AJA

  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos
  • 100 Anos de José Afonso

Type [To] Search

AJA

  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos
  • 100 Anos de José Afonso
  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos
  • 100 Anos de José Afonso

AJA

Type [To] Search

AJA

  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos
  • 100 Anos de José Afonso
December 2007
Home 2007
Escolas
27/12/2007By AJA

Webquest: José Afonso

Webquest da Escola Secundária Dr. José Afonso
(Seleccione a imagem)
WebQuest (do inglês, demanda da Web) é uma metodologia de pesquisa orientada, em que quase todos os recursos utilizados são provenientes da Web. Foi proposta pelo Professor Bernie Dodge, da Universidade de São Diego, em 1995.
Para desenvolver uma WebQuest é necessário criar um site que pode ser construído com um editor de HTML, serviço de blog ou até mesmo com um editor de texto que possa ser salvo como página da Web.

Uma WebQuest tem a seguinte estrutura:

Introdução
Tarefa
Processo
Recursos
Avaliação
Conclusão
Créditos

READ MORE
Homenagens e tributos (música)João Afonso
26/12/2007By AJA

Viseu recebe canções de Zeca Afonso

Concerto no próximo dia 28 de Dezembro

O Teatro Viriato, em Viseu, vai receber na próxima sexta-feira um concerto intitulado «Um Redondo Vocábulo» pela voz de João Afonso e piano de João Lucas.
O concerto pretende revelar um olhar diferente e intimista, materializado num recital único, testemunho inédito da obra poética e musical de Zeca Afonso.

«Um Redondo Vocábulo» é um espectáculo delicado, no qual sobressaem os arranjos para a voz e piano, e vai percorrer cronologicamente as canções menos e mais intimistas do cantor.

Este concerto será uma prenda que o Teatro Viriato vai oferecer à cidade de Viseu, pois a entrada é gratuita.

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
24/12/2007By AJA

2007: Uma retrospectiva

READ MORE
FotografiaPatrick Ullmann
24/12/2007By AJA

Patrick Ullman: o mítico fotógrafo do Olympia

 

Patrick Ullmann voit le jour en mars 1942 à Vichy, d’un père juif et d’une mère antillaise. En 1965, il débute comme professionnel à Europe 1, où il photographie les jazzmen, stars de la pop music anglo-saxonne, talents naissants ou vedettes confirmées de la chanson française, qui passent à la station et à Musicorama (les concerts hebdomadaires qu’Europe 1 organise à l’Olympia). Il se lie d’amitié avec les Coquatrix et devient LE photographe du mythique music hall. Bruno Coquatrix lui offre un grand local situé sous la scène, où il installe studio et labo.Ullmann “ne fait pas de photo pour les gens qui aiment la photo, mais pour ceux qui aiment la chanson”, et consacre son existence à fixer le visage de ceux qui marquent l’histoire de la scène, boulevard des Capucines. Il crée aussi des affiches et pochettes de disque pour ceux qui lui tiennent le plus à coeur : Le Forestier, Aznavour, Lavilliers, Renaud, Mouloudji, Barbara, Reggiani, Moustaki, et bien sûr Nougaro et Ferré, ses plus grands amis et fidèles frères d’art. Grâce à eux, il rencontre les fondateurs du futur Printemps de Bourges.En 1982, ce festival présente la première grande exposition de Patrick : Têtes d’affiche (116 portraits d’artistes). Son travail, unanimement salué, sera aussi exposé au Centre Pompidou puis dans les plus grandes villes de France et d’Europe.1997, année terrible pour lui : la démolition de l’Olympia. Il décide alors de faire ses “adieux au music hall” et range son boîtier. Mais le spectacle continue ! Et Ullmann n’entend bien qu’avec les yeux…En 2005, il retrouve ceux qu’il ne peut quitter et 80 nouveaux visages rejoignent les grands frères et soeurs de son panthéon. Puis, Fidèle, Fidèle (Ah! Trénet), Le Printemps de Bourges plus précisément Daniel Colling, lui propose d’exposer en 2006 les photographies, récentes ou plus anciennes, d’artistes passés au Festival. ” Et nous voilà ce soir ” : Le Printemps affiche 30 ans de festival, et Patrick 40 ans de photo (ce qui n’est pas rien). Alors qui sait si Avec le temps… tout s’en va vraiment ?

READ MORE
DiscografiaNo verso dos versos
22/12/2007By AJA

“Cantares do Andarilho” de Zeca Afonso nasceu no extinto Café Escondidinho

Notícia descoberta aqui

Escrito por Independente de Cantanhede 05-Jun-2007

À primeira vista é apenas uma modesta casa comercial situada no topo mais ocidental do largo da vila. Porém, poucos saberão que, por detrás das paredes do nº 315 da Rua Dr José Gomes da Cruz, passou e conviveu gente famosa como os cantores Zeca Afonso e Carlos Paião, entre outros.

É com um misto de saudade e emoção que João Oliveira “Alfaiate”, hoje com 82 anos, se refere ao seu antigo Café Escondidinho: “Foi aqui que nasceu a canção Cantares do Andarilho, com Zeca Afonso a ensaiar os primeiros acordes acompanhado pelo seu viola Rui Pato”, conta este antigo alfaiate, o último a abandonar esta profissão na vila da Tocha. Também Carlos Paião, celebrizado mais tarde através da canção Em Playback, que o lançaria numa efémera carreira a solo devido à sua morte precoce num acidente de viação, “aqui retemperava energias com umas bifanas e uns copos” sempre que o conjunto Ideal Ritmo, de Ílhavo, onde foi vocalista, vinha actuar no primitivo e vizinho salão da Associação Recreativa 1º de Maio, no intervalo dos bailes.

Hoje, transformado em retrosaria, do antigo café restam as pinturas alusivas nas paredes, junto ao tecto, únicas marcas que ficaram de um passado cheio de histórias, saudade e encanto.

READ MORE
Concertos de José AfonsoVídeo
22/12/2007By AJA

O concerto do Coliseu (integral)


Zeca Afonso – Do Choupal Até À Lapa (1/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Balada De Outono (2/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Canção De Embalar (3/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Natal Dos Simples (4/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Vampiros (5/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – A Morte Saiu À Rua (6/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Milho Verde (7/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Paciencia (8/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Redondo Vocabulo (9/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Papuça (10/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Venham Mais Cinco (11/12)
Colocado por Videos_Portugal

Zeca Afonso – Grandola Vila Morena (12/12)
Colocado por Videos_Portugal

READ MORE
Imprensa estrangeira
21/12/2007By AJA

Viva Zeca

A Lisbona la voce di Zeca era per radio verso la mezzanotte del 24 aprile 1974. La voce di Zeca? Ma stiamo scherzando? E poi…quale canzone? Grandola, vila morena?

In ogni angolo un amico
in ogni faccia uguaglianza
è il popolo che comanda

Era un segnale, era il segnale che il movimento rivoluzionario portoghese, guidato dal maggiore Otelo de Carvalho, aveva scelto per comunicare l’inizio della rivoluzione nota come dei garofani.
Era finita l’epoca difficile.
L’epoca in cui il figlio del giudice, José Manuel Cerqueira Afonso (detto Zeca, come tutti i José del Portogallo, però lo Zeca per antonomasia è ormai proprio lui) era nato il 2 agosto del 1929 ad Aveiro. Sensibilissimo fragile, attento e intelligente, aveva vissuto i primi anni della sua vita sballottato da una zia al ricongiungimento con i genitori, prima in Angola, poi a Timor Est, a seguito dei diversi incarichi lavorativi paterni. Sballottato da un’altra zia, poi, al Mozambico, dove si erano trasferiti padre e fratelli. E poi ancora in Portogallo, a casa di uno zio, fervente salazarista, per continuare gli studi liceali. Finito il liceo Zeca si iscrive alla facoltà di Filosofia dell’università di Coimbra e si appassiona alla bohème di queste comitive vestite dei tradizionali mantelli che cantavano quel Fado particolare che è appunto il Fado di Coimbra. Zeca possiede una voce straordinaria, una voce sottile, quasi femminea, non certo stentorea, una voce strana, se la si considera la voce simbolo di una rivoluzione, una voce però meravigliosamente musicale, con un intonazione bella e non fastidiosamente affettata, come sono invece molte voci dei cantanti di Fado. Quella voce s’impone, tanto che Zeca debutta in sala di registrazione come interprete del più tradizionale dei repertori Lusitani. Si sposa, fa figli, si laurea. Però è già stufo della sua cappa di fadista e della cappa di tranquillo e quotidiano orrore del fascismo Portoghese. Se pure dal punto di vista privilegiato delle origini borghesi, s’è già accorto che qualcosa, anzi tutto, non va. È stufo anche di queste canzoni di fatalismo e passionalità posticcia. Già la sua voce obliqua sembra cercare, anche nei primi dischi, la reminiscenza degli infantili soggiorni africani.
È stufo e possiede un eccelso talento di musicista e poeta, dunque comincia a scrivere e a pubblicare canzoni che rivoluzionano tutta la musica portoghese, aprendo la strada alla prima e alla seconda generazione dei cantautori: Adriano Correia de Oliveira (altro personaggio straordinario che tratteremo per esteso), Manuel Freire, Francisco Fanhais (prete e rivoluzionario), e poi José Mario Branco, Sergio Godinho, Fausto, Vitorino, ecc.
Ma quella era ancora un’epoca difficile.

Queste canzoni, seminali per la gioventù portoghese, non solo bellissime, ma anche suscitatrici di molte vocazioni al canto e alla parola armata di suono, non piacciono per nulla alla Pide (la polizia politica) e alla censura, che le colpisce regolarmente. Il nome di Zeca era in cima alla lista degli artisti proibiti affissa in bella vista presso ogni sede radiofonica. Non solo, il professor José Afonso, che ha appunto cominciato ad insegnare per mantenere una seconda moglie e altri due figli, venuti a seguito del naufragio del primo matrimonio, è vittima di una vera persecuzione. Messo in galera per l’appoggio al movimento studentesco dei primi anni ’60, sospeso a più riprese e infine espulso nel ’67 dall’insegnamento, crolla in una serie di depressioni e di conseguenti crisi nervose che lo portano ad essere internato in clinica a più riprese e per mesi interi. Sostanzialmente senza lavoro, Zeca cerca disperatamente di dare una svolta professionale alla sua carriera di cantante, e così viene messo sotto contratto dall’etichetta Orfeo che, in cambio di un dignitoso mensile fisso, pretende un nuovo disco ogni anno. Pur fra tutti i problemi di censura che si sanno, il direttore della Orfeo è innamorato del talento di Zeca, dunque per le esigenze tecniche dei suoi dischi non bada a spese, mandandolo a registrare nei più famosi studi d’Europa. Lì Afonso intraprende una serie di esperimenti ritmici e timbrici, stringendo rapporti con i migliori musicisti del mondo, e producendo un’impressionante serie di capolavori: Traz outro amigo tambem nel 1970, Cantiga do Maio nel 1971, Venhan mas cinco nel 1973, Com as minhas tamanquinhas nel 1976… ma nel ’76 siamo già dopo Os cravos (i garofani)… e, almeno teoricamente, sono finiti i tempi difficili.
Zeca passa senza soluzione di continuità dall’ostracismo alla celebrazione e viene proposto per innumerevoli medaglie e onorificenze che rifiuta regolarmente, ben attento a non trasformarsi in un monumento. Appoggia i processi rivoluzionari, prendendo posizione a favore di alcuni personaggi o movimenti, ma portando avanti anche la forza delle sua critica e della sua visione utopica, quella che faceva dire di lui al grande poeta contemporaneo Manuel Alegre: Um libertario em estado quase puro.
L’epoca difficile è forse finita.

Eppure Zeca non riposa sugli allori, intraprende delle tournées fuori dal Portogallo per creare solidarietà col suo paese, arrivando a non chiedere altro cachet per i suoi spettacoli che un trattore da donare alle coperative di contadini dell’Alentejo. In quest’ottica giunge persino in Italia dove registra un disco di sostegno con Lotta Continua, Manifesto e Avanguardia Operaia che sponsorizzano l’operazione.
Ma da questi cenni di una biografia, tutta politica, emerge forse poco lo spessore dell’opera di Zeca, sottilissima, delicata, sperimentale, assolutamente antiretorica, con un’attenzione agli elementi ritmici che lo accomunano più a Paul Simon o Caetano Veloso che ai cantautori europei. La frequentazione e l’interesse per la cultura africana in generale e angolana in particolare, che va di pari passo con la lotta contro il colonialismo da lui sempre sostenuta, ne fanno un vero pioniere, ahimè poco valutato, della Word Music. Il suo stile è un distillato in cui melodia, sentimento, ritmo, pensiero politico, poesia, convivono al più alto livello possibile. La sua scrittura è abbacinante per la famosa semplicità difficile a farsi. Impossibile chiudere Zeca in un’interpretazione univoca, c’è nelle sue canzoni una fortissima eco popolare, con quel tipico modo che sposa la chiarezza a una visionarietà tutta temperata dall’inesausta curiosità per le forme, i timbri e le strutture.
L’epoca difficile sarà forse finita, ma Zeca è sempre e ancora alle prese con una realtà difficile da raccontare, da riflettere, e poi con un nemico oscuro e tremendo che lo rode da dentro. Nel 1982 gli viene diagnosticata la sclerosi laterale amiotrofica, una terribile malattia che distrugge il sistema nervoso, riducendo all’immobilità e all’asfissia. Zeca non molla, reagisce, si cura, registra un disco stupendo, il suo testamento spirituale, Como se fora seu filho nel 1983, e poi ancora nel 1985, pur non essendo più in grado di cantare, si rifiuta di consegnarsi al silenzio che la malattia gli imporrebbe e convoca un gruppo di grandi cantanti amici che gli prestano la voce registrando Galinhas do mato.
Questa è un epoca difficile. Dalle 3 del mattino del 23 febbraio 1987, Zeca Afonso, arrivato alla soglia dei 57 anni, tace per sempre. Ci ha però lasciato un’opera immensa, un’ancora più immensa speranza e una canzone non solo simbolo ma ragione ed arma di resistenza. Ci si è spesso affannati ad affermare che “a canzoni non si fan rivoluzioni”. Beh, Zeca c’è riuscito. Ed è una cosa che mi fa tremar le dita ogni volta che le accosto alla chitarra.
Verso i primi minuti del 25 aprile 1974 la voce di Zeca era per radio.
Ma stiamo scherzando? E che cos’è? La rivoluzione?

Alessio Lega
alessio.lega@fastwebnet.it

Texto retirado daqui

READ MORE
ExposiçõesImprensa
19/12/2007By AJA

Zeca nos Arcos

A Associação José Afonso apresenta na Casa das Artes dos Arcos de Valdevez uma exposição, até dia 7 de Janeiro, constituída por parte do espólio do cantor que o MC/Mundo da Canção conseguiu reunir.

A mostra intitulada ‘O que faz falta’ é constituída por parte do extenso espólio que a empresa editora, distribuidora de discos e promotora de concertos MC/Mundo da Canção, do Porto, foi juntando ao longo das últimas décadas.

Para ver há LP, CD, livros, brochuras, singles, vídeos, revistas, catálogos, fotos e recortes da imprensa nacional e estrangeira que ilustram o percurso de José Afonso, que coincide com a evolução de cerca de quatro décadas da música popular portuguesa.

A iniciativa, que conta com o apoio da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, é promovida conjuntamente pelo Núcleo do Norte da Associação José Afonso e pela a MC/Mundo da Canção.

Janine de Miguel | Correio da Manhã

READ MORE
Cristina BrancoTestemunhosViriato Teles
17/12/2007By AJA

ZECA DE CORPO E ALMA – Texto de Viriato Teles para o espectáculo de Cristina Branco

Se é verdade que a melhor maneira de avaliar o talento de um autor é pela capacidade que a sua obra tem de suportar a erosão do tempo, então não pode haver quaisquer dúvidas acerca da genialidade de José Afonso. As suas canções resistiram como poucas às transformações culturais e sociais que o mundo viveu nos últimos 50 anos, e nem os temas mais conjunturais, resultantes de condições históricas e políticas específicas, padecem daquele mal que torna algumas músicas tão datadas que, passadas as circunstâncias que lhes deram origem, não conseguem ser ouvidas senão como simples documentos ou provas testemunhais de uma época. E o certo é que na história universal da música popular, são poucos os compositores que conseguiram uma intemporalidade tão completa como sucede com José Afonso: juntemos-lhe Lennon e McCartney, Brel e Ferré, Roger Waters e Paul Simon, Chico Buarque e Frank Zappa – e veremos que a lista fica quase completa.
Este facto faz com que a sua obra seja particularmente apetecível para muitos intérpretes, sobretudo os mais jovens, que encontram aqui quase tudo aquilo que um cantor exigente e de bom gosto pode desejar: uma imensidão de temas belíssimos, consistentes, actuais e de uma modernidade que não se apaga. Além disso, Zeca Afonso é um compositor de características genuinamente populares, mas que nem por isso deixa de ser profundamente eclético: a sua música reúne os elementos essenciais da tradição lusitana aliados ao jazz, às músicas populares de África e da Europa, aos grandes clássicos e ao que de melhor produziram os contemporâneos – tal como a sua poesia conjuga os cancioneiros medievais com a escola brechtiana, a lírica tradicional com a lógica dos surrealistas, a intervenção política e o experimentalismo mais ousado.
Assim, não é de admirar que, no ano em que se cumpre o 20º aniversário do desaparecimento físico de Zeca, surjam diversos projectos, dos mais diferentes intérpretes, todos eles tendo por base a obra ímpar do criador de Grândola, Vila Morena. É uma obra tão rica e tão plural que fazê-lo se torna, convenhamos, uma tentação. E, aberto como era às novas tendências e a encorajar os mais novos, José Afonso teria decerto aplaudido todos os que, partindo do seu trabalho, procuram ir mais longe – nos arranjos, nas interpretações, nas atitudes – e tentam não apenas recriar as suas músicas, mas, de certo modo, voltar a inventá-las.
É o que se passa com Cristina Branco. Acompanhada por um conjunto de músicos de excepção (que são também responsáveis pelos arranjos das dezasseis canções que integram este trabalho), Cristina não se limita a ser a voz, mas procura igualmente dar corpo às músicas que interpreta. Fá-lo com zelo, grande entrega e um talento exemplar. Além disso, não se limitou a escolher algumas canções de Zeca, mas escolheu estas, o que torna o desafio ainda mais difícil: é que, se cantar José Afonso nunca é fácil, interpretar este conjunto de temas constitui um risco que só um(a) grande intérprete consegue vencer.
Ora a Cristina, já o sabíamos, é uma grande intérprete. É-o, pelo menos, desde há dez anos, quando se revelou publicamente como cantora. Cantora de fados, numa primeira fase, mas que rapidamente mostrou que queria (e podia) ser muito mais do que isso. Que já seria bastante – mas não o bastante, nem para ela, nem para nós.
Dona de uma voz clara e personalizada, senhora de um estilo próprio, a Cristina não é, nem quer ser, uma cantora igual às outras. Mas também não tem de fazer nada de especial para ser diferente: basta-lhe ser como é, sem afectações e sem se deixar corromper pelos vícios que fizeram com que várias fadistas da era pós-Amália se tornassem como que clones umas das outras. Felizmente, a Cristina resistiu a essas tentações de facilidade e por isso aí está agora, tal como é: inteira, consistente, respeitada pelos seus pares e, mais importante, pelo seu público. Afinal, não há nada mais difícil do que a simplicidade, como nos ensinou o Zeca – e como nos mostra a Cristina.
A experiência agora concretizada de dedicar um concerto à música de José Afonso é o resultado lógico de um percurso, deste percurso de Cristina Branco. Na verdade, a música de Zeca está presente desde o início no trabalho e na vida da cantora: logo na sua primeira gravação de estúdio, o álbum «Murmúrios», cantou As Pombas, e mais recentemente, em «Ulisses», nos brincou com uma primeira e muito fiel versão de Era Um Redondo Vocábulo, uma das mais emblemáticas e mais complexas canções de José Afonso.
Tenho para mim que o mais difícil de cada vez que alguém pretende fazer novas versões de temas antigos – sobretudo de canções tão marcantes como são, por regra, todas os de Zeca – é que não basta ser fiel à forma e ao conteúdo dos originais, mas é sobretudo importante manter intacto o seu espírito. Porque cada canção tem uma alma própria, que é preciso respeitar e manter intacta, por maiores que sejam as transformações, legítimas, que o corpo possa sofrer. E é isso que se sente neste concerto: cada tema aparece numa versão remoçada, criativa e, frequentemente, muito arrojada. Em alguns casos haverá decerto quem questione as soluções
adoptadas – que foram estas, mas poderiam com igual legitimidade ser outras – mas a verdade é que, em todas as interpretações, a alma da canção está lá.
Viriato Teles

READ MORE
Rádio
17/12/2007By AJA

Músicas de José Afonso escolhidas por várias personalidades

A Antena 1 reuniu algumas das canções de José Afonso, escolhidas por diversas personalidades. Seleccione a imagem para aceder a essas escolhas.

