A música de José Afonso em Évora
Mais informação: Blogue Do Imaginário

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Com o patrocínio da Câmara Municipal de Portimão e o apoio do TEMPO- Teatro Municipal de Portimão, no dia 24 de Abril de 2012 pelas 21h30 terá lugar um espectáculo comemorativo do XXXVIII aniversário do 25 de Abril com a prestação de Ondina Santos, Tuniko Goulart, João Rocha, Vasco Ramalho, Tiago Sequeira, piano e o coro do Conservatório de Portimão-Joly Braga Santos, que interpretarão temas do repertório de Zeca Afonso .
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Inauguração da Exposição “Desta Canção que Apeteço”, obra discográfica de José Afonso 1953/1985, em Viana do Castelo, com o apoio da Câmara Municipal.
A sessão contou com uma visita guiada pela Helena Carmo, em nome da AJA, falou o sócio fundador da AJA, Otelo Saraiva de Carvalho e pela Câmara Municipal, a Dra. Maria José Guerreiro, vereadora da cultura, do Município de Viana do Castelo.
No ano em que se completam 25 anos sobre o falecimento de Zeca Afonso, professores e alunos do Externato Infante D. Henrique prepararam um espetáculo/tributo que sobe ao palco do auditório da Alfacoop no próximo dia 24 de abril, às 21H30.
O número de participantes é limitado ao espaço físico. Os bilhetes de ingresso estão à venda, ao preço de 1 euro. A receita será integralmente entregue à Cáritas Diocesana de Braga.
A Câmara Municipal de Valença e o Ayuntamiento de Tui promovem o concerto “Amigos Maiores que o Pensamento”, de Tributo a Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, 1 de Maio, no Teatro Municipal de Tui, às 18h00.
Um concerto do grupo Canto D’Aqui, Sopros de Zeca e Coro da Ass. Pais Cons. Gulbenkian e Coral Polifónico de São Teotónio de Valença que pretende recordar os versos e a música de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira. A direção musical estará a cargo de Filipe Cunha.
A ideia é resgatar do esquecimento a vasta obra destes dois homens e divulgar junto de uma nova geração as canções que deram o alento às lutas de um Portugal passado e que continuam hoje tão pertinentes. “José Afonso e Adriano Cor reia de Oliveira foram exemplos de cidadania política, cultural e social. Tinham uma capacidade de intervenção indiscutível que, ainda hoje, pode e deve servir de estímulo para todos quantos não abdicam das causas da liberdade e da dignidade humana”, pode ler-se no Manifesto dos Amigos Maiores.
Este concerto enquadra-se nas comemorações do 25 de Abril que a Câmara Municipal de Valença vai promover e de que se destaca, ainda, a exposição gráfica sobre a evolução dos cartazes comemorativos ao longo dos últimos 38 anos. Ao longo de 15 painéis será possível visualizar as réplicas de cartazes que foram lançados nos mais diversos locais do país, na Galeria Contrasta que estará aberta, entre as 13h30 e as 17h00, entre 24 e 28 de Abril.
No âmbito das comemorações do 38º aniversário da revolução de 25 de Abril de 1974, realiza-se, no dia 24 de Abril, pelas 22h00, no átrio da Câmara Municipal, um concerto de musica de tributo a Adriano Correia de Oliveira e Zeca Afonso por José Flávio Martins Ensemble.
José Flávio Martins nasceu no Porto e desde muito cedo se dedicou à sua grande paixão, a música. Depois de 20 discos editados, dois temas nas novelas “Remédio Santo” e “Rosa Fogo”, de concertos realizados em Portugal nos coliseus de Lisboa e Porto, nos teatros de S. Luís, Carlos Alberto, S. João, Sá da Bandeira, Batalha, Rivoli e Vila Flor, na Casa da música, Casa das artes, no Estádio de Alvalade e ainda um pouco por todo o mundo (Brasil, Espanha, França, Bélgica, Holanda, Dinamarca, México, Estados Unidos e Mali, José Flávio Ensemble apresenta um espetáculo cheio de energia e misticismo, onde faz uma retrospetiva de toda a sua obra, incluindo ainda alguns inéditos. Do grupo fazem, ainda, parte: Zara Maia – Voz, Nelson Silva – Teclados e programações, Carlos Pinto Pereira – Clarinete, Ferrer Leandro – Guitarra acústica e Bandolim, Paulo Coelho de Castro – Percussão.
Apresentação da obra literária “Adriano Correia de Oliveira, 1942-1982 Um trovador da Liberdade” e Sessão Solene da Assembleia Municipal marcam também a efeméride.
No mesmo dia, e antecedendo ao espetáculo musical, decorre, a partir das 21h00, a apresentação da obra literária “Adriano Correia de Oliveira, 1942-1982 Um trovador da Liberdade”, da autoria de Mário Correia.
No dia 25 de Abril, a partir das 11h00, decorre, nos Paços do Concelho, a habitual Sessão Solene da Assembleia Municipal, numa cerimónia que junta o executivo municipal, os representantes dos partidos políticos com assento na Assembleia Municipal, Presidentes de Junta de Freguesia, entre outras entidades militares e civis do concelho.

Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror
Como Sophia de Mello Breyner… a Associação José Afonso quer dizer – vos, companheiro(a)os da ES.COL.A – Espaço Colectivo Auto-Gestionado do Alto da Fontinha (Porto), que não ignoramos os caminhos da injustiça nem a linguagem do terror.
Um espaço público de conhecimento não pode estar abandonado e fechado à população. Por isso, quem quer fazer dele um lugar de amizade, saber e solidariedade tem o nosso inteiro apoio!
Seguramente, como o Zeca o faria se andasse por aqui, queremos dizer-vos que estamos aí convosco, porque continua a fazer falta “avisar, agitar…dar poder à malta”!
Forte Abraço Solidário,
Pela ASSOCIAÇÃO JOSÉ AFONSO,
Francisco Fanhais (Presidente da Direcção)
Paulo Esperança (Vice-presidente)
Ana Afonso (AJA norte)
São vários momentos a celebrar a Revolução dos Cravos e um dos seus ícones, Zeca Afonso, desaparecido há 25 anos. A exultação começa na véspera do feriado, a 24 de Abril, com uma noite de Fados de Coimbra (21h30) no Auditório Municipal Padre Bento da Guia. Sobe ao palco o grupo o sexteto “Brisa Beirã”, com José Figueiredo e Tiago Santos na Guitarra de Coimbra, Zéni Abreu e Francisco Oliveira na viola de Fado de Coimbra e Fernando Magueta e Paulo Pires na voz. A entrada é livre.
No Dia da Liberdade, 25 de Abril, a autarquia comemora a efeméride e a voz maior de José Afonso. As celebrações têm início às 9h00 com a abertura da exposição “Coimbra 69” ao som de música de intervenção do poeta cantor. Tudo no átrio dos Paços do Concelho.
Depois, a partir das 9h30, o Pedaladas – Clube de Cicloturismo mete-se à estrada para o Passeio do 25 de Abril. A partida é em frente à Câmara Municipal.
Finalmente, o louvor à Liberdade acontece no Salão Nobre. Haverá içar das bandeiras (11h00) e hino nacional com guarda de honra dos Bombeiros Voluntários; sessão solene pela Assembleia Municipal (11h30); e comunicações de evocação a José Afonso.
Realiza-se na próxima terça-feira, dia 24 de abril, às 22h30, um espetáculo de homenagem ao 25 de abril e a Zeca Afonso, no Mar Alto (Nazaré).
Organização conjunta do Circulo Cultural Mar Alto e Câmara Municipal da Nazaré.
Couple Coffee cantam Zeca Afonso no B.Leza
25 abril | 22h30
B. Leza | Cais da Ribeira Nova, Armazém B, Lisboa
Entrada: 5€
“25 Anos, homenagem ao músico Zeca Afonso” é o nome do ciclo de três espectáculos/concertos comemorativos que a Sociedade Filarmónica Gualdim Pais, em Tomar, apresentou na segunda-feira, 16 de Abril. De acordo com Bruno Graça, presidente da direcção, a natureza destes eventos assenta na necessidade de integrar, num só espectáculo, as várias vertentes de formação artística da instituição.
“Zeca Afonso foi um homem que durante muito tempo foi seguido e silenciado e que hoje é aceite quer no panorama musical português, quer no movimento associativo. É o ideal para avançarmos com esta ideia integradora”, disse Bruno Graça, acompanhado por Pedro Correia, coordenador das áreas corais, e Paula Lança, directora pedagógica da Escola de Dança.
Todos os espectáculos vão ter como palco o Cine-Teatro Paraíso, sala cedida pela autarquia. O primeiro espectáculo tem lugar no dia 25 de Abril, pelas 17h00, um concerto pela Banda Filarmónica da Sociedade Gualdim Pais com a intervenção do Coro Adulto, que vai incidir na música de Zeca Afonso, embora os temas tenham sido arranjados musicalmente.
No dia 4 de Maio, pelas 21h00, tem lugar um espectáculo das Escolas Vocacionais de Música e Dança que envolve mais de 150 crianças com idades entre os 10 e os 16 anos. No dia 6 de Maio, pelas 17h00, tem lugar um espectáculo profissional de música coral e instrumental, pelos professores da instituição e pelo recém formado grupo Prisma Coral. As entradas são livres.
No próximo dia 24 e 25 de Abril a AJA – Núcleo Região de Aveiro, irá celebrar/comemorar o 25 de Abril na nossa cidade.
No dia 24 de Abril, às 22 horas e 30 minutos no Auditório do Mercado Negro, com entrada de 3 euros, teremos o prazer de apresentar O CANTO DE INTERVENÇÃO.
“O núcleo do Norte da Associação José Afonso apresenta “O Canto de Intervenção”, uma sessão com música, referências históricas, momentos de poesia e projecção de imagens. Nesta sessão, será percorrida a história do Canto de Intervenção fundamentalmente em Portugal, mas também noutras partes do mundo, contextualizando o papel dos cantautores na música e na sociedade e interpretando algumas das suas músicas e poesias mais marcantes.”
No dia 25 de Abril, às 16 horas no Guesthouse Bar, com entrada Livre, iremos passar dois documentários:
“Foi na Cidade do Sado” de João Pires
“À Procura do Socialismo” de Alípio de Freitas e Mário Lindolfo

Dia 24 de Abril às 21h30m, no moinho da rua da Ponte Velha, na Associação dos Amigos do Sanguinhedo, tertúlia «Duas de treta sobre Zeca Afonso». Com a presença de músicos, declamadores e amigos pessoais do cantautor.
Organização: Associação Cultural Tirsense
Informações:
correio electrónico: gaiteiros.velha@hotmail.com
telm. 917883031
…para o lançamento do livro “Adriano Correia de Oliveira – Um trovador da liberdade” de Mário Correia.
Em Salvaterra de Minho, na Galiza.
