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  • 100 Anos de José Afonso
May 2006
Home 2006
Miguel Djéjé
07/05/2006By AJA

Miguel Djéjé



Carta a Miguel Djéje
 
Diga amigo Miguel
Como está você?
Em todo o Xipamanine
Já ninguém o vê
Vou dar-lhe a minha viola   
Para tocar outra vez

O seu valor um dia
Você mostrou
Todo o mainato o ouvia
E até dançou
Miguel só você sabia
Tocar como já tocou

Vinha maningue gente
Para aprender
Moda lá da sua terra
Bonita a valer
O Jaime e o Etekinse
Amigos não volt’haver

Quando a noite se ouvia
Miguel tocar
Também havia a marimba
Para acompanhar
A noite
Na Ponta Geia
Amigos hei-de recordar

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Unha rúa para Zeca Afonso
04/05/2006By AJA

Rua para Zeca Afonso

Podem assinar o “FORMULARIO DE ADHESIÓNS” em: http://www.ghastaspista.com/novas/ruazeca.php

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Unha rúa para Zeca Afonso
03/05/2006By AJA

RÚA PARA JOSÉ AFONSO

Xa que andamos de nomes de rúas, estamos preparando un sistema informático para recoller desde o blog do editor deste semanario-e con toda comodidade as adhesións. Mentres, aqueles que queiran xa poden envia-la súa a este enderezo: polaesquerda@yahoo.es indicando no “Asunto” RÚA PARA O ZECA, para que non fagamos confusión aquí. Dentro, co voso nome chega (se queredes, tamén DNI e profesión e lugar de domicilio)
Nada contradí, faltaba máis! as outras iniciativas que poida haber ou que desde aquí tamén saíron, como a de JOSÉ VILLAR GRANJEL ou outras que poida haber.
Esta é a carta (que xa asinaron Uxía Senlle, Suso de Toro, Xesús Alonso Montero, Manolo Rivas, Xoán Guitián ou Benedicto García, estes últimos responsables de recolle-los apoios e “mobilizar” a quen fagha falta…
Estivemos vendo algunha das prazas que hai na zona do antigo “Burgo” e posiblemente pensemos en propoñer unha daquelas prazas tan acolledoras. ¿Que tal cunha peza de Acisclo que foi un dos que enchían a sáa do Ateneo de Ourense cando o Zeca deu o seu primeiro recital en Galicia, o 9 de maio de 1972? A quenon estaba nada mal?
Aquí tendes o texto da carta (que queremos vaia encabezada por Emilio Pérez Touriño, como Presidente da Xunta e amigo de José Afonso e Vicente Álvarez Areces, como Presidente do Principado de Asturias e amigo de José Afonso)

D. Xosé A. Sánchez Bugallo


Alcalde de Santiago de Compostela

Sr. Alcalde:

O pasado día 23 de febreiro cumpríronse 19 anos da morte en Setubal (Portugal) do artista portugués José Afonso. Músico, poeta e cantor, José Afonso acadou en tódalas súas actividades artísticas un nivel de calidade que o levou a ser considerado como unha das máis imprortantes figuras da música popular mundial.
José Afonso foi ademais un home solidario, un loitador incansable pola liberdade e un exemplo de compromiso cos máis desfavorecidos, mantendo ó longo da súa vida unha traxectoria éticamente exemplar.
José Afonso foi ademais un gran amigo de Galicia. Viaxou ó noso país en numerosas ocasións cantando en diversas cidades, entre elas Santiago, mantendo contactos con intelectuais e artistas e exercendo unha importante influencia na música galega. A súa presencia xenerosa en intres de enorme dificultade para o noso país foi unha lección de solidariedade que non podemos nin debemos esquecer. 
Estes motivos abondarían para que José Afonso fora merecedor de respecto e admiración por parte de tódolos galegos. Pero José Afonso escolleu ademais a cidade de Santiago para interpretar por vez primeira en público con carácter de estrea mundial a súa canción “Grândola, vila morena”, no recital celebrado no Burgo das Nacións na tarde do 10 de maio de 1972. Esa canción converteríase, sen el sabelo nin pretendelo, dous anos máis tarde no sinal e símbolo da Revolución do 25 de abril, que derrubou á dictadura e devolveu a liberdade ó pobo portugués nun dos acontecementos máis fermosos da historia contemporánea.
A canción “Grándola, vila morena” e a figura de José Afonso representan pois os mellores anceios de liberdade, igualdade e fraternidade que aniñan nos corazóns de tódolos demócratas, sentimentos que temos a obriga de promover e defender.

Por estes motivos, considerando que a nosa cidade ten unha débeda de gratitude con José Afonso, dirixímonos a Vde. para solicitar que promova as accións necesarias a fin de que o Concello de Santiago adopte o acordo de dar o nome de José Afonso a unha rúa ou praza da cidade.

Os promotores e asinantes desta proposta queremos expresar ó Sr. Alcalde e ó Concello de Santiago a nosa vontade de colaborar nesta iniciativa na medida das nosas posibilidades, poñéndonos á total disposición das autoridades municipais.

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Bernardo SantarenoDiscografiaTestemunhos
03/05/2006By AJA

Bernardo Santareno sobre a música de José Afonso

Incluído originalmente no álbum “Traz outro amigo também” aqui fica o sempre actual texto de Bernardo Santareno.


A arte de José Afonso é um jorro de água clara, puríssima, portuguesa sem mácula. Realmente é a “pureza” a nota maIor desta arte: Pureza de voz, pureza no poema, pureza na música. Neste disco, um dos mais ricos quanto a valores poéticos, é ela que domina: Trova antiga purificada, folclore limpo de excrescências, balada de combate em que a justiça vai de bandeira. E o ouvinte fica tonificado, «limpo», cheio de graça, com mais vigor para a luta. No chiqueiro velho e saudosista, insignificativo e feio da música ligeira do nosso país, José Afonso surgiu como um renovador: De riso claro e leal, com punho duro de diamante, terno e gentil sem maneiramentos. Limpou crostas, desatou amarras, descolniu ramos verdes e ocultos, abriu janelas na parede bolorenta do fatalismo lusíada. E como esta arte pura e viril habitava já, nebulosamente, nos anseios da Juventude que tanto pechisbeque musical mórbido e paupérrimo a traz nauseada, José Afonso conseguiu rapidamente uma enorme audiência. Ele é hoje o mais autêntico trovador do povo português, nesta hora que todos vivemos. Ninguém melhor que ele transmite os seus desesperos e raivas, as suas aspirações de amor, de paz, de justiça, de verdade. Por isto, todos o amam. E o amor do povo, dos jovens, de todos aqueles que ainda não estão definitivamente contaminados, esclerosados, é, tenho a certeza a recompensa e a glória de José Afonso. Nem tudo está podre no reino da Dinamarca.

Bernardo Santareno

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Biografia
03/05/2006By AJA

O barco “Mouzinho”

“Não foi talvez, nem a minha infância em Portugal, nem a segunda fase em África; foi a fase intermédia que foi a mais marcante. (…). Foi a minha viagem no barco Mouzinho… Fui entregue (…) a um primo muito conhecido em Luanda que ia de lua de mel, (…) e que praticamente desapareceu…! E eu transformei um sujeito que conheci a bordo numa espécie de parente vitalício que foi um sacerdote a que eu chamava… o homem das barbas… Missionário de certeza! (…). O homem das barbas deve ter substituído integralmente as minhas tias… Esse homem era quase para mim um absoluto…”.

José Afonso

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Adriano Correia de Oliveira
03/05/2006By AJA

Adriano Correia de Oliveira: um grande cantor silenciado na rádio pública

Muita gente – eu incluído – se lamenta da qualidade da música que passa na rádio portuguesa e do facto de tanta e boa música que se faz (ou se fez) não chegar à luz do éter. São muitos os artistas de talento atingidos, mas no caso de Adriano Correia de Oliveira o silêncio dói ainda mais, justamente por se tratar de um dos nomes maiores da música portuguesa de sempre. Pessoalmente, não é pelo facto de a rádio não o passar que deixo de o ouvir sempre que me apetece porque felizmente tenho na minha discoteca uma caixa com a sua obra completa. Devo confessar que foi a rádio – mais concretamente a Antena 1 – que mo deu a ouvir pela primeira vez quando passou a “Trova do Vento que Passa” (salvo erro, no programa “Retratos”, de Ana Aranha). Nesses anos 90, já o grande cantor não pertencia ao número dos vivos, mas foi tal o fascínio que aquela voz cristalina e de uma beleza ímpar me causou que fui logo à procura de outras músicas suas. A primeira aquisição foi uma antologia a que se seguiu a referida caixa, editada pela Movieplay, com 7 CDs organizados tematicamente por José Niza (autor da música de alguns dos mais belos temas de Adriano e também da letra de “E Depois do Adeus” imortalizada por Paulo de Carvalho). Escusado será dizer que Adriano Correia de Oliveira se tornou um dos meus cantores de culto e, tal como eu que o descobri pela rádio há uma dúzia de anos, não duvido que aconteceria o mesmo com muitos jovens de agora se a rádio o passasse. A este propósito, gostei que Paulo de Carvalho, na última edição do “Viva a Música”, tivesse lamentado o ostracismo a que a rádio portuguesa tem votado o grande Adriano Correia de Oliveira dizendo muito propositadamente que, apesar de ele já não se encontrar entre nós, existe a obra – uma obra sublime, acrescento eu. Por tudo isto, solidarizo-me com a indignação manifestada por Paulo de Carvalho e apreciei a homenagem que fez a Adriano ao recuperar “Cantar de Emigração”, um dos seus temas emblemáticos.
A este propósito, impõe-se a pergunta: por que razão é que Adriano Correia de Oliveira não passa actualmente na Antena 1 e na Antena 3, ao contrário que acontece com António Variações que morreu, mais ou menos, na mesma altura? Não queria ser indelicado mas, quando se decide silenciar Adriano Correia de Oliveira na rádio pública, a razão de fundo só pode ser a ignorância e ou a falta de sensibilidade musical.
Em agradecimento a Adriano Correia de Oliveira por tantas e belas canções que nos deixou, fica aqui a letra da minha preferida:

Fala do Homem Nascido

Poema: António Gedeão
Música: José Niza

Venho da terra assombrada
do ventre de minha mãe
não pretendo roubar nada
nem fazer mal a ninguém

Só quero o que me é devido
por me trazerem aqui
que eu nem sequer fui ouvido
no acto de que nasci

Trago boca p’ra comer
e olhos p’ra desejar
tenho pressa de viver
que a vida é água a correr

Venho do fundo do tempo
não tenho tempo a perder
minha barca aparelhada
solta o pano rumo ao norte
meu desejo é passaporte
para a fronteira fechada

Não há ventos que não prestem
nem marés que não convenham
nem forças que me molestem
correntes que me detenham

Quero eu e a Natureza
que a Natureza sou eu
e as forças da Natureza
nunca ninguém as venceu

Com licença com licença
que a barca se fez ao mar
não há poder que me vença
mesmo morto hei-de passar
com licença com licença
com rumo à Estrela Polar

Álvaro José Ferreira

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Benedicto Garcia Villar
02/05/2006By AJA

O blog do Benedicto

Desde há algum tempo que temos estado em contacto com uma pessoa que conviveu muito de perto com o Zeca e tem partilhado connosco histórias desses tempos. Essa pessoa é o Benedicto Garcia Villar, que nos tem enviado boas novas da Galiza. O seu cantinho está em: http://www.blogoteca.com/chiscandounollo/, onde tem publicado bastantes coisas sobre o Zeca. Visitem-no, a porta está sempre aberta.

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Mário Viegas
30/04/2006By AJA

Proibido esquecer!

Nesta enxurrada de “artristes” disfarçados de “artistas”, agarremo-nos com toda a força ao Mário, ao Zeca, ao Sena, ao Giacometti e a todos aqueles cujos três “f” eram outros: força, fraternidade e futuro. A falta que vocês fazem!

Nas suas primeiras férias de Natal, após ter ingressado no Colégio Internato Pio XII, em Lisboa, e ter passado o primeiro semestre longe de casa, Mário Viegas anunciou aos pais: “Matriculei-me no Conservatório”. Em meados dos anos 60, num país em plena guerra colonial e governado por uma ditadura já bolorenta, uma declaração destas poderia parecer bombástica. Não foi o caso. António Mário Lopes Pereira Viegas, que na altura era ainda o António, filho varão de uma linhagem de farmacêuticos do lado paterno, não ouviu nenhuma reprimenda. O pai disse-lhe que esta era uma decisão dele. A mãe exclamou: “Eu ficaria admirada se não tivesses tomado esta decisão”.
O teatro era o caminho mais que natural para quem, no seu diário, aos treze anos de idade, escrevia que o seu sonho era ser actor. Naquela noite de Natal, António ainda ouviu da mãe: “Que faças o melhor”. As palavras revelaram-se quase proféticas. Raul Solnado – o único que poderia ocupar, na história do teatro português contemporâneo, o lugar do filho de Francisco e Mariana Viegas – sempre disse: “Ele é o melhor actor da nossa geração”.
Espírita por convicção, apesar da educação católica, Mário Viegas sempre acreditou nos desígnios da sua família. No seu livro auto-photo-biográfico, com apenas duzentos exemplares editados, conta a história da sua família, tanto do lado do pai como da mãe. Mário Viegas, que morreu há cinco anos, dizia ser a encarnação do seu trisavô paterno, o famoso actor Francisco Leoni, fundador do Teatro da Trindade.
Do lado da mãe, a história é mais comprida. O seu tio, António Cardoso Lopes Júnior, foi o fundador da famosa revista de banda desenhada “O Mosquito”, pioneira em Portugal. A sua mãe, Mariana, aos dezoito anos, foi convidada pelo irmão para dirigir o suplemento feminino da revista, denominado “A Formiga”. Assinava como Tia Nita e chegava a dar aconselhamento às muitas cartas de raparigas que chegavam à redacção. Pela sua tenra idade, nunca se deu a conhecer.
Com esta tradição de família e um ambiente propício, era natural que Mário Viegas já brincasse aos quatro anos de idade com os fantoches que a mãe lhe dera. Não era criança para brincar de carrinhos e passava os dias a ler, fechado no quarto e a ensaiar as vozes das personagens que imaginava. Inventou o Teatro ABC, criava as personagens e desenhava os cartazes das peças de escrevia, espalhando-os pela casa. Já aos dez anos de idade, não havia festa ou sarau em Santarém que não fosse convidado para apresentar o seu teatro, sempre auxiliado pela sua irmã mais velha, Hélia Viegas.
Nos seus 47 anos de vida, Mário Viegas fundou várias companhias de teatro – entre elas a “sua” Companhia do Chiado -, contracenou com Maria do Céu Guerra, fez inúmeras sessões públicas com Zeca Afonso e outros cantores de resistência, trabalhou com Carlos Avilez e encenou peças de vários autores, com especial ênfase para a obra de Samuel Beckett. No cinema, encarnou “Kilas, o Mau da Fita” (um dos filmes portugueses mais vistos de sempre), trabalhou com Manoel de Oliveira e contracenou com Marcelo Mastroianni e Victoria Abril. Na televisão, atingiu grande popularidade com o programa “Palavras Ditas, entre 1978 e 1982. Ao longo da sua vida, gravou catorze discos de poesia, onde declamou mais de 200 versos de Almada Negreiros, Alexandre O’Neill, Pablo Neruda, Ruy Belo, entre muitos outros.
Nos seus últimos anos de vida, Mário Viegas não parou de surpreender. Autor de seus próprios textos, concebeu “Europa, Não! Portugal Nunca!!”, um espectáculo em forma de conferência de imprensa onde personifica um pseudocandidato à Presidência da República. Levou tão a sério a sua preocupação com o estado geral do País, que participou nas eleições legislativas de 1995 como candidato independente pela UDP. Um ano antes, era galardoado por Mário Soares, então Presidente da República, com a Ordem do Infante D. Henrique.
Dois meses antes da sua morte, a 1 de Abril de 1996, Mário Viegas entregou o seu espólio pessoal a sua sobrinha, com quem viveu os seus três últimos anos de vida. Ana Viegas é a filha que o actor não teve, nas palavras de sua mãe. Pressentindo o fim da sua vida, ensinou à sobrinha o que fazer com o material que acumulou, deixando instruções por escrito. Nos quadros que tanto gostava, escreveu por detrás: “Este quadro custou tanto, se um dia venderem, não se deixem morder”, conta a mãe Mariana. Mesmo vivendo em Lisboa, Mário Viegas vinha sempre aos fins-de-semana à casa de família, pois “tinha saudades do seu quarto de garoto”.

“Nascemos e durante a vida estamos à espera de uma coisa que nunca chegará, que chega pouco… A vida sempre foi assim.”

Mário Viegas

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EscolasHomenagens e tributos (música)José Jorge LetriaManuel FreireVitorino
30/04/2006By AJA

Abril, Abrilzinho


Amanhã, dia 1 de Maio, com o Jornal PÚBLICO.
“Abril, Abrilzinho” é um livro com textos de Alice Vieira e do Coronel Vsco Lourenço. O disco conta com Manuel Freire, Vitorino e José Jorge Letria que cantam Abril aos mais novos.

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Benedicto Garcia VillarGalizaHomenagens e tributos (2006)Imprensa
29/04/2006By AJA

Notícia de “A Coruña Digital” sobre a homenagem feita a José Afonso

Benedicto e Miro Casabella, pertencentes ao movemento da nova canción galega, reúnense na Coruña para honrar a Jose Afonso.

A. R..A Coruña

“Durante os últimos vinte anos, ninguén cantou á palabra en Galicia”. É Miro Casabella, músico das Voces Ceibes que crearon en galego pola Galicia perseguida. Alto e sereno, aperta ao que fora un dos seus compañeiros no movemento musical da última década do franquismo, Benedicto, pequeno e de fala rápida.

Non é doado velos xuntos. Onte reuníronse na Coruña nunha homenaxe que o colectivo Urbano Lugrís rendeu á voz da Revolución dos Caraveis, Jose Afonso, na que tamén participaron, e cantaron, os fundadores de Fuxan os Ventos e actualmente integrantes de A Quenlla, Mini e Mero.

Recordan xuntos con paixón. Recordan as moitas veces que encheron o Pavillón de Deportes de A Coruña e como Jose Afonso reuniu auténticas masas entregadas na cidade herculina. E recordan a súa contribución a remover unha sociedade na que cantar canción social era perigoso.

Ambos foron amigos do cantante luso e Bendicto traballou con el na música durante dous anos. “Era un xenio, tremendamente nervioso, pero capaz de converter ese carácter nun acto de xenialidade creativa”, explica Benedicto, agora profesor en Ames. “Se fose inglés ou americano, nin Bob Dylan”, engade.

“Era unha voz crítica permanente e sempre pasaba lista”, lembra Benedicto. “E foi quen de, sen saírse das raíces, innovar; gozaba coa cultura popular”.

Miro Casabella e Benedicto explican ademais o amor que sentía o autor de Grandola, vila morena por Galicia. “Sempre dicía este era o lugar onde mellor lle entenderan”.

Casabella defende a vixencia de voces como a de Jose Afonso ou de movementos como Voces Ceibes. “É máis necesario ca nunca”, di.

“Houbo un tempo de sequía dende os oitenta ata agora”, afirma crendo que os tempos mudan. “Ningúen cantou palabra en Galicia, non estaba premiado dicir cousas”, considera o músico.

Ambos gustan da música que se fai agora en Galicia, dende o rap a o folk e admiran a todos os grupos que son quen de levar a cultura galega por todo o mundo, como Luar na lubre, Berrogüetto, Susana Seivane, Xosé Manuel Budiño ou Carlos Núñez.

Pero din que hai que facer máis. “Deixouse de axudar a xente que compón, toca ou canta”, lamenta Miro Casabella.

“Axudan ao audiviosual, axudan aos que practican balompé e crean a Selección Galega de fútbol, pero non aos músicos”, explica Casabella.

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GalizaHomenagens e tributos (2006)
29/04/2006By AJA

Aconteceu na Galiza…



No passado dia 25, na Fundación Caixa Galicia na Coruña, o Colectivo Urbano Lugrís rendeu uma homenagem a José Afonso e lembrou o 25 de Abril. Aqui fica o texto de apresentação desse evento. Embora nunca seja tarde para dar a conhecer estes eventos, pedimos desculpas pelas nossa distracção que nos impediu de publicitar este acontecimento a tempo e horas.

O 25 de Abril do ano 1974 mudou o panorama político e social de Portugal. Producíuse unha revolución liderada por capitáns do exercito que foi coñecida no mundo enteiro pola “Revolución dos caraveis”. Revolución apoiada polo pobo e que puso fin a 50 anos de dictadura. Deu paso non somentes á democracia, senón tamén á descolonización de Angola, Mozambique, Cabo Verde, Guinea Bissau, S. Tomé e Príncipe e Timor.

Ún dos protagonistas fundamentais neste proceso foron os cantautores e, particularmente, a voz e o compromiso de José Afonso.

Por elo o Colectivo Urbano Lugrís quere rendir homenaxe a José Afonso e lembrar os acontecementos do ano 74. A influencia que o cantautor tivo co movemento da canción galega e os seus integrantes.

E que millor que os proprios protagonistas para profundizar no tema. Contaremos coa presencia de dous dos fundadores e amigos de Jose Afonso, como foron Benedicto e Miro Casabella. Tamén estarán con nós os fundadores do grupo Fuxan os Ventos, actualmente integrantes do grupo A Quenlla; Mini e Mero.

Cada un deles contribuiu á toma de conciencia da nosa sociedade nuns momentos que cantar canción social era perigoso pola dictadura franquista. O seu compromiso servíu para que amplas capas sociais tomaran conciencia da represión imperante naqueles momentos e polo tanto convertéronse en “Voces Ceibes” que o pobo precisaba para seguir loitando contra as inxustizas.

Para saber mais sobre o Colectivo Urbano Lugris
http://www.colectivourbanolugris.org/

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AJA NorteHomenagens e tributos (2006)
28/04/2006By AJA

As fotos de Matosinhos: O debate e o concerto





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AJAforça
28/04/2006By AJA

Actuação do quinteto AJAforça nas Comemorações do 25 de Abril em Guimarães

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Coro Zeca Afonso das voces vulgares
27/04/2006By AJA

Coro Zeca Afonso das voces vulgares

Cantando e aprendendo temas do Zeca Afonso, de outros cantautores, música popular e temas escritos polo coro.
Somos poucos e non cantamos ben, e dicir, non somos en absoluto un coro profesional, nin tampoco é un obxetivo. Cantamos nun Café, quen quere pode vir a cantar ou a escoitar, as veces tamen a comer e beber.
O lugar de encontro é o CAFÉ UF en Vigo, Galiza.
Algúns dos temas do coro na paxina WEB:
http://www.nodo50.org/utopiaforo/LETRAS%20CORO.htm
PORQUE NO PEITO DOS DESAFINADOS TAMÉN LATE UN CORAZÓN

A canción ten dous elementos, a estética, máis coñecida, e outra máis 

difícil, a ética. Se xuntamos ética e estética temos un bonito monstruo que 
acompaña as luitas dos pobos.

Francisco Villa

As cancións vannos tranformando , incluso nos van metendo en líos. Un abre 

un xornal, escribe algo indignado e logo remata o frente dunha 
manifestación. A canción é unha grande escola a que todos nos debemos.

Sivio Rodríguez

Sempre se cantou, sen saber música, sen saber que existía a música, o pobo cantou. Nas segas e nas desfoliadas, nas labranzas e nas muiñeiras, mentres pescaba e mentres recolectaba, cando construia unha casa ou abría un camiño, cando nos asteleiros contruía barcos, ou cando nas cidades levantaba edificios. Cando amaba e cando luitaba, cando sufría e cando lecía, o pobo cantou. Sen saber o que é un compás, sen saber o que é a armonía, él cantou acompasado e ármonico, porque aquel son era a vida e esta sempre ten unha armonía aínda que sexa oculta. Viviu e morreu cunha canción nos beizos. Afinada ou desafinada esa canción conmoveu os corazóns. Cantoulle aos seus deuses e aos seus amores. Cantoulle aos seres queridos e aos seu dores. Cantoulle as súas patrias e aos soños que esas patrias resume. Camiño do cadalso, cantou. Camiño da liberdade, cantou. Nas cadeas e nas tabernas, nos templos e nos prostíbulos, nos túmulos e nos tálamos, sempre cantou. Os reis e príncipes, os señores, os aristócratas, os burgueses, as xerarquías eclesiásticas, buscaron profesionais para que lles cantaran. Fixeron o que sempre fan os poderosos: mercar en vez de crear, pagar en vez de sentir, comerciar en vez de cantar. Dende Homero até Dylan en vez de entonar prefiriron mercar gaiolas con canarios dentro. Pero o pobo seguiu a cantar, a viver e a cantar, a beber e a cantar, sempre a cantar. Despois os mercaderes de todo cadricularon o tempo e o espazo todo foi diñeiro e o cantar tamén foi codificado, regulamentado, mercantilizado. O cantar quedou relegado aos profesionais e aos aspirantes a selo, aos escenarios. O pobo que cantaba foi convertido no pobo que escoitaba, o pobo que creaba cancións foi convertido no pobo que mercaba cancións, o pobo que se unía para cantar, foi convertido en masa de solitarios para encher concertos.

Voltar a ser humanos, aínda que sexa nun cativo símbolico número. Voltar a ser humanos que cantan, uns máis afinados outros menos, como sempre se fixo. 
Voltar a cantar todos, xuntos, muitos. Porlle música à vida, a todo o que na vida pasa, como sempre se fixo. E Botar ao mar a todos os profesionais, a todos os que nos calaron para que os escoitemos a eles e os enriquezamos, a todos os que comercian con cualidades que a vida puxo neles e que precisan do noso embrutecemento para brilar máis. A os que usurparon o noso espazo, a nosa voz, para pecharse en estudos de grabación e lanzar productos que nós temos que mercar para que eles poidan contruir as súas mansións. À merda cos profesionais, cos artistas autonombrados, cos creadores de fume. Que nos deixen desafinar en paz e amizade, que vale mil veces máis unhas cancións malamente cantadas en boa compaña que todo ese río de fecales CDs no que tentan afogar.

CORO ZECA AFONSO DAS VOCES VULGARES

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Associação José Afonso
27/04/2006By AJA

A AJA e a Escola Superior de Educação de Setúbal

Hoje, dia 27 de Abril, a Escola Superior de Educação de Setúbal (ESE) assina protocolo com a Associação José Afonso (AJA) no Anfiteatro desta Escola às 14h, inserido nas comemorações do 25 de Abril.

Estão agendados outros EVENTOS:

Músicas de Zeca Afonso no Átrio, toda a manhã com Rui de Sá Sequeira que interpretará José Afonso, no Átrio, às 14.30h (Músico Convidado: Nuno Rafael Silva)

“Testemunhos de Abril – O Período Revolucionário em Setúbal” no Anfiteatro,
às 15:30h

Convidados:
Carlos Beato – militar de Abril, integrou a coluna de Salgueiro Maia que marchou sobre Lisboa, actual presidente da Câmara Municipal de Grândola, eleito pelo PS
Henrique Guerreiro – operário envolvido nos movimentos sindicais e de contestação, actual membro da Assembleia Municipal de Sesimbra, eleito pelo BE Regina Marques – exilada no estrangeiro, dedicou-se à actividade política autárquica mal regressou ao país, actual docente da ESE

Ricardo Motas – na altura soldado do Serviço Militar Obrigatório, conheceu bem o PREC por dentro, actual membro da Assembleia de Freguesia de S. Sebastião,eleito pela CDU.

Moderador: Pedro Brinca – docente na ESE, jornalista e autor dos livros: “Memórias da Revolução no distrito de Setúbal – 25 anos depois”, volumes I e II.
Na ocasião estarão disponíveis para consulta alguns exemplares do livro.

A entrada é livre

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Andrés Stagnaro
26/04/2006By AJA

José Afonso no Uruguai | Sala Zitarrosa | Montevideo

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Homenagens e tributos (2006)
22/04/2006By AJA

José Afonso em Alcácer do Sal

O concelho de Alcácer do Sal abraça a liberdade, este ano pela 32ª vez.
As comemorações iniciaram-se no fim de Março e prolongam-se até ao próximo dia 1 de Maio. Nas festividades estão incluídos vários eventos (de acordo com o programa em anexo), tanto desportivos como culturais, organizados pela câmara municipal, juntas de freguesias e movimento associativo, com o objectivo comum de gerar um convívio salutar entre todos.
O ponto alto é o espectáculo comemorativo dos 32 anos do 25 de Abril, a ter lugar no dia 24, na Praça Pedro Nunes, que engloba “Poesia e Música de José Afonso”, assim como, pela meia-noite, um espectáculo piromusical no rio, que será certamente inesquecível. Os Terrakota encerram a noite em tom de festa, com os seus ritmos quentes.

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Associação José Afonso
22/04/2006By AJA

Quem tem medo do 25 de Abril?

Comunicado

Quem tem medo do 25 de Abril?
Pela 3.ª vez consecutiva um grupo de Associações decidiu comemorar Abril, num Arraial Popular, no mítico largo do Carmo.
Quando se esperava obter a colaboração da Junta de Freguesia do Sacramento, na continuação dos anos anteriores, eis que a barreira se ergueu, a uma semana do evento, afirmando o senhor presidente que estava fora de questão prosseguir com tal apoio, a pretexto de uma Associação participante, em 2005, ter elaborado um cartaz com frases com as quais estaria em desacordo (trata-se de um diferendo entre uma Associação teatral inquilina e o proprietário, o Patriarcado de Lisboa).
Utilizar uma argumentação desta natureza leva-nos a concluir que o que está em causa é uma tentativa de impedir que, em clima de Festa, se comemore o reassumir da liberdade que o 25 de Abril restituiu.
Mesmo com os obstáculos criados, as Associações que aprenderam a preservar a liberdade, a exercer a sua cidadania e a vivenciar a democracia estão determinadas a festejar o 25 de Abril e prosseguir na realização desta Festa com os seus escassos meios, não permitindo que se fechem as “portas que Abril abriu”.
As associações participantes:
Abril – Associação para a Democracia e o Desenvolvimento;
Associação Solidariedade Imigrante;
Associação Unidos de Cabo Verde;
Associação de mulheres contra a violência (AMCV );
Associação da Comunidade de S. Tomé e Príncipe;
Associação Povos Unidos;
Conselho Português para os Refugiados( RefugiActo);
Associação Espaço Rui de Noronha;
Brigadas Internacionais da Paz ;
Associação Moçambique Sempre;
Espaço Espírito Nativo;
Aldeia da música;
Tribunal Iraque Audiência Portuguesa;
Edições Dinossauro;
Movimento de Solidariedade Rural;
Casa do Brasil de Lisboa;
UMAR;
S.O.S. Racismo ;
Associação Luso – Senegalesa ;
Aldraba – Associação do Espaço e Património Popular;
Colectivo Múmia Abu-Jamal ;
Associação de Solidariedade com a Galiza;
Associação Cultural “Palco Oriental”;
“Não apaguem a memória”;
Coordenação portuguesa da Marcha Mundial das Mulheres(MMM);
Associação José Afonso

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Homenagens e tributos (2006)
22/04/2006By AJA

José Afonso em Joane – Famalicão


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AJAforça
21/04/2006By AJA

AJAforça

Porque era Inverno vieram pela noite calada.
Entraram, sentaram-se e disseram: “contem comigo” !
O Zeca motivava-os e a AJANORTE estava ali.
As andanças deram muitas voltas. Bares, as “casas da malta”, a rua!
A Ana, a Gabi, a Inês , o Manel Sampaio e o Zé Luis “juntaram os trapinhos”, as guitarras e outros instrumentos e formaram, por sua iniciativa, o “AJAforça”.

Vão cantar o Zeca:

Dia 22 de Abril, no “Trovador do Cano” em Guimarães.
Dia 24 à noite na Praça D. João I, Porto, integrados nas Comemorações Populares do “25 de Abril”.
Dia 25 à noite no Salão Nobre da Câmara Municipal de Matosinhos.
Dia 29, à noite, em Joane – Famalicão , na “Associação- Teatro Construção”.

Estão vivos e recomendam-se!

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Homenagens e tributos (2006)Imprensa
14/04/2006By AJA

Zeca no Luxemburgo

José Afonso recordado no Luxemburgo. Diário das Beiras do dia 12 deste mês. Informação retirada do blog de Octávio Sérgio “guitarradecoimbra.blogspot.com”

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Canção de Coimbra
12/04/2006By AJA

Colecção “Um século de fado” – Ediclube

Estes dois volumes fazem parte de uma colecção mais alargada dedicada ao fado. Nesta colecção, foram dedicados ao fado de Coimbra estes dois volumes em conjunto com 7 CD’s, tendo cabido a José Niza a sua coordenação.

As referências a José Afonso podem ser encontradas no final do primeiro volume, o qual termina com estórias de estudantes onde se podem encontrar algumas peripécias vividas por estes. José Afonso aparece nas histórias “Contrabando de ouro”, “Contraplacado furado”, “O senhor comendador e a sua generosidade”, ” De como os sapatos do Zeca Afonso dobraram o Bojador” e fora dos tempos de estudante ” Coro dos tribunais, chouriço e vinho”.

No segundo volume, dedicado a biografias de cantores e guitarristas desde o século XIX, a biografia de José Afonso encontra-se nas páginas 174 a 188.

Para mais informações sobre esta colecção podem contactar a “Casa do fado e guitarra portuguesa”.

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Michel Giacometti
12/04/2006By AJA

Michel Giacometti

Capa do livro “Michel Giacometti – caminho para um museu”. Este livro foi lançado em 2004, aquando da exposição organizada pela Câmara Municipal de Cascais. Para além da abordagem da vida e obra do etnomusicólogo, esta obra contém uma mostra da colecção instrumental apresentada nessa exposição, entre outras informações valiosas sobre o legado de Michel Giacometti. O acervo de Michel Giacometti pode ser visto na Casa Verdade de Faria no Monte Estoril. Para mais informações contactem a Câmara de Cascais.

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BibliografiaViriato Teles
12/04/2006By AJA

O humor na Música popular portuguesa

Obra de Viriato Teles, onde se incluem os temas de José Afonso: “Gastão era perfeito”, “Nefretite não tinha papeira”, “O homem da gaita”, “Os meninos nazis”, “Viva o poder popular”.
Esta obra pode ser consultada na AJA e, à semelhança d’ “A música popular na obra de José Afonso” de Mário Correia, fazem parte da colecção “Cadernos de música popular portuguesa” da Câmara Municipal da Amadora.

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BibliografiaMário Correia
12/04/2006By AJA

A música tradicional na obra de José Afonso

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Alexandre FiúzaCensura
11/04/2006By AJA

Censura en España, Brasil y Portugal

Censura en España, Brasil y Portugal: esa cámara de torturar palabras y sonidos durante las dictaduras en las décadas de 1960 y 1970

Alexandre Felipe Fiuza | alefiuza@terra.com.br

O autor deste texto já esteve na AJA e deixou algumas palavras no livro de visitas.

Tive o privilégio de poder consultar este belo arquivo da AJA em 2004. Vida longa à esta empreitada sempre tão difícil que é a preservação da memória. Estou à espera da defesa de minha tese de doutorado, que será dia 26 de abril (quase conseguimos marcá-la para od ia anterior…), em que comparo a censura e a repressão aos músicos no Brasil e em Portugal. Dediquei-a ao Zeca Afonso, afinal ele foi o maior incentivador da paixão que nutro pela música e pela história portuguesa. Parabéns pelo site e sorte sempre. 

