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Discografia
Home Discografia Page 2

Category: Discografia

Discografia
08/11/2010By AJA

Excerto de uma comunicação proferida em 09Nov03, em Coimbra, no seminário A Canção de Coimbra e os seus Cultores, por José Anjos de Carvalho

FADO DAS ÁGUIAS (Ó águia que vais tão alta)

Deste fado existem numerosas gravações e reedições. A letra deste fado não é de José Afonso. A 1ª quadra é de Camilo de Castelo Branco, foi cantada por Custódio José Vieira na Récita de Despedida de 1906 e, tal como está a ser cantada desde os anos 50, não respeita a versão original (está estropiada).
A 2ª quadra deste fado data de 1946, é da autoria de Fernando Quintela, o Poeta Quintela, de seu nome completo António Fernando Rodrigues de Lemos Quintela, que conviveu com Augusto Camacho na mesma República (o Palácio da Loucura) e que fez a quadra a pedido do próprio Augusto Camacho, que queria cantar este fado na 1ª Serenata de Coimbra que, em Dezembro de 1946, foi transmitida pela antiga Emissora Nacional; Augusto Camacho só conhecia a quadra de Camilo de Castelo Branco, pelo que precisava de uma 2ª quadra para poder cantar esse fado.

Comunicação completa

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Alípio de FreitasDiscografiaNo verso dos versosTestemunhos
11/03/2010By AJA

Luanda Cozetti sobre a música “Alípio de Freitas”

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Discografia
13/12/2009By AJA

Alerta, coleccionadores

Encontrado aqui

EP editado pela editora Alfama com o mesmo alinhamento do EP “Balada do Outono” editado pela Rapsódia – EPF 5085:
Lado A
“Balada de outono” e “Vira de Coimbra”
Lado B
“Amor de estudante” e o instrumental “Morena”

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DiscografiaGeorge Harrison
11/06/2009By AJA

Disco russo com músicas de José Afonso e George Harrison!!!


Se bem se lembram, esta é uma revista-disco de origem soviética que inclui canções de José Afonso e de George Harrison.
O meu amigo João Carlos Barradas já me traduziu o texto, o que, obviamente, todos agradecemos.
Começámos por ir até à vila de Alcácer do Sal. Deambulámos pelas ruas estreitas, fomos a duas casas de conhecidos. “Sim, estiveram cá – disseram-nos -, mas levantaram-se às cinco da manhã e foram-se embora. Para onde? Talvez para Grândola”. Em Grândola a mesma história. “Foram-se embora por volta das três”.

O nosso guia e motorista Michel Giacometti, além de ser um conhecedor ímpar do folclore português, também é dado a generalizações filosóficas: “Nalgum lado – aventa Michel – tem de estar”.

É difícil contestar semelhante consideração e prosseguimos a nossa busca de um indivíduo cujo nome é popular por todo o Portugal. Chama-se José Afonso. Ou simplesmente Zeca. Cantor, compositor, poeta. Autor das canções presentemente mais difundidas em Portugal. Sobre o povo, àcerca da luta por um futuro melhor.

Demos com o Zeca na aldeia de São Francisco da Serra. Sobre umas quantas horas passadas com o Zeca já escrevi na imprensa e, portanto, para não me repetir, vou falar das canções do José.

“Gândola Vila Morena” é notável. Com certeza que já a escutaram. Mas pode ser que não tenham ouvido “Baleizão”. Em Baleizão, há cerca de 20 anos, os fascistas mataram a camponesa comunista Catarina Eufémia e José Afonso compôs uma canção sobre o pesado quinhão dos camponeses de Baleizão e a sua coragem.

José Afonso pertence àquela corte de artistas plenamente empenhados em “cantar o espírito da liberdade” ao serviço do grande ideal da luta contra a tirania e a injustiça, pela liberdade e a democracia. Ele ergue barricadas ao lado daqueles que celebra e com quem comunga na luta nas fileiras da frente.

A musa da sua arte vive nos míseros casebres camponeses, labuta nas minas de Aljustrel, pesca sardinhas nos frágeis veleiros dos pescadores da Nazaré. As canções de José Afonso ajudaram as gentes a viver e lutar durantes os anos do domínio fascista.

