AJA

  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos
  • 100 Anos de José Afonso

Type [To] Search

AJA

  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos
  • 100 Anos de José Afonso
  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos
  • 100 Anos de José Afonso

AJA

Type [To] Search

AJA

  • início
  • a associação
    • quem somos
    • núcleos
    • centro de documentação
    • escolas
    • exposições
    • encontros
    • donativos
  • josé afonso
    • biografia
    • cronologia
    • discografia
    • letras
    • bibliografia
    • multimédia
    • versões
  • blogue
  • loja
    • livros
    • discos
    • revistas
    • outros
    • ver tudo
  • contactos
  • 100 Anos de José Afonso
April 2007
Home 2007
Adriano Correia de Oliveira
09/04/2007By AJA

Adriano nasceu há 65 anos

Adriano Correia de Oliveira foi, acima de tudo, um homem simples. Talvez por isso não tenha a notoriedade de outros cantores da sua geração. Abordava as canções como pedaços de vida. Tinham de ser relevantes para a sociedade. Adriano compunha para deixar um traço. Compunha por pensar que esse traço podia despertar no outro uma emoção, uma perplexidade, uma repulsa.

Adriano Correia Gomes de Oliveira nasceu no Porto em 9 de Abril de 1942, filho de Joaquim Gomes de Oliveira e de Laura Correia. Ainda muito novo foi viver para Avintes, onde fez a escola primária. Depois de completar os estudos secundários, inscreveu-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra. Gostava de participar na vida cultural da Universidade. Cantou no Orfeão Académico de Coimbra e fez teatro. Não tardou a descobrir o fado. A sua voz triste era perfeita para o tom romântico e contemplativo da tradição coimbrã.

No início da década de 60 tornou-se militante do PCP. Era um homem de esquerda que gostava da luta política. Moldado por convicções inabaláveis, lutou sempre contra um país que vivia adormecido. Em 1962, participou nas greves académicas e concorreu às eleições da Associação Académica, através da lista do Movimento de Unidade Democrática (MUD). Todas estas movimentações levaram-no a gravar, no seu terceiro álbum, uma das baladas fundamentais da sua carreira, “Trova do Vento que Passa”, com poema de Manuel Alegre. Versos como “Há sempre alguém que resiste / Há sempre alguém que diz não” entraram no espírito de todos os que ansiavam pela liberdade. Foi o hino do movimento estudantil.

Em 1966 casou-se com Matilde Leite, com quem teve dois filhos. Veio para Lisboa, onde pretendia retomar o curso. Como ainda estava no primeiro ano, foi obrigado a cumprir o serviço militar. Nunca parou de gravar e de ajudar os movimentos estudantis na luta contra o regime salazarista. Em 1969, o álbum intitulado “Adriano Correia de Oliveira” foi considerado o melhor disco do ano, o que o levou a participar no famoso programa de televisão “Zip-Zip”.

Depois de ter terminado o serviço militar, arranjou emprego no gabinete de imprensa da Feira Internacional de Lisboa (FIL). Nesse mesmo ano decidiu avançar com o álbum “O Canto e as Armas”. Habituado a gravar discos com canções independentes umas das outras, Adriano Correia de Oliveira gravou um álbum conceptual, construído à volta de um poema de Manuel Alegre. Foi uma opção arriscada, tanto artística como politicamente, já que Manuel Alegre era um autor proibido. Depois de “O Canto e as Armas”, Adriano continuou a produzir discos políticos que denunciavam a realidade portuguesa, tendo marcado a existência de muitos que o ouviram. “São grandes aqueles que modificam a vida das pessoas”, lembra a historiadora Irene Pimentel.

Chegou a Revolução de Abril, e Adriano Correia de Oliveira já podia cantar, com alegria, a liberdade. Participou em vários espectáculos, em Lisboa e no Porto. Sempre considerou que a cultura deveria ser para todos e fez os possíveis por espalhá-la pela população. Em 1974 fundou o “Colectivo de Acção Cultural” e andou pelo País, com o apoio do Partido Comunista, a anunciar a Revolução. Era a época do PREC e de todas as utopias. Em 1975 recebeu o prémio de melhor artista do ano, atribuído pela revista britânica “Music Week”.

Mas nem por isso se deixou paralisar pela prisão das recordações. Continuou o seu combate contra a injustiça social, com uma sofreguidão de gozar o “tempo que passa”. No fim da década de 70 Adriano fundou a cooperativa artística Cantarabril, o sonho da sua vida, mas não tardaram os problemas internos que culminaram na sua expulsão, em 1981. Nunca deixou de ter projectos, mas a morte interrompeu-os. Morreu em Avintes em 16 de Maio de 1982.

Adriano Correia de Oliveira foi um dos renovadores da canção de Coimbra. Um artista extraordinário, que deixou canções eternas, que urge redescobrir.

READ MORE
Testemunhos
07/04/2007By AJA

Bilhete Postal – A esperança e Zeca Afonso

Liga-se a televisão em horário nobre e é novela atrás de novela. Acende-se o rádio do carro e quase toda a música é plástica, ditada por um gosto sem rosto mas que a gente aceita.

Lê-se cada vez menos, e os livros que têm sucesso são, salvo honrosas excepções, obras intragáveis sobre amores leves e outros sentimentos claros. Lineares.

No meio deste aterrador pântano da atitude estética e da sua falta de exigência, eis uma boa notícia: vinte anos após a morte do grande artista, o disco que mais vende em Portugal é uma homenagem à obra de alguém que nem a ideologia férrea confinou apenas ao seu lado a admiração merecida pelo génio: José Afonso. Ainda há esperança.

Octávio Ribeiro – Correio da Manhã

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)Imprensa
07/04/2007By AJA

Conversas e música de Zeca Afonso em Sines

O Centro de Artes de Sines (CAS) recorda este mês alguns dos momentos mais “quentes” do 25 de Abril na região e no país com exposições, conversas e um concerto com músicas de Zeca Afonso.
A Revolução dos Cravos domina os principais eventos culturais. logo a partir de terça-feira, com a inauguração da exposição “Uma Revolução em Marcha – O 25 de Abril na Rua”, patente no átrio da Biblioteca até ao final do mês.
A mostra documental, promovida pelo Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, retrata os dias do nascimento da democracia em Portugal e o modo como foram vividos nas ruas pela população.
Mais próximo da data que assinala a passagem de 33 anos sobre a revolução, no dia 23, é inaugurada a exposição “A Bem da Nação”, no Centro de Exposições do CAS.
Os documentos dados a conhecer caracterizam a ditadura do Estado Novo entre 1926 e 1949 e formam a primeira de três partes desta mostra (a concretizar até 2009), que “pretende contextualizar a revolução do 25 de Abril de 1974 em Sines e em Portugal”. Os antecedentes do 25 de Abril são também lembrados até ao final de Maio, recorrendo a documentos do Arquivo Histórico Municipal Arnaldo Soledade, que explicam a instauração do Estado Novo e as suas consequências para a vida do país e da então vila de Sines.
O golpe militar que deu origem ao Estado Novo (28 de Maio de 1926), a promulgação da Constituição (19 de Março de 1933), a II Guerra Mundial (1939/45), o ciclone com consequências em Portugal (1941) e as eleições presidenciais de 13 de Fevereiro de 1949 são os principais momentos revistos.
“Os Mitos de Abril” voltam a estar em destaque no dia 26, data em que a investigadora do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (Universidade Nova de Lisboa) Maria Inácia Rezola conduz uma conversa sobre este tema, na cafetaria do CAS (21h30).
A discussão versará “sobre as verdades e os mitos da história, nalguns aspectos ainda misteriosa”, e responderá a questões como “tratou-se de uma revolução em nome da liberdade?” ou “o que foi o 25 de Novembro, um golpe ou um contra-golpe?”.
Na noite de 28 de Abril, o auditório do Centro de artes enche-se com a música de Zeca Afonso, tocada pelo quinteto de percussionistas Steel Drumming, acompanhado pelo convidado J. P. Simões (22h00).
O grupo originário do Porto vai recriar o repertório do autor de “Grândola, Vila Morena” em tambores metálicos (steel drums ou steel pans, instrumentos criados a partir de bidões de aço originários das Caraíbas).

O Primeiro de Janeiro

READ MORE
Andrés StagnaroImprensa estrangeira
07/04/2007By AJA

José Afonso – Lo que hace falta

El 25 de abril de 1974 a las 0 horas y 15 minutos, Radio Renascença comenzaba a difundir al aire las estrofas de Grândola Vila Morena. Era la segunda señal elegida por el Movimiento de las Fuerzas Armadas para el levantamiento pacífico que derrocaría la larga dictadura existente en Portugal. La señal de la Revolución de los Claveles. El autor de ese tema era José Afonso, la figura más importante de la música popular portuguesa del siglo XX. José Afonso ( Zeca )a pesar de no llamarse a si mismo un músico, fue el gran referente de la nueva canción portuguesa, el principal innovador, poseedor de un sublime talento creativo, de espíritu rebelde, despojado, comprometido y de valores éticos y humanos intachables.No es de extrañar que en este Portugal actual al que le han quitado mucho de lo conquistado hace 32 años, en su búsqueda desesperada de valores, se diga que José Afonso es lo que hace falta. Zeca nació en Aveiro el 2 de agosto de 1929. Su niñez estuvo repartida entre padres y tíos, a los diez años de edad, había vivido en Portugal y en Angola. En 1940 prosigue sus estudios en un liceo de Coimbra, donde conoce al guitarrista Antonio Portugal, sus padres parten hacia Timor, ocupado más tarde por los japoneses, Zeca pierde contacto con ellos y por tres años queda sin noticias, hasta el final de la 2da. Guerra mundial, 1945. En este mismo año comienza a cantar serenatas como “ Bicho “, designación que se le daba a los estudiantes liceales. En 1953 son editados sus dos primeros discos, ambos de 78 revoluciones, en los cuales canta fados de Coimbra.Recorre varios puntos del país ejerciendo la docencia en enseñanza secundaria.En 1958 graba su primer disco con temas propios ( Balada de Otoño ), es el comienzo de la revolución musical que se está gestando en Portugal.Un año después comienza a cantar en medios populares.En 1967 es expulsado de la enseñanza pública por el régimen Salazarista. sobrevive a duras penas con sus cuatro hijos dando clases particulares y con un pequeño jornal que le deja la grabación regular de discos. En ese año graba su primer larga duración ( LP) “ Baladas y canciones “ y publica su primer libro de poemas “ Cantares “ .Intensifica su actividad política integrando la LUSAR ( Liga de unidad y acción revolucionaria ) y militando en sectores próximos al Partido Comunista Portugués. En 1971 es llevado preso en varias ocasiones y algunas de sus canciones son prohibidas.Graba en París “ Cantigas do maio “ , ese disco, representará el punto de referencia para toda la nueva música popular portuguesa. A partir de aquí comienza actuar con más regularidad en vivo.Su actividad continúa siendo intensísima, hasta que en 1982 comienza a sentir las primeras dolencias de una esclerosis lateral amiotrófica que destruye su tejido muscular. A pesar de esa dolencia progresiva su espíritu creativo le da fuerzas para continuar su obra.El 23 de febrero de 1987 muere en Setúbal , dejando más de treinta discos editados, una centena de canciones sin rematar y un pueblo dolorido que le acompañó masivamente hasta el final en una impresionante manifestación popular. Si hubo alguna cosa en África que me marcó definitivamente , fue la realidad Colonial (……“ Mi bautismo político comienza en África, estaba a dos pasos del oprimido “ (…)“Nunca fui un individuo con certezas dogmáticas acerca de grupos o partidos preferenciales “ José Afonso, al decir de su amigo, el cantautor Francisco Fanhais era un marginal en el más noble sentido de la palabra. Un hombre que siendo frágil y vulnerable, poseía una fuerza interior hecha de tan fuertes convicciones que lo hacían ultrapasar esa vulnerabilidad para firmar a los siete vientos su profunda verdad. Tímido, desorganizado, Zeca no gustaba de las luces del escenario. Ya cerca del fin, me decía ( Dice Fanhais ) “tener que cantar es como quien me arranca un diente”. Tal vez esto justifique que a pesar de tener una fantástica intuición musical, Zeca no escribía música, inventaba sus canciones tarareando para un pequeño grabador. solo conocía tres acordes en la guitarra. La música para Zeca no era un fin, era un medio, un medio para juntar a las personas, para protestar, denunciar, criticar, celebrar alegría o divulgar el alma más profunda del pueblo portugués(…)Puedo decir que Zeca era el más cristiano de mis amigos ateos (..)Había en el una especie de actitud franciscana frente a la vida, un gran despojamiento personal acompañado de profundas preocupaciones filosóficas y metafísicas.No era un agitador, no era un político en el sentido profesional de la palabra, era un hombre cargado de la verdad más esencial…No definía reglas, no imponía ideas, no tenía un programa, solo una gran apertura hacia los otros, sobretodo hacia las víctimas de la injusticia y de la iniquidad.En un homenaje que le fue hecho en Braga en 1984 dijo…….importa mantener la capacidad de indignación y seremos capaces de rechazar la hipocresía de quienes detentan el poder. Zeca es y será recordado no solo como el cantautor de la resistencia antifascista o el renovador de la música popular portuguesa con sus mágicas baladas, si no también como el ejemplo del ser humilde, íntegro y solidario.

Andrés Stagnaro
Publicado en Bitácora en el año 2006

READ MORE
Capas de revistas
07/04/2007By AJA

Revista luso-canadiana “Lusitania”

Revista organizada por portugueses residentes em Vancouver no Canadá.
Seleccione a imagem para aceder ao site e à revista em formato PDF.

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
05/04/2007By AJA

S.O.I.R Joaquim António de Aguiar em Évora

Comemorações do 25 de Abril

* Sexta- feira, 6 Abril – 22h00
Concerto: UZA
Local: SOIR Joaquim António d’Aguiar
Exposição (até dia 2 de Maio)
Fotografias sobre o 25 de Abril.
Local: Bar da SOIR Joaquim António d’Aguiar

* Sábado,7 – 21h30m
Concerto: Conversa entre José Afonso e Carlos Paredes
Pelo Grupo Raízes
Local: SOIR Joaquim António d’Aguiar
Sexta- feira, 13 – 21h30
Concerto: Canções Heróicas de Lopes Graça
Pelo Eborae Música
Local: Convento dos Remédios

*Sábado,14 Abril – 22h00
Concerto: Que Viva o Zeca
Pelo Erva de Cheiro
Local: SOIR Joaquim António d’Aguiar

*Domingo, 15 Abril – 21h30m
Concerto: “Um Redondo Vocábulo” – João Afonso e João Lucas
Local: Teatro Garcia de Resende
Organização: SOIR Joaquim António D’Aguiar

Terça – feira,17 Abril – 21h00
Mesa Redonda: O Movimento Associativo na Sociedade Contemporânea
Local: SOIR Joaquim António d’Aguiar

Sexta- feira, 20 Abril – 22h00
Recital de Poesia
Por Américo Rodrigues
Local: SOIR Joaquim António d’Aguiar

*Sábado, 21 Abril – 22h00
Concerto: Francisco Fanhais
Local: SOIR Joaquim António d’Aguiar

Segunda – feira, 23 Abril – 16h00
Conferência – Sobre o Livro: Vitimas de Salazar
Com a participação do Departamento de História da Universidade de Évora.
Local: Auditório Soror Mariana

Terça – feira, 24 Abril – 00h00
Concerto: Cantares de Évora
Uxu Kalhus
Local: SOIR Joaquim António d’Aguiar

*Sexta- feira, 27 Abril – 22h00m
A Canção Coimbrã: o Fado, a Balada, as Trovas,
perpetuadas por Zeca Afonso
Pelo Quinteto de Coimbra
Local: SOIR Joaquim António d’Aguiar

*Sábado, 28 – 22h00m
Concerto : AJA FORÇA
Local: SOIR Joaquim António d’Aguiar
Organização: SOIR Joaquim António D’Aguiar

*Concertos de Tributo a José Afonso, por ocasião dos 20anos da sua morte.
Organização: SOIR Joaquim António d’Aguiar
Apoios: Câmara Municipal de Évora, Departamento de História da Universidade de Évora, Juntas de Freguesia de N.ª Sr.a da Saúde e Malagueira, Associação José Afonso, Cendrev, Eborae Música, Cantares de Évora, Cine Clube da Universidade de Évora.

Contactos e Reservas: Tel. / Fax 266703137/ 965056499

READ MORE
Teatro
03/04/2007By AJA

“Chamaram-te cigano” Teatro para José Afonso

Da Escola Secundária D. Inês de Castro (onde José Afonso foi professor) chegou-nos esta peça em um acto para José Afonso da autoria de Manuel Parrinha. Esperamos colocá-la em breve no sítio da AJA.

READ MORE
Homenagens e tributos (poesia)Natália Correia
02/04/2007By AJA

Poema de Natália Correia para José Afonso

É de murta e de mar a tua voz
Com algas de canção estrangulada.
Aberta a concha da trova malsofrida
Saíste como sai a madrugada
Da noite, virginal e humedecida.

É de vinho e de pinho a tua voz
Com pranto de insofríveis flores banidas.
Mas é pela tua garganta que soltamos
As eriçadas aves proibidas
Que no muro do medo desenhamos.

Natália Correia

READ MORE
Testemunhos
02/04/2007By AJA

Zeca Afonso. Memórias inéditas

Tenho saudades do Zeca Afonso, que partiu há pouco mais de 20 anos. Meu professor no liceu, partilhámos depois, na Universidade de Coimbra, também como vizinhos e amigos, mais tarde, lutas e derrotas, sonhos, utopias e até a sua agonia final. Vou escrever o que nunca disse publicamente, neste mês de Abril que tanto lhe pertence.

1.
Nos meados dos anos sessenta (1965), aluno do então 4º ano do liceu, em Lourenço Marques, vi na pauta que esse ano teria como professor de geografia e história um tal de José ( nota: a pauta omitiu o nome Afonso) Cerqueira dos Santos, ilustre desconhecido. O professor, soube depois, tinha sido proíbido de ensinar no então continente e desterrado em Moçambique, sob condição, da PIDE, de não se meter em política.

Sentado na primeira fila da aula, reparei no primeiro dia de aulas que o professor trazia um par de peúgas de cores diferentes. Penteava-se com os dedos. O ar era displicente, o sorriso cúmplice e doce. Tais ingredientes, por serem nesse tempo contra a corrente, fascinaram-me.

Apresentou-se timidamente e omitiu a actividade no mundo das cantigas. Era um professor excepcional. Incitava-nos à investigação e a questionar tudo, desde os manuais a ele mesmo. Retive para sempre uma frase:” Não estou aqui para impingir, mas para insistir e resistir, convosco de preferência”.

2.
Um dia, na discoteca Baily, em Lourenço Marques, descobri entre os velhos discos em saldo, um single com o meu professor agarrado a uma velha viola. Zeca Afonso. Duas músicas: “Menino do Bairro Negro” e “Natal dos Simples”: Comprei o disco. Na aula seguinte, quando os colegas tinha saído, confrontei o professor com o disco. Disparou, estupefacto: “Onde é que arranjaste isso?”. Expliquei o que se tinha passado. O espanto do mestre era legítimo – ele fora expulso de Portugal e proscrito nas rádios justamente por causa daquele disco e das posições que defendia em defesa dos humilhados, contra a hipocrisia intelectual dominante, todos os dogmatismos e o regime fascista.

3.
Havia, no então Rádio Clube de Moçambique, um programa em que semanalmente eram divulgados os cantores mais votados. Elvis Presley liderava. Organizei no liceu uma votação para o disco do nosso professor. Teve adesão maciça. Na semana seguinte, Zeca Afonso liderava o “Hit Parade” e assim esteve durante nove semanas. Tive que emprestar o disco ao radialista João de Sousa, mais tarde meu colega, que desconhecia o autor. A PIDE acordou. Mandaram confiscar o móbil do crime, sentenciando a proibição do cantor. Por essa altura, já eu andava em tertúlias clandestinas com o meu professor. Ele cantava. Eu dizia o “Mostrengo” de Fernando Pessoa. Imaginam o resultado: no fim do ano, a PIDE decretou novo exílio ao professor, que foi ensinar para o Liceu Pêro de Anaia, na cidade da Beira, a mais de 500 quilómetros. Depois, seria recambiado para Portugal e definitivamente banido do ensino.

4.
Viveu de dar explicações particulares ( poucas) e da ajuda dos amigos. Nunca mais nos vimos. O nosso reencontro deu-se quando vim de Moçambique para Coimbra fazer a licenciatura. O Zeca recordava-se de mim, ao mais ínfimo detalhe. Ele continuava quase na miséria. Coimbra e a sua universidade viviam, então ( vale a pena ler o livro de Celso Cruzeiro “Coimbra 69”, das edições “Afrontamento”) um período de confronto agudo contra o fascismo. Envolvi-me até ao pescoço e fiz parte dos 39 malditos eleitos pela PIDE como os mais perigosos agitadores da universidade. Eu era um teenager e o mais novo do grupo malvado, mas paguei, mesmo garoto, a factura. Os meus outros 38 companheiros, idem aspas – Alberto Martins, Celso Cruzeiro, Osvaldo Castro, Fernanda Bernarda, Strech Monteiro, Pio Abreu, Barros Moura, Silva Sardo, Palma Dias, Maria dos Anjos Albuquerque, só para citar alguns. Em 1969, paralisámos a universidade. Organizámos greve geral a exames (adesão de 98,3%), suspendemos as praxes serôdias e a Queima das Fitas. A GNR cercou a universidade e ocupou a cidade de Coimbra. Na final da Taça de Portugal, a Académica defrontou o Benfica. Todos os jogadores entraram em campo com braçadeiras de luto académico. O Estádio Nacional foi uma gigantesca manifestação contra o fascismo. Coimbra invadiu Lisboa. O Presidente abóbora Américo Tomás, pela primeira vez, não se deslocou para ver o jogo e entregar a taça.

A retaliação foi brutal. Vários companheiros foram incorporados compulsivamente no serviço militar, outros de nós foram expulsos de todas as universidades, vítimas de processos disciplinares e criminais e da cadeia. Houve para todos os gostos. Conheço desde muito novo o estatuto de arguido – réu se chamava na altura.

5.
Zeca Afonso, clandestino e silenciado, era a nossa inspiração, o nosso exemplo, a nossa rectaguarda, o nosso resguardo. Procurado pela PIDE, chegou a cantar para mais de dois mil estudantes.

Esta história muito breve dará um dia, porventura, um livro. Porque o espaço é limitado, dou convosco um salto nos tempos.

A doença ( arterose lateral amiotrófica) fez vergar o Zeca a partir de 1984. Acompanhei-o até ao fim. Assisti àquela agonia macabra, dia-a-dia.

Ostracizado por alguma partidocracia, a esquerda incluída – Zeca sempre recusou filiar-se em partidos -, vigarizado por falsos amigos, odiado pelos algozes da genialidade, o meu insubstituível amigo Zeca teve a urna exposta na Escola Secundária em Setúbal, de onde, no tempo do fascismo, fora expulso. Exigiu que, no funeral, não houvesse símbolos partidários. Mais de cem mil pessoas foram dizer-lhe adeus.

Eu não fui. Fiquei em casa. A chorar, pois claro. Não me despeço de quem vive no meu coração para sempre.

6.
Para o bem e para o mal, o meu coração, os meus afectos, a minha memória, são em mim quem mais ordena.

Assim será até ao dia (breve?) em que reencontrarei o Zeca. Ainda lhe devo sete contos, moeda antiga, que me emprestou para comprar a capa e batina no prego, ou seja, na casa de penhores.

Falaremos seguramente das utopias que partilhámos, as quais, um dia, serão concretizadas.

Assim foi com o 25 de Abril de 1974.

Assim será com as cidades sem muros nem ameias que nascerão sobre os escombros deste planeta do martírio no qual temos vivido aparentemente sem a nossa revolta.

Aparentemente, insisto, porque a revolta e a morte, como os sismos, têm em comum a particularidade de viverem connosco mas nunca terem hora marcada para eclodir.

A revolta é sempre vencedora.

A morte, para os que amamos, vale por um episódio efémero de consequência e vida transitórias.

Alguém, no perfeito juízo, pode dizer que, há 20 anos, morreu Zeca Afonso?

O Zeca permanece, ouve-se, fez escola e é exemplo – até na sombra de uma azinheira emergem e se murmuram nos lábios dos homens bons e das mulheres simples as palavras e os sons que Zeca Afonso deixou para a eternidade, imunes aos vampiros da memória.

Até breve, Mestre, companheiro, Amigo, camarada.

P.S.

Uma curiosidade.

Foi Otelo Saraiva de Carvalho, que liderou na Pontinha, em Lisboa, o grupo de oficiais que dirigiram a operação militar do 25 de Abril, quem escolheu as duas canções-senha – “Grândola Vila Morena” e “E depois do adeus” – que se constituíram como luz verde para o arranque das unidades que ocuparam pontos estratégicos da capital. Otelo hesitou entre duas canções do Zeca. “Venham mais cinco” e “Grândola Vila Morena”. Acabaria por se decidir pela primeira por causa do verso “o povo é quem mais ordena”. Assim se internacionalizou o concelho alentejano, cujo Presidente da Câmara é um militar de Abril, Carlos Beato, eleito pelo PS.

Guilherme Pereira

READ MORE
Testemunhos
02/04/2007By AJA

Zeca Afonso – O Professor “Indisciplinador de almas”

Decidi relembrar o Zeca Afonso como professor, uma vez que o poeta e o músico têm um lugar ímpar no panorama da cultura musical portuguesa e são por todos reconhecidos.

“DURANTE O EXERCÍCIO DO PROFESSORADO, COLHI A MINHA EXPERIÊNCIA DE VIDA MAIS IMPORTANTE.”

“TENTEI ASSUMIR A FUNÇÃO DE PROFESSOR, QUE NÃO TINHA NADA A VER COM A TRADICIONAL.

RECORDO-ME QUE TINHA GRANDES DIFICULDADES EM CONCILIAR OS DOIS ASPECTOS: A DISCIPLINA E O DIÁLOGO. OS ALUNOS CHEGAVAM-ME REPRIMIDOS POR UM DETERMINADO SISTEMA DE ENSINO E VINHAM DESCARREGAR AS TENSÕES DAÍ RESULTANTES PARA AS MINHAS AULAS.

A MAIOR PARTE DESSES ALUNOS ACEITAVA O PROFESSOR DENTRO DOS MOLDES TRADICIONAIS, REPRESSIVOS E AUTORITÁRIOS, E NÃO DAVAM CRÉDITO AO PROFESSOR QUE SE PUNHA NUMA POSIÇÃO DE DIÁLOGO. ESPECIALMENTE EM MANGUALDE (1956)…”

José Afonso

REGISTO BIOGRÁFICO:

Em fins da década de 40, já aluno de Ciências Histórico-Filosóficas da Faculdade de Letras de Coimbra, destaca-se, à semelhança do irmão, como cantor de fados.

1955-56 – Professor em Mangualde

No ano lectivo 1955/56, para assegurar o sustento da família, e embora não tendo ainda concluído o curso, começa a dar aulas num colégio privado em Mangualde.

1956-57 – Professor em Aljustrel

Foi professor de História e Geografia no Externato D. Filipa de Vilhena, em Aljustrel.

Em 1957/58 é professor em Lagos, seguindo-se nos anos subsequentes Lagos, Faro, Alcobaça e de novo Faro.

No arquivo da Escola Secundária Gil Eanes, em Lagos existem alguns documentos que comprovam a sua passagem como professor desta cidade.

Segundo a documentação «pode comprovar-se que os anos de 1957/58 foram tempos difíceis para José Afonso.

Antes de poder leccionar nesta cidade algarvia, é enviado para aquele estabelecimento, então Escola Industrial e Comercial de Lagos, um documento do Ministério da Educação confirmando que José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos estava apto para dar aulas; contudo, Zeca terá sido «obrigado a assinar um documento onde declarou, pela sua honra, que não pertencia nem jamais pertenceria a associações ou institutos secretos».

1958/59 – Professor em Faro.

Nas praias do Algarve. Zeca falava de «fase de euforia, uma das mais felizes da sua vida».

Na Fuzeta, monta a sua «tenda contemplativa», percorre quilómetros à beira-mar, às vezes vai directamente para a escola, a pingar.

Uma das suas grandes paixões, o ensino:
«Queria pôr os alunos a funcionar como pessoas, incutir-lhes o espírito crítico, fazer com que exercitassem a sua imaginação à margem dos programas oficiais.»

1959/60 – Foi neste período (1959 -1960) professor de Francês e de História na Escola Comercial e Industrial de Alcobaça.

1960/61/62 – Professor em Faro.

Escola Industrial e Comercial de Faro (hoje Escola Secundária Tomás Cabreira), professor de francês no Curso Geral de Comércio

José Afonso segue atentamente a crise estudantil de 1962. Em Faro convive com Luiza Neto Jorge, António Barahona, António Ramos Rosa e Manuel Pité, e namora com Zélia, natural da Fuzeta, que será a sua segunda mulher e com quem terá mais dois filhos, Joana e Pedro.

É José Afonso quem nos diz: «O conhecimento da Zélia, num lugar do Algarve, reconciliou-me com a água fresca e com os tons maiores. Passei a fazer canções maiores».

Em 1963, conclui a licenciatura na Faculdade de Letras de Coimbra com uma tese sobre Jean-Paul Sartre: “Implicações Substancialistas na Filosofia Sartriana”.

1964-67 – É professor na Beira;

Vai para Moçambique com Zélia;

Nos últimos dois anos, dá aulas na Beira.

Aqui musicou Brecht na peça A Excepção e a Regra. Em Moçambique nasce a sua filha Joana (1965).

«Se houve alguma coisa em África que me marcou definitivamente foi a realidade colonial. Quando eu parti ia preparado para enfrentá-la: sabia quais os seus contornos e o papel que me cabia como professor, quais os alunos que ia ensinar. Sabia também que ia ser um veículo de transmissão ideológica de uma classe dominante. (…)

Fiquei terrivelmente ligado àquela realidade física que é a África, aquilo tem de facto qualquer coisa de estranho, uma força muito grande que nos seduz. O meu baptismo político começa em África. Estava a dois passos do oprimido».

1967/68 – Professor em Setúbal;

É colocado como professor em Setúbal (dava aulas de História» no Liceu de Setúbal), e a par das funções lectivas começa a aceitar convites para cantar em colectividades da Margem Sul. Fica sob a mira da PIDE que o passa a chamar com relativa assiduidade para prestar declarações no posto de Setúbal.

Sofre uma grave depressão que o leva a ser internado durante 20 dias na Casa de Saúde de Belas. Quando sai da clínica, recebe a notícia de que tinha sido demitido do ensino oficial.

