícia política, onde também foram interrogados e ameaçados. Embora por motivos não directamente relacionados com o espectáculo de Viana, o próprio Zeca Afonso acabou por ser preso no dia 30 de Abril seguinte, tendo permanecido incomunicável na prisão de Caxias.

Pouco mais de um ano passado sobre os acontecimentos de Viana do Alentejo foi uma canção de Zeca Afonso que deu o mote para que, numa certa madrugada de Abril, todo um País cinzento e triste se tenha, de repente, alegrado e enfeitado de cravos vermelhos. Quarenta anos depois, vividas que foram algumas alegrias e, sobretudo, muitas desilusões, eis que ecoam de novo, mais claras e necessárias que nunca, as estrofes da canção:

“… terra da fraternidade. O povo é quem mais ordena. Dentro de ti, ó cidade!…”

Francisco Baião / Março de 2013

READ MORE
Concertos de José AfonsoFrancisco FanhaisJosé CarujoTestemunhos
28/11/2012By AJA

Um testemunho de José Carujo

Um testemunho de José Carujo que, entre outros temas, fala sobre alguns concertos de José Afonso e Francisco Fanhais por terras de França.

C’est un billet sur le Chili rappelant le 11 septembre 1973 qui m’a fait penser à un événement majeur au Portugal : la chute du fascisme et à la chanson de José Afonso « Grândola vila morena » qui a servi de signal au soulèvement des troupes.La Révolution du 25 Avril a eu lieu trois jours après la naissance de mon plus jeune fils. Ce sont donc deux événements très heureux qui se sont succédés. Peu après la Révolution des OEillets, j’ai rencontré Zeca (José Afonso) pour la première fois lors d’un concert qu’il a donné en France, près de Paris. Nous avons parlé et j’ai proposé (à lui et à Francisco Fanhais qui l’accompagnait toujours et qui est l’actuel président de l’Association José Afonso) d’organiser d’autres concerts en France. Et cela a eu lieu de l’automne de 1974 jusqu’au printemps de 1976, donc, à peu près, pendant un an et demi. Je travaillais à cette époque-là dans la région parisienne et j’habitais à quelques cinq minutes de l’entreprise. J’avais beaucoup de temps disponible et dans la région il y avait beaucoup de “Maisons de Jeunes et de la Culture” que j’ai contactées et des concerts ont été organisés. Il ne s’agissait pas de percevoir un quelconque cachet, encore moins pour moi-même. Il suffisait que les voyages leur soient payés et qu’il leur reste un peu d’argent par concert (mais c’était une somme insignifiante, quelques centaines de francs français pour chacun d’entre eux). Je trouvais de la place chez des amis ou parfois chez moi où ils restaient dormir. Je me déplaçais avec eux vers les endroits où ils se produisaient. Après cette période, d’autres obligations professionnelles et l’évolution de la situation politique au Portugal ont fait que j’ai cessé d’organiser ces concerts de chansons d’intervention. Mais jamais je ne me suis éloigné d’eux dans l’esprit.J’ai eu l’opportunité de rendre visite à Zeca et Zélia, sa femme, à Brejos de Azeitão où ils habitaient, déjà quelques années après son dernier concert au Colysée de Lisbonne, peu avant sa mort. Il était déjà fort malade. Et quand aujourd’hui je passe près du village, par Vila Nogueira de Azeitão, sur la route en direction du Portinho da Arrábida, je pense à lui avec chagrin et tendresse, mais aussi avec admiration !Après tant d’années passées je suis heureux que Francisco ait pris la responsabilité qu’il a au sein de l’Association José Afonso et je suis heureux aussi d’écrire sur eux. Dans une interview donnée récemment par Francisco Fanhais à « LusoJornal », publié en France, Chico a dit : « Nous ne rêvions pas de devenir des vedettes : nous voulions contribuer, par le biais de la musique, à changer les choses et les mentalités au Portugal. Il était nécessaire de soulever la chape de plomb qui étouffait le pays. (…) Nous sommes arrivés à réunir dans un concert mille ou deux mille personnes et après quelques moments nous nous apercevions que tous chantaient en choeur quelques chansons comme, par exemple, « Les Vampires ». C’était une prise de position contre le pouvoir dominant. (…) Comme vous