Era de Noite e Levaram


O Núcleo da Associação José Afonso Região de Aveiro, e o espaço comercial inspirado em José Afonso – Zeca Aveiro, no âmbito do programa “Insisto não ser Tristeza”, relativo aos 30 anos da partida do Zeca e da criação da Associação, convidam para o encontro:
“Trovas e Cantigas”,
com Manuel Teixeira, acompanhado por António Rosa, no dia 04 de Novembro de 2017, às 17 horas, na cafetaria Zeca Aveiro (Largo da Apresentação – em frente à Igreja da Vera Cruz).
Manuel Teixeira, “amador da música e autodidacta”, como se intitula, identifica-se com o imaginário musical de Adriano Correia de Oliveira e José Afonso, sempre presentes no alinhamento dos seus concertos.
Traz consigo um amigo, António Rosa, que o acompanhará à guitarra, além de originais seus.
É um encontro à volta de “Amigos Maiores que o Pensamento”.
Nota:
A Entrada, limitada à capacidade do espaço, é Livre e Solidária (apelamos à vossa generosidade para auxiliar nas despesas de deslocação dos músicos, que solidariamente fazem o concerto).
O Núcleo da AJA – Região de Aveiro

Trabalho de fim de curso de três estudantes de cinema, 2010. Os caminhos de Coimbra, África, Algarve, Galiza. E todos os outros caminhos percorridos por José Afonso. Um relato das novas gerações sobre o legado do andarilho, poeta e cantor.
20 Outubro | 6ª Feira | 21h 30m | Sede da AJA Norte

Vamos lembrar Adriano num convívio musical de amigos. Carlos Mendes, seu companheiro de jornada, falará um pouco desses tempos e do amigo. Traz um instrumento, a tua voz, ou vem apenas, e junta-te aos amigos nesta homenagem. Junta alguma coisa de comida ou de bebida à mesa do lanche partilhado com que encerraremos o convívio. A entrada é livre, mas participa na contribuição solidária para ajuda nas despesas.

Em ROSAS DE ERMERA, Luís Filipe Rocha parte das memórias de Maria e João Afonso, ancoradas em cartas e fotografias, para contar um episódio de separação da família Afonso dos Santos em 1939 em Moçambique. Os pais e a filha mais nova partem para Timor-Leste, por razões profissionais, e os dois irmãos, João e José (Zeca Afonso) viajam para Coimbra, para continuarem os estudos.
Pouco depois da separação em 1939, inicia-se a segunda Guerra Mundial, na qual se envolverá o Japão, que ocupou a ilha de Timor-Leste e criou dois campos de concentração, onde estiveram presos portugueses, incluindo os pais e a irmã de Zeca Afonso. A família, que se julgava separada para sempre, voltou a reencontrar-se seis anos depois.
ROSAS DE ERMERA deve o seu nome às rosas existentes em Ermera, um distrito do interior de Timor-Leste, flores cujo cheiro permanece ainda nas memórias de Mariazinha, irmã de Zeca Afonso.
Este programa especial em torno de ROSAS DE ERMERA tem início no dia 11 de Novembro, em Lisboa, percorrendo depois várias salas de cinema em todo o país, contando sempre com uma conversa com o realizador.
Programa ROSAS DE ERMERA:
Cinema Medeia Monumental, Lisboa
11 de Novembro, 19h00
Conversa com Luís Filipe Rocha e João Afonso
14 de Novembro, 21h30
Conversa com Luís Filipe Rocha e Ana Sousa Dias
Teatro Campo Alegre, Porto
12 de Novembro, 18h30
Conversa com Luís Filipe Rocha
Teatro Académico de Gil Vicente, Coimbra
13 de Novembro, 21h30
Conversa com Luís Filipe Rocha e João Afonso
Cinema Charlot Auditório Municipal, Setúbal
17 de Novembro, 21h30
Conversa com Luís Filipe Rocha
Theatro Circo, Braga
20 de Novembro, 21h30
Conversa com Luís Filipe Rocha
Centro de Artes e Espectáculos, Figueira da Foz
1 de Dezembro, 21h30
Conversa com Luís Filipe Rocha

