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Rui Pato
Home Archive by Category "Rui Pato"

Category: Rui Pato

Rocha PatoRui Pato
26/09/2023By admin-aja

Homenagem a Rocha Pato

A Câmara Municipal (CM) de Coimbra vai homenagear o jornalista Rocha Pato (1923 – 1982) na próxima sexta-feira, dia 29 de setembro, pelas 18h00, na Casa Municipal da Cultura. A sessão de homenagem integra uma evocação realizada pelo seu filho, o médico Rui Pato, um apontamento musical de António Ataíde, acompanhado por Rui Pato na viola, e a inauguração da exposição “A Sintonia de duas vidas: Rocha Pato e José Afonso”, que apresenta objetos, artigos e documentos pessoais do jornalista, assim como uma pequena mostra de cartas e postais escritos por José Afonso para Rocha Pato, que foram doados pelo seu filho a CM de Coimbra.

Ler notícia completa.

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Rui Pato
13/04/2023By admin-aja

Rui Pato doa cartas de Zeca Afonso

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BiografiaConcertos de José AfonsoRui Pato
10/01/2023By admin-aja

Primaveras Estudantis

José Afonso lembrado na exposição “Primaveras Estudantis” (patente até 25 de abril no Convento São Francisco, em Coimbra) através de uma das fotografias de um concerto nos jardins da Associação Académica de Coimbra, que foi palco de vários encontros culturais durante a crise académica de 1969, e que contaram com a presença de José Afonso e Rui Pato, entre outros.

A fotografia é acompanhada da seguinte legenda: “Zeca Afonso durante um espectáculo em solidariedade com os estudantes. A fotografia foi impressa como postal e vendida, tendo a receita revertido em favor do cantor e compositor, impedido de trabalhar pelo regime fascista”

Nesse dia, José Afonso terá deixado a seguinte mensagem:

“Lembra-te que o dia de amanhã é o dia de hoje que tu ontem tanto temias”.

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Rui Pato
06/09/2022By admin-aja

Homenagem a Rui Pato

Próximo do final da década de cinquenta do sec. XX, e continuada nas décadas de 60 e 70, a partir da tradição do fado de Coimbra, irrompe uma renovação musical na composição e na voz dos trovadores, que deram forma e conteúdo a um novo sentir musical desta cidade, cada vez mais enraizado na cultura portuguesa, quer através das expressões da música tradicional quer dos textos de grandes poetas da lusofonia.
Neste movimento sobressai desde logo o crescente bem-fazer da guitarra e da viola, contribuindo com a sua mudança de acordes e ornamentações de base para uma transformação na estética musical de Coimbra e a um estatuto mais nobre destes instrumentos, nomeadamente da viola habitualmente confinada ao acompanhamento. Se da guitarra de “fogo e água” saíram composições com novos e incisivos acordes melódicos, gerando uma intimidade entre a poesia e a música, acontece que de uma viola com “sensibilidade e inteligência” potenciando o significado melódico de canções, brotaram sons que alcançaram
traduzir os sinais e as vozes provindos de uma nação à conquista da liberdade. Mas não se julgue que as mãos de um rapaz do bairro, que rendilham sons tangendo as cordas, ficaram amarradas ao tempo. Estas mãos semearam acordes que ainda hoje são palavras sonoras a crescer nas mãos duma liberdade.

Espetáculo inserido na programação do Festival «Correntes de um só rio». Encontro da Canção, do Fado, da Música e das Guitarras de Coimbra, que se realiza de 30 de setembro a 9 de outubro de 2022 em Coimbra.

Bilheteira: 239 857 191, 15h00 às 20h00
bilheteira@coimbraconvento.pt
www.coimbraconvento.pt

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GrândolaRui Pato
11/05/2022By admin-aja

Em Grândola

“O Município de Grândola irá acolher dia 17 de Maio, às 21h30, no Cineteatro Grandolense, um concerto evocativo do dia em que as histórias de Grândola e de José Afonso se cruzaram pela primeira vez, em 1964, protagonizado por António Ataíde, Bruno Costa, Nuno Miguel Botelho, e Rui Pato, músico que acompanhou José Afonso durante a década de sessenta.”

Notícia completa aqui.

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Associação José AfonsoImprensaRui Pato
14/11/2019By admin-aja

Rui Pato, viola de José Afonso e Adriano, tem um concerto-tributo em Lisboa

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Associação José AfonsoRui Pato
03/10/2019By AJA

Concerto Tributo a Rui Pato

https://aja.pt/wp-content/uploads/media-archive/2019/10/spot-Tributo-a-Rui-Pato.mp4

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Associação José AfonsoHomenagens e Tributos 2019Rui Pato
01/08/2019By AJA

Concerto/Tributo a Rui Pato

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Associação José AfonsoFrancisco FanhaisImprensaRui Pato
19/01/2017By admin-aja

“A atitude de utopia do Zeca Afonso é o que nos move permanentemente”

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No verso dos versosRui PatoTestemunhos
12/12/2016By admin-aja