le savez peut-être j’ai été prêtre pendant six ans. Alors, à cause des positions que j’ai prises, j’ai été suspendu de mes fonctions. Étant prêtre je ne pouvais pas me conformer au silence et à la lâcheté de la hiérarchie par rapport aux problèmes politiques de cette époque-là. Une hiérarchie qui appuyait le régime. (…) Aussitôt après la mort de José Afonso nous avons créé l’Association José Afonso dont je suis président et l’adhérent n° 12 ! Quand j’ai commencé à chanter je savais que j’allais suivre des chemins dangereux. L’exemple de Zeca, son humanisme et son courage m’ont donné la force nécessaire pour poursuivre sur cette voie. (…) Si nous pouvions résumer ce que José Afonso a été, pour moi, il a été un citoyen conscient des problèmes de son époque et qui mettait son art, sa musique, sa poésie, sa voix, sa fraternité et sa générosité immenses au service que tous ceux qui avaient leurs voix bâillonnées » (Interview faite par Dominique Stoenesco).J’ai lu il y a quelque temps la préface du livre « Toutes les chansons (de José Afonso) partitions, paroles » publié récemment par Assírio et Alvim, dans lequel les auteurs critiquent l’ « analphabétisme musical »¹ et le « mauvais goût » de quelques directeurs de programmes de radio et de télévision qui ignorent l’oeuvre de José Afonso et glorifient le fait qu’il ait été « le chanteur le plus chanté par toutes les générations et différentes écoles de musiciens ». Les auteurs de la préface affirment aussi que « Réduire José Afonso au chanteur d’intervention, qu’il a (aussi) été, consiste à induire auprès du grand contingent de gens distraits l’idée de minorité artistique, (mal) associée à la chanson politique » (…) « Dans la réalité, toutefois, les chansons ayant un contenu expressément politique sont même minoritaires dans l’ensemble de son oeuvre. » (…) « José Afonso est notre plus grand chanteur d’intervention ! » : cette éloge si consensuelle et apparemment si généreuse est la forme la plus efficace de liquider l’oeuvre du grand maître de la musique populaire portugaise dans tout ce qu’elle a d’universel et artistiquement supérieur. » José Mário Branco², l’un des quatre auteurs du livre, a dit à l’Agence Lusa que : « Ranger José Afonso dans le tiroir de la chanson d’intervention consiste à ne pas comprendre que la dimension de son oeuvre est au niveau de ce qui a été fait de plus important dans le domaine de la musique populaire du vingtième siècle. Et s’il n’a pas eu l’impact qu’il méritait c’est seulement parce qu’il est né où il est né. Il y a toute une génération de musiciens et d’étudiants en musique qui peuvent découvrir et apprendre le répertoire de Zeca Afonso sans la charge politique des temps tout de suite après le 25 avril. »José Afonso restera à tout jamais dans la mémoire collective du peuple portugais. Partout dans le pays, il y a au moins 170 places, rues, ruelles, avenues, boulevards et même quartiers avec le nom de José ou Zeca ou même Docteur José Afonso. Alors quand d’ici cent ans un petit enfant demandera à son grand-père qui c’était José Afonso je pense que le grand-père aura su par son trisaïeul qui il a été et pourra répondre à son petit-fils.¹ Je me rappelle que Zeca me parlait du « national-chansonnetisme », dénonçant avec sonsympathique sourire moqueur les options « culturelles » de l’ancien régime.² José Mário est l’un des chanteurs portugais, à la fois interprètes et compositeurs, que je préfère entre autres de la même génération (la mienne, au bout du compte…), tels que : Chico Fanhais (cité ci-dessus), Sérgio Godinho, Fausto Bordalo Dias, Vitorino Salomé, Janita Salomé…

Retirado do blogue de José Carujo
Imagens do concerto de José Afonso no Théâtre de la Ville em 1981. Participam Sérgio Mestre, Janita Salomé, Júlio Pereira e Jean.
(Fotógrafo desconhecido)

READ MORE
Concertos de José AfonsoFotografiaTestemunhos
16/11/2012By AJA

Por terras da Covilhã

José Afonso, em 1975, numa sessão de canto popular no salão paroquial de Unhais da Serra.
Foto e testemunhos partilhados por António Duarte, que acompanha José Afonso na guitarra.