Alexandre Fiuza – Paraná/ Brasil

Obrigado ao Benedicto pela indicação deste link.

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Adriano Correia de Oliveira
10/04/2006By AJA

Adriano

Passaram-se ontem 64 anos sobre o nascimento de Adriano Correia de Oliveira.
Inexplicavamente esquecido, alguém tem que pegar na sua figura e trabalho e começar um trabalho de divulgação.
Abraço onde quer que estejas, Adriano.

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Exposições
05/04/2006By AJA

“Os rostos de José Afonso” em Peniche

Durante este mês o Espaço Cultural da Câmara Municipal de Peniche está a celebrar a liberdade. A galeria tem patente uma exposição produzida pela autarquia a partir de uma fotobiografia de José Afonso.
A mostra “Os rostos de José Afonso” pode ser vista até 29 de Abril.
De acordo com a autarquia Zeca Afonso é a primeira figura a relembrar num ciclo de figuras que marcaram os tempos finais da ditadura e pós-revolução na área artística em Portugal.

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No verso dos versos
30/03/2006By AJA

Notas de José Afonso sobre algumas músicas

Estas notas, incluídas nas diversas edições do livro “Cantares”, forma há pouco introduzidas na discografia no site da AJA. Aqui ficam mais uma vez.

BALADA DO OUTONO – Mais propriamente Balada do rio. Dominada ainda pelo velho espírito coimbrão, é o produto de um estado perpétuo de enamoramento ou como tal vivido, uma espécie de revivescência tardia da juventude. O trovador julga-se imprescindível, como um protagonista que a si próprio se interpela para convocar a presença das águas dos ribeiros e dos rios, testemunhas vivas do seu solitário cantar. A imagem do “Basófias” (Nome por que é conhecido o Mondego na gíria coimbrã), que incha e desincha quando lhe apetece, deve ter influído na gestação da “partitura”. Uma certa disposição fisiológica propensa à melancolia explica o começo das dores sem falar na albumina anunciadora de futuras e promissoras “partenogéneses”.

PASTOR DE BENSAFRIM – Letra e música de José Afonso, sendo a letra vagamente inspirada nas éclogas de Bernardim – desde crianças que mostramos uma propensão natural para as rimas em imo Num desses retornos à fase pré-Iógica das origens, o autor destas linhas travou conhecimento com um pastor que lhe narrou as suas mágoas. Um pouco a martelo, o assundo da conhecida écloga de Bemardim apareceu metamorfoseado num drama pastoril cujo nome “Bensafrim” os montes e as ervinhas repetem até aos mais humildes recantos da serra algarvia.

MENINO DO BAIRRO NEGRO – Estilização decente de um refrão indecente recolhido numa parede cheia de sinais cabalísticos, desses que conservam para a posteridade as mais expressivas jóias dos géneros líricos nacionais. A negritude de que fala o poema existe nos estômagos diagnosticados por Josué de Castro no seu livro “Geopolítica da Fome”. Os meninos de ouro que habitavam os céus antes do Dilúvio descem à Terra e são condenados pelo tribunal de menores a viverem em habitações palafitas até ao dia do Juízo Final representado por uma bola de cartão que desce, desce até tocar nas montanhas.

MINHA MÃE – Letra e música de José Afonso. A uma mãe não canonizada por nenhuma data oficial nem institucionalizada por nenhuma nota oficiosa.

TRAZ OUTRO AMIGO TAMBÉM – Qualquer semelhança entre a epígrafe sintetisadora da Amizade e “Uma Casa Portuguesa Com Certeza” é com certeza pura coincidência. O autor nunca se colocou, por falta de méritos próprios, no plano polemístico da hospitalidade lusitana, o que não o impede de abrir a porta a quem quer que venha por bem, excluídos, até prova em contrário, os amigos das bibliotecas alheias.

LES BALADINS – O período lourenço-marquino, canto do cisne de uma série iniciada na “Companhia Nacional de Navegação” conheceu o aparecimento de “Les Baladins”, eventualmente roubado ao título de um poema de Appolinaire para figurar no que foi depois um arremedo de “valsa musette” repenicada e saltitante.

CORO DA PRIMAVERA – Consultem-se os comentários ao “Canto Jovem” do qual o “Coro da Primavera” é a introdução coral e orquestral. A composição da letra resistiu a todas as tentativas de lubrificação. O rufar dos tímbales e dos tambores intervém gradualmente como simples apoio no início, contagiante e poderoso no final.

PERSPECTIVE – Melodia interrompida em Pombal pela chegada de um DKW descapotável à estação de serviço da “Shell”. O resto dos preparos e dos alinhavos continuou a viagem até Lisboa em dois carros pesados do mesmo modelo.

CANÇÃO DO MAR – O tema evocado no cenário um tanto simplista do casinodaFigueiradaFoz vive de uma valorização puramente sonora que lhe é dada pelo acompanhamento e pela repetição cadenciada da palavra mar. A dificuldade consistiu em fazêla passar ao plano abstracto como elemento omnipresente no espírito do cantor fora do ambiente convencional para que foi criada.

CANÇÃO – Letra de Luís de Camões (modificada). Música de José Afonso. A leitura cadenciada do início da “Canção IV” susicitou a presumível adaptação musical requerida pela primeira estrofe, mas de impossível aplicação que garantissem um mínimo de unidade e sequência.

BALADA ALEIXO – Homenagem a António Aleixo, poeta cauteleiro, natural de Loulé.

LAGO DO BREU – Balada de inspiração Brassens, define simultâneamente um estado de espírito e uma autobiografia, uma crise de consciência (destruição do sentimento de remorso) e um meio social (os prostíbulos do “Terreiro da Erva” ou os seus sucedâneos mais ou menos bem iluminados).

TENHO BARCOS, TENHO REMOS – O barco aludido pertencia a uma pequena sociedade constituída por Manuel Pité, António Barahona, António Bronze & José Afonso. Situações vividas pelos quatro, em comunidade perfeita com o mar algarvio, agruparam-se numa espécie de ciclo fraterno representativo de uma das fases mais felizes da vida do autor.

SENHOR POETA – Complemento noctívago de “Tenho barcos…” Os dois versos Soltam-se as velas / Vamos largar foram intercalados na estrofe com o consentimento de Barahona a fim de ajustarem o conjunto às necessidades da composição musical.

ALTOS CASTELOS – Para ser executada à viola por Rui Pato, obedecia mais às exigências duma instrumentação de tipo clássico ao gosto dos tocadores de alaúde do século XVI. Limitei-me depois a reajustar uma letra, ou melhor, um conjunto de sons que não ultrapassasse na divisão silábica a divisão musical. A ingenuidade de certas canções de roda e a gratuidade de alguns poemas surrealistas (lembrei-me duma canção de António Barahona) indicaram-me o sentido do conjunto apropriado ao canto.

POMBAS – Pretendia-se que a melopeia, feita de reiterações e alongamentos em que a voz mantém as sílabas finais até se extinguir lentamente, correspondesse a um fundo independente do contexto literário e vice-versa. O poema, a melodia e o acompanhamento separam-se e reúnem-se de novo, repelidos por uma espécie de movimento ascencional sem princípio nem fim. A voz eleva-se e tenta fixar por meio de modulações adequadas o voo dos pássaros que se perde na distância.

CANÇÃO VAI-E-VEM -O belo poema de Paulo Armando pareceume, como na realidade foi, inutilmente sacrificado aos compassos de uma valsa monótona e fria. Para finalizar exigia-se uma conclusão airosa; o estribilho, meio anedótico, foi colhido num livro de cancioneiro algarvio pertencente à biblioteca da Capitania de faro. O verso Bonecas, primores, da minha lavra, substituiu o original Bonecos de palha. O resultado, um pouco cabotino, impôs-se pela necessidade de sujeitar a letra ao primado da música.

TECTO DO MENDIGO – Letra concebida em estado de penúria física e mental. O franciscanismo aparece no texto musicado como uma doutrina de compensação sem qualquer relação directa com a camisa lavada do autor.

BALADA DO SINO – Resultou duma acompanhamento à viola para outra canção inacabada. A letra e a melodia retomam o gosto antigo ainda não de todo extinto das barcarolas infantis que falavam de barcos e barqueiros. Numa praceta do Alto Maé, à hora da sesta, as crianças brincavam: Que linda barquinha / Que lá vem, lá vem…

CANTAR ALENTEJANO – A mulher a quem é dedicada esta tentativa de A B C é uma heroína popular bem conhecida no Alentejo onde há anos se deu o facto a que o autor faz discreta mas comovida referência. Numa versão primitiva o tenente dirigese à ceifeira e diz-lhe: Quando eu te furar a pança / Muda a dança / P’ra vocês. Para além do episódio, Catarina vive na memória dos homens e da própria terra que a viu nascer e morrer. Os versos foram modificados por carência de elementos biográficos mas as ceifeiras continuam a pôr flores na campa de Catarina.

SANTA MARIA A SEM-PAR – Este nome um tanto anacrónico é o título de uma pequena toada dedicada a Zélia e depois adaptada a um texto comercializado para ser proposto a um concurso. Os elementos figurativos, excluindo o conhecido símbolo da chaminé algarvia, foram introduzidos na canção a título coercitivo, de acordo com as normas determinadas pelo júri, que a eliminou na primeira volta.

MARIA – O conhecimento da Zélia, num lugar do Algarve, reconciliou-me com a água fresca e com os tons maiores. Passei a fazer canções maiores.

CAVALEIRO E O ANJO – Nasceu a bordo do “Angola”, num estado de espírito que excluía qualquer veleidade criadora. O personagem aparece de relance, indeciso entre ficar na hospedaria e partir a coberto da noite mas em segurança. O mais difícil é ficar. É no interior da hospedaria, guardada à vista pelos “Botas Cardadas”, que o espectro decide permanecer e readquirir as suas humanas e verdadeiras dimensões.

CANÇÃO DO DESTERRO (EMIGRANTES) – Sugerida em Lourenço Marques, pela leitura dum artigo da Seara Nova sobre as causas da emigração portuguesa. Tenta-se evocar a odisseia dos forçados actuais, partindo em modernas naus catrinetas, como os Mendes Pintos de outras épocas, a caminho dum destino que na História se repete como um dobre de finados.

CANÇÃO DE EMBALAR – Lourenço Marques 1965. Toada medievalesca em tom menor. Letra e música ocorreram quase simultâneamente. A estrela d’alva surge acima do horizonte para os lados de Xiparnanime com a cumplicidade das restantes. Quando os adultos dormem e as luzes se apagam nas janelas os meninos levantam-se e vão cumprimentar as estrelas.

CANTO JOVEM – Para ser cantado pelos estudantes universitários que o autor conheceu numa digressão para que foi convidado. Destina-se a ser interpretado como música coral por duzentos figurantes de ambos os sexos e de todas as proveniências e condições.

POR AQUELE CAMINHO – Lourenço Marques 1965. Versos destinados à página literária de “Voz de Moçambique”. A música peca por manifesta ausência de identificação com o espírito dos ritmos e dos temas africanos.

ELEGIA – O Luís de Andrade toca todas as teclas. A música e a letra afiguram-se-me excepcionalmente consorciadas. Pertencem a um tipo de reportório que inclui também as “Pombas”. A interpretação procurou seguir à risca a orientação desejada pelo autor.

NATAL DOS MENDIGOS – Inspirada em parte em “Los Quatro Generales” e outras canções populares espanholas. Os acompanhamentos apropriados deveriam incluir ruídos produzidos por guisos, pedras e matracas. Na região de Alpedrinha e nos ambientes da Beira-Serra, lá para os lados de Folgosinho, os mendigos acercam-se dos portais dos grandes senhores para cantar as janeiras e encher os alforges de pão e castanhas.

RONDA DOS PAISANOS – A música ocorreu-me no WC do rápido Faro-Lisboa, depois da estação da Funcheira. Lembrei-me de algumas, semelhantes na forma e diferentes no seu conteúdo picaresco: D. Miquelina tinha uma sobrinha, Conheci uma francesa, Ó moleiro guarda a filha (esta última, minhota), cantadas em coro nos grandes festins coimbrões. Em Lisboa inteirei-me dos postos do exército, que são muitos e soantes. Rimados às parelhas dariam uma canção popular, capaz de ser entendida por soldados e generais.

CORO DOS CAíDOS – Um antigo poema incompleto serviu de base à música. O conjunto constituiria como que um complemento dos vampiros entretidos, após a batalha, na recolha dos mais valiosos despojos.

CANÇÃO LONGE – Foi a primeira balada a ser composta no edifício dos “Incas”, em Coimbra. Estavam presentes, entre outros, o Vítor Lobão, o Tomé e o Cassiano. O Tomé disse que era semelhante à música de fundo do filme “Sansão e Dalila”. Por isso, nunca a levei muito a sério, embora me tivesse agradado.

NA FONTE ESTÁ LIANOR – O arcaismo repetitivo da melodia coadunava-se, a meu ver, com o espírito de uma redondilha do cancioneiro de Garcia de Resende, mas a métrica depurada da “medida nova” raramente se adaptava à chateza vagamente afadistada da composição. “Cantiga partindo-se” e a redondilha dentro da música não seriam uma ofensa à lírica camoniana mas uma pequena e despretensiosa homenagem prestada, a séculos de distância, ao génio do seu autor.

VAMPIROS – Numa viagem que fiz a Coimbra apercebi-me da inutilidade de se cantar o cor-de-rosa e o bonitinho, muito em voga nas nossas composições radiofónicas e no nosso musichaIl de exportação. Se lhe déssemos uma certa dignidade e lhe atribuíssemos, pela urgência dos temas tratados, um mínimo de valor educativo, conseguiríamos talvez fabricar um novo tipo de canção cuja actualidade poderia repercutir-se no espírito narcotizado do público, molestando-lhe a consciência adormecida em vez de o distrair. Foi essa a intenção que orientou a génese de “Vampiros”, entidades destinadas ao desempenho duma função essencialmente laxante ao contrário do que poderá supor o ouvinte menos atento. A fauna hipernutrida de alguns parasitas do sangue alheio serviu de bode espiatório. Descarreguei a bilis e fiz uma canção para servir de pasto às aranhas e às moscas. Casualmente acabou-se-me o dinheiro e fiquei em Pombal com um amigo chamado Pité. A noite apanhou-nos desprevenidos e enregelados num pinhal que me lembrou o do rei e outros ambientes brr herdados do Velho Testamento.

TROVAS ANTIGAS – Dedicadas ao doutor Vítor Pereira. Correspondem à mesma época em que surgem “Ronda dos Paisanos” e “Altos Castelos”. Do contacto superficial com o folclore romeno, muito semelhante na forma a certas canções raianas, provêm as origens subconscientes destas trovas. A escolha um pouco arbitrária das quadras e os solos introduzidos antes de cada quadra pela viola de Rui Pato deram ao conjunto uma feição mais ligeira, mas talvez mais genuína.

Ó CAVADOR DO ALENTEJO – Feita no Algarve a pensar no Alentejo. A letra foi modificada em África, depois de um efémero mas profundo contacto com uns amigos da “Sociedade Musical Fratemidade Operária Grandolense”, aos quais muito deve o autor.

Ó VILA DE OLHÃO – Fiz muitas viagens a Olhão, minha terra adoptiva. A meio do caminho da Fuzeta, entre Olhão e Marim, a vila vai-se adelgaçando, a viagem toma-se mais rápida e ruidosa, devido ao vento que entra pelas janelas. Pode-se berrar sem que ninguém nos ouça. Foi assim que nasceu esta crónica rimada. Servida pela cadência mecânica do “pouca terra”, versa um tema alusivo às vicissitudes por que passa o mexilhão quando o mar bate na rocha. A culpa não é do mar.

Ó ALTAS FRAGAS DA SERRA – Letra e música de José Afonso, glosando a primeira quadra de origem popular.

MENINO D’OIRO – Letra e música de José Afonso. O tema parece filiar-se em longínquas raízes peninsulares. Tratado pelas mais diversas formas mas conservando a sua origem popular, surge como motivo inspirador dum conhecido fado de Coimbra.

GRÂNDOLA, VILA MORENA – Pequena homenagem à “Sociedade Musical Fratemidade Operária Grandolense”, onde actuei juntamente com Carlos Paredes.

AVENIDA DE ANGOLA – Adaptação dum antigo poema.

VEJAM BEM – Música do filme “O Anúncio”, a apresentar no Festival de Cinema Amador pelo Cineclube da Beira. O filme foi projectado em sessão privada, ainda incompleto e sem diálogos. Um homem procura emprego num escritório, dirigese ao gerente de uma firma conceituada, a capatazes e mestresde-obra. Em vão! Privado de fundos, vê-se obrigado a dormir ao relento e a roubar para comer. Na retrete de um restaurante, único lugar onde não é visto, devora apressadamente dois ovos que metera ao bolso, aproveitando-se da algazarra geral. É à luz deste contexto dramático que poderão entender-se a linha melódica e o texto rimado apensos às sequências julgadas mais expressivas.

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Benedicto Garcia VillarGaliza
29/03/2006By AJA

José Afonso e a Galícia

A frialdade dunha reseña enciclopédica non pode, por moito que queira, representar todo o que significou o encontro mútuo e recíproco dun país (Galicia) e unha figura da magnitude humana, política e artística do Zeca. E eu tiven a fortuna de asistir e participar desde moi perto neste encontro.
Cando na primavera do 72 me presentei na súa casa en Setúbal, non podía nin remotamente imaxinar o que viría despois. Aquel home, tan vixiado pola PIDE, era todo preguntas para saber algo do lugar do que procediamos. Naquel momento, Galicia era un mundo xeográficamente distante e culturalmente descoñecido para as persoas máis informadas ó Sul do Miño. A pesar disto, J.A. tiña na súa biblioteca un libro de poemas de Rosalía de Castro, Aires da Miña Terra que me mostrou aquel día. Pero non pasaba de aí o seu coñecemento sobre o noso país. De modo que non foi difícil convencer a un home curioso como el do bó que sería organizar algunha actuación súa en Galicia.
O 8 de maio canta en Ourense, o 9 en Lugo e o 10 en Santiago. Eu, que por indicación súa tiña ensaiado algúns temas (voces e guitarra) véxome atrapado pois os títulos que decide a última hora non son os mesmos e temos que ensaiar rapidamente. En Santiago, na Facultade de CC. Económicas, dá o que sería o seu primeiro recital individual diante dun público tan numeroso (máis de 3.000 persoas) e canta por primeira vez en público Grândola, vila morena quedando impresionado pola receptividade do público galego e repetirá ó longo dos anos que foi un dos mellores recitais da súa vida. Toma contacto coa literatura galega e séntese especialmente atraído polos poetas Curros Enríquez e Celso Emilio Ferreiro. A partir de entón non faltará á cita anual con Galicia. En marzo do 73 traendo consigo a J. J. Letría, Manuel Freire e Francisco Fanhais, e en vísperas do 25 de abril canta en Santiago, alleo ó que se aveciñaba.
Pero mentres, a súa actividade, que comparte conmigo durante dous anos, é constante: actuacións en toda a “margem sul” (Barreiro, Almada, Moita, Alhos Vedros, Zarilhos, Baixa da Banheira, son nomes que se entremezclan na miña memoria) e por outras partes do país (Setúbal, Porto, Coimbra, Mafra, Caldas da Raínha, etc) e de fóra (Asturias en varias ocasións, París e Madrid, onde graba o disco Eu vou ser como a toupeira en decembro do 72) En tódolos recitais que facíamos en Portugal (nos que nos acompañábamos mutuamente) sempre facía “pasar a gorra” pero nunca foi un tostão para el; sempre dicía que o salario do Arnaldo Trindade (a súa discográfica) con ser miserable, era constante e polo tanto tiña que ser eu quen cobrara. Á parte da actividade musical estaba a outra, a de apoio e ánimo a todo o que se movera en contra da incívica dictadura: hoxe podía ser o censo para as eleccións (sumamente perigoso se se ten en conta que había que facelo diante das “carrinhas” da PSP ou da GNR) nas portas das fábricas de Setúbal; mañán, visita a algún preso político en Caxías; outro día, aproveitar unha viaxe a París ou Londres e levar “canetas” grabadas con textos de auxilio para Amnistía Internacional.
E a súa cabeza sempre activa, compoñendo. Nunha viaxe entre Santiago e París foi O que faz falta. “–E, pá, para, pega na viola. ¿Onde está o gravador?. Assim, com ese acorde”. Ó chegarmos a París a canción xa existía. E outra vez para Portugal; ou para Galicia, facéndose sempre acompañar por músicos novos e distintos, abrindo portas e ventanas. Ata o verán do 79 en que fai a súa última actuación por terras galegas, no Parque de Castrelos de Vigo. Viña con Júlio Pereira.
Repercusión de J.A. en Galicia. O 31 de agosto de 1985 celebrouse nese mesmo escenario unha homenaxe co título de Galiza a José Afonso, organizada pola Federación de Asociacións Culturais e Xuventudes Musicais e patrocinado polo semanario A Nosa Terra, no que participaron numerosos músicos e cantores, galegos, portugueses, africanos e de Timor-Leste. Para aquela ocasión o propio Zeca enviou unha gravación na que dicía: “… Aproveito esta oportunidade para unha vez máis afirma-la minha grande amizade pola terra e o pobo galegos, cos que ó longo dos anos mantiven as mellores relacións, e para manifestar tamén a miña enteira solidariedade coa loita polo recoñecemento efectivo da lingua e cultura galegas como unha das máis ricas da península…”
Do 25 de abril ó 23 de maio de 1987 celebráronse moi diversos actos (conferencias, concertos, recitais, publicacións, etc.) en toda Galicia baixo o título xenérico de Enquanto há força, organizados por un grupo de amigos e amigas do Zeca. Milleiros de persoas asistiron ós actos e milleiros de nenos e nenas galegos traballaron nas súas escolas unha unidade didáctica, José Afonso, preparada ó efecto.
No mes de decembro de 1994 a exposición José Afonso, andarilho, poeta e cantor estivo presente no Colexio de Fonseca de Santiago. A mostra foi coorganizada pola Associação José Afonso, a Fundación 10 de Marzo e a Universidade de Santiago. Unha exposición máis reducida e co mesmo título circula desde entón polos centros de ensino de Galicia.
O 8 de maio de 1997 celebráronse unha serie de actos para conmemora-los 25 anos de Grândola, vila morena, e descubriuse unha placa conmemorativa polo alcalde de Santiago, Xerardo Estévez, no Auditorio de Galicia, no lugar onde estivera o escenario da estrea da emblemática canción. Ademais, a Banda Municipal de Música volveu interpreta-lo tema, xunto co público asistente ó acto de homenaxe que se celebrou, e a Facultade de CC. Económicas decidiu pórlle o nome de José Afonso á súa Aula Magna.
Son innumerables os músicos e cantores galegos que interpretaron ou interpretan directamente temas de Zeca Afonso ou que admiten ter bebido na súa obra como inspiración directa, ademais de min, como Bibiano, Uxía, os grupos Candieira, Luar na Lubre e un longo etcétera.
Repercusión de Galicia en J.A. Nada mellor que as súas propias palabras para defini-lo que sentía por este país: “Galicia é para min tamén unha especie de patria espiritual…” “Foi a experiencia máis marabillosa. Algo especial. Tal vez ninguén me entendeu como en Galicia.”

¿Por qué existe en Portugal ese silencio espeso, ese descoñecemento casi total sobre esta páxina tan importante dunha historia que xa é a de todos nós?.

Benedicto García Villar

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GalizaHomenagens e tributos (2006)Homenagens e tributos (artes plásticas)
28/03/2006By AJA

Zeca na Galiza

Parte de um mural de mais de 12 metros de comprimento na Fac. Ciências Económicas e empresariais da Universidade de Santiago de Compostela, situado no corredor principal. Na esquerda da imagem vê-se o Zeca entre personalidades que tiveram, segundo o autor, J. Conde Corbal, interesse na Galiza do séc. XX.

Para visualizarem os restantes murais
http://www.usc.es/econo/Conde/Conde51.htm

Para visualizarem mais artistas
http://www.usc.es/econo/Planofac.htm

Texto e imagem enviados por Benedicto Vilar

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Associação José Afonso
27/03/2006By AJA

A AJA esteve presente.

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Associação José AfonsoNatércia Campos
25/03/2006By AJA

Natércia Campos

A AJA cumpre o doloroso dever de comunicar o súbito falecimento da sua Presidente, Natércia Campos.

“Amigo maior que o pensamento” cantou, José Afonso, um dia. Hoje dizemo-lo nós, sobre a amiga e companheira de árduas e longas batalhas.

O funeral realizar-se-á no Domingo dia 26, pelas 12H00, para o Cemitério dos Olivais, partindo pelas 11H00 das instalações do Teatro O Bando, em Palmela, onde o corpo se encontrará a partir das 12H00 de Sábado, dia 25.

“Outra voz outra garganta
Outra mão que se estende à que tombara
Uma fagulha num palheiro acesa
Ó meus irmãos a luta já não pára”

de José Afonso, escrito na prisão de Caxias

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Benedicto Garcia VillarGaliza
23/03/2006By AJA

A nova canción galega e a transición

COMEZO EN MADRID
Para ser mínimamente rigoroso coa historia habería que empezar por dicir que esta parte desta historia empezou alá polos meses de febreiro-marzo do ano 67. Con máis pena que gloria estaba eu tratando de levar con algo de dignidade académica o 2º ano do 2º curso de telecomunicacións (que era así, con tódalas letras, como se lle chamaba) na única escola daquela especialidade que había daquela, ou sexa, a de Madrid. Non é estrano, por tanto, que coincidíramos, tanto na propia escola de enxeñeiros, como nos diferentes Colexios Maiores e os poucos pisos e algunhas pensións que había, con alumnos e, con algunha singularísima excepción, alumnas, doutros lugares de Galicia e moitos de Cataluña e do resto do país.
 
Naquela escola, e dado o carácter diríase “extravagante” dos estudios que se realizaban, pululaban os exemplares máis curiosos que un poidera imaxinar, aínda que non faltaban individuos normaliños de todo. A min, aprendiz de pelacables, admirábame a facilidade dun grupo que alí había para montar, da noite á mañán, unha emisora de radio, un estudio de grabación, ou calquera outro invento que se terciara. Naturalmente, aquel grupo foi o responsable de construír un trebello tal que actuando como “pantalla herziana” impedía ós coches-patrulla dos grises recibi-las órdenes de radio da D.G.S. (Dirección General de Seguridad) dándolles, en troques, órdenes totalmente disparatadas. Se aquel día tocaba manifestación en Paraninfo, na Cidade Universitaria, podíase ver ós coches dirixirse á praza das Ventas ónde tiñan sido astutamente enviados. A verdade é que aquelo durou pouco e no curso seguinte seica as cousas non foron tan doadas para os disuasores das ondas.
 
Pois foi que neses meses de febreiro e marzo tiven a oportunidade de escoitar, en vivo e en directo, primeiro a Joan Manuel Serrat e logo a Raimon. Os dous estaban realizando unha das súas primeiras xiras polos Colexios Maiores e Residencias de Madrid e pasaron por onde eu estaba. Alí deixaron as letras que daquela se repartían sempre nos recitais e máis dunha pegada nalgún de nós. Eu, que viña de disfrutar do latín en todo o gregoriano habido e por haber nunha infancia-adolescencia canora na coral do meu colexio de curas, non atopei demasiadas razóns para non face-lo propio en catalán, ¡por que non!. Se lle engadímo-lo morbo de facer algo que semellaba contestación, a ir contra corrente, non é difícil imaxinar ó rapaz, galego naquela confusión madrileña, a piques de cumpri-los 20 anos, cantando a todo pulmón “Som”, “Diguem no” e claro, “Al vent”, e con algo menos de pulmón “Ara que tinc vint anys” e algunha máis.
 
E seguindo a lóxica das cousas e do momento non é tampouco difícil imaxinar que de entre os colegas e amigos que me escoitaron naqueles días, con moita paciencia e algunha complacencia, algún tivera a xenialidade da pregunta do millón: ¿e por que non en galego?
 
Podo asegurar e aseguro que foi como se me meteran de corpo enteiro na “berenguela” no intre de da-las doce. Claro, era clarísimo, pero arrepiaba todo o corpo só de pensalo. Non se trataba de poñer en galego unha canción que xa estaba feita. O desafío era doble: tiña que ser en galego pero tiña ademais, para ben ser, que facerse ex professo , algo novo, non usando ningún poeta coñecido ou descoñecido; e logo estaba a música. Á parte da experiencia coral, non tiña máis, como algúns outros rapaces, que a da armónica ( Seductora-Honner ) que me regalaran ó cumpri-los 7 anos e o aporreo entusiasta pero de escasa cualificación da guitarra da “reválida de 4º”. Despois un fito poucas veces comentado: no verán dos quince anos, chegamos a formar un trío de piano, batería e guitarra eléctrica que se atrevía con temas dos Shadows como Apache e outros (poucos outros) que bailaban con prestancia os e as quinceañeros de entón no Salón Amarillo do Casino, na rúa do Villar. Na baterÍa estaba Juan Gelabert e no piano, Xerardo Estévez.
 
Con máis esforzo que fortuna o tema foi saíndo e quedou bautizado co título de “Un home” co beneplácito de tódolos presentes que abarrotaban aquel cuarto de estudiante que miraba á magnífica serra do Guadarrama.
 
Compañeiro no estudio da electrónica era Xavier Alcalá quen na primeira ocasión que tiven recibiu a boa nova. Xa que logo fíxome saber que tiña un amigo que empezaba a cantar e a quen nunca cheguei a coñecer: Andrés Lapique Dobarro. Puxemos de manifesto o interés común por “facer algo” e decidimos, entre os dous, que o mellor era botar a andar un grupo, cos tres, que se ía chamar “Os Novos Xoglares Galegos”. Non pasou do maxín pero foi bonito mentres durou.
 
 
NO INTERIOR, GALICIA
Dado o pouco resultado académico que os madriles tiñan para min e como en Santiago iniciábanse os estudios de Económicas, decidín que o mellor era quedar na casa e non seguir de “cara” pola vida. Pero aquel verán do 67 íame dar unha das mellores oportunidades da miña vida: o encontro con Celso Emilio Ferreiro. Coa súa obra, claro, porque el andaba entón polos lares venezolanos sufrindo no “país dos ananos”. Aquí deixara editado por Basilio Losada a “Longa Noite de Pedra”, en Ediciones El Bardo , con vinte exemplares, os da censura, sen prólogo, e os outros, toda a edición que foi ás librerías, con prólogo. O prólogo de marras tiña, entre outras lindezas, un poema tremendo, “Carta a Fuco Buxán”. Naquel intre, a situación do país era tal, que era considerado subversivo, non só o relato despiadado que o Celso facía da situación do “labrego esfarrapado”, senón que tamén o era a conclusión, a orientación, a consigna que se daba: emigrar mentres non pasara o tempo que denigraba, mentres non chegara o tempo da patria. Este magnífico panfleto poético foi posto nas miñas mans por Xan Facal, que asistira, xunto con moitos dos seus hirmáns e os meus primos García Devesa, á miña primeira cantada en Galicia: foi nos montes de Toba próximo a Corcubión. Aquelas terras, aquelas augas, sobre todo as de Sardiñeiro, inspirarían moitos dos meus traballos na canción.
 
Tiña agora diante de min outro reto: facerlle unha música apropiada a aquel poema. E puxémonos un plazo: a finais de verán voltaríamos falar. Dito e feito; claro que a influencia raimoniana poucas veces foi tan evidente. Pero se algo quedaba claro era a contundencia do resultado. Suso García Devesa, Maricarmen Sanleón e Xan Facal, xunto cun pequeno grupo de animadores e animadoras entenderon que aquelo era escoitable e podía ter continuidade co que alimentaron a miña ansia creadora que xa estaba devorando es versos do exemplar de “Longa Noite de Pedra” que conseguira.
 
No primeiro trimestre do curso 67-68, curso singular, plural e pluscuamperfecto, tivemos un fin de semana de reflexión un grupo da JEC (Juventud Estudiantil Católica) que daquela existía en Santiago. Que recorde, estivemos reunidos en Pontedeume o colectivo de “cristianos de base” formado, entre outros, por: Susana López Facal, Sindo Villar, Camino Noia, Tuco Cerviño, Mª Xosé Rodríguez Galdo, Xavier Castillo, Mariquiña Tomé, Enrique Moreno, Marisol Facal, Emilio Pérez Touriño e mais eu. Como non podía ser menos, na cea, ós postres, eu era requerido amablemente polo grupo para interpreta-los meus dous “temas”, cousa que facía sen chistar e con todo o aprecio do mundo por parte daquel auditorio de privilexio. De privilexio para o cantor, naturalmente, descoñecedor entón do papel que a historia do seu país ía adxudicar a moitos dos membros daquel grupo trinta anos máis tarde.
 
No primeiro curso da neonata Facultade de Económicas coincidín con homes e mulleres que tamén irían, como o grupo da JEC , algún tempo despois, a configurar boa parte do noso máis valioso activo político e cultural. De entre eles tivo nesta historia unha particular intervención Arturo Reguera, home sen fendas e amigo implacable da verdade e dos amigos, que me puxo en contacto cos alumnos “organizados” de Filosofía e Letras. Os alumnos de Letras organizaban por aqueles días unha “aula poética” na súa Facultade e fun convidado a cantar. Alí estaba con todo o seu esplendor revolucionario Blanca Caamaño, delegada e presentadora do acto. O cantor cantou as súas dúas cancións e o público fartouse de aplaudir. Era a primeira vez que tal cousa sucedía e serían moitas as “primeiras veces” que se producirían naqueles apretados e densos días. Entre os organizadores estaba Emilio Gregorio Fernández que forneceu a miña despensa poético-musical co texto de “O arte de amar”.
 
De xeito que de alí a pouco xa tiña na miña producción cancioneira tres temas cos que empezar a andar polo mundo. E un novo encontro ía ter lugar para definir máis o escenario. A verdade é que non podo lembrar exactamente as pezas da cadea que o fixeron posible pero o que si sei é que ós poucos días coñecín a Xavier de quen se me fixera unha sinopse como dun -“tipo raro” que anda por ahí tocando a harmónica ó Bob Dylan e cantando cousas do Celso- Con semellante presentación e coas ganas que eu tiña de colegas non era estrano que o panorama poidera adiviñarse prometedor. E abofé que non defraudou.
 
O “tipo raro” aquel tiña de estrano un nada desdeñable arsenal biblio e discográfico no cuarto da Pensión “Touriño” na Rúa Nova, cuarto que tantas veces visitaría eu ó longo daquel curso. Ademais como coincidencia ben explicable, xa tiña pasado polo repertorio máis incandescente de Raimon (convén lembrar que o de Xátiva cantara no Estadio da Residencia de Santiago en maio do 67) No primeiro encontro acordamos ir dar unha serenata ás mozas pola noite e, nin cortos nin perezosos, ahí imos polo Patio de Madres arriba e abaixo coa nosa producción galaica con todo o convencimento do mundo. Non sei realmente o que pasaría por dentro das contras que non se abrían; as poucas que se abriron nos ofreceron rostros que parecían pagar con máis paciencia que agrado o noso esforzo “renovador” do costume tan compostelano da serenata. Non está de máis sinalar aquí que naqueles momentos empezaba a ser de enorme importancia ofrecer unha alternativa a toda canta manifestación humana se produxera presentándose sempre propostas do máis variopinto a cada xesto, costume ou modelo de conducta que se presentara. Frente ó fenómeno da “tuna,” tan identificado naquel entón coa tradición universitaria máis reaccionaria e franquista, probaron sorte outras fórmulas. A nosa, dende logo, non estivo coroada polo éxito.
 