Os vampiros

O destino é uma espécie de relacionamento – um jogo entre a conexão divina e a perseverança pessoal. Metade escapa ao nosso controlo, a outra metade está inteiramente nas nossas mãos. Digo isto pensando no êxito de “Os Vampiros”, de Zeca Afonso, que tive o privilégio de acompanhar desde o primeiro minuto. A música foi construída não para fazer uma revolução ou para formar oposicionistas, mas com o objectivo de criar algo disruptivo em relação ao fado de Coimbra daqueles tempos. Não tínhamos ideia do que viria a representar, do ponto de vista político e artístico. Éramos ingénuos e despretensiosos. O impacto de “Os Vampiros” foi como um choque em cadeia numa auto-estrada, um a seguir ao outro. Quando percebemos que rapidamente se tornara num hino dos opositores ao regime e em fermento para os movimentos de esquerda, ficámos assustadíssimos. Íamos para casa atormentados pelo diabinho que sopra ao ouvido as respostas evasivas que não demos em consciência. Nem o Zeca era um Che Guevara nem as nossas primeiras músicas eram óbvias nas suas intenções. E foi o que foi. Inesquecível. Inesquecível a amizade que estabeleci com o Zeca, ele que não pôs apenas toda a sua poesia nos seus discos, mas muita poesia na sua vida… Inesquecíveis os primeiros tempos, em que pensávamos que podíamos fintar a censura, e depois mais tarde, em que já era impossível fugir da lupa da PIDE e da repressão. Inesquecível a forma como gravámos as primeiras músicas, num convento abandonado na margem esquerda do Mondego, cheio de galinhas, ou os ensaios de “Os Vampiros”, numa viagem de comboio, sabendo hoje que a pulsação rítmica desta música foi influenciada pelo andamento pendular dos carris. Sobretudo, inesquecível é que tantos anos mais tarde a actualidade de “Os Vampiros” continua intacta. Basta raspar um pouco a superfície e o significado brota de novo, fresco como no primeiro dia.

Rui Pato

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AJA AveiroCamilo MortáguaJaime GralheiroMário CorreiaNúcleos AJARui Pato
03/02/2013By AJA

Apresentação “Provas de Contacto”

O Auditório da Biblioteca Municipal de Aveiro lotou ontem, 02 de Fevereiro de 2013, para ouvir as PROVAS de afecto e DE CONTACTO com José Afonso e Adriano Correia de Oliveira.
Tivemos o prazer de ter connosco a editora Culture Print, representada pela Isabel Rocha e vários interlocutores que cederam os seus depoimentos neste livro.
Os testemunhos de Rui Pato, Mário Correia, Camilo Mortágua, Jaime Gralheiro e Paulo Esperança prenderam a atenção de uma plateia que se mostrou interessada em partilhar o final de tarde connosco e ouvir na primeira pessoa estes mesmos testemunhos.
A participação do Grupo Poético de Aveiro, nas palavras de Zita Leal e Jorge Neves, e do companheiro Adelino Sobral, através da sua voz e guitarra, completaram este fim de tarde tão especial.
Agradecemos a todos os intervenientes a sua presença e o sempre apoio solidário do Grupo Poético e do Adelino Sobral.
Obrigado a todos os presentes.
Por último, agradecemos à Biblioteca Municipal de Aveiro pela cedência do espaço.
Agradecemos também o apoio dado pela Guesthouse.

O Núcleo da AJA Região Aveiro

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Adriano Correia de OliveiraAmigos maiores que o pensamentoImprensaRui Pato
13/09/2012By AJA

Encontro


Diário de Coimbra | 11.9.2012
Imagem retirada daqui

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Rui Pato
03/05/2012By AJA

“Trago um amigo” no B.leza


 

Dois amigos que têm um amigo em comum. Um porque desde os 16 anos o acompanhou à guitarra, o outro porque desde os 8 anos se en(cantou) pelas suas canções. Neste encontro, a guitarra de Rui Pato e a voz de António Ataide envolvem-nos em trovas e cantigas de Zeca Afonso.

Entrada: 6€
Abertura de porta: 22H
Início do Concerto: 22.30H

B.leza
R. Cintura do Porto de Lisboa, Armazém B (Cais do Sodré)
Mais informações

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25 anos (1987-2012)CoimbraImprensaRui Pato
17/02/2012By AJA