Vamos recordar o Adriano Correia de Oliveira, neste ano em que ele completaria 75 anos e que coincide com os 35 anos do seu desaparecimento.
Estão tod@s convidad@s a estarem presentes.
A entrada é livre.
Composição musical de inspiração estrófica, ainda apegada ao efeito de repetição assente na redondilha maior, mas ensaiando contido tentame de ruptura expresso no solo de viola de acompanhamento e na inclusão de um trauteio entre coplas. O último elemento como que introduz na leitura da obra artística um elemento de perburbação: estrófica? com refrão? “Minha Mãe” configura uma ponte simbólica entre o antes clássico (quadra, efeito de repetição) e o depois (solo de viola, trauteio) e o debutante Movimento da Balada. José Afonso elabora a composição em compasso quaternário (4/4), espraiando-se num sentimental Ré Menor. O trauteio é interpretado em ternário.
O trauteio não é fácil de captar. José Afonso não separa distintamente as sílabas e não é claro se diz sempre “la-rã-rã”. Algumas vezes parece ouvir-se “na-rã-nã”, “na-rã-la” ou até “na-rã-lã”.
A presente transcrição de letra segue “Cantares de José Afonso”, Lisboa, Edição das AAEE, 1969, e também “José Afonso. Textos e Canções”, Lisboa, Assírio e Alvim, 1983, p. 34.
A autoria da música, oficialmente reclamada por José Afonso (1929-1987), levanta algumas dúvidas, pois o Juiz Conselheiro Alcindo Costa (relato de 18/06/2003) diz ter aprendido uma melodia semelhante a esta por volta dos sete anos em Trás-os-Montes, em plena década de 1930. O mais certo é José Afonso ser o autor da melodia na parte corresponde às estrofes, tendo reelaborado uma melodia de origem popular provincial no que respeita ao trauteio. Nos embalos populares era costume as mães rematarem os dísticos com estorpecedores “ó-ó-ós” e “na-nã-nã-nãs”, sendo plausível que José Afonso tenha escutado este tipo de trauteios quando viveu em Belmonte (1938-1940). Dúvidas não subsistem, todavia, quanto ao sentido canto com que parece evocar a figura materna, Maria das Dores, ausente da vida do menino e adolescente nos períodos 1930-1933, 1936-1937, e longamente a partir de 1938. Em comentário aos textos publicados em 1969, subscreveu “A uma mãe não canonizada por nenhuma data oficial, nem institucionalizada por nenhuma nota oficiosa”.
A primeira gravação conhecida deste tema foi efectuada por José Afonso no teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra no Verão de de 1961, sendo o cantor acompanhado à viola por José Niza e Durval Moreirinhas: LP “Coimbra Orfeon of Portugal”, USA, Monitor MP-596, ano de 1962; reeditado na cassete “Orfeão Académico de Coimbra”, Ovação, OV-K77046, ano de 1987, Lado A, Faixa nº 3; idem, no Cd “Orfeão Académico de Coimbra”, Ovação, OV-CD-012, ano de 1991 (estas reedições são omissas quanto à data da gravação e instrumentistas). Notam-se claras divergências entre o registo do autor e gravações de terceiros, diferenças estas que também ferem o trauteio. Assim, conforme os gostos e arranjos, ora se escuta “la-ra-ra”, “la-ra-rá, “lã-rã-rã”…
O mesmo tema foi gravado por Adriano Correia de Oliveira no EP “Fados de Coimbra”, Porto, Orfeu, ATEP 6077, ano de 1962, acompanhado à viola por Rui Pato. Reedições: antologia Cd “Adriano. Obra Completa”, Lisboa, Movieplay, 35.003, ano de 1994 (“Adriano. Fados e baladas de Coimbra”, Lisboa, Movieplay, 35.004, 1994, faixa nº 12). Adriano grava uma espécie de variante do original: nas coplas bisa o 1º dístico; suprime a 3ª quadra e adultera o 2º trauteio.
Espécime regravado pelo próprio José Afonso, acompanhado por Rui Pato na viola nylon: EP “Baladas e Canções”, Porto, Ofir, AM 4.016, ano de 1964 e LP “Baladas e Canções”, Porto, Ofir, AMS 301, ano de 1967. Foi este registo remasterizado no CD “José Afonso. Baladas e Canções”, Lisboa, EMI-VC 724383661725, ano de 1996.
Outros registos:
-José Maria Lacerda e Megre, CD “Coimbra Eterna”, Porto, STRAUSS, ST 5190, ano de 1998, faixa nº 18, acompanhado por Assis e Santos/Moniz Palme (gg), Mário Ribeiro/Manuel Costa (vv). Vocalização excessivamente arrastada, como que modificando a linha melódica. O cantor bisa os primeiros dísticos das quadras e o acompanhamento de guitarra parece-nos excessivamente próximo do concebido em 1956-1957 por Machado Soares para o tema SERRA d’ARGA;
-Frederico Vinagre, fadista profissional activo em Lisboa, no CD “Frederico Vinagre. Fados de Coimbra”, Lisboa, Metro-Som, CD 151, ano de 2001 (remasterização de um Lp da década de 1980, com Octávio Sérgio e Durval Moreirinhas);
-José Henrique Dias, LP “De Coimbra… por Bem”, Lisboa, Discossete, LP-800, ano de 1991, Lado A, faixa nº 3. Este registo foi vertido no CD “Fados de Coimbra e Tunas Académicas. Raízes e Tradições”, CDSETE, Cd 3, ano de 2001;
-CD “Quinteto de Coimbra. Guitarra e Canção de Coimbra”, Coimbra, Casa de Fados, ano de 2001, faixa nº 7. Formação profissional constituída por Patrick Mendes/António Ataíde (vozes), Ricardo Dias (g) e Nuno Botelho/Pedro Lopes (vv). Registo próximo de Adriano Correia de Oliveira, com repetição dos primeiros dísticos das quadras;
-António Jesus, CD “António Jesus. O canto, a guitarra e os amigos”, Coimbra, AEMINIUM Records 004, ano de 2002.
Não confundir esta composição com duas outras cuja melodia é distinta:
-Minha Mãe (Minha mãe é pobrezinha), gravada na década de 1920 pelo estudante de Medicina da Universidade do Porto Carlos Leal;
-Minha Mãe (Oh minha mãe, minha mãe), espécime da década de 1940, da autoria de Manuel Julião, gravado por Manuel Branquinho.
José Anjos de Carvalho e António Manuel Nunes.
http://guitarradecoimbra.blogspot.com
Esta canção foi dedicada ao comunista Alftedo Matos quando este se encontrava preso pela PIDE. Ele foi torturado com o método da “estátua” (ver JA!), sem poder dormir durante dias seguidos. Muitos detidos morreram na prisão ou, quando saíram, nunca mais conseguiram reintegrar-se na sociedade. Destaca-se nesta canção o isolamento do preso, o muro que existe entre o silêncio cá fora e os gritos lá dentro. Também José Afonso foi preso pela PIDE e esteve na prisão de Caxias, onde escreveu as canções que figuram no disco “Venham mais cinco”. Porque viveu sempre a realidade do regime ditatorial (contrariamente aos cantores que se exilaram, como Sérgio Godinho e José Mário Branco), José Afonso escreveu mais textos sobre a sorte dos membros da oposição (comunista) Além disso, como ele próprio foi vítima da perseguição, descreve-a de modo mais pormenorizado. É este o caso em “Por trás daquela janela”. As suas próprias experiências fazem com que ele possa catar a situação de Alfredo Matos com tanta compreensão e familiaridade. Acentua-se assim a força quase invencível da convicção que o ajudou a resistir à perseguição e que deve servir para encorajar os companheiros: o sofrimento (“Mais dura a pedra moleira/ E a fé tua companheira”; “E o seu perfil anuncia/Naquela parede fria”) tem sentido, tempos virão em que se poderá cantar e viver livremente.
in “A canção de intervenção portuguesa – Contribuição para um estudo e tradução de textos” de Oona Soenario, 1994-1995, Universidade de Antuérpia

O Núcleo AJA Região de Aveiro e a Associação Cultural Mercado Negro convidam para:
Encontro de Amigos, no próximo sábado, 8 de Julho, pelas 20h30m, na Sala Lareira do Mercado Negro
Um encontro que pretende ser um momento de convívio e de partilha, musical e poética, em torno da memória e do exemplo fraterno de José Afonso, com a participação do Grupo de música popular da CERCIAV – La Cosa Nostra, e de todos/as aqueles/as que desejarem colaborar com a sua presença, com a sua palavra, ou com a sua música.
Lanche AJAntarado partilhado.
“Seja bem-vindo, quem vier por bem” . Traz lanche e, “traz outro amigo também”! “E se a velhice for tua / senta-a no meio da rua”
Bebidas pagas ao balcão.
Núcleo AJA Região de Aveiro e Associação Cultural Mercado Negro

No próximo dia 12 de Julho, a sede da AJA Lisboa acolhe o concerto “Fernanda Paulo e Rodrigo Serrão tocam José Afonso”, mais um encontro de jovens músicos com a música de Zeca. Rodrigo Serrão, músico que deu a conhecer o Chapman Stick em Portugal, e Fernanda Paulo, senhora de uma belíssima voz, juntaram-se para interpretar canções de José Afonso e de mais alguns músicos cujo legado os tem marcado. Chapman Stick é um instrumento de cordas criado em 1969, nos E.U.A., por Emmett Chapman. Rodrigo Serrão tomou contacto com o instrumento de forma inusitada e tornou-se pioneiro da sua divulgação em Portugal, tendo já gravado um disco (“Stick To The Music”). Para muitos dos que acorrerão à AJA Lisboa no dia 12 de julho, às 19h00, esta será porventura a primeira ocasião para ver e ouvir tocar Chapman Stick ao vivo. Será, certamente, uma experiência inolvidável.
No dia 16 de Junho, irá acontecer mais um jantar “À mesa com a Cultura” na sede do Núcleo da AJA Lisboa. Desta vez temos o prazer de receber “Os Filhos da Madrugada & 3 Marias “, banda berlinense que se insere no género folk e integra músicos portugueses e alemães.
A dimensão de Zeca Afonso como poeta, compositor e intérprete bem como a sua dimensão humana são tão extraordinárias que provocam um encantamento crescente entre músicos de diversas tendências musicais, aqui e noutros países.
EMENTA:
– Prato principal: carne de porco assada com oregãos, massa espiral em molho de cebola e vinho do Porto e salada de folhas verdes com vinagrete.
O jantar inclui pão e azeitonas como entrada, bebidas (água, vinho branco e tinto), sobremesa (leite creme c/ ou sem morangos) e café.