Eu saíra em Março de 75 da tropa. ainda vi o ataque ao RaL1. Deve ter isto acontecido na primavera de 75. Pedi ao Fausto e Zeca para virem até cá, para, na Covilhã, a caminho das Penhas da Saúde, no ex-sanatório, onde estavam albergadas cerca de 400 pessoas que vieram de Africa, os chamados retornados, fizéssemos uma sessão de canto. Veio também um grupo de teatro de Setúbal. Solicitei apoio às assistentes sociais e também à ACM, Associação Crista da Mocidade, para nos darem dormida. Veio também a Zélia. Almoçamos na Covilhã e seguimos para a serra. a ideia era, depois do canto, jantarmos no sanatório com os retornados. Já há uns dias que andara por ali e não me apercebera que havia indivíduos revoltados com a vinda apressada para Portugal. Por uma questão de precaução pedi ao grupo que não se falasse em comunismo, situação que embaraçou o grupo, pois a peça de teatro falava disso. A sessão iniciou-se e quando chegou a vez do Zeca cantar, ele disse, com cabeça baixa e consternado face ao ambiente – Bem vou cantar uma canção de amor! E cantou o Milho Verde! Uma voz soou na sala: – Não queremos aqui comunistas! Seguiu-se um silêncio, depois as crianças e mulheres começaram a sair da sala, até que ficou quase vazia. Valeu-me a sorte de que eu conhecia lá muita gente e pedi ajuda. Na altura o Fausto, tipo inteligente, se apercebera de que havia gente da Unita, MPLA e FNLA na sala, daí a divisão das pessoas. Saímos porta fora e as assistentes sociais deram-me duas cadernetas de tikes restaurant, foi a nossa sorte. Com elas fomos jantar e depois dormir. Eu também dormi com eles na camarata da ACM. Na manhã do outro dia a Zélia veio ter comigo para me informar que o Zeca não estava bem da garganta. Bem, o Zeca tinhas dessas coisas, era mesmo assim e desvalorizámos a situação. Depois seguimos para Unhais da Serra, onde o calor das pessoas e o ambiente favorável nos compensou do dia anterior. E pronto! Hoje, quando penso nisso, arrepio-me! De qualquer modo foi uma vitória e um trabalho musical em terreno minado. O Fausto escreveu um dia sobre isso, num livro qualquer que agora não me lembro. Aquela atitude do tipo que gritou, tinha a ver com o facto de o Zeca ter ido a Angola, havia pouco tempo, soube depois!

Fotografia de Francisco Carrola

READ MORE
Concertos de José AfonsoGalizaTestemunhos
19/05/2012By AJA

“Escandinávia Bar”: memórias de concerto em Lugo

‘Escandinávia Bar’, mesa redonda impulsada pola A.C. Cultura do País o pasado cinco de maio en Lugo, consistiu no diálogo entre persoas que asistiron a algún dos tres concertos do Zeca Afonso en Lugo nos anos 70, que expuxeron a súa memoria daquel tempo, do que representaba para eles o cantautor portugués nun contexto de ditadura fascista na que a persecución contra a oposición e o movemento estudantil era diaria e sistemática; contexto no que o ‘Grândola, Vila Morena’ se chegaría a converter nun himno da loita antifranquista.
Esta conversa serviunos para coñecer que houbo, cando menos, tres visitas do Zeca a Lugo desde o primeiro concerto, en 9 de maio de 1972 no Círculo das Artes, do que temos constancia a través do testemuño de Arturo Reguera, até o de 1975 no auditorio do barrio do Sagrado Corazón, acompañado por outros cantautores, entre eles o galego Benedicto (Voces Ceibes). Hai datos dunha outra presenza para realizar un concerto, probabelmente canda Luis Cilia, en marzo de 1973, que foi prohibida polas autoridades franquistas. No concerto do Sagrado Corazón, do que existe unha memoria máis nidia por parte das persoas asistentes, as e os militantes nacionalistas exhibiron diante do público unha faixa coa lenda «Viva Galiza Ceibe» cando o Zeca interpretaba o ‘Grândola’.
Este é o primeiro dos catro vídeos que GzVideos editou, en estreita colaboración coa A.C Cultura do País, responsábel da gravación do acto, e que recolle as distintas actividades que tiveron lugar na homenaxe a José Afonso. Os próximos iránse publicando sucesivamente.

