{"id":9214,"date":"2009-08-23T14:41:00","date_gmt":"2009-08-23T14:41:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=9214"},"modified":"2021-12-17T11:38:36","modified_gmt":"2021-12-17T11:38:36","slug":"rui-pato-em-entrevista-ao-diario-as-beiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/rui-pato-em-entrevista-ao-diario-as-beiras\/","title":{"rendered":"Rui Pato em entrevista ao di\u00e1rio &#8220;As Beiras&#8221;"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_uSakL4fZ7Cs\/SpFV29XSWjI\/AAAAAAAAAug\/WzFL4qFNb_0\/s1600-h\/03082009.gif\" onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\"><img alt=\"\" border=\"0\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5373170233103243826\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/_uSakL4fZ7Cs\/SpFV29XSWjI\/AAAAAAAAAug\/WzFL4qFNb_0\/s400\/03082009.gif\" style=\"cursor: hand; cursor: pointer; display: block; height: 149px; margin: 0px auto 10px; text-align: center; width: 400px;\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><b>\u201cContinuar a cantar com o Zeca\u201d<\/b><\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i><br \/><\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><i>Com o pa\u00eds e Coimbra a homenagearem Jos\u00e9 Afonso, o DI\u00c1RIO AS BEIRAS falou com Rui Pato, o m\u00fasico e m\u00e9dico que, com o poeta e cantor, escreveu uma p\u00e1gina fundamental na hist\u00f3ria da cultura contempor\u00e2nea em Portugal. Um novo canto que abriu caminho a muito e a muitos dos que cantaram e, assim, anteciparam a liberdade.<\/i><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><b><\/b><br \/><b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">Como \u00e9 que aconteceu o encontro entre Rui Pato, ent\u00e3o um jovem estudante de liceu, e Jos\u00e9 Afonso?<\/span><\/div>\n<p><\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1vamos no in\u00edcio dos anos 60 e eu j\u00e1 tocava viola num grupo de fados no Liceu D. Jo\u00e3o III (actual Escola Secund\u00e1ria Jos\u00e9 Falc\u00e3o), de que faziam parte Francisco Martins, guitarrista, mas tamb\u00e9m Carlos Encarna\u00e7\u00e3o, num grupo de jovens da m\u00e9dia burguesia da cidade que aprendiam a tocar viola e guitarra, no qual eu me inclu\u00eda e que era patrocinado de alguma forma por Ant\u00f3nio Portugal. Portanto, eu tinha j\u00e1 alguma pr\u00e1tica no acompanhamento de cantores, al\u00e9m de ser tamb\u00e9m um autodidacta de viola cl\u00e1ssica, com uma pr\u00e1tica e um saber que era pouco habitual naquela altura, em Coimbra. O Zeca Afonso era amigo do meu pai [Rocha Pato, jornalista e chefe da Delega\u00e7\u00e3o de Coimbra do 1.\u00ba de Janeiro], que conhecia toda a gente do fado, na tert\u00falia da Brasileira, na Baixa. Quando o Zeca, j\u00e1 depois da sua passagem em Coimbra, como estudante e cantor do fado tradicional, j\u00e1 professor, regressa a Coimbra para mostrar aos amigos um modelo novo de can\u00e7\u00f5es, vai ter \u00e0 Brasileira. Mas para se ouvirem as coisas novas era necess\u00e1rio um acompanhante \u00e0 viola. Como eu tocava viola e o meu pai o lembrou, foram todos para minha casa para o Zeca mostrar as suas primeiras can\u00e7\u00f5es. E foi ent\u00e3o que eu ouvi pela primeira vez as coisas novas do Zeca, que fui acompanhando \u00e0 viola de uma maneira de que ele gostou. E pronto, nasceu ali a ideia de passar a acompanhar o Zeca Afonso, o que aconteceu logo at\u00e9 num primeiro disco, que tamb\u00e9m foi sugerido na altura.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\"><b>E esse foi o momento em que apareceu o canto novo e se cimentou a sua liga\u00e7\u00e3o a Jos\u00e9 Afonso?