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Na Biblioteca da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Queluz.
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Os onze álbuns do cantautor português José Afonso começam a ser reeditados a partir de segunda-feira com o lançamento de “Cantares de Andarilho” (1968) e “Contos velhos, rumos novos” (1969), os dois primeiros registos do músico.
A editora Orfeu vai reeditar, ao longo dos próximos doze meses, todos os álbuns de José Afonso publicados entre 1968 e 1981, assinalando desta forma os 25 anos da morte do compositor.
Os onze álbuns foram restaurados e remasterizados digitalmente, pelo engenheiro de som António Pinheiro da Silva, e a edição conta com novos textos que contextualizam o momento em que foram feitos no percurso de José Afonso.
Antes de gravar “Cantares de Andarilho”, em Lisboa, José Afonso gravou vários EP de baladas em Coimbra, onde estudou e se tornou num dos nomes da canção da cidade, viveu e deu aulas em Moçambique, país na altura em convulsão e onde disse ter vivido o “batismo político”.
Sem recorrer à guitarra portuguesa, e sem formação musical, José Afonso gravou “Cantares de Andarilho” com a colaboração do guitarrista Rui Pato, que o acompanharia também em várias atuações ao vivo.
O álbum, que inclui um texto de apresentação do escritor Urbano Tavares Rodrigues, tem no alinhamento temas como “Natal dos Simples”, “Canção de embalar”, “Senhora do Almortão” e “Vejam bem”, pensado originalmente para concorrer ao festival da canção de 1967.
Como o contrato com a Orfeu e com o editor Arnaldo Trindade estipulava a edição de um disco novo por ano, José Afonso editou em 1969 “Contos velhos, rumos novos”, o álbum em que se denota a influência de África e da tradição popular portuguesa.
Com Rui Pato à viola, José Afonso, então com 40 anos, acrescentou outros instrumentos, como o bombo e a harmónica, ampliando a riqueza musical das canções.
Do álbum fazem parte “Bailia”, “S. Macaio”, “Qualquer dia” e “A cidade”, canção feita com José Carlos Ary dos Santos.
De acordo com o plano editorial da Orfeu, na segunda quinzena de maio sairão “Traz outro amigo também” (1970), “Cantigas do Maio” (1971) e “Eu vou ser como a toupeira” (1972).
Durante o mês de outubro está previsto o lançamento de “Venham mais cinco” (1973), “Coro dos tribunais” (1974) e “Com as minhas tamanquinhas” (1976).
Entre março e abril de 2013, serão editados os últimos três álbuns: “Enquanto há força” (1978), “Fura fura” (1979) e “Fados de Coimbra” (1981).
José Afonso morreu a 23 de fevereiro de 1987, aos 57 anos, vítima de esclerose lateral amiotrófica.

05 de abril | 23h00 | Fábrica Braço de Prata | Lisboa
Noite de tributo a José Afonso com a presença de vários músicos entre os quais João Balula Cid, Filipe Larsen, Zézé N’Gambi, Miguel Rebelo, José Carvalho, e muitos mais.
Mais informações: http://bracodeprata.net/
Fotografias da sessão “O golpe de Beja 50 anos depois, dinamizada pelo núcleo de Grãndola.
Ontem celebrámos o nosso primeiro ano de actividade como Núcleo da AJA-Região de Aveiro. Foi uma tarde e uma noite que nos encheu a alma pela participação e o carinho que sentimos por parte daqueles que decidiram partilhar connosco este aniversário.
Desde já, agradecemos a todos os que vieram por bem…
A Associação Cultural Mercado Negro – MN – foi literalmente ocupada pela AJA Aveiro. O entusiasmo era visível e espelhava-se na interacção e na dinâmica vivida entre os convidados e os participantes do evento, a partilha de histórias e experiências acerca destes grandes Amigos, que são José Afonso e Adriano Correia de Oliveira…
Obrigado ao MN nas pessoas do João Peça e Carlos Manu por todo o apoio, ao Mário Correia pela partilha do seu livro, ao Grupo Poético de Aveiro e Ricardo Ferreira pelo belo momento que nos ofereceram com Palavras de Amigos Maiores… Aos Sabão Macaco pelo seu projecto, com influência da música tradicional portuguesa e que foram excelentes!
À noite, o Auditório do MN foi pequeno para todos aqueles que vieram assistir ao concerto do Sérgio Pericão e de Zeca Medeiros.
Agradecemos ao Sérgio Pericão, homem desta cidade, por partilhar connosco a sua bela voz e ao Hugo Alves que o acompanhou no piano.
Agradecemos ao Zeca Medeiros pela sua enorme presença e a todos que o acompanharam… Jorge A. Silva, Gil Alves, Rogério C. Pires, Manuel Rocha e Paulo Bandeira.
Não podemos deixar de agradecer àqueles que ao longo deste ano sempre nos acompanharam: MN, Guesthouse Bar, Wine Bar Morpheus, Docs Prints e ao grande amigo Alexandre Gandarinho, por toda a sua disponibilidade e trabalho de design gráfico.
Obrigado ao Diário de Aveiro pelo apoio e divulgação do evento.
Um bem hAJA!
De acordo com as normas estatutárias realizou-se no dia 24 de Março, na sede nacional da Associação José Afonso, o acto eleitoral dos novos órgãos sociais para o triénio 2012-2015.
A única lista apresentada foi eleita por voto secreto, com uma abstenção, passando os órgãos sociais da AJA a ser constituídos da seguinte forma:
DIRECÇÃO
Presidente – Francisco Fanhais (Alvito)
Vice – Presidente- Paulo Esperança (Porto)
Secretário – Teodósio Alcobia (Sintra)
Tesoureiro – António Pimenta (Azeitão)
VOGAIS:
António Sequeira (Setúbal)
Carmo Marques (Aveiro)
Francisco Pena Villar (Galiza)
João Madeira (Grândola)
João Madeira Lopes (Santarém)
José Israel Bandeira (Aveiro)
José Rodrigues (Lisboa)
Vítor Sarmento (Lisboa)
Zélia Afonso (Azeitão)
MESA DA ASSEMBLEIA GERAL
Presidente – Manuel Freire (Caldas da Rainha)
Vice – Presidente – Célia Neves (Setúbal)
Secretária – Ana Ribeiro (Porto)
CONSELHO FISCAL
Presidente – Rui Mota (Lisboa)
1º-Secretário – Henrique Marques (Azeitão)
2º-Secretário – Miguel Gouveia (Figueira da Foz)

Toda a informação sobre esta grande homenagem galega.
Uma tarde de sol fabulosa e com muito calor no centro da cidade de Aveiro – alguns foram para a praia, mas outros ficaram connosco na Associação Cultural Mercado Negro a ouvir e a falar da obra poética do Zeca Afonso.
Um agradecimento especial ao Grupo Poético de Aveiro, na pessoa de Rita Capucho, que enriqueceu a sessão com a sua voz ao declamar os poemas do Zeca, escolhidos pelo Alexandre Martins, na sua palestra “Intervenção e Surrealismo” em torno da obra poética de José Afonso.
Ao Alexandre, agradecemos a disponibilidade e entusiasmo com que partilhou connosco alguns apontamentos, retirados da sua tese de doutoramento “Reconstrução da Poética do Cantor-Autor e poeta português José Afonso (1929-1987)”, investigação inédita sobre a obra integral do cantor, quer musicada quer não musicada e concluída na Alemanha em Julho de 2011.
Os nossos agradecimentos em particular ao Marcos Lança da Guesthouse e ao João Peça do Mercado Negro que como sempre nos deram todo o apoio.
Obrigado ainda a todos os que encheram a sala e proporcionaram mais um fim de tarde de partilha, desta feita da poesia do Zeca.
Iniciativa integrada no Projecto “Amigos Maiores que o Pensamento”
No seio de um espaço pequenino mas acolhedor, passarão Sebastião Alba, Sá de Miranda e alguns outros homens de palavra!
O Pedro e a Inês vão-nos contar e dizer coisas sobre essa gente!
O caldo verde e os “bocados” de rojões acompanhados de vinho verde ajudarão a aquecer-nos o frio que o mundo actual nos impõe!
Serão 4,5 (AJAS) para tudo e, como já sabem, a “lotação” é limitada a 25 pessoas…simplesmente porque não cabem mais!
Por isso…por favor…para que ninguém chegue à porta e não possa entrar como aconteceu na primeira sessão… INSCREVAM-SE!
Saudações Solidárias,
AJA norte
TEatroensaio
No próximo dia 11 de Março (próximo domingo) temos o prazer de ter connosco Alexandre Martins da Universidade de Colónia – Alemanha. É autor de uma tese de doutoramento sobre a obra poética de José Afonso.
A sessão de debate/tertúlia é na Associação Cultural Mercado Negro, às 17 horas e 30 minutos, na sala da lareira (junto ao bar). (Associação Cultural Mercado Negro – R. João Mendonça 17, 3800 – 200 Aveiro)
Esta iniciativa é organizada pela AJA Núcleo de Aveiro e está inserida no âmbito do Projecto Amigos Maiores que o Pensamento
O projecto “Amigos maiores que o pensamento” visitou a Escola Secundária Alexandre Herculano, no Porto, para dinamizar uma sessão sobre José Afonso e Adriano Correia de Oliveira.
«Mandei-lhes um telegrama. Podes pôr isso lá no jornal?»
Olhei José Afonso ainda surpreso pelas suas palavras ciciadas quando o visitei em finais de Junho de 1986. A doença avançava a olhos vistos e fitei-o de novo sem perceber totalmente o alcance da sua pergunta.
Instantes depois tudo se esclarecia: o cantor desejava publicitar que enviara ao Presidente da Guiné-Bissau Nino Vieira um telegrama de apoio para que não fossem fuzilados os seis condenados à morte envolvidos no caso Paulo Correia. Ao tomar esta atitude, José Afonso invocou razões de humanidade e as tradições humanísticas do PAIGC fundado por Amilcar Cabral.
Mesmo aqui, na aparente dissonância em relação ao Partido no poder em Bissau, José Afonso não questionava o processo político guineense nem o apoio que mantinha em relação a todos os movimentos de libertação africanos das ex-colónias portuguesas.
De resto, a realidade colonial que conheceu de perto, sobretudo em Moçambique, foi marcante na sua formação política e até na sua música.
Sempre de costas para o poder, apenas se lhe reconhecem dois períodos, ou situações, em que lhe concedeu o seu apoio: no período de 25 de Abril a 25 de Novembro, colaborando activamente com as iniciativas da 5ª Divisão e do MFA em relação aos regimes de Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e S. Tomé. Esta postura perante os vários e sucessivos poderes, aqui e além fronteiras, é um dos aspectos mais salientes da sua obra.
