Prémio José Afonso 2011
Já é conhecido o vencedor do Prémio José Afonso 2011.
O júri, constituído pelo vereador da cultura da Câmara da Amadora, António Moreira, pela pianista Olga Prats, pelo compositor Sérgio Azevedo e pela chefe da divisão de Intervenção Cultural da Câmara, Vanda Santos, decidiu, por unanimidade, conceder o Prémio José Afonso 2011 ao álbum “Dois selos e um carimbo”, dos Deolinda.
Este CD foi o escolhido de entre uma “short-list” de 10 álbuns, por sua vez retirada das várias dezenas de discos publicados em 2010 que se integram nas premissas do Prémio. Todos os discos foram ouvidos e analisados pelo júri.
“short-list” (por ordem alfabética do 1.º nome do autor):
1. Anaquim: “As vidas dos outros”
2. António Zambujo: “Guia”
3. Arrefole: “Veículo climatizado”
4. Camané: “Do amor e dos dias”
5. Deolinda: “Dois selos e um carimbo”
6. Flor-de-Lis: “Signo solar”
7. Joana Amendoeira: “Sétimo fado”
8. Júlio Pereira: “Graffiti”
9. Lula Pena: “Troubadour”
10. Mariza: “Fado tradicional”
Para os membros do júri, o álbum “Dois selos e um carimbo”, dos Deolinda, vem confirmar e expandir, após o merecido sucesso do primeiro CD em 2008, as já evidentes qualidades deste grupo em plena ascensão: requinte das melodias e dos arranjos, que fundem habilmente várias influências num todo original mas genuinamente português, ótima interpretação instrumental e vocal, e pertinência e atualidade das letras (que se traduzem numa poesia crítica inteligente e plena de humor), qualidades a que se juntam a inovação e individualidade musical e a cuidada produção sonora e gráfica do álbum.
Sobre o Prémio José Afonso 2011
Este prémio, instituído pela autarquia em 1988, pretende homenagear Zeca Afonso, um dos mais importantes cantores portugueses do século XX, conhecido pela luta contra a ditadura e pelo célebre tema “Grândola Vila Morena”, ícone da Revolução dos Cravos e da Liberdade.
Com esta iniciativa, o município procura ainda incentivar a criação musical de raiz portuguesa, bem como fomentar o turismo e a cultura na cidade da Amadora.


Com mais de dois anos de atraso, a Câmara Municipal da Amadora anunciou finalmente qual o disco distinguido com o Premio José Afonso referente à colheita discográfica de 2008. E o escolhido foi… “Chão”, da Mafalda Veiga. Confrontada com a notícia, a cantora mostrou-se surpreendida (vide artigo do Hardmúsica). O escrevente destas linhas comunga inteiramente de tal surpresa. Mais que surpresa: estupefacção e perplexidade. E porquê? Porque “Chão” está muito longe de ser um disco «cujos temas tenham como referência a Cultura e a História portuguesas, tal como a obra do autor de “Grândola, Vila Morena”» (nos termos do regulamento instituidor). Na verdade, o mais recente registo de Mafalda Veiga navega em águas muito diferentes – quase antagónicas – do legado estético de José Afonso e, se quisermos, da música popular portuguesa de raiz/inspiração tradicional, de que o autor de “Cantares do Andarilho” foi o grande percursor e impulsionador em Portugal. Mas mesmo que nos abstraíssemos deste requisito (coisa que não me parece razoável por deturpar o espírito e os objectivos de quem instituiu o Prémio), e quiséssemos considerar todos os discos de música portuguesa (fora da área erudita) lançados em 2008, ainda assim o CD “Chão” ficaria a perder para muitos outros álbuns.
Mafalda Veiga, distinguida com o Prémio José Afonso, no valor de cinco mil euros, pelo álbum “Chão” editado o ano passado, afirmou-se hoje “surpreendida e honrada” pelo galardão. “É um prémio muito importante, um motivo de orgulho e uma alegria, sinto-me feliz”, disse a cantora e compositora.