Lançamento do livro “Sonata de amigos” de Benedicto Garcia Villar
A FUNDACIÓN 10 DE MARZO e EDICIÓNS XERAIS DE GALICIA comprácense en convidalo/a á presentación do libro: ”SONATA DE AMIGOS” de Benedicto García Villar.O acto, que contará coa participación de Emilio Pérez Touriño (Presidente da Xunta de Galicia), Víctor Santidrián (Director da Fundación 10 de marzo), Manuel Bragado (Director de Xerais), Benedicto García Villar (autor) e a intervención musical de Marcos Teira, terá lugar o venres, 12 de decembro, ás 19,30 h. no Salón de Actos da Fundación Caixa Galicia, Rúa do Vilar, 19 de Santiago.
Maria de Medeiros canta Zeca e Sérgio Godinho em novo disco
“Vai incluir temas de alguns autores portugueses, sobretudo Zeca Afonso, mas também Sérgio Godinho”, disse à Lusa Maria de Medeiros.
A actriz acrescentou que o disco pretende abranger “os dois lados do Atlântico e será cantado nas três línguas das Américas”.
Maria de Medeiros, que assegurou o concerto de abertura do 9º Festival de Blues de Viana do Castelo, confessou que ficou “surpreendida” com o convite da câmara para participar no festival, sobretudo por ainda ser “uma principante” na música, já que leva apenas dois anos “nesta aventura”.
“Além disso, nós fazemos uma música que se aproxima do blues mas que não é blues puro e duro, o que levou a que tivéssemos que preparar um reportório especialmente para este festival”, acrescentou.
O momento alto da noite foi quando Maria de Medeiros cantou “Should I stay or should I go”, dos Clash, mas o espectáculo percorreu várias outras sonoridades, com temas como “Velha Chica”, de Martinho da Vila, “Satisfaction”, dos Rolling Stones, “Paz, poeta e pombas”, de Zeca Afonso e “Muxima”, uma canção tradicional angolana.
“Estou a aprender umas coisas, mas ainda me considero uma actriz que canta. Aliás, penso que serei sempre uma actriz a cantar, porque eu gosto essencialmente do lado teatral na canção”, afirmou.
Conhecida sobretudo como actriz, Maria de Medeiros diz que, nos últimos tempos, a sua vida tem estado dividida praticamente em partes iguais entre a música e o cinema.
“Em 2008, fiz dois filmes, um no Brasil e outro em Itália, que me ocuparam praticamente meio ano. O resto do ano foi a cantar. Só em Novembro tive espectáculos no Brasil, na Córsega, em Espanha, na França e em Angola, de onde acabámos de chegar. Tem sido uma loucura”, referiu.
Actualmente com 43 anos, Maria de Medeiros começou há dois a sua “aventura” no mundo da música “um pouco por acaso”.
“Pensei fazer um pequeno espectáculo, que fosse meio teatro meio música, sobre a música do Brasil, especialmente a conotada com a resistência brasileira à ditadura militar, que marcou muito a minha adolescência. A partir daí, a coisa foi crescendo e… cá estou”, concluiu.
VCP.
Viana do Castelo, 05 Dez (Lusa) – Lusa/fim
“Tributo a Zeca” do compositor Vitor de Faria
“Tributo a Zeca” – Vitor de Faria
Frei Fado d´El Rei vence o Prémio José Afonso 2008
O júri, que decidiu por unanimidade atribuir o prémio aos Frei Fado d´El Rei, foi composto por António Moreira, Olga Prats, Carlos Pinto Coelho e Natália de Matos.
Os Frei Fado d´El Rei, que receberão o prémio no dia 29 nos Recreios da Amadora, surgiram no Porto em 1990 como um projecto inspirado na música de raiz popular e tradicional.
O álbum de estreia, “Danças no tempo” foi lançado em 1995, um ano depois de os Frei Fado d´El Rei terem integrado a colectânea “Filhos da Madrugada”, de homenagem a Zeca Afonso.
Desde então editaram ainda “Encanto da Lua” (1998), o álbum ao vivo “Em concerto” (2003) e “Senhor Poeta”, registo com 14 temas de José Afonso reinventados pelo grupo a propósito dos vinte anos da morte do músico aveirense.
Integram o álbum temas como “Verdes são os campos”, de Luís de Camões, “No comboio descendente”, de Fernando Pessoa, ou “Senhor poeta”, de Manuel Alegre, que dá o título ao álbum.
Em declarações à agência Lusa, quando saiu o álbum, o guitarrista Ricardo Costa disse que “José Afonso continua a ter uma sonoridade contemporânea e é incontornável para as novas gerações”.
“José Afonso trouxe uma roupagem inovadora à música portuguesa, explorando o âmago da música tradicional e popular”, explicou na altura o músico.
O Prémio José Afonso, no valor monetário de cinco mil euros, foi criado há vinte anos, em 1988, com o objectivo de homenagear o compositor português e incentivar a criação musical de raiz portuguesa.
Em 2007 o galardão foi atribuído à Brigada Victor Jara, que se junta a uma galeria de artistas como Sérgio Godinho, Fausto, Filipa Pais, Dulce Pontes e Vitorino.
Zeca Afonso recordado em debate sobre a música e a transição democrática em Madrid
Irene Pimentel vai lançar fotobiografia de Zeca Afonso
A historiadora Irene Pimentel, autora de várias obras sobre o século XX português, vai lançar até ao final do ano uma fotobiografia do cantor e compositor José Afonso, o que considerou “uma ousadia”.
“Eu comecei por estudar pessoas que não tinham nada a ver comigo”, afirmou em declarações à Lusa a investigadora, que acaba de publicar um livro sobre o inspector da PIDE Fernando Gouveia e também é autora de uma fotobiografia do cardeal Cerejeira.
Agora, a historiadora foi desafiada a fazer um trabalho sobre uma figura da cultura e a escolha recaiu em Zeca Afonso.
“Mas aí foi uma ousadia, porque eu conheci o Zeca Afonso, tenho os discos todos, ouvi a música dele, fui marcada por ela”, revelou.
Irene Pimentel considerou que Zeca Afonso “é uma figura altamente contraditória”.
“Isso fascinou-me”, confessou, sublinhando que era uma pessoa “muito individualista” e “muito marcada pelo surrealismo”.
A investigadora, que venceu o Prémio Pessoa em 2007, está também a trabalhar numa série documental sobre a PIDE, para a RTP, com Jacinto Godinho.
“Estamos na fase de entrevistas, sem preocupações com o tempo para que também fique em arquivo”, disse Irene Pimentel, que está também “à procura de pides”, convicta de que os mais importantes já desapareceram, mas alguns “agentes de segunda” ainda cá estão.
EO. | Lusa
José Mário Branco na Culturgest dias 30 e 31 de Outubro
Será nos dias 30 e 31 de Outubro de 2008, às 21h30, no Grande Auditório·
Tomando como base o mais recente repertório, José Mário Branco decidiu optar por um formato “em tripé” para os músicos que o acompanharão em palco. Primeiro, um conjunto de músicos, todos eles excelentes intérpretes-compositores que o têm acompanhado nos últimos anos nos momentos cruciais: José Peixoto, Carlos Bica, Rui Júnior, Filipe Raposo ou Guto Lucena, instrumentistas de excepção.
Segundo, como no seu álbum mais recente Resistir É Vencer (2004), a presença de um quarteto de cordas (liderado pelo jovem Luís Morais, concertino e professor em Viena) irá reforçar o pendor introspectivo que sempre existe quando José Mário Branco nos fala do mundo e da vida.
