{"id":9029,"date":"2009-04-25T12:14:00","date_gmt":"2009-04-25T12:14:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=9029"},"modified":"2021-12-17T11:39:06","modified_gmt":"2021-12-17T11:39:06","slug":"morte-de-jose-afonso-salvou-cantautores-da-ostracizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/morte-de-jose-afonso-salvou-cantautores-da-ostracizacao\/","title":{"rendered":"Morte de Jos\u00e9 Afonso salvou cantautores da ostraciza\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco cantava porque n\u00e3o podia falar. &#8220;Cantar era uma forma de escape, de socializar. E socializar, juntar o povo, era considerado perigoso&#8221;. Ana Bacalhau canta &#8220;o que a vida n\u00e3o diz&#8221; porque nunca poder\u00e1 saber o que era n\u00e3o poder falar. &#8220;Sou uma sortuda por n\u00e3o conseguir sequer imaginar o que \u00e9 ter um l\u00e1pis azul&#8221;. Ele, hoje com 67 anos, \u00edcone maior da resist\u00eancia \u00e0 ditadura, n\u00e3o sabe, mas inspirou a rapariga que p\u00f4s o pa\u00eds a entoar fon-fon-fon-fon . &#8220;Sem ele, os Deolinda nunca poderiam existir &#8211; e isso \u00e9 assustador&#8221;, afirma a vocalista da banda, 30 anos, prestando-lhe p\u00fablica homenagem. Elogiar o autor de &#8220;A cantiga \u00e9 uma arma&#8221; \u00e9 agradecer o privil\u00e9gio de hoje poder dizer: &#8220;Agora sim, cantamos com vontade!\/ Agora sim, ou\u00e7o a liberdade!&#8221;<\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Foi privil\u00e9gio que M\u00e1rio Branco nunca teve, nem para cantar outras letras que n\u00e3o aquele \u00e9pico do FMI: &#8220;Esta merda dos partidos \u00e9 que divide a malta p\u00e1, \u00e9 s\u00f3 paleio p\u00e1, o pessoal quer \u00e9 trabalhar!&#8221;, nem mesmo depois de cortada a fita do 25 de Abril, nem mesmo apesar de garantir que a sua liberdade &#8220;chegou muito antes da data&#8221;. Parece contradi\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9. &#8220;Decidi ser livre quando escolhi n\u00e3o ir para a guerra matar os meus irm\u00e3os; quando escolhi pagar o pre\u00e7o pelas minhas op\u00e7\u00f5es&#8221;. O pre\u00e7o foi ser preso aos 19 anos e depois fugir para Fran\u00e7a &#8211; ele e mais cem mil portugueses. Foi l\u00e1 que come\u00e7ou a tocar viola, foi l\u00e1 que permaneceu, refugiado, dez anos. E foi depois de vir de l\u00e1, j\u00e1 Portugal brindava \u00e0 Liberdade, que surpreendentemente continuou &#8220;a ser marginalizado&#8221;. Em 1982, &#8220;o disco que juntava o &#8216;FMI&#8217; com o &#8216;Ser Solid\u00e1rio&#8217; foi recusado por oito editoras&#8221; porque ele &#8220;era visto como um cantautor amaldi\u00e7oado&#8221;. Era como se tivesse que continuar a ser punido, v\u00e1 l\u00e1 saber-se porqu\u00ea.<\/div>\n<p><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Editou o disco gra\u00e7as \u00e0 confian\u00e7a do p\u00fablico. \u00c0 entrada de uma s\u00e9rie de concertos no Teatro Aberto, em Lisboa, entregou uma carta em que escreveu: &#8220;Queria fazer este disco. Se me confiar o seu dinheiro&#8230;&#8221; E as pessoas confiaram, os concertos esgotaram e o disco saiu. Mas s\u00f3 mais tarde, em 1987, com a morte de Zeca Afonso, as editoras deram tr\u00e9guas. &#8220;Perceberam que tinham irremediavelmente perdido um grande mestre e que valia a pena terem mais respeito pelos que restavam&#8221;. Foi ent\u00e3o convidado a editar a sua obra integral. At\u00e9 come\u00e7ou a ser &#8220;tratado por Senhor&#8221;, e M\u00e1rio Soares quis condecor\u00e1-lo. Rejeitou. &#8220;O condecorador tem que estar \u00e0 altura do condecorado&#8221;. Para Branco, a liberdade que temos &#8220;\u00e9 meramente formal&#8221;. N\u00e3o lhe preenche o sonho. Bacalhau diz ter &#8221; tanto medo de a perder&#8221;, que celebra sempre o 25 de Abril.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><a href=\"http:\/\/jn.sapo.pt\/PaginaInicial\/Nacional\/Interior.aspx?content_id=1211936\">Jornal de Not\u00edcias<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco cantava porque n\u00e3o podia falar. &#8220;Cantar era uma forma de escape, de socializar. E socializar, juntar o povo, era considerado perigoso&#8221;. Ana Bacalhau canta &#8220;o que a vida n\u00e3o diz&#8221; porque nunca poder\u00e1 saber o que era n\u00e3o poder falar. &#8220;Sou uma sortuda por n\u00e3o conseguir sequer imaginar o que \u00e9 ter [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[91],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9029"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9029"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9029\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9029"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9029"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9029"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}