A Associação José Afonso-Núcleo Região de Aveiro promove a apresentação de “Outras palavras de Zeca Afonso”, no dia 2 de Junho, às 21h45m, no Auditório do Mercado Negro, prosseguindo as actividades evocativas dos trinta anos da partida do Zeca e da constituição da Associação José Afonso.
O espectáculo, que apresenta uma componente intimista com forte incidência na poesia, imaginado e construído por Fernando Pena e Manuel Sampaio, duas vozes e uma guitarra, integra declamação de poemas menos conhecidos e doze músicas inéditas sobre outros tantos poemas não musicados por José Afonso. Resultou de um trabalho realizado no âmbito do projecto “Amigos Maiores Que o Pensamento”, estando previsto para Outubro ou Novembro o lançamento de um CD do mesmo.
Convidamos toda a gente a juntar-se a nós, em torno da obra de Zeca Afonso, e a “trazer outro amigo também”.
Entrada Solidária: 3 AJAS
“Insisto não ser tristeza
Soluçar sobre uma mesa
E mais não ser deste mundo
Meter navios ao fundo
Sempre se plantam gravetos
E se a velhice for tua
Senta-a no meio da rua”
José Afonso
O Núcleo da Associação José Afonso Região de Aveiro


O Núcleo AJA Região de Aveiro integra a comissão organizadora das Comemorações Populares do 25 de Abril de 2017 e nesse âmbito convida todos e todas a juntarem-se a nós na celebração dos princípios de Abril, no dia 24, em Albergaria-a-Velha, e no dia 25, na Praça Melo Freitas, às 15 horas, e no Mercado Negro às 18 horas.
Teremos o prazer, mais uma vez, de receber Camilo Mortágua, figura incontornável da luta antifascista, que a partir da apresentação do livro “Tem coisas, ti Manel, Tem coisas, Tem coisas dum outro Mundo… Criaram uma Geringonça e ela ainda não foi ao fundo!” irá partilhar connosco as suas reflexões.
O livro será apresentado, no dia 24, em Albergaria-a-Velha, em parceria com a associação AlbergAR-TE, no seu espaço Lagar com Tempo, às 21 horas e 30 minutos, com a participação do grupo de música Q´FADO e, no dia 25, no auditório do Mercado Negro, às 18 horas, após a visualização do documentário “O Império e os Românticos Armados”.
Vem Celebrar Abril connosco e traz um/uma amigo/a também!
O Núcleo da AJA Região de Aveiro

75 ANOS DE ADRIANO – na AJA Lisboa, dia 9 de abril, às 16h00
Adriano Correia de Oliveira nasceu em 1942. Completaria 75 anos no próximo dia 9 de Abril. Infelizmente partiu cedo demais, aos 40 anos. Porém, perdura na nossa memória e nos nossos corações o imenso repertório de fados de Coimbra, trovas e canções a que a sua voz cristalina deu corpo.
Juntamente com José Afonso, foi um dos protagonistas da renovação da canção de Coimbra, que ficaria conhecida por “balada”, e uma das principais vozes da Resistência ao fascismo. Deu voz a vários poetas, como Manuel Alegre, António Gedeão, Manuel da Fonseca, Fernando Assis Pacheco ou Urbano Tavares Rodrigues. A canção “Trova do vento que passa”, poema de Manuel Alegre, prevalecerá como um dos símbolos da canção de intervenção e da luta pela Liberdade.
O grupo musical FOLHA SOLTA, criado recentemente no seio do núcleo AJA Lisboa, fará a sua estreia neste evento com repertório em torno da obra de Adriano Correia de Oliveira.
Esta homenagem a Adriano conta ainda com a participação especial de RUBEN DE CARVALHO, conhecido programador musical, jornalista, historiador, profundamente conhecedor da música popular portuguesa, em particular do período áureo da música de intervenção.

Amigas/os e Companheiros/as,
O Núcleo da Associação José Afonso Região de Aveiro assinala em Abril de 2017 o seu 6º aniversário.
Recordando que o nosso compromisso é a divulgação do exemplo de cidadania de José Afonso que como músico e poeta esteve presente na luta de todas as causas solidárias e também apoiar novos projectos musicais, convidamos todos/as a participarem na comemoração do nosso aniversário.
1 de Abril (sábado) 21h45mn Auditório do Mercado Negro
Concerto com:
Entrada: 6 Ajas
Será um prazer contarmos com a vossa presença e tragam outro/a amigo/a também.
Núcleo da Associação José Afonso Região de Aveiro
Aceitam-se reservas, até ao dia 30 de Março, para aja.regiao.aveiro@gmail.com.

A associação Orquestra Clássica do Centro e a associação José Afonso convidam para o ENCONTRO que terá lugar no próximo dia 11 de Março pelas 15h15 no Pavilhão Centro de Portugal em Coimbra.
No ano em que se comemora o 30º aniversário da morte de Zeca Afonso, não podemos deixar de nos associar às iniciativas que por todo o País se estão a realizar, sob o mote “ Insisto não ser Tristeza”.
Neste dia, além da assinatura do protocolo com o propósito de promover a cooperação entre ambas as instituições, poderemos ouvir Francisco Fanhais, Rui Pato e Deolinda Correia (Coordenadora do Núcleo de Coimbra da AJA).
A apresentação/moderação será do jornalista Jorge Castilho.
Honre-nos com a sua presença!

