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Imprensa
Home Imprensa Page 2

Category: Imprensa

GalizaHomenagens e tributos (2009)ImprensaToponímia
30/04/2009By AJA

José Afonso é nome de Parque em Santiago de Compostela

Um “Parque José Afonso” vai ser inaugurado a 10 de Maio junto ao “Auditorio de Galicia”, em Santiago de Compostela, em homenagem ao autor de “Grândola, Vila Morena”, informou hoje o Núcleo do Norte da Associação José Afonso (AJA).

Situado numa lateral do Auditorio de Galicia, o parque é uma homenagem ao cantautor português promovida por um grupo de amigos, apoiada por cerca de três mil pessoas de todo o mundo e aprovada pela câmara de Santiago de Compostela, precisou à agência Lusa Paulo Esperança, daquele núcleo

O “Parque José Afonso” situa-se junto do complexo Burgo das Nácions (Burgo das Nações), onde actualmente se concentram várias residências universitárias e onde em 1972 Zeca Afonso cantou pela primeira vez em público “Grândola, Vila Morena” na sua primeira digressão pela Galiza, que integrou também espectáculos em Ourense e Lugo.

Notícia Lusa

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Imprensa
26/04/2009By AJA

José Afonso eleito 4º melhor cantor pela redacção da revista Blitz

A fadista Amália Rodrigues foi eleita a melhor cantora portuguesa de sempre pela redacção da revista Blitz, uma votação revelada na edição de Maio que inclui ainda as vozes de Carlos do Carmo, António Variações e José Afonso.
A edição de Maio, colocada hoje à venda, apresenta uma lista nacional e internacional dos melhores cantores de sempre, escolhidos pela redacção da publicação mensal e pela revista Rolling Stone, respectivamente.

A lista dos melhores portugueses é liderada por Amália Rodrigues e integra ainda mais dois nomes do fado: Carlos do Carmo, em segundo lugar, e Mariza, em quinto.

A redacção da Blitz elegeu apenas oito cantores portugueses, quatro mulheres e quatro homens.

Em terceiro lugar figura António Variações e em quarto José Afonso, ambos falecidos nos anos 1980.

Paulo de Carvalho surge em sexto, Maria João em sétimo e Teresa Salgueiro em oitavo.

Os cantores eleitos pela revista Blitz são descritos na edição de Maio por oito músicos portugueses e os textos são acompanhados por sugestões de temas e de artistas que terão influenciado.

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Imprensa
25/04/2009By AJA

Morte de José Afonso salvou cantautores da ostracização

José Mário Branco cantava porque não podia falar. “Cantar era uma forma de escape, de socializar. E socializar, juntar o povo, era considerado perigoso”. Ana Bacalhau canta “o que a vida não diz” porque nunca poderá saber o que era não poder falar. “Sou uma sortuda por não conseguir sequer imaginar o que é ter um lápis azul”. Ele, hoje com 67 anos, ícone maior da resistência à ditadura, não sabe, mas inspirou a rapariga que pôs o país a entoar fon-fon-fon-fon . “Sem ele, os Deolinda nunca poderiam existir – e isso é assustador”, afirma a vocalista da banda, 30 anos, prestando-lhe pública homenagem. Elogiar o autor de “A cantiga é uma arma” é agradecer o privilégio de hoje poder dizer: “Agora sim, cantamos com vontade!/ Agora sim, ouço a liberdade!”

Foi privilégio que Mário Branco nunca teve, nem para cantar outras letras que não aquele épico do FMI: “Esta merda dos partidos é que divide a malta pá, é só paleio pá, o pessoal quer é trabalhar!”, nem mesmo depois de cortada a fita do 25 de Abril, nem mesmo apesar de garantir que a sua liberdade “chegou muito antes da data”. Parece contradição, mas não é. “Decidi ser livre quando escolhi não ir para a guerra matar os meus irmãos; quando escolhi pagar o preço pelas minhas opções”. O preço foi ser preso aos 19 anos e depois fugir para França – ele e mais cem mil portugueses. Foi lá que começou a tocar viola, foi lá que permaneceu, refugiado, dez anos. E foi depois de vir de lá, já Portugal brindava à Liberdade, que surpreendentemente continuou “a ser marginalizado”. Em 1982, “o disco que juntava o ‘FMI’ com o ‘Ser Solidário’ foi recusado por oito editoras” porque ele “era visto como um cantautor amaldiçoado”. Era como se tivesse que continuar a ser punido, vá lá saber-se porquê.

Editou o disco graças à confiança do público. À entrada de uma série de concertos no Teatro Aberto, em Lisboa, entregou uma carta em que escreveu: “Queria fazer este disco. Se me confiar o seu dinheiro…” E as pessoas confiaram, os concertos esgotaram e o disco saiu. Mas só mais tarde, em 1987, com a morte de Zeca Afonso, as editoras deram tréguas. “Perceberam que tinham irremediavelmente perdido um grande mestre e que valia a pena terem mais respeito pelos que restavam”. Foi então convidado a editar a sua obra integral. Até começou a ser “tratado por Senhor”, e Mário Soares quis condecorá-lo. Rejeitou. “O condecorador tem que estar à altura do condecorado”. Para Branco, a liberdade que temos “é meramente formal”. Não lhe preenche o sonho. Bacalhau diz ter ” tanto medo de a perder”, que celebra sempre o 25 de Abril.
Jornal de Notícias

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GrândolaImprensa
20/04/2009By AJA

Onde está a Grândola de José Afonso?

Ainda é a terra da Sociedade fraternidade operária grandolense, mas O edifício está encerrado há dois anos

Havia duzentas pessoas na sala. Entre elas um agente da PSP. Fardado. Homem para não se abespinhar quando José Afonso cantou ‘Os Vampiros’, senhores à força e mandadores sem Lei. Escondidos sob o palco palpitavam os livros que a Censura proibira – ‘Subterrâneos da Liberdade’, de Jorge Amado, partilhando páginas com ‘O Caminho Fica Longe’, de Vergílio Ferreira.

Na noite de 17 de Maio 1964, no salão de festas da Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, José Afonso cantou para trabalhadores da indústria corticeira, camponeses, militantes do PCP na clandestinidade e um polícia pouco convicto. O apreço, mútuo, foi tal que, no fim do espectáculo, escreveu, numa folha de papel almaço, ‘Grândola, vila morena, terra da fraternidade’ – operária grandolense.

Ninguém sabe onde pára a folha com o poema original da canção que seria senha do 25 de Abril de 1974. ‘Desapareceu’, lamenta Maria José Pucarinho, professora de Música na escola secundária e actual presidente da colectividade, também conhecida por ‘Música Velha’, que José Afonso descreveu como ‘um local obscuro, quase sem estruturas, com uma biblioteca de evidentes objectivos revolucionários e uma disciplina aceite entre todos os membros, revelando já uma grande consciência e maturidade políticas’.

Os livros que faziam parte da biblioteca estão encaixotados. O salão onde naquela noite, há quase 45 anos, Zeca esboçou ‘Grândola’ está vazio. Esquecidas no chão ficaram folhas de pauta onde saltitam semicolcheias de mãos dadas. Já parou de chover lá fora. Há esperança de que a água cesse de correr cá dentro. Maria José Pucarinho não disfarça o desalento. ‘É uma pena. Temos a escola de música, com 72 alunos, a funcionar aos sábados na Universidade da Terceira Idade e a banda filarmónica, com 47 músicos, ensaia num antigo restaurante chinês.’ É assim há quase dois anos, desde que o edifício, um antigo hospital, construído no século XVII, encerrou para obras.

Nada e criada em Grândola, Maria José não conheceu pessoalmente José Afonso. Tinha oito anos quando se deu o 25 de Abril. ‘O meu pai estava em Marrocos. Eu tinha ficado com a minha mãe em casa. Lembro-me da euforia e do pânico dela. Não sabíamos o que ia acontecer a partir daí.’ Quando, de manhã, mãe e filha acordaram, o País insone já tinha ouvido ‘Grândola, vila morena, terra da fraternidade’. Passou às 02h00 no programa ‘Limite’, da Rádio Renascença. Era o sinal de arranque para as tropas revoltosas mais distantes de Lisboa. O golpe corria bem.

Na altura, Celso Nunes trabalhava como pintor em Paris, para onde emigrara em busca de melhor vida em 1964. ‘Fui à banca comprar jornais e soube do que tinha acontecido, talvez mesmo antes de muitos portugueses que aqui estavam.’ Regressou em 1979, ainda a tempo de conhecer o homem que celebrizara Grândola. ‘Encontrei-o em Évora e depois em Setúbal. Ele já estava doente.’ Tanto tempo depois, ouvir ‘Grândola’ continua a arrepiá-lo. ‘É diferente para nós, que sabemos porquê e para quem ele escreveu aquele poema’, emociona-se Celso, que voltou para reparar calçado num estabelecimento aberto na rua das lojas.

Há-de ser diferente também para Pedro Martins da Costa, de 66 anos, ex-vice-presidente da Câmara, que trouxe José Afonso à vila. ‘Em 1964, eu estava em Lisboa, na tropa, e como eu havia mais gente da Fraternidade Operária que lá estava. Reuníamos em tertúlia no café Gelo e no Martinho, não o da Arcada, um estabelecimento com bilhar que havia nos Restauradores.’ Entre o Gelo e o Martinho surgiu a ideia de convidar Carlos Paredes e José Afonso para um concerto. Escreveram-lhe para Faro, onde José Afonso era professor. ‘Em 1965 voltou e muitas vezes depois – gostava do convívio e do ambiente igualitário da colectividade. Tão igualitário, dizia ele, que não se percebia quem era o vogal e quem era o presidente.’

Na praça para onde se inclina a Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense existe actualmente um hotel de três estrelas, uma ludoteca e um centro de estética canina. Os tempos de fervor revolucionário parecem encontrar eco apenas no centro de trabalho do PCP, ameaçado de despejo, como reza uma faixa colocada a quase toda a largura.

Montado na sua bicicleta, com caixote de plástico atado atrás, Adriano António Damasceno está de visita à vila. ‘Moro numa fazenda lá em baixo, onde tenho um gadozinho e os meus canitos.’ O cantoneiro de limpeza reformado almoça todos os dias no refeitório da Câmara Municipal de Grândola. ‘Têm lá mulheres antigas a fazer o comer e eu gosto da comida antiga, com carne e couves’, explica, franzindo os olhos sob o boné de fazenda. Não lhe faltam as palavras, capazes de enfrentar o silêncio mantido pelo trio de idosos que, ao longo da tarde, se desloca lentamente atrás dos raios de Sol. ‘Há aqui muitos velhotes. Em algumas aldeias já só há antigos’, nota Adriano. Era nesses tempos – ‘antigos’ – que ‘a ‘Grândola’ se ouvia muito’. Hoje não. ‘Hoje só se ouvem os cantores modernos.’

Depois do 25 de Abril houve ocupação de herdades. Formaram-se cooperativas de produção – uma das quais corticeira, ligada à Reforma Agrária. Mas, mais do que camponeses, os grandolenses sempre foram comerciantes e operários corticeiros. É ainda evidente o peso do comércio, agora com um toque multicultural resultante da instalação de lojas de chineses. O futuro parece, contudo, escrito nas agências imobiliárias. ‘Agora é a indústria da construção civil que mais emprego dá’, observa Pedro Martins da Costa, que até há bem pouco tempo manteve aberta uma loja de relojoaria. Grândola está à espera dos grande empreendimentos imobiliários e turísticos que prometem fazer render a beleza da Costa Azul. Tróia (Grupo Sonae) é ali ao pé. O Carvalhal (Grupo Espírito Santo) não fica longe. Melides (grupo suíço Volkart) é a dois passos.

Fim de tarde em Grândola.Tocou para a saída. Pelo Jardim 1º de Maio, que já foi 28 de Maio, caminham jovens em grupos. Balançam os livros com despreocupação. Sara, aluna do 11º ano, já soube a história de ‘Grândola, Vila Morena’. ‘Era tipo código, uma coisa esquisita.’ Nem de propósito, passa perto o professor de História. Ela encolhe-se e brinca: ‘Ai se ele soubesse que eu já não me lembro…’ Mesmo sem saber exactamente o significado da canção, sente um certo orgulho pois é por causa dela que ‘o pessoal de Setúbal conhece Grândola’ e para lá ruma a fim de celebrar o 25 de Abril. De qualquer forma, do que Sara, franja morena e unhas vermelhas, mais gostava era que houvesse uma discoteca na vila que deu nome à canção. ‘Temos de ir a Alcácer ou a Santiago… só lá é que há discotecas.’ Em 1964, quando pela primeira vez lá esteve, José Afonso viu em cada esquina de Grândola um amigo e em cada rosto igualdade. Em Abril de 2009, Sara assume que só está desejando sair dali.

Isabel Ramos – Correio da Manhã

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ImprensaJúlio PereiraLuís Pastor
14/11/2008By AJA

Zeca Afonso recordado em debate sobre a música e a transição democrática em Madrid

Os 20 anos da morte de Zeca Afonso serviram segunda-feira à noite de pano de fundo para um debate em Madrid sobre o papel da música nas transições para a democracia em Portugal e Espanha.
O debate foi protagonizado, entre outros, pelos músicos Luis Pastor e Júlio Pereira.
Pastor, o musico espanhol que mais cantou Zeca Afonso – e que também se tornou famoso pela sua obra política e de intervenção – recordou que a maioria dos músicos e do publico espanhóis desconheceu, durante muitos anos, a obra do artista português.
“Havia muitos músicos e muitos artistas espanhóis que não conheciam Zeca Afonso e a sua obra. Na altura França, ou a América Latina eram maiores influências. Mas quem ouvia pela primeira vez, a lírica, a música, enamorava-se”, recordou.
“Acabou por ter um impacto tremendo tanto entre os músicos espanhóis como entre o público. E acabou por ser a porta de entrada para se conhecer outras vozes portuguesas da altura”, disse.
Hoje, explicou o musicólogo Pedro Calvo, ainda é impossível encontrar discos de Zeca Afonso nas lojas de música de Madrid, mas a música e a obra do músico português já são mais conhecidos.
“Foi um avançado do seu tempo. Que se fosse hoje seria reconhecido pelo seu papel na fusão de músicas do mundo, mais além do que o gigantesco papel que hoje já lhe é reconhecido”, frisou.
Para Pastor, numa “época em que a música começou a ser vista como uma arma” Zeca Afonso surge como referencial obrigatório “a nível, moral e de compromisso” tanto no espaço ibérico, como fora dele.
“Era um homem contra a corrente, mas que recuperava a canção popular, um professor, um pedagogo”, sublinhou.
“Tudo é redutor quando se fala de Zeca Afonso”, acrescentou o músico português Júlio Pereira, destacando a vontade de José Afonso de exportar o que era a cultura portuguesa para outros espaços.
Tanto Pastor como Pereira recordaram os últimos anos, difíceis, da vida de Zeca Afonso, tendo o músico espanhol recordado que alguns músicos se juntavam, semanalmente, num bar de Madrid, a tocar e a cantar obras do músico português para angariar dinheiro para lhe levar.
“Passou anos terríveis. No dia em que ele morreu, de 22 para 23, estávamos no bar Elige-me, como todas as segundas-feiras, a cantar músicas dele. Tínhamos ido a Portugal levar-lhe dinheiro 15 dias antes”, recordou Pastor.
Júlio Pereira – que produziu os últimos três álbuns de Zeca Afonso – disse que o mais estranho foi ver o músico “intelectualmente bem para trabalhar, mas sem voz e com o corpo a desaparecer”.
“Foi uma doença muito estranha. De um homem que foi muito mais do que músico, que conhecia e queria saber do mundo, que era genuinamente humano. Que gostava mais das pessoas que da música”, disse.
Para Luis Martin, comissário da Mostra Portuguesa e moderador do debate, Zeca Afonso acaba por ter uma transcendência “além de Portugal” tendo sido “um percursor da dita música do mundo” muito antes de nomes mais sonantes como Peter Gabriel, a terem internacionalizado.
João de Melo, conselheiro cultura da embaixada de Portugal em Madrid e ‘pai’ da Mostra Portuguesa, rematou o debate recordando a importância que Zeca Afonso teve na formação da consciência de todos os portugueses, tanto dentro como fora do mundo da música.
“Cada um de nós tem uma história pessoal com Zeca Afonso e hoje não me imagino a olhar para Portugal, para o que aconteceu nas últimas décadas, sem incluir Zeca Afonso”, disse.
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, que ficou conhecido como José Afonso ou Zeca Afonso, foi um dos mais importantes cultores do fado de Coimbra e tornou-se depois o maior símbolo da canção de intervenção contra o regime político que se vivia em Portugal.
Natural de Aveiro, onde nasceu em 1929, José Afonso morreu em Setúbal em 23 de Fevereiro de 1987, vítima de esclerose lateral amiotrófica.
Madrid, 11 Nov (Lusa)

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FotobiografiaImprensaIrene Pimentel
28/10/2008By AJA

Irene Pimentel vai lançar fotobiografia de Zeca Afonso

A historiadora Irene Pimentel, autora de várias obras sobre o século XX português, vai lançar até ao final do ano uma fotobiografia do cantor e compositor José Afonso, o que considerou “uma ousadia”.
“Eu comecei por estudar pessoas que não tinham nada a ver comigo”, afirmou em declarações à Lusa a investigadora, que acaba de publicar um livro sobre o inspector da PIDE Fernando Gouveia e também é autora de uma fotobiografia do cardeal Cerejeira.
Agora, a historiadora foi desafiada a fazer um trabalho sobre uma figura da cultura e a escolha recaiu em Zeca Afonso.
“Mas aí foi uma ousadia, porque eu conheci o Zeca Afonso, tenho os discos todos, ouvi a música dele, fui marcada por ela”, revelou.
Irene Pimentel considerou que Zeca Afonso “é uma figura altamente contraditória”.
“Isso fascinou-me”, confessou, sublinhando que era uma pessoa “muito individualista” e “muito marcada pelo surrealismo”.
A investigadora, que venceu o Prémio Pessoa em 2007, está também a trabalhar numa série documental sobre a PIDE, para a RTP, com Jacinto Godinho.
“Estamos na fase de entrevistas, sem preocupações com o tempo para que também fique em arquivo”, disse Irene Pimentel, que está também “à procura de pides”, convicta de que os mais importantes já desapareceram, mas alguns “agentes de segunda” ainda cá estão.

EO. | Lusa

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ImprensaRádio
31/08/2008By AJA

“Zeca em foco!” na História Devida da Antena 1

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DiscografiaImprensa
19/08/2008By AJA

Recortes

Um recorte do jornal “República” de 1973(?), sobre um recital que não aconteceu. Proibido pelo Governo Civil com a parceria activa da polícia de choque…

Também do jornal “República” de 1973, uma reclamação de Zeca Afonso sobre a qualidade da prensagem do vinil (LP), “Venham Mais Cinco”, hoje já editado em CD.
Retirado daqui

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Couple CoffeeImprensa
18/03/2008By AJA

Couple Coffee & Band em Faro

O grupo Couple Coffee & Band vai apresentar-se em Faro, nas instalações do CAPa (Centro de Artes Perfomativas do Algarve), nos próximos dias 28 e 29 de Março, a partir das 21h00.

Nascida por iniciativa de dois brasileiros residentes em Portugal, a cantora Luanda Cozetti e o baixista Norton Daiello, a banda recria o repertório de Zeca Afonso, conferindo-lhe um toque tropical, com arranjos surpreendentes.
Ao lado de temas pouco conhecidos surgem outros profusamente divulgados e verdadeiros hinos da música portuguesa, agora revestidos por uma roupagem musical inovadora, com arranjos contemporâneos que fazem alguns temas parecer inéditos, dadas as poucas semelhanças – à excepção da letra – com o original.
‘Co’as tamanquinhas do Zeca!’, gravado em 2007, é o mais recente trabalho do grupo, com Luanda e Norton a terem a colaboração de dois músicos conceituados, Sérgio Zurawski (guitarra) e Ruca Rebordão (percussão).

‘Maio, Maduro Maio’, ‘Vampiros’, ‘Canção de Embalar’, ‘Que Amor Não Me Engana’, ‘Canção do Mar’, ‘Sete Fadas Me Fadaram’ e ‘Com as Minhas Tamanquinhas’ são alguns dos temas incluídos no álbum, o segundo dos Couple Coffee.

A banda, criada em 2005, gravou um primeiro trabalho nesse ano, intitulado ‘Puro’, que inclui 16 temas clássicos da música brasileira. As gravações começaram no Rio de Janeiro e terminaram em Lisboa.

Neste trabalho, Luanda e Norton contaram com a colaboração de Vitorino, Jorge Palma, Gabriel Gomes (acordeonistas do Madredeus), Sérgio Costa (flautista) e J.P. Simões (Quinteto Tati).

‘Conversa de Botequim’, ‘Chovendo na Roseira’, ‘O Orvalho Vem Caindo’, ‘Gago Apaixonado’ e ‘Uva de Caminhão’ são alguns dos temas desse primeiro trabalho.
Armando Alves | Correio da Manhã

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ImprensaJacinta
17/03/2008By AJA

Jacinta canta José Afonso em Famalicão

Jacinta, já o sabemos, tem voz para toda a obra. O jazz é a casa do seu timbre quente, poderoso e aveludado, mas é uma casa sempre com janelas abertas para o que se passa lá fora. Em 2007, passaram 20 anos sobre a morte de Zeca Afonso e Jacinta prestou-lhe homenagem em “Convexo”. A digressão passa por Famalicão a 28.
Gravar temas de Zeca Afonso era um desejo antigo da cantora, que há muito vinha incluindo um ou outro tema nos alinhamentos. Depois de “Daydream”, chegara a altura certa. No meio de tantos tributos ao poeta-cantor da revolução, o projecto de Jacinta é uma refrescante e bem-vinda abordagem jazzística a canções como “Formiga no carreiro”, “A morte saiu à rua” ou “Cantigas de Maio”.
Nada menos seria de esperar daquela que é uma das melhores vozes femininas que o jazz nacional viu nascer. Recordemos que Jacinta foi a primeira portuguesa a integrar o valiosíssimo catálogo do selo Blue Note, com o disco “Tributo a Bessie Smith”.
PUBLICO.PT

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Arranjos instrumentaisImprensa
16/02/2008By AJA

Mário Laginha e Bernardo Sassetti apresentam “Grândolas”

Os músicos Mário Laginha e Bernardo Sassetti apresentam no próximo dia 23 de Fevereiro, no Cine-Teatro Louletano, o espectáculo ‘Grândolas’, no qual os dois pianistas juntam temas próprios originais a outros da autoria de José Afonso e recriados dentro de um estilo musical muito próprio.

A linguagem pessoal de Mário Laginha e Bernardo Sassetti é enriquecida com incursões improvisadas pelo amplo universo musical de José Afonso, numa viagem sonora de grande qualidade, que mistura subtileza, intimismo, energia e emoção a um rico quadro imaginativo, daí resultando um concerto de inegável interesse.

Mário Laginha e Bernardo Sassetti actuaram juntos pela primeira vez em Agosto de 1999, no Festival Jazz em Agosto, promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian. A recepção entusiástica do público levou a que os dois músicos passassem a encontrar-se em palco com alguma regularidade e em 2003 surgiu o primeiro registo discográfico, com o nome de ambos.

Os dois pianistas têm percursos diferenciados mas com múltiplos pontos de contacto, a começar pela circunstância de, tendo ambos formação clássica, desde bem cedo mostrarem uma grande atracção pelo mundo do jazz.

Mário Laginha mantém desde há vários anos uma forte ligação musical a Pedro Burmester e os dois gravaram o disco ‘Duetos’. É ainda sobejamente conhecida a cumplicidade de mais de uma década entre Laginha e Maria João, traduzida em oito trabalhos discográficos e concertos por todo o Mundo.

Com um último trabalho, ‘Indigo’, lançado em 2004, Bernardo Sassetti tem dedicado particular atenção, como compositor, à produção de trabalhos para filmes, como ‘The Talented Mr. Ripley’, de Anthony Minguella, ou ‘Facas e Anjos’, de Eduardo Guedes.

Armando Alves Correio da Manhã

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Cristina BrancoImprensa
23/01/2008By AJA

Entrevista a Cristina Branco no Blitz

A cantora Cristina Branco explica a razão de não se poder viver sem a música de Zeca Afonso.

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Associação José AfonsoImprensaTertúlias
21/01/2008By AJA

Tertúlias Associativas: Palhavã

“Maio Maduro”, “Maria Faia” e “Traz Outro Amigo Também” foram alguns dos temas de José Afonso interpretados pelo Grupo Cénico Palhavã, no sábado à noite, em mais um encontro das “Tertúlias Associativas”.

Cerca de 120 pessoas compareceram nesta iniciativa de homenagem a José Afonso, organizada pela Câmara Municipal, com a colaboração de colectividades, que decorreu, desta vez, no Clube Recreativo Palhavã.

O acordeonista Dimas, presente na sessão, recordou vivências com o músico, compositor e poeta, referindo-se a Zeca Afonso como “um grande amigo da cidade”.