Curiosamente, apenas uma vez José Afonso concede comparecer a um jantar de Estado, no Palácio da Ajuda: aquando da visita de Samora Machel a Portugal, com quem na ocasião estabelece uma breve conversa.
Era um homem em desobediência civil permanente assumindo-a no sarcasmo e na ironia com que encarava o pomposo da realidade, da vida, da morte ou do Estado.
E todo este olhar perante o mundo se desdobra em sucessivas canções desde a época coimbrã ao período pós-25 de Abril, abrindo perspectivas inovadoras na música popular portuguesa e acabando por constituir um ponto de referência política e ética para várias gerações.
Exigente em tudo o que fazia, excessivo no juizo crítico e na vigilância que impunha a si próprio, José Afonso sempre se escusou a admitir ser um mito. Em todo o caso, para além da sua vontade, ele é hoje, mais do que nunca, um mito do imaginário referencial, quer dos seus admiradores quer de quantos dele divergiam.
«Eu um mito?» – interroga-se um dia. «Só sinto que sou mito quando me falam disso. O facto é que em muitos ambientes fui bem estimado e em outros hostilizado de modo grosseiro».
Envolvido na timidez dos seus gestos e na sobriedade das suas atitudes, o autor de «Menino do Bairro Negro» tem uma infância repartida por Aveiro, onde nasceu em 1929, Angola, Moçambique, onde o pai desempenhou sucessivamente funções de Procurador da República e de Juiz.
A experiência africana infantil permanece-lhe na memória assim como a imagem do pai, de quem fica afastado largos anos, quando este parte para Timor durante a II Guerra e para Moçambique mais tarde.
Todo o espaço de liberdade e subversão transmitido pela realidade física africana transparece na sua obra e nas suas obsessões, assim como muitas das suas referências surrealizantes expressas nas suas canções.
Do pai herda o rigor ético e a pesquisa da informação cultural que passa pelos clássicos portugueses (ao fim da tarde, ele reunia os filhos – João e Zeca e Mariazinha – e lia-lhes poemas de Camões…) e por escritores como Proust e Romain Rolland. Mas para além disso, José Nepomuceno transmite ao filho José Afonso o grande prazer de conversar. «Meu pai queria que eu fosse doutor e não cantador. No final da sua vida já aceitava, quando soube que eram canções contra o regime. Mas o pai de José Afonso morreria sem nunca o ter ouvido cantar.
No quotidiano, do autor da «Canção do Medo» entravam inúmeras histórias, recordações e vivências que contava aos amigos durante largas conversas.
Conversador, contador de histórias, José Afonso não esqueceu os tempos passados em Belmonte, onde um tio lhe vestiu a farda da Mocidade Portuguesa sem lhe esconder as suas tendências salazaristas e pró-hitlerianas.
Quando José Afonso começa a cantar, em Coimbra, por volta do 6.º ano do liceu, está próximo o seu casamento com Amália, de quem vem a ter os seus dois primeiros filhos. O casal encontra dificuldades de ordem diversa e pela primeira vez o cantor experimenta na carne as agruras da vida. Matrimónio desfeito, dificuldades económicas, remete os filhos para Moçambique, onde são recebidos em casa dos pais. Sua irmã Mariazinha, a quem o liga um afecto particular, desempenha um papel particular nesta conjuntura.
Em Coimbra, José Afonso passa pelas Repúblicas, onde conhece a solidariedade e a boémia académica. Tem os primeiros contactos com clubes recreativos e joga futebol («Entreguei-me totalmente à mística da chamada Briosa»), acompanhando a Académica um pouco por toda a parte.
E canta, em serenatas, «em festarolas de aldeia, outras vezes em casa… Era um sujeito qualquer que queria convidar uns tantos estudantes de Coimbra, enchia-nos a barriga de vinho, e a malta cantava…». Nos finais dos anos 40, quando Carmona passa de comboio por Coimbra em campanha contra Norton de Matos, Zeca, de emoção, cchora que «nem um vitelo» ao ver o antigo chefe de Estado. É o tempo das boleias, da capa e batina («Porque um tipo de capa e batina era rei nas estradas») que lhe permite os primeiros contactos com os meios miseráveis do Porto, no Bairro do Barredo, que motivará a canção «Menino do Bairro Negro».
Sem uma postura ainda politizada, José Afonso é sensível aos dramas sociais que as suas viagens lhe desvendam.
Só em 58/59 com o surgimento de Humberto Delgado e a crise académica de 1962 – já José Afonsoi dava aulas e conhecera Zélia – se processa uma viragem na sua evolução político-cultural. O alvoroço político provocado tanto pelo general Humberto Delgado como pelo movimento estudantil de 62 reflectem-se na própria obra de José Afonso. É de 1958 a publicação do seu primneiro disco – «Baladas de Coimbra», com «Menino d’Oiro», «No largo do Breu», «Tenho barcos, tenho remos» e «Senhor Poeta», canções que se desviam da tradição coimbrã pura, tanto nas temáticas como na interpretação. Zeca é apenas acompanhado à viola por Rui Pato. Como tantas vezes sucederá ao longo da sua vida, apenas suportado por cordas de viola. Não havia as guitarras de Coimbra que Adriano Correia de Oliveira, por exemplo, nunca abandonaria.
Os discos posteriores aprofundam esta experiência. Continua Rui Pato, a acompanhá-lo sozinho, e os poemas são mais empenhados do ponto de vista social: «Menino do Bairro Negro» e depois «Vampiros», uma balada emblemática das suas posições antifascistas.
Evidentemente que nesta época José Afonso não abandonou o lirismo de Coimbra – que de resto o acompanha um pouco por toda a vida, assim como o fado de Coimbra, como se verifica em 1980 quando publica o seu album «Fados de Coimbra», dedicados à memória do seu pai e de Edmundo Bettencourt (um dos seus poetas preferidos). Mas a componente social continua a marcar preferencialmente a sua obra.
As dificuldades económicas que atravessou em Coimbra obrigaram-no a abandonar os estudos e a daegrinação docente iniciada em Mangualde acaba por conduzi-lo até ao Algarve, onde convive com Luiza Neto Jorge, António Ramos e Zélia, com quem – «um pouco ao jeito siciliano» – acaba por casar contra a vontade da família da noiva.
A companhia da Zélia é determinante na evolução do poeta. Abrindo-lhe espaço para os seus devaneios criativos, escutando-lhe os rumores e os humores, envolvendo-o numa serena e profunda ternura, Zélia seguiu-lhe o percurso e apoiou-o onde a sua acção foi indispensável. Seria ela a sugerir-lhe o regresso a Moçambique para assim poder acompanhar os filhos do primeiro casamento. E em 1964 José Afonso está de novo no então Lourenço Marques onde uma vez mais sente o peso da exploração colonial.
De Lourenço Marques salta para a Beira. Aí assiste revoltado às festividades dos colonos portugueses que apoiam a independência unilateral da Rodésia de Jan Smith. Apesar da presença do irmão João Afonso e dos amigos do cineclube local que chegam a encenar Brecht com músicas suas, José Afonso não resiste e volta a Lisboa em 1967 na disposição, como revelou a Adelino Gomes, à chegada, de ser apenas e exclusivamente professor.
Instalado em Setúbal, os seus desígnios não serão satisfeitosw e a expulsão do ensino oficial por motivos políticos impele-o para as cantigas. O destino era-lhe um tanto traçado pelas perseguições da Polícia Política. E abre-se um novo ciclo, marcado pelo aparecimento em 1968 do album «Cantares do Andarilho».
Até ao 25 de Abril, assistimos a um dos períodos mais fecundos e brilhantes da sua actividade artística que se confundia (ou fundia) com uma intensa actividade de agitação política clandestina, sobretudo os núcleos da LUAR e do PCP da Margem Sul.
Preso diversas vezes pela PIDE («como sabes eu estou preso mas também não sou um homem mau. Viste como foi. Não sejas rabugenta e ajuda o Pedro», escreve ele de Caxias à sua filha Joana em 1973), desenvolve uma dupla acção de agitação cultural e política que o leva a colectividades, clubes recreativos, associações culturais e sindicatos colaborando activamente no movimento constitutivo da Intersindical.
É neste período contactado da margem sul para aderir ao PCP mas recusa, invocando a sua condição de classe. «Respondi que não poderia ser elemento do PCP por várias razões, uma das quais era a minha origem de classe pequeno-burguesa. A única coisa que sabia de certeza eram as minhas limitações e não me arriscava a fraquejar. Se um dia fosse preso e denunciasse camaradas isso constituiria para mim uma experiência da qual nunca me sairia bem. Nunca perdoaria a mim próprio um momento de fraqueza desses. No fundo, gostava também de me movimentar numa certa margem de invenção. E pressentia que existiam outras forças embora o PCP fosse hegemónico naquela zona».
A escusa de José Afonso consagrava, afinal, a sua rebeldia permanente, o seu imaginário sem rédeas e possivelmente incompatível com qualquer disciplina partidária. E sugeria algo que sempre o perseguiu e de que sempre procurou libertar-se: o medo, embora a sua vida e prática social ilustrem a coragem da sua postura. Mas o facto de não aderir ao PC não impediu que as forças maoístas de vários quadrantes o classificassem depreciativamente, de, antes do 25 de Abril, «Amália do PC».
Mas também não o impediu de colaborar, antes e depois do 25 de Abril, com o seu PCP. O seu não alinhamento organizativo concedia-lhe uma grande margem de manobra suportado pelo seu talento artístico. Canta na Festa do Avante, em 1980, e durante a sua enfermidade Álvaro Cunhal, embora sem o visitar, coloca à sua disposição os seus préstimos caso houvesse notícia de cura para sua doença na URSS, como em tempos se admitira.
A CGTP vai um pouco mais longe e mantém-lhe um apoio inequívoco incluindo o de carácter material, como de resto várias outras entidades não oficiais, amigos e admiradores anónimos.
Sucessivamente publicará «Contos Velhos, Rumos Novos», «Traz Outro Amigo Também» e «Cantigas do Maio», com que inicia uma colaboração activa com José Mário Branco que se prolongou até hoje.
Este album marcará particularmente a sua carreira, pois nela se incluem «Cantar Alentejnao», canção mais conhecida por Catarina, e «Grândola Vila Morena». É sobretudo a partir deste trabalho que o chamado «nacional-cançonetismo», já na era marcelista, sente a necessidade de encontrar respostas musicais do regime face ao contar José Afonso.
Mas nascem novos cantores: José Mário Btranco, Sergio Godinho, Luis Cilia, Fanhais, Manuel Freire e mais tarde Vitorino, Fausto, Júlio Pereira e Janita Salomé, um grupo heterogéneo que comunga o mesmo referencial e o mesmo propósito: José Afonso e o alargamento dos espaços da música popular portuguesa.
Num outro plano, Adriano Correia de Oliveira, embora fiel às formas tradicionais de Coimbra, opta por dar voz à poesia de Manuel Alegre, que Zeca Afonso curiosamente nunca cantou.