Relacionados:
O que faz falta!… crónica da xornada Zeca Afonso en Lugo

READ MORE
Cartazes de concertosConcertos de José Afonso
10/02/2012By AJA

Um concerto de José Afonso em 1980

[mp3player width=477 height=340 config=concertocarreco_config.xml playlist=concertocarreco.xml]
 
Local: Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço, Viana do Castelo.
Data: 23/02/1980
Músicos: José Afonso, Júlio Pereira, Guilherme Scarpa Inês e Henry Talbot.
Nota: Antes de José Afonso actuou o grupo Resistência, grupo de música popular portuguesa da Póvoa de Varzim.
 

READ MORE
Concertos de José AfonsoDVD
27/12/2010By AJA

DVD do concerto do Coliseu de Lisboa já à venda na AJA

15€ + portes

READ MORE
Concertos de José AfonsoFilmografia
09/11/2010By AJA

Concerto do Coliseu de Lisboa em DVD + CD “Galinhas do Mato”

«Águas das fontes calai / ó ribeiras chorai / que eu não volto a cantar…» Por um instante, a voz de Zeca estremece e emociona a plateia, onde muitos não conseguem conter as lágrimas perante a crueza premonitória deste verso, aquele que ainda hoje em primeiro lugar me ocorre de cada vez que penso nessa noite mágica de 29 de Janeiro de 1983. Raras vezes um tema musical terá sido tão perturbador para um auditório como o foi essa Balada de Outono cantada por José Afonso no palco do Coliseu dos Recreios

In A voz do desassossego
(extracto do texto de Viriato Teles inserido no booklet que acompanha a edição em DVD de “José Afonso ao Vivo no Coliseu”)
Edição FNAC/ CNM. Incluí DVD “Ao Vivo no Coliseu” + CD “Galinhas do Mato” + Booklet com textos de Adelino Gomes e Viriato Teles

READ MORE
Concertos de José AfonsoFilmografia
09/11/2010By AJA

José Afonso editado em DVD

É hoje editado pela primeira vez em DVD o concerto que José Afonso realizou a 29 de Janeiro de 1983 no Coliseu dos Recreios, em Lisboa. Neste espectáculo o músico esteve acompanhado por artistas como Fausto, Júlio Pereira, Janita Salomé, Octávio Sérgio, Lopes de Almeida, entre outros. Este DVD, simplesmente intitulado Ao Vivo no Coliseu, conta com 12 temas interpretados nessa noite, entre os quais Balada de Outono, Vampiros, A Morte Saiu à Rua ou Era Um Redondo Vocábulo.

Diário de Notícias, 8.11.2010

READ MORE
Concertos de José AfonsoRui Pato
30/10/2010By AJA

Mais músicas do concerto de 1968, no Teatro Avenida, em Coimbra


José Afonso ao vivo, no Teatro Avenida, em 1967 "Cantares do Andarilho". Rui Pato na viola sound clip

José Afonso ao vivo no Teatro Avenida em 1967. "Natal dos Simples". Rui Pato na viola. sound clip

José Afonso ao vivo no Teatro Avenida em 1967. "Senhora dos Olhos Tristes". Rui Pato na viola. sound clip

José Afonso ao vivo no Teatro Avenida em 1967. "Cantar Alentejano". Rui Pato na viola. sound clip

José Afonso ao vivo no Teatro Avenida em 1967. "Elegia". Rui Pato na viola. sound clip

José Afonso ao vivo no Teatro Avenida em 1967. "O que mais me prende ao Mundo". Rui Pato na viola. sound clip

Eis o restante alinhamento do concerto no Teatro Avenida, que já aqui havíamos dado a conhecer. Uma generosa partilha de Jorge Rino, Rui Pato e Octávio Sérgio. 
Resta-nos esperar que outros lhes sigam o exemplo e comecem a partilhar o conteúdo de velhas cassetes metidas em gavetas.