“Sou muito feliz agora – disse-me Zeca – antes era feliz por participar na luta contra o fascismo e conceber canções para o povo. Mas, agora, sou muito feliz porque derrubámos o fascismo e as pessoas dizem-me que continuam a precisar das minhas canções. Que planos tenho? Trabalhar como sempre trabalhei. Talvez tenha de trabalhar mais um pouco do que ontem e amanhã mais ainda do que hoje. Quando se respira melhor também melhor se canta”.

Oleg Ignatief (correspondente da “Pravda” em Lisboa de 1979 a 1984)
Lisboa-Moscovo
Tradução de João Carlos Barradas
Encontrado AQUI

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Discografia
25/04/2009By AJA

Duas Colectâneas do Festival des politischen Liedes onde figura “Grândola, vila morena”


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DiscografiaVídeo
13/04/2009By AJA

Clip promocional do álbum “Galinhas do Mato”

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DiscografiaImprensa
19/08/2008By AJA

Recortes

Um recorte do jornal “República” de 1973(?), sobre um recital que não aconteceu. Proibido pelo Governo Civil com a parceria activa da polícia de choque…

Também do jornal “República” de 1973, uma reclamação de Zeca Afonso sobre a qualidade da prensagem do vinil (LP), “Venham Mais Cinco”, hoje já editado em CD.
Retirado daqui

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Discografia
11/08/2008By AJA

O disco “Baladas e canções” não será reeditado?

A editora EMI – retirou de catálogo este título de José Afonso.
Não dizem quando voltarão a editá-lo.
Não é considerado suficientemente atractivo em termos financeiros!

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Discografia
07/08/2008By AJA

Música: Ovação inicia recuperação de espólio em vinil para CD

O álbum “Gira-discos”, editado pela Ovação, inicia uma série que recupera do vinil para o suporte digital o espólio desta editora e da extinta Estúdio, nomeadamente um tema de Coimbra com José Afonso, disse o editor Fernando Matias.
“Estamos, através desta série e de uma outra, intitulada ‘clássicos da rádio’, a recuperar o espólio que temos, fundamentalmente da discográfica Estúdio”, explicou Fernando Matias.
A opção “é pela transversalidade do repertório musical, procurando abranger os diferentes géneros musicais desde o fado de Lisboa à canção coimbrã, passando pela pop, a popular e a ligeira”, precisou.
O primeiro CD, agora saído, reúne vozes como as de José Afonso, enquanto solista do Orfeão Académico de Coimbra, Maria da Fé, Luís Goes, Quadrilha e Tony de Matos.
“Muitos destes nomes grandes que hoje ainda estão na memória colectiva correm o risco de serem esquecidos, o que seria injusto para o seu talento, como para a memória da música portuguesa”, afirmou Fernando Matias.
Segundo este, a gravação de 1962 da “Balada Aleixo”, a mais antiga do CD, assinala “o momento em que José Afonso abandona o acompanhamento por guitarra e é solista do Orfeão”.
Nesta gravação, José Niza acompanha à viola José Afonso.

Notícia Lusa

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DiscografiaNo verso dos versos
22/12/2007By AJA

“Cantares do Andarilho” de Zeca Afonso nasceu no extinto Café Escondidinho

Notícia descoberta aqui

Escrito por Independente de Cantanhede 05-Jun-2007

À primeira vista é apenas uma modesta casa comercial situada no topo mais ocidental do largo da vila. Porém, poucos saberão que, por detrás das paredes do nº 315 da Rua Dr José Gomes da Cruz, passou e conviveu gente famosa como os cantores Zeca Afonso e Carlos Paião, entre outros.

É com um misto de saudade e emoção que João Oliveira “Alfaiate”, hoje com 82 anos, se refere ao seu antigo Café Escondidinho: “Foi aqui que nasceu a canção Cantares do Andarilho, com Zeca Afonso a ensaiar os primeiros acordes acompanhado pelo seu viola Rui Pato”, conta este antigo alfaiate, o último a abandonar esta profissão na vila da Tocha. Também Carlos Paião, celebrizado mais tarde através da canção Em Playback, que o lançaria numa efémera carreira a solo devido à sua morte precoce num acidente de viação, “aqui retemperava energias com umas bifanas e uns copos” sempre que o conjunto Ideal Ritmo, de Ílhavo, onde foi vocalista, vinha actuar no primitivo e vizinho salão da Associação Recreativa 1º de Maio, no intervalo dos bailes.

