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Teses
Home Archive by Category "Teses"

Category: Teses

DiscografiaNo verso dos versosTeses
17/09/2018By admin-aja

Gastão era perfeito

Contrariamente ao que o nome no título sugere, não se trata aqui de uma pessoa que realmente existiu. “Gastão” é um tipo , criado para retratar o “bom cidadão” sob o fascismo. Ele reúne em si todas as qualidades do oportunista, de quem se adapta ao sistema vigente para obter beneficios individuais, sem se preocupar com o sofrimento das outras pessoas. Ele não apoia a Igreja por ser um católico devoto, nem tolera os abusos do seu patrão por ser um empregado dedicado. Todos os seus actos resultam de cálculos muito precisos ou, como é o caso com a sua “mãe que era entrevada”, da sua vontade de sair do fastio da vida quotidiana. A ausência total de qualidades humanas como a solidariedade e a generosidade, e também a sua disposição doentia, fazem dele uma caricatura. No entanto, o texto contém um aviso: Gastão nasceu pobre, num bairro da lata em Alverca. Ao ascender a uma posição mais favorável na vida (“no solestício de Junho”) passou a identificar-se com a classe dominante, dando-se até ares de nobreza (“sobrinho do Fernão Peres de Trava) e fixando residência no Palácio da Pena, em Sintra, a cidade onde a aristocracia tradicionalmente passava as férias. Há ainda outros textos em que José Afonso assinala que o inimigo da emancipação do povo não é um conceito abstracto, mas sim concreto e vivo, personificado por todos aqueles que se conformam com o sistema (p. ex. “Tenho um primo convexo”). Mas é Sérgio Godinho que realmente se destaca por tão vivamente pintar as figuras autoritárias, oportunistas, etc., na sociedade portuguesa.


in “A canção de intervenção portuguesa – Contribuição para um estudo e tradução de textos” de Oona Soenario, 1994-1995, Universidade de Antuérpia

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DiscografiaNo verso dos versosTeses
17/02/2017By admin-aja

Grândola, vila morena

(…)De facto, Otelo Saraiva de Carvalho escolheu entre três canções de José Afonso: “Grândola”, “Traz outro amigo também” e “Venham mais cinco”. As últimas duas fazem um apelo ao ouvinte para participar na luta. O que levou o estratego do 25 de Abril à escolha de “Grândola” foi a frase: “O povo é quem mais ordena”, um princípio importante para ser proclamado nos primeiros minutos da revolução 57. Além disso, estava proibida a radiodifusão das outras duas canções.
Como foi assinalado atrás, esta canção é a mais conhecida deste autor, pelo que o público continuava a pedi-la, onde quer que José Afonso actuasse. Às vezes, ele recusava apresentá-la, porque não queria fazer disso uma espécie de ritual para idealizar o passado. Ou então pedia ao próprio público que a cantasse, o que condiz com a mensagem e o modo de representação da canção: José Afonso utilizou a tradição musical alentejana, onde se canta muitas vezes em coro polifónico. Nesta forma, há um cantor que canta a primeira estrofe, e o coro canta a segunda. Também o estilo do texto é conforme à tradição alentejana: duas estrofes sempre se espelham uma à outra. Grândola é uma vila no Baixo Alentejo, que serve de exemplo de uma sociedade onde extiste igualdade, liberdade e fraternidade. Na frase “O povo é quem mais ordena”, José Afonso fala do poder popular que persistiu ao longo da ditadura, em centros culturais onde não havia directores e as responsabilidades eram partilhadas. Para o cantor, estas formas de relações humanas comprovavam que a ideologia da classe dominante não tinha penetrado no povo. Estes centros remontavam à época anterior ao Salazarismo, quando desempenhavam um papel importante a nível cultural e de consciencialização. O regime fascista dissolveu muitos deles ou reduziu as suas actividades ao desporto outras coisas “inofensivas”. No entanto, alguns houve que continuaram o seu trabalho clandestinamente, como foi o caso de Grândola, onde José Afonso actuou algumas vezes.


in “A canção de intervenção portuguesa – Contribuição para um estudo e tradução de textos” de Oona Soenario, 1994-1995, Universidade de Antuérpia

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AJA AveiroAlexandre MartinsNúcleos AJATertúliasTeses
07/03/2012By AJA

Obra poética de José Afonso em discussão no núcleo de Aveiro

No próximo dia 11 de Março (próximo domingo) temos o prazer de ter connosco Alexandre Martins da Universidade de Colónia – Alemanha. É autor de uma tese de doutoramento sobre a obra poética de José Afonso.
A sessão de debate/tertúlia é na Associação Cultural Mercado Negro, às 17 horas e 30 minutos, na sala da lareira (junto ao bar). (Associação Cultural Mercado Negro – R. João Mendonça 17, 3800 – 200 Aveiro)