Mas José Afonso e os outros cultores da chamada MPP criaram também um grau de exigência maior por parte do público, que se reflectiu tanto no panorama da música ligeira como no próprio fado. Amália pasa a cantar Camões, Alexandre O’Neill, Homem de Mello, David Mourão-Ferreira, e na chamada canção ligeira surgem intérpretes de maior qualidade como Paulo de Carvalho ou Fernando Tordo.
Ninguém ficou indiferente à acção musical de José Afonso, que até ao 25 de Abril ainda publicaria «Eu vou ser como a toupeira» e «Venham mais cinco».
O 25 de Abril, desencadeado por «GRândola Vila Morena», surpreende-o e «obriga-o» a participar activamente em todas as acções de massas. Ocupações de casas e terras no Alentejo, manifestações, comícios, acções de dinamização no nordeste, a tudo José Afonso se entrega de forma esgotante. Canta por toda a parte e só em 1975 volta a publicar um album – «Coro dos Tribunais» – com canções que fizera em Moçambique para a peça de Brecht e outros originais, como «Lá no Xepangara», que o revela ligado ao ritmo e tendências de África. Aqui, desempenha especial colaboração Fausto, também ele directo conhecedor dessas experiências musicais africanas.
Até ao 25 de Novembro é um verdadeiro rodopio, prevalecendo uma colaboração estreita entre o cantor e a LUAR. O desencanto posterior – jamais calará, por exemplo, o «escândalo dos salários em atraso», ou a situação de miséria da população trabalhadora da região de Setúbal, onde vive até morrer – os próprios acontecimentos que o levaram a escrever ao PAIGC, para Bissau, e posterior evolução política encenada pelos vários Governos constitucionais abrem-lhe espaço para se dedicar mais cuidadosamente à sua obra.
Os albuns «Com as minhas Tamanquinhas», «Enquanto Há Força» e «Fura-Fura», são verdadeiras crónicas do período revolucionário e pós-revolucionário. A história que se fez confunde-se com a sua vida e obra: sendo protagonista de tantos acontecimentos, é também o seu jogral / narrador.
Politicamente, manifesta o seu apoio claro a Otelo Saraiva de Carvalho em 1976 e em 1981, e estabelecdeu com ele uma amizade profunda. Nas eleições de 1986, José Afonso apoia Maria de Lurdes Pintasilgo, que corresponde às suas convicções, e confiança nas organizações populares de base, cujo papel social a ex-primeira-ministra se propunha enriquecer.
Com mos seus dois últimos albuns publicados em vida, «Como se Fora seu Filho» e «Galinhas do Mato» (este já com a colaboração vocal de outros cantores), José Afonso prossegue as suas vertentes estéticas e políticas. Por um lado, um grande enriquecimento musical a que não é estranho no primeiro caso a colaboração de Fausto, Júlio Pereira e José Mário Branco e, no segundo, a destes dois últimos. Por outro lado, José Afonso continua a sua actividade cronista e aponta a sua proposta utópica que sempre perseguiu em vida. A construção da cidade sem barreiras de homens iguais e livres é cantada em «Utopia» inserta no primeiro daqueles albuns.
Em cada disco que saía José Afonso encontrava motivo de crítica. Nunca um disco o satisdfez completamente. Depois de publicados, como confessava, era incapaz de se ouvir e de ouvi-los. Esta exigência sobre si próprio não o poderá agora assumir quando ainda este ano for publicado um novo album da sua autoria, para o qual deixou originais e todas as indicações. Provavelmente na capa seria ironizada a figura do presidente da Câmara de Lisboa, Nuno Abecassis – cuja vereação, posinal, já concedeu o nome de uma da rua da capital a José Afonso.
Mesmo depois de morto, José Afonso continua assim de costas viradas para o poder – que à boa tradição portuguesa se preocupa em fazer agora o que lhe recusou em vida.
Texto de José A. Salvador publicado a 28 de Fevereiro de 1987 no jornal «Expresso».
Casa cheia para assistir ao espectáculo “Cantares do Andarilho – tributo a José Afonso”, com Ivo Machado e convidados, na Casa das Artes de V. N. de Famalicão.
Caros(as) Associados(as),
colocamos à vossa disposição as propostas de alterações aos estatutos que vamos avaliar em Assembleia Geral Extraordinária, convocada para o efeito.
Podem também descarregar a respectiva convocatória e, desde já, a outra convocatória para a Assembleia Geral Ordinária, que devemos fazer todos os anos.
Saudações Associativas,
A Direcção
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Diário de Coimbra | 27.2.2012
Via blogue de Octávio Sérgio
Nestes dias em que tanto se fala de José Afonso e do seu génio, gosto sobretudo de recordar que, para além da música, o Zeca era acima de tudo um homem. Um homem empenhado nas grandes lutas do seu tempo, com certeza, que procurou viver de modo integral – o que só se alcança quando se assume viver com as fragilidades, as virtudes, os defeitos, as grandezas e as contradições comuns a todos os homens.
Há hoje uma tendência, por parte de alguns dos seus/meus amigos (e porventura ainda mais dos que nunca o conheceram, à parte umas quantas adultas e descompassadas bestas que ainda não desistiram de demonizá-lo como perigoso agitador comunista), uma tendência, dizia, para um certo culto da memória de Zeca Afonso que tende a transformá-lo numa «unanimidade nacional» ou, pior ainda, numa espécie de «santo de madeira», como diria Nicanor Parra. E isso é mau e injusto – uma inverdade, como agora se diz em linguagem jornalístico-parlamentar – porque o Zeca nunca quis ser unânime. Ele escolheu conscientemente o lado da vida onde queria estar, mesmo sabendo que isso implicava um preço a pagar. E pagou-o, com juros elevadíssimos, como bem sabemos.
O Zeca era um homem preocupado como poucos com os problemas dos seus iguais. O que não o impedia de ter um sentido de humor frequentemente sibilino, de que aliás há testemunho em várias das suas canções ou em pormenores que fazia incluir nos discos – fossem as estrambólicas introduções improvisadas de temas como Senhor Arcanjo ou Rio Largo de Profundis, ou detalhes imperceptíveis a olhares menos atentos – e deixem só que lembre, de passagem e porque a propósito, a ficha técnica da edição original do álbum Coro dos Tribunais (Orfeu, 1974) onde, a par dos vários instrumentos, incluiu uma subtil referência aos «gases e flatulências» executados, digamos assim, no estúdio por ele próprio, pelo Adriano, o Fausto e o Carlos Moniz – o que ainda hoje é recordação gaudiosa, como bem se entende…
O José Afonso que conheci era um homem que conjugava uma grande aptidão para o diálogo com uma inamovível capacidade de indignação. E era, claro, um indivíduo complexo, por vezes difícil, intransigente consigo mesmo e com os outros, mas também capaz da complacência, com muito mais dúvidas do que certezas. E é essa dimensão que faz dele um ser de excepção, para lá do genial poeta e compositor e cantor que foi – e continua a ser. Ou, se quisermos, como escreveu Baptista-Bastos sobre Che Guevara: «havia nele qualquer coisa de divino porque era simplesmente um homem».
Recordemo-lo assim, então, porque é assim que se mantém vivo tudo aquilo que nos legou.
PROGRAMA:
27 de Setembro – Centro Cultural D. Dinis
Banda Biópsia
Grupo de Cordas Castiças do Centro Cultural, Desportivo e Social de S. Frutuoso
Coro Misto da Universidade de Coimbra
João Queirós | Guitarra e Voz
Rui Damasceno | Poesia
28 de Setembro – Auditório do Conservatório de Música de Coimbra
Cordis e Convidados
Luís Formiga | Bateria
Luís Oliveira | Contrabaixo
João Gentil | Acordeão
Vasco Alves | Violoncelo
Edjam | Saxofone e Flautas
Nuno Silva | Voz
Quarteto de Cordas da Orquestra Clássica do Centro
Ana Varela | Voz
Sofia Vitória | Voz
Cuca Roseta | Voz
Paula Fidalgo | Coreografia
29 de Setembro – Teatro Académico Gil Vicente
Antigos Orfeonistas de Coimbra e Convidados
Octávio Sérgio | Guitarra Portuguesa
Rui Pato | Guitarra
Vitorino | Voz
Janita Salomé | Voz
À excepção da primeira noite que será de entrada gratuita, as duas seguintes, 28 e 29, serão sujeitas a entrada de 2.50€ para estudantes e 5€ para o restante público.
Arnaldo Trindade.“O Zeca era um ‘charmeur’ com um humor extraodinário”
Em 1968, contra tudo e todos, o criador da editora Orfeu arriscou editar “um génio sensacional”. José Afonso morreu há 25 anos
Na efervescência da Invicta, um jovem Arnaldo Trindade, grande coleccionador de discos, associou à importação da marca de electrodomésticos Philco a edição discográfica própria, depois de o pai ter criado uma editora que lançava discos da Polydor. Da etiqueta Orfeu sairiam muito mais que mitos, com a edição fonográfica assente na vertente comercial e divulgação artística. Dos anos 40 para finais de 60, quando a editora da Rua da Santa Catarina arriscou engrossar o catálogo da “música de tema” com um cantor “nervoso”, que à falta da caixa de calmantes só gravou “Cantigas do Maio” graças a um truque do judo.
Como começou a sua relação com o José Afonso?
Na altura ele tinha acabado de fazer o EP com os “Vampiros” [1963], que foi o primeiro disco dele proibido. Passado uns tempos fez outra obra, o “Cantares de Andarilho”, e nenhuma editora quis gravar, por receio de o proibirem. Chegaram à minha firma através do Rui Pato, que tocava e produzia. O disco era uma maravilha.
Não teve receio de avançar?
Era um jovem e achava que se deviam fazer as coisas. Tive uma educação nos EUA, tinha a ideia do que era a liberdade, de toda a gente ter uma voz, mesmo que as ideias fossem contrárias. Não comungava totalmente com as ideias do José Afonso. Claro que também não era a favor da situação vigente. Sempre fui um social democrata. Como o José Afonso, era adepto de um mundo melhor. Aceitei gravar o álbum, contra tudo. Era tão bom que não devia ficar encalhado. Ele foi logo passar uns dias ao Porto. Era uma pessoa extraordinária, de um grande charme. Contra tudo o que possam dizer hoje, o José Afonso era um “charmeur”.
Apesar de dizerem que não tinha um feitio sempre fácil?
Tinha um feitio um bocadinho complicado, mas quando tinha um interlocutor como eu, também com um feitio complicado, era mais fácil. Gostávamos ambos de boas músicas e ele vinha de uma classe social alta, era filho de juízes. Tinha berço, educação, muito bons termos e um humor extraordinário. Disse-lhe para fazermos um contrato a sério. Ele na altura não tinha meios de sobrevivência. Tinha sido expulso da escola em que ensinava.
