Tributo a José Afonso e Adriano Correia de Oliveira
A iniciativa «Amigos Maiores que o Pensamento» foi inaugurada esta quarta-feira, na escadaria da Casa da Música, no Porto, com a participação do Grupo Canto D’Aqui que interpretou temas de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira.
Este foi o mote à celebração da obra destas duas figuras da música portuguesa, que se destacaram pelas canções de intervenção na luta contra o salazarismo.
Aliás, «Grândola Vila Morena», associado à Revolução do 25 de Abril e à queda da ditadura, foi o tema escolhido para fechar o pequeno concerto nas escadas do famoso espaço cultural da cidade do Porto.
Nascida a partir de um movimento cívico, reunindo mais de uma centena de entidades nacionais e internacionais – Escola Secundária Alexandre Herculano, as companhias de teatro Palmilha Dentada e A Barraca, entre outras – esta iniciativa pretende fazer de 2012 um ano do tributo a José Afonso e Adriano Correia de Oliveira através das mais diversas atividades, desde tertúlias, concertos, peças de teatro, exposições, passando por dramatizações, debates, intervenções poéticas e várias outras atividades, de forma a levar a novos públicos, sobretudo aos mais jovens, a importância da obra deixada pelos dois intérpretes..
Pretende-se assim, como explica Paulo Esperança, subscritor dos «Amigos Maiores», deixar bem vincadas as qualidades e o exemplos de José Afonso e Adriano Correia de Oliveira. «Tinham uma capacidade de intervenção indiscutível que, ainda hoje, pode e deve servir de estímulo para todos quantos não abdicam das causas da liberdade e da dignidade humana», declarou.
Nuno Pedro Fernandes | A Bola
Fotos de Vítor Garcez/ASF
























Arnaldo Trindade mostra-nos uma dedicatória: “Adversariamente, mas com admiração, José Afonso”. Afonso, tal como Adriano Correia de Oliveira, tal como muitos dos autores editados por Arnaldo Trindade, defendia a esquerda revolucionária. Trindade, por sua vez, tinha em mente “uma ideia democrática americana” – hoje, confessa, não sabe como se há-de definir. Estavam, porém, do mesmo lado da barricada. Claramente: “Era preciso ir mais à frente para conseguir mudar o sistema, para conseguir a utopia que sempre defendi, tal como Zeca Afonso, de uma sociedade mais igualitária. A nossa política era a utopia”.






















Com mais de dois anos de atraso, a Câmara Municipal da Amadora anunciou finalmente qual o disco distinguido com o Premio José Afonso referente à colheita discográfica de 2008. E o escolhido foi… “Chão”, da Mafalda Veiga. Confrontada com a notícia, a cantora mostrou-se surpreendida (vide artigo do Hardmúsica). O escrevente destas linhas comunga inteiramente de tal surpresa. Mais que surpresa: estupefacção e perplexidade. E porquê? Porque “Chão” está muito longe de ser um disco «cujos temas tenham como referência a Cultura e a História portuguesas, tal como a obra do autor de “Grândola, Vila Morena”» (nos termos do regulamento instituidor). Na verdade, o mais recente registo de Mafalda Veiga navega em águas muito diferentes – quase antagónicas – do legado estético de José Afonso e, se quisermos, da música popular portuguesa de raiz/inspiração tradicional, de que o autor de “Cantares do Andarilho” foi o grande percursor e impulsionador em Portugal. Mas mesmo que nos abstraíssemos deste requisito (coisa que não me parece razoável por deturpar o espírito e os objectivos de quem instituiu o Prémio), e quiséssemos considerar todos os discos de música portuguesa (fora da área erudita) lançados em 2008, ainda assim o CD “Chão” ficaria a perder para muitos outros álbuns.
A Academia de Produtores Culturais acaba de instituir o “Prémio Natércia Campos” (Natércia Campos foi fundadora e vice-presidente da AJA ). Esta distinção, que será atribuída bienalmente ao melhor produtor cultural em Portugal nas áreas do teatro e da dança, terá já início este ano. A apresentação e o regulamento do prémio pode ser consultado
Mafalda Veiga, distinguida com o Prémio José Afonso, no valor de cinco mil euros, pelo álbum “Chão” editado o ano passado, afirmou-se hoje “surpreendida e honrada” pelo galardão. “É um prémio muito importante, um motivo de orgulho e uma alegria, sinto-me feliz”, disse a cantora e compositora.
Após o lançamento do álbum de tributo a Zeca Afonso “O que faz falta” no final de 2010, Olavo Bilac (Santos e Pecadores), Nuno Guerreiro (Ala dos Namorados), Tozé Santos (Per7ume) e pelo produtor Vítor Silva, iniciaram no Coliseu do Porto a digressão que pretende homenagear e dar a conhecer à nova geração e relembrar aos mais velhos o mítico Zeca Afonso.