READ MORE
AJA Norte
09/12/2007By AJA

Noite da música de intervenção

Algumas fotografias da “noite da música de Intervenção” que ontem 13-12-2007 o núcleo norte da AJA promoveu a convite do Coral do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar.
Participaram Jorge Ribeiro, Paulo Esperança; Ana Afonso, Ana Ribeiro, Zé Luís Guimarães e, a fechar, o Tino Flores que cantou, desde fado vadio do tempo da República, cantigas de antes do 25 de Abril assim como as suas últimas criações.
No final o Coral brindou-nos com uma óptima interpretação do ACORDAI, de Fernando Lopes Graça.

READ MORE
ImprensaJosé Mário Branco
07/12/2007By AJA

Homenagem ao músico e poeta Zeca Afonso no museu de Vila Franca de Xira

O Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, encheu-se para ouvir falar de Zeca Afonso. Alípio de Freitas e José Mário Branco evocaram o homem que lutou contra o regime através da música e da poesia.

“O Zeca não só é intemporal, como é, acima de tudo, universal. É um músico e um poeta extraordinário em qualquer lugar e em qualquer tempo deste mundo”. Foi com estas palavras que Alípio de Freitas recordou o eterno amigo Zeca Afonso. Emoção e saudade foram dois dos sentimentos presentes durante toda a sessão de homenagem a José Afonso que decorreu domingo, 2 de Dezembro, no auditório do museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, e que contou com a presença dos amigos Alípio de Freitas e José Mário Branco. Os 96 lugares do auditório foram poucos para todas as pessoas que quiseram ouvir falar do músico português.

Alípio de Freitas contou, perante uma plateia atenta e entusiasmada, o episódio que o levou a conhecer o grande músico e poeta Zeca Afonso. Alípio de Freitas, natural de Trás-os-Montes, foi vigário e emigrou para o Brasil no final da década de 50 onde foi sacerdote e professor universitário.

Devido à sua actividade revolucionária esteve preso duas vezes. Soube-se em Portugal através de uma carta que Alípio de Freitas conseguiu contrabandear do presídio onde se encontrava que havia, nessa altura, dois portugueses presos no Brasil. Zeca Afonso teve conhecimento desta carta e compôs uma música à qual deu o nome de “Alípio de Freitas” como forma de homenagear o português que também lutava pela liberdade no país irmão. Quando lhe contaram da música que José Afonso tinha feito, o sacerdote que estava preso em Santa Cruz não conhecia o cantor nem o seu trabalho. “Era muito difícil a informação de Portugal chegar ao Brasil naqueles tempos e ninguém me sabia dar indicações sobre o Zeca”, explica.

Depois deste episódio a vontade de conhecer Zeca Afonso cresceu. Assim que regressou a Portugal, em 1980, Alípio foi apresentando ao cantor e, segundo o sacerdote, a empatia foi imediata. “Quando conheci o Zeca tive a sensação que já o conhecia há muitos anos e ele sentiu o mesmo. Por isso, costumo dizer que não conheci o Zeca mas sim, reencontrei-o”, afirma.

Também José Mário Branco, cantor intervencionista, trabalhou e privou com Zeca Afonso enquanto autor de arranjos dos discos do falecido músico. A relação com Zeca foi mais próxima depois da Revolução do 25 de Abril. Antes de 1974, José Mário Branco esteve exilado em Paris por ser contra o regime ditatorial. O cantor recorda que, durante a gravação dos discos de Zeca, houve apenas uma vez um pequeno desacordo entre ambos. “O Zeca não concordava com os arranjos musicais que eu tinha feito para a canção “Maio, maduro Maio”. Achava estranho e não tinha a certeza se iria funcionar com o público. Disse-lhe que a música ia ficar assim e que dali a dez anos conversávamos sobre o assunto. A música foi um sucesso e nunca mais falamos nisso até que, uma década depois, o Zeca veio ter comigo e deu-me razão”, recorda, divertido.

José Mário Branco lamenta não existir um único livro com as melodias e acordes do “mestre” para as gerações mais novas aprenderem como é que Zeca Afonso cantou e tocou as suas músicas. “É inadmissível que o livro não esteja à venda. Está feito há cerca de quatro anos mas não foi autorizado a ser publicado”, assegura.

Por: Ana Isabel Borrego | O Mirante

READ MORE
Testemunhos
02/12/2007By AJA

“Maior que o pensamento”

É vulgar, quando alguém com notoriedade desaparece, como cogumelos nascerem amigos e companheiros, que sempre têm uma história para contar, como se fora sua mas normalmente com outros acontecidas. Do Zeca e com o Zeca, não faltam narrativas. Nem sempre edificantes. Gente que pode ter sido sua contemporânea em Coimbra mas que não foi de sua privança, barafusta com uma ou outra historieta que, algumas vezes, de forma acintosa, tem por objectivo pôr em causa aspectos da sua personalidade, quando não da sua vida privada, pelo incómodo da grandeza e refinamento ideológico.
Tem-me acontecido virem contar-me pequenos episódios de vivência coimbrã passados comigo, que eventualmente relatei, que dada a volta costumeira e por desfibrilhação entrópica, regressa a mim na euforia de alguém que conta como se passados consigo.
O Zeca paga esse preço, exactamente pelo que sempre foi mas sobretudo pelo mito que se tornou, pelo que vão transitando em julgado algumas calúnias e desmandos em que se tornou fértil ou sempre o foi a Coimbra provinciana e invejosa, mais apta a notabilizar boémios que os que cometiam o pecado capital de pensar, pensar livremente, agir no espaço subjectivo da liberdade consentida, no exercício de um estilo de vida que é essência da criação poética.
Assim o Zeca, livre pensador que adornava uma rara alma de artista e uma assumida consciência cívica, interventora e comprometida ideologicamente, que veio a traduzir-se no plano da criação artística numa obra que o coloca entre os principais músicos do sec. XX, naquilo a que depois se chamou cantautores.
O Zeca mais próximo do que pretexta esta sessão de homenagem é o intérprete de música de matriz coimbrã, maxime aquilo a que se convencionou com maior ou menor rigor chamar de fado de Coimbra.
O Zeca Afonso andava pelos bancos do liceu D. João III em Coimbra e já participava em serenatas e também em espectáculos populares, pela mão de Flávio Rodrigues e Fernando Rodrigues, os irmãos barbeiros a quem a música coimbrã tanto deve, mas que vão andando esquecidos ou aqui e ali relembrados, porque uma forma bacoca de elitismo sempre ali morou, instado no código genético universitário.
A um tempo, jogava futebol nos juniores da Académica, imagine-se, a extremo direito, e garanto-vos que tinha um jeitão.
Entrado na universidade, para frequentar Histórico-Filosóficas, José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos integra o Orfeon e torna-se solista de segundos tenores. Tem uma voz suave, pessoal e em quitação de pieguismos, como poucos faz ouvir palavras inteiras, divide com rigor a sintaxe musical, articula com sentimentalidade premunida o a dizer, desvenda semiogonias que tantas vezes o verbo esconde.
Mas o Zeca não era muito de estar arrumadinho em naipes, de se perfilar em corais. Foi estando como pretexto para outras digressões, deu uma mãozinha quando foi criado o coral das Letras, primeiro coro misto da nossa academia.
Aconteceu casar muito cedo e nascerem-lhe dois filhos. Foi do amor uma decisão contrariada que lhe acumulou dificuldades. Passou a morar com a Amalita, como lhe chamava ternamente, numa cave da Rua de S. Salvador, em frente da casa da mãe do Jorge Godinho, senhora que foi formando os filhos a dar cama, mesa e roupa lavada a estudantes.
Nessa casa, num quarto das traseiras, voltado para a rua do Loureiro, arrumava os códigos e rubricava a viola o Levy Batista, e por lá andava eu, entre o tertuliar conspirativo e uns garganteios, consolidados depois na Tuna e segredados nas mesas do Café Montanha, em partilha fraternal.
Connosco também o Zeca, inevitavelmente, a rilhar maus momentos, com subtis apoios de alguns de nós e a solidariedade de poucos.
Tempos difíceis, porque chamado para a tropa vai a Mafra para o curso de oficiais milicianos, regressando a Coimbra com a galonite de alferes atravessada nos ombros.
Era insuperável nas caricaturas que fazia de toda a militança, acidulado para a hirerarquia das continências, incontinente de fina ironia quando de pistola à cinta saía para a ronda de polícia militar, prática corrente da sociedade castrense.
A guerra colonial suspirante a menos de uma década, já respirava entre aqueles de nós que éramos menos dos copos e mais das leituras e do compromisso cívico, e até se dera o caso de Agostinho Neto ser hóspede da tal casa, como de resto o era também Carlos Mac Mahon.
Íamos falando em surdina a pensar se as paredes tinham ouvidos, entre uns fados tradicionais e umas cançonetas napolitanas, que a viola do Levy magistralmente sublinhava e a guitarra do guitarrinhas, o Jorge Godinho, amparava como podia, até ascenderem ambos ao estrelato daquilo a que se chamou Quinteto de Coimbra, ou mais afiambrado, Coimbra quintet, coisa que nunca existiu.
Eram tempos da fraternidade a pairar no para sempre do tempo, que se instaurou para que mais bem se compreenda o Zeca que volta a Coimbra na crise académica de 62 a partilhar com os jovens de então a dimensão das revoltas, Abril antes de Abril tão mal recebido por tantos dos que agora blasonam de terem sido seus companheiros.
Por isso me importa aqui, sem um módico de esquecimento do excelente intérprete da música de Coimbra, a que de resto regressou com o disco de homenagem a Edmundo Bettencourt, colega que fora de seu pai, me importa, dizia, celebrar o cantor de intervenção política projectado sobremaneira nas memórias porque uma sua canção foi senha da madrugada de Abril da liberdade sonhada, cantor de protesto que vale por uma obra poética e musical que está muito para além das circunstanciais fronteiras, que seria certamente celebrado em todo o mundo se em língua mais universal tivesse cantado.
Músico inspiradíssimo e poeta de rara sensibilidade, mas acima de tudo muito consciente dos mecanismos da criação, estranhamente ou talvez não a sua obra poética não consta das recolhas e referências da poesia portuguesa contemporânea, não se elenca nos cânones historiográficos da nossa literatura e, não obstante, acentua-se, marca como poucos a contemporaneidade.
Não sei de manual escolar onde apareça um poema seu, e como seria importante, ainda que não se atrevessem à dimensão mais notadamente política, como seria importante dar a ler a sua obra eminentemente lírica, na qual a limpidez de um olhar inteligente sobre a vida, sobre as pessoas e sobre os sentimentos ressoa como das mais conseguidas da segunda metade do século vinte.
Mas a literatura ausentou-se do ensino da Língua, pensar realmente dá trabalho, instalou-se a ideia peregrina de que a escola é espaço lúdico. Sabemos o preço, na charneca intelectual em que o país estiola.
Celebrem-se por oposição os estudos de Elfriede Engelmayer e os esforços de Viale Moutinho, persistentes em trabalhos adultos sobre o nosso poeta e compositor, registos se não exaustivos garantem porém uma visão clarividente do Homem e da Obra, grafados com maiúsculas, porque de coisa grande se trata.
Entre muitas dezenas, proponho este poema escrito em Coimbra, em 1955:

A minha voz não ouve a voz do vento
A minha mão não sente a mão que sinto
Os meus olhos não vêem o que eu vejo
Desisto e invejo o que me dá alento

Seduzo-me a tentar mas não me tento
Pretendo-me sem dar-me o pretendido
Se busco perco-me onde não há p’rigo
Nutro de olvido com que me sustento

Se por aqui não venho ali não sigo
O que m traz por cá foi-me esquecendo
Desfaço o feito e faço o presumido
Nada consigo e nisto vou cedendo

Nisto prossigo e nisto me entendendo
(A voz de bronze que me traz consigo)
Ó minha amada vê como estou vendo
Ceia também comigo ó meu amigo

Atendamos uma outra maneira de exteriorizar o sentido, ante a morte de um ente querido, escrito nos anos cinquenta, quando dele se sabe que cantava em serenatas e brincava com as palavras, nas conversas à mesa do café. É um extraordinário poema sobre a morte, a morte petrificada em incomunicação:

Pela quietude das tuas mãos unidas.
Desce o eterno e a paz.
Nada perturba o silêncio posto nas tuas pálpebras.
É a morte o templo, a plenitude infinda.
Abatem-se os contornos, teu vulto esfuma a rigidez das coisas,
a exactidão concreta.
Nenhuma dor descerrará nossas bocas profanas
para pronunciar o césamo que te abrirá os céus,
pobre silhueta humana, já pertença neutral,
informe barro
Inalterável mistério, subsistência.
Entre o vivo e o morto o abismo sa incomunicação,
A distância absurda da intemporalidade.
O entrar na origem, menos existência
Que companhia apenas de todas as coisas que ali estão
Em frente além.
Só contemplar-te para penetrar teu mistério
E apressar a corrida para a petrificação.
Depois sim: vossa presença pura
Entre Impronunciáveis e Inconcebíveis-Nada..

Que coisa o amor! Pobre balbucie
Gérmen do primeiro estrebuchar da primeira forma.
Embrião latejando o que quer persistir e continuar-se-Assim

E se ainda não perceberam até ao fim estes grande poeta e homem de acção cívica, fiquemos com esta carta escrita à filha Joana, na prisão de Caxias, em Maio de 1973:

Prosema III

Querida Joana:
Como sabes eu estou preso mas também não sou um homem mau. Viste como foi. Não sejas rabugenta e ajuda o Pedro. Se ele estiver birrento lembra-te que ainda é um bebé e tu mais crescida que ele. O que eu não gosto é que sejas egoísta porque é muito feio. Se alguma das tuas amigas querem tudo para elas deixa lá. Elas fazem mal mas tu não. Explica-lhes que não devem ser egoístas. Tem cuidado com os sugos e outras porcarias iguais porque podes ficar sem dentes. Depois, mesmo que os queiras ter já ninguém te os pode pôr. Ficas como os velhinhos. Alguns deles tinham a mania de comer guloseimas, gelados e caramelos. E também chocolates.
Eu lembro-me muito de ti e do Pedro. O Zé ainda não cortou as barbas? Diz à Lena que eu não gosto que ela seja desarrumada.
Todos têm que ajudar a mãe e a Dina.
Muitos beijos do
Zeca Pai
Caxias, 13-5-1973

Todos sabemos que a maior parte da sua obra poética não foi musicada. Também sabemos que musicou outros poetas, Camões, Pessoa, Sena, António Quadros pintor, Ary, António Barahona, Ferreira Guedes Luís Andrade, Paulo Armando e António Aleixo. Estas cantigas, como toda a sua obra, mais lírica ou mais interventora, com ressonâncias épicas, são notavelmente alguns dos grandes momentos da nossa música dita popular, pela forma rigorosa como articula os sons com a respiração poética, como nos alerta e nos convoca.
Pouco se repara na construção da canção dos Vampiros, na simplicidade inultrapassável das palavras para o objecto que se propõe, na tessitura epopaica em que a metáfora se desfaz e se refaz, para se metonimizar em denúncia do poder arbitrário e do capital sôfrego, como escapa a muitos a densa ternura do Menino do Bairro Negro, a quem se devolve a esperança do sol nascente, a luz da redenção, o novo dia de todas as auroras, como se um embalo, onde comovida a ternura se expande e purifica.
Escolhi estes porque são as suas primícias, mas validamos por igual o baú de todos os seus tesouros.
Não me chegava toda esta noite, não chegavam muitas noites e toda a vossa paciente benevolência para percorrer a obra poética do Zeca onde se reconhecem cerca de duzentos poemas, que entrelaçam a fina ironia com as transparências líricas do amor e da morte, mas sempre a claridade solidária e a notação de um futuro a haver, com a chama empunhada para luminoso caminho dos humildes e a palavra apontada a todas as iniquidades. Cantou a esperança, como cantou a raiva e a revolta.
Cantou as lonjuras da planície heróica e olhou como irmão as suas gentes, musicou peças de teatro com canções marcantes, notificou-nos para a nossa responsabilidade cívica com cantigas de todos os Maios, no abraço a quantos amigos maiores que o pensamento, vieram nas estradas, convocou-nos para as fileiras clamando pela amizade solidária, trouxe a estrela d’alva ao sonho dos meninos, soltou pombas brancas e chamou-as ao nosso desassossego, alertou os submissos e apelou a mudar de rumo as formigas no carreiro, balada de Outono de águas de um rio da esperança que volte a cantar, com ceifeiras a olharem a morte saída à rua na paleta do pintor, linóleo de Dias Coelho atravessado pelo tiro da raiva traiçoeira numa rua de Alcântara, com Catarina no tempo, porque se um homem se põe a cantar, vejam bem, amigos, que não há só gaivotas em terra, e é preciso ensinar o sonho, maduro Maio para os índios da meia praia saberem como encontrar o lugar, para que todos os homens, seus irmãos, ergam punhos bem apertados ao internacionalismo das mais ridentes utopias, de pé, pois

Não basta pregar um prego
Para ter um bairro novo
Só unidos venceremos
Reza um ditado do povo.