O PCP convida-o a aderir ao partido, mas José Afonso recusa invocando a sua condição de classe.

«Nunca fui um indivíduo com certezas dogmáticas acerca de grupos ou partidos preferenciais. Comecei por me relacionar, sobretudo na Margem Sul, a associações de estudantes fortemente politizadas, por um lado, e a determinadas organizações políticas, como por exemplo os Católicos Progressistas, por outro. Achava que todos aqueles grupos eram necessários para formar um movimento que conduzisse ao derrube do poder. Qual seria depois o partido ou organização que surgiria após o derrube do poder, não sabia.»

É excluído do ensino oficial por razões políticas.

Expulso do ensino, em 1968 dedica-se a dar explicações e a cantar com mais assiduidade nas colectividades da Margem Sul.

Pelo Natal, edita o álbum Cantares do Andarilho, com Rui Pato, primeiro disco para a Orfeu. O contrato é sui generis: contra o pagamento de uma mensalidade (15 contos), José Afonso é obrigado a gravar um álbum por ano.

APÓS O 25 DE ABRIL DE 1974 – Nesses meses («essa coisa magnífica que foi o PREC»), percorre o país de ponta a ponta, num sem fim de «sessões», «acções de dinamização», «campanhas de alfabetização».

Zeca assume a liberdade de uma forma plena, inebriante e intensamente fraterna. Realiza milhares de sessões, apoia as mais diversas lutas. Realiza várias sessões no estrangeiro, nomeadamente Brasil, França, RFA, Moçambique e Angola.

É reintegrado no ensino.

1993 – é publicado no Diário da República a designação de Escola Secundária Dr. José Afonso, em homenagem ao professor-poeta-cantor e resistente antifascista, no Seixal.

“Fui cantor porque deixei de ser professor e finalmente sou coisa nenhuma porque deixei de ser cantor”.

Pensando que o ZECA foi professor… voltei o meu esforço de divulgação para os meus alunos, que não o conheceram e para quem estou a preparar um conjunto de actividades com vértice na obra de José Afonso. EM ABRIL…

Olinda Gil

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
02/04/2007By AJA

Vitorino e Zé Carvalho prestam homenagem a Zeca Afonso no Teatro Micaelense

Os sucessos musicais mais emblemáticos da carreira de Zeca Afonso vão ser recordados pelos cantores Vitorino e Zé Carvalho num evento comemorativo dos 20 anos da morte do “grande mestre da música contemporânea portuguesa”, que tem lugar no Coliseu Micaelense, no próximo dia 21 de Abril, em ambiente de café-concerto. “Zeca Afonso – 20 Anos Depois”, que decorre já no âmbito das comemorações do 25 de Abril, vai recordar canções marcantes como “Grândola Vila Morena”, “A formiga no carreiro”, “As 7 mulheres do Minho”, “Do choupal até à Lapa”, “Maria Faia”, “Milho verde”, “O que faz falta”, “Traz outro amigo também”, “Vejam bem” ou “Venham mais cinco”, entre outras.
Este concerto, que ocorre também integrado nas celebrações dos 30 anos de carreira do cantor Vitorino, é uma co-produção do Coliseu Micaelense com a produtora nacional de espectáculos “Artes e Produções”, de José Carvalho. Os dois cantores actuarão acompanhados pelos músicos Carlos Salomé (violas, cavaquinho e percussão), Rui Alves (bateria e percussão), Daniel Salomé (clarinete e saxofone) e Sérgio Costa (piano e teclados).
Os bilhetes para esta sessão única do dia 21 de Abril, às 22 horas, já se encontram à venda na bilheteira do Coliseu Micaelense. A pista da maior sala de espectáculos dos Açores estará adaptada ao formato de “café-concerto”, com mesas de quatro lugares dotadas de serviço de bar, sendo as mesas mais próximas do palco a 50 euros e as mais afastadas a 40 euros. Para além disso, são vendidos bilhetes individuais de 15 euros nos balcões centrais e de 12,50 nos balcões laterais.
http://www.coliseumicaelense.pt

READ MORE
Exposições
02/04/2007By AJA

Exposição em Coruche


HORÁRIO

de terças a sextas-feiras:
das 10:00 às 17:30 horas

sábados:
das 10:00 às 13:00 horas
e das 15:00 às 18:00 horas

domingos e segundas-feiras:
A exposição encontra-se encerrada

READ MORE
Testemunhos
30/03/2007By AJA

Zeca

A evocação dos 20 anos do desaparecimento de José Afonso, soou-me como estranha. Qualquer coisa entre a hipocrisia e um consenso apodrecido à volta de um nome, de um criador.
Durante todo o dia da última sexta-feira, ouviram-se na rádio depoimentos de quase toda a gente que importa no mundo artístico, cultural e musical.
Uma parte dos depoentes elogiou o artista e o cidadão, evocando a sua condição de independente, de homem livre e de criador genial.
As canções do Zeca passaram numa rádio pública, que o ignora olimpicamente em todos os outros dias do ano, e as intervenções de elogio consensual seguiram-se de forma quase mecânica.
Discordo desta forma de evocação que, em nome de um unanimismo bacoco, pretende limar arestas desrespeitando a memória de quem, apesar de nunca ter pertencido a partido algum, sempre soube tomar partido pelos explorados e oprimidos.
Teria seguramente sido mais útil, dar a conhecer o criador pelas suas próprias palavras, explicando que o pintor cantado na canção onde a morte saiu a rua, não era uma figura de ficção, chamava-se José Dias Coelho e foi assassinado pela polícia política no princípio da década de 60 do século passado, que a Catarina que ceifeiras viram em vida
e que Baleizão viu morrer, não era produto da imaginação do poeta mas uma figura real, assassinada durante uma jornada de luta por melhores condições de vida nos campos.
José Afonso era um homem inconformado, solidário, lutador, que acreditava na possibilidade da sublime utopia de uma cidade de homens iguais e são estas características, aliadas a um raro génio criador, que faz dele um homem vivo por muitos anos que passem sobre o seu desaparecimento.
Vemos as capas de revistas que enaltecem as figuras dos banqueiros, e ouvimos o Zeca a cantar: anda ver o deus banqueiro/ que engana à hora e que rouba ao mês/ Há milhões no mundo inteiro/ O galinheiro é de dois ou três.
Ouvimos os discursos do primeiro-ministro e lembramo-nos da sátira contida na quadra: A palavra socialismo/ como está hoje mudada/ De colarinhos à Texas/ Sempre muito aperaltada.
Pressentimos as nossas gentes a encolher os ombros de desânimo, incapazes de lutar pela mudança e percebemos a actualidade do recado: O que faz falta é agitar a malta.
Lemos algumas declarações produzidas durante a campanha para o referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez e não podemos deixar de pensar nos versos finais da Arcebispíada: Igreja dos privilégios/ Mataste o Cristo a galope/ Também Franco, o assassino/ Mandou benzer o garrote.
O Zeca está sempre presente. Nas suas mensagens, na sua frontalidade, na sua forma de se afirmar sempre do mesmo lado. Querer fazer desta figura única, um ícone consensual pode ser um passo para silenciar tudo o que é importante na sua mensagem de apelo à coragem, à irreverência e ao espírito inconformista e inconformado.
Acabo como ele acabou uma canção editada em single em 1975 e posteriormente no álbum Enquanto há força: Não sei quem seja de acordo/ Como vamos terminar/ Vinho velho, vinho novo/ viva o Poder Popular.

Eduardo Luciano

Diana FM online

READ MORE
Prémio José Afonso
30/03/2007By AJA

Prémio José Afonso não passou

A reabertura do processo de atribuição do Prémio José Afonso, relativo a 2006, não passou na Assembleia Municipal da Amadora, realizada no passado dia 27 de Fevereiro. A CDU, que apresentou a proposta, e o Bloco de Esquerda votaram a favor, enquanto PS, PSD e CDS-PP votaram contra.
A proposta visava reabrir o processo de atribuição com base numa lista de obras que tinha sido entregue por Júlio Murraças, antes de se aposentar e ter deixado a autarquia. Era ainda proposto que o regulamento fosse expurgado das alterações introduzidas, para que não se repita este ano o que sucedeu em 2006. A causa da não atribuição do prémio ficou a dever-se a uma alteração ao regulamento que remeteu para a iniciativa das editoras o processo de candidatura. Durante 18 anos, Júlio Murraças foi o coordenador do processo de atribuição e, segundo o regulamento que vigorou nesse período, era elaborada uma lista por um júri de nomeação que propunha os candidatos ao júri final. Alterado o regulamento, a autarquia enviou cartas a parte das editoras de música popular portuguesa. Candidataram-se ao prémio nove trabalhos, parte dos quais nem sequer se enquadravam no género musical a concurso. Apesar disso, não foi sequer verificada a conformidade das obras com o regulamento, tendo as propostas transitado para o júri, que optou por não atribuir o prémio. Entre as obras apresentadas, não figurava uma sequer da lista de 11 trabalhos elaborada por Júlio Murraças.

www.noticiasdaamadora.com.pt

READ MORE
Couple Coffee
30/03/2007By AJA

Couple Coffee lançam disco de versões de José Afonso

Os Couple Coffee vão lançar um novo disco a 16 de Abril, baseado na obra de José Afonso.
«Co`as Tamanquinhas do Zeca!» é o título do novo disco que nos mostra o projecto brasileiro com uma formação mais alargada. Para além da dupla original, formada por Luanda Cozetti na voz e Norton Daiello no baixo eléctrico, contam agora com a presença dos músicos Sérgio Zurawski (Zurawski Ensemble) na guitarra e Ruca Rebordão (Rao Kyao, Teresa Salgueiro) nas percussões.
«Maio, Maduro Maio», «Vampiros», «Teresa Torga» e «Canção de Embalar» são alguns dos temas que foram alvo de uma interpretação por parte dos Couple Coffee.

Diário Digital
27-03-2007

READ MORE
Homenagens e tributos (música)
29/03/2007By AJA

20 Canções para Zeca Afonso

Assinalando os 20 anos da morte de Zeca Afonso num concerto comemorativo do 25 de Abril. Auditório 1 | 3ª Feira | 24 Abril | 21:45h

Num ano em que se cumprem 20 anos sobre a morte de Zeca Afonso, 20 Canções para Zeca Afonso propõe uma reflexão sobre a obra poética e musical desta figura ímpar da cultura portuguesa.
O espectáculo conta com um naipe de músicos de eleição, destacando-se o pianista João Paulo Esteves da Silva, sendo do compositor Rafael Fraga a direcção musical.
Neste espectáculo, a raiz popular presente na música de Zeca Afonso é recriada num contexto inovador que concilia as melodias das canções (vozes), os timbres jazzísticos do trio de Jazz (guitarra, baixo e bateria) que acompanha os instrumentos solistas (saxofone e piano) e a ambiência subtil do quarteto de cordas, numa fusão única de universos musicais que se complementam e enriquecem. O repertório seleccionado inclui canções originalmente editadas entre 1962 e 1987, representando estética e cronologicamente uma parte significativa da obra de Zeca Afonso.
Assim, a par de temas muito popularizados, serão interpretados outros menos divulgados entre um público mais generalista, o que confere a este projecto uma componente muito forte de divulgação musical.
20 Canções para Zeca Afonso é uma alternativa original e requintada de homenagem a Zeca Afonso, que procura o equilíbrio entre uma mensagem emocional clara, pelas palavras e temas musicais, e a leveza fraterna e optimista própria da sua música.

http://20cancoesparazeca.blogspot.com/
Associação Cultural e Recreativa de Tondela http://www.acert.pt/
APARTADO 118
3460-613 TONDELA

READ MORE
Steel Drumming
29/03/2007By AJA

Steel Drumming toca Zeca Afonso

Das baladas de Coimbra à música tradicional e de teatro, Zeca Afonso percorreu no seu repertório diversas áreas musicais. A sua obra continua ainda hoje a influenciar as novas gerações de músicos e artistas portugueses. No ano em que se assinalam duas décadas da sua morte, o Drumming, grupo de percussão nascido no Porto, em 1999, propõe uma homenagem ao músico.Para este tributo, o grupo apresenta-se como Steel Drumming, uma nova faceta da formação original que tem a particularidade de tocar com Steel Drums, instrumentos musicais criados a partir de bidões de aço originários das ilhas das Caraíbas, Trinidad y Tobago e Saint Vicent, e que proporcionam uma variedade de ritmos contagiante.
O concerto apresenta novos arranjos de temas originais de Zeca Afonso, feitos pelos próprios elementos do grupo e ainda por reconhecidos músicos como Bernardo Sassetti, Pedro Moreira e António Augusto Aguiar, Mário Laginha e Vasco Mendonça, e ainda novas peças inspiradas na obra do cantautor, da autoria de compositores como António Pinho Vargas, Nuno Côrte-Real e Carlos Guedes.

25 de Abril – Steel Drumming Toca Zeca Afonso na Casa da Música no Porto (estreia)
27 de Abril – Teatro Municipal de Faro
28 de Abril – Sines
30 de Abril – CCB
1 de Maio – Alcobaça
5 de Maio – Entroncamento
12 de Maio – Palmela
2 de Junho – Seixal
16 de Junho – Estarreja
29 de Setembro – SM da Feira
20 de Outubro – Sobral de Monte Agraço
26 de Outubro – Abrantes
9 de Novembro – Montijo
1 de Dezembro – Torres Vedras

http://www.drumming.pt/

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
27/03/2007By AJA

Homenagem de Gueifães

Chovia ligeiramente… o vento, um tanto agreste, o futebol na TV, o comodismo que se vai instalando há medida que os anos passam, fez-me pensar – às 21,15 horas! – que o nosso objectivo de “Cripta cheia” não seria atingido. Olhava, com desalento, o poster do Zeca e fugia para a rua, tentando que o vento e a chuva me concedessem a calma que sentia, a cada minuto que passava, fugir!…

Pouco passava das 21,30 horas e as pessoas chegavam e transmitiam a alegria por estarem presentes. O Fanhais e o Zé Silva, por trás do palco, afinavam as violas e a garganta. Grande parte dos 270 programas feitos já tinham sido distribuídos. Mais três filas de cadeiras foram postas e prontamente ocupadas. A Cripta já estava com uma moldura de público digna de um grande nome como o do Zeca. Sorri e dirigi-me para o palco – chegara a hora de dar início à homenagem a Zeca Afonso.

Olhei o público e sorri satisfeito, dando uma piscadela ao Zeca que estava do meu lado direito mesmo por cima da viola pousada na tradicional capa de estudante donde sobressaíam cravos vermelhos que se perdiam pelo chão…Vista parcial do público, na Cripta da Igreja de Gueifães
O planeamento desta Sessão baseou-se numa conversa informal entre três intervenientes: Zeca, público e os artistas convidados. Foram apresentados os poetas Maria Mamede, Maria José, Albino Santos, José Gomes e os cantores convidados José Silva e Francisco Fanhais.

O presidente da Junta de Gueifães, Sr. Alberto Monteiro, abriu a Sessão recordando o homenageado e a alegria que sentiu por ver tanta gente que aderiu a esta iniciativa promovida pela Junta; seguiram-se as palavras de Maria Mamede, como responsável pelo Movimentum – Arte e Cultura, que chamou a si a organização e a coordenação deste evento. Paivas Canhão encerrou esta parte recordando Zeca e o seu espírito de luta.

Os poetas convidados disseram, entre outros, poemas do Zeca Afonso, Manuel Alegre e Ary dos Santos.
José Silva, na sua intervenção musical, recordou Zeca Afonso. A sua maneira característica empolgou o público que o acompanhou, ao rubro, nas suas interpretações.

O ponto alto da noite chegou com a actuação de Francisco Fanhais. Amigo pessoal de Zeca Afonso, prendeu-nos logo com o seu sorriso aberto e os seus primeiros trinados na viola. Entre cada canção que interpretou contou como conheceu o Zeca e como este o influenciou na escolha do caminho que seguiu. Contou-nos a sua visão pessoal do Zeca e a maneira como este o levou até ao “Zip-Zip” (o programa “Zip-Zip” -1969 -, foi o primeiro “talk-show” produzido pela televisão portuguesa, em que participaram Raul Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia e que foi responsável pelo aparecimento de grandes nomes da música portuguesa). Com Fanhais ficamos a conhecer melhor Zeca Afonso – o cantor, o poeta, o músico, o sonhador, o lutador que dedicou a sua vida ao serviço dos mais desfavorecidos e dos oprimidos.

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
27/03/2007By AJA

Imagens da homenagem na Trafaria (Almada)

Fotos de Paulete Matos
Com uma sala cheia, o concerto de homenagem a José Afonso, no dia 2 de Março na Trafaria, foi uma noite de lembranças e saudades ternas do cantor, do poeta e do andarilho que mais marcou a geração de esquerda que viveu o 25 de Abril.
Este encontro foi uma iniciativa do Bloco de Esquerda de Almada e contou com os testemunhos dos deputados Francisco Louçã e Fernando Rosas, que desfiaram as suas memórias para relembrar uma das figuras mais simbólicas da resistência. O encerramento do encontro coube a Francisco Fanhais que, no final, fez com que todos, de pé, cantassem em coro “Grândola Vila Morena”.
A autarca do Bloco na freguesia da Trafaria, Helena Nunes, abriu o evento, com os devidos agradecimentos e a apresentação do programa. Presente para prestar tributo esteve também a Associação José Afonso, com um depoimento e uma exposição temática subordinada ao tema “A Vida e Obra de José Afonso”.
Na sua intervenção, Fernando Rosas, lembrou a influência das músicas de José Afonso nas lutas estudantis e que a sua mensagem é ainda pertinente e actual, referindo-se aos ataques que se perpetuam contra o direito dos trabalhadores, porque, «tal como ele escreveu e cantou toda a sua vida, o que é preciso é avisar a malta».
Seguiu-se a dupla de Arlindo Viegas e José Caritas e a passagem de um excerto do último concerto de José Afonso no Coliseu, que mergulhou a sala em nostalgia.
Francisco Louçã destacou a alegria de quem canta os amores e fez um rasgado elogio ao poeta e cantor que sempre foi de esquerda, não sectário, generoso, apaixonado, «tão sabedor do pouco que sabe e do muito que temos de aprender». Oportunidade também para destacar os acontecimentos do dia, como a maior manifestação dos últimos 20 anos, que reuniu mais de 120 mil pessoas contra a política de desemprego e a precariedade, referindo que «tanto abuso e descaramento», nas palavras de José Afonso, são como «piranhas na lagoa escura, tamanhas como nunca vi».
Para finalizar Francisco Fanhais recordou o amigo José Afonso e, entre cantigas, foi contando estórias e recordando os momentos de vivência conjunta. Comparou o homenageado a um «profeta» e lembrou que a herança deixada pelo Zeca é um legado para todos aqueles que não se conformam e continuam a lutar pela mudança. Francisco Fanhais, Arlindo Viegas e José Caritas revisitaram temas de José Afonso, como “Bairro Negro”, “Vampiros”, “Ronda do soldadinho”, “Cantar Alentejano”, entre outros.

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
24/03/2007By AJA

Imagens do tributo a José Afonso pelos alunos da ESTG de Felgueiras

Os estudantes da Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Felgueiras (ESTGF) levaram a efeito, na noite de quinta-feira, no auditório da escola, um tributo de celebração à obra de José Afonso, evento no qual foi lembrado, também, Adriano Correia de Oliveira. O auditório, com capacidade para cem pessoas, estava repleto.O Grupo de Fados do ESTGF encarregou-se de tocar e cantar temas das duas primeiras das quatro fases musicais de Zeca Afonso. Cantaram ainda temas de Adriano e tocaram Carlos Paredes. Actuou aindaa banda musical “Pé de Feijão”, de Guimarães, que, com mistura de sons tradicionais e eléctrónicos, e apresentando versões originais de temas de Zeca, se reportaram a uma “viagem” musical do cantor/compositor pelas terceira e quatro fases da sua obra. O Núcleo do Norte da Associação José Afonso (AJA Norte) fez-se representar por José Carlos Pereira que disse, em síntese: Começo por agradecer à Associação de Estudantes desta escola pelo convite formulado ao Núcleo do Norte da Associação José Afonso (AJA Norte), entidade que estou aqui a representar por incumbência dos meus companheiros do núcleo, neste singelo mas justo tributo a José Afonso, não esquecendo, também, Adriano Correia de Oliveira. José Afonso é uma figura excepcional da história de Portugal. Porque José Afonso era um homem bom, um homem generoso, humilde mas genial, que sonhou e lutou, num período negro da nossa história, por um país mais justo e mais fraterno. O Zeca, tal como o Adriano, emprestou sempre a sua intervenção cívica a todos os desventurados do mundo, ao lado dos oprimidos, dos presos políticos e dos que nunca têm voz e vez para decidirem sobre o seu destino. Há 40 anos, não era possível haver uma associação de estudantes ou outra associação qualquer de forma livre como esta, genuína e espontânea, porque o Estado Novo não permitia organizações que não estivessem sob o controlo do regime. Um regime que brutalizou, prendeu e matou pessoas pelo simples facto de terem opinião e quererem um mundo melhor, mais humano. À entrada para este auditório, um estudante perguntou-me, de viva voz, se o Zeca Afonso era comunista. O que vos posso dizer é que o assunto não se pode colocar nesses termos. O Zeca não tinha partido nem nunca perfilhou um regime político; era uma pessoa incontornável, procurava que a sua intervenção cívica fosse feita fora de uma perspectiva de possibilidade de se ascender ao poder. E o Zeca não procurou o poder, porquanto sabia que o poder tem sempre algo de pejorativo, de nefasto, que corrompe as verdades, e que tal é incompatível com a sua mensagem, a sua obra genial. Como disse, Francisco Fanhais, o Zeca era o mais cristão de todos os seus amigos ateus. Não numa perspectiva de um Cristo eclesiástico institucional, mas um Cristo com fome e sede de justiça. Mas, continuo a dizer, não vamos catalogar José Afonso ou dar-lhe uma roupagem para nosso cobforto. Vamos deixá-lo como ele é: um homem politicamente empenhado, com afecto, onde predomina o factor humano. E, acima de tudo, um homem livre! Tal como Jean-Paul Sartre nos diz: “O homem está condenado a ser livre”. E o nosso Zeca não cumpria normas ou leis. Tudo isto não quer dizer que as pessoas que pertencem a um partido – seja a um partido comunista ou não – não sejam livres, honestas e sinceras, úteis e generosas. O Adriano Correia de Oliveira era militante comunista. E foi um bom militante comunista, generoso e sincero, sem nunca perder o seu espírito autocrítico. Na minha qualidade de sócio da Associação José Afonso (AJA), fundada a 18 de Novembro de 1987, só vos posso dizer que esta agremiação encontra-se em franco reconhecimento por parte dos cidadãos quanto ao seu principal objectivo, que é levar a mensagem que nos foi legada pela vida e obra de José Afonso, exactamente tais como elas foram e são. A AJA não é um partido político, embora, obviamente, como em todas as associações, nela haja sócios pessoas de várias sensibilidades políticas, particularmente assumidas. No entanto, com isto, não estou a dizer que a AJA se exclui do seu papel de colectividade politicamente empenhada. Não, senhores. É, precisamente, o contrário. A AJA prima por uma política cultural contra todas as formas de servidão. Mas, quanto a este capítulo, estou apenas a falar da minha experiência de associado. No que respeita ao Núcleo do Norte da associação, e falando agora como seu representante neste evento, ele surgiu em Outubro de 2005, num quadro de boas vontades por parte de sócios da AJA. Estamos disponíveis para apoiar todas as iniciativas deste género, apoiando e fazendo parcerias com entidades idóneas para tal. Iniciativas das quais não haja aproveitamentos em relação à pessoa de José Afonso e da associação para fins não previstos nos nossos estatutos, os quais tentamos respeitar ao máximo. Temos predilecção pelo associativismo genuíno, como é o vosso caso. É dentro deste espírito que estamos dispostos a colaborar. Contem connosco! Tudo isto, meus amigos, porque José Afonso é uma voz cada vez mais actual; não apenas um homem que combateu o Estado Novo. A sua mensagem, hoje, apela à participação de todos os cidadãos nas decisões colectivas. Há 40 anos, o associativismo não existia, porque não era livre; hoje, existe mas é preciso incentivá-lo, porque tem conhecido muitos entraves, muitas vezes pelos próprios dirigentes, para que nada se faça ou em que nada se mexa. Devia haver mais associações de grupos de cidadãos com a percepção do que deve ser a verdadeira cidadania. Associações sobre o Ambiente, os Direitos Humanos, sobre a Água, etc… etc…, para a ampla participação dos cidadãos nas decisões. Quero alertar-vos que, hoje, surgem métodos comparáveis aos do Estado Novo. E o menino do bairro negro anda por aí!… O menino do bairro negro anda por aí!!… O menino do bairro negro anda por aí com tanto desemprego, com tanta perda de poder de compra dos portugueses, com a crescente perda de direitos sociais e com o ataque sistemático ao apoio a doentes crónicos. Referindo-me propriamente aos métodos do Estado Novo actualmente existentes na nossa sociedade, veja-se, por exemplo, o caso dos voos da CIA por Portugal, demonstrativo da subserviência de Portugal em relação aos que se regozijam em promover a violação dos Direitos Humanos. Cidadãos arbitrariamente suspeitos são raptados e levados para serem torturados. Ana Gomes esteve sozinha no seu aparelho partidário sobre este assunto e até foi considerada psiquicamente doente. É que Portugal teve sempre problemas em constituir os poderosos como arguidos. A Itália, neste caso, não teve problema algum; vai levar a tribunal os agentes da CIA envolvidos. Outro exemplo dos métodos persecutórios ao dispor do actual Estado português é o anunciado regime de classificações na Função Pública. Um funcionário com duas classificações negativas em dois anos poderá ser despedido e nem sequer lhe será dada a possibilidade de pedir a reclassificação profissional, como ainda prevê a lei. De facto, estamos perante um instrumento poderoso para calar vozes incómodas na Administração Pública e Local. Não tenhamos dúvidas, que homens como José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Mário Branco, Francisco Fanhais, Sérgio Godinho e toda esta geração de cantores são cada vez mais actuais, porque têm a capacidade da solidariedade em cada momento de dificuldade apresentada pela sociedade. Por fim, o que é deveras lamentável é que homens como estes e muitos mais que sofreram as várias brutalidades do regime anterior ao 25 de Abril, hoje, estejam a ser tão mal homenageados pela acção nefasta dos que, infelizmente, hoje, governam este país.


READ MORE
Guilhermino MonteiroHomenagens e tributos (2007)
24/03/2007By AJA

Imagens da homenagem ovarense

CANTAR OUTRO AMIGO – LEMBRAR ZECA AFONSO | Inês Costa

Foi em 1987, há exactamente 20 anos, que vimos José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos – Zeca Afonso, como é conhecido entre nós – vítima de doença incurável, partir definitivamente, deixando-nos um legado de uma vida inteira feita de canções e de luta por uma sociedade mais justa e fraterna.
Homem convicto, de ideais enraizados, é e será um dos ícones imediatamente associados à Revolução dos Cravos. Foi, juntamente com Adriano Correia de Oliveira, o grande impulsionador da canção de intervenção, dando alento a este tipo de registo através de notáveis composições. Zeca Afonso recuperou a tradição e os valores do povo, ressuscitando baladas e cantigas populares de todo o Portugal (quem não se recorda da “Senhora do Almortão” e do “Milho Verde”, citando apenas alguns exemplos?), usando-as com mestria na promoção incondicional da Liberdade.Zeca Afonso é, também, a cara do protesto e da coerência na luta; é um dos mais dignos representantes do inconformismo. Ergueu-se contra a obscuridade do regime salazarista, deu voz à angústia de milhares de pessoas e denunciou, pela música, os “vampiros” que “não deixam nada”. Zeca Afonso gravou, portanto, por mérito próprio, o seu nome na História de Portugal. E se isso não bastasse para que se lhe fosse prestada justa homenagem em Ovar, a verdade é que Zeca Afonso nos toca particularmente pela proximidade das suas origens à nossa cidade: foi nascido em Aveiro. E Ovar homenageou-o: nem a chuva miudinha afastou do Pavilhão dos Bombeiros Voluntários as centenas de pessoas que lá acorreram, sensibilizadas pela efeméride. Quem entrava no Pavilhão sorria-se pelo aconchego que a moldura humana conferia ao espaço, que se revelou exíguo. A verdadeira comoção, porém, teve início quando os 28 elementos do Canto Décimo, todos eles professores, avançaram pelo meio do público até ao palco. O alinhamento deste Grupo Vocal da Escola Secundária José Macedo Fragateiro procurou recordar algumas das mais belas baladas de Zeca Afonso, cantigas populares bem conhecidas do público e outras menos, que vieram acentuar a enorme variedade na obra deste fascinante Cantor: Na segunda parte do espectáculo, houve lugar para a actuação da Classe Avançada de Dança Contemporânea da Escola de Bailado do Orfeão de Ovar, que coreografaram as músicas “Achégate a Mim, Maruxa”, “Senhora do Almortão”, “Chula da Póvoa”, “As Sete Mulheres do Minho” e o “Milho Verde”, conferindo um brilho especial à já bela noite de 24 de Fevereiro de 2007. Os elementos – Ana Azevedo, Cláudia Costa, Daniela Pinto, Diana Couteiro, Inês Costa, Joana Almeida, Mafalda Cruz, Maria Miguel Gama, Miguel Cunha, Palmira Almeida e Sónia Godinho – vestidos com as cores da bandeira portuguesa, encantaram o público. No final, era manifesta a emoção em todos os presentes, velhos e novos, uns porque as recordações de tempos de grande opressão se tornaram vívidas, outros porque a História Portuguesa que aprenderam na escola se concretizava nesta homenagem. Ao som de “Utopia”, os membros do coro e da classe de dança dirigiram saudados cumprimentos à figura de Zeca Afonso, simbolicamente representado no palco por uma guitarra e um cravo vermelho. A canção de José Mário Branco, “Zeca”, traduziu as expressões sonhadoras que perpassavam nos rostos dos presentes. Mas foi, contudo, a música “Grândola, Vila Morena”, ouvida pela voz de Zeca Afonso, do CD “Cantigas do Maio”, que levou o público a dar as mãos e a acompanhar, eles próprios, um dos símbolos maiores do 25 de Abril de 1974. Certamente que Ovar gostaria de endereçar um agradecimento ao Canto Décimo e à sua inesquecível prestação, à professora Clara Carrapatoso pela sua fantástica adaptação da coreografia às músicas, à Classe Avançada de Dança pela graciosidade que emprestaram a tão sentida homenagem. A mais especial saudação é, no entanto, dirigida a Guilhermino Monteiro, que dedicou todo o seu tempo e toda a sua criatividade a um espectáculo que abraçou com ternura, como o gesto em que ergueu o cravo no ar, de olhar comovido, tão bem o demonstrou.