E, terceiro, os convidados muito especiais deste espectáculo: os Gaiteiros de Lisboa (grupo de que José Mário Branco fez parte na sua primeira fase) irão garantir duas componentes sempre presentes na sua música, as partes corais e as percussões. Este conjunto de músicos permitirá apresentar em Lisboa (pela primeira vez, e talvez única) a canção-rap-fleuve Mudar de Vida, escrita para o concerto de Abril de 2007 na Casa da Música, no Porto. Por isso este concerto se chama Mudar de Vida - 2.
José Mário Branco é um artista do seu tempo e da sua comunidade. E este tempo é de introspecção e de eterna busca, mas também de denúncia (”Isto não é sociedade que se apresente”) e de acção (”Vamos mudar de vida!”).
Voz, guitarra José Mário Branco
Guitarra José Peixoto
Contrabaixo Carlos Bica
Percussão Rui Júnior
Piano, teclados Filipe Raposo
Sopros Guto Lucena
1º Violino Luís Morais
2º Violino Jorge Vinhas
Viola Joana Moser
Violoncelo João Pires
Concepção e direcção musical José Mário Branco
Guião José Mário Branco e Manuela de Freitas
Foto Isabel Pinto
Classificação: M/12Informações e reservas21 790 51 55Duração 1h30 – 20 Euros (Jovens até aos 30 anos: 5 Euros. Preço único)
culturgest.bilheteira@cgd.pt
Bilhetes à venda: Culturgest-Fnac-Bliss-Livrarias Bulhosa (Oeiras Parque)-lojas Abreu-Wortenwww.ticketline.sapo.ptReservas -707 234 234
Apresentação do livro “Canto de Intervenção 1960-1974”
Canto de Intervenção 1960-1974 é uma viagem pela memória colectiva recente, que nos fala de Utopia, de Liberdade, de Poesia.
Poesia que é a essência do Canto de Intervenção. Dos poetas – Florbela Espanca, Sophia de Mello Breyner, Luís de Camões, Fernando Pessoa, Manuel Alegre, José Afonso – se chegou à intervenção; porque intervenção sem Poesia é apenas um panfleto, com o seu tempo próprio e histórico, mas que cai no esquecimento. Ao contrário de “Trova do Vento que Passa”, “Canção com Lágrimas”, “Menina dos Olhos Tristes”, “Menino do Bairro Negro”, “Vampiros”, “Redondo Vocábulo”, “Pedra Filosofal”, “Que Força é Essa”, “Vemos Ouvimos e Lemos”, ou “Cantigas do Maio”.
Canto de Intervenção 1960-1974, constitui-se assim “numa singular contribuição para uma história ainda por fazer: a da evolução da música popular portuguesa no século XX”.
(Nuno Pacheco, director-adjunto do Público)
Data : 14-11-2008
Local : Livraria Trama, Lisboa pelas 21:30
Livraria Trama – Rua S. Filipe Nery, nº25 B, ao Rato
Colóquio sobre José Afonso em Madrid
O extenso calendário da edição deste ano – a mais ambiciosa de sempre e que se alargará entre finais de Outubro e Dezembro – inclui ainda vários concertos musicais, exposições, debates literários e encontros filosóficos.
Detalhes de todo o calendário serão divulgados apenas na próxima semana, num encontro com jornalistas no Circulo de Bellas Artes em Madrid.
Dados preliminares avançados hoje pela Embaixada de Portugal em Madrid – uma das entidades que promove a Mostra – referem que estão previstos concertos de Mísia, Júlio Pereira, David Fonseca, António Rosado e o duo de Maria João e Mário Laginha.
No campo cinematográfico, e além do ciclo homenagem a Manoel de Oliveira, está prevista uma mostra de curtos de recente produção, incluindo o “Call Girl” que o próprio realizador, António-Pedro Vasconcelos, apresentará aos públicos madrilenos.
O calendário inclui exposições de fotografia e artes plásticas, com artistas como Helena Almeida, Edgar Martins, Carlos Bunga Albuquerque Mendes e Richard Câmara.
No capítulo de exposições há ainda a referir a mostra arquitectónica “21 Projectos do Século 21” e a apresentação do último do desenho português na 1ª Bienal Iberoamericana de Desenho.
Um dos momentos mais antecipados da mostra é um debate-colóquio sobre a incidência da música e da canção popular nas transições políticas de Espanha e de Portugal, em que serão recordados os 20 anos da morte de Zeca Afonso.
As artes culinárias marcam presença através do chefe da Tivoli Hotels & Resorts, Luis Baena, conhecido como uma das vozes da renovação da gastronomia portuguesa.
Além da semana da cozinha portuguesa, no Hotel Intercontinental em Madrid, Baena participará também nas jornadas gastronómicas de portas abertas onde o público pode saborear a sua cozinha.
Na sua sexta edição a Mostra Portuguesa é organizada pela Embaixada de Portugal, pelo Instituto Camões, Governo de Espanha – através dos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Cultura – e pela autarquia de Madrid.
ASP.
Lusa/Fim
Fotobiografia de José Afonso
A obra em oito volumes, editada pelo Círculo de Leitores, foi ontem apresentada em Lisboa e reúne grandes figuras já desaparecidas – a fadista Amália Rodrigues, o poeta Fernando Pessoa, os actores Vasco Santana e Amélia Rey-Colaço, o fotógrafo Joshua Benoliel, o arquitecto Pardal Monteiro, o músico José Afonso e o pintor Amadeo de Souza-Cardoso.
Comum a todas as fotobiografias é a publicação de imagens inéditas.
A historiadora Irene Pimentel é autora do texto sobre José Afonso.
Espectáculo “Que viva o Zeca”
Cantigas do Maio com arranjo de Eurico Carrapatoso
Cantigas do Maio de Zeca Afonso num arranjo para coro de Eurico Carrapatoso
Coro com K
De como eu me cruzei com o José Afonso em Aljustrel
Mas por acaso sabem quem foi o José Afonso? O Homem simples e sensível? O professor que sabia falar das histórias da história? O rebelde inflexível na denúncia das injustiças? O político que não voltava costas à luta? O Homem que cantava para os operários, para os camponeses, para os humilhados e oprimidos? O preso político? O homem que nunca pediu nada e que nada lhe deram no seu sofrimento?
Alguém por acaso sentiu o momento maravilhoso da sua criatividade? E a felicidade que ele sentia quando via o fluir dos seus sonhos? E a dor na sua morte?
Vamos lá, meus amigos, sejamos sinceros, vamos erguer bem alto a figura do Zeca, sem oportunismos e sem desvirtuar a personalidade dessa grande figura dos nossos tempos, nem a sua obra, que foi feita para o povo e só para o povo simples e oprimido. Até dá vontade de perguntar: Se ele estivesse cá de que lado estaria, contra quem estaria? A resposta é bem evidente! Mas aposto que estaria desprezado pela maioria dos que agora o homenageiam imitam e cuja obra sabujam. Já para não falar nas editoras que nunca o respeitaram, e até o recusaram gravar, apesar de, em cada Abril, se encherem de dinheiro com as suas reedições ou gravação de discos oportunistas, sem que os seus direitos sejam devidamente resguardados. É de mais…
Conheci o Professor José Afonso em Aljustrel. Fui seu aluno no Externato Filipa de Vilhena. Foi o meu professor da disciplina de História. Eu tinha 14 anos e frequentava o 4º. Ano do ensino liceal. Ele teria 22 ou 23 anos. Recém-licenciado, convidado a ir leccionar para aquele colégio por um professor, seu amigo e ex. colega, que também lá ensinava: o Dr. Delgado.
O professor José Afonso era muito simpático, muito aéreo e sorridente. Por vezes andava triste e distante, outras vezes cantarolava nas aulas e nos intervalos até cantava e, ainda, por vezes, escrevinhava aquilo que trauteava. Como deve calcular-se aquilo despertava a nossa curiosidade, nomeadamente e minha dada a minha educação musical no seio da minha família.