Estamos a falar de 1968, depois do álbum “Baladas e Canções”?
Exactamente. Esse, de 1964, não é nosso. Era inócuo, podia-se gravar porque eram só baladas. Depois com o “Andarilho” é que começou a mexer com tudo. Criei um sistema engraçado que já tinha com o Adriano Correia de Oliveira, que foi uma das pessoas que insistiu muito para fazer contrato com o Zeca.
É verdade que foi um contrato olhos nos olhos, sem papéis?
Sim, mas depois foi escrito. Eu dava um x ao Zeca, que na altura já era bastante. O José Niza, que também entrou na nossa firma, muito amigo do Zeca e do Adriano, tinha a obrigação de me trazer cantores novos. Trouxeram o Fausto, o Sérgio Godinho, o Padre Fanhais. Dessa época, só não gravei o José Mário Branco. Fez um pedido muito elevado nas condições, superior ao do Zeca, e considerei que não dava.
Quanto ganhava o José Afonso?
Era o equivalente a poder comprar três automóveis novos por ano. Quem fez esse cálculo foi o José Niza, que estava a fazer a minha biografia quando morreu.
Recorda-se de episódios durante a gravação do “Cantares de Andarilho”?
Já o tinham gravado, mas profissionalmente fomos ao Monte da Virgem, no estúdio da RTP. O Zeca era uma pessoa muito nervosa e levava sempre uma caixa de comprimidos para os nervos. Só que tinha-se esquecido da caixa. Dizia que não ia gravar. O Adriano disse-lhe para ele tirar os sapatos e começou a dar-lhe uns toques de judoca nas palmas dos pés.
Funcionou?
Ficou bom e lá gravou. O Zeca era uma pessoa muito engraçada. Era obrigação dele, e de outros contratados, vir ao Porto uma vez por mês. Deviam gravar um disco por ano para poderem receber x, e depois, claro, eram pagos pelas gravações, direitos de autor, etc.
Cumpria a visita mensal?
O Zeca nunca me falhou em nada. Era um profissional autêntico.
Conviviam fora do trabalho?
Éramos amigos. A primeira coisa que ele me ofereceu foi o “Cem anos de Solidão”, do García Marquez. Depois vinha para a minha discoteca, ouvir e comprar discos.
O que gostava de comprar?
Adorava canto gregoriano, Bach, Debussy, Stravinsky. Há um mês, em Lisboa, conheci um professor de música da Universidade de Évora que o conheceu muito bem na Holanda. Mostrou como no Zeca, não sabendo nada de música, todas as canções são musicalmente correctas. Perguntou-me se eu sabia se ele gostava de canto gregoriano. Gostava e muito! Há coisas dele que são canto gregoriano puro.
Chegou a ser incomodado pela PIDE?
Não, convivíamos bem com o problema. As letras eram subentendidas e eles eram muito iludidos. Depois, o José Niza era muito amigo do indivíduo que estava à frente do SNI [Pedro Feytor Pinto, do Secretariado Nacional de Informação]. Propúnhamos-lhe as letras que podiam levantar dúvidas e eles faziam uma pré-selecção, para evitarmos gastos e depois ir tudo para o galheiro. Nunca tivemos um disco proibido do Zeca.
Os discos vendiam-se bem?
Não se vendia bem. Começou-se a vender sobretudo a partir da pedrada no charco, com o “Cantigas do Maio”, por causa do “Grândola”. O Zeca era um cantor de elite. A qualidade dele é extraordinária e é dos melhores poetas portugueses. Estamos a falar de um tempo em que o que vendia era fado e folclore.
A que juntou a “música de tema”.
Tivemos a sorte da nossa firma não viver só da música. Era das mais importantes distribuidoras de electrodomésticos do país, da Philco, e a secção de discos fui eu que a criei, porque o meu pai e o meu tio, os proprietários, tinham mais que fazer. Gravei os maiores poetas portugueses ditos por eles mesmos. Comecei com o Miguel Torga, o José Régio, a Agustina.
Tinha noção do impacto que o “Grândola” teria?
Não. Gravei o “Cantigas do Maio” porque achei que era o melhor disco feito em Portugal. Foi o nosso maior investimento. Custou-me mil contos, o que na altura era um balúrdio, e fomos gravar aos Strawberry Studios, o maior estúdio da Europa, onde na véspera tinham estado os Stones. A produção foi do José Mário Branco e foram todos lá cantar, o Adriano, o Fausto, o Vitorino. Um detalhe engraçado foi como foi feito o som da marcha. Os pés dos músicos a deslizar no saibro do castelo, que deram aquele som importantíssimo. É uma obra-prima da música portuguesa e foi o que vendeu mais.
Sobretudo depois do “Grândola”?
Sim, fez-se um single e tudo, vendeu-se para todo o mundo, excepto para os países de leste. Como é que podiam gostar de uma música onde se dizia que “o povo é quem mais ordena”?!
Como foi o trajecto na editora depois do 25 de Abril?
Acabou-se aquela linguagem subentendida, poeticamente muito mais bonita. O Zeca envolveu-se na parte política. Mas atenção que o Zeca nunca foi nem quis ser do PCP.
Falavam sobre política?
Não discuti política com ele, mas conversávamos. Perguntava-lhe como é que ele se dava comigo não sendo eu comunista. “Também não sou comunista”, dizia-me ele. “Sou um revolucionário, e a revolução não se pode fazer sem a burguesia liberal”. Entediamo-nos muito bem. Aliás, a última coisa que ele me deixou foi um autógrafo. “Ao Arnaldo Trindade, politicamente adversários, mas amigos”. E até acrescentou “O Porto é uma nação”.
Manteve-se consigo até aos últimos álbuns?
Depois do 25 de Abril as pessoas começaram a comprar os discos não pelo que eles eram, mas sim a conotá-los politicamente. Muitos não gostavam do Zeca por ser de esquerda. Isso reflectiu-se nas vendas. O contrato dele era muitíssimo caro, para ser comercialmente possível tínhamos que vender. Disse-lhe que ele estava a encaminhar-se para coisas mais violentas e que certa parte do mercado não gostava.
Costumava dar-lhe indicações?
Nunca interferi em nada na criação, só recusei um disco que ele fez sobre a tomada da sede do PPD em Setúbal, um single editado pela LUAR [Liga de Unidade e Acção Revolucionária]. Deve ter sido por volta de 75. Aquilo era um panfleto e eu panfletos não gravo. Gravo poesia e ideias, agora mata e esfola não é comigo, nem de um lado nem de outro. Ficámos amigos na mesma. O “Fados de Coimbra” [1981] foi o último que gravei, para poder recuperar investimentos que não estavam a dar frutos.
Foi pacífico o afastamento?
Sim. Ele já andava perturbado com a doença. Quiseram fazer uma editora com todos os cantores mas não deu nada. Não existem discos sem editores e um editor tem que ser independente, como um juiz imparcial. Descobrir o que é bom, o que se vende e o que é bom mesmo que não se venda. Gravámos o José Calvário com a Orquestra Sinfónica de Londres. Veja o balúrdio. Tínhamos o melhor que havia. Só nos faltava a Amália.
Quando esteve com o José Afonso pela última vez?
Não me recordo. Ainda o via mas ele andava ocupado com a parte revolucionária. Penso que vivia numa luta íntima entre o belo da poesia e o sentido social que tinha. Era um génio sensacional desinteressado de tudo. Ia cantar a todo o lado sem levar um tostão e nem sei se não terá passado dificuldades quando deixou de gravar, com o turbilhão do PREC. Perdeu-se a utopia do início, em que ele era grande.
Por Maria Ramos Silva | Jornal i
A reedição de 11 discos de José Afonso e espectáculos musicais em várias cidades portuguesas e no estrangeiro contam-se entre as iniciativas a realizar, na quarta-feira, para assinalar os 25 anos da morte do cantor.
Lisboa, Grândola, Barreiro, Coimbra, Açores, Barcelona e Newark são alguns dos locais onde os 25 anos da morte de José Afonso são lembrados na quarta-feira, para manter «vivo o espírito do Zeca e a lição de dignidade» que transmitiu a todos, como disse à agência Lusa Francisco Fanhais, companheiro de cantigas e de estrada de José Afonso, no período antes do 25 de Abril de 1974 e actualmente dirigente da Associação José Afonso.
Considerado durante muito tempo um músico de intervenção, José Afonso é, para Francisco Fanhais e para o jornalista Viriato Teles, «muito mais do que um cantor ou um músico de intervenção».
Essa designação serve mesmo, para Francisco Fanhais, «para menosprezar toda a parte poética e musical que José Afonso revelou e é um álibi muito bom para que os divulgadores de música o possam banir com toda a tranquilidade».
«Cada uma das canções de José Afonso faz parte de um conjunto de grande valor musical e poético que, penso, está ainda por descobrir», disse Francisco Fanhais.
Também o jornalista Viriato Teles, autor do livro As voltas de um andarilho – Fragmentos da vida e obra de José Afonso, considera que José Afonso «está ao nível de um dos grandes criadores musicais do mundo».
«Ao contrário do que habitualmente fazemos, que é comprarmos os portugueses com artistas estrangeiros, eu acho que o Pete Seeger é o Zeca Afonso norte-americano», disse o jornalista, sublinhando que José Afonso «está ao nível de um Bob Dylan, John Lennon, Léo Ferré ou mesmo de um Jacques Brel».
Considerar a obra de José Afonso apenas do ponto de vista da cantiga de intervenção «é do mais redutor que existe, até porque mesmo nesse campo ele esteve sempre à frente do tempo dele», disse Viriato Teles à Lusa, acrescentando que a obra musical de José Afonso era «tão complexa do ponto de vista poético como musical».
«Talvez por não ter formação musical, a obra de José Afonso era bastante complexa, já que ela mudava de compasso a meio das cantigas e isso tornava tudo bastante difícil e especial», frisou.
Viriato Teles não hesita mesmo em afirmar que José Afonso era «um génio, tal como Carlos Paredes» e que, por isso mesmo, quando José Afonso morreu «Paco Ibañez disse que Zeca teve azar de ter nascido português».
«Se tivesse nascido nos Estados Unidos estaria ao nível desses grandes criadores mundiais», disse, na altura, Paco Ibañez, lembrou Viriato Teles.
O jornalista invoca mesmo o facto de a obra de José Afonso ser a obra de um cantor português «mais divulgada a nível mundial».
«Basta ver a quantidade de versões de canções do Zeca, e não apenas a de Grândola vila morena, que existem no estrangeiro», disse, exemplificando com os casos de Charlie Haden e Carla Bley, Nara Leão ou as de Pi de la Serra e Luis Pastor.
«Pi de La Serra e Luis Pastor consideram mesmo que José Afonso foi o pai da nova música espanhola», sublinhou.