Hoje, transformado em retrosaria, do antigo café restam as pinturas alusivas nas paredes, junto ao tecto, únicas marcas que ficaram de um passado cheio de histórias, saudade e encanto.

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Discografia
12/08/2007By AJA

Coimbra Orfeon of Portugal – Disco de 1962

Neste disco, entre outros temas, podemos encontrar José Afonso cantar “Minha mãe” e Balada Aleixo” acompanhado por Durval Moreirinhas e José Niza em guitarras clássicas.
No sítio da Smithsonian Global Sound podemos ouvir excertos deste disco ou, se preferirem, comprar todas as suas faixas.

http://www.smithsonianglobalsound.org/containerdetail.aspx?itemid=2669

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DiscografiaImprensa
13/02/2007By AJA

A música de Zeca num duplo CD

Dar a conhecer às gerações mais novas a obra de José Afonso é um dos objectivos da reedição pela Farol de um duplo CD com 30 canções de José Afonso, cuja morte ocorreu há 20 anos.Esta edição, nas lojas na próxima semana, “é aquela que melhor resume a carreira de José Afonso, abrangendo desde a canção de Coimbra à de intervenção política”, disse à Lusa João Miguel Almeida, director-geral da Farol.”O alinhamento da edição original foi do próprio Zeca Afonso – esclareceu – pelo que não fomos autorizados a fazer alterações, para além de termos melhorado o aspecto gráfico”. “Natal dos simples”, “Menina dos olhos tristes”, “Verdes são os campos”, “Eu vou ser como a toupeira”, “Coro dos tribunais” ou “Grândola, vila morena”, são alguns dos temas incluídos na colectânea licenciada pela Movieplay Portuguesa à Farol.João Miguel Almeida sublinhou “o papel pedagógico e cultural” desta reedição, na medida em que pretende “dar a conhecer às gerações mais novas um marco fundamental da música popular portuguesa”. A edição do duplo CD insere-se no projecto da editora em realizar antologias de nomes fundamentais da música portuguesa, explicou o mesmo responsável, adiantando que Fernando Tordo “é um dos nomes na calha”.
in Jornal de Notícias

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DiscografiaNo verso dos versos
27/12/2006By AJA

Teresa Torga

Com o título “Quem se despiu na via pública, onte, às 4 da tarde?”, no Diário de Lisboa (7.5.75), Rogério Rodrigues conta a história de uma mulher “de que não se conhecia o nome”, que ontem, às quatro da tarde, fazia strip-tease enquanto dançava, ao centro do cruzamento da Avenida Miguel Bombarda com a Avenida 5 de Outubro.”Visivelmente surpreendidos, alguns espectadores da cena, invulgar em ruas de Lisboa, dirigiram-se para a mulher no intento de a proteger das vistas de quem passava e de quem parava, persuadi-la a vestir-se e abandonar o local. No meio da confusão, surge o repórter António Capela, que começa a disparar. Os populares, indignados com o que consideram ‘uma baixeza moral’, investem sobre ele, insultam-no, empurram-no, agridem-no e só a intervenção do proprietário da drogaria vizinha impede que não lhe partam a máquina. (…) Entretanto a mulher tinha sido levada para o limiar de um prédio com porteira à porta. Já vestida, olhava apática para as pessoas que a rodeavam. Dizem-me que se chamava Maria Teresa. ‘Não sou Maria. Não sou Teresa. Tenho muitos nomes.’ Tinha os lábios encortiçados e recusava o copo de água que lhe ofereciam.””Quem se despiu na via pública, ontem, às 4 da tarde?”. interroga-se o jornalista. que passa a contar o percurso de vida, entretanto averiguado, de uma mulher de 41 anos, divorciada, sucessivamente actriz de revista, emigrante no Brasil, cantora de fado e que agora, no intervalo de tratamentos no Júlio de Matos, “mudava discos no pick-up” de uma boite em Benfica.Usava o nome de Teresa Torga “porque há um escritor que se chama assim” e ela gostava muito de ler, conta uma vizinha. A última vez que o repórter a viu seguia ela num carro da polícia para a esquadra do Matadouro.Zeca Afonso lê a crónica, magnífica, põe-lhe notas e voz, e imortaliza-a.
(in “Os dias loucos do PREC” de Adelino Gomes e José Pedro Castanheira. Ed. Expresso/ Público, 2006)

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Discografia
19/12/2006By AJA