Para sempre o Zeca se ficou nas suas tamanquinhas porque plantou a semente das palavras e elas aí estão, aí ficaram, com elas vamos, e ainda aqueles que ficarem, os que se afastaram no caminho, os que perderam élan e agora partilham da taça do vinho novo, encontrarão sempre, se souberem ouvir, se ler souberem, se pensarem até doer, que em Coimbra tudo começou no tempo em que em flor se abriu a sombra da sua capa, para nos contar baixinho contos de amor velhinhos em qualquer noite fria e triste, porque ao lembrá-lo, aqui reunidos numa celebração eucarística, amigos, companheiros, senhoras e senhores, para todo o sempre, a cabra da velha torre, de todos os amores, chora por ele, chora por nós se não soubermos honrar a sua memória.
Disse

José Henrique Dias

READ MORE
Associação José AfonsoTertúlias
02/12/2007By AJA

II Tertúlia Associativa de Homenagem a José Afonso

O Município de Setúbal tem a honra de convidar V.Ex.ª para estar presente no próximo dia 15 de Dezembro de 2007 (Sábado), entre as 21h 30 e as 23h 30, na sede do Grupo Desportivo Independente, para a segunda Tertúlia Associativa de Homenagem a José Afonso, com a participação da Sara Margarida, a Banda do Andarilho, o Núcleo de Poesia do Independente, a Associação José Afonso e “outros amigos também”.

READ MORE
Benedicto Garcia VillarGaliza
30/11/2007By AJA

Unha rúa para o Zeca en Santiago

O concello de Santiago aprobou en sesión celebrada onte á tarde un conxunto de novos nomes para rúas e espacios públicos da cidade. Entre eses nomes está o de José Afonso. A proposta fora presentada ó Concello por unha comisión formada por Benedicto García Villar, Arturo Reguera e Xoán Guitián co apoio de máis de 2.900 persoas de diversos paises.
Un saúdo

Xoán Guitián Rivera

READ MORE
Homenagens e tributos (música)João Afonso
28/11/2007By AJA

“Redondo vocábulo” amanhã no Onda Jazz

READ MORE
Homenagens e tributos (música)Vídeo
28/11/2007By AJA

O grupo Tela na homenagem a José Afonso em Arcos de Valdevez


“Vejam bem” foi o tema de abertura do Concerto na Casa das Artes de Arcos de Valdevez. A voz inicial (megafone) é do actor Nuno Pinto.


Menina dos olhos tristes


Verdes são os campos

READ MORE
Arranjos corais
25/11/2007By AJA

Arranjo para coro de “Verdes são os campos” por M. Roseira Dias



READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
24/11/2007By AJA

Se ainda for a tempo… Hoje em Gueifães

READ MORE
Andrés StagnaroVídeo
23/11/2007By AJA

Andrés Stagnaro interpreta “Que amor não me engana”


Concerto de homenagem a José Afonso na Sala Zitarrosa em Montevideo, Uruguai.

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
22/11/2007By AJA

Concerto de homenagem a José Afonso em Carcavelos

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
20/11/2007By AJA

Exposição temática sobre José Afonso inaugurada no Átrio do Auditório da Casa das Artes

O grupo Tela
O Átrio do Auditório da Casa das Artes de Arcos de Valdevez receberam no passado dia 9 de Novembro dois eventos enquadrados com a figura do músico José Afonso.
Às 22h00 teve lugar a abertura ao público da mostra temática e biográfica “José Afonso: O que Faz Falta”, uma produção do MC/Mundo da Canção, que coloca no espaço municipal consagrado à cultura dezenas de LPs, CDs, livros, brochuras, singles, vídeos, além de revistas, catálogos e fotos, apoiados em recortes da imprensa nacional e estrangeira, que recordam e ilustram a vida e obra de um dos nomes maiores da música lusa do século XX, numa exposição que se alargará até o dia 7 de Janeiro de 2008, criando, por tal, uma possibilidade única de contacto com tão significativo e original espólio. No acto inaugural, que contou com a participação de Eduardo Pinheiro em representação da AJA (Associação José Afonso), o Presidente da edilidade, Francisco Araújo, referiu de igual modo a importância do acervo para a compreensão da vida cultural portuguesa dos últimos 30 anos, razão pela qual o município articulará a mostra com os estabelecimentos de ensino locais, bem como a dimensão produtiva e criadora do músico, que não conhece limite geracional e/ou ideológico.
A partir das 23h00, o acto inaugural migrou para o espaço do Auditório Municipal, que se mostrou pequeno para albergar as quase três centenas de pessoas que nele se instalaram para assistir ao espectáculo musical trazido pelo grupo “Tela”. Numa performance de elevada qualidade musical, evoluíram reinterpretações e abordagens altamente cuidadas do reportório de José Afonso, num respeito absoluto pela base original, mas perspectivando novos corredores sonoros e expressivos, que misturaram, por exemplo, instrumentos tradicionais como o bombo ou a concertina com o saxofone e a guitarra eléctrica, numa abordagem verdadeiramente conseguida, que obteve, em cada tema, os maiores aplausos e ovações do público presente; estão de parabéns a Inês Sousa, o Miguel Fernandes, o Carlos Pinto, o David, o Paulo Freitas, o Rui, o Danny Pacheco, o Nuno Pinto, o Pedro Silva e o Rui Neiva pelo excelente trabalho desenvolvido, bem como pela coragem e ousadia de “reinventar” o génio criativo de uma dos músicos mais significativos da identidade sonora portuguesa.

READ MORE
Associação José AfonsoTertúlias
20/11/2007By AJA

Tertúlias Associativas” em Setúbal relembraram José Afonso

Francisco Naia, cantor de intervenção no período do 25 de Abril, interpretou temas da altura e de José Afonso, tal como a Banda do Andarilho.

José Afonso e o espírito de Liberdade do 25 de Abril foram recordados no sábado à noite, na sede do Rancho Folclórico de Praias do Sado, no primeiro encontro das Tertúlias Associativas.

No encontro, o primeiro de cinco promovidos no âmbito desta iniciativa organizada pela Câmara Municipal de Setúbal em colaboração com colectividades e a Associação José Afonso, foram exibidos dois filmes sobre Zeca Afonso. Houve, ainda, períodos musicais e de poesia de composições de autoria do cantor da Liberdade.

Durante a tertúlia partilharam-se testemunhos sobre o período da ditadura e Vítor Serra, que declamou poesia de José Afonso, leu uma mensagem escrita por Otelo Saraiva de Carvalho, enviada ao Círculo Cultural de Setúbal, em 1988, em que recordava o esforço da população setubalense em prol da Revolução dos Cravos.

Francisco Naia, cantor de intervenção no período do 25 de Abril, interpretou temas da altura e de José Afonso, tal como a Banda do Andarilho.

A tertúlia encerrou com uma actuação conjunta de todos os artistas.

A sessão contou com as presenças do presidente da Junta de Freguesia do Sado, António Augusto, e do representante da Associação José Afonso, Henrique Mendes.

O próximo encontro realiza-se no dia 15 de Dezembro, no Grupo Desportivo Independente.

As restantes tertúlias estão agendadas para 19 de Janeiro, no Clube Recreativo Palhavã, para 16 de Fevereiro, no Centro Cultural e Desportivo de Brejos de Azeitão, e 15 de Março, na Sociedade Musical Capricho Setubalense.

Todos os encontros têm início às 21h30.

READ MORE
AJA NorteHomenagens e tributos (2007)
19/11/2007By AJA

Ontem, na Maia, foi assim…

READ MORE
Couple CoffeeVídeo
18/11/2007By AJA

“Balada de Outono” pelos Couple Coffee

READ MORE
AJA NorteHomenagens e tributos (2007)
18/11/2007By AJA

Hoje na Maia.

READ MORE
Couple Coffee
18/11/2007By AJA

“Café forte com creme” | Nuno Pacheco sobre os Couple Coffee

READ MORE
ExposiçõesImprensa
15/11/2007By AJA

José Afonso na exposição «O que faz falta» em Arcos de Valdevez

A exposição, intitulada O que faz Falta (parafraseando um dos mais conhecidos temas de José Afonso) é constituída por parte do extenso espólio que empresa editora, distribuidora de discos e promotora de concertos MC/Mundo da Canção, do Porto, reuniu ao longo das últimas décadas.

A mostra é constituída por LP’s, CD’s, livros, brochuras, singles, vídeos, revistas, catálogos, fotos e recortes da imprensa nacional e estrangeira que ilustram o percurso de José Afonso que coincide com a evolução de quatro décadas da música popular portuguesa.

A exposição, que conta com o apoio da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, é promovida conjuntamente pelo Núcleo do Norte da Associação José Afonso e pela a MC/Mundo da Canção.

Os organizadores desta iniciativa afirmaram a disponibilidade para levar esta exposição «pelo país fora, de forma a dar a conhecer um pouco mais da realidade e da história portuguesa, contada através da música, das canções e da vida de um dos maiores vultos da música portuguesa»

Lusa/SOL

READ MORE
Homenagens e tributos (vídeo)
12/11/2007By AJA

Mais um tributo encontrado no youtube

READ MORE
AJA NorteHomenagens e tributos (2007)
11/11/2007By AJA

Os cantos do Zeca


No próximo dia 18, domingo, pelas 16 horas, no Fórum da Maia, vai ser levado à cena o espectáculo “OS CANTOS DO ZECA”.

Esta iniciativa da responsabilidade da Associação José Afonso (fundada em 18 de Novembro de 1987), por intermédio do seu Núcleo do Norte, mistura músicos, actores, técnicos, profissionais e amadores, com o objectivo central de celebrar a vida e obra de José Afonso e percorrer vários “cantos” do “poeta, andarilho e cantor”.

Os “CANTOS DO ZECA” significará prestar um tributo aos vários “cantos” por onde o Zeca passou: Portugal, África, Galiza.

Os “CANTOS DO ZECA” significará, também, prestar um tributo aos vários “cantos” onde ele tem sido cantado por gente que faz da música e das palavras de José Afonso uma vontade de construir mundos sem muros nem ameias.Do Porto, de Castelo de Paiva, de Lisboa, do Alentejo, de Viana do Castelo, de Penafiel, de Braga, de Guimarães, da Galiza chegam cantores e actores que, principalmente durante este ano, têm sido “companheiros de estrada” do Núcleo do Norte da AJA.

Os “CANTOS DO ZECA” significará, ainda, prestar um tributo aos poemas e canções que José Afonso nos legou como forma de, ainda hoje, conseguirmos perceber “o que faz falta”.

Num espectáculo construído e desenhado cenicamente pelo Núcleo do Norte da AJA, José Afonso vai “estar presente” porque com ele percorremos estes 20 anos de caminho.

Os bilhetes, ao preço de 7,50€ estão à venda na Cooperativa UNICEPE (Praça de Carlos Alberto), Sindicato dos Professores do Norte (Rua D. Manuel II) e Sindicato dos Seguros (Rua do Breiner) podendo ser feitas reservas pelo endereço: ajanorte@gmail.com

Contactos:
Paulo Esperança (Telem. 917711964
José Carlos Pereira (Telem. 916090033)

READ MORE
Steel DrummingVídeo
10/11/2007By AJA

Concerto “Steel Drumming toca Zeca Afonso” na net

O último concerto “Steel Drumming toca Zeca Afonso” foi no Teatro Gil Vicente em Coimbra. No dia 14 poderão ver a gravação des espectáculo no site da ESEC TV
http://ndsim.esec.pt/pagina/esectv/index.php

READ MORE
Associação José AfonsoTertúlias
09/11/2007By AJA

Tertúlias associativas em Setúbal homenageiam José Afonso

READ MORE
Homenagens e tributos (música)
09/11/2007By AJA

“Que viva Zeca” em Sacavém

Próximo domingo, dia 11 de Novembro, pelas 16 horas, na Quinta de S.José , em Sacavém, o Grupo Erva de Cheiro apresenta o espectáculo de homenagem a José Afonso, Que viva o Zeca, numa iniciativa promovida pela Associação dos amigos e naturais de Louriga, que por ser dia de S. Martinho, não vai esquecer as castanhas e a água pé.

Um bonito espectáculo que continua a homenagear o genial musico José Afonso desaparecido há 20 anos, mas cuja musica e exemplo de cidadania continua a influenciar um largo numero de músicos em todo o País.
Um espectáculo a não perder!

READ MORE
Escolas
07/11/2007By AJA

Oficinas de escrita sobre José Afonso

A Biblioteca de S. Domingos de Rana, convidou a AJA a dinamizar duas oficinas de escrita criativa baseada na vida e obra de José Afonso. A primeira realizou-se ontem e a segunda realizar-se-á no dia 29 do corrente mês. Esperamos em breve poder publicar aqui alguns dos textos resultantes dessa oficina com alunos da Escola Frei Gonçalo Azevedo.


READ MORE
Cristina BrancoVídeo
07/11/2007By AJA

“Abril” de Cristina Branco na SIC notícias

READ MORE
Homenagens e tributos (música)
06/11/2007By AJA

ZECA AFONSO TROPICAL NO CCB

Os Couple Coffee apresentam-se finalmente em concerto na mais conceituada sala de espectáculos do País, o Centro Cultural de Belém, um espectáculo agendado para o pequeno auditório daquele espaço a 20 de Novembro.

Dados a conhecer em 2005, através do seu disco de estreia “Puro”, os Couple Coffee, na altura em formação dueto, confirmavam o rótulo com que vinham Luanda Cozzetti e Norton Daiello do Brasil – dois dos artistas emergentes mais interessante de terras de Vera Cruz.

E foi de facto a voz de alma cheia de Luanda e o virtuosismo de Norton que contagiaram um público muito específico e exigente.

Este ano, já em formação quarteto, os Couple Coffee contam com a participação de Sérgio Zurawski e Ruca Rebordão, quer na gravação do segundo álbum, quer nos espectáculos ao vivo.

“Co’as Tamanquinhas do Zeca” um produto de Couple Coffee and Band é o segundo álbum do grupo, que a partir da obra do maior cantautor português – Zeca Afonso – cria um original e singular universo musical que dá origem a este trabalho que será apresentado no pequeno auditório do CCB.

De referir ainda que os Couple Coffee ao longo da sua ainda curta carreira, tem trabalho com artistas de peso, como, J.P.Simões, Vitorino, Jorge Palma, Sérgio Costa ou Gabriel Gomes.

Fonte:TRANSFORMADORES

READ MORE
Cristina BrancoImprensa
05/11/2007By AJA

”Abril” de Cristina Branco recria temas de Zeca Afonso

Cristina Branco define o seu novo álbum, “Abril”, a editar hoje como “uma perspectiva feminina de José Afonso, que não procura trazer nada de novo e apenas lembrar”.
Este álbum, constituído exclusivamente por temas do repertório de José Afonso, surge depois de um ciclo de espectáculos que Cristina Branco realizou este ano no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa. “Vim para estúdio mais amadurecida e experimentada nos temas que têm arranjos do Ricardo Dias mas em que afinal todos os músicos participaram. “Canto Zeca Afonso pelo ideal que representa de humanidade, simplicidade e pela qualidade do seu trabalho”, disse a cantora. “Qualquer músico tem de, obrigatoriamente, passar por Zeca Afonso e reflectir sobre aquilo que ele nos deixou”, acrescentou. Um trabalho idêntico ao que realizou sobre Amália Rodrigues, com o facto de a música de José Afonso a ter acompanhado desde sempre, disse. A escolha das músicas “não será a mais óbvia” afirmou a cantora, todavia em “Abril” encontramos temas emblemáticos de Zeca, como
“Menino d’Oiro” ou “Venham mais cinco”. No total são 16 canções, abrindo o álbum com “Menino d’Oiro” e encerrando com “Chamaram-me cigano”, passando por “Redondo vocábulo” de que Cristina tinha já feito uma recriação num álbum anterior, “A morte saiu à rua” ou “Índios da Meia Praia”.
Primeiro de Janeiro

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
04/11/2007By AJA

José Afonso homenageado na IX Grande noite do fado académico

Depois das Homenagens ao Dr. Luiz Goes, Dr. Camacho Vieira, Dr. Almeida Santos, Dr. Joaquim Pimentel, Dr. Manuel Alegre, a Carlos Paredes, ao Dr. Ângelo Araújo e recentemente ao Dr. Fernando Machado Soares, a Associação de Estudantes e o Grupo de Fados do ISEP pretendem nesta IX edição homenagear Zeca Afonso, como referência à sua importante participação e composição de reconhecidos temas da Canção Coimbrã.

READ MORE
Luis Cília
02/11/2007By AJA

Sítio sobre Luis Cília

Para quem quiser saber mais sobre este músico, Leonardo Verde oferece-nos neste síto um trabalho assinalável. Seleccione a imagem para aceder a este trabalho.

READ MORE
Homenagens e tributos (música)
01/11/2007By AJA

Projecto Tela – Tributo a José Afonso


Um projecto de raízes Arcuenses, que projecta, com elevada qualidade, a dinâmica criativa de José Afonso, demonstrando a irreverência e actualidade do seu sentido produtivo, mesmo após os 20 anos que nos separam da sua morte.
Integram o projecto: Inês Sousa – Voz; Miguel Fernandes – Voz, Guitarras, Bandolim; Carlos Pinto – Saxofones; David – Acordeão; Paulo Freitas – Bateria, Percussão; Rui Dantas – Baixo; Danny Pacheco – Piano; Nuno Pinto- Leituras/Intervenção poética; Pedro Daniel Silva – Vídeo; Rui Neiva – Som

Auditório da Casa das Artes de Arcos de Valdevez
9 de Novembro (sexta) 22h30 entrada livre

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
31/10/2007By AJA

Adriano na SIC Notícias e o disco de tributo

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
30/10/2007By AJA

Concerto de homenagem a José Afonso em Carcavelos

Dia 25 de Novembro | 18H30 | Auditório do Colégio Marista de Carcavelos

1ª parte

Projecção de Vídeo

Banda da Sociedade I.R. de Janes e Malveira, com interpretação de uma rapsódia de canções de José Afonso.

2ª parte

Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras
Grupo Coral Vozes do Estoril
Coro de Câmara de Cascais
Coro Polifónico de Cascais
ECCE GRATUM da A. M.Q. Carreira
Grupo Coral da SMUP
Grupo Coral da AISI
Vocal DA CAPO
Vocal DISCANTUS do GRD 1º Maio de Tires (cerca de 200 coralistas)

Mais informações em breve.

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
26/10/2007By AJA

Exposições nas Caldas da Rainha a não perder!