Así que probamos sorte nun mencer en Cambados, onde tiñamos costume de ir ver saí-lo sol, logo dalgunha intensa noite de estudio, cun grupo impagable de compañeiros e compañeiras da Facultade. As pedras milenarias escoitaron impertérritas e o sol saeu como tódolos días. Aínda menos mal.
 
 
DO “GAUDEAMUS” Ó “VENCEREMOS” 
Sempre hai persoas, as máis das veces anónimas, que aportan en intres da historia un aquel de xenialidade á hora de configurar escenografías que pasan a ser definitorias de determinados momentos. Estoume a lembrar, por exemplo, da figura dos barbudos cubanos subidos nos camións confiscados ó exército de Batista entrando na Habana ou a Lenin encaramado na tribuna de madeira arengando á multitude enfervorizada. Pero así como hai estes elementos de carácter plástico, tamén hai outros sonoros que arroupan e, en casos, definen aquelas ou outras escenas.
 
No fervor que a Universidade de Santiago tivo na súa primavera do 68, adianto do maio francés e non influencia daquel, como tantas veces se ten afirmado, houbo tamén un alguén xenial, descoñecido para os historiadores, que se preocupou de dar soporte musical ás concentracións que se realizaban. A primeira gran idea foi aproveitar un himno xa existente. O “Gaudeamos igitur” pasou de ser un himno tremendamente reaccionario, sobre todo naqueles días, coas súas loubanzas á Academia e ós profesores, a ser un elemento de aglutinamento do alumnado en pé de guerra, que o ofrecía como algo propio, exclusivo, inasequible para aqueles mortais que, debaixo dos uniformes de “grises” ou dos grises traxes de “sociais”, representaban o máis burdo do aparato represivo franquista. Pero quenes o cantaban non comprendían tampouco, por moita letra ciclostilada que se pasara, o que decía aquel demo de himno que semellaba na gorxa dos iracundos estudiantes o maior dos panfletos.
 
E claro, o himno tiña que ser sustituído por outro máis “presentable”. Vicente Araguas, que ten memoria de elefante, asegura no seu libro imprescindible, “Voces Ceibes”, publicado hai xa 8 anos por Ed. Xerais, que foi un domingo chuvioso en que se manifestaban os estudiantes frente ó intento do odiado decano de Ciencias, Ocón, de inaugurar un monumento a non sei quen no campus, cando apareceron copias, tamén ciclostiladas, do “Venceremos nós”. Para algún sector do estudiantado máis informado, non era descoñecida a canción gracias a que circulaba a versión orixinal “We shall overcome” cantada por Joan Baez. Por tanto, non foi difícil que os concentrados, antes da disolución pertinente por parte da policía, entonaran, aínda timidamente, a versión galega do himno.
 
A potencia animadora da canción, máxime cando se fai colectiva, empezou a quedar de manifesto e explicaría parte da ansia por ter unha manifestación propia e, ó mesmo tempo, a acollida que a nós se nos dispensou desde aqueles ámbitos.
 
Por aqueles días de finais de febreiro anunciouse profusamente polas facultades unha conferencia de Xesús Alonso Montero na Residencia de “El Pilar” , na Enseñanza. Alí fomos tódolos que podiamos entrar, Xesús falou de literatura e desacougo e ó remate díxosenos a Xavier e a min, que xa estabamos preavisados, que o “profesor” tiña moito interés por escoitarnos. E debeu quedar contento de veras porque o demostrou ben de veces. Ó caso é que fomos ó “Cosechero”, na rúa Nova, enfrente da pensión de Xavier onde tiñámo-las guitarras. Alí, non sei como porque o sitio era mínimo, meteuse unha morea de xente, do P.C. a meirande parte. Recordo a Marisa Melón e a Federico Ordax, ó abogado Manolo Rodríguez, a “Quiques” Montes, a Mario, lector de portugués, José Manuel Mille, Olga Iglesias, Vicente A. Areces, Rafa Bárez, a “Pancho” Fontenla, Eduardo Seijas “Palas”, Luz Rubiños e a Arturo Reguera, ademais dun montón que non podo reproducir. E alí, pingando suor polos catro costados, demos conta do noso repertorio. Xavier xa tiña un feixe importante de cancións, pero aínda que só foran a “María Soliña”, o “Monólogo do vello traballador” e o “Fuco Pérez”, todas elas de Celso, xa pagaba a pena. E claro, o “profesor” quedou encandilado e xa facendo plans para un recital en Lugo.
 
 
A PRIMEIRA, NA FRENTE
E de novo o Arturo Reguera fixo de “ponte”, esta vez con Manuel María a quen escribeu informándolle que en Santiago había un rapaz que cantaba en galego e que estaba precisando letras para cantar. O poeta, descoñecido totalmente para o rapaz, remitiu á volta de correo un “Cancioneiro” con textos para cancións del e mais de Lois Diéguez, quen gozou de mellor fortuna á hora de ver (ou mellor, escoitar) os seus versos convertidos en cancións: “No Vietnam”, “Eu son a voz do pobo” e “Loitemos” pasaron ó repertorio habitual a partir de ahí, aínda que a última correu a mesma sorte que a “Carta a Fuco Buxán” do Celso: a prohibición sistemática e tenaz.
 
Coa miña media ducia de cancións e a ducia larga de Xavier, sempre moito máis prolífico, estabamos en condicións de acepta-lo reto de cantar en público nun recital preparado en serio e así se lle comunicou a Alonso Montero que preparou todo para que poideramos cantar na Escola de Peritos Agrícolas de Lugo o 30 de marzo ás 7 da tarde. Solicitado e obtido o correspondente permiso da autoridade gubernativa, editáronse cancioneiros (os primeiros que tiñamos) cunha fermosísima e afiada presentación de Xesús titulada “Palabras para un recital de canciós” que reproduzo aquí:
 
“Coido que dentro de algús anos se falará de este recital como dun feito histórico. Penso, en verdade, que o feito ten corpo de acontecemento e, como tal, vai marcar, dun xeito ou de outro, a nosa cultura. Dende hoxe Galicia ten o que noutros ámbitos menos precarios teñen dende hai tempo: unha canción á altura do intre histórico, unha canción nascida para desacougar e alumear: unha canción pra acadarmos concencia dos nosos problemas reales.
 
A voz de estes dous mozos, Benedicto e Xavier, vai levar as mellores inquedanzas e as mellores carraxes a eidos deica agora alleos á literatura; por primeira vez tamén, centos e mais centos de homes e mulleres do noso país van escoitar a súa fala feita arte e feita cultura viva.
 
Este xeito de expresión xurde en Galicia un pouco tarde, pero tiña que xurdir porque os países endexamais renuncian á expresión operante. Estes mozos da Universidade Galega chegan a nós no tempo de desacougar, morto xa o tempo de calar e o tempo de falar por falar.”
 
Dende primeira hora da tarde foran chegando á casa de Xesús en Lugo, situada enfrente xusto da Escola de Peritos, do outro lado do xardín, amigos que foran convocados para o acto. Alí coñecimos a Manuel María e a Saleta, a Emilio Valadé, a Moncho Ramos e un longo etcétera que foi enchendo a casa. A iso das seis da tarde unha chamada telefónica poñía lívido o semblante de Xesús: un coñecido chamara para avisar que pola radio estaban dando unha nota do Gobernador Civil pola que se anunciaba a suspensión do recital. De seguido fixéronse chamadas a diversas instancias e a confirmación era unánime: o recital estaba prohibido. Para colmo de ignominia, como se de criminais perigosos se tratara, dous policías de uniforme custiaban a entrada da casa, evidentemente para impedi-la nosa saída da mesma. Asomámonos á ventana e comprobamos que na porta do lugar onde tiñamos que cantar había varios vehículos e furgonas ben recoñecibles. O recital fíxose na casa e quedamos roucos de canto e de carraxe.
 
 
RECITAIS “A EITO”
No mes de abril foi un non parar continuo, de convites que empezamos a recibir, e realizar, por toda a xeografía do país, que tantas veces recorreriamos despois.
O primeiro que si se realizou foi o organizado pola Asociación Cultural de Vigo, o día 4. Imaxino que o traballo correría a cargo de Xan Facal. El foi quen fixo de presentador e el quen me puxo os pelos de punta, por primeira vez, recitando aquelo de Atahualpa Yupanqui:
 
“Soy gaucho entre el gauchaje
y soy naide entre los sabios
y son para mí los agravios
que le hagan al paisanaje”

¡Que bárbaro! ¡Canto que aprender! ¡Canto mundo diante de nós! E do público que enchía a sala só recordo as súas caras amables, acolledoras. Bueno, menos aquel home do fondo, si, aquel de gris, que, cambiando só de rostro, nos acompañaría de recital en recital. Era o encargado de velar polo cumprimento da censura. Convén aclarar, para os que non o viviron, que era preceptivo enviar á censura cunha antelación determinada (normalmente bastantes días) os textos que se pretendía cantar. Alí (sempre imaxinamos que nun cuarto sórdido e sen luz) uns individuos extranos, a quen por certo nunca coñecín, dictaminaban o que se podía e o que non se podía cantar, afinando incluso se se autorizaba para maiores de 14 anos, ou de 18. Pero claro, como non estaba nada escrito nin determinado en norma algunha, os criterios eran totalmente cambiantes, podendo atopar que o que o censor de Vigo consideraba “non cantable” e, polo tanto, olímpicamente “prohibido”, pasaba por non ter o máis mínimo perigo para o censor de Pontevedra que daba o “nihil obstat” correspondente. Isto tamén animou a nosa capacidade creadora e ten habido verdadeiros especialistas na materia. A primeira adaptación, que eu recorde, foi a do final da “Carta a Fuco Buxán” que tiña, ó parecer, un dos principais problemas cando enunciaba:
 
“Fuco Buxán, ¿non sintes que na Iberia
feden a podre os homes e as paisaxes?
 
Debidamente “retocados”, estes versos pasaron a ser:
 
“Fuco Buxán, ¿non sintes que en Liberia
feden a podre os homes e as paisaxes?
¿Que raio nos importaría a nós o que pasaba en Liberia? Pensaría o probo funcionario. Pero pasar, pasou; claro que, na cantarela, cantábase en “versión orixinal” ¿Quen ía se-lo guapo de distingui-lo engano?
 
Otra, máis coñecida, sería a de Bibiano, anos máis tarde, co “Can de palleiro”. ¿Que censor era capaz de imaxina-lo efecto sonoro daqueles versos?:
 
“A túa forte dentadura
viráse abaixo, abaixo a dentadura,
abaixo a dentadura, abaixo a dentadura, …”
 
A complicidade cantores-público era tal quen non se precisaba de ningunha consigna pois xa o respetable se encargaba de face-la modificación pertinente: “dentadura” por “dictadura”; o resultado era espectacular.
 
Pero estabamos en Vigo, no local, en López de Neira e claro, entre o público da primeira fila estaba Camilo Nogueira, Paz e Xaquín Facal e moitos máis que nos fixeron cantar ata que quixeron.
 
O seguinte foi en Pontevedra o día 18 e era organizado pola Aula de Música do Ateneo. Se non recordo mal, alí estaba Xulio (daquela Julio) Pardellas de Blas, Fontenla, Alonso “o esperantista” e Alfredo Conde, que daquela xa era amigo de Xavier e con quen daría moitas paseadas polas rúas de Santiago, falando de poesía, política e do que se terciara.
 
Foi un recital moi “formal” con escenario e todo, nun salón moi señorial nun chaflán dunha tamén señorial rúa de Pontevedra (coido que era prestado por otra institución lerezana) Con “tarxeta-invitación” e todo que anunciaba:
 
 
A NOVA CANCIÓN GALEGA
Sobre poemas de Celso Emilio Ferreiro,
Lois Diéguez e Avelino Díaz
BENEDICTO GARCÍA – XAVIER DEL VALLE
 
Xa só polo feito de atreverse na Pontevedra de entón a organizar tal cousa merecía tódolos parabéns e o público asistente encheu con aplausos incluso as sillas baleiras. Foi o segundo do mes.
 
Ós tres días, é dicir, o domingo 21, para as 11,45, da mañán, claro, como quen di, á hora da misa e co frío correspondente, anunciábase no “Salón Parroquial do Couto”, deste lado do río porque en Ourense non había quen cedera un local para o evento. Pepe Conde Corbal despepitouse facendo os carteis, “un por un”, da súa man. E Carlos López Polo e os seus muchachos, baixo a tutela de Manolo Peña-Rei, despepitáronse repartido, pegando e facendo “boca a boca” para avisar á parroquia. Parroquianos e parroquianas, desde logo había bastantes e non faltou o avogado Alfonso Pazos, sempre seguidor do noso traballo. Era o terceiro da tanda.
 
 
MEDICINA: UN RECITAL PARA A HISTORIA
Do cuarto tense escrito e falado bastante. Foi a “posta de largo” do que se chamaba xa “A Nova Canción Galega”. E para ese día xa non eramos só dous a cantar.
 
Da asemblea de delegados saíra a necesidade de organizar un acto aglutinador para facer, digamos, o remate de campaña, pois a batalla estudiantil, logo de encerros e carreiras, tocaba ó seu fin. Recibímo-la invitación para celebrar un recital en Medicina, no local máis grande dos que habitualmente eran usados para as reunións masivas. Masivas, dunha universidade que daquela andaba polos 5.000 estudiantes.
 
Tamén recibímo-lo encargo de contactar con outros cantores que se estaban incorporando á tarefa. Así conectamos, por diferentes vías, con Xerardo Moscoso, Vicente Araguas e Guillermo Rojo. Coido que incluso tivémo-la ousadía de sometelos a algún tipo de “exame” para ver se podía ser; ¡que burrada! En fin que collímo-las follas cos textos e correndo para a Delegación de Estudiantes, sita nos baixos da Facultade de Medicina, para facer uns improvisados cancioneiros e outros tamén improvisados carteis que anunciaran o acto. Ademais, como sempre se facía, nos boletíns informativos deses días aparecía profusamente anunciado o recital para o venres 26, ás 7 da tarde.
 
E o éxito de asistencia foi manifesto. Penso que non esaxero moito se digo que había perto de 2.000 persoas; todos eran, menos tres ou catro, estudiantes. De entre os profes, claro, Carlos Alonso del Real e José Antonio González Casanova. O público ocupaba non só os asentos senón tamén ata o último centímetro cadrado que había de pasillo, de hoco de ventana,…, só non había xente nas lámpadas.
 
Con un único micrófono daqueles “de pataca” por todo despliegue técnico e co mesmo equipo que o profesor de turno usaba naquela aula, o recital deu comezo, logo dunha intervención chea de ganas e de medo por parte de Manolo Pombo (que debía ser daquela ou delegado do último ano ou responsable de actividades culturais) seguiron os cantantes, un a un. Sei que facía moitísima calor pero sei tamén que poucas veces sentín tremer o corpo daquel xeito. Co noso mal galego alá iamos facendo o que se podía nas presentacións. Cómpre dicir que ningún dos que alí cantamos, como a inmensa maioría dos que alí escoitaban, tiñamos no noso carnet de galegofalantes máis de uns días ou unhas horas. Algún fixo auténticos esforzos para endereitar unha frase medianamente aceptable. Quizais iso lle deu máis forza, máis encanto.
 
Alí cantamos todos coas nosas músicas. Con letras alleas, Xavier e mais eu, e con letras propias, Xerardo, Guillermo e Vicente. Este último, con varias músicas dun compañeiro seu, Antonio Seoane (despois foi Antón, e xa ven…) Ó Xerardo fixéronlle repetir aquel magnífico “Requiem II” adicado a Luther King e a min fixéronme o propio co “Fuco Buxán”, pero o intre máis arrepiante foi cando Xavier na súa “Longa Noite de Pedra” ataca coa súa ben timbrada voz de barítono os versos finais:
 
I eu morrendo …
Nese instante, como se se confabularan as fadas con todos nós, as campás da catedral (de novo discrepo da memoria de Vicente que di no seu libro que eran as de San Francisco, alí perto) empezan a soar, levando o compás
 
Nesta longa noite de pedra …
¡E facendo acorde coa melodía! ¿Pódese pedir máis?
 
A saída foi ordenada, pacífica, cantando, iso si, “Venceremos nós”, mentres se baixaban as escaleiras.
 
Se tiveramos paciencia para suma-las persoas que nos últimos trinta anos aseguran que “estaban alí aquel día” pasarían de 6.000 Curioso fenómeno de aritmética.
 
Ó día seguinte Xavier cantando e Alfredo Conde recitando, foron actuar a Negreira nunha sala de cine, nun acto máis ou menos improvisado por Xulio González, médico do lugar. A pesar da improvisación a Garda Civil deu un bó susto ós actuantes.
 
 
NACE “VOCES CEIBES”
Durante casi todo o mes de maio andivemos teimando en varias e importantes cousas e para tales menesteres nos metiamos nas catacumbas do “Bodegón” do “Compostela”. Non estaba Guillermo que abandonou por un período corto de tempo o grupo para reintegrarse despois e estaba Margariña Valderrama. Por un lado tiñámo-lo ideario, ou mellor, as bases mínimas de traballo que debían aglutinarnos. Estaba claro que o noso era un asunto de canción en galego , monolingüe (non se fora repeti-lo de Serrat co “La, la, la” eurovisivo) e con contido abertamente social (pobre eufemismo) Ademais non podía ter nada de folklore, no formal, polas connotacións inmediatas que aquel tiña cos grupos de Coros y Danzas de la Sección Femenina de Falanje. Por outra parte estaba o asunto dos discos. EDIGSA, editora catalana na que gravara Manuel María un disco de “Poemas ditos coa súa voz”, fermosísima, per certo, tiña interés, transmitido polo poeta, en nós, con grande contento pola nosa parte. A editora tiña por embaixador un toledano galegofalante, cun galego traballadísimo e requintado, Manolo Conde, que trouxo de Barcelona o “gran xefe” Claudi Martí. Na casa de Salvador García-Bodaño realizouse o primeiro contacto cara a cara, quedando para o outono a discusión de contratos e gravación de discos.
 
Pero logo de deixar claros principios e maneiras, ¿como raios chamármonos? Estaba claro que aquelo era un grupo (no que, por certo, tamén estaba incluído Alfredo Conde) e precisaba como agua de maio dun nome identificador porque o de “Nova Canción Galega” era demasiado xenérico. Estaba, ademais, o dos cataláns con “Els setze judges” e dos vascos con “Ez dok amairu” e aquí non podía ser menos. Vicente propuña nomes máis ou menos provocadores ou inverosímiles que non recordo e os demais non aportabamos moito. Ó fin Xavier deu coa clave ¡”Voces Ceibes”! Ademais soaba ben e significaba moito. Veña, aprobado; e ata hoxe. Bueno, ata decembro do 74
 
 
PRIMEIRA DETENCIÓN, PRIMEIRA MULTA
No mes de xullo tiña dúas convocatorias seguidas: unha o 17 no “Silos Club” de Pontevedra (sala de festas ó ar libre, hoxe desaparecida) para participar como convidado e xurado no “Festival Galego da Canción Moderna”, invento que argallara Xulio Pardellas cos seus colegas e outra o 18 que, co título de “Día da Xuventude”, organizaba a Xuventude Rural Católica da Diócesis de Santiago en Ribadumia.
 
Ó día 17, pola tarde, fomos chegando os membros do xurado, entre eles Xosé Luís Méndez Ferrín, que debería dilucidar sobre as cancións que se presentaban naquel incrible “Festival Galego da Canción Moderna” que non pretendía, segundo explicacións dos organizadores, máis que ser un pequeno “impulso” para aqueles que empezaban. Polo tanto, a min chamábaseme como “consagrado” para avalar e esas cousas e, de paso, que cantara. Cantar, cantei, a pesar de que, na interpretación do pobriño do “Fuco Buxán” tivera a un par de individuos, de gris, claro, que con xestos máis que evidentes trataban desde os laterais, tapados do público polas cortinas, de evitar que eu seguira cantando. Cando rematei o “tema” como puiden expliquei, tamén como puiden, que uns “señores” pretendían impedirme cantar. “Se non queres caldo, dúas cuncas”. O público, para que contar; e eles, con máis medo ca min, entran no escenario e … directo para o calabozo.
 
Surrealismo e esperpento déronse cita aquela noite para evidencia-lo que era clarísimo: eu sobráballes alí, queimáballes a miña presencia e non sabían que facer conmigo. E pola mañán, estaba almorzando nunha praza de Pontevedra co abano de periódicos de Galicia que sacaban a noticia. O 23 de xullo o Gobernador Civil comunicoume a multa de MIL PESETAS, daquela eran cartos, por “interpretar canciones prohibidas… y dirigir frases subversivas a los asistentes …”
 
O de Ribadumia ía contar coa presencia (con misa e homilía) do Sr.Cardeal (daquela Don Fernando Quiroga Palacios con quen teríamos un encontro “vis a vis”, non precisamente agradable, anos despois con motivo do “Xuízo dos 23 de Ferrol”) que foi, misou e homiliou. E tamén ía haber un cantante de “Voces Ceibes” (que era eu) que debería actuar no apartado “Canción do atardecer”. Atardecer atardeceu, pero sen canción. A “superioridade” aconsellou ós organizadores que se retirara do programa.
 
Tamén nese verán démo-lo primeiro recital en Ferrol. Sería na Sociedade Cultural e Deportiva “Bertón” en Caranza, aínda incipiente barrio-dormitorio dos traballadores dos asteleiros ferroláns. Naquel recital había, dentro do local, que de planta era un rectángulo non maior de 6×10 metros sen divisións, ademais do público (como medio cento de persoas) máis de vinte números dos “grises” uniformados ó mando dun oficial. A “forza pública” rodeaba á xente e nós tiñamos só dúas cancións autorizadas. Para cantar éramos Xavier, Vicente e mais eu. Sen cortármonos o máis mínimo empezou un de nós cantando os dous temas. Rematou e seguiulle o segundo outra vez cos mesmos temas e logo o terceiro. Cando íamos de novo a inicia-la ronda, o oficial, desencaixado, mandou parar aquilo inmediatamente “por subversivo”.
 
Tense repetido, casi sempre por persoas malintencionadas ou pouco reflexivas, que o noso “caldo de cultivo” foron as multas e prohibicións. Diante desta afirmación sempre contestamos e contestarémo-lo mesmo: ¿Que pasaría se lle deran a “Voces Ceibes” as facilidades que a calquera cantante digamos “comercial” ou de “canción lixeira” (por utilizar términos da época, tipo Juan Pardo) para actuar alí onde lle petara e sen consecuencias sancionadoras? ¿Que pasaría se, en vez do silencio sistemático dos medios de comunicación (a radio daquela, por exemplo) tiveran un espacio as cancións producidas aquí por nós? ¿Cantos posibles organizadores de recitais e outros actos culturais non se viron disuadidos de organizar nada polas posibles consecuencias negativas se levaban a “Voces Ceibes”? As respostas son tan rotundas que non teñen réplica.
 
 
BARCELONA: DISCOS, MIRO E A DEREITA CATALANA
Tal e como se acordara, en setembro fomos a Barcelona coa cabeza chea de boas intencións e ganas de traballar. Viaxamos xuntos Xerardo e mais eu e xuntos pasamos unhas poucas aventuras. A primeira foi a de discuti-lo contido dos contratos. Xa quedara claro en Santiago que estes tiñan que se-los mesmos para tódolos “Voces Ceibes”, que todos gravaríamos e que en tódalas portadas aparecería o nome do grupo ó lado do do cantante respectivo. Pero logo estaba a letra pequena. Para iso foi inestimable a axuda de Raimon, con quen se carteaba daquela Xavier, e que, como “gato escaldado” naquelas lides, nos propuña unha defensa cerrada do noso castelo de esencias inexpugnable. Algunhas torres quedaron en pé pero outras caeron frente ó asedio sistemático dos “homes da empresa”. Ó final gravamos, primeiro eu e logo Xerardo, nuns estudios, Gema, que tiñan unha mesa mezcladora ¡de catro canales!
 
Naquela viaxe contactamos e cantamos con Miro, que viña de graba-lo seu primeiro disco tamén, e entre aquela visita nosa e a que fixeron despois Xavier e máis tarde Vicente, o Miro quedou definitivamente integrado en “Voces Ceibes”.
 
 
TODOS XUNTOS: PRIMEIRA E ÚNICA VEZ
Guillermo tamén se reintegrara no grupo, de xeito que compría facer un recital “de altura”. A Agrupación Cultural “O Galo” de Santiago encargouse de organizar un espectáculo para o día 1 de nadal, domingo, pola mañán, no Cine “Capitol”. Encargouse do cartel Reimundo Patiño, que fixo o recado con mimo e a presentación, nun Capitol cheo ata a bandeira foi de Manuel María. Foi a primeira e última vez que estivemos todos xuntos no escenario e teño dese día o recordo de moitos panfletos voando (tirados desde o piso de arriba) e moitas persoas coñecidas de tódolos puntos de Galicia. Estaba Alfredo Conde, Salvador García-Bodaño, etc. Recordo que á saída, Xerardo Fernández Albor, ademais de felicitar, indicou as súas preferencias de entre as cancións que tiña cantado aquela mañán.
 
En xaneiro do 69 actuamos en Oviedo e Gijón. Era a primeira vez que saíamos (á parte de Barcelona) e alí fomos Xerardo, Guillermo, Xavier e mais eu a cantar a un público interesadísimo no que pasaba aquí ó lado; tan perto e tan lonxano. Universidade en Oviedo, con promotores como Mari Maseda e Moncho Neira, e público de Centro Galego en Gijón. O esquema de funcionamento ía ser sempre o mesmo: cada vez que un ou varios dos membros de “Voces Ceibes” actuase, anunciábase co nome do grupo, independentemente de quen fora (aínda que se podía especificar) Na actuación en si, todos estabamos sentados no escenario e, un a un, iamos saíndo para cantar alternativamente.
 
 
TEMPO DE SEQUÍA
A lista das actuacións autorizadas vai disminuíndo sospeitosamente para engordar a das prohibicións e das actuacións a “salto de mata” nas que, sen permiso previo, e expoñéndose ó que fora, cantábase onde e cando se podía. Cantamos en Colexios Maiores, en Residencias ou en iglesias. Empezamos a ser requeridos nalgunhas das pouquísimas Asociacións Culturais que había e que se atrevían a facer unha actuación salvaxe. Parecía como se cos discos no mercado as dificultades fosen maiores que antes. Non parece que a isto foran alleos o titular do Ministerio de Información y Turismo , Fraga Iribarne e o seu “segundo” Pío Cabanillas. A xogada era boa: por un lado amordazábase a canción operante de “Voces Ceibes” mentres por outro potenciábase a “alternativa Juan Pardo” e adláteres .
 
A finais dese ano fun chamado a filas e ¡adiós canción!, polo menos para min. E ós de aquí, polo que narra Vicente, non lles foi alá moi ben. Miro seguía en Barcelona, Xavier e Guillermo dicen “adeus” ese mesmo ano e o “Chuspe” (Xaime Barreiro) entra e sae do grupo coa velocidade do raio.
 
As mobilizacións contra o Consello de Guerra de Burgos e as penúltimas sentencias de morte do franquismo (decembro do 70) foron especialmente fortes en Madrid, onde remataba a mili en xaneiro do 71. A partir de ahí son chamado a colaborar cos cantantes do grupo de “Canción del Pueblo” de Madrid onde estaban Elisa Serna, Adolfo Celdrán, Hilario Camacho, etc. e cos que actuaba de “animador” o periodista Antonio Gómez, quen pasearía coa “Castañuela 70” de “Las Madres del Cordero” por toda España .
 
Mentres, o grupo ía cambiando algunhas caras. Moscoso, que traballaba nunha clínica en Pontevedra, introducía en “Voces Ceibes” a Suso Vaamonde, con quen non recordo ter cantado algunhas veces e Vicente Araguas facía o propio con Bibiano, incorporación esta procedente do singular mundo dos grupos de “pop-rock” do momento.
 
Nunha reunión celebrada en Santiago, no “Gaiola”, coa presencia de Xerardo, Vicente e Bibiano, indicóuseme que tiña que vir para Galicia se pretendía seguir formando parte de “Voces Ceibes”. Levantei a casa que tiña nos madriles e os proxectos que tiña alá e viñen para acó. Iso si que era “todo po-la patria” e o demais son pamplinas.
 
Desta segunda estadía en Madrid, teño necesariamente que facer mención do descubrimento dun amigo, o “Mañas” (home bondadosísimo, ¿que sería del?) quen nun ático ínfimo no Madrid dos Austrias onde vivía, me fixo escoitar un disco dun “tipo estrano”, portugués. O disco era “Traz outro amigo tambêm” e o “tipo estrano”, Xosé Afonso.
 
En xullo, xa instalado acá definitivamente, tiven oportunidade de estrear pasaporte e aproveitei para facer pinitos por ahí fóra. Tiven ocasión de coñecer xentes no exilio socialista en Toulouse onde cantei e outras do mundo da radio en Holanda, onde tamén cantei.
 
No 72 ían pasar cousas moi importantes, un fito á altura, noutro orden de cousas, do 68.
 
 
10 MARZO, FERROL E MILÁN
Para empezar, fumos chamados a prepara-la parte galega da “Exposición de Arte Contemporáneo” que, en solidariedade co movemento obreiro español antifranquista, se celebraría do 10 de marzo ó 20 de abril en Italia. Tratábase de reunir, e abofé que foi así, co “mascarón de proa” de Picasso e Joan Miró, unha parte importante das artes plásticas dos artistas comprometidos máis notables. Paralelamente iría a poesía, baixo a tutela de Rafael Alberti e a canción belixerante do momento onde estaría un pequeno grupo.
 
Os plásticos galegos non se fixeron de rogar e comprometeron obra, importante, Xosé Luís de Dios, Virxilio Fernández, Xulio Maside, Acisclo Manzano, Reimundo Patiño, Agustín Pérez-Bellas, Xaime Quessada e Mercedes Ruibal. Todo foi transportado, xunto con outros centos de obras que saíron do país, en vagóns “camuflados” polos ferroviarios, coa complicidade, claro, dos colegas franceses e italianos. Aquel acontecemento, impulsado por CC.OO. e co apoio solidario dos sindicatos italianos CGIL, CSIL e UIL e a CGT francesa, tivo como marco os inmensos salóns do Palacio das Cariátides ó pé do Duomo de Milán.
 
Ningún de nós (Bibiano e mais eu chegábamos alí o día 10) podía imaxina-lo que estaba a pasar en Ferrol. A consternación, máxime coa encomenda que levábamos, era total. Ós primeiros momentos de confusión e desconcerto seguiu un compromiso aínda máis evidente para da-lo “do de peito”. E traballamos arreo naqueles días, xunto con Xerardo Moscoso, Elisa Serna e Julia León.
 
Á volta, xa estábamos advertidos, era máis que probable que recibíramos algunha “visita” inoportuna. Efectivamente, ós dous días de chegar xa tiña a luz azul intermitente á porta da casa. Acompáñanos. E métenme no coche. A verdade é que aquel subcomisario, Armas, sempre segundón do poderoso e cínico Armada, non daba moito medo, ou non tiña outras instruccións máis que as de, unha vez máis, deixar claro que “aquí se sabe todo” , prometer unha chea de “hostias” e cerrar con “ya verás como cuando lleguen los tuyos quieres ser comisario de pueblo” . A algúns o subsconsciente xógalles malas pasadas ¿non?
 
 
XOSÉ AFONSO, CAPÍTULO APARTE
Aínda houbo tempo antes de rematar abril para chamar a Porto, a Discos Orfeu a pregunta-lo enderezo do Zeca Afonso, colle-lo coche e plantarnos na sala da súa casa. Por fin tiña diante de min a aquel “tipo estrano” que tanto teimara por coñecer. ¡Ah! Pero el non nos coñecía a ningún dos catro galegos que tiña diante del. E non era para andarse de coñas; a PIDE (Policía política de Salazar) rondaba a casa e calquera podía ser PIDE. Ademais estaba o do idioma. E voçês, ¿são mesmo galegos da Galiza? E logo, ¿fálase mesmo assim lá cima? E así dúas horas de duro “sondeo” ata que, atando cabos, entendeu que éramos “galegos da Galiza” e non PIDES. Despois foron outras dúas horas de conversa compulsiva e emocionada de quen acaba de albiscar un océano do outro lado da serra. E dous anos de casi continuo ir e vir estar aquí e estar alá, convivir traballar, cantar, aprender moito a cambio de casi nada. ¡Gracias amigo “Mañas” por facerme oír, no teu mínimo ático do Madrid dos Austrias aquel inesquecible Traz outro amigo tambêm !
 
Primeiro en Galicia (xa o 8, 9 e 10 de maio) Despois, Asturias, París, Bruxelas (cantando con Bibiano debaixo do Atomium no ano 72, ¡casi ná! ) Pero podo asegurar que o público, ás horas que nos tocou tocar, estaba máis interesado en botar unha “soneca” que en escoitarnos a nós.
 
Vicente estaba agora de profesor en Glasgow, e iniciamos Bibiano e mais eu unha serie de xiras (penso que foron 3 en total) por moitos lugares da emigración galega en Suíza.
 
O 73 colle a Bibiano na “mili” en Madrid, Moscoso fixera “abur” para Suíza e quedo máis solo que a unha. Aproveito para ir aprender algo de inglés alá cos nativos mentres paso brillo ós platos e mesas dun griego emprendedor por terras de Dick Turpin, en York, onde estaba Xaquín Álvarez Corbacho preparando o seu “master” . Dun saltiño vexo ó Araguas en Londres e o levo naquel Dyane-6 tolo que tiña a Glasgow.
 
De novo Portugal, Asturias, e Madrid. Todo con Xosé Afonso. Desa época é a gravación do seu L.P. “Eu vou ser como a toupeira” , en Madrid, onde nós, Maite e máis eu, tivemos unha participación moi grata.
 
E o 25 de abril. Para que logo digan. Esta xente, que non tiñan nin para un micro nun pabellón de deportes, teñen para comprar de saldo un xeneral con monóculo; os presos na rúa e os PIDES na trena . E os amigos, periodistas, músicos, escritores, etc., empezan a aparecer dirixindo periódicos, revistas, compañías de teatro, grupos de baile. E o Zeca que delira. ¡É incrible! Pero é verdade: a libertade está alí, daquel lado do río…
 
 
DE “VOCES CEIBES” Ó M.P.C.G.
En xuntanza que reúne a Vicente Araguas, Bibiano e a min dase por “finiquitado” o grupo formalmente no final do ano 74. Pero ¡teimudos que somos! Un mes antes iniciáramo-la constitución do “Movemento Popular da Canción Galega” que, baixo uns principios moito máis “transixentes” que os de “Voces Ceibes”, agrupou xentes tan variopintas como “Faiscas do Xiabre”, Pilocha, Antón Seoane e Rodrigo Romaní, Quintas Canella, Xurxo Mares, Xosé Manuel, Emilio Cao, Jei Noguerol, Miro, Luis Emilio Batallán, “Raíces da Terra”, Bibiano e Benedicto. A primeira e única gran ocasión foi o recital dado no Pabellón do Obradoiro de Santiago o 2 de marzo do 75 que congregou a máis de 5.000 persoas con ganas de canción.
 