República

“República” foi gravado em Roma, em 30 de Setembro e 1 de Outubro de 1975, nos Estúdios das Santini Edizioni. Álbum de solidariedade para com o jornal República e a Reforma Agrária, editado em 1975, com interpretações de Zeca e de Francisco Fanhais, que inclui um tema inédito, «Foi no Sábado Passado», escrito a propósito de uma manifestação de solidariedade com a revolução portuguesa, realizada em Roma. Os outros temas são: «Para não dizer que não falei de flores», do brasileiro Geraldo Vandré, «Se os teus olhos se vendessem», «Canta camarada», «Eu hei-de ir colher macela», «O pão que sobra à riqueza», «Vampiros», «Senhora do Almortão», «Letra para um hino» e «Ladaínha do Arcebispo».
Editado por iniciativa conjunta do Manifesto e das organizações Lotta Continua e Vanguardia Operaria, nunca foi distribuído em Portugal. O produto da venda dos discos destinava-se ao apoio da Comissão de Trabalhadores do Jornal “República” ou, caso o jornal fosse entretanto extinto, ao Secretariado Provisório das Cooperativas Agrícolas de Alcoentre.

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DiscografiaJosé Mário BrancoTestemunhos
27/07/2006By AJA

Chamava-se Catarina

Nascido para, como diz a cantiga, “abrir grandes janelas”, o Zeca sempre suportou maio fechamento – quer o das ideias, quer o dos espaços. Das duas vezes que foi a Paris gravar comigo, em 1971 (“Cantigas do Maio”) e 1973 (“Venham mais cinco”), nunca ele escondeu quanto lhe desagradava e o indispunha a necessidade de ficar fechado no estúdio durante horas, e quanto ele não gostava nada de Paris nem do ambiente dos portugueses de Paris – hoje entendo como tinha razão.
Porque haveria de ser preciso fecharmo-nos, horas e horas a fio, na tensa clausura de um estúdio de gravações, se o objectivo era precisamente registar os grandes e puros espaços sonoros das suas melodias, a frescura densa da sua voz, a força simples e lírica das suas palavras? As máquinas! custava.lhe aceitar que a “limpeza” e a “verdade” do som só pudessem ser conseguidas, neste mundo sujo e atravancado, por meio das máquinas, das técnicas, do isolamento acústico. Custava.lhe aceitar que, para fazer chegar aos outros as coisas belas e simples que inventava, fosse preciso tanta guerra para reconquistar o silêncio, a página branca, o patamar vazio donde tudo tem que partir.
Assim, por entre mil episódios que atestam o que acabo de dizer, há esse – o da gravação do “Cantar Alentejano” (“Chamava-se Catarina… “) – que testemunhei aquando da gravação das “Cantigas do Maio”, juntamente com a Zélia, o Fanhais, a Isabel Alves Costa, o técnico Gilles Sallé e, naturalmente, o violista Carlos Correia (Bóris). A opção de arranjo foi: só a viola, e a voz do Zeca. Sem rede.
O regime de gravações – tardes e noites – fez que, nesse princí­pio de tarde, fosse a altura de gravar o “Cantar Alentejano”, “Vamos a isto, Zeca?”, ia eu dizendo, naturalmente preocupado com a factura do estúdio. “Não tens nada para ir metendo?”, desconversava ele. Via-se que não estava pronto. “Queres ir me­tendo outras coisas? Faltam vozes no “Milho Verde” e no “Senhor Arcanjo”… E assim ia passando a tarde. “Está bem, vamos me­tendo outras vozes”. Mas não se conseguia grande coisa. A alma dele – percebi depois – estava toda no Alentejo, nos olhos de Catarina Eufémia. E, como tantas vezes acontecia, andava no estúdio para cá e para lá, em passos nervosos, como o jóvem leão na sua jaula.
Até que, já pela tardinha: “Eu vou até lá fora, olhar para as vacas” – o estúdio era numa quinta apalaçada, no meio dos campos. Desapareceu, uma hora ou duas. Quando voltou já era quase noite. “Vamos gravar a Catarina”. O Bóris meteu-se na pequena cabina, para o som da viola ficar isolado da voz. O Zeca, no meio do estúdio, sozinho e às escuras, cantou. Uma só vez. Essa que está no disco.
Nós, os outros, os privilegiados espectadores, estávamos na cen­tral técnica, quase todos a chorar incluindo o técnico francês. “Acham que é melhor eu cantar isto outra vez?”
“Não, Zeca, não. Está muito bem assim…”