«Se há de facto um músico português que se universalizou foi o Zeca, se calhar tanto ou mais do que Amália, embora esta tenha tido mais visibilidade», frisou Viriato Teles.
Viriato Teles e Francisco Fanhais concordam ainda num outro ponto: «Apesar de reconhecido, José Afonso não tem ainda hoje o estatuto que devia ter na música».
Para assinalar os 25 anos da morte de José Afonso, a Movieplay vai editar agora – com a etiqueta Art’Orfeumedia – versões remasterizadas, com notas adicionais aos originais, assinadas pelo jornalista Gonçalo Frota, os onze álbuns que José Afonso editou para a Orfeu, disse à Lusa fonte da editora.
Na primeira semana de Abril sairão Cantares do andarilho e Contos velhos, novos rumos, enquanto na primeira semana de Maio sairão Traz outro amigo também, Cantigas do Maio e Eu vou ser como a toupeira.
Em Outubro regressam Venham mais cinco, Coro dos tribunais e Com as minhas tamanquinhas e, em Abril de 2013, será a vez de Enquanto há força, Fura, fura e Fados de Coimbra.
Entre os espetáculos que, um pouco por todo o país, assinalam o quarto de século da morte de José Afonso, destaca-se o que decorre na quarta-feira na Academia de Santo Amaro, em Lisboa. Organizado pelo núcleo de Lisboa da Associação José Afonso, o reúne, entre outros, cantores como Zeca Medeiros, Francisco Naia e Francisco Fanhais ou o duo Couple Coffee, que recria temas de José Afonso.
Nascido a 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, José Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987, em Setúbal, aos 57 anos, vítima de esclerose lateral amiotrófica.

in Diário de Coimbra | 22.2.2012 (Clicar para aumentar)
Via: Blogue de Octávio Sérgio
A 22 de Julho de 1970, Zeca dedicou-me Por Trás Daquela Janela, Poema, por si criado e manuscrito, que posteriormente mo entregou.
Estava eu, então, preso no Forte de Caxias. Foi em Maio daquele ano, no dia 3, que a PIDE assaltou, simultaneamente, no Distrito de Setúbal, de madrugada, oito casas, prendendo oito cidadãos: quatro, em Setúbal – Carlos Lopes, António Gonçalves, Fernando Carlos e Zacarias Fernandes. Um, na Moita – Staline Rodrigues. Um, em Alhos Vedros – Leonel Coelho. Dois, no Barreiro – Álvaro Monteiro e Alfredo de Matos.
Foi um momento particularmente emocionante quando o Zeca, perante insistência continuada, a que não resistiu, interpretou, no Barreiro, naquele local, naquele ano, àquela hora e para aquela imensa multidão, aquele libelo acusatório temível e sempre actual – “os Vampiros”. Que noite inesquecível!
Conhecemo-nos no início de 1967. Com frequência nos visitámos. Eu, na sua primeira casa, em Setúbal, o Zeca, na minha casa, no Barreiro e, aqui, conviveram, connosco, algumas vezes, dois grandes amigos comuns – o Carlos Paredes e o Adriano Correia de Oliveira. Momentos de conversa livre e amiga.
Desenvolvemos uma amizade sólida, na base de imensas cumplicidades, à volta dos nossos ideais, principalmente. Esta relação levou a que o Zeca tenha aderido e participado, com grande entusiasmo, naquele memorável espectáculo, um autêntico concerto, talvez a maior e mais vibrante sessão de poesia e canto que encheu como um ovo o ginásio do Luso do Barreiro, no dia 11 de Novembro de 1967, um sábado, da iniciativa do Cineclube do Barreiro – cuja direcção, liderada por Álvaro Monteiro, viria, por esse motivo, a ser presa pela PIDE – e da Comissão Cultural do Luso. Este foi mais um dos momentos em que tomámos nas nossas mãos a procura da liberdade que o poder fascista nos negava.
Adriano Correia de Oliveira não cantou porque, como explicou, estava na tropa. Odete Santos declamou poetas como António Gedeão e Manuel da Fonseca. Teresa Paula Brito interpretou Para Não Dizer Que Não Falei De Flores e espirituais negros. O virtuosismo de Carlos Paredes e Fernando Alvim em temas como Verdes Anos. Por fim, Zeca Afonso acompanhado à viola por Rui Pato. A apresentação, improvisada mas conseguida, esteve a cargo do barreirense Manuel Teixeira Gomes. Serviu de apoio à partitura com os textos do Zeca, o muito jovem, e meu filho, Vítor de Matos.
Uma multidão, impensável, naqueles tempos e naquelas condições, repetia com insistência: “Vam-pi-ros”, “Vam-pi-ros”, “Vam-pi-ros”, “Vam-pi-ros”.
O Zeca não queria, resistiu até ao limite, mas era impossível não ceder ao pedido incessante da multidão. Todas as emoções transbordaram quando, aquela Voz rompeu, como um grito, o momento de silêncio:
“No céu cinzento/Sob o astro mudo/Batendo as asas/Pela noite calada/Vêm em bandos/Com pés de veludo/Chupar o sangue/Fresco da manada”.
Ovação poderosa estalou na sala. Em coro, todos, a uma voz, sublinham:
“Eles comem tudo/Eles comem tudo/Eles comem tudo/E não deixam nada”.
Estava a viver-se um impressionante e indescritível acontecimento, de grande impacto na região que, num período de crescentes acções políticas oposicionistas, empolgou o começo da movimentação dos democratas para o intenso período eleitoral de 1969, em que, no Concelho do Barreiro, a CDE venceu, nas urnas, a União Nacional.
A 22 de Julho de 1970, Zeca dedicou-me Por Trás Daquela Janela, Poema, por si criado e manuscrito, que posteriormente mo entregou.
Estava eu, então, preso no Forte de Caxias. Foi em Maio daquele ano, no dia 3, que a PIDE assaltou, simultaneamente, no Distrito de Setúbal, de madrugada, oito casas, prendendo oito cidadãos: quatro, em Setúbal – Carlos Lopes, António Gonçalves, Fernando Carlos e Zacarias Fernandes. Um, na Moita – Staline Rodrigues. Um, em Alhos Vedros – Leonel Coelho. Dois, no Barreiro – Álvaro Monteiro e Alfredo de Matos.
Pelo Natal de 1972, este Poema, também com música do Zeca, de interpretação difícil como o próprio o referia, foi editado em disco, sob o título, Eu Vou Ser Como a Toupeira, que também incluiu a canção A Morte Saiu à Rua, dedicada ao escultor Dias Coelho, dirigente do PCP, assassinado pela PIDE, em 19 de Dezembro de 1961. Eis o que diz o manuscrito:
Ao Alfredo Matos
Por trás daquela janela
Por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo
E irmão
Não pôs cravos na lapela
Por trás daquela janela
Nem se ouve nenhuma estrela
Por trás daquele portão
Se aquela parede andasse
Se aquela parede andasse
Eu não sei o que faria
Não sei
Se o mundo agora acordasse
Se aquela parede andasse
Se um grito enorme se ouvisse
Duma criança ao nascer
Talvez o tempo corresse
Talvez o tempo corresse
E a tua voz me ajudasse
A cantar
Mais dura a pedra moleira
E a fé, tua companheira
Mais pode a flecha certeira
E os rios que vão pró mar
Por trás daquela janela
Por trás daquela janela
Faz anos o meu amigo
E irmão
Na noite que segue ao dia
Na noite que segue ao dia
O meu amigo lá dorme
De pé
E o seu perfil anuncia
Naquela parede fria
Uma canção de alegria
No vai e vem da maré
Assina: José Afonso A
Nas minhas cartas da prisão, à Eve, a minha companheira, dou-lhe conta das emoções, ao ouvir aquela Voz, vinda de um gira-discos, que uma vez por semana, durante escassas horas, intercalada com a voz de Paco Ibañez, de Jean Ferrat, de Léo Ferré, de Adriano Correia de Oliveira, de Beethoven… É a Voz. Aquela Voz. Nas cartas, eu ia escrevendo, frases espalhadas pelo texto que lá iam passando “… ondas eléctricas percorrem todo corpo, eriçando-lhe os pelos, tal pele de galinha, sensação que se vai repetindo, quando o nosso Zeca arranca o São Macaio… e, o Menino do Bairro Negro – Bairro, bairro negro onde não há pão não há sossego… e, Vejam bem que não há só gaivotas em terra quando um homem se põe a pensar… e, Os Vampiros – No céu cinzento sob um astro mudo. Ao ecoar Maio Maduro Maio, o silêncio suspende a nossa respiração”
No 1º de Dezembro de 1970, no Forte de Caxias, escrevinhei um texto como se fosse um poema, dedicado ao Zeca, que dele nunca teve conhecimento, talvez porque o achei de valor muito reduzido, mesmo pobre, embora com algum simbolismo pelo lugar e condições em que foi criado. Ei-lo:
Um dia golpearam o pé da flor
Mas a criança agarrou a flor
Que voltou a dar pétalas garridas
Com um perfume ainda mais doce
E a flor se fez árvore
Depois negro vendaval
Arrancou seu forte tronco…
Mas vieram as crianças
As Mulheres e os homens
Que voltaram a plantar a árvore
Que voltou a dar flores e frutos
Para as crianças
As mulheres e os homens.
E a árvore se fez bosque…
Aqui chegou o poeta…
Não há melhor melodia
Que esta faca afiada
Que este golpe de martelo
Que um vagido de criança
Treme a terra bem no fundo de nós
Acordam os Poetas
Os soldados erguem as armas
Galgam as águas dos rios
Rasgam as aves o céu…
Ouvi a sua voz
É Portugal que canta
É Portugal que está no seu poema
E a alegria volta cheia de música
Trova. Balada. Canção
O Poeta canta a vida da gente
Pescador. Camponês. Resineiro. Soldado
Poeta. Operário. Ceifeira. Doutor
Tudo é vida no seu canto
Flor. Árvore. Fruto. Pedra
Tudo em ti é movimento
Rei que tu não foste sendo
Ao teu País dás o teu grito
Há uma nuvem de gente no teu canto
Na tua voz há festa
Tem raiva o teu cantar
Há amor e esperança nas tuas Palavras
É Portugal que está no teu Poema
É Portugal que está na tua voz
Dedicado à minha irmã, Conceição – presa em 1965, depois em 1968, activista
política clandestina, membro do PCP, torturada pela PIDE de forma particularmente cruel – o Zeca escreveu um poema, oferecendo-lhe o texto por si manuscrito, na versão original. A letra, que ataca explicitamente a PIDE em homenagem a uma Combatente expressamente nomeada, nunca chegou a ser gravada. Ei-la:
À Conceição Matos
Na Rua António Maria
Da Primaz Instituição
Vive a Maior Confraria
Desta válida Nação
E muita matula brava
Ainda pensava
Que havia de vir
Um dia assim de repente
Para toda a gente
Voltar a sorrir
Mas eles, Conceição, vão
Lamber as botas
Comer à mão
Dum novo Pina Manique
Com outra lábia
Com outro tique
Na Rua António Maria
Convenha a todos saber
A patriótica espia
Sabe bem onde morder
Vela pela vossa morada
No vão duma escada
Sem se anunciar
E oferece a quem bem destina
Um quarto de esquina
Com vistas pr`ó mar
Mas eles, Conceição, vão
Lamber as botas
Comer à mão
Dum novo Pina Manique
Com outra lábia
Com outro tique
Tem quatro letras apenas
Mas outro nome lhe dão
Nesta Fortaleza antiga
Só não muda a guarnição
E muita matula ufana
Cuidado que a mana
Morrera de vez
Deu graças à Dª. Urraca
Ao som da ressaca
Que o pagode fez
Mas eles, Conceição, vão
Lamber as botas
Comer à mão
Dum novo Pina Manique
Com outra lábia
Com outro tique
Aldeia da roupa branca
Suja de já não corar
O Zé Povo foi pr`á França
Não se cansa de esperar
O capataz de fazenda
Pôs a quinta à venda
Para quem mais der
E os donos marcaram tentos
Com novos inventos
Doa a quem doer
Assina, Zeca Afonso
A minha admiração pelo Zeca assenta, ainda, na sua qualidade impar de criador de poesia e de músico, de compositor de génio, sempre irrepetível, de ser o seu próprio e maior intérprete e também pelo seu carácter íntegro, generoso, leal, solidário. Zeca, grande amigo do Barreiro, um verdadeiro camarada, no sentido mais sublime da expressão.