As “Tertúlias Associativas” prosseguem no dia 16 de Fevereiro, às 21h30, no Centro Cultural e Desportivo Brejos de Azeitão.

Além da música e poesia, este ciclo dedicado a José Afonso conta com a exibição de dois documentários sobre o 25 de Abril.

O último encontro está marcado para 15 de Março, na Sociedade Musical Capricho Setubalense.

in Rostos

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Homenagens e tributos (música)ImprensaSteel Drumming
18/01/2008By AJA

Artigo do JN de ontem sobre o concerto de hoje dos Drumming em Espinho

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Imprensa
09/01/2008By AJA

‘Songbook’ de José Afonso à espera de autorização

O primeiro songbook com a transcrição das canções de José Afonso (a integral da obra gravada pelo músico) está finalizado, mas aguarda autorização da família para ser publicado há mais de três anos.

O livro, da autoria de José Mário Branco, João Loio, Guilhermino Monteiro e Octávio Fonseca, foi recusado por Zélia Afonso, viúva e detentora de 51% dos direitos sobre a obra de José Afonso, em Outubro de 2003, mas permanece nos planos da Campo das Letras, editora livreira associada ao projecto. José Mário Branco revelou ao DN que “o livro, planeado em conjunto com Jorge Araújo, da Campo das Letras, esteve para ser publicado a 25 de Abril de 2004”, edição nunca concretizada depois de Zélia Afonso ter comunicado a sua recusa ao colectivo responsável pela transcrição dos temas e à Sociedade Portuguesa de Autores. Quanto aos motivos para a recusa da publicação, José Mário Branco deixa as explicações para Zélia Afonso, que o DN tentou contactar sem sucesso até ao fecho desta edição.

O songbook de José Afonso é o primeiro de uma iniciativa que procura “recuperar a memória de música popular portuguesa”, diz-nos José Mário Branco. As obras de Adriano Correia de Oliveira, Carlos Paredes, Fausto e Sérgio Godinho fazem parte do mesmo projecto editorial. No entanto, José Mário Branco (que prepara também o seu próprio songbook) adianta que “nenhuma edição faz sentido sem o livro com as canções do Zeca. Ele tem que ser a nossa prioridade. Por isso, a preparação de todos esses títulos está, neste momento, em stand by”.

O músico e co-autor do songbook justifica a publicação do livro com a “necessidade de esclarecer uma nova geração sobre o legado de um nome fundamental”. Ao mesmo tempo, recorda discos de tributo e homenagem que vão surgindo no mercado – nomeadamente os que em 2007 assinalaram os 20 anos da morte de José Afonso – lembrando que são frequentes os erros: “Uma coisa é reinterpretar um tema. Outra é tentar recriá-lo e não o fazer de acordo com o método do seu autor. São falhas que acontecem naturalmente quando não há nenhum meio para que a informação seja transmitida da forma mais correcta.”

José Mário Branco questiona também a actual legislação sobre “o direito de autor póstumo”, recordando “o direito de uma comunidade sobre uma obra essencial ao seu crescimento cultural”

Tiago Pereira | Diário de Notícias | 9.1.08

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ExposiçõesImprensa
19/12/2007By AJA

Zeca nos Arcos

A Associação José Afonso apresenta na Casa das Artes dos Arcos de Valdevez uma exposição, até dia 7 de Janeiro, constituída por parte do espólio do cantor que o MC/Mundo da Canção conseguiu reunir.

A mostra intitulada ‘O que faz falta’ é constituída por parte do extenso espólio que a empresa editora, distribuidora de discos e promotora de concertos MC/Mundo da Canção, do Porto, foi juntando ao longo das últimas décadas.

Para ver há LP, CD, livros, brochuras, singles, vídeos, revistas, catálogos, fotos e recortes da imprensa nacional e estrangeira que ilustram o percurso de José Afonso, que coincide com a evolução de cerca de quatro décadas da música popular portuguesa.

A iniciativa, que conta com o apoio da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, é promovida conjuntamente pelo Núcleo do Norte da Associação José Afonso e pela a MC/Mundo da Canção.

Janine de Miguel | Correio da Manhã

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ImprensaJosé Mário Branco
07/12/2007By AJA

Homenagem ao músico e poeta Zeca Afonso no museu de Vila Franca de Xira

O Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, encheu-se para ouvir falar de Zeca Afonso. Alípio de Freitas e José Mário Branco evocaram o homem que lutou contra o regime através da música e da poesia.

“O Zeca não só é intemporal, como é, acima de tudo, universal. É um músico e um poeta extraordinário em qualquer lugar e em qualquer tempo deste mundo”. Foi com estas palavras que Alípio de Freitas recordou o eterno amigo Zeca Afonso. Emoção e saudade foram dois dos sentimentos presentes durante toda a sessão de homenagem a José Afonso que decorreu domingo, 2 de Dezembro, no auditório do museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, e que contou com a presença dos amigos Alípio de Freitas e José Mário Branco. Os 96 lugares do auditório foram poucos para todas as pessoas que quiseram ouvir falar do músico português.

Alípio de Freitas contou, perante uma plateia atenta e entusiasmada, o episódio que o levou a conhecer o grande músico e poeta Zeca Afonso. Alípio de Freitas, natural de Trás-os-Montes, foi vigário e emigrou para o Brasil no final da década de 50 onde foi sacerdote e professor universitário.

Devido à sua actividade revolucionária esteve preso duas vezes. Soube-se em Portugal através de uma carta que Alípio de Freitas conseguiu contrabandear do presídio onde se encontrava que havia, nessa altura, dois portugueses presos no Brasil. Zeca Afonso teve conhecimento desta carta e compôs uma música à qual deu o nome de “Alípio de Freitas” como forma de homenagear o português que também lutava pela liberdade no país irmão. Quando lhe contaram da música que José Afonso tinha feito, o sacerdote que estava preso em Santa Cruz não conhecia o cantor nem o seu trabalho. “Era muito difícil a informação de Portugal chegar ao Brasil naqueles tempos e ninguém me sabia dar indicações sobre o Zeca”, explica.

Depois deste episódio a vontade de conhecer Zeca Afonso cresceu. Assim que regressou a Portugal, em 1980, Alípio foi apresentando ao cantor e, segundo o sacerdote, a empatia foi imediata. “Quando conheci o Zeca tive a sensação que já o conhecia há muitos anos e ele sentiu o mesmo. Por isso, costumo dizer que não conheci o Zeca mas sim, reencontrei-o”, afirma.

Também José Mário Branco, cantor intervencionista, trabalhou e privou com Zeca Afonso enquanto autor de arranjos dos discos do falecido músico. A relação com Zeca foi mais próxima depois da Revolução do 25 de Abril. Antes de 1974, José Mário Branco esteve exilado em Paris por ser contra o regime ditatorial. O cantor recorda que, durante a gravação dos discos de Zeca, houve apenas uma vez um pequeno desacordo entre ambos. “O Zeca não concordava com os arranjos musicais que eu tinha feito para a canção “Maio, maduro Maio”. Achava estranho e não tinha a certeza se iria funcionar com o público. Disse-lhe que a música ia ficar assim e que dali a dez anos conversávamos sobre o assunto. A música foi um sucesso e nunca mais falamos nisso até que, uma década depois, o Zeca veio ter comigo e deu-me razão”, recorda, divertido.

José Mário Branco lamenta não existir um único livro com as melodias e acordes do “mestre” para as gerações mais novas aprenderem como é que Zeca Afonso cantou e tocou as suas músicas. “É inadmissível que o livro não esteja à venda. Está feito há cerca de quatro anos mas não foi autorizado a ser publicado”, assegura.

Por: Ana Isabel Borrego | O Mirante

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ExposiçõesImprensa
15/11/2007By AJA

José Afonso na exposição «O que faz falta» em Arcos de Valdevez

A exposição, intitulada O que faz Falta (parafraseando um dos mais conhecidos temas de José Afonso) é constituída por parte do extenso espólio que empresa editora, distribuidora de discos e promotora de concertos MC/Mundo da Canção, do Porto, reuniu ao longo das últimas décadas.

A mostra é constituída por LP’s, CD’s, livros, brochuras, singles, vídeos, revistas, catálogos, fotos e recortes da imprensa nacional e estrangeira que ilustram o percurso de José Afonso que coincide com a evolução de quatro décadas da música popular portuguesa.

A exposição, que conta com o apoio da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, é promovida conjuntamente pelo Núcleo do Norte da Associação José Afonso e pela a MC/Mundo da Canção.

Os organizadores desta iniciativa afirmaram a disponibilidade para levar esta exposição «pelo país fora, de forma a dar a conhecer um pouco mais da realidade e da história portuguesa, contada através da música, das canções e da vida de um dos maiores vultos da música portuguesa»

Lusa/SOL

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Cristina BrancoImprensa
05/11/2007By AJA

”Abril” de Cristina Branco recria temas de Zeca Afonso

Cristina Branco define o seu novo álbum, “Abril”, a editar hoje como “uma perspectiva feminina de José Afonso, que não procura trazer nada de novo e apenas lembrar”.
Este álbum, constituído exclusivamente por temas do repertório de José Afonso, surge depois de um ciclo de espectáculos que Cristina Branco realizou este ano no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, em Lisboa. “Vim para estúdio mais amadurecida e experimentada nos temas que têm arranjos do Ricardo Dias mas em que afinal todos os músicos participaram. “Canto Zeca Afonso pelo ideal que representa de humanidade, simplicidade e pela qualidade do seu trabalho”, disse a cantora. “Qualquer músico tem de, obrigatoriamente, passar por Zeca Afonso e reflectir sobre aquilo que ele nos deixou”, acrescentou. Um trabalho idêntico ao que realizou sobre Amália Rodrigues, com o facto de a música de José Afonso a ter acompanhado desde sempre, disse. A escolha das músicas “não será a mais óbvia” afirmou a cantora, todavia em “Abril” encontramos temas emblemáticos de Zeca, como
“Menino d’Oiro” ou “Venham mais cinco”. No total são 16 canções, abrindo o álbum com “Menino d’Oiro” e encerrando com “Chamaram-me cigano”, passando por “Redondo vocábulo” de que Cristina tinha já feito uma recriação num álbum anterior, “A morte saiu à rua” ou “Índios da Meia Praia”.
Primeiro de Janeiro

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AJA NorteHomenagens e tributos (2008)Imprensa
11/09/2007By AJA

Tributo a um poeta da música

«Cores para José Afonso – Tributo a um poeta da música» é o título da exposição que hoje inaugura, na Árvore, pelas 22h00. Uma iniciativa da Árvore – Cooperativa de Actividades Artísticas e a Associação José Afonso, por intermédio do seu núcleo do Norte.
«Cores para José Afonso» é a “nossa lembrança a um homem que escreveu e cantou o seu mundo: o mundo que viu de Caxias, o mundo que viu nos lugares por onde passou, o mundo resultante da reflexão solitária e solidária sobre a vida do seu tempo”, lê-se no comunicado enviado à imprensa pela organização.
Poeta, andarilho, músico, cantor, homem de intervenção cívica, José Afonso nunca deixou que o tempo e a história lhe passassem ao lado.
Nascido a 2 de Agosto de 1929 em Aveiro, José Afonso voou para outras paragens a 23 de Fevereiro de 1987 “levando em si todos os sonhos e todas as utopias que, vinte anos depois, são ainda tão necessários e tão urgentes”, lê-se mais à frente no mesmo comunicado.
Das suas andanças por África, Portugal, Galiza e por muitas outras partes do mundo fica-nos a sua obra: vinte e oito discos de originais, mais de cento e vinte e cinco títulos gravados a par da sua imensa poesia não musicada.
A exposição pode ser visitada de segunda a sexta-feira, entre as 9h00 e as 20h00. Aos sábados entre as 15h00 e as 19h00. Nos dias em que as actividades o justifiquem funciona até às 23h30 Encerra aos domingos e feriados.
A inauguração conta com intervenção musical «Canções do Zeca» e, no dia de encerramento, a 25, terá lugar um leilão das obras expostas, pelas 22h00.

O Primeiro de Janeiro

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Homenagens e tributos (2007)Imprensa
15/08/2007By AJA

“Festanima” conta com um tributo a Zeca Afonso

“Festanima” – Setúbal – 5.ª edição

Catorze colectividades da freguesia de S. Sebastião participam, entre 31 de Agosto e 9 de Setembro, na Avenida Belo Horizonte, no Bairro Santos Nicolau, na 5.ª edição da Festanima, certame apresentado esta tarde em conferência de imprensa.

No encontro com jornalistas, realizado no Gabinete de Apoio ao Empresário, nas Escarpas Santos Nicolau, foi apresentado o programa de animação do evento promovido, com apoio da Câmara Municipal, e que este ano está orçado em cerca de 16 mil euros.

O vereador Rui Higino referiu que a Festanima “que já tem uma enorme envergadura, atestada pelos 100 mil visitantes da edição anterior, é uma festa do povo e para o povo”.

O autarca salientou o apoio logístico da Câmara Municipal a este tipo de eventos, por vezes não visível mas que custam milhares de euros aos cofres da Autarquia. “Nos primeiros sete meses deste ano já apoiámos 162 iniciativas. Isto corresponde a cerca de 300 montagens e desmontagens de palcos e pavilhões”.

O presidente da Junta de Freguesia de S. Sebastião, Carlos de Almeida, acredita que este vai ser o ano de transição da Festanima. “Estamos a um passo de passar de uma festa do movimento associativo para uma festa urbana, uma festa que apresenta como oferta o que de melhor existe em termos de recursos em Setúbal”, afirmou.

A paisagem que os visitantes da Festanima podem desfrutar, o movimento associativo da freguesia e as pessoas dos bairros Santos Nicolau e da Conceição, “que tão bem sabem receber os visitantes”, são, segundo Carlos de Almeida, alguns dos principais recursos que o certame tem para oferecer.

O reforço da iluminação e da componente festiva são uma realidade nesta edição da Festanima que termina, no dia 9 de Setembro, com uma homenagem a José Afonso.

“Temos um orgulho enorme que esta freguesia onde nasceu Bocage sirva também de leito ao repouso eterno do Zeca. Por isso faz todo o sentido, 20 anos após a sua morte, homenageá-lo”, sublinhou Carlos de Almeida.

O recinto da festa abre às 19h00, de segunda a sexta-feira, enquanto ao fim-de-semana, a abertura dá-se às 13h00. No que respeita ao fecho, as portas do certame fecham às 01h00, de segunda a quinta-feira e aos domingos, e às 03h00, nas sextas-feiras e aos sábados.

O coordenador da Comissão Organizadora da 5.ª Festanima, Agostinho Madaleno, fez a apresentação do programa de animação do recinto, que começa no dia 31, às 21h15, com a actuação da Banda Matos Galamba, seguindo-se a artista Nikita e um baile. No dia seguinte, os Star Dance actuam a partir das 20h00 e uma hora depois sobe a palco Alex. A finalizar há novo baile.
No dia 2 de Setembro a animação está a cargo de José Ângelo, enquanto os Irmãos Cabanas animam um baile no dia 3 e Luís Portela actua a 4.
Fernando Correia Marques canta no dia 5, Jorge Nice Show dá espectáculo no dia 6 e a 7 actuam as madrinhas das marchas populares de Setúbal, seguidas de baile com os Irmãos Cabanas.
No penúltimo dia do certame há demonstrações de ginástica com uma classe do ginásio Multigym, segue-se um espectáculo com Quinzinho de Portugal e a finalizar a noite tocam Los Cubanitos.
O encerramento da Festanima conta um tributo a Zeca Afonso, às 22h00, e fogo-de-artifício, às 24h00.
A comissão organizadora é constituída pelos grupos desportivos Selsa, Independente e da Che Setúbal, pelo Núcleo de Amigos do Bairro Santos Nicolau e pela Associação Recreativa, Cultural e Desportiva 2 de Abril.
Além daquelas colectividades, participam no certame o União Futebol Comércio e Indústria, o Grupo Desportivo e Recreativo do Bairro da Liberdade, a Associação Cristã da Mocidade, o Clube Desportivo e Cultural “Os Verdes”, o Agrupamento de Escuteiros n.º 117, a Associação Cabo-Verdiana de Setúbal, o S. Domingos Futebol Clube, a Sociedade Musical e Recreativa União Setubalense e o Grupo Desportivo “Os Amarelos”.
in Rostos online

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CoimbraImprensa
30/07/2007By AJA

“José Afonso e Coimbra” na Casa Municipal da Cultura de Coimbra

A Galeria Ferrer Correia, da Casa Municipal da Cultura acolhe, a partir do próximo dia 2, uma exposição fotográfica e biodiscográfica evocativa de José Afonso.
O período evocado na mostra que será inagurada quinta-feira, pelas 18H30, compreende o tempo em que Zeca Afonso esteve em Coimbra, quer como estudante do liceu e da Faculdade de Letras, quer como cantor, autor e compositor musicalmente ligado aos sons matricialmente identificáveis com a canção de Coimbra.
José Afonso nasceu em Aveiro, a 2 de Agosto de 1929, e faleceu em Setúbal, a 23 de Fevereiro de 1987, com 57 anos de idade.
Chegou a Coimbra em 1940 para frequentar o ensino liceal e, no ano lectivo de 1949/50, matriculou-se na Universidade de Coimbra, vindo a licenciar-se em Histórico-filosóficas, em 3 de Novembro de 1961.
Começou a cantar ainda estudante de liceu e, em 1953, gravou os seus dois primeiros discos de 78 rpm para a editora “Alvorada”.
Depois de algumas gravações de temas mais tradicionais de Coimbra revitaliza, a partir de 1961, a Balada como género musical ligado à Canção Coimbrã.
É com o viola Rui Pato que grava a sua fase mais lírica das baladas, embora surja, em 1963, o seu primeiro tema de forte intervenção musical, “Menino do Bairro Negro”. Até 1969, gravou sempre acompanhado por Rui Pato.
É este período que agora será alvo de evocação por vários núcleos de serviços que compõem a Biblioteca Municipal de Coimbra. A exposição vai estar patente até ao dia 8 de Setembro, de segunda a sexta-feira, entre as 09H00 e as 18H30.

Retirado do Diário “As Beiras”

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Associação José AfonsoImprensa
22/07/2007By AJA

Associação José Afonso em Setúbal – Câmara Municipal aprovou texto de Protocolo

A Câmara Municipal aprovou, ontem, em reunião pública, o texto de um protocolo a celebrar com a Associação José Afonso (AJA), visando o “apoio ao desenvolvimento da actividade cultural permanente” da colectividade.

Entre o apoio conta-se a cedência, gratuita, das instalações, na Rua de Damão, em Setúbal, para sede da AJA e a colaboração na “promoção das actividades e eventos organizados” pela Associação.

A AJA, em contrapartida, compromete-se, “sem qualquer encargo para a Câmara”, a participar, anualmente, em, “pelo menos, uma actividade de natureza cultural promovida” pelo Município, “desde que enquadrada com os objectivos e missão da associação”.

A AJA fica, também, obrigada a disponibilizar as suas instalações à Autarquia, de “forma gratuita”, “tendo em vista a promoção e realização de iniciativas de carácter formativo/informativo destinadas à comunidade, sem prejuízo das actividades” da associação.

A associação tem, igualmente, de “fazer referência ao apoio” da Câmara e inserir o logotipo da Autarquia em “todos os materiais de promoção e divulgação que venha a editar”.

A AJA compromete-se, ainda, a apresentar, no início de cada ano, o Plano de Actividades e o Orçamento Anual e, até 31 de Janeiro, o Relatório de Contas referente ao ano anterior.

in Rostos on-line

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Homenagens e tributos (música)ImprensaTerra do Zeca
27/06/2007By AJA

Cantoras de várias áreas interpretam José Afonso

Zaccaria promove projecto “Terra d’Água”

O Teatro da Luz recebe quinta-feira o projecto “Terra d’Água”, que une diversas vozes para cantar músicas de Zeca Afonso.
A proposta do músico Davide Zaccaria que idealizou as músicas de José Afonso como ponto de encontro de cantoras de áreas diferentes e “retirando-lhe a simbologia política” é apresentado quinta-feira, no Teatro da Luz, em Lisboa. O projecto intitula-se “Terra d’Água” e, sábado, é novamente apresentado na renovada Praça de Toiros de Évora. Algumas das cantoras escolhidas para interpretar os temas de José Afonso são Dulce Pontes, Filipa Pais, Lúcia Moniz e Maria Anadon e Uxía. Davide Zaccaria, explicou à Lusa que “este é um tributo ao músico e poeta que foi José Afonso, sem mais, retirando-lhe a simbologia política”. Para Zaccaria, recriar o repertório do autor de “Grândola, vila morena”, foi “relativamente fácil” por estar já habituado a ele e “corresponder a uma paixão”. “Tenho tocado e feito arranjos para canções do Zeca, quer com o meu grupo, quer com Dulce Pontes, até neste seu recente trabalho”, assinalou à Lusa. O projecto completa-se com os músicos Filipe Lucas, à guitarra portuguesa, Jaume Pradas, na percussão, Nuno Oliveira, no baixo acústico, Victor Zamora, ao piano eléctrico, e José Soares, à guitarra clássica. A 17 de Julho, o projecto será apresentado em Roma, no âmbito do Festival Sete Sóis Sete Luas.

http://www.rollsrock.com/terra_d_agua/
Diário XXI

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Imprensa
31/05/2007By AJA

Monsanto recupera a Casa Zeca Afonso

Vinte anos depois da morte de Zeca Afonso, a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, no distrito de Castelo Branco, e a Associação José Afonso querem cumprir aquilo que o cantor não conseguiu fazer em vida: recuperar a casa, que ele em tempos ali comprara.

O autor de “Grândola Vila Morena” chegou a comprar uma casa na aldeia mais portuguesa de Portugal, um espaço que nunca conseguiu recuperar. É esse fim que as duas entidades querem agora levar a bom porto criando em Monsanto aquilo que poderá ser uma casa-museu dedicada ao cantor.
Ao que se sabe, a casa foi comprada por Zeca Afonso, mas este nunca chegou a fazer o registo para o seu nome. Agora as duas entidades querem não só legalizar a situação, para a qual devem contar com o aval da família que ainda é proprietária do imóvel, como recuperá-la e torná-la num espaço ligado ao cantor e autor. O caminho mais provável deverá ser a criação de uma pequena casa-museu.
Helena Carmo, da Associação José Afonso , recorda que “a Sr.ª do Almortão era cantada frequentemente pelo José Afonso”. E a ideia de comprar uma casa em Monsanto é um sinal “do seu agrado em aqui estar” mas também a necessidade de ali “encontrar um ponto de inspiração, de descanso” diz Helena Carmo. Por isso, a associação saúda “a disponibilidade da Câmara Municipal e agarramos a ideia com ambas as mãos”.

José Furtado/www.reconquista.pt

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Imprensa
20/05/2007By AJA

José Afonso, cantares de um andarilho

Texto de Augusto M. Seabra publicado no “Expresso” a 29 de Janeiro de 1983, dia do último concerto de José Afonso, no Coliseu dos Recreios de Lisboa.

O concerto de José Afonso, hoje, no Coliseu, é um acontecimento excepcional. Um acontecimento que no entanto deve ser tratado nos seus exactos termos, isto é, dum músico, poeta e cantor que, finalmente, se apresenta num concerto pensado como tal.
Por si só, o atraso com que este concerto se verifica é sintomático dalgumas das contradições que pesam sobre José Afonso, sobretudo o sobrevalorizar da componente política “de protesto”, “de intervenção”, sobre os aspectos poético-musicais.
Ele foi (é) de facto, um símbolo de transformações na canção e mesmo – pela associação entre o seu tema “Grândola, Vila Morena” e o 25 de Abril no processo histórico-político; a opção de se ligat fundamentalmente a certas tendências e lutas foi sua. Em nenhum caso se poderá no entanto esquecer o dado primeiro: ele não teria uma tal importância se não fosse o músico que é.
Ao olhar principalmente para o passado discográfico de José Afonso não pretendo reduzi-lo a um valor ultrapassado, mas sim analisar sinteticamente aquilo que o distingue. Se opto por abordar fundamentalmente o período anterior ao 25 de Abril, é porque creio que apesar dalguns temas (por exemplo, “Teresa Torga” do álbum ComAs Minhas Tamanquinhas), ou da opção possível que era o lado A do álbum Fura, Fura (integralmente preenchido com as canções que fez para o espectáculo Zé do Telhado da Barraca), não só há posteriormente uma certa indefinição da sua obra, como ela foi afectada por problemas técnicos e contratuais que não são da sua responsabilidade.

