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Júlio Pereira
Home Archive by Category "Júlio Pereira"

Category: Júlio Pereira

Concertos de José AfonsoFotografiaJúlio Pereira
21/02/2022By admin-aja

José Afonso em Itália

  • José Afonso com Júlio Pereira em Pisa, Itália, em 1980.
  • O cartaz do concerto.

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BiografiaFotografiaJúlio PereiraMoçambique
21/02/2022By admin-aja

Em Moçambique

Trabalhei e privei com José Afonso durante oito anos. Nunca o vi tão feliz como quando estivemos em Moçambique, 1980. A convite do governo Moçambicano, José Afonso nesta viagem cantou em Maputo, Beira e Tete.
Júlio Pereira
Fotos de Kok Nam.

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Júlio PereiraMapa Etno-musical de Portugal
11/02/2010By AJA

Júlio Pereira apresenta o Mapa Etno-musical de Portugal

Na véspera do concerto de Júlio Pereira nas Sextas Culturais, o músico apresenta em Águeda o Mapa Etno-musical de Portugal. A conversa com o público terá lugar na Casa do Parque da Alta Vila, na quinta-feira 11 de Fevereiro, pelas 21h30, com entrada livre.
De região em região, através de um mapa de Portugal povoado de pequenas imagens, a que se associam gravações áudio e textos explicativos, é possível calcorrear o país, de forma interactiva, através das suas tradições e instrumentos musicais. O Mapa Etno-musical de Portugal é um projecto alojado no centro virtual do Instituto Camões e coordenado por Júlio Pereira, autor da primeira versão do mapa em 1988, então em papel, como encarte do marcante disco “Miradouro”.
Esta apresentação do Mapa Etno-Musical em Águeda, além do próprio Júlio Pereira, conta com a participação de João Luís Oliva e Domingos Morais. No dia seguinte, a 12 de Fevereiro, no grande palco das Sextas Culturais Águeda 2010, iniciativa da Câmara Municipal de Águeda, Júlio Pereira apresenta o concerto “Geografias”, na companhia de Miguel Veras e Sofia Vitória. Duas noites com o mestre, ambas a não perder!
ÁGUEDA | Casa do Parque da Alta Vila
Quinta 11 Fevereiro, 21h30
entrada livre
Saiba mais sobre o Mapa Etno-Musical de Portugal.
Via D’orfeu

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Júlio Pereira
14/01/2010By AJA

Júlio Pereira apresenta o seu primeiro disco de canções, na livraria “Ler Devagar”, dia 15 de Janeiro

O homem do cavaquinho, como muita gente o conhece, vai aliar a música à escrita de Tiago Torres da Silva e à pintura de Tiago Taron para lançar, dia 14 deste mês, Graffiti, que o próprio tem vindo a definir como sendo o seu “primeiro disco de canções”.
Com uma carreira musical de mais de 30 anos como “instrumentista”, conhecida sobretudo a partir do disco Cavaquinho (1981), Júlio Pereira decidiu agora fazer um álbum de canções, para o qual convidou, pela primeira vez, um “letrista”, Tiago Torres da Silva, e Tiago Taron, para “pintar o universo das canções”, disse o músico em entrevista à Lusa.
Outra novidade nesta obra de Júlio Pereira consiste no facto de não ser um “disco total”, mas antes um trabalho que está a ser desenvolvido em “equipa e por fases” – em que a Internet tem um papel crucial -, o que faz com que o músico tenha “curiosidade em saber qual o resultado”, como sublinhou na mesma entrevista.
Visíveis neste trabalho, na página do músico na Internet (www.juliopereira.pt), estão dois temas: Magia imaginação, com voz de Maria João, e É um dia sim, É um dia não, cantado por Luanda Cozetti.
Um EP com quatro canções, no final de Fevereiro, e um CD, a editar no fim de Maio, são as próximas fases do projecto Graffiti, revelou Júlio Pereira. Contudo, o projecto será divulgado em Lisboa no espaço Ler Devagar, a 15 deste mês, dia da inauguração de uma exposição de pintura de Tiago Taron, na galeria da LX Factory. “Embora o que soe seja a palavra graffiti, o que importa é o conceito que está por detrás disto tudo: histórias de rua, urbanas, onde não interessa a referência de qual o sítio do mundo.” Um conceito que permite aos três artistas ir jogando com palavras, sonoridades, músicas, culturas, ao mesmo tempo que vão criando as suas histórias.
Daí que, logo para o single tenha ido buscar Maria João, uma portuguesa conhecida internacionalmente, para cantar uma canção “mais intimista, que fala de enamoramento entre duas pessoas em que o que conta é a magia e imaginação”, e uma brasileira, Luanda Cozetti que canta: “(…) sou uma pessoa/sul-americana/Bom dia, Lisboa/Meu nome é Luanda (…).”
Júlio Pereira confessa-se “muito criterioso na questão do objecto” e deixa a promessa: “Não vai ter plástico.”
Notícia DN
www.juliopereira.pt | www.myspace.com/juliopereira