<\/b><\/span><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Exactamente. As can\u00e7\u00f5es que o Zeca cantou foram algumas das que depois se transformaram em s\u00edmbolos, como \u201cOs vampiros\u201d, \u201cO meu menino \u00e9 de oiro\u201d, \u201cTenho barcos, tenho remos\u201d, aquelas primeiras coisas que ele gravou, que eu acompanhei, e que depois se transformaram em grandes sucessos. Seguiram-se um segundo disco e um terceiro. Comecei depois a acompanhar o Zeca em espect\u00e1culos um pouco por todo o pa\u00eds, o que aconteceu entre 1963 e 1969, na altura da crise acad\u00e9mica. Ainda antes, por altura de 1965, comecei tamb\u00e9m a acompanhar o Adriano [Correia de Oliveira], o que voltou a acontecer com o Ant\u00f3nio Portugal, o Pinho Brojo, o Ant\u00f3nio Bernardino, numa actividade quase febril.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><b><\/b><br \/><b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">A crise acad\u00e9mica veio quebrar essa liga\u00e7\u00e3o?<\/span><\/div>\n<p><\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Chegamos a 1969 e como eu era dirigente acad\u00e9mico fui castigado, foi-me retirada a possibilidade de ir para o estrangeiro e, por isso, n\u00e3o pude acompanhar o Zeca que come\u00e7ou a gravar l\u00e1 fora em condi\u00e7\u00f5es completamente diferentes daquelas que tinha em Portugal. Mas continuei a acompanhar o Adriano em 1969, em 70, ainda gravei com ele \u201cO canto e as armas\u201d, com poemas de Manuel Alegre. Em 70, 71, 72 ainda acompanhei o Adriano, ainda fiz v\u00e1rias coisas com o Ant\u00f3nio Portugal, com o Brojo. Depois disso, quando me formei em Medicina, em 1972, dediquei-me ao exerc\u00edcio da profiss\u00e3o e s\u00f3 muito raramente fazia m\u00fasica, o que voltou a acontecer com o Adriano numa Festa do Avante e, depois, a pedido do Zeca, no seu \u00faltimo concerto no Coliseu, onde eu o acompanhei em tr\u00eas temas dos seus mais antigos.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><b><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">Depois a medicina acabou por triunfar, embora a m\u00fasica continue a fazer parte da sua vida?<\/span><\/b><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Exactamente, sempre. Eu costumo dizer que m\u00e9dicos h\u00e1 muitos&#8230; e n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 pelo gosto que eu tenho pela viola e pela m\u00fasica. \u00c9 tamb\u00e9m porque eu considero que qualquer actividade profissional \u2013 e muito mais a medicina \u2013 beneficia se tivermos um outro interesse, de prefer\u00eancia ligado \u00e0 arte, a m\u00fasica, a pintura, a escrita. Um m\u00e9dico que n\u00e3o fa\u00e7a mais nada para al\u00e9m da medicina \u00e9 um homem limitado e, talvez por isso, h\u00e1 tantos m\u00e9dicos escritores, m\u00fasicos, pintores.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><b><\/b><br \/><b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">E, de facto, h\u00e1 muitos m\u00e9dicos ligados \u00e0s artes.<\/span><\/div>\n<p><\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sim. Tamb\u00e9m porque esta \u00e9 uma profiss\u00e3o que tem uma grande componente humanista, um grande contacto com a realidade, com a tristeza, mas tamb\u00e9m com a alegria&#8230; o que nos enriquece bastante. Portanto eu, n\u00e3o digo que todos os dias pego na viola, sobretudo agora com a responsabilidade do conselho da administra\u00e7\u00e3o [do Centro Hospitalar de Coimbra], mas tenho as violas sempre \u00e0 m\u00e3o. E quando me libertar de tudo isto e me aposentar, tenho um grupo de amigos que continuam a tocar e que eu vou passar a acompanhar mais, porque considero ser enriquecedor.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><b><\/b><br \/><b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">O que \u00e9 que guarda daquele momento fundamental que foi o nascer de uma nova can\u00e7\u00e3o?