DO FADO À BALADA

Começou ele no fado de Coimbra (como nos recordaria o disco que, inesperadamente talvez, gravou em 1981), ou seja, numa tradição musical urbana perfeitamente circunscrita, o que é caso raro, já que por definição aquele tipo de tradições tende a miscigenar-se.
A especificidade do fado talvez explique algo do percurso singular que seria posteriormente o de José Afonso. Num dos mais belos discos portugueses que conheço, Baladas e Canções (de 1967), ele estava ainda dependente do fado – sobretudo no estilo vocal- e ao mesmo tempo já para além dele, num espírito algo trovadoresco em que o lirismo melódico dominava, mormente em temas como “Canção Longe, Os Bravos e Trovas Antigas”.
Era ainda, como era apresentado, o Dr. José Afonso (com tudo o que isso tem de coimbrão), que se encontrava com o que seria durante muito tempo o seu companheiro na viola, Rui Pato.
Dessa altura e dos anos seguintes, fica-nos sobretudo um José Afonso “cantor de protesto” (“Os Vampiros”, “Menino do Bairro Negro”) ou ainda muito ligado a Coimbra (“Menino de Ouro”), que foi progressivamente incluindo no seu repertório canções populares rurais. Entre a produção desse período, registada sobretudo em EP”s, um tema como “Canção do Mar”, é no entanto já revelador, quer no aspecto vocal, quer no instrumental, duma consciência de que a ideia poética se concretiza também no tratamento musical.
O José Afonso que mais directamente conhecemos é no entanto o que surge em finais dos anos 60, e quando do contrato com a etiqueta Orfeu, numa série de álbuns iniciados com Cantares do Andarilho. A voz está mais segura, encorpada, e sobretudo há um notável recriar (por vezes, em autênticas paráfrases) de linhas melódicas tradicionais. Nos sete álbuns editados durante esse período, até Coro dos Tribunais (publicado já após o 25 de Abril, mas que conclui o período), creio que se podem distinguir fundamentalmente duas faces:
a) Uma, directamente iniciada com Cantares do Andarilho, prossegue nos álbuns seguintes, Contos Velhos, Rumos Novos e Traz Outro Amigo Também – embora neste, Carlos Correia (Bóris) substitua Rui Pato na viola, alteração relativamente importante – e é retomada mais tarde, já após Cantigas do Maio, em Eu Vou Ser Como a Toupeira.
b) A outra concentra-se fundamentalmente nos dois álbuns com arranjos de José Mário Branco, Cantigas do Maio e Venham mais Cinco, e prossegue ainda no trabalho com Fausto em Coro dos Tribunais.

TRADIÇÕES POPULARES

A diferenciação não é absoluta porque alguns dos temas dos discos da primeira faceta ligam-se estreitamente à segunda, mas creio que é pertinente sobretudo se se atender a que a simplicidade melódica dominante da primeira é substituída na segunda por uma certa luxúria e invenção sonora, ligadas a diferentes características poéticas.
Digamos que a primeira faceta é ainda e sobretudo um prolongamento da balada, com um encontro directo com tradições populares, e expressa-se sobretudo em temas como “Natal dos Simples”, “Tecto na Montanha” e “Vejam Bem” (todos de Cantares do Andarilho), num hino como “Canto Moço”, no belíssimo tema que é “Traz Outro Amigo Também” (ambos do álbum com o título do último). Um caso à parte é “A Morte Saiu à Rua”, de Eu Vou Ser Como A Toupeira. Caso à parte porque, suponho, só o facto de José Afonso ter sido escolhido, por leitores dum jornal (o Diário de Lisboa) como representante de Portugal num Festival da Canção (do Rio de Janeiro) e ter escolhido apresentar-se com essa canção, permitiu a sua posterior gravação. Caso à parte porque, sendo uma das mais liminares “canções de protesto” (é uma homenagem a José Dias Coelho, militante comunista assassinado pela PIDE, com uma simbologia tradicional – “a foice duma ceifeira”, “o som da bigorna”), sobreleva todas as outras na sua qualidade musical.

O DISCO MAIOR

Creio ser no entanto na outra faceta, e no que a ela se liga, que se encontra o mais original José Afonso. Será de recordar os discos que a assinalam.
Cantigas do Maio é evidentemente o disco maior e que melhor sintetiza o músico (ocorre-me que há uns anos, quando o disco foi votado por críticos como o melhor álbum português de sempre, José Afonso reagiu algo mal, falando em que isso seria social-democrata – não percebo porque é que o seria uma tal constatação da qualidade musical, a não ser como elogio à social-democracia, o que não era evidentemente o objectivo).
Se exceptuarmos “Mulher da Erva” (de forçado bucolismo), todos os temas são notáveis. A componente política combina-se com um excepcional trabalho vocal em “Cantar Alentejano”, com a fraternidade coral em “Grândola, Vila Morena”. “Milho Verde” prossegue o reportório de temas populares, ligando-se a “Cantigas do Maio” que, com “Maio, Maduro Maio” e “Coro da Primavera” representam uma vertente sempre importante na obra de José Afonso, o do retomar simbólico do ciclo natural das estações. Propositadamente, deixo de fora, por enquanto, “Senhor Arcanjo” e “Ronda das Mafarricas”.

IMAGINÁRIO DO ABSURDO

É que penso que essas duas canções, como aliás outras anteriores, sobretudo a titular de Cantares do Andarilho e ainda “Sete Fadas Me Fadaram” e “O Avô Cavernoso” (de Eu Vou Ser Como a Toupeira), e outras posteriores, como “Tenho Um Primo Convexo” e “A Presença das Formigas” (de Coro dos Tribunais), se ligam directamente com o que me parece o álbum mais pessoal de José Afonso, Venham Mais Cinco, constituindo o que ele tem, musical e poeticamente, de mais original, e muitas vezes, de esquecido.
Originalidade que se revela na excepcional adequação entre os poemas de António Quadros (Pintor), poemas mágicos de bruxas e fadas, em que está latente a sombra dum imaginário africano, entre esses poemas, e a forma como José Afonso os musicou – é “Cantares do Andarilho”, é “Ronda das Mafarricas”, é “Sete Fadas Me Fadaram”.
Essa adequação liga-se directamente com características importantes nos próprios poemas de José Afonso e nas suas músicas. Neles se manifesta um imaginário do absurdo, do “non-sense” algo surreal, com constantes referências animalísticas, antropofágicas, físicas e matemáticas. São poemas como: “Senhor Arcanjo/Vamos jantar/Caem os Anjos/Num alguidar/Hibernam tíbias/Suspiram rãs/ Comem orquídeas/Nas barbacãs”, “Era um redondo vocábulo/Uma soma agreste/Revelavam-se ondas/Em maninhos dedos” (“Era um redondo vocábulo”, seguramente uma das suas mais belas e inventivas canções); “Tenho um primo convexo/Fadado para amnistias/Em torno de ele nadam/ Plantas carnívoras/Agitando como plumas/ As cordas violáceas”; “A presença das formigas/Nesta oficina caseira/A regra de três composta/Às tantas da madrugada”.
Musicalmente, este imaginário afirma-se na fusão entre a inventiva melódica e o recurso, mais rímbrico que rítmico, a percussões africanas e brasileiras, numa capacidade de criação de ambientes sonoros que chega a recorrer apenas a sons isolados como envolventes (não suportes) da linha melódica da voz (“O Avô Cavernoso”) – são cantares do andarilho.
Mas, ainda de Venham Mais Cinco, não podem deixar de se referir dois temas excepcionais, “Que Amor Não Me Engana”, que o acompanhamento de harpa, flauta e violoncelo, envolve como que uma “canção de concerto”, e “Se Voaras Mais ao Perto”, espantoso tema trovadoresco, inclusive na forma como a voz tende ao falsete.
Se táo múltiplas referências musicais exteriores se podem encontrar assim na obra de José Afonso, adoptadas de forma muito pessoal, é porque ele nunca deixou de se interessar pela multiplicidade das músicas.
O meu contado pessoal com ele, por exemplo, passa por não sei quantos concertos de jazz, ou pelas manifestações de música contemporânea para as quais, há uns dez anos, tantas vezes fiquei encarregue de o avisar, telefonando para Setúbal: na Gulbenkian, iam executar uma obra de Xenakis, de Penderecki, de Stockhausen…
Com tanto atraso, temos esta noite a oportunidade de nos lembrarmos desta simples evidência – José Afonso é um grande músico.

Augusto M. Seabra

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DocumentáriosImprensa
22/04/2007By AJA

Novo documentário sobre José Afonso

RTP 1 acompanha comemorações relativas à Revolução dos Cravos. Zeca Afonso terá gala de homenagem.

A RTP 1 vai acompanhar as celebrações do 25 Abril através de vários especiais em directo, uma gala de homenagem a Zeca Afonso e um documentário sobre o cantor de intervenção. Logo às 00h00 de quarta-feira é emitida a gala ‘Sempre Abril’, uma co-produção entre a RTP e a TV Galiza apresentada por Sílvia Alberto e Carlos Blanco, que reúne grandes nomes da música galega e vozes portuguesas. Dulce Pontes, Vitorino, João Afonso – sobrinho de Zeca Afonso – e os Cantadores do Redondo são alguns dos intérpretes que prestam homenagem ao autor de ‘Grândola Vila Morena’. Apontamentos de humor e depoimentos inéditos daqueles que conviveram com o músico marcarão a homenagem. A gala ‘Sempre Abril’ repete-se na RTP 2 no mesmo dia, mas às 15h00. Durante a madrugada, a RTP 1 transmite os documentários ‘Antes e Depois do Adeus’ e ‘A Preto e Branco e a Cores’, duas produções de 2004 que, recorrendo a imagens do arquivo da estação pública, estabelecem a comparação entre a vida antes e depois da revolução.

‘Vida de Abril’, uma reportagem que procura demonstrar os receios e as esperanças de quem viveu o 25 de Abril através da história de cinco pessoas marcadas pela Revolução de 1974, vai para o ar na quarta-feira de manhã, pelas 10h00. Como era a vida antes do 25 de Abril, como foi vista a queda do regime e como se ultrapassaram os últimos 30 anos são as perguntas a que os intervenientes irão dar resposta. Às 11h00 tem início a transmissão da ‘Sessão Solene do 25 de Abril’, a partir da Assembleia da República, que contará com a presença de Cavaco Silva e José Sócrates.

O magazine ‘Só Visto’ terá também uma emissão especial dedicada à efeméride a partir das 14h15 enquanto às 16h30 é exibido o filme escrito e realizado por Maria de Medeiros e protagonizado por Joaquim de Almeida, ‘Capitães de Abril’. À noite, é a vez de José Carlos Malato celebrar a Revolução dos Cravos numa edição especial do concurso ‘Um Contra Todos’ onde o teor das perguntas estará relacionado com o 33.º aniversário do 25 de Abril.

NÃO ME OBRIGUEM A VIR PARA A RUA GRITAR: ZECA AFONSO (RTP 1, 17h45)

A Subfilmes produziu um documentário centrado na figura de Zeca Afonso destinado ao público mais jovem, mas não só. Por isso, a produtora convidou vários artistas contemporâneos para criarem uma obra de arte especialmente para o músico – um filme, uma música, um desenho, uma animação. Será esse o tributo de cada um desses artistas. Além disso, foram gravadas várias tertúlias, cuja conversa gira à volta da importância de Zeca Afonso enquanto músico e activista, mas principalmente à volta da figura humana que foi e da actualidade da mensagem que procurou passar à sociedade nas suas canções de intervenção.

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Homenagens e tributos (dança)Imprensa
22/04/2007By AJA

Dança: CDL homenageia José Afonso com estreia nacional

O Teatro Micaelense, na cidade de Ponta Delgada, vai receber terça-feira a estreia nacional de um espectáculo da Companhia de Dança de Lisboa (CDL), que pretende homenagear José Afonso, no vigésimo aniversário da sua morte.
Intitulado «Na abertura do Horizonte – a cidade da utopia», o espectáculo da CDL vai levar ao palco sete bailarinos, num projecto artístico e de desenho de luzes de José Manuel Oliveira.

Com coreografia e encenação de César Moniz e figurinos de Jean Laffront, o espectáculo de dança, também dedicado a Agostinho da Silva, terá uma banda sonora composta por temas de José Afonso, Filhos da Madrugada, Carlos Paredes, Kronos Quartet e Rodrigo Leão.

Segundo a CDL, este espectáculo teve a sua antestreia em Compostela, em 2000, integrado na Capital Europeia da Cultura.

De acordo com o Teatro Micaelense, o espectáculo, agendado para a véspera de 25 de Abril, pretende homenagear José Afonso, enquanto poeta, músico, intérprete e interventor, e pretende «dar a conhecer aos mais jovens alguém de primordial importância no plano político- cultural» do país.

Para complementar a sua apresentação nos Açores, a CDL vai promover diversas actividades dirigidas ao público escolar e às escolas de dança da ilha de São Miguel.

Para domingo e segunda-feira, está previsto um workshop de dança destinado a crianças maiores de três anos, enquanto que a tarde de terça-feira será preenchida com um espectáculo para as escolas.

Fundada em 1984 por Rui Horta e José Manuel Oliveira, seu actual director, a Companhia de Dança de Lisboa tem como objectivo a divulgação desta arte, apostando ainda na formação de intérpretes e de público, a par da criação e produção de coreografias, apresentadas em cerca de 200 espectáculos.

Diário Digital / Lusa

20-04-2007

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Gala Homenaxe Zeca AfonsoHomenagens e tributos (2007)Imprensa
15/04/2007By AJA

‘Gala Homenaxe’ a Zeca uniu Galiza a Portugal

Doente, Suso Iglesias, director da TV Galiza, não pôde entoar Grândola, Vila Morena com os artistas e os 700 convidados que encheram o Paço da Cultura de Pontevedra. Foi o corolário da homenagem a José Afonso que, um dia, Suso Iglesias idealizou. Até porque, a tocar gaita, acompanhou pela Europa o cantor português, seu amigo de alegranças e de-sesperanças.Mentor desta grande co-produção TV Galiza-RTP, Suso Iglesias tem razão para cantar vitória. À Gala Homenaxe, a ser transmitida por ambos os canais ibéricos no próximo dia 24, não faltou sentimento. Tão-pouco ritmo, variedade, raízes. Afinal, tudo fruto de uma criteriosa forma de construir a festa. Uma viagem por memórias, testemunhos, trovas, canções de combate, poesia galaico-portuguesa. Uma ponte entre culturas. Vitorino, Luís Pastor, Faltriqueira, Xico de Cariño e Manecas Costa. Treixadura, Victor Coyote e Jon Luz. João Afonso, Uxia, Júlio Pereira. Dulce Pontes, Zeca Medeiros. E Miro Casabella, Tito Paris, Irmãos Salomé. E Anton Reixa e Janita. O elixir da eterna juventude em palco também com Sérgio Godinho.Público e cantores, uma constante simbiose. Palmas e cravos. Grândola entoada de pé. E, ufano, Xose Rei, director de produção: “Encontrámos grande disponibilidade de todos os artistas e da RTP.” No dizer de Janita, “um espectáculo fresco”.Logo à entrada do salão, um opúsculo bem concebido sobre Zeca, Sempre Abril, Sempre, era oferecido aos convidados, jovens, de meia- -idade, idosos alguns, tendo no meio das folhas um cravo vermelho. Estava dado o mote. A ligação de Zeca ao 25 de Abril tornava-se óbvia.Alegria nos bastidoresÀ margem da ribalta, nos chamados camarins, o convívio, as mesas postas e… venham mais cinco. Os últimos preparativos. No ar, o tom de Traz outro amigo também, Grândola de mi querer, Verdes são os campos. E, vejam bem, A garrafa vazia de Manuel Maria.Mais umas goladas de cerveja e vinho, trincadelas em fruta e tapas. E Dulce Pontes a fazer arrepiar a espinha com Canção de embalar, enquanto tratava da sua pequenada. Igualmente satisfeita, num vestido vermelho, a apresentadora portuguesa, Sílvia Alberto.Entrevistou os intervenientes, seguiu o texto de José Mário Branco, e, quanto à provocação de Carlos Blanco, de que a menina seria mais da geração dos Xutos e Pontapés, admitiu o estilo arrojado da banda. Porém, “já não são da minha geração. Talvez da geração dos meus pais”.Ao DN, Sílvia afirmou gostar do legado de José Afonso. “Recuperei as canções dele. São universais e intemporais. É música do nosso tempo.” No ecrã gigante da sala, os testemunhos falavam disso mesmo. Para Maria de Medeiros, se Zeca fosse estrangeiro, seria Dilan. Fausto trauteou Rosa Linda. Presente na sala, a companheira do cantor português revelou que ele sempre calcorreou este princípio: “Quando se faz música ou um par de sapatos, tem de se fazer bem.”Afonso falou do génio poético e musical de Zeca, “um tio generoso, bondoso, que continuo a adorar. Palavras e melodias juntam-se de forma mágica”. Tudo em prol de uma cidade sem muros nem ameias. “Vale!”, gritaram os galegos. Escreveu José Afonso: “Galiza é para mim também uma espécie de pátria espiritual…” E a homenagem acabou com os apresentadores erguendo dois cravos vermelhos, espécie de taças de tinto com que brindaram a festa.

Alfredo Mendes Diário de Notícias online

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Helena AfonsoImprensaJorge Luz
13/04/2007By AJA

“JÁ O MUNDO SE NÃO LEMBRA DE CANTIGAS…”

Abril cheira a Liberdade e foi nesse contexto que Helena Afonso, filha de Zeca Afonso falou ao Jornal do Bairro sobre as voltas do seu tutor andarilho. Jorge Luz, então estudante numa faculdade em Lisboa, recorda a véspera do 1º. de Maio em que foi levado, com Zeca e outras centenas de jovens, para a prisão de Caxias.

Há 33 anos milhares de jovens portugueses perdiam braços, pernas e vidas numa Guerra Colonial que não desejavam travar. A Liberdade de expressão era censurada sob pena de morte e os opositores ao regime dividiam- se, uns exilados, outros enclausurados em prisões e a não esquecer os enviados para tortura e por fim morrerem em Cabo Verde, no campo de concentração do Tarrafal. Os trabalhadores eram escravizados, faltava- lhes “a saúde, o pão, a cultura e a habitação”. Famílias viviam na miséria, no medo, na carência e na opressão… uns já não acreditavam na hipótese de fugir às amarras do Estado paternalista, outros queriam e fizeram a revolução, uma revolução com sangue que apenas naquele dia não foi derramado… no Dia 25 de Abril! José Afonso é uma das figuras mais emblemáticas do Abril de 1974. Autor de “Grândola Vila Morena”, a sua voz gritou mais alto do que muitas das muralhas da opressão. Por entre as ondas da rádio foi o seu canto que deu luz verde aos militares que avançaram para a Revolução. A partir daí, a Liberdade! Mais do que um mito, o Zeca foi um Homem do mundo, do país, da Capital e até mesmo de Campo de Ourique. A sua passagem pelo Bairro, em ‘79 foi recordada por Rui Santos, no jornal O Bancário, que disse “quis o tempo que vivemos proporcionar um contacto esporádico mas muito marcante, quando o Zeca, antes de entrar no palco, sentiu a garganta arranhada, com o muito fumo que havia no pavilhão do CACO e teve necessidade de a molhar com um cálice de vinha da Madeira, convidando-nos para o acompanhar ao balcão do Canas, onde afinou a garganta, para depois cantar alguns dos seus inesquecíveis poemas”. Zeca foi assim… um poeta, um andarilho e um cantor que deixou marcas nos locais por onde passou, sempre com humildade!

O Zeca costuma ser recordado no dia 23 de Fevereiro, este ano com maior destaque por se marcarem 20 anos sobre a sua morte. Acredita que as homenagens têm vindo na altura certa?

Helena Afonso – Este género de datas, também chamadas de “data padrão” são pretextos utilizados para lembrar figuras de pessoas, isso pratica-se em todo o lado e neste caso não é excepção. O que eu condeno e acho quase escandaloso é que o Zeca, uma figura nacional e mesmo invulgar dentro do seu género seja tão poucas vezes recordado e a sua obra, a sua música, tão pouco passada nos Media. É raro ouvirmos uma das suas canções na rádio ou na televisão, para não dizer que não existe um único documentário, que mereça essa designação, sobre a sua vida. Não há uma preocupação nem um interesse em abordar uma figura que dá nome a ruas, a escolas e a parques… Eu olho com algum cepticismo para as comemorações e para a concentração de uma série de referências na televisão e na rádio porque passaram-se 20 anos e neste espaço de tempo podemos contar as vezes em que a figura do Zeca foi abordada.

As emissoras nacionais devem ter maiores responsabilidades na divulgação da música portuguesa?

Helena Afonso – Com certeza! Eu sou a favor das quotas obrigatórias que se aplicam em muitos países, nomeadamente a França, onde se ouve a música nacional com regularidade… a quota que ali foi instituída também o deveria ser em Portugal. Caso contrário, ficamos totalmente dominados pela música anglo-saxónica, a música comercial de pior qualidade…

Para além de cantor de intervenção, o Zeca também foi um defensor da música popular. Muitos jovens associam o popular ao pimba, o que pode contribuir para tornar este um género em vias de extinção…

Helena Afonso – É evidente que a música do Zeca está perfeitamente ligada a raízes etnográficas, à qual foram sendo acrescentados elementos de outras influências, como a africana, o jazz, ou a música moderna e contemporânea. Em relação aos mais novos, o que posso dizer é que o conhecimento começa no ambiente familiar e cultural! Hoje assisto a estudantes com batina a ouvirem coisas atrozes e horrorosas que nada têm a ver com o fato coimbrão e com a música popular portuguesa, o que é uma deturpação quase obscena das composições com qualidade!

No concerto do Coliseu, o Zeca apresentou a Grândola Vila Morena dizendo “agora vamos cantar aquela novíssima canção…”. Esta música tornou-se enfadonha?

Helena Afonso – A Grândola ganhou uma dinâmica própria e emancipou- se como canção. Foi utilizada, cantada e mesmo manipulada em toda a espécie de situações… existe uma identificação natural, pelo menos de uma certa geração, à volta da Grândola e um conceito que a tornou numa espécie de complemento ao Hino nacional pela liberdade, que é o significado do 25 de Abril. Imagino que o Zeca, tendo de a cantar em repetidas situações, se cansou um bocado e tinha alguma ironia ao falar nisso. Ele não era um cantor que gostasse das coisas demasiado fáceis, que se resumissem a um estandarte, ele exprimia-se através da música e procurava textos mais subtis e a Grândola era uma música escarrapachada e que era cantada em todas as manifestações e comícios! Cheguei a assistir, no estrangeiro, a grupos de estrangeiros a cantarem o Hino nacional e a Grândola no Dia de Camões!

Como era a vida antes da Revolução, a PIDE era realmente atroz?

Jorge Luz – A PIDE prendia indiscriminadamente os opositores à Guerra Colonial, ao Regime Salazarista, às denúncias quanto a situações de miséria… A PIDE era o que era, prendia, espancava, oprimia!

Helena Afonso – Lembro- me claramente do ambiente de tensão que havia na altura, devido a um conjunto de acontecimentos. Em 1969 tinha sido a revolta dos estudantes em Coimbra e que teve uma grande projecção no meio estudantil, que não era um meio de subestimar, pois nele enquadravam-se as elites do país, muitos eram filhos de militares e de políticos e não podemos esquecer que na época só esses é que estudavam… As frentes de batalha da Guerra Colonial tinham-se agravado, as gerações estavam traumatizadas com essas questões, todos os jovens sabiam o que os esperava…

Jorge Luz – Todos os jovens dessa altura têm amigos que foram mortos na Guerra… Essa era a grande luta, ir ao centro do Regime e pôr-lhe um fim!

Helena Afonso – E esse era também o grande tabu do fascismo! Era um assunto intocável e a censura não permitia que se falasse em nada! O tema era cada vez mais premente e dava direito à prisão em Caxias, em Peniche, em deportações, etc, etc… Em 1973 deu-se o Congresso de Aveiro que por se referir à Guerra Colonial mobilizou a sociedade portuguesa, que ia da Igreja ao Partido Socialista, ao Partido Comunista e a toda a oposição portuguesa…

Jorge Luz – E aliás, acabou com uma intervenção da polícia de choque a espancar toda a gente…

Helena Afonso – Alarmou toda a cidade mas foi o primeiro Congresso da Oposição Democrática que conseguiu trazer à tona a questão da Guerra Colonial, cuja problemática foi debatida durante três dias seguidos. Daí surgiu uma grande movimentação, fizeram-se murais, abaixo- assinados, manifestações, ocupações como a da Capela do Rato… o que não sabíamos nem podíamos imaginar é que os Capitães de Abril, aqueles que eram directamente afectados pela Guerra, já se estavam a organizar!

Ainda antes do 25 de Abril, o Jorge chegou a ser preso com o Zeca. Como foi esse episódio?

Jorge Luz – Em vésperas do Dia 1º. de Maio era habitual a polícia prender. Prendia indiscriminadamente dezenas, centenas de pessoas… nesse dia fui preso com umas dezenas de colegas da Faculdade de Ciências, tal como o Zeca! Seguimos para Caxias, como geralmente acontecia nessas situações. Havia um jornal clandestino que se chamava “Missão de Apoio aos Presos Políticos” e que continha uma lista incrível e interminável dos detidos. Os estudantes e os operários tinham uma luta comum, que era a luta contra a Guerra e obviamente o Regime anterior ao 25 de Abril não perdoava isso!