O meu pai era O Chefe da Estação Dos caminhos-de-ferro de Aljustrel e, simultaneamente, maestro. Dava aulas de música, participava em muitas actividades culturais e, até tinha uma pequena orquestra formada pelos meus irmãos e outros amigos (a orquestra Tonicher). Eu gostava de cantar, mas, como era o mais novo, não tinha a formação dos meus irmãos, tinha-me escapado àquela disciplina dos concertos.
O professor José Afonso, naturalmente aproximou-se da minha família musical e de um grande poeta aljustrelense, homem de esquerda, o Sr. Edmundo Silva – pai do Edmundo Silva baixista dos “Sheiks”, que com ele também contactou.
Entretanto, através do Dr. Delgado, que acima citei, soubemos na turma que aquele professor era um dos grandes cantores de fados e baladas de Coimbra. Ficámos banzados de admiração. Então era Cantor aquele professor que nos despertava tanta curiosidade e nos ensinava a ver a História com outros olhos?
De facto falava-nos da liberdade, da democracia, da igualdade e da fraternidade. Ensinou-nos muito sobre a divisão das classes sociais, do significado de exploração e de opressão. Também nos falava dos trabalhadores, dos camponeses, dos mineiros, dos sindicatos e do que era reivindicar por uma sociedade mais justa. Falou-nos das prisões e dos prisioneiros, do que era a polícia política e do seu papel em certos países.
A História do manual era uma, mas a verdade histórica era outra. Eu e, muitos outros alunos sentimos que algo de diferente se passava à nossa volta, como se nos estivessem a mentir, apesar de sermos putos e de acharmos tudo bem. E às vezes até falávamos disso e íamos tirar dúvidas com o Professor. José Afonso.
Chegou por fim o dia de tirarmos nabos da púcara durante uma aula e ele, muito humildemente, confirmou-nos ser verdade aquilo que o Dr. Delgado nos havia dito. E pronto, entramos no ciclo das canções e dos fados de Coimbra. Algo de maravilhoso!
Eu tinha uma guitarra acústica, velhota, com dois ou três buracos, que eu tapara com fita adesiva e algodão, a imitar o tratamento de ferimentos, mas que tinha um som e uma afinação excelente… E lá levei a guitarra para o colégio. E Ele cantou, libertou-se, sorriu sem parar – Cantou e ensinou-nos. Eu aprendi logo fados novos, baladas que ele alguns anos depois gravou em disco.
Aljustrel rejubilava. O Zeca Afonso, já assim chamado, cantou nas colectividades, em associações em pequenas festas e encontros informais ao ar livre. Eu e alguns amigos lá estávamos sempre a acompanhá-lo e a cantar com ele. Dizia que gostava de me ouvir cantar, mal sabendo que eu e ele, anos depois, nos encontraríamos do mesmo lado da barricada. (Curiosamente, um dia, num recital em Setúbal chamou-me o “trovão da Planície”)
O tempo correu e, como diria o Fernando namora no seu livro a Noite e a Madrugada: De trás dos tempos vêm tempos e outros tempos vêm… O povo de Aljustrel rejubilou! Muitos dos estudantes desse tempo vieram a seguir após o 25 de Abril, rumos no campo da política, como autarcas, deputados, dirigentes partidários professores etc. O professor José Afonso apesar do pouco tempo que lá esteve a dar aulas, ensinou-nos bem a Lição da Liberdade e da Justiça Social. E no dia da sua partida, de comboio, esteve uma imensa multidão de estudantes, seus familiares e muitos mineiros. Houve cantos e choros e muitos lenços a dizer-lhe adeus e chapéus a acenar. Ele nunca se esqueceu deste momento. Aljustrel ficou-lhe grato!
Orgulho-me muito de tê-lo conhecido e compreendido, de tê-lo cantado na tropa – na guerra em Angola, onde estive como Alferes Miliciano – e, após o meu regresso da guerra e ter reingressado na universidade, com ele convivido durante todos estes anos, desde 68 até ele ter partido. Estivemos em tudo o que era sítio, apanhámos muitos sustos, mas tivemos e demos muitas alegrias a muita gente oprimida.
Por Francisco Naia
“In Revista Memória Alentejana, Out.2007”
“QUE VIVA O ZECA” em Paço D’arcos
O espectáculo tem a duração de pouco mais de 90 minutos, sendo cantados 20 temas do cantautor, com arranjos deste grupo, ao mesmo tempo que são projectadas imagens que relembram alguns momentos da vida deste marcante músico.
Zeca Afonso revive en Cangas
Recortes
Também do jornal “República” de 1973, uma reclamação de Zeca Afonso sobre a qualidade da prensagem do vinil (LP), “Venham Mais Cinco”, hoje já editado em CD.
Retirado daqui
Couple Coffee levam música de José Afonso a festival irlandês
“Co’as Tamanquinhas do Zeca!” é o título do álbum gravado por este grupo em 2007 e centrado na obra de José Afonso, um dos mais emblemáticos cantautores da música contemporânea portuguesa.
Esta quarta edição do Carrick Water Festival começou no passado dia 08 de Agosto,com uma variada programação de ópera, música erudita e jazz.
Do cartaz deste ano, além dos Couple Coffee, constam nomes como os The Veronica Dunne Singers, Black Magic Big Band e Caroline Moreau, entre outros.
NL.
Lusa/Fim
Luis Represas interpreta “Carta a José Afonso”
Tema interpretado ao vivo no programa “A musica dos outros”. Musica da autoria de José Mário Branco.
Ruas, praças, pracetas, avenidas, parques, auditórios… José Afonso
LARGOS JOSÉ AFONSO
PRACETAS JOSÉ AFONSO
PRACETAS ZECA AFONSO
PARQUES
Parque José Afonso, Setúbal
Parque José Afonso, Baixa da Banheira
Parque José Afonso, Santiago de Compostela
AUDITÓRIOS
Auditório José Afonso, sito na Avª Benjamim Araújo, 113, 3700 S. João da Madeira
COMPLEXOS DESPORTIVOS
Complexo Desportivo Municipal José Afonso, Grândola
Música: Ovação inicia recuperação de espólio em vinil para CD
“Estamos, através desta série e de uma outra, intitulada ‘clássicos da rádio’, a recuperar o espólio que temos, fundamentalmente da discográfica Estúdio”, explicou Fernando Matias.
A opção “é pela transversalidade do repertório musical, procurando abranger os diferentes géneros musicais desde o fado de Lisboa à canção coimbrã, passando pela pop, a popular e a ligeira”, precisou.
O primeiro CD, agora saído, reúne vozes como as de José Afonso, enquanto solista do Orfeão Académico de Coimbra, Maria da Fé, Luís Goes, Quadrilha e Tony de Matos.
“Muitos destes nomes grandes que hoje ainda estão na memória colectiva correm o risco de serem esquecidos, o que seria injusto para o seu talento, como para a memória da música portuguesa”, afirmou Fernando Matias.
Segundo este, a gravação de 1962 da “Balada Aleixo”, a mais antiga do CD, assinala “o momento em que José Afonso abandona o acompanhamento por guitarra e é solista do Orfeão”.
Nesta gravação, José Niza acompanha à viola José Afonso.
José Afonso por Daniel Abrunheiro
A comoção é o mais evidente sinal de que também o coração pode ser inteligente.
Se hoje (se ainda hoje) nos comovemos perante a voz, a figura e o exemplo de um tal José Afonso Cerqueira dos Santos – provavelmente, é porque nos sucede sermos portadores de um coração inteligente, de uma alma com memória e, ainda, de algo a que se pode (e deve) chamar gratidão.