Ese ano, o 20-N, todos dormimos máis esperanzados.
 
 
A CHAMADA TRANSICIÓN
Comeza formalmente para tódolos historiadores, coa morte do xeneral, a chamada Transición democrática: paso da dictadura a un sistema de libertades que, no ámbito que nos ocupa, tivo os seus máis e os menos. Padeceu a canción, como outros xeitos de expresión, o que se deu en chamar os “coletazos do franquismo”. Coletazos que non eran máis que a resistencia, a vida ou morte, da máquina enferruxada que nos deixou en herencia o ferrolán. Por unha banda, a canción, arroupada cada día por máis milleiros de seguidores; pola outra, o sistema que prohibía, censuraba e multaba.
 
O primeiro “bombazo” foi o “1º Festival dos Pobos Ibéricos”. A fórmula, moitas veces despois repetida consistía en buscar un cartel o máis amplo posible de cantores nun local, aberto ou pechado, no que poidera congregarse a meirande cantidade posible de público. No anfiteatro natural da Autónoma de Madrid cabían, e abofé que as había, unhas 40.000 persoas. E como se foran coidadores do redil, un cordón de grises e tricornios rodeando o lugar: a pé, a cabalo, en tanquetas e en helicóptero, que recibía os pertinentes asubíos do respetable cada vez que asomaba o fuciño.
 
Como aquelo funcionou mellor que ben, rapidamente se prepararon outros eventos similares noutras cidades con resultados variopintos: por exemplo, en Pamplona xa non se chegou a celebrar o que estaba previsto na Ciudadela e en Valencia, no estadio do Molinón, ateigado de público, fomos amablemente invitados polas porras a abandona-lo lugar.
 
En Galicia tivemos unha mostra que quedou gardada para a posteridade, polo menos na súa dimensión sonora: o 25 de xuño celebrouse unha “Homenaxe a Santiago Álvarez”, a la sazón na prisión de Carabanchel, xunto con Santiago Carrillo e outros dirixentes comunistas. O recital era no Pabellón de Deportes e ademais dos espectadores que enchían as gradas e boa parte do patio de butacas, había un cordón de uniformados que non pagaran entrada e que rodeaban, esta vez sen cabalos, a tódolos asistentes. Nun momento do acto, logo dos consabidos berros de “amnistía e libertá” , un mozo sae de entre o público das gradas cunha bandeira, non lembro se roxa ou tricolor, e inicia unha carreira cara o escenario onde Bibiano e máis eu mantiñamos un acorde rítmico coas guitarras en espera de inicia-lo canto de “Amador e Daniel”. Os policías de paisano preparados no patio de butacas lánzanse sobre o rapaz. Nese instante o graderío vense abaixo de berros e asubíos. Os polis desisten e o rapaz coloca a bandeira no escenario. Nós seguímo-la cantarela, logo doutra tanda de berros.
 
A racha prohibidora chega ata ben entrado o ano 77 dándose xustamente un récord nese tempo: de 12 recitais para os que se solicitara permiso nos meses de xaneiro, febreiro e marzo dese ano, só o concederan ¡para 4! é dicir, o 75 % de prohibicións.
 
 
A “NORMALIDADE”
Ese ano iníciase a “normalidade” profesional coa grabación dos primeiros discos L.P. e continúa cunha moi intensa actividade canora, moi importante no que se refire á presencia fóra de Galicia da canción galega. Cataluña, Navarra, País Basco, Valencia son destinos habituais e tamén Italia, Francia, Bélxica ou Venezuela reciben a visita dalgún de nós.
 
E como tódalas situacións ou actividades máis ou menos normalizadas, a de cantor galego tamén tivo os seus remates. Por agotamento, por outras perspectivas, nalgún momento por desencanto ou por incomprensión, o forno dos nosos bolos quedou no inicio dos 80 definitivamente pechado.
 
Se se fala do 23-F como remate formal da transición, a este menda pescoulle falando en Ribeira sobre instrumentos de música en Galicia a un animoso grupo de entusiastas que alí me levaron.
 
 
FINALE MA NON TROPPO
En tempos en que tantos “aprendices de bruxo” hai, ós que lles encanta o de “todo vale” e, polo tanto, fan a cotío totum revolutum na historia da canción galega, non está de máis botar unha ollada serena para atrás de verdade. Iso pretendín con estas notas, absolutamente subxectivas e apaixoadas ata o tormento e das que o único responsable é quen isto escribe, que exerce libérrimo o dereito da memoria conscientemente selectiva e neuróticamente teimuda.
 
Ós que seguen a pensar que todo vale e que todo é o mesmo dígolles que ¡que se lle vai facer! Algúns seguiremos estando deste lado da raia por moito que outros, gurús de aldea, sigan empeñados en despintala.
 
Para aqueles exploradores da historia que queiran reescribila sen refacela, e poder facer isto sen o peso da propia vivencia, están abertas as carpetas, os arquivos dos papeis e da memoria.
 
A tódolos interesados no tema recomendo vivamente, de novo, a lectura placentera e divertida do libro de Vicente Araguas, “Voces Ceibes”, editado por Edicións Xerais.
 
E os máis novos que, sen saber moi ben como, descubran un interés nisto, que saiban que os que participamos nesta gran aventura non o fixemos atándonos a nada nin a ninguén. Limitámonos a ser “dun tempo e dun país”.
 
 
Santiago, maio de 2001
Benedito García Villar

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GrândolaTraduções
23/03/2006By AJA

Grândola traduzida

Retirado do site (http://www.prato.linux.it/~lmasetti/antiwarsongs/)

(Aqui podemos também encontrar 10 músicas de José Afonso traduzidas para italiano.)
GRÂNDOLA VILA MORENA
José “Zeca” Afonso(1950)
Se mai esiste una canzone “storica” nel senso più completo del termine, questa è “Grândola vila morena”. Fu infatti la trasmissione per tre volte consecutive di questa canzone di José Afonso (fino ad allora assolutamente proibita) dalle onde di Radio Renascença, che diede il segnale d’inizio, alla mezzanotte del 25 aprile 1974, ala “Revolução dos cravos”, la “Rivoluzione dei garofani” che mise fine alla dittatura fascista portoghese. Una canzone che parla di fraternità, di pace e di uguaglianza presa a simbolo da delle forze armate che, una volta tanto, fecero veramente il bene del loro popolo (interrompendo, tra le altre cose, le sanguinose guerre coloniali che stavano letteralmente dissanguando il Portogallo).
Grândola è una città del sud del Portogallo che, alla fine degli anni ’40, vide un tentativo di cooperativa agricola popolare del tutto inviso al regime salazarista. Da qui la proibizione della canzone.
GRÂNDOLA BRUNA CITTA’
Versione italiana di Riccardo Venturi
Grândola, bruna città
terra di fratellanza
è il popolo che più comanda
dentro di te, o città.
Dentro di te, o città
è il popolo che più comanda
terra di fratellanza,
Grândola bruna città.
A ogni angolo un amico,
su ogni volto l’uguaglianza
Grândola bruna città
terra di fratellanza
terra di fratellanza,
Grândola bruna città
su ogni volto l’uguaglianza,
è il popolo che più comanda.
Ed all’ombra d’una quercia
di cui non so più l’età
giurai d’aver per compagna,
Grândola, la tua volontà.
Grândola, la tua volontà
giurai d’aver per compagna
all’ombra d’una quercia
di cui non so più l’età.
GRÂNDOLA VILA MORENA
(Stadt der Sonne, Stadt der Brüder)
Versione tedesca di Franz-Josef Degenhardt
Grândola, vila morena
Stadt der Sonne, Stadt der Brüder,
Grândola, vila morena,
Grândola, du Stadt der Lieder.
Grândola, du Stadt der Lieder,
auf den Plätzen, in den Straßen
gehen Freunde, stehen Brüder,
Grândola gehört den Massen.
Grândola, vila morena,
viele Hände, die dich fassen,
Solidarität und Freiheit
geht der Ruf durch deine Straßen.
Geht das Lied durch deine Straßen,
gleich und gleich sind uns’re Schritte,
Grândola, vila morena
gleich und gleich durch deine Mitte.
Deine Kraft und euer Wille
sind so alt wie uns’re Träume,
Grândola, vila morena
alt wie deine Schattenbäume.
Alt wie deine Schattenbäume
Grândola, die Stadt der Brüder,
Grândola, und deine Lieder
sind jetzt nicht mehr nur noch Träume.
GRÂNDOLA LA VILLE BRUNE
Versione francese di Riccardo Venturi
Grândola, la ville brune
terre de fraternité
c’est le peuple qui s’impose
dans toi, ô vieille cité.
Dabs toi, ô vieille cité
c’est le peuple qui s’impose
terre de fraternité,
Grândola, la ville brune.
A chaque coin y a un ami,
dans les yeux l’égalité,
Grândola, la ville brune
terre de fraternité.
Terre de fraternité
Grândola, la ville brune,
dans les yeux l’égalité,
C’est le peuple qui s’impose.
C’est à l’ombre d’une yeuse
dont j’ignore encore l’âge
que j’ai pris ta volonté
comme compagne de voyage.
Comme compagne de voyage
oui, j’ai pris ta volonté

Grândola, sous une yeuse
dont j’ignore encore l’âge.

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Homenagens e tributos (poesia)
23/03/2006By AJA

Poemas a José Afonso

Idílio com a morte
Fátima Maldonado

Para o José Afonso

I

Após duelo hórrido
tenaz o cavaleiro
jaz inerte
mas não está vencido,
melhor dizendo perdeu os estribos
e vai sem pedais em direcção à morte.
Quem sabe, talvez ela o console,
lhe dê afinal o que nenhuma mulher,
sereia, sílfide ou cadela
logrou entregar,
abrir, envolver ou mostrar.
Nunca viu horizonte
onde pudesse à sombra do pinhal descansar,
o escudo recebendo a carícia do sol,
nem no regaço a dama do licórnio o acolheu
ou conheceu a partida das lágrimas
e mesmo assim o cavaleiro não esquece
feras letras, vocábulos no zénite
que a vida lhe ensinou a desdenhar.
Quando for o regresso
mais sábio, mais seg’uro e mais audaz
talvez então se resigne ao amor.

II

Pediu o cavaleiro
ao homem que maneja
o ferro
o seu vocabulário.
Pediu-lhe emprestadas
as formas das censuras,
o fia gelo, a vergôntea, o montante,
a pólvora que rodeia
os vocábulos
e fez delas coroas de espinhos.

Salutación á José Afonso
Atahualpa Yupanqui 9 Marzo 1985

Ya no estoy en tu piedra. hermano Afonso.
Como un viento de mi pampa
/legué /leno de cantos enamorados y salvages.
Aqui quedan algunos, cerca de tus olivos.
junto a los rios, trepando ca/les
y caminos duros. Ouros como los hombres y
las cosas.
Como no amar la tierra, compaflero?
Si en el aroma fuerte de la hierba
te saluda en la tarde la paloma escondida.
La mano deI amigo es tu estandarte.
Tan hondo como el mar es el amor deI pueblo.
Donde quiera que vayas, la poesia amanece
como una novia inacabable y tierna.
A mi América vuelvo, José Afonso.
Te abrazo. hermano, y aI combate vamos.
Somos hechos de lúz y polvareda.


José Afonso

Hélia Correia

Em louvor da desordem.
Exaltando
o vinho e os seus fermentos.
Em louvor dos motivos
e em louvor
da pura insensatez,
nos sentaremos nós ouvindo este homem,
atravessados pelo seu galope.

Como a uma criança, aconchegamos tudo aquilo que ele amou.
Tudo o que é térreo
e sujo
e sorridente,
e oferece o rosto
de chapão à luz.
Coisas que nos deslizam sob a pele disparando calor.
Regendo as linhas
fundamentais da vida.

Há um nó de caminhos onde este homem
se pôs a esconder pólvora e sementes,
calendários rurais.
Dele não pode falar-se sem que se ouça
a espantosa alegria.
Sem que de novo bata pelos sítios
o eco de um tambor.

É bem possível
que a canção vele, oculta nas cidades.
Que se incline nos nossos pensamentos
como um espelho lunar,
duro e pacífico.
E sob o seu olhar nos desloquemos
por entre a turbulência.
E dela venha um íntimo sentido
e o seu ardor nos saiba
conduzir.

Pois deste homem ficou o ofício.
Os meios.
Sabemos de que modo se levantam
as pedras sobre as pedras.
Sabemos de que modo
as aguçar.

Existe ainda
um cordão de linguagens.
Vibra teimosamente o ar, movido por sopros
e até mesmo
por fadigas.
E a sua voz empurra e alimenta essas circulações.
É o vento do sol
que permanece.

Homenagem a José Afonso
Luís Serrano

Esta voz
é o que resta dum grito
ou dum silêncio
ou dum pranto desabitado
voz solitária e branca
onde uma água desprevenida
lentamente anoitece
a memória das coisas
está nessa luz desamparada
que respira
e também os filhos esses
tão incertos
delicados frutos
por quem perseguimos
lágrimas e risos

Novos cruzados
Lembrando Luiza Neto Jorge e as suas deambulações em Faro com A. Barahona, Zeca, Bronze e Pité
Luiza Neto Jorge

Sequiosos descem,
seus corpos de esponja
a rolar na treva,
iates rompendo
à babugem de água,
caravanas caras
em fossados por
rochedos e hortas,
sedentos recolhem
cisternas, piscinas
sob o seu pendão,
e saqueiam, sangram
consagrados à
salvação do corpo
estes cruzados!

Para José Afonso
António Ramos Rosa

O canto que se erguia
na tua voz de vento
era de sangue e oiro
e um astro insubmisso
que era menino e homem
fulgurava nas águas
entre fogos silvestres.
Cantavas para todos
os acordes da terra,
os obscuros gritos
e os delírios e as fúrias
de uma revolta justa
contra eternos vampiros.
Que imensa a aventura
da luz por entre as sombras!
A vida convertia-se
num rio incandescente
e num prodígio branco
o canto sobre os barcos!
E o desejo tão fundo
centrava-se num ponto
em que atingia o uno
e a claridade intacta.
O canto era carícia
para uma ferida extrema
que era de todos nós
na angústia insustentável.
Mas ressurgia dela
a mais fina energia
ressuscitando o ser
em plenitude de água
e de um fogo amoroso.
É já manhã cantor
e o teu canto não cessa
onde não há a morte
e o coração começa.

Quando a luz fechou os olhos
Janita Salomé

Quando a luz fechou os olhos
Amansou a terra um ar morno
De cinza, doce, de cores desmaiadas
Pelos perfumes vindos no bafo da noite

Do ramo mais fino do silêncio
Soou o rouxinol num canto dorido
De seda e ondas, que soltava em cada nota
Um fio delicado de fumo como fogo-fátuo

Teceu um véu e ali se guardou
De volta às entranhas da vida
Basta um sopro mágico, liberto,
Para que a luz acorde a cantar

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Imprensa estrangeiraUruguai
23/03/2006By AJA

Frente a la muerte del gran José Afonso

(Artigo publicado no Uruguai, aquando da morte de José Afonso no semanário Brecha, a 13/3/87)
 
Murió José Afonso
ZECA, LA REVOLUCIÓN Y LOS CLAVELES
Es difícil hablar del portugués José Afonso sin referirse a la revolución de abril del 74, tal vez porque nunca antes el momento insurreccional de un pueblo estuvo tan estrechamente ligado a la figura de un cantante popular. Y viceversa. Muchas veces ha sido narrada en prensa la anécdota de que una canción “Grândola Vila Morena”emitida en cadena por todas las radios portuguesas sirvió de contraseña para el alzamiento del Movimiento de las Fuerzas Armadas, integrado por militares de izquierda, y el apoyo inmediato del pueblo, que el 25 de abridle 1974 acabó incruentamente con más de cuatro décadas de dictadura salazarista en Portugal. Precisamente José Afonso era autor e intérprete de aquella canción, hoy inmortal, que fue señal para que tanques y pueblo ganaran la calle liquidando un sistema de terrorismo de Estado tan ignorado como inconcebible.
 
La revolución de abril “fue hecha sólo con claveles, por eso fue derrotada desde fuera y saboteada desde dentro” según nos lo refieren testigos presenciales de la época. Sin embargo, el nombre de José Afonso continuó creciendo en el tiempo hasta transformarse en el símbolo civil de una revolución originada en los cuarteles.
 
Pero José Afonso fue (y es) mucho más que todo eso. Artista de talla sin par, renovador, cantante notable e investigador de la música de su pueblo, nexo fundamental entre la tradición folclórico-rural y la nueva música, impulsor de la “canción de intervención” (denuncia), figura iluminadora de la Música Popular Portuguesa (MPP), movimiento musical que no tiene parangón en toda Europa Occidental, por su calidad, su diversidad y proyección de avanzada.
 
Extraemos de un reportaje que le fuera realizado por Daniel Viglietti el 26 de enero de 1983:
 
Ha sido (la MPP) un movimiento muy importante porque ha sido subversivo. Ha penetrado en los cuarteles, en todas partes. Nosotros transmitimos clandestinamente en Argel, en Guinea, para los militares y eso tuvo importancia para el golpe del 25 de abril”. (1)
 
Por desgracia, Portugal ha sido siempre un país aislado, ignorado y despreciado por la Europa desarrollada. Y por ende lo han sido su música y sus nuevos compositores. Afonso fue quien más logró trascender fronteras físicas y las que imponía la venta oficialista de estampitas de folclore decorativo hechas con el “fado”, auténtica expresión del pueblo portugués pero manoseada y manipulada hasta el cansancio con fines de explotación turística cuando no política del régimen Salazar-Caetano.
 
José “Zeca” Afonso nace en Aveiro, en 1929. Cantando fados y baladas llegará a adquirir renombre en Coimbra, ciudad universitaria donde es estudiante de historia y filosofía. Más adelante será doctor. Sus primeras grabaciones datan de 1957. Dos períodos de su juventud transcurridos en colonias lo vinculan a la música africana, de la que encontraremos huellas evidentes en su obra posterior. En 1967 regresa a Portugal y dicta clases en el Instituto, de donde la dictadura lo expulsa por su posición antifascista, que también se deja ver en sus nuevas canciones.
 
A partir de lo cual se suceden encarcelamientos, prohibiciones sistemáticas de cantar, de editar y difundir sus grabaciones y libros (que igual corren a través de la resistencia), desplazamientos controlados, penuria económica y un stress nervioso a causa de la persecución física e intelectual. Hay miedo de editarlo, a pesar de su innegable calidad. Por fin logra un acuerdo con el editor Arnaldo Trindade y puede componer, grabar e investigar con regularidad. Sus canciones denuncian abierta o veladamente los crímenes de la represión salazarista, satiriza los reveses militares en las colonias, narra episodios de la resistencia popular, caricaturiza el poder del clero y de la burguesía, sus textos amorosos se alternan con descripciones de la vida del pueblo, el drama de la emigración… Canta donde puede, realiza giras para emigrados y refugiados, se convierte en figura central de la resistencia popular.
 
“La intervención no puede ser directa. No lo puede ser en menosprecio de la calidad. Tiene que haber un ingrediente. Un componente lúdico muy fuerte, muy identificado con las energías de la tradición popular y además creativo. Tiene que ser siempre “para frente”. El clisé, el estereotipo es muy peligroso.” (2)
 
Llegará abril, “Grândola Vila Morena”, las banderas, los camiones y la historia más conocida. Entre sus temas posteriores, también encontramos coplas implacables contra la socialdemocracia, principal agente corruptor de la revolución portuguesa. Todas sus canciones, incluso hasta las que podrían tildarse de “panfletarias”, están signadas por una incomparable altura musical y poética.
 
Hasta tal punto fue incruenta la Revolución Portuguesa, que generó situaciones absurdas. Muchos puestos de poder continuaron detentados de un régimen a otro por elementos caetanistas, por ejemplo en la raioteledifusión. A cierta altura del proceso democratizador, “alguien” imparte la orden de difusión radial a rajatabla de las canciones más panfletarias de la MPP. Resultado: al cabo de un año se logra sobresaturación y desinterés total en el público hacia un movimiento que en realidad entrañaba sus mejores tradiciones culturales. Con la televisión fue distinto. Alegando el conocido “verso” de “falta de calidad, excesivo costo de producción, falta de representatividad, arte menor producido por y para minorías (3), al tiempo que comenzaba la escalada en la producción de lo mediocre, del mal gusto y del enlatado acéfalo”.
 
“Zeca” Afonso, pese a ser obviamente conocido, valorado y respetado en todo Portugal, tampoco pudo escapar a esa política criminal. Sólo en 1983, ante el estado público de su irreversible enfermedad, la televisión le confiere el ridículo espaldarazo de concederle una hora de programa especial, mutilándole un recital en el Coliseu dos Recreios de Lisboa en el que Afonso realizaba un resumen de su obra musical . (4)
 
“¿Y en esa situación actual de Portugal, frente a la que se puede producir un cierto desaliento en la población, es que la canción ha seguido jugando un rolde llamita, de chispa?” “Sí. Creo que nunca se ha terminado ese sentido de militancia política. Creo que la canción política ha pasado de una forma directa y un poco panfletaria -inmediatista, funcional, simplista, casi manifiesto político…se han cometido errores- a una faz un poco tecnicista, evolutiva, un poco esteticista, que es la que estamos viviendo ahora” (5).
 
Pocos días atrás, murió finalmente “Zeca”Afonso, aquejado de una enfermedad que destruía inexorablemente su musculatura. Sus cerca de 20 discos editados nos hablarán por siempre de una obra formidable y ejemplar.
 
Jorge Bonaldi
 
 
(1) Audición musical “Tímpano”
(2) Ídem.
(3) No, lector. No estamos hablando de Uruguay. Pero ¿verdad que lo parece? El entrecomillado pertenece a Mario Correia, ex integrante del Movimiento de las Fuerzas Armadas y director de la revista portuense “Mundo da cançao”. Hoy (2003), al revisar esta líneas, me vuelve a rechinar otra similitud de situaciones: el desmedido apoyo que dio Radiotelevisión Española a “Operación Triunfo” en detrimento de la difusión de la verdadera canción española, la canción de autor, utilizándose casualmente los mismos argumentos que en el caso portugués por parte de las autoridades de RTVE, quienes sin dudas responden a intereses de políticas oficiales. ¿Casualidad?
(4) Presenciamos personalmente la emisión y también la indignación de sus colaboradores cercanos.
(5) Citado reportaje de Viglietti.

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Homenagens e tributos (2006)
18/03/2006By AJA

José Afonso na UNICEPE

Na próxima quarta feira, 22 de Março às 21.30 vai haver José Afonso na Unicepe Praça Carlos Alberto 128 A – Porto
A próxima sessão de Memórias da Música UNICEPE fica às portas de Abril. A um mês da data da Revolução é inevitável a sua Senha, quem a criou e cantou.
José Afonso e a utopia, os fados de Coimbra, as baladas, as canções de intervenção. Vamos conversar sobre ele com os seus amigos, ouvir as suas gravações, evocar a sua obra.
Jorge Ribeiro traz consigo escritores, Carlos Andrade e a sua viola, e o actor Amílcar Mendes que vai dizer poemas que o andarilho nunca musicou.
No dia 22 de Março, quarta-feira, às 21h30m, «venham mais cinco» à UNICEPE. É que, como dizia o Zeca, «por vezes o inimigo somos nós próprios, a nossa própria consciência e os alibis de que nos servimos para justificar a modorra e o abandono dos campo de luta».
Traz outro amigo também.

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Associação José AfonsoSócios
12/03/2006By AJA

Participar

…mais um apelo, mais um apelo revisitado, desta vez sobre a participação. Actual? Sempre.
As associações são como as marés. Enchem e vazam. Um esforço a mais pedido a cada um dos poucos que se atarefam em redor de actividades particularmente absorventes, tem o seu reflexo numa espécie de maré baixa, em que se reconstituem os novos equilíbrios do esforço colectivo e individual.
O associativismo em Portugal – e não sabemos se fora o será também – é isso mesmo: uma difícil gestão das pessoas disponíveis, das horas disponíveis, dos tostões disponíveis, e também dum capital moral que o quotidiano tende a dissolver no diluente da tecnocracia ou do consumismo pessoal ou, simplesmente, do comodismo.
Este número da revista é testemunho dum desses refluxos, que oferece ao menos a vantagem de se poder olhar o fundo, antes coberto duma superfície azulina, ou seja, a oportunidade dum balanço. De facto, sai com sensível atraso. Se daqui passarmos ao campo das restantes práticas, tardam algumas soluções. Especialmente porque a questão do espaço de que carecem, dito noutros termos, a sede, se mantém em aberto, não obstante os últimos e propiciatórios desenvolvimentos do assunto, a que voltaremos se e quando algo de mais concreto surgir.
Apesar disto, desta limitação espacial, sempre foi possível desenvolver um programa de acção, em que desde o início, de resto, nos empenhámos. Ultrapassando a rotina que, também aqui, espreita, insidiosa, se for fechado e estreito o círculo em que nos movemos.
Não. Abrir sobre o corpo associativo as janelas e nutrir-se dele, da sua seiva renovadora, é o espírito que se quer, se não associacionista, pelo menos da A.J.A.
A participação possível dos associados. Participação desde logo na elaboração da revista, cujo pedido se renova. Participação através das sugestões e reparos. Participação no alargamento dos nossos horizontes sociais, na dinamização local. Participação na revelação ou fornecimento de elementos etnográficos ou simplesmente noticiosos referentes a José Afonso, etc.. Participação, em suma, de tantas e tão diversas maneiras. Participação.

Revista AJA nº5 1989

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Rui Eduardo Paes
12/03/2006By AJA

A música de José Afonso está por estudar

Publicado em 1990 na revista nº6 da AJA, este artigo de Rui Eduardo Paes, reveste-se de uma enorme importância por duas razões. Primeira: desde então quase nada foi feito em termos de resposta a este texto/apelo, exceptuando a obra de Elfriede Engelmeyer “José Afonso, poeta”. Segunda: vai ao encontro da frase proferida por Alípio de Freitas “José Afonso é o nosso Bach”, na homenagem de Guimarães do mês passado, a qual, descontextualizada, suscitou algumas reacções precipitadas, já que no contexto do seu discurso, Alípio de Freitas, simplesmente quis dizer o mesmo que Rui Paes disse há mais de 15 anos atrás, ou seja, que chegou a hora da obra de José Afonso ser estudada. Como diz Rui Mota: “Não sei se é o “nosso” Bach, mas deve ser estudado como tal. Porque não promover um colóquio sério sobre a obra poético-musical do Zeca, convidando especialistas da matéria. Há-os em Portugal e no estrangeiro e uma simples pesquisa permitirá descobrir onde eles/elas se encontram…
Esta é uma boa altura para fazê-lo: 20 anos passados sobre a morte do Zeca e a criação da AJA.”
Aqui fica o texto, aqui fica o apelo.
 
Se o leitor destas breves linhas se der ao trabalho de averiguar o que já foi escrito a propósito da música de José Afonso, e falo especificamente da música, não dos poemas ou da sua militância, verificará que muito pouco ou mesmo nada ficou registado em letra de imprensa. É um trabalho, pois, que está por fazer.
E no entanto parecia óbvio a aliciante da tarefa para os musicólogos ou jornalistas especializados que poderiam, juntamente com os cantautores que privaram com o criador de Grândola Vila Morena, ir ao fundo das suas motivacões músicais. Não pretende ainda esta prosa colmatar tal ausência de reflexões retrospectivas, coma adiante se verá, mas tão só Iançar o repto necessário a quem esteja mais preparado.
Tenha-se em consideração, antes do mais, que a música popular portuguesa não é área em que eu habitualmente me movo, mas sem dúvida nenhuma que a música de José Afonso entronca com os valores e os procedimentos que me cativam e vem sendo objecto de uma intervencão jornalística e crítica minha já de anos. 0 que dele sei permite-me considerar que não the tem sido feita uma justiça proporcional ao seu exemplo – é demasiado habitual vermos quem use a figura do Zeca Afonso para defender estranhos conceitos de nacionalismo e isolacionismo músical, ao encontro de uma portugalidade que é na verdade muito menos pura do que se pretende fazer crer. Bastaria ter um mínimo de conhecimentos históricos para percebê-lo, se a ideologia não fosse mais poderosa do que a simples factologia.
Passemos ao lado de maiores considerações a propósito desta esquerda com contornos ideológicos nacionalistas e contra-natura, para argumentar que José Afonso é o primeiro e o maior dos compositores e intérpretes da MPP a configurar uma música que é o produto de confluências de género, geografia e história, ou seja, algo de fabricado e conceptualizado. Pode-se admitir que a introdução de ritmos africanos é complementar, nalgumas das suas cancões, ao projecto de uma música de cariz português que não aliene nenhum dos seus ângulos e nenhuma das consequências presenciais do português no mundo, partindo do razoável princípio de que toda a cultura, incluindo a músical, se alimenta das suas exterioridades, das suas margens. Quando José Afonso tocava e cantava segundo uma tipologia africana era ainda de música portuguesa que se tratava, portanto.
Mas é precisamente neste ponto que reside o cerce da questão. Toda a música que dispõe de uma identidade, distinguindo-se por ela e a partir dela, é também uma música que se dâ ao mundo. Ou para ir ainda urn pouco mais longe: a música portuguesa do Zeca vale enquanto música do mundo, e se é portuguesa porque é uma música do mundo, porque resultou de um determinado percurso histórico e humano, porque transformou as geografias (Europa, Península Ibérica, África, no caso) mediante a sua transversalidade cultural e física, porque interiorizou as expressões musicais que a rodeavam, lhe deram enquadramento e razão de ser.
José Afonso talvez tenha sido o mais feliz cantor do chamado fado de Coimbra, e se esta é uma opinião pessoal, não fica difícil confirmá-la. O fado de Coimbra, como se sabe, é uma música de raiz, tem uma autenticidade própria, mas convém lembrar de que se trata, igualmente, de uma construção, não de uma forma «natural» de música. Em cultura nada há que seja natural, tenha-se coma assente. Vamos pois ao resto. 0 Zeca fez um excelente trabalho de recolha da tradição musical portuguesa, uma tradicão que apresenta, diga-se para mais, uma boa diversificação de modelos a origens e já por si comprova os cruzamentos que constituem isso que é «ser português». Esses temas vestiu-os numa fórmula da canção que, obviamente, não surgiu do nada. De onde vem ela, então?
De tantas e tantas práticas que conheceu de outros músicos a cantores de similar empenhamento, entra catalães a italianos, franceses e bascos, irlandeses e alemães, entra cantores de intervencão de nacionalidades várias, entra escolas muito bem caracterizadas (a «chanson française», por exemplo), entra autores de música popular. Compositor original, sem dúvida, José Afonso pertence de qualquer modo a uma família de características claramente definidas, com pares à altura na cena internacional. E porque nunca o Zeca pretendeu traduzir na sua música aquilo que Portugal era antes da Revolucão, isto é, um país fechado sobre si mesmo, ante a lonjura de um mar metafísico e os montes junto da fronteira espanhola que serviam para esconder a emigragão, ele fez questão em «produzir» os seus discos com a distanciação imprescindível para o reconhecimento. Lembro-me do seu convite a um brasileiro para certo trabalho de produção, um jovem chamado Phototi. Nessa altura não clamaram as salazaristas de esquerda.
José Afonso gostava dos blues, do jazz, e até alguma coisa do rock – menos, todavia – podemos encontrar nos seus álbuns. Nos arranjos, mas mais estruturalmente na composição, isso é evidente, e não oferece matéria para imprecisões conjecturais. Ou julgariamos que não, mas afinal houve quem não escutasse o Zeca com atencão. É pena, mas no meio de outros desmandos que sobre ele já se fizeram não é para admirar. Corrija-se a tempo este legado: a música de José Afonso está por estudar.
Rui Eduardo Paes

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Imprensa
03/03/2006By AJA

José Afonso: o último concerto da clandestinidade

– Revista “Pública” 27 de Fevereiro 2006

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Imprensa
02/03/2006By AJA

O Zeca Afonso é o nosso Bach

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TestemunhosXoán Gutían
28/02/2006By AJA

Texto de Xoán Gutián

(Texto enviado a Viriato Teles)

Amigo Viriato, amigos do Zeca: Foi alá polo ano 1972. Moi poucos na Galiza sabían do Zeca e moi poucos coñecían a realidade dura e triste de Portugal. En maio daquel ano chegou a Compostela da man do Zeca un ar novo que nos falaba de liberdade, de solidariedade, de paz. Sobre o escenario do Burgo das Nacións cantou por vez primeira en público oseu “Grândola”.¡Que lonxe estabamos de saber o que esa canción significaría no futuro! Pero, ¡que cerca sentimos aquela tarde ó pais amigo,a súa realidade, o seu combate!. Foi a vosa canción, pero tamén foi para sempre nosa.Tiña eu 17 anos e non esquecerei nunca aquel día. A voz do Zeca, transparente e luminosa, marcou para sempre a miña traxectoria persoal:Portugal, quer dicir os portugueses (que non hai máis patria que os homes),converteuse xa para sempre nunha constante na miña vida. Foi o mellor regaloque recibín e nunca poderei pagar a débeda que teño contraída.Pasaron logo moitas cousas..A vida dá moitas voltas e eu pasei de ser o mozo deslumbrado pola voz e a poesía do Zeca a ser “o home do armario”… Zelia,Joana e Pedro saben do que falo. Nunca esquecerei. Agora, cando teño dúbidase cando me sinto triste, pego na viola e canto…Sempre Zeca. Seguirán existindo miserias, explotacións, crimes e torturas – existe Guantánamo, por citar un caso- pero o futuro vai ser moito mellor porque andan polo ar as notas das cancións do Zeca, a súa voz, a súa palabra, quenos axudan a saber que o mundo será, máis cedo que tarde, unha cidade sen muros ne ameias.E cando as cousas van mal, cando o pao que comes sabe a merda, o que faz falta é lembrar ó Zeca: cantor, amigo e mestre. Obrigado polos esforzos que facedes mantendo viva a memoria dun artista irrepetible e dun cidadán exemplar.Desde Galiza, unha aperta forte do amigo 
Xoán Guitián
Facultade de Química-Biblioteca
Avda. das Ciencias, s/n15782 – Santiago
xguitian@hotmail.com

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ImprensaTestemunhos
27/02/2006By admin-aja

O Zeca Afonso é o nosso Bach

Admiradores do cantor querem ver a obra
“fora do comum”
que ele deixou estudada em profundidade

Omnipresente, o espírito de José Afonso pairou, desde a tarde de sexta-feira até à madrugada de ontem, por todos os recantos do Centro Cultural Vila Flor, de Guimarães – até no parque de estacionamento se ouviam os discos do Zeca. No exterior, uma Chaimite e alguns soldados tornavam mais óbvia a relação umbilical com Abril. Debates, exposições, livros, filmes, documentários e, claro, muita música em dois concertos – com reminiscências do canto livre e dezenas de amigos em palco – atraíram mais de um milhar de pessoas (entre eles, três padres ou antigos sacerdotes) à homenagem que marcou os 19 anos da morte do cantautor. A canção, essa, continua viva. Aliás, ouviu-se dizer que foi dos maiores criadores universais, melhor do que os Beatles e só equiparável a Bach. Por isso, rompeu um clamor: “Estude-se o Zeca!”.
“Bach sintetizou tudo o que havia antes dele e reinventou o futuro. Depois dele, ninguém inventou mais nada. O Zeca Afonso é o nosso Bach”, sublinhou no debate o professor universitário Alípio de Freitas, ex-padre e guerrilheiro, companheiro de Che Guevara e precursor do Movimento dos Sem-Terra, a quem o cantor dedicou um tema quando ele era torturado nas prisões da ditadura brasileira. “Estudem-no profundamente, porque ele foi adiante de qualquer um”, exortou Alípio, num emocionado testemunho – em especial quando se referiu à canção que o ajudou a sair do cárcere e se tornou num símbolo da luta contra a opressão na América Latina.
O paralelismo entre José Afonso e os clássicos foi também estabelecido pelo crítico musical Octávio Fonseca – autor de livros sobre Carlos Paredes e José Mário Branco. “O Zeca utilizava compassos combinados, muito pouco usuais até na música erudita”, acentuou, no decurso de uma explicação técnica sobre a obra do cantor, ilustrada com temas em que a “linguagem metafórica é mais incompreendida”. “Poeta brilhante e melodista fora do comum com uma imaginação desabrida”, sintetizou o crítico musical, para quem a nova música popular portuguesa terá resultado da “transformação” que José Afonso operou na canção de Coimbra.