José Afonso: Memória do cantor resiste em Coimbra 25 anos depois

A memória do cantor José Afonso resiste em Coimbra 25 anos depois da morte, mas também a sua música ecoa em cada esquina da cidade onde os amigos o recordam com emoção.
O médico Rui Pato tinha 16 anos quando, em 1961, começou a acompanhar José Afonso à viola, participando na gravação dos primeiros discos e em muitos espetáculos.
“As recordações que tenho desse tempo são a incompreensão e a repressão que rodeavam toda a arte que o Zeca fazia, uma coisa que eu não vejo muito descrita”, declarou Rui Pato à agência Lusa.
Nesse “período difícil”, na década de 60, “o núcleo que apoiava o Zeca era pequeno”, disse.
“Foi o período em que mais contactei com ele e que mais me marcou”, acrescentou.
O futuro pneumologista acompanhava outros cantores de Coimbra, designadamente Adriano Correia de Oliveira e António Bernardino, e os guitarristas Pinho Brojo e António Bernardino.
Pato testemunhou a “extrema penúria” em que vivia o autor de “Grândola Vila Morena”. Mesmo assim, “o Zeca não perdia o seu bom humor”.
Para o médico, “a matriz cultural e artística do Zeca Afonso é Coimbra”, onde o cantor realizou apenas dois concertos entre 1961 e 1969, quando já não vivia na cidade.
A maior parte dos seus espetáculos, com a participação de Rui Pato, realizavam-se sobretudo na zona de Lisboa, sobretudo na Margem Sul, a convite de organizações estudantis e operárias.
“Coimbra era uma terra ainda muito conservadora e o Zeca tinha traído um pouco a tradição da canção de Coimbra”, além de ser “um homem conotado com a esquerda”.
Na sua opinião, “há hoje um grande respeito pelo Zeca, como homem, músico e poeta. Tarde, mas felizmente ainda a tempo, é uma figura já metida no ADN da música portuguesa”.
Em 1961, quando Pato começou a tocar com ele, “não se imaginava que, em grande parte dos acampamentos da guerra colonial, os oficiais ouviriam as músicas” de Zeca.
“Nem ele próprio tinha a noção da importância que tudo isso viria a ter na própria evolução sócio-política” em Portugal.
Teresa Alegre Portugal, antiga professora e ex-deputada socialista, conheceu José Afonso de quem recorda “uma voz muito serena que chegava lá ao ponto impossível”.
Nos anos 50, então aluno do curso de Histórico-Filosóficas, na Universidade de Coimbra, o cantor era visita frequente da casa da então namorada do guitarrista António Portugal.
“Achei que devia reclamar uma serenata ao António. Mas foi o Zeca que a cantou, com o António a acompanhar”, contou a ex-deputada.
José Afonso “tinha um sentido de humor verdadeiramente original”, sempre “com aquela postura fora do sistema”.
Acima de tudo, “Zeca é uma das primeiras figuras de um tipo de música muito difícil de classificar”, afirmou Teresa Portugal.
Quem fala dele “como um cantor de intervenção está a limitá-lo muito. Ele vai muito para além disso”, defendeu.
“A sua obra perdura hoje e com muita força”, disse Jorge Cravo, autor do livro “José Afonso: da boémia coimbrã à solidariedade utópica (1940-1969)”.
Para este investigador, “vai havendo cada vez menos um divórcio entre José Afonso e a cidade” onde “teve uma vida um bocado ingrata”.
Afinal, foi em Coimbra “que ele começou”. Um facto reconhecido “em qualquer parte do mundo”, concluiu.

Reportagem de Casimiro Simões, Agência Lusa



Placa de azulejos na casa onde viveu José Afonso na década de 40 do século passado – um segundo andar no prédio contíguo à pastelaria Zizânia, na Avenida Dias da Silva em Coimbra. Já mostrada aqui

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Rui PatoVídeo
25/03/2011By AJA

Rui Pato

Rui Pato – “Selecção de baladas do Zeca” from MPAGDP on Vimeo.

Filmado em Coimbra | 24 de Março de 2011

De uma visita que fizemos hoje a Rui Pato, trouxemos, para além de uma entrevista que em breve partilharemos com todos vós, esta pequena preciosidade: um tema instrumental interpretado na guitarra que usou para gravar os primeiros EP e LP com José Afonso.

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Rui Pato
16/03/2011By AJA

Rui Pato e António Ataíde


Canção de embalar


O Pastor de Bensafrim

Concerto realizado no CAE de Portalegre no dia 04-03-2011

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Rui Pato
02/03/2011By AJA

Rui Pato e António Ataíde levam música de José Afonso até ao CAE de Portalegre

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Concertos de José AfonsoRui Pato
30/10/2010By AJA

Mais músicas do concerto de 1968, no Teatro Avenida, em Coimbra


José Afonso ao vivo, no Teatro Avenida, em 1967 "Cantares do Andarilho". Rui Pato na viola sound clip

José Afonso ao vivo no Teatro Avenida em 1967. "Natal dos Simples". Rui Pato na viola. sound clip

José Afonso ao vivo no Teatro Avenida em 1967. "Senhora dos Olhos Tristes". Rui Pato na viola. sound clip

José Afonso ao vivo no Teatro Avenida em 1967. "Cantar Alentejano". Rui Pato na viola. sound clip

José Afonso ao vivo no Teatro Avenida em 1967. "Elegia". Rui Pato na viola. sound clip

José Afonso ao vivo no Teatro Avenida em 1967. "O que mais me prende ao Mundo". Rui Pato na viola. sound clip

Eis o restante alinhamento do concerto no Teatro Avenida, que já aqui havíamos dado a conhecer. Uma generosa partilha de Jorge Rino, Rui Pato e Octávio Sérgio. 
Resta-nos esperar que outros lhes sigam o exemplo e comecem a partilhar o conteúdo de velhas cassetes metidas em gavetas.

José Afonso ao vivo no Teatro Avenida em 1967. "Tive o Diabo na Mão" sound clip

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CoimbraConcertos de José AfonsoRui Pato
18/10/2010By AJA

1ª actuação de José Afonso em Coimbra, no Teatro Avenida


As pombas - José Afonso (ao vivo) com Rui Pato sound clip

Foi em 1968, no Teatro Avenida, numa tarde de arte da Queima das Fitas. Nunca antes o Zeca tinha actuado em Coimbra depois de ter criado o seu repertório de Baladas em 1962. Foram necessários seis anos para que Coimbra o quisesse ouvir. Graças ao precioso arquivo fonográfico do meu amigo Prof. Jorge Rino, a gravação desse concerto está todo registado. Ele, gentilmente, cedeu-me esse registo, da qual destaco o primeiro tema do espectáculo – As Pombas, de José Afonso e Luis Pignatelli Andrade. A foto, é desse espectáculo.
Rui Pato