Helena Afonso – Temos de dizer uma coisa importante! Pessoas como o Jorge ou o Zeca foram presas até ao fim do dia mas os dirigentes operários foram presos, na mesma altura, durante a noite. A polícia invadia as casas das pessoas para as levar! Não podemos esquecer que este foi um país de classes e ainda o é. Até nisso havia uma distinção entre os estudantes e os trabalhadores!

Passamos à pergunta da praxe, onde estava no 25 de Abril de 1974?

Helena Afonso – Eu estava em Setúbal, no Liceu. A partir da madrugada começaram a haver uma série de telefonemas e as pessoas perceberam que não havia escola, a perguntar “já ouviste umas coisas esquisitas na rádio?” e isso provocou um pavor geral. Há poucos meses tinha havido uma tentativa de golpe levada a cabo pelos Ultras da Direita e isso gerou uma grande dúvida. O receio só se dissipou quando foi ouvida a Grândola Vila Morena…

Jorge Luz – Eu estava há alguns meses exilado em Paris, a tentar organizar a minha vida para continuar a estudar. Soube do 25 de Abril por volta do meio-dia, alguém entrou aos saltos a falar de uma Revolução em Portugal e… no dia seguinte eu estava cá!

Helena Afonso – O 25 de Abril foi um acto libertário, algo completamente inesperado… finalmente era o fim daquilo! Foi um efeito surpresa fantástico! Num tempo rodeado por escutas e por toda a espécie de vigias a situação foi tão inédita que começámos todos a telefonar e a passar informações e quanto mais se apelava à calma maior era a euforia. O pessoal irrompeu para a rua, aquilo foi um “a ver se te avias” e num instante as pessoas estavam todas juntas a festejar.

Passados mais de 30 anos, o que falta para que os sonhos dos “construtores” de Abril se tornem realidade?

Jorge Luz – Para além de ter sido um grande artista, músico e cantor, o Zeca foi um homem que denunciou todas as prepotências do poder neste país e a maior homenagem que lhe podemos prestar é continuar a denunciar determinadas situações.

Em tempos de repressão, as denúncias eram subtis e talvez por isso mais interiorizadas. E agora, quais são as melhores formas para denunciar?

Jorge Luz – Agora podemos denunciar sem medos…

Helena Afonso – No 25 de Abril as pessoas tinham uma série de objectivos que diferiam mas existem outros nomes à escala Mundial que recolocam a questão do indivíduo na sociedade. No tempo da repressão era evidente quem era o inimigo mas hoje as coisas são mais complicadas! Aparentemente existem melhores condições de vida e de acesso à Cultura e a muitas outras coisas, mas existem novas máfias que concentram em si o acesso ao dinheiro e ao poder. Eu recordo-me dum episódio em que não haviam eleições livres mas que o Zeca e outros se punham em frente às fábricas porque tinham descoberto uma cláusula que dizia que era permitida a angariação de cidadãos para se inscreverem em listas de votos, ninguém estava interessado em votar por só haver um partido… Eles colocavam-se à porta das fábricas com listas de recenseamento, o que estava dentro da lei, mas falavam com as pessoas sobre os seus próprios interesses. Para mim esse era um trabalho genial e de cidadania! O Zeca era um homem teimoso e com uma imaginação sem fim. Uma situação que considero escandalosa e que deve ser denunciada refere- se às políticas de Emigração deste país, que sempre foram hipócritas. Nunca se fez nada para apoiar os emigrantes, não existem apoios para os que pretendem regressar, nem para as terceiras gerações que nasceram no estrangeiro. Houve sim um consenso silencioso quanto à utilidade de receber os rendimentos que vêm dos emigrantes. O Estado devia procurar formas de gerir certas zonas rurais do interior e apostar em incentivos que levassem as pessoas a fixar-se nessas áreas. Esta vaga é contínua, vai prosseguir, há um envelhecimento da população e são os jovens que continuam a sair do país!

O nosso Bairro vive paredes meias com o antigo Casal Ventoso e as consequências da droga são notórias. Será que esta foi uma moda do pós 25 de Abril?

Helena Afonso – A droga é um negócio claramente introduzido para se criarem consumidores. Nos bancos suiços, por exemplo, a droga produz mais dinheiro do que negócios como o do petróleo. A droga sempre existiu e uma das vantagens do 25 de Abril é podermos falar das coisas mais abertamente…

Mónica Almeida Jornal regional

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Gala Homenaxe Zeca AfonsoImprensa
12/04/2007By AJA

Espectáculo em Pontevedra homenageia José Afonso

A TV Galiza e a RTP vão fazer uma grande co-produção para assinalar o dia 25 de Abril. O espectáculo, gravado em Pontevedra, que homenageará Zeca Afonso, reunirá grandes nomes da música portuguesa e será apresentado por Sílvia Alberto e o galego Carlos Blanco.

O director da TV Galiza, que chegou a acompanhar Zeca Afonso, tocando gaita, meteu na cabeça que queria fazer um grande espectáculo para homenagear o amigo e a Revolução. Falou com Manolo Bello, igualmente galego e director-geral da produtora portuguesa Comunicasom, e os dois foram bater à porta da RTP, que acolheu bem a proposta de Suso Iglesias. ‘Sempre Abril’, assim se designará a gala a gravar amanhã à noite em Pontevedra, que juntará Sérgio Godinho, Dulce Pontes, Vitorino, Júlio Pereira, Janita Salomé, João Afonso, Zeca Medeiros, Tito Paris, Luís Pastor, Trexadura, Victor Coyote, Xico de Cariño e o grupo Faltriqueira.

A gala, a transmitir no dia 25 de Abril, terá cerca de duas horas e meia de duração no canal galego, sendo provável que na televisão pública portuguesa passe durante menos tempo. Para lá do espectáculo, que decorrerá no Paço da Cultura de Pontevedra, serão exibidos depoimentos recolhidos em Portugal, nomeadamente de Otelo Saraiva de Carvalho, Zélia Afonso, a viúva de Zeca, e de Fausto, que até chega a cantar ‘Rosa Linda’, que os galegos tanto apreciam. Maria de Medeiros, ouvida em Paris, também se associará à gala com apresentação de Sílvia Alberto e Carlos Blanco, como nos garantiu ontem Suso Iglesias, que nos confessou estar muito “contente com esta relação que estabelecemos com a RTP”.

APRESENTAÇÃO

A portuguesa Sílvia Alberto apresentará, com o galego Carlos Blanco, ‘Sempre Abril’, co-produção TV Galiza-RTP, que assinalará a Revolução dos Cravos e homenageará Zeca Afonso, o amigo do director do canal do país vizinho, o jornalista Suso Iglesias, grande mentor da gala.

Ricardo Tavares Correio da Manhã

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Arranjos instrumentaisImprensaOpus Ensemble
10/04/2007By AJA

Estreia mundial para “Tríptico” sobre Zeca

O Opus Ensemble interpreta no próximo domingo a obra original “Tríptico homenagem sobre temas de José Afonso” em primeira audição integral mundial, nos Recreios de Amadora, às 21.30 horas. A obra, da autoria de Alejandro Erlich Oliva, foi composta a pedido da Câmara da Amadora para integrar um conjunto de realizações em memória de José Afonso, no vigésimo aniversário da sua morte, que se cumpre este ano. Contactado pela Lusa, Erlich Oliva, contrabaixista do Opus Ensemble, contou que, dos três andamentos da peça, dois já tiveram divulgação pública, nomeadamente em disco, tendo o terceiro sido escrito propositadamente para este concerto. Nos Recreios da Amadora, ocorrerá a primeira apresentação pública “integral e mundial” dos três temas, ou seja, do “Tríptico”, na sua totalidade. O primeiro andamento, explicou o compositor, é um arranjo instrumental da canção “Era um redondo vocábulo”, de José Afonso, incluído no álbum “Filhos da madrugada”, uma colectânea de canções do ‘cantautor’ interpretadas por artistas dos mais variados estilos. Na altura, o Opus Ensemble foi a única formação clássica integrada no projecto. O segundo andamento baseia-se em “O milho da nossa terra”, tema do cancioneiro que inspirou José Afonso, que a partir dele compôs “Milho verde”. Finalmente, composto de propósito para a primeira audição integral de domingo, o terceiro andamento parte de “Adeus ó serra da Lapa”.

Jornal de Notícias

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Homenagens e tributos (2007)Imprensa
07/04/2007By AJA

Conversas e música de Zeca Afonso em Sines

O Centro de Artes de Sines (CAS) recorda este mês alguns dos momentos mais “quentes” do 25 de Abril na região e no país com exposições, conversas e um concerto com músicas de Zeca Afonso.
A Revolução dos Cravos domina os principais eventos culturais. logo a partir de terça-feira, com a inauguração da exposição “Uma Revolução em Marcha – O 25 de Abril na Rua”, patente no átrio da Biblioteca até ao final do mês.
A mostra documental, promovida pelo Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra, retrata os dias do nascimento da democracia em Portugal e o modo como foram vividos nas ruas pela população.
Mais próximo da data que assinala a passagem de 33 anos sobre a revolução, no dia 23, é inaugurada a exposição “A Bem da Nação”, no Centro de Exposições do CAS.
Os documentos dados a conhecer caracterizam a ditadura do Estado Novo entre 1926 e 1949 e formam a primeira de três partes desta mostra (a concretizar até 2009), que “pretende contextualizar a revolução do 25 de Abril de 1974 em Sines e em Portugal”. Os antecedentes do 25 de Abril são também lembrados até ao final de Maio, recorrendo a documentos do Arquivo Histórico Municipal Arnaldo Soledade, que explicam a instauração do Estado Novo e as suas consequências para a vida do país e da então vila de Sines.
O golpe militar que deu origem ao Estado Novo (28 de Maio de 1926), a promulgação da Constituição (19 de Março de 1933), a II Guerra Mundial (1939/45), o ciclone com consequências em Portugal (1941) e as eleições presidenciais de 13 de Fevereiro de 1949 são os principais momentos revistos.
“Os Mitos de Abril” voltam a estar em destaque no dia 26, data em que a investigadora do Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas (Universidade Nova de Lisboa) Maria Inácia Rezola conduz uma conversa sobre este tema, na cafetaria do CAS (21h30).
A discussão versará “sobre as verdades e os mitos da história, nalguns aspectos ainda misteriosa”, e responderá a questões como “tratou-se de uma revolução em nome da liberdade?” ou “o que foi o 25 de Novembro, um golpe ou um contra-golpe?”.
Na noite de 28 de Abril, o auditório do Centro de artes enche-se com a música de Zeca Afonso, tocada pelo quinteto de percussionistas Steel Drumming, acompanhado pelo convidado J. P. Simões (22h00).
O grupo originário do Porto vai recriar o repertório do autor de “Grândola, Vila Morena” em tambores metálicos (steel drums ou steel pans, instrumentos criados a partir de bidões de aço originários das Caraíbas).

O Primeiro de Janeiro

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Imprensa
04/03/2007By AJA

De quem é Zeca Afonso?

Jornal “Sol”

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ImprensaTestemunhos
28/02/2007By AJA

“Pai, o Zeca morreu esta noite”


Extracto de uma página do Público de 26-2-2007, sobre o Encontro na Livraria Almedina Estádio. Tem o título “Pai, o Zeca morreu esta noite” e sub-título “Para os mais velhos, os que em 1974 eram adultos, o dia em que o Zeca Afonso morreu é um dia preciso. Lembram-se onde estavam e como souberam da notícia. Hoje, já se conseguem rir”. Texto de Maria João Lopes.

Retirado de http://guitarradecoimbra.blogspot.com/

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Imprensa
28/02/2007By AJA

Na memória de todos


José Afonso recordado na Livraria Almedina. Notícia do Diário as Beiras de 26-2-2007, com texto de Vasco Garcia.

Retirado do blog http://guitarradecoimbra.blogspot.com

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ImprensaTestemunhos
27/02/2007By admin-aja

“Pai, o Zeca morreu esta noite”

Para os mais velhos, os que em 1974 eram adultos, o dia em que Zeca Afonso morreu é um dia preciso. Lembram-se onde estavam e como souberam da notícia. Hoje, já se conseguem rir

a Apesar de ter sido amigo de Zeca Afonso, de terem frequentado a mesma tertúlia em Coimbra, cidade que o músico dizia ser um “caramujo” (“para onde quer que se vá, vai-se sempre ter à torre da universidade”), Abílio Hernandez (acima dos 60), professor da universidade, hesitou muito antes de aceitar o convite da Almedina Estádio – a livraria foi das poucas, se não a única, a organizar em Coimbra uma homenagem a Zeca Afonso nos 20 anos da sua morte (23 de Fevereiro de 1987).E Hernandez hesitou porque “tinha receio que estivesse muito pouca gente, que estivessem só velhos, e que fosse uma romagem de saudade”. Mas esteve muita gente na livraria de Coimbra, no sábado à noite. Jovens, de facto, apenas alguns.
Os jovens não ouvem Zeca Afonso? “É um cantautor muito conotado e é isso que faz com que não passe nas rádios. O Zeca é objectivamente censurado, apesar de hoje vivermos em liberdade”, diz José Jorge Letria (56 anos), também amigo de Zeca Afonso. Mas o músico acredita que os jovens “já se libertaram desse estigma”.
Para a geração que dominou a tertúlia de sábado, a geração que viveu o 25 de Abril já adulta, Zeca Afonso é uma das figuras artísticas mais importantes do século XX em Portugal. “Está para a música portuguesa como Jobim está para a brasileira”, diz Rui Pato (61), músico que tocou com Zeca Afonso.
Sentados à mesa, a desfiar memórias, a maior parte das vezes humorísticas, estiveram outros músicos que acompanharam Zeca, como Carlos Correia (também acima dos 60), figuras da resistência que actuaram com ele, como Manuel Freire (65 anos) e José Jorge Letria, e antigos estudantes de Coimbra que também conheceram Zeca, como José Mesquita (mais de 70 anos) e Abílio Hernandez.
Carruagem 3, lugar 7
Boa disposição não faltou. Falou-se do amor de Zeca Afonso ao judo e de como “estatelava” colegas no chão. “O Zeca era uma pessoa muito divertida. Tinha muitas obsessões. Uma delas era o judo, já era um perigoso cinturão amarelo. Quando fomos a Londres, o Zeca fazia os ensaios de judo no corredor do hotel vitoriano. As outras obsessões eram a música e a luta contra a ditadura”, contou Carlos Correia.
Rui Pato confidenciou à plateia como eram feitos os primeiros discos de Zeca Afonso: “Se eu vos disser, não acreditam. Vinha uma 4L com material do Porto. Levávamos uma carta dos senhorios para os caseiros analfabetos lerem, com autorização para gravar na quinta [a quinta do Mosteiro de S. Jorge de Milreu, actualmente propriedade da Universidade Vasco da Gama]. Estávamos em 1962 e, quando nos enganávamos, voltávamos ao princípio. Se passasse um carro, se se ouvisse uma galinha, voltava tudo ao início”. Durante muito tempo viajou “de borla” nos comboios de Portugal. Recebia postais de Zeca Afonso a combinar a hora, o dia e o sítio do ensaio. “Trate de preparar os dedos”, escrevia-lhe Zeca. Rui Pato levava sempre a viola, mesmo que não precisasse dela. “Punha-me na estação e vinha um senhor ter comigo e perguntava-me: “É o camarada Rui Pato? Carruagem 3, lugar 7.” E lá ia eu.” No meio de tudo isto, Rui Pato nem se apercebeu que estava a viver “um momento histórico da música portuguesa”.
A plateia riu quase sempre. Só quando se ouviu Menina dos olhos tristes se fez silêncio. Quando se começaram a ouvir os acordes do último espectáculo de Zeca Afonso na Queima das Fitas de Coimbra, em 1968, a sala mergulhou em tristeza. A gravação foi disponibilizada por José Mesquita, que sublinhou a importância de Zeca Afonso no fado de Coimbra.
“O Zeca era um grande poeta, indiscutivelmente”, defende Abílio Hernandez. “Era bom que se estudasse a poesia do Zeca, porque a sua lírica tem sido menosprezada, como se fosse apenas um veículo para transmitir um sentimento de resistência, que está na sua música. Mas o Zeca foi as duas coisas: músico e poeta.”
Contou Manuel Freire que, um dia, quando vinha do Canadá, encontrou o escritor Mário Zambujal e o músico Paulo de Carvalho no avião e perguntou-lhes por Zeca Afonso. Zambujal lamentou: “Acho que não se safa.” Manuel Freire tinha tido um acidente grave e, como a viagem fora atribulada e o avião desviado para Faro, mal pôde ligou à família para dizer que estava bem. Do outro lado, a filha mais velha respondeu apenas: “Pai, o Zeca morreu esta noite.” Passados 20 anos, os amigos do músico acreditam que a “memória do Zeca” se vai projectar sempre “no futuro”.

Maria João Lopes, in Jornal Público, 26.2.2017

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Arranjos instrumentaisAssociação José AfonsoImprensa
25/02/2007By AJA

Destaque para o site da AJA na revista “História”

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Homenagens e tributos (música)Imprensa
25/02/2007By AJA

Uxía e Dulce Pontes em projecto sobre José Afonso

O compositor Davide Zaccaria criou um projecto musical em que pretende fazer confluir cantoras de formações musicais distintas, tendo como pano de fundo a música de José Afonso, falecido faz sexta-feira 20 anos.

«Terra d´Água» é o título do projecto, que junta as cantoras portuguesas Dulce Pontes, Filipa Pais e Lúcia Moniz e as espanholas María Anadon e Uxía.
O projecto, cujo álbum é editado precisamente sexta-feira, é um tributo ao músico e poeta que foi José Afonso, explicou à Lusa Davide Zaccaria.

Para Zaccaria, recriar o repertório do autor de «Grândola, vila morena», foi «relativamente fácil» por estar já habituado a ele e «corresponder a uma paixão».

«Tenho tocado e feito arranjos para canções do Zeca, quer com o meu grupo, quer com Dulce Pontes, até neste seu recente trabalho», assinalou.

Relativamente a este projecto, esclareceu ter procurado «apresentar José Afonso fora da simbologia política e dar mais atenção à vertente de compositor».

María Anadon interpreta «A morte saiu à rua», um poema de homenagem ao escultor José Dias Coelho, assassinado a 19 de Dezembro de 1961, em Lisboa, pela PIDE.

De Luís de Camões, com música de José Afonso, Uxía interpreta «Verdes são os campos» e Lúcia Moniz «Que amor não me engana».

Filipa Pais, que já interpretou temas de José Afonso, nomeadamente quando fez parte do grupo Lua Extravagante, canta «Eu dizia».

Dulce Pontes, que também no seu primeiro álbum, «Lágrima», revisitou o repertório do cantautor, canta «Coro da Primavera».

Todas estas canções – indicou Zaccaria – «pertencem ao imaginário colectivo e são uma inspiração para muitos artistas».

«Pretende-se também recuperar e/ou redescobrir músicas menos escutadas», acrescentou.

Das três músicas inéditas incluídas no CD, Zaccaria interpreta «Terra de Zeca», um tema de sua autoria inspirado na música de raiz popular composta por José Afonso.

Zaccaria assina os arranjos e as composições originais, além de tocar violoncelo, guitarra, viola-baixo e teclados.

O projecto completa-se com os músicos Filipe Lucas (guitarra portuguesa), Jaume Pradas (percussão), Nuno Oliveira (baixo acústico), Victor Zamora (piano eléctrico) e José Soares (guitarra clássica).

Diário Digital / Lusa 22-02-2007

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25/02/2007By AJA

Dossiê “Jornal de Letras” | José Afonso, a herança 20 anos depois

Edição online

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25/02/2007By AJA

Dossiê “História” | Zeca Afonso, cantor e poeta da utopia


Nº 24 Fevereiro 2007

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25/02/2007By AJA

Dossiê “Visão” | A geografia sentimental de Zeca Afonso

Artigo online (já publicado neste blog)

Nº 729 22 a 28 de Fevereiro 2007

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24/02/2007By AJA

José Afonso – Os herdeiros

José Afonso morreu há 20 anos, mas a canção de intervenção de que foi o principal intérprete não desapareceu consigo. Pelo contrário. Duas décadas depois a influência de Zeca permanece viva e estende-se a todos os géneros, do rock ao heavy metal e, em particular, ao hip-hop, a música urbana por excelência deste início de século.

As mais notadas diferenças residem nos propósitos (hoje mais sociais do que políticos) e na linguagem, como reconheceu Sam the Kid, salientando, porém, que “os tempos eram outros”.

“Naquela altura, antes do 25 de Abril, os músicos eram pessoas mais intelectualizadas e a linguagem das suas canções era muito mais elaborada do que é hoje. E acho que isso não se devia só à censura. O ‘Vampiros’ é um caso evidente, mas há outras letras cujas metáforas não apanho…”, acrescentou.

Para o músico, que confessa ter alguns discos de José Afonso (‘Cantigas do Maio’, ‘Vampiros’, ‘Com as Minhas Tamanquinhas’), “a linguagem do hip–hop é mais directa, usa a linguagem da rua, o calão… O próprio Vitorino, que passou por esses tempos, já me disse isso”, frisou.

Destacando a “postura simples, humilde e de pessoa do povo” de José Afonso, Sam the Kid estreou-se com canções de intervenção em ‘Pratica(Mente)’, recentemente editado.

“Tenho o ‘Abstenção’, que é uma canção em que mostro a minha indiferença pela política, mas a verdade é que represento muitos jovens que não se sentem identificados com os políticos que temos. Mas a canção tem uma mensagem de esperança”, disse. Outro dos temas de intervenção é “o ‘Negociantes’, em que abordo a realidade desde que o euro apareceu. As pessoas hoje têm de ter outra actividade porque só o emprego não dá para viverem condignamente. Pelo meio meto a visão de um ex-presidiário, que não consegue arranjar emprego, falo dos políticos e questiono para onde vai o dinheiro da retenção na fonte”, confessou, antes de frisar que “há que valorizar o hip-hop enquanto música e não apenas a mensagem”.

A influência de José Afonso é também referida pelos Mundo Secreto, uma jovem formação hip-hop. Francisco um dos membros do grupo, cresceu “a ouvir os discos dele [Zeca Afonso] e não só”, disse, destacando o carácter “positivo” da mensagem das canções de José Afonso.

ROCK AMOLECEU

O hip-hop é hoje a canção de intervenção mais contundente, mas esse papel foi em tempos desempenhado pelo rock. Mas algo mudou, segundo António Corte-Real, guitarrista dos UHF (filho de António Manuel Ribeiro) e hoje à frente dos Revolta, um grupo surgido precisamente com o propósito de cantar contra a apatia.

“As bandas rock que sobreviveram, salvo raras excepções, viraram-se para a melodia fácil (para passar na rádio) e para as letras de amor. O intervencionismo perdeu-se”, lamentou.

Para o músico, o exemplo maior de José Afonso reside no facto de “nunca se ter calado, de ter sido sempre interventivo”. “E hoje”, acrescentou, “há necessidade de um outro intervencionismo. Há liberdade mas não se fala. As pessoas acomodaram-se aos 60 canais de TV, à internet… são utensílios importantes sim senhor, mas não nos podem tapar a visão”, concluiu.

MORTE POR ESCLEROSE

José Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987 (aos 57 anos), no Hospital de Setúbal, vítima de esclerose lateral amiotrófica, uma doença degenerativa do sistema nervoso que se caracteriza por progressiva fraqueza e atrofia muscular.

No seu último álbum, ‘Galinhas do Mato’, de 1985, o cantor já não conseguiu cantar a totalidade das canções por ter perdido o controlo da musculatura da língua.

MUNDO SECRETO

São a mais recente formação hip-hop a ‘estoirar’ em Portugal e o homónimo álbum de estreia – lançado este mês – está recheado de canções com mensagens positivas. Desde ‘Essência (‘A Liberdade’) até ‘Pousa a Tua Gun’, passando por ‘Dias de Mudança’. Mas é ‘GerAcção’ quem melhor sintetiza o privilégio da mensagem sobre a rima.

‘GERACÇÃO’

“Em 1974 gritou-se liberdade! Dez anos depois, a minha geração nasce. Nós somos os filhos da revolução, daqueles que sonharam a liberdade de expressão. A nossa luta continua, começa pela base (…)

Em jeito de resumo, Tu podes escolher se és um puto que vê, ou faz a cena acontecer. A revolução está aí! A juventude não pára, e é mais forte que uma t-shirt estampada do Che Guevara (…) Meu irmão, tu és o futuro na nação, então grita acção! GerAcção!’”

BOSS AC

A denúncia de situações como o racismo sempre fizeram parte do vocabulário de Boss AC. Mas é em ‘Farto de …’ (‘Ritmo, Amor e Palavras’) que o rapper se mostra mais contundente.