Este texto pode ser lido deslizando a página aqui em baixo ou, se preferir, pode ler na página original: “E o mar é tão grande”: Utopia e liberdade nas cantigas de José Afonso | Dulce Simões | Mural Sonoro

O Núcleo da Associação José Afonso Região de Aveiro promove um debate/tertúlia no dia 11 de Março de 2017, às 16 horas, em Aveiro, no Auditório da Junta de Freguesia da Vera Cruz (junto aos Bombeiros Novos) com o titulo “Livra-te do Medo” assinalando o Dia Internacional das Mulheres. Pretende-se colocar na mesa as lutas actuais, muitas delas “já velhas” da agenda Feminista: o direito ao espaço público/assédio; os crimes cometidos no espaço privado, como a violência doméstica; o direito a uma cidadania sexual, seja qual for a orientação sexual e de género; o direito à dignidade seja lá qual for a nacionalidade, religião ou raça.; o direito a migrar e a ser acolhida, em segurança e com dignidade.
Com o propósito de tornar este debate/tertúlia composto por vários olhares sobre as lutas das mulheres no século XXI, num momento em que os direitos das mulheres estão a ser colocados em causa por vozes como Donald Trump, Le Pen, Temer, Putin… temos o prazer de ter connosco mulheres comprometidas com estas lutas,
– Andrea Peniche, Activista/Contrabando-Espaço Associativo, fez parte da organização da Marcha das Mulheres no Porto
– Joana Lima, Movimento Democrático das Mulheres (MDM)/Coordenadora do Projecto UNLOVE/UNPOP
– Paula Allen: Associação Plano i/ Coordenadora do Centro Gis – Centro de Respostas às populações LGBT
O titulo da iniciativa é “roubado” a José A. Salvador, jornalista, que nos deixou há um ano atrás e que escreveu a biografia “Zeca Afonso. Livra-te do Medo”, edição da Porto Editora: uma biografia largamente ilustrada com fotografias, fac-símiles de manuscritos e vários documentos inéditos dos arquivos da PIDE e da censura.
Prefaciado por Adelino Gomes, este livro apresenta uma longa entrevista ao cantautor, bem como depoimentos de familiares e amigos. Permite ainda conhecer a sua relação com a literatura, a sua biblioteca (com 829 livros numerados e assinados), o início da carreira, os tempos de perseguição e prisão, e a doença que lhe foi fatal.
Entrada Livre
Convidamos a todos/as a estarem presentes e enriquecerem um momento de discussão e partilha, em torno de um tema que diz respeito a todas/os!
O Núcleo da AJA Região de Aveiro