2
O tal senhor chamado José Afonso Cerqueira dos Santos tornou-se no Zeca. O Zeca de todos nós. O Zeca como só ele. Nasceu em Aveiro no dia 2 de Agosto de 1929 e começou a resistir praticamente desde então. Dizem que morreu no dia 23 de Fevereiro de 1987. A pessoa física, sim: morreu. O artista, o músico, o cantor, o poeta e o compositor, esses todos que ele era em um só corpo, esses não morreram. Nós somos, hoje e aqui, amanhã e acolá, a mais fundamentada prova de vida de Zeca Afonso.
3
Poucos homens e poucas mulheres podem ser recordados como tão altos. Poucas mulheres e poucos homens fizeram tão bem rimar existência com resistência. O Zeca Afonso foi sempre, é na mesma e sempre será um pássaro que nos falava de gaiolas. Um poeta do “raio de sol queimado”. Popular sem populismo, libertário sem libertinagem, consciente da dupla condição da vida: breve no corpo, perpétua na voz. Temos de aprender a ouvi-lo de novo: ele continua a dizer o dia de hoje.
4
Para o fim da vida, na última das suas casas, tinha pelas paredes o rasto gráfico do momento mais alto da sua e da nossa vida: o 25 de Abril de 1974. Foi dele que veio a madrugada cantora, a aurora marchante, os compassos morenos da primeira cidadania que, ao fim de tantos anos escuros, nos foi permitida. Zeca Afonso não era, não foi e não pode ser ouvido como a “cassete” do 25 de Abril. José Afonso é o 25 de Abril – mais alguns homens e mais algumas mulheres.
5
Das canções mais imediatas às de maior densidade semântica, o Zeca Afonso devolveu à língua cantada e à música popular aquilo que, depois dele, lhes vem sendo indecorosamente roubado: a dignidade expressiva de um coração inteligente e de um pensamento solidário. Ou seja: uma poesia e uma música que são, de facto e deveras, para todos.
6
Da renovação da balada coimbrã (a partir de novas ousadias harmónicas, melódicas e líricas) à inconfundível obra pessoal dos discos posteriores, o Zeca Afonso é sempre alguém que nos trouxe algo para puro efeito de partilha. Não há solidão na música e na poesia de José Afonso. Só há solidariedade. Até porque nenhuma multidão começa sem se estar sozinho.
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Esquerda, extrema-esquerda, reviralho e revisionismo, direita e extrema-direita: todas as franjas do espectro político-social do nosso País, nos últimos 33 anos, continuam a ser tocadas pela graça magistral deste homem que queria tirar, do homem, o lobo do homem. A aparente facilidade da sua obra é, provavelmente, o único engano que ele nos legou: a obra dele é tudo menos fácil. Mas é de todos. Ele não ficou com ela só para ele. É nossa.
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A glória do Zeca Afonso não é de panteão nacional. Não é uma gloríola de 10 de Junho, de verso e reverso de medalha. Não aceitou nunca ser general. Era um homem de pão, paz e pombas: era um português, como há já tão poucos. Pelos menos, com memória de sê-lo: português não aduaneiro, não missionário, não superior a ninguém. É uma estrela – certamente: mas uma estrela humilde. E pessoal. E transmissível.
9
Depois do 25 de Abril fundador da nossa Liberdade, José Afonso Cerqueira dos Santos não chegou a existir fisicamente sequer 13 anos. Resta-nos, dele, a pedra aérea, a pedra leve, a pedra definitiva dos seus versos humanistas e humanizadores. Isso e a estranha pureza da sua música nova, das suas canções em que é tão fácil reconhecer a grandeza. O legado do Zeca é o canto livre, moço, resistente e lúcido. Não é para trautear. É para cantar mesmo.
10
Não há rótulos a colar ao corpo deste operário que hoje recordamos. O Zeca está para além de qualquer autocolante. Não há gaveta onde o possamos arquivar sem risco de uma amnésia mortífera. Por isso o celebramos em vida. Dizem que morreu há duas décadas. Talvez o portador de bilhete de identidade tenha cedido à doença. O que não é possível, de modo algum, é renegar a evidência da sua presença em cada madrugada. A noite só vem se nos esquecermos. Dele e de nós.
ESPECIAL ANTENA 1 – Músicas e afectos de José Afonso
Armando Carvalhêda e António Macedo convidaram amigos de sempre para recordar a vida e a obra do Zeca, no dia em que passam 79 anos sobre a sua data de nascimento.
Manuel Faria (músico/produtor), Viriato Teles (jornalista/crítico), Jorge Cruz (músico/compositor) e João Lucas e João Afonso, que hão-de editar um disco onde o piano e a voz trazem de volta a obra de José Afonso, em duas horas de conversas, histórias e músicas tocadas ao vivo.
Sábado às 15h e Domingo às 21h
Obrigado ao António Rebelo pela notícia.
Fotos de Carlos Froufe
Encontradas AQUI
Cartazes de concertos José Afonso no SinBAD
Zeca falha encontro com Bob Dylan
A prova acaba de me ser enviada por Rui Pato na forma de um postal que José Afonso lhe enviou.
A data é de 2 de Março de 1969 e, dado que a crise académica me “retirou da circulação” em Junho… Não compareci e o Zeca também não. Até hoje, estou convencido que foi por solidariedade para com a nossa causa.
Tanto quanto julgo saber esta é a primeira vez que este facto vem a público.
Colaboração de Rui Pato
José Afonso em Faro, Verão de 1963
No café Santa Maria em FAro. Na fotografia, da dirtª para a esqª Zeca Afonso, Badu, Horácio Santos e Maria Paula, Engº Acácio Monteiro e esposa e Luis Valentim.
Fotografia encontrada aqui
Presença da AJA norte na Feira do Livro em Ermesinde
A convite da “ÁGORArte – Associação Cultural e Artística” de Ermesinde, o núcleo do norte da Associação José Afonso participa, pelo segundo ano consecutivo, na Feira do Livro de Ermesinde que abre ao público do dia 5 de Julho.
A AJANORTE terá em exposição e venda diversos materiais relativos à obra de José Afonso no pavilhão daquela associação cultural.
O primeiro de muitos colóquios
Trovate 23 canzoni di José “Zeca” Afonso
23 músicas de José Afonso traduzidas AQUI.
Colóquio de Alexandre Fiúza a não perder.
Alexandre Felipe Fiuza
Universidade Estadual do Oeste do Paraná
3 Julho 2008
18:00 – 20:00
INET Sala T2. Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.
Universidade Nova de Lisboa
O conferencista
Alexandre Felipe Fiuza
Alexandre Felipe Fiuza é Professor Adjunto do Colegiado de Pedagogia e do Mestrado em Educação da Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE/ Brasil. Actualmente prossegue o seu pós-doutoramento na Universidad Autónoma de Madrid, investigando a censura discográfica espanhola das décadas de 1960 e 1970, com uma bolsa de estudos da CAPES/ Brasil. Publicou vários artigos e apresentou inúmeras comunicações em Congressos sobre a censura e a repressão dos músicos no Brasil, em Portugal e Espanha. No campo da História publicou três livros. Nos últimos anos vem compondo letras musicais para peças de teatro da região em que vive no Paraná, em parceria com o músico Ricardo Denchuski, pedagogo e maestro da Orquestra Paranaense de Viola Caipira, da qual Alexandre Fiuza chegou a participar.