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Júlio Pereira
04/11/2009By AJA

Júlio Pereira no CCB

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Cartazes de concertosJúlio PereiraTestemunhos
08/04/2009By AJA

Cangas do Morraço

Era uma vez na Galiza, anos oitenta. Um concerto de José Afonso em Cangas de Morrazo (perto de Vigo) num velho teatro municipal. Acompanhava-o eu, Henri Tabot e Guilherme Inês. Chegados à hora do espectáculo, deparámo-nos com um público, a meio da plateia, de seis pessoas! A minha reacção (suponho que a dos meus colegas) foi a de não tocar. E o Zeca disse não! Tocados os 17 ou 18 temas ensaiados pelo grupo, José Afonso pegou na viola e sozinho, tocou cantando mais oito temas entre os quais “Catarina” – a primeira vez que o ouvi cantar assim. Estranho. As seis pessoas de pé aplaudiram incansavelmente José Afonso e durante muito tempo. Como se a sala estivesse cheia.Só mais tarde percebi que o Zeca, nesse dia, tinha deixado seis amigos na Galiza.

Júlio Pereira

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ImprensaJúlio PereiraLuís Pastor
14/11/2008By AJA

Zeca Afonso recordado em debate sobre a música e a transição democrática em Madrid

Os 20 anos da morte de Zeca Afonso serviram segunda-feira à noite de pano de fundo para um debate em Madrid sobre o papel da música nas transições para a democracia em Portugal e Espanha.
O debate foi protagonizado, entre outros, pelos músicos Luis Pastor e Júlio Pereira.
Pastor, o musico espanhol que mais cantou Zeca Afonso – e que também se tornou famoso pela sua obra política e de intervenção – recordou que a maioria dos músicos e do publico espanhóis desconheceu, durante muitos anos, a obra do artista português.
“Havia muitos músicos e muitos artistas espanhóis que não conheciam Zeca Afonso e a sua obra. Na altura França, ou a América Latina eram maiores influências. Mas quem ouvia pela primeira vez, a lírica, a música, enamorava-se”, recordou.
“Acabou por ter um impacto tremendo tanto entre os músicos espanhóis como entre o público. E acabou por ser a porta de entrada para se conhecer outras vozes portuguesas da altura”, disse.
Hoje, explicou o musicólogo Pedro Calvo, ainda é impossível encontrar discos de Zeca Afonso nas lojas de música de Madrid, mas a música e a obra do músico português já são mais conhecidos.
“Foi um avançado do seu tempo. Que se fosse hoje seria reconhecido pelo seu papel na fusão de músicas do mundo, mais além do que o gigantesco papel que hoje já lhe é reconhecido”, frisou.
Para Pastor, numa “época em que a música começou a ser vista como uma arma” Zeca Afonso surge como referencial obrigatório “a nível, moral e de compromisso” tanto no espaço ibérico, como fora dele.
“Era um homem contra a corrente, mas que recuperava a canção popular, um professor, um pedagogo”, sublinhou.
“Tudo é redutor quando se fala de Zeca Afonso”, acrescentou o músico português Júlio Pereira, destacando a vontade de José Afonso de exportar o que era a cultura portuguesa para outros espaços.
Tanto Pastor como Pereira recordaram os últimos anos, difíceis, da vida de Zeca Afonso, tendo o músico espanhol recordado que alguns músicos se juntavam, semanalmente, num bar de Madrid, a tocar e a cantar obras do músico português para angariar dinheiro para lhe levar.
“Passou anos terríveis. No dia em que ele morreu, de 22 para 23, estávamos no bar Elige-me, como todas as segundas-feiras, a cantar músicas dele. Tínhamos ido a Portugal levar-lhe dinheiro 15 dias antes”, recordou Pastor.
Júlio Pereira – que produziu os últimos três álbuns de Zeca Afonso – disse que o mais estranho foi ver o músico “intelectualmente bem para trabalhar, mas sem voz e com o corpo a desaparecer”.
“Foi uma doença muito estranha. De um homem que foi muito mais do que músico, que conhecia e queria saber do mundo, que era genuinamente humano. Que gostava mais das pessoas que da música”, disse.
Para Luis Martin, comissário da Mostra Portuguesa e moderador do debate, Zeca Afonso acaba por ter uma transcendência “além de Portugal” tendo sido “um percursor da dita música do mundo” muito antes de nomes mais sonantes como Peter Gabriel, a terem internacionalizado.
João de Melo, conselheiro cultura da embaixada de Portugal em Madrid e ‘pai’ da Mostra Portuguesa, rematou o debate recordando a importância que Zeca Afonso teve na formação da consciência de todos os portugueses, tanto dentro como fora do mundo da música.
“Cada um de nós tem uma história pessoal com Zeca Afonso e hoje não me imagino a olhar para Portugal, para o que aconteceu nas últimas décadas, sem incluir Zeca Afonso”, disse.
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, que ficou conhecido como José Afonso ou Zeca Afonso, foi um dos mais importantes cultores do fado de Coimbra e tornou-se depois o maior símbolo da canção de intervenção contra o regime político que se vivia em Portugal.
Natural de Aveiro, onde nasceu em 1929, José Afonso morreu em Setúbal em 23 de Fevereiro de 1987, vítima de esclerose lateral amiotrófica.
Madrid, 11 Nov (Lusa)