Car@s Amig@s,
É com grande Alegria que vemos chegar o 5º aniversário do Núcleo da AJA em Santarém, dia 31 de Março de 2017, no ano em que se assinalam os 30 Anos – “Insisto Não Ser Tristeza”.
Em virtude desta efeméride, vimos por este meio convidar todos os Amigos da AJA a marcar a vossa presença nesta celebração.
Há, como usualmente, a possibilidade de integrar artistas que queiram vir ajudar a animar a festa.
O programa será como se descreve:
16h30 – 19:00 – Ensaios de som;
19:15 – Jantar no Restaurante Solar – €9,00 refeição completa (por marcação prévia por questões de espaço no restaurante);
21h30 – Início da Festa no Fórum Actor Mário Viegas, do CCRS, sede do Núcleo.
Ficando a aguardar as vossas inscrições, contamos com a vossa presença para fazermos mais uma Grande Festa!
AJA-Santarém
A direita não vai à bola com ele. O Portugal de lés a lés. Orgias de ritmo. O nosso pai. Ponte entre Portugal e África. Não era grande poeta. Assim falam os que eram adolescentes quando Zeca morreu. Por João Bonifácio
a Um homem começa um dia a executar o que por menoridade semântica chamamos “obra”. Mas é possível que esse homem nunca tenha a certeza de escapar ao julgamento do tempo: tudo tem um certo intervalo em que o seu reinado se edifica. O que lhe farão os que vêm depois? É essa a pergunta que fazemos hoje que passam 20 anos sobre a morte de Zeca Afonso, a quem as homenagens oficiais consagram o epíteto de “maior génio da música portuguesa”. Perguntámos aos que estavam a tornar-se homens quando Zeca morreu e aos que estavam a nascer quando Zeca nos deixou. A ideia é saber como Zeca sobrevive e é recebido pelos filhos da liberdade.”A influência que ele tem nos músicos é total. Só isso lhe garante uma certa posteridade.” A frase é do poeta Pedro Mexia, 34 anos alinhados à direita. A auscultação entre músicos parece dar-lhe razão. Victor Afonso, 34 anos, que edita discos de electrónica enquanto Kubik, chama-lhe “espírito criativo e irrequieto”. Afonso estudou Zeca desde cedo, primeiro “aos dez anos nas aulas de guitarra clássica”, depois “no curso de educação musical, nas cadeiras de etnografia, não porque o Zeca fizesse música verdadeiramente etnográfica mas porque partia dela para lhe atribuir elementos de uma grande modernidade estética”.
Esse lado etnográfico parece ser particularmente reconhecido, e mesmo entre poetas: Mexia realça o “trabalho de campo [de recolhas] de Zeca, até porque a cultura popular que vinha do Estado Novo era muito artificial”. E o também poeta José Miguel Silva, 38 anos alinhados à esquerda, destaca “o papel muito importante na revitalização da música popular portuguesa”, chamando a atenção “para uma tradição que estava um bocado esquecida”.
Miguel Almeida, 33 anos, fanático da obra de Zeca, não tem dúvidas em reafirmar o lado camaleónico do compositor: “Há ali muita Beira (a de cá e a de Moçambique), África a rodos, Portugal de lés a lés e um sentido musical enorme, sem medo de experimentar. Tens no Zeca desde canções despidas, completamente espectrais, fantasmagóricas, a orgias de ritmo.” Mas, e faz questão de vincar isto, “ele não era uma ilha isolada, era uma parte do Portugal em que vivia, e por isso hoje faz-me alguma confusão esta tentativa de separar o músico do político, de o branquear. Não havia Zeca sem luta contra o fascismo, sem revolução, sem o afirmar destemido de ideais que hoje nos podem parecer deslocados e anacrónicos.”
Valete, o rapper
Zeca, para todos os efeitos, é um símbolo político, “essa figura física capaz de responder aos acontecimentos do seu tempo” (José Miguel Silva). Para um rapper como Valete, vindo dos subúrbios de Lisboa, e empenhado em olhar a realidade social, possuidor de toda a discografia de Zeca a partir dos anos 70, isso é muito importante: “A minha escola, progressista e de intervenção, é uma continuação da escola dele e do Zé Mário, que leva para a música, mais que o entretenimento, o intervir e o consciencializar. Se o Zeca não existisse nós também não existíamos. São os nossos pais.”
Mas nem toda a gente o descobriu assim. Quando Cristina Branco, 34 anos, fadista (ou nem por isso) descobriu “o lado empenhado dele”, na altura “em que se desperta para a consciência política”, isto é, na adolescência, essa revelação “não foi um choque”. Por várias razões, mas uma acima de todas: “Na casa dos meus pais sempre se ouviu o Zeca, em particular as canções próprias para crianças, as canções de embalar.” A fadista cresceu em Almeirim numa família de esquerda.
Mudemos de agulha para alguém dois anos mais velho, “ferozmente neutro”, e que cresceu em Coimbra: o cantautor JP Simões. “A princípio inspirou-me um certo aborrecimento – e só depois fiquei fã.” Esse depois deu-se na altura do liceu, em que o “ouvia imenso”. Mas lá por meio dos anos 80, as coisas, entre os adolescentes, estavam muito barricadas: JP acha que havia “um grupo que cantava o Zeca Afonso”, um género de pessoas “que se vestia como amante da natureza”. Zeca era, conclui, “refém de um contexto partidário e estético”. Afonso tem a mesma impressão: “Nos anos 80 toda essa gente era vista como “cantores de esquerda”. Havia um preconceito, que não sei se haverá ainda hoje.” Simões: “As coisas estavam encaixotadas nos seus formalismos e como as posições políticas vêm de famílias, é provável que os de direita não o ouvissem – mas ele já ultrapassou esse bicórnio da política nacional.” Cristina Branco: “Houve quase um complexo em relação a tudo isso e uma necessidade de deixar passar sem explicar o que era o Zeca.”
E hoje? Mexia: “As pessoas da direita ideológica não vão à bola com ele.” Valete acha que os amigos não ouvem Zeca: “Vivo nos subúrbios, tenho amigos de segunda geração de imigrantes e tenho amigos brancos da minha idade, ouviram falar, mas poucos têm contacto com a discografia, tem muito pouca presença na juventude.”
O músico Kalaf, que reconhece que as pessoas que lhe estão próximas “não o ouvem de todo”, acredita que o esquecimento de Zeca se deve a “ter sido comunista, e saiu de moda ser comunista”. Kalaf, poeta e cantor que nasceu em Angola, chegou a Zeca “pela versão que os Tubarões fizeram do Venham mais cinco, com o Ildo Lobo a cantar. Tinha talvez uns 17 anos. Devia estar a chegar a Portugal.” “Ele fazia a ponte de Portugal para África, não deixando de ser músico português”, explica Kalaf. Sentiu-se “atraído pela poesia dele, pelos textos”.
Palavras: a Mexia interessa-lhe “a ligação com as cantigas de amigo, letras que podiam ser poemas medievais – a maneira como ele pegava naquilo tinha imensa força, e deu dignidade à cultura popular portuguesa”. Mais uma vez, José Miguel Silva tem opiniões similares: Zeca “não será um grande poeta”, mas “as letras dele têm uma grande força emotiva”.
Preconceitos
Simões vê nele um homem cuja qualidade principal é “o lirismo, no sentido mais amplo, no sentido de cantar o mundo com as suas cambiantes”. Afonso chama-lhe “cronista acutilante” e admira “a forma como ele fazia fintas à censura.” Cristina Branco também não sobrevaloriza a questão política: “Vejo-o como um observador da vida, uma pessoa extremamente simples.” Bernardo Soares, engenheiro, 33 anos, também fanático de Zeca, encontra na sua obra “uma forma de se ser português, uma condição que ali está, decantada, sintetizada, omnipresente, mas diluída numa outra condição eventualmente superior: a condição humana… E não se destrinça onde começa o Homem e acaba o Português ou vice-versa, com as contradições todas de uma e de outra coisa”.
Camané, fadista, 40 anos (também homem das esquerdas) acha que “houve algumas pessoas que tentaram ignorar a dimensão artística do Zeca por questões políticas”, o que não lhe parece correcto, porque “a dimensão artística é superior”. Mas o que afastava Mexia da música de Zeca era uma questão quase geracional: “Eu tinha um preconceito com a música portuguesa.” Curioso que também José Mário Silva tenha uma experiência similar à de Mexia: “Nessa altura, em que ele morreu, estava muito voltado para a música anglo-saxónica, ouvi-o depois.” Esse problema nunca existiu para Camané: lembra-se “perfeitamente” da morte de Zeca, “de falarem de todas as dificuldades que passou, da doença que ele teve, do último concerto no Coliseu; durante muito tempo falou-se muito desse concerto, foi muito emocionante e ele já não tocava muito tempo ao vivo, foi uma espécie de despedida”.
Mas não é preciso viver os acontecimentos para senti-los da mesma forma: Mariana Pereira tem 22 anos e está a acabar Economia no ISEG (Lisboa). Quando ouve o concerto do Coliseu ainda lhe vêm lágrimas aos olhos: “A minha mãe não quis ir porque sabia que ele ia falecer dentro de pouco tempo – tudo isso me transporta àquele tempo que não vivi.” Para ela Zeca “ainda é muito o 25 do Abril, as memórias que ouvia contar”. Lembra-se de ouvir o avô a cantá-lo. Mariana não conhece muitas pessoas com quem se passasse o mesmo. Diz que nunca falou com pessoas da sua geração sobre Zeca. “Senti-me muito diferente das outras pessoas da minha idade, talvez por esse enquadramento familiar.”
A confiar no testemunho dela, fará sentido a pergunta de Mexia: “Como é que Zeca irá sobreviver ao ocaso das ideias e da política?” Voltando ao fã Bernardo Soares e à sua ideia de portugalidade: “Quase 900 anos depois ainda cá andamos às cabeçadas a isto tudo. As canções do Zeca apontam outro caminho.”
Entre as pessoas que ouvimos, Cantigas do Maio é o disco mais destacado. Depois vêm Eu Vou Ser Como A Toupeira e Venham Mais Cinco e Traz Outro Amigo Também. No que toca a canções, as opiniões são mais variadas, mas duas ficam aqui registadas; entre uma e outra perfaz-se um arco que une morte e liberdade.
O engenheiro Bernardo Soares, fã de Zeca, relembra um tema do último disco de Zeca, Galinhas do mato: “É difícil conter a comoção quando, em Alegria Da Criação, Janita Salomé, substituindo o já debilitado Zeca, canta “de nada me arrependo/ só a vida/ me ensinou a cantar/ esta cantiga”, irrompendo de seguida as vozes do coro Cramol com toda a sua telúrica pujança. E a cantiga é uma e só uma, a de um voo picado sobre a condição humana.” Da morte para a liberdade, o testemunho de Victor Afonso, músico: “Houve uma música que me tocou particularmente, que é, passe o cliché, o Grândola – não é só a questão da referência política. Como estudante de música, se formos rigorosos, é uma composição que sintetiza toda a arte do Zeca: em termos de composição, arranjos, linha melódica, modulações, e repetitividade rítmica, é tão complexa e mesmo assim transporta uma tão grande carga emocional. É perfeita.”
Além de uma dupla compilação que reúne os 30 melhores temas de José Afonso, uma série de discos de homenagem estão a ser preparados. Cristina Branco vai transpor para disco o espectáculo no Teatro São Luiz. A formação traz arranjos que imprimem um tom quase blues (Outubro). O italiano David Zaccaria recria a obra de Zeca num disco (Abril), com Dulce Pontes e Uxía. A orquestra Drumming, com arranjos de Pinho Vargas, Laginha e Sassetti dará um espectáculo (25 de Abril) na Casa da Música. Se resultar, há disco. Os brasileiros Couple Coffee vão editar C”as tamanquinhas do Zeca (Março). Os Frei Fado d”El Rei lançam (Abril) um disco de versões, Senhor poeta.
Há mais de vinte homenagens a Zeca entre hoje e amanhã (lista completa na página da Associação José Afonso, www.aja.pt, ou em www.vejambem.blogspot.com). Destacamos três: hoje, no Entroncamento, no Cine-Teatro São João (21h30), João Afonso, o sobrinho, interpreta a obra do tio. Amanhã, em Coimbra, há (21h00) uma tertúlia na livraria Almedina Estádio, com músicos que o acompanharam (Rui Pato e Carlos Correia), músicos da época (Manuel Freire) e amigos (José Mesquita e Abílio Hernandez). No mesmo dia, em Guimarães, no Centro Vila Flor, concerto com José Mário Branco, João Afonso e Amélia Muge.