Via Guitarra de Coimbra

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Luís Pinheiro de AlmeidaRui Pato
06/07/2010By AJA

Rui Pato

Antes de tudo e de mais, o Rui Pato foi meu companheiro de brincadeiras de infância no Bairro S. José, em Coimbra, futuro Bairro Marechal Carmona, actual Bairro Norton de Matos, no Calhabé.
Por causa dele, cheguei a partir a cabeça do meu irmão mais velho à pedrada.
Rui de Melo Rocha Pato nasceu em Coimbra, no dia 04 de Junho de 1946, filho do jornalista-fotógrafo Rocha Pato, chefe da delegação de Coimbra de “O Primeiro de Janeiro” e, mais tarde, do “Diário Popular”.
Pertence à “geração de viragem” da “canção de Coimbra”, tendo sido o acompanhante à viola de José Afonso, por escolha deste, na primeira fase da sua carreira na balada, de 1962 a 1969.
Rui Pato tinha apenas 16 anos quando acompanhou José Afonso em “Menino de Oiro”, “Tenho Barcos, Tenho Remos”, “No Lago Do Breu” e “Senhor Poeta”, em 1962.
A dupla com José Afonso foi interrompida pela PIDE em 1970 quando a polícia política impediu que Rui Pato seguisse para Londres para gravar “Traz Outro Amigo Também”, na sequência da crise académica de 69.
(Em vão o esperei em Março desse ano em Londres. Em sua substituição foi o Bóris, Carlos Correia – nota do signatário).
Rui Pato conheceu José Afonso através do Pai, que era amigo de Zeca. Rocha Pato doou a sua correspondência com Zeca ao Centro de Documentação 25 de Abril, da Universidade de Coimbra. Numa ida a Coimbra, no início da década de 60, José Afonso mostrou aos amigos um outro tipo de música, sem o “espartilho da guitarra de Coimbra”.
Tratava-se de uma grande liberdade rítmica, que necessitava apenas de uns leves acordes de viola para sublinhar o poema que era o mais importante da canção. Coube a Rui Pato executar esses leves acordes de viola.
Mas Rui Pato não se limitou, exclusivamente, a acompanhar José Afonso. Entre 1960 e 1971 foi também um dos principais acompanhantes de Adriano Correia de Oliveira.
Reputado pneumologista, Rui Pato é hoje presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Coimbra, EPE.
Este ano, surpreendeu os amigos em confraternização na Praia de Mira com uma vibrante interpretação à viola de “Apache”, um clássico dos Shadows.
Foi-lhe então perguntado se, à margem de José Afonso, alguma vez espreitou o ié-ié e a guitarra eléctrica, ao que respondeu que chegou a fazer parte de um conjunto, os Beatnicks, que fazia o tradicional percurso dos bailes de estudantes.
Mais recentemente, Rui Pato confessou que já não tem guitarras eléctricas:
Embora já tenha passado na adolescência por outros tipos de guitarras, actualmente não tenho nenhuma eléctrica, nem tão pouco uma acústica. Só tenho guitarras clássicas. Aqui convém esclarecer que a guitarra de Coimbra, a de fado, assim como a guitarra de Lisboa, não têm nada a ver com a guitarra de que estamos a falar.
Estamos a falar de “violas”, ou seja, guitarras clássicas. Neste aspecto, uma guitarra clássica só tem alguma categoria se fôr fabricada por especialistas (lutiers), com madeiras raras que estiveram em estufa a secar mais de uma dezena de anos .
Os grandes mestres da sua fabricação são espanhóis (Ramirez, Rubio, etc) , mas existem alguns grandes fabricantes na América do Sul, incluindo o Brasil, onde há fabricantes excepcionais (Di Giorgio).
Claro que existem fabricantes industriais de boas guitarras feitas em série, muito mais baratas, mas… não têm nada a ver…
Tenho actualmente três guitarras (violas): uma Odemira, da fábrica Luso-Espanhola, fabricada em 1967, uma do Luís Filipe Roxo, fabricada em 1980, e uma (a melhor de todas), de um fabricante de Braga , o Jorge Ulisses, feita em 1999.
Quando for rico, quero ter uma Ramirez, do modelo topo de gama!
PS – Há precisamente 10 anos – 29 de Setembro de 1998 – recebi uma missiva de Rui Pato, onde referia a nossa amizade de calções nas praças da nossa infância.

Colaboração de Luís Pinheiro de Almeida

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CartasHomenagens e tributos (música)Rui PatoVídeo
06/03/2010By AJA

Ontem, no Salão Brazil, em Coimbra

Rui Pato e António Ataíde num concerto em que foram lidos alguns postais enviados por José Afonso a Rui Pato. Fotos e mais informações aqui, aqui e aqui

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Rui Pato
23/08/2009By AJA

Rui Pato em entrevista ao diário “As Beiras”

“Continuar a cantar com o Zeca”

Com o país e Coimbra a homenagearem José Afonso, o DIÁRIO AS BEIRAS falou com Rui Pato, o músico e médico que, com o poeta e cantor, escreveu uma página fundamental na história da cultura contemporânea em Portugal. Um novo canto que abriu caminho a muito e a muitos dos que cantaram e, assim, anteciparam a liberdade.