READ MORE
Uma canção para José Afonso
21/03/2007By AJA

Concurso – “Uma Canção Para José Afonso”

O Prémio “Uma Canção Para José Afonso“, será um evento integrante das Comemorações do 33º Aniversário do 25 de Abril, destinado apenas aos residentes no município de Benavente. Dos trabalhos enviados serão escolhidas as melhores 10 canções concorrentes, as quais serão apresentadas em espectáculo público no Cine-Teatro de Benavente.

A canção vencedora será escolhida pelo público presente no espectáculo e pelo júri do concurso.Para as “ Comemorações do 33º Aniversário do 25 de Abril “, a Câmara Municipal de Benavente institui o Concurso de homenagem a “Zeca Afonso”, denominado “Uma Canção Para José Afonso“. Trata-se, como o título indica, da criação de uma canção com letra e música, tendo por destinatário a figura de José Afonso, fazendo, naturalmente, referência à sua vida e obra e à importância que a sua música teve como símbolo dos ideais de Abril de 1974.
Regulamento do concurso

READ MORE
EscolasExposiçõesHomenagens e tributos (2007)
21/03/2007By AJA

A homenagem na Escola Secundária José Afonso no Seixal

Parabéns a todos!

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
20/03/2007By AJA

Imagens da homenagem sintrense organizada pela Associação Alagamares

MAIS FOTOS

READ MORE
ColóquiosExposições
19/03/2007By AJA

Alguma imagens do colóquio e exposição em Odivelas

Tiradas nos dias 19 e 23 de Fevereiro, respectivamente, por ocasião da homenagem a Zeca Afonso promovida por este Município.

READ MORE
AJA NorteEscolasExposiçõesHomenagens e tributos (2007)
18/03/2007By AJA

Exposição e actividades escolares em Gaia

Está patente até ao final do 2º período lectivo, na Escola Secundária Almeida Garrett em V. N. de Gaia uma exposição sobre a vida e obra de José Afonso. Ocorreram já duas sessões de música do Zeca apresentadas e comentadas pelo jornalista Jorge Ribeiro. Esta iniciativa, resultante da colaboração entre o Conselho Executivo daquela escola e o núcleo do norte da AJA, incluirá ainda outras actividades de alunos e professores.

READ MORE
DocumentáriosVídeo
17/03/2007By AJA

Especial Zeca Afonso | RTP Memória 24.3.07 (32minutos)

READ MORE
Testemunhos
17/03/2007By AJA

“Zeca” ou a cultura dos mitos

Uma semana de atraso não é nada perante o significado de uma efeméride.
Há sete dias atrás este país lembrou-se, vagamente embora (se descontarmos a comunicação social em geral e alguns círculos políticos mais “neo revolucionários”) que passaram 20 anos após a morte de José Afonso.
Ainda? – perguntará alguém…
Ora acontece que José Afonso é no meu modesto ponto de vista o exemplo de como a cultura dos mitos se mantém viva e actuante.
A palavra “mito” não tem aqui qualquer intuito pejorativo, bem pelo contrário.
Vejamos porém como somos dados às nostalgias da moda conforme convém aos diferentes tipos de nostálgicos que por aí abundam.
A grande nostalgia nacional continua a ser D. Sebastião.
Atrevo-me a pensar que se não tem sido Alcácer Quibir Portugal seria hoje uma grande potencia, temida pelos quatro cantos do Planeta, e a ditar leis para tudo o que é sítio.
A fazer fé no “mito”, D. Sebastião seria decerto um génio da governação, a única personalidade capaz de levar este país pelos caminhos do desenvolvimento e da bem aventurança.
Será porque era um rei menino?
E isso terá alguma coisa a ver com o menino Jesus?
É que pouco tempo depois da desgraça de Alcácer Quibir vieram por aí os Filipes, e se a coisa com Espanha já não era famosa, a partir daí toldou-se completamente.
O nosso grande azar afinal é o nevoeiro. Ele deveria voltar numa manhã de nevoeiro mas, pelo visto, o nevoeiro que temos (ai os nevoeiros que por aí andam…) não é de grande qualidade, nem tem a dose de nobreza necessária para nos devolver o nosso salvador.
Paciência.
O que ele não poderia ter feito pela Pátria?
E o que seria ela hoje?
Depois há os “mitos” artísticos, desportivos, literários…
Todos eles fizeram, ou estiveram à beira de fazer qualquer coisa de grandioso pela Pátria e, como normalmente acontece neste recanto, só após a sua morte o país se ergueu em cânticos de louvor e lágrimas de saudade, enaltecendo-lhes tudo o que fosse qualidade ou virtude, e não se coibindo até de lhes atribuir dotes de visionários ou de seres sobredotados.
Um exemplo aparentemente inofensivo é o Rei Dom Carlos.
Barbaramente assassinado à frente do povo tornou-se um mito.
Outro génio da governação que se perdeu precocemente e impediu Portugal de avançar pelos caminhos da fortuna.
Pois é…há sempre um azar qualquer, um acaso que, quando tudo parecia bem encaminhado, se atravessa implacável no nosso caminho para a bem aventurança.
O pior é que só deram por isso depois de o Rei ter sido assassinado.
Memória curta?
Então, e os amores de Pedro e Inês?
Que outra mulher foi e é ainda tão cantada em nome do amor?
E que importância tem ser o amor clandestino de um Príncipe, depois Rei?
Bem vistas as coisas não deve ter importância nenhuma. A este respeito basta ver o que vai por esse mundo nos dias de hoje quanto aos amores das mais ilustres figuras das actuais monarquias.
Das Repúblicas nem vale a pena falar. São Repúblicas e está tudo dito.
O mais significativo e determinante é o modo como Inês foi barbaramente assassinada.
Outra vez a desgraça a estragar os planos da grandeza pátria e a servir de mote à explicação do nosso infortúnio.
Mas tudo isto veio a partir da memória de José Afonso.
Será que fez ou esteve à beira de fazer algo de grandioso pela Pátria?
A meu ver não, mas esteve à beira de ser “usado” em nome dela.
Pertenço a uma geração que cresceu a ouvir, algumas vezes clandestinamente, as suas baladas e cantigas.
E digo desde já que sempre admirei o génio artístico de José Afonso. A utilização do petit nom Zeca, a pretexto de ser um sinal de proximidade com ele, retira-lhe a dose de respeito que a sua evocação merece.
Mas é ou não um mito?
Em minha opinião é, mas no sentido mais positivo que a palavra “mito” pode conter.
O que julgo ser de realçar em José Afonso, para além do seu lado artístico propriamente dito, é a sua pureza de ideais. Utópicos? Talvez. Mas seguramente convictos e desprovidos de qualquer atitude interesseira, bem ao contrário de alguns que hoje o enaltecem, e de muitos que do seu génio poético e musical se aproveitaram.
O que se revela em José Afonso é uma permanente atitude de inconformismo e de estar sempre, ou quase sempre, ao contrário do mundo, defendendo uma ideia de liberdade que, vista aos olhos de hoje, não passa de utopia. Mas basta sentir a garra dos textos que cantava para se perceber que era uma utopia em que ele acreditava.

“A formiga no carreiro ia em sentido contrário…”

Muitos não irão gostar da comparação mas neste ponto recordo António Gedeão com um verso monumental:

“sempre que um homem sonha

O mundo pula e avança…”

Depois deu-se o caso de “Grândola Vila Morena” ter sido um dos sinais de avanço da chamada “revolução dos cravos”. Tanto bastou para que José Afonso entrasse, ainda que fugazmente, para a ribalta da revolução política.
Rapidamente ele próprio percebeu que o que se estava a passar pouco ou nada tinha a ver com os seus ideais. E concorde-se ou não com eles, há que enaltecer a coerência, e o progressivo afastamento que foi tendo de um novo grupo de usurpadores do poder que já se perfilava no terreno político.
Alguns ainda hoje por aí pululam e em vez de lhe elogiarem sobretudo os seus dotes de poeta do povo, usam-no como uma espécie de bandeira política que, atrevo-me a adivinhar, ele nunca quis ser.
Apesar de tudo a utopia é precisa, e bem vistas as coisas José Afonso foi sempre a criança que segurava entre as mãos a bola colorida de que António Gedeão falava.
São homens que escrevem assim que merecem ser a grandeza de um “mito”.

Henrique Dias Pedro

READ MORE
Testemunhos
17/03/2007By AJA

Zeca Afonso no ‘ai-pode’

Vivemos no tempo em que os números falam e, desta vez, o que eles dizem é que o disco José Afonso chegou ao número um da tabela nacional de vendas.

É sabido que os “números um”, como a tradição, já não são o que eram – ainda assim, não deixa de ser uma boa surpresa que o álbum mais vendido em Portugal seja uma antologia do autor de Grândola Vila Morena.

Nasci em 1974 e talvez por isso esteja mais à vontade para dizer o óbvio sobre a obra de Zeca Afonso: é indispensável retornar uma e outra vez a esta música e a esta voz.

A música e a voz de Canção de Embalar, Cantigas do Maio, A Morte Saiu à Rua, Senhor Arcanjo. Retornar sempre ou, no caso das novas gerações e dos mais-que-distraídos, escutar pela primeira vez, pela primeira vez arriscar o espanto destas palavras-melodias tão solitárias e tão populares, tão modernas e tão tradicionais, tão revolucionárias e tão de todos.

Neste canto acha-se a qualidade do que é para lá do tempo sem ser pesadão de “intemporal”.

O silêncio, a certeza, a ousadia simples e despida destas composições/interpretações.

É difícil dizer ao certo o que é. Um mistério não matemático, que reage à análise. Uma coisa no centro que segura a emoção, e prende-a, prende-a até ao ponto óptimo. Uma voz que, sempre que acontece, “caem os anjos no alguidar”.

Ao contrário do que parece ser a opinião dominante sobre o “legado do Zeca”, não vejo vantagem em separar o “génio musical” do “cantor militante”. Antes o oposto, talvez. Nesta época de tantos “jogos criativos” sem espessura nem pensamento, a seriedade do seu caminho – num contexto completamente diferente, já se sabe – deve servir como excelente aviso.

São canções tão portuguesas, que ouvi–las é como nos ouvirmos ao espelho. Canções em que a “poética” do todo (palavra, música, voz) se organiza com tal justeza e generosidade que cada termo – mesmo os que, fora dali, surgiriam como tristemente “datados” – traz consigo uma hipótese de reinvenção.

Com Zeca Afonso no “ai-pode”, vê-se melhor a cidade, garanto. Os outros, a diferença, o lado de lá deste mundo.

Jacinto Lucas Pires
in Diário online

READ MORE
Adriano Correia de Oliveira
13/03/2007By AJA

Adriano sempre

A Marinha Grande vai ser palco de uma homenagem nacional a Adriano Correia de Oliveira dia 9 de Abril, data do seu 65º aniversário, numa sessão solene. Estarão presentes os filhos (Isabel Correia de Oliveira e José Manuel Correia de Oliveira) e muitos do seus amigos. Será lançado um cd com versões livres dos temas mais conhecidos de Adriano Correia de Oliveira interpretado por músicos marinhenses e nacionais. Neste evento será inaugurada uma exposição com a vida e obra de Adriano Correia de Oliveira. Dia 21 de Abril sábado pelas 22h no Parque Municipal de Exposições da Marinha Grande vai ter lugar um espetáculo com os cantores que participam no cd. Se fosse possivel por vossa parte promoverem esta iniciativa atravéz do vosso site ou de outra maneira seria muito bom o site da iniciativa é www.adrianosempre.com .
Com os melhores cumprimentos
António Silva

READ MORE
Capas de revistas
10/03/2007By AJA

Especial José Afonso

Revita Cena’s – Associação Juvenil Amigos do GATO – www.gatosa.com

READ MORE
Benedicto Garcia VillarTestemunhos
07/03/2007By AJA

HAI VINTE ANOS QUE SE FOI 5/III/07

Veño de ler na rede unha entrevista con António dos Santos e Silva, que acaba de escribir un libro, que se adviña imprescindible para o mundo “afonsino” e que se titula Zeca Afonso, antes do mito. Compañeiro en Coimbra cando os dous eran estudantes, achéganos aspectos pouco coñecidos do noso amigo, pero en todo coincidentes coa personalidade que tanto admiramos e queremos.

Fala así daquel home extraordinario como alguén fóra do mundo e adiantado ó seu tempo, perfectamente inútil para as cousas concretas. O Zeca era incapaz de fritir un ovo ou facer unha cama ou guiar un coche. Pero era un ser xeneroso en extremo e cun sentido do humor pouco ou nada habitual no seu país.

Agora, cando se cumpren vinte anos da súa desaparición física, chéganme as fotos, tremendas, feitas por un entón xovencísimo xornalista, Emanuel Valente, que dan fe do que foi a manifestación popular de dolor, cívica e laica, con ducias de milleiros de persoas ateigando as rúas de Setúbal, camiño do cemiterio.

Alí estabamos, aquel 24 de febreiro do 87, levando a pesada caixa, cuberta por unha simple bandeira vermella, por desexo expreso da familia, os seus amigos cantores. Turnámonos alí, naquela dolorosa encomenda, Sérgio Godinho, Zé Mário Branco, Quico Pi de la Serra, Xico Fanhais, Luis Cilia e máis eu, ademais doutros amigos, a quen abría paso Manolo Bello, galego-portugués de Lisboa. Diante, a Banda de Grândola tocando o seu himno, no medio dun profundo silencio.

A súa obra e a súa presenza seguen vivos vinte anos despois

Benedicto García Villar

READ MORE
AJA NorteTertúlias
07/03/2007By AJA

No café Ceuta no Porto

No dia 2 de Março de 2007, por iniciativa da “Arca de Letras” e Ajanorte, amigos e antigos companheiros de José Afonso, tiveram a oportunidade de conviver e participar, em mais uma tertúlia. O Café Ceuta na cidade do Porto, foi o local de acolhimento para quantos consideram actual e importante a mensagem do poeta. Entre poemas e canções, analisamos o comportamento de alguns meios de comunicação social, os quais assumem uma atitude de inconcebível afastamento dos valores da nossa cultura. Por uma… cidade sem muros nem ameias, com gente igual por dentro, gente igual por fora…

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
07/03/2007By AJA

Homenagem a José Afonso em Sintra

A Alagamares – Associação Cultural promove no próximo dia 10 de Março, uma homenagem Sintrense ao músico e compositor Zeca Afonso, como forma de inaugurar a exposição evocativa dos vinte anos passados sobre a sua morte. A exposição pode ser visitada nos dias 10 e 11 de
Março na Sociedade União Sintrense, no Centro Histórico da Vila de Sintra.

A inauguração terá início pelas 15H00 com uma Arruada na Praça da República (junto
à Periquita) em Sintra. Conduzida pelos Bombos das Mercês e pelos participantes da 1ª “Oficina de Percussão” da Alagamares.

A Homenagem continuará no interior da Sede da S.U.S, com a presença de um responsável da Associação José Afonso e a participação do Coro Alentejano “Os Populares do Cacém”, Luís Santos e Paulo Lawson (Segredos da Lua), Aganjú – Grupo de percussão (Fontanelas), Rui Mário (Teatro Tapafuros), J. Carlos Almada e Cátia (Pecado Original), Fernando Azeitona e Amigos, Paulo e Isabel, e de outros que por certo se juntarão espontaneamente, em tertúlia.

José Afonso merece um convívio assim. Venha ver e participar!

Horário Exposição:

Dia 10 de Março – 15H00/22H00
Dia 11 de Março – 10H00/22H00

READ MORE
José FanhaTestemunhos
05/03/2007By AJA

Texto de José Fanha

O ZECA AFONSO

Foi um grande cantor, um grande músico e, acima de tudo, um grande ser humano que viveu a maior parte da vida durante a ditadura fascista de Salazar e, devido às suas ideias livres, democráticas e populares, foi muitas vezes preso, proibido de ser professor, que era a sua profissão, e proibido de cantar, que era a sua paixão.
Apesar de tudo, o Zeca não se deixava ir abaixo. Misturava as suas palavras e as suas melodias com as palavras e as melodias do povo, para compor cantigas de uma grande originalidade. E era com essas cantigas que andava pelo país fora a juntar pessoas e a dizer-lhes que era possível ser feliz e era possível acabar com a ditadura e viver numa terra livre, alegre, sem prisões e sem guerra.
Tinha 18 anos quando conheci o Zeca. Eu escrevia e dizia poemas e juntei-me a ele e a outros que faziam da poesia e da canção uma forma de resistir à ditadura, à repressão e à infâmia que é uma palavra que quer dizer falta de honra, que era o que faltava a todos os que seguiam a ditadura do Salazar.
Como se não bastasse, o Zeca era mais que tudo isto. Era um homem bom, de espinha direita, sempre desejoso de saber e de aprender com todos. Queria saber notícias de outras paragens, dos homens que sofriam em África, na América do Sul, no Brasil e noutros países, mesmo nos mais longínquos. Lia e estudava permanentemente para saber mais e poder ensinar melhor, porque ele gostava muito de ensinar mesmo depois que a ditadura o tivesse proibido de ser professor.
Fazia amigos em toda a parte e à sua volta juntava-se sempre muita gente, músicos, poetas, artistas. Onde o Zeca estava havia sempre uma porta aberta, uma mesa posta e um canto para quem quisesse descansar.
Era assim o Zeca e ainda hoje as suas canções fazem parte da minha vida e da vida dos muitos homens, jovens e meninos que encontram na sua poesia e na sua música um alento para tentar tornar o mundo num lugar mais feliz para todos.
José Fanha
Fevereiro 2007
20 anos depois da morte do Zeca Afonso
Escrito a pedido do jornal de uma Escola do Cacém.

READ MORE
Testemunhos
04/03/2007By AJA

Testemunho de Teresa Portugal

READ MORE
Imprensa
04/03/2007By AJA

De quem é Zeca Afonso?

Jornal “Sol”

READ MORE
ImprensaTestemunhos
28/02/2007By AJA

“Pai, o Zeca morreu esta noite”


Extracto de uma página do Público de 26-2-2007, sobre o Encontro na Livraria Almedina Estádio. Tem o título “Pai, o Zeca morreu esta noite” e sub-título “Para os mais velhos, os que em 1974 eram adultos, o dia em que o Zeca Afonso morreu é um dia preciso. Lembram-se onde estavam e como souberam da notícia. Hoje, já se conseguem rir”. Texto de Maria João Lopes.

Retirado de http://guitarradecoimbra.blogspot.com/

READ MORE
Testemunhos
28/02/2007By AJA

Somos nós os teus cantores

-O Zeca Morreu! – Foram as palavras que meu pai, apoiado na janela, disse como num desabafo. Eu apenas sabia que o Zeca que só mais tarde se me mostrou José Afonso era uma voz saída do aparelho de música todos os sábados de manha e um incomodo um quase descontentamento se me dava caso não a ouvia. No despontar de minha infância o Zeca era aquele cantor que fazia os olhos de meu pai olharem longe, alcançando horizontes que ainda não compreendia. Por isso aquela noticia se anunciou estranha, era como se por algum motivo o disco não mais fosse girar e aquela cantiga tão bela não mais soasse. – Foi o nosso cantor! – Foi a única frase soluçante que até hoje ouvi de meu pai, que laconicamente deslocou a agulha encontrando o disco em movimento. Maio maduro Maio quem te pintou, quem te quebrou o encanto nunca te amou…num gesto quase de imitação sentei-me a janela olhando o horizonte e imaginando que o Zeca era o meu cantor, que naquele momento apenas eu e meu pai o ouviam. O horizonte tão quotidiano como que se pintou e eu via lá longe uma falua que vinha lá de Istambul, e Maio para mim, que nem sabia de cor os meses do ano, passou a ser o melhor deles todos. -Quem foi o Zeca pai? – Meu pai reclinado na cadeira parecia já adivinhar a pergunta – O Zeca foi o maior cantor e compositor português, foi poeta, usou a musica como arma politica, lutou contra o fascismo…foi o nosso cantor. Foi então que me lembrei das discussões dos domingos a noite em que eu deitado provocando o gato ouvia falar de uma tal Revolução, palavra a qual não sabia o significado mas achava bonita.Cresci ouvindo Zeca, todos os dias primaveris abrindo as janelas punha o disco “Venham mais cinco” ou “Com as minhas tamanquinhas” continuando a achar que o Zeca era o meu cantor e em segredo ia apontando letras das quais palavras saltavam enigmáticas de minha imaginação. Um dia já mais velho passei numa loja e vi a um canto um CD com uma mão na capa, era do Zeca, comprei-o e trazia com um disco um livrinho que tinha fotos, fotos do Zeca. Um homem meio despenteado com olhos semi-serrados por detrás de uns grandes óculos que a força da imaginação tentava endireitar. Durante muito anos rejeitei aquelas fotos; para mim aquela voz profunda e bela que ouvia nas canções não tinha um rosto próprio, talvez um vago perfil de um homem encostado a janela. José Afonso, para mim sempre Zeca, morreu à 20 anos, tempo em que deixou de ser apenas o meu cantor, passou a ser a voz de Abril, um cantor sem igual que nos brindou com a mestria de suas composições acompanhadas com a firmeza de seu carácter. Mais do que cantor, sua obra se transcende na mensagem de inconformismo caiada de rebeldia poética e concisa. Ainda hoje olho o horizonte que a 20 anos o Zeca transformou e sinto que não morreu, vive hoje e sempre na obra e em sua imagem inalterável. É tempo de se ouvir Zeca Afonso, ouvi-lo em casa, nas escolas e universidades, nas rádios e televisões, ouvi-lo sobretudo em nossa tão íntima realidade pois hoje somos nós os teus cantores!

Adriano Campos

READ MORE
Escolas
28/02/2007By AJA

Zeca Afonso fala da educação

A. Borges de Carvalho fala de José Afonso no Diário as Beiras de 26-2-2007.
Retirado do blog – http://guitarradecoimbra.blogspot.com/

READ MORE
Imprensa
28/02/2007By AJA

Na memória de todos


José Afonso recordado na Livraria Almedina. Notícia do Diário as Beiras de 26-2-2007, com texto de Vasco Garcia.

Retirado do blog http://guitarradecoimbra.blogspot.com

READ MORE
ImprensaTestemunhos
27/02/2007By admin-aja

“Pai, o Zeca morreu esta noite”

Para os mais velhos, os que em 1974 eram adultos, o dia em que Zeca Afonso morreu é um dia preciso. Lembram-se onde estavam e como souberam da notícia. Hoje, já se conseguem rir

a Apesar de ter sido amigo de Zeca Afonso, de terem frequentado a mesma tertúlia em Coimbra, cidade que o músico dizia ser um “caramujo” (“para onde quer que se vá, vai-se sempre ter à torre da universidade”), Abílio Hernandez (acima dos 60), professor da universidade, hesitou muito antes de aceitar o convite da Almedina Estádio – a livraria foi das poucas, se não a única, a organizar em Coimbra uma homenagem a Zeca Afonso nos 20 anos da sua morte (23 de Fevereiro de 1987).E Hernandez hesitou porque “tinha receio que estivesse muito pouca gente, que estivessem só velhos, e que fosse uma romagem de saudade”. Mas esteve muita gente na livraria de Coimbra, no sábado à noite. Jovens, de facto, apenas alguns.
Os jovens não ouvem Zeca Afonso? “É um cantautor muito conotado e é isso que faz com que não passe nas rádios. O Zeca é objectivamente censurado, apesar de hoje vivermos em liberdade”, diz José Jorge Letria (56 anos), também amigo de Zeca Afonso. Mas o músico acredita que os jovens “já se libertaram desse estigma”.
Para a geração que dominou a tertúlia de sábado, a geração que viveu o 25 de Abril já adulta, Zeca Afonso é uma das figuras artísticas mais importantes do século XX em Portugal. “Está para a música portuguesa como Jobim está para a brasileira”, diz Rui Pato (61), músico que tocou com Zeca Afonso.
Sentados à mesa, a desfiar memórias, a maior parte das vezes humorísticas, estiveram outros músicos que acompanharam Zeca, como Carlos Correia (também acima dos 60), figuras da resistência que actuaram com ele, como Manuel Freire (65 anos) e José Jorge Letria, e antigos estudantes de Coimbra que também conheceram Zeca, como José Mesquita (mais de 70 anos) e Abílio Hernandez.
Carruagem 3, lugar 7
Boa disposição não faltou. Falou-se do amor de Zeca Afonso ao judo e de como “estatelava” colegas no chão. “O Zeca era uma pessoa muito divertida. Tinha muitas obsessões. Uma delas era o judo, já era um perigoso cinturão amarelo. Quando fomos a Londres, o Zeca fazia os ensaios de judo no corredor do hotel vitoriano. As outras obsessões eram a música e a luta contra a ditadura”, contou Carlos Correia.
Rui Pato confidenciou à plateia como eram feitos os primeiros discos de Zeca Afonso: “Se eu vos disser, não acreditam. Vinha uma 4L com material do Porto. Levávamos uma carta dos senhorios para os caseiros analfabetos lerem, com autorização para gravar na quinta [a quinta do Mosteiro de S. Jorge de Milreu, actualmente propriedade da Universidade Vasco da Gama]. Estávamos em 1962 e, quando nos enganávamos, voltávamos ao princípio. Se passasse um carro, se se ouvisse uma galinha, voltava tudo ao início”. Durante muito tempo viajou “de borla” nos comboios de Portugal. Recebia postais de Zeca Afonso a combinar a hora, o dia e o sítio do ensaio. “Trate de preparar os dedos”, escrevia-lhe Zeca. Rui Pato levava sempre a viola, mesmo que não precisasse dela. “Punha-me na estação e vinha um senhor ter comigo e perguntava-me: “É o camarada Rui Pato? Carruagem 3, lugar 7.” E lá ia eu.” No meio de tudo isto, Rui Pato nem se apercebeu que estava a viver “um momento histórico da música portuguesa”.
A plateia riu quase sempre. Só quando se ouviu Menina dos olhos tristes se fez silêncio. Quando se começaram a ouvir os acordes do último espectáculo de Zeca Afonso na Queima das Fitas de Coimbra, em 1968, a sala mergulhou em tristeza. A gravação foi disponibilizada por José Mesquita, que sublinhou a importância de Zeca Afonso no fado de Coimbra.
“O Zeca era um grande poeta, indiscutivelmente”, defende Abílio Hernandez. “Era bom que se estudasse a poesia do Zeca, porque a sua lírica tem sido menosprezada, como se fosse apenas um veículo para transmitir um sentimento de resistência, que está na sua música. Mas o Zeca foi as duas coisas: músico e poeta.”
Contou Manuel Freire que, um dia, quando vinha do Canadá, encontrou o escritor Mário Zambujal e o músico Paulo de Carvalho no avião e perguntou-lhes por Zeca Afonso. Zambujal lamentou: “Acho que não se safa.” Manuel Freire tinha tido um acidente grave e, como a viagem fora atribulada e o avião desviado para Faro, mal pôde ligou à família para dizer que estava bem. Do outro lado, a filha mais velha respondeu apenas: “Pai, o Zeca morreu esta noite.” Passados 20 anos, os amigos do músico acreditam que a “memória do Zeca” se vai projectar sempre “no futuro”.

Maria João Lopes, in Jornal Público, 26.2.2017

READ MORE
Vídeo
27/02/2007By AJA

Mais um video

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
26/02/2007By AJA

José Afonso no Clube Farense | 27 de Fevereiro

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
26/02/2007By AJA

Guimarães celebrou Zeca Afonso

Maio Maduro Maio

Guimarães foi um dos pontos altos do país, na sexta-feira e no sábado, das celebrações da vida e obra de José Afonso, num ambicioso evento realizado no Centro Cultural Vila Flor e organizado, em parceria, pelo Círculo de Arte e Recreio de Guimarães, a Associação José Afonso, a Associação 25 de Abril e pela Oficina de Guimarães, que contaram com o apoio da autarquia local, do Centro Infantil e Cultural Popular Convívio, da Associação Académica da Universidade do Minho, Cineclube de Guimarães, Pavico e da Academia de Música Valentim Moreira de Sá.
O evento abriu, na sexta-feira, com a abertura de um exposição do “Mundo da Canção” intitulada “O que faz falta”, seguido, pelas 21,30 horas, pelo Teatro/Concerto, denominado “Menino de Oiro – Vida de José Afonso”, com dramaturgia e encenação de Gil Filipe, que contou com a participação teatral do TERB, G.T. Coelima, G.T. Campelos, G.T. Citânia Associação Juvenil, e com a participação musical de Dino Freitas, Zecafusão – Let the Jam Roll, Ajaforça, Manuel Abreu, Carlos Cunha, Academia de Música Valentim Moreira de Sá, Luís Almeida, Amigos de Guimarães, Tun’obebes, Nicolinos.

No sábado, o evento foi retomado pelas 15,30 horas, no pequeno auditório, com a actuação da Banda Militar do Porto, seguindo-se, uma hora depois, a actuação de Gil Filipe, que representou “O Incorruptível”, peça de Hélder Costa.
Ainda da parte da tarde, houve lugar um debate moderado por Judite Almeida e Ana Ribeiro, do núcleo do Norte da AJA, onde Alípio de Freitas, Mário Barradas, José Mário Branco e José António Gomes falaram da vida e da obra de José Afonso.

Alípio de Freitas, que é presidente da AJA, disse, a dado ponto: “Não devemos esquecer que depois que o Zeca morreu fez-se um silêncio monumental, porque se o Zeca foi incómodo para os fascistas, foi muito mais incómodo para aqueles que assumiram o poder depois do 25 de Abril. Basta ver as canções, antes do 25 de Abril até os homens do regime as entendiam, agora, depois do 25 de Abril as canções do Zeca são muito mais contundentes”.

À noite, no encerramento destes dois dias festivos, o grande auditório encheu-se para o espectáculo musical, primeiro pelo grupo galego Ardentía, e, na segunda parte, para o recital “Maio Maduro Maio”. José Mário Branco, João Afonso e Amélia Muge, em conjunto, cantaram Zeca Afonso. Manuela de Freitas declamou poemas do homenageado.

READ MORE
Imprensa estrangeira
25/02/2007By AJA

Desde o Uruguai, o artigo “De la capa negra al arco iris”

Artigo de Marcelo Pereira, publicado no dia 23 de Fevereiro, no jornal “La Diaria”, no Uruguai.