NOVE CAPAS P’RÓ ZECA
Capas e estudos gráficos de José Santa-Bárbara para os discos de José Afonso
+
O ZECA NAS CALDAS
Fotografias de José Afonso nas Caldas da Rainha

READ MORE
Steel Drumming
26/10/2007By AJA

“Steel drumming toca Zeca Afonso” em Coimbra

Festival de Música de Coimbra
Dia 1 de Novembro de 2007
21h30

O Drumming – Grupo de Percussão, nasceu no Porto, em 1999, com direcção artística de do percussionista espanhol Miquel Bernat. Desde o seu início tem vindo a contribuir para o estímulo da evolução da percussão, em todos os seus domínios, em Portugal e na cultura ocidental. Nos seus primeiros anos de existência, ganhou imediatamente a simpatia do público e da crítica especializada, tornando-se numa referência na vida musical portuguesa. O objectivo artístico prioritário do Drumming consiste em levar, ao mais alto nível, a percussão, através da difusão do repertório já existente ao mesmo tempo que convida compositores contemporâneos a criarem novas obras para o grupo desafiando-os a quebrar barreiras musicais no domínio da percussão. Neste projecto de tributo a um autor o grupo apresenta-se como Steel Drumming, uma nova face do Drumming – Grupo de Percussão. A Steel Drumming tem a particularidade de tocar com as chamadas Steel Drums (ou Steel Pans), que são instrumentos musicais criados a partir de bidões de aço originários das ilhas caribenhas de Trinidad y Tobago e Saint Vincent. Graças às suas possibilidades rítmicas, melódicas, harmónicas bem como ao próprio movimento ou coreografia conseguida pelos músicos na sua performance este é um instrumento com uma adesão sem precedentes na história da música. O que o Drumming se propõe a realizar neste espectáculo, com duração aproximada de 60 minutos, é a prestação de um tributo a uma das figuras mais influentes da música e cultura portuguesas: José Afonso.
Composta pelo quinteto de músicos: Rui Rodrigues, Paulo Costa, João Tiago, Juca Monteiro e António Sérgio e pelo cantor/intérprete convidado especial Miguel Guedes dos Blind Zero, a Steel Drumming desafia-se neste novo espectáculo a criar novos arranjos, feitos pelos próprios elementos do grupo bem como de reconhecidos músicos como Bernardo Sassetti, Pedro Moreira e António Augusto Aguiar, baseados em temas originais de Zeca Afonso. Por outro lado também convidamos compositores portugueses como António Pinho Vargas, Nuno Côrte-Real e Carlos Guedes para comporem novas peças inspiradas na obra do incontornável cantautor. Este compositor multifacetado percorreu no seu repertório diversas áreas musicais desde as baladas de Coimbra à música tradicional, tendo também composto música para teatro. A sua obra musical continua ainda hoje a dar frutos e a influenciar as novas gerações de músicos e artistas. Admirado pela sua personalidade e forma de estar na vida, foi um homem solidário, movido por causas e ideais que lhe pareciam justos. José Afonso era um ser humano que se guiava por uma utopia e que nunca parou por muito tempo no mesmo lugar físico ou filosófico. Um dia disse de si próprio: «Alguma coisa do que sou e fui foi em viagem». O Drumming convida-o agora a acompanhar-nos nesta viagem musical pelo mundo sonoro do Zeca Afonso.

Precário:
Preço normal – 10,00€
Preço estudante e sénior – 8,00€
Preço Amigo/a TAGV – 5,00€

Informações e reservas na Bilheteira do TAGV. As reservas têm de ser levantadas durante os 3 dias seguintes ao pedido, ou serão anuladas. Só se aceitam reservas até 3 dias antes do espectáculo.
Horário: seg a sáb 17h00-22h00 Telefone: 239 855 636

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)Testemunhos
24/10/2007By AJA

Tributo nas Caldas é já esta quinta feira. Apareçam!

“José Afonso é mais do que um capitão de Abril, é um libertador de consciências”. São palavras dos responsáveis do Teatro da Rainha, entidade que vai homenagear o cantor nos serões dos dias 25, 26 e 27 de Outubro. “Fura Fura” assim se designa o tributo a Zeca Afonso que vai decorrer nas instalações do Teatro da Rainha (ex-Ual).A 25 de Outubro irá actuar o grupo de danças e cantares Mezzo Ensemble da qual fazem parte Luísa Ortigoso, Carlos Azevedo e Paulo Neves. No dia seguinte, a grupo Couple Cofee (Luanda Cozetti, Norton Daeillo, Sérgio Zurawski e Ruça Rebordão) apresentará o espectáculo “Co’as tamanquinhas do Zeca”. João Afonso com João Lucas (ao piano) encerram o tributo a 27 de Outubro com o concerto “Um Redondo Vocábulo”.Na sala-estúdio do Teatro da Rainha vai estar presente a exposição “Nove Capas p’ró Zeca” da autoria de José de Santa-Bárbara. A abertura da mostra está prevista para as 18 horas de 25 de Outubro.Este concerto é uma iniciativa do Teatro da Rainha que conta com o apoio da autarquia e com a colaboração de Helena Afonso, a filha mais velha de Zeca Afonso.Para mais informações e reservas contactar os tel. 262823302 ou 966186871. Os bilhetes para um dia custam 10 euros e para os três dias 25 euros, mas há descontos para estudantes e para quem pertence à Liga dos Amigos da Rainha.

Natacha Narciso | Gazeta das Caldas

PROGRAMA

1. – NOVE CAPAS PR’Ó ZECA
Capas e estudos gráficos de José Santa-Bárbara para os discos de José Afonso
Fotografias de Patrick Ullmann
Materiais sonoros: canções e conversas – inéditos de José Afonso – realizados em gravações rudimentares, na Beira, Moçambique.

2. – O ZECA NAS CALDAS
Documentos e fotografias da Associação José Afonso, Francisco Carrilho, Joaquim Lobo, José Nascimento e Rosa Cerqueira

3. – “ANDARILHO, POETA E CANTOR”
Vídeo realizado por Rogério Ribeiro

CONCERTO pelos “Mezzo Ensemble” (hoje)

O grupo forma-se a partir da vontade de fazer este espectáculo. Três músicos e uma actriz que dá a voz a cantar. É um ensemble que resulta dos caminhos de cada um, que se encontram na perspectiva musical da alma do projecto (Carlos Azevedo).

“Danças e Cantares” é um espectáculo de homenagem a Zeca Afonso. A sua música e poesia redimensionadas no seu primeiro clamor: a liberdade. Liberdade de interpretar. Liberdade de harmonizar. Liberdade de improvisar.

Homenagem a Zeca Afonso pela constante tentativa de universalização da música e do homem.

Duas danças (da autoria de Carlos Azevedo, o director do projecto) e sete cantares (de Zeca Afonso) fazem parte deste espectáculo.

Os músicos:
Carlos Azevedo – piano
João Paulo Courinha – saxofones
Paulo Neves – contrabaixo
A voz:
Luísa Ortigoso

Couple Coffee – dia 26 (amanhã)
Co’as tamanquinhas do Zeca

João Afonso e João Lucas – dia 27 (sábado)
Um redondo vocábulo

http://www.teatro-da-rainha.com/
geral@teatro-da-rainha.com
Fura, Fura por Fernando Mora Ramos

José Afonso é mais que um capitão de Abril, é um libertador de consciências. A sensibilidade é, como se sabe, um território de máxima ambiguidade. No que toca à sensibilidade artística é o reino da ausência de um ponto de vista, de um posicionamento e vai a par com aquela vaga noção de que em matéria de gosto cada um tem o seu.
Como se sabe não é assim. O gosto educa-se e quando ele é apenas educado pela força das estruturas de conformação das criaturas, da escola à família, hoje forças secundárias face ao Grande Educador televisão, logo se percebe que quem gosta, gosta do que pode ou gosta do que comeu, por assim dizer. Neste particular José Afonso é um caso paradigmático, a sua sensibilidade, o que transportam as suas canções e poesias como mundo e singularidade, introduziram na cultura portuguesa contemporânea algo de disjuntivo e vital. Desde as canções de amor, referidas ao amor cortês dos cancioneiros, à marrabenta moçambicana, passando pela incursão surreal no imaginário popular português, assim como a prática do “desvio” de que é um exemplo claro a canção “Os vampiros”, um falar ao lado para falar da coisa, tudo este poeta da voz tocou com magia melódica, ritmo vital e subtileza popular e erudita – ele é um representante da divisa “Elitário para todos” que Vitez, o encenador francês, um dia escreveu.Tocou também o teatro, sendo conhecida a incursão brechtiana, na Beira, em Moçambique, realizando as canções de “A excepção e a regra”, peça didáctica de Bertolt Brecht, esse desmistificador do Grande Costume, o tal que sempre afirma que “as coisas são como são e assim serão” e que o senhor Keuner, essa figura dialéctica, sempre desmistificou, sendo célebre a anedota: o senhor está na mesma, disseram. O senhor Keuner corou. Na realidade José Afonso é para nós um alimento constante, uma sombra que luz, um de nós, aquele que procurou a fraternidade na terra, o que lhe trouxe engulhos, mesmo uma ligeira mania depressiva, que a Velha Senhora impunha ao expandir o medo, essa doença que o cantor sempre quis expulsar de cabeças e corpos. Contra o medo, eis um lema. Medo que anda aí de novo, a espreitar brechas possíveis, a tornar-nos bem comportados, passivos, mortos.Fura Fura, iniciativa do Teatro da Rainha com o apoio da câmara Municipal de Caldas da Rainha e a colaboração de Helena Afonso, filha mais velha do Zeca, pretende isso: abrir brechas, cavar na ferida desse silêncio feito de tantos décibeis que hoje impera, ruído que oprime, um sentido que vitalize novos caminhos do desejo, caminhos que possam ser irmanados.Como a toupeira: fazendo e desfazendo galerias, longe da luz mas perto das mentes, lá onde um clic desperta nova vida, para que um dia a derrocada se faça a favor da verdadeira liberdade, aquela que permite a subjectividade, o gosto informado, o diálogo consistente, a democracia qualificada. Contra o circo romano imperial, esse em que os vampiros que despedaçam os indefesos da terra têm capacetes com visão nocturna.FURA FURA é esse encontro que faltava pela fraternidade real, sem velinhas, nem isqueiros, olhos nos olhos, palavras, escuta rigorosa e UTOPIA prospectiva, poesia

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
19/10/2007By AJA

Tributo a Adriano na SIC Notícias

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
19/10/2007By AJA

Adriano recordado na sua República de Coimbra, a Rás-te-parta

READ MORE
Documentários
18/10/2007By AJA

José Afonso no Doclisboa 2007

Inverte-se o big bang e o mundo inteiro volta a caber em Lisboa entre os dias 18 e 28 de Outubro por ocasião do 5º Festival Internacional do Cinema Documental que se realiza uma vez mais na Culturgest (na Sede da Caixa Geral de Depósitos), estendendo as suas sessões ao Cinema Londres e ao Cinema São Jorge. Entre a variedade de propostas que oferece a edição deste ano do doclisboa (os mais recentes documentários de Michael Moore e Spike Lee conhecem ante-estreia), poder-se-á encontrar também algum cinema documental dedicado à música ou inspirado por essa. Com isso em vista, o Bodyspace oferece um breve guia referente aos destaques do doclisboa dedicados ao nosso tema predilecto:

– A inconformada carreira do realizador polaco tornado cidadão inglês Lechi Kowalski, fulcral observador das margens punk, é merecedora de uma retrospectiva que passa pelo biográfico East of Paradise (26 Out. 20.45 – Culturgest (Pequeno Auditório) / 18 Out. 18.30 – Cinema Londres (Sala 1)), pelo punk e sapataria de The Boot Factory (24 Out. 20.45 – Culturgest (Pequeno Auditório) / 19 Out. 18.30 – Cinema Londres (Sala 1)), pelos excessos tóxicos do ex-New York Dolls Johnny Thunders visado em Born to Lose: The Last Rock and Roll Movie (24 Out. 18.15 – Culturgest (Pequeno Auditório) / 20 Out. 14.30 – Cinema Londres (Sala 1)) e pela caótica digressão dos Sex Pistols pelos Estados Unidos registada em D.O.A./Dead on Arrival (A Right of Passage) (23 Out. 20.45 – Culturgest (Pequeno Auditório) / 21 Out. 23.00 – Cinema Londres (Sala 1))

– A Walk into the Sea: Danny Williams and The Warhol Factory de Esther Robinson (18 Out. 18.30 – Cinema Londres (Sala 1)) foca a meteórica carreira de Danny Williams e a sua ligação à Factory de Andy Warhol, contando com algumas das primeiras filmagens existentes dos Velvet Underground

– Ghosts of Cité Soleil de Asger Leth e Milos Loncarevic (21 Out. 22.45 – Culturgest (Pequeno Auditório) /19 Out. 18.00 – Cinema Londres (Sala 2)) retrata o clima de tensão no Haiti tendo por base um protagonista que se julga o herdeiro directo do falecido MC 2Pac

– Rui de Brito revisita a canção de Zeca Afonso em Não me Obriguem a Vir para a Rua Gritar (21 Out. 21.00 – Cinema Londres (Sala 1)

– Uma atenção especial para Glitterburg (22 Out. 22.45 – Culturgest (Pequeno Auditório)) de Derek Jarman, que retrata o despoletar do militantismo camp e punk na Londres dos anos 70. Banda-sonora a cargo do sempre venerável Brian Eno.

– Mopiopio, Sopro de Angola (27 Out. 16.15 – Culturgest (Pequeno Auditório))
de Zézé Gamboa aborda Angola através do seu panorama musical (cada vez mais sonante por cá)

– O politizado Knowledge is the Beginning (28 Out. 14.00 – Cinema São Jorge (Sala 1)) de Paul Smaczny une músicos árabes e israelitas numa só orquestra

READ MORE
Tertúlias
17/10/2007By AJA

Tertúlias Associativas” em Setúbal – Evocar a memória de José Afonso

Cinco “Tertúlias Associativas”, promovidas pela Câmara Municipal de Setúbal, em colaboração com colectividades do Concelho, homenageiam, a partir de Novembro e durante 2008, a memória de José Afonso.
A primeira das sessões – a realizar no seguimento das “Tertúlias Bocagianas”, ocorridas em 2005 -, que, como as que se lhe seguem, começa às 21h30, decorre no dia 17 de Novembro, na sede do Rancho Folclórico das Praias do Sado.
A tertúlia começa com o documentário cinematográfico “José Afonso, andarilho, poeta e cantor”, com cerca de um 15 minutos, da autoria de José Ribeiro, seguido de um momento de poesia.
Um segundo filme, de 11 minutos – “Não me obrigues a vir para a rua gritar” -, cedido pela RTP, antecede um momento musical, preenchido com canções do homenageado interpretadas por artistas convidados pela colectividade.
A sessão encerra com um orador, cujo nome não está ainda definido, e com debate.
As três sessões seguintes, sensivelmente com o mesmo figurino, realizam-se nas sedes de “O Independente”, do Clube Recreativo Palhavã e do Centro Cultural e Desportivo de Brejos de Azeitão.
A primeira, em 15 de Dezembro. As outras, já em 2008. A da Palhavã, em 19 de Janeiro, e a de Brejos de Azeitão, em 16 de Fevereiro.
A última tertúlia não tem, ainda, data e local definidos.

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
16/10/2007By AJA

CARTA A UM “FILHO DE UM DEUS MAIOR ”

Já o tempo se ia habituando a navegar por mares adversos e a buscar na inquietação da noite a saída para o quotidiano das ruas da amargura.

Já o tempo se ia habituando a lamber as esquinas ao sabor das fugas que atormentavam o espírito e o corpo.

Já o tempo se ia habituando a avisar em surdina que se erguiam muros em volta dos subterrâneos da liberdade.

Já o tempo se ia habituando a entoar canções com lágrimas como se o choro acalmasse o ódio a uma vida feia, ameaçante sempre a rondar os confins do desespero.

Já o tempo se ia habituando!

Com outros vieste do fundo do tempo a bordo das barcas novas.

Chegaste de mansinho erguendo a voz com pressa de viver naquela terra assombrada.

Sentiste ao que vinhas e cantaste o mês onde começava a mágoa dizendo que nunca poderiam ser os rostos a bater á porta do poema.

Ao vento que passava perguntavas o que já sabias; que o vento calava a desgraça e por isso nada dizia.

Pediste uma capa negra, uma rosa negra que virasse as costas à saudade.

Fizeste-nos namorar com a menina de olhos tristes à espera do soldadinho que nunca mais havia de chegar.

Ensinaste-nos a falar com a lua viajante que nos trazia as más notícias: o soldadinho, afinal, voltava numa caixa de pinho do outro lado do mar.

Disseste-nos que eras livre como as aves, que os corações que nascem livres não se podem acorrentar, que não há ventos que não prestem nem marés que não convenham.

Pediste ao Tejo que lavasse bancos e empresas de comedores de dinheiro, palácios e vivendas, casebres e bairros de lata porque a uns fartam e a outros matam.

Foste dizendo, cantando, avisando até que saíste aparelhando um barco abandonado na praia num Outubro em ressaca das marés vivas, vividas.

Desses tempos tão perto continuam a caminhar – exactamente aqui ao lado – os amigos que já partiram, os amores e os desamores, as vitórias e as derrotas, todas as causas, passadas, presentes e futuras, o mundo que quiseste mudar.

Desses tempos tão perto continuam a caminhar – exactamente aqui ao lado – todos os sonhos, mesmo aqueles que já foram esquecidos, as utopias que parecem loucas, as alegrias e as tristezas que têm assolado este palmilhar de estrada.

Porque nos ensinaste a haver sempre alguém que resiste, sempre alguém que diz não, por teres ajudado a descobrir a saída do vale escuro passaste a caminhar, desta vez não ao lado, mas para sempre dentro da vida de um povo.

Fazendo-nos ao mar para que não fiquemos cercados continuaremos por isso a acender no teu, o nosso cigarro.

Outubro,16,2007

Paulo Esperança

READ MORE
Fernando CouceiroPartituras e tablaturas
14/10/2007By AJA

Novo livro de partituras e tablaturas para guitarra acústica

Flyerpartituras
Livro contendo 10 músicas de José Afonso em partitura e tablatura para guitarra acústica e acompanhado de CD áudio. Com arranjos inéditos de Fernando Couceiro. Esta é uma edição Metriround com o apoio da Associação José Afonso.

Disponível através da Loja AJA. AGORA 15€

 

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
14/10/2007By AJA

Longra “recebeu” Adriano com a casa apinhada de gente

Foram três dias de intensa actividade cultural os vividos na Casa do Povo da Longra (CP Longra), nos dias 29 de Setembro, 5 e 6 de Outubro, em homenagem a Adriano Correia de Oliveira, destacada figura da canção portuguesa, falecido há 25 anos com apenas 40 de idade.
O evento, organizado pela Associação José Afonso (Núcleo do Norte) e a CP Longra – que contou com o apoio da Caixa Agrícola de Felgueiras, do Ministério da Cultura, da Biblioteca-Museu República e Resistência (CM Lisboa) e da Associação 25 de Abril, entre outras entidades – encerrou com um grande concerto, no dia 6, em que a Sala de Espectáculos se tornou pequena, com superlotação de lugares.
No espectáculo, para além dos muitos felgueirenses, juntaram-se muitas pessoas oriundas dos mais diversos pontos do país, como, por exemplo, de Lisboa (cerca de 30), do Porto (mais de 50), Braga, Guimarães, Vila Real e Santa Maria da Feira.
No concerto, tal como estava programado, actuaram Manuel Freire, Carlos Alberto Moniz, Luanda Cozetti e Norton Daiello (Couple Coffee), o grupo “Cantaremos Adriano”, o Conservatório de Música de Felgueiras e os actores Cristiana José e Fernando Soares. Moniz desceu junto de Vitorino, que, também com Freire, cantaram a “Lira”.
O concerto terminou com a “Trova do Vento que passa”. Antes da descida do pano, Alípio de Freitas (presidente da AJA), emocionado, disse: “Isto, o que está a acontecer, hoje, aqui, na Vila da Longra, é um milagre! Não é fácil juntar assim pessoas nos grandes centros urbanos, muito menos aqui. Mas o contributo desta gente boa da Longra e dos elementos da AJA tornaram possível este milagre”.
De tarde, no auditório da Junta da Freguesia de Rande, houve lugar a um debate sobre a vida e a obra de Adriano, que contou com a participação de Vitorino, Manuel Freire, Helena Afonso (filha de Zeca), Paulo Sucena (ex-presidente da Fenprof), João Mário Mascarenhas (Biblioteca-Museu República e Resistência), Adão Coelho (CP Longra), Pedro Ribeiro (Junta de Rande), Alípio de Freitas e Judite Almeida (AJA). Moderador: José Carlos Pereira.
Vitorino considerou que há uma explicação para o silêncio sobre a obra do Adriano e de muitos outros artistas e intelectuais. “Desde a expulsão dos judeus de Portugal, os portugueses deixaram de gostar de si próprios. E passamos a procurar fora do país aquilo que temos cá dentro” – disse o cantor.

