Category: Amílcar Vasques Dias
José Afonso: “De Ouvido e Coração” em Sines

Uma abordagem “erudita” na recriação da música de José Afonso.
Concerto comentado.
CAS – Auditório | 30 de maio | 19h00 | Entrada gratuita | Mais informações
Concerto de Amílcar Vasques Dias sobre obra de José Afonso

AMÍLCAR VASQUES-DIAS
Nasceu em Badim (Monção).
Efectuou estudos superiores de Piano e de Composição, nos Conservatórios de Música do Porto e de Braga. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian e da Secretaria de Estado da Cultura para o Curso Superior de Composição Instrumental e Electroacústica no Conservatório Real de Haia, na Holanda, país onde, durante 14 anos, desenvolveu actividade artística e pedagógica como pianista e como compositor.
A sua produção engloba música de câmara instrumental e vocal, ou electroacústica, orquestra sinfónica, orquestra de metais, coro a cappella e acompanhado, obras multimédia, e música para filme e teatro. Tem recebido encomendas de várias instituições públicas e privadas holandesas e portuguesas.
Paralelamente à sua actividade de compositor, mantém actualmente projectos de fusão do piano “erudito” com músicas tradicionais, como o cante alentejano, o baile e o cante flamencos.
Desde 1975, dedica-se ao estudo e recriação da música de José Afonso.
A sua música tem sido tocada em vários países da Europa e da América, nomeadamente em festivais de música contemporânea: Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa), Lisboa Capital da Cultura ’94-Skite (CCB-Lisboa), Cantigas do Maio (Seixal), June in Buffalo (EUA), S. Paulo (Brasil), Astrakhan (Rússia), Manchester (UK), Capuchos ’97 (CCB-Lisboa) e Encontro do Alentejo de Música do Séc. XX.I (Évora).
Tem diversas obras registadas em vários CD’s editados na Holanda e em Portugal, e publicou recentemente o CD DESNUDO sobre “poesia feminina hispano-árabe” com Joana Machado, cantora de jazz.
Desde o seu regresso da Holanda, em 1988, foi docente nas Escolas Superiores de Música de Lisboa e do Porto, na Universidade de Aveiro e na Universidade de Évora.
É director artístico, desde 1998, do Encontro do Alentejo de Música do Séc. XX.I.
José Afonso: “de ouvido e coração”, um concerto a não perder
Palácio Foz, 21 Abril 2011, 19h
Coro da Primavera
violino e piano
Vejam bem
piano solo
Venham mais cinco
violino e piano
Cantigas do Maio
violino e piano – improviso
A Mulher da erva
violino e piano
Nana del caballo grande
(Federico Garcia Lorca)
voz e piano
Canção de embalar
Cantar alentejano
(“Catarina Eufémia”)
voz, violino e piano
Amílcar Vasques-Dias | piano/composição
Músicos convidados:
Esther Merino | “cantaora”
Luís Pacheco Cunha | violino
Música sobre música de José Afonso (1980-2010)
Fábrica Braço de Prata | 10.7.10 | Lisboa | 22H00 | Sala Nietzsche
Três belíssimos arranjos de Amílcar Vasques Dias
Luís Pacheco Cunha – violino
Amílcar Vasques Dias -piano/arranjos
Amanhã, em Lamego, no renovado Teatro Ribeiro Conceição, “Traz outro amigo também”
Homenagem a José Afonso
“De ouvido e de coração”, a criação musical de José Afonso impõe-se como património rico de invenção e desafio. Revisitar as suas canções numa perspectiva clássica é o desafio que me acompanha desde 1976, ano da estreia de “Grândola, vila morena”, para orquestra de metais, piano e contrabaixo, em Amesterdão.
