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Benedicto Garcia VillarTestemunhos

HAI VINTE ANOS QUE SE FOI 5/III/07

07/03/2007
Veño de ler na rede unha entrevista con António dos Santos e Silva, que acaba de escribir un libro, que se adviña imprescindible para o mundo “afonsino” e que se titula Zeca Afonso, antes do mito. Compañeiro en Coimbra cando os dous eran estudantes, achéganos aspectos pouco coñecidos do noso amigo, pero en todo coincidentes coa personalidade que tanto admiramos e queremos.

Fala así daquel home extraordinario como alguén fóra do mundo e adiantado ó seu tempo, perfectamente inútil para as cousas concretas. O Zeca era incapaz de fritir un ovo ou facer unha cama ou guiar un coche. Pero era un ser xeneroso en extremo e cun sentido do humor pouco ou nada habitual no seu país.

Agora, cando se cumpren vinte anos da súa desaparición física, chéganme as fotos, tremendas, feitas por un entón xovencísimo xornalista, Emanuel Valente, que dan fe do que foi a manifestación popular de dolor, cívica e laica, con ducias de milleiros de persoas ateigando as rúas de Setúbal, camiño do cemiterio.

Alí estabamos, aquel 24 de febreiro do 87, levando a pesada caixa, cuberta por unha simple bandeira vermella, por desexo expreso da familia, os seus amigos cantores. Turnámonos alí, naquela dolorosa encomenda, Sérgio Godinho, Zé Mário Branco, Quico Pi de la Serra, Xico Fanhais, Luis Cilia e máis eu, ademais doutros amigos, a quen abría paso Manolo Bello, galego-portugués de Lisboa. Diante, a Banda de Grândola tocando o seu himno, no medio dun profundo silencio.

A súa obra e a súa presenza seguen vivos vinte anos despois

Benedicto García Villar

No café Ceuta no Porto

07/03/2007

Especial José Afonso

10/03/2007

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