O colóquio
Entre um samba e um fado: a censura e a repressão aos músicos no Brasil e em Portugal nas décadas de 1960 e 1970
Este Colóquio aborda a censura e a repressão aos músicos no Brasil e em Portugal durante as décadas de 1960 e 1970, período em que ambos se encontravam em ditadura. Tal pesquisa foi realizada a partir da consulta e análise do material obtido junto à antiga documentação das polícias políticas, no caso brasileiro, os arquivos do DOPS – Departamento de Ordem Política e Social dos Estados, e no caso português, do Arquivo da PIDE/DGS – Polícia Internacional de Defesa do Estado/ Direcção-Geral de Segurança, sediado na Torre do Tombo, em Lisboa. No campo da Censura, foram consultados documentos no Arquivo Nacional em Brasília e no Rio de Janeiro, particularmente, do Fundo DCDP – Divisão de Censura de Diversões Públicas. Além da análise do controle exercido sobre os músicos, também foi realizada a comparação entre as canções produzidas neste mesmo período, bem como examinada, ainda que brevemente, a recepção pelo público deste mesmo cancioneiro. Mediante a apreciação da bibliografia e da realização de entrevistas com músicos portugueses e brasileiros foi estabelecida uma comparação em relação à documentação oficial encontrada nos arquivos e à versão dos músicos. Além disso, a partir desta documentação dos órgãos de repressão, foram observadas as relações entre as polícias políticas dos dois países e suas atividades de vigilância de seus respectivos exilados.
Jacinta encerra tournée
Na bagagem levava o mais recente trabalho, homónimo da digressão, que divulga, com uma sonoridade muito própria, a música de Zeca Afonso.
A cantora adopta um estilo jazzístico cool, na interpretação das melodias do compositor, dando uma nova frescura e modernidade a esta música de forte cariz popular português.
Considerada uma das melhores jovens artistas de jazz do continente europeu em 2007 – no âmbito da iniciativa O Melhor da Europa -, Jacinta transborda de emoção e garra, através do timbre quente e do swing sólido.
A primeira artista portuguesa a ser editada na prestigiada Blue Note Records faz-se acompanhar na estrada e no palco, por Rui Caetano ao piano e Bruno Pedroso na bateria. Jacinta traz-nos um novo ambiente musical, no qual a sua qualidade vocal se evidencia.
TOME NOTA
Local Teatro da Trindade, em Lisboa
Horário 31 de Maio, às 21h30 e 1 de Junho, às 17h
www.jacintaportugal.com
www.jacintajazz.blogspot.com
www.myspace.com/jacintajazz
“As lutas operárias e o COPCON” Colóquio na AJA em Setúbal
Colóquio “As lutas operárias e o COPCON”
21 De Junho de 2008 – 21:30 Horas
SÁBADO – Rua de Damão, 26 / 28
Com a participação de:
Otelo Saraiva de Carvalho
João Madeira(Historiador)
Albérico Afonso (Professor da ESE de Setúbal)
A partir das 13 Horas na sede da Associação José Afonso, estará patente, uma exposição sobre “O 25 DE ABRIL” e o documentário “SETÚBAL ROUGE”.
José Afonso na Biblioteca Municipal de Gondomar
Convite
“FILIGRANAS DE LEITURA”
NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE GONDOMAR
O Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Gondomar organiza, de 13 a 17 de Maio de 2008, a iniciativa FILIGRANAS DE LEITURA, na Biblioteca Municipal de Gondomar, com o objectivo de promover a leitura e criar uma maior consciência sobre o valor social e cultural do livro e de todas as formas de leitura, bem como aproximar e envolver a comunidade educativa do Concelho nas dinâmicas culturais da Biblioteca Municipal.
“Zeca Afonso – Poeta e Cantor” é o tema de debate e concerto, que terá lugar na sexta-feira, dia 16 de Maio, pelas 21h30.
EP Coimbra fados
A tota a vela
É a tal canção. Primeiro em Catalão, que é como ele a canta. Depois em Castelhano, porque no disco (Quico, Rendeix-te!, 1988), também aparece. Indicamos ambas as traduções (o Pi de la Serra deve ter também traduzido do Português ele próprio) para, caso este texto não esteja no livro, estejamos mais próximo do original, do Zeca.
A Tota Vela
Reviure un entreacte,
respirar ben fondo,
vèncer la mort
com qui patina,
curar-ho tot
com es fa a Roma,
amb estricnina.
Fer compliments
al veí sense descans
i no oblidar
el compte de la fleca,
ser d’aquest món
d’aquest carrer, d’aquest merder,
sense renegar l’olor.
Enviar el Kipling
a fer punyetes,
anar a tota vela,
cuidar les mareselvas al serè,
morir a Tokio
víctima d’un infart,
creuar amb una nena el “Paço d’Arcos”.
Sorgir un dia
mort de fatiga
entre diaris
embolicat i margarina,
imaginar
que és divendres dia sant
per casar-se de nou i tenir nens.
Enviar al Pirandelo
mil abraçades,
pel cable submarí
foradar o fugir,
i dir-se faquir
al segle vint,
posar-se fang a les sabates,
ser daltònic,
tornar-se supersònic.
Agora em Castelhano
A Toda Vela
Revivir un entreacto,
respirar hondo,
vencer a la muerte
como quien patina,
curarlo todo
como se hace en Roma,
con estricnina.
Hacer cumplidos
al vecino sin descanso
y no olvidar
la cuenta del panadero,
ser de este mundo,
de esta calle, de este lance,
sin renegar el olor.
Enviar a Kipling
a hacer puñetas,
ir a toda vela,
cuidar las madreselvas al sereno,
morir en Tokio
víctima de un infarto,
cruzar con una niña el “Paço d’Arcos”.
Surgir un dia
muerto de fatiga
entre periódicos
envuelto en margarina,
imaginar
que es viernes día santo
para casarse y tener niños.
Enviar a Pirandelo
mil abrazos,
por cable submarino
agujerear o huir,
y llamarse faquir
en el siglo veinte,
ponerse barro en los zapatos,
ser daltónico,
volverse supersónico.
Mais uma descoberta do nosso amigo Carlos Eduardo.
Como a toupeira
O que está em causa é de outra natureza. E decorre do próprio labor de apagamento e normalização que os valores dominantes no espaço mediático têm imposto ao país. Assim, José Afonso (como muitas outras referências da nossa história cultural) está longe de ser um nome com uma presença regular no nosso quotidiano. Bem pelo contrário: a cultura dominante vive de uma banalização de todas as formas de consumo que, seja qual for a visibilidade que ciclicamente confere a determinadas obras, tende a favorecer atitudes de alheamento, indiferença e até desprezo em relação a tudo que envolva algum valor patrimonial. Daí a obscenidade destes dias: as televisões que programam horas infinitas de telenovelas (não exactamente com bandas sonoras de José Afonso…) e celebram a demagogia imediatista dos reality shows, são essas mesmas televisões que põem os seus pivots, com rostos muito graves e palavras muito oficiais, a exaltar as virtudes de José Afonso e da sua música… Algo soa a falso.
A situação agrava-se através da própria “politização” que, declaradamente ou não, tende a envolver a herança de José Afonso. Entendamo-nos: não há cantor mais político que José Afonso. Mas é um erro fulcral — isto é, cultural — pretender transformá-lo em peça incauta dos jogos florais da classe política, por exemplo com a esquerda a querer fazer dele uma bandeira sua, ou a direita a tentar reduzi-lo a coisa abstracta e liofilizada.
O drama de tudo isto não é, repare-se, que José Afonso possa suscitar visões controversas ou até grandes clivagens ideológicas ou culturais. O drama enraiza-se num ambiente — cultural, mediático, televisivo — que congela as nossas memórias mais genuínas para, de vez em quando, apenas por obra e graça do calendário, as tirar da cartola para promover grandes festas e pequeníssimas ideias. Não é fácil ser como a toupeira… que esburaca.