José Mário Branco
in Revista nº1 da AJA de 1988

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DiscografiaTestemunhosVídeo
02/07/2006By AJA

Um Bom Pastor (video – 2001)

Um documentário de Jorge Pereirinha Pires e José Francisco Pinheiro

Documentário sobre as gravações do último disco de José Afonso, «Galinhas do Mato», a convite de Nuno Rodrigues – antigo compositor da Banda do Casaco, e actual editor da MVM, a etiqueta discográfica responsável pela reedição de «Galinhas do Mato» em CD, onde este trabalho foi incluído como extra.

Podem vê-lo em http://bravadanca.blogspot.com/2006/06/um-bom-pastor-video-2001.html

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Bernardo SantarenoDiscografiaTestemunhos
03/05/2006By AJA

Bernardo Santareno sobre a música de José Afonso

Incluído originalmente no álbum “Traz outro amigo também” aqui fica o sempre actual texto de Bernardo Santareno.


A arte de José Afonso é um jorro de água clara, puríssima, portuguesa sem mácula. Realmente é a “pureza” a nota maIor desta arte: Pureza de voz, pureza no poema, pureza na música. Neste disco, um dos mais ricos quanto a valores poéticos, é ela que domina: Trova antiga purificada, folclore limpo de excrescências, balada de combate em que a justiça vai de bandeira. E o ouvinte fica tonificado, «limpo», cheio de graça, com mais vigor para a luta. No chiqueiro velho e saudosista, insignificativo e feio da música ligeira do nosso país, José Afonso surgiu como um renovador: De riso claro e leal, com punho duro de diamante, terno e gentil sem maneiramentos. Limpou crostas, desatou amarras, descolniu ramos verdes e ocultos, abriu janelas na parede bolorenta do fatalismo lusíada. E como esta arte pura e viril habitava já, nebulosamente, nos anseios da Juventude que tanto pechisbeque musical mórbido e paupérrimo a traz nauseada, José Afonso conseguiu rapidamente uma enorme audiência. Ele é hoje o mais autêntico trovador do povo português, nesta hora que todos vivemos. Ninguém melhor que ele transmite os seus desesperos e raivas, as suas aspirações de amor, de paz, de justiça, de verdade. Por isto, todos o amam. E o amor do povo, dos jovens, de todos aqueles que ainda não estão definitivamente contaminados, esclerosados, é, tenho a certeza a recompensa e a glória de José Afonso. Nem tudo está podre no reino da Dinamarca.

Bernardo Santareno

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Carlos Correia (Bóris)DiscografiaGrândolaTestemunhos
10/02/2006By AJA