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Júlio PereiraTestemunhos
23/06/2007By AJA

Júlio Pereira sobre José Afonso

Na revista do quarto Festival da Música Popular Portuguesa, em 1991, Júlio Pereira escreveu o seguinte:



“Sempre que assistíamos a um concerto de música erudita, não importa agora de que tipo, Zeca mostrava-me sempre a verdade. Ele sentia, de facto, e por ficar fascinado perante uma outra música da qual era admirador, uma espécie de sensação de frustração, até de inferioridade, do género: «o que é a minha música ao pé de uma música tão grande?». É evidente que eu não tinha resposta. Qualquer resposta era absurda: «não se podem fazer comparações» ou «o popular e o erudito são uma complementaridade». Absurdas, porque o Zeca sabia muito bem tudo isso. Absurdas sim, porque aquele momento é verdadeiro. Porque o fascínio não passava levianamente pela nossa dimensão. O que a Arte nos provoca é isso mesmo: a noção do nosso exacto tamanho. A música não engana ninguém, muito menos um músico. A música é que não deixa um músico mentir. (…)

Falo-te em abstracto de coisas concretas. Falo-te da melhor escola de música ou de outra coisa qualquer. Falo-te de experiências reais, vividas, comuns a todos nós. (…) Falo ainda de tudo o que nasce, ou do que nasce em nós quando nos encontramos perante um outro músico que admiramos. Nesse preciso momento somos pequenos. (…)

Muitas das coisas da vida estão mesmo ao nosso lado. E acredito que muito boa gente ao longo da sua existência, não se tenha apercebido dessa proximidade. É sempre mais fácil esperar o que já se sabe ser, do que o que não se sabe o que é. Venha da Natureza, venha do ser humano. Venha, ainda, da própria música. E que esperas tu da vida, músico? (…)

Tens aí um gravador? Sabe-se lá como, daquela boca saia uma melodia espantosa! E eu, eterno curioso, levava-a comigo e tentava harmonizá-la. (…) Feliz e contente ia ter com ele mostrar-lhe o resultado. O inesperado era inevitável. O Zeca ouvia… –“Mas não é bem isso…” – “Esta canção é uma história” – “Deverá ter uma atmosfera própria”. – “Estás a ver uma fogueira, com pessoas à volta tendo à roda dos tornezelos uns guizos?” (…)

«Quem canta por conta sua, canta sempre com razão».

Percebes colega músico, a verdade irónica desta frase? Os teu ídolos, aqueles que admiras, aqueles sem os quais não passas, os que te põem os pelinhos do braço eriçados, têm na realidade, razão. Toda. Por isso mesmo, sempre que me tocares por conta tua, se és mesmo músico, acompanhar-te-ei sempre que o desejares. É talvez a única matéria que não precisa de escola para ser aprendida. E é desta matéria que se faz a música.