Texto retirado do blogue de Nuno Galopim e João Lopes
Exposição “José Afonso, andarilho, poeta e cantor” em Gondomar
Em apoio à Exposição, há uma estante com variados materiais alusivos a José Afonso e ao 25 de Abril
No acto de abertura, o vereador da cultura, em jeito de introdução, lembrou ao público presente, a importância da intervenção social e artística que José Afonso teve, antes e depois do 25 de Abril, em defesa de liberdade e da democracia
O representante da Ajanorte, fez um resumo da actividade da AJA, ao longo dos seus 20 anos e da actividade da Ajanorte, durante os a anos de existência
Está previsto um ciclo de debates/conversas sobre a obra de José Afonso, que se realizará, em princípio, entre 13 e 19 de Maio, e que terá o apoio da Ajanorte
«Um Bairro Moderno»
Um vídeo de Laurent Simões
Ano de Produção:1998
Concepção, Realização, Filmagem e Montagem: Laurent Simões
Música Original:«Galinhas do Mato» de José Afonso
Actor: Miguel Borges
Produção Executiva: Margarida Robalo
Ass. Imagem: Nuno Olim, Rui Ribeiro e Marista
Agradecimentos: Jorge Gouveia
Produção: AVANTI PT – Associação Vídeo, Artes e Novas
Tecnologias Interactivas Portugal
Formato: Betacam SP
Duração: 7`
Um trabalho integrado no Programa “Novas Tendências” para o Departamento de Animação da EXPO`98, um vídeo dedicado a José Afonso.
Um Bairro Moderno é uma ideia original de Laurent Simões e apresenta, através de uma descrição fotográfica, a memória realista das impressões de um bairro moderno. Imagens cristalizadas que descrevem dois ambientes percorridos por Zeca Afonso: A Cidade e o Campo.
Levar o Zeca ao mundo
Extracto de uma entrevista a Maria de Medeiros que podem ler na íntegra aqui:
http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Cultura/Interior.aspx?content_id=91070
Balada de Outono | Texto de Maria Eduarda Barbosa
Ontem, 5ª feira,eu dizia ao Daniel que,no Verão passado,gostaria de ter« pegado em ti» e levar-te ao «Diário do Minho», mas que tinha medo,medo de me perder, medo de me encontrar…Daniel de Sá, uma alma sensível que eu conheci nos caminhos da blogosfera, dos mares dos Açores, disse-me que, além de nunca mais te ter ouvido desde que partiste, relatara-me um episódio, deveras pungente, aquando do fatídico dia e que passo a citar:«Quando ele morreu, eu ouvi a notícia na rádio, cheguei à escola (minha mulher já estava na sala), e disse-lhe só isto:«Já morreu.» Entretanto, tinha engolido umas lágrimas pelo caminho, poucos metros. Pelo que viram em mim e na reacção de Maria Alice, os seus alunos perguntaram: «Era da família da Srª professora?» Ela, como não conseguia explicar melhor, respondeu que sim…(raios, escrevi isto com um nó na garganta e os olhos a humedecerem. Não volto a falar do Zeca. Pelo menos com gente que goste dele tanto como tu, Dica, e não precise de que se o lembre.)».
Andei o resto da tarde com este texto na cabeça, no percurso que fiz ao Campus de Gualtar (U.Minho) para ver uma exposição sobre Miguel Torga e fazer a inscrição num percurso torguiano ao Gerês em que fiz questão de me inscrever. O mesmo aconteceu no percurso que fiz até ao supermercado e no regresso a casa. O texto do Daniel não me saía da cabeça e fazia-me recuar. Não quero, dizia. É penoso tocar no Zeca, dizia para comigo. Como se pode tocar em algo que, mexendo, faz doer?
Tem de ser, alguém me contariava, aqui, no «terraço».
Pois bem, assim seja!
Na impossibilidade de não ter a grandeza suficiente para te elevar como mereces, há um período do ano em que eu te recordo demais…o Outono!
O Outono leva-me a pôr tudo em causa; há como que um ciclone que põe tudo fora do sítio. Depois passa, como todos os ciclones, como tudo aquilo que respira e se apaga, também. Aqui entras tu, Zeca.
Em Agosto passado, estavas no Espaço Ferrer Correia, em Coimbra, e eu fui visitar-te. Como sabes, sou uma chata, ando sempre atrás de ti. Conheço de cor as tuas mensagens musicais, as tuas poses na fotografia, as tuas charadas nos espectáculos ao vivo que fazia questão de não perder, o teu jeito de pegar no adufe em palco, a tua forma de falar para a «malta». Tudo isso está comigo. Não esqueço nunca. Assim como as tuas memórias que não caberiam aqui. Quero ficar por Coimbra, lembrar essa tarde em que te «vi». Estavas lindo, mais uma vez. E se há coisa que sempre me provocaste, foi arrepio-sempre! Desta vez foi enorme…olha só o que me esperava…! (…E não consigo continuar…!Bolas!).Dica, vá lá!
…«Aquela» que eu adoro, sabes? Estava em grande plano, bem guardada na vitrine e tu sabes como eu gosto de a cantar-«Balada do Outono»!
Não sei o que me deu. Fitei-te bem nos olhos e, sem mais nem porquê, comecei a cantá-la:«Águas das fontes calai/ó ribeiras chorai/que eu não volto a cantar/rios que vão dar ao mar/deixem meus olhos secar.».Não parei. Quando chego ao fim da letra, volto-me e reparo no Zé, de mãos nos bolsos, com um sorriso(aquele!)como poucas vezes lhe vejo!-De satisfação, de prazer, de lembrança, de orgulho…parecia uma criança quando está a ser levada para o mundo da fantasia…chorei e dei-me conta, mais uma vez de que, este homem, José Afonso, sem querer, põe a brandura da gente a renascer, os sentidos a ferver.
É que na poesia de José Afonso, encontramos «noites de lágrimas», «dias claros» que hão-de vir, amores pueris, dor, gemido, alento, desalento, sol, lua, mar, rios, meninos, charlatães, falsos profetas, «vampiros», povo, sempre povo, fraternidade, igualdade, «gente igual por dentro, gente igual por fora…»
Como prefaciou Urbano Tavares Rodrigues no LP-«Cantares do Andarilho»-(…)José Afonso, trovador, é o mais puro veio de água que torna o presente em futuro porque à tradição, arranca a chama do amanhã.
No tumulto da contestação, na marcha de mãos dadas, com flores entre os lábios, é ele a figura de proa, o arauto, o aedo, o humilde, o múltiplo, o doce, o soberbo cantador da revolta e da bonança. Singelo, José Afonso do Algarve doirado, dos barcos de vela parada, do Alentejo infinito sem redenção, dos pinhais da melancolia, dos amores sem medida, do sabor de ser irmão…José Afonso é a primeira voz da massa que avança em lume de vaga, é a mais alta crista e a mais terna faúlha de luar na praia cólera da poesia, da balada nova.»
Que a tua voz, Zeca, não se canse nunca de dizer, de cantar:«Cidade, sem muros nem ameias/gente igual por dentro/gente igual por fora»-valores pelos quais tu sempre lutaste e cantaste com a tua voz única, cristalina, pungente, sagrada.
Serás eterno para os que sentem arrepio na palavra e na voz, quando ouvidas por trovadores, por profetas,como tu!
Braga, 12 de Outubro 2007
Documentário “Não me obriguem a vir para rua gritar” | RTP2 | hoje | 00.35
“Eu sou aquilo que fiz.” Zeca Afonso deu-nos tanto que agora é a nossa vez de lhe darmos algo. Este programa de homenagem ao Zeca Afonso é uma retribuição por tudo aquilo que ele nos deu.
A SubFilmes convidou por isso vários artistas de áreas criativas contemporâneas para criarem uma obra de arte especialmente para Zeca Afonso – um filme, uma música, um desenho, uma animação de motion graphics. Será essa a interpretação, a homenagem, o tributo de cada um desses artistas.
