{"id":8439,"date":"2007-12-07T07:55:00","date_gmt":"2007-12-07T07:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=8439"},"modified":"2021-12-17T11:39:33","modified_gmt":"2021-12-17T11:39:33","slug":"homenagem-ao-musico-e-poeta-zeca-afonso-no-museu-de-vila-franca-de-xira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/homenagem-ao-musico-e-poeta-zeca-afonso-no-museu-de-vila-franca-de-xira\/","title":{"rendered":"Homenagem ao m\u00fasico e poeta Zeca Afonso no museu de Vila Franca de Xira"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">O Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, encheu-se para ouvir falar de Zeca Afonso. Al\u00edpio de Freitas e Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco evocaram o homem que lutou contra o regime atrav\u00e9s da m\u00fasica e da poesia.<\/p>\n<p>\u201cO Zeca n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 intemporal, como \u00e9, acima de tudo, universal. \u00c9 um m\u00fasico e um poeta extraordin\u00e1rio em qualquer lugar e em qualquer tempo deste mundo\u201d. Foi com estas palavras que Al\u00edpio de Freitas recordou o eterno amigo Zeca Afonso. Emo\u00e7\u00e3o e saudade foram dois dos sentimentos presentes durante toda a sess\u00e3o de homenagem a Jos\u00e9 Afonso que decorreu domingo, 2 de Dezembro, no audit\u00f3rio do museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, e que contou com a presen\u00e7a dos amigos Al\u00edpio de Freitas e Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco. Os 96 lugares do audit\u00f3rio foram poucos para todas as pessoas que quiseram ouvir falar do m\u00fasico portugu\u00eas.<\/p>\n<p>Al\u00edpio de Freitas contou, perante uma plateia atenta e entusiasmada, o epis\u00f3dio que o levou a conhecer o grande m\u00fasico e poeta Zeca Afonso. Al\u00edpio de Freitas, natural de Tr\u00e1s-os-Montes, foi vig\u00e1rio e emigrou para o Brasil no final da d\u00e9cada de 50 onde foi sacerdote e professor universit\u00e1rio.<\