Obrigado Marcelo!
http://www.ladiaria.com.uy/files/ladiaria_20070223web.pdf

READ MORE
Arranjos instrumentaisAssociação José AfonsoImprensa
25/02/2007By AJA

Destaque para o site da AJA na revista “História”

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)Uma canção para José Afonso
25/02/2007By AJA

Benavente homenageia Zeca Afonso com concurso

A Câmara Municipal de Benavente vai organizar o concurso “Uma Canção Para José Afonso”, num evento que integra as Comemorações do 33º Aniversário do 25 de Abril. Aberto a todos os residentes do concelho, o concurso visa homenagear José Afonso, vulgo Zeca Afonso, cujas canções deverão fazer referência à sua vida e obra e à importância que a sua música teve como símbolo dos ideais de Abril de 1974.
As maquetas em CD de voz contento o instrumental das canções concorrentes devem trazer apensa as respectivas letras em envelope fechado e devem ser entregues, até 30 de Março, através do seguinte endereço: Câmara Municipal de Benavente – “Concurso Uma Canção Para José Afonso”, 2130-038 – Benavente. As maquetas e os textos devem ser enviados sob pseudónimo, em envelope fechado, onde conste o nome, idade, profissão, morada e contacto do concorrente.
O júri será constituído por três elementos a designar pela câmara municipal, que seleccionará dez das canções concorrentes, as quais serão apresentadas em espectáculo público a realizar a 21 de Abril no Cine – Teatro de Benavente, local onde será escolhida a canção vencedora.

O Mirante | edição online | 22 Fev 2007

READ MORE
Homenagens e tributos (música)Imprensa
25/02/2007By AJA

Uxía e Dulce Pontes em projecto sobre José Afonso

O compositor Davide Zaccaria criou um projecto musical em que pretende fazer confluir cantoras de formações musicais distintas, tendo como pano de fundo a música de José Afonso, falecido faz sexta-feira 20 anos.

«Terra d´Água» é o título do projecto, que junta as cantoras portuguesas Dulce Pontes, Filipa Pais e Lúcia Moniz e as espanholas María Anadon e Uxía.
O projecto, cujo álbum é editado precisamente sexta-feira, é um tributo ao músico e poeta que foi José Afonso, explicou à Lusa Davide Zaccaria.

Para Zaccaria, recriar o repertório do autor de «Grândola, vila morena», foi «relativamente fácil» por estar já habituado a ele e «corresponder a uma paixão».

«Tenho tocado e feito arranjos para canções do Zeca, quer com o meu grupo, quer com Dulce Pontes, até neste seu recente trabalho», assinalou.

Relativamente a este projecto, esclareceu ter procurado «apresentar José Afonso fora da simbologia política e dar mais atenção à vertente de compositor».

María Anadon interpreta «A morte saiu à rua», um poema de homenagem ao escultor José Dias Coelho, assassinado a 19 de Dezembro de 1961, em Lisboa, pela PIDE.

De Luís de Camões, com música de José Afonso, Uxía interpreta «Verdes são os campos» e Lúcia Moniz «Que amor não me engana».

Filipa Pais, que já interpretou temas de José Afonso, nomeadamente quando fez parte do grupo Lua Extravagante, canta «Eu dizia».

Dulce Pontes, que também no seu primeiro álbum, «Lágrima», revisitou o repertório do cantautor, canta «Coro da Primavera».

Todas estas canções – indicou Zaccaria – «pertencem ao imaginário colectivo e são uma inspiração para muitos artistas».

«Pretende-se também recuperar e/ou redescobrir músicas menos escutadas», acrescentou.

Das três músicas inéditas incluídas no CD, Zaccaria interpreta «Terra de Zeca», um tema de sua autoria inspirado na música de raiz popular composta por José Afonso.

Zaccaria assina os arranjos e as composições originais, além de tocar violoncelo, guitarra, viola-baixo e teclados.

O projecto completa-se com os músicos Filipe Lucas (guitarra portuguesa), Jaume Pradas (percussão), Nuno Oliveira (baixo acústico), Victor Zamora (piano eléctrico) e José Soares (guitarra clássica).

Diário Digital / Lusa 22-02-2007

READ MORE
Alípio de FreitasAssociação José Afonso
25/02/2007By AJA

“O País demitiu-se”

Alípio de Freitas recorda Zeca Afonso, mas diz que Abril se desconstruiu

No dia em passam 20 anos sobre a morte de Zeca Afonso, Alípio de Freitas, presidente da Associação José Afonso, que privou com o cantautor nos últimos anos de vida, recorda o amigo, mas revela-se peremptório e crítico quanto à situação socio-economica-política em que o País mergulhou.

“Quando conheci o Zeca, tive a impressão que já o conhecia há muitos anos, e ele também teve essa impressão. Por isso, costumo dizer que eu não conheci o Zeca, eu reencontrei o Zeca”. É com estas palavras que Alípio de Freitas – professor na Universidade Lusófona, em Lisboa, onde ensina Economia Política do Mundo Contemporâneo, e desde o ano passado presidente da Associação José Afonso (AJA) que considera ser a sua actividade principal – se refere ao eterno amigo Zeca Afonso.
Alípio de Freitas é natural de Trás-os-Montes, estudou e formou-se no Seminário de Bragança, onde foi ordenado padre. Logo que saiu do seminário dirigiu uma escola de artes e ofícios e foi pároco na freguesia de Rio de Onor. Mais tarde foi para o Brasil, a convite da Diocese do Maranhão. No Brasil, foi padre e professor [na Universidade do Maranhão] e é lá que faz uma descoberta que havia de o marcar profundamente “foi lá que descobri o que era a miséria. Quando cheguei ao Brasil havia pessoas que viviam muito abaixo da miséria”, recorda. Lá esteve ligado às lutas camponesas, movimentos de carácter revolucionário, que objectivavam a reforma agrária, ou seja a terra a quem a trabalhava.

“A coisa que eu mais queria era conhecer o Zeca”
“Quando se deu o 25 de Abril, estava preso no Brasil [1970-1979], em Santa Cruz, um dos piores presídios por onde passei, e eu passei por muitos”, salienta Alípio de Freitas. E é durante o presídio, em 1977, que tem conhecimento de uma cantiga que o Zeca escreveu sobre ele, “até aí eu não sabia que existia a cantiga, nem sequer que existia o Zeca. Mas ele ouviu falar de mim, porque houve um movimento aqui em Portugal para a minha libertação, bem como para a libertação de outros presos políticos portugueses tanto no Brasil, como na Argentina e noutras partes do mundo, mas os governos nunca se interessaram pelo nosso repatriamento”, observa. Acrescentando: “Saí da prisão em 1979 e em 1980 vim a Portugal e a coisa que eu mais queria era conhecer o Zeca. Nessa altura, não conhecia cá ninguém, tinha alguns amigos que tinham sido exilados no Brasil, que estavam no Partido Socialista, como o Tito de Morais e outros, e então alguém me disse que podia encontrar essa gente de esquerda numa livraria chamada Opinião, no Bairro Alto. Eu fui lá, estava a ver uns livros e chegou o Vitorino, ele olhou para mim e reconheceu-me, fomos até ao café, no terceiro andar, estavam lá outras pessoas, apresentou-me, e entretanto disse-me: ‘O Zeca não está cá, está na Alemanha, mas vem depois de amanhã, porque vai haver um concerto de apoio às vítimas da América Latina no Pavilhão dos Desportos [actual Pavilhão Carlos Lopes]’. Nesse dia lá fui, apresentaram-me o Zeca e houve uma empatia muito forte. Por isso é que digo que eu não conheci o Zeca, eu reencontrei o Zeca”.
A empatia foi tal que, desde logo, começaram a conversar sobre coisas das suas vidas. “Falámos sobre muitas coisas, nomeadamente sobre a América Latina. E ele convidou-me para no dia seguinte ir a casa dele. Lá fui, mais o Vitorino, o Manolo Velho e o Júlio Pereira. Entretanto, saímos e fomos passear e o Zeca contou-me coisas da vida dele, contei-lhe coisas da minha vida, como se nos conhecêssemos de sempre”.
Entretanto, Alípio volta para o Brasil, e do Brasil vai para Moçambique. E foi lá que voltou a encontrar o Zeca, no seu último concerto fora de Portugal, em 1981. “Entretanto venho definitivamente para Portugal, em 1984, e começo a ir a casa dele, em Azeitão, já o Zeca estava muito doente. Nessa altura tomei uma atitude: manter o Zeca informado. O Zeca sempre gostou muito de estar informado, de saber o que se passava no mundo e à sua volta, e eu decidi fazer-lhe uma revista de imprensa diária. Todos os dias, ou quase todos os dias, ia a casa dele ler-lhe as notícias, contar-lhe as «fofocas» políticas, as anedotas”.

AJA
Quando Zeca Afonso morre, em 1987, os amigos decidem logo formar a Associação José Afonso. Durante os primeiros anos, com o apoio da Câmara Municipal do Seixal, a associação organizou o festival «Cantigas de Maio», entretanto as câmaras entraram em recessão económica e esse apoio deixou de existir, ditando o fim do festival. Pelo que, nos últimos doze anos, a associação andou um pouco à deriva, foram-se elegendo direcções, mas sem se realizarem actividades. Até que o ano passado, “estava eu em casa, no Alvito, Alentejo, e o Carlos Guerreiro me telefonou e me informou que tinham decidido nomear-me presidente da associação. E eu fui apanhado de surpresa porque até pensei que a associação já não existia”, afirma Alípio com um sorriso nos lábios.
Ao aceitar o cargo decidiu dedicar-se inteiramente à presidência da associação. “A minha principal preocupação foi pôr a associação a funcionar. E desde o ano passado que isso acontece”, garante.
Este ano, a propósito dos 20 anos da morte de José Afonso foi preparado um vasto programa com actividades que têm tido lugar no Norte, nomeadamente em Guimarães e no Porto, mas não só.
Esta mobilização do núcleo do Norte da AJA agrada bastante a Alípio tanto que pretende que a nível nacional surjam outros núcleos para que a acção da AJA seja mais abrangente.

Silêncio monumental
“Aqui as pessoas têm uma atitude exemplar nesse aspecto, já o ano passado organizaram coisas. Até porque, o Zeca não é uma coisa comemorativa, o Zeca é um cidadão. E não devemos esquecer que depois que o Zeca morreu fez-se um silêncio monumental, porque se o Zeca foi incómodo para os fascistas, foi muito mais incómodo para aqueles que assumiram o poder depois do 25 de Abril. Basta ver as canções, antes do 25 de Abril até os homens do regime as entendiam, agora, depois do 25 de Abril as canções do Zeca são muito mais contundentes”, afirma categoricamente. Quando lhe perguntamos porquê. A resposta sai-lhe de imediato: “Porque se foram fechando todas as portas que Abril abriu. Todo aquele mundo que era para ser construído a partir do 25 de Abril, que ele cantava e pelo qual ele lutou passou a não existir. E de repente «os vampiros», «os meninos nazis» estão aí hoje. Quer dizer, construiu-se Abril e depois desconstruiu-se. Até a questão do ministro da economia dizer na China: ‘venham para Portugal que em Portugal os salários são baixos’, é a mesma coisa que dizer que a Tailândia é um país do primeiro mundo. Os alemães, os franceses, ou os espanhóis nunca dirão isso”.
Além de manter vivo o espírito do Zeca, Alípio de Freitas confessa que pretende alcançar outros objectivos com a AJA e “torná-la um elemento unificador e um detonador da consciência das pessoas. É preciso que as pessoas tomem consciência da sua realidade, até para que sejam mais solidárias, mais activas, mais reivindicativas. Têm de tomar consciência dos seus direitos e dos seus deveres”. Concluindo que o País não está adormecido, “o País demitiu-se”.

Isabel Damião | Primeiro de Janeiro | 25 de Fevereiro de 2007

READ MORE
Cristina BrancoVídeo
25/02/2007By AJA

Entrevista a Cristina Branco por Paulo M. Guerrinha

READ MORE
Imprensa
25/02/2007By AJA

Dossiê “Jornal de Letras” | José Afonso, a herança 20 anos depois

Edição online

READ MORE
Imprensa
25/02/2007By AJA

Dossiê “História” | Zeca Afonso, cantor e poeta da utopia


Nº 24 Fevereiro 2007

READ MORE
Imprensa
25/02/2007By AJA

Dossiê “Visão” | A geografia sentimental de Zeca Afonso

Artigo online (já publicado neste blog)

Nº 729 22 a 28 de Fevereiro 2007

READ MORE
Vídeo
24/02/2007By AJA

Zeca Afonso – 20 anos depois | Excerto do programa da RTP

READ MORE
Imprensa
24/02/2007By AJA

José Afonso – Os herdeiros

José Afonso morreu há 20 anos, mas a canção de intervenção de que foi o principal intérprete não desapareceu consigo. Pelo contrário. Duas décadas depois a influência de Zeca permanece viva e estende-se a todos os géneros, do rock ao heavy metal e, em particular, ao hip-hop, a música urbana por excelência deste início de século.

As mais notadas diferenças residem nos propósitos (hoje mais sociais do que políticos) e na linguagem, como reconheceu Sam the Kid, salientando, porém, que “os tempos eram outros”.

“Naquela altura, antes do 25 de Abril, os músicos eram pessoas mais intelectualizadas e a linguagem das suas canções era muito mais elaborada do que é hoje. E acho que isso não se devia só à censura. O ‘Vampiros’ é um caso evidente, mas há outras letras cujas metáforas não apanho…”, acrescentou.

Para o músico, que confessa ter alguns discos de José Afonso (‘Cantigas do Maio’, ‘Vampiros’, ‘Com as Minhas Tamanquinhas’), “a linguagem do hip–hop é mais directa, usa a linguagem da rua, o calão… O próprio Vitorino, que passou por esses tempos, já me disse isso”, frisou.

Destacando a “postura simples, humilde e de pessoa do povo” de José Afonso, Sam the Kid estreou-se com canções de intervenção em ‘Pratica(Mente)’, recentemente editado.

“Tenho o ‘Abstenção’, que é uma canção em que mostro a minha indiferença pela política, mas a verdade é que represento muitos jovens que não se sentem identificados com os políticos que temos. Mas a canção tem uma mensagem de esperança”, disse. Outro dos temas de intervenção é “o ‘Negociantes’, em que abordo a realidade desde que o euro apareceu. As pessoas hoje têm de ter outra actividade porque só o emprego não dá para viverem condignamente. Pelo meio meto a visão de um ex-presidiário, que não consegue arranjar emprego, falo dos políticos e questiono para onde vai o dinheiro da retenção na fonte”, confessou, antes de frisar que “há que valorizar o hip-hop enquanto música e não apenas a mensagem”.

A influência de José Afonso é também referida pelos Mundo Secreto, uma jovem formação hip-hop. Francisco um dos membros do grupo, cresceu “a ouvir os discos dele [Zeca Afonso] e não só”, disse, destacando o carácter “positivo” da mensagem das canções de José Afonso.

ROCK AMOLECEU

O hip-hop é hoje a canção de intervenção mais contundente, mas esse papel foi em tempos desempenhado pelo rock. Mas algo mudou, segundo António Corte-Real, guitarrista dos UHF (filho de António Manuel Ribeiro) e hoje à frente dos Revolta, um grupo surgido precisamente com o propósito de cantar contra a apatia.

“As bandas rock que sobreviveram, salvo raras excepções, viraram-se para a melodia fácil (para passar na rádio) e para as letras de amor. O intervencionismo perdeu-se”, lamentou.

Para o músico, o exemplo maior de José Afonso reside no facto de “nunca se ter calado, de ter sido sempre interventivo”. “E hoje”, acrescentou, “há necessidade de um outro intervencionismo. Há liberdade mas não se fala. As pessoas acomodaram-se aos 60 canais de TV, à internet… são utensílios importantes sim senhor, mas não nos podem tapar a visão”, concluiu.

MORTE POR ESCLEROSE

José Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987 (aos 57 anos), no Hospital de Setúbal, vítima de esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa do sistema nervoso que se caracteriza por progressiva fraqueza e atrofia muscular.

No seu último álbum, ‘Galinhas do Mato’, de 1985, o cantor já não conseguiu cantar a totalidade das canções por ter perdido o controlo da musculatura da língua.

MUNDO SECRETO

São a mais recente formação hip-hop a ‘estoirar’ em Portugal e o homónimo álbum de estreia – lançado este mês – está recheado de canções com mensagens positivas. Desde ‘Essência (‘A Liberdade’) até ‘Pousa a Tua Gun’, passando por ‘Dias de Mudança’. Mas é ‘GerAcção’ quem melhor sintetiza o privilégio da mensagem sobre a rima.

‘GERACÇÃO’

“Em 1974 gritou-se liberdade! Dez anos depois, a minha geração nasce. Nós somos os filhos da revolução, daqueles que sonharam a liberdade de expressão. A nossa luta continua, começa pela base (…)

Em jeito de resumo, Tu podes escolher se és um puto que vê, ou faz a cena acontecer. A revolução está aí! A juventude não pára, e é mais forte que uma t-shirt estampada do Che Guevara (…) Meu irmão, tu és o futuro na nação, então grita acção! GerAcção!’”

BOSS AC

A denúncia de situações como o racismo sempre fizeram parte do vocabulário de Boss AC. Mas é em ‘Farto de …’ (‘Ritmo, Amor e Palavras’) que o rapper se mostra mais contundente.

‘FARTO DE…’

“Farto de ser o culpado sem ter culpa de nada, Ser rejeitado farto de conversa fiada, Farto deste sistema de mer** que nos engole, Farto destes políticos a coçar colh*** ao sol, Farto de promessas da treta; Sobem ao poder metem as promessas na gaveta, Farto de ver o país parado como uma lesma, Ver as moscas mudarem e a mer** ser a mesma, farto de os ver saltar quando os barcos naufragam, Quanto mais tiverem melhor, menos impostos pagam…”

SAM THE KID

Por sugestão do pai, Sam the Kid investiu finalmente no tema da política. ‘Abstenção’ é o tema em causa e surge incluído em ‘Pratica(Mente)’, o mais recente álbum de rimas do músico-poeta. Mas há mais: ‘Negociantes’ é outro dos retratos, sem papas na língua, da realidade contemporânea urbana portuguesa.

‘ABSTENÇÃO’

“Não sou licenciado nem recenseado, com paciência, há-de aparecer alguém credenciado, com moral/ Que me faça votar, me faça lutar, me faça notar, e faça esgotar a campanha eleitoral (…) Eu não voto, eu boicoto, mas crio as horas nocturnas, sei qu’é o meu futuro, mas não vou acordar cedo/Pa pôr um voto nulo ao eleger um chulo ou um cherne, ou quem governe só com charme (…) Eu não preciso de reflexão eu já, tou decidido, eu só voto na verdade e não a vejo em nenhum partido…”

REVOLTA

Com António Corte-Real (UHF) à frente, os Revolta apostam no punk-rock para agitar consciências. “Politicamente incorrecto” o trio faz questão de gritar bem alto os problemas dos portugueses. ‘Ninguém Manda em Ti!!!’, é o título do álbum de estreia a editar em breve e o alinhamento inclui temas como ‘Bush’ e ‘Eu Quero Ser’.

‘NINGUÉM MANDA EM TI’

“Nesta vida nada é fácil, Tudo custa mais do que devia, Ser banal ter lucro fácil, Queres viver outro dia – É proibido ter ideias, Pensar e falar, Se queres ser alguém, Tens de fingir e aguentar – Ninguém manda em ti, Mesmo que queira, Fecha os olhos e sorri. A vida inteira, A chuva miudinha Não pára de molhar, Os olhares curiosos, Que te estão a chatear É um ciclo vicioso Que te está a seguir, Só acabará no dia, Em que souberes resistir Ninguém manda em ti, Mesmo que queira, Fecha os olhos e sorri, A vida inteira

DR. SALAZAR

Mais de 30 anos depois do 25 de Abril, os Dr. Salazar sofrem na pele a discriminação pelo nome escolhido. O álbum de estreia, ‘Antes & Depois’ foi editado a expensas próprias e o metal industrial que praticam é também um veículo de crítica social, como o denuncia o tema ‘Falar do Mendigo’. Ao vivo, curiosamente, tocam uma versão de ‘Vejam Bem’ de José Afonso.

‘FALAR DO MENDIGO’

“Perguntem ao mendigo, Que sobe a calçada, Rumo à sopa dos pobres, Se viu passar a democracia; Perguntem a quem pede, se deixou de pedir, E a todos que lutam, se param de lutar (…) (…) Mas só há lugar inquérito pelo telefone, e a matéria é do tipo Qual a figura mais In (…) (…) Adormece por fim no conforto do leito sujo, feito de trapos e pedaços de cartão, perfumado de vinho reles, enquanto a humidade da noite, Se abate no silêncio cortada apenas pelo latido do cão.”


Luís F. Silva | Correio da manhã | 23.2.07

READ MORE
Imprensa
24/02/2007By AJA

Partidos lembram e aplaudem Zeca Afonso, 20 anos após a sua morte

José Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987
Os partidos lembraram o músico Zeca Afonso, 20 anos após a sua morte, aprovando por unanimidade um voto que considera que o Parlamento não seria “a casa da democracia” sem o contributo do seu som.
No final da leitura do voto pela mesa do Parlamento, os deputados aplau diram o autor da canção “Grândola, Vila Morena”, que foi na madrugada de 25 de Abril de 1974 a senha do Movimento das Forças Armadas (MFA) para o derrube do regime ditatorial.
“José Afonso morreu há 20 anos, em 23 de Fevereiro de 1987”, recordou o Parlamento, declarando que “faz-nos falta ainda o cidadão que buscava no dia-a-dia a utopia dos impossíveis” e prestando homenagem ao músico.
Zeca Afonso, como ficou conhecido, foi evocado como alguém que deu “um som e um ritmo ao Portugal de Abril” e, com “a riqueza e a modernidade” das suas composições, abriu “caminho a um novo percurso” na música contemporânea portuguesa.
Os partidos homenagearam-no, considerando, contudo, que por ser “homem da margem e do despojamento”, que se “dava bem com os simples e marginais, mas era avesso a regras e a dogmas”, talvez o incomodassem “o ritual, a compostura, a cerimónia” da homenagem.
“Limitou-se a escrever, a fazer música, a cantar e a estar onde outros evitaram estar. Com isso incomodou e desarrumou a ordem e o sistema. Por isso o prenderam e impediram de exercer a sua profissão de professor”, lembraram, no voto conjunto.
“A Assembleia não seria hoje a casa da democracia sem, entre tantos outros, ter também o inestimável contributo de um novo som que, falando do proibido , cantava o mundo dos renegados e dos aflitos e marcaria o compasso do 25 de Abr il”, elogiaram.

Agência LUSA 2007-02-22

READ MORE
Biografia
24/02/2007By AJA

Os lugares de Zeca Afonso

Nos 20 anos da morte de uma referência maior da música portuguesa, a VISÃO trilhou os passos do cantor andarilho. Seguiu-lhe as deambulações, as viagens, os retrocessos, as circunvagações. Dos tempos que eram de «embalar a trouxa e zarpar», às bolandas do PREC, a «animar a malta». Roteiro de uma geografia sentimental e musical. Não perca a galeria multimédia

Havia uma chaminé. E uma amurada. E um convés. Era um barco a vapor, está bem de ver. Ronceiro, ainda a cheirar à revolução industrial. Adornava, da proa à ré, consoante a vaga. Tropicalizava-se o Atlântico, a cada milha navegada. A carreira do costume, da metrópole às colónias, nos anos trinta. A bordo, seguia um miúdo de calções. Zeca Afonso, a roçar os 3 anos. Sozinho, naquele lençol oceânico, que cobria, sabe-se lá, que assombros, que mostrengos. Instalada em Angola, a família mandara-o vir de Aveiro. Retirado do aconchego caseiro de primas e tias maternas, embarcou neste seu baptismo naval, entregue a um tio afastado, recém-casado, mais atento aos recolhimentos da lua-de-mel do que ao puto de calções. Com tanto de aflito como de desamparo, ancorou-se na mão de um velho missionário, o «homem das barbas brancas», de quem nunca mais se há-de esquecer.

Quarenta anos depois. Sozinho, outra vez. Só que no lugar dos horizontes abertos, Zeca Afonso tem-nos apertados, entre as quatro paredes da cela, em Caxias. E regressa a este ancoradouro de infância, «ao velho vapor ronceiro em que apenas um velho missionário se lembrara de que uma criança existia. O velho desapareceu, inesperadamente, num pequeno porto do Zaire e deixou-me só» – escreveu em Prosema II. Mais cedo ou mais tarde, regressamos sempre à viagem inicial.

Como se fosse a marca antecipada do seu destino de andarilho, serve agora de cais de embarque para uma viagem no tempo, 20 anos passados sobre a sua morte (23 de Fevereiro de 1987). É a primeira etapa do concerto Redondo Vocábulo a oriente (Macau e Banguecoque), do sobrinho João Afonso e do pianista João Lucas. Em ano de homenagens: reedita-se uma colectânea (Farol Música), Cristina Branco editará em disco as músicas de Zeca que tem cantado com uma banda de jazz, no S. Luiz, em Lisboa, sucedem-se, por todo o País, concertos, debates, homenagens dispersas. Curtas para um autor de músicas que desafiam todas as genealogias e se tornaram património fundamental da cultura portuguesa. Zeca Afonso foi compositor, tão incatalogável na arte como na política. Foi anarquista por vocação, solidário por devoção, poeta por inquietação.

Também o irmão, João Afonso, dois anos mais velho, na biografia «fraternal» que escreveu, haveria de iniciar a narrativa de uma vida, com o levantar de âncora do Mouzinho (o nome do navio), e com aquele deambular pelo convés do pequeno navegador solitário. Convencido, diz, de que «Zeca bebeu aqui, nesta infância remota de embarcado alguma coisa do seu vezo de andarilho». E acrescenta: «Zeca tem a divagação no sangue, é um espírito nómada, espartilhado entre as quatro paredes deste nosso espaço sedentário, comprimido contra o oceano.» Daí aquele seu ar abstracto, o seu temperamento aéreo, a sua propensão errante, o seu aparente desprendimento, o desassossego «de embalar a trouxa e zarpar». «Dessa sorte de navegar, no mar ou em terra, se embeberam as suas canções, numa obsessão inconsciente.»

«O Zeca era um génio. Não gosto de empregar esta palavra levianamente. Somos todos geniais. Pois. Mas o Zeca era ‘mesmo’ genial. E muito queria que isto não fosse um consenso mas um dado adquirido. A diferença é subtil, mas fundamental» (nas palavras de Sérgio Godinho). Ou nas de outro compagnon de route, José Mário Branco: «Sempre cuidando (e com que mestria!) dos aspectos formais das suas canções, ele sobrelevava sistematicamente a sua potencial utilidade para as pequenas e grandes causas da Humanidade. Sentia-se mais à vontade na pele de testemunha activa do seu tempo do que na de um poeta prospector de eternidades. Certamente por saber, como sempre souberam os grandes, que é sempre do solitário combate contra a matéria que acaba por nascer o sentido da obra criada.»

Muita água haveria de correr por baixo do vapor Mouzinho, do primeiro ao último cais. Águas revoltas, outras enremoinhadas, outras mais mansas, outras turvas… Muitas vezes havia de navegar Zeca Afonso, abaixo da linha de água, afundado no lodaçal da ditadura. Muitas vezes, haveria de correr nos rápidos do PREC, a acudir às solicitações das colectividades, a «avisar a malta», a arrastar a voz à custa de infusões de eucalipto. Muitas vezes, gritou «terra à vista», outras tantas viu desaparecer o «bom porto» do seu horizonte. E tudo se acabou estupidamente, numa madrugada de chuva indecisa, sem nunca ter atracado na «cidade sem muros nem ameias» da sua utopia. «Alguma coisa do que sou e fui foi em viagem», disse Zeca Afonso ao jornalista José A. Salvador. Cantor maldito, autor da canção-senha da revolução, foi alvo de silenciamentos sistemáticos, pela ditadura e também pela democracia. Confirmam-no os parcos registos, testemunhos das suas raríssimas passagens pela RTP ou as censuras explícitas nas rádios – por ignorância, esquecimento, má-fé, ou pura pequenez.

«Sou, no fundo, fruto de muitas gentes, de muitos lugares, de muitos dissabores», disse uma vez Zeca Afonso. A VISÃO traça-lhe agora o itinerário musical e sentimental, através de dez apeadeiros. Um percurso pisado «com as tamanquinhas do Zeca», numa expressão roubada ao CD de homenagem dos Couple Coffee, que será editado em Março. A vocalista da dupla é Luanda, 38 anos, filha de Alípio de Freitas, o revolucionário celebrizado pela canção com o seu nome. Afinal, «somos nós os teus cantores».

AVEIRO
«Este rio este rumo esta gaivota/ que outro fumo deverei seguir/ na minha rota?» Utopia, in Como Se Fora seu Filho (1983).

José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu a 2 de Agosto de 1929, na «parte da cidade voltada para o realismo e para o mar». Filho de um magistrado e de uma directora de escola infantil, foi irmão do meio de três. Colocado o pai em Angola, a família deixou-o pequeno, confiado a uns tios. De saúde frágil, não o queriam os pais em terras tórridas e carregadas de paludismo. Até que as precauções cederam às saudades e a mãe mandou-o vir. E lá segue Zeca, desamparado, no tal Mouzinho, ao encontro de uns pais e irmão de quem não se lembra e de uma irmã que, entretanto, aparecera. A casa onde nasceu era escola (dirigida pela mãe), passou a banco; agora, confirma o irmão, já não existe. Só há três anos a autarquia deu o seu nome a uma rua de um bairro novo de Aveiro. Aliás, não faz tenções de participar em qualquer homenagem.

ANGOLA
«Um homem novo/veio da mata/ de armas na mão/ não é soldado/ de profissão/ É guerrilheiro/ na sua aldeia/ A mãe o diz/ duma fazenda/ faz um país»
Um Homem Novo Veio da Mata, in Enquanto Há Força (1978)

«África é uma pátria mítica para mim, antes de ser pátria política, uma África revolucionária e socialista.» As trovoadas, que fendiam os céus e incendiavam o capim. As travessias dos rios em barcaças. As nuvens de gafanhotos. As viagens pelas picadas. A bicharada oculta pelo mato. As febres quartãs. Os gaviões que filavam de alto os pintos e desafiavam as fisgadas dos irmãos Afonso… Do Cuíto, a família mudou-se para a paisagem domesticada de Luanda, ainda assim cheia de potencialidades para uma infância à solta, em horizontes rasgados. Depois ainda há-de seguir para Moçambique, onde, conta o irmão João Afonso à VISÃO, Zeca colheu as mais marcantes memórias infantis, como os mergulhos do fim de tarde ou o sabor de uma manga verde.