Assim, podemos ter uma colagem de um artista de street art, uma reinterpretação de um tema do Zeca ou uma produção de teatro. Rádio Macau, Nancy Vieira, Couple Coffee, Vicious 5, Raquel Tavares – na música; a companhia de teatro Primeiros Sintomas; a dupla de videojamming Daltonic Brothers; Target e Mosaik no street art; Quebra-Diskos no turntablism; etc.
Além disso, foram gravadas várias tertúlias, cuja conversa gira à volta da importância do Zeca enquanto músico e activista, mas principalmente à volta da figura humana que foi o Zeca.
A aposta forte deste programa reside numa abordagem de conteúdos que pretende captar por um lado a actualidade da mensagem do Zeca e por outro a faceta mais humana da sua vida.
Zeca do Cravo
E que tal desvendar um pouquinho do universo das canções que marcaram Abril? E por que não através de um instrumento que leva no nome o símbolo maior da Revolução de 74?
Assim foi hoje, na Casa da Música, as músicas de José Afonso tocadas num cravo para crianças dos 3 meses aos 5 anos.
http://www.projecto-zecaafonso.pt.vu
Um trabalho orientado por Filipe Miranda.
Amanhã, em Lamego, no renovado Teatro Ribeiro Conceição, “Traz outro amigo também”
Homenagem a José Afonso
“De ouvido e de coração”, a criação musical de José Afonso impõe-se como património rico de invenção e desafio. Revisitar as suas canções numa perspectiva clássica é o desafio que me acompanha desde 1976, ano da estreia de “Grândola, vila morena”, para orquestra de metais, piano e contrabaixo, em Amesterdão.
Amílcar Vasques Dias
PROGRAMA
1. Traz outro amigo também
2. Coro da Primavera
3. Venham mais cinco Prelúdio para violino e piano
4. Ó que janela tão alta Canção tradicional de Trás-os-Montes
(versão de José Afonso)
5. Vejam bem poema de José Afonso/Amílcar Vasques Dias
6. Reviver um entreacto poema de José Afonso/Amílcar Vasques Dias
7. Cantigas do Maio Prelúdio para piano com violino ad libitum
8. A Mulher da erva
9. Eu fui ver a minha amada poema de José Afonso/Amílcar Vasques Dias
10. Cantar alentejano Prelúdio para violino e piano
11. Balada do sino
12. Cantiga do monte
13. Canção de embalar
14. Verdes são os campos
Carlos Guilherme
Canto
Luís Pacheco Cunha
Violino
Amílcar Vasques Dias
Composição/arranjos e piano
Hoje em Guimarães “Steel Drumming toca José Afonso”
22h00 Grande Auditório do Centro Cultural de Vila Flor Entrada Livre (mediante a lotação da sala)
A NÃO PERDER!
Conversas com Carlos Paredes e Zeca Afonso
Um espectáculo onde é feita a ponte entre a música tradicional portuguesa e a necessidade de expressão humana através da improvisação. O projecto “Raízes” apresenta assim uma homenagem a Carlos Paredes e Zeca Afonso, mostrando como a música destes autores atravessa as barreiras do tempo.
Horário: 22h30. Entrada Livre.
Couple Coffee no teatro ACERT
Um casal de músicos brasileiros mergulhou no cancioneiro de Zeca Afonso. O resultado é uma mão-cheia de pérolas… com uma mãozinha do TRIGO LIMPO!
Da canção política a temas do mais puro lirismo, a novidade deste trabalho está nos arranjos contemporâneos genialmente reinventados. Os Couple Coffee, formação minimalista que aborda grandes temas da Música Popular brasileira e portuguesa, rejuvenesce assim a obra do grande Zeca Afonso, transpondo fronteiras com uma sonoridade actual e elevada sensibilidade criativa. À experiência e técnica de Norton Daiello, no baixo eléctrico, junta-se a carismática voz de Luanda Cozzetti, num cruzamento que origina um espectáculo genuíno e original, com base no segundo álbum da banda: “Co’As Tamaquinhas do Zeca”. Um trabalho que tem encontrado uma significativa receptividade por parte do público, após o sucesso conquistado com o disco de estreia, “Puro” (2005), cuja primeira edição esgotou em menos de um ano.
“Dançar Zeca Afonso” em Alcobaça
Num espectáculo concebido por António Rodrigues, a memória das canções de José Afonso, a voz da revolução de Abril, serve de mote para relembrar actos que são verdadeiros atentados contra a dignidade humana. A mensagem é clara – uma “memória colectiva a não esquecer para que se aprenda a não repetir”, garante o coreógrafo.
“Dançar Zeca Afonso” é uma expressão de Jorge Salavisa e nasce de um convite feito à CeDeCe para uma criação sobre o tema, apresentada pela primeira vez em 24 e 25 de Abril de 1994. Mais de uma década depois, um novo elenco da companhia de dança agora sedeada em Alcobaça volta a comemorar a Liberdade com o espectáculo que não perdeu temporalidade nem razão de ser, uma “memória colectiva a não esquecer para que se aprenda a não repetir”, garante António Rodrigues.
Os bilhetes para “Dançar Zeca Afonso” custam 10 euros para a plateia e 7,5 euros para o balcão. Estudantes e profissionais das artes do espectáculo têm um desconto de 50 por cento, havendo ainda uma redução de 30 por cento para maiores de 65 e menores de 25 anos, bem como para grupos de dez ou mais pessoas.
Núcleo do Norte da AJA em Santo Tirso
“Terra do Zeca” | Concertos
Novas vozes convidadas e um alinhamento reforçado com cinco temas são as principais novidades dos Terra d’Água ao vivo para 2008, na transposição a palco do seu álbum de tributo a José Afonso.
Integrados nas comemorações do 25 de Abril, dois concertos com convidadas especiais:
A 24 de Abril, em Águeda (Cine-Teatro São Pedro, 21h30), os Terra d’Água sobem a palco com Joana Amendoeira, Maria Anadon e Nancy Vieira.
A 25 de Abril, em Palmela (Cine-Teatro São João, 21h30), Joana Amendoeira e Maria Anadon “amadrinham” Diana Castro, a nova cantora residente dos Terra d’Água.
Ambos os espectáculos contarão com a presença especial de Joana de Oliveira, actriz, letrista e declamadora que escreveu, propositadamente para estes dois concertos, um poema dedicado a Zeca Afonso.
O registo gravado de “Terra do Zeca”, álbum de tributo a José Afonso pelos Terra d’Água, de Davide Zaccaria, contou com um elenco único de cantoras – Dulce Pontes, Uxía, Lúcia Moniz, Maria Anadon e Filipa Pais. E também, na verdade, potencialmente irrepetível: desde início, a transposição integral do disco a palco provou ser quase impossível, tendo em conta a dificuldade de encontrar convergência nas agendas de cinco cantoras bastante disputadas a solo.
Por isso, os espectáculos ao vivo de “Terra do Zeca” foram “reformatados” para combinações diferentes de duas, três, ou mais vozes. Assim, Maria Anadon e Filipa Pais serão as cantoras formalmente residentes, sem prejuízo de outras vozes, como sucedeu, ao vivo, no ano passado, com Mafalda Arnauth e João Afonso. Em 2008, o “projecto aberto” que é esta “Terra do Zeca” volta a apresentar novas colaborações pontuais: Joana Amendoeira e Nancy Vieira.
“Novos” são também alguns dos temas de José Afonso interpretados pelos Terra d’Água, agora redistribuídos para poderem ser interpretados por qualquer uma das combinações de cantoras em palco. Para além dos presentes no álbum – entre os quais se contam “Eu dizia”, “Canção de Embalar”, “A Morte saiu à Rua” ou “Verdes são os Campos” – cinco novas interpretações completam o repertório ao vivo: “Lá no Xepangara”, “Os Índios da Meia-Praia”, “Menino do Bairro Negro”, “menino d’oiro”, e ainda o emblemático “Venham Mais Cinco”.