As “missas ateias e inócuas”
O padre Mário de Oliveira (da Lixa) preferiu traçar outro paralelismo: entre José Afonso e Jesus Cristo – ambos “politicamente perigosos”. E aludiu à força que a fé cristã e a revolução podem ter quando unidas, sem deixar de referir que o Zeca “se está burrifando” para as homenagens, preferindo ver “outros a lutar pelas suas causas”. Se assim não for, sublinhou Mário de Oliveira ao seu estilo demolidor, este tipo de iniciativas “não passam de missas ateias e inócuas e de feiras de vaidades”.
Na mesma linha, o jornalista Rui Pereira pediu “menos entronização e mais estudo” para a obra de José Afonso, enquanto outro jornalista, Viriato Teles, relembrou o sentido de humor do autor da senha do 25 de Abril, e pediu que haja sempre “festa” nas homenagens que lhe façam.
E foi isso mesmo que aconteceu durante os concertos de sexta e sábado à noite. A solo ou em grupo, misturados ou não, dezenas de amigos cantaram as músicas do Zeca – os contemporâneos, como Manuel Freire, Pedro Barroso e o padre Francisco Fanhais, evocando também alguns episódios desconhecidos. Os outros – como Amélia Muge, Canto Nono, Astedixie, Luanda Cozetti (filha de Alípio de Freitas) ou os galegos Uxía e Ardentía – mostrando a influência do Zeca na sua formação.

Alexandre Praça, in Jornal Público, 27.2.2006

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Homenagens e tributos (2006)
27/02/2006By AJA

Algumas imagens da homenagem

Continuem a enviar mais imagens para a AJA, de forma a podermos ilustrar melhor o que se passou durante os dois dias de homenagem a José Afonso.

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Associação José AfonsoHomenagens e tributos (2006)
24/02/2006By AJA

Programa da homenagem a José Afonso em Guimarães

FEV/ MARÇO | GUIMARÃES
“PÃO COM SONHO”
(distribuição de milhares de sacos de embalagem de pão com dados biográficos e alguns poemas de José Afonso) Iniciativa da “Pavico”
Concentração Vimaranense de Panificação Lda e Biblioteca Municipal Raul Brandão

23 FEV/ 13 ABRIL | BIBLIOTECA MUNICIPAL RAUL BRANDÃO GUIMARÃES EXPOSIÇÃO: “ZECA AFONSO: O SONHO CANTADO”
Exposição da responsabilidade da Biblioteca Municipal Raul Brandão

Zeca Afonso: história de uma vida
Coimbra e os tempos de estudante
A obra – discografia – obras principais
O cantor e a sua criatividade musical: anatomia de uma carreira

24 FEV | 18 H | CENTRO CULTURAL VILA FLOR
ABERTURA DA INICIATIVA
Exposição da responsabilidade da Associação José Afonso
Bancas de livros e discos a cargo da AJA, “Mundo da Canção”, “As Formigas de Macieira da Lixa”
Espaço de mostra de objectos e documentos pessoais sobre José Afonso

18H30 | CENTRO CULTURAL VILA FLOR
ESPAÇO CAFÉ-CONCERTO
LANÇAMENTO DO LIVRO“ZECA SEMPRE”
Livro de depoimentos de autores galegos e portugueses sobre José Afonso da responsabilidade da Editora portuense – ARCA DAS LETRAS
Animação musical de rua

21H30 | CENTRO CULTURAL VILA FLOR | AUDITÓRIO GRANDE | 15 Euros
CONCERTO
MANUEL FREIRE
PEDRO BARROSO
JOÃO LOIO
DE OUTRA MARGEM (galaico-português)
CHAMASTE-ME´Ó
DINO FREITAS
MANUEL DE OLIVEIRA

24h | CENTRO CULTURAL VILA FLOR
ESPAÇO CAFÉ- CONCERTO
MÚSICA E POESIA DE JOSÉ AFONSO
Ambiente de Café – Concerto

25 FEV | 10H 3O | CENTRO CULTURAL VILA FLOR
WORKSHOP” SOB O TEMA: “(RE) VIVER ABRIL COM ZECA AFONSO – PARA UMA DIDÁCTICA DE UNIDADE”
Orientada para o sector do ensino, da responsabilidade do Sindicato dos Professores do Norte, com apoio editorial e audiovisual

A PARTIR DAS 15 H | CENTRO CULTURAL VILA FLOR
EMISSÃO “NON STOP” DE VÍDEO E PROJECÇÃO DO FILME “O ANÚNCIO”DO REALIZADOR JOSÉ CARDOSO
José Afonso participa neste filme interpretando “Vejam Bem”, para o qual compôs esta canção

CENTRO CULTURAL VILA FLOR
ANIMAÇÃO DE RUA NO ÁTRIO E JARDINS
Participação de alguns dos grupos integrantes dos elencos dos concertos

17H | CENTRO CULTURAL VILA FLOR
“JOSÉ AFONSO, O MÚSICO, O POETA, O HOMEM” DEBATE/CONFERÊNCIA
Moderado pelo jornalista RUI PEREIRA, este debate terá a participação de: ALÍPIO DE FREITAS, JOSÉ VIALE MOUTINHO, OCTÁVIO FONSECA, PADRE MÁRIO DE OLIVEIRA E VIRIATO TELES em representação do “mc”-MUNDO DA CANÇÃO,

21H30 | CENTRO CULTURAL VILA FLOR | AUDITÓRIO GRANDE | 15 Euros
CONCERTO
ARDENTÍA (Galiza)
AMELIA MUGE
LUANDA COZETTI
FRANCISCO FANHAIS
JOSE FANHA
ZÉ PERDIGÃO
CANTO NONO
ASTEDIXIE
UXIA (Galiza)

24H | CENTRO CULTURAL VILA FLOR
ESPAÇO CAFÉ- CONCERTO
MÚSICA E POESIA DE JOSÉ AFONSO
Ambiente de Café – Concerto

Os bilhetes para os dois concertos no Centro Cultural de Vila Flor são 15 Euros cada ou 25 Euros se adquirir os dois. À venda no site http://www.aoficina.pt/html/

Para saber como chegar até ao Centro Cultural de Vila Flor consulte também o mesmo site.

Organização do C.A.R. – CIRCULO DE ARTE E RECREIO (GUIMARÃES)
com o apoio de:

AJA- ASSOCIAÇÃO JOSÉ AFONSO
ASSOCIAÇÃO ACADÉMICA DA UNIVERSIDADE DO MINHO
A25A-ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL
BIBLIOTECA MUNICIPAL RAUL BRANDÃO (GUIMARÃES)
CICP-CENTRO INFANTIL, CULTURAL E POPULAR (GUIMARÃES)
CMG-CÂMARA MUNICIPAL DE GUIMARÃES
CINECLUBE DE GUIMARÃES
PAVICO (GUIMARÃES)
REGIE COOPERATIVA OFICINA (GUIMARÃES)
SPN-SINDICATO DOS PROFESSORES DO NORTE
MC- MUNDO DA CANÇÃO
ÁRVORE-COOPERATIVA CULTURAL

CONTACTO | homenagemjoseafonso@aoficina.pt | circulodearteerecreio@hotmail.com

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Homenagens e tributos (poesia)João Pedro Grabato Dias
24/02/2006By AJA

Soneto para o José Afonso

O sílex maxilar abaixa e vibra,
viva rocha fremindo o escárnio e a dor
dos outros, que a sua é apenas flor
enrazinhada ao maxilar e frívola

quase, como quem não pretende. Víboras
de ar contente enpinam-se ao calor
da alheia orelha, e passado e amor
e presente e gente, ganham a estrídula

razão que inda não tinham. No paul
de vicioso bafo, um tremendal
de coxas rãs coaxam no azul

um vazio silênclo. E à barragal
do porto aconchegado em ocul-
ta estultícia chega um vento de sal…

João Pedro Grabato Dias*

*Pseudónimo de António Quadros (Viseu, 1933-Santiago de Besteiros, 1994) estudou Pintura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, e Gravura e Pintura a Fresco em Paris. Em 1964 parte para Lourenço Marques. Foi pintor e professor, mas também artista gráfico, ilustrador, ceramista, escultor, fotógrafo, cenógrafo e pedagogo. Trabalhou em arquitetura, apicultura, comunicação, biologia e ecologia, privilegiando uma abordagem interdisciplinar. Escreveu e publicou poesia sob diferentes pseudónimos: João Pedro Grabato Dias, com 40 e Tal Sonetos de Amor e Circunstância e Uma Canção Desesperada (1970), O Morto (1971), A Arca (1971), 21 Laurentinas (1971), Pressaga (1974), Facto/Fado (1986), O Povo É Nós (1991) e Sagapress (1992); Frey Ioannes Garabatus, com o poema épico-paródico As Quybyrycas (1972, prefácio de Jorge de Sena); Mutimati Barnabé João, ficcionado guerrilheiro morto em combate, com os poemas Eu, o Povo (1975), com o poema homónimo musicado por José Afonso/ Fausto Bordalo Dias e integrado no disco Enquanto há força, 1978. Coordenou, com Rui Knopfli, os cadernos de poesia Caliban. Regressa a Portugal em 1984, e leciona na Universidade do Algarve e na Faculdade de Arquitetura do Porto, continuando a pintar e a escrever. Uma parte da sua obra plástica está antologiada no livro O Sinaleiro das Pombas (2001).

𝗟𝗲𝗶𝘁𝘂𝗿𝗮 𝗿𝗲𝗰𝗼𝗺𝗲𝗻𝗱𝗮𝗱𝗮

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Homenagens e tributos (2006)Imprensa
21/02/2006By AJA

Avalancha cultural nos 20 anos de Zeca

O ‘cantautor’ Zeca Afonso vai ser homenageado dias 24 e 25 em Guimarães, com debates, concertos, animação de rua e o lançamento de um livro. Trata-se de um dos mais vastos programas de sempre à volta do compositor português falecido em 23 de Fevereiro de 1987.
O tributo, intitulado “No caminho dos 20 anos”, inclui dois concertos no Centro Cultural Vila Flor, o primeiro dos quais dia 24, com Manuel Freire, Pedro Barroso, João Loio, De Outra Margem, Chamaste-me Ó, Dino Freitas e Manuel de Oliveira. Dia 25, actuam os galegos Ardentía e Uxia, a par de Amélia Muge, Luanda Cozetti, Francisco Fanhais, José Fanha, Zé Perdigão, Canto Novo e Astedixie.
A anteceder o primeiro concerto, a editora Arca das Letras vai lançar “Zeca Sempre”, livro de depoimentos de autores galegos e portugueses sobre o cantor.
Na tarde do segundo dia, haverá um debate sobre “José Afonso, o músico, o poeta e o homem”, moderado pelo jornalista Rui Pereira e com a participação de Alípio de Freitas, José Viale Moutinho, Octávio Fonseca, padre Mário de Oliveira e Viriato Teles. O programa inclui também a exposição “Zeca Afonso o sonho cantado”, que estará patente na Biblioteca Raul Brandão entre 23 de Fevereiro e 13 de Abril.
Um “workshop” intitulado “(Re)Viver Abril com Zeca Afonso – Para um didáctica de unidade”, animação de rua, emissão de vídeo e a projecção do filme “O Anúncio”, de José Cardoso, em que José Afonso interpreta “Vejam Bem”, são outras iniciativas.
Poesia nos sacos de pão
A homenagem integra ainda, a partir da meia-noite dos dois dias, sessões de música e poesia de José Afonso. “Pão com Sonho” é outra iniciativa do tributo, que consiste na distribuição, em Fevereiro e Março, de milhares de sacos de pão com dados biográficos e alguns poemas de José Afonso.
Os bilhetes para os concertos custam 15 euros (um dia) e 25 euros (dois dias). O programa é organizado pelo Círculo de Arte e Recreio, associações José Afonso e 25 de Abril, e Régie Cooperativa Oficina, com o apoio da Câmara de Guimarães e de instituições da cidade.

Jornal de Noticias

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LobãoMariana d´Almeida y Piñon
10/02/2006By AJA

Zeca Afonso e Lobão

Quando li, e ouvi, o verso “o que é preciso é animar a malta”, de uma composição de Zeca Afonso, fiquei extasiada. E mais ainda ao ler, e ouvir, “…Eles comem tudo/ E não deixam nada./ No chão do medo/ Tombam os vencidos…”, de outra composição do famoso músico-poeta português. E o “chão de medo” fez-me lembrar Lobão, o revolucionário músico-poeta brasileiro, que compôs “Perdoa a fúria do meu sonho/ A violência me distrai/ Pois a violência…/ É você!”. Na dinâmica dos dois compositores encontrei um ponto comum: a perpetuação do instante emocional, político e/ou amoroso, que revoluciona.
Embora a realidade dos dois seja bem diferente, une-os a batalha contra os colonialismos políticos e burocráticos que dimensionam a Música Popular como peça mercantil, ou Produto, não como Arte. “Zeca Afonso gerou, entre os Anos 60 e 70, o que se pode nomear como a mais autêntica Música Lusófona ao aplicar nas suas composições as variantes sócio-políticas e culturais que conheceu em Portugal, Moçambique e Angola, e isso determinou que pusesse de lado a Guitarra Portuguesa, no modelo ´fado-balada´ de Coimbra, para passar a trabalhar com a Viola e outros instrumentos, no que ganhou uma estética musical peculiar, com uma sonoridade tirada dos confins das músicas populares portuguesa e africana…”, escreveu o poeta J. C. Macedo, que conheceu e até acompanhou Zeca Afonso em vários eventos sócio-políticos, na efervescência do ´processo revolucionário em curso´ [prec]. O próprio poeta encarava, na época, a questão “lusofonia” como um palavrão a ser estudado com maior cuidado, mas é certo que caiu muito bem no contexto da explicação sobre a sonoridade conseguida por Zeca Afonso. E este, no conjunto da sua Obra, não poderia ser adotado nunca como peça mercantil ideal pelas editoras convencionais: Zeca Afonso era a antítese do artista-para-consumo. Quer o regime fascista de Salazar, quer as editoras que lhe publicavam os trabalhos fonográficos, tentaram muitas vezes silenciar aquela Voz-Poema… Assim acontece com “…Lobão, o brasileiro que canta o Amor com a mesma paixão da Revolta Social, porque o estado emocional determina a Arte, determina a Sociedade…”, na definição de Prof. Mário Gonçalves de Castro. Os dois músicos e poetas do que agora é chamado ´espaço lusófono´ concentraram os seus esforços no desvendamento das peculiaridades estética do Povo, e nesse trabalho proporcionaram a si mesmos “uma meta-linguagem de rupturas, [re]criadora da mais valiosa participação artística do Povo: a Estética estabelecida como chave para a Nação mental”, no dizer de João Barcellos, a propósito da “ruptura que só o é ao gerar a ´coisa´ nova, o ´ser´ novo, não o continuísmo…”. E foi o que eu percebi ao ler e ouvir Zeca Afonso para logo envolver Lobão.
O cântico poético é um dos caminhos da Liberdade. No final de 2004, a moçambicana Céline Abdullah ofereceu-me uma coletânea de trabalhos de Zeca Afonso que ela havia registrado em fita magnética, e uma carta – ouçamos a bela negra de Moçambique, em parte da ´orientação´: “[…] e se queres saber o que é Cultura Libertadora, ouve com atenção o canto de intervenção de Zeca Afonso, pois, ele, mais do que muitos portugueses e africanos armados até aos dentes, ajudou a libertar os nossos povos da tirania colonialista, que tem pilares no Catolicismo e na Cavalaria medieval. Para os portugueses e africanos sabedores da História recente, ouvir e cantar Zeca Afonso é não deixar cair a Revolução”. E ouvi. E li. E quis retribuir. O que fiz com a remessa de alguns trabalhos de Lobão, “porque ele, Lobão, é o mais fecundo e talentoso músico-poeta do Brasil autêntico, além de ser o brasileiro em ruptura com o sistema consumista que quer a sua alma revolucionária esmagada”, escrevi na carta. Que, antes de enviar, li para o amigo João Barcellos… “Sim, o Lobão é, hoje, um paradigma da Cultura Brasileira não-oficial, e pode-se aferir politicamente o seu trabalho com o de Zeca Afonso na emergência de uma Anarquia geradora do processo artístico-cultural revolucionário”, ouvi. Uns quarenta dias depois do início de 2005, Céline Abdullah endereçou-me um e-mail: “Realmente, Mariana, a Revolução está por todo o lado, e Lobão representa isso contra tudo o que é o fundamental do ´politicamente correcto´. Gostei de conhecer Lobão e o outro lado do Brasil que o mundo não conhece, ou conhece pouco. Agora, é preciso objectivar a união de esforços revolucionários, ou a acção de artistas e de intelectuais vai continuar isolada”. Gosto de Música, e gosto de dedilhar a minha viola, mas nunca pensei envolver-me tão profundamente em um assunto tão ´quente´ como são os do português Zeca Afonso e do brasileiro Lobão. Creio que um desafio até para muitos críticos do ramo…
Zeca Afonso [José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, 1929-1987] nasceu em Aveiro, uma região que foi a ´mãe´ de uma Consciência – verdadeiramente – Portuguesa, e em tenra idade partiu para acompanhar os pais nos seus afazeres profissionais em Angola e em Moçambique, mas voltou para fazer os estudos secundário e superior, em Coimbra, para ser, depois, professor. Os seus primeiros trabalhos discográficos foram publicados em 1953: eram fados de Coimbra. Ainda nesses Anos 50 conhece o alvor de uma política destinada a derrotar eleitoralmente Salazar: a campanha do general Humberto Delgado. Para ele, conhecedor da precariedade social em que o Catolicismo e o Salazarismo haviam mergulhado o Povo Português, a Campanha de Delgado iria abrir portas para democratização. Iria… o ditador manobrou nos bastidores para evitar a vitória daquele que havia ousado gritar “Obviamente, demito-o!” e ordenou que a polícia política o eliminasse da vida pública e política. Mas esse fato político mexeu com Portugal, e mexeu mais ainda com a emoção anti-fascista da jovem intelectualidade e dos artistas não engajados ao regime. Assassinado “o general sem medo”, em 1965, três anos depois, em plena era de terrorismo de Estado, “o professor Zeca Afonso foi expulso do Ensino e iniciou a sua peregrinação cultural e política contra o Fascismo; os comunistas queriam-no nas suas trincheiras, mas ele nunca seria um opositor politicamente correcto, mas ele-mesmo com o Povo…”, como escreveu J. C. Macedo.
Das suas viagens para Angola e Moçambique, ainda nas atividades universitárias, Zeca Afonso aprofundou os seus conhecimentos acerca da ´batida´ musical e emocional da África, assim como Lobão faz agora no reconhecimento da genuína musicalidade que é construída nos morros e favelas brasileiras, principalmente no Rio de Janeiro, musicalidade que é urbana e é rural, pela cumplicidade das levas migratórias. E “…com o conhecimento da diversidade cultural do Povo Português, Zeca Afonso transformou-se no elo captador-difusor dos quereres e dos sonhos do Ser-Português sem nunca esquecer o caminho africano…” [idem]. É esse Zeca Afonso, que já havia composto “Grândola, Vila Morena”, em 1964, a balada-senha que sinalizou o Golpe de Estado de ´25 de Abril de 1974´, revolucionário e agitador cultural, que vai marcar as gerações imediatas do ant e do pós ´25 de Abril´.
Lobão [João Luiz Woerdenbag Filho, 1957] foi, principalmente nos Anos 80, compositor. Tinha tudo para ser mais um carioca a olhar, de maneira turística, “o Brasil dos mafiosos e mesquinhos percursos da classe média que, afinal, sustenta uma Nação de elites dengosamente perdidas no abraço sanguinário do Capitalismo global e colonizador, do qual são cobaias e são escravas”, na análise do Prof. Carlos Firmino. Em vez disso, Lobão percebeu, como Zeca Afonso havia percebido em Portugal, a agressividade institucional que cercava o Povo, e nesse sufoco fez a leitura do não-Amor que o Consumismo e a Política incutiam/incutem no Povo Brasileiro. “Não é difícil pra quem não tem emoções/ Vendem crises/ Vendem misérias/ Vendem tudo até em mil prestações/ Estão brincando”, canta ele na e para a mais abrangente das linguagens: o eco da Consciência.
A práxis artística de Lobão, que tem base no Pop e no Rock´n Roll, ganhou ´batida´ brasileira ao compor para artistas como as cantoras Elza Soares e Marina Lima –, ´batida´ que ilustra o ganho cultural da amplidão musical rural que inundou os morros e favelas cariocas, e assim nasceu um Lobão ´pop-roqueiro´ com densidades melódicas entre a balada marcadamente amorosa e o canto corrosivo da urbanidade criminosamente policiada. Tão policiada que artistas, nascidos até no combate a esse status quo social, passaram [e passam…] a fazer parte do Consumismo mais hediondo e que escraviza o Povo. Aquela ação de Ética pregada por Zeca Afonso na caminhada anti-fascista passou a ser, diante da abjeta atitude da classe média e dos artistas engajados, a mesma ação de Lobão, porque é preciso conscientizar a Classe a que pertencemos para ganharmos o Povo para a luta da melhoria da Vida, da Liberdade. Isolado, mas consciente e ativamente anti-colonialista, Lobão trabalha a sua Obra discográfica e social nos circuitos alternativos, como bancas de jornais, feiras, web, rádios e imprensa comunitária. Tudo aquilo que, em princípio, o ´pop-roqueiro´ não pode ser, ele é e prova que pode e sabe sobreviver enquanto marginal ao Sistema Consumista, além de ter consigo o apoio significativo da juventude mais atenta ao quotidiano da problemática dita ´brasileira´. Mas isso faz com que a Indústria Fonográfica o persiga ainda mais, a ponto de o cantor Zeca Baleiro sair a público, no jornal ´O Estado de S. Paulo´, de 02.08.2002, acusando […] a gravadora Universal Music de querer “desmoralizar” o músico Lobão, ao exigir publicamente que ele pague direitos autorais pelo uso de uma música de Baleiro no álbum A Vida É Bela (1999).
“O cachê que recebi por minha participação é impagável – a satisfação de fazer parte de um disco histórico e belo”, afirmou Baleiro. “Se a indústria fonográfica reclama do projeto de lei que a trata, presumidamente, como fraudadora, que aja então com clara transparência, que conquiste a credibilidade pública com a lisura e evite a prática de golpes baixos como esse”, acrescentou. Zeca é contratado da gravadora […]
O que engrandeceu, pelo reconhecimento público, o caminho ético que Lobão trilha isolado, mas contando com a solidariedade pontual da Classe artística menos ´vendida´. Na maioria esmagadora, os chamados “artistas populares” são os vinculados à Indústria Fonográfica e que, a partir dela, emprestam a sua imagem pública para enfeitar a propaganda de produtos industriais das grandes empresas locais e multinacionais; no entanto, Artista Popular é aquela pessoa que cria e recria a ´batida´ poética e musical que nas comunidades, sendo que alguma dessa produção verdadeiramente comunitária só chega ao grande público quando artistas integrados no Espírito das Tradições neles se inspiram e com eles fazem parcerias. Quando a Classe Artística, notabilizada mais pelas chamadas publicitárias do que pelo trabalho, se vende ao vender outros produtos, ela passa a estar com o Consumismo, deixa de ser Povo, e aí, ao falar de Povo/Popular é já uma caricatura da pessoa que iniciou a carreira artística no balanço tradicional popular… Nesse aspecto é que Zeca Afonso e Lobão, no enquadramento das suas circunstâncias culturais e geográficas, mais se parecem…
Um dos trabalhos fonográficos que mais gosto de Lobão é “Noite”, no qual uma ´base´ Tecno agrega todas as batidas do Pop-Rock ao Samba passando pela Bossa-Nova, e é um trabalho representativo da caminhada artística e cultural desse genial brasileiro do Rio de Janeiro. O seu suporte criativo é um Pensamento conectado com as realidades do Quotidiano que passa pelas suas próprias realidades de Artista consciente e livre.
Entre Zeca Afonso e Lobão existem diferenças estéticas e ideológicas, mas, nos respectivos países, ambos marcaram/marcam uma presença política e cultural de transgressão aos cânones do Poder estabelecido – o político, o religioso e o econômico.
Vivemos o Ano 5 do Séc. 21 e eu sou uma mulher, professora e artista visual, que acabou de conhecer um personagem-marco da História recente de Portugal, e que se confronta com um campo de ação, também artístico e também político, de um personagem-marco da História contemporânea do Brasil. O que encontrei? Um ponto comum onde a Transgressão é o motor libertador e a chave para a Resistência, ou, como me lembrou Céline Abdullah, “…a linguagem da força moral contra todos os colonialismos…”.
Zeca Afonso é profundamente agressivo ao cantar “O povo é quem mais ordena…”, e leio e ouço a mesma agressividade no canto de Lobão em plena obscenidade social e política: “Porque sou bem pretinho/ Pensam que sou marginal […]/ Fui metido a bam-bam-bam/ Católico apostólico soterrado no divã/ Preto vota ´em branco´ / Contestando a razão/ A gente é branco e preto/ Preto e branco… É tudo irmão”. Tudo pela Ruptura. Tudo para que o Povo se perceba Gente e ganhe forças para conquistar o espaço que meia dúzia usurpa em nome de deuses e/ou de mitos familiares grafitados na memória falsa dos manuais escolares. Sem se transgredir não se derrubam muros nem fronteiras, sem se transgredir não se conquista a Liberdade.
Falar de Zeca Afonso e de Lobão não é, propriamente, falar de uma roda de viola – também é, mas… –, é mais falar de atos contemporâneos. Em rodas de artistas e intelectuais já ouvi que “…o Lobão é resto da produção de Cultura Consumista. Ele foi feito pelo Sistema e agora cospe em quem lhe deu nome comercial!”. O que é uma observação completamente equivocada. E mesmo que assim fosse, todas as pessoas têm o direito de arrepiar caminho quando a vivência quotidiana e profissional não lhe faz bem, porque aprendemos da Vida dando as duas faces para bater. Ora, seria o mesmo que dizer: “o fascista Salazar deixou crescer o Zeca Afonso porque sabia que o próprio Sistema não o absorvia e lhe tolhia a carreira. O que faz falta a alguns críticos de Música é serem, de fato, o-Crítico com conhecimento de causa… Entre os dois nem faço comparações, porque cada um tem a sua época/circunstância. A grande Lição social, artística, e política de Zeca Afonso e de Lobão, é terem conseguido construir linguagens próprias e contemporâneas e nelas mostrarem ao Povo, o que fala português em Portugal e no Brasil, como na África, que a grandeza da Humanidade está em ser vivida na plenitude da Liberdade… transgredindo, transgredindo sempre…!

Mariana d´Almeida y Piñon
Professora de Artes Visuais
São Paulo / SP – Br, 2005.

Notas:
MACEDO, J. C. [poeta e ensaísta] – “Zeca Afonso, um anarquista no contra-ponto do capitalismo”, art., Lisboa-Pt, 1974. [Do arquivo de Johanne Liffey.]
CASTRO, Mário G. de [professor e foto-jornalista] – “Na toca do anti-colonialismo com Lobão, ou a certeza de que a Anarquia é a solução para a Paz”, art., Campinas/SP – Br, 2003.
BARCELLOS, João [escritor, jornalista cultural] – “Ruptura: ou a Anarquia filosófica cria uma nova identidade humana, ou o Colonialismo fará de nós simples peças para compra e venda”, ensaio-palestra, Web / TN Comunic & Jeroglífo, Buenos Aires – Arg., 1998.
ABDULLAH, Céline [bioquímica] – “Orientação Para Uma Jovem Brasileira Que Adora Ser Livre”, carta, São Paulo / SP – Br, 2004.
DELGADO, Humberto [1906-1965] – “[…] Militar, opositor do regime colonial salazarista, foi assassinado pela polícia política [PIDE] numa emboscada armada na Espanha, em Villanuena del Fresno, perto de Badajoz, onde também foi morta a sua secretária, a brasileira Arajaryr Moreira Campos. Humberto Delgado reuniu em torno de si as esperanças de Democracia que o Povo Português acalentava contra o sufoco social e econômico instalado por Salazar, com apoio tácito e visível da Igreja Católica. Ao ser questionado sobre Salazar, caso fosse eleito Presidente da República, o general declarou Obviamente, demito-o!… A desassombrada declaração incendiou Portugal e, muito especialmente, a juventude intelectual e militar. O seu assassinato aprofundou ainda mais o sentimento de medo em que Portugal já vivia, e do qual só se libertaria 9 anos depois, com o golpe militar de ´25 de Abril´…” [BARCELLOS, João – in “O Terrorismo Do Estado Novo Salazarista Sob As Bençãos Do Catolicismo”, art., Rio de Janeiro / Br, 1990].
FIRMINO, Carlos [professor] – “Os Medos/Erros Da Classe Média Que Fizeram Mais Ricas As Elites Fascistas Do Brasil”, ensaio, Campinas/SP – Br, 1997.

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GalizaImprensa estrangeira
10/02/2006By AJA

José Afonso, el alma de Portugal

Enigmático, escéptico, despistado… Creador con denominación de origen, este sencillo portugués encarnó, en vida, la simbiosis equilibrada de un dilema eterno: el arte por el arte y el arte por la idea.
En Portugal, la figura artística y humana de José Afonso viene siendo protagonista desde hace tiempo de una ya densa bibliografía (1), de la que es buena muestra “Zeca Afonso, as voltas de um andarilho”, libro escrito por el periodista Viriato Teles y avalado por sus tres ediciones en portugués. En esta ocasión, el autor basó su trabajo en una meticulosa pesquisa de hemeroteca para elaborar un volumen en el que compila una serie de entrevistas a través de las cuales se nos muestra en su conjunto la personalidad humana de este creador, ambivalente en su doble faceta artístico-social.
El título resulta de lo más elocuente, al tratarse de un trabajo basado en las vivencias del artista: andarín es el apelativo atribuido en esta ocasión a José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (tal es el nombre completo del cantor). Persona, más que personaje, nacida en Aveiro el 2 de agosto de 1929, trasladado de niño al continente africano, emprendió tiempo después un contínuo deambular geográfico, fruto del cual van surgiendo reflexiones sobre diversos temas que llenan de contenido los distintos apartados en los que está dividida la obra que se nos ofrece.
En su edición portuguesa, el también cantautor luso Sérgio Godinho escribe un breve prólogo en el que sintetiza la poliforme personalidad de su colega, a la sazón protagonista, en su capacidad para unir tantas referencias en una obra creativa única. Posteriormente, el propio Teles, en tanto que autor, se sincera en su intención cuando manifiesta participar en una lucha contra el olvido, hoy tan en boga. Y, ciertamente, ahora que los músicos y cantores portugueses contemplan una mayor facilidad para la difusión de su arte, bueno será historiar tiempos pasados que perviven en el presente, como prueban la cantidad de versiones que de un tiempo a esta parte vienen poniendo en solfa el cancionero del que fue precursor y líder aglutinante de la canción lusitana.
En la introducción del libro se reproduce una frase del propio Afonso: “La realidad es todo: es aquello que existe, aquello que nosotros suponemos que existe y aquello que nosotros inventamos. Hay más cosas en la realidad de las que mucha gente piensa”. Frase muy apropiada, por cierto, para su canción “Utopía” (del disco “Como se fora seu filho”, Sassetti / Ventilador Music, 1984).

ARTISTA CÍVICO

Es opinión común entre quienes trataron en vida a José Afonso su desinterés dialéctico por la propia actividad artística que desarrollaba. En sus encuentros con otros colegas, el artista era más dado a hablar de cualquier otro tema que no del estrictamente musical. Naturalmente, esta actitud está bien reflejada en las páginas de un libro en el que su autor manifiesta que “Zeca prefiere hablar de personas y de la vida, de las cosas que van aconteciendo aquí y allí a lo largo de los años”. El propio artista se refiere en reiteradas ocasiones a esta actitud vital: “Soy una decepción para los músicos”. Incluso recurre a una especie de desdoblamiento para diseccionar su rol artístico como cantor, por una parte, y su faceta cívica como persona, por la otra: “Una cosa es mi actividad musical, la función lúdica de la música; otra cosa es el hombre político que soy. Ahora, cómo armonizan las dos cosas aún lo estoy por saber”.
Lógicamente, su decantación ideológica por la izquierda en general es otro de los contenidos presentes a lo largo de la publicación, hasta el punto de que, a menudo, el lector puede encontrarse más ante un agitador social que ante un creador artístico. De hecho, llegó a afirmar que “prácticamente nunca canto por gusto”.
Los apuntes biográficos aparecen salpicados en el relato de Teles, que da cuenta de su época de estudiante en la Facultad de Letras de la Universidad de Coimbra, donde comenzó su incipiente actividad musical. Posteriormente ejerció la docencia como profesor ambulante en diversas localidades –Alcobaça, Lagos, Faro…– hasta que fue expulsado de la enseñanza –Setúbal, 1967–. Como quiera que estos episodios tienen lugar en plena dictadura salazarista, no es de extrañar que fuese encarcelado en el año 1970. Menos dramática fue la anécdota que el propio Afonso y su público padecieron en su día en la Facultad de Ciencias de la Universidad de Lisboa, donde tuvo que cantar a oscuras, sin micrófono, porque la instalación eléctrica fue saboteada por dos policías disfrazados de ¡electricistas!
Sin embargo, este clarísimo posicionamiento político no le impidió reflexionar y ser crítico con sus propios compañeros de viaje, cuando se refirió a algunos de ellos como “sujetos que ingresan en un partido como si estuviesen en un club o en una iglesia. Eso les lleva a rechazar a otros individuos que tienen una actividad convergente o semejante a la de ellos, pero que pertenecen a otro grupo distinto”.
Llegado el momento de recordar el hito histórico que se produjo en Portugal el 25 de abril de 1974, hay que hacer referencia forzosa a su canción “Grândola, vila morena”, utilizada como contraseña por los impulsores del golpe de estado que reconduciría el país a la democracia. Posteriormente, el periodo iniciado entonces permitió a la nueva canción una mayor difusión que la dispensada anteriormente, en que incluso era censurada. Esta normalidad incluía una mayor facilidad para grabar y difundir discos. De hecho, cualquier oyente que tuviera a su alcance ciertas emisoras de radio lusas durante el verano de 1974, bien podría hacer una especie de bachillerato acelerado en canción portuguesa. Al tiempo, regresaban algunos cantores exiliados, mientras que en el propio país una artista tan asociada al anterior régimen (sic) como la mismísima Amália Rodrigues grabaría en un single (Columbia, 1974; posteriormente incluida en “Fandangueiro”, Columbia, 1977) su propia versión de la emblemática pieza.
El momento histórico que vivió el país durante aquella época es reflejado en algunas páginas del libro, destacando al respecto el llamado processo revolucionário em curso –PREC–, término con el que se designó el clima de agitación política, social y cultural que se vivió durante los años 1974 y 1975. Fue un periodo que condicionó la semántica del cancionero, en el que predominaban palabras de orden como “paz”, “pan”, “habitación”, “salud” o “educación”. Coherentemente, los cantores, como activistas sociales que eran, asumieron con su colaboración una entrega a tareas pendientes, como varias campañas de alfabetización. Este enorme reto también tiene su correlación en el repertorio de Zeca Afonso cuando cantó “O que faz falta é agitar a malta” en el tema “O que faz falta” (del disco “Coro dos tribunais”, Orfeu, 1974).