Como é que aconteceu o encontro entre Rui Pato, então um jovem estudante de liceu, e José Afonso?

Estávamos no início dos anos 60 e eu já tocava viola num grupo de fados no Liceu D. João III (actual Escola Secundária José Falcão), de que faziam parte Francisco Martins, guitarrista, mas também Carlos Encarnação, num grupo de jovens da média burguesia da cidade que aprendiam a tocar viola e guitarra, no qual eu me incluía e que era patrocinado de alguma forma por António Portugal. Portanto, eu tinha já alguma prática no acompanhamento de cantores, além de ser também um autodidacta de viola clássica, com uma prática e um saber que era pouco habitual naquela altura, em Coimbra. O Zeca Afonso era amigo do meu pai [Rocha Pato, jornalista e chefe da Delegação de Coimbra do 1.º de Janeiro], que conhecia toda a gente do fado, na tertúlia da Brasileira, na Baixa. Quando o Zeca, já depois da sua passagem em Coimbra, como estudante e cantor do fado tradicional, já professor, regressa a Coimbra para mostrar aos amigos um modelo novo de canções, vai ter à Brasileira. Mas para se ouvirem as coisas novas era necessário um acompanhante à viola. Como eu tocava viola e o meu pai o lembrou, foram todos para minha casa para o Zeca mostrar as suas primeiras canções. E foi então que eu ouvi pela primeira vez as coisas novas do Zeca, que fui acompanhando à viola de uma maneira de que ele gostou. E pronto, nasceu ali a ideia de passar a acompanhar o Zeca Afonso, o que aconteceu logo até num primeiro disco, que também foi sugerido na altura.
E esse foi o momento em que apareceu o canto novo e se cimentou a sua ligação a José Afonso?
Exactamente. As canções que o Zeca cantou foram algumas das que depois se transformaram em símbolos, como “Os vampiros”, “O meu menino é de oiro”, “Tenho barcos, tenho remos”, aquelas primeiras coisas que ele gravou, que eu acompanhei, e que depois se transformaram em grandes sucessos. Seguiram-se um segundo disco e um terceiro. Comecei depois a acompanhar o Zeca em espectáculos um pouco por todo o país, o que aconteceu entre 1963 e 1969, na altura da crise académica. Ainda antes, por altura de 1965, comecei também a acompanhar o Adriano [Correia de Oliveira], o que voltou a acontecer com o António Portugal, o Pinho Brojo, o António Bernardino, numa actividade quase febril.


A crise académica veio quebrar essa ligação?

Chegamos a 1969 e como eu era dirigente académico fui castigado, foi-me retirada a possibilidade de ir para o estrangeiro e, por isso, não pude acompanhar o Zeca que começou a gravar lá fora em condições completamente diferentes daquelas que tinha em Portugal. Mas continuei a acompanhar o Adriano em 1969, em 70, ainda gravei com ele “O canto e as armas”, com poemas de Manuel Alegre. Em 70, 71, 72 ainda acompanhei o Adriano, ainda fiz várias coisas com o António Portugal, com o Brojo. Depois disso, quando me formei em Medicina, em 1972, dediquei-me ao exercício da profissão e só muito raramente fazia música, o que voltou a acontecer com o Adriano numa Festa do Avante e, depois, a pedido do Zeca, no seu último concerto no Coliseu, onde eu o acompanhei em três temas dos seus mais antigos.
Depois a medicina acabou por triunfar, embora a música continue a fazer parte da sua vida?
Exactamente, sempre. Eu costumo dizer que médicos há muitos… e não é só pelo gosto que eu tenho pela viola e pela música. É também porque eu considero que qualquer actividade profissional – e muito mais a medicina – beneficia se tivermos um outro interesse, de preferência ligado à arte, a música, a pintura, a escrita. Um médico que não faça mais nada para além da medicina é um homem limitado e, talvez por isso, há tantos médicos escritores, músicos, pintores.


E, de facto, há muitos médicos ligados às artes.

Sim. Também porque esta é uma profissão que tem uma grande componente humanista, um grande contacto com a realidade, com a tristeza, mas também com a alegria… o que nos enriquece bastante. Portanto eu, não digo que todos os dias pego na viola, sobretudo agora com a responsabilidade do conselho da administração [do Centro Hospitalar de Coimbra], mas tenho as violas sempre à mão. E quando me libertar de tudo isto e me aposentar, tenho um grupo de amigos que continuam a tocar e que eu vou passar a acompanhar mais, porque considero ser enriquecedor.


O que é que guarda daquele momento fundamental que foi o nascer de uma nova canção?

Claramente. Mas – e eu costumo dizer isto muitas vezes – só mais tarde é que soube que estava a viver um momento histórico quando comecei a acompanhar o Zeca. Eu na altura não me apercebi da dimensão do momento que estávamos a viver, o que aconteceu também com muitos dos seus amigos, com excepção talvez para um ou outro mais clarividente. E entre os amigos que mais lidavam com o Zeca na Brasileira estavam o Abílio Hernandez Cardoso, o Rainho, o Pedro Olaio, outras pessoas que já faleceram, como o meu pai, o sr. Amado, que tinha a Casa Amado em frente à Brasileira… Havia ali um grupo de amigos, também alguns estudantes quase ainda do tempo dele, que estavam nos Kágados e na Baco, repúblicas onde o Zeca Ficava quando vinha a Coimbra, a quem ele mostrava estas coisas novas. O facto é que as pessoas ligadas à música em Coimbra ainda estavam numa fase muito tradicionalista, mesmo os que mais tarde evoluíram e deram importantes passos em frente, como o António Portugal. O que aconteceu com as novas canções do Zeca foi um choque muito grande.