«Grândola» gravada às 3 da manhã

Quando, naquela manhã de Abril de 1970, entrei no avião com destino a Londres, para gravar com o Zeca nos estádios da Pye, apenas sabia trautear alguns dos temas que, no conjunto, formariam o álbum intitulado Traz Outro Amigo Também.
De facto, a minha inclusão naquele trabalho tinha sido decidida poucos dias antes e por razões (como era hábito) um pouco fortuitas. O meu passado musical, muito mais ligado à guitarra eléctrica e ao rock (exercido em conjuntos «à Shadow» ou «à Beatle» como foram os HI-FI e os Álamos), tinha apenas uma única experiência na arca da MPP (Música Popular Portuguesa!) com o disco que tinha gravado com o Duarte e Ciríaco.
Assim, apesar de pouco credenciado para a tarefa, entrei facilmente nos temas e, recordo claramente, nunca receei falhar na sua execução em estúdio. Sei agora que esta confiança derivava directamente da universalidade da música do Zeca.
Acontecia-me afinal o que acontece quando contactamos com uma obra tão consistente como a do Zeca: parece-nos que já a conhecíamos há muito tempo e que, mais do que isso, ela já estava dentro de nós. Foi sempre assim com a música dele. Quando ele a expunha pela primeiríssima vez (às vezes ao telefone e a desoras) vinha a sensação inevitável de «eu já senti isto». E já. Só que o Zeca sabia traduzir tudo isso para um formato exteriormente inteligível.
À partida do aeroporto, a primeira surpresa: o Luís Filipe Colaço (homem da rádio, companheiro de Coimbra e ex-guitarrista dos Álamos), já dentro do avião, é chamado pelo comandante, mandado sair e retido em Lisboa pela DGS por dois ou três dias. Conseguiu juntar-se a nós em Londres, mais tarde, recorrendo sei lá a que expedientes para convencer os zelosos Pides da inocuidade da sua viagem.
À chegada, a segunda surpresa. A guitarra que, muito profissionalmente, levava sob o assento e sem caixa protectora, apresentava uma rachadela monumental que a tomava, para sempre, inútil.
Só os bons ofícios dos amigos que o Zeca tinha em Londres (o Zeca tinha amigos em toda a parte) permitiram arranjar uma guitarra decente para a gravação.
As sessões no estúdio começaram com o «Maria Faia» e com a delícia de trabalhar com uma máquina de 4 (quatro!) pistas. A abundância de meios técnicos, superiores aos que conhecíamos, foi inspiradora. Pude sobrepor várias faixas de guitarra, obtendo efeitos orquestrais que, na época, pareciam interessantes.
As onze faixas foram gravadas sem sacrifício em várias sessões diurnas, ao longo de duas semanas ponteadas por passeios pela grande capital que parecia, então, tão diferente do nosso meio natal.
Nos corredores alcatifados do hotel, o Zeca colocava a sua energia em demonstrações amigáveis de judo (modalidade que abraçara recentemente).
Dos muitos amigos que apareciam no estúdio para ver o grande autor-intérprete, como já era reconhecido, recordo o brasileiro tropicalista Gilberto Gil, exilado pela ditadura. Esteve presente na gravação de «Verdes São os Campos» e a introdução de guitarra – inventada na hora – teve a sua aprovação.
Terminado o trabalho e quando, já em Portugal, recebemos um exemplar do disco para avaliação, o Zeca reprovou-o por não gostar da mistura e deu instruções para esta ser feita de maneira diferente. Se havia (e havia) zonas em que o Zeca não fazia concessões, uma era de certeza a que dizia respeito ao ambiente musical das suas canções, especialmente se eram para colocar em disco.
Nos dois discos que gravei com ele, testemunhei esse perfeccionismo, inesperado num homem tão simples e que não era, de modo nenhum, um instrumentista, nem um conhecedor das subtilezas técnicas dos estúdios de gravação. Nem precisava ser.
Ainda conservo o protótipo rejeitado (um vinil). A venda do disco, editado pela Arnaldo Trindade, decorrera como era costume: um ou dois dias nas montras das lojas e, depois da proibição pela censura, clandestinamente e ao mesmo ritmo. Ficámos, provavelmente, a dever ao Sr. Arnaldo Trindade a edição de autores como o Zeca e o Adriano, em condições comercialmente tão adversas.
No ano seguinte – em Outubro/Novembro a minha segunda experiência discográfica com o Zeca. Aqui, já ele tinha ouvido as duas vozes portuguesas no exílio em Paris que traziam os sons novos que ele constantemente procurava. O José Mário Branco foi incumbido da direcção musical desse novo disco que viria a chamar-se Cantigas do Maio. Foi ele que enquadrou o Zeca num ambiente de trabalho bem estruturado e com o tacto humano adequado a não fazer o Zeca sentir-se engaiolado e artisticamente diminuído.A gravação decorreu num castelo-estúdio dos arredores de Paris e teve a colaboração (bem audível em algumas faixas) do Francisco Fanhais.
A direcção musical e a presença humana do Zé Mário Branco revelaram-se fundamentais para o bom sucesso do trabalho. O seu conhecimento do meio musical parisiense conseguiu trazer ao estúdio músicos de primeira categoria -como é o caso do percussionista Michel Delaport, com os seus sons indianos tão bem aproveitados no «Senhor Arcanjo».Foi aí que gravámos (em sessões, desta vez, nocturnas) o «Grândola» com o som dos passos obtido no exterior do castelo às três da manhã.A mistura final foi feita no estúdio e desta vez (abençoado Zé Mário) não foi rejeitada.Foi o meu segundo e último disco com o Zeca. A minha vida profissional afastou-me irremediavelmente do meio e só volto a vê-lo, anos mais tarde, no quarto de urna clínica em Coimbra. Já estava ferido de morte pela doença, mas pensava ainda em mais canções e tinha esperança.
Carlos Correia (Bóris)

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