Já nos deixou há trinta anos, Zeca Afonso, um bom exemplo de um Santo Moderno
O meu querido amigo Zeca Afonso, sobre quem já escrevi diversos artigos na imprensa e em revistas, nomeadamente na excelente revista cultural da cidade do Porto, “O Tripeiro”, em 20 de Julho de 2000, aquando da inauguração de uma rua com o seu nome, já faleceu há três décadas, entrando a sua pessoa no rol dos imortais, acarinhada pelas páginas da história portuguesa. Claro que determinado sector, sempre escravizado pelas suas cegas preferências políticas, continua a insistir apenas na sua vertente de cantor interventivo, única faceta que nele vislumbraram no
decorrer das décadas em que andou a palmilhar por este mundo, esquecendo o Zeca, andarilho da liberdade, cantando o desespero da vida portuguesa em rimas excepcionais. E limitam-se a olhar para as suas baladas e letras como simples armas de arremesso político que criou uma autêntica insurreição espiritual. Tal será uma tremenda injustiça em relação à sua faceta de poeta e da sua personalidade mística que pairava, como uma carícia da aragem, na sociedade onde vivia, preocupado apenas com as misérias e as dores alheias, bem como com o próximo, representado
por qualquer um, conhecido ou não, que precisasse de auxílio. E se não tinha meio de ajudar, sublimava o seu sofrimento e frustração numa balada cantada com paixão, sem qualquer intuito narcisista ou comercial, È bom que tal fique claro!!!. Todos sabemos que, para a sua imagem, foi um bem ser arvorado em líder revolucionário de determinado tipo de esquerda, pois o seu nome e a sua música não sofreram qualquer oposição sectária,
sendo-lhe permitido, sem contra tempos, entrar no Olimpo como um Apolo da poesia e da música que marcou indelevelmente uma geração, tornando-o numa fascinante personalidade da magia cultural portuguesa. Na verdade, esse apoio de determinado sector político redundou numa vantagem para a sua imagem, repito, não acontecendo o que se verificou com outras figuras do Fado de Coimbra cujo perfil não obedecia às respectivas centrais sectárias de pensamento, razão porque que tudo fizeram para que fossem afastadas das nossas recordações e da memória da
colectividade. E, deste modo, o nome do Zeca Afonso pôde gravitar para sempre na órbita da poesia com grande audição, com o foro de um dos mais sublimes cantores do nosso Século. Se fosse vivo, não se poderiam espantar se o seu nome aparecesse como candidato português ao Prémio Nobel.
O Zeca Afonso, no anarquismo da sua vida quotidiana, tinha estranhas ideias sobre o sistema político ideal, confundindo muita e variada gente, com o seu pensamento, principalmente os bem pensantes que sempre aproveitavam para o criticar pela sua vida e pelo seus hábitos. Tinha casado e tinha filhos que precisava de sustentar e por causa de quem levava uma vida de enorme carência material. E, além de nada ter, o pouco que possuía,
dava aos que considerava ainda mais necessitados do que a sua pessoa, com um espírito de solidariedade absurdo, despindo a camisa e o único agasalho que tinha, para aquecer o primeiro pedinte que topasse na rua, a tiritar de frio. Ainda por cima, era caluniado por esse espírito de S. Vicente de Paula, que o Zeca admirava e invejava por não ter coragem para levar uma idêntica vida de militância mística. Alguns que dele diziam mal, utilizavam-no para os seus fins políticos, sacando-lhe os poucos cobres que consigo trazia, invocando uma falsa necessidade e nunca se importando em saber se o Zeca tinha ou não almoçado ou quais os seus problemas económicos.
Não havia espectáculo de angariação de meios para fins políticos para que não fosse arrebanhado, não vendo no fim qualquer compensação palpável, o que me revoltava de sobremaneira. Antes do 25 de Abril foi explorado por uma conhecida editora chegando, em desespero de causa, a recorrer a um seu amigo advogado para que, judicialmente, pusesse cobro à ignóbil exploração de que estava a ser vítima. Porém, nesse aspecto, a revolução abriu-lhe a porta a uma significativa melhoria económica, atendendo ao êxito das suas baladas. Igualmente, um novo relacionamento
amoroso veio trazer-lhe a compreensão necessária de um lar equilibrado, sendo aceite como era, pela sua mulher, o que serviu de lenitivo à sua vida de sacrifício, provocada pela doença que o começou a atormentar. Convém recordar que apesar da sua maneira estranha de reagir à vida que o rodeava e às suas ideias utópicas, tocadas pelo sobrenatural, o Zeca era de uma lealdade extrema com os seus amigos. Recordo bem uma discussão havida muito antes do 25 A, sobre a possível independência de Angola, numa república de Coimbra, formada por naturais dos territórios africanos, onde a discussão começou a descambar para caminhos menos sensatos, e que o Zeca, apesar de não concordar bem com a opinião do amigo que o acompanhava, colocou-se imediatamente ao seu lado, para o que desse e viesse. Além do mais, o Zeca tinha uma visão mística da sociedade. Aspirava viver de modo muito especial, procurando permanentemente o sobrenatural, para se conseguir manter como era, isto é, com a sua
personalidade intocável. Embora muitos pensem o contrário, procurava Deus intensamente. Recordo ter me confessado ter passado a noite de Natal, deitado numa duna de Mira, enxergando as estrelas e suplicando a Deus lhe transmitisse a Paz Divina. Ele estava nos antípodas em relação a qualquer posicionamento político. Era um combatente extremista contra a fome que grassava no mundo, contra a violência de qualquer tipo, não suportando o sofrimento do seu irmão, o egoísmo da sociedade de consumo, o racismo, e as descriminações de qualquer género. Após a
descolonização desastrada, em que Cabinda foi transformada numa colónia de Angola, pelos interesses internacionais, e o seu povo submetido à força pelas armas cubanas, apesar de se sentir muito abalado pela doença, confessou que só restava ir para Cabinda de armas na mão, combater pela liberdade do seu Povo. E foi acrescentando que se eu fosse para a guerrilha, lutar contra os novos opressores do Povo de Cabinda, igualmente iria…! Era o espírito do antigo cavaleiro andante a explodir na defesa dos mais fracos. Meu bom amigo Zeca Afonso, um manancial de virtudes,
apesar de todos os defeitos que os seus detractores lhe possam assacar. No fundo, suspirava por uma sociedade monástica, onde todos seriam iguais e se ajudariam na alegria e na desgraça. È paradigmático, o que escreveu numa carta ao José Maria Lacerda e Megre, nosso comum amigo.”Gostaria de optar com uma remessa de gajos amigos por qualquer coisa vital, uma república de confrades ou irmãos colaços.”. talvez nas terras de Moçambique, pois gostaria de morrer nas plagas africanas com um veleiro a passar ao largo, ouvindo o mestre gritar “Acima, acima gajeiro, acima ao mastro real, vê se vês terras de Espanha, areias de Portugal”. No fundo, no seu misticismo, sonhava com um paraíso na terra, onde encontrasse a paz, com os bons costumes tradicionais de cada região, rodeado de amigos independentes e livres de espírito, completamente entregues ao serviço do próximo. Na verdade, e tornando a repetir o que já tive oportunidade de escrever., foi uma das figuras mais marcantes do nosso tempo, um poeta e um trovador de uma rara sensibilidade, um homem bom e principalmente um autêntico franciscano “à futrica”, que passou por esta vida para auxiliar o próximo, distribuir amizade pura e sincera aos seus iguais, cantar a beleza, lutar contra as injustiças e tentar melhorar, à sua maneira, a comunidade onde nasceu. Em cada canto tem um nome de rua e, principalmente, amigos verdadeiros e milhares de admiradores que recordam a sua personalidade singular, com grande saudade!
Tributo a José Afonso – Concerto em Alcântara/Lisboa, na Academia de Santo Amaro, no dia 23 de Fevereiro, pelas 21,30. Entrada livre (Os bilhetes devem ser solicitados na secretaria da Junta de Freguesia de Alcântara)
O álbum “Coro dos tribunais” saiu pouco tempo depois do 25 de Abril, mas contém quase só canções anteriores a essa data. Pode-se considerar um tanto ultrapassado pelos acontecimentos, pois anuncia-se em “Só ouve o brado da terra” a iminência da revolução. A ditadura e a opressão da população (agrária) portuguesa são transmitidas pelas metáforas do “clarim da morte”, da “noite assassina”, de “quem domina sem nos vencer”. A exploração é-nos transmitida na terceira estrofe (“Andam os lobos à solta”) e na última estrofe. A estes elementos negativos opõem-se a revolta nascente (“Agora é que pinta o bago/ Agora é que isto vai aquecer”), os que a apoiam e que nunca perderam o contacto com a terra (“Quem dentro dela! Veio a nascer”, o pastor, o “Homem de costas vergadas”) e a solidariedade do cantor com o sofrimento do povo.
José Afonso traduz nesta canção o seu alinhamento com a população agrária. Isto nada tem a ver com a linguagem idealizante da propaganda oficial, com a qual se pretendia transmitir uma imagem dum mundo agrário harmonioso. Sendo da geração anterior à de Sérgio Godinho e José Mário Branco, ainda podia optar pela cultura rural (em vez da urbana) como portadora da sua intervenção e de um conteúdo revolucionário. O cantor escolheu ir para “uma canção que seguisse na esteira da canção tradicional rural”, inspirando-se e desenvolvendo temas e elementos da cultura rural. Como ele próprio assinalou: “Isso é, afinal, a face de um povo, e não há que ser rejeitada.” José Afonso teve a oportunidade de conhecer a vida tradicional do campo, viajando com o coro do Orfeon enquanto estudante, como professor em várias localidades e, o que é muito importante, cantando em todo o país. Este conhecimento traduz-se p.ex. em “A mulher da erva”.
A industrialização portuguesa fez-se tardiamente, e é só na segunda metade deste século que as suas consequências se fizeram sentir, sobretudo a partir dos anos 60. Já em 1981, José Afonso reconhece o progressivo e irreversível desaparecimento do mundo português que ele evoca em tantas canções: “Custa-me ver no meu país este massacre contra-cultural de que estamos a ser vítimas (…) Tenho uma certa nostalgia de uma certa imagem de Portugal que me foi dada por Raul Brandão, Camilo Castelo Branco, pelo próprio Eça de Queiroz (…), pela poesia popular portuguesa, (…), pelas adegas que hoje estão a ser substituídas pelos snack-bares, pelos cinemas de bairro que estão a ser substituídos pelos estúdios (…). Com as suas canções, ele queria conservar a cultura sem ser conservador.
in “A canção de intervenção portuguesa – Contribuição para um estudo e tradução de textos” de Oona Soenario, 1994-1995, Universidade de Antuérpia
(…)De facto, Otelo Saraiva de Carvalho escolheu entre três canções de José Afonso: “Grândola”, “Traz outro amigo também” e “Venham mais cinco”. As últimas duas fazem um apelo ao ouvinte para participar na luta. O que levou o estratego do 25 de Abril à escolha de “Grândola” foi a frase: “O povo é quem mais ordena”, um princípio importante para ser proclamado nos primeiros minutos da revolução 57. Além disso, estava proibida a radiodifusão das outras duas canções.
Como foi assinalado atrás, esta canção é a mais conhecida deste autor, pelo que o público continuava a pedi-la, onde quer que José Afonso actuasse. Às vezes, ele recusava apresentá-la, porque não queria fazer disso uma espécie de ritual para idealizar o passado. Ou então pedia ao próprio público que a cantasse, o que condiz com a mensagem e o modo de representação da canção: José Afonso utilizou a tradição musical alentejana, onde se canta muitas vezes em coro polifónico. Nesta forma, há um cantor que canta a primeira estrofe, e o coro canta a segunda. Também o estilo do texto é conforme à tradição alentejana: duas estrofes sempre se espelham uma à outra. Grândola é uma vila no Baixo Alentejo, que serve de exemplo de uma sociedade onde extiste igualdade, liberdade e fraternidade. Na frase “O povo é quem mais ordena”, José Afonso fala do poder popular que persistiu ao longo da ditadura, em centros culturais onde não havia directores e as responsabilidades eram partilhadas. Para o cantor, estas formas de relações humanas comprovavam que a ideologia da classe dominante não tinha penetrado no povo. Estes centros remontavam à época anterior ao Salazarismo, quando desempenhavam um papel importante a nível cultural e de consciencialização. O regime fascista dissolveu muitos deles ou reduziu as suas actividades ao desporto outras coisas “inofensivas”. No entanto, alguns houve que continuaram o seu trabalho clandestinamente, como foi o caso de Grândola, onde José Afonso actuou algumas vezes.
in “A canção de intervenção portuguesa – Contribuição para um estudo e tradução de textos” de Oona Soenario, 1994-1995, Universidade de Antuérpia