‘FARTO DE…’

“Farto de ser o culpado sem ter culpa de nada, Ser rejeitado farto de conversa fiada, Farto deste sistema de mer** que nos engole, Farto destes políticos a coçar colh*** ao sol, Farto de promessas da treta; Sobem ao poder metem as promessas na gaveta, Farto de ver o país parado como uma lesma, Ver as moscas mudarem e a mer** ser a mesma, farto de os ver saltar quando os barcos naufragam, Quanto mais tiverem melhor, menos impostos pagam…”

SAM THE KID

Por sugestão do pai, Sam the Kid investiu finalmente no tema da política. ‘Abstenção’ é o tema em causa e surge incluído em ‘Pratica(Mente)’, o mais recente álbum de rimas do músico-poeta. Mas há mais: ‘Negociantes’ é outro dos retratos, sem papas na língua, da realidade contemporânea urbana portuguesa.

‘ABSTENÇÃO’

“Não sou licenciado nem recenseado, com paciência, há-de aparecer alguém credenciado, com moral/ Que me faça votar, me faça lutar, me faça notar, e faça esgotar a campanha eleitoral (…) Eu não voto, eu boicoto, mas crio as horas nocturnas, sei qu’é o meu futuro, mas não vou acordar cedo/Pa pôr um voto nulo ao eleger um chulo ou um cherne, ou quem governe só com charme (…) Eu não preciso de reflexão eu já, tou decidido, eu só voto na verdade e não a vejo em nenhum partido…”

REVOLTA

Com António Corte-Real (UHF) à frente, os Revolta apostam no punk-rock para agitar consciências. “Politicamente incorrecto” o trio faz questão de gritar bem alto os problemas dos portugueses. ‘Ninguém Manda em Ti!!!’, é o título do álbum de estreia a editar em breve e o alinhamento inclui temas como ‘Bush’ e ‘Eu Quero Ser’.

‘NINGUÉM MANDA EM TI’

“Nesta vida nada é fácil, Tudo custa mais do que devia, Ser banal ter lucro fácil, Queres viver outro dia – É proibido ter ideias, Pensar e falar, Se queres ser alguém, Tens de fingir e aguentar – Ninguém manda em ti, Mesmo que queira, Fecha os olhos e sorri. A vida inteira, A chuva miudinha Não pára de molhar, Os olhares curiosos, Que te estão a chatear É um ciclo vicioso Que te está a seguir, Só acabará no dia, Em que souberes resistir Ninguém manda em ti, Mesmo que queira, Fecha os olhos e sorri, A vida inteira

DR. SALAZAR

Mais de 30 anos depois do 25 de Abril, os Dr. Salazar sofrem na pele a discriminação pelo nome escolhido. O álbum de estreia, ‘Antes & Depois’ foi editado a expensas próprias e o metal industrial que praticam é também um veículo de crítica social, como o denuncia o tema ‘Falar do Mendigo’. Ao vivo, curiosamente, tocam uma versão de ‘Vejam Bem’ de José Afonso.

‘FALAR DO MENDIGO’

“Perguntem ao mendigo, Que sobe a calçada, Rumo à sopa dos pobres, Se viu passar a democracia; Perguntem a quem pede, se deixou de pedir, E a todos que lutam, se param de lutar (…) (…) Mas só há lugar inquérito pelo telefone, e a matéria é do tipo Qual a figura mais In (…) (…) Adormece por fim no conforto do leito sujo, feito de trapos e pedaços de cartão, perfumado de vinho reles, enquanto a humidade da noite, Se abate no silêncio cortada apenas pelo latido do cão.”


Luís F. Silva | Correio da manhã | 23.2.07

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24/02/2007By AJA

Partidos lembram e aplaudem Zeca Afonso, 20 anos após a sua morte

José Afonso morreu a 23 de Fevereiro de 1987
Os partidos lembraram o músico Zeca Afonso, 20 anos após a sua morte, aprovando por unanimidade um voto que considera que o Parlamento não seria “a casa da democracia” sem o contributo do seu som.
No final da leitura do voto pela mesa do Parlamento, os deputados aplau diram o autor da canção “Grândola, Vila Morena”, que foi na madrugada de 25 de Abril de 1974 a senha do Movimento das Forças Armadas (MFA) para o derrube do regime ditatorial.
“José Afonso morreu há 20 anos, em 23 de Fevereiro de 1987”, recordou o Parlamento, declarando que “faz-nos falta ainda o cidadão que buscava no dia-a-dia a utopia dos impossíveis” e prestando homenagem ao músico.
Zeca Afonso, como ficou conhecido, foi evocado como alguém que deu “um som e um ritmo ao Portugal de Abril” e, com “a riqueza e a modernidade” das suas composições, abriu “caminho a um novo percurso” na música contemporânea portuguesa.
Os partidos homenagearam-no, considerando, contudo, que por ser “homem da margem e do despojamento”, que se “dava bem com os simples e marginais, mas era avesso a regras e a dogmas”, talvez o incomodassem “o ritual, a compostura, a cerimónia” da homenagem.
“Limitou-se a escrever, a fazer música, a cantar e a estar onde outros evitaram estar. Com isso incomodou e desarrumou a ordem e o sistema. Por isso o prenderam e impediram de exercer a sua profissão de professor”, lembraram, no voto conjunto.
“A Assembleia não seria hoje a casa da democracia sem, entre tantos outros, ter também o inestimável contributo de um novo som que, falando do proibido , cantava o mundo dos renegados e dos aflitos e marcaria o compasso do 25 de Abr il”, elogiaram.

Agência LUSA 2007-02-22

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BootlegsImprensa
23/02/2007By AJA

Gravação inédita de Zeca Afonso apresentada em Coimbra

O último concerto de Zeca Afonso, numa Queima das Fitas de Coimbra antes de 1974, tem a sua primeira apresentação pública marcada para sábado na cidade, graças a uma gravação inédita feita por um amigo do músico.
Gravado por José Mesquita, amigo de Zeca Afonso, o concerto realizou-se em Maio de 1968 nas “Tardes de Arte”, que integravam o programa da festa dos estudantes da Academia de Coimbra.
“É um testemunho inédito interessante”, disse hoje José Mesquita à agência Lusa, lembrando que o ambiente do espectáculo, imediatamente antes da crise académica de 1969, antecipava já “a preparação da revolução”.
O registo, recolhido por José Mesquita e autorizado por Zeca Afonso, foi feito no antigo edifício (já desaparecido) do Teatro Avenida.
“É uma gravação artesanal, feita com gravadores antigos e um microfone colocado ao pé do Zeca”, explicou o músico e professor catedrático jubilado da Universidade de Coimbra.
No espectáculo, Zeca Afonso interpretou temas na altura recentes como “Pombas”, “Cantares do Andarilho” e “Cantar Alentejano”, este último reclamado pelo público.
“Foi uma tarde muito especial, o público sabia o que ia encontrar, era uma massa académica já bastante politizada”, lembrou José Mesquita.
A gravação tem a sua primeira apresentação pública marcada para sábado à noite na Livraria Almedina Estádio, em Coimbra, no âmbito de uma tertúlia em que amigos de José Afonso assinalam o aniversário da morte do músico, ocorrida há 20 anos.
A homenagem ao cantor organizada por esta livraria conta com a participação de “pessoas que conheceram, conviveram ou se cruzaram com uma das personalidades mais marcantes da canção de intervenção em Portugal”.
Rui Pato, Carlos Correia, Manuel Freire, José Jorge Letria e Abílio Hernandez são alguns dos convidados da sessão.
José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos nasceu em Aveiro em 1929 e morreu em Setúbal, a 23 de Fevereiro de 1987.
Em Coimbra, levou a tradicional vida de boémia e de fados dos estudantes, viajou com o Orfeão e com a Tuna Académica, jogou futebol na Associação Académica de Coimbra e, nos momentos mais difíceis, chegou a trabalhar como revisor no Diário de Coimbra.
Professor de formação, percorreu o País de Norte a Sul, antes de ser expulso do ensino por causa das suas opções ideológicas, lê-se numa nota sobre o evento de sábado.
Agência LUSA 23.2.07

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23/02/2007By AJA

Zeca Afonso. O que dizem dele os jovens

Parte do artigo de João Bonifácio | Suplemento P2 | Jornal Público | 23.2.07

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23/02/2007By AJA

Zeca disperso pelo país

JOSÉ AFONSO GRAVOU DISCOS DURANTE 32 ANOS ENTRE 1953 E 1985. A SUA VASTA OBRA É UM DOS MAIS FUNDAMENTAIS TESOUROS DA HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR PORTUGUESA. ENTRE OS SEUS DISCOS OBRIGATÓRIOS FIGURA, EM MAIORITÁRIA, A PRODUÇÃO EXECUTADA NA DÉCADA DE 1970.

Os consensos nunca foram o ponto forte de Zeca Afonso, mas, 20 anos cumpridos sobre a sua morte, o reconhecimento sobre a importância da obra que legou aproxima-se precisamente daquele grau pleno de aceitação que o autor de “Filhos da madrugada” sempre considerou pernicioso, devido ao risco de inebriar os autores e afastá-los do que realmente importa.

Hoje, artistas representativos de várias gerações, mas também um público numeroso que ainda se revê nos temas que ajudaram a acentuar as fragilidades de um regime putrefacto, continua a ver na obra de Zeca um artista comprometido com a realidade de um tempo que ainda é o nosso.

“As suas canções permanecem frescas e esse é um mérito que ninguém lhe pode retirar”, defende Carlos Tê, o compositor e letrista que enfatiza o interesse ainda suscitado pelos seus discos com a “contínua redescoberta” das novas gerações. “Ver o seu trabalho interpretado por outros é a melhor homenagem que se lhe pode fazer e aquilo a que ele, certamente, mais gostaria de assistir”, adianta.

Sam the Kid é um dos novos autores do meio musical português para quem a obra do cantautor não soa estranha, embora reconheça que “há metáforas escondidas em que eu não percebo tudo”. “É uma música excelente”, afirmou o ‘rapper’, que já usou excertos de ‘Grândola, vila morena’ num dos seus temas”, à agência Lusa.

O interesse pelo material que produziu durante mais de três décadas resiste à óbvia datação histórica de parte do seu trabalho. E se é certo que mais nenhuma releitura da sua música atingiu a visibilidade de “Os filhos da madrugada” – álbum de homenagem em 1994, que reuniu contributos de uma dezena e meia de artistas -, todos os anos surgem novos sinais de fascínio. Um dos mais recentes exemplos é o espectáculo que Cristina Branco apresenta no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa, conferindo novas texturas às suas canções mais emblemáticas.

Se, como compositor, o seu talento é amplamente reconhecido, também como intérprete Zeca Afonso reúne incondicionais. É o caso de produtor e músico Mário Barreiros, fã de “uma voz que primava pela simplicidade”.

Unidos pela devoção, os apreciadores de Zeca convergem também no reconhecimento da escassa divulgação que a sua música merece hoje nas rádios e televisões. Uma pecha que só não é mais grave porque, como sublinha Janita Salomé, “todas as pessoas sabem cantarolar canções do Zeca, tal como acontece com alguns fados”.

“Espírito de andarilho”

O quase unanimismo que rodeia a obra do cantor e compositor nascido em Aveiro – cidade que praticamente ignora a efeméride hoje assinalada – encontra um indicador exemplar no número de localidades que aderiram à data.

Do vasto programa previsto para hoje, o mais ambicioso pertence ao Centro Cultural de Vila Flor, em Guimarães. Hoje e amanhã, há workshops, debates, encenações musicais e sobretudo aquela que promete ser a mais ampla mostra bibliográfica, com discos, livros, brochuras, vídeos, revistas, catálogos e fotografias.

Director da Associação José Afonso (AJA), Paulo Esperança não concorda que a descentralização de eventos possa ofuscar a visibilidade do ambicioso plano de iniciativas a desenvolver ao longo do ano “Pelo contrário. Esta dispersão vai plenamente ao encontro do espírito de andarilho que caracterizou o Zeca, sempre interessado em levar a sua música a novos locais”.

A associação, sediada em Setúbal, pretende fazer da efeméride o pretexto ideal para levar as músicas do cantor a um público numeroso, “não só as pessoas que desde sempre conviveram com elas mas também as novas gerações”.

Depois de Felgueiras, Guimarães e Porto, a AJA quer levar a outras localidades do país, até final do ano, iniciativas capazes de contribuir para que mais pessoas conheçam a sua obra.

“Não estamos dependentes de subsídios. Tentamos potenciar as actividades que desenvolvemos, apresentando-as às autarquias eventualmente interessadas”, diz Paulo Esperança.

“Venham mais cinco” (1973)

Gravado em Paris, inclui algumas das canções que escreveu durante a sua prisão em Caxias.

“Coro dos Tribunais” (1974)

Disco composto e gravado poucos meses após o 25 de Abril. Conta com “O que faz falta” e outras pérolas .

“Ao vivo no Coliseu”

(1983)

Registo em formato duplo que compila o histórico concerto. Ao longo de 17 canções faz-se uma retrospectiva da sua obra. Termina com uma arrepiante “Grândola” cantada pelo público.

“Cantigas do Maio” (1971)

É frequentemente referido como “o melhor disco de sempre da música portuguesa”. Gravado no Outono de 1971 em Herouville, França, conta com arranjos e direcção musical de José Mário Branco. É nesta obra sublime que surgem as canções eternas como “Senhor Arcanjo”, “Cantar Alentejano” (dedicado a Catarina Eufémia) ou “Coro da Primavera”.

Mais importante ainda “Cantigas do Maio” é o disco de “Grândola Vila Morena”.

Sérgio Almeida Jornal de Notícias

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Homenagens e tributos (2007)Imprensa
23/02/2007By AJA

Uma referência 20 anos depois

Músicos de todos os géneros enaltecem a obra pioneira de Zeca Afonso na música contemporânea portuguesa e continuam a beber na sua obra. Uma referência com profundo sentido lírico e intervencionista que ainda hoje faz escola. Desapareceu há vinte anos. Zeca Afonso é uma referência da música popular portuguesa que deixou canções com um profundo sentido do lirismo, afirmaram à agência Lusa músicos de gerações posteriores à do cantautor, que faleceu há vinte anos.A cantora Filipa Pais tinha 19 anos quando Zeca Afonso morreu e recorda-se dele desde a infância. “O Zeca faz parte do meu crescimento e não imagino a música popular portuguesa sem ele”, referiu a intérprete de “À porta do mundo”, álbum com o qual venceu o prémio José Afonso em 2003. Para Filipa Pais, Zeca Afonso tem sido pouco recordado, tirando efemérides como a que se assinala sexta-feira, à passagem dos 20 anos da morte do cantor. “Não passa na rádio, ninguém fala dele e no entanto é a maior referência da música popular portuguesa”, sublinhou.José Afonso, falecido a 23 de Fevereiro de 1987, aos 57 anos, está entre os que fizeram da canção um meio de intervenção. Começou por gravar fados e baladas de Coimbra, mas viria a ser conhecido sobretudo pela interpretação de canções cuja mensagem era tão importante como a melodia, muitas vezes com origem na tradição portuguesa e africana.Sam the Kid, 27 anos e um dos nomes do hip hop nacional, disse que gosta da voz “meio sofrida” de Zeca Afonso, embora nem sempre entenda a mensagem das letras. “É uma música excelente, mas há metáforas escondidas em que eu não percebo tudo”, referiu o músico, que já utilizou nas suas composições excertos de músicas, por exemplo, de Carlos Paredes, e de “Grândola, Vila Morena”, de Zeca Afonso.Se hoje fosse vivo, José Afonso talvez gostasse de hip hop, defende Sam The Kid, que traça um paralelismo entre o trabalho do compositor e este género musical, na tentativa de passar uma mensagem. “O Vitorino disse-me um dia que achava que nós no hip hop tínhamos uma linguagem mais directa e que conseguíamos comunicar mais do que no tempo deles”, recorda o músico.~

No estrangeiro
Zeca Afonso gravou em Londres, Madrid e Paris, sempre de olhos postos na realidade portuguesa, ainda antes da revolução de Abril. Entre 1970 e 1974 lançou “Traz outro amigo também”, “Cantigas do Maio”, “Eu vou ser como a toupeira” ou “Venham mais cinco”. Em Março de 1974 actuou no Coliseu de Lisboa, ao lado de Adriano Correia de Oliveira, Fernando Tordo e Manuel Freire, cantando “Grândola, Vila Morena”, o tema que serviria de senha um mês depois para a revolução.O álbum “Cantigas do Maio”, considerado um dos melhores de Zeca Afonso, é também uma referência para Teresa Salgueiro, dos Madredeus. “Não tinha muitos discos dele e não era uma seguidora muito atenta, mas os meus pais tinham o `Cantigas do Maio¦ que eu cantava muitas vezes”, recorda a cantora.Em 1994, os Madredeus fariam uma versão do tema “Maio Maduro Maio”, para a colectânea “Filhos da Madrugada”, refere Teresa Salgueiro, para quem a morte de Zeca Afonso foi “prematura”, porque “ele fez muito pela cultura portuguesa”. O “profundo sentido do lirismo” é elogiado em declarações à Lusa por JP Simões, músico que canta a geração de 1970 embalado pela guitarra acústica com tons de bossa-nova. Apesar de só ouvir Zeca Afonso há pouco mais de uma década, JP Simões reconheceu que “não há muitas músicas [como as de Zeca] onde as letras sejam tão importantes”, destacando canções como “Maio Maduro Maio” e “Que amor não me engana”.

Participação cívica
Depois da revolução de Abril, Zeca Afonso participou em vários movimentos populares, editou “Com as minhas tamanquinhas”, “Enquanto à força” e “Fura Fura”.Em 1983 voltou a actuar no Coliseu de Lisboa, acompanhado de vários amigos e artistas, mas não chegou a interpretar todas as canções, por causa da doença que o vitimaria quatro anos depois.Em 1985, ainda lançou “Galinhas do mato”, o seu último álbum. Zeca Afonso conferiu à música e à canção popular portuguesa, “de forma inédita e até agora única, um valor social e cultural até aí praticamente inexistente”, qualificou o etnomusicólogo António Tilly dos Santos.

Davide Zaccaria cria projecto
O compositor Davide Zaccaria criou um projecto musical em que pretende fazer confluir cantoras de formações musicais distintas, tendo como pano de fundo a música de José Afonso.“Terra d’Água” é o título do projecto, que junta as cantoras portuguesas Dulce Pontes, Filipa Pais e Lúcia Moniz e as espanholas María Anadon e Uxía. O projecto, cujo álbum é editado precisamente hoje, é um tributo ao músico e poeta que foi José Afonso. Para Zaccaria, recriar o repertório do autor de “Grândola, vila morena”, foi “relativamente fácil” por estar já habituado a ele e“corresponder a uma paixão”. “Tenho tocado e feito arranjos para canções do Zeca, quer com o meu grupo, quer com Dulce Pontes, até neste seu recente trabalho”,assinalou. Relativamente a este projecto, esclareceu ter procurado “apresentar José Afonso fora da simbologia política e dar mais atenção à vertente de compositor”.María Anadon interpreta “A morte saiu à rua”, um poema de homenagem ao escultor José Dias Coelho, assassinado a 19 de Dezembro de 1961, em Lisboa, pela PIDE. De Luís de Camões, com música de José Afonso, Uxía interpreta “Verdes são os campos” e Lúcia Moniz “Que amor não me engana”.Filipa Pais, que já interpretou temas de José Afonso,nomeadamente quando fez parte do grupo Lua Extravagante, canta “Eu dizia”. Dulce Pontes, que também no seu primeiro álbum, “Lágrima”, revisitou o repertório, canta “Coro da Primavera”. Todas estas canções “pertencem ao imaginário colectivo e são uma inspiração para muitos artistas”. “Pretende-se também recuperar e/ou redescobrir músicas menos escutadas”, acrescentou.Das três músicas inéditas, Zaccaria interpreta “Terra de Zeca”, um tema de sua autoria inspirado na música de raiz popular composta por José Afonso.

O Primeiro de Janeiro 23.2.07

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ImprensaRádio
23/02/2007By AJA

Um músico genial mas que não passa na rádio

O músico David Fonseca diz que não está à vontade para falar sobre José Afonso. “Aprecio-o muito mas sinceramente não sinto que tenha sido uma influência e não conheço assim tão bem a obra.” Nuno Gonçalves, dos The Gift, repete esta argumentação: “Respeito-o imenso e sei da importância que ele teve mas talvez me tenha estimulado mais por ser uma pessoa inconformada do que em termos musicais.” O rapper Sam the Kid samplou “uma vez os passos do Grândola, como toda a gente” e até ouve bastante música portuguesa mas prefere temas mais orquestrados do que acústicos. Todos o conhecem e respeitam mas qual o legado que José Afonso deixou, de facto, aos mais jovens músicos portugueses?José Afonso morreu em Setúbal faz hoje 20 anos e, hoje, a sua música vai ouvir-se na rádio, haverá depoimentos na televisão, alguns encontros pelo país, anunciam-se discos de homenagem. Só hoje. “E se não fossem as efemérides talvez nunca o ouvíssemos”, arrisca o crítico musical João Gobern. “José Afonso tornou-se igualmente incómodo antes e depois do 25 de Abril. É impossível pôr em causa a sua qualidade musical, por isso houve quem preferisse atacá-lo pelo lado político.” Mais próximo das utopias do que “das grandes tramóias políticas”, José Afonso tornou-se inconveniente, diz. “Mesmo reconhecendo o seu valor, sabendo que ele tinha um sentido harmónico extraordinário e uma voz excelente.” “O Zeca foi injustiçado em vida e continua a ser muito injustiçado depois de morrer, deveria ser muito mais ouvido e mais lembrado do que é”, confirma Janita Salomé, amigo de José Afonso e um dos poucos que faz questão de manter a memória do seu mestre em discos e espectáculos. “Ele era uma pessoa politicamente empenhada mas, além disso, há a obra poética que é excelente e há o legado musical que é incontornável. Parece-me que o estigma político é muito forte, como se houvesse uma incompatibilidade entre o empenhamento político e a qualidade musical.” Talvez seja preciso passar mais tempo, conclui. “A próxima geração estará distante politicamente e poderá, por isso, ter um olhar menos preconceituoso sobre a obra.”

Músico popular e universal
Exceptuando os músicos da sua geração, como Sérgio Godinho, José Mário Branco ou Vitorino, são poucos aqueles em que se reconhece essa herança de que todos falam mas que poucos usam. A culpa é da comunicação social e dos “padrões estéticos anglo-americanos que são impostos”, diz Janita Salomé. Ou, como explica Quim Barreiros, “os músicos de agora não fazem música popular porque não podem, não são capazes. São melhores músicos mas não têm as referências do folclore, como nós tínhamos.” Poucos se lembram, mas Quim Barreiros chegou a colaborar com José Afonso, no álbum Com as minhas tamanquinhas, de 1976. “O telefone tocou às duas da manhã. Era o Zeca Afonso, que estava com problemas em duas músicas baseadas em folclore e precisava da minha ajuda. Disse-me: pegue na sua gaita e venha cá.” Naquela altura, José Afonso e Quim Barreiros gravavam na mesma etiqueta, a Orfeu, e utilizavam os mesmos estúdios. “Às vezes íamos juntos a umas tasquinhas ali perto”, recorda o acordeonista. Isto apesar das discordâncias políticas. José Afonso era um músico ecléctico, ao mesmo tempo culto e popular. Camané recorda a dificuldade que encontrou quando uma vez tentou interpretar um tema seu: “As músicas dele não eram fáceis de cantar e ele conseguiu pôr o povo a cantá- -las.” E acrescenta: “Ele é talvez um dos melhores músicos portugueses de todos os tempos. Está muito para além da música de intervenção, era um compositor acima da média e um cantor extraordinário. Eu era miúdo quando foi o 25 de Abril e para a minha geração o José Afonso é incontornável, estava sempre na rádio.”Se o fadista aprendeu muito ouvindo Zeca Afonso, Manuel Rocha, da Brigada Vítor Jara, ainda se lembra dos 216 escudos que pagou por Coro dos Tribunais, o primeiro disco que comprou. “Em Coimbra, o Zeca anunciou novas músicas, trilhou caminhos. Ao mesmo tempo, foi um dos primeiros que trabalhou a música tradicional, com cuidado e bom gosto, e que lhe juntou todas as influências, que eram suas e nossas, de África. A sua música, fundada na cultura portuguesa, era universal”, conclui. “Ele criou uma nova forma de ser músico e isso influenciou todos os músicos de hoje, mesmo que não se note na música que fazem.” Além disso, diz, esperançoso, “o êxito é fácil mas os músicos importantes são aqueles que resistem ao seu tempo. E se há uma coisa boa na modernidade é que tudo fica registado, preservado. À espera do seu momento. Bach só foi descoberto muito mais tarde, não foi?”.