Exposição, “Escritas do Maio” e protocolo
No dia anterior, dia 5, dia da República, assistiu-se à abertura da exposição “Crise Académica de 69”, da referida Biblioteca-Museu; ao lançamento do livro “Escritas do Maio”, de Miguel Gouveia, de escrita criativa para crianças sobre Zeca; e à assinatura de um protocolo entre a CP Longra e o Teatro PésnaLua.
Estiveram presentes, para além do autor do livro, João Mário Mascarenhas (BMRR), Joaquim Correia Gomes, Cristiana José, Eduardo Pinheiro (AJA Norte), Adão Coelho e Gonçalo Magalhães (CP Longra) e José Carlos Pereira (moderador).
À noite, no âmbito da edição especial do II Encontro, o Teatro-Ensaio Raul Brandão (TERB), de Guimarães, quis dar o seu contributo à homenagem a Adriano, ao oferecer graciosamente a exibição da sua peça “As Mulheres de Atenas”, de Augusto Boal, com encenação de Gil Filipe. O referido grupo de teatro ofereceu a receita da bilheteira para ajudar às despesas da festa de homenagem.

Prova de cicloturismo Longra-Serra de Valongo-Porto-Avintes
No dia 29 de Setembro, uma semana antes dos eventos na CP Longra, a organização do “Canto Livre por Adriano”, promove um prova de cicloturismo Longra-Serra de Valongo-Porto-Avintes, com partida da Casa do Povo pelas 10 horas. Como se sabe, Adriano nasceu no Porto mas, passados poucos meses, foi viver para Avintes, onde foi criado.
Os ciclistas chegaram à Serra de Valongo pelas 12,30 e lá almoçaram umas improvisadas febras. Chegados à Unicepe, no Porto, na Praça Carlos Alberto, Gabriela Marques, pela AJA Norte, e Gonçalo Magalhães, pela CP Longra, deram uma conferência de imprensa à Comunicação Social nacional.
Terminada a conferência, os ciclistas retomaram viagem até à Junta de Freguesia de Avintes, onde foram recebidos por quatro elementos do Executivo presidido por Mário Gomes, bem como pela irmã de Adriano, Filomena Correia de Oliveira.
Neste acto, Fernando Lacerda e José Carlos Pereira representaram a AJA Norte, e Adão Coelho e Gonçalo a CP Longra.
No final, assistiu-se a uma troca de lembranças.

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
12/10/2007By AJA

Obra completa de Adriano com o “Público”


Retirado de http://guitarradecoimbra.blogspot.com

READ MORE
Homenagens e tributos (música)
10/10/2007By AJA

José Afonso lembrado em Alcochete

5.º Festival de Expressões Ibéricas
“Frei Fado D`EL Rei” actuam em Alcochete

O 5.º Festival de Expressões Ibéricas regressa a Alcochete com grandes nomes do panorama musical ibérico, uma iniciativa promovida pela Câmara Municipal que decorre de 12 a 27 de Outubro.

No dia 12, a inauguração da exposição “José Afonso”, às 18h00, na Galeria Municipal, vai dar início à programação que integra outras iniciativas associadas à música e às artes plásticas da Península Ibérica. Composta por trinta e dois painéis, a exposição fotográfica é organizada em parceria com a Associação José Afonso (AJA), uma entidade de carácter cultural e cívico que surgiu em torno da memória de José Afonso. A exposição “José Afonso” vai estar patente ao público até ao próximo dia 30 de Novembro e pode ser visitada de 2.ª a 6.ª feira, das 09h00 às 18h00 e aos fins-de-semana, durante o Festival, das 15h00 às 18h00.

Às 21h30, no Fórum Cultural, é a vez dos Frei Fado D’El Rei subirem ao palco com “O Senhor Poeta”, um tributo a José Afonso no 20.º aniversário da sua morte. Para além de apresentarem novos temas, o grupo de música folk /tradicional vai passar em revista as composições que assinalaram o seu percurso musical de 17 anos.
Até 27 de Outubro, a programação do 5.º Festival de Expressões Ibéricas integra oficinas de instrumentos tradicionais para crianças, ateliês de trabalho e espectáculos de música tradicional.

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
08/10/2007By AJA

Homenagem na sua terra natal

READ MORE
Dimas Pereira
08/10/2007By AJA

HOJE: Homenagem a Dimas Pereira

Espectáculo com a participação de João Afonso com João Lucas, Sofia Vitória com Miguel Veras, Francisco Naia com Joré Carita e Ricardo Fonseca, Rui David, Banda do Andarilho, Rui Curto, os sopranos João Pimentel, Fernanda Batista, Célia Inês Nascimento , acompanhados por Santana Simões, Idalécio Paulo, Grupo Musical ‘Os Amigos de Lagameças’, a Banda da Capricho Setubalense, ‘Os Amigos do Kanto’, Fernando Guerreiro, Victor Serra, Maria Clementina, Álvaro Félix, Rui Serra, Joaquim Gouveia, Rui do Cabo, Manuel Bola e Odete Santos

Fórum Municipal Luísa Todi – 10 de Outubro de 2007, às 21h30

Org.: Comissão de Amigos de Dimas Pereira

Apoios.: CMS, Juntas de Freguesia e Bar Octubrus

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
06/10/2007By AJA

Adriano lembrado em Alcântara

É já nos próximos dias 12 e 13 de Outubro, a partir das 22 horas, que se realizam na Academia de Santo Amaro, em Alcântara/Lisboa, dois espectáculos de homenagem a Adriano Correia de Oliveira, assinalando os 25 anos do seu desaparecimento (Outubro 1982- 2007).Serão cantados 18 temas, com suporte de imagens e de um enquadramento das várias fases da vida de Adriano.
A apresentação será feita pelo Dr Alexandre Castanheira e os músicos serão: Alexandre Pinto, nas percussões; João Queiroz, na voz e viola; Jorge Jordan, na voz e viola; Nuno Faria, no contrabaixo; Paulo Cavaco, no piano, acordeão e arranjos musicais; Rui Sousa, nas guitarras acústica e portuguesa; Vítor Sarmento, na voz e produção. O som estará a cargo de Eduardo Quaresma.No final, todos os presentes podem participar num debate animado pelo Professor Paulo Sucena, sobre a personalidade de Adriano e o seu papel na transformação da música portuguesa, da canção de intervenção, bem como o seu inestimável contributo na luta pelos valores democráticos. Estará também presente o Presidente da Associação José Afonso, Alipio de Freitas.

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
04/10/2007By AJA

É já amanhã!



READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
02/10/2007By AJA

“Adriano, Aqui e Agora – O Tributo”

Recriar e renovar o repertório de Adriano Correia de Oliveira, 25 anos depois da sua morte, é a proposta de um conjunto de músicos nacionais, concretizada no CD “Adriano, Aqui e Agora – O Tributo”. O disco será editado no próximo dia 15 de Outubro pela Movieplay, que desafiou o radialista Henrique Amaro a reunir 14 músicos para gravarem os velhos temas de Adriano.
Os escolhidos foram Tim, Ana Deus, Raquel Tavares, Celina da Piedade, Vicente Palma, Miguel Guedes, Margarida Pinto, Nuno Prata, Sebastião Antunes, Valete, Pedro Laginha e ainda as bandas Dead Combo, Micro Audio Waves e Cindy Cat.
Ana Deus, que canta com os Dead Combo, foi a primeira a escolher um tema do repertório de Adriano: a “Trova do vento que passa”, sobre poema de Manuel Alegre, porventura a mais popular canção do cantautor.
Miguel Guedes, dos Blind Zero, por seu turno, escolheu «um magnífico tema que surge escondido no repertório de Adriano, intitulado “Sou barco”».
Tim, dos Xutos & Pontapés, abre o CD com “Tejo que levas as águas” e o actor Pedro Laginha, dos Mundo Cão, fecha com “Rosa de sangue”.
A acordeonista de Rodrigo Leão, Celina da Piedade, canta “Tu e eu meu amor”, Vicente Palma estreia-se em estúdio com “Para Rosalía” e a fadista Raquel Tavares interpreta “Cantar para um pastor”.
Henrique Amaro, que dirigiu artisticamente o projecto, afirmou à Lusa que este «não descura o lado político de Adriano».
«Há a grande valia que é para a música portuguesa o contributo de Adriano Correia de Oliveira mas há também o seu lado político, do que todos os que participam no projecto estão conscientes», sublinhou.
A par de José Afonso, Adriano Correia de Oliveira foi uma das vozes maiores do canto de intervenção e da balada.
Nascido no Porto em 1942, faleceu aos 40 anos em Avintes, vítima de uma hemorragia esofágica.

Aqui fica o alinhamento de “Adriano, Aqui e Agora – O Tributo”:
1. Tim – “Tejo que levas as águas”
2. Ana Deus & Dead Combo – “Trova do vento que passa”
3. Raquel Tavares – “Cantar para um pastor”
4. Cindy Kat – “E alegre se fez triste”
5. Celina da Piedade – “Tu e eu meu amor”
6. Micro Audio Waves – “O sol préguntou à lua”
7. Shahryar Mazgani – “Balada da esperança”
8. Vicente Palma – “Para Rosalía”
9. Miguel Guedes – “Sou barco”
10. Margarida Pinto – “Charamba”
11. Nuno Prata – “Fala do homem nascido”
12. Sebastião Antunes – “Canção do linho”
13. Valete – “Menina dos olhos tristes”
14. Pedro Laginha – “Rosa de sangue”

READ MORE
EscolasEscritas do Maio
28/09/2007By AJA

Lançamento e apresentação à imprensa do livro “Escritas do Maio”

O livro “Escritas do Maio” terá o seu lançamento e apresentação à imprensa no dia 1 de Outubro(Dia mundial da música), pelas 15h na Escola Superior de Educação de Setúbal.

READ MORE
BibliografiaEscolasJosé Jorge Letria
23/09/2007By AJA

Análise do livro “Zeca Afonso – O andarilho da voz de ouro”

Autor: José Jorge Letria
Ilustrador: Evelina Oliveira
Editora: Campo das Letras – Editores, S.A., 2007
ISBN:978-989-625-154-3

José Jorge Letria regista neste percurso narrativo a memória biográfica de uma um homem que, tendo pertencido ao mundo empírico e histórico-factual, se transmuta num ideário ostentador dos valores emergentes, pertença de um tempo e de uma historicidade que urge preservar na nossa identidade colectiva.
O humano Zeca surge-nos, logo no início do livro, com particularidades que indiciam marcas de estranhamento que justificarão, mais tarde, uma demanda em torno da reflexão, da expressão e da divulgação de princípios axiológicos fundamentais ao reconhecimento da Alteridade, da Liberdade, da Igualdade como alicerces imprescindíveis ao constructo humano. Zeca “era distraído e (…) andava sempre com a cabeça no ar, nesse mesmo ar que dava asas à melodia que nunca lhe deixou seguir os passos e os sonhos” (2007:7); (…) tinha tempo de pensar em muita coisa, para ler livros e para sonhar” (2007:8); “(…) era diferente dos outros meninos, por passar muito tempo à volta das suas inquietações, brincadeiras, saudades e medos” (2007:8). Estes indícios, associados a dicotomias presentes na narrativa, tais como dúvida/certeza, inquietação/tranquilidade, guerra/paz, liberdade/opressão, riqueza/pobreza, bem como o dialogismo que estabelece com o Menino do Bairro Negro, símbolo de todos os que não são detentores de uma voz própria e livre, transpõem esta narrativa para patamares que se conotam com o mundo mítico e mágico, entre a corporeidade e o constructo da emergência espiritual e ideológica, um mundo simbólico. Neste, então poderemos cruzar-nos com a “sofreguidão dos vampiros, que atacavam pela noite calada (2007:30)” ou com o “Papão, que (…) mantinha o país encarcerado entre as grades do medo que mandava erguer por todo o lado” (2007:22). Assim, num tecido verbal reflectido, assistimos à força da Palavra inserida numa mimesis musical, encorpando a Liberdade na mediação e regeneração da força heróica que fará a metamorfose do caos em ordem, inscritos num espaço que oscila entre as marcas do registo factual e os demarcados percursos existenciais fantástico-maravilhosos, que assentam nas miragens do transcendental.
É por isso que, no final da narrativa, Zeca reconhece a Morte, não com o olhar temeroso dos que agonizam, mas como a Liberdade necessária, “perseguindo um sonho que só se acabará quando o último ser humano desaparecer deste planeta” (2007:39).
Esta narrativa, interagindo com o discurso semiótico doado pela excelente ilustração de Evelina Oliveira, reflecte a mundivivência de um escritor que, através da recriação biográfica desta personagem, destaca a memória como um processo afectivo-representativo complexo no qual as imagens-lembrança evocam a necessidade de assegurar a continuidade de um conjunto de valores que emergem nesta figuração da esperança essencial.

Teresa Macedo
macedo.mariateresa@gmail.com

Retirado de http://mediadores-livros-e-leitores.blogspot.com/

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
21/09/2007By AJA

Músicos de hoje recriam canções de Adriano Correia de Oliveira

Temas com ‘novas roupagens’ prestam tributo a uma das maiores vozes do canto de intervenção

Recriar e renovar o repertório de Adriano Correia de Oliveira, 25 anos depois da sua morte, é a proposta de um conjunto de músicos nacionais, concretizada no CD ‘Adriano aqui e agora. O tributo’.
O disco será editado na próxima semana pela Movieplay Portuguesa, da qual partiu a iniciativa conjuntamente com o realizador de rádio Henrique Amaro.
Diferentes músicos foram desafiados para voltar a gravar temas de Adriano.
“Optei por escolher cantores, com apenas três excepções – bandas – e dei carta branca aos intérpretes para escolherem os temas que melhor entendiam”, explicou Henrique Amaro.
As canções, assinalou, surgem “com novas roupagens musicais, sem desvirtuar, e aproximações de hoje”.
“A minha primeira grande surpresa – confessou – foi a descoberta do Adriano e de como, sendo um autor tão importante da música portuguesa, era praticamente um desconhecido para as novas gerações”.
Os escolhidos foram Tim, Ana Deus, Raquel Tavares, Celina da Piedade, Vicente Palma, Miguel Guedes, Margarida Pinto, Nuno Prata, Sebastião Antunes, Valete, Pedro Laginha e ainda as bandas Dead Combo, Micro Audio Waves e Cindy Cat.
Ana Deus, que canta com os ‘Dead Combo’, foi a primeira a escolher um tema do repertório de Adriano: a ‘Trova do vento que passa’, sobre poema de Manuel Alegre, porventura a mais popular canção do cantautor.
Miguel Guedes, dos ‘Blind Zero’, por seu turno, escolheu “um magnífico tema que surge escondido no repertório de Adriano, intitulado ‘Sou barco’.
Tim, dos Xutos & Pontapés, abre o CD com “Tejo que levas as águas” e o actor Pedro Laginha, da banda Mundo Cão, fecha com “Rosa de sangue”.
A acordeonista de Rodrigo Leão, Celina da Piedade, canta ‘Tu e eu meu amor’, Vicente Palma estreia-se em estúdio com ‘Para Rosalía’ e a fadista Raquel Tavares interpreta ‘Cantar para um pastor’.
Henrique Amaro, que dirigiu artisticamente o projecto, afirmou que este “não descura o lado político de Adriano”.
“Há a grande valia que é para a música portuguesa o contributo de Adriano Correia de Oliveira mas há também o seu lado político, do que todos os que participam no projecto estão conscientes”, sublinhou.
A par de José Afonso, Adriano Correia de oliveira foi uma das vozes maiores do canto de intervenção e da balada.

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
19/09/2007By AJA

Há sempre alguém que resiste! – Lembrar Adriano na Voz do Operário

25 anos – 25 canções 16 a 20 de Outubro de 2007
Sociedade “A Voz do Operário”
Exposição – 16 a 20 de Outubro (10 às 22h)
Jantar e Confraternização – 16 de Outubro (18:30h)
Colóquio – 16 de Outubro (21:30h)
Espectáculo Musical – 20 de Outubro (21:30h)

A propósito do 25.º aniversário da morte de Adriano Correia de Oliveira que se assinala a 20 de Outubro, um grupo de amigos e familiares a que se juntaram a Voz do Operário, CGTP – Intersindical, Direcção da Organização Regional de Lisboa do PCP, Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura, Recreio e Desporto, Junta de Freguesia de São Vicente de Fora e Grupo de Guitarra e Canto de Coimbra do Centro Cultural Regional de Santarém, constituíram-se em Comissão Promotora e vão realizar um conjunto de iniciativas de evocação da vida e obra de Adriano, sob o lema “Há sempre alguém que resiste”.
O programa tem início no dia 16 de Outubro com a abertura de uma exposição sobre Adriano Correia de Oliveira, seguida de jantar e de um colóquio sobre a sua via e obra. A mostra ficará
patente ao público nas instalações de A Voz do Operário até ao dia 20 de Outubro, sendo animada todos os dias com pequenos espectáculos de música e poesia.
No dia 20 de Outubro, também nas instalações de A Voz do Operário, terá lugar o espectáculo “25 anos – 25 Canções de Adriano” com vários músicos, amigos e admiradores do cantor,
e uma serenata a cargo do Grupo de Guitarra e Canto de Coimbra. Recordar Adriano Correia de Oliveira é mais que recordar o cantor, é recordar o Homem íntegro que dedicou a sua música e
a sua vida à luta pela Liberdade, pela Paz e pela Democracia.

PROGRAMA
Dia 16 de Outubro 18:30h

Sessão Solene e Inauguração da Exposição
sobre Adriano Correia de Oliveira
Presenças: Presidente da CML*Comissão PromotoraFamiliares
Poesia por:
Maria do Céu Guerra
José Fanha
Carlos Paulo

19:30h
Jantar de Confraternização
Marcações: 218 862 155
(Comissão Promotora)
Refeição:12€

21:30h
Colóquio sobre a Vida e Obra
de Adriano Correia de Oliveira

Participação:
Luís Cília
José Barata – Moura
Lopes de Almeida
Viale Moutinho
Paulo Sucena
José Carlos Vasconcelos
Deolinda Bernardo
José Pires
Vítor Melancia
Tuna Académica de Lisboa

17 a 20 de Outubro
das 10h às 22h
Visitas guiadas à Exposição, para escolas, instituições e população interessada, animadas com pequenos espectáculos de música e poesia.
Necessita marcação prévia 218862155

20 de Outubro 21:30h
Espectáculo Músical

25 Anos – 25 Canções Lembrar Adriano

Amélia Muge Brigada Vítor Jara
Carlos Alberto Moniz
Fausto
Fernando Tordo
Francisco Fanhais
Janita Salomé
João Fernando
Luís Represas
Luísa Basto
Manuel Freire
Nuno do Ó
Paulo Saraiva
Paulo Vaz de Carvalho
Pedro Abrunhosa
Samuel

24h Serenata
Grupo de Guitarra e Cantares de Coimbra
Centro Cultural Regional de Santarém

READ MORE
Jacinta
19/09/2007By AJA

Jacinta dá sabor jazz a clássicos de Zeca Afonso

Jacinta, que ainda recentemente foi considerada a melhor jovem artista de jazz do continente europeu, no âmbito da iniciativa “O Melhor da Europa”, lançou anteontem, no Teatro Maria Matos, em Lisboa, o seu mais recente trabalho, “Convexo”, um tributo a José Afonso.

