Excerto de uma comunicação proferida em 09Nov03, em Coimbra, no seminário A Canção de Coimbra e os seus Cultores, por José Anjos de Carvalho
FADO DAS ÁGUIAS (Ó águia que vais tão alta)
FADO DAS ÁGUIAS (Ó águia que vais tão alta)
Também do jornal “República” de 1973, uma reclamação de Zeca Afonso sobre a qualidade da prensagem do vinil (LP), “Venham Mais Cinco”, hoje já editado em CD.
Retirado daqui
Escrito por Independente de Cantanhede 05-Jun-2007
À primeira vista é apenas uma modesta casa comercial situada no topo mais ocidental do largo da vila. Porém, poucos saberão que, por detrás das paredes do nº 315 da Rua Dr José Gomes da Cruz, passou e conviveu gente famosa como os cantores Zeca Afonso e Carlos Paião, entre outros.
É com um misto de saudade e emoção que João Oliveira “Alfaiate”, hoje com 82 anos, se refere ao seu antigo Café Escondidinho: “Foi aqui que nasceu a canção Cantares do Andarilho, com Zeca Afonso a ensaiar os primeiros acordes acompanhado pelo seu viola Rui Pato”, conta este antigo alfaiate, o último a abandonar esta profissão na vila da Tocha. Também Carlos Paião, celebrizado mais tarde através da canção Em Playback, que o lançaria numa efémera carreira a solo devido à sua morte precoce num acidente de viação, “aqui retemperava energias com umas bifanas e uns copos” sempre que o conjunto Ideal Ritmo, de Ílhavo, onde foi vocalista, vinha actuar no primitivo e vizinho salão da Associação Recreativa 1º de Maio, no intervalo dos bailes.
Hoje, transformado em retrosaria, do antigo café restam as pinturas alusivas nas paredes, junto ao tecto, únicas marcas que ficaram de um passado cheio de histórias, saudade e encanto.
Neste disco, entre outros temas, podemos encontrar José Afonso cantar “Minha mãe” e Balada Aleixo” acompanhado por Durval Moreirinhas e José Niza em guitarras clássicas.http://www.smithsonianglobalsound.org/containerdetail.aspx?itemid=2669
Com o título “Quem se despiu na via pública, onte, às 4 da tarde?”, no Diário de Lisboa (7.5.75), Rogério Rodrigues conta a história de uma mulher “de que não se conhecia o nome”, que ontem, às quatro da tarde, fazia strip-tease enquanto dançava, ao centro do cruzamento da Avenida Miguel Bombarda com a Avenida 5 de Outubro.”Visivelmente surpreendidos, alguns espectadores da cena, invulgar em ruas de Lisboa, dirigiram-se para a mulher no intento de a proteger das vistas de quem passava e de quem parava, persuadi-la a vestir-se e abandonar o local. No meio da confusão, surge o repórter António Capela, que começa a disparar. Os populares, indignados com o que consideram ‘uma baixeza moral’, investem sobre ele, insultam-no, empurram-no, agridem-no e só a intervenção do proprietário da drogaria vizinha impede que não lhe partam a máquina. (…) Entretanto a mulher tinha sido levada para o limiar de um prédio com porteira à porta. Já vestida, olhava apática para as pessoas que a rodeavam. Dizem-me que se chamava Maria Teresa. ‘Não sou Maria. Não sou Teresa. Tenho muitos nomes.’ Tinha os lábios encortiçados e recusava o copo de água que lhe ofereciam.””Quem se despiu na via pública, ontem, às 4 da tarde?”. interroga-se o jornalista. que passa a contar o percurso de vida, entretanto averiguado, de uma mulher de 41 anos, divorciada, sucessivamente actriz de revista, emigrante no Brasil, cantora de fado e que agora, no intervalo de tratamentos no Júlio de Matos, “mudava discos no pick-up” de uma boite em Benfica.Usava o nome de Teresa Torga “porque há um escritor que se chama assim” e ela gostava muito de ler, conta uma vizinha. A última vez que o repórter a viu seguia ela num carro da polícia para a esquadra do Matadouro.Zeca Afonso lê a crónica, magnífica, põe-lhe notas e voz, e imortaliza-a.


“República” foi gravado em Roma, em 30 de Setembro e 1 de Outubro de 1975, nos Estúdios das Santini Edizioni. Álbum de solidariedade para com o jornal República e a Reforma Agrária, editado em 1975, com interpretações de Zeca e de Francisco Fanhais, que inclui um tema inédito, «Foi no Sábado Passado», escrito a propósito de uma manifestação de solidariedade com a revolução portuguesa, realizada em Roma. Os outros temas são: «Para não dizer que não falei de flores», do brasileiro Geraldo Vandré, «Se os teus olhos se vendessem», «Canta camarada», «Eu hei-de ir colher macela», «O pão que sobra à riqueza», «Vampiros», «Senhora do Almortão», «Letra para um hino» e «Ladaínha do Arcebispo».
Editado por iniciativa conjunta do Manifesto e das organizações Lotta Continua e Vanguardia Operaria, nunca foi distribuído em Portugal. O produto da venda dos discos destinava-se ao apoio da Comissão de Trabalhadores do Jornal “República” ou, caso o jornal fosse entretanto extinto, ao Secretariado Provisório das Cooperativas Agrícolas de Alcoentre.
Um documentário de Jorge Pereirinha Pires e José Francisco Pinheiro
Documentário sobre as gravações do último disco de José Afonso, «Galinhas do Mato», a convite de Nuno Rodrigues – antigo compositor da Banda do Casaco, e actual editor da MVM, a etiqueta discográfica responsável pela reedição de «Galinhas do Mato» em CD, onde este trabalho foi incluído como extra.
Podem vê-lo em http://bravadanca.blogspot.com/2006/06/um-bom-pastor-video-2001.html
Incluído originalmente no álbum “Traz outro amigo também” aqui fica o sempre actual texto de Bernardo Santareno.
Bernardo Santareno