Alfredo de Matos
Publicado no Rostos On-line
«Os Departamentos de Português, Artes Visuais e Educação Musical da Escola Superior de Educação de Bragança estão a organizar uma série de “Intervenções em memória de Zeca Afonso”. A primeira intervenção, cujo tema é TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM, ocorrerá no dia 23 de fevereiro de 2012, evocando os 25 anos da morte do cantautor, e será constituída pelo seguinte programa:
15.00h. – Início da sessão
15.15h. – Momento musical (António Ribeiro e alunos do curso de Música)
15.30 – JOSÉ AFONSO – Antecipar o futuro (re)criando”, por Mário Correia
(Associação José Afonso)
16.30 – Debate
16.45 – Manifesto por Zeca Afonso-poeta-revolução-já (texto de Carlos
Teixeira)
16.50 – Momento musical (António Ribeiro e alunos do curso de música)
17.00 – Intervenções dos alunos de Línguas para Relações Internacionais»

Quinta Feira dia 23, pelas 18.00h, não deixe de comparecer na Sala Arte à Parte (Rua Fernandes Tomás, 29 – Coimbra) para uma animada tertúlia poética, em jeito de gratidão e homenagem a Zeca Afonso.
O livro de Viale Moutinho (de 1975) e alguns poemas com a presença de Elsa Ligeiro (Alma Azul) darão o mote para um breve concerto a solo, onde o violetista José Valente interpretará algumas canções do Zeca.
Entrada Livre.
Durante todo o mês de Fevereiro
“Zeca em Fevereiro” em Newark, E.U.A. Ver +
De 20 a 24 de Fevereiro
Semana dedicada a José Afonso promovida pela A. A. C. Ver +
Dia 23.2.2012
A TSF lembra José Afonso. Ver +
Uma aula sobre José Afonso em Grândola. Ver +
Tributo a José Afonso e Adriano C. de Oliveira no Teatro Circo em Braga. Ver +
Concerto “Zeca, 25 anos depois”, em Lisboa. Ver +
“Relembrar Zeca Afonso” na Biblioteca-Museu República e Resistência. Ver+
Tertúlia em Coimbra. Ver +
Convívio para recordar Zeca Afonso, no Barreiro. Ver +
25 poemas de José Afonso ditos em Setúbal. Ver +
“Intervenções em memória de Zeca Afonso”, em Bragança. Ver +
Cantares do Andarilho, em Famalicão. Ver +
Evocação de José Afonso pela Academia M.R. 8 de Janeiro. Ver +
Documentário “Maior que o pensamento” na RTP1. Ver +
“José Afonso ao vivo no Coliseu” na RTP Memória. Ver +
Poesia de José Afonso na Antena 1. Ver +
Dia 24.2.2012
Transmissão, em directo (21h30), do concerto de 6ª-feira, do tributo a José Afonso e Adriano C. de Oliveira no Teatro Circo em Braga. Ver +
“Venha cantar o Zeca” no Seixal. Ver +
Jantar-homenagem no Barreiro. Ver +
“Animar a malta” em Santa Maria, Açores. Ver +
Dia 25.2.2012
Concerto de homenagem a José Afonso, em Barcelona, pelos Drumming. Ver +
Artigo na revista Domingo, do jornal Correio da Manhã, de 19.02.2012
Do homem para quem um amigo era “maior que o pensamento” ficaram mais do que belas canções. “Confesso que o que me marcou foi o calor humano. Ele estava sempre rodeado de gente e a possibilidade de se crescer com debates contraditórios, que ele promovia, sobre temas que envolviam a nata da música e da literatura, arquitectos, operários e pastores, foi um privilégio”, recorda Helena Afonso.
A segunda dos quatro filhos de Zeca ainda se emociona ao falar do legado que supera em muito as ausências forçadas de um pai que, no tempo do antigo regime, decidiu cantar à esquerda. “O essencial era a transmissão através de afectos, conhecer pessoas, afastar o medo… Havia quem passasse lá por casa em períodos difíceis, na clandestinidade, e deixasse umas notas”, diz.
Vinte e cinco anos depois da morte, o cantor que se tornou o arauto da revolução de Abril ascendeu ao estatuto de lenda. A mensagem política superou o músico e o poeta. Mas essa faceta ficou nos mais próximos, que retêm na memória “a pessoa com enorme empenhamento humano, acentuada empatia pelos outros e sensível ao que se passava à sua volta”.
O tio, “que tirava do frigorífico um caril de frango e comia sem aquecer, que passou uma fase vidrado na macrobiótica e recebia com imensa alegria na casa branca de Azeitão” influenciou o sobrinho João Afonso, o único da família que também seguiu a música.
Já doente com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), nos últimos anos, José Afonso lamentava “que o reduzissem a cantor de intervenção, panfletário”, lembra Helena.

O L’Auditori, em Barcelona, acolhe dois concertos dedicados a José Afonso. O primeiro, no dia 25 de Fevereiro, fica a cargo do grupo Drumming. O segundo concerto, a 3 de Março, é do projecto “20 canções para Zeca Afonso”.
O La Bohème Bar fica na Rua Pereira Cão nº11, em Setúbal
Mais informação aqui.
A Associação “Grupo dos Amigos do Barreiro Velho” homenageia Zeca Afonso, por ocasião da data dos 25 anos da sua morte.
Zeca Afonso sempre esteve e continua a estar com os que lutam por um mundo melhor.
Passados 25 anos, as suas canções mantêm toda a atualidade.
Por isso, no dia 24 de Fevereiro, pelas 20h, no restaurante “O Pial”, vamos jantar e juntar as vozes, para lembrar o Zeca.
Se quiser juntar-se ao evento, terá de se inscrever.
Deverá fazê-lo para o 914523568, até dia 23 de Fevereiro.
Esperamos por si!
Que “venham mais cinco”!
Até lá!
Rosário Vaz
A memória do cantor José Afonso resiste em Coimbra 25 anos depois da morte, mas também a sua música ecoa em cada esquina da cidade onde os amigos o recordam com emoção.
O médico Rui Pato tinha 16 anos quando, em 1961, começou a acompanhar José Afonso à viola, participando na gravação dos primeiros discos e em muitos espetáculos.
“As recordações que tenho desse tempo são a incompreensão e a repressão que rodeavam toda a arte que o Zeca fazia, uma coisa que eu não vejo muito descrita”, declarou Rui Pato à agência Lusa.
Nesse “período difícil”, na década de 60, “o núcleo que apoiava o Zeca era pequeno”, disse.
“Foi o período em que mais contactei com ele e que mais me marcou”, acrescentou.
O futuro pneumologista acompanhava outros cantores de Coimbra, designadamente Adriano Correia de Oliveira e António Bernardino, e os guitarristas Pinho Brojo e António Bernardino.
Pato testemunhou a “extrema penúria” em que vivia o autor de “Grândola Vila Morena”. Mesmo assim, “o Zeca não perdia o seu bom humor”.
Para o médico, “a matriz cultural e artística do Zeca Afonso é Coimbra”, onde o cantor realizou apenas dois concertos entre 1961 e 1969, quando já não vivia na cidade.
A maior parte dos seus espetáculos, com a participação de Rui Pato, realizavam-se sobretudo na zona de Lisboa, sobretudo na Margem Sul, a convite de organizações estudantis e operárias.
“Coimbra era uma terra ainda muito conservadora e o Zeca tinha traído um pouco a tradição da canção de Coimbra”, além de ser “um homem conotado com a esquerda”.
Na sua opinião, “há hoje um grande respeito pelo Zeca, como homem, músico e poeta. Tarde, mas felizmente ainda a tempo, é uma figura já metida no ADN da música portuguesa”.
Em 1961, quando Pato começou a tocar com ele, “não se imaginava que, em grande parte dos acampamentos da guerra colonial, os oficiais ouviriam as músicas” de Zeca.
“Nem ele próprio tinha a noção da importância que tudo isso viria a ter na própria evolução sócio-política” em Portugal.
Teresa Alegre Portugal, antiga professora e ex-deputada socialista, conheceu José Afonso de quem recorda “uma voz muito serena que chegava lá ao ponto impossível”.
Nos anos 50, então aluno do curso de Histórico-Filosóficas, na Universidade de Coimbra, o cantor era visita frequente da casa da então namorada do guitarrista António Portugal.
“Achei que devia reclamar uma serenata ao António. Mas foi o Zeca que a cantou, com o António a acompanhar”, contou a ex-deputada.
José Afonso “tinha um sentido de humor verdadeiramente original”, sempre “com aquela postura fora do sistema”.
Acima de tudo, “Zeca é uma das primeiras figuras de um tipo de música muito difícil de classificar”, afirmou Teresa Portugal.
Quem fala dele “como um cantor de intervenção está a limitá-lo muito. Ele vai muito para além disso”, defendeu.
“A sua obra perdura hoje e com muita força”, disse Jorge Cravo, autor do livro “José Afonso: da boémia coimbrã à solidariedade utópica (1940-1969)”.
Para este investigador, “vai havendo cada vez menos um divórcio entre José Afonso e a cidade” onde “teve uma vida um bocado ingrata”.
Afinal, foi em Coimbra “que ele começou”. Um facto reconhecido “em qualquer parte do mundo”, concluiu.