ARTESANO DE LA CANCIÓN

Sorprenderá siempre a quien conozca la obra de José Afonso el tratamiento, a menudo exquisito, con que cuidó sus grabaciones, en contraste con ese aparente desinterés por su actividad artística. Se trasladó fuera de su Portugal vivencial cuando la ocasión requirió ir a estudios de Madrid, París o Londres. Claro que la desmitificación de su oficio encuentra el razonamiento del propio artista, cuando declara al autor del libro: “Hago música como quien hace un par de zapatos. Sólo intento alinear sonidos y volverlos coherentes entre sí como quien hace un utensilio”. A oídos del aficionado, resalta en su amplio repertorio la variedad tímbrica y de contenidos musicales con que enriquece buena parte de sus canciones. Aunque para el propio Zeca no parece tan importante: “Lo que nosotros hacemos es siempre una cosa muy periclitante: meter en tres minutos una canción y conseguir un efecto único”.
La primera grabación de Zeca Afonso data de 1953. Se titula “Baladas de Coimbra” (Rapsódia) y en ella incluía, entre otros temas, “Fado das águias”, considerada su primera composición. Era un disco con cuatro canciones, en formato ep y de 78 revoluciones por minuto, como otros varios que registró ya durante la siguiente década de los años sesenta. El formato de larga duración lo estrenaría en 1967 con “Baladas e cançoes” (Ofir) y un repertorio en el que se dejaba notar la influencia del músico Edmundo Bettencourt, hombre decisivo en aquella época.
Más adelante, en el apartado dedicado exclusivamente a la discografía, Viriato Teles va detallando el contenido de las distintas grabaciones, resultando una guía especialmente útil para aficionados incipientes, que deben saber de la importancia, e incluso vigencia, de discos como “Cantigas do Maio” (Movieplay Portuguesa), grabado a finales de 1971 y en el que los contenidos surrealistas, apuntados en anteriores registros, aparecen aquí asumidos en su plenitud, al tiempo que inmortalizaba la versión original del citado “Grândola, vila morena”. Mención especial hace el propio artista de su disco “Com as minhas tamanquinhas” (Movieplay Portuguesa, 1976), un trabajo, según el autor del libro, “de temática política pero claramente diferenciado de las tentaciones más primarias del llamado realismo socialista”.
Nuevas grabaciones van manteniendo la continuidad del artista: En “Fura fura” (Orfeu, 1979), Zeca Afonso se acompaña del joven grupo Trovante. Posteriormente, materializa una vuelta a sus orígenes en “Fados de Coimbra e outras cançoes” (Movieplay Portuguesa, 1982). En este disco incluyó otra de sus canciones emblemáticas: “Balada de outono”. Grabada originalmente en 1960, simbolizó la evolución que la música portuguesa comenzaba a experimentar en aquella época. Aunque el propio artista trató una vez más de desmitificar tal razonamiento, cuando declaró al respecto: “Designé mis primeras canciones como baladas no porque supiese exactamente el significado del término, si no para distinguirlas del fado de Coimbra que comenzara a cantar y con el que, personalmente, llegué a una fase de saturación”. Así y todo, esta empatía con el cancionero popular de su país permaneció perceptible a lo largo de toda su obra, al igual que la música procedente de las antiguas colonias –Angola y Mozambique–, destacando en este último aspecto su condición de precursor, habida cuenta de la vigencia actual de los sonidos africanos en el contexto de las músicas del mundo.

ZECA AFONSO, EL MITO

Los discos se sucedían en la carrera de José Afonso, quien, al margen de los estudios de grabación, registraría en directo el que sería su gran acontecimiento: un recital espectacular en el Coliseu de Lisboa el 29 de enero de 1983 –más tarde se reproduciría en Oporto–, organizado por la Cooperativa Artística Eranova y en el que se sucedieron acompañando al cantor una serie de colectivos e individualidades artísticas, al tiempo que desde el palco era recordado Adriano Correia de Oliveira, compañero de vivencias creativas y universitarias fallecido prematuramente en 1982 con tan sólo 40 años de edad. Entre los participantes en aquel histórico encuentro estaba el principal superviviente de los cantores allí presentes: el sin par Fausto, que precisamente en este 2003 verá publicado su nuevo disco, cuyo contenido se anuncia como evocador de aquella época.
Y es que, tal como refleja el libro, todo este movimiento de canción portuguesa se desarrolló durante este periodo con un claro espíritu colectivo. Zeca era el aglutinante, la persona en torno a la cual iba germinando toda una dinámica artístico-social. Algunos de aquellos compañeros de viaje volverían a reunirse en el que sería su último disco: “Galinhas do mato” (Transmédia, 1985), producción que recopiló material disperso que el artista tenía grabado en casetes, posteriormente trabajado en estudio por José Mário Branco y Júlio Pereira. En esta ocasión, además de canciones, también se incluyeron varios temas exclusivamente instrumentales. Una vez más, el artista combina ciertos experimentos sonoros con nuevos cánticos de temática social. Ironiza sobre la integración europea en “Década de Salomé” y se muestra lírico y tierno en “Benditos”. Versatilidad consubstancial a lo largo de su trayectoria que, quizá mejor que nadie, describió una perfecta desconocida entre nosotros. Se llama Elfriede Engelmayer y realizó al respecto una tesis de doctoramiento (“Utopie und vergangenheit: das liedwerk des portugiesischen sängers José Afonso”, Universidad de Viena, Austria, 1985) en la que se puede leer: “José Afonso, el poeta, vive en la sombra de Zeca Afonso, el cantor político”. La cita fue recogida también por Viriato Teles en su cuaderno “Música popular portuguesa, uma bibliografia” (Câmara Municipal de Amadora, Portugal, 2001).
Los homenajes que se le tributaron en vida completan el relato sobre su incidencia social. Éstos comenzaron a lo largo de todo Portugal y después continuaron tanto en Madrid como en Galicia. Especialmente espectacular fue el celebrado el 31 de agosto de 1985 en el auditorio del Parque de Castrelos, en Vigo, con la participación de un enorme elenco de artistas, tanto gallegos como portugueses, y en el que coincidieron algunos cantores de la época de Zeca junto a nombres de la entonces incipiente nómina folk. A saber: Jei Noguerol, Miro Casabella, Doa, Na Lúa, Fuxan os Ventos, Amélia Muge, Vitorino… Otros músicos, como el grupo Clunia Jazz, ampliaron el espectro artístico del homenajeado. El lema que encabezó el festival fue “Galiza a José Afonso”, quedando registrado para la posteridad en un compacto del mismo título editado por Edicións do Cumio en el año 1999.
Pero el autor se detiene especialmente en los actos póstumos celebrados simultáneamente en varias ciudades gallegas durante mayo de 1987, apenas tres meses después de su fallecimiento. Fue aquel un tributo en el que tuvo una especial responsabilidad organizativa el cantor gallego Benedicto, con quien Zeca compartió durante varios años cantidad de escenarios y que con el tiempo llegaría a ser su principal anfitrión galaico. En aquella ocasión, el múltiple homenaje consistió en una serie de conferencias y recitales sobre el cantor y su amplio mundo con la participación de nombres tan representativos como la coral De Ruada, Emilio Cao, Luis Pastor, Maria del Mar Bonet, Milladoiro o Pi de la Serra, entre otros. En esta ocasión, y como reclamo genérico de tan amplio despliegue, se utilizó el título de uno de sus discos: “Enquanto há força” (Orfeu, 1977). La solidaridad en torno al artista fue, pues, tan patente como necesaria, ante el delicado estado de salud en que se encontraba durante la década de los años ochenta, habida cuenta de su precaria situación económica.
Y llegado a este punto, el lector se preguntará, tal vez, cómo fue posible un final semejante para un creador de tan enorme talento. Quizá la respuesta adecuada sea la que se nos ofrece en palabras del periodista António Duarte: “José Afonso murió pobre porque nunca pactó con el sentido común, con la comercialidad, con el poder, con lo fácil y gratuito”. Por su parte, el propio intérprete declaró en su día que “somos un país de cantineros y de vendedores, que vendieron en las Africas, en Brasil, en Extremo Oriente… Ahora somos un país de pequeños comerciantes y estamos a vendernos los unos a los otros, aún apuntando al respecto que se dan excepciones que escapan a esta regla general”.
De su grave enfermedad y posterior fallecimiento el 23 de febrero de 1987, queda para el recuerdo la inmensa concurrencia a su entierro, que hizo del mismo una muestra póstuma de adhesión popular. Mientras, en Portugal las autoridades políticas no decretaron luto oficial.

Xoán Manuel Estévez
Publicado na revista Batonga! – Janeiro, 2003

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EntrevistasViriato Teles
10/02/2006By AJA

O que é preciso é criar desassossego

A conversa que se segue aconteceu em finais de Novembro de 1985, por ocasião da gravação de Galinhas do Mato, e foi originalmente publicada no Se7e. Foi das últimas entrevistas que José Afonso concedeu, numa altura em que o seu estado de saúde se agravava dia após dia. Apesar disso, falava do futuro com algum entusiasmo e uma força interior que quase faziam esquecer a enfermidade sem cura que o atormentava.
A sua inclusão no livro Zeca Afonso: As voltas de um andarilho justifica-se, a meu ver, por isso mesmo, por esse sentido dialéctico exemplar que as suas palavras transmitem. Propositadamente, mantive intacto o diálogo original, apesar do carácter datado e circunstancial de algumas das suas declarações – nomeadamente as relativas a questões de ordem política, como o seu apoio à candidatura presidencial de Lourdes Pintasilgo, cuja campanha então se iniciara.

Parte significativa desta conversa refere-se, como é óbvio, ao derradeiro disco de José Afonso, produzido por José Mário Branco e Júlio Pereira, que também nele participam como intérpretes, ao lado de Helena Vieira, Né Ladeiras, Luís Represas, Janita Salomé e as duas filhas deste, Marta e Catarina. Foi «um trabalho de equipa muito bonito», nas palavras de Zé Mário. «Uma coisa que transcendeu a própria ternura», acrescenta Júlio Pereira. Tal como a cavaqueira que se segue.

– Este disco vai, se calhar, surpreender muita gente, que te julgava acabado para a música…

–Talvez. Eu, a princípio, achei que não valia a pena, não estava a ver-me assim no papel de compositor. Por mim punha uma pedra no assunto e ficaria o ‘Como Se Fora Seu Filho’ o meu último disco. Mas a verdade é que tinha por aí algum material, disperso por algumas cassetes, que, se calhar era pena ficar aqui perdido. E achei que as pessoas que estavam mais próximas de mim, até em termos de assiduidade, de acompanharem e se interessarem pelas coisas que eu aqui tinha eram, de facto, o Zé Mário Branco e o Júlio Pereira. E foram eles que insistiram nessa ideia, que seria necessário utilizar essas músicas para um novo disco.

– Além do que agora foi gravado, existem ainda outros inéditos…

– Sim, algumas coisas. Umas que ainda são dos meus primeiros tempos de professorado, em Setúbal, outras feitas em África ou no barco, quando fui colocado em Moçambique. Há coisas que são só pequenos trechos musicais, não são propriamente canções.

– Este disco tem também canções dessa altura?

– Tem. O tema ‘Galinhas do Mato’, por exemplo, é, talvez, o mais representativo. Tem uma certa sugestão africana de ritmos e coros, é uma música que eu pus na prateleira, à espera de um dia ter um texto que se enquadrasse. E há o ‘Tu Gitana’, uma música que eu fiz com uma ‘letra-robot’, a letra de uma canção de Vila Viçosa que eu cantei muito em Coimbra, no grupo que deu origem ao Coral da Faculdade de Letras. Descobri que essa letra se coadunava perfeitamente com aquela música que eu tinha feito.

– É essa que é cantada, no disco, pela Helena Vieira…

– É e, aliás, acho que é admiravelmente cantada. Estas duas músicas são talvez de 1968, portanto anteriores a quase todas as que eu fiz para o ‘Como Se Fora Seu Filho’. A mais recente é, talvez, a ‘Alegria da Criação’, que foi feita para a peça Fernão, Mentes?”.

– Dizia eu que este disco pode surpreender muita gente. Até porque é feito segundo um esquema que creio ser mais ou menos inédito em Portugal: é, digamos, um disco de autor, com a maioria das interpretações entregues a outros cantores…

– Isso é uma coisa que, para lá das condicionantes que obrigaram a que assim fosse, me dá um certo contentamento. Até porque, neste caso, se pode escolher a voz apropriada para cada tipo de canção. O ‘Tu Gitana’, por exemplo, nunca poderia ser cantado por mim, nem mesmo quando eu tinha voz para cantar. Tem uma tessitura, uma escala de tal ordem que só uma mulher com uma voz educada como a Helena Vieira a poderia cantar.

– O Júlio Pereira e o José Mário Branco coordenaram o trabalho de arranjos. Vocês mantiveram-se em contacto com regularidade?

– Sim, sim. O Júlio, por exemplo, não dava um passo que fosse fora do meu conhecimento. E a ‘Alegria da Criação’ é uma canção cujo arranjo coral e instrumental se deve ao Zé Mário. É claro que muito embora eu tenha concebido muitos dos arranjos, ao longo deste meu trabalho, não conseguiria fazer este disco sem a participação do Júlio e do Zé Mário, que foram uns excelentes colaboradores. Estávamos em contacto telefónico quase permanente e, no estúdio, estive regularmente a par do que se foi fazendo. Mas o trabalho de bases foi feito por eles, embora eu soubesse o que quer o Júlio, quer o Zé Mário iam fazer. Eles gravavam previamente o que faziam e eu dava sugestões a partir daí, imitando sons, dando imagens, sei lá… É muito, difícil explicar isto tudo, é um processo empírico…

– Estás, portanto, satisfeito?

– Eh, pá! Pela primeira vez, isto deu-me um prazer bastante grande. Talvez pelo facto de serem outras pessoas a cantar, mas também pelo tipo de músicas… O ‘Agora’ ou o ‘Galinhas do Mato’, por exemplo, eram coisas que estavam na prateleira e cheguei a admitir não poder gravar. ‘Galinhas do Mato’ é uma canção demasiado africana, demasiado ligada às minhas memórias de infância, e pensei que não encontraríamos uma solução instrumental para ela. Mas, afinal, com a ajuda de um computador, conseguiu-se.

– Um computador?

– Um computador, nas mãos do Júlio Pereira. Mete sons vários, desde o kissange, percussões e outros sons mais ou menos electrificados ou plastificados mas que são exactamente tipo som artesanal. E tivemos que recorrer às vozes das mulheres do Coro de Oeiras, um bocadinho modificadas, de modo a criar aquele ambiente africano. E, além disso, contámos com as filhas do Janita que, no caso presente, parecem duas pretinhas a cantar… Eu fiquei surpreendido porque, no final, o resultado é de tal ordem que eu me senti transportado aos meus quatro ou cinco anos, quando estive no planalto do Bié. E há outras coisas: uma música chamada ‘Tarkovsky’, em que utilizámos quase arbitrariamente o nome do cineasta russo porque, a dada altura, eu pensei criar um ambiente, num coro sem palavras, que tivesse um pouco de África e da Rússia. Imagina-te no ‘Andrei Rubliov’ ou, de uma forma geral, nos filmes do [Andrei] Tarkovsky. E lá se fez, com a ajuda da trompa do Adácio Pestana e da voz do Janita.

– Essa música representa, de algum modo, uma homenagem ao Tarkovsky?

– De certo modo. Até porque os filmes dele me impressionaram bastante e deixa-me dizer-te que estou convencido que dificilmente ele poderia fazer, no Ocidente, os filmes que, apesar de todas as limitações que teve, fez na União Soviética. Aquele ‘peso’, aquela ligação telúrica à ‘mãe Rússia’, aqueles personagens espantosos que ele criou, tudo isto é difícil reproduzir aqui, quer na Europa, quer nos Estados Unidos. Por isso a música também é uma homenagem. Sabes?, eu quando falo de coisas de música, falo também muito de questões extramusicais, para dar o ambiente. Socorro-me muito de imagens, de espaços e até da mímica. Quando estou diante de um tipo que vai cantar as minhas coisas bamboleio-me, faço caretas para ele se situar na interpretação que idealizei. Foi um trabalho de equipa excelente, sem qualquer tipo de asperezas, com um entendimento espantoso entre a malta…

– Coisa que nem sempre é fácil, na música…

– Pois não. Isto é tudo um bocado confuso, o que nós fazemos é sempre uma coisa muito periclitante: meter em três minutos uma canção e conseguir um efeito único… Mas que a música, entre aspas, ‘popular portuguesa’ continua viva acho que sim. E a prova é que têm saído coisas, cada músico tem qualquer coisa de seu, não se confunde com outro. Há uma marca pessoal, que é desejável.

– ‘Música popular portuguesa’ entre aspas? Porquê?

– Porque esse conceito é muito polémico. Não sei se lhe chame música de texto, música social, música de intenção política, música de intervenção. São tudo conceitos muito indefinidos, mas música popular é ainda mais polémico. Senão voltamos outra vez para a discussão sobre música popular e música tradicional e eu não quero entrar nisso. Prefiro dizer ‘a música da minha área’ ou ‘da nossa área’, abrangendo um conjunto de colegas ou ex-colegas que sempre estiveram nestas coisas, que sempre tiveram um percurso próprio.

– A própria intenção e a intervenção política são hoje, por vezes, postas de parte por alguns colegas teus…

– Pois é, mas também não quero entrar nessa área. Isso é um problema de consciência. Eu sempre disse que a música é comprometida quando o músico, como cidadão, é um homem comprometido. Não é o produto saído do cantor que define esse compromisso mas o conjunto de circunstâncias que o envolvem com o momento histórico e político que se vive e as pessoas com quem ele priva e com quem ele canta. Tipos como o Daniel Viglietti, por exemplo, são cantores com um inegável perfil político e militante, também. Se isso é viável e de que maneira não sei…

– Mas tu, por exemplo, continuas activo a comprometido politicamente. Ainda há poucos dias apelaste ao voto na APU para as eleições autárquicas…

– Não consigo nem pretendo estar fora das coisas. Este meu apelo ao voto na APU, não é um apelo paternalista, mas fruto da constatação directa, através da minha experiência como cidadão, que as vereações mais honestas, que dão prioridade a coisas essenciais como saneamentos básicos, escolas e jardins de infância, são efectivamente as da APU. Posso citar Coruche, Moura, Seixal, Mértola… E, tomando estes casos como padrão, eu não hesito em dizê-lo às pessoas, se é que a minha presença tem alguma força. Uma coisa é a minha actividade musical, a fruição lúdica da música, outra coisa é o homem político que sou. Agora como é que as duas coisas se harmonizam, ainda estou para saber…

– As Presidenciais estão também a chegar. Já tomaste posição?

– Decidi ontem [22 de Novembro de 1985] apoiar a engenheira Maria de Lourdes Pintasilgo. A política não é o reino do absoluto, estamos numa conjuntura que não aponta para nenhuma acção popular e revolucionária. Afirmar isto era pura demagogia. Portanto eu apoio um candidato que dê margem para determinadas movimentações a que eu chamo de contra-poder… E começo a desconfiar a sério da rigidez partidária. Entendo que, efectivamente, há partidos mais aconselháveis que outros e sou de opinião que não há conciliação entre uma perspectiva de esquerda e uma perspectiva de direita, autoritarista e reaccionária. Continuo a perfilhar convictamente estes pontos de vista, mas isso não me impede de apoiar uma personagem interessante, de grande carisma pessoal como é a Lourdes Pintasilgo. Que, a meu ver, está muito mais ligada a uma conotação de esquerda, de mudança, do que os outros. Há quem se esqueça que o Salgado Zenha foi o arauto do antigonçalvismo, do antipêcêpismo, da ‘Carta Aberta’. E que foi pela boca dele que se fizeram os mais duros ataques à CGTP. Há quem se esqueça, mas eu não tenho falta de memória, pelo menos nestas coisas… Podes escrever isto tudo que eu disse…

– E lá estamos nós a falar de política…

– Como é que da política se chega à música e da música à consciência? Eh, pá, eu acho que as coisas podem estar ou não ligadas, depende do lado para onde estivermos virados. Mas o que é preciso é criar desassossego. Quando começamos a procurar álibis para justificar o nosso conformismo, então está tudo lixado! E, quando isso acontecer comigo, eu até agradeço que os meus amigos me chamem à atenção e me critiquem. No campo da música continuo interessadíssimo, nesta área e fora dela. Acho que, por exemplo, é necessário que exista um grupo como o Opus Ensemble, um músico como o Victorino d’Almeida. Ou como o Rão Kyao, embora nem sempre goste das últimas coisas dele – mas isso é outro problema. E, na área do chamado rock português, em relação à qual eu sou muito reticente, há, por exemplo, os Jáfumega, que eu vi há tempos e de quem gostei bastante, fiquei sinceramente impressionado. Estou interessado, sim, pelo que por cá se faz. Acho que, acima de tudo, é preciso agitar, não ficar parado, ter coragem, quer se trate de música ou de política. E nós, neste país, somos tão pouco corajosos que, qualquer dia, estamos reduzidos à condição de ‘homenzinhos’ e ‘mulherzinhas’. Temos é que ser gente, pá!

Entrevista de Viriato Teles
Se7e – 27 de Novembro de 1985

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Fernando Assis PachecoTestemunhos
10/02/2006By AJA

Só me calham Dukes

José Afonso, Viriato Teles e Fernando Assis Pacheco em Azeitão. Foto de Joaquim Bizarro.
 
 
Privei pouquíssimo com o Zeca, não fiz parte dos seus amigos mais chegados, a última vez que estivemos juntos foi em casa dele e havia o sentimento pesado da morte que entrava já pela varanda, bulindo com os cortinados.
Estas efemérides são muito chatas porque, não tendo nós o dom da ressurreição, caímos não obstante num discurso tão próximo do evangélico que soa a falso. Vou tentar fugir-lhe.
A primeira vez que ouvi falar do Zeca já se dizia assim mesmo, Zeca, e não José Afonso. Cantava esplendorosamente o reportório do fado de Coimbra. Eu costumava não me intrometer nessas conversas tribais em que outros eram aparentemente exímios e tiravam todo o prazer da evocação dos grandes tenores e barítonos da escola local. Havia mesmo quem coleccionasse velhos discos de gramofone comprados a preços altos. A mim tanto se me dava: estava a tirocinar para utente nocturno do programa de jazz da Voz da América, vício que convinha não revelar aos então companheiros de esquerda, por sinal hoje bandeados na sua quase totalidade para a comarca de onde vem papel, papel a sério, sendo que vários deles até deputam, ó meu Deus!
Bom, não importa, eu era capaz de gostar do Zeca e do Duke Ellington, à vez ou ao mesmo tempo. Um solo a introduzir o Perdido parecia-me tão rico e tão cheio de música como qualquer canção da Beira Baixa ou dos Açores arregimentada pelo fado da cidade. O que eu não fazia era correr a foguetes para um sarau da Queima das Fitas, e escusassem de me lembrar as serenatas ditas monumentais na Sé Velha porque a essa hora onde eu já ia.
Ao Zeca habituei-me. Foi de resto fácil: andava no Orfeon Académico e ele tinha por hábito juntar-se ai grupo nas excursões, actuando em fim de festa. Era simplesmente o melhor. A voz mais bonita, a interpretação mais inteligente. Aí eu calava-me muito bem calado, cedendo ao instante mágico. Mas nunca falámos disso. Para quê, se eu devia parecer-lhe o que realmente parecia à vista desarmada, um pernóstico sem cura.
Também não assisti à guerrilha da balada em Coimbra, pelo motivo bem mais prosaico de uns anos de tropa com que a Sagrada Família me entreteve, mas na hora de fazer as malas escolhi dois discos de 45 r.p.m. do Zeca para irem estagiar comigo em Nambuangongo e Zala, de onde voltaram tingidos de um castanho avermelhado que era a vera cor da guerra. Foram muito ouvidos nos dois aquartelamentos, até pelos srs. oficiais de carreira, que não eram propriamente surdos e agradeciam uma musiquinha de fundo para empurrar o quinto ou sexto brande à noite, pouco antes do chichi-cama.
E pronto, acabarm-se os tiros, voltámos todos ou quase, o Zeca também tinha ido veranear a África (Moçambique, no seu caso),vieram uns versos, veio a música dele, ele às tantas foi para Setúbal e eu remanesci em Lisboa. Em vinte anos não nos teremos encontrado duas vezes vinte vezes. Mas tive ocasião de escrever sobre os discos dele, ou somente sobre ele, entrevistei-o em Caldas da Rainha, lá fui uma tarde a Azeitão com o Viriato Teles – a cena dos cortinados – e depois foi o fim.
Recordam-me duas histórias. Uma em 1960, em Paris, quando a meu pedido ele entrou numa livraria toda pinoca para requisitar gratuitamente a antologia do Maiakovski traduzida pela Triolet, que eu não tinha massas para comprar. Foi tudo rápido e brilhante e nem o Houdini teria feito aquele passe que o Zeca fez. Só faltaram as palmas.
A outra é o recital de despedida no Coliseu, insuportavelmente belo. Ele sobe ao palco, ajeita os óculos, baralha-se com os papéis, tenta descobrir ao longe – mas não é possível, as luzes cegam-no – uma cara conhecida com quem dividir a emoção do momento. A minha servia, mas o Zeca está longe e não me topa.
Digo-lhe adeus com a mão.
 
Fernando Assis Pacheco

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TestemunhosViriato Teles
10/02/2006By AJA

Um pássaro igual a ti

Provavelmente, o mundo está mesmo feito às avessas! Anda um tipo como este Zeca a vida inteira a dar a voz e o corpo pelas causas dos outros, passam-se anos a fio de viola às costas a cantar as utopias sonhadas no dia-a-dia, e acaba tudo assim. Estupidamente, numa madrugada de chuva indecisa, como se nada tivesse acontecido antes, como se tudo o passado não fosse senão um sonho longínquo.
Nós, no entanto, sabemos que não foi um sonho. Crescemos a ouvir Menino de Oiro e Os Vampiros, aprendemos de cor os versos de Vejam Bem e de Grândola. Aprendemos, com o Zeca Afonso de todos os cantares andarilhos, a saborear o gosto dos encantos e das emoções, a desejar e a lutar pelas cores da liberdade.
Com Zeca e os seus companheiros aprendemos, ainda, que é muito menos fácil formular perguntas que encontrar respostas. Que as veleidades da ‘vida artística’, na qual ele nunca se encaixou, são como os foguetes de romaria, que desaparecem no ar após um instante de brilho e que, portanto, o importante é estar vivo, ter como única certeza a inquietação permanente.
Há coisas assim, que parecem impossíveis. Depois vêm as inevitáveis cortesias-de-velórios, mas quanto a isso estamos conversados. Afinal somos um país de homenagens póstumas, não é? Que o digam o Adriano, Jorge de Sena, Fernando Pessoa. Que o diga agora o Zeca, ele que foi sempre tão dado a encolerizar-se com estas coisas.
Veja-se a Televisão, que esperou a sua morte para mostrar, lacrimosa, as suas cantigas. Veja-se o poder, que tudo lhe negou em vida, para descobrir agora (só agora, ó céus?) que, afinal, Zeca é um símbolo da democracia e da resistência antifascista! E proclama hossanas em sua glória, como se já não bastasse a dor que ficou.
Felizmente, os que aprenderam com Zeca as mais belas lições de liberdade já se aperceberam também de todo o ridículo que se esconde por detrás destes lamentos hipócritas. E sabem que José Afonso, poeta e trovador, não é dos que morrem assim, sem mais aquelas.
Sabemos que o sonho permanece, em cada esquina, em cada rosto, em bisca da terra da fraternidade. Quanto a ti, Zeca, faz como sempre fizeste até aqui: não lhes ligues, ri-te deles, lá desse cantinho onde agora te encontras, provavelmente a contar ao Adriano as últimas cá de baixo. Afinal, já sabes como é: o mundo está mesmo feito às avessas. Se assim não fosse ainda agora por cá te teríamos, a mandar vir como era teu hábito contra “essa cambada engravatada e escolopêndrica” que insiste em controlar a gente. E até vão fazer de ti nome de rua, imagina!
Olha: lá fora, aqui mesmo a dois passos desta mesa de onde te recordo, há um pássaro a recolher-se da chuva que, teimosa, vai caindo. Ou serão lágrimas? Seja como for, o pássaro é igualzinho a ti: por mais que tentem, ninguém consegue impedi-lo de voar.
Viriato Teles

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Caetano VelosoLuís Pinheiro de AlmeidaTestemunhos
10/02/2006By AJA

O «London London» de Zeca

Londres, 1970, talvez. José Afonso gravava Traz Outro Amigo Também nos estádios da Pye. Ao lado, os Status Quo registavam o segundo álbum, Spare Parts mas tinham de o interromper de quando em quando para não prejudicar o andamento mais sereno de Zeca. Dois jovens técnicos tratavam do Zeca e do Bóris. E nem quando verteram um copo de café no gravador ficaram aflitos. Aflitos ficavam quando amiúde José Afonso tinha de interromper a gravação porque se esquecia da letra do que estava a cantar.
Londres fervilhava. Era o fim dos Beatles, do «Chelsea Drugstore» que os Stones cantavam, o aparecimento dos skinheads, a morte lenta dos hippies, da Carnaby Street e de King’s Road.
Mas havia outros motivos de interesse. Para Londres convergiam os exilados políticos de outros países, nomeadamente do Brasil. Entre eles, Gilberto Gil e Caetano Veloso que cedo conviveram com Zeca.
Nos intervalos das gravações, o Zeca jogava judo comigo em casa da Nina, em Oakley Street, no coração de Chelsea. A irmã, Manuela, cuidava das moedas no meter para não faltar a electricidade. O seu companheiro, José Labaredas, homem bom do Couço, amigo do Zeca, cantador de fados de Lisboa, assistia. Todos juntos éramos uma família. Faltava Rui Pato, meu vizinho da instrução primária em Coimbra. Por causa da crise académica de 1969, onde fora um dos dirigentes estudantis, a PIDE não o deixara sair do País.
Uma noite, fomos todos jantar a um dos restaurantes portugueses de Beauchamp Place, mesmo ao lado do Harrods. Ou foi no Fado ou na Caravela, já não me lembro. Eu, o Zeca Afonso, o Zé Labaredas, a Nina, a Manuela, a Milu, todas irmãs, o Gilberto Gil e o Caetano Veloso. Caldo-verde lembro que comemos.
No meio dos pastéis de bacalhau, Caetano Veloso confessou que estava atrapalhado. Os seus amigos do Brasil perguntavam-lhe como era a vida em Londres. Ele queria responder com uma canção, mas não sabia como.
E foi nessa noite londrina, num recanto bem português, que José Afonso trauteou o que viria a ser o famoso «London London» de Caetano Veloso. Sem créditos, a não ser para os que assistiram ao parto da canção.
Luís Pinheiro de Almeida

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Testemunhos
10/02/2006By AJA

