Os vampiros
O destino é uma espécie de relacionamento – um jogo entre a conexão divina e a perseverança pessoal. Metade escapa ao nosso controlo, a outra metade está inteiramente nas nossas mãos. Digo isto pensando no êxito de “Os Vampiros”, de Zeca Afonso, que tive o privilégio de acompanhar desde o primeiro minuto. A música foi construída não para fazer uma revolução ou para formar oposicionistas, mas com o objectivo de criar algo disruptivo em relação ao fado de Coimbra daqueles tempos. Não tínhamos ideia do que viria a representar, do ponto de vista político e artístico. Éramos ingénuos e despretensiosos. O impacto de “Os Vampiros” foi como um choque em cadeia numa auto-estrada, um a seguir ao outro. Quando percebemos que rapidamente se tornara num hino dos opositores ao regime e em fermento para os movimentos de esquerda, ficámos assustadíssimos. Íamos para casa atormentados pelo diabinho que sopra ao ouvido as respostas evasivas que não demos em consciência. Nem o Zeca era um Che Guevara nem as nossas primeiras músicas eram óbvias nas suas intenções. E foi o que foi. Inesquecível. Inesquecível a amizade que estabeleci com o Zeca, ele que não pôs apenas toda a sua poesia nos seus discos, mas muita poesia na sua vida… Inesquecíveis os primeiros tempos, em que pensávamos que podíamos fintar a censura, e depois mais tarde, em que já era impossível fugir da lupa da PIDE e da repressão. Inesquecível a forma como gravámos as primeiras músicas, num convento abandonado na margem esquerda do Mondego, cheio de galinhas, ou os ensaios de “Os Vampiros”, numa viagem de comboio, sabendo hoje que a pulsação rítmica desta música foi influenciada pelo andamento pendular dos carris. Sobretudo, inesquecível é que tantos anos mais tarde a actualidade de “Os Vampiros” continua intacta. Basta raspar um pouco a superfície e o significado brota de novo, fresco como no primeiro dia.
Rui Pato











































No dia em que Adriano Correia de Oliveira faria 74 anos, vamos lembrá-lo com saudade mas também com a alegria renovada de ouvir algumas das belíssimas canções que nos deixou como legado. Desta vez, a AJA Lisboa tem o prazer de acolher um concerto com os grupos Acaso e LaFontinha.
















Tempos negros os que nos chegam dos últimos dias. Nuno Teotónio Pereira, José Boavida (ambos sócios da AJA) e agora José António Salvador, estudioso da obra de José Afonso. “Livra-te do Medo” ficará como fonte imprescindível para o conhecimento da vida, obra e pensamento do Zeca.

No dia 30 de janeiro, às 16h00, na AJA Lisboa, há teatro para crianças.

Como já vai sendo hábito, o primeiro evento do ano na AJA Lisboa, coincide com o aniversário da criação do núcleo de Lisboa da Associação José Afonso. Desta vez, assinala-se o 4.° aniversário do núcleo e também o 2.º aniversário da sede, com a abertura da EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA da FESTA DE AMIZADE A ZECA AFONSO, da autoria de JOSÉ NASCIMENTO, festa que se realizou nas Caldas da Rainha, em 5 de Fevereiro de 1983, logo a seguir ao concerto no Coliseu dos Recreios, a 29 de Janeiro do mesmo ano. José Nascimento fez a cobertura fotográfica desse espectáculo, em que participaram Zeca Afonso e vários artistas amigos. Em Setembro de 2015, foi apresentada uma mostra dessa reportagem nas Caldas da Rainha, a qual será agora apresenta da na sede do Núcleo AJA Lisboa. E, claro, não faltará MÚSICA ao vivo, de Zeca Afonso e outros cantores de intervenção, interpretada por músicos ligados à AJA.