<\/span><\/div>\n<p><\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Claramente. Mas \u2013 e eu costumo dizer isto muitas vezes \u2013 s\u00f3 mais tarde \u00e9 que soube que estava a viver um momento hist\u00f3rico quando comecei a acompanhar o Zeca. Eu na altura n\u00e3o me apercebi da dimens\u00e3o do momento que est\u00e1vamos a viver, o que aconteceu tamb\u00e9m com muitos dos seus amigos, com excep\u00e7\u00e3o talvez para um ou outro mais clarividente. E entre os amigos que mais lidavam com o Zeca na Brasileira estavam o Ab\u00edlio Hernandez Cardoso, o Rainho, o Pedro Olaio, outras pessoas que j\u00e1 faleceram, como o meu pai, o sr. Amado, que tinha a Casa Amado em frente \u00e0 Brasileira&#8230; Havia ali um grupo de amigos, tamb\u00e9m alguns estudantes quase ainda do tempo dele, que estavam nos K\u00e1gados e na Baco, rep\u00fablicas onde o Zeca Ficava quando vinha a Coimbra, a quem ele mostrava estas coisas novas. O facto \u00e9 que as pessoas ligadas \u00e0 m\u00fasica em Coimbra ainda estavam numa fase muito tradicionalista, mesmo os que mais tarde evolu\u00edram e deram importantes passos em frente, como o Ant\u00f3nio Portugal. O que aconteceu com as novas can\u00e7\u00f5es do Zeca foi um choque muito grande.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><b><\/b><br \/><b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">Numa cidade fechada&#8230;<\/span><\/div>\n<p><\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Numa Coimbra ainda quase medieval, onde n\u00e3o se fazia mais nada a n\u00e3o ser o cantar melanc\u00f3lico das serenatas, aparecer algu\u00e9m a cantar \u201co meu menino \u00e9 d\u2019oiro\u201d ou \u201cos meninos do Bairro Negro\u201d&#8230; \u00c9 evidente que o Zeca partia de uma cultura, no meu entender, francesa, de um L\u00e9o Ferr\u00e9, do Georges Brassens, do Brel. Ou seja, de um contexto j\u00e1 com uma inten\u00e7\u00e3o que n\u00e3o havia em Coimbra, embora houvesse j\u00e1 esbo\u00e7os, nomeadamente no Edmundo Bettencourt e at\u00e9 no Fernando Machado Soares. Portanto, em Coimbra, naquela altura, ningu\u00e9m levou o Zeca muito a s\u00e9rio, embora alguns achassem que aquilo era interessante e que era preciso ser gravado. E quando o disco saiu foi um pouco um esc\u00e2ndalo em Coimbra, precisamente porque na capa dizia \u201cDr. Jos\u00e9 Afonso: Baladas de Coimbra\u201d. Ent\u00e3o quase caiu a Torre, numa tal afronta \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><b><\/b><br \/><b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">Qual foi o momento de viragem na aceita\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00fasica nova de Zeca Afonso?<\/span><\/div>\n<p><\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Com o segundo disco, com \u201cOs vampiros\u201d, com o \u201cMenino do Bairro Negro\u201d, come\u00e7aram os intelectuais de esquerda e os movimentos oper\u00e1rios, sobretudo da margem Sul do Tejo, a convid\u00e1-lo, o que acontece tamb\u00e9m nos saraus das crises acad\u00e9micas, em sess\u00f5es de canto, num claro apoio da esquerda. E nessa altura fomos imediatamente conotados com uma can\u00e7\u00e3o de combate, eu passei a sentir a minha viola como uma arma, uma for\u00e7a de combate.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><b><\/b><br \/><b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">E Coimbra, entretanto?<\/span><\/div>\n<p><\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Coimbra ignorou completamente Zeca Afonso. Tamb\u00e9m porque, na altura, era a direita que dominava a Associa\u00e7\u00e3o Acad\u00e9mica. S\u00f3 quando a esquerda ganhou a AAC e come\u00e7ou a fazer os seus saraus \u00e9 que Zeca come\u00e7ou a vir a Coimbra, o que aconteceu muito pouco. Eu lembro-me de tocar com ele uma vez num sarau no Teatro Avenida e outra vez no gin\u00e1sio [actual cantina dos grelhados] do Jardim da AAC [momento que a foto da p\u00e1gina 2 documenta].