Esta iniciativa é organizada pela AJA Núcleo de Aveiro e está inserida no âmbito do Projecto Amigos Maiores que o Pensamento

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AJA NorteNúcleos AJATeses
10/09/2011By AJA

Alexandre Martins na AJA norte

No dia 5 de Setembro, na sede do núcleo do norte da AJA, decorreu um encontro entre Alexandre Pereira Martins – autor de uma tese de doutoramento sobre toda a obra poética de José Afonso, defendida na Universidade de Colónia, Alemanha, em Julho passado – e membros do respectivo núcleo.
Nesse encontro, além da conversa informal sobre a realização do seu trabalho, o que ele implicou e o que dele se pode extrair ficou agendada para a Primavera de 2012 a sua apresentação formal, no Porto, a que se seguirá o natural debate público.
AJA norte

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ImprensaTeses
27/08/2011By AJA

Obra poética integral de José Afonso analisada pela primeira vez em tese de doutoramento

Recorte (Jornal de Leiria | 18.8.2011) retirado daqui.

 

Notícia LUSA

José Afonso “é uma das principais vozes poéticas do século XX” em Portugal, conclui uma investigação inédita sobre o poeta, músico e compositor que, pela primeira vez, analisou a sua obra integral, numa perspetiva literária.
Da autoria do investigador lusodescendente Alexandre Pereira Martins, a tese de doutoramento em Filologia Portuguesa foi defendida em julho na Universidade de Colónia, na Alemanha, abordando a totalidade da obra poética, musicada e a não musicada, do autor.
“O meu doutoramento procura abordar, por completo, a totalidade da poesia de José Afonso, incluindo os poemas que foram musicados, numa perspetiva filológica”, disse hoje o investigador à Agência Lusa.
Partindo da “convicção de que uma obra lírico-musical de três décadas e mais de 250 textos líricos (mais de metade não musicados), merece um enquadramento mais complexo, além dos rótulos óbvios “oposição ao Estado Novo”, “canção de intervenção”, “Revolução dos Cravos”, a investigação teve como objetivo demonstrar a estética poética que está por detrás da obra de José Afonso, assim como o percurso que o caracteriza como escritor lírico”, refere Alexandre Martins.
Segundo o docente e investigador do Instituto Luso-Brasileiro da Universidade de Colónia, caracterizar o autor de “Grândola Vila Morena” como “cantor de intervenção” “não é um rótulo errado, mas é redutor”.
Ao considerar Zeca Afonso como “uma das principais vozes poéticas” da poesia portuguesa do século passado, Alexandre Martins diz que a sua obra, “a par dos momentos mais interventivos de poesia comprometida, assim como de uma matriz popular”, apresenta “exemplos de poesia hermética, num contacto com correntes surrealizantes”.
A poética de José Afonso evidencia ainda “preocupações filosóficas e metafísicas”, conclui Alexandre Martins, que nasceu em 1974 em Colónia, onde reside.
Segundo o investigador, que tem analisado também a música popular moderna portuguesa, o seu estudo “Reconstrução da poética do cantor-autor e poeta português José Afonso (1929-1987)” é o primeiro a nível académico que analisa a obra integral de José Afonso – a discografia e a lírica não musicada – numa perspetiva filológica.
A tese vai ser publicada no início de 2012, na Alemanha, pela editora de divulgação científica Dr. Kovac, de Hamburgo, que compreende uma série dedicada aos estudos lusófonos. Está prevista também a sua tradução para edição em Portugal.
A primeira tese de doutoramento sobre as canções de José Afonso foi publicada em 1985, em Viena, pela austríaca Elfriede Engelmayer, que estudou a obra musicada entre 1968 e 1979 – recorda Alexandre Martins.
“Quando, a partir de 2005, defini o tema para o meu doutoramento, a minha convicção residia em investigar a obra lírica do José Afonso como chave para futuras investigações, visto que nela se encontram de forma produtiva e criativa as mais diversas correntes, sejam elas lírico-literárias ou de estilos musicais. Ou seja: continuando a investigação numa área, que ainda considero desprezada pelo meio académico, essa teria necessariamente de passar pela abordagem da criação poético-musical de José Afonso”, acrescenta.

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ImprensaTeses
09/05/2010By AJA

Nova tese de doutoramento sobre a obra de José Afonso.

Via Guitarra de Coimbra

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