BELMONTE
«Gastão era perfeito/ conduzido por seu dono/ em sonolências afeito/ às picadas dos mosquitos» Gastão era Perfeito, in Venham mais Cinco (1973)

O dealbar dos anos 40 vem encontrar o «menino zequinha» como porta-bandeira, a fazer a saudação nazi, de calças à golfe, bivaque e um cinturão com um grande S (farda da Mocidade Portuguesa), a marcar o passo no pelotão de miúdos pelas ruas de Belmonte. Na terra e na família pontificava o tio Filomeno (que lhe inspirou a canção em epígrafe), presidente da Câmara, comandante da Legião, homem de ardente vassalagem a Salazar, admirador de Franco e germanófilo. «Londres comme Cartago sera détruite!», assim soavam as emissões nocturnas na «telefonia» lá de casa. Quase todas as noites partia um comboio para a Alemanha hitleriana. Era o negócio do volfrâmio. Mas disto, Zeca, com 10 anos, ainda não percebia nada. Só sabia que aquele regresso à metrópole (por causa dos estudos) foi sentido como um degredo. Ainda por cima, sendo ele ali visto como «um menino agasalhado», sobrinho do senhor doutor, que não podia participar nos jogos com os outros miúdos da vila. Fez aí a quarta classe, espartilhado entre a chateza dos dias, o acanhamento da paisagem, a monotonia das missas, paixonetas por declarar, e uma tia que lhes racionava a água, de guarda ao jarro, atrás da porta, «como um índio sioux»: «O pior ano da minha vida». Da escola guardava recordações traumatizantes, «enxurros monumentais de porrada». Zeca era distraído, patologicamente distraído. O professor tinha o hábito de o suspender pelas orelhas, «como se aquela tormentosa ascensão tivesse o mérito inverso de o fazer descer à terra», conta João Afonso: «A imensidade africana que Zeca trazia na cabeça e nos sentidos já não cabia nos parâmetros concretos do didactismo escolar.»

COIMBRA
«Águas/ das fontes calai/ Ó ribeiras chorai/ Que eu não volto/ a cantar» Balada do Outono in Baladas e Canções (1967)

Noitada na sala de bilhar do Café da Brasileira, em Coimbra. Muitas das canções de Zeca Afonso hão-de nascer assim, instigadas pelo colectivo, e pelo entusiasmo, noite fora. É preciso alguém que o acompanhe à viola. Zeca liberta as canções dos «pruridos coimbrões», do lirismo convencional e lamechas, do narcisismo autocomplacente dos que envergam capa e batina, como se fossem capas de cavaleiro andante. Levanta-se uma urgência súbita: precisava-se de alguém que tocasse viola. Ergue-se um adolescente que, por acaso, estava ali com o pai. É o princípio de uma amizade e de uma parceria de oito anos; «uma das mais enriquecedoras experiências da minha vida», conta hoje Rui Pato, 58 anos, médico pneumologista, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar de Coimbra, que começou, nessa mesma noite, a acompanhar Zeca Afonso. «Imagine-se o que representou para mim, com apenas 14 anos, essa oportunidade de lidar de perto com dois mestres como Zeca Afonso e Adriano Correia de Oliveira.» Ele estava no 4.º ano do liceu, Zeca já homem feito, licenciado (em Histórico-Filosóficas), já defendera a sua tese sobre Sartre, já se tinha casado e separado (dois filhos), feito a tropa? Já tinha corrido o circuito das repúblicas e da boémia coimbrã, já enveredara pelo semiproletariado das aulas e explicações, num regime de sobrevivência endurecido, já estava debaixo de olho da PIDE. «Tenho uma soma de experiências que daria para uma novela dostoievskiana», escreve em 1962. Zeca e Pato partem pelo País, em concertos (sobretudo em colectividades populares e associações de estudantes), à boleia ou de comboio («havia sempre alguém que nos dizia ‘apareçam na estação, na composição tal…’, e estava lá sempre um camarada que nos transportava de borla»). Dentro da caixa da viola seguiam Avantes! e outros jornais clandestinos. A visão poético-estudantil, «do herói da capa e batina», esmoreceu à medida que tomava contacto com as desigualdades sociais. A sua música também mudou. «Ele costumava dizer que não queria o canto amarrado nos arames da guitarra», conta Rui Pato. Foi o momento de viragem de Zeca Afonso, de rebelião, quase. «Carrego essa mágoa há anos, a de eu próprio não ter tido a clarividência suficiente para perceber, na altura, o passo histórico que se estava a dar», continua.

MAFRA
«Ao cair da madrugada/ No quartel da guarda/ Senhor General/ Mande embora a sentinela/ Mande embora e não lhe faça mal» Ronda dos Paisanos, in Baladas e Canções (1967)

A tropa foi o buraco negro na sua biografia. Um tempo vácuo. Aborrecia-se mortalmente, não atinava com a culatra, com o percutor, o dente de armar, nem com formaturas e rotinas pautadas a toque de clarinete… «Fui o menos classificado de todo o curso por falta de aprumo militar», contava. Limitou-se a criar anticorpos, nas palavras do irmão, «contra todas as formas de constrangimento pessoal». A incompatibilidade com as tecnologias era quase genética. Nunca usou relógio, só muito tarde conseguiu acertar nos botões REC e PLAY do gravador, inventou um sistema de pautas para consumo próprio. E quando, anos mais tarde, em Moçambique, se meteu a tirar a carta de condução, o instrutor, depois de tantos alheamentos e ausências, voltou-se para ele e perguntou: «O senhor é assim a modos que poeta, não é?» Outra vez, entrou em casa, dirigiu-se ao frigorífico e sentou-se a comer pudim. E estranhou: a mulher não costumava fazer pudim… Tinha entrado na casa de um vizinho.

ALGARVE
«Somos filhos da madrugada/ Pelas praias do mar nos vamos/ À procura de quem nos traga/ Verde Oliva de flor no ramo», Canto Moço in Traz Outro Amigo Também (1970)

João Afonso está convencido de que esta música terá nascido dos passeios de barco que o irmão fazia com os amigos António Barahona e Luíza Neto Jorge pelas praias do Algarve. Zeca falava de «fase de euforia, uma das mais felizes da sua vida». Na Fuzeta, monta a sua «tenda contemplativa», percorre quilómetros à beira-mar, às vezes vai directamente para a escola, a pingar. Umas das suas grandes paixões, o ensino. «Queria pôr os alunos a funcionar como pessoas, incutir-lhes o espírito crítico, fazer com que exercitassem a sua imaginação à margem dos programas oficiais.» A cantoria, como lhe chamava, nunca a «superlativizou»: «Quando me dizem que aquilo que faço tem interesse, enfim, respeito a opinião das pessoas, e digo que sim senhor, tem interesse?», explicou ao jornalista Viriato Teles. Os algarvios viam passar o forasteiro, despassarado, com olhos de sonâmbulo, abismado pela paisagem. Desconfiados ainda mais, quando este começou a namorar Zélia, uma filha da terra, sua futura mulher (de quem tem mais dois filhos). Foi um namoro clandestino, «à siciliana», em cada esquina um mirone, em cada rosto um informador.

GRÂNDOLA
«Em cada esquina um amigo/ Em cada rosto igualdade» Grândola, Vila Morena, in Cantigas do Maio (1971)

Uma única vez Zeca Afonso se deslocou à vila alentejana, antes de compor a canção. Foi lá actuar, com Rui Pato, em 1964, a convite da Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense: «Um local quase sem estruturas nenhumas, com uma biblioteca de evidentes objectivos revolucionários, uma disciplina generalizada e aceite entre todos os membros, o que revelava já uma grande consciência e maturidade política.» Gravou a canção que deu notoriedade àquela terra, num castelo-estúdio dos arredores de Paris. Os passos iniciais foram captados na gravilha, às três da manhã. Cantou-a pela primeira vez a na Galiza e, quando soube que fora senha para o arranque dos capitães revoltosos de 1974, n ia 25 de Abril, já Zeca Afonso tinha arrancado para o Carmo, misturado entre as chaimites e os arroubos da massa anónima, a assistir ao último acto do Estado Novo. «Só mais tarde, quando recomeçaram os ataques fascistas e a Grândola era cantada nos momentos de maior perigo ou entusiasmo, me apercebi de tudo o que ela significava – e naturalmente tive uma certa satisfação.»

MOÇAMBIQUE
«O barco foi andando/ e a Nanga vi/ Foi a saudade aumentando/ longe daí/ A gente/ na minha terra não canta assim/ como eu ouvi» Carta a Miguel Djéjé, in Traz Outro Amigo Também (1970).

Duas encomendas do correio faziam estalar a mais completa felicidade na casa dos sobrinhos de Zeca (filhos da irmã mais nova, Mariazinha), em Moçambique. «Os livros do Tintin e os discos do meu tio», conta João Afonso, 40 anos, também cantor. Um dia, apareceu-lhes em carne e osso. Regressa às paisagens indomesticadas da infância, aos cheiros, às cores, aos ritmos, mas era-lhe doloroso, trabalhar numa ordem social que abominava: «O meio do branco colonizador.» Dava aulas aos meninos de família e fora do período lectivo ministrava as suas lições – o único branco a fazê-lo – numa associação de negros. «Infiltrei-me em alguns meios e ia conseguindo, com as minhas cantigas, dar os meus habituais recados.» Ao olhos da PIDE, Zeca passou de sujeito incómodo a tipo perigoso.

CAXIAS
«Era um redondo vocábulo/ Uma soma agreste/ Revelavam-se ondas/ em maninhos dedos/ polpas seus cabelos/ resíduos de lar» Era um Redondo Vocábulo in Venham Mais Cinco (1973)

Até que um dia, já em Portugal, a PIDE bateu-lhe à porta e o filho mais velho veio abrir. Há muito que estes agentes da (des)ordem lhe atazanavam a vida e obrigavam o cantor andarilho a tornar-se ainda mais andarilho, a mudar de poiso constantemente. Embicaram com uma quadra (cantada mas nunca gravada) que lhes dizia directamente respeito – «Na Rua António Maria / da primaz instituição/ vive a maior confraria/ desta válida nação» –, passando ao largo de outras músicas com óbvias e gravosas referências, como o Avô Carvernoso ou o Vejam Bem… A PIDE não consegue catalogá-lo, nem no PCP, nem na LUAR, nem enquanto católico de esquerda. Mais tarde, numa altura em que os tempos não estão para independências pessoais, em que é quase obrigatório ter rótulos, e andar de cliché atrelado, faz a sua afirmação de independência política: «Eu sou o meu próprio comité central.» Era ele mesmo, sem etiquetas. Tal como a sua música. Confinado às quatro paredes da cela durante 21 dias, alarga os horizontes através do lápis e do papel. Escreve poemas e prosemas, de labirínticas significações, a letra do Redondo Vocábulo, e a do Bombons de Todos os Dias, uma música «de um surrealismo afonsino marcado», que se manteve inédita até ao ano passado, quando o sobrinho João a resgatou de uma velha cassete caseira, guardada por um amigo galego, agora gravado no novo disco Outra Vida.

AZEITÃO
«Estamos na Europa civilizada/ já cá faltava uma maison/ pour la patrie p’lo Volskswagem/ acabou-se a forragem/ Viva o Patron!» Década de Salomé, in Galinhas do Mato (1985)

Porta aberta na casa de Zeca Afonso, em Azeitão. As pessoas entravam, instalavam-se na sala – e traziam um amigo também. Nos últimos tempos, quando a doença (esclerose lateral amiotrófica) já lhe tolhia os movimentos e a fala, Alípio de Freitas é um dos convivas naquela sala. Faz-lhe um relatório completo das notícias, dos acontecimentos, das fofocas políticas? O andarilho já não pode ir ao mundo, vai o mundo até ele. Ainda que aquele não fosse de todo o mundo com que sonhou, «Zeca continuava a achar que era possível mudá-lo». Era um «utópico céptico», nas palavras de João Afonso. As portas (as de Abril) fecharam-se, achava ele, mas continua a comportar-se como se as janelas também servissem de saídas de emergência, «como se a revolução fosse possível». Deixara para trás um período de febril agitação, de peregrinação por todo o País, em concertos pelas aldeias fora, «quando a população se juntava para resolver o problema da escola ou de calcetar a rua». Levou a solidariedade ao limite, tocou em condições inverosímeis, esfalfou-se, extenuou-se, esforçou a garganta, passou noites em branco, teve por única compensação a satisfação militante. Alípio era amigo, não de longa data, «mas era como se fosse». Não se conheciam quando Zeca compôs a música sobre o revolucionário português preso, torturado, há anos incomunicável na terrível fortaleza de Santa Cruz, na Baía da Guanabara, Rio de Janeiro (Alípio de Freitas in Com as Minhas Tamanquinhas, 1976). Quando finalmente, em 1980, é libertado, Alípio, hoje com 78 anos (a idade que Zeca teria), professor universitário e presidente da Associação José Afonso, foi ao seu encontro: «Não dissemos nada. Abraçámo-nos. Com a nítida sensação de que já nos conhecíamos? Foi como se nos tivéssemos reencontrado após uma longa viagem.» Provavelmente aquela em que havia uma chaminé, uma amurada e um «missionário das barbas». A primeira viagem – aquela a que todos regressamos.

Ana Margarida de Carvalho / VISÃO nº 729 23 Fev. 2007

FONTES: Um Olhar fraterno, João Afonso, Caminho; Textos e Canções, Relógio de Água; As Voltas de um Andarilho, de Viriato Teles, Ulmeiro; O Rosto da Utopia, de José A. Salvador, Terramar; Associação José Afonso; Farol Música

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)Rádio
24/02/2007By AJA

VENHAM MAIS CINCO | Antena 1

Sábado 24/02 às 19:00 a celebração da vida e obra de Zeca Afonso.

Quando passam 20 anos sobre o desaparecimento de Zeca Afonso, a Antena 1 dedica-lhe uma emissão especial onde António Macedo e Henrique Amaro expõem diferenças e semelhanças à volta da música do autor de “Grandola Vila Morena”.

READ MORE
TestemunhosVídeo
23/02/2007By AJA

Zeca Afonso – Memórias de um artista cidadão

READ MORE
BootlegsImprensa
23/02/2007By AJA

Gravação inédita de Zeca Afonso apresentada em Coimbra

O último concerto de Zeca Afonso, numa Queima das Fitas de Coimbra antes de 1974, tem a sua primeira apresentação pública marcada para sábado na cidade, graças a uma gravação inédita feita por um amigo do músico.
Gravado por José Mesquita, amigo de Zeca Afonso, o concerto realizou-se em Maio de 1968 nas “Tardes de Arte”, que integravam o programa da festa dos estudantes da Academia de Coimbra.
“É um testemunho inédito interessante”, disse hoje José Mesquita à agência Lusa, lembrando que o ambiente do espectáculo, imediatamente antes da crise académica de 1969, antecipava já “a preparação da revolução”.
O registo, recolhido por José Mesquita e autorizado por Zeca Afonso, foi feito no antigo edifício (já desaparecido) do Teatro Avenida.
“É uma gravação artesanal, feita com gravadores antigos e um microfone colocado ao pé do Zeca”, explicou o músico e professor catedrático jubilado da Universidade de Coimbra.
No espectáculo, Zeca Afonso interpretou temas na altura recentes como “Pombas”, “Cantares do Andarilho” e “Cantar Alentejano”, este último reclamado pelo público.
“Foi uma tarde muito especial, o público sabia o que ia encontrar, era uma massa académica já bastante politizada”, lembrou José Mesquita.
A gravação tem a sua primeira apresentação pública marcada para sábado à noite na Livraria Almedina Estádio, em Coimbra, no âmbito de uma tertúlia em que amigos de José Afonso assinalam o aniversário da morte do músico, ocorrida há 20 anos.
A homenagem ao cantor organizada por esta livraria conta com a participação de “pessoas que conheceram, conviveram ou se cruzaram com uma das personalidades mais marcantes da canção de intervenção em Portugal”.
Rui Pato, Carlos Correia, Manuel Freire, José Jorge Letria e Abílio Hernandez são alguns dos convidados da sessão.
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu em Aveiro em 1929 e morreu em Setúbal, a 23 de Fevereiro de 1987.
Em Coimbra, levou a tradicional vida de boémia e de fados dos estudantes, viajou com o Orfeão e com a Tuna Académica, jogou futebol na Associação Académica de Coimbra e, nos momentos mais difíceis, chegou a trabalhar como revisor no Diário de Coimbra.
Professor de formação, percorreu o País de Norte a Sul, antes de ser expulso do ensino por causa das suas opções ideológicas, lê-se numa nota sobre o evento de sábado.
Agência LUSA 23.2.07

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
23/02/2007By AJA

“Carta a Zeca” – um trabalho do jornalista Mário Galego

Disponível no sítio da AJA, na página “Eu dizia”.

READ MORE
Imprensa
23/02/2007By AJA

Zeca Afonso. O que dizem dele os jovens

Parte do artigo de João Bonifácio | Suplemento P2 | Jornal Público | 23.2.07

READ MORE
Imprensa
23/02/2007By AJA

Zeca disperso pelo país

JOSÉ AFONSO GRAVOU DISCOS DURANTE 32 ANOS ENTRE 1953 E 1985. A SUA VASTA OBRA É UM DOS MAIS FUNDAMENTAIS TESOUROS DA HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR PORTUGUESA. ENTRE OS SEUS DISCOS OBRIGATÓRIOS FIGURA, EM MAIORITÁRIA, A PRODUÇÃO EXECUTADA NA DÉCADA DE 1970.

Os consensos nunca foram o ponto forte de Zeca Afonso, mas, 20 anos cumpridos sobre a sua morte, o reconhecimento sobre a importância da obra que legou aproxima-se precisamente daquele grau pleno de aceitação que o autor de “Filhos da madrugada” sempre considerou pernicioso, devido ao risco de inebriar os autores e afastá-los do que realmente importa.

Hoje, artistas representativos de várias gerações, mas também um público numeroso que ainda se revê nos temas que ajudaram a acentuar as fragilidades de um regime putrefacto, continua a ver na obra de Zeca um artista comprometido com a realidade de um tempo que ainda é o nosso.

“As suas canções permanecem frescas e esse é um mérito que ninguém lhe pode retirar”, defende Carlos Tê, o compositor e letrista que enfatiza o interesse ainda suscitado pelos seus discos com a “contínua redescoberta” das novas gerações. “Ver o seu trabalho interpretado por outros é a melhor homenagem que se lhe pode fazer e aquilo a que ele, certamente, mais gostaria de assistir”, adianta.

Sam the Kid é um dos novos autores do meio musical português para quem a obra do cantautor não soa estranha, embora reconheça que “há metáforas escondidas em que eu não percebo tudo”. “É uma música excelente”, afirmou o ‘rapper’, que já usou excertos de ‘Grândola, vila morena’ num dos seus temas”, à agência Lusa.

O interesse pelo material que produziu durante mais de três décadas resiste à óbvia datação histórica de parte do seu trabalho. E se é certo que mais nenhuma releitura da sua música atingiu a visibilidade de “Os filhos da madrugada” – álbum de homenagem em 1994, que reuniu contributos de uma dezena e meia de artistas -, todos os anos surgem novos sinais de fascínio. Um dos mais recentes exemplos é o espectáculo que Cristina Branco apresenta no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa, conferindo novas texturas às suas canções mais emblemáticas.

Se, como compositor, o seu talento é amplamente reconhecido, também como intérprete Zeca Afonso reúne incondicionais. É o caso de produtor e músico Mário Barreiros, fã de “uma voz que primava pela simplicidade”.

Unidos pela devoção, os apreciadores de Zeca convergem também no reconhecimento da escassa divulgação que a sua música merece hoje nas rádios e televisões. Uma pecha que só não é mais grave porque, como sublinha Janita Salomé, “todas as pessoas sabem cantarolar canções do Zeca, tal como acontece com alguns fados”.

“Espírito de andarilho”

O quase unanimismo que rodeia a obra do cantor e compositor nascido em Aveiro – cidade que praticamente ignora a efeméride hoje assinalada – encontra um indicador exemplar no número de localidades que aderiram à data.

Do vasto programa previsto para hoje, o mais ambicioso pertence ao Centro Cultural de Vila Flor, em Guimarães. Hoje e amanhã, há workshops, debates, encenações musicais e sobretudo aquela que promete ser a mais ampla mostra bibliográfica, com discos, livros, brochuras, vídeos, revistas, catálogos e fotografias.

Director da Associação José Afonso (AJA), Paulo Esperança não concorda que a descentralização de eventos possa ofuscar a visibilidade do ambicioso plano de iniciativas a desenvolver ao longo do ano “Pelo contrário. Esta dispersão vai plenamente ao encontro do espírito de andarilho que caracterizou o Zeca, sempre interessado em levar a sua música a novos locais”.

A associação, sediada em Setúbal, pretende fazer da efeméride o pretexto ideal para levar as músicas do cantor a um público numeroso, “não só as pessoas que desde sempre conviveram com elas mas também as novas gerações”.

Depois de Felgueiras, Guimarães e Porto, a AJA quer levar a outras localidades do país, até final do ano, iniciativas capazes de contribuir para que mais pessoas conheçam a sua obra.

“Não estamos dependentes de subsídios. Tentamos potenciar as actividades que desenvolvemos, apresentando-as às autarquias eventualmente interessadas”, diz Paulo Esperança.

“Venham mais cinco” (1973)

Gravado em Paris, inclui algumas das canções que escreveu durante a sua prisão em Caxias.

“Coro dos Tribunais” (1974)

Disco composto e gravado poucos meses após o 25 de Abril. Conta com “O que faz falta” e outras pérolas .

“Ao vivo no Coliseu”

(1983)

Registo em formato duplo que compila o histórico concerto. Ao longo de 17 canções faz-se uma retrospectiva da sua obra. Termina com uma arrepiante “Grândola” cantada pelo público.

“Cantigas do Maio” (1971)

É frequentemente referido como “o melhor disco de sempre da música portuguesa”. Gravado no Outono de 1971 em Herouville, França, conta com arranjos e direcção musical de José Mário Branco. É nesta obra sublime que surgem as canções eternas como “Senhor Arcanjo”, “Cantar Alentejano” (dedicado a Catarina Eufémia) ou “Coro da Primavera”.

Mais importante ainda “Cantigas do Maio” é o disco de “Grândola Vila Morena”.

Sérgio Almeida Jornal de Notícias

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)Imprensa
23/02/2007By AJA

Uma referência 20 anos depois

Músicos de todos os géneros enaltecem a obra pioneira de Zeca Afonso na música contemporânea portuguesa e continuam a beber na sua obra. Uma referência com profundo sentido lírico e intervencionista que ainda hoje faz escola. Desapareceu há vinte anos. Zeca Afonso é uma referência da música popular portuguesa que deixou canções com um profundo sentido do lirismo, afirmaram à agência Lusa músicos de gerações posteriores à do cantautor, que faleceu há vinte anos.A cantora Filipa Pais tinha 19 anos quando Zeca Afonso morreu e recorda-se dele desde a infância. “O Zeca faz parte do meu crescimento e não imagino a música popular portuguesa sem ele”, referiu a intérprete de “À porta do mundo”, álbum com o qual venceu o prémio José Afonso em 2003. Para Filipa Pais, Zeca Afonso tem sido pouco recordado, tirando efemérides como a que se assinala sexta-feira, à passagem dos 20 anos da morte do cantor. “Não passa na rádio, ninguém fala dele e no entanto é a maior referência da música popular portuguesa”, sublinhou.José Afonso, falecido a 23 de Fevereiro de 1987, aos 57 anos, está entre os que fizeram da canção um meio de intervenção. Começou por gravar fados e baladas de Coimbra, mas viria a ser conhecido sobretudo pela interpretação de canções cuja mensagem era tão importante como a melodia, muitas vezes com origem na tradição portuguesa e africana.Sam the Kid, 27 anos e um dos nomes do hip hop nacional, disse que gosta da voz “meio sofrida” de Zeca Afonso, embora nem sempre entenda a mensagem das letras. “É uma música excelente, mas há metáforas escondidas em que eu não percebo tudo”, referiu o músico, que já utilizou nas suas composições excertos de músicas, por exemplo, de Carlos Paredes, e de “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso.Se hoje fosse vivo, José Afonso talvez gostasse de hip hop, defende Sam The Kid, que traça um paralelismo entre o trabalho do compositor e este género musical, na tentativa de passar uma mensagem. “O Vitorino disse-me um dia que achava que nós no hip hop tínhamos uma linguagem mais directa e que conseguíamos comunicar mais do que no tempo deles”, recorda o músico.~

No estrangeiro
Zeca Afonso gravou em Londres, Madrid e Paris, sempre de olhos postos na realidade portuguesa, ainda antes da revolução de Abril. Entre 1970 e 1974 lançou “Traz outro amigo também”, “Cantigas do Maio”, “Eu vou ser como a toupeira” ou “Venham mais cinco”. Em Março de 1974 actuou no Coliseu de Lisboa, ao lado de Adriano Correia de Oliveira, Fernando Tordo e Manuel Freire, cantando “Grândola, Vila Morena”, o tema que serviria de senha um mês depois para a revolução.O álbum “Cantigas do Maio”, considerado um dos melhores de Zeca Afonso, é também uma referência para Teresa Salgueiro, dos Madredeus. “Não tinha muitos discos dele e não era uma seguidora muito atenta, mas os meus pais tinham o `Cantigas do Maio¦ que eu cantava muitas vezes”, recorda a cantora.Em 1994, os Madredeus fariam uma versão do tema “Maio Maduro Maio”, para a colectânea “Filhos da Madrugada”, refere Teresa Salgueiro, para quem a morte de Zeca Afonso foi “prematura”, porque “ele fez muito pela cultura portuguesa”. O “profundo sentido do lirismo” é elogiado em declarações à Lusa por JP Simões, músico que canta a geração de 1970 embalado pela guitarra acústica com tons de bossa-nova. Apesar de só ouvir Zeca Afonso há pouco mais de uma década, JP Simões reconheceu que “não há muitas músicas [como as de Zeca] onde as letras sejam tão importantes”, destacando canções como “Maio Maduro Maio” e “Que amor não me engana”.

Participação cívica
Depois da revolução de Abril, Zeca Afonso participou em vários movimentos populares, editou “Com as minhas tamanquinhas”, “Enquanto à força” e “Fura Fura”.Em 1983 voltou a actuar no Coliseu de Lisboa, acompanhado de vários amigos e artistas, mas não chegou a interpretar todas as canções, por causa da doença que o vitimaria quatro anos depois.Em 1985, ainda lançou “Galinhas do mato”, o seu último álbum. Zeca Afonso conferiu à música e à canção popular portuguesa, “de forma inédita e até agora única, um valor social e cultural até aí praticamente inexistente”, qualificou o etnomusicólogo António Tilly dos Santos.

Davide Zaccaria cria projecto
O compositor Davide Zaccaria criou um projecto musical em que pretende fazer confluir cantoras de formações musicais distintas, tendo como pano de fundo a música de José Afonso.“Terra d’Água” é o título do projecto, que junta as cantoras portuguesas Dulce Pontes, Filipa Pais e Lúcia Moniz e as espanholas María Anadon e Uxía. O projecto, cujo álbum é editado precisamente hoje, é um tributo ao músico e poeta que foi José Afonso. Para Zaccaria, recriar o repertório do autor de “Grândola, vila morena”, foi “relativamente fácil” por estar já habituado a ele e“corresponder a uma paixão”. “Tenho tocado e feito arranjos para canções do Zeca, quer com o meu grupo, quer com Dulce Pontes, até neste seu recente trabalho”,assinalou. Relativamente a este projecto, esclareceu ter procurado “apresentar José Afonso fora da simbologia política e dar mais atenção à vertente de compositor”.María Anadon interpreta “A morte saiu à rua”, um poema de homenagem ao escultor José Dias Coelho, assassinado a 19 de Dezembro de 1961, em Lisboa, pela PIDE. De Luís de Camões, com música de José Afonso, Uxía interpreta “Verdes são os campos” e Lúcia Moniz “Que amor não me engana”.Filipa Pais, que já interpretou temas de José Afonso,nomeadamente quando fez parte do grupo Lua Extravagante, canta “Eu dizia”. Dulce Pontes, que também no seu primeiro álbum, “Lágrima”, revisitou o repertório, canta “Coro da Primavera”. Todas estas canções “pertencem ao imaginário colectivo e são uma inspiração para muitos artistas”. “Pretende-se também recuperar e/ou redescobrir músicas menos escutadas”, acrescentou.Das três músicas inéditas, Zaccaria interpreta “Terra de Zeca”, um tema de sua autoria inspirado na música de raiz popular composta por José Afonso.

O Primeiro de Janeiro 23.2.07

READ MORE
ImprensaRádio
23/02/2007By AJA

Um músico genial mas que não passa na rádio

O músico David Fonseca diz que não está à vontade para falar sobre José Afonso. “Aprecio-o muito mas sinceramente não sinto que tenha sido uma influência e não conheço assim tão bem a obra.” Nuno Gonçalves, dos The Gift, repete esta argumentação: “Respeito-o imenso e sei da importância que ele teve mas talvez me tenha estimulado mais por ser uma pessoa inconformada do que em termos musicais.” O rapper Sam the Kid samplou “uma vez os passos do Grândola, como toda a gente” e até ouve bastante música portuguesa mas prefere temas mais orquestrados do que acústicos. Todos o conhecem e respeitam mas qual o legado que José Afonso deixou, de facto, aos mais jovens músicos portugueses?José Afonso morreu em Setúbal faz hoje 20 anos e, hoje, a sua música vai ouvir-se na rádio, haverá depoimentos na televisão, alguns encontros pelo país, anunciam-se discos de homenagem. Só hoje. “E se não fossem as efemérides talvez nunca o ouvíssemos”, arrisca o crítico musical João Gobern. “José Afonso tornou-se igualmente incómodo antes e depois do 25 de Abril. É impossível pôr em causa a sua qualidade musical, por isso houve quem preferisse atacá-lo pelo lado político.” Mais próximo das utopias do que “das grandes tramóias políticas”, José Afonso tornou-se inconveniente, diz. “Mesmo reconhecendo o seu valor, sabendo que ele tinha um sentido harmónico extraordinário e uma voz excelente.” “O Zeca foi injustiçado em vida e continua a ser muito injustiçado depois de morrer, deveria ser muito mais ouvido e mais lembrado do que é”, confirma Janita Salomé, amigo de José Afonso e um dos poucos que faz questão de manter a memória do seu mestre em discos e espectáculos. “Ele era uma pessoa politicamente empenhada mas, além disso, há a obra poética que é excelente e há o legado musical que é incontornável. Parece-me que o estigma político é muito forte, como se houvesse uma incompatibilidade entre o empenhamento político e a qualidade musical.” Talvez seja preciso passar mais tempo, conclui. “A próxima geração estará distante politicamente e poderá, por isso, ter um olhar menos preconceituoso sobre a obra.”