(…)

E tu, outro músico, que julgas que já ouviste o suficiente, quando tocares Zeca, não vás pela facilidade. Deixa-me sentir o Zeca quando tocas. Não o subestimes com esse ritmo «chapa 5», ou essa harmonia complexada cheia de 13ª monopolizando o arranjo. Essa música é uma história. É preciso encontrar a atmosfera própria… Lembraste do que o Zeca dizia?”.


“Faro Luso” tema retirado do disco”Geografias”

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Júlio Pereira
18/06/2007By AJA

Lançamento do último disco de Júlio Pereira “Geografias”

O álbum “Geografias”, editado dia 18 de Junho, assinala o regresso de Júlio Pereira ao bandolim, um instrumento que acompanha o músico desde a infância e que neste disco se conjuga de forma inédita com a guitarra portuguesa. Um disco a descobrir!

Fonte: Lusa

Depois de ter composto para crianças, com “Faz-de-conta” (2003), Júlio Pereira gravou um álbum instrumental onde demonstra o seu virtuosismo como intérprete e autor. Nos onze temas de “Geografias” o músico viaja para várias latitudes, combinando sonoridades e ritmos que à partida podem não fazer sentido juntos. “Este é um disco onde vou a mais sítios, porque a música instrumental leva as pessoas a lugares diferentes”, afirmou Júlio Pereira em entrevista à agência Lusa.

Se dentro de “Fado Luso” há música popular portuguesa e ritmos africanos, “Porta do Oriente” remete para rotas longínquas e “Santa Moura” num instante parece uma canção de embalar, para de seguida fazer lembrar canto árabe ou uma moda minhota.

São geografias recriadas por Júlio Pereira a partir de uma memória pessoal e da combinação entre bandolim, guitarra portuguesa, viola, bouzouki e sintetizadores. “Esta mistura, sobretudo do bandolim com a guitarra portuguesa, acho que deve ter sido a primeira em termos de trabalho com alguma profundidade”, disse.

Para o novo álbum, Júlio Pereira contou ainda com a colaboração de três vozes femininas num registo de vocalizações que funcionam como um instrumento: Sara Tavares, Marisa Pinto, dos Donna Maria, e Isabel Dias, do grupo tradicional minhoto Raízes. Para “Geografias”, o músico abdicou de tocar todos os instrumentos em estúdio, repartindo as despesas com Miguel Veras (viola acústica) e Bernardo Couto (guitarra portuguesa). O processo de composição e de gravação acabou por ser inédito, precisamente por causa dessa partilha.

“Compor é um acto solitário, mas esta é a primeira vez que componho à frente de outra pessoa”, referiu o autor de “Rituais” (2001), recordando as sessões em que experimentava temas novos no bandolim.

Júlio Pereira, que durante muitos anos ficou praticamente conotado com o cavaquinho, diz que prefere cada vez mais o bandolim. “O cavaquinho é uma memória”, afirma o tocador ao recordar o sucesso alcançado com o álbum “Cavaquinho” em 1981. “Não sei o que é que aconteceu, mas teve consequências completamente inesperadas e é a partir daí que saio do anonimato”, assinala.

Actualmente, é o bandolim o instrumento que mais gosta de tocar, por ser, entre os cordofones pequenos, “aquele que tem mais possibilidades de evolução”. É também o instrumento que o acompanha desde a infância, nos tempos em que o pai o ensinou a tocar “modinhas tradicionais”. Além de ser um disco com composições inspiradas na música popular e tradicional, “Geografias” introduz ainda apontamentos electrónicos, com a presença discreta de sintetizadores em temas como “Colares de Luz” e “Porta do Oriente”.

Júlio Pereira explica que sempre teve apetência tanto para instrumentos tradicionais como para os novos instrumentos. “Faço parte de uma geração que é transversal às duas coisas. Apanho tanto o que é antigo como os novos instrumentos”, refere o músico, num exercício de memória que o leva aos tempos da guitarra eléctrica e do rock na década de 1970. Pode haver quem só se lembre de Júlio Pereira a tocar cavaquinho e viola braguesa ou ao lado de Zeca Afonso, com quem tocou durante muitos anos.

Mas a verdade é que Júlio Pereira fez parte do movimento rock da década de setenta, no pós-25 de Abril, empunhando uma guitarra eléctrica e gravando com grupos como os Petrus Castrus e os Xarhanga. “Há uma grande parte da minha vida em que oiço géneros musicais que não passam por nada do que é, digamos, tradicional”, reforça Júlio Pereira.