<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><b><\/b><br \/><b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">E a sua percep\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia que tudo aquilo tin<\/span><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">ha?<\/span><\/div>\n<p><\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Isso apenas aconteceu um ano ou dois depois de eu acompanhar o Zeca. S\u00f3 ent\u00e3o percebi a import\u00e2ncia do canto do Zeca e da minha pr\u00f3pria contribui\u00e7\u00e3o para ele. Porque o que aconteceu foi mostrar um novo modelo de acompanhamento, um instrumento muito discreto que serve quase s\u00f3 para sublinhar o poema.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><b><\/b><br \/><b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">Porque o que se queria dizer \u00e9 que era importante?<\/span><\/div>\n<p><\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Exactamente. E essa n\u00e3o era a pr\u00e1tica dos acompanhantes, \u00e0 guitarra e \u00e0 viola, na altura. E eu, de uma maneira muito intuitiva, consegui responder a esse desafio que acabou por ser pioneiro num modelo de acompanhamento. Paralelamente a tudo isto, o Zeca foi tamb\u00e9m para mim um educador. O Zeca era um homem diferente, com um sentido de humor extraordin\u00e1rio, as suas hist\u00f3rias, as suas distrac\u00e7\u00f5es patol\u00f3gicas, com uma preocupa\u00e7\u00e3o sincera para que os seus amigos evolu\u00edssem, ele trazia livros, emprestava-os, discos. Por isso tamb\u00e9m, o Zeca contribuiu muito para a minha forma\u00e7\u00e3o cultural e pol\u00edtica, embora o meu pai e o meu av\u00f4 j\u00e1 fossem homens de esquerda.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Afonso \u201cfoi o bandeirante de uma grande aventura\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><b><\/b><br \/><b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">O que \u00e9 que Portugal deve a Zeca Afonso?<\/span><\/div>\n<p><\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Deve muito. O Zeca foi o homem que contribuiu decisivamente \u2013 e n\u00e3o tem outro a par dele \u2013 para uma revolu\u00e7\u00e3o cultural naquilo que era a m\u00fasica portuguesa. E isto \u00e9 reconhecido por toda a gente. N\u00e3o h\u00e1 nenhum m\u00fasico, nenhum grande cantor, nenhum grande poeta cujo despertar para uma nova m\u00fasica, para uma nova can\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tenha partido do Zeca, que foi o grande ousado, o que deu o primeiro passo. Ele \u00e9 que foi o bandeirante desta grande aventura. Havia muitos \u2013 que depois n\u00f3s fomos conhecendo \u2013 que vieram a assumir-se naquela linha de inova\u00e7\u00e3o, mas apenas depois do Zeca o ter feito. Havia um caminho que n\u00e3o tinha sido ainda desbravado. E foi o Zeca quem o fez e quem conduziu muitos dos que fazem hoje uma p\u00e1gina fundamental da hist\u00f3ria da m\u00fasica portuguesa.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><b><\/b><br \/><b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"font-weight: normal;\"><b><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">E em que \u00e9 que devemos guardar Jos\u00e9 Afonso<\/span><\/b><b><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">?