Lançado em 2007, o álbum “Terra do Zeca” pretende homenagear uma vertente “despolitizada” da música e poesia de José Afonso. Segundo Davide Zaccaria, mentor do projecto, “trata-se de um conjunto de canções que pertencem ao imaginário colectivo, e que são uma fonte de inspiração para muitos artistas”. Este é o segundo trabalho dos Terra d’Água, depois da edição, em 2004, de “Viagem de um Som”.
O próximo álbum dos Terra d’Água, já com a nova formação e a voz de Diana Castro, deverá sair no final deste ano e continuará a cruzar a matriz da música portuguesa de raiz tradicional com as novas tendências da pop e da world music.

25 de Abril, 32 anos, 32 perguntas
Giacometti e Lopes-Graça reeditados
É caixa com seis CD que reúne todo o material das pesquisas de Giacometti e Lopes-Graça cuja publicação em finais da década de 1960 e princípios da de 1970 “constituiu um momento marcante na investigação, preservação e divulgação das tradições musicais”, disse à Lusa o musicólogo Mário Vieira de Carvalho.
A edição pela Numérica, com a chancela de Portugal Som, está arrumada da seguinte forma o primeiro CD reúne “Cantos e danças de Portugal”, enquanto cada um dos restantes diz respeito a um região – Minho, Trás-os-Montes, Beiras, Alentejo e Algarve.
Michel Giacometti interessou-se pela música popular portuguesa depois de uma visita ao Museu do Homem em Paris, veio para Portugal e foi pesquisando e gravando as músicas que o povo cantava nas diferentes situações do quotidiano. Lopes-Graça interessava-se desde a década de 1930 pela música tradicional portuguesa depois de ter lido os estudos de Rodney Gallop e Kurt Schindler. Na década de 1940 Lopes-Graça chegou a fazer algumas investigações na Beira Baixa.
Ao compositor “interessava sobretudo o que era mais característico e alternativo ao que era a dominante na época de música tradicional”, referiu Vieira de Carvalho.
Grupo Tela com concerto dedicado à obra José Afonso
Os músicos que “pintam” a “Tela” são:
Voz e Guitarras – Miguel Fernandes
Voz – Inês Sousa
Acordeão – David Silva
Saxofones – Carlos Pinto
Piano – Danny Pacheco
Contrabaixo e Baixo acústico – Pedro Cravinho
Bateria e Percussão – Paulo Freitas
Intervenção poética – Nuno Pinto
Tributo a Zeca Afonso em Seia
No dia 23 de Abril, com início às 21h30, haverá um tributo a Zeca Afonso no Cineteatro da Casa Municipal da Cultura de Seia.
Homenagem | Eduardo Aroso
HOMENAGEM
(A José Afonso)
Anjo insubmisso!
Voz orvalhada,
Cor de trigo,
Ondulada.
Grito do pão
Mal repartido.
Trovador
Luso,
Universal,
Redentor.
Quando voltas
Para a liberdade solta,
Límpida, generosa.
De esperança.
Quando voltas
Desejado?
D. Sebastião,
Quer tenhas este nome
Ou não.
Eduardo Aroso
Abril 2008
A AJA Norte participa no “Fazer a Festa – Festival Internacional de Teatro”
[interpretação ANA AFONSO, ANA RIBEIRO, GABRIELA MARQUES, PAULO ESPERANÇA, TINO FLORES, JOSÉ LUÍS GUIMARÃES ]
dia 25 Abril, sexta-feira – 23.30h
classificação etária M/12 duração 90 minutos
Tenda Café-Teatro no Palácio de Cristal
“QUE VIVA O ZECA” em Elvas
Para além dos 20 temas do Zeca, que são tocados e cantados, também se relembra o seu exemplo de vida, enquanto cidadão de causas e valores, através de um guião acompanhado por imagens. Um trabalho que deu origem à edição de um CD e pretende manter-se em palco sempre que solicitado.
Este espectáculo é promovido pela Camara Municipal de Elvas e comemora assim os 34 anos do 25 de Abril.
“Traz outro amigo também” em Torres Vedras
A sua música é a grande protagonista deste espectáculo, sendo apresentada com roupagens variadas.
Começa por nos falar da sua infância e leva-nos até África onde viveu com os pais e onde mais tarde voltou como professor.
Fala-nos da sua vida em Coimbra e de como isso o marcou para sempre.
Apresenta-nos alguns amigos de Coimbra: Adriano, Manuel Alegre, Rui Pato, António Portugal e Durval Moreirinhas.
Conta-nos como surgiu a “Trova do Vento que Passa” e fala da PIDE.
Fala das suas incursões pela província onde cantava com o grupo de Coimbra nas colectividades populares.
Outros amigos surgem neste meio das cantigas: O José Mário Branco, O Sérgio Godinho, o Fausto, o Vitorino, o Manuel Freire, o Janita, o Júlio Pereira, o Fanhais…
Dá-se o 25 de Abril e a sua música ganha uma dimensão mais interventiva, embora ele evite alinhamentos partidários que o comprometam.
Reconstituirá os principais momentos da madrugada e do dia 25 de Abril, incluindo episódios como o da florista que coloca cravos nos canos das G3 e da rendição de Marcelo Caetano.
A sua música amadurece e vem também a desilusão pelo rumo que a “Revolução” tomou.
Aqui assistiremos a uma sessão de Canto Livre.
Conta-nos alguns episódios que marcaram esta fase da sua vida.
Já a caminhar para o final do seu relato fala da sua vida de “Andarilho das Cantigas” até às homenagens póstumas, terminando a dizer que trocaria todas essas homenagens pela realização da sua “Utopia”.
Termina com toda a gente em palco apelando à unidade para realizar a “Utopia” cantando: “Traz outro amigo Também”.
Pinto Gonçalves
Cartaz anunciando concerto de José Afonso no Colegio Mayor Universitario San Juan Evangelista
Próximas iniciativas da AJA norte
17 Abril
Qui.
22.00
TABERNA SUBURA
TRAV. RUA FREI CAETANO BRANDÃO, Nº101-A. SÉ – BRAGA
“AS QUINTAS DO ZECA” Música, poesia, debate
25 Abril
Qui.
23.30
PALÁCIO DE CRISTAL. PORTO “O CANTO DE INTERVENÇÃO” integrado no “FAZER A FESTA”
2 Maio
Sex.
21.30
SEDE R. Bonjardim 635, 1º,tras. Porto Tertúlia sobre o Maio de 68
15 Maio
Qui.
22.00
TABERNA SUBURA
TRAV. RUA FREI CAETANO BRANDÃO, Nº101-A. SÉ – BRAGA
“AS QUINTAS DO ZECA” Música, poesia, debate
15 Maio
Sex.
21.30
SEDE R. Bonjardim 635, 1º,tras. Porto
Tertúlia sobre o Maio de 68
16 Maio
Sex.
21.30
SEDE R. Bonjardim 635, 1º,tras. Porto
Tertúlia sobre o Maio de 68
23 Maio
Sex.
21.30
SEDE R. Bonjardim 635, 1º,tras. Porto
Tertúlia sobre o Maio de 68
30 Maio
Sex.
21.30
SEDE R. Bonjardim 635, 1º,tras. Porto
Tertúlia sobre o Maio de 68
11 Setembro
Qui.
21.30
SEDE R. Bonjardim 635, 1º,tras. Porto
Homenagem a VICTOR JARA nos 25 anos do golpe militar no Chile



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