“Zeca Afonso foi um génio da música portuguesa e sempre fez parte do meu repertório”, lembrou a cantora. Recorde-se que Jacinta já havia incluído, a “Canção de Embalar” no seu disco “Day Dream”. A aproximação a José Afonso deveu-se a Amílcar Vasco Dias, que chegou a fazer arranjos musicais para o cantor de “Grândola, vila morena”. Neste disco de homenagem a José Afonso Jacinta diz que tentou ser fiel à música daquele que é uma das maiores referências da música portuguesa. “A nossa inovação neste trabalho dá-se mais ao nível métrico, área que o jazz permite expandir e desenvolver”, adiantou a cantora.

A reacção que o público sempre teve às suas interpretações das músicas de Zeca Afonso inspirou Jacinta para a criação deste “Convexo” que chegou a ser apresentado no âmbito da edição deste ano da Festa do Avante.

“Espero com este trabalho poder cativar mais pessoas para a música do José Afonso e aumentar o número de apreciadores do género musical que canto.

Em formato de duo ou trio (com Rui Caetano ao piano e Bruno Pedroso na bateria) e a voz singular de Jacinta, o disco foi produzido pela nova estrutura de agenciamento e management, constituída pela própria cantora.

Recorde-se que foi depois de ter chegado à final de um concurso televisivo, em 1993, que procurava novos talentos, que Jacinta optou por mudar-se para Nova Iorque, onde estudou na Manhattan School of Music.

“A criatividade constante, o recriar o tema, que obriga a que estejamos muito dentro da música”, são o que mais a atrai no jazz, confessou por alturas do lançamento do seu álbum de estreia, “Tribute to Bessie Smith”, que foi disco de ouro. Em Março do ano passado a cantora lançou “Day dream”.

Ana Vitória | Jornal de Notícias

READ MORE
Prémio José Afonso
18/09/2007By AJA

Brigada Victor Jara vence Prémio José Afonso 2007

O grupo português Brigada Victor Jara venceu a edição de 2007 do Prémio José Afonso, com o álbum «Ceia Louca», editado em 2006, anunciou hoje a Câmara Municipal da Amadora, que atribui o galardão.

«Ceia Louca» assinalou o regresso da Brigada Victor Jara, numa altura de celebrações de mais de três décadas de carreira, desde que o grupo apareceu, em 1975 em Coimbra.
O prémio foi atribuído por unanimidade por um júri do qual fizeram parte Olga Prats, António Vitorino de Almeida, Carlos Pinto Coelho, António Moreira e Natália Cañamero de Matos.
O Prémio José Afonso foi criado em 1988 para homenagear o cantautor português e destina-se a galardoar um álbum de edição portuguesa cujos temas tenham como referência a cultura e a história portuguesas.
Actualmente com nove músicos, a Brigada Victor Jara já integrou na sua formação inicial artistas como Né Ladeiras, Fernando Amílcar e Joaquim Caixeiro.
Em 1977, dois anos depois de se terem formado, com um nome que homenageia o cantor chileno Víctor Jara, editaram o primeiro álbum, «Eito Fora», feito de cantares regionais.
Da sua discografia destaca-se «Monte formoso», em 1989, do qual saiu um espectáculo de homenagem a José Afonso, que contou com a participação do Teatro Bonifrates e do Grupo de Etnografia e Folclore da Academia de Coimbra.
Em 2000 lançaram «Por sendas, montes e vales» e em 2006 «Ceia louca», que contou com a participação de convidados como Carlos do Carmo, Vitorino e Janita Salomé, Lena d´Água e Jorge Palma.
O prémio José Afonso, que não foi atribuído em 2006, será entregue à Brigada Victor Jara no dia 22 de Setembro nos Recreios da Amadora.
Fausto, Sérgio Godinho, Né Ladeiras, Dulce Pontes, Filipa Pais, Carlos do Carmo e José Medeiros foram alguns dos músicos portugueses já distinguidos com o Prémio José Afonso.

Diário Digital / Lusa

17-09-2007

READ MORE
Fotografia
15/09/2007By AJA

Fotografia de…

Autor – ?

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
15/09/2007By AJA

Livro “Adriano sempre”

A editora arcadasletras, em parceria com o Centro Adriano Correia de Oliveira, editaram o livro “Adriano sempre”. A obra, inserida na Colecção Memória daquela editora, pretende prestar tributo a Adriano Correia de Oliveira no ano em que se assinalam os 25 anos da sua morte. Com um desenho de capa do pintor Roberto Machado, que foi amigo e companheiro do cantor, a edição da obra é coordenada por Soares Novais e conta com textos do padre Arlindo Magalhães, César Príncipe, Francisco Duarte Mangas, Hélder Costa, Ilda Figueiredo, Jerónimo de Sousa. Jorge Sarabando, José António Gomes, José Viale Moutinho, Leandro Vale, Maria Eugénia Cunhal, Papiniano Carlos e Roberto Machado.”Adriano sempre” tem ainda a biografia e a discografia de Adriano Correia de Oliveira.

http://arcadasletras.no.sapo.pt/

READ MORE
Homenagens e tributos (2008)
13/09/2007By AJA

Homenagem a José Afonso na Festa do Avante

O palco da organização do Porto, com Carlos Jorge e Diana Devesas na leitura de poesia e textos e, na parte musical, Ana Ribeiro, Carlos Andrade e Gabi.

READ MORE
AJA Norte
13/09/2007By AJA

Cores para José Afonso | Cooperativa Árvore | 11.9.07

READ MORE
Prémios e distinções
11/09/2007By AJA

Setúbal: José Afonso recebe medalha de honra da cidade

José Afonso é uma das personalidades distinguidas, a título póstumo, com a Medalha de Honra da Cidade nas comemorações do 242.º aniversário do nascimento de Bocage, que se celebra sábado, feriado municipal em Setúbal.
O autor da canção-senha da revolução de Abril (Grândola Vila Morena) vai ser distinguido com a Medalha de Honra da Cultura da Cidade de Setúbal na sessão solene marcada para as 09:30, no salão nobre dos Paços do Concelho.

O velejador João Cabeçadas e a tenista bicampeã nacional Neuza Silva, a Associação de Saúde Mental Dr. Fernando Ilharco e, a título póstumo, o engenheiro Luís Novaes da Câmara Pestana, que fez o levantamento topográfico da estrada, posteriormente construída, entre o Outão e o Portinho da Arrábida, são outros dos homenageados no Dia do Bocage.

Ao final da tarde, pelas 18:00, serão entregues os prémios do 9.º Concurso Literário Manuel Maria Barbosa du Bocage, que este ano registou uma das maiores participações de sempre, com 146 trabalhos admitidos a concurso, e que teve como vencedor o «Livro das Alegrias», de Fernando Paulino. O autor vai receber um prémio de 1500 euros atribuído pela Câmara Municipal de Setúbal.

Sara Raquel Ferreira da Costa, vencedora do prémio revelação, será contemplada com 1000 euros, atribuídos pela Associação dos Municípios do Distrito de Setúbal.

O programa de comemorações prossegue, às 21:30, com a peça «Bocage e as Ninfas», pelo TAS (Teatro de Animação de Setúbal), no Auditório José Afonso.

Entre outras iniciativas culturais e desportivas que se prolongam até final do mês de Setembro, está prevista para o dia 22 a realização da Travessia do Sado a Nado, prova com um percurso de 2600 metros integrada no Circuito Nacional de Águas Abertas, que terá início às 11:00, na Marina Tróia Resort, estando a linha de chegada instalada na praia da Albarquel.

No âmbito das comemorações do dia de Bocage estará patente no Clube de Oficiais de Setúbal uma exposição de trabalhos de artistas plásticos de Setúbal alusivos a Bocage.

O programa das comemorações do Bocage encerra com a encenação «Para ti Bocage…», nos dias 28 e 29 de Setembro, às 21:30, pelo Grupo de Teatro Amador da Sociedade Musical Capricho Setubalense, na sede da colectividade setubalense.

Diário Digital / Lusa

11-09-2007 12:10:00

READ MORE
AJA NorteHomenagens e tributos (2008)Imprensa
11/09/2007By AJA

Tributo a um poeta da música

«Cores para José Afonso – Tributo a um poeta da música» é o título da exposição que hoje inaugura, na Árvore, pelas 22h00. Uma iniciativa da Árvore – Cooperativa de Actividades Artísticas e a Associação José Afonso, por intermédio do seu núcleo do Norte.
«Cores para José Afonso» é a “nossa lembrança a um homem que escreveu e cantou o seu mundo: o mundo que viu de Caxias, o mundo que viu nos lugares por onde passou, o mundo resultante da reflexão solitária e solidária sobre a vida do seu tempo”, lê-se no comunicado enviado à imprensa pela organização.
Poeta, andarilho, músico, cantor, homem de intervenção cívica, José Afonso nunca deixou que o tempo e a história lhe passassem ao lado.
Nascido a 2 de Agosto de 1929 em Aveiro, José Afonso voou para outras paragens a 23 de Fevereiro de 1987 “levando em si todos os sonhos e todas as utopias que, vinte anos depois, são ainda tão necessários e tão urgentes”, lê-se mais à frente no mesmo comunicado.
Das suas andanças por África, Portugal, Galiza e por muitas outras partes do mundo fica-nos a sua obra: vinte e oito discos de originais, mais de cento e vinte e cinco títulos gravados a par da sua imensa poesia não musicada.
A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 9h00 e as 20h00. Aos sábados entre as 15h00 e as 19h00. Nos dias em que as actividades o justifiquem funciona até às 23h30 Encerra aos domingos e feriados.
A inauguração conta com intervenção musical «Canções do Zeca» e, no dia de encerramento, a 25, terá lugar um leilão das obras expostas, pelas 22h00.

O Primeiro de Janeiro

READ MORE
Homenagens e tributos (música)
25/08/2007By AJA

O grupo “Outra margem” num concerto de homenagem a José Afonso

Actuación na praia de Arealonga
(Redondela – Galicia) o día 20 de Xullo de 2007

Podem visualizar as restantes fotos em
http://rt000sfj.en.eresmas.net/De%20Outra%20Margem/index.html

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)Imprensa
15/08/2007By AJA

“Festanima” conta com um tributo a Zeca Afonso

“Festanima” – Setúbal – 5.ª edição

Catorze colectividades da freguesia de S. Sebastião participam, entre 31 de Agosto e 9 de Setembro, na Avenida Belo Horizonte, no Bairro Santos Nicolau, na 5.ª edição da Festanima, certame apresentado esta tarde em conferência de imprensa.

No encontro com jornalistas, realizado no Gabinete de Apoio ao Empresário, nas Escarpas Santos Nicolau, foi apresentado o programa de animação do evento promovido, com apoio da Câmara Municipal, e que este ano está orçado em cerca de 16 mil euros.

O vereador Rui Higino referiu que a Festanima “que já tem uma enorme envergadura, atestada pelos 100 mil visitantes da edição anterior, é uma festa do povo e para o povo”.

O autarca salientou o apoio logístico da Câmara Municipal a este tipo de eventos, por vezes não visível mas que custam milhares de euros aos cofres da Autarquia. “Nos primeiros sete meses deste ano já apoiámos 162 iniciativas. Isto corresponde a cerca de 300 montagens e desmontagens de palcos e pavilhões”.

O presidente da Junta de Freguesia de S. Sebastião, Carlos de Almeida, acredita que este vai ser o ano de transição da Festanima. “Estamos a um passo de passar de uma festa do movimento associativo para uma festa urbana, uma festa que apresenta como oferta o que de melhor existe em termos de recursos em Setúbal”, afirmou.

A paisagem que os visitantes da Festanima podem desfrutar, o movimento associativo da freguesia e as pessoas dos bairros Santos Nicolau e da Conceição, “que tão bem sabem receber os visitantes”, são, segundo Carlos de Almeida, alguns dos principais recursos que o certame tem para oferecer.

O reforço da iluminação e da componente festiva são uma realidade nesta edição da Festanima que termina, no dia 9 de Setembro, com uma homenagem a José Afonso.

“Temos um orgulho enorme que esta freguesia onde nasceu Bocage sirva também de leito ao repouso eterno do Zeca. Por isso faz todo o sentido, 20 anos após a sua morte, homenageá-lo”, sublinhou Carlos de Almeida.

O recinto da festa abre às 19h00, de segunda a sexta-feira, enquanto ao fim-de-semana, a abertura dá-se às 13h00. No que respeita ao fecho, as portas do certame fecham às 01h00, de segunda a quinta-feira e aos domingos, e às 03h00, nas sextas-feiras e aos sábados.

O coordenador da Comissão Organizadora da 5.ª Festanima, Agostinho Madaleno, fez a apresentação do programa de animação do recinto, que começa no dia 31, às 21h15, com a actuação da Banda Matos Galamba, seguindo-se a artista Nikita e um baile. No dia seguinte, os Star Dance actuam a partir das 20h00 e uma hora depois sobe a palco Alex. A finalizar há novo baile.
No dia 2 de Setembro a animação está a cargo de José Ângelo, enquanto os Irmãos Cabanas animam um baile no dia 3 e Luís Portela actua a 4.
Fernando Correia Marques canta no dia 5, Jorge Nice Show dá espectáculo no dia 6 e a 7 actuam as madrinhas das marchas populares de Setúbal, seguidas de baile com os Irmãos Cabanas.
No penúltimo dia do certame há demonstrações de ginástica com uma classe do ginásio Multigym, segue-se um espectáculo com Quinzinho de Portugal e a finalizar a noite tocam Los Cubanitos.
O encerramento da Festanima conta um tributo a Zeca Afonso, às 22h00, e fogo-de-artifício, às 24h00.
A comissão organizadora é constituída pelos grupos desportivos Selsa, Independente e da Che Setúbal, pelo Núcleo de Amigos do Bairro Santos Nicolau e pela Associação Recreativa, Cultural e Desportiva 2 de Abril.
Além daquelas colectividades, participam no certame o União Futebol Comércio e Indústria, o Grupo Desportivo e Recreativo do Bairro da Liberdade, a Associação Cristã da Mocidade, o Clube Desportivo e Cultural “Os Verdes”, o Agrupamento de Escuteiros n.º 117, a Associação Cabo-Verdiana de Setúbal, o S. Domingos Futebol Clube, a Sociedade Musical e Recreativa União Setubalense e o Grupo Desportivo “Os Amarelos”.
in Rostos online

READ MORE
Gal CostaVídeo
13/08/2007By AJA

Gal Costa interpreta “Milho Verde” | Ao vivo em 1973

READ MORE
Discografia
12/08/2007By AJA

Coimbra Orfeon of Portugal – Disco de 1962

Neste disco, entre outros temas, podemos encontrar José Afonso cantar “Minha mãe” e Balada Aleixo” acompanhado por Durval Moreirinhas e José Niza em guitarras clássicas.
No sítio da Smithsonian Global Sound podemos ouvir excertos deste disco ou, se preferirem, comprar todas as suas faixas.

http://www.smithsonianglobalsound.org/containerdetail.aspx?itemid=2669

READ MORE
Associação José Afonso
05/08/2007By AJA

A AJA em Sendim

Apresentação à imprensa do livro “Escritas do Maio” por Miguel Gouveia. Ao seu lado, Mário Correia, organizador do Festival Intercético de Sendim.

Exposição discográfica de José Afonso patente nos 3 dias do Festival.

READ MORE
Partituras e tablaturas
03/08/2007By AJA

Partituras para metais de “Grândola, vila morena”

Fomos encontrar estas partituras aqui.

Seleccione os links

Accordéon (Do)
Basse (Sib – clef de Fa)
Clarinettes (Sib)
Flûtes (Do)
Sax Soprano (Sib)
Sax Alto (Mib)
Sax Ténor (Sib)
Sax Baryton (Mib)
Trombones (Do)
Trompettes (Sib)
Tuba Baryton (Sib)
Euphonium (Sib)

READ MORE
Filmografia
03/08/2007By AJA

José Afonso no grande e no pequeno ecrã

A propósito da reposição de “Torre Bela” fomos pesquisar a presença de José Afonso no grande e no pequeno ecrã e descobrimos 4 filmes, 1 curta metragem, 1 documentário e uma série de televisão onde a sua música pertence à banda sonora e são eles:

Um Tiro no Escuro (2005)
Filme de Leonel Vieira

A Noite do Golpe de Estado (2001)
Documentário de Ginette Lavigne

Alla rivoluzione sulla due cavalli (2001)
Filme de Maurizio Sciarra

Se a Memória Existe (1999)
Curta metragem de João Botelho baseada no livro homónimo de Manuel António Pina

“Riscos” (1997)
Série de televisão de Manuel Amaro da Costa e Santa Martha

Fernão, Mentes? (1986)
Filme para televisão de Hélder Costa

Os Índios da Meia-Praia (1975)
Filme de António da Cunha Telles

Descobrimos José Afonso como actor em:

Ninguém Duas Vezes (1985)
Filme de Jorge Silva Melo em que José Afonso faz de pescador.

…e finalmente, onde aparece como José Afonso.

Cantigamente (1976)
Programa de António Escudeiro (José Afonso aparece na 1ª Série, 6º episódio)

Torre Bela (1975)
Documentário de Thomas Harlan

READ MORE
Biografia
01/08/2007By AJA

O Chalavar em Faro

O que há de comum entre Álvaro Cunhal, Lena de Água, Zeca Afonso ou os Madredeus? Todos já passaram pelo mítico restaurante “Chalavar”, localizado à entrada da capital algarvia, para degustar um peixinho fresco assado em frente aos clientes.

“Quem visita a cidade de Faro e não experimenta o peixe assado na casa de pasto Chalavar é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa”, diz Victor Lourenço, pescador e proprietário do típico restaurante farense.

O “Chalavar” começou por ser um restaurante de rua, com caixas de fruta de madeira transformadas em mesas e cadeiras, onde se assava num pequeno fogareiro o peixe que sobrava da faina diária dos pescadores.

O peixe fresco da campanha diária começou a ser famoso junto dos comerciantes que vendiam no mercado as hortaliças e frutas e que passavam ali para fazer troca directa de produtos verdes por peixe fresco, recorda o dono do restaurante.

“Foi assim que nasceu a salada montanheira [tomate, pimento, cebola, pepino cortados aos cubos e temperados com azeite, vinagre e óregãos]. Trocávamos peixe por saladas e o restaurante nasceu”, afirma Victor Lourenço, acrescentando que mais tarde, na década de 1970, adquiriu o antigo restaurante da Dona Rita, já frequentado pelos cantores e músicos José Afonso e Janita Salomé.

O restaurante, dividido entre um pátio ao ar livre, a sala Zeca Afonso forrada de imagens do músico e uma sala maior no interior, ganhou um livro de honra em 1988, onde figuras públicas e políticas portuguesas comentam a qualidade do peixe e a hospitalidade no serviço.