<\/span><\/b><\/span><\/div>\n<p><\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Eu tenho dito muitas vezes e vou continuar a diz\u00ea-lo. A grande homenagem que se pode prestar a Jos\u00e9 Afonso \u00e9 n\u00e3o deixar que a sua obra morra. E a intemporalidade dos seus poemas e das suas m\u00fasicas tem-se demonstrado at\u00e9 com a ades\u00e3o de muitos jovens m\u00fasicos. A melhor homenagem \u00e9 continuar a cantar com o Zeca. Que os nossos filhos e que os nossos netos continuem a conhecer a sua obra e continuem a cantar \u201cvenham mais cinco\u201d. O pior que pode acontecer a um artista \u00e9 deixar cair a sua obra no esquecimento. E n\u00f3s, com o Zeca, corremos esse risco aqui h\u00e1 uns anos. Houve uma altura em que ele passou por cantor maldito, de novo, porque j\u00e1 tinha acontecido no tempo do fascismo. Mas depois, mesmo ap\u00f3s o 25 de Abril, houve de novo esse estigma, depois a sua doen\u00e7a, toda essa situa\u00e7\u00e3o fez com que ele tivesse passado um pouco por uma fase de Lua nova, n\u00e3o se via, mas existia. Entretanto, os m\u00fasicos de Lisboa organizaram aquele belo momento de reabilita\u00e7\u00e3o, com o lan\u00e7amento de um disco em que variad\u00edssimos artistas cantaram m\u00fasicas do Zeca. Agora, quer sejam portugueses, quer sejam espanh\u00f3is, h\u00e1 muita gente a cantar Zeca Afonso. E essa \u00e9 que \u00e9 a grande homenagem que se lhe pode e deve fazer, independentemente de tudo o que possa fazer-se em sua mem\u00f3ria, como o programa que est\u00e1 agora a acontecer em Coimbra.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p><b><\/b><br \/><b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><span class=\"Apple-style-span\" style=\"color: #990000;\">E Coimbra estar\u00e1, para sempre, ligada a Jos\u00e9 Afonso?<\/span><\/div>\n<p><\/b><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Sem d\u00favida. E o Zeca, embora tivesse havido um tempo em que teve dificuldade em o reconhecer, mais tarde acabou por reconhec\u00ea-lo e voltar um pouco \u00e0s suas origens. Sobretudo com o lan\u00e7amento daquele disco de fados de Coimbra. Aquilo foi quase o tentar fazer as pazes com uma altura em que ele tentou demarcar-se de Coimbra e do que por c\u00e1 se fazia. Embora ele tenha sido sempre muito cr\u00edtico e tenha feito a sua cr\u00edtica \u00e0 cidade com uma ironia muito pr\u00f3pria, muito dele, a esta Coimbra que andava toda \u00e0 volta da Torre, \u00e0 volta de uma esp\u00e9cie de aristocracia universit\u00e1ria, muito provinciana. Mas, de facto, foi em Coimbra que Jos\u00e9 Afonso nasceu como cantor, foi aqui que apendeu muito, tamb\u00e9m com o seu contacto com os futricas da cidade, com a Alta, com a Baixa. Quando fal\u00e1vamos com ele, a conversa acabava sempre no M\u00e1rio do caf\u00e9 tal, no tipo que vendia cautelas na Baixa, no sapateiro da rua x&#8230; Ele tinha um reposit\u00f3rio extraordin\u00e1rio de figuras de Coimbra, da Coimbra de sempre e adorava record\u00e1-las e reviv\u00ea-las.<\/div>\n<p><a href=\"http:\/\/www.asbeiras.pt\/?area=destaque&amp;numero=74538&amp;ed=03082009\">L\u00eddia Pereira<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cContinuar a cantar com o Zeca\u201d Com o pa\u00eds e Coimbra a homenagearem Jos\u00e9 Afonso, o DI\u00c1RIO AS BEIRAS falou com Rui Pato, o m\u00fasico e m\u00e9dico que, com o poeta e cantor, escreveu uma p\u00e1gina fundamental na hist\u00f3ria da cultura contempor\u00e2nea em Portugal. Um novo canto que abriu caminho a muito e a muitos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":9215,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[100],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9214"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9214"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9214\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9215"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9214"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9214"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9214"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}