Maria João Caetano Díario de notícias Sexta, 23 de Fevereiro de 2007

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Imprensa
22/02/2007By AJA

Nostalgia de Zeca

No momento em que se assinalam os 20 anos do desaparecimento de Zeca Afonso, os amigos e as instituições relembram um dos ícones de Abril, a vida do homem e do cantor e a sua luta pela liberdade de expressão. Rotulado com um homem simples e humilde e considerado um dos maiores nomes de sempre da música portuguesa, que deve ser lembrado todos os dias, Zeca Afonso é recordado pelos mais jovens como um grande cantor, poeta e compositor. O cantor Zeca Afonso, que viveu muitos anos em Setúbal, desapareceu há 20 anos. Esta importante figura do 25 de Abril, autor da célebre canção “Grândola Vla Morena”, uma das senhas da Revolução dos Cravos, desempenhou um papel fundamental na luta contra a ditadura e a liberdade de expressão, antes e pós 25 de Abril. Os seus amigos mais próximos rotulam-no de «simples e humilde» e uma «figura ímpar da cultura nacional». Dimas Soares, um grande amigo do cantor, revela que conheceu o Zeca Afonso por volta de 1967, numa altura em que o artista tinha regressado de Moçambique, depois de uma visita aos pais. O encontro aconteceu num serão musical que se realizou no Clube de Campismo de Setúbal, onde o Zeca estava a tocar e a cantar para várias pessoas. Nessa ocasião, recorda, Zeca Afonso «dava aulas de História» no Liceu de Setúbal. A sua expulsão do ensino, protagonizado pelo antigo regime, lançou o cantor para o desemprego, o que o obrigou a viver apenas da música. «Como ele tinha inúmeras cantigas feitas e registadas na Sociedade Portuguesa de Autores, ganhou muito dinheiro com isso», sublinha Dimas Soares, que acrescenta que «muitos dos concertos» que o cantor dava, eram de «borla», porque ele, acima de tudo, pretendia passar uma mensagem de «humanismo, liberdade e fraternidade» às pessoas. De acordo com o responsável, Zeca Afonso, depois de ter falecido, ainda foi «perseguido», isto porque a maioria das rádios «evitavam passar» as suas músicas. Já Victor Serra, outro amigo pessoal do cantor e ex-presidente do Círculo Cultural de Setúbal, realça que a única iniciativa que se fez na cidade, durante 9 anos, em homenagem à figura foi o “Cantar José Afonso”. «De resto, o Zeca, uma figura ímpar da cultura portuguesa, sempre foi muito esquecido em Setúbal», frisa o responsável. Na sua óptica, Zeca Afonso «não era sectário», porque dava-se «bem com toda a gente». E lamenta que algumas entidades da terra se «aproveitem politicamente» dele para «tirar dividendos partidários». Victor Serra refere que o Zeca Afonso foi um «lutador contra o sistema da ditadura» e que «não deve ser apenas relembrado quando faz anos de morto». Por seu turno, Alípio de Freitas, presidente da Associação José Afonso, afirma que o cantor é uma das pessoas «mais importantes» do país e um «verdadeiro português», antes e após o 25 de Abril, na luta pela «liberdade de expressão». O historiador José Hermano Saraiva, que confessa que não conheceu de perto Zeca Afonso, não tem dúvidas da popularidade do cantor. «Teve uma grande celebridade no seu tempo e estava muito ligado a factores políticos», frisa. Todavia, o professor considera que o artista foi «inteiramente politizado». Na sua opinião, vários partidos de esquerda fizeram dele «um emblema político», o que, sublinha «mata qualquer artista».

Histórias de vida simples e humilde

O músico Dimas Soares, um grande amigo do autor de “Grândola Vila Morena”, conta que o conviveu muito perto com Zeca Afonso. Além de ter participado com ele na gravação de um disco, através do seu acordeão, em finais dos anos 70, a convite do próprio Zeca, Dimas Soares costumava ficar com os filhos do Zeca quando este se deslocava para o estrangeiro, porque havia «uma grande afeição com a nossa família», frisa. E conta ainda que na sua casa do Quebedo, o artista costumava receber «constantemente muitos amigos», devido à sua popularidade. Mas, nos dias em que estava muito cansado, procurava refugio na casa do amigo Dimas. Uma vez teve de pernoitar no Hotel Esperança porque «estava fatigado e precisava de se afastar um pouco» dos amigos. Mas foi o seu amigo Dimas que lhe pagou as despesas da sua estadia na unidade hoteleira, porque o cantor «não costumava andar com muito dinheiro» no bolso, dado que era a sua mulher Zélia que «geria as finanças». Dimas Soares conta ainda que quando Zeca Afonso, «simples, humilde e de grande humanismo», foi libertado pela PIDE, foi ele próprio que o foi buscar a Lisboa, com a sua esposa Emília. «Ele estava calmo e disse-me que lhe fizeram muitas perguntas».

Nova geração enaltece símbolo de Abril

As gerações mais jovens da região conhecem bem o cantor e realçam que Zeca Afonso foi um dos grandes símbolos da Revolução dos Cravos. Carla Santos, estudante na Escola Secundária da Bela Vista, refere que Zeca Afonso foi um «grande cantor, poeta e compositor», tendo criado uma das «senhas do 25 de Abril». Por seu turno, o estudante Pedro Miguel Silva, residente em Azeitão, realça que Zeca Afonso já serviu de mote para um trabalho de grupo que teve de elaborar na escola. Conta que o pai tem discos dele e que o cantor se dedicou à «música durante catorze anos», tendo gravado «28 discos e feito mais de trinta cantigas». Já Susana Garcia, considera que a figura popularizou-se através das «canções de intervenção» e tornou-se uma figura «emblemática do espírito de resistência ao fascismo».

Comemorações a ‘meio gás’

Em Setúbal, como é tradição, realiza-se a romagem ao túmulo do cantor no cemitério ‘velho’, no dia 23, às 16 horas, numa organização da Associação Musical Recreativa 8 de Janeiro, de Alhos Vedros. A cerimónia inclui a deposição de coroas de flores, apresentação de estandartes e discursos. No dia seguinte, às 22 horas, o bar Eleven´s Coffee organiza um concurso de poesia. A entrega de trabalhos deve ser feita por correio, pessoalmente ou por intermédio do e-mail: elevens@sapo.pt. A Associação José Afonso, sedeada em Setúbal, não vai organizar qualquer iniciativa, porque o seu presidente Alípio de Freitas entende que se deve respeitar a vontade da viúva do cantor. «É um dia em que ela quer estar com a memória em descanso e acho que devemos respeitar o silêncio e a vontade dela». Todavia, em Guimarães, o Centro Cultural, presidido por Tino Flores, um velho companheiro do Zeca, vai levar a cabo uma homenagem ao cantor e um concerto no dia 23.

Região de Setúbal online
António Luís 2007-02-16

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ImprensaTestemunhos
22/02/2007By AJA

Um amigo, também | SIC online

Esta sexta-feira, dia 23, completam-se 20 anos sobre o desaparecimento de Zeca Afonso. Porque o cantor vive. A sua música não deixa de nos acompanhar; vive porque a data vai assinalar-se em todo o país, com um sem número de eventos e espectáculos. Zeca Afonso, figura marcante da música portuguesa foi também um homem de dúvidas, de perguntas e intervenções.

Não admira que Portugal celebre Zeca quando passam 20 anos sobre a sua morte. Portugal celebra Zeca sempre que há um motivo para falar dele, e este número redondo que agora passa é uma excelente oportunidade para lembrar e reviver as facetas e a música do cantor de intervenção. O sobrinho do presidente da Câmara Municipal de Belmonte viveu a norte as mais profundas raízes do Salazarismo, e cedo se revoltou contra o “ismo” que ensombraria o país durante quase meio século. Antes, já Zeca tinha vivido entre Aveiro e Lourenço Marques, mas também em Angola. Nada foi pior do que o ano em que vestiu a farda da Mocidade Portuguesa, disse um dia. Por causa do tio – admirador de Salazar, de Franco e de Hitler. Nos anos 40 rumou a Coimbra; consigo levou o canto. Inicia-se nas serenatas e não falta às festas da aldeia. O fado de Coimbra faz também parte de um repertório rico e cantado com garra. ‘Baladas de Coimbra’ é o primeiro disco que grava. Zeca Afonso não temeu nada nem ninguém, e enfrentou uma época conturbada com a guitarra na mão. É com a música que responde aos problemas… Detido pela PIDE, expulso da escola onde dava aulas, preso em Moçambique por ser anticolonialista. A actividade política causa-lhe tantos transtornos que o nome Zeca Afonso começa a ler-se, na imprensa, de trás para a frente, num anagrama que esconde a verdadeira identidade do cantor de intervenção. O esforço vale a pena. ‘Grândola Vila Morena’ fica imortalizada no 25 de Abril de 1974, e Zeca arrecada prémios com baladas e canções. Recusa outros. Como o da Ordem da Liberdade, a mesma que ele procura mas que não aceita como gratificação. O fim dos anos 70 faz-se a cantar, já com o apoio a Otelo para a Presidência da República, mas os anos trazem-lhe a doença que viria a ser fatal. Cada vez mais doente, Zeca vai deixando de se ouvir, e os últimos concertos que dá são em 1983, nos Coliseus de Lisboa e do Porto. Talvez Zeca fosse menos ídolo se não tivesse aliado à música a intervenção política. Talvez. Mas o conteúdo dos seus temas é, em si mesmo, uma resposta, uma pergunta, um clamor para chegar a todos. Uns se zangam, outros reganham ânimo. Vinte anos após a fatalidade, as músicas são repetidas e não deixamos de querer ouvi-lo. Rotularam-no com o epíteto de comunista, e em nome disso o depreciaram. Raros serão, contudo, os que lhe negam competência na História e Música que (nos) fez escutar. Da ‘Balada de Outono’ às ‘Galinhas do Mato’, eis um José Afonso presente, activo e com muito para dizer a cantar. Voz melodiosa e dicção perfeita, marca os ritmos com um tom impossível de copiar. Passam 20 anos sobre a música e o canto de José Afonso, tornado lenda como as que ele próprio imortalizou em verso e timbre. Venham mais cinco ou mais 10, os anos que forem precisos. Zeca não foi efémero. Por isso se tornou imortal.

Graça Costa Pereira
Editora de Cultura
opiniao@sic.pt

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Homenagens e tributos (2007)Imprensa
22/02/2007By AJA

«Palavras de Zeca Afonso fazem todo o sentido»

Um grupo de cidadãos da Guarda vai homenagear José Afonso sexta-feira, com uma tertúlia que incluirá música e referências à vida e obra do cantor de Abril, referiu à Lusa um elemento da organização.
Segundo Jorge Noutel, porta-voz do grupo de sete elementos, o dia em que se assinalam os 20 anos da morte do cantautor ficará marcado pela iniciativa «As palavras e a música do poeta de Abril», agendada para as 21h30, para o Café Central.
«António José de Almeida [conhecido professor do ensino secundário da cidade da Guarda] abordará a vida e obra do homenageado, seguindo-se um espectáculo de música ao vivo com o conjunto Os Feiticeiros de Oz, que interpretará música de intervenção», informou o porta-voz.
O encontro é organizado «por um grupo de cidadãos anónimos que pretende homenagear uma figura de proa da música portuguesa», explicou Noutel.
«Um marco na cultura portuguesa»
«Queremos relembrar Zeca Afonso como um marco para a cultura portuguesa e alguém que contribuiu para que todos nós tivéssemos uma formação cívica actuante», acrescentou.
Foi escolhido para o encontro um café do centro da cidade porque se pretende que a homenagem seja «uma coisa informal e aberta à participação de todos».
O mesmo responsável lançou ainda um repto às rádios locais da Guarda para que no dia 23 de Fevereiro «passem a música de Zeca Afonso, porque as palavras e a música dele fazem hoje todo o sentido».
José Afonso, que ficará para sempre ligado ao 25 de Abril com a canção «Grândola Vila Morena», uma das senhas da revolução de 1974, morreu a 23 de Fevereiro de 1987.

Portugal Diário 2007/02/21

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Homenagens e tributos (2007)Imprensa
21/02/2007By AJA

Portugal presta homenagem a Zeca Afonso

Espectáculos e exposições vão ter lugar um pouco por todo o país
Portugal Diário 2007/02/20

Por ocasião dos 20 anos da morte de José Afonso, que se completam esta sexta-feira, várias iniciativas decorrem em todo o país desde colóquios a exposições, passando pelos espectáculos, informa a agência Lusa.
Sexta-feira, pelas 18:30, a Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) homenageia na sua sede, em Lisboa, o cantor-autor numa sessão em que participam o seu Presidente e vice-presidente, respectivamente, Manuel Freire e José Jorge Letria.
Ainda na capital, às 21:30, no Mercado da Ribeira, ao Cais do Sodré, realiza-se um «Tributo a José Afonso» com os Cantadores de Rusga, Jorge Jordan, Mingo Rangel, Rogério Charraz, e o actor Jorge Castro, que vai ler poemas.
Na cidade de Odivelas realiza-se também, sexta-feira, o colóquio «Conversa em torno da personalidade e do papel de José Afonso na cultura e sociedade portuguesas», que decorrerá no Auditório da Quinta da Memória e que contará, entre outras participações, com a de Miguel Gouveia.
Ainda em Odivelas, é inaugurada, segunda-feira, uma exposição foto-biográfica sobre o músico no átrio dos Paços do Concelho.
Esta mostra, propriedade da Associação José Afonso (AJA), estará patente até 5 de Março.
A exposição «procura traçar o percurso de vida e o testemunho solidário de Zeca Afonso», disse à Lusa Helena Carmo, da AJA.
Na sexta-feira à noite, no Cine-Teatro S. João, no Entroncamento, o cantor João Afonso e o pianista João Lucas apresentam «Um redondo vocábulo».
Durante o espectáculo, o duo percorre cronologicamente canções menos conhecidas e mais intimistas de José Afonso, tio de João Afonso, como «Bombons de todos os dias», «Pombas brancas», mas também as mais emblemáticas como «Era um redondo vocábulo» e «Papuça».
Entretanto, na próxima sexta-feira, pelas 00:30, o canal um da RTP apresenta o documentário «Zeca Afonso – 20 anos da morte», seguindo-se a exibição do concerto «José Afonso ao vivo no Coliseu», realizado a 29 de Janeiro de 1983.
Vários outros espectáculos estão previstos, nomeadamente durante o próximo mês de Abril, na Casa da Música, no Porto, que organiza de 25 de Abril a 01 de Maio, um ciclo dedicado ao cantautor intitulado «Revolução».
Com Adriano Correia de Oliveira, José Afonso foi uma das figuras centrais da canção de intervenção em Portugal.
Canção popular, de intervenção, balada e fado de Coimbra foram áreas musicais exploradas por José Afonso, que em 1985 editou o seu último álbum, “Galinhas do mato”, com as colaborações de Júlio Pereira, Luís Represas, Helena Vieira, Janita Salomé, Né Ladeiras e José Mário Branco.
A 23 de Fevereiro de 1987, aos 57 anos, José Afonso, natural de Aveiro, morreu no Hospital de Setúbal, vítima de esclerose lateral amiotrófica.

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Imprensa
21/02/2007By AJA

José Afonso lembrado um pouco por todo o País | “Primeiro de Janeiro”

José Afonso constitui-se como uma referência do sonho, da procura do humanismo e da utopia de um mundo melhor. Mais do que utilizar a sua música como instrumento de luta, o cantautor foi também um homem e militante político sempre presente no lugar certo dos acontecimentos. Sexta-feira, dia 23, assinalam-se 20 anos sobre a sua morte, uma efeméride que vai ser marcada ao longo do ano com diversas iniciativas.

Goreti Teixeira
A Associação José Afonso (AJA) não teve mãos a medir para a organização de um programa de homenagem que visa recordar José Afonso no ano em que passam duas décadas sobre a sua morte. As parcerias são muitas e estendem-se por várias regiões do País. De acordo com Paulo Esperança, presidente do núcleo do Norte da AJA, todas estas iniciativas têm um objectivo como “partilhar o imaginário do Zeca com quem nunca o conheceu, nem à sua música, muitas vezes em locais onde ele não chegou a tocar”. Uma destas partilhas terminou, ontem, no Clube Literário do Porto que desde quarta-feira apresentou um conjunto de debates em torno da figura do autor de «Traz um amigo também». Quatro dias de testemunhos dos muitos amigos que conviveram de perto com José Afonso e que ficaram também marcados pela inauguração da exposição temática «José Afonso – andarilho, poeta e cantor» que percorre a sua vida desde a infância, passando por Coimbra, Angola e Moçambique, até à sua militância política, discografia e rascunhos de letras musicais.Na cidade berçoDepois do Porto chegou a vez de Guimarães se juntar à festa. A Oficina/Centro Cultural de Vila Flor, em parceria, com a AJA, o Círculo de Arte e Recreio iniciam a sua homenagem, na terça-feira, dia 20, com a exibição do filme «Continuar a Viver» (Os Índios da Meia Praia), sendo que os pontos altos acontecem entre os dias 23 e 24. Assim sendo, a 23, será inaugurada, no grande auditório, a exposição «O que faz falta» que incluirá livros, discos, objectos e documentos pessoais do cantor, seguida do espectáculo teatral e musical «Menino D’Oiro», com dramaturgia e encenação de Gil Filipe. No dia 24, às 15h30, a Banda Militar do Porto actua no pequeno auditório e, uma hora depois, Gil Filipe sobe ao palco para protagonizar a peça «O Incorruptível», de Hélder Costa. Pelas 17h30, «A Vida e Obra de José Afonso» será o tema central do debate que contará com as intervenções de Alípio de Freitas, Mário Barradas, José Mário Branco, Hélder Costa e José António Gomes. A homenagem termina com a música de José Mário Branco, Amélia Muge e João Afonso num concerto intitulado «Maio Maduro Maio», às 21h30, no grande auditório. A noite conta ainda com a presença da poesia de Manuel de Freitas e do grupo galego Ardentía. Paralelamente ao programa do CCVF, a empresa de panificação Pavico e a Biblioteca Municipal Raul Brandão protagonizam, durante todo o mês, a iniciativa «Pão com Sonho» que tem distribuído milhares de sacos de pão com dados biográficos e alguns poemas do cantautor. Entretanto, a 26 de Maio, a Associação Cultural RITUS sedeada em Milheirós de Poiares, concelho da Vila da Feira, tem previsto a realização de um debate, um encontro musical e a inauguração de uma exposição evocativa que reunirá desenhos criados pelos alunos das escolas da região. Já a 3 de Março, em Viana do Castelo, o programa comemorativa inclui um debate e um concerto com 16 músicos, no Teatro Sá de Miranda. Também a Cooperativa Árvore, no Porto, não quis passar à margem da efeméride e entre os meses de Setembro/Outubro, organiza «O Zeca na Cooperativa Árvore» que inclui uma exposição de pintura e escultura. No último trimestre do ano, na Casa das Artes de Arco de Valdevez, a celebração da vida e obra de Zeca será assinalada com um debate, uma exposição e um concerto.

21 de Fevereiro de 2007

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Homenagens e tributos (2007)ImprensaJanita SaloméVitorino
19/02/2007By AJA

Vitorino e Janita juntos em tributo

Os dois irmãos vão passar em revista as canções do ‘mestre’.

No dia em que se assinalam duas décadas sobre o desaparecimento de Zeca Afonso, Vitorino vai reunir-se em palco com o irmão, Janita Salomé, e o músico José Carvalho, para juntos interpretarem os eternos hinos do ‘mestre’. O espectáculo de homenagem dá pelo nome de ‘Zeca Afonso – 20 Anos’ e será realizado a 23 de Fevereiro, no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz, pelas 21h30. Mas o sentido tributo da dupla de músicos alentejanos promete não ficar por aqui. “A ideia é levarmos este espectáculo, cujo alinhamento é inteiramente composto por canções de Zeca Afonso, a outras salas do País. Para que a homenagem se prolongue por todo o ano em que se celebra o aniversário”, explicou Vitorino ao Correio Êxito. O músico do Redondo revelou ainda que o tema ‘Canção da Primavera’ dará o arranque ao concerto, enquanto o revolucionário ‘Grândola Vila Morena’ fechará em apoteose a actuação. Ao longo de 2007, Vitorino acumulará os tributos a Zeca Afonso com a digressão comemorativa dos seus 30 anos de carreira, ‘Tudo! Alentejo, Amor, Lisboa. Ao Vivo!’. A primeira apresentação desta digressão de “Inverno” – conforme Vitorino prefere apelidar – realiza-se esta noite no Fórum Cultural José Manuel Figueiredo, na Baixa da Banheira.“Trata-se de uma série de espectáculos que passam em revista a minha carreira, já que o ano passado, quando lancei o álbum comemorativo, não tive oportunidade de o fazer. E agora que está frio, é a altura mais indicada. Os concertos foram especialmente concebidos para serem apresentados em pequenos auditórios e teatros. No Inverno, as pessoas têm mais predisposição para se aconchegarem a ouvir a música”, brincou.

SÍMBOLO DO POVO

Vinte anos volvidos sobre a sua morte, Zeca Afonso continua a ser um dos símbolos maiores da música portuguesa. Protagonizou uma carreira marcada por uma produção rica e constante que foi só interrompida pela fatalidade da sua morte, corria o ano de 1987. Ao longo do tempo, Zeca Afonso mostrou a sua capacidade criativa em inúmeros géneros, bem como a sintonia com os sentimentos populares do povo português, o que o tornou igualmente uma da vozes do 25 de Abril.

Vanessa Fidalgo Correio da Manhã 2007-01-27

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BiografiaImprensa
19/02/2007By AJA

Correio da manhã | Especial Zeca Afonso | O Andarilho na juventude

José Afonso morreu há vinte anos. Inscrito nas páginas da História como autor da canção que trouxe para a rua a Revolução de Abril, é recordado pelos seus colegas de liceu como um jovem utópico, distraído e profundamente humano.

Vinte e quatro de Fevereiro de 1987. Mais de trinta mil pessoas percorrem as ruas de Setúbal entre a Escola Secundária de S. Julião e o Cemitério da Senhora da Piedade entoando canções de protesto. Uma das maiores manifestações de que a cidade tem memória. Greve? Movimento operário? Estudantil? Não. Na frente do cortejo segue um caixão, coberto com um pano vermelho, e que vai levado em ombros por Sérgio Godinho, José Mário Branco, Júlio Pereira, Francisco Fanhais, Luís Cília… O desfile, que, não fora a urna, mais parece uma festa, é afinal o funeral de Zeca Afonso. Um mar de gente acompanhando o trovador de Abril à sua última morada. Cumprindo a sua vontade, ninguém usa luto.

“Quando vi aquilo na televisão mal podia acreditar: poderia ser o ‘nosso’ Zeca?” Vinte anos depois de ver o amigo partir, feito “um herói nacional”, o engenheiro António Santos Silva ainda tem dificuldade em compenetrar-se de que o “seu” Zeca veio a tornar-se num símbolo, uma figura quase irreal, um nome de rua, de escola, uma “estátua fria ‘numa praça de gente madura’”, como escreveu no seu livro de 2000 sobre Zeca Afonso, sugestivamente intitulado ‘Antes do Mito’. Para ele, José Afonso continua a ser ainda hoje o seu companheiro de liceu, o “gajo porreiro” que chumbara duas vezes quando se conheceram em 1946. “Era então conhecido como o ‘Torgupês’, por falar uma linguagem na qual baralhava as sílabas. Carlos Couceiro, que chegara de Angola nesse ano, e que também veio a tornar-se engenheiro, era outro dos membros daquela “turma de repetentes”. “Quando falávamos assim, com as sílabas trocadas, ninguém nos entendia, tal era a velocidade”, conta. Os dois velhos amigos estavam longe de imaginar que algum dia aquele rapaz desprendido, “completamente desligado das coisas materiais e sem qualquer sentido prático da vida” viria a ser o Zeca Afonso, conhecido por todos, símbolo da Revolução dos Cravos e referência musical de várias gerações. “‘Que vai ser deste gajo?!’ – era o que a malta pensava”, refere Santos Silva no seu livro.

Percorrendo as ruas da Alta de Coimbra, Santos Silva e Carlos Couceiro, pai do piloto Pedro Couceiro, aceitaram fazer para a Domingo uma viagem no tempo e na memória, recordando alguns dos episódios passados com o ‘seu’ Zeca, na inocência dos verdes anos, quando o jovem estudante dava voz às serenatas e os três saltavam os muros do liceu para penetrar nos bailes aos quais não tinham acesso por falta de dinheiro. Foi na sequência de uma noitada dessas – por sinal, frustrada, já que não tinham conseguido os seus intentos e a noite fora passada no alto do muro à espera que a guarda montada, que patrulhava a avenida, dispersasse – que o jovem Zeca, estoirado pelas emoções da aventura, adormeceu na aula de Ciências Naturais, em plena chamada. “O professor chamou pelo número dele, duas vezes” recorda Santos Silva. “Olhámos. O Zeca dormia profundamente, encostado à parede. ‘Pronto!’, pensei. É desta. Vai ser expulso da aula e chumba o ano. Qual não foi o nosso espanto quando o professor leva o indicador aos lábios e faz: ‘Schiu!’” É que, apesar de “distraído” e “mau aluno”, nas palavras dos seus velhos companheiros, José Afonso seduzia todos pela sua forma de ser autêntica, “sem poses”.