Músico popular e universal
Exceptuando os músicos da sua geração, como Sérgio Godinho, José Mário Branco ou Vitorino, são poucos aqueles em que se reconhece essa herança de que todos falam mas que poucos usam. A culpa é da comunicação social e dos “padrões estéticos anglo-americanos que são impostos”, diz Janita Salomé. Ou, como explica Quim Barreiros, “os músicos de agora não fazem música popular porque não podem, não são capazes. São melhores músicos mas não têm as referências do folclore, como nós tínhamos.” Poucos se lembram, mas Quim Barreiros chegou a colaborar com José Afonso, no álbum Com as minhas tamanquinhas, de 1976. “O telefone tocou às duas da manhã. Era o Zeca Afonso, que estava com problemas em duas músicas baseadas em folclore e precisava da minha ajuda. Disse-me: pegue na sua gaita e venha cá.” Naquela altura, José Afonso e Quim Barreiros gravavam na mesma etiqueta, a Orfeu, e utilizavam os mesmos estúdios. “Às vezes íamos juntos a umas tasquinhas ali perto”, recorda o acordeonista. Isto apesar das discordâncias políticas. José Afonso era um músico ecléctico, ao mesmo tempo culto e popular. Camané recorda a dificuldade que encontrou quando uma vez tentou interpretar um tema seu: “As músicas dele não eram fáceis de cantar e ele conseguiu pôr o povo a cantá- -las.” E acrescenta: “Ele é talvez um dos melhores músicos portugueses de todos os tempos. Está muito para além da música de intervenção, era um compositor acima da média e um cantor extraordinário. Eu era miúdo quando foi o 25 de Abril e para a minha geração o José Afonso é incontornável, estava sempre na rádio.”Se o fadista aprendeu muito ouvindo Zeca Afonso, Manuel Rocha, da Brigada Vítor Jara, ainda se lembra dos 216 escudos que pagou por Coro dos Tribunais, o primeiro disco que comprou. “Em Coimbra, o Zeca anunciou novas músicas, trilhou caminhos. Ao mesmo tempo, foi um dos primeiros que trabalhou a música tradicional, com cuidado e bom gosto, e que lhe juntou todas as influências, que eram suas e nossas, de África. A sua música, fundada na cultura portuguesa, era universal”, conclui. “Ele criou uma nova forma de ser músico e isso influenciou todos os músicos de hoje, mesmo que não se note na música que fazem.” Além disso, diz, esperançoso, “o êxito é fácil mas os músicos importantes são aqueles que resistem ao seu tempo. E se há uma coisa boa na modernidade é que tudo fica registado, preservado. À espera do seu momento. Bach só foi descoberto muito mais tarde, não foi?”.

Maria João Caetano Díario de notícias Sexta, 23 de Fevereiro de 2007

READ MORE
Homenagens e tributos (poesia)Manuel AlegreVídeo
23/02/2007By AJA

Balada de Outono para Zeca Afonso | Manuel Alegre

READ MORE
Rui Pato
23/02/2007By AJA

…olha enfia a carapuça…

Escreveu-me Assis Pacheco, também já falecido no 10º aniversário da morte do Zeca em 1987: ” O Zeca morto começa a ser pasto para a vampiragem oratória, e nalguns casos é óptimo, oportuno, bem-vindo investimento emocional. Eu também suspeitava que isto ia acontecer.” ( fim de citação)

Rui Pato

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)Rádio
23/02/2007By AJA

ESPECIAL ZECA AFONSO na Antena 1

A música de Zeca Afonso ao longo de toda a 6ª Feira e Emissão Especial às 22:30. Convidados ,entre outros, Rui Pato, António Vitorino d’Almeida, Luis Pastor,João Afonso, Cristina Branco. http://www.antena1.pt/

A partir das 22:30 a Antena 1 realiza uma emissão especial no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz onde Vitorino, Janita Salomé e ZéCarvalho cantarão canções do poeta. A emissão conduzida por Edgar Canelas contará ainda com a reportagem de Ana Sofia Carvalhêda a partir do Entroncamento onde João Afonso interpretará alguns dos temas do cantor desaparecido em 1987. Oportunidade ainda nesta hora e meia de emissão para escutar Zeca Afonso na voz de Cristina Branco numa gravação efectuada no Teatro de S.Luíz em Lisboa a 9 de Fevereiro.
Sábado às 19 horas uma hora de emissão com António Macedo e Henrique Amaro.Domingo às 9 da manhã e meia-noite Vozes da Lusofonia Especial com excertos de uma entrevista exclusiva da antena 1 gravada em casa de Zeca Afonso emAzeitão 1983.

READ MORE
Homenagens e tributos (poesia)
22/02/2007By AJA

Poema a José Afonso

Bendito seja o pão
Bendito seja a dor
Benditas as portas do amor

José Afonso, “Benditos”, in Galinhas do Mato

Elevo os teus cabelos à categoria de cidade
– a Cidade Utópica! De Cirene
as ruas e avenidas são os partos da amargura
pelo vento irmanado de Jerusalém,
no teu ventre de Menino. Istambul
sedutor das cabras montanhosas:
Onde e quem
nossa morte
a Sul.

José Carlos Pereira
in Vertentes Da Mesma Luz (1992)

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
22/02/2007By AJA

José Afonso em Gueifães, Maia


No próximo sábado, pelas 21:30, em Gueifães (Maia) na cripta da Igreja Paroquial, é homenageado José Afonso, com a actuação dos cantores José Silva e Francisco Fanhais.

READ MORE
Imprensa
22/02/2007By AJA

Nostalgia de Zeca

No momento em que se assinalam os 20 anos do desaparecimento de Zeca Afonso, os amigos e as instituições relembram um dos ícones de Abril, a vida do homem e do cantor e a sua luta pela liberdade de expressão. Rotulado com um homem simples e humilde e considerado um dos maiores nomes de sempre da música portuguesa, que deve ser lembrado todos os dias, Zeca Afonso é recordado pelos mais jovens como um grande cantor, poeta e compositor. O cantor Zeca Afonso, que viveu muitos anos em Setúbal, desapareceu há 20 anos. Esta importante figura do 25 de Abril, autor da célebre canção “Grândola Vla Morena”, uma das senhas da Revolução dos Cravos, desempenhou um papel fundamental na luta contra a ditadura e a liberdade de expressão, antes e pós 25 de Abril. Os seus amigos mais próximos rotulam-no de «simples e humilde» e uma «figura ímpar da cultura nacional». Dimas Soares, um grande amigo do cantor, revela que conheceu o Zeca Afonso por volta de 1967, numa altura em que o artista tinha regressado de Moçambique, depois de uma visita aos pais. O encontro aconteceu num serão musical que se realizou no Clube de Campismo de Setúbal, onde o Zeca estava a tocar e a cantar para várias pessoas. Nessa ocasião, recorda, Zeca Afonso «dava aulas de História» no Liceu de Setúbal. A sua expulsão do ensino, protagonizado pelo antigo regime, lançou o cantor para o desemprego, o que o obrigou a viver apenas da música. «Como ele tinha inúmeras cantigas feitas e registadas na Sociedade Portuguesa de Autores, ganhou muito dinheiro com isso», sublinha Dimas Soares, que acrescenta que «muitos dos concertos» que o cantor dava, eram de «borla», porque ele, acima de tudo, pretendia passar uma mensagem de «humanismo, liberdade e fraternidade» às pessoas. De acordo com o responsável, Zeca Afonso, depois de ter falecido, ainda foi «perseguido», isto porque a maioria das rádios «evitavam passar» as suas músicas. Já Victor Serra, outro amigo pessoal do cantor e ex-presidente do Círculo Cultural de Setúbal, realça que a única iniciativa que se fez na cidade, durante 9 anos, em homenagem à figura foi o “Cantar José Afonso”. «De resto, o Zeca, uma figura ímpar da cultura portuguesa, sempre foi muito esquecido em Setúbal», frisa o responsável. Na sua óptica, Zeca Afonso «não era sectário», porque dava-se «bem com toda a gente». E lamenta que algumas entidades da terra se «aproveitem politicamente» dele para «tirar dividendos partidários». Victor Serra refere que o Zeca Afonso foi um «lutador contra o sistema da ditadura» e que «não deve ser apenas relembrado quando faz anos de morto». Por seu turno, Alípio de Freitas, presidente da Associação José Afonso, afirma que o cantor é uma das pessoas «mais importantes» do país e um «verdadeiro português», antes e após o 25 de Abril, na luta pela «liberdade de expressão». O historiador José Hermano Saraiva, que confessa que não conheceu de perto Zeca Afonso, não tem dúvidas da popularidade do cantor. «Teve uma grande celebridade no seu tempo e estava muito ligado a factores políticos», frisa. Todavia, o professor considera que o artista foi «inteiramente politizado». Na sua opinião, vários partidos de esquerda fizeram dele «um emblema político», o que, sublinha «mata qualquer artista».

Histórias de vida simples e humilde

O músico Dimas Soares, um grande amigo do autor de “Grândola Vila Morena”, conta que o conviveu muito perto com Zeca Afonso. Além de ter participado com ele na gravação de um disco, através do seu acordeão, em finais dos anos 70, a convite do próprio Zeca, Dimas Soares costumava ficar com os filhos do Zeca quando este se deslocava para o estrangeiro, porque havia «uma grande afeição com a nossa família», frisa. E conta ainda que na sua casa do Quebedo, o artista costumava receber «constantemente muitos amigos», devido à sua popularidade. Mas, nos dias em que estava muito cansado, procurava refugio na casa do amigo Dimas. Uma vez teve de pernoitar no Hotel Esperança porque «estava fatigado e precisava de se afastar um pouco» dos amigos. Mas foi o seu amigo Dimas que lhe pagou as despesas da sua estadia na unidade hoteleira, porque o cantor «não costumava andar com muito dinheiro» no bolso, dado que era a sua mulher Zélia que «geria as finanças». Dimas Soares conta ainda que quando Zeca Afonso, «simples, humilde e de grande humanismo», foi libertado pela PIDE, foi ele próprio que o foi buscar a Lisboa, com a sua esposa Emília. «Ele estava calmo e disse-me que lhe fizeram muitas perguntas».

Nova geração enaltece símbolo de Abril

As gerações mais jovens da região conhecem bem o cantor e realçam que Zeca Afonso foi um dos grandes símbolos da Revolução dos Cravos. Carla Santos, estudante na Escola Secundária da Bela Vista, refere que Zeca Afonso foi um «grande cantor, poeta e compositor», tendo criado uma das «senhas do 25 de Abril». Por seu turno, o estudante Pedro Miguel Silva, residente em Azeitão, realça que Zeca Afonso já serviu de mote para um trabalho de grupo que teve de elaborar na escola. Conta que o pai tem discos dele e que o cantor se dedicou à «música durante catorze anos», tendo gravado «28 discos e feito mais de trinta cantigas». Já Susana Garcia, considera que a figura popularizou-se através das «canções de intervenção» e tornou-se uma figura «emblemática do espírito de resistência ao fascismo».

Comemorações a ‘meio gás’

Em Setúbal, como é tradição, realiza-se a romagem ao túmulo do cantor no cemitério ‘velho’, no dia 23, às 16 horas, numa organização da Associação Musical Recreativa 8 de Janeiro, de Alhos Vedros. A cerimónia inclui a deposição de coroas de flores, apresentação de estandartes e discursos. No dia seguinte, às 22 horas, o bar Eleven´s Coffee organiza um concurso de poesia. A entrega de trabalhos deve ser feita por correio, pessoalmente ou por intermédio do e-mail: elevens@sapo.pt. A Associação José Afonso, sedeada em Setúbal, não vai organizar qualquer iniciativa, porque o seu presidente Alípio de Freitas entende que se deve respeitar a vontade da viúva do cantor. «É um dia em que ela quer estar com a memória em descanso e acho que devemos respeitar o silêncio e a vontade dela». Todavia, em Guimarães, o Centro Cultural, presidido por Tino Flores, um velho companheiro do Zeca, vai levar a cabo uma homenagem ao cantor e um concerto no dia 23.

Região de Setúbal online
António Luís 2007-02-16

READ MORE
ImprensaTestemunhos
22/02/2007By AJA

Um amigo, também | SIC online

Esta sexta-feira, dia 23, completam-se 20 anos sobre o desaparecimento de Zeca Afonso. Porque o cantor vive. A sua música não deixa de nos acompanhar; vive porque a data vai assinalar-se em todo o país, com um sem número de eventos e espectáculos. Zeca Afonso, figura marcante da música portuguesa foi também um homem de dúvidas, de perguntas e intervenções.

Não admira que Portugal celebre Zeca quando passam 20 anos sobre a sua morte. Portugal celebra Zeca sempre que há um motivo para falar dele, e este número redondo que agora passa é uma excelente oportunidade para lembrar e reviver as facetas e a música do cantor de intervenção. O sobrinho do presidente da Câmara Municipal de Belmonte viveu a norte as mais profundas raízes do Salazarismo, e cedo se revoltou contra o “ismo” que ensombraria o país durante quase meio século. Antes, já Zeca tinha vivido entre Aveiro e Lourenço Marques, mas também em Angola. Nada foi pior do que o ano em que vestiu a farda da Mocidade Portuguesa, disse um dia. Por causa do tio – admirador de Salazar, de Franco e de Hitler. Nos anos 40 rumou a Coimbra; consigo levou o canto. Inicia-se nas serenatas e não falta às festas da aldeia. O fado de Coimbra faz também parte de um repertório rico e cantado com garra. ‘Baladas de Coimbra’ é o primeiro disco que grava. Zeca Afonso não temeu nada nem ninguém, e enfrentou uma época conturbada com a guitarra na mão. É com a música que responde aos problemas… Detido pela PIDE, expulso da escola onde dava aulas, preso em Moçambique por ser anticolonialista. A actividade política causa-lhe tantos transtornos que o nome Zeca Afonso começa a ler-se, na imprensa, de trás para a frente, num anagrama que esconde a verdadeira identidade do cantor de intervenção. O esforço vale a pena. ‘Grândola Vila Morena’ fica imortalizada no 25 de Abril de 1974, e Zeca arrecada prémios com baladas e canções. Recusa outros. Como o da Ordem da Liberdade, a mesma que ele procura mas que não aceita como gratificação. O fim dos anos 70 faz-se a cantar, já com o apoio a Otelo para a Presidência da República, mas os anos trazem-lhe a doença que viria a ser fatal. Cada vez mais doente, Zeca vai deixando de se ouvir, e os últimos concertos que dá são em 1983, nos Coliseus de Lisboa e do Porto. Talvez Zeca fosse menos ídolo se não tivesse aliado à música a intervenção política. Talvez. Mas o conteúdo dos seus temas é, em si mesmo, uma resposta, uma pergunta, um clamor para chegar a todos. Uns se zangam, outros reganham ânimo. Vinte anos após a fatalidade, as músicas são repetidas e não deixamos de querer ouvi-lo. Rotularam-no com o epíteto de comunista, e em nome disso o depreciaram. Raros serão, contudo, os que lhe negam competência na História e Música que (nos) fez escutar. Da ‘Balada de Outono’ às ‘Galinhas do Mato’, eis um José Afonso presente, activo e com muito para dizer a cantar. Voz melodiosa e dicção perfeita, marca os ritmos com um tom impossível de copiar. Passam 20 anos sobre a música e o canto de José Afonso, tornado lenda como as que ele próprio imortalizou em verso e timbre. Venham mais cinco ou mais 10, os anos que forem precisos. Zeca não foi efémero. Por isso se tornou imortal.

Graça Costa Pereira
Editora de Cultura
opiniao@sic.pt

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)Imprensa
22/02/2007By AJA

«Palavras de Zeca Afonso fazem todo o sentido»

Um grupo de cidadãos da Guarda vai homenagear José Afonso sexta-feira, com uma tertúlia que incluirá música e referências à vida e obra do cantor de Abril, referiu à Lusa um elemento da organização.
Segundo Jorge Noutel, porta-voz do grupo de sete elementos, o dia em que se assinalam os 20 anos da morte do cantautor ficará marcado pela iniciativa «As palavras e a música do poeta de Abril», agendada para as 21h30, para o Café Central.
«António José de Almeida [conhecido professor do ensino secundário da cidade da Guarda] abordará a vida e obra do homenageado, seguindo-se um espectáculo de música ao vivo com o conjunto Os Feiticeiros de Oz, que interpretará música de intervenção», informou o porta-voz.
O encontro é organizado «por um grupo de cidadãos anónimos que pretende homenagear uma figura de proa da música portuguesa», explicou Noutel.
«Um marco na cultura portuguesa»
«Queremos relembrar Zeca Afonso como um marco para a cultura portuguesa e alguém que contribuiu para que todos nós tivéssemos uma formação cívica actuante», acrescentou.
Foi escolhido para o encontro um café do centro da cidade porque se pretende que a homenagem seja «uma coisa informal e aberta à participação de todos».
O mesmo responsável lançou ainda um repto às rádios locais da Guarda para que no dia 23 de Fevereiro «passem a música de Zeca Afonso, porque as palavras e a música dele fazem hoje todo o sentido».
José Afonso, que ficará para sempre ligado ao 25 de Abril com a canção «Grândola Vila Morena», uma das senhas da revolução de 1974, morreu a 23 de Fevereiro de 1987.

Portugal Diário 2007/02/21

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)Imprensa
21/02/2007By AJA

Portugal presta homenagem a Zeca Afonso

Espectáculos e exposições vão ter lugar um pouco por todo o país
Portugal Diário 2007/02/20

Por ocasião dos 20 anos da morte de José Afonso, que se completam esta sexta-feira, várias iniciativas decorrem em todo o país desde colóquios a exposições, passando pelos espectáculos, informa a agência Lusa.
Sexta-feira, pelas 18:30, a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) homenageia na sua sede, em Lisboa, o cantor-autor numa sessão em que participam o seu Presidente e vice-presidente, respectivamente, Manuel Freire e José Jorge Letria.
Ainda na capital, às 21:30, no Mercado da Ribeira, ao Cais do Sodré, realiza-se um «Tributo a José Afonso» com os Cantadores de Rusga, Jorge Jordan, Mingo Rangel, Rogério Charraz, e o actor Jorge Castro, que vai ler poemas.
Na cidade de Odivelas realiza-se também, sexta-feira, o colóquio «Conversa em torno da personalidade e do papel de José Afonso na cultura e sociedade portuguesas», que decorrerá no Auditório da Quinta da Memória e que contará, entre outras participações, com a de Miguel Gouveia.
Ainda em Odivelas, é inaugurada, segunda-feira, uma exposição foto-biográfica sobre o músico no átrio dos Paços do Concelho.
Esta mostra, propriedade da Associação José Afonso (AJA), estará patente até 5 de Março.
A exposição «procura traçar o percurso de vida e o testemunho solidário de Zeca Afonso», disse à Lusa Helena Carmo, da AJA.
Na sexta-feira à noite, no Cine-Teatro S. João, no Entroncamento, o cantor João Afonso e o pianista João Lucas apresentam «Um redondo vocábulo».
Durante o espectáculo, o duo percorre cronologicamente canções menos conhecidas e mais intimistas de José Afonso, tio de João Afonso, como «Bombons de todos os dias», «Pombas brancas», mas também as mais emblemáticas como «Era um redondo vocábulo» e «Papuça».
Entretanto, na próxima sexta-feira, pelas 00:30, o canal um da RTP apresenta o documentário «Zeca Afonso – 20 anos da morte», seguindo-se a exibição do concerto «José Afonso ao vivo no Coliseu», realizado a 29 de Janeiro de 1983.
Vários outros espectáculos estão previstos, nomeadamente durante o próximo mês de Abril, na Casa da Música, no Porto, que organiza de 25 de Abril a 01 de Maio, um ciclo dedicado ao cantautor intitulado «Revolução».
Com Adriano Correia de Oliveira, José Afonso foi uma das figuras centrais da canção de intervenção em Portugal.
Canção popular, de intervenção, balada e fado de Coimbra foram áreas musicais exploradas por José Afonso, que em 1985 editou o seu último álbum, “Galinhas do mato”, com as colaborações de Júlio Pereira, Luís Represas, Helena Vieira, Janita Salomé, Né Ladeiras e José Mário Branco.
A 23 de Fevereiro de 1987, aos 57 anos, José Afonso, natural de Aveiro, morreu no Hospital de Setúbal, vítima de esclerose lateral amiotrófica.

READ MORE
AJA Norte
21/02/2007By AJA

Conversa franca sobre José Afonso | Café Ceuta | Porto

A editora Arca das letras, em parceria com a Associação José Afonso( núcleo do norte), leva a efeito no próximo dia 2 de Março, a partir das 21,30 horas, uma “Conversa Franca sobre José Afonso”. A “Conversa Franca Sobre José Afonso”, que terá como palco o Café Ceuta, na Rua de Ceuta, Porto e contará com a participação dos escritores César Príncipe e José Viale Moutinho e de representantes da AJA. Elementos do grupo “Ajaforça” e o actor Amílcar Mendes interpretarão alguns dos temas que eternizaram o intérprete de “Grândola, vila morena”.

READ MORE
EscolasHomenagens e tributos (2007)
21/02/2007By AJA

ESCOLA SECUNDÁRIA JOSÉ AFONSO – SEIXAL

PROGRAMA
23 a 28 de Fevereiro

Exposição José Afonso (cedida pela AJA) Corredor Acesso ao Centro Recursos – Pav. C

Divulgação de Material vídeo no contexto da exposição
Átrio do Pav. A
Concerto de Zeca Afonso no Coliseu
Essências do Café em homenagem a José Afonso na nossa escola

Emissão Especial TSF dedicada a Zeca Afonso – dia 23/ 02 Circuito Sonoro da Escola
(inclui participação de alunos da Escola)

Sessão Canto e Poesia da Resistência
Apresentação de trabalhos de alunos do 12º B1
Sala Audiovisuais Pav. A
23 de Fevereiro (6ª feira)
Manhã: 10.20 H / 11.50 H

Tarde: 15.10 H / 16.40 H

Mostra de Materiais sobre José Afonso / Venda de Materiais da Associação José Afonso (Livros, documentos áudio e vídeo, etc.)
Centro de Recursos

Animação de Placards
Centro de Recursos e Sala de Professores
(documentos de imprensa, fotos, textos do Zeca…)

INICIATIVA DO CENTRO DE RECURSOS
APOIO ASSOCIAÇÃO JOSÉ AFONSO

http://www.esja.pt

READ MORE
Guilhermino MonteiroHomenagens e tributos (2007)
21/02/2007By AJA

José Afonso em Ovar

Câmara Municipal de Ovar promove colóquio e exposição para evocar o cantor de intervenção
“Cantar Outro Amigo – Lembrar Zeca Afonso”

No dia 23 de Fevereiro comemora-se 20 anos sobre a morte do cantor de intervenção Zeca Afonso, para manter viva a sua memória e homenageá-lo, a Câmara Municipal de Ovar e a Escola José Macedo Fragateiro preparam um colóquio sob o tema “Período de Baladas de Zeca Afonso”, uma exposição Biobibliográfica “Cantar Outro Amigo – Lembrar Zeca Afonso” e um espectáculo de músicas de Zeca Afonso.

As comemorações têm início no dia 23, pelas 21h30, na Biblioteca Municipal de Ovar, com o colóquio “Período de Baladas de Zeca Afonso”, por Guilhermino Monteiro e Octávio Fonseca da Silva e conta com a actuação do Grupo Vocal Canto Décimo da Escola Secundária José Macedo Fragateiro. Logo de seguida é inaugurada a exposição biobibliográfica “Cantar Outro Amigo – Lembrar Zeca Afonso”. A exposição sobre a vida e obra do autor de “Grândola, Vila Morena” estará patente até ao dia 17 de Março, havendo um programa especial para as escolas (ver anexo), cujo objectivo é dar a conhecer Zeca Afonso – popularizado, entre os colegas, como o Bicho-cantor – através de visitas guiadas e animadas à exposição sobre a sua vida e obra, com ateliers de jogos dramáticos em torno das músicas.
No dia 24, pelas 21h30, o Salão dos Bombeiros Voluntários de Ovar recebe o espectáculo “Músicas de Zeca Afonso” pelo Grupo Vocal Canto Décimo e pela Classe Avançada de Dança Contemporânea da Escola de Bailado do Orfeão de Ovar.

Os intervenientes do Colóquio
Guilhermino Monteiro é licenciado em História e estudou no Conservatório de Música do Porto, tendo integrado vários agrupamentos instrumentais e vocais. Gravou vários Cd’s, como cantor e instrumentista, com Sérgio Godinho, José Mário Branco e João Lóio, com quem tem realizado numerosos concertos. Entre 2004 e 2006, foi adjunto do Maestro Borges Coelho, na Direcção Artística do Coral de Letras da Universidade do Porto. Em Outubro de 1997, fundou, no âmbito do trabalho escolar com alunos, o Grupo Vocal Canto Décimo, da Escola Secundária José Macedo Fragateiro, de que é, desde então, Director Artístico.
Octávio Fonseca da Silva dedicou-se, entre 1970 e 1973 à crítica musical nas publicações A Memória do Elefante e Mundo da Canção. De 1987 a 1992, realizou programas radiofónicos de divulgação e crítica, dedicados à música popular portuguesa, no Rádio Clube do Porto, na Rádio Nova e na Rádio Press. Desde Dezembro de 2006, realiza o programa Os Cantos da Casa na Esquerda.Rádio, a estação de rádio do Bloco de Esquerda na Internet.
De 1980 a 1990, estudou guitarra com os professores José Pina, Paulo Peres e José Manuel Fortuna. A partir de 1982 fez parte de diversos agrupamentos de música popular portuguesa, de que se destaca a colaboração com João Lóio no espectáculo Mais um dia. Desde Dezembro de 1994 integra o grupo «Chamaste-m’ó?». Publicou os livros, Carlos Paredes: a guitarra de um povo (2000) e José Mário Branco: o canto da inquietação (2000).

Como figura marcante da música tradicional portuguesa, cuja música marcou uma viragem historico-política no país, era impensável não recordar o homem, o aveirense, o cantor, ou tão simplesmente Zeca Afonso.

Ovar, 19 de Fevereiro de 2007

READ MORE
Testemunhos
21/02/2007By AJA

A sessão no Luso com José Afonso

“A noite estava fresca e escura, sem lua que se visse sobre os telhados, mal iluminada pelos pontos de luz fracos e parcamente disseminados. Na rua não havia qualquer movimento especial, como não havia nas escadas dando acesso ao vestíbulo da sede do simpático clube do Barreiro velho. A dúvida tomava conta do espírito, já de si inquieto, do jovem estudante que tivera aulas em Lisboa até tarde: «E se não fosse fidedigna a informação surgida por via familiar e rodeada do secretismo próprio do tempo?»: Vai haver uma sessão de baladas no Luso com o José Afonso!… transmitira, em jeito de confidência, o primo Caria.”
“— Quando? — antecipara-se o jovem aos restantes inter-locutores receosos.
— Nos princípios de Novembro, telefonou o Zé bicas…
— Se fora parente distinto, então a informação era digna crédito, só faltava apurar a data.
A angústia momentânea fazia tolher os passos, ainda no corredor, onde se situavam os balneários. Não se via ninguém, a porta ao fundo estava encostada, a dúvida já dilacerava: «Se calhar não era hoje? Ou então foi cancelada!…»
Empurrada devagarinho, a porta do salão abriu-se, enquanto o coração batia descompassado de dúvida e esperança, para logo pular de alegria e emoção, o salão estava literalmente cheio, talvez 300-400 pessoas.
A sessão já tinha começado, no palco uma viola (Rui Pato) acompanhava uma voz feminina terna e timbrada (Teresa Paula Brito), num blue ou algo do género (Summertime). O calor das palmas revelava o entusiasmo dos presentes, algumas caras conhecidas, poucos jovens da zona (faltava esclarecimento e mobilização entre a malta).
A seguir a poesia dita com muita alma (Odete Santos e a Marcha Almandenim) e uma explicação para a não participação do Adriano Correia de Oliveira, também presente: «Estava na tropa e não lhe era permitido cantar.» Assobio, alguém ensaia um grito isolado: «Abaixo a guerra!», sem seguidores. No fim acabaria por cantar em coro, mas naquele momento segurava os papéis com as letras que o memorável Zeca Afonso começava a cantar.
Por cada intervenção a sala explodia em aplausos e gritos. Para além dos méritos do cantor, algo mais ali se celebrava, era Portugal amordaçado abrindo o grito de protesto contra a tirania, pela voz do poeta que melhor fazia a sua denúncia. A poesia generosa e revolucionária despertava a vontade de participar no combate à repressão que prendia e torturava a resistência à ditadura. Como de resto neste caso também iria acontecer.
Na plateia um novo grito se juntava, cada vez com mais insistência, conforme o poeta-cantor avançava na noite. Tanto podia ser interpretado como uma acusação, como um pedido:
— Vampiros! Vampiros!
Alguém da organização (Álvaro Monteiro) explicava no palco ser aquela uma sessão comemorativa de um aniversário (Cine-Clube do Barreiro), devendo-se evitar complicações. A resposta da plateia foi eloquente, gritando com mais força ainda:
— Vampiros! Vampiros! Vampiros!
Um assistente perto da porta, com ar de quem tinha vindo de longe, comentava judiciosamente:
— A canção está proibida! É um risco desnecessário cantá -la Não insistam!
Ouvindo o reparo contrariador, mais vozes se juntaram ao imenso coro e o poeta cantou, com centenas de gargantas embargadas de emoção:
Se alguém se engana com seu ar sisudo, E lhes franqueia as portas à chegada, Eles comem tudo, eles comem tudo! Eles comem tudo e não deixam nada!
Se há acontecimentos que marcam uma geração, a sessão de Canto e Poesia, promovida no dia 11 de Novembro de 1967, pela direcção do Cine -Clube do Barreiro, em colaboração com o Luso Futebol Clube, ficará para sempre gravada no coração dos barreirenses. Dos que estiveram presentes, como daqueles que depois ouviram contar, se é que é possível transmitir a emoção até às lágrimas duma noite inesquecível.”
Armando Sousa Teixeira
Texto: do livro “A Industria e a Luta em Desenvolvimento”
Barreiro, Uma Historia de Trabalho Resistência e Luta

READ MORE
Alípio de FreitasBenedicto Garcia Villar
21/02/2007By AJA

UN HOME DE GRANDE FIRMEZA

Alípio de Freitas é o presidente da Asociación José Afonso. O noso amigo cantor dedicoulle unha das poucas cancións que fixo con nome propio no título. Neste caso o seu. Nacidos no mesmo ano, o 29, o Alípio fíxose sacerdote axudando no Brasil desde o primeiro momento á formación do movemento campesiño e de resistencia heroica despois á ditadura militar. No 62 desligouse da igrexa católica. Preso en 1970, non sairía libre ata o 79. Desde a cadea envía unha carta na que denuncia que moitos, entre eles el, sofren tortura.
A carta chega a mans do Zeca que a transformará en contundente berro de denuncia e solidariedade: Diz Alípio á nossa gente:/ “Quero que saiban aí/ Que no Brasil já morreram/ Na tortura mais de mil.”
Con este grandísimo home tiven o gozo de compartir hai días un coloquio no Porto, en honra e memoria de José Afonso. Diante dun grupo de incondicionais “afonsinos”. Alí o Alípio contou o seu encontro (que non coñecemento, insistía) co noso amigo, coma se foran coñecidos de vello. Tamén relatou con emoción como fixo de “reporteiro” particular do enfermo nos últimos días da súa vida, ata o último alento intelectual e físico, tentando supera-lo ar fúnebre que impregnaba aquela casa de Azeitão nos días finais.
Baía de Guanabara/ Santa Cruz na fortaleza/ Está preso Alípio de Freitas/ Homem de grande firmeza. Merecida canción e merecida homenaxe.

