A MURALHA
Ante aquela alvorada de utopia que buscámos na vida em sobressalto ergue-se agora um muro de basalto duro demais para a nossa rebeldia.
Cansados da peleja, dia a dia em planícies, montanhas ou mar alto, sucumbimos, vergados, sobre o asfalto da tão comprida estrada que nos guia.
Esta muralha esmaga a confiança, aprisiona o sonho, a nossa vida e o nosso suspirar pelo futuro.
É preciso de novo hastear a esperança que nos foi sempre apoio na corrida. Venham daí! Vamos saltar o muro.
28-6-2009 Carlos Domingos
ELEGIA
(No dia do assassinato de José Dias Coelho)
Hoje não quero rimas nem tambores. Só lágrimas e balas. Só negrume. Só noite acesa de cruel queixume, só labareda a crepitar rancores.
Tombaste, amigo, mas não tenho flores para cobrir-te o corpo. O azedume com que os meus versos chicoteiam lume tornou estas imagens incolores.
Com a tua certeza, a tua esperança. o teu calor, o teu olhar tão leve (sementes que o meu sopro espalha) sigo
no teu caminho feito de confiança. O teu sorriso reverdece e, em breve, a Primavera voltará contigo.
(Dezembro 1961) Carlos Domingos
Your email address will not be published. Required fields are marked *
Save my name, email, and website in this browser for the next time I comment.
Δ
A MURALHA
Ante aquela alvorada de utopia
que buscámos na vida em sobressalto
ergue-se agora um muro de basalto
duro demais para a nossa rebeldia.
Cansados da peleja, dia a dia
em planícies, montanhas ou mar alto,
sucumbimos, vergados, sobre o asfalto
da tão comprida estrada que nos guia.
Esta muralha esmaga a confiança,
aprisiona o sonho, a nossa vida
e o nosso suspirar pelo futuro.
É preciso de novo hastear a esperança
que nos foi sempre apoio na corrida.
Venham daí! Vamos saltar o muro.
28-6-2009
Carlos Domingos
ELEGIA
(No dia do assassinato de José Dias Coelho)
Hoje não quero rimas nem tambores.
Só lágrimas e balas. Só negrume.
Só noite acesa de cruel queixume,
só labareda a crepitar rancores.
Tombaste, amigo, mas não tenho flores
para cobrir-te o corpo. O azedume
com que os meus versos chicoteiam lume
tornou estas imagens incolores.
Com a tua certeza, a tua esperança.
o teu calor, o teu olhar tão leve
(sementes que o meu sopro espalha) sigo
no teu caminho feito de confiança.
O teu sorriso reverdece e, em breve,
a Primavera voltará contigo.
(Dezembro 1961)
Carlos Domingos