Zeca distinguia-se já entre os seus pares pela sua profunda aversão a qualquer tipo de amarras ou forma de autoridade. Era conhecido o seu horror a polícias que, mais tarde, lhe veio a trazer alguns dissabores assim como a quem o acompanhasse nas ocasiões em que mostrava atitudes provocatórias. Como daquela vez em que seguia no eléctrico e resolveu contar em voz alta uma anedota sobre o então Presidente do Conselho: “Quando se queria falar do Salazar, para que ninguém percebesse, dizia-se o António”, explica Santos Silva. E prossegue: “diz então o Zeca: ‘Olha, sabes, o António tem um cancro… Coitadinho do cancro!” Depois de muito se rirem, os dois amigos apeiam-se do eléctrico, logo seguidos por outro indivíduo. É então que Santos Silva se apercebe que o companheiro ficou para trás: o outro tinha- -o agarrado pelos colarinhos. “O Zeca, à rasca, a tentar escapar e o tipo mostra- -lhe algo na própria lapela: ‘Sabes o que é isto?’. ‘Sei lá o que é essa m….’, responde o Zeca. Aquela ‘m….’ era uma insígnia: o gajo era um PIDE. Não sei como é que ele escapou! Mas ele era assim, dava a volta a toda a gente! Disse ‘m….’ a um PIDE e nem sequer foi preso!”, remata o antigo colega, entre gargalhadas.

Alguns anos antes deste episódio, contudo, muito inocente e longe de qualquer consciência política, o aluno do liceu deslocara-se com uma delegação de estudantes a Braga, para uma comemoração do 28 de Maio, data em que fora implantado o Estado Novo, e participara num momento de euforia no qual a multidão acabara levantando em braços o Marechal Carmona. Uma experiência empolgante, à época, da qual mais tarde se envergonhava, exclamando, quando lha recordavam, com um sorriso meio comprometido: “Tu nem me fales nisso, pá!”
José Afonso vivia então com o irmão mais velho, João, em casa da sua tia Avrilete. Santos Silva era hóspede e lembra que ali se revelou a faceta anticlerical do jovem: “A tia Avrilete era muito devota e ia todos os dias à missa. Um belo dia, à saída da igreja, a senhora caiu e partiu um braço. O Zeca, que estava sempre a gozar com a religiosidade da tia, não perdeu a oportunidade: ‘Está a ver! Devia ter ficado em casa!’. Mas a tia Avrilete apressou-se a garantir que ainda iria agradecer ao Senhor a graça concedida: ‘Podia ter sido pior!’ E o Zeca: ‘Não vá, olhe que ainda cai outra vez! E não é que caiu mesmo?!!”

Em frente à casa da tia Avrilete morava uma jovem costureirinha de origem humilde, Maria Amália, por quem o cantor não tardou a apaixonar-se. Casou à revelia da família e foi instalar-se com a esposa num quarto alugado paredes-meias com o inseparável Santos Silva. Foi ali que conheceram o Dr. Jorge P. com quem os jovens estudantes descobriram o cinema neo-realista italiano e autores como Jorge Amado e Pablo Neruda: “Desconfiávamos que ele era comunista, embora nunca nos tenha tentado ‘engajar’ no partido. Mas com ele assinámos abaixo-assinados a favor dos presos políticos, da Amnistia Internacional… foi, sobretudo para o Zeca, uma iniciação política”. No entanto, quem realmente governava a casa era a mãe do Dr. Jorge P., Dona Guilhermina: “Era uma chupista, via-nos apenas como hóspedes para dar lucro”. A velha senhora, que poupava até na comida que servia para rentabilizar os ganhos, tinha ao seu serviço uma criada chamada Maria, que explorava até mais não. “Era vê-la, às sete da manhã, já a lavar a roupa no tanque do quintal. Pois, certo dia, a moça adoeceu. Tossia que metia dó. Mas a D. Guilhermina, indiferente à febre que lhe rosava as bochechas, recusava-se a chamar um médico”. E então, deu-se a gota de água, conta Santos Silva: “Numa manhã, a Maria Amália foi dar com ela a lavar a roupa no quintal, com um frio de rachar. O Zeca ficou furioso: ‘De certeza que o Dr. Jorge não sabe disto’”. Mas o dono da casa sabia. O desencanto foi demasiado. E José Afonso mudou-se com a mulher para um pequeno apartamento no Beco da Carqueja. Esperavam um filho e a situação financeira era precária. O casamento ressentia-se, não só dos fracos recursos como da diferença cultural entre ambos. Nesse período, os dois grandes amigos de Zeca viviam na República do Sobado Kakulo, e Carlos Couceiro recorda as muitas noites – e manhãs! – em que se deparou com o companheiro deitado, na sua cama, “a dormir ferrado”. “Que remédio tinha eu senão estender um colchão no chão!” E, rindo, conta como o amigo lhe levava a capa e batina “em muito melhor estado que as dele!” e mesmo os sapatos: “Um dia, o tipo até levou um sapato dele e um meu! Dei com ele na Baixa e disse-lhe: ‘Dá cá isso!’ Nem se tinha apercebido.”

Deprimido com as dificuldades financeiras e com o casamento em crise, José Afonso trava um dia conhecimento com uma personagem descrita por Santos Silva como uma espécie de “hippie prematuro”, pelo qual os dois jovens desenvolveram profunda admiração: “Vagueava pelo mundo em busca da ‘luz do nada’. Defendia o despojamento material e tinha preocupações ecológicas”. Estavam criadas as condições para o desenvolvimento de uma corrente filosófica pessoal, a que Zeca deu o nome de Pantrampismo: tudo é trampa. Os amigos chegaram a pensar publicar um jornal que servisse de suporte àquele original paradigma de pensamento. Para a publicação, que nunca chegou a ver a luz do dia, escreveram quadras e sonetos. Mas as circunstâncias da vida não tardariam a separar os três amigos. Estava-se em 1953 e findavam os anos da inocência. Nada seria como antes. Para Santos Silva e Carlos Couceiro, o amor mal sucedido, a falta de dinheiro, os revezes na faculdade, as desilusões com “o mundo real” vieram a ser determinantes no génio criativo que então despertou. Pois, se José Afonso já era então conhecido como um razoável cantor de fados – dando voz às guitarras de António Portugal ou do próprio Carlos Couceiro e às violas de Durval Moreirinhas e Mário Barroso, entre outros –, ainda não começara a escrever nem a compor. Sobrevivia a custo da mesada, algumas aulas particulares que dava e das costuras de Maria Amália que entretanto se empregara à noite no Teatro Avenida a vender doces no intervalo das sessões.

No final dos anos cinquenta, à beira do divórcio e já a dar aulas, Zeca escreve as primeiras baladas. Em Coimbra, todos o conhecem. Frequenta a “ala esquerda” da Brasileira, na qual desponta uma ‘movida’ intelectual. Poetas, jornalistas e artistas fazem ali longas tertúlias. Rui Pato, hoje médico e director do Hospital dos Covões, tinha então 14 anos e desde os 11 tocava viola com vários músicos em casa de António Portugal – um grupo de jovens artistas conhecido como o ‘Portugal dos Pequeninos’. Foi numa das tertúlias da Brasileira que Zeca uma noite exclama: ‘Preciso de uma viola!’ O pai de Pato, jornalista no ‘Primeiro de Janeiro’, responde: ‘O meu filho tem lá uma viola’. E leva “a malta toda lá para casa”. Sentado a um canto, o adolescente observa José Afonso que toca ‘O Menino de Oiro’: “Às tantas, vi que ele estava a engatilhar com aquilo. Muito a custo, lá ganhei coragem e sugeri que talvez conseguisse acompanhar. Tinha aprendido viola clássica e comecei a fazer um dedilhado muito simples mas que caiu ali bem. E o Zeca diz: ‘Esse puto é que me vai acompanhar’! Passado uns dias estava num estúdio de gravação!”

Iniciou-se então a parceria que iria durar até ao final dos anos sessenta, quando Rui Pato acabou por ter de optar entre medicina e a música. Apesar do seu imenso talento, com quota parte de responsabilidade pelo sucesso de Zeca, optou pela primeira. Mas os dados estavam lançados: o menino d’oiro iniciava a sua subida apoteótica rumo à imortalidade. Onde chegou. Mas essa parte da estória, já todos a conhecem…

FILOSOFIA
Ninguém dava muito pelo rapaz, detestava amarras, tinha profunda aversão à autoridade. Zeca até deu nome a uma corrente filosófica: o Pantrampismo; ou seja, tudo é uma trampa. Depois descobriu a música. António Pato acompanhava-o à guitarra.

AS RECORDAÇÕES DE MARIAZINHA
FAMÍLIA APARTADA
A infância de Zeca ficou marcada pelas partidas dos pais e irmã mais nova, Mariazinha, para Timor e depois para Moçambique. Depois dos primeiros anos em Angola com toda a família junta, permanecia longos períodos em casa de familiares com o irmão mais velho João, em Belmonte e em Coimbra. Mariazinha, hoje com 75 anos, recorda as difíceis separações: “Eu era muito ligada ao Zeca. O meu irmão João era mais fechado. Lembro-me de um almoço em Lisboa, antes da nossa partida para Moçambique. As lágrimas corriam-me pela cara. Quase tiveram de me arrancar de junto dele.” Mas a relação entre os dois irmãos manteve-se sempre. Foi Mariazinha que, juntamente com os pais, acabou por “criar” os filhos mais velhos de Zeca que, ironicamente, cresceram longe dos pais, tal como ele próprio crescera. Numa ocasião, Zeca foi a Moçambique visitar a família. Acabou por lá ficar 24 horas. Foi levado pela PIDE. Quando regressou a Portugal, Mariazinha assistiu a alguns concertos, como o do Coliseu: “Tremiam-me as pernas. Eu nunca via serenamente os espectáculos do meu irmão”. Acabou por acompanhá-lo mais regularmente na última fase da sua vida. No dia do enterro, quando viu a multidão e tomou noção da dimensão atingida por Zeca, ficou “assombrada”. E recorda as palavras do filho naquela tarde: “Mãe, o tio Zeca já não é nosso”.

GRÂNDOLA VILA MORENA
A HISTÓRIA DO HINO
De todas as canções de Zeca que ficaram para a história da música portuguesa, ‘Grândola Vila Morena’ ficou como ícone incontornavelmente associado à liberdade.Hélder Costa, hoje director artístico do Teatro A Barraca, natural daquela vila alentejana, contou à Domingo a estória da canção que serviu de senha aos militares de Abril: “Na primeira metade dos anos 60, o País estava em polvorosa. As lutas estudantis de 62 tinham desencadeado um movimento de greves operárias e, em Grândola, a Sociedade Fraternidade Operária Grandolense fazia mexer toda a região”. Espectáculos de teatro, concertos e happenings sucediam-se na colectividade também conhecida como ‘Música Velha’. Foi ali que Hélder Costa, que estudava em Coimbra, levou, em Maio de 64, dois artistas já conhecidos para fazer um espectáculo com um programa aliciante: “Primeira parte – Carlos Paredes; segunda parte – Zeca Afonso”.Impressionado com o ambiente de solidariedade e luta que se sentia na ‘Música Velha’, o músico regressou a casa e dois dias depois enviou uma carta a um dos directores da Sociedade, José da Conceição. Nela vinha um conjunto de quadras: o original de ‘Grândola Vila Morena’. “E não é que o sacana perdeu a carta?!”, exclama Hélder Costa. Mesmo assim, a canção nasceu, foi orquestrada em Paris vários anos mais tarde por José Mário Branco… e o resto faz parte da História.

EM CD DUPLO
REGRESSO DO CANTOR
Os 20 anos da morte de Zeca são pretexto para numerosas manifestações de Norte a Sul do país, entre espectáculos, debates e edições de discos. A Farol Música lança agora a reedição de uma colectânea cujo original saiu em 1983 sob a chancela da Orfeu, em triplo disco de vinil, pela primeira vez em Portugal. São trinta canções, datadas entre 1968 e 1981.

A CANÇÃO DE NOBRE GUEDES
‘VENHAM MAIS CINCO’
José Afonso foi um homem indiscutivelmente ligado à Esquerda, embora sempre se tenha recusado a ser arrumado em qualquer partido. Apesar disso, a sua dimensão universal permitiu-lhe granjear admiradores em todas as cores do espectro político. Luís Nobre Guedes, um dos rostos mais conhecidos do CDS-PP, é um deles e até chegou a eleger ‘Venham Mais Cinco’ como a sua canção favorita. Não poupa elogios a Zeca que define como “um poeta extraordinário e um músico fantástico”, dotado de “uma voz belíssima”. Lembra-se de o ouvir ainda no tempo do antigo regime, numa “rádio meio-clandestina que havia aí” e possui mais do que um disco daquele “grande artista”. A quem possa estranhar que um homem assumidamente de Direita goste tanto de um cantor de posição radicalmente oposta à sua, Nobre Guedes responde sem rodeios: “A arte não é de Esquerda nem de Direita!”

Myriam Zaluar | 2007-02-18

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Homenagens e tributos (música)Imprensa
16/02/2007By AJA

Um outro Zeca Afonso em Macau

“Um Redondo Vocábulo” é o título do espectáculo promovido pela Casa de Portugal em Macau que João Afonso e João Lucas irão protagonizar a 15 de Fevereiro e que percorrerá canções menos conhecidas de Zeca Afonso.

Com bilhetes entre os 10 e os 15 euros, o espectáculo decorrerá no pequeno auditório do Centro Cultural de Macau e de acordo com a organização será um concerto “intimista” que contará com a voz de João Afonso (sobrinho do malogrado cantor) e com a música ao piano de João Lucas.”Viajando entre os temas oníricos da primeira fase musical de Zeca Afonso, com baladas como “Pombas Brancas” e outros de um surrealismo Afonsino marcado, de que são exemplo “Redondo Vocábulo”, “Papuça” e o inédito “Bombons Todos os Dias”, entre outros, o recital mergulha numa linguagem musical nova e intensa”, lê -se na nota explicativa do concerto.Escolhidas pessoalmente por João Afonso, as músicas do alinhamento do espectáculo percorrem cronologicamente “canções menos conhecidas e mais intimistas de José Afonso”.Além de Macau, os dois músicos seguem depois para a Tailândia onde repetem a actuação na Embaixada de Portugal na capital tailandesa numa iniciativa que conta com o apoio do Centro Cultural Português daquela cidade.As receitas do concerto em Macau revertem a favor do projecto de construção de uma escola em Timor-Leste, uma iniciativa da Casa de Portugal, que em 2006 se deslocou àquele país numa visita mista de turismo e apoio com a distribuição de bens aos jovens e crianças timorenses.
Notícia do “Ponto Final” portal do diário de Macau

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Homenagens e tributos (2007)Imprensa
16/02/2007By AJA

Clube Literário do Porto homenageia José Afonso

Clube Literário do Porto homenageia José Afonso no mês em que se assinala 20 anos sobre a sua morte
Estrela na constelação da utopia«20 Anos de Caminho» é o tema da homenagem organizada pela Associação José Afonso e que decorre até amanhã no Clube Literário do Porto. O serão de anteontem foi dedicado aos testemunhos de dois grandes amigos do cantautor, Alípio de Freitas e Benedicto Garcia Villar.

Goreti Teixeira
O dia foi dos namorados, mas a noite foi dedicada a lembrar aquele que ainda hoje é considerado um dos mentores da música de intervenção em Portugal: José Afonso. Este ano assinalam-se 20 anos sobre a sua morte e, um pouco por todo o País, as iniciativas sucedem-se para recordar não só o músico, mas o homem e militante político que utilizou a música como instrumento de luta em prol de um mundo melhor. Anteontem, o Clube Literário do Porto abriu as suas portas à homenagem «20 Anos de Caminho», organizada pela Associação José Afonso, que termina amanhã, com um debate em torno da música e para o qual foram convidados Francisco Fanhais e José Mário Branco. Em vez das rosas, os cravos vermelhos decoravam a sala. Em vez da música romântica ecoava a «Grandola, Vila Morena» através de uma gravação inédita que registou a primeira vez em que o tema foi cantado na Galiza. Sentados à mesma mesa estiveram Alípio de Freitas, presidente da associação, e Benedicto Garcia Villar, cantor galego, que durante anos acompanhou José Afonso. Ao longo de mais de uma hora, ambos falaram das suas vivências pessoais com o cantautor. Alípio de Freitas recusou-se a falar especificamente da obra, pois não se considera um estudioso “como aqueles que organizaram toda uma teoria sobre o Zeca e que jamais lhe teria passado pela cabeça, porque ele nunca planeou nada. Ia avançando de acordo com a sua percepção e, por isso, esteve sempre no lugar certo”, disse o orador que, aos 26 anos, parte para o Brasil, onde começou a sua grande experiência de vida. “Fui preso, torturado, exilado, lutei contra a ditadura na América Latina e só ouvi falar de Zeca Afonso quando, depois de ter enviado uma carta para Portugal, me apercebi que do outro lado estava alguém que se preocupava com a luta que estávamos a travar”, explica. Mas apesar da distância e do desconhecimento, Alípio de Freitas recorda que a primeira vez que o viu, em 1980, “abracei-o e achei que o tinha reencontrado e não que o estava a conhecer”. Um sentimento mútuo que perdurou até aos últimos dias de vida do músico, quando Alípio se tornou o seu repórter pessoal lendo-lhe todos os jornais e revistas, contando-lhe as intrigas políticas, “porque grande parte das pessoas que o visitavam pareciam que estavam num funeral”, constata. “Com ele – continua – aprendi imensas lições: a da solidariedade, a da amizade e do estar atento ao mundo que me rodeia e compreendi o sentido de todas as suas canções, porque nada nele foi casual”. Para este amigo, José Afonso, assim como Camilo Torres, Che Guevara, Adriano e outros nomes mais que “deram a vida pela utopia, por um mundo melhor” não estão em parte incerta, são “estrelas na constelação da utopia e, destas estrelas, os astrónomos não percebem nada”, assegura.
Benedicto Garcia VillarCompanheiro de ViagemJuntamente com José Afonso, Benedicto Garcia Villar andou, segundo Alípio de Freitas, “a incomodar aqueles que eram os senhores do poder e só não o fizeram mais porque não lhes foi permitido”. Um privilégio que o ex-cantor galego afirma “não se poder resumir em palavras”. Para complementar o seu testemunho pessoal trouxe um conjunto de documentos escritos e áudio e fotografias inéditas que são o registo dos muitos momentos vividos por ambos e que intitulou de «História de uma amizade incombustível». A primeira vez que ouviu José Afonso foi através do disco «Traz outro amigo também» e, juntamente, com um grupo de amigos partiu em direcção a Portugal para o conhecer.

Notícia da edição on-line do “Primeiro de Janeiro” 16 de Fevereiro de 2007

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Homenagens e tributos (2007)Imprensa
14/02/2007By AJA

Guimarães homenageia José Afonso vinte anos depois da sua morte

Durante dois dias, o Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, será o palco das várias iniciativas do programa de «Homenagem a José Afonso», organizado em parceria com outras entidades. Concertos, exposições e colóquios são alguns dos eventos previstos, ontem anunciados em conferência de imprensa.

Goreti Teixeira
A 23 de Fevereiro de 1987, a voz daquele que ainda hoje é considerado um dos mentores da música de intervenção em Portugal deixou de se ouvir. José Afonso morreu vítima de doença incurável, mas nem por isso o legado musical que deixou se perdeu no tempo e são muitos os que ainda o recordam com saudade.No próximo dia 23 deste mês assinalam-se 20 anos sobre a sua morte e, um pouco por todo o País, são muitas as iniciativas que visam lembrar a data. A Oficina/Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães apresentou, ontem, em conferência de imprensa, o programa de «Homenagem a José Afonso». Em representação das entidades organizadores estiveram José Bastos (A Oficina), Tino Flores (Círculo de Arte e Recreio), Paulo Esperança (Associação José Afonso) e Rui Guimarães (Associação 25 de Abril). A programação inicia-se com a exibição do filme «Continuar a Viver» (Os Índios da Meia Praia), no dia 20, no Cineclube de Guimarães, pelas 22h00, sendo que os pontos altos da homenagem acontecem entre os dias 23 e 24. Assim sendo, a 23, será inaugurada, no grande auditório, a exposição «O que faz falta» que incluirá livros, discos, objectos e documentos pessoais do cantor, seguida do espectáculo teatral e musical «Menino D’Oiro», com dramaturgia e encenação a cargo de Gil Filipe.No dia 24, pelas 15h30, a Banda Militar do Porto actua no pequeno auditório e, uma hora depois, Gil Filipe sobe ao palco para protagonizar a peça «O Incorruptível», de Hélder Costa. Ao final da tarde, pelas 17h30, «A Vida e Obra de José Afonso» será o tema central do debate que contará com as intervenções de Alípio de Freitas, Mário Barradas, José Mário Branco, Hélder Costa e José António Gomes. A homenagem termina com a música de José Mário Branco, Amélia Muge e João Afonso num concerto intitulado «Maio Maduro Maio», às 21h30, no grande auditório. A noite conta ainda com a presença da poesia de Manuel de Freitas e do grupo Ardentía.Além do programa do CCVF, a empresa de panificação Pavico e a Biblioteca Municipal Raul Brandão protagonizam, durante todo o mês, a iniciativa «Pão com Sonho» que tem distribuído milhares de sacos de pão com dados biográficos e alguns poemas do cantautor.

Notícia do “Primeiro de Janeiro” 14.2.07

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DiscografiaImprensa
13/02/2007By AJA

A música de Zeca num duplo CD

Dar a conhecer às gerações mais novas a obra de José Afonso é um dos objectivos da reedição pela Farol de um duplo CD com 30 canções de José Afonso, cuja morte ocorreu há 20 anos.Esta edição, nas lojas na próxima semana, “é aquela que melhor resume a carreira de José Afonso, abrangendo desde a canção de Coimbra à de intervenção política”, disse à Lusa João Miguel Almeida, director-geral da Farol.”O alinhamento da edição original foi do próprio Zeca Afonso – esclareceu – pelo que não fomos autorizados a fazer alterações, para além de termos melhorado o aspecto gráfico”. “Natal dos simples”, “Menina dos olhos tristes”, “Verdes são os campos”, “Eu vou ser como a toupeira”, “Coro dos tribunais” ou “Grândola, vila morena”, são alguns dos temas incluídos na colectânea licenciada pela Movieplay Portuguesa à Farol.João Miguel Almeida sublinhou “o papel pedagógico e cultural” desta reedição, na medida em que pretende “dar a conhecer às gerações mais novas um marco fundamental da música popular portuguesa”. A edição do duplo CD insere-se no projecto da editora em realizar antologias de nomes fundamentais da música portuguesa, explicou o mesmo responsável, adiantando que Fernando Tordo “é um dos nomes na calha”.
in Jornal de Notícias

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Imprensa
11/02/2007By AJA

…o Zeca Afonso com a matéria que sobrou…

Retirado da revista “Pública” 4 de Fevereiro 2007
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Imprensa
02/02/2007By AJA

“A música sai à rua” – Jornal de Letras

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Associação José AfonsoImprensa
19/11/2006By AJA

Notícia no “Correio da Manhã” de hoje

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Associação José AfonsoImprensa
24/05/2006By AJA

Câmara de Setúbal ajuda Associação José Afonso

A Câmara Municipal de Setúbal vai atribuir um apoio financeiro de cinco mil euros à Associação José Afonso (AJA), como ajuda para o processo de instalação desta colectividade, actualmente com sede provisória na Avenida S. Francisco Xavier, revela fonte da autarquia.
O apoio vem no seguimento de um protocolo estabelecido, no ano passado, entre as duas instituições, em que a autarquia se comprometia a ajudar financeiramente no pagamento das rendas das instalações provisórias da associação.
As obras de remodelação e adaptação do espaço definitivo da AJA, na Rua de Damão, não ficaram concluídas dentro do período inicialmente previsto, pelo que a Câmara Municipal decidiu atribuir cinco mil euros para o pagamento das rendas referentes ao ano de 2006, entre os meses de Janeiro e Maio.
Os trabalhos na futura sede da Associação José Afonso devem ficar terminados brevemente, pelo que a AJA continuará, até essa altura, nas actuais instalações provisórias.

http://www.reporter.online.pt/

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ImprensaTestemunhos
11/05/2006By AJA

Zeca, 75 Anos

Por NUNO PACHECO
Jornal Público | 02 de Agosto de 2004

Aveiro, 2 de Agosto de 1929. Na freguesia da Glória nascia um menino que teria o nome de José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos. Pai: José Nepomuceno Afonso, magistrado. Mãe: Maria das Dores, professora primária. Não tardarão a embarcar, os pais, para África. Ele irá depois.

Aveiro, 2 de Agosto de 2004. Hoje. Junto à Praça Fonte Nova, uma rua vai receber o nome do menino que foi para África e voltou, para aqui viver, cantar e morrer: José Afonso. Há outras ruas ou praças com o nome dele, em terras que alguma vez o viram ou ouviram, na sua errância pelo Portugal que amava, aquele que lhe permitia sentir de perto a vida das suas gentes. Agora haverá mais uma, na cidade onde nasceu. À noite, para que e lembrança não se confine à laje suspensa da toponímia, haverá música de homenagem no Largo do Rossio (21h30). De entrada livre, como ele idealizava o universo, e com nomes próximos: Sérgio Godinho, que com ele cantou, e Vítor Almeida Silva que, de óculos de aros grossos, o imitou no antigo “Chuva de Estrelas”.