José Afonso ao vivo no Teatro Avenida em 1967. "Tive o Diabo na Mão" sound clip

READ MORE
CoimbraConcertos de José AfonsoRui Pato
18/10/2010By AJA

1ª actuação de José Afonso em Coimbra, no Teatro Avenida


As pombas - José Afonso (ao vivo) com Rui Pato sound clip

Foi em 1968, no Teatro Avenida, numa tarde de arte da Queima das Fitas. Nunca antes o Zeca tinha actuado em Coimbra depois de ter criado o seu repertório de Baladas em 1962. Foram necessários seis anos para que Coimbra o quisesse ouvir. Graças ao precioso arquivo fonográfico do meu amigo Prof. Jorge Rino, a gravação desse concerto está todo registado. Ele, gentilmente, cedeu-me esse registo, da qual destaco o primeiro tema do espectáculo – As Pombas, de José Afonso e Luis Pignatelli Andrade. A foto, é desse espectáculo.
Rui Pato

Via Guitarra de Coimbra

READ MORE
Concertos de José AfonsoFotografia
03/08/2010By AJA

José Afonso em concerto

Concerto realizado em S. Romão, concelho de Seia, em Maio de 1977. Vêem-se na fotografia (da esq. para a direita) Adriano Correia de Oliveira, Pintinhas, Fausto, José Afonso e Vitorino.
Fotografia de José Belarmino Mendes.