O dia 23 de Fevereiro de 1987 foi o dia da partida de José Afonso mas, na verdade, ele continua presente na nossa memória colectiva. Está entre nós nas iniciativas com que o recordamos e homenageamos, como cantor, como músico, como poeta da palavra forte e justa, ou como lutador das causas sociais e das liberdades.
Trinta anos depois, em 23 de Fevereiro de 2017, pelas 19h00, no Auditório da Associação Cultural Mercado Negro, o Núcleo da Associação José Afonso da Região de Aveiro, vai apresentar o documentário cinematográfico de João Pedro Moreira Não me Obriguem a vir para a Rua Gritar.
Gostaríamos de contar com a presença de todos/as os/as admiradores/as e amigos/as do Zeca para evocar o exemplo do artista e cidadão que, lá no cimo de uma montanha / acendeu uma fogueira / para não se apagar a chama / que dá vida na noite inteira.
No final haverá um momento aberto à participação de todos/as que o queiram fazer.
A Entrada é Livre.
O Núcleo da Associação José Afonso Região de Aveiro
O Poeta José Afonso tem sido muitas vezes esquecido, ou raramente lembrado, em prol do cantautor de intervenção, pois é difícil, sendo esta última faceta tão brilhante como se sabe, e tendo desempenhado um tão importante papel na luta contra a repressão fascista, ter tão presente a sua dimensão de Escritor de Poesia, não menos digna de atenção e de estudo, se bem que inseparável da primeira.
Com este recital queremos participar no movimento que pretende reparar esse lapso. Júlia Lello, poetisa e actriz, conduzir-nos-á numa viagem pela poesia de José Afonso.
Marta Ramos interpretará algumas das canções de Zeca, acompanhada por João Parreira na guitarra.