Portugal, José Zeca Afonso y la Revolución de los Claveles

Este mes se cumple el veinticinco aniversario de la “Revolución de los claveles”, movimiento militar de carácter progresista que contó con gran apoyo social y puso punto final a la dictadura salazarista en Portugal. A las cero horas de aquel histórico y primaveral 25 de Abril, el programa “Límites”, de Radio Renazenca, comenzó a emitir los acordes de “Grandola, Vila Morena”. Fue la consigna para poner en marcha el engranaje revolucionario. La la letra y la música eran de José Afonso, la figura más importante de la canción portuguesa de este siglo, y una pieza clave de la música popular de todo el mundo. “Zeca” Afonso dejó un legado de integridad y compromiso.
José Afonso ha sido una de las grandes glorias nacionales de Portugal, como Camoens -asegura el cantautor musical José Mario Branco, uno de los artistas que más cerca estuvo siempre de Zeca Afonso- y fue abandonado en sus horas bajas por algunos que le deben todo lo que son. Muchos ciudadanos de este país han aprendido a pensar y sentir gracias a él.
No se puede entender la importancia y la trascendencia de la obra artística de José Zeca Afonso, sin hacer una aproximación cabal a la personalidad humana y política de este irrepetible portugués nacido en Aveiro, quien murió sin reconocimiento oficial, a pesar de su enorme compromiso y su gran talento.
Durante toda su vida, mantuvo un inquebrantable compromiso artístico y político, primero contra la dictadura de Salazar y, al final de sus días, frente a la contrarrevolución encabezada por el Partido socialista de Mario Soares. Zeca fue consciente siempre de que su honradez navegaba a contracorriente, pero en ningún momento abandonó sus principios y su coherencia. Por eso detestaba el desencanto, que él calificaba como una mera justificación para los traidores.
Su defensa de la democracia popular, directa y no institucionalizada, le acarreó las críticas y el rechazo de algunos sectores políticos, incluso de izquierda. Zeca Afonso cantaba incesantemente para el pueblo, en cooperativas agrarias y comissioes de moradors, utilizando sus exquisitas creaciones como vehículo para las movilizaciones.
Físicamente más alto que la mayoría de sus paisanos, complexión fuerte, mirada profunda y aire tímido e introvertido, José Zeca Afonso sería el antidivo por excelencia. Sensible y depresivo en algún momento, era profundamente irónico y mordaz, tal cual resulta patente en muchas de sus creaciones.
En alguna actuación suya, y con frecuencia, olvidaba hasta versos de sus propias canciones. De ahí su permanente preocupación por conseguir siempre un atril para consultar la letra que él mismo creaba. En otro momento, algún espontáneo le sujetaba las notas o le soplaba cuando algún lapsus le asaltaba.
Zeca Afonso era muy aficionado al deporte; con el nombre de Cerqueira en los partidos de fútbol, sus jugadas con el siete a la espalda fueron jaleadas por los seguidores del grupo juvenil Académica de Oporto. Sentía especial predilección por el corredor Mamede, especie de Curro Romero del maratón, atleta genial y emperador de la espantada.
Programas deportivos y pocos más eran los que Zeca veía en televisión, un medio al que siempre tuvo en su punto de mira y al que ridiculizó en memorables canciones como Acupuntura en Odemira.
Durante los últimos años de vida, en su casa de Vila Nogueira, en Azeitao, cuando la atrofia muscular, que acabaría produciéndole la muerte, hacía mella en él, manteniendolo postrado en cama, Zeca se resistía a ser un televidente pasivo.
Hasta el último momento mantuvo una entereza y lucidez inusitadas; no se puede evitar el escalofrío y la emoción al recordarle frente a una mesilla repleta de pastillas de todas clases y colores, haciendo un esfuerzo para tomar una taza de café sin ayuda de nadie. Aún más, escuchando los versos de la impresionante Canción de la paciencia, incluida en el compendio Como se fora seu filho, que dice, entre otras estrofas, que Muchos soles y lunas nacerán,/ más olas en la playa romperán,/ ya no tiene sentido tener o no tener/ vivo con mi odio a mendigar./ Tengo muchos años para sufrir,/ más de una vida para andar,/ bebo la hiel amarga hasta morir./ Ya no tengo pena, sé esperar.
La puerta de entrada a su casa de Vila Nogueira, pueblecito situado entre Lisboa y Setúbal, tenía un cartel muy elocuente: Nao ao ley fascista da segurança. En su interior, multitud de detalles, cuadros y carteles alusivos al 25 de Abril dejaban claras sus inalterables posiciones políticas. Zeca Afonso nos dijo que “a mí me curaría de verdad otro 25 de Abril. Acabaría con todos mis problemas y dolencias. Lo peor de mi estado actual es ver cómo la situación política y social se deteriora cada vez más, sin poder contribuir a cambiar la inercia con todas mis fuerzas. De las conquistas del 25 de Abril sólo quedan algunas pequeñas libertades formales, cada vez más restringidas”.
Su domicilio fue centro de reunión y punto de referencia para mucha gente. Amigos de Portugal, de España y Francia se acercaban constantemente hasta aquel pueblecito, en la comarca de Azeitao, donde residía José Zeca Afonso, para verle, hablar y estar junto a él. También un grupo de niños del colegio local de diez o doce años, que editaba el periódico contra la dirección del centro, tenía instalada en casa del músico su infantil redacción.
Licenciado en Filosofía e Historia, José Zeca Afonso fue profesor de instituto hasta 1968, fecha en la que lo inhabilitan para ejercer cualquier puesto docente, como una represalia política. Hasta el año 1983 no se le reconocieron de nuevo sus derechos. Al morir, Zeca Afonso cobraba 30.000 pesetas mensuales de pensión. Entonces, era su único ingreso. Su productor musical, Arnaldo Trindade, quien le bautizó como el papa de la canción portuguesa, en símil poco afortunado, no le pagó nunca sus derechos de autor.
José Zeca Afonso comentaba con cierta amargura la gran desbandada de muchos antiguos progresistas portugueses, conocidos suyos, hacia posiciones cercanas al poder político y económico.
“Muchos se han vendido por un plato de lentejas y han justificado su actitud diciendo que estaban desencantados. Me gustaría saber de qué pueden estar desencantados, si aquí no se ha producido ninguna revolución. Lo que estamos viviendo es una contrarrevolción. Si hubiese cambiado algo, y no estuviesen de acuerdo, lo entendería. Pero este no es el caso. Ese desencanto no es más que una justificación para los que nunca han estado encantados y para todos esos traidores”.
Al realizar el menor acercamiento a la figura de José Zeca Afonso, resulta inevitable recordar, con todo el cariño del mundo, a Zélia, su entrañable compañera, mujer de una dimensión humana excepcional, e irrepetible, como José Zeca Afonso; junto a un nutrido grupo de amigos, Zélia impulsó la creación de la Associaçao José Afonso, con la pretensión de dar a conocer, en sus multiples facetas, el papel histórico de José Afonso y también su personalidad militante, como promover la difusión de toda su obra y contribuir a salvagaurdar su integridad y calidad, además de crear un centro de documentación sobre la vida y obra del artista portugués.
A pesar de haber concebido piezas ya clásicas, Zeca Afonso siempre fue muy autocrítico: “Me he dedicado durante años a componer canciones en condiciones precarias, más preocupado por conseguir una comunicación fuerte y por actuar políticamente, que por perfeccionar todo lo que yo quería de mi trabajo. He sido bastante cuidadoso y exigente pero, lógicamente, siempre he estado condicionado por mi intención propagandística”.
Siempre se manifestaba en contra de la denominación de canción protesta para con su obra: “El músico es quien protesta, no la canción”. Por eso mismo insistiría en la necesidad del claro compromiso ético de artista, o trabajador del arte, como él siempre decía.
Fue pionero en la reivindicación de las corrientes musicales africanas, y la influencia de aquellos sones está presente en toda su obra. También en esto se adelantaba a su tiempo. Canciones maestras, como Ailé, Ailé o Un homem novo veio da mata son elocuentes muestras. El elaborado lirismo de sus temas no dejó nunca lugar a la tibieza en el mensaje: tu muerte, pintor,/ reclama otra muerte igual,/ sólo ojo por ojo/ y diente por diente vale. Canta en A morte saiu à rua, un precioso y dramático tema dedicado a José Días Coelho, pintor y escultor comunista asesinado a tiros por la policía política de la dictadura salazarista (temible PIDE portuguesa, hermana de la BPS franquista), de día y en plena calle. En el Cantar Alentejano, una bella y sentida creación dedicada a la campesina antifascista Catarina Eufemia (embarazada cuando la asesinó un teniente de policía, con tres disparos a bocajarro), el mensaje es similar: Quien vio morir a Catarina/ no perdona a quien la mató.
José Mario Branco nos relataba, emocionado, cómo se realizó la grabación del tema, en un estudio francés: “El sistema de grabaciones hacía que, desde el principio de esa tarde, fuese el momento que debía grabar “Cantar Alentejano”; ¿vamos a ello, Zeca?, le dije. Naturalmente, preocupado por la factura del estudio. ¿No tienes nada para ir metiendo?, contestó; se veía que todavía no estaba dispuesto; el alma de Zeca, me dí yo cuenta después, estaba toda en el Alentejo, en los ojos de Catarina Eufémia. Como tantas veces le sucedía, andaba por el estudio de aquí para allá, dando pasos nerviosos, como un joven león en su jaula. Hasta que, ya al final de la tarde, dijo: “Salgo fuera, para ver a las vacas” (el estudio estaba en una finca rodeada de campos). Desapareció una o dos horas. Cuando volvió ya era casi de noche: “Vamos a grabar a Catarina”. Zeca, en mitad del estudio, solo y a oscuras, cantó. Una sola vez. Y esa es la que está en el disco. Nosotros, privilegiados espectadores, estábamos en la central técnica, todos llorando, incluido el técnico francés. “¿Consideráis que es mejor que cante esto otra vez?” “No Zeca, no. Está muy bien así”.
Actuó por última vez en directo en el Coliseu dos Recreios lisboeta, en 1983, precisamente el lugar donde, nueve años antes, “Grandola” se convirtió en un himno para la historia. Aquella velada quedó recogida en un disco vibrante, en el que José Afonso, canta, ya con ciertas dificultades, arropado por todos sus músicos y sus amigos más incondicionales.La enfermedad fue avanzando inexorablemente desde entonces hasta 1987, pero, a pesar de todo, compuso en este periodo temas para dos nuevos discos.
José Afonso Cerqueira dos Santos murió el 23 de febrero de 1987, con 58 años. Una multitud veló el cadáver en la capilla ardiente que tuvo lugar en el Club Naval de Setúbal, núcleo proletario del cinturón industrial de Lisboa, capital de la Revolución de los Claveles. Su entierro constituyó un último ejemplo: tras el féretro marchó primero el pueblo anónimo, coreando una vez tras otra sus canciones y enarbolando banderas rojas, simplemente, sin ningunas siglas, y claveles del mismo color; detrás, los gremios operarios, y por fin, enmascarados en el gentío, desfilaron algunos políticos que en vida de Zeca no se habrían atrevido a acercarse a él.
Muchos integrantes del sepelio iban de negro, a pesar de que Zeca había exigido que nadie se vistiera de luto por su muerte. Más de cien canciones, numerosos poemas, varios cortos de cine, media docena de obras de teatro y, sobre todo, aquel ejemplo de honestidad e integridad que constituyen su importante legado, junto a lo que supuso la Revolución de los Claveles.

Alfredo Disfeito

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Carlos Correia (Bóris)DiscografiaGrândolaTestemunhos
10/02/2006By AJA

«Grândola» gravada às 3 da manhã

Quando, naquela manhã de Abril de 1970, entrei no avião com destino a Londres, para gravar com o Zeca nos estádios da Pye, apenas sabia trautear alguns dos temas que, no conjunto, formariam o álbum intitulado Traz Outro Amigo Também.
De facto, a minha inclusão naquele trabalho tinha sido decidida poucos dias antes e por razões (como era hábito) um pouco fortuitas. O meu passado musical, muito mais ligado à guitarra eléctrica e ao rock (exercido em conjuntos «à Shadow» ou «à Beatle» como foram os HI-FI e os Álamos), tinha apenas uma única experiência na arca da MPP (Música Popular Portuguesa!) com o disco que tinha gravado com o Duarte e Ciríaco.
Assim, apesar de pouco credenciado para a tarefa, entrei facilmente nos temas e, recordo claramente, nunca receei falhar na sua execução em estúdio. Sei agora que esta confiança derivava directamente da universalidade da música do Zeca.
Acontecia-me afinal o que acontece quando contactamos com uma obra tão consistente como a do Zeca: parece-nos que já a conhecíamos há muito tempo e que, mais do que isso, ela já estava dentro de nós. Foi sempre assim com a música dele. Quando ele a expunha pela primeiríssima vez (às vezes ao telefone e a desoras) vinha a sensação inevitável de «eu já senti isto». E já. Só que o Zeca sabia traduzir tudo isso para um formato exteriormente inteligível.
À partida do aeroporto, a primeira surpresa: o Luís Filipe Colaço (homem da rádio, companheiro de Coimbra e ex-guitarrista dos Álamos), já dentro do avião, é chamado pelo comandante, mandado sair e retido em Lisboa pela DGS por dois ou três dias. Conseguiu juntar-se a nós em Londres, mais tarde, recorrendo sei lá a que expedientes para convencer os zelosos Pides da inocuidade da sua viagem.
À chegada, a segunda surpresa. A guitarra que, muito profissionalmente, levava sob o assento e sem caixa protectora, apresentava uma rachadela monumental que a tomava, para sempre, inútil.
Só os bons ofícios dos amigos que o Zeca tinha em Londres (o Zeca tinha amigos em toda a parte) permitiram arranjar uma guitarra decente para a gravação.
As sessões no estúdio começaram com o «Maria Faia» e com a delícia de trabalhar com uma máquina de 4 (quatro!) pistas. A abundância de meios técnicos, superiores aos que conhecíamos, foi inspiradora. Pude sobrepor várias faixas de guitarra, obtendo efeitos orquestrais que, na época, pareciam interessantes.
As onze faixas foram gravadas sem sacrifício em várias sessões diurnas, ao longo de duas semanas ponteadas por passeios pela grande capital que parecia, então, tão diferente do nosso meio natal.
Nos corredores alcatifados do hotel, o Zeca colocava a sua energia em demonstrações amigáveis de judo (modalidade que abraçara recentemente).
Dos muitos amigos que apareciam no estúdio para ver o grande autor-intérprete, como já era reconhecido, recordo o brasileiro tropicalista Gilberto Gil, exilado pela ditadura. Esteve presente na gravação de «Verdes São os Campos» e a introdução de guitarra – inventada na hora – teve a sua aprovação.
Terminado o trabalho e quando, já em Portugal, recebemos um exemplar do disco para avaliação, o Zeca reprovou-o por não gostar da mistura e deu instruções para esta ser feita de maneira diferente. Se havia (e havia) zonas em que o Zeca não fazia concessões, uma era de certeza a que dizia respeito ao ambiente musical das suas canções, especialmente se eram para colocar em disco.
Nos dois discos que gravei com ele, testemunhei esse perfeccionismo, inesperado num homem tão simples e que não era, de modo nenhum, um instrumentista, nem um conhecedor das subtilezas técnicas dos estúdios de gravação. Nem precisava ser.
Ainda conservo o protótipo rejeitado (um vinil). A venda do disco, editado pela Arnaldo Trindade, decorrera como era costume: um ou dois dias nas montras das lojas e, depois da proibição pela censura, clandestinamente e ao mesmo ritmo. Ficámos, provavelmente, a dever ao Sr. Arnaldo Trindade a edição de autores como o Zeca e o Adriano, em condições comercialmente tão adversas.
No ano seguinte – em Outubro/Novembro a minha segunda experiência discográfica com o Zeca. Aqui, já ele tinha ouvido as duas vozes portuguesas no exílio em Paris que traziam os sons novos que ele constantemente procurava. O José Mário Branco foi incumbido da direcção musical desse novo disco que viria a chamar-se Cantigas do Maio. Foi ele que enquadrou o Zeca num ambiente de trabalho bem estruturado e com o tacto humano adequado a não fazer o Zeca sentir-se engaiolado e artisticamente diminuído.A gravação decorreu num castelo-estúdio dos arredores de Paris e teve a colaboração (bem audível em algumas faixas) do Francisco Fanhais.
A direcção musical e a presença humana do Zé Mário Branco revelaram-se fundamentais para o bom sucesso do trabalho. O seu conhecimento do meio musical parisiense conseguiu trazer ao estúdio músicos de primeira categoria -como é o caso do percussionista Michel Delaport, com os seus sons indianos tão bem aproveitados no «Senhor Arcanjo».Foi aí que gravámos (em sessões, desta vez, nocturnas) o «Grândola» com o som dos passos obtido no exterior do castelo às três da manhã.A mistura final foi feita no estúdio e desta vez (abençoado Zé Mário) não foi rejeitada.Foi o meu segundo e último disco com o Zeca. A minha vida profissional afastou-me irremediavelmente do meio e só volto a vê-lo, anos mais tarde, no quarto de urna clínica em Coimbra. Já estava ferido de morte pela doença, mas pensava ainda em mais canções e tinha esperança.
Carlos Correia (Bóris)

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Rui PatoTestemunhos
10/02/2006By AJA

Ensaios na «Brasileira»

Conheci o Zeca nos meus 16 anos, tinha ele 33, já licenciado em Letras, a leccionar em Mangualde, mas aproveitando todas as folgas para vir a Coimbra, ansioso por mostrar aos amigos as suas últimas baladas.
Até essa altura, a sua actividade musical tinha sido, na década de 50 e princípio da de 60, a de um estudante com boa voz, que cantava no Orfeão e que, juntamente com o Rolim, Machado Soares, Goes, Levy Baptista, Lopes de Almeida, Portugal, Brojo e outros, se agrupavam para executar fados e guitarradas, actuando quer em espectáculos do Orfeão, quer em espectáculos da Tuna, quer em serenatas e, de vez em quando, para a gravação de um disco de fados.
Eu ouvi o seu nome, as primeiras vezes, ao meu pai que, como jornalista em Coimbra, fazia questão de viver intensamente a vida coimbrã, saltitando das tertúlias futrico-intelectuais para as académicas. E nestas últimas pontificava o Zeca, como o seu bom humor, com as suas permanentes distracções e com uma irreverência intelectual a que chamavam de «existencialista». Mais tarde, já com os meus 12 anos, ao tentar a minha sorte como aprendiz de fadista, acompanhando à viola rapazes da minha idade em guitarradas e fados, o nome do Zeca vinha à baila, a propósito dos fados que ele cantava como ninguém (os «Contos Velhinhos», «Aquela Moça da Aldeia», etc, etc.) e que nós tentávamos imitar no seu jeito de voz «caprina», como dizia o Menano. Mas em 1962, ano tumultuado em Coimbra, com a Academia envolvida numa das mais violentas crises estudantis, o Zeca, já cansado com aquilo a que chamou a «quinquilharia passadista do velho romantismo do Penedo», sempre que podia, vinha a Coimbra para sentir esse fervilhar das novas gerações.
Começa assim a sua fase de ruptura com aquilo que mais o tinha ligado até então à cidade, «o tanger dos bordões da viola, as casas de prego, as bicas nos cafés da Baixa e as arengas dos teóricos da bola».
Possuía, além disso, um profundo conhecimento do grave problema colonial, porque, além de ter em Moçambique muita família, fez algumas digressões com a Tuna e com o Orfeão às colónias. Era, também, um tempo de separação dolorosa com a mulher que lhe tinha dado os seus primeiros dois filhos.
É neste contexto de viragem, caldeada com muita angústia, que conheço o Zeca. A sua mudança deveu-se, no meu entender, ao seu amadurecimento intelectual, às profundas marcas deixadas pela desilusão afectiva, às mudanças do ambiente coimbrão, à desilusão dos primeiros anos de docência, às notícias de África e, muito principalmente, ao contacto com novos amigos como o Barahona, a Luísa Neto Jorge, o Luís Andrade, o Bronze, o Pité e tantos outros.
Ele vinha de Mangualde a Coimbra para mostrar aos amigos um outro tipo de música, sem o «espartilho da Guitarra de Coimbra» [com letra maiúscula no original], com uma grande liberdade rítmica e que necessitava apenas de uns leves acordes de viola para sublinhar o poema que era o mais importante da canção.
Assim nasce «Menino de Oiro», «Tenho Barcos, Tenho Remos», «Os Vampiros», «O Senhor Poeta», etc., ensaios muitas vezes feitos no segundo andar do Café Brasileira, ou em minha casa ou em qualquer República onde ele tinha o estatuto de «livre trânsito» quando vinha a Coimbra e necessitava de dormir.
Conseguiram-se os dois primeiros EP que tanto escândalo provocaram nos meus «amigos do fado». Foi considerado uma afronta à tradição. Mas os meios intelectuais e os meios operários de esquerda logo nos aproveitaram para saraus mais ou menos clandestinos. Zeca vai tentando o ensino, saltitando, depois de Mangualde para Aljustrel, Lagos, Faro, Alcobaça e de novo Faro.
Os ensaios eram poucos, feitos quase sempre nas férias. Foi a minha primeira oportunidade de conhecer o Algarve: em 1963, fiquei uma semana na sua casa, no n.º 68 da Rua Duarte Pacheco, em Faro. Partíamos de manhã com destino à ilha do Farol ou da Armona, de barco com a viola e uma ração de duas sanduíches e duas meloas. Quando eu não podia ir ter com ele, vinha ele a Coimbra à boleia ou então apanhava o comboio até à estação para a qual o pouco dinheiro que dispunha dava – «venda-me um bilhete de 60 escudos em segunda classe em direcção ao norte» -, fazendo o resto à boleia ou a pé e cá chegava cheio de fome, sem um tostão no bolso, e com um bornal com uma muda de roupa, alguns medicamentos e muitos livros.
Negociávamos, na altura, um contrato com a Rapsódia, que lhe desse alguma estabilidade económica. O Zeca pretendia quatro contos por mês e cinco por cento na percentagem das vendas. Mas partiu em Agosto de 1964 para África, sem conseguir esse «fabuloso contrato», mas feliz com o seu recente casamento com a Zélia. São dois anos em que semanalmente escreve para minha casa, com o remetente «caixa postal n.º 50-Beira», cartas repletas das suas próprias contradições, da sua instabilidade, mas cheias de notícias dessa África em ebulição. Terminavam sempre com o envio de abraços para o Serrano, Abílio, Rui Mendes e para toda a malta.
«Quero aí chegar a tempo de mandar rufar os tambores que para o efeito tenho ensaiados e ouvir o coro que ressuscitará o Lázaro do seu túmulo», escrevia ele em Março de 1965. E veio, pois em 1967 acabou por ser expulso de Moçambique por vários problemas com a administração colonial.
Volta e vai para Setúbal. Manda-me cassetes com as últimas músicas. Vou até Setúbal, de vez em quando, ficando aboletado na casa dele, na Quinta do Montalvão, lote 5-2.º esquerdo, com a Zélia e já com a sua terceira filha, a Joana, muito pequenita.
Mais dois LP e muitos espectáculos – Almada, Barreiro, Seixal, Vila Franca, Marinha Grande, etc., sempre casas cheias de gente de oposição ao regime da altura, muitos operários e estudantes, a PIDE a pairar e, por vezes, a intervir.
Entretanto, junta-se a nós o Adriano, o Manuel Freire, o Fanhais e outros que não me recordo. É bastante difícil avaliar o impacte que o contacto com figuras como o Zeca, o Adriano, o António Portugal, entre os 16 e os 20 e poucos anos, tem na formação da personalidade de um adolescente. Nessa altura, eu não tinha a noção da dimensão humana e intelectual desses amigos. O meu desgosto é ter tido uma fortuna enorme em ter amigos desse quilate e, na altura, sem a noção desse valor, não ter agarrado cada momento, deixando até, por vezes, que a memória me falhe e tantos momentos bonitos e ricos se percam.
A partir de 1968, devido à minha situação académica e à impossibilidade de o acompanhar ao estrangeiro para as gravações, deixo de ser o acompanhante habitual. Felizmente para o Zeca, pois assim conhece o Iglésias e o Bóris (Carlos Correia) que tocavam bastante melhor do que eu. Passo a vê-lo menos vezes, mas sempre que posso estou com ele para o acompanhar ou só para o ouvir. A última vez que pego numa viola ao seu lado e a seu pedido, foi no célebre espectáculo do Coliseu, pouco antes da sua morte.
Rui Pato

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Manuel AlegreTestemunhos
10/02/2006By AJA

José Afonso: De Coimbra até ao Sul

A voz que guardo dentro de mim não está gravada em nenhum disco: anda a cantar «contos velhinhos de amor, numa noite branca e fria», algures, em Coimbra.
Foi assim que conheci José Afonso, num Inverno de há muitos anos. Ainda se faziam serenatas, as raparigas agradeciam acendendo e apagando a luz três vezes e nós viajávamos pela noite dentro, «bêbados de coisas inextricáveis», como escrevia então Herberto Helder. Já a voz do José Afonso anunciava outras trovas, mas naquele tempo a Académica era ainda (foi-o sempre) a nossa dama, por ela sofríamos aos domingos no Calhabé ou nos campos do País onde chegávamos à boleia, de capa e moca, e sem um tostão no bolso. Até que um dia o Zeca resolveu partir para Marrocos. Conseguimos apanhá-lo a tempo, graças a uns ciganos nossos amigos. Mas a tentação do Sul já estava dentro dele. Ou talvez daquele azul de que fala Mallarmé e que era, de certo modo, a cor da sua voz. Ele era como a cigarra e precisava do espaço do Verão, Alentejo, Algarve, a planície, as areias e o mar. É preciso dizer que nessa altura já ele era distraído (nós dizíamos despistado). Uma noite estava a jantar em minha casa e de repente deu um salto na cadeira: onde é que deixei o meu filho? E lá fomos à procura. Mas o miúdo, habituado aos despistanços do pai, tinha ido tranquilamente do estádio para casa.
Tínhamos então grandes discussões. Eu já andava na militância política, o Zeca era, havia de ser sempre, um libertário em estado quase puro. Ainda se debatia a questão da arte e do empenhamento social e político do artista.
Teoricamente o Zeca era contra, mas as coisas foram mudando e quase sem darmos por isso todos nos fomos comprometendo cada vez mais. Foi primeiro o Decreto 40 900, contra a autonomia das associações e a resposta estudantil, com uma grande manifestação em Coimbra. E depois 1958, o general Delgado e aquele vendaval que varreu o País de lés a lés. Então o Zeca quis pegar em armas. Mas como?
Tivemos que recorrer às que tínhamos à mão: a poesia, a guitarra, o canto. A guitarra do António Portugal tornou-se de repente mais nervosa, experimentando novos ritmos e dissonâncias, e o Zeca aparece a trautear melodias estranhas. Até que saiu a «Balada do Outono». Foi uma iluminação. Assim como alguns poemas aparecem feitos, também aquela balada dava a impressão de ter estado sempre ali e de ter sido colhida no ar num dos momentos de distracção concentrada do Zeca. A canção de Coimbra não voltaria a ser a mesma, a música ligeira portuguesa também não. Aquela balada era nova e ao mesmo tempo muito antiga. Tudo estava nela: a tradição trovadoresca, os cantares de amigo, os romances populares. E também o espírito de um tempo de mudança.
Entretanto o Zeca partia para o Sul. E eu para Angola. Reencontrámo-nos no início de 1964, numa festa de recepção aos caloiros da Faculdade de Medicina no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Tinha eu acabado de regressar da prisão em Angola, estava com residência fixa em Coimbra, mas vim sem pedir licença.
Trazíamos a «Trova do Vento Que Passa». Cantou-a primeiro o Adriano, a seguir o Zeca, depois ambos. E acabámos em coro, na rua. Era assim, naquele tempo. As trovas e baladas tinham o ritmo da nossa inquietação, de uma luta, da nossa vida. E vieram o «Menino do Bairro Negro», «Os Vampiros», «O Coro dos Caídos». O Sul entraria na música do Zeca com o seu «Pastor de Bensafrim», o seu «Sol de Verão», Catarina, o Alentejo, a cigarra, o silêncio, o grande espaço, a sombra de uma azinheira e o calor da fraternidade. E depois a África, seus ritmos e seus tambores, na fase da maturidade. Vieram os exílios, as longas separações, as pequenas e grandes batalhas, o 25 de Abril, encontros, desencontros, reencontros. E a voz do Zeca sempre, a avisar e animar a malta.
Como os provençais da época de oiro, cuja lição Ezra Pound tão bem captou, José Afonso foi um grande trovador moderno, ligando de novo a poesia e a música. Desse modo renovou uma e outra e contribuiu para mudar a própria vida, como queria Rimbaud.
Foi um homem fraterno, despojado, por vezes até ao exagero. Mas era assim: um revolucionário franciscano, como lhe chamei, irritado por vezes com o seu desprendimento de tudo e de si mesmo. Talvez as sociedades não consigam suportar a força subversiva de um tal despojamento. Por isso o Zeca foi tantas vezes censurado. Por isso continua simultaneamente a encantar e a incomodar. Eu sei que gostariam de transformá-lo em álibi ou torná-lo inofensivo depois de morto. Mas não é possível. A sua voz está tão cheia de ternura que será irremediavelmente subversiva.
Como disse António Portugal: «Um homem cuja voz foi a nossa voz durante muitos anos e que ajudou a tomar possível o nosso encontro colectivo com uma identidade perdida e com um destino que hoje orgulhosamente assumimos.»
Talvez seja isso o que uns tantos não conseguem perdoar-lhe. Mas é com certeza por isso que ele continua a ser a nossa voz.
Manuel Alegre

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Paulo QueridoTestemunhos
08/02/2006By AJA

O músico

O músico que José Afonso foi é um tema que me deixa perplexo. Se eu disser Zeca Afonso!, toda a gente vai lembrar o Grândola Vila Morena. Alguns são capazes de se lembrar do Maio Maduro Maio. E mais alguns dos albuns dele dos anos em que era mais mediático (no sentido de aparecer nos media).
Mas isso é redutor. Desculpem: é de bimbo, mesmo. A obra musical e poética de José Afonso pode ser dividida em três períodos. O período do meio é de longe o menos importante da obra — apesar de ser infelizmente o que perdurou na memória colectiva de um país distraído.
Os primeiros albuns dele, ainda no tempo da ditadura, são obras primas. Ouvir, como eu estou a ouvir neste momento, De Capa e Batina, é mergulhar na História de Portugal dos anos 60. Nessa altura Portugal era um país rural e atrasado, sem classes médias, mergulhado na obscuridão por via do isolamento a que Salazar o conduziu (orgulhosamente sós — era, imaginem, o lema da altura). Os poemas de Zeca Afonso, sobretudo cantados por ele, reflectem a tristeza profunda e as angústias das pessoas.
Menina dos olhos tristes
O que tanto a faz chorar
O soldadinho não volta
do outro lado do mar
…
A lua que é viajante
é que nos pode informar
O soldadinho já volta
Do outro lado do mar
O soldadinho já volta
Está quase mesmo a chegar
Vem numa caixa de pinho
Desata vez o soldadinho
Nunca mais se faz ao mar
(in Menina dos Olhos Tristes, letra de Reinaldo Ferreira e música de José Afonso)
Cantado por ele, como um fado coimbrão, é de arrepiar. Espelha num instante — como nenhum livro sobre a guerra colonial é capaz de fazer — a crua realidade das meninas, senhoras e senhores desses anos em que as batalhas de Portugal para tentar manter as colónias esvaziavam o país quer de dinheiro quer de gente. Eram os homens novos que partiam para a guerra, deixando cá as namoradas, noivas, mães, pais numa permanente angústia. Milhares regressaram em caixões. Não havia família na “Metrópole” (Portugal continental) que não tivesse alguem no “Ultramar”, (as colónias), a dar o corpo às balas. Poucas famílias portuguesas terão passado os anos 60 sem a dor que é um jovem adulto morrer numa guerra.
Só quem viveu esses tempos sabe do que falo. As gerações mais novas NÃO precisam de passar por isso ou sequer de recordar. Mas ouvir e ler José Afonso é historicamente importante. É um pedaço da nossa História. É importante para a cultura portuguesa, mesmo que o Ministério da Cultura não pense assim. É só aí que quero chegar.
A revolução do 25 de Abril abriu um período extraordinário na criatividade e sobretudo no entusiasmo dos meios culturais. Tem hoje a Direita da blogosfera toda a razão quando se queixa do excesso cultural esquerdista da época. Visto daqui, de agora, é compreensível: era uma moda. É como hoje ir “às Docas”. É in (na altura não se usava a expressão). Ou como hoje blogar.
José Afonso participou activamente nesse período. Incansável, percorreu milhares de quilómetros pelo país fora com a guitarra às costas. O objectivo dele não era ganhar dinheiro com a música ou sequer ser famoso (no sentido big-brotheresco, ou warholiano que o termo hoje tem). O objectivo dele era levar às pessoas uma mensagem de esperança, de vida, de entusiasmo, porque os maus tempos (do fascismo) tinham acabado. Estávamos a construir um país novo (este, em que hoje vivemos) e as pessoas eram analfabetas: 37 por cento da população portuguesa não sabia ler e escrever. Através da música, Zeca chegava a elas. Passava a mensagem. Acelerava o processo de aculturação dessas massas ignorantes porque ignoradas.
A importância dele para a cultrura, nesses anos, foi menor. No sentido estrito apenas: é claro que foi grande, sobretudo por ele ter funcionado como um catalizador, uma autêntica pilha energética, que arrastava outros músicos e criadores criando um ambiente quase feérico na cultura musical portuguesa. De um sentido só, o revolucionário. Claro. Era a época.
Mais tarde, já cansado, já a revolução a esmorecer, já o país a solidificar, já a entrada para a então denomidada CEE (hoje União Europeia) às mãos de Mário Soares, já a democracia estabelecida e o capital a regressar, José Afonso voltou a ser um poeta do povo.
No seu último algum de originais (Galinhas do Mato, 1985) está longe do fado de Coimbra e da canção revolucionária. É porém ainda um baladeiro que reflecte o estado de alma de um país. Embora um tanto desfasado: o país era, por altura de 80, já o embrião do país de hoje, emocionalmente dividido ao meio. Zeca espelha um dos lados, o lado desiludido. O lado da Esquerda, a Esquerda desse tempo (hoje há uma nova Esquerda que já não vive de desilusões como está bem patente no Bloco de Esquerda e nos blogs como o Barnabé e o Blogue de Esquerda).
Ficam as dúvidas (ainda hoje as tenho, eu…) Como em Década de Salomé:
Estamos na Europa.
Civilizados
já cá faltava
uma maison
Pour la Patrie
plo Volkswagen
acabou-se a forragem
viva o Patron!
[…]
Aos grandes Super-Mercados
chega a cultura num bi-camion
Camões e Eça vendem-se
enlatados
lavados com “champon”
Acertou na mouche. Dos átrios das igrejas, dos salões de festas mal amplificados que lhes arruinaram gargantas (a ele e aos outros andarilhos de Adriano Correia de Oliveira a Sérgio Godinho, de José Mário Branco a Janita Salomé, de Vitorino a Júlio Pereira, de Né Ladeiras a Luís Represas, então um jovem muito jovem) das sessões de esclarecimento, dos comícios, da festa do Avante, a cultura foi passando para os super-mercados. Onde ainda hoje está. A massificação cultural, a amálgama, tem virtudes (que ele não cantou, embora eu suspeite que as detectou mas considerou menores face aos defeitos) e tem defeitos.
Na faixa Galinhas do Mato, do album homónimo, Zeca regressa à “sua” África e experimenta sonoridades novas. Seriam o seu caminho futuro não fosse a doença tê-lo levado dois anos volvidos. Aliás, esse album foi produto de uma gigantesca prova de amor prestada pelos camaradas de ofício: José Afonso, já doente, mal podia mexer-se e quase não cantava. Foram Júlio Pereira e José Mário Branco as traves mestras do album.
Pessoalmente considero históricos e fundamentais os primeiros albuns, até 1974, e os últimos dois albuns. Galinhas do Mato é uma obra experimental de um músico já acima dos sessenta, um recomeço, uma viragem, uma abertura, uma interrogação. Depois de ter sido um dos grandes cronistas do Portugal da segunda metade do século XX, foi isso que ele nos deixou antes de partir. Pela minha parte, agradeço.
Paulo Querido

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Paulo QueridoTestemunhos
08/02/2006By AJA

O Homem

Eu não tinha mais de seis anos. Era um Verão qualquer de meados de 60. Tínhamos uma casa na Praia de Faro, emprestada. A casa do Sr. Freitas — acabam de me recordar as minhas queridas irmãs. Havia um gira-discos a pilhas e candeeiros a petróleo. Eu vinha da água roxo, depois de horas incansáveis a mergulhar das pontes, com a Irmã Mais Nova. Eu não sabia nadar bem, mas usava braçadeiras insufláveis e com elas aventurava-me fosse para onde fosse, mesmo sem pé. À noite, depois do jantar, ouvíamos música. Otis Redding. Charles Aznavour. Coisas que os adolescentes da altura (os meus irmãos e primos) ouviam. E também Adriano Correia de Oliveira. E Zeca Afonso.
É a minha primeira recordação de José Afonso. Uns anos mais tarde, mas não muitos, lembro-me de estarmos na sala de estar e alguem toca à campaínha (coisa comum, vivíamos numa pensão). Subitamente o meu irmão corre a tirar do prato do gira-discos o 33 rotações que estávamos a ouvir.
Recordo-me lindamente da capa. Que não da música: eu teria uns 8, 9 anos. Perante o sururu, devo ter feito uma pergunta de puto e deram-me uma resposta básica, para puto entender: havia coisas que não se podiam ouvir, eram proibidas pela polícia, pela PIDE, e aquela era uma delas. Os porquês eram demasiado complexos para mim, muito puto. Mas aquilo encaixava em duas coisas: eu não gostar de polícias, porque o polícia de giro parava sempre os nossos jogos de bola na rua, e já ter ouvido nas conversas da tasca (tínhamos uma “casa de pasto” abaixo da pensão, é hoje um bar na famosa Rua do Crime, em Faro, que na realidade, irónica, se chama Rua do Prior) que havia um viajante (pensão e tasca eram frequentados sobretudo pelos caixeiros viajantes) que era informador da PIDE, fosse lá isso o que fosse, e o meu pai tinha ido responder qualquer coisa à PIDE uma vez. O meu pai era um homem absolutamente de Direita e cumpridor, embora houvesse coisas do Salazar que ele não gostava muito: não imagino porque terá lá ido.
A minha Irmã Mais Velha foi aluna do José Afonso em Faro, onde ele deu aulas. O meu Irmão também. Na então chamada Escola Industrial e Comercial de Faro. Ela recorda-se de um «mau professor, que faltava muito e era despistado. Não seguia o programa, falava de outras coisas». Certo e sabido era que por alturas de Abril ele ia faltar, pelo menos um mês. Os alunos sabiam porquê, recorda essa minha Irmã: «com o aproximar do 1º de Maio, a PIDE ia lá e engaioláva-o durante um mês».
O meu Irmão não partilha da mesma opinião dele como professor, talvez por ser já na altura mais politizado e, digamos, avançado que ela. Quando deixámos a Pensão Mirense (onde nasci) que foi a seguir pensão de putas e mais tarde o primeiro Lar de Estudantes da Associação da Universidade do Algarve (está à venda, decrépita, fica por cima do bar Ovelha Negra), surripiei a colecção “Vida Mundial”, onde ele se informava na altura. (Ainda tenho a capa do Homem na Lua.) Ontem o meu Irmão recordava, com alguma emoção, como o professor «usava os sapatos desatados». E «faltava para ir fazer as gravações em França».
Eu conheci José Afonso em circunstâncias muito diferentes. Muitos discos, prisões, revoluções depois. Em 1985/86. Conheci-o em circunstâncias no mínimo estranhas, num apartamento em Faro, na presença do então director do Tal & Qual, José Rocha Vieira, e do meu camarada jornalista Francisco Rosa, que tinha uma Dyane onde o Guilherme Silva Pereira fazia o Gagarine (sair por uma janela, passar pelo tecto e entrar pela janela oposta — em andamento). O Guilherme foi depois capa do Tal & Qual por causa duma cena qualquer. Era (acho que ainda é) uma figura controversa…
Zélia acompanhava José Afonso. Era um homem doente. Ajudávamo-lo a andar pegando-lhe por debaixo dos sovacos. Tinha um olhar absolutamente sereno. Conversava com brilho. Em voz pausada, por causa do esforço. Mas com inteligência e perspicácia.
Dias depois visitei-o na casa de Azeitão. Conversas soltas. Eu era personagem secundária no cenário. Lembro-me das estantes vergadas com o peso de centenas de livros. Conheci a Joana Afonso, filha dele (que entrevistei mais tarde para um pasquim chamado “O Rebelde” que foi percursor das revistas para adolescentes).
Lembro-me de um homem admiravelmente consciente da proximidade da morte e ainda assim um homem sereno, tranquilo. Forte. Estar junto de José Afonso era estar mergulhado numa paz activa, estimulante. Quando falava era um sábio. É essa a imagem que retenho dele: uma pessoa sábia, consciente das realidades do mundo, nada interessado em falar dele ou da doença, mas sim da actualidade. Com notável perspicácia, algum humor e um belo poder de antecipação das tendências sociais e políticas.
O José Afonso que eu conheci não é o Zeca Afonso comunista, não é o Zeca Afonso perigoso revolucionário, não é o Zeca Afonso maldito, aparentemente malquisto e incómodo, até hoje, à Esquerda e aos partidos que ajudou dando a cara por eles, mesmo que não lhes pertencesse (o José Afonso nunca pertenceu a nada senão à cultura portuguesa e ao povo português). Era uma pessoa que dava gosto conhecer, com quem dava gosto estar e conversar. Um pessoa de bom fundo e carácter vincado com opiniões sábias e nada extremas, bem pelo contrário.
Este “meu” José Afonso não tem também nada a ver com a “malta de Esquerda” desses tempos que, em período final do cavaquismo, desistiu de lutar pelos seus ideiais. O capital é mais forte, desisto: onde está o bom emprego, onde posso ir beber uns copos? O “meu” José Afonso, não fora a doença, teria continuado a lutar pelos seus ideais noutro palco. Um palco qualquer. Um palco onde ele fosse preciso. Há menos de um ano tive o grato prazer de conhecer alguns dos que não desistiram. Continuam a luta nos foruns prisões, associações, escolas, etc a defender os direitos individuais, a sensibilizar e educar as pessoas nos seus direitos e deveres. Quando conheci o António Pedro Dores lembrei-me do José Afonso e de pensar: é a mesma força. Há gente que não desiste de ser melhor e fazer os outros melhores. Ainda bem.
Paulo Querido

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AJA NorteImprensaNúcleos AJA
03/02/2006By AJA

Sacos para o pão com Zeca Afonso

Para assinalar aniversário da morte, panificadora e biblioteca lançam campanha cultural direitos reservados

Nos dias 24 e 25, haverá um espectáculo de homenagem a Zeca Afonso, que durará 30 horas

A empresa de panificação Pavico e a Biblioteca Raul Brandão, de Guimarães, voltam a unir esforços para uma nova campanha. Em Fevereiro, para assinalar a data da morte de Zeca Afonso, vão ser lançadas 100 mil embalagens de pão, em papel, com dados sobre a vida e obra do autor de “Os vampiros”.