Depois, o que virá? De novo o silêncio? O que é possível saber dele, para que o não esqueçam? Há, disponíveis, além dos discos, vários livros e informações dispersas que permitem conhecer melhor não só o músico como também o homem (ver caixa). Para este ano, a juntar aos materiais disponíveis, prevê-se o lançamento pela primeira vez em DVD (há uma edição, em VHS) do Concerto no Coliseu dos Recreios de Lisboa, gravado a 29 de Janeiro de 1983 e difundido pela RTP com críticas do próprio cantor pela forma como o programa foi, então, montado e reduzido. Mesmo assim, ficou para a história como o único registo videográfico disponível de um momento irrepetível: sendo o primeiro concerto de José Afonso como músico profissional foi também o último, porque a doença que o minava (uma esclerose lateral amiotrópica) só lhe daria mais quatro anos de vida. Morreria em Setúbal, a 23 de Fevereiro de 1987, com 57 anos.

Uma noite histórica e outros registos

Na noite do Coliseu, tensa e inesquecível, há um momento em que a voz do cantor cede à comoção e denota um estrangulamento breve, numa passagem da “Balada do Outono” que, ali e naquelas circunstâncias, soava já como epitáfio: “Águas das fontes calai / Ó ribeiras chorai / Que eu não volto a cantar”. Muitos dos presentes não conseguiram esconder as lágrimas e ainda hoje, ao ouvir ao gravação do espectáculo, é possível sentir esse momento como um arrepio. Com José Afonso, nesse palco onde o abraço era já meia despedida, estavam, entre músicos e cantores, Octávio Sérgio, Lopes Almeida, Durval Moreirinhas, António Sérgio, Rui Pato, Francisco Fanhais, Fausto, Júlio Pereira, Janita Salomé, Serginho, Guilherme Inês, Rui Júnior e Rui Castro.

A edição do DVD, quase pronta, reunirá, segundo a editora que a preparou (a Costa do Castelo), mais uma hora de extras à gravação do concerto tal como foi difundido pela RTP, também com 60 minutos (terá sido impossível uma remontagem, para ampliação, do material original). Serão sete extras, no total, todos dos arquivos da RTP: uma participação do cantor no programa Lugar de Exílio, em Maio de 1980, onde fala, da sua vida e carreira, e canta, acompanhando-se à viola (a gravação é a cores); uma espécie de teledisco gravado numa quinta de Azeitão, 1981, com a canção “Saudades de Coimbra”; imagens do 25 de Abril com “Grândola Vila Morena” em fundo; e vários registos a preto e branco, dele a cantar: “Os vampiros”; “Menino do bairro negro” na série Coimbra Musical, em 1978; “Os fantoches de Kissinger”, na série Pifelin, 1975; “Milho Verde”, num dueto com o cantor francês Georges Moustaki, 1975; e um registo do I Encontro Livre da Canção Portuguesa, no Palácio de Cristal do Porto, logo a seguir ao 25 de Abril (na noite de a 3 de Maio de 1974), ele e outros cantores a entoarem juntos “Venham mais cinco”.

Grândola e o que se seguiu

Para quem conhece mal ou não conhece sequer José Afonso, refira-se que dos três aos dez anos ele andou por Angola (1933-36), Aveiro (1936), Moçambique (1937), Belmonte (1938-39), devido a obrigações de carreira do pai. Em 1940 vai para Coimbra, onde casa pela primeira vez e onde fica até ser chamado ao serviço militar, em 1953. Entretanto, começa a cantar. Primeiro no liceu, depois na Universidade. Rui Pato, seu amigo, acompanha-o à viola. Grava o primeiro 45 rotações, “Baladas de Coimbra”, em 1958 e, durante uma deslocação ao Algarve (é então professor) conhece aquela que virá a ser a sua futura mulher: Zélia Santos. É com ela que, em 1964, ruma de novo a África, com destino a Moçambique, uma viagem decisiva no cimentar da sua consciência anti-colonial. No regresso, é expulso do liceu e perseguido pelas suas posições políticas. Canta mais para sobreviver do que por opção de carreira, mas no entanto os seus discos começam a ser bandeira de uma geração que vê nele um dos seus mais lúcidos arautos.

A escolha de “Grândola Vila Morena” para senha do 25 de Abril de 1974 associa para sempre o seu nome à história da revolução dos cravos. De 1966 até 1985 gravou 15 álbuns, todos já reeditados em CD (a esmagadora maioria pela Movieplay, que possui o catálogo Orfeu, mas também pela EMI-VC e pela Strauss). O último, “Galinhas do Mato”, teve em 2002 uma edição especial, pela MVM, com um documentário vídeo extra, com vários depoimentos. A estes álbuns juntaram-se nestes anos algumas colectâneas e três outros CD com gravações antigas: “Carlos Paredes/José Afonso/Luiz Goes”, da EMI, 1992 (que tem, por exemplo, o “Coro dos Caídos” e “Canção do Mar”), “Os Vampiros” (uma edição medíocre da Edisco, de 1987) e “De Capa e Batina”, esta com libreto biográfico de 72 páginas e textos de José Niza (Movieplay, 1996).

Para perpetuar a sua obra e memória, como músico, poeta, cantor e compositor, têm contribuído a actividade da Associação José Afonso, o prémio musical José Afonso atribuído anualmente pela Câmara da Amadora e os discos (de homenagem ou reencontro) “Filhos da Madrugada” (1994) e “Maio Maduro Maio” (1995), onde se propõem diferentes releituras de muitas das suas canções.

DISCOS OBRIGATÓRIOS

Sem dispensar outros, há pelo menos cinco discos de José Afonso de audição obrigatória, todos disponíveis em CD: “Baladas e Canções” (1967, com registos de 1964), “Traz Outro Amigo Também” (1970), “Cantigas do Maio” (1971). “Venham Mais Cinco” (1973) e ‘Como Se Fora Seu Filho” (1983). Correspondendo a várias fases da sua evolução criativa, são obras-primas.

OBRAS BIOGRÁFICAS

A par de inúmeros artigos dispersos, há três livros de referência: José Afonso—Andarilho, Poeta e Cantor”, editado pela Associação José Afonso (1994), “José Afonso, O Rosto da Utopia”, de José A. Salvador (Terramar, 1994, 1999) e “Zeca Afonso, As Voltas de um Andarilho”, de Viriato Telas (Ulmeiro, 1999).

MEMÓRIAS INTIMISTAS

Aos ensaios juntam-se memórias de amigos ou familiares. É o caso de “José Afonso, Um Olhar Fraterno”, do irmão mais velho do cantor, João Afonso dos Santos (Caminho, 2002) e de “Zeca Afonso Antes do Mito”, de um amigo dos tempos de Coimbra, António dos Santos Silva (Minerva, 2000). De José Jorge Letria, cantor nos anos -70, há três: “José Afonso: O Que Faz Falta”, colectânea de depoimentos co-organizada com José Fanha (Campo das Letras, 2804); “Zeca Afonso e a Malta das Cantigas”, a história contada aos mais novos (Terramar, 2882); e “Carta a Zeca Afonso”, epístola em forma de poema (Universitária Poesia, 1999).

POESIA E CANÇÕES

Livros com poemas e canções há três: uma reedição actualizada de “Cantares”, editado pela Nova Realidade em 1965 e reeditado pela Fora do Texto, Coimbra, 1992; o pequeno “Quadras Populares”, de 1982. reeditado pela Ulmeiro em 1990; e, por fim, o único que reúne a totalidade da sua poesia, “Textos e Canções, editado pela Assírio & Alvim em 1983 e com última edição revista e aumentada por Elfriede Engelmayer datada de 2000. Este último é essencial.

ANÁLISE DA OBRA

O livro mais relevante é “José Afonso, Poeta”, de Elfriede Engelmayer, estudiosa da obra de José Afonso (Ulmeiro, 1999). Mas é também digno de nota o opúsculo “A Música Tradicional na Obra de José Afonso”, de Mário Correia (Câmara da Amadora, 1999).

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Benedicto Garcia VillarGalizaHomenagens e tributos (2006)Imprensa
29/04/2006By AJA

Notícia de “A Coruña Digital” sobre a homenagem feita a José Afonso

Benedicto e Miro Casabella, pertencentes ao movemento da nova canción galega, reúnense na Coruña para honrar a Jose Afonso.

A. R..A Coruña

“Durante os últimos vinte anos, ninguén cantou á palabra en Galicia”. É Miro Casabella, músico das Voces Ceibes que crearon en galego pola Galicia perseguida. Alto e sereno, aperta ao que fora un dos seus compañeiros no movemento musical da última década do franquismo, Benedicto, pequeno e de fala rápida.

Non é doado velos xuntos. Onte reuníronse na Coruña nunha homenaxe que o colectivo Urbano Lugrís rendeu á voz da Revolución dos Caraveis, Jose Afonso, na que tamén participaron, e cantaron, os fundadores de Fuxan os Ventos e actualmente integrantes de A Quenlla, Mini e Mero.

Recordan xuntos con paixón. Recordan as moitas veces que encheron o Pavillón de Deportes de A Coruña e como Jose Afonso reuniu auténticas masas entregadas na cidade herculina. E recordan a súa contribución a remover unha sociedade na que cantar canción social era perigoso.

Ambos foron amigos do cantante luso e Bendicto traballou con el na música durante dous anos. “Era un xenio, tremendamente nervioso, pero capaz de converter ese carácter nun acto de xenialidade creativa”, explica Benedicto, agora profesor en Ames. “Se fose inglés ou americano, nin Bob Dylan”, engade.

“Era unha voz crítica permanente e sempre pasaba lista”, lembra Benedicto. “E foi quen de, sen saírse das raíces, innovar; gozaba coa cultura popular”.

Miro Casabella e Benedicto explican ademais o amor que sentía o autor de Grandola, vila morena por Galicia. “Sempre dicía este era o lugar onde mellor lle entenderan”.

Casabella defende a vixencia de voces como a de Jose Afonso ou de movementos como Voces Ceibes. “É máis necesario ca nunca”, di.

“Houbo un tempo de sequía dende os oitenta ata agora”, afirma crendo que os tempos mudan. “Ningúen cantou palabra en Galicia, non estaba premiado dicir cousas”, considera o músico.

Ambos gustan da música que se fai agora en Galicia, dende o rap a o folk e admiran a todos os grupos que son quen de levar a cultura galega por todo o mundo, como Luar na lubre, Berrogüetto, Susana Seivane, Xosé Manuel Budiño ou Carlos Núñez.

Pero din que hai que facer máis. “Deixouse de axudar a xente que compón, toca ou canta”, lamenta Miro Casabella.

“Axudan ao audiviosual, axudan aos que practican balompé e crean a Selección Galega de fútbol, pero non aos músicos”, explica Casabella.

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Homenagens e tributos (2006)Imprensa
14/04/2006By AJA

Zeca no Luxemburgo

José Afonso recordado no Luxemburgo. Diário das Beiras do dia 12 deste mês. Informação retirada do blog de Octávio Sérgio “guitarradecoimbra.blogspot.com”

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Imprensa
03/03/2006By AJA

José Afonso: o último concerto da clandestinidade

– Revista “Pública” 27 de Fevereiro 2006

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Imprensa
02/03/2006By AJA

O Zeca Afonso é o nosso Bach

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ImprensaTestemunhos
27/02/2006By admin-aja

O Zeca Afonso é o nosso Bach

Admiradores do cantor querem ver a obra
“fora do comum”
que ele deixou estudada em profundidade

Omnipresente, o espírito de José Afonso pairou, desde a tarde de sexta-feira até à madrugada de ontem, por todos os recantos do Centro Cultural Vila Flor, de Guimarães – até no parque de estacionamento se ouviam os discos do Zeca. No exterior, uma Chaimite e alguns soldados tornavam mais óbvia a relação umbilical com Abril. Debates, exposições, livros, filmes, documentários e, claro, muita música em dois concertos – com reminiscências do canto livre e dezenas de amigos em palco – atraíram mais de um milhar de pessoas (entre eles, três padres ou antigos sacerdotes) à homenagem que marcou os 19 anos da morte do cantautor. A canção, essa, continua viva. Aliás, ouviu-se dizer que foi dos maiores criadores universais, melhor do que os Beatles e só equiparável a Bach. Por isso, rompeu um clamor: “Estude-se o Zeca!”.
“Bach sintetizou tudo o que havia antes dele e reinventou o futuro. Depois dele, ninguém inventou mais nada. O Zeca Afonso é o nosso Bach”, sublinhou no debate o professor universitário Alípio de Freitas, ex-padre e guerrilheiro, companheiro de Che Guevara e precursor do Movimento dos Sem-Terra, a quem o cantor dedicou um tema quando ele era torturado nas prisões da ditadura brasileira. “Estudem-no profundamente, porque ele foi adiante de qualquer um”, exortou Alípio, num emocionado testemunho – em especial quando se referiu à canção que o ajudou a sair do cárcere e se tornou num símbolo da luta contra a opressão na América Latina.
O paralelismo entre José Afonso e os clássicos foi também estabelecido pelo crítico musical Octávio Fonseca – autor de livros sobre Carlos Paredes e José Mário Branco. “O Zeca utilizava compassos combinados, muito pouco usuais até na música erudita”, acentuou, no decurso de uma explicação técnica sobre a obra do cantor, ilustrada com temas em que a “linguagem metafórica é mais incompreendida”. “Poeta brilhante e melodista fora do comum com uma imaginação desabrida”, sintetizou o crítico musical, para quem a nova música popular portuguesa terá resultado da “transformação” que José Afonso operou na canção de Coimbra.

As “missas ateias e inócuas”
O padre Mário de Oliveira (da Lixa) preferiu traçar outro paralelismo: entre José Afonso e Jesus Cristo – ambos “politicamente perigosos”. E aludiu à força que a fé cristã e a revolução podem ter quando unidas, sem deixar de referir que o Zeca “se está burrifando” para as homenagens, preferindo ver “outros a lutar pelas suas causas”. Se assim não for, sublinhou Mário de Oliveira ao seu estilo demolidor, este tipo de iniciativas “não passam de missas ateias e inócuas e de feiras de vaidades”.
Na mesma linha, o jornalista Rui Pereira pediu “menos entronização e mais estudo” para a obra de José Afonso, enquanto outro jornalista, Viriato Teles, relembrou o sentido de humor do autor da senha do 25 de Abril, e pediu que haja sempre “festa” nas homenagens que lhe façam.
E foi isso mesmo que aconteceu durante os concertos de sexta e sábado à noite. A solo ou em grupo, misturados ou não, dezenas de amigos cantaram as músicas do Zeca – os contemporâneos, como Manuel Freire, Pedro Barroso e o padre Francisco Fanhais, evocando também alguns episódios desconhecidos. Os outros – como Amélia Muge, Canto Nono, Astedixie, Luanda Cozetti (filha de Alípio de Freitas) ou os galegos Uxía e Ardentía – mostrando a influência do Zeca na sua formação.

Alexandre Praça, in Jornal Público, 27.2.2006

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Homenagens e tributos (2006)Imprensa
21/02/2006By AJA

Avalancha cultural nos 20 anos de Zeca

O ‘cantautor’ Zeca Afonso vai ser homenageado dias 24 e 25 em Guimarães, com debates, concertos, animação de rua e o lançamento de um livro. Trata-se de um dos mais vastos programas de sempre à volta do compositor português falecido em 23 de Fevereiro de 1987.
O tributo, intitulado “No caminho dos 20 anos”, inclui dois concertos no Centro Cultural Vila Flor, o primeiro dos quais dia 24, com Manuel Freire, Pedro Barroso, João Loio, De Outra Margem, Chamaste-me Ó, Dino Freitas e Manuel de Oliveira. Dia 25, actuam os galegos Ardentía e Uxia, a par de Amélia Muge, Luanda Cozetti, Francisco Fanhais, José Fanha, Zé Perdigão, Canto Novo e Astedixie.
A anteceder o primeiro concerto, a editora Arca das Letras vai lançar “Zeca Sempre”, livro de depoimentos de autores galegos e portugueses sobre o cantor.
Na tarde do segundo dia, haverá um debate sobre “José Afonso, o músico, o poeta e o homem”, moderado pelo jornalista Rui Pereira e com a participação de Alípio de Freitas, José Viale Moutinho, Octávio Fonseca, padre Mário de Oliveira e Viriato Teles. O programa inclui também a exposição “Zeca Afonso o sonho cantado”, que estará patente na Biblioteca Raul Brandão entre 23 de Fevereiro e 13 de Abril.
Um “workshop” intitulado “(Re)Viver Abril com Zeca Afonso – Para um didáctica de unidade”, animação de rua, emissão de vídeo e a projecção do filme “O Anúncio”, de José Cardoso, em que José Afonso interpreta “Vejam Bem”, são outras iniciativas.
Poesia nos sacos de pão
A homenagem integra ainda, a partir da meia-noite dos dois dias, sessões de música e poesia de José Afonso. “Pão com Sonho” é outra iniciativa do tributo, que consiste na distribuição, em Fevereiro e Março, de milhares de sacos de pão com dados biográficos e alguns poemas de José Afonso.
Os bilhetes para os concertos custam 15 euros (um dia) e 25 euros (dois dias). O programa é organizado pelo Círculo de Arte e Recreio, associações José Afonso e 25 de Abril, e Régie Cooperativa Oficina, com o apoio da Câmara de Guimarães e de instituições da cidade.

Jornal de Noticias

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AJA NorteImprensaNúcleos AJA
03/02/2006By AJA

Sacos para o pão com Zeca Afonso

Para assinalar aniversário da morte, panificadora e biblioteca lançam campanha cultural direitos reservados

Nos dias 24 e 25, haverá um espectáculo de homenagem a Zeca Afonso, que durará 30 horas

A empresa de panificação Pavico e a Biblioteca Raul Brandão, de Guimarães, voltam a unir esforços para uma nova campanha. Em Fevereiro, para assinalar a data da morte de Zeca Afonso, vão ser lançadas 100 mil embalagens de pão, em papel, com dados sobre a vida e obra do autor de “Os vampiros”.

As embalagens serão usadas nos vários postos de venda daquela empresa, no centro e periferia de Guimarães. A campanha “Pão com sonho” consta de uma biografia do cantor e letras das canções “Menino d’oiro” e “Utopia”, inscritas nas embalagens.

Francisco Fidalgo, da Pavico, sublinha que as campanhas “surtem efeito, porque reforçam a imagem da empresa” e, também, porque “já têm um público fiel, que pergunta pela próxima iniciativa”. A campanha “Pão com sonho” surge na sequência de outras resultantes da mesma parceria. A primeira surgiu em 1996, “Pão com livros”. Seguiram-se “Pão com poesia”, em 1997, “Pão com liberdade”, em 1999 (evocação dos 25 anos do 25 de Abril) e “Pão com Teatro”, em 2002.

Esta é uma das iniciativas de um amplo programa de homenagem ao cantor, promovido pela Associação José Afonso. O ponto alto é um mega-espectáculo, nos próximos dias 24 e 25, no Centro Cultural de Vila Flor, com duração de 30 horas

Joaquim Forte
Jornal de Notícias, 2006/01/02

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Homenagens e tributos (2006)Imprensa
30/12/2005By AJA

José Afonso homenageado em Guimarães

2005/12/12

Espectáculo deverá durar 30 horas e servirá como rampa de lançamento para as comemorações dos 20 anos da morte de cantor, que terão lugar em 2007

A Associação José Afonso vai participar na organização de um mega-espectáculo de homenagem ao cantor de «Grândola Vila Morena», a realizar a 24 e 25 de Fevereiro de 2006, em Guimarães, anunciou hoje fonte do núcleo nortenho daquela estrutura.

O espectáculo, que deverá durar 30 horas, vai realizar-se no Centro Cultural Vila Flor, numa iniciativa do Centro de Arte e Recreio, com o apoio da Câmara Municipal de Guimarães, Associação 25 de Abril, Associação José Afonso e da Régie Cooperativa Oficina.

A direcção musical está a cargo de José Mário Branco, enquanto o encenador e dramaturgo Hélder Costa será o responsável pela cenografia e montagem, disse à Agência Lusa Paulo Esperança, responsável do Núcleo do Norte da Associação José Afonso, que acaba de ser reactivado, após um período de paralisação.

Paulo Esperança referiu que o espectáculo servirá como rampa de lançamento para as comemorações dos 20 anos da morte de José Afonso, que terão lugar em 2007.

Aquele responsável referiu que o programa da iniciativa será divulgado logo que esteja concluído.

“Portugal diário” – www.portugaldiario.iol.pt

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ImprensaTestemunhos
27/11/2005By admin-aja

Jorge Sampaio comove-se com as canções de José Afonso

O Presidente da República fez ontem em Grândola um comovido regresso ao passado, mais precisamente ao período que antecedeu o 25 de Abril de 1974 em que as canções de intervenção tiveram uma importância “significativa” para a democracia portuguesa. Depois de ter visitado a colectividade onde José Afonso actuou em 1964, a Fraternidade Operária, Jorge Sampaio reconheceu que as suas canções “ficam para sempre”. A cerimónia de homenagem nacional a José Afonso foi um tributo que a Câmara Municipal de Grândola quis prestar ao cantor “que se inspirou neste povo para a canção que foi a senha para o dia da libertação”, salientou Carlos Beato, presidente do município. A sessão foi preenchida com uma actuação da banda da Sociedade Filarmónica Fraternidade Operária, que interpretou vários temas de José Afonso, terminando com a ” Grândola Vila Morena” cantada pelas crianças da escola básica. “Fiquei muito contente por ver os jovens a interpretar Zeca Afonso”, destacou Jorge Sampaio, que se deixou envolver pelas orquestrações “bem conseguidas” pelos músicos da terra. Para o Presidente da República, as canções de intervenção que percorreram o universo contestatário do antigo regime “são momentos de história significativa da vida portuguesa”.Jorge Sampaio não pode ver o palco onde actuou José Afonso em 1964, “por se encontrar em muito mau estado e não haver verba para o recuperar”, lamentou um dirigente da Fraternidade Operária. José da Conceição, membro da direcção desta colectividade, a quem José Afonso enviou em 1964 a primeira versão das quatro que foram elaboradas para a canção ” Grândola Vila Morena”, recordou que quando o cantor lá entrou ficou siderado quando viu expostas obras de Lenine. “Um autor com uma leitura tão indigesta”, comentou Sampaio, admirado pela a ousadia dos grandolenses. Os sobressaltos que têm afectado a democracia portuguesa justifica a necessidade de senhas “como aquela que representou a canção chave da noite de 25 de Abril de 1974”, advertiu o Presidente da República. Por isso, frisou: “Me sinto comovido quando ouço as canções de Zeca Afonso”, recordando aquela vez que ouviu Grândola Vila Morena “ao serviço daquele dia inesquecível”. A sua vivência com o homenageado não foi muito forte, “mas tenho os seus discos, embora um pouco desarrumados”, revelou Sampaio, frisando que o seu relacionamento foi mais forte com Adriano Correia de Oliveira. Comentando o paralelismo entre a situação actual e a de antes do 25 de Abril de 1974, o chefe do Estado disse que “sobre a liberdade nada está definitivamente conquistado, tal como a liberdade de expressão que deve ser uma luta quotidiana”.Hélder Costa, natural de Grândola e director do Grupo de Teatro a Barraca, lembrou o percurso que fez ao lado de José Afonso. Primeiro em Coimbra onde estudou Direito e vivia na República do Prá-quistão, que Zeca Afonso visitava. “Nessa altura já era célebre pelas canções. Nós éramos amigos sendo ele mais velho”.Lembra-se de ele dedilhar as primeiras notas do “Menino é d’oiro” “e malta a gozá-lo para ele parar com a mariquice”.Depois convidou-o a vir até Grândola, onde o cantor ficou admirado “pela actividade cultural e artística” da Fraternidade Operária. Todos os anos em Maio esta colectividade realizava grandes manifestações culturais. Foi lá que Hélder Costa levou à cena a sua primeira peça de teatro ” Gota de Mel”, um libelo contra a guerra, que foi logo proibida.Assim, em 17 de Maio de 1964, a colectividade conseguiu levar Carlos Paredes e José Afonso a um espectáculo que ficou na memória do povo de Grândola e que acabou por se transformar no elemento criador da ” Grândola Vila Morena”. “O entusiasmo foi grande, foi uma loucura”, recordou Hélder Costa. Nessa noite estreou canções que ninguém sabia que tinha e passados uns dias mandou a letra da ” Grândola Vila Morena” para um dos directores da colectividade José da Conceição. O presidente da Câmara de Grândola, Carlos Beato, recordou no seu discurso de homenagem que “foi aqui que ele se inspirou encontrando amigos em todas as esquinas e foi aqui que ele imortalizou para sempre a Vila Morena”. Mais tarde, em 1971, José Mário Branco fez a orquestração em Paris onde o “Cantigas de Maio” foi gravado.

Carlos Dias, in Jornal Público, 25.10.2004

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