“Pelas melhores amêijoas do mundo, pelo salmonete escolhido e sobretudo pela hospitalidade e fraternidade”, foi a frase escrita no livro de honra pelo antigo secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Álvaro Cunhal, em 1992.

Francisco Fanhais, ex-padre e contemporâneo de Zeca Afonso, Pedro Afonso, filho do cantor Zeca Afonso, a pintora algarvia Margarida Tengarrinha, a cantora Lena d´Água (1980), o músico Rodrigo Leão (1990) e o grupo Madredeus ou o capitão de Abril Rosa Coutinho (1991) foram outras personalidades portuguesas a passarem pelo restaurante e a degustarem os sabores do mar no “Chalavar”.

O primeiro reitor da Universidade do Algarve também era um apreciador do peixe assado daquele restaurante familiar, e deu o mote para se transformar na “tasca oficial da semana académica” por onde passaram milhares de alunos e professores daquela academia, recorda Víctor Lourenço.

O segredo do sucesso do Chalavar está no peixe fresco selvagem – “aqui de cultivo só o salmão”, afirma o proprietário, que garante que “isto é para continuar até ao fim da vida”.

Retirado de O Barlavento online

READ MORE
Homenagens e tributos (música)Vídeo
31/07/2007By AJA

Concerto de homenagem a José Afonso em Bravães


Excertos de um concerto dado pelo grupo TELA em Bravães, Ponte da Barca, numa solene homenagem a Zeca Afonso.

READ MORE
CoimbraImprensa
30/07/2007By AJA

“José Afonso e Coimbra” na Casa Municipal da Cultura de Coimbra

A Galeria Ferrer Correia, da Casa Municipal da Cultura acolhe, a partir do próximo dia 2, uma exposição fotográfica e biodiscográfica evocativa de José Afonso.
O período evocado na mostra que será inagurada quinta-feira, pelas 18H30, compreende o tempo em que Zeca Afonso esteve em Coimbra, quer como estudante do liceu e da Faculdade de Letras, quer como cantor, autor e compositor musicalmente ligado aos sons matricialmente identificáveis com a canção de Coimbra.
José Afonso nasceu em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929, e faleceu em Setúbal, a 23 de Fevereiro de 1987, com 57 anos de idade.
Chegou a Coimbra em 1940 para frequentar o ensino liceal e, no ano lectivo de 1949/50, matriculou-se na Universidade de Coimbra, vindo a licenciar-se em Histórico-filosóficas, em 3 de Novembro de 1961.
Começou a cantar ainda estudante de liceu e, em 1953, gravou os seus dois primeiros discos de 78 rpm para a editora “Alvorada”.
Depois de algumas gravações de temas mais tradicionais de Coimbra revitaliza, a partir de 1961, a Balada como género musical ligado à Canção Coimbrã.
É com o viola Rui Pato que grava a sua fase mais lírica das baladas, embora surja, em 1963, o seu primeiro tema de forte intervenção musical, “Menino do Bairro Negro”. Até 1969, gravou sempre acompanhado por Rui Pato.
É este período que agora será alvo de evocação por vários núcleos de serviços que compõem a Biblioteca Municipal de Coimbra. A exposição vai estar patente até ao dia 8 de Setembro, de segunda a sexta-feira, entre as 09H00 e as 18H30.

Retirado do Diário “As Beiras”

READ MORE
Homenagens e tributos (artes plásticas)
29/07/2007By AJA

Caricatura de autor desconhecido

READ MORE
Rui Pato
29/07/2007By AJA

Entrevista a Rui Pato

Parte de uma entrevista a Rui Pato, por Dora Loureiro, no suplemento “Olá Gente” do Diário as Beiras de sexta-feira passada. Foto de Carlos Constantino.

Retirado do blog http://guitarradecoimbra.blogspot.com/

READ MORE
Homenagens e tributos (poesia)
26/07/2007By AJA

Uma barquinha para o Zeca

Vai a barquinha
vai
a menina
vai
p’lo rio a passar

cai a neblina
cai
a farinha
cai
moleira do mar.

Vai a barquinha
cai
a neblina
vai
p´lo rio a passar

vai a menina
cai
a farinha
cai
moleira do mar.

Vai a barquinha
vai
a menina
vai a barquinha
vai .

Cai a neblina
cai
a farinha
cai
moleira do mar.

Carlos Carranca7.julho.2007

READ MORE
FotografiaRui Pato
26/07/2007By AJA

Rui Pato e José Afonso

Data – ?

Local – ?

READ MORE
Capas de revistas
26/07/2007By AJA

“Revista Trá lá lá”, 1998

READ MORE
Bibliografia
26/07/2007By AJA

Do fundo da arca: “Memória do canto livre” de Viale Moutinho

Memória do Canto Livre em Portugal

José Viale Moutinho Lisboa Futura 1975
Inclui um texto de Viale Moutinho, depoimentos de vários cantores, entre os quais José Afonso, e uma antologia de canções de intervenção.

READ MORE
João de Freitas BrancoTestemunhos
24/07/2007By AJA

João de Freitas Branco sobre José Afonso

José Afonso tem um significado muito importante no panorama da cultura musical portuguesa. Isto, para além do valor de cada uma das suas criações, em função da comunicabilidade para com um auditório vasto e diferenciado. Um significado que tem a ver com a habitual, há muito estabelecida e felizmente em vias de ser superada, oposição entre música dita “clássica”, ou “séria”, e música “ligeira”.

Tirante um que outro caso especial, nomeadamente a do “jazz”, entendeu-se que todo e qualquer trecho de música não só portuguesa, mas europeia, tinha que ser arrumável numa das duas classes: ou na “séria” ou na “ligeira”. E bem sabemos quão deplorável era, em regra, o conteúdo da segunda, com excepções, aliás, interessantes e meritórias, entre as quais avulta o exemplo de um Frederico de Freitas.
É evidente que a arte poético-musical de José Afonso não pertence, nem sequer minimamente, à esfera do ligeiro. Como tão pouco pertence essoutro caso notável de música portuguesa que é o de Carlos Paredes. O mais de salientar é que, em José Afonso, o sentido e as implicações das palavras dos poemas cantados, contribuindo embora para aquela incompatibilidade com o “ligeiro”, não são factor exclusivo. O papel da música toma-se relevante, num fenómeno ao mesmo tempo unitário e dividido por dois planos.

No plano criativo, impõe-se acima de tudo o carácter português de raiz popular, isento de qualquer efeito de estilização de artificio que procurasse o afago do pior gosto musical, ou pseudomusical. É um portuguesismo autêntico que também resulta imensamente da perfeita arte de tratar a nossa língua, em termos de verdadeira música. Finalmente, no plano interpretativo, sem esquecer a inconfundível qualidade da voz, o medular sentido rítmico e a intencionalidade expressiva da articulação, gostaria de focar a peculariedade de José Afonso que talvez tenha sido, até hoje, a menos referida. A sua emissão de voz, habilmente conjugada com a tessitura estabelecida nos diferentes trechos, constitui, se não estou em erro, um dos mais actuantes ingredientes da irresistibilidade da sua mensagem de artista.
Se os encartados arrumadores de música persistirem, mesmo assim, em recusar à obra de José Afonso um lugar na categoría da música “clássica”, que se apressem a rever a sua definição desta, antes que, por completo, os deixemos de tomar a sério.


Como conferencista, jornalista, ensaista, historiador, professor (e até compositor) João de Freitas Branco foi o grande educador musical de várias gerações de portugueses. Era um comunicador nato. O seu programa de divulgação na rádio, O Gosto pela Música manteve-se no ar durante 30 anos (1956-86). Fez as célebres Melomania(s) para a televisão (1976-78). Foi, durante longos anos, Presidente da Juventude Musical Portuguesa e também da Academia dos Amadores de Música. Foi o melhor director do Teatro Nacional de S. Carlos (1970-74), foi professor da Universidade Nova de Lisboa e chegou a Secretário de Estado da Cultura nos tempos iniciais (e difíceis) da democracia portuguesa. É o autor de livros importantes, nomeadamente uma História da Música Portuguesa (1959) e uma biografia de Viana da Mota (1972).

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
23/07/2007By AJA

José Afonso na Feira de Sant´Iago em Setúbal

A vida em Setúbal e a actividade do autor de “Grândola, Vila Morena”

Oito painéis que retratam a vida e obra de José Afonso podem ser vistos no pavilhão da Câmara Municipal da Feira de Sant´Iago, certame que começou no sábado e termina a 5 de Agosto, nas Manteigadas.

Fotografias, excertos de uma entrevista de José Afonso a José Salvador, publicada em “O Rosto da Utopia”, além de letras de várias composições do cantor, formam esta mostra, intitulada “Vários caminhos até Setúbal”.

A vida em Setúbal e a actividade do autor de “Grândola, Vila Morena” no extinto Círculo Cultural estão contadas nesta mostra, que conta com a colaboração da Associação José Afonso.

Esta edição da Feira de Sant´Iago, com o tema “Setúbal de Zeca Afonso”, conta com um espectáculo de homenagem ao cantor, no último dia do certame, a 5 de Agosto, com a actuação dos Terra d´Água, projecto que conta com a participação de Dulce Pontes, Filipa Pais, Maria Anadon, Lúcia Moniz e Ûxia.

READ MORE
ManuscritosPoesia
22/07/2007By AJA

Texto manuscrito de “Os vampiros” (1968)

Retirado do “Dossiê Zeca” do Centro de Documentação 25 Abril

READ MORE
No verso dos versos
22/07/2007By AJA

A música tradicional na obra de José Afonso

 
Retirado do livro “A música tradicional na obra de José Afonso” de Mário Correia
(Poderão fazer a descarga deste livro na secção “discografia e letras” do sítio da AJA.)
 


CANÇÃO LONGE
Canção tradicional açoriana que começou por receber arranjo da autoria de António Portugal para uma interpretação de Luis Goes. José Afonso alterou os dois primeiros versos da segunda quadra (Quando o meu amor se foi/ Sete lenços alaguei..) e procedeu à introdução da terceira quadra.


CANTA CAMARADA CANTA
Segundo Fernando Lopes-Graça, esta canção lúdica foi recolhida em Canas de Senhorim, na Beira Baixa, com o título Vira-te pr’aqui ó Rosa, com uma só estrofe:

Vira-te pr’aqui, ó Rosa
Ó cravo já ‘stou virado
É o brio dos rapazes
Usar o chapéu de lado

Ainda segundo Lopes-Graça: É um dos exemplares do nosso folclore em que a letra se nos afigura bem inferior à melodia. Na nossa versão à capella, que faz parte do repertório do Coro da Academia de Amadores de Música, substituímos a insípida letra original por quadras populares, que nos parecem corresponder mais cabalmente ao tónus heróico da melodia. José Afonso adoptou justamente esse texto, introduzindo-lhe apenas ligeiras alterações.

 

DEUS TE SALVE ROSA

Romance narrativo conhecido em todo o país, recolhido em Aljezur, Faro, em 1961 por Michel Giacometti, espécime incluído no Cancioneiro Popular Português sob o nº 122. José Afonso optou por uma adaptação de uma das versões de Trás-os-Montes, onde este romance pastoril é comumente designado La pastorica.
 
 
MARIA FAIA
Canção popular associada às tarefas agrícolas do trabalho da apanha da azeitona, proveniente de Malpica, na Beira Baixa.

MILHO VERDE
Cantiga da sacha, recolhida por Fernando Lopes-Graça com a designação O milho da nossa terra. Diversas foram as quadras que ao longo dos tempos foram sendo introduzidas, tal como José Afonso também o fez.

MODA DO ENTRUDO
No Cancioneiro Popular Português, Michel Giacometti refere sob o nº 34 esta canção carnavalesca com o título Lá em baixo vem o Entrudo como tendo sido recolhida em Malpica do Tejo, Castelo Branco, em 1938, por António Joyce. Em 1985, José Afonso fez incluir no álbum “Galinhas do Mato” uma variante da mesma canção.
 
OS BRAVOS
Canção tradicional dos Açores extremamente popular e divulgada, de um modo geral, por todos quanto se dedicaram à recriação e estilização de música da tradição oral do arquipélago.
 
Ó MINHA AMORA MADURA
Segundo Fernando Lopes-Graça tratar-se-á possivelmente de uma canção dançada, com uma malícia leve, eufemisticamente envolta, como tantas vezes se nos depara na nossa poética popular, numa saborosa imagética silvestre. José Afonso não cantou a segunda quadra registada por Lopes-Graça:

E o calor que ela apanhava
Debaixo da silveirinha
Ó minha amora madura
Minha amora madurinha

OH! QUE CALMA VAI CAINDO
Trata-se de uma cantiga da ceifa, recolhida por Rodney Gallop em Casegas, na Covilhã, em 1953, tendo sido incluída por Michel Giacometti no “Cancioneiro Popular português” sob o nº 81. Em relação À canção que foi fixada por Fernado Lopes-Graça na sua obra “A canção popular portuguesa”, José Afonso apenas utiliza duas quadras: a primeira e a última. de referir que Fernando Lopes Graça registou este canto de trabalho sob o título Já são horas da merenda.
 
RESINEIRO ENGRAÇADO
Esta canção popular da Beira Baixa alcançou enorme popularidade nacional graças à interpretação de José Afonso, tendo sido mesmo um dos espécimes preferidos por um grande número de cantores popularuchos.
 
S. MACAIO
José Afonso serviu-se daversão que foi recolhida nos Flamengos do Faial, ilha de S. Jorge, nos Açores, por J. de Lacerda e incluída por Michel Giacometti no Cancioneiro Popular Português sob o nº 165
 
SAUDADINHA
Trata-se de um tema popular açoriano que foi interpretado por Edmundo de Bettencourt e Luis Goes. José Afonso acrescentou a esta canção a última quadra, a qual não constava da versão original (com arranjo de Bettencourt)

READ MORE
Associação José AfonsoImprensa
22/07/2007By AJA

Associação José Afonso em Setúbal – Câmara Municipal aprovou texto de Protocolo

A Câmara Municipal aprovou, ontem, em reunião pública, o texto de um protocolo a celebrar com a Associação José Afonso (AJA), visando o “apoio ao desenvolvimento da actividade cultural permanente” da colectividade.

Entre o apoio conta-se a cedência, gratuita, das instalações, na Rua de Damão, em Setúbal, para sede da AJA e a colaboração na “promoção das actividades e eventos organizados” pela Associação.

A AJA, em contrapartida, compromete-se, “sem qualquer encargo para a Câmara”, a participar, anualmente, em, “pelo menos, uma actividade de natureza cultural promovida” pelo Município, “desde que enquadrada com os objectivos e missão da associação”.

A AJA fica, também, obrigada a disponibilizar as suas instalações à Autarquia, de “forma gratuita”, “tendo em vista a promoção e realização de iniciativas de carácter formativo/informativo destinadas à comunidade, sem prejuízo das actividades” da associação.

A associação tem, igualmente, de “fazer referência ao apoio” da Câmara e inserir o logotipo da Autarquia em “todos os materiais de promoção e divulgação que venha a editar”.

A AJA compromete-se, ainda, a apresentar, no início de cada ano, o Plano de Actividades e o Orçamento Anual e, até 31 de Janeiro, o Relatório de Contas referente ao ano anterior.

in Rostos on-line

READ MORE
EscolasEscritas do Maio
21/07/2007By AJA

“Escritas do Maio” já à venda!

Trata-se de uma obra que resulta da colaboração entre a editora Profedições e a Associação José Afonso. Uma unidade didáctica que, centrada na pessoa e na obra de José Afonso, apresenta propostas de trabalho não só na área da língua portuguesa mas em outros aspectos da educação e formação dos alunos. Indispensável aos educadores sociais e professores.

Preço – 14 Euros
Adquira já o seu através da AJA!

    READ MORE
    Sérgio Godinho
    20/07/2007By AJA

    Sérgio Godinho – 55 Canções – Partituras, Letras e Cifras “Assírio e Alvim”

    Sinopse
    «Foi há tantos anos que ainda me lembro: adolescente, eram livros como este que me levaram a experimentar as primeiras (e rudimentares) formas de escrita; e, desde aí, nunca me têm largado. Ou seja, tenho-os à mão e eles têm-me à perna. O acesso prático aos mecanismos que outros usaram para criar (ou criaram para usar) nunca deixou de me trazer luzes e dicas importantes, neste ofício intermitente da feitura de canções. Imitamos, transformamos, inventamos, emperramos e solucionamos, mas nunca a partir do nada — há sempre, num ponto de partida, de percurso ou de chegada, o que nos foi sugerido por outros saberes. Com livro ou sem livro. Mas é destes manuais que falamos: sabemos como em Portugal, são ainda, infelizmente, aves raras. Começam agora algumas a pousar, e serão cada vez mais bem-vindas. Que prenda para todos que praticam estas coisas, ter um dia acesso a toda a música portuguesa (enfim, não exageremos) neste formato, ou formatos afins. Estatisticamente, o meu contributo passaria a ser muito menor, e eu com isso no maior contentamento.»
    Sérgio Godinho

    READ MORE
    Elfried EngelmayerPoesia
    19/07/2007By AJA

    A poesia não musicada de José Afonso

    “O poeta José Afonso que vive na sombra de Zeca Afonso, cantor político”Elfried Engelmayer.

    De forma a demonstrar este facto e de forma a balançar cada vez mais as duas facetas, demos lugar no sítio da AJA à poesia não musicada de José Afonso. Com a regularidade possível iremos mudando os poemas.

    Tu morres todos os dias

    Tu morres todos os dias
    libertando telefonemas
    diante da minha mágoa
    exposta à ira dos dias
    levo-te cravos vermelhos
    flores recentes da estação
    Morres e vais caminhando
    sobre uma estrada de fumo
    o lume que nos sustenta
    Já não cheira não tem vida
    Às vezes vens-me à lembrança
    descalça ao longo da praia
    Vivo terrores de madraço
    Com dívidas acumuladas
    Seguindo de perto o tráfego
    Saberei um dia amar-te
    Tu morres tu pontificas
    eu respiro a tua sombra
    Ai repouso do guerreiro
    Sobre o abismo repousas

    Azeitão, 31 de Março de 1981.

    READ MORE
    Biografia
    17/07/2007By AJA

    A cronologia de José Afonso foi adicionada à secção ‘biografia’ da página da AJA

    1929 – Nasce em Aveiro, no dia 2 de Agosto, José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos.

    1930 – Os pais ausentam-se para Angola. José Afonso permanece em Aveiro, por razões de saúde, confiado a uns tios.

    1933 – Por exigência da mãe, com três anos e meio é enviado para Angola, onde o pai é procurador da República.

    1933/36 – Permance em Angola, onde inicia os estudos da instrução primária.

    1936 – Regressa a Aveiro, para casa de umas tias. “Aos sete anos volto para a Europa, para Aveiro, é a escola primária. Foi violentamente traumatizante: o professor pendurava-me pelas orelhas porque eu era distraído”.

    1937 – “Aos oito anos regresso a África. Agora é Moçambique, não é Angola. Pouco tempo ali estou mas é de novo o paraíso. Somos eu, o meu irmão, a minha irmã… Também nesse tempo vamos com a família à África do Sul e vemos as feras em liberdade… Eu sonhava nunca mais abandonar aquela terra.”