No âmbito da celebração dos 30 anos da Associação José Afonso (AJA), o núcleo de Almada/Seixal assinala o aniversário com uma quinzena comemorativa, de 10 a 25 de Fevereiro, que vai decorrer na Galeria Municipal de Artes, em Almada.
Na Galeria estará patente a Exposição “Geografias de uma Vida”, com 18 painéis, dedicada à Vida e Obra de José Afonso. Recorde-se que José Afonso nasceu em 2 de Agosto de 1929, em Aveiro, e faleceu em Setúbal, em 23 de Fevereiro de 1987.
A sessão de inauguração da quinzena realiza-se dia 10, pelas 18h00, com intervenções de Vítor Sarmento, da Direcção da AJA, e da Vereadora Amélia Pardal, da CMA, um momento musical com Francisco Naia e Vítor Sarmento, seguido de um Moscatel de Honra.
Durante a quinzena serão realizados dois debates. O primeiro no dia 11, às 16h00, com o jornalista e escritor Viriato Teles, autor de As Voltas de um Andarilho (reportagem biográfica sobre José Afonso, 1999). O outro, no dia 18, às 16h00, com a historiadora Irene Pimentel, autora de “Fotobiografia de José Afonso” (2014).
No dia 23, às 21h30, realiza-se uma sessão evocativa do Zeca, com uma intervenção sobre José Afonso, e momentos de poesia e música, respectivamente, por Henrique Guerreiro, Alexandre Castanheira e Vitor Paulo.
Todos os dias úteis, das 15h30 às 16h30, será exibido o documentário “Não me obriguem a vir para a rua gritar” (61 minutos).
O Núcleo da AJA de Almada/Seixal

Para além da exposição discográfica de Zeca Afonso “Desta música que apeteço”, que pode ser vista na Galeria do INATEL até ao dia 4 de Março, vai decorrer em Évora até finais de Fevereiro um ciclo de tertúlias sobre a obra e o pensamento de José Afonso, agora que se assinalam os 30 anos da sua morte (a 23 de Fevereiro) e os 30 anos de constituição da Associação José Afonso. Assim, a AJA promove em Évora, com o apoio da CME e da SHE, as seguintes tertúlias:
### 9 de Fevereiro, às 21,30h, no Hall do Teatro Garcia de Resende, tertúlia “Segredos na Música de José Afonso”, com Amílcar Vasques Dias (piano) e Francisco Fanhais.
### 23 de Fevereiro, às 22,30h a Sociedade Harmonia Eborense organiza uma tertúlia de conversa e música sobre “Zeca Afonso e o canto de intervenção. Ontem e hoje”, com os cantores A P Braga e Benjamim. Estará patente uma exposição alusiva a José Afonso da responsabilidade do fotógrafo eborense José Manuel Rodrigues.
### 24 de Fevereiro, às 21,30h, no Hall do Teatro Garcia de Resende, tertúlia “O pensamento e os valores do Zeca Afonso: a utopia, a liberdade, a cidadania”, com a presença de Silvério Rocha-Cunha. Actuação do grupo AJA Música.
Contamos com a tua presença
o Núcleo de Évora da AJA

O músico José Afonso também influenciou no ensino, mas os alunos não o tratavam por senhor doutor. Zeca era antes um amigo. Em Faro, o repórter Mário Antunes esteve à conversa com Maria do Carmo Henrique, aluna de José Afonso no final dos anos 50 do século XX. Maria do Carmo tinha então 15 anos e foi à porta de sua casa que Zeca Afonso viu um carreiro de formigas e começou a trautear a canção.

No núcleo AJA LISBOA vai decorrer um ciclo sobre JAZZ por JOSÉ DUARTE. Constituído por 3 SESSÕES FONOGRÁFICAS que decorrerão das 18h30 às 20h30, nos dias 2, 9 e 16 de Fevereiro 2017.
Mediante uma parceria com o Conservatório Nacional, 15 alunos da Escola de Música frequentarão as sessões. Serão aceites mais 30 inscrições.
Apoio da ANTENA 1
Companheiros/as e Amigos/as

O espectáculo de teatro “Coisas da vida” é uma criação colectiva a partir de uma ideia de um dos elementos do grupo, Célia Gonzalez. A peça reflecte preocupações dos seus criadores, e a temática centra-se na comunicação com o Outro e também no desenvolvimento das tecnologias e em questões geracionais ligadas a estes assuntos.

Os aniversários são datas festivas, a celebrar com alegria pelo caminho percorrido e com a esperança de novas metas a alcançar. Cinco anos voaram desde que, no início de 2011, um grupo de “Zecafonsinos” decidiu meter mãos à obra e criar o Núcleo de Lisboa da Associação José Afonso. Dois anos depois, seria inaugurada a sede, na Rua de São Bento, n. 170, que desde logo passou a ser um espaço de dinamização cultural com atividade regular.
No dia 11 de janeiro de 2017, pelas 19h00, celebra-se o 5.º aniversário da criação do núcleo e o 3.º da abertura da sede, com programa promissor:
– GRUPO “GUITARRA E CANTO DE COIMBRA”/CCRS (Centro Cultural Regional de Santarém)
– Inauguração da EXPOSIÇÃO “CAMILO MORTÁGUA – UM OFÍCIO DE PENSAR E AGIR”
– LANCHE PARTILHADO: A quem desejar associar-se ao convívio gastronómico, sugere-se que colaborem com algo para partilhar à mesa.