Numa cidade fechada…

Numa Coimbra ainda quase medieval, onde não se fazia mais nada a não ser o cantar melancólico das serenatas, aparecer alguém a cantar “o meu menino é d’oiro” ou “os meninos do Bairro Negro”… É evidente que o Zeca partia de uma cultura, no meu entender, francesa, de um Léo Ferré, do Georges Brassens, do Brel. Ou seja, de um contexto já com uma intenção que não havia em Coimbra, embora houvesse já esboços, nomeadamente no Edmundo Bettencourt e até no Fernando Machado Soares. Portanto, em Coimbra, naquela altura, ninguém levou o Zeca muito a sério, embora alguns achassem que aquilo era interessante e que era preciso ser gravado. E quando o disco saiu foi um pouco um escândalo em Coimbra, precisamente porque na capa dizia “Dr. José Afonso: Baladas de Coimbra”. Então quase caiu a Torre, numa tal afronta à tradição.


Qual foi o momento de viragem na aceitação à música nova de Zeca Afonso?

Com o segundo disco, com “Os vampiros”, com o “Menino do Bairro Negro”, começaram os intelectuais de esquerda e os movimentos operários, sobretudo da margem Sul do Tejo, a convidá-lo, o que acontece também nos saraus das crises académicas, em sessões de canto, num claro apoio da esquerda. E nessa altura fomos imediatamente conotados com uma canção de combate, eu passei a sentir a minha viola como uma arma, uma força de combate.


E Coimbra, entretanto?

Coimbra ignorou completamente Zeca Afonso. Também porque, na altura, era a direita que dominava a Associação Académica. Só quando a esquerda ganhou a AAC e começou a fazer os seus saraus é que Zeca começou a vir a Coimbra, o que aconteceu muito pouco. Eu lembro-me de tocar com ele uma vez num sarau no Teatro Avenida e outra vez no ginásio [actual cantina dos grelhados] do Jardim da AAC [momento que a foto da página 2 documenta].


E a sua percepção da importância que tudo aquilo tinha?

Isso apenas aconteceu um ano ou dois depois de eu acompanhar o Zeca. Só então percebi a importância do canto do Zeca e da minha própria contribuição para ele. Porque o que aconteceu foi mostrar um novo modelo de acompanhamento, um instrumento muito discreto que serve quase só para sublinhar o poema.


Porque o que se queria dizer é que era importante?

Exactamente. E essa não era a prática dos acompanhantes, à guitarra e à viola, na altura. E eu, de uma maneira muito intuitiva, consegui responder a esse desafio que acabou por ser pioneiro num modelo de acompanhamento. Paralelamente a tudo isto, o Zeca foi também para mim um educador. O Zeca era um homem diferente, com um sentido de humor extraordinário, as suas histórias, as suas distracções patológicas, com uma preocupação sincera para que os seus amigos evoluíssem, ele trazia livros, emprestava-os, discos. Por isso também, o Zeca contribuiu muito para a minha formação cultural e política, embora o meu pai e o meu avô já fossem homens de esquerda.
José Afonso “foi o bandeirante de uma grande aventura”


O que é que Portugal deve a Zeca Afonso?

Deve muito. O Zeca foi o homem que contribuiu decisivamente – e não tem outro a par dele – para uma revolução cultural naquilo que era a música portuguesa. E isto é reconhecido por toda a gente. Não há nenhum músico, nenhum grande cantor, nenhum grande poeta cujo despertar para uma nova música, para uma nova canção, não tenha partido do Zeca, que foi o grande ousado, o que deu o primeiro passo. Ele é que foi o bandeirante desta grande aventura. Havia muitos – que depois nós fomos conhecendo – que vieram a assumir-se naquela linha de inovação, mas apenas depois do Zeca o ter feito. Havia um caminho que não tinha sido ainda desbravado. E foi o Zeca quem o fez e quem conduziu muitos dos que fazem hoje uma página fundamental da história da música portuguesa.


E em que é que devemos guardar José Afonso?

Eu tenho dito muitas vezes e vou continuar a dizê-lo. A grande homenagem que se pode prestar a José Afonso é não deixar que a sua obra morra. E a intemporalidade dos seus poemas e das suas músicas tem-se demonstrado até com a adesão de muitos jovens músicos. A melhor homenagem é continuar a cantar com o Zeca. Que os nossos filhos e que os nossos netos continuem a conhecer a sua obra e continuem a cantar “venham mais cinco”. O pior que pode acontecer a um artista é deixar cair a sua obra no esquecimento. E nós, com o Zeca, corremos esse risco aqui há uns anos. Houve uma altura em que ele passou por cantor maldito, de novo, porque já tinha acontecido no tempo do fascismo. Mas depois, mesmo após o 25 de Abril, houve de novo esse estigma, depois a sua doença, toda essa situação fez com que ele tivesse passado um pouco por uma fase de Lua nova, não se via, mas existia. Entretanto, os músicos de Lisboa organizaram aquele belo momento de reabilitação, com o lançamento de um disco em que variadíssimos artistas cantaram músicas do Zeca. Agora, quer sejam portugueses, quer sejam espanhóis, há muita gente a cantar Zeca Afonso. E essa é que é a grande homenagem que se lhe pode e deve fazer, independentemente de tudo o que possa fazer-se em sua memória, como o programa que está agora a acontecer em Coimbra.


