{"id":9299,"date":"2009-11-06T12:23:00","date_gmt":"2009-11-06T12:23:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=9299"},"modified":"2021-12-17T11:38:34","modified_gmt":"2021-12-17T11:38:34","slug":"despedida-de-zeca-afonso-aconteceu-no-coliseu-do-porto-ha-26-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/despedida-de-zeca-afonso-aconteceu-no-coliseu-do-porto-ha-26-anos\/","title":{"rendered":"Despedida de Zeca Afonso aconteceu no Coliseu do Porto h\u00e1 26 anos"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_uSakL4fZ7Cs\/SvQVuATDT0I\/AAAAAAAAA1M\/nnmfzcjLyno\/s1600-h\/coliseu.jpg\" onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\"><img alt=\"\" border=\"0\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5400965733222141762\" src=\"http:\/\/2.bp.blogspot.com\/_uSakL4fZ7Cs\/SvQVuATDT0I\/AAAAAAAAA1M\/nnmfzcjLyno\/s400\/coliseu.jpg\" style=\"cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 301px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Muito se fala sobre o concerto que Zeca Afonso realizou em Janeiro de 1983, no Coliseu dos Recreios, e do qual a RTP fez uma grava\u00e7\u00e3o v\u00eddeo que \u00e9 habitualmente recuperada na altura das comemora\u00e7\u00f5es do 25 de Abril, mas poucos decerto saber\u00e3o que o cantor viria a actuar uns meses mais tarde, no Porto, naquela que seria, de facto, a sua despedida dos palcos. Sabe-se que, nesse mesmo ano, Zeca Afonso ainda deu a cara em alguns eventos informais em Coimbra (esse facto \u00e9, de resto, mencionado por Irene Flunser Pimentel na fotobiografia do cantor recentemente editada), de que chegou at\u00e9 a ser gravado um disco pirata. Mas o \u00faltimo grande concerto foi, sem d\u00favida, o do Coliseu do Porto, que aconteceu a 25 de Maio de 1983 perante uma sala esgotad\u00edssima desde h\u00e1 cerca de dois meses. <\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Avelino Tavares, promotor musical da Mundo da Can\u00e7\u00e3o, foi a \u201calma mater\u201d do evento e n\u00e3o tem d\u00favidas de que, depois disso, n\u00e3o mais Zeca Afonso voltou a apresentar-se em p\u00fablico. \u201cLembro-me at\u00e9 de, no dia seguinte ao concerto, ter ido levar o Jos\u00e9 Afonso e a Z\u00e9lia [mulher dele] \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de Campanh\u00e3 porque ele ia a Coimbra receber a medalha de honra da cidade. E, na melhor das hip\u00f3teses, o que ter\u00e1 havido \u00e9 uma festa de estudantes em que se ter\u00e3o cantado uns fados\u201d, recorda. <\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Para o concerto do Porto, e por exig\u00eancia do cantor, todos os bilhetes foram postos \u00e0 venda ao mesmo pre\u00e7o: 500 escudos. A procura foi enorme, a ponto, de, na altura, ter crescido o boato infundado de que haveria ingressos a serem \u201cvendidos \u00e0 mesa do caf\u00e9\u201d. <\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>\u201cAlgo de imperd\u00edvel acontecera\u201d <\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Durante o espect\u00e1culo, viveu-se no Coliseu uma \u201catmosfera emocional intensa\u201d, que Tavares compara com a de Lisboa quatro meses antes: \u201cPorventura com menos folclore, mas mais denso e sentido\u201d. Paulo Esperan\u00e7a, que preside hoje ao N\u00facleo Regional do Norte da Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso, tamb\u00e9m l\u00e1 estava nessa noite \u00fanica. Recorda-se de o concerto, que acabou por ser uma esp\u00e9cie de retrospectiva da carreira do can-tor, ter terminado com a \u201cGr\u00e2ndola Vila Morena\u201d e de, j\u00e1 na rua, as pessoas regressarem a entoar em coro can\u00e7\u00f5es do report\u00f3rio de Zeca Afonso. \u201cNenhum de n\u00f3s sabia se aquele viria a ser o \u00faltimo concerto. Mas todos t\u00ednhamos consci\u00eancia de que algo de imperd\u00edvel se passara\u201d, conta Paulo Esperan\u00e7a. O cantor j\u00e1 estava bastante debilitado (eram j\u00e1 claros os sinais da doen\u00e7a