READ MORE
Concertos de José AfonsoImprensa
06/11/2009By AJA

Despedida de Zeca Afonso aconteceu no Coliseu do Porto há 26 anos

Muito se fala sobre o concerto que Zeca Afonso realizou em Janeiro de 1983, no Coliseu dos Recreios, e do qual a RTP fez uma gravação vídeo que é habitualmente recuperada na altura das comemorações do 25 de Abril, mas poucos decerto saberão que o cantor viria a actuar uns meses mais tarde, no Porto, naquela que seria, de facto, a sua despedida dos palcos. Sabe-se que, nesse mesmo ano, Zeca Afonso ainda deu a cara em alguns eventos informais em Coimbra (esse facto é, de resto, mencionado por Irene Flunser Pimentel na fotobiografia do cantor recentemente editada), de que chegou até a ser gravado um disco pirata. Mas o último grande concerto foi, sem dúvida, o do Coliseu do Porto, que aconteceu a 25 de Maio de 1983 perante uma sala esgotadíssima desde há cerca de dois meses.
Avelino Tavares, promotor musical da Mundo da Canção, foi a “alma mater” do evento e não tem dúvidas de que, depois disso, não mais Zeca Afonso voltou a apresentar-se em público. “Lembro-me até de, no dia seguinte ao concerto, ter ido levar o José Afonso e a Zélia [mulher dele] à estação de Campanhã porque ele ia a Coimbra receber a medalha de honra da cidade. E, na melhor das hipóteses, o que terá havido é uma festa de estudantes em que se terão cantado uns fados”, recorda.
Para o concerto do Porto, e por exigência do cantor, todos os bilhetes foram postos à venda ao mesmo preço: 500 escudos. A procura foi enorme, a ponto, de, na altura, ter crescido o boato infundado de que haveria ingressos a serem “vendidos à mesa do café”.
“Algo de imperdível acontecera”
Durante o espectáculo, viveu-se no Coliseu uma “atmosfera emocional intensa”, que Tavares compara com a de Lisboa quatro meses antes: “Porventura com menos folclore, mas mais denso e sentido”. Paulo Esperança, que preside hoje ao Núcleo Regional do Norte da Associação José Afonso, também lá estava nessa noite única. Recorda-se de o concerto, que acabou por ser uma espécie de retrospectiva da carreira do can-tor, ter terminado com a “Grândola Vila Morena” e de, já na rua, as pessoas regressarem a entoar em coro canções do reportório de Zeca Afonso. “Nenhum de nós sabia se aquele viria a ser o último concerto. Mas todos tínhamos consciência de que algo de imperdível se passara”, conta Paulo Esperança. O cantor já estava bastante debilitado (eram já claros os sinais da doença neuro-degenerativa que viria a vitimá-lo, quatro anos depois), precisou de sentar-se com alguma frequência e, para alguns coros, contou com o apoio de Sérgio Mestre, um seu habitual cúmplice. E também lá estiveram dois amigos da canção coimbrã, mais uma prova, para Avelino Tavares, de que não houve nenhum concerto em Coimbra, “caso contrário eles nunca teriam vindo cá de propósito”.
Autógrafos frustrados
Aliás, foi o estado de saúde do cantor que levou, na altura, Avelino a travar algo que já planeara: “No dia 26, fomos almoçar a um restaurante na Ribeira, com o Fanhais e outros músicos, e eu levava um saco com os LP’s todos que eu tinha dele para me autografar. Eram muitos os discos que havia para assinar e, ao ver como ele já estava, acabei por desistir. Senti que tinha de ter respeito por ele”.
Avelino Tavares chegou a ver Zeca Afonso, ao vivo, na Escola Infante D. Henrique, ainda antes do 25 de Abril, e esteve presente, no lendário concerto realizado sob alta vigilância da PIDE e que reuniu vários cantores de intervenção no Coliseu de Lisboa, em Março de 1974, quando já se pressentia o apodrecimento definitivo do Estado Novo.
Mas foi na revista “Mundo da Canção”, de que foi director e cujo primeiro número saiu em Dezembro de 1969, que Avelino Tavares mais tentou promover José Afonso, publicando-lhes as letras, bem como as de outros cantores igualmente comprometidos. Foi dele a primeira capa a cores da MC, correspondente ao número 12 (Novembro de 1970). Mais tarde, o cantor viria de novo a surgir na capa da revista, precisamente em Fevereiro de 1975, na esteira do lançamento do álbum “Coro dos Tribunais”.
Depois de muitos meses a iludir a censura com páginas em que textos de conteúdo mais político dividiam espaço com “anúncios pirosos” a depilatórios e calças de terylene, a revista acabou mesmo por ser apreendida quando saiu o número 34, por causa da existência de um suplemento dedicado às novas músicas. Só depois da revolução Avelino Tavares viria a conseguir repor em circulação os malfadados exemplares. Uma aventura editorial que durou até Junho de 1985, sempre sob a aura inspiradora de José Afonso: “Nós vamos todos desaparecer, mas ele vai ficar”.

Nuno Corvacho
nuno.corvacho@grandeportoonline.pt
Retirado daqui

READ MORE
Concertos de José AfonsoFotografiaSamuel
07/03/2009By AJA

Samuel e José Afonso

No dia 29 de Janeiro de 1983, já vão 26 anos, à hora a que publico este texto, o Zeca estava nos bastidores do Coliseu dos Recreios de Lisboa, preparando-se para entrar em palco e dar o seu derradeiro concerto.
O “meu” Zeca particular e intransmissível é outro. Está vivo, nunca está doente (excepção feita a umas sinusites teimosas), pratica judo, canta como ninguém, faz-me acreditar que em 1973 já estávamos a um passo da liberdade, ilumina os meus vinte e um anos, faz cantigas que ficaram na História, à minha frente e com a minha modesta “ajuda” técnica, faz-me gravar o meu primeiro disco e leva-me para cantar com ele em locais incríveis e proibidos…
Como sou uma perfeita negação na arte do culto da imagem e uma desgraça na gestão de “carreira”, até há bem pouco tempo nem sequer uma fotografia tinha em que estivesse com ele.
Um amigo, em boa hora, resolveu oferecer-me esta grande imagem, recordação de um “Canto Livre” realizado num quartel da região de Lisboa, em 1975, com Zeca Afonso, Vitorino e um estreante (eu mesmo, o guedelhudo da ponta esquerda). O amigo em causa, era militar nesse quartel e foi um dos que se “arvorou” em cantor e foi connosco para cima do estrado, cantar a Grândola.
Todos achávamos que o mundo e a vida estavam apenas a começar, que a reacção não passaria, que a noite não voltaria às nossas ruas e que iríamos ter o Zeca a cantar connosco para sempre…