E Coimbra estará, para sempre, ligada a José Afonso?

Sem dúvida. E o Zeca, embora tivesse havido um tempo em que teve dificuldade em o reconhecer, mais tarde acabou por reconhecê-lo e voltar um pouco às suas origens. Sobretudo com o lançamento daquele disco de fados de Coimbra. Aquilo foi quase o tentar fazer as pazes com uma altura em que ele tentou demarcar-se de Coimbra e do que por cá se fazia. Embora ele tenha sido sempre muito crítico e tenha feito a sua crítica à cidade com uma ironia muito própria, muito dele, a esta Coimbra que andava toda à volta da Torre, à volta de uma espécie de aristocracia universitária, muito provinciana. Mas, de facto, foi em Coimbra que José Afonso nasceu como cantor, foi aqui que apendeu muito, também com o seu contacto com os futricas da cidade, com a Alta, com a Baixa. Quando falávamos com ele, a conversa acabava sempre no Mário do café tal, no tipo que vendia cautelas na Baixa, no sapateiro da rua x… Ele tinha um repositório extraordinário de figuras de Coimbra, da Coimbra de sempre e adorava recordá-las e revivê-las.

Lídia Pereira

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Bob DylanJoan BaezManuscritosRui Pato
28/07/2008By AJA

Zeca falha encontro com Bob Dylan

Por solidariedade para com a crise académica de 69, em Coimbra, José Afonso rejeitou um convite de Joaquin Diaz para participar num Festival em que estariam igualmente presentes Joan Baez e Bob Dylan, entre outros.

A prova acaba de me ser enviada por Rui Pato na forma de um postal que José Afonso lhe enviou.

A data é de 2 de Março de 1969 e, dado que a crise académica me “retirou da circulação” em Junho… Não compareci e o Zeca também não. Até hoje, estou convencido que foi por solidariedade para com a nossa causa.

Tanto quanto julgo saber esta é a primeira vez que este facto vem a público.

Colaboração de Rui Pato

Retirado daqui

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Rui Pato
29/07/2007By AJA

Entrevista a Rui Pato

Parte de uma entrevista a Rui Pato, por Dora Loureiro, no suplemento “Olá Gente” do Diário as Beiras de sexta-feira passada. Foto de Carlos Constantino.

Retirado do blog http://guitarradecoimbra.blogspot.com/

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FotografiaRui Pato
26/07/2007By AJA

Rui Pato e José Afonso

Data – ?

Local – ?

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Rui Pato
23/02/2007By AJA

…olha enfia a carapuça…

Escreveu-me Assis Pacheco, também já falecido no 10º aniversário da morte do Zeca em 1987: ” O Zeca morto começa a ser pasto para a vampiragem oratória, e nalguns casos é óptimo, oportuno, bem-vindo investimento emocional. Eu também suspeitava que isto ia acontecer.” ( fim de citação)

Rui Pato

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Rui PatoTestemunhos
10/02/2006By AJA

Ensaios na «Brasileira»