Benedicto García Villar 19/II/07

READ MORE
Imprensa
21/02/2007By AJA

José Afonso lembrado um pouco por todo o País | “Primeiro de Janeiro”

José Afonso constitui-se como uma referência do sonho, da procura do humanismo e da utopia de um mundo melhor. Mais do que utilizar a sua música como instrumento de luta, o cantautor foi também um homem e militante político sempre presente no lugar certo dos acontecimentos. Sexta-feira, dia 23, assinalam-se 20 anos sobre a sua morte, uma efeméride que vai ser marcada ao longo do ano com diversas iniciativas.

Goreti Teixeira
A Associação José Afonso (AJA) não teve mãos a medir para a organização de um programa de homenagem que visa recordar José Afonso no ano em que passam duas décadas sobre a sua morte. As parcerias são muitas e estendem-se por várias regiões do País. De acordo com Paulo Esperança, presidente do núcleo do Norte da AJA, todas estas iniciativas têm um objectivo como “partilhar o imaginário do Zeca com quem nunca o conheceu, nem à sua música, muitas vezes em locais onde ele não chegou a tocar”. Uma destas partilhas terminou, ontem, no Clube Literário do Porto que desde quarta-feira apresentou um conjunto de debates em torno da figura do autor de «Traz um amigo também». Quatro dias de testemunhos dos muitos amigos que conviveram de perto com José Afonso e que ficaram também marcados pela inauguração da exposição temática «José Afonso – andarilho, poeta e cantor» que percorre a sua vida desde a infância, passando por Coimbra, Angola e Moçambique, até à sua militância política, discografia e rascunhos de letras musicais.Na cidade berçoDepois do Porto chegou a vez de Guimarães se juntar à festa. A Oficina/Centro Cultural de Vila Flor, em parceria, com a AJA, o Círculo de Arte e Recreio iniciam a sua homenagem, na terça-feira, dia 20, com a exibição do filme «Continuar a Viver» (Os Índios da Meia Praia), sendo que os pontos altos acontecem entre os dias 23 e 24. Assim sendo, a 23, será inaugurada, no grande auditório, a exposição «O que faz falta» que incluirá livros, discos, objectos e documentos pessoais do cantor, seguida do espectáculo teatral e musical «Menino D’Oiro», com dramaturgia e encenação de Gil Filipe. No dia 24, às 15h30, a Banda Militar do Porto actua no pequeno auditório e, uma hora depois, Gil Filipe sobe ao palco para protagonizar a peça «O Incorruptível», de Hélder Costa. Pelas 17h30, «A Vida e Obra de José Afonso» será o tema central do debate que contará com as intervenções de Alípio de Freitas, Mário Barradas, José Mário Branco, Hélder Costa e José António Gomes. A homenagem termina com a música de José Mário Branco, Amélia Muge e João Afonso num concerto intitulado «Maio Maduro Maio», às 21h30, no grande auditório. A noite conta ainda com a presença da poesia de Manuel de Freitas e do grupo galego Ardentía. Paralelamente ao programa do CCVF, a empresa de panificação Pavico e a Biblioteca Municipal Raul Brandão protagonizam, durante todo o mês, a iniciativa «Pão com Sonho» que tem distribuído milhares de sacos de pão com dados biográficos e alguns poemas do cantautor. Entretanto, a 26 de Maio, a Associação Cultural RITUS sedeada em Milheirós de Poiares, concelho da Vila da Feira, tem previsto a realização de um debate, um encontro musical e a inauguração de uma exposição evocativa que reunirá desenhos criados pelos alunos das escolas da região. Já a 3 de Março, em Viana do Castelo, o programa comemorativa inclui um debate e um concerto com 16 músicos, no Teatro Sá de Miranda. Também a Cooperativa Árvore, no Porto, não quis passar à margem da efeméride e entre os meses de Setembro/Outubro, organiza «O Zeca na Cooperativa Árvore» que inclui uma exposição de pintura e escultura. No último trimestre do ano, na Casa das Artes de Arco de Valdevez, a celebração da vida e obra de Zeca será assinalada com um debate, uma exposição e um concerto.

21 de Fevereiro de 2007

READ MORE
CoimbraTertúlias
21/02/2007By AJA

José Afonso em Coimbra

TERTÚLIAS D’ALMEDINA | FALAR DO ZECA AFONSO | 24 de Fevereiro | 21h

Abílio Hernandez, Carlos Correia, José Jorge Letria, José Mesquita, Manuel Freire, Rui Pato.

Nos 20 anos sobre a morte do Zeca Afonso vamos falar do homem, do poeta, do cantor.

Durante a sessão irá ser passada uma gravação audio inédita.

Livraria Almedina
Estádio Cidade de Coimbra
Rua D. Manuel I, n.° 26 e 28
Coimbra

READ MORE
João Afonso
21/02/2007By AJA

“Uma leitura diferente” de Zeca Afonso | Jornal “Tribuna de Macau”

O gesto “estritamente musical” de Zeca Afonso é o que os músicos João Afonso e João Lucas se propõem apresentar durante o espectáculo de amanhã à noite no Centro Cultural de Macau, no âmbito de uma iniciativa da Casa de Portugal. Os lucros do projecto “Um Redondo Vocábulo” revertem a favor da construção de uma escola em Timor-Leste

“Um Redondo Vocábulo” é o nome do espectáculo que traz ao território João Afonso e João Lucas, num “concerto intimista” em que vão interpretar uma selecção das canções “menos conhecidas” de José Afonso. As receitas do concerto, que tem lugar amanhã, às 20:30, no pequeno auditório do Centro Cultural, revertem a favor da construção de uma escola em Timor-Leste. A iniciativa partiu da Casa de Portugal em Macau que, há um ano, visitou aquele país e se apercebeu das necessidades das crianças de uma cidade do interior.
De acordo com a presidente da direcção da Casa de Portugal, Maria Amélia António, a ideia surgiu também por este o ano do 20o aniversário da morte de Zeca Afonso. “A homenagem ao homem que ele foi seria fazer algo que soubéssemos que ele também faria com muito gosto”, salientou.
Para os músicos, o projecto, que é recente, cresceu depois do convite da Casa de Portugal e principalmente pela causa a que se dedica. “Temos prazer em ajudar a pôr uns quantos tijolos na escola de Timor-Leste”, afirmou João Afonso explicando que também o seu tio, José Afonso, esteve muito ligado à causa timorense.
O facto de terem seleccionado temas menos familiares ao público pretende ser uma forma de “contribuir para uma leitura diferente de José Afonso”, frisou João Afonso. Por sua vez, João Lucas considera que a escolha das músicas não obedeceu a um motivo específico mas nasceu “de uma mistura de circunstâncias que estão mais relacionadas com o gesto estritamente musical de José Afonso e não sócio-político”. Isto porque, de acordo com o pianista, “por vezes dá-se muita importância a essas questões e uma parte do génio fica perdida”.
As canções têm todas em comum o facto de serem “brilhantes e complexas do ponto de vista musical, ao nível do carácter intuitivo, no contexto da música popular”, referiu João Lucas. A cumplicidade entre os músicos facilitou o arranjo dos temas. “Temos um grande respeito pela obra de José Afonso e uma proximidade muito grande com as canções”, sublinhou João Lucas.
Através da voz de João Afonso e da música ao piano de João Lucas, este pretende também ser um passeio cronológico por “um momento muito importante da vida de José Afonso que foi a infância”, destacou o vocalista do projecto “Um Redondo Vocábulo”. É uma leitura do autor “no sentido de mostrar, através de alguns poemas e canções, a atitude de liberdade de José Afonso”.
Relativamente ao concerto de amanhã à noite, e porque depois partem para Banguecoque onde repetem a actuação na Embaixada de Portugal, os artistas consideram que “em Macau a palavra será mais valorizada, porque os textos valem muito pelas palavras”. Para João Afonso, “é um pouco como se Macau servisse de prova dos nove”.
João Afonso, que soma a sua quinta passagem pelo território, confessou que a sua maior curiosidade “é ir à parte velha da cidade e ver como cresceu Macau”. Mas o músico tem outro desejo, que esta passagem pela RAEM o faça criar algo novo, tal como aconteceu quando, em 1999, cá esteve pela última vez e compôs um tema inspirado na cidade.
Durante a actuação no território, que conta com um tema inédito de José Afonso intitulado “Bombons Todos os Dias”, os músicos interpretam também baladas como “Papuça”, “Pombas Brancas” ou “Redondo Vocábulo”.

MARTA BILROJornal “Tribuna de Macau” Quarta-feira, 14 de Fevereiro de 2007

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
21/02/2007By AJA

José Afonso na sede da SPA

A Sociedade Portuguesa de Autores associa – se às comemorações do 20º Aniversário da morte de José Afonso, com uma sessão a realizar no dia 23 de Fevereiro, pelas 18.30H, no Auditório Maestro Frederico de Freitas, (Av. Duque de Loulé, 31 – Lisboa) em que serão evocadas a vida e a obra do cantor e autor. Samuel interpretará algumas das suas canções mais conhecidas.
Na sessão intervirão também Manuel Freire, José Niza, Francisco Fanhais, Luiz Goes e José Jorge Letria, que foram amigos e companheiros de José Afonso

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
21/02/2007By AJA

José Afonso na Guarda

No dia 23 de Fevereiro, pelas 21h:30m no Café Central- Guarda, vai realizar-se uma Homenagem a José Afonso, com uma tertúlia e música ao vivo!

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
19/02/2007By AJA

Concerto nos Açores | Tributo a Zeca Afonso pelo Quinteto de Jazz de Lisboa

O espectáculo Tributo a Zeca Afonso, pelo Quinteto de Jazz de Lisboa, homenageia aquele que foi sem dúvida o Mestre da música popular portuguesa do século XX, José Afonso, quando passam 20 anos sobre a sua morte. O Município das Lajes do Pico sente-se honrado por se associar a esta mais que justa homenagem ao criador de Vampiros e Grândola, Vila Morena.

AUDITÓRIO MUNICIPAL DAS LAJES DO PICO 24 de Fevereiro 21.30 horas
Quinteto Jazz de Lisboa
Fundado em 1988, o Quinteto Jazz de Lisboa é desde a sua origem o grupo de jazz português com mais discos vendidos nesta área musical, tendo editado o seu primeiro trabalho discográfico Viragens em 1999. De realçar que o grupo foi criado para levar este género musical a percorrer todo o país com o intuito de romper as barreiras existentes entre o jazz e o grande público, descentralizando a cultura, na medida em que o repertório do grupo vai da fusão da música de raiz popular portuguesa, fado e o jazz, num espectáculo com grande qualidade musical.Com dois discos editados o Quinteto Jazz de Lisboa conta, no seu currículo, com digressões por vários festivais de jazz em países como Holanda, França, Espanha, Alemanha e Brasil.O elenco é constituído por José Carvalho (voz), João Courinha (saxofone), Paleka (bateria), Emílio Robalo (piano e teclados) e Paulo Neves (baixo).

READ MORE
ExposiçõesHomenagens e tributos (2007)
19/02/2007By AJA

Loures convida

READ MORE
TestemunhosViriato Teles
19/02/2007By AJA

Vinte anos sempre com Zeca

Duas décadas já se passaram sobre o desaparecimento físico de José Afonso, e no entanto parece que foi ontem. Apesar disso, desde essa triste madrugada de Fevereiro de 1987, o mundo mudou como nenhum de nós podia então imaginar que mudasse. Desde o fim da União Soviética – que, nessa altura, quase todos nós ainda acreditávamos ser eterna ou, pelo menos, muito duradoura – até à unipolarização dos dias de hoje e à consequente submissão do mundo à vontade imperial da superpotência sobejante, tudo se tornou bem diferente do que poderia supor-se vinte anos atrás.Vinte anos é a idade de uma geração. E a geração desta idade, afundada em incertezas e com muito menos esperanças do que as que a antecederam, dificilmente consegue vislumbrar uma qualquer «cidade sem muros nem ameias» onde o presente e o futuro façam sentido. Não é uma geração rasca, mas é sem dúvida uma geração à rasca, afogada no quotidiano globalizado do consumo e da precariedade.O mundo mudou imenso, de facto, nestes vinte anos. Mas não tanto que tenha feito com que as canções de José Afonso ficassem fora de moda ou se tornassem meros documentos de um tempo passado. E não só porque universalidade e intemporalidade são duas características centrais de toda a obra de Zeca – as suas músicas de há quarenta anos mantém hoje a mesma frescura e a mesma modernidade que tinham quando foram escritas – mas porque a vida real se encarregou de negar todos os sonhos que, num dia de Abril, chegámos a acreditar que estavam prestes a concretizar-se. Trinta anos depois do «dia inicial», os vampiros e os eunucos voltaram a estar activos e dominantes. E se hoje não temos (ainda) um outro avô cavernoso a comandar as nossas vidas, é só porque a mãe Europa não deixa. A verdade é que muitos dos pressupostos políticos e sociais que ditaram a criação de tantas canções do Zeca voltaram a instalar-se no nosso quotidiano. E também por isso estas palavras permanecem tão dolorosamente actuais.Mas não é por isso – não só por isso – que estas canções se mantêm dentro do prazo de validade. A verdade é que todas elas possuem essa qualidade única que distingue os grandes mestres dos criadores vulgares: a capacidade de resistir ao tempo e de o ultrapassar. Re-ouvindo hoje o legado de José Afonso, dificilmente encontramos os chamados temas «datados». E no entanto eles existem (sobretudo nos discos da segunda metade da década de 70, muito marcados pelas lutas do período revolucionário), mas as marcas temporais das situações concretas que lhes deram origem não chegam para fazer com que, actualmente, essas músicas percam o interesse ou se nos apresentem como meros documentos testemunhais de uma época.Pelo contrário: as canções de Zeca, mesmo aquelas que reflectem e retratam determinados episódios ou momentos históricos específicos, conseguem sempre ter uma dimensão musical e poética que não se confina nunca ao seu próprio tempo. Desde «A Morte Saiu à Rua» até ao mobilizador «Coro da Primavera», todas elas foram capazes de resistir ao grande juízo do tempo e se nos apresentam hoje como obras tão ou mais modernas do que muitas produções dos nossos dias. E a prova está na quantidade de jovens músicos que continuam a ter em Zeca uma referência essencial.É tudo isto que esta exposição também nos recorda, a par com a evocação de uma vida ímpar de um ser humano excepcional, política e socialmente comprometido com os mais nobres ideais. A tudo isto acresce o facto de se tratar de uma iniciativa com a marca de uma instituição que fez história e ocupa um lugar de destaque no universo cultural português: o MC-Mundo da Canção, que desde há quase 40 anos tem desempenhado um papel central na divulgação da melhor música que se faz em Portugal e no Mundo. Tal como o Zeca – que, vinte anos depois, teima em permanecer vivo através das palavras e da música que hoje são património de todos nós – também o MC se recusa a morrer e promete continuar. De pé, enfrentando todas as adversidades, disposto a resistir, sempre. Ou, pelo menos, enquanto há força.

Viriato Teles

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
19/02/2007By AJA

Odivelas homenageia Zeca Afonso

Em colaboração com a Assembleia Municipal de Odivelas e a Associação Zeca Afonso, a Câmara de Odivelas vai marcar o dia 23 de Fevereiro com um colóquio intitulado «Conversa em torno da personalidade e do papel de José Afonso na cultura e sociedade portuguesas», que decorrerá no auditório da Quinta da Memória.
O dia fecha com a apresentação de temas de José Afonso pelo Grupo Coral Maria Gomes, da Sociedade Musical Odivelense.
Segunda-feira é inaugurada uma exposição sobre o músico no átrio dos paços do concelho, que pode ser vista até dia 5 de Março.

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)ImprensaJanita SaloméVitorino
19/02/2007By AJA

Vitorino e Janita juntos em tributo

Os dois irmãos vão passar em revista as canções do ‘mestre’.

No dia em que se assinalam duas décadas sobre o desaparecimento de Zeca Afonso, Vitorino vai reunir-se em palco com o irmão, Janita Salomé, e o músico José Carvalho, para juntos interpretarem os eternos hinos do ‘mestre’. O espectáculo de homenagem dá pelo nome de ‘Zeca Afonso – 20 Anos’ e será realizado a 23 de Fevereiro, no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, pelas 21h30. Mas o sentido tributo da dupla de músicos alentejanos promete não ficar por aqui. “A ideia é levarmos este espectáculo, cujo alinhamento é inteiramente composto por canções de Zeca Afonso, a outras salas do País. Para que a homenagem se prolongue por todo o ano em que se celebra o aniversário”, explicou Vitorino ao Correio Êxito. O músico do Redondo revelou ainda que o tema ‘Canção da Primavera’ dará o arranque ao concerto, enquanto o revolucionário ‘Grândola Vila Morena’ fechará em apoteose a actuação. Ao longo de 2007, Vitorino acumulará os tributos a Zeca Afonso com a digressão comemorativa dos seus 30 anos de carreira, ‘Tudo! Alentejo, Amor, Lisboa. Ao Vivo!’. A primeira apresentação desta digressão de “Inverno” – conforme Vitorino prefere apelidar – realiza-se esta noite no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira.“Trata-se de uma série de espectáculos que passam em revista a minha carreira, já que o ano passado, quando lancei o álbum comemorativo, não tive oportunidade de o fazer. E agora que está frio, é a altura mais indicada. Os concertos foram especialmente concebidos para serem apresentados em pequenos auditórios e teatros. No Inverno, as pessoas têm mais predisposição para se aconchegarem a ouvir a música”, brincou.

SÍMBOLO DO POVO

Vinte anos volvidos sobre a sua morte, Zeca Afonso continua a ser um dos símbolos maiores da música portuguesa. Protagonizou uma carreira marcada por uma produção rica e constante que foi só interrompida pela fatalidade da sua morte, corria o ano de 1987. Ao longo do tempo, Zeca Afonso mostrou a sua capacidade criativa em inúmeros géneros, bem como a sintonia com os sentimentos populares do povo português, o que o tornou igualmente uma da vozes do 25 de Abril.

Vanessa Fidalgo Correio da Manhã 2007-01-27

READ MORE
BiografiaImprensa
19/02/2007By AJA

Correio da manhã | Especial Zeca Afonso | O Andarilho na juventude

José Afonso morreu há vinte anos. Inscrito nas páginas da História como autor da canção que trouxe para a rua a Revolução de Abril, é recordado pelos seus colegas de liceu como um jovem utópico, distraído e profundamente humano.

Vinte e quatro de Fevereiro de 1987. Mais de trinta mil pessoas percorrem as ruas de Setúbal entre a Escola Secundária de S. Julião e o Cemitério da Senhora da Piedade entoando canções de protesto. Uma das maiores manifestações de que a cidade tem memória. Greve? Movimento operário? Estudantil? Não. Na frente do cortejo segue um caixão, coberto com um pano vermelho, e que vai levado em ombros por Sérgio Godinho, José Mário Branco, Júlio Pereira, Francisco Fanhais, Luís Cília… O desfile, que, não fora a urna, mais parece uma festa, é afinal o funeral de Zeca Afonso. Um mar de gente acompanhando o trovador de Abril à sua última morada. Cumprindo a sua vontade, ninguém usa luto.

“Quando vi aquilo na televisão mal podia acreditar: poderia ser o ‘nosso’ Zeca?” Vinte anos depois de ver o amigo partir, feito “um herói nacional”, o engenheiro António Santos Silva ainda tem dificuldade em compenetrar-se de que o “seu” Zeca veio a tornar-se num símbolo, uma figura quase irreal, um nome de rua, de escola, uma “estátua fria ‘numa praça de gente madura’”, como escreveu no seu livro de 2000 sobre Zeca Afonso, sugestivamente intitulado ‘Antes do Mito’. Para ele, José Afonso continua a ser ainda hoje o seu companheiro de liceu, o “gajo porreiro” que chumbara duas vezes quando se conheceram em 1946. “Era então conhecido como o ‘Torgupês’, por falar uma linguagem na qual baralhava as sílabas. Carlos Couceiro, que chegara de Angola nesse ano, e que também veio a tornar-se engenheiro, era outro dos membros daquela “turma de repetentes”. “Quando falávamos assim, com as sílabas trocadas, ninguém nos entendia, tal era a velocidade”, conta. Os dois velhos amigos estavam longe de imaginar que algum dia aquele rapaz desprendido, “completamente desligado das coisas materiais e sem qualquer sentido prático da vida” viria a ser o Zeca Afonso, conhecido por todos, símbolo da Revolução dos Cravos e referência musical de várias gerações. “‘Que vai ser deste gajo?!’ – era o que a malta pensava”, refere Santos Silva no seu livro.

Percorrendo as ruas da Alta de Coimbra, Santos Silva e Carlos Couceiro, pai do piloto Pedro Couceiro, aceitaram fazer para a Domingo uma viagem no tempo e na memória, recordando alguns dos episódios passados com o ‘seu’ Zeca, na inocência dos verdes anos, quando o jovem estudante dava voz às serenatas e os três saltavam os muros do liceu para penetrar nos bailes aos quais não tinham acesso por falta de dinheiro. Foi na sequência de uma noitada dessas – por sinal, frustrada, já que não tinham conseguido os seus intentos e a noite fora passada no alto do muro à espera que a guarda montada, que patrulhava a avenida, dispersasse – que o jovem Zeca, estoirado pelas emoções da aventura, adormeceu na aula de Ciências Naturais, em plena chamada. “O professor chamou pelo número dele, duas vezes” recorda Santos Silva. “Olhámos. O Zeca dormia profundamente, encostado à parede. ‘Pronto!’, pensei. É desta. Vai ser expulso da aula e chumba o ano. Qual não foi o nosso espanto quando o professor leva o indicador aos lábios e faz: ‘Schiu!’” É que, apesar de “distraído” e “mau aluno”, nas palavras dos seus velhos companheiros, José Afonso seduzia todos pela sua forma de ser autêntica, “sem poses”.

Zeca distinguia-se já entre os seus pares pela sua profunda aversão a qualquer tipo de amarras ou forma de autoridade. Era conhecido o seu horror a polícias que, mais tarde, lhe veio a trazer alguns dissabores assim como a quem o acompanhasse nas ocasiões em que mostrava atitudes provocatórias. Como daquela vez em que seguia no eléctrico e resolveu contar em voz alta uma anedota sobre o então Presidente do Conselho: “Quando se queria falar do Salazar, para que ninguém percebesse, dizia-se o António”, explica Santos Silva. E prossegue: “diz então o Zeca: ‘Olha, sabes, o António tem um cancro… Coitadinho do cancro!” Depois de muito se rirem, os dois amigos apeiam-se do eléctrico, logo seguidos por outro indivíduo. É então que Santos Silva se apercebe que o companheiro ficou para trás: o outro tinha- -o agarrado pelos colarinhos. “O Zeca, à rasca, a tentar escapar e o tipo mostra- -lhe algo na própria lapela: ‘Sabes o que é isto?’. ‘Sei lá o que é essa m….’, responde o Zeca. Aquela ‘m….’ era uma insígnia: o gajo era um PIDE. Não sei como é que ele escapou! Mas ele era assim, dava a volta a toda a gente! Disse ‘m….’ a um PIDE e nem sequer foi preso!”, remata o antigo colega, entre gargalhadas.

Alguns anos antes deste episódio, contudo, muito inocente e longe de qualquer consciência política, o aluno do liceu deslocara-se com uma delegação de estudantes a Braga, para uma comemoração do 28 de Maio, data em que fora implantado o Estado Novo, e participara num momento de euforia no qual a multidão acabara levantando em braços o Marechal Carmona. Uma experiência empolgante, à época, da qual mais tarde se envergonhava, exclamando, quando lha recordavam, com um sorriso meio comprometido: “Tu nem me fales nisso, pá!”
José Afonso vivia então com o irmão mais velho, João, em casa da sua tia Avrilete. Santos Silva era hóspede e lembra que ali se revelou a faceta anticlerical do jovem: “A tia Avrilete era muito devota e ia todos os dias à missa. Um belo dia, à saída da igreja, a senhora caiu e partiu um braço. O Zeca, que estava sempre a gozar com a religiosidade da tia, não perdeu a oportunidade: ‘Está a ver! Devia ter ficado em casa!’. Mas a tia Avrilete apressou-se a garantir que ainda iria agradecer ao Senhor a graça concedida: ‘Podia ter sido pior!’ E o Zeca: ‘Não vá, olhe que ainda cai outra vez! E não é que caiu mesmo?!!”

Em frente à casa da tia Avrilete morava uma jovem costureirinha de origem humilde, Maria Amália, por quem o cantor não tardou a apaixonar-se. Casou à revelia da família e foi instalar-se com a esposa num quarto alugado paredes-meias com o inseparável Santos Silva. Foi ali que conheceram o Dr. Jorge P. com quem os jovens estudantes descobriram o cinema neo-realista italiano e autores como Jorge Amado e Pablo Neruda: “Desconfiávamos que ele era comunista, embora nunca nos tenha tentado ‘engajar’ no partido. Mas com ele assinámos abaixo-assinados a favor dos presos políticos, da Amnistia Internacional… foi, sobretudo para o Zeca, uma iniciação política”. No entanto, quem realmente governava a casa era a mãe do Dr. Jorge P., Dona Guilhermina: “Era uma chupista, via-nos apenas como hóspedes para dar lucro”. A velha senhora, que poupava até na comida que servia para rentabilizar os ganhos, tinha ao seu serviço uma criada chamada Maria, que explorava até mais não. “Era vê-la, às sete da manhã, já a lavar a roupa no tanque do quintal. Pois, certo dia, a moça adoeceu. Tossia que metia dó. Mas a D. Guilhermina, indiferente à febre que lhe rosava as bochechas, recusava-se a chamar um médico”. E então, deu-se a gota de água, conta Santos Silva: “Numa manhã, a Maria Amália foi dar com ela a lavar a roupa no quintal, com um frio de rachar. O Zeca ficou furioso: ‘De certeza que o Dr. Jorge não sabe disto’”. Mas o dono da casa sabia. O desencanto foi demasiado. E José Afonso mudou-se com a mulher para um pequeno apartamento no Beco da Carqueja. Esperavam um filho e a situação financeira era precária. O casamento ressentia-se, não só dos fracos recursos como da diferença cultural entre ambos. Nesse período, os dois grandes amigos de Zeca viviam na República do Sobado Kakulo, e Carlos Couceiro recorda as muitas noites – e manhãs! – em que se deparou com o companheiro deitado, na sua cama, “a dormir ferrado”. “Que remédio tinha eu senão estender um colchão no chão!” E, rindo, conta como o amigo lhe levava a capa e batina “em muito melhor estado que as dele!” e mesmo os sapatos: “Um dia, o tipo até levou um sapato dele e um meu! Dei com ele na Baixa e disse-lhe: ‘Dá cá isso!’ Nem se tinha apercebido.”

Deprimido com as dificuldades financeiras e com o casamento em crise, José Afonso trava um dia conhecimento com uma personagem descrita por Santos Silva como uma espécie de “hippie prematuro”, pelo qual os dois jovens desenvolveram profunda admiração: “Vagueava pelo mundo em busca da ‘luz do nada’. Defendia o despojamento material e tinha preocupações ecológicas”. Estavam criadas as condições para o desenvolvimento de uma corrente filosófica pessoal, a que Zeca deu o nome de Pantrampismo: tudo é trampa. Os amigos chegaram a pensar publicar um jornal que servisse de suporte àquele original paradigma de pensamento. Para a publicação, que nunca chegou a ver a luz do dia, escreveram quadras e sonetos. Mas as circunstâncias da vida não tardariam a separar os três amigos. Estava-se em 1953 e findavam os anos da inocência. Nada seria como antes. Para Santos Silva e Carlos Couceiro, o amor mal sucedido, a falta de dinheiro, os revezes na faculdade, as desilusões com “o mundo real” vieram a ser determinantes no génio criativo que então despertou. Pois, se José Afonso já era então conhecido como um razoável cantor de fados – dando voz às guitarras de António Portugal ou do próprio Carlos Couceiro e às violas de Durval Moreirinhas e Mário Barroso, entre outros –, ainda não começara a escrever nem a compor. Sobrevivia a custo da mesada, algumas aulas particulares que dava e das costuras de Maria Amália que entretanto se empregara à noite no Teatro Avenida a vender doces no intervalo das sessões.

No final dos anos cinquenta, à beira do divórcio e já a dar aulas, Zeca escreve as primeiras baladas. Em Coimbra, todos o conhecem. Frequenta a “ala esquerda” da Brasileira, na qual desponta uma ‘movida’ intelectual. Poetas, jornalistas e artistas fazem ali longas tertúlias. Rui Pato, hoje médico e director do Hospital dos Covões, tinha então 14 anos e desde os 11 tocava viola com vários músicos em casa de António Portugal – um grupo de jovens artistas conhecido como o ‘Portugal dos Pequeninos’. Foi numa das tertúlias da Brasileira que Zeca uma noite exclama: ‘Preciso de uma viola!’ O pai de Pato, jornalista no ‘Primeiro de Janeiro’, responde: ‘O meu filho tem lá uma viola’. E leva “a malta toda lá para casa”. Sentado a um canto, o adolescente observa José Afonso que toca ‘O Menino de Oiro’: “Às tantas, vi que ele estava a engatilhar com aquilo. Muito a custo, lá ganhei coragem e sugeri que talvez conseguisse acompanhar. Tinha aprendido viola clássica e comecei a fazer um dedilhado muito simples mas que caiu ali bem. E o Zeca diz: ‘Esse puto é que me vai acompanhar’! Passado uns dias estava num estúdio de gravação!”