Retirado daqui

READ MORE
Concertos de José AfonsoFotografia
01/03/2009By AJA

José Afonso em Guimarães II

Fotografia e texto de Torcato Ribeiro

Pelas minhas contas, foi o segundo espectáculo do Zeca em Guimarães e primeiro depois de Abril. Por iniciativa do Jornal “Povo de Guimarães”, em parceria com o CICP, Cine Clube de Guimarães, Jornal Estudantil “Pontos nos Ís” e a cooperativa Era Nova, realizou-se um espectáculo na cooperativa têxtil Sousa Abreu – primeira empresa do país a entrar em auto gestão e mais tarde chamada cooperativa Fogo Posto, – em 23 de Março de 1979, acompanhado pelo Carlos Guerreiro e Fausto.

READ MORE
Concertos de José AfonsoFotografia
01/03/2009By AJA

José Afonso em Guimarães

Fotografias e texto enviados por Torcato Ribeiro.

As fotos são duma iniciativa organizada pelo CICP ( Centro Infantil e Cultural Popular) com o objectivo de angariar fundos para a construção dum Auditório em Guimarães.
Para o efeito, o CICP, alugou uma tenda de circo, e promoveu durante dois meses uma actividade cultural diversificada, destacando-se, para além do espectáculo do Zeca, o José Mário Branco, o maestro Vitorino de Almeida, o Carlos do Carmo, o Salada de Frutas, a Sheila, o Cantaril, a Tété, o UHF, a Lena d’ Água e Banda Atlântida, a projecção de filmes e um debate sobre o aborto.
A esta iniciativa chamou-se CIRCULTURA, e realizou-se em 1982, durante Maio e Junho. O espectáculo do Zeca foi às 21,30 horas de sábado, 5 de Junho de 1982.
Como curiosidade, penso que este espectáculo foi o último que o Zeca deu, exceptuando as homenagens posteriores.
Foi colocada pelo Zé Mário Branco, que participou nesta iniciativa na semana anterior, a possibilidade de se fazer neste espectáculo, uma homenagem surpresa ao Zeca, mas por várias razões tal não foi possível.
O Zeca actuou com o acompanhamento do Janita Salomé, Júlio Pereira e Serginho Mestre.
A foto de convívio depois do espectáculo, é no café Oriental em Guimarães, estando ausente o Zeca, que por motivos da sua doença, teve que ir descansar.
As fotos são pertença do CICP e da autoria do Carlos Mesquita.

READ MORE
Adriano Correia de OliveiraConcertos de José AfonsoFotografiaRui Mingas
29/07/2008By AJA

Fotos de Carlos Froufe

Adriano Correia de Oliveira, Fausto, José Afonso e Rui Mingas, Luanda, Abril de 1975

 
Encontradas AQUI

READ MORE
Concertos de José AfonsoFotografia
15/03/2008By AJA

José Afonso em Frankfurt

Um concerto de 1980 em Frankfurt, Alemanha.

READ MORE
Concertos de José AfonsoVídeo
22/12/2007By AJA

O concerto do Coliseu (integral)


Zeca Afonso – Do Choupal Até À Lapa (1/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Balada De Outono (2/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Canção De Embalar (3/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Natal Dos Simples (4/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Vampiros (5/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – A Morte Saiu À Rua (6/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Milho Verde (7/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Paciencia (8/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Redondo Vocabulo (9/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Papuça (10/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Venham Mais Cinco (11/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Grandola Vila Morena (12/12)
Colocado por Videos_Portugal

READ MORE
Concertos de José AfonsoVídeo
31/05/2007By AJA

“A Morte saiu à rua” ao vivo no Coliseu

READ MORE
PESQUISA DE CATEGORIAS

CONSULTAR ARQUIVO

Newsletter

loader
Email*

Nome

Apelido

O seu endereço de e-mail será usado apenas para enviar newsletters sobre as atividades da Associação José Afonso e da iniciativa do Centenário de José Afonso. Pode sempre escolher deixar de receber estes e-mails clicando link na newsletter.

Copyright © 2021 Thepascal by WebGeniusLab. All Rights Reserved

BACK TO TOP