Amílcar Vasques Dias
PROGRAMA
1. Traz outro amigo também
2. Coro da Primavera
3. Venham mais cinco Prelúdio para violino e piano
4. Ó que janela tão alta Canção tradicional de Trás-os-Montes
(versão de José Afonso)
5. Vejam bem poema de José Afonso/Amílcar Vasques Dias
6. Reviver um entreacto poema de José Afonso/Amílcar Vasques Dias
7. Cantigas do Maio Prelúdio para piano com violino ad libitum
8. A Mulher da erva
9. Eu fui ver a minha amada poema de José Afonso/Amílcar Vasques Dias
10. Cantar alentejano Prelúdio para violino e piano
11. Balada do sino
12. Cantiga do monte
13. Canção de embalar
14. Verdes são os campos
Carlos Guilherme
Canto
Luís Pacheco Cunha
Violino
Amílcar Vasques Dias
Composição/arranjos e piano
Persistências – Da importância da música de José Afonso na Holanda
Esta história começa em 1972…
Nesse ano, num dia em Janeiro, uma orquestra holande
sa de instrumentos de sopro nascia em Amsterdão. O nome que adoptaram foi o título da sua primeira composição: ‘De Volharding’. Em tradução literal, qualquer coisa como ‘Perseverança’ ou ‘Persistência’.
Tocavam em tudo o que era manifestações de rua, fosse contra a guerra do Vietnam, pela democratização da universidade ou a favor do aborto. De acordo com a sua filosofia o grupo dirigia-se a si mesmo e não obedecia a dirigentes…
Vinte anos mais tarde, a orquestra ainda existe. Com outros membros, é certo (da formação original, mais não restam do que dois ou três nomes), continuando a tocar temas que fizeram (a sua) história.
Entre os mais conhecidos, alguns que nos são particularmente gratos. Estão neste caso, ‘Grândola’ e ‘Coro da Primavera’. E é aqui que entra o Zeca…
Porque isso aconteceu, já todos os leitores estão neste momento a imaginar. . .
Até 1974, Portugal ‘não existia’ nos meios de informação holandeses.
Para além dos ‘heróis’ nacionais da época (que incluíam símbolos como Fátima, Salazar e Eusébio), parcas eram as referências na imprensa local ao nosso país.
A partir desse ano, e pelas razões que muitos de nós persistem em não esquecer, ‘surgiu’ mais um país no mapa da Europa democrática. Indelevelmente ligado a esse ano e data histórica estava uma canção que passou a fazer parte do património cultural da resistência e solidariedade holandesa. Não passava semana, que a televisão não transmitisse imagens do nosso país, invariavelmente acompanhadas das estrofes da ‘Grândola’.
Na verdade, a canção chegaria à Holanda muito antes do Zeca… Este passaria (praticamente despercebido) pelo circuito emigrante de Amsterdão na sua primeira visita àquela cidade em Setembro de 1974 e, só quase dois anos mais tarde, cantaria pela primeira vez para o público holandês.
Nessa altura, perante uma assistência de 5.000 espectadores que, de braço dado e a uma temperatura ambiente de 13 graus negativos, repetiram as estrofes da canção obrigando o cantor a actuar em dois palcos na mesma noite do Festival da Contra-Cultura, em Utrechí.
Com ‘Grândola’ eleito hino da ‘resistência europeia’, a popularidade da música portuguesa não parou de aumentar…
É aqui que entra o Amilcar.
AMILCAR VASQUES DIAS
Chegado à Holanda em 1974, Amilcar Vasques Dias – um
estudante-compositor de música contemporânea – cedo entraria em contacto com o circuito musical holandês. Aí conheceria Louis Andriessen, fundador e principal impulsionador do ‘De Volharding’, através de quem chegaria àorquestra com quem começou a trabalhar.
Amilcar é convidado a fazer arranjos de composições do Zeca para o ‘De Volharding’, que serão gravadas posteriormente. Datam desse período, as gravações de ‘Grândola’ e ‘Coro da Primavera’ e, posteriormente, ‘Amor Militante’ baseado num poema de Manuel Alegre.
Mais tarde, já com José Afonso doente e durante um concerto de homenagem que lhe foi feito no ‘Melkweg’ de Amsterdão (Abril de 1985), e que juntou mais de 50 artistas em palco, lá estavam, lado a lado, a orquestra ‘De Volharding’ e o Amilcar, que tocou piano nessa noite…