As embalagens serão usadas nos vários postos de venda daquela empresa, no centro e periferia de Guimarães. A campanha “Pão com sonho” consta de uma biografia do cantor e letras das canções “Menino d’oiro” e “Utopia”, inscritas nas embalagens.

Francisco Fidalgo, da Pavico, sublinha que as campanhas “surtem efeito, porque reforçam a imagem da empresa” e, também, porque “já têm um público fiel, que pergunta pela próxima iniciativa”. A campanha “Pão com sonho” surge na sequência de outras resultantes da mesma parceria. A primeira surgiu em 1996, “Pão com livros”. Seguiram-se “Pão com poesia”, em 1997, “Pão com liberdade”, em 1999 (evocação dos 25 anos do 25 de Abril) e “Pão com Teatro”, em 2002.

Esta é uma das iniciativas de um amplo programa de homenagem ao cantor, promovido pela Associação José Afonso. O ponto alto é um mega-espectáculo, nos próximos dias 24 e 25, no Centro Cultural de Vila Flor, com duração de 30 horas

Joaquim Forte
Jornal de Notícias, 2006/01/02

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CoimbraNo verso dos versos
30/01/2006By AJA

Tecto do Mendigo

O “Tecto do Mendigo”, de José Afonso, nas paredes da república Boa-Bay-Ela. Notícia do Diário das Beiras de hoje. Foto de Rui Semedo.
Aqui só estão as quatro primeiras quadras, numa versão ligeiramente diferente da que consta do livro “José Afonso – Textos e Canções”, da editora Assírio e Alvim, de 1983, com coordenação e notas de J. H. Santos Barros.

Num lugar ermo
Só no meu abrigo
Aí terei meu tecto
E meu postigo

De longe em longe
À luz das madrugadas
Duas camisas
Quem não tem lavadas?

Aí serei meu dono
E companheiro
Dizei amigos
Se não sou solteiro

E se eu morrer
O tecto que não caia
Porque um mendigo
Dorme de atalaia

Fonte: guitarradecoimbra.blogspot.com

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Associação José AfonsoRádio
27/01/2006By AJA

Debate sobre a rádio e a música portuguesa

A Associação José Afonso com o apoio da Câmara Municipal de Setúbal, apresenta hoje na Biblioteca Municipal de Setúbal, Avenida Luisa Todi, pelas 21.30 o segundo debate sobre a música portuguesa e a rádio.
Depois do debate de 30 de Setembro (sexta-feira) ter contado com a presença de Sérgio Godinho, Luis Montez, José Fragoso e Sandi Gageiro, o de hoje terá a participação de:

Nuno Pacheco – Jornal Público
David Ferreira – EMI Valentim de Carvalho
Carlos Guerreiro – Gaiteiros de Lisboa
José Moças – Editora Tradisom

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AJA NortePoesiaTertúlias
25/01/2006By AJA

A poesia de José Afonso no Porto

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Canção de CoimbraNo verso dos versosOctávio SérgioPartituras e tablaturas
25/01/2006By AJA

Balada do Outono

Texto retirado do blog de Octávio Sérgio: guitarradecoimbra.blogspot.com



Águas passadas do rio,
Meu sono vazio
Não vão acordar;
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar.

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar.

Águas do rio correndo
Poentes morrendo
Pràs bandas do mar;
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar.

Rios que vão dar ao mar
Deixem meus olhos secar
Águas das fontes calai
Ó ribeiras chorai
Que eu não volto a cantar.

No refrão, o terceto final canta-se e repete-se.
Esquema do acompanhamento do canto:
1º terceto: Lá menor, 2ª Lá, Lá menor /// Sol maior, Lá menor /// Sol maior, Lá menor;
2º terceto: Lá menor, 2ª Lá, Lá menor /// Ré menor, Lá menor /// 2ª Lá, Lá menor;
Refrão:
1º dístico: Lá menor, Sol maior, Lá menor /// Lá menor, Sol maior, Lá menor;
o terceto: Lá menor, 2ª Lá, Lá menor /// Ré menor, Lá menor /// 2ª Lá, Lá menor;

Informação complementar:
Balada com refrão, em compasso ¾ e tom de Lá Menor. Esta é a primeira composição verdadeiramente da autoria de José Afonso. Segundo ele próprio nos diz, passou a designar as suas primeiras canções por “baladas”, não porque soubesse o significado do termo, mas para as distinguir do “chamado Fado de Coimbra” que começara por cantar desde os anos do Liceu D. João III em meados da década de 1940. José Afonso fez a composição, mas faltava-lhe o título. Parece que terá pensado em designá-la inicialmente por BALADA DO RIO (MONDEGO). Em troca de ideias com o Dr. António Menano, recentemente regressado de Moçambique, José Afonso seguiu a sugestão de Balada do Outono (Cf. O Comércio do Funchal, 01/06/1970).
A título explicativo, o próprio autor facultou os seguintes dados relevantes que nos permitem situar esta composição num período imediatamente anterior à ruptura estética que se intensificou após a campanha presidencial do General Humberto Delgado: “Mais propriamente Balada do Rio. Dominada ainda pelo velho espírito coimbrão, é o produto de um estado perpétuo de enamoramento ou como tal vivido, uma espécie de revivescência tardia da juventude. O trovador julga-se imprescindível, como um protagonista que a si próprio se interpela para convocar a presença das águas dos ribeiros e dos rios, testemunhas vivas do seu solitário cantar. A imagem do Basófias (nome porque é conhecido o Rio Mondego, na gíria coimbrã), que incha e desincha quando lhe apetece, deve ter influído na gestação da partitura. Uma certa disposição fisiológica propensa à melancolia explica o começo das dores sem falar na albumina anunciadora de futuras e promissoras partogéneses “ (Cf. “Cantares de José Afonso”, 2ª edição, Lisboa, AEIST, 1969, pág. 22). Na obra que acabamos de citar, a letra dos dois versos iniciais é Águas / E pedras do rio, letra essa que veio a ocorrer numa gravação realizada por José Mesquita em 1979.
Balada gravada pela primeira vez nos inícios de 1960, por José Afonso, acompanhado à guitarra por António Portugal/Eduardo de Melo e, à viola, por Manuel Pepe/Paulo Alão: EP “Balada do Outono”, Rapsódia, EPF 5085 – EP0089F, de 12 de Março de 1960. O registo de 1960 tem sido profusamente reeditado: LP “Baladas e Fados de Coimbra. José Afonso”, Porto, Edisco, EDL 18. 020, ano de 1982, Lado B, Faixa nº 6; CD “Dr. José Afonso. Os Vampiros”, Porto, Edisco, ECD-001, ano de 1987, faixa nº 12. A referida remasterização é omissa quanto à matriz original, ano de gravação e instrumentistas. Na primeira gravação, o trabalho de guitarra protagonizado por António Portugal é francamente desinteressante, limitando-se a curtas intervenções na abertura e no meio da peça. Quase todo o acompanhamento é suportado pelas violas, certamente a insistências do próprio autor.
Jorge Tuna aproveitou parte da melodia de “Balada do Outono” para trecho de abertura da sua “Rapsódia de Fados”, presente no EP “Coimbra à Noite”, RAPSÓDIA, EPF 5.179, de 13 de Agosto de 1962, gravado com Jorge Tuna/Jorge Godinho (gg) e Durval Moreirinhas/José Tito Mackay (vv). Este “pot pourri” encontra-se disponível no CD “Jorge Tuna. Coimbra”, Porto, Edisco, ECD 133, ano de 2000, faixa nº 1, sem quaisquer dados indicativos do ano de gravação ou da matriz fonográfica original.
Em finais dos anos 60 foi editado um LP de “Baladas e Canções”, Porto, OFIR, MAS 301, ano de 1967, contendo uma versão instrumental em viola nylon tocada por Rui Pato, versão essa disponível no CD “Baladas e Canções. José Afonso acompanhado à viola por Rui Pato”, Lisboa, EMI-Valentim de Carvalho, 7243 8 36617 2 5, ano de 1996, faixa nº 4. Nos dois casos, as faixas foram retiradas da matriz EP “Baladas e Canções”, Porto, OFIR, MAS 4.016, ano de 1964.
O autor voltou a gravar esta balada em 1981, acompanhado à guitarra por Octávio Sérgio e, à viola, por Durval Moreirinhas: LP “José Afonso – Fados de Coimbra”, Orfeu, FPAT 6011. O arranjo para guitarra de acompanhamento é de Octávio Sérgio, em tudo superior ao de 1960, de tal arte que passou a ser correntemente tocado por quase todas as formações activas nas décadas de 1980-1990.
Das gravações de José Afonso são ainda conhecidas as seguintes remasterizações:
-LP “José Afonso. Fados de Coimbra e outras canções”, Riso e Ritmo Discos, Lda., RR LP 2188, ano de 1987, Lado B, faixa nº 1, extraído do registo de 1960;
-CD “Coimbra Serenade”, Edisco, ECD 5, editado em 1992, extraído do registo de 1960 (remasterização do LP “Coimbra Serenade”, RAPSÓDIA, LDF 006, Lado A, Faixa nº 5, sem data, que se vendia em 1987/1988 a 600$00);
-CD “José Afonso – Fados de Coimbra”, Movieplay, SO 3003, editado em 1996, extraído do registo de 1960;
-CD “Fados e Guitarradas de Coimbra”, Volume I, Lisboa, Movieplay, MOV. 30.332, 1996, disco nº 1, faixa nº 7, extraído do registo de 1981;
-CD “José Afonso. Fados de Coimbra e outras Canções”, Movieplay, JÁ 8011, ano de 1996, faixa nº 6, com livreto assinado por José Niza, extraído do registo de 1981;
-Col. “Um Século de Fado”/Ediclube, CD Nº 4/Coimbra, emi 7243 5 20638 2 6, editado em 1999, extraído do registo de 1960.
José Afonso gravou a Balada do Outono uma 3ª vez, durante o concerto de 1983 no Coliseu de Lisboa, correndo no mercado tiragens provenientes desse espectáculo realizado no dia 29 de Janeiro de 1983:
-LP duplo “José Afonso ao vivo no Coliseu”, DIAPASÃO, DIAP 16050/1, ano de 1983, LP 1, Lado A, Faixa nº 5, acompanhado por Octávio Sérgio/Lopes de Almeida (gg) e António Sérgio/Durval Moreirinhas (vv). Deste registo se fizeram as seguintes remasterizações:
-CD “Zeca Afonso no Coliseu”, Strauss, ST 1021010035, ano de 1993;
-cassete “Zeca Afonso no Coliseu”, Strauss, ST 1021010036, ano de 1993.
Gravações disponíveis em compact disc de outros cantores:
-CD “Fados e Baladas de Coimbra – Coimbra tem mais encanto”, Vidisco, 11-80-1304, editado em 1991, a partir das gravações efectuadas por José Mesquita no LP “Fados e Baladas de Coimbra por Antigos Estudantes, RODA, SSRL 9001, ano de 1979, Lado A, Faixa nº 3, com acompanhamento da formação António Brojo/Jorge Gomes (gg) e Manuel Dourado/Aurélio Reis (vv). José Mesquita canta na parte introdutória o texto original “Águas e pedras do rio, meu sono vazio não vão acordar.”;
-CD “Fernando Machado Soares”, Philips, 838 108-2, sem data, compilação dos LP’s de 1986 e 1988, faixa nº 13. Remasterização efectuada a partir do LP “Serenata”, Polygram Discos, ano de 1988, faixa nº 3, acompanhado por José Fontes Rocha (g) e Durval Moreirinhas (v). Vocalização ultra-romântica, servida por um toque de guitarra banalíssimo;
-CD “Amanhecer em Coimbra – Tertúlia do Fado de Coimbra”, Porto, Edisco, ECD 15, ano de 1993, faixa nº 6. Canta Victor Nunes, acompanhado por José dos Santos Paulo/Álvaro Aroso (gg), José Carlos Teixeira/Eduardo Aroso (vv). O arranjo é da autoria de José S. Paulo. Vocalização eficaz de Victor Nunes. No livreto de acompanhamento do disco conta-se uma pequena história sobre a origem desta peça, relacionando a sua feitura com a viagem de José Afonso a Angola integrado na digressão do Orfeon, em Agosto de 1960. No entanto, esta informação não sintoniza com a data da 1ª gravação da obra, cujo disco preparado meses antes, em 12 de Março de 1960;
-CD “Meu Menino, Meu Anjo”, Porto, Fortes & Rangel, DCD 1038, ano de 1998, faixa nº 11. Grupo activo no Porto, com os cantores Nuno Oliveira e Delfim Lemos. Acompanhamento por Rui Vilas Boas (g) e Castro Lopes (v). A ficha técnica não identifica o cantor, sendo o arranjo transladado a partir de Octávio Sérgio (1981);
-duplo CD “José Mesquita. Coimbra das Canções, Trovas e Baladas”, Coimbra, sem editor, Janeiro de 2000, disco nº 2, faixa nº 2. O acompanhamento é feito por Carlos Jesus (g), Luís Filipe/Humberto Matias (vv), traduzindo-se numa presença excessiva do som da guitarra. No livreto do CD nº 2, embora a letra transcrita inicie com “Águas e pedras do rio”, José Mesquita canta a mesma letra que foi gravada por José Afonso. Saliente-se que do ponto de vista da melodia José Mesquita não canta exactamente a versão do autor (José Afonso), mas sim uma adaptação do próprio José Mesquita sobre um arranjo do Maestro José Firmino;
-CD “Quinteto de Coimbra. Guitarra e Canção de Coimbra”, Coimbra, Edição Quinteto de Coimbra/Casa de Fados, Lda., ano de 2001, faixa nº 3. A ficha técnica do disco não explicita quem seja o intérprete. A formação é constituída por Patrick Mendes/António Ataíde (vozes), Ricardo Dias (g) e Nuno Botelho/Pedro Lopes (vv). Predomina o trabalho instrumental das violas, salpicado nos separadores pela guitarra de Ricardo Dias, a seguir inequivocamente o arranjo de Octávio Sérgio (1981), embora tal se não mencione. O trabalho vocal é demasiado arrastado, com modulações em estilo soul ou até jazísticas e evitáveis esmorecimentos nas notas graves;
Não confundir esta composição com outra de Carlos Carranca, com letra e música diferentes: “Balada de Outono” (Canto os raios do Sol), letra de Carlos Carranca, música de José Reis, CD “Poesia para Todos. Carlos Carranca”, Cascais, Edição da Câmara Municipal de Cascais, sem data (2004), faixa nº 9, datando a referida composição de 1998.
“Balada do Outono” foi muito cantada a quatro vozes na década de 1990 pelo Coro dos Antigos Orfeonistas do OAC, tendo por base uma harmonização do Maestro José Firmino sobre o arranjo de Octávio Sérgio (1981). Esta versão foi gravada pelos Antigos Orfeonistas no Palácio de São Marcos, dias 30 de Abril e 1 de Maio de 1994, com regência de Augusto Mesquita e piano de Filipe Teixeira Dias, no CD “Coro dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra, Polygram/Philips, 522662-2, de 1994.
Transcrição musical: Octávio Sérgio (2006)
Arranjo instrumental: Octávio Sérgio
Pesquisa e texto: José Anjos de Carvalho e António M. Nunes
Agradecimentos: Sandra Cerqueira (Edisco), SPA, Dr. José Reis (Pardalitos do Mondego), Dr. Rui Pato, Doutor José Mesquita

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Homenagens e tributos (2006)
24/01/2006By AJA

Homenagem a José Afonso em Guimarães

Numa cidade sem muros nem ameias…com gente igual por dentro e gente igual por fora

CENTRO CULTURAL VILA FLOR
Guimarães – 24 E 25 DE FEVEREIRO DE 2006

concertos | exposições | filmes | debates | livros | discos | etc.

Direcção artística e plástica de José Mário Branco e Hélder Costa (A Barraca)

GUIMARÃES recebe os amigos de José Afonso e dá-lhes guarida…

ORGANIZAÇÃO: Círculo de arte e recreio

APOIO:
ASSOCIAÇÃO JOSÉ AFONSO
ASSOCIAÇÃO 25 DE ABRIL
CAMARA MUNICIPAL DE GUIMARÃES
RÉGIE COOPERATIVA OFICINA

Mais informações em breve…

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António M. NunesJosé Anjos de CarvalhoNo verso dos versosOctávio Sérgio
18/01/2006By AJA

No lago do breu

Texto retirado do blog de Octávio Sérgio: guitarradecoimbra.blogspot.com

NO LAGO DO BREU
Música: José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (1929-1987)
Letra: José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos (1929-1987)
Incipit: No Lago do Breu
Origem: Faro
Data: 1962

No Lago do Breu
Sem luzes no céu
Nem bom Deus
Que venha abrasar
Os ateus
No Lago do Breu.

No Lago do Breu
A noite não vem
Sem sinais
Que fazem tremer
Os mortais
No Lago do Breu.

Mas quem não for mau
Não vá
Que o céu não se compra
Dá
Não vejo razão
Pra ser
Quem teme e não quer
Viver
Sem luzes no céu
Só mesmo como eu
No Lago do Breu.

No Lago do Breu
Os dedos da noite
Vão juntos
Para amortalhar
Os defuntos
No Lago do Breu.

No Lago do Breu
A Lua nasce.
Mas ninguém
Pergunta quem vai
Ou quem vem
No Lago do Breu.

Mas quem não for mau
Não vá
Que o céu não se compra
Dá
Não vejo razão
Pra ser
Quem teme e não quer
Viver
Sem luzes no céu
Só mesmo como eu
No Lago do Breu.

No Lago do Breu
Meninas perdidas
Eu sei
Mas só nestas vidas
Me achei
No Lago do Breu.

Mas quem não for mau
Não vá
Que o céu não se compra
Dá
Não vejo razão
Pra ser
Quem teme e não quer
Viver
Sem luzes no céu
Só mesmo como eu
No Lago do Breu.

Canta-se cada estrofe seguida e repete-se o terceto final.
Informação complementar:
Canção com uma espécie de refrão atípico que resulta da repetição do terceto final de cada estrofe, em compasso 6/8 e tom de Mi menor, gravada por José Afonso, acompanhado à viola nylon por Rui Pato: EP Baladas de Coimbra, Porto, Rapsódia, EPF 5.182, Outubro de 1962, Lado 2, Faixa nº 3. A gravação decorreu em Coimbra, no antigo Convento de São Jorge, local onde os técnicos da editora montaram os dispositivos de captação sonora. A melodia é melancólica, remetendo para um estado de espírito depressivo vivido pelo autor na data da feitura da obra, conforme nos corroborou Rui Pato.
De acordo com declarações do próprio José Afonso, tratar-se-á de uma canção inspirada no repertório do cantor e compositor francês Georges Brassens (1921-1981), cujo título e letra interpelam a moral social vigente e a prática de frequência das casas de prostituição do Terreiro da Erva em Coimbra. cf. “Os cantares de José Afonso”, Lisboa, 1ª edição, 1968; idem, 2ª edição, Lisboa, Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, 1969, págs. 46-47: “Balada de inspiração Brassens, define simultaneamente um estado de espírito e uma autobiografia, uma crise de consciência (destruição do sentimento de remorso) e um meio social (os prostíbulos do “Terreiro da Erva” ou os seus sucedâneos mais ou menos bem iluminados” (sic). Até à entrada da década de 1960 era nestas casas que estudantes e jovens mancebos em dia de inspecção militar faziam a sua iniciação sexual. O local da feitura da composição foi Faro, cidade onde José Afonso então residia e trabalhava como professor.
A letra integral é de árdua transcrição, pois nas estrofes o autor oscila entre a sextilha (1ª, 2ª, 4ª, 5ª, 7ª) e os 11 versos (3ª, repetida na 6ª e na 8ª). Rui Pato mitiga a influência de Brassens, a qual se teria feito sentir mais tarde (nesta fase havia mais de Jacques Brel e de Léo Ferré e ainda não as “brassenzadas” do tipo “Eu tive o Diabo na mão”), recordando ter-se deslocado propositadamente a Faro para ensaiar com José Afonso (informes de 12/01/2006). Rui Pato passou um mês de férias no Verão/1962 com José Afonso em Faro. Foi nas deambulações em improvisada jangada à Ilha do Farol que José Afonso alicerçou os rudimentos desta canção. José Afonso começou pela letra e só depois improvisou os rudimentos da melodia. Rui Pato recorda-se bem dos trauteios nascentes junto ao areal da Ilha do Farol, com José Afonso tomado de amores pela futura companheira Zélia Maria Agostinho.
As estrofes assimétricas, alternando entre 6 e 11 versos, a longa debitação da letra, o “refrão” atípico, a obsidiante presença da viola nylon, tudo foi pensado para erigir o tema em obra de protesto contra o que era convencional cantar-se e gravar-se em Coimbra. Tendo forma, No Lago do Breu rejeita abertamente a fórmula estrófica dos temas mais convencionalmente clássicos da CC. Nada de repetições canónicas, nada mudanças de frase antecipadamente reconhecíveis, nada de langorosos ais. O autor escuda-se no efeito surpresa e com ele se torna um intérprete surpreendente. O trabalho de acompanhamento é relativamente simples, pois José Afonso queria fazer alguns acordes na sua viola, embora soubesse antecipadamente que não conseguia seguir os dedos de Rui Pato. Fez-se a gravação com a viola de Rui Pato “meio desafinada” por forma a que José Afonso pudesse cantar e fazer no braço da sua viola os singelos acordes que sabia executar.
A referida gravação veio a ser remasterizada no LP Baladas e Fados de Coimbra, EDISCO, EDL 18.020, ano de 1982, Face B, Faixa nº 3, fonograma omisso quanto ao ano da gravação, matriz original e instrumentista. Versão disponível em compact disc: CD OS VAMPIROS, Edisco, 1987, faixa nº 9, com o título adulterado para “No Largo do Breu” (sic) e inclusão da letra no respectivo livreto. A letra, na edição em off-set das AAEE, de 1969, de “Cantares DE JOSÉ AFONSO” e em “JOSÉ AFONSO. Textos e Canções”, e na publicação Assírio e Alvim, de 1983, não está conforme os discos supra. O título nos discos é No Lago do Breu e, não, “Lago do Breu” como vem em Textos e Canções.
Este tema foi gravado também pelo cantor português activo em França Germano Rocha, em 1964, acompanhado à guitarra por Ernesto de Melo e Jorge Godinho e, à viola, por José Niza Mendes e Durval Moreirinhas (EP BLY 76153 e LP XBLY 86112, ambos da editora Barclay). A letra adoptada por Germano Rocha não corresponde à versão de José Afonso, e o título original aparece encurtado para “Lago do Breu”.
No site http://alfarrabio.um.geira.pt/zeca/cancoes/16.html, encontra-se uma transcrição incompleta da letra gravada por José Afonso, com título encurtado para “Lago do Breu” (cf. também o endereço https://aja.pt/discografia.htm, para as fontes fonográficas do autor conhecidas até ao ano de 2005, cujo rol está incompleto) e omissão integral dos refrões. A versão de das edições de 1968 e 1969 encontra-se no “Arquivo de Música de Língua Portuguesa”, da Universidade do Minho (http://natura.di.uminho.pt).
Este espécime foi gravado na Capela do Palácio de São Marcos da Reitoria da UC por Serra Leitão, no tom de Mi Menor, acompanhado pela formação José dos Santos Paulo/Octávio Sérgio (gg) e Aurélio Reis/Humberto Matias/José Tito Mackay (vv) no CD “15 anos depois… Antigos Tunos da Universidade de Coimbra”, Coimbra, ano de 2000, faixa nº 15. Neste registo, com introdução e arranjo de José dos Santos Paulo, o título sofreu adulteração para LARGO DO BREU (sic), sendo a identificação dos instrumentistas totalmente omissa.
A solfa desta canção encontra-se impressa na brochura do antigo sócio da TAUC António Carrilho Rosado Marques, “Cantares de José Afonso. Acompanhamentos para viola”, Évora, Edição do Autor, 1998, págs. 18-19.

Texto: José Anjos de Carvalho e António M. Nunes
Agradecimentos: Dr. Octávio Sérgio, Prof. José dos Santos Paulo, Dr. Rui Pato

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Bibliografia
16/01/2006By AJA

José Afonso na História


(Retirado do blog de Octávio Sérgio “guitarradecoimbra.blogspot.com”)

Página de abertura de um dos capítulos da obra colectiva coordenada por António Reis, “Portugal Contemprâneo (1958-1974)”, Volume 5, Lisboa, Publicações Alfa, 1990, pág. 337. Trata-se de uma obra muito desigual e fragmentária, dependendo a valia de cada capítulo do engenho e arte de cada um dos articulistas convidados. De facto, esta obra tem os seus historiadores, os seus curiosos, os seus articulistas e os seus croniqueiros. Não obstante alguns erros desculpáveis (mormente, 1ª coluna central, linhas 3-5), pela pena de António Duarte, José Afonso entra timidamente na História de Portugal.
Em termos de obras especializadas e de monografias, José Afonso sabe a pouco nas bibliotecas escolares portuguesas. Todas as vezes que se aproximam as comemorações da Revolução de 1974 e do Feriado de 25 de Abril, os alunos de História de 9º Ano em vão pedem a biografia de José Afonso e um “livro de letras” com a “Grândola”. Pois sim! O que nos vai valendo é o site da Associação José Afonso.
António M. Nunes

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José António GomesTestemunhos
03/01/2006By AJA

Louvor e memória de José Afonso

Na rádio inaudível que nos dão (salvam a honra do convento as Antenas 1 e 2 e pouco mais), ainda é possível escutar – mas não muito – uma ou outra voz mais ou menos consensual, em língua portuguesa. Bem como, por exemplo, algumas vozes brasileiras da moda (desiluda-se, porém, quem goste de António Carlos Jobim, Vinicius e Toquinho, João Gilberto, Elis, Chico Buarque, Edu Lobo ou Ivan Lins). Mas o grosso da «música» – e a palavra «grosso» tem aqui duplo sentido – é composto pelos mais comerciais subprodutos da indústria musical anglo-saxónica, alguns deles repetidos até à náusea.
Postas em música, as línguas portuguesa, francesa ou espanhola foram praticamente banidas das nossas ondas radiofónicas, vergadas ao peso do mau gosto e da chamada língua franca (um inglês básico para duros de ouvido e compreensão), no que configura uma autêntica ditadura imposta pela praga matraqueante das «playlists». Os cordelinhos – é bom de ver – movem-nos os conselhos de administração das empresas de radiodifusão, os obedientíssimos directores de programação e, no topo, as máquinas comerciais da indústria musical dominante. Todos argumentam ir ao encontro do «gosto» do grande público – esse gosto que eles próprios ajudaram a de/formar, por razões economicistas e, naturalmente, ideológicas.
Associadas ao quase ostracismo a que foram votados os «autores» de programas radiofónicos (recordem-se aqui os saudosos «Página 1», «Câmara de Eco», «23ª Hora», «Em Órbita» e «Os Cantores do Rádio» ou, em tempos mais recentes, «O Som da Frente»), tais são porventura as razões de fundo por que hoje não é possível escutar, na rádio, Adriano Correia de Oliveira e Francisco Fanhais, José Mário Branco e Fausto, Vitorino e Janita Salomé, Manuel Freire ou a Brigada Victor Jara. (Quanto à guitarra de Carlos Paredes, apenas se consegue ouvi-la como fundo musical de algumas reportagens ou então de peças breves dando notícia de homenagens à obra do genial compositor e intérprete.) Mercê de uma inteligente fusão da sua música com os ritmos e atmosferas sonoras da moda, ou graças à colaboração com músicos mais jovens que os praticam (como os Clã), Sérgio Godinho ainda logra marcar uns pontos nas rarefeitas ondas radiofónicas do nosso descontentamento. As quais – convém recordá-lo – utilizam espaço público de radiodifusão, mesmo se concessionadas ao sector privado.
Se quisermos contudo apontar um exemplo paradigmático desta velada censura à música popular urbana de qualidade, cantada em português, teremos naturalmente de falar em José Afonso.
Desde os seus primórdios coimbrões – marcados pelo benigno ascendente do chamado fado de Coimbra –, as canções de José Afonso sempre foram a simbiose perfeita de três aspectos a reter: uma poesia singular, uma voz única (de timbre e coloração inconfundíveis) e um talento inato para a melodia. E ao falarmos de melodia, e também de ritmos, não é possível esquecer a fidelidade desta música às raízes mais profundas da música popular portuguesa, mas também a sua dívida em relação aos ritmos da África e do Brasil, para não falar da irmã Galiza – que em devido tempo soube homenagear o cantor com um espectáculo e o descerramento de uma lápide no Auditório da Galiza, em Santiago de Compostela.
O que todavia irrita e inquieta os senhores da rádio talvez seja a aura indissipável de José Afonso como antifascista e democrata, a sua dimensão humana de companheiro fraterno e solidário, disponível para todo e qualquer combate em prol dos injustiçados deste mundo: os pobres, os sem-terra, os povos em luta pela sua dignidade e independência. José Afonso ridicularizou como ninguém o salazarismo, mais tarde a rede bombista e a recuperação capitalista após o 25 de Novembro. Mas cantou também o amor, a amizade, os direitos da mulher. E vazou tudo isto em versos e melodias de uma alta temperatura musical e poética, mesmo naquelas composições em que não renegou a sua intimidade, experiência pessoal e contradições, e se deixou imbuir (e bem) dos influxos da poética surrealista, de um aparente «nonsense» ou mesmo do espírito das fatrasias de raiz popular.
Por muito que muitos o prefiram ignorar, a imagem, a voz e a obra de José Afonso converteram-se em símbolos do 25 de Abril (será necessário recordar a «Grândola», o «Venham mais cinco», «Os índios da Meia-Praia», a «Utopia»?), expressão da resistência de um povo em combate pela liberdade e por uma vida digna.
Quase duas décadas após a sua morte, a música de José Afonso está mais viva e actuante do que nunca. Venceu, como poucas, a lei da morte e o efémero. Muitos a guardam na memória e em cassetes, velhos discos de vinil e CD. E continuam a escutá-la. Por vezes, quase clandestinamente. Isto porque a rádio, a nossa rádio, a silenciou e só conhece hoje um pacto com a mediocridade, o fácil, o insidioso pensamento único – o mesmo é dizer, sobrevive em inaceitável compromisso com tudo o que cheira a ignorância, a mortos-vivos e a mau viver.
José Afonso, esse, está vivo. E bem vivo. Até porque – não o esqueçamos – soube cantar também outros vivos ilustres: Airas Nunes e Camões, Lope de Vega e António Nobre, Reinaldo Ferreira, Ary dos Santos, António Quadros e outros mais, como Fernando Pessoa – esse que, num dia de inspiração, não resistiu a metaforizar Portugal na forma de um «comboio descendente», onde «uns riem por ver os outros / e os outros sem ser por nada».

José António Gomes

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