Conheci o Zeca nos meus 16 anos, tinha ele 33, já licenciado em Letras, a leccionar em Mangualde, mas aproveitando todas as folgas para vir a Coimbra, ansioso por mostrar aos amigos as suas últimas baladas.
Até essa altura, a sua actividade musical tinha sido, na década de 50 e princípio da de 60, a de um estudante com boa voz, que cantava no Orfeão e que, juntamente com o Rolim, Machado Soares, Goes, Levy Baptista, Lopes de Almeida, Portugal, Brojo e outros, se agrupavam para executar fados e guitarradas, actuando quer em espectáculos do Orfeão, quer em espectáculos da Tuna, quer em serenatas e, de vez em quando, para a gravação de um disco de fados.
Eu ouvi o seu nome, as primeiras vezes, ao meu pai que, como jornalista em Coimbra, fazia questão de viver intensamente a vida coimbrã, saltitando das tertúlias futrico-intelectuais para as académicas. E nestas últimas pontificava o Zeca, como o seu bom humor, com as suas permanentes distracções e com uma irreverência intelectual a que chamavam de «existencialista». Mais tarde, já com os meus 12 anos, ao tentar a minha sorte como aprendiz de fadista, acompanhando à viola rapazes da minha idade em guitarradas e fados, o nome do Zeca vinha à baila, a propósito dos fados que ele cantava como ninguém (os «Contos Velhinhos», «Aquela Moça da Aldeia», etc, etc.) e que nós tentávamos imitar no seu jeito de voz «caprina», como dizia o Menano. Mas em 1962, ano tumultuado em Coimbra, com a Academia envolvida numa das mais violentas crises estudantis, o Zeca, já cansado com aquilo a que chamou a «quinquilharia passadista do velho romantismo do Penedo», sempre que podia, vinha a Coimbra para sentir esse fervilhar das novas gerações.
Começa assim a sua fase de ruptura com aquilo que mais o tinha ligado até então à cidade, «o tanger dos bordões da viola, as casas de prego, as bicas nos cafés da Baixa e as arengas dos teóricos da bola».
Possuía, além disso, um profundo conhecimento do grave problema colonial, porque, além de ter em Moçambique muita família, fez algumas digressões com a Tuna e com o Orfeão às colónias. Era, também, um tempo de separação dolorosa com a mulher que lhe tinha dado os seus primeiros dois filhos.
É neste contexto de viragem, caldeada com muita angústia, que conheço o Zeca. A sua mudança deveu-se, no meu entender, ao seu amadurecimento intelectual, às profundas marcas deixadas pela desilusão afectiva, às mudanças do ambiente coimbrão, à desilusão dos primeiros anos de docência, às notícias de África e, muito principalmente, ao contacto com novos amigos como o Barahona, a Luísa Neto Jorge, o Luís Andrade, o Bronze, o Pité e tantos outros.
Ele vinha de Mangualde a Coimbra para mostrar aos amigos um outro tipo de música, sem o «espartilho da Guitarra de Coimbra» [com letra maiúscula no original], com uma grande liberdade rítmica e que necessitava apenas de uns leves acordes de viola para sublinhar o poema que era o mais importante da canção.
Assim nasce «Menino de Oiro», «Tenho Barcos, Tenho Remos», «Os Vampiros», «O Senhor Poeta», etc., ensaios muitas vezes feitos no segundo andar do Café Brasileira, ou em minha casa ou em qualquer República onde ele tinha o estatuto de «livre trânsito» quando vinha a Coimbra e necessitava de dormir.
Conseguiram-se os dois primeiros EP que tanto escândalo provocaram nos meus «amigos do fado». Foi considerado uma afronta à tradição. Mas os meios intelectuais e os meios operários de esquerda logo nos aproveitaram para saraus mais ou menos clandestinos. Zeca vai tentando o ensino, saltitando, depois de Mangualde para Aljustrel, Lagos, Faro, Alcobaça e de novo Faro.
Os ensaios eram poucos, feitos quase sempre nas férias. Foi a minha primeira oportunidade de conhecer o Algarve: em 1963, fiquei uma semana na sua casa, no n.º 68 da Rua Duarte Pacheco, em Faro. Partíamos de manhã com destino à ilha do Farol ou da Armona, de barco com a viola e uma ração de duas sanduíches e duas meloas. Quando eu não podia ir ter com ele, vinha ele a Coimbra à boleia ou então apanhava o comboio até à estação para a qual o pouco dinheiro que dispunha dava – «venda-me um bilhete de 60 escudos em segunda classe em direcção ao norte» -, fazendo o resto à boleia ou a pé e cá chegava cheio de fome, sem um tostão no bolso, e com um bornal com uma muda de roupa, alguns medicamentos e muitos livros.
Negociávamos, na altura, um contrato com a Rapsódia, que lhe desse alguma estabilidade económica. O Zeca pretendia quatro contos por mês e cinco por cento na percentagem das vendas. Mas partiu em Agosto de 1964 para África, sem conseguir esse «fabuloso contrato», mas feliz com o seu recente casamento com a Zélia. São dois anos em que semanalmente escreve para minha casa, com o remetente «caixa postal n.º 50-Beira», cartas repletas das suas próprias contradições, da sua instabilidade, mas cheias de notícias dessa África em ebulição. Terminavam sempre com o envio de abraços para o Serrano, Abílio, Rui Mendes e para toda a malta.
«Quero aí chegar a tempo de mandar rufar os tambores que para o efeito tenho ensaiados e ouvir o coro que ressuscitará o Lázaro do seu túmulo», escrevia ele em Março de 1965. E veio, pois em 1967 acabou por ser expulso de Moçambique por vários problemas com a administração colonial.
Volta e vai para Setúbal. Manda-me cassetes com as últimas músicas. Vou até Setúbal, de vez em quando, ficando aboletado na casa dele, na Quinta do Montalvão, lote 5-2.º esquerdo, com a Zélia e já com a sua terceira filha, a Joana, muito pequenita.
Mais dois LP e muitos espectáculos – Almada, Barreiro, Seixal, Vila Franca, Marinha Grande, etc., sempre casas cheias de gente de oposição ao regime da altura, muitos operários e estudantes, a PIDE a pairar e, por vezes, a intervir.
Entretanto, junta-se a nós o Adriano, o Manuel Freire, o Fanhais e outros que não me recordo. É bastante difícil avaliar o impacte que o contacto com figuras como o Zeca, o Adriano, o António Portugal, entre os 16 e os 20 e poucos anos, tem na formação da personalidade de um adolescente. Nessa altura, eu não tinha a noção da dimensão humana e intelectual desses amigos. O meu desgosto é ter tido uma fortuna enorme em ter amigos desse quilate e, na altura, sem a noção desse valor, não ter agarrado cada momento, deixando até, por vezes, que a memória me falhe e tantos momentos bonitos e ricos se percam.
A partir de 1968, devido à minha situação académica e à impossibilidade de o acompanhar ao estrangeiro para as gravações, deixo de ser o acompanhante habitual. Felizmente para o Zeca, pois assim conhece o Iglésias e o Bóris (Carlos Correia) que tocavam bastante melhor do que eu. Passo a vê-lo menos vezes, mas sempre que posso estou com ele para o acompanhar ou só para o ouvir. A última vez que pego numa viola ao seu lado e a seu pedido, foi no célebre espectáculo do Coliseu, pouco antes da sua morte.
Rui Pato

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