Iniciou-se então a parceria que iria durar até ao final dos anos sessenta, quando Rui Pato acabou por ter de optar entre medicina e a música. Apesar do seu imenso talento, com quota parte de responsabilidade pelo sucesso de Zeca, optou pela primeira. Mas os dados estavam lançados: o menino d’oiro iniciava a sua subida apoteótica rumo à imortalidade. Onde chegou. Mas essa parte da estória, já todos a conhecem…

FILOSOFIA
Ninguém dava muito pelo rapaz, detestava amarras, tinha profunda aversão à autoridade. Zeca até deu nome a uma corrente filosófica: o Pantrampismo; ou seja, tudo é uma trampa. Depois descobriu a música. António Pato acompanhava-o à guitarra.

AS RECORDAÇÕES DE MARIAZINHA
FAMÍLIA APARTADA
A infância de Zeca ficou marcada pelas partidas dos pais e irmã mais nova, Mariazinha, para Timor e depois para Moçambique. Depois dos primeiros anos em Angola com toda a família junta, permanecia longos períodos em casa de familiares com o irmão mais velho João, em Belmonte e em Coimbra. Mariazinha, hoje com 75 anos, recorda as difíceis separações: “Eu era muito ligada ao Zeca. O meu irmão João era mais fechado. Lembro-me de um almoço em Lisboa, antes da nossa partida para Moçambique. As lágrimas corriam-me pela cara. Quase tiveram de me arrancar de junto dele.” Mas a relação entre os dois irmãos manteve-se sempre. Foi Mariazinha que, juntamente com os pais, acabou por “criar” os filhos mais velhos de Zeca que, ironicamente, cresceram longe dos pais, tal como ele próprio crescera. Numa ocasião, Zeca foi a Moçambique visitar a família. Acabou por lá ficar 24 horas. Foi levado pela PIDE. Quando regressou a Portugal, Mariazinha assistiu a alguns concertos, como o do Coliseu: “Tremiam-me as pernas. Eu nunca via serenamente os espectáculos do meu irmão”. Acabou por acompanhá-lo mais regularmente na última fase da sua vida. No dia do enterro, quando viu a multidão e tomou noção da dimensão atingida por Zeca, ficou “assombrada”. E recorda as palavras do filho naquela tarde: “Mãe, o tio Zeca já não é nosso”.

GRÂNDOLA VILA MORENA
A HISTÓRIA DO HINO
De todas as canções de Zeca que ficaram para a história da música portuguesa, ‘Grândola Vila Morena’ ficou como ícone incontornavelmente associado à liberdade.Hélder Costa, hoje director artístico do Teatro A Barraca, natural daquela vila alentejana, contou à Domingo a estória da canção que serviu de senha aos militares de Abril: “Na primeira metade dos anos 60, o País estava em polvorosa. As lutas estudantis de 62 tinham desencadeado um movimento de greves operárias e, em Grândola, a Sociedade Fraternidade Operária Grandolense fazia mexer toda a região”. Espectáculos de teatro, concertos e happenings sucediam-se na colectividade também conhecida como ‘Música Velha’. Foi ali que Hélder Costa, que estudava em Coimbra, levou, em Maio de 64, dois artistas já conhecidos para fazer um espectáculo com um programa aliciante: “Primeira parte – Carlos Paredes; segunda parte – Zeca Afonso”.Impressionado com o ambiente de solidariedade e luta que se sentia na ‘Música Velha’, o músico regressou a casa e dois dias depois enviou uma carta a um dos directores da Sociedade, José da Conceição. Nela vinha um conjunto de quadras: o original de ‘Grândola Vila Morena’. “E não é que o sacana perdeu a carta?!”, exclama Hélder Costa. Mesmo assim, a canção nasceu, foi orquestrada em Paris vários anos mais tarde por José Mário Branco… e o resto faz parte da História.

EM CD DUPLO
REGRESSO DO CANTOR
Os 20 anos da morte de Zeca são pretexto para numerosas manifestações de Norte a Sul do país, entre espectáculos, debates e edições de discos. A Farol Música lança agora a reedição de uma colectânea cujo original saiu em 1983 sob a chancela da Orfeu, em triplo disco de vinil, pela primeira vez em Portugal. São trinta canções, datadas entre 1968 e 1981.

A CANÇÃO DE NOBRE GUEDES
‘VENHAM MAIS CINCO’
José Afonso foi um homem indiscutivelmente ligado à Esquerda, embora sempre se tenha recusado a ser arrumado em qualquer partido. Apesar disso, a sua dimensão universal permitiu-lhe granjear admiradores em todas as cores do espectro político. Luís Nobre Guedes, um dos rostos mais conhecidos do CDS-PP, é um deles e até chegou a eleger ‘Venham Mais Cinco’ como a sua canção favorita. Não poupa elogios a Zeca que define como “um poeta extraordinário e um músico fantástico”, dotado de “uma voz belíssima”. Lembra-se de o ouvir ainda no tempo do antigo regime, numa “rádio meio-clandestina que havia aí” e possui mais do que um disco daquele “grande artista”. A quem possa estranhar que um homem assumidamente de Direita goste tanto de um cantor de posição radicalmente oposta à sua, Nobre Guedes responde sem rodeios: “A arte não é de Esquerda nem de Direita!”

Myriam Zaluar | 2007-02-18

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
17/02/2007By AJA

O Andarilho das Bruxas – Homenagem no Sport Clube Português em Newark | E.U.A.

PROGRAMA

~ Poesia ~

Paula Seca

Ary dos Santos
“O Sangue das Palavras”
“Cantiga de Amigo”
“Meu Amor, Meu Amor”
Manuel Alegre
“Do Poeta ao Seu Povo”
“Soneto”
“Explicação do País de Abril”

Sila Santos

“Traz Outro Amigo Também”
“Vejam Bem”
“A Morte Saiu à Rua”
“Menino do Bairro Negro”
“Balada do Outono”

~ Música ~

Jorge Quaresma

“Milho Verde”
“Moda do Entrudo”

Luís Manuel

“Grândola, Vila Morena”

Fátima Santos

Lucho Barrios “Unico Que Tengo”
“Traz Outro Amigo Também”
“Canto Moço”
“Vejam Bem”
“Canção de Embalar”
Teresa Silva Carvalho /Almeida Garrett “Barca Bela”
Fito Paez “Yo Vengo Oferecer Mi Corazon”

José Luis Iglésias
“Os Fantoches de Kissinger”
“A Morte Saiu à Rua”
“Vejam Mais Cinco”

Sport Club Português 51-55 Prospect Street Newark, NJ 07105

Contactos: Fátima Santos, musicanocoracao1@hotmail.com, www.fatimasantos.com

READ MORE
Documentários
17/02/2007By AJA

Documentário sobre José Afonso na RTP | 22 de Fevereiro

A RTP irá transmitir um documentário sobre José Afonso na 5ª feira, 22 de Fevereiro.
RTP 1 – 00:30 RTP Internacional – 21:45

READ MORE
Helena LangrouvaTestemunhos
17/02/2007By AJA

Nos 20 anos da partida de Zeca Afonso, por Helena Langrouva

Um trabalho antigo a refundir e um projecto avançado, a aguardar apoio. No próximo dia 23 de Fevereiro passam vinte anos sobre a morte de Zeca Afonso. Parece que o tempo tem contribuído para guardar a sua memória. Porque não está esquecido, nos jornais, nos meios de comunicação social, nas sessões de homenagem.

Quando, em 1978-1979, eu preparava, na Universidade de Paris III – La Sorbonne Nouvelle – a minha pós-graduação – D.E.A – em Estudos Portugueses e Brasileiros- opção Literaturas, no qual se estudava, com o prestigiado Professor Raymond Cantel, literatura de cordel brasileira e poesia popular brasileira, propus fazer uma sessão de seminário sobre a poesia cantada do cantautor José Afonso. Fiz um trabalho de pesquisa e reflexão sobre a obra de José Afonso que não chegou a ser publicado nem em francês nem em português nessa época. Já me foi pedido recentemente que refundisse e actualizasse o texto para ser publicado nas duas línguas. Os inúmeros compromissos que me têm ocupado nestes últimos anos em que, trabalhando sempre sozinha, publiquei finalmente quatro dos meus livros – que reúnem trabalho de uma vida – e trabalhei durante um ano para o volume de Homenagem ao Professor Luís de Sousa Rebelo- Humanismo para o nosso Tempo, não me foi possível tirar uns meses para refundir e actualizar esse meu trabalho sobre José Afonso. Espero fazê-lo ao longo deste ano, depois de concluir entretanto outros compromissos que ainda me esperam.

Entretanto, em 2000, elaborei todo um projecto diferente sobre José Afonso que foi reelaborado e refundido em 2005-2006, para o qual tive, em 2006, o apoio do Prof. Mário Vieira de Carvalho, Secretário de Estado da Cultura. O projecto não foi para a frente em 2006 – era para sair em 2007, nos vinte anos da morte de José Afonso – por falta de subsídios e porque os músicos que convidei para trabalhar comigo exigiam ser muito bem pagos. Tenho esperança de conseguir, através de uma Associação que me apoie, a aquisição de fundos para que tão belo projecto se realize.

Procurei conhecer José Afonso para me ajudar no meu trabalho sobre a sua obra. Eu vivia no estrangeiro e vinha passar férias a Sintra. Então lembro-me de um amigo o acompanhar um dia, no verão de 1978, a Sintra, para nos encontrarmos e falarmos sobre a sua obra. Já a sua saúde começava a ficar debilitada, mas a chama da sua alma do maior génio da música popular portuguesa espraiava o seu fulgor até ao fim, em encontros que se prolongaram durante alguns anos. Esses encontros cimentaram a procura de entendimento da sua obra e contribuíram inesperadamente também para eu ser por ele reconhecida como a pessoa diferente de todas as que o rodeavam – “amiga súbita e diferente”, escreveu na dedicatória de um dos livros das suas canções, então editado por Viale Moutinho. Diferente, penso eu – nunca lhe perguntei a razão – porque estava apenas comprometida comigo própria a tentar entender a sua obra para também a transmitir nas minhas aulas, no tempo em que fui leitora na universidade de Rouen, França, e para escrever o melhor possível o meu estudo.

De regresso a Portugal, eu morava em Colares – Sintra e, ao tentar experimentar todos os graus de ensino, concorri para ser professora de Português e História do então Ciclo Preparatório, na escola Sarrazola, Colares. Para grande surpresa dos meus colegas, uma boa parte das minhas aulas de português, para crianças e jovens adolescentes do ciclo preparatório era o estudo, seguido de canto em coro de canções de Zeca Afonso que ecoavam pelos corredores da Escola. Não me livrei de comentários, porque as pessoas não entendiam por que razão eu tomava esta liberdade. Não raro os alunos diziam no início de cada aula: “Então, stora, qual é a canção para hoje?” E deliciavam-se com a beleza e o sentido profundo das palavras, as melodias a que eram tão permeáveis.

No fim do ano escolar de 82-83, a escola Sarrazola de Colares organizou uma festa no espaço de uma antiga colónia de férias que pertencia então à Quimigal, perto de Almoçageme. Como os ouvidos de toda a gente já se tinham habituado às canções de Zeca Afonso, cantadas em coro pelos meus alunos, pensei que o melhor seria levar folhas para distribuir pelas cerca de quinhentas pessoas entre alunos, professores e funcionários da escola, para a nossa festa. Os meus alunos acharam que era uma excelente ideia. Então eles constituíram-se em vários núcleos espaçados no meio de todos os outros e distribuíram as folhas com as canções de Zeca Afonso, por colegas, professores e funcionários. Para grande alegria e surpresa nossa conseguimos – os meus alunos e eu – pôr toda a escola Sarrazola de Colares a cantar em coro canções de Zeca Afonso. Ele também recebeu esse documento que foi distribuído na festa e soube com muito agrado deste acontecimento que em princípio terá sido único, pelo menos até àquela data, em Portugal. Para mim foi uma experiência extraordinária pôr toda uma escola a cantar.

Estudei canto popular, canto litúrgico, canto gregoriano e canto lírico muito a fundo, ao longo da vida, lutei com muitas dificuldades, tudo à minha custa, com muitas vicissitudes para arranjar acompanhadores, mas nunca desisti, participei em concertos. Em França, os meus amigos gravaram muito do que eu cantava a solo.

O meu maior respeito pela presença única de José Afonso como cantor e autor levou-me a não lhe dizer que eu também cantava. Limitei-me a ouvir o que ele dizia já para o fim da sua vida, quando, para o seu último disco- Galinhas do Mato- convidou cantores e cantoras para cantarem algumas das canções que ele já não podia cantar. E ele dizia, a propósito de uma canção cantada por Helena Vieira: “Afinal escrevo canções que dão para todo o tipo de vozes, até de pessoas, como a Helena Vieira, que cultivam o canto lírico clássico”. Esse foi um dos discretos desafios, entre muitos outros que Zeca Afonso me deixou para sempre.

Espero que os meus dois projectos sobre José Afonso avancem e possam sair até finais deste ano de 2007 ou mais tarde, se for possível e se conseguir apoio financeiro, através de uma Associação que me ajude para este fim. Fica aqui o apelo.

Helena Santos C. Langrouva (14.02.2007).

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
17/02/2007By AJA

Um apanhado…

READ MORE
Elfried EngelmayerPoesia
17/02/2007By AJA

Claro e escuro, mas não a preto e branco

Toda a verdadeira obra de arte está sujeita à acção do tempo, que se encarrega de a lapidar até ela revelar o seu valor intemporal. Por isso, muitas vezes, quando um artista morre, entra numa espécie de limbo. Os que partilharam os problemas sociais e políticos a que ele deu expressão ficam ligados, também emocionalmente, a essa obra. Mas às gerações mais novas – e tendo em conta, como é óbvio, os vinte anos que já passaram sobre a morte do Zeca – falta essa vivência, essa referência. Paradoxalmente, para se descobrir e redescobrir o que a obra de José Afonso realmente significa para Portugal, ainda é preciso algum tempo e, sobretudo, trabalho. Um trabalho que o leve aos mais novos, às escolas, que ultrapasse de longe (mas sem o ignorar!) o conhecimento rudimentar de algumas das canções mais populares, que o valorize não só como músico genial, mas também como poeta e artista que, como poucos, se soube renovar ao longo das décadas e demonstrou uma sensibilidade sismográfica em relação aos problemas do seu tempo. Ou seja: um trabalho de memória que não o transforme numa múmia, um trabalho científico que não o aprisione em grelhas interpretativas, um trabalho pedagógico que não o torne numa chatice. Uma festa viva, plural, tumultuária.
Há quem diga que o Zeca foi um gigante. E, de facto, essa coincidência rara do criador musical com o poeta e intérprete já em si o torna numa figura de excepção. Mas os que o conheceram gostariam com certeza de lembrar mais um dos seus dons que atravessa todos os outros aspectos da sua vida. Falo da sua pureza humana (não confundir com ingenuidade). Ele soube não esconder a criança que existia em si, não rasurar medos, e por isso não criar muros entre si e os outros. Essa parece-me a fonte da sua sensibilidade e solidariedade, do seu sentido de justiça. E essa também é uma das razões por que a sua obra, depositária da sua dimensão humana, sobreviver quando já nenhum dos que conviveram com ele esteja vivo.
Ao olharmos de perto os textos líricos de José Afonso, há os que parecem simples, mas poucas vezes o são, (como exemplo mais conhecido, “Grândola, vila morena”) e cuja pretensa simplicidade vem do facto de serem facilmente cantáveis. Outros, herméticos, que, além de nos exigirem o conhecimento das circunstâncias em que nasceram, também do ponto de vista musical só dificilmente são assimiláveis, como por exemplo “Era um redondo vocábulo”. E ainda há os muitos outros, não musicados, quase desconhecidos, à espera de reconhecimento por parte de uma crítica literária preconceituosa para a qual a rotulagem de José Afonso como cantor político serve de motivo para o ignorar como poeta.
Alguns dos seus textos, inspirados em formas populares, de facto parecem simples. Mas será que a poesia popular alguma vez foi simples? Para prova em contrário basta a leitura atenta dos Cancioneiros. E basta também pegar num dos poemas do Zeca, de cariz mais popular, para percebermos a sua mestria formal e densidade poéticas. Cito, a título de exemplo, a “Canção de embalar” do LP Cantares do andarilho (1968):

Dorme meu menino a estrela d’alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber ser p’ra ti

Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvir s cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar

Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d’alva o seu fulgor

Perde a estrela d’alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme qu’inda a noite é uma menina
Deixa-a vir também adormecer

Essa densidade que acabei de referir deve-se ao uso, nas quatro estrofes com versos de nove sílabas, à chamada técnica de leixa-pren que retoma elementos do último verso de uma estrofe para os integrar e alargar no primeiro verso da estrofe seguinte. Assim nasce um tecido textual em que o fim do poema remete outra vez para o início. A voz do adulto tem a função de sossegar a criança, de a acompanhar na sua viagem para o sono, mas ao mesmo tempo as imagens poéticas ganham uma autonomia e grandeza que ultrapassam a compreensão do menino. A estrela d’alva, visível ao amanhecer, é o planeta Vénus, também denominada de estrela da tarde, visível ao cair da noite. É a ela que o cantor delega a protecção da criança e, por ela ainda não ter aparecido, a substitui. Mas essa substituição , ao nível do texto, é dupla. Outra estrela tomar o lugar da estrela d’alva na ausência dessa, porque a criança, para não se sentir abandonada na noite, necessita, se não da luz concreta e real, pelo menos da ideia da permanência. Por isso, a voz do cantor evoca as trovas e cantigas, pondo todo o universo nocturno ao serviço do menino e colocando-o numa espécie de redoma para que nada de mal lhe possa acontecer. Ao prometer a estrela para a manhã seguinte ele garante a restituição da ordem visível em que a criança se move.
A estrela d’alva é o elo entre a noite e a manhã, a maior estrela no céu na perspectiva humana, mas no fim do poema o cantor torna-a pequena, à dimensão da criança, para a integrar no seu mundo infantil, tal como procede com a noite, transformada em menina cansada.
A singular beleza desta “Canção de embalar” reside na sequência das suas imagens, em que o ponto de partida é o menino pequenino, para depois evocar o universo todo e, no final, reduzi-lo ao tamanho de uma criança: um acto de amor transformado em cantiga.
Num texto lírico não musicado, “Fui ontem ao Norte”, que deve ter sido escrito nos anos que precederam o 25 de Abril, ou seja, em proximidade temporal com a “Canção de embalar”, o tema da opressão política invade a linguagem poética e torna-a hermética.

Fui ontem ao Norte
era ainda cedo
guizos tremiam numa feira de gado
Caras extintas por dentro
Caíam das janelas
Perguntei se era ali
a batina do cacique
a mentira das reses
nos açougues
Ao longo da torreira
Cresciam as uvas
De súbito
fechei os olhos
Sons estridentes
rompiam as paredes
Duma casa em ruínas
A suástica luzia
num círculo
de sinais obscuros
Como a morte
Fez-se noite
Ergui o punho
À onda que passava

À primeira leitura, o poema parece “contar” um incidente numa aldeia algures no norte do país em que a irrupção dos sinais do fascismo contradiz uma aparente calma e pacatez. No entanto, deste o início do texto o tom é tudo menos idílico, porque não existe voz humana a acompanhar o tinir alegre dos guizos, e as “caras extintas por dentro” acusam uma ameaça não expressa. O único ser humano que fala é o elemento que vem de fora, o “eu lírico”, um intruso que ousa fazer perguntas acerca do cacique (de batina…) e do gado que vai ao engano para o açouge, uma provocação a que ninguém responde.
E é exactamente neste momento que o texto passa para um nível diferente. Porque, como é que se exprime, em palavra poética, o que não é expresso em palavras? Como se torna visível a indesmentível verdade da opressão? José Afonso opta por um paradoxo. Ao fechar os olhos, como se fosse no negativo de uma fotografia, o que estava oculto sobressai iluminado na sua mente. Sons estridentes sobrepõem-se aos guizos, e a suástica fala mais alto do que o silêncio das caras extintas. Esta imagem é tão forte que inverte as leis da natureza, porque, de repente, a morte ensombra a manhã transformando-a em noite. O punho erguido, sinal de resistência, surge no fim do poema como única resposta possível, não verbal, a uma realidade em que a palavra desapareceu, uma imagem tanto mais expressiva se considerarmos as muitas outras imagens de resistência na poesia de José Afonso. Nomeadamente nos textos musicados, ele invoca a própria cantiga ou a voz do cantor como portadoras de esperança e da vontade de continuar a luta. Mas neste poema, a lógica textual exclui a voz audível como contraponto ao silêncio opressor. A imagem fica: “No pasaran!”
Os dois poemas que escolhi – e que, recordo, terão sido escritos num arco temporal muito fechado – revelam uma fascinante contradição. O primeiro, ao anoitecer, é um texto luminoso. O segundo, à torreira do sol, é um texto ensombrado (não sei se não deveria antes dizer assombrado). Na sua dimensão poliédrica, está neles presente o cunho inconfundível do autor, o seu DNA. E só me resta esperar que as entidades que procuram identificar o genome literário sejam mais rápidas do que as suas congéneres na biologia – que se vão agora dedicar ao cavalo (animal que aliás muito prezo).


Elfriede Engelmayer
(Texto para o debate “José Afonso, a obra poética”, integrado na iniciativa “Com José Afonso, 20 anos de caminho”, organizada pela AJA-Norte (Núcleo da Associação José Afonso) e o Clube Literário do Porto. Porto, CLP, 16 de Fevereiro de 2007
)

READ MORE
Homenagens e tributos (música)Imprensa
16/02/2007By AJA

Um outro Zeca Afonso em Macau

“Um Redondo Vocábulo” é o título do espectáculo promovido pela Casa de Portugal em Macau que João Afonso e João Lucas irão protagonizar a 15 de Fevereiro e que percorrerá canções menos conhecidas de Zeca Afonso.

Com bilhetes entre os 10 e os 15 euros, o espectáculo decorrerá no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau e de acordo com a organização será um concerto “intimista” que contará com a voz de João Afonso (sobrinho do malogrado cantor) e com a música ao piano de João Lucas.”Viajando entre os temas oníricos da primeira fase musical de Zeca Afonso, com baladas como “Pombas Brancas” e outros de um surrealismo Afonsino marcado, de que são exemplo “Redondo Vocábulo”, “Papuça” e o inédito “Bombons Todos os Dias”, entre outros, o recital mergulha numa linguagem musical nova e intensa”, lê -se na nota explicativa do concerto.Escolhidas pessoalmente por João Afonso, as músicas do alinhamento do espectáculo percorrem cronologicamente “canções menos conhecidas e mais intimistas de José Afonso”.Além de Macau, os dois músicos seguem depois para a Tailândia onde repetem a actuação na Embaixada de Portugal na capital tailandesa numa iniciativa que conta com o apoio do Centro Cultural Português daquela cidade.As receitas do concerto em Macau revertem a favor do projecto de construção de uma escola em Timor-Leste, uma iniciativa da Casa de Portugal, que em 2006 se deslocou àquele país numa visita mista de turismo e apoio com a distribuição de bens aos jovens e crianças timorenses.
Notícia do “Ponto Final” portal do diário de Macau

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)Imprensa
16/02/2007By AJA

Clube Literário do Porto homenageia José Afonso

Clube Literário do Porto homenageia José Afonso no mês em que se assinala 20 anos sobre a sua morte
Estrela na constelação da utopia«20 Anos de Caminho» é o tema da homenagem organizada pela Associação José Afonso e que decorre até amanhã no Clube Literário do Porto. O serão de anteontem foi dedicado aos testemunhos de dois grandes amigos do cantautor, Alípio de Freitas e Benedicto Garcia Villar.

Goreti Teixeira
O dia foi dos namorados, mas a noite foi dedicada a lembrar aquele que ainda hoje é considerado um dos mentores da música de intervenção em Portugal: José Afonso. Este ano assinalam-se 20 anos sobre a sua morte e, um pouco por todo o País, as iniciativas sucedem-se para recordar não só o músico, mas o homem e militante político que utilizou a música como instrumento de luta em prol de um mundo melhor. Anteontem, o Clube Literário do Porto abriu as suas portas à homenagem «20 Anos de Caminho», organizada pela Associação José Afonso, que termina amanhã, com um debate em torno da música e para o qual foram convidados Francisco Fanhais e José Mário Branco. Em vez das rosas, os cravos vermelhos decoravam a sala. Em vez da música romântica ecoava a «Grandola, Vila Morena» através de uma gravação inédita que registou a primeira vez em que o tema foi cantado na Galiza. Sentados à mesma mesa estiveram Alípio de Freitas, presidente da associação, e Benedicto Garcia Villar, cantor galego, que durante anos acompanhou José Afonso. Ao longo de mais de uma hora, ambos falaram das suas vivências pessoais com o cantautor. Alípio de Freitas recusou-se a falar especificamente da obra, pois não se considera um estudioso “como aqueles que organizaram toda uma teoria sobre o Zeca e que jamais lhe teria passado pela cabeça, porque ele nunca planeou nada. Ia avançando de acordo com a sua percepção e, por isso, esteve sempre no lugar certo”, disse o orador que, aos 26 anos, parte para o Brasil, onde começou a sua grande experiência de vida. “Fui preso, torturado, exilado, lutei contra a ditadura na América Latina e só ouvi falar de Zeca Afonso quando, depois de ter enviado uma carta para Portugal, me apercebi que do outro lado estava alguém que se preocupava com a luta que estávamos a travar”, explica. Mas apesar da distância e do desconhecimento, Alípio de Freitas recorda que a primeira vez que o viu, em 1980, “abracei-o e achei que o tinha reencontrado e não que o estava a conhecer”. Um sentimento mútuo que perdurou até aos últimos dias de vida do músico, quando Alípio se tornou o seu repórter pessoal lendo-lhe todos os jornais e revistas, contando-lhe as intrigas políticas, “porque grande parte das pessoas que o visitavam pareciam que estavam num funeral”, constata. “Com ele – continua – aprendi imensas lições: a da solidariedade, a da amizade e do estar atento ao mundo que me rodeia e compreendi o sentido de todas as suas canções, porque nada nele foi casual”. Para este amigo, José Afonso, assim como Camilo Torres, Che Guevara, Adriano e outros nomes mais que “deram a vida pela utopia, por um mundo melhor” não estão em parte incerta, são “estrelas na constelação da utopia e, destas estrelas, os astrónomos não percebem nada”, assegura.
Benedicto Garcia VillarCompanheiro de ViagemJuntamente com José Afonso, Benedicto Garcia Villar andou, segundo Alípio de Freitas, “a incomodar aqueles que eram os senhores do poder e só não o fizeram mais porque não lhes foi permitido”. Um privilégio que o ex-cantor galego afirma “não se poder resumir em palavras”. Para complementar o seu testemunho pessoal trouxe um conjunto de documentos escritos e áudio e fotografias inéditas que são o registo dos muitos momentos vividos por ambos e que intitulou de «História de uma amizade incombustível». A primeira vez que ouviu José Afonso foi através do disco «Traz outro amigo também» e, juntamente, com um grupo de amigos partiu em direcção a Portugal para o conhecer.

Notícia da edição on-line do “Primeiro de Janeiro” 16 de Fevereiro de 2007

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
15/02/2007By AJA

José Afonso em Guimarães

HOMENAGEM A JOSÉ AFONSO
23 E 24 DE FEVEREIRO 2007
CENTRO CULTURAL VILA FLOR GUIMARÃES


PROGRAMA

Dia 20 CINEMA 22h00
Continuar a Viver (Os Índios da Meia Praia) de António da Cunha Telles com Fernando Romão, José Romão, José Veloso Pequeno auditório

Integrado na Homenagem a José Afonso, o Cineclube de Guimarães apresenta o filme de António da Cunha Telles, “Continuar a Viver” (Os Índios da Meia Praia) com música de José Afonso. Cunha Telles filmou a experiência levada a cabo após o 25 de Abril de 1974 na comunidade piscatória da Meia Praia, em Lagos. Entre 74 e 76 foi ensaiado um projecto que implicou a substituição das casas tradicionais por moradias de pedra e a tentativa de criação de uma cooperativa de pesca.

Dia 23 EXPOSIÇÃO
“O que faz falta”
MUNDO DA CANÇÃO
Grande auditório

Dia 23 TEATRO/CONCERTO 21h30
MENINO D’OIRO – Vida de José Afonso
Dramaturgia/Encenação de Gil Filipe
Grande auditório

Participação Teatral: TERB; G.T. Coelima; G.T. Campelos; G.T. Citânia Associação Juvenil
Participação Musical: Dino Freitas, Zecafusão – Let the Jam Roll, Ajaforça, Manuel Abreu, Carlos Cunha, Academia de Música Valentim Moreira de Sá, Luís Almeida, Amigos de Guimarães, Tun’obebes, Nicolinos

Dia 24 Concerto 15h30
Banda Militar do Porto
Pequeno Auditório

Dia 24 Teatro 16h30
“O Incorruptível”
de Hélder Costa com interpretação de Gil Filipe
Pequeno auditório

Dia 24 Debate 17h30
Vida e Obra de José Afonso
Alípio de Freitas, Mário Barradas, José Mário Branco, Hélder Costa, José António Gomes
Pequeno Auditório

Dia 24 Concerto 21h30
“Maio Maduro Maio” (José Mário Branco, Amélia Muge e João Afonso) e Ardentía
Poesia de Manuela de Freitas
Grande auditório

Durante o mês de Fevereiro
“Pão com sonho” – pavico
Sacos de pão com biografia e poemas de José Afonso

Organização
Círculo de Arte e Recreio
Associação José Afonso
Associação 25 de Abril
A Oficina

Apoios
Câmara Municipal de Guimarães
CICP – Centro Infantil e Cultural Popular
Convívio
Associação Académica da Universidade do Minho
Cineclube de Guimarães
Pavico
Academia de Música Valentim Moreira de Sá

Bilhetes à venda
Centro Cultural Vila Flor
http://www.aoficina.pt/

Preços
Sexta-feira 10 €
Sábado 15 €

Contactos
Telf. 253 424 700
Fax 253 424 710
E-mail geral@aoficina.pt

READ MORE
Homenagens e tributos (2007)
15/02/2007By AJA

Tributo a José Afonso no Bar Café do Mercado da Ribeira em Lisboa

READ MORE
1234
PESQUISA DE CATEGORIAS

CONSULTAR ARQUIVO

Newsletter

loader
Email*

Nome

Apelido

Centenário de José Afonso
AJA

O seu endereço de e-mail será usado apenas para enviar newsletters sobre as atividades da Associação José Afonso e/ou a iniciativa do Centenário de José Afonso. Pode sempre escolher deixar de receber estes e-mails clicando no link de unsubscribe na newsletter.

Copyright © 2021 Thepascal by WebGeniusLab. All Rights Reserved

BACK TO TOP