    1938 – Vai para Belmonte, para casa do tio Filomeno que era Presidente da Câmara. Aí conclui a quarta classe. O tio fá-lo envergar a farda da Mocidade portuguesa. “Uma terra horrível. Um período fechado. Privado de contactos. Eu não podia sequer dar-me com os meninos da vila. Fiz ali a 4ª classe”.

    1940 – Entra para o Liceu D. João III, em Coimbra. Vai morar para casa de uma tia. ” O ambiente era muito conservador: mulheres de escapulário ao pescoço Proibições…”. A família parte de Moçambique para Timor, onde o pai vai exercer as funções de juiz. Mariazinha vai com eles, enquanto o seu irmão João vem para Portugal. Com a ocupação de Timor pelos japoneses, José Afonso fica sem notícias dos pais durante três anos, até ao final da 2ª guerra mundial, em 1945.

    1945 – Começa a cantar serenatas como “bicho”, designação da praxe de Coimbra para os estudantes liceais. Vida de boémia e fados tradicionais de Coimbra.

    1946/1948 – Completa o curso dos liceus, após dois chumbos. Entretanto, conhece Maria Amália, com quem vem a casar. Viagens com o Orfeão e com a Tuna Académica.

    1949 – Matricula-se no curso de Ciências Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras de Coimbra. Vai a Angola e Moçambique integrado numa comitiva do Orefeão Académico.

    1953 – Grava os seus dois primeiros discos de fado de Coimbra, em 78 rotações.
    Nasce o seu primeiro filho José Manuel, fruto do seu casamento com Maria Amália de Oliveira

    1953/1955 – Em Mafra cumpre o serviço militar obrigatório. Depois é colocado num quartel em Coimbra. Grandes dificuldades para sustentar a família, como refere em carta enviada aos pai em Moçambique. A crise conjugal é muito sentida. Após o serviço militar, já com dois filhos, José Manuel e Helena, tenta concluir o curso

    1955/56 – Começa a dar aulas em Mangualde. Inicia-se o processo de separação e posteriormente divórcio de Amália.

    1956/57 – Professor em Aljustrel e Lagos

    1958 – Já é professor em Faro, quando vem a Coimbra gravar o seu primeiro disco “Baladas de Coimbra/Menino d’oiro”, um single acompanhado à viola por Rui Pato. Em dificuldades económicas, envia os dois filhos para Moçambique, para junto dos avós. Neste ano fica impressionado com a campanha eleitoral de Humberto Delgado.

    1959 – Começa a frequentar colectividades e a cantar regularmente em meios populares.

    1960 – Edita o EP “Balada de outono”

    1961/62 – Segue atentamente a crise estudantil deste último ano. Convive em Faro com Luiza Neto Jorge, António Barahona, Ramos Rosa e namora com Zélia, que será sua segunda mulher. Edita os Eps “Coimbra e “Baladas de Coimbra”

    1961/ 62 – No Algarve conhece Zélia, a sua segunda mulher e com quem viria a ter dois filhos, Joana e Pedro

    1963 – Grava “Os Vampiros”.
    Termina o curso com uma tese sobre Jean- Paul Sartre, “Implicações substancialistas na filosofia sartriana”, na qual obtém onze valores.
    Até 1964, manteve sempre ligação à vida académica coimbrã. Participa em várias digressões da Tuna e do Orfeão Académico. Continua na faculdade como estudante voluntário.

    1964 – Vai para Moçambique ao encontro dos pais e dos seus dois filhos, na companhia de Zélia. Dá aulas em Lourenço Marques e na Beira. Aqui musicou Brecht. Em Moçambique nasce a sua filha Joana.

    1967 – Desembarca em Lisboa esgotado pelo sistema colonial. Deixa o filho mais velho, José Manuel, confiado aos avós em Moçambique. Colocado como professor em Setúbal sofre uma grave crise de saúde que o leva a ser internado em Belas. Quando sai da clínica, tinha sido expulso do ensino oficial. Neste ano é publicado o LP “Baladas e canções”, onde se reúnem temas de EP’s anteriores. É publicado o livro “Cantares de José Afonso” pela Nova Realidade.

    1968 – Expulso do ensino, dedica-se a dar explicações e a cantar com mais assiduidade nas colectividades da margem Sul, onde é nítida a influência do PCP. Grava para a Orfeu o LP “Cantares do Andarilho”.

    1969 – A Primavera Marcelista abre perspectivas ao moviemnto sindical. José Afonso participa activamente neste movimento, assim como nas acções dos estudantes em Coimbra. Lança o LP “Contos Velhos Novos Rumos” e edita o single “Menina dos olhos tristes”, que contém a canção popular “Canta Camarada”

    1970 – Grava em Londres “Traz outro amigo também”. Rui Pato impedido de sair de Portugal é substituido na viola por Carlos Correia (Boris).
    1971 – Num dos estúdios mais caros da Europa, os de Herouville, em Paris, é feita a gravação de “Cantigas do Maio”. Cabe a José Mário Branco, exilado em França, os arranjos e a direcção musical do disco. A editora Nova Realidade publica o livro “Cantar de novo”.

    1972- Madrid é o local escolhido para gravar “Eu vou ser como a toupeira”. É editado o livro “José Afonso” pela editora Paisagem.

    1973 – Está vinte dias preso em Caxias, onde escreve entre outros textos “Era um redondo vocábulo”. Pelo Natal publica o disco “Venham Mais Cinco” gravado em Paris, de novo sob a direcção de José Mário Branco. Foi o último disco de José Afonso antes da revolução de Abril.

    1974 – No dia 24 de Março José Afonso participa no I Encontro da Canção Portuguesa, em Lisboa. Debaixo do olhar atento da PIDE, passaram pelo palco do Coliseu alguns dos nomes mais sonantes do canto de intervenção, como Adriano Correia de Oliveira, José Barata Moura, Fernando Tordo, José Carlos Ary dos Santos, Fausto, Vitorino.
    No dia 25 de Abril é derrubado o regime fascista de Marcelo Caetano, pelo Movimento das Forças Armadas. Grândola Vila Morena , do disco “Cantigas do Maio”, é escolhida como senha para o arranque do movimento, passando na madrugada de 25 na Rádio Renascença. Sai o disco “Coro dos Tribunais”, com arranjos de Fausto.

    1975 – Lança o single “Viva o Poder Popular”, em colaboração com a LUAR.

    1976 – Grava o LP “Com as minhas Tamanquinhas”. Segundo José Niza, este disco representa “uma espécie de repositório e balanço das experiências vividas e recentes”. É a ressaca do PREC. Apoia a candidatura de Otelo Saraiva de Carvalho à presidência.

    1977 – Não há disco.

    1978 – É o ano de “Enquanto há força”, novamente dirigido por Fausto. Este LP conta com a participação de numerosos músicos e cantores portugueses.

    1979- Vai viver para Azeitão. Sai “Fura, Fura”, com arranjos de José Afonso e Júlio Pereira. Deste disco, oito faixas são temas para as peças de teatro “José do Telhado” (A Barraca, 1978) e “Guerras do Alecrim e Manjerona” (A Comuna, 1979)

    1981 – Grava o último disco para a Orfeu. Chama-se “Fados de Coimbra e outras canções”. Dedica-o a Edmundo Bettencourt e a seu pai. Começam-se a conhecer sintomas da doença do cantor.

    1983 – A 29 de Janeiro dá um espectáculo no Coliseu dos Recreios, para uma sala completamente cheia. Do espectáculo resultará o disco “José Afonso ao vivo no Coliseu”. Grava “Como se Fora seu Filho”. Recusa a Ordem da Liberdade.
    É publicado o livro “Textos e canções” pela Assírio e Alvim

    1984 – A doença agrava-se. ”Livra-te do medo, estórias e andanças de Zeca Afonso” de José Salvador, é publicado pela Regra do Jogo.

    1985 – Sai o seu último álbum, “Galinhas do Mato” com arranjos musicais de Júlio Pereira e Fausto. José Afonso só canta algumas faixas, devido ao seu estado de saúde estar prejudicado pela doença de que sofre, uma esclerose lateral amiotrófica.

    1987 – José Afonso morre na madrugada do dia 23 de Fevereiro, no Hospital de Setúbal.

    READ MORE
    Benedicto Garcia VillarNo verso dos versos
    17/07/2007By AJA

    “Chula da Póvoa” e “Nossa Senhora da Guia” seguido de testemunho de Benedicto Garcia Villar

    Os gaiteiros Treixadura intrepretam um tema tradicional Galego. Os gaiteiros de Lisboa interpretam um tema tradicional Português. O que se vê é uma mostra da cultura comum entre galegos e portugueses…

    Testemunho de Benedicto Garcia Villar

    No verão do 73 fomos á Illa da Fuzeta para estrear umas tendas de campismo que compráramos em “Trigano” numa viagem a França e Bélgica, á que viera o Zeca e o meu camarada Bibiano.
    A estrea foi por tudo o alto e a ela asistiron o Zeca e a Zèlia, os miúdos, Pedro e Joana e nós, Maite e eu. A do Zeca, familiar, com vários quartos, já se adivinhava de lonje que não ía ser morada do seu dono que na altura andava lixado coa súa perenne insomnia. Nós, os galegos, ficamos naquela tenda máis pequena que para dois era de máis. Aliás, e único que había a fazer naquela illa despovoada (a penas ían pessoas e non había nem “vaporetto” nem nada parecido e assim as viajems ao “continente” eram a “brazo”, a vogar co remo) era poñer o coiro, tudo o coiro, ao sol, para escándalo, é verdade, de algúms. Si había dúas Zeca e família cada día para tomar aquela marabilla de sardinhas grelhadas. Não tenho a certeza de se são as melhores as de além ou as de Rianxo, na ría de Arousa, ou as de Safi, no atlántico marroquino, onde as tomamos no ano 2000 numa viajem que fizemos coa Zèlia e onde há muitos portugueses a travalhar, entre eles um tío da Zèlia que era a quem íamos em particular a visitar naquele porto tão cheio de color e alegría. Isto deve ser aplicável a casi tudos os portos, hajo eu, de jeito que não estou a descuvrir nada novo, pero dado que pasávamos pelo sabor das sardinhas…
    segundo as súas fontes, era cantada nas celebrações nas dúas beiras do Minho, no norte galego e no sul portugués. A canção, simples de composição, tinha tres quadras:

    Nosa Senhora da Guía
    Guía aos homens do mare
    Venha ver a barca vela
    Que se vai deitar no mare
    Nosa Senhora vai dentro
    Os anjinhos a remare

    A partir desse momento a canção, tal e como estava, foi incluída por nós nos espectáculos que sempre realizávamos acompanhándonos mutuamente para, com máis ou menos fortuna, sumar dúas violas e, sobre de tudo, dúas vozes, pois os dois éramos moito dados a fazer dúos. Sempre era eu quem aprendía alguma nova forma de impostar, de flexionar a voz, de construir as segundas vozes á “alentejana” ou como fosse. É a vantagem de compartir com um génio: um sempre receve muito, muito, muito…

    A partir do 25 de avril, não voltamos a ter esta espécie de parelha (o seu lugar sería ocupado pelo Bibiano ata o 78). Aínda que sempre mantivemos, até o fim dos seus días, a mesma cordialidade, o “guião” que tinhamos que interpretar foi outro bem diferente. Em tanto que, em Portugal, as liberdades inundavan as rúas e o Zeca tinha que dedicarse a canalizar tuda aquela energía desbordante que o mantinha em constante “bebedeira” intelectual, artística, política e humana, em Espanha aínda tardaríam em chegar: em fevereiro do 77 aínda eram prohibidos espectáculos.
    No mes de maio desse ano gravei o meu primeiro L.P.: “Pola Unión” e nele havía uma canção intitulada “Nosa Señora da Guía”:

    Nosa Senhora da Guía
    Guía ós homes do mare
    Veña ver a barca vela
    Que se vai deitar no mare
    Nosa Señora vai dentro
    E os anxiños a remare
    En Ourense as gueivotas
    Non saben o que é voare
    Os mariñeiros traballan
    No mare da liberdade
    Outros pesqueiros reventan
    Prós señores engordare
    Hai un caravel vermello
    No fusil do militare
    Quen non viu cantar un vello
    Non sabe o que é cantare

    Coa emoção própria do neófito (e eu éra-o pois a penas gravara um e.p. de 4 canções no 68 em Barcelona) dinlhe ao Zeca o disco e ele fez o próprio e trocou-o por um dele. Neste dico estava “Chula da Póvoa” a súa versão, máis portuguesa, com uma irmá no meu disco, máis galega.
    Á “Nosa Señora da Guía” aconteceulhe o melhor que lhe pode acontecer a uma canção: sem saver a súa origem, sem saver sequera quem a gravou, agúms, moços e não tão moços cántana pelas rúas…
    Nesta página-e pódese ouvir um bocadinho:

    http://www.ghastaspista.com/historia/polaunion.php

    READ MORE
    Poesia
    15/07/2007By AJA

    Dos muitos filhos grados | José Afonso

    Dos muitos filhos grados
    que tiveste
    nem um se lembra
    da velha casa térrea
    onde concebeste sem pecado
    e estragaste os teus dias
    entre a corda da roupa
    a cozinha e o homem
    Amanhã sem aviso
    apanhas um eléctrico
    mudas de roupa
    acompanhas
    o trajecto dos astros
    De repente
    é o arco-íris em volta
    o guarda-freio a volúpia
    a rua o beiral
    duma grande família

    Não voltes

    Tal como Elfried Engelmayer nos vem avisando desde há muito tempo, temos que fazer mais pelo “poeta José Afonso que vive na sombra de Zeca Afonso, cantor político”. Colocá-lo nos livros escolares, colectâneas de poesia contemporânea, organizar colóquios sobre a sua poesia musicada e não musicada, surpreender em todos os momentos possíveis com textos ainda desconhecidos e incrivelmente belos como este acima publicado. Para mais poemas podem aceder à secção “poesia” no site da AJA. Cá esperamos pelas vossas sugestões.

    READ MORE
    Poesia
    15/07/2007By AJA

    Quadras de José Afonso

    Nestas quadras vão notícias
    P’ra quem está mal informado
    Dá-me o tom desta cantiga
    Quero estar bem preparado

    Nestas quadras vão notícias
    P’ra quem está mal informado
    Dá-me o tom desta cantiga
    Quero estar bem preparado

    Quero estar bem preparado
    O Sol e Dó bate fino
    Quando o compasso é folgado
    Entra melhor no ouvido

    Os ricos mentem ao povo
    Com artes de feiticeiro
    Dizem que são pela Pátria
    Mas só pensam no dinheiro

    Hoje os tempos estão mudados
    Mal vai para quem trabalha
    Sai das tuas tamanquinhas
    E luta contra o canalha

    Sobem as rendas de casa
    A habitação é um luxo
    Mas há quem tenha palácio
    Piscina, parque e repuxo.

    Foi dar a Lisboa um Pinto
    Habitar um aviário
    Fizeram dele ministro
    Mas não passa dum falsário

    Nunca vi na minha vida
    De uniforme ou à paisana
    Um guarda republicana
    Bater num capitalista

    Tu chamaste-me comuna
    Pensando que me ofendias
    Com esse nome viveu
    Paris os seus melhores dias

    Haja ganas com fartura
    P’ra levantar o país
    Quando o mal não tem remédio
    Corta-se o mal pela raiz

    Mineiros da nossa terra
    Abrindo covas no fundo
    Pescadores lá do mar alto
    Que deram lições ao mundo

    Muita gente prevenida
    Grita e berra que se farta
    Antes que seja crescida
    Há que matar a lagarta

    Cãezinhos de pelo fino
    Pela trela passeando
    São os últimos suspiros
    Que a Europa nos está mandando

    Hoje há Sandras e Patrícias
    Sinal dos tempos que vão
    Acabaram-se as Marias
    Tudo vem da imitação

    Sónias, Mónicas, Sofias
    E Carlas ao desbarato
    Ninguém quer um fato próprio
    Tudo quer mudar de fato

    Algarve, o que vejo agora?
    Fazem de ti capoeira
    Para pedires uma bica
    Falas em língua estrangeira

    Vida cara, vida cara
    Onde irá isto parar?
    Pergunta a dona de casa
    Sem ter com que se amanhar

    É já miséria doirada
    Ver comida boa e farta
    E pagar uma fortuna
    Por um quilo de batata

    É já miséria revolta
    Ver a loiça sobre a mesa
    Quem fez o cabaz da fome,
    Rouba, rouba concerteza

    Tudo são palavras mansas
    Tudo são palavras caras
    Avança, meu povo, avança
    Avança que já não páras

    Há de tudo nesta feira
    Juncada de rosmaninho
    Menina, toma cautela
    Que andam chulos p’lo caminho

    Na sociedade marcada
    O sistema é que não presta
    E p’ra manter a fachada
    Há sempre um tambor da festa

    Tenho debaixo da língua
    O princípio duma trova
    Hei-de encontrar uma rima
    Dedicada à gente nova

    A velhice não se enjeita
    Como o lixo da calçada
    País que os velhos rejeita
    Não é país, não é nada

    Numa escola de Setúbal
    Ficou surda uma menina
    Tanta pancada lhe dera
    A professora malina

    Discursos, festas, colóquios
    Não chegam (nem caridade)
    O melhor são as crianças
    Disse o poeta, e é verdade

    Seja cada dia um ano
    Que um ano não dá p’ra mais:
    Colóquios, festas, sorrisos,
    Missas internacionais

    Faz aqui falta uma trova
    Duma criança oprimida;
    Ela que fale da fome,
    Ela que fale da vida

    Ela que fale da pomba
    Que tem a asa ferida;
    Ela que fale da nuvem
    Que encobre a terra poluída

    Veio uma carta de longe
    Dum amigo de Bragança
    Que fugiu daqui a salto
    E hoje vive na França

    Diz que trabalha na “chaine”
    Como uma besta de carga
    E que não foi de vontade
    Que deixou a pátria amada

    Mandou o filho à escola
    Onde só fala francês
    Quando as saudades apertam
    Diz que vai voltar de vez

    Mas sabe que o desemprego
    É um inimigo real
    E assim se vai conformando
    Longe da terra natal

    O emigra erga a mola
    Num país que não é seu
    Produz fortunas alheias
    Com as mãos que Deus lhe deu

    Disse-me um dia um careca
    Quando uma cobra tem sede
    Corta-lhe logo a cabeça
    Encosta-a bem à parede

    Quando uma lancha se afunda
    Nunca a culpa é do patrão
    É sempre de quem se amola
    Lá no fundo do porão

    Esta terra será nossa
    Quando houver revolução

    READ MORE
    António PimentelCapas de discos
    15/07/2007By AJA

    Desenho de António Pimentel

    Desenho que foi usado para o LP “Baladas e Canções”

    READ MORE
    1234
    PESQUISA DE CATEGORIAS

    CONSULTAR ARQUIVO

    Newsletter

    loader
    Email*

    Nome

    Apelido

    Centenário de José Afonso
    AJA

    O seu endereço de e-mail será usado apenas para enviar newsletters sobre as atividades da Associação José Afonso e/ou a iniciativa do Centenário de José Afonso. Pode sempre escolher deixar de receber estes e-mails clicando no link de unsubscribe na newsletter.

    Copyright © 2021 Thepascal by WebGeniusLab. All Rights Reserved

    BACK TO TOP