neuro-degenerativa que viria a vitim\u00e1-lo, quatro anos depois), precisou de sentar-se com alguma frequ\u00eancia e, para alguns coros, contou com o apoio de S\u00e9rgio Mestre, um seu habitual c\u00famplice. E tamb\u00e9m l\u00e1 estiveram dois amigos da can\u00e7\u00e3o coimbr\u00e3, mais uma prova, para Avelino Tavares, de que n\u00e3o houve nenhum concerto em Coimbra, \u201ccaso contr\u00e1rio eles nunca teriam vindo c\u00e1 de prop\u00f3sito\u201d. <\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b>Aut\u00f3grafos frustrados <\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Ali\u00e1s, foi o estado de sa\u00fade do cantor que levou, na altura, Avelino a travar algo que j\u00e1 planeara: \u201cNo dia 26, fomos almo\u00e7ar a um restaurante na Ribeira, com o Fanhais e outros m\u00fasicos, e eu levava um saco com os LP\u2019s todos que eu tinha dele para me autografar. Eram muitos os discos que havia para assinar e, ao ver como ele j\u00e1 estava, acabei por desistir. Senti que tinha de ter respeito por ele\u201d. <\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Avelino Tavares chegou a ver Zeca Afonso, ao vivo, na Escola Infante D. Henrique, ainda antes do 25 de Abril, e esteve presente, no lend\u00e1rio concerto realizado sob alta vigil\u00e2ncia da PIDE e que reuniu v\u00e1rios cantores de interven\u00e7\u00e3o no Coliseu de Lisboa, em Mar\u00e7o de 1974, quando j\u00e1 se pressentia o apodrecimento definitivo do Estado Novo. <\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Mas foi na revista \u201cMundo da Can\u00e7\u00e3o\u201d, de que foi director e cujo primeiro n\u00famero saiu em Dezembro de 1969, que Avelino Tavares mais tentou promover Jos\u00e9 Afonso, publicando-lhes as letras, bem como as de outros cantores igualmente comprometidos. Foi dele a primeira capa a cores da MC, correspondente ao n\u00famero 12 (Novembro de 1970). Mais tarde, o cantor viria de novo a surgir na capa da revista, precisamente em Fevereiro de 1975, na esteira do lan\u00e7amento do \u00e1lbum \u201cCoro dos Tribunais\u201d. <\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Depois de muitos meses a iludir a censura com p\u00e1ginas em que textos de conte\u00fado mais pol\u00edtico dividiam espa\u00e7o com \u201can\u00fancios pirosos\u201d a depilat\u00f3rios e cal\u00e7as de terylene, a revista acabou mesmo por ser apreendida quando saiu o n\u00famero 34, por causa da exist\u00eancia de um suplemento dedicado \u00e0s novas m\u00fasicas. S\u00f3 depois da revolu\u00e7\u00e3o Avelino Tavares viria a conseguir repor em circula\u00e7\u00e3o os malfadados exemplares. Uma aventura editorial que durou at\u00e9 Junho de 1985, sempre sob a aura inspiradora de Jos\u00e9 Afonso: \u201cN\u00f3s vamos todos desaparecer, mas ele vai ficar\u201d.<\/div>\n<p>Nuno Corvacho<br \/>nuno.corvacho@grandeportoonline.pt<br \/><a href=\"http:\/\/www.grandeportoonline.pt\/catalog\/product.do?productId=d1dc549924298dd001248126d7480316&amp;hasFlash=no\">Retirado daqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muito se fala sobre o concerto que Zeca Afonso realizou em Janeiro de 1983, no Coliseu dos Recreios, e do qual a RTP fez uma grava\u00e7\u00e3o v\u00eddeo que \u00e9 habitualmente recuperada na altura das comemora\u00e7\u00f5es do 25 de Abril, mas poucos decerto saber\u00e3o que o cantor viria a actuar uns meses mais tarde, no Porto, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":9300,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[202,91],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9299"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9299"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9299\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9300"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9299"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9299"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9299"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}