No entanto, o músico garante que não regressará a esses tempos e que se afastou do rock como músico. Da dedicação e pesquisa das raízes da música tradicional e popular portuguesa saíram álbuns como “O meu bandolim” (1992), “Miradouro” (1988), “Braguesa” (1983) ou este “Geografias”. Para Setembro, Júlio Pereira prepara uma digressão por Portugal e Espanha, onde “Geografias” também será também editado.

O músico quer que os concertos sejam um prolongamento do álbum, com a participação em palco dos músicos Miguel Veras e Bernardo Couto. A digressão, ainda sem datas anunciadas, será a primeira em nome próprio ao cabo de dez anos, marcados apenas por actuações como convidado de outros músicos. “Nos últimos anos toquei sobretudo lá fora”, afirmou o músico, constatando que o actual cenário musical português não é dos melhores. Júlio Pereira reconhece que a música instrumental de raiz popular e tradicional não passa tanto na rádio ou na televisão, mas esta realidade é contornada através da Internet.

No portal Myspace.com (www.myspace.com/juliopereira ), o músico apresenta algumas das suas composições e não esconde a surpresa ao ver que tem cem ou duzentas audições diárias dos seus temas. Em apenas dois meses registou 12 mil audições no myspace, um espaço virtual acessível para milhões de utilizadores onde “a música acaba por se tornar física”. “Não imaginava que isto ia acontecer – disse – e não tenho dúvidas de que a Internet é o maior dos presentes”.

Biografia
João Luís Oliva
Como multi-instrumentista, compositor e produtor, ao longo de 30 anos de carreira, Júlio Pereira tem norteado a sua preocupação artística por parâmetros que tomam como referência a universalidade das manifestações culturais.
O que, de forma nenhuma, contraria a importância do seu trabalho no âmbito da música tradicional portuguesa e da consideração étnica dos sons e das suas raízes. É que esse trabalho sempre teve como horizonte a incorporação da tradição portuguesa nas correntes estéticas que marcam as sucessivas“contemporaneidades”.

Assim, as suas obras de autor, concretizadas em 15 discos de longa duração, depois de reflectirem a importância da inovação musical dos anos 60/70, cen­traram-se num trabalho de recuperação renovadora dos sons dos instrumentos tradicionais “quase perdidos” — de que os mais paradigmáticos exemplos são Cavaquinho (1981) , Braguesa (1982) e O meu bandolim (1992) —, bem como, sobretudo a partir dos anos 90, na associação desses sons a (sempre) novas soluções acústicas — como Rituais (2000) significativamente documenta. O que, aliás, o situa como figura incontornável da música portuguesa da se­gunda metade do séc. XX.

Embora o seu trabalho não se tenha — até agora, e dominantemente — cruzado com a melodização de textos, a sua selectividade poética leva-o, actual­mente, a preparar um disco – Faz-de-conta – que se cruza com nomes nucleares de autores de língua portuguesa, como Eugénio de Andrade e Vinicius de Moraes.

A atestar a sua experiência e o seu testemunho musical, referem-se a centena de discos em que interveio como instrumentista, orquestrador ou produtor. Não sem deixar de referir a importância da sua íntima ligação à carreira de José Afonso, a partir de finais dos anos 70, bem como a sua participação em trabal­hos conjuntos com Pete Seeger e The Chieftains”

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GalizaJúlio PereiraTestemunhos
13/10/2006By AJA

Uma pequena história partilhada pelo Júlio Pereira

Era uma vez na Galiza, anos oitenta. Um concerto de José Afonso em Cangas de Morrazo (perto de Vigo) num velho teatro municipal. Acompanhava-o eu, Henri Tabot e Guilherme Inês. Chegados à hora do espectáculo, deparámo-nos com um público, a meio da plateia, de seis pessoas! A minha reacção (suponho que a dos meus colegas) foi a de não tocar. E o Zeca disse não! Tocados os 17 ou 18 temas ensaiados pelo grupo, José Afonso pegou na viola e sozinho, tocou cantando mais oito temas entre os quais “Catarina” – a primeira vez que o ouvi cantar assim. Estranho. As seis pessoas de pé aplaudiram incansavelmente José Afonso e durante muito tempo. Como se a sala estivesse cheia.
Só mais tarde percebi que o Zeca, nesse dia, tinha deixado seis amigos na Galiza.

Júlio Pereira
(Músico e amigo do Zeca)

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