Reportagem de Casimiro Simões, Agência Lusa
Placa de azulejos na casa onde viveu José Afonso na década de 40 do século passado – um segundo andar no prédio contíguo à pastelaria Zizânia, na Avenida Dias da Silva em Coimbra. Já mostrada aqui
Relembrar Zeca Afonso
No dia 23 Fevereiro às 18h, a BMRR/ espaço Cidade Universitária vai “Relembrar Zeca Afonso” por Viriato Teles, jornalista e escritor.
Sessão de evocação de Zeca Afonso pelo 25º aniversário do seu desaparecimento.
Biblioteca-Museu República e Resistência – Espaço Cidade Universitária
Ver Morada
Local: Auditório
Data: 2012-02-23 às 18:00
Contactos: Tel: 21 780 27 60
bib.galveias@cm-lisboa.pt
Viriato Teles com José Afonso
Mais uma iniciativa da AJA Núcleo de Aveiro, inserida no “Projecto Amigos Maiores que o Pensamento” na noite de sábado, dia 11 de Fevereiro, com Pedro Branco. Um momento de encontro com as suas canções e poemas numa noite mais intimista que o costume, que ficará na memória de todos os que compareceram.
Um grande obrigado ao Pedro Branco e Rita, ao Mercado Negro (João e Luís), à Teresa por nos ter sugerido este momento, e à Guesthouse (Marcos Lança) pelo apoio dado ao evento.
A série documental em três episódios sobre José Afonso, com assinatura de Joaquim Vieira, será novamente apresentada na RTP1 no dia 23 de Fevereiro, pelas 22h30.
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Local: Sociedade de Instrução e Recreio de Carreço, Viana do Castelo.
Data: 23/02/1980
Músicos: José Afonso, Júlio Pereira, Guilherme Scarpa Inês e Henry Talbot.
Nota: Antes de José Afonso actuou o grupo Resistência, grupo de música popular portuguesa da Póvoa de Varzim.

Vão decorrer em Newark, durante todos os sábados de Fevereiro, espectáculos de homenagem e divulgação da obra de Zeca Afonso, vulto maior da cultura musical portuguesa. Estes eventos são produzidos em colaboração com o projecto “Amigos Maiores que o Pensamento”, destinado a prestar tributo à memória de Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira, quando passam respectivamente 25 e 30 anos do desaparecimento físico destes intérpretes e compositores. O projecto “Amigos Maiores que o Pensamento” pretende “contribuir activamente para a divulgação da vida e obra destes homens, não numa perspectiva saudosista, porque percebemos a necessidade de redefinir e diversificar as formas de acção, mas como ponto de partida consensual: a cultura é uma arma e o legado cívico e cultural que nos deixaram estes amigos são exemplo e estímulo para a estrada que temos de percorrer.” Conhecidos cantores e poetas da nossa comunidade vão estar presentes nos dias 4, 11, 18 e 25 de Fevereiro, a partir da 8:30 PM, na St. Stephan’s Grace Community – Igreja Luterana, 7 Wilson Avenue, em Newark, NJ. (Cinco Esquinas, entrada pela Wilson Ave.). Estarão em palco André Corrêa d’Almeida, Bruno Costa, David Couto, Fátima Santos, João S. Martins, Jorge Quaresma, José Luis Iglésias e Paula Seca. Entrada livre.
Informações: 908-403-2609
Entre Abril de 2012 e Abril de 2013, a Orfeu, selo recuperado pela Movieplay, vai reeditar 12 álbuns de José Afonso.
Do plano fazem parte os discos Cantares de Andarilho (1968), Contos Velhos Rumos Novos (1968), Traz Outro Amigo Também (1970), Cantigas do Maio (1971), Eu Vou Ser Como a Toupeira (1972), Venham Mais Cinco (1973), Coro dos Tribunais (1974), Com as Minhas Tamanquinhas (1976), Enquanto Há Força (1978), Fura Fura (1979) e Fados de Coimbra e Outras Canções (1981).
Às lojas voltará também De Capa e Batina , conjunto de EPs de fados de Coimbra, já editados em CD.
Na BLITZ de fevereiro, já nas bancas, José Mário Branco, que trabalhou com José Afonso de 1970 em diante, e o jornalista Gonçalo Frota, que está a escrever os textos que acompanharão as reedições, falam da necessidade de recuperar José Afonso, o músico, por vezes ofuscado pelo ícone de resistência política.
“[Chamar-lhe cantor de intervenção] é uma maneira de diminuir o alcance da obra dele, porque a obra do Zeca tem algumas canções políticas, contestatárias, de protesto, de testemunho de lutas concretas. Mas tem muito mais que isso: tem canções de amor, canções poéticas, canções de todo o género”, lembra José Mário Branco.
“A influência do José Afonso hoje entra pelos olhos dentro, do B Fachada à Cristina Branco, aos Deolinda… é muito evidente que a influência que esta obra deixou é absolutamente transversal e esmagadora”, salienta Gonçalo Frota, destacando ainda a influência da música africana na música do autor de Cantigas do Maio .
“Hoje em dia toda a gente anda a ir buscar África. Parece que é o grande maná, para toda a banda pop-rock indie que queira parecer moderna para o mundo. E este homem andava a fazer isto na década de 70!”.
É já no próximo dia 11 de Fevereiro, pelas 21.45h, no auditório do Mercado Negro. A entrada é de número limitado de pessoas pelo que devem chegar à hora marcada… e desta vez, a entrada é mediante o pagamento de uma quantia simbólica de 2 euros.
Era o terceiro dia de aulas do 2º R do Ciclo Preparatório em Outubro de 1969, na Escola das Areias em Setúbal e só nos faltava conhecer os professores de Religião-Moral e História.
O meu pai dizia-me que as Disciplinas de Português, História e Religião-Moral eram as traves mestras do ensino. Assim aguardava com expectativa as aulas da tarde, que começavam com Religião-Moral. O professor um padre recentemente chegado a Setúbal, não me tinha agradado. Não gostei do seu palavreado e tratou-nos como um bando de malfeitores e depravados. E a expectativa de Religião-Moral desvaneceu-se. Por vezes interrogava-me, porque raios escolheram este padre!? Admirava tantos padres, e à frente de todos o Padre Ezequiel Augusto Marcos, o Padre Francisco Vaz e o Santo e Sábio Padre Carolino Carvalho, de quem era acólito na Igreja dos Grilos. À pergunta de meu pai: – Como vão os estudos, quando chegava a Religião-Moral, acabava sempre por dizer: – Vai, mais ou menos. Temia dizer-lhe que não gostava do padre, e ser presenteado com alguma “galheta”.
No segundo tempo era História. Depois de alguma espera e com a turma em grande algazarra, eis que surge um homem em passo apressado, deixando a turma em silêncio. Depois de tirar a gabardine bastante sovada, sentou-se à secretária e de olhar vazio passava o livro de ponto, alternando com olhares pela janela. Enquanto ele estava em silêncio sepulcral, a sala de aula era invadida por um som babilónico. O professor indiferente, não se importava.
Eu, incomodado, olhava de revés o professor, e logo concluí, que aquele homem era o José Afonso. Era o cantor que ouvia na rádio com os meus irmãos mais velhos. Algumas das suas canções passavam no programa Órbitra do RCP muito em voga. Sabia que tinha sido expulso do Liceu de Setúbal, onde estudava a minha irmã mais velha, por causa da política. Que faria ali aquele homem a dar aulas a uma turma de miúdos do ciclo!?
Levantando-se da secretária, começou a falar em cima do estrado: – Eu sou o vosso professor de História. Estou aqui porque preciso de ganhar a vida e como os meus filhos não pôem ovos, preciso de dar estas aulas. Mas não vou dar esta História da treta, imposta por este regime tenebroso, que espera pela tal idade para vos obrigar a marchar para África. A História que vou ensinar é contada pelos Homens do Mar, sentida nos Lugares e vivida pelos Povos que fazem a História. O silêncio era total na turma.
Esta turma era problemática, com bastantes repetentes, e onde as idades variavam entre os 12, que era o meu caso, e os 17 anos. Também havia alunos subnutridos, oriundos dos bairros de lata. Calados, e olhando uns para os outros, logo compreendemos que aquele professor era diferente.
– Mas não pensem que vocês não vão ter que estudar. Isso vocês têm que fazer, estudar, para serem Homens Livres, e pensarem pela vossa cabeça e assim combaterem esta ditadura, para termos um novo País. Outra coisa: Vou ter que fazer pontos, porque tenho que dar notas. Por isso vão ter que estudar o vosso livro. Têm que estudar, mesmo que essa matéria seja uma falsidade. Se quiserem copiar é com vocês. Não vou andar armado em toupeira, é uma decisão vossa. No entanto acho que devem ser honestos, porque se não o forem, juntam-se ao bando de vigaristas e corruptos que governam este país. Temos que ser dignos connosco, para sermos dignos com os outros. Por isso, recomendo que não devem copiar. Há que criar princípios e valores. Não concordam? Bem, por hoje é tudo, podem sair.
Ao longo dos dois períodos que foi nosso professor, entrevistámos pescadores, visitámos ruínas romanas, folheámos enciclopédias cheias de gravuras inacessíveis aos pobres, eram aulas vivas de História. Foi das turmas com menor abstenção e o aproveitamento subiu substancialmente. Depois da Páscoa já não voltou, sem sabermos porquê. A professora substituta, admirada dizia que nunca tinha visto uma turma com tanto entusiasmo pela História.
Se este não fosse um País de labregos, com colossal desonestidade, que medram em asfixiante mediocridade de cariz inquisitorial, provavelmente o País respirava a Obra Humana, Intelectual, Musical e Poética de Zeca Afonso.
Depois da apresentação pública, em Conferência de Imprensa realizada no dia 25 de Janeiro na Casa da Música (Porto) e da sessão organizada no dia seguinte pelo Bar SVBVRA (Braga) decorreu no dia 26 na sede da AJA norte, em parceria com o TEatroensaio, mais uma iniciativa integrada no projecto “AMIGOS MAIORES QUE O PENSAMENTO”.
POETAS À MESA, com alheiras e migas de grelos trouxe os poetas transmontanos ao Porto.
Em Março, haverá a 2ª sessão.
O duplo álbum «Solo II», do compositor e pianista António Pinho Vargas, foi distinguido por unanimidade com o Prémio José Afonso 2010, foi hoje anunciado pela Câmara Municipal da Amadora.
O CD, editado em 2009 e que inaugurou a editora discográfica David Ferreira Iniciativas Editoriais, foi o escolhido de um conjunto de 11 finalistas, cuja lista o júri divulgou pela primeira vez.
Segundo nota da autarquia, foram ouvidos «mais de 150 álbuns editados em 2009» dos quais se selecionou um grupo de 11, tendo sido escolhido por unanimidade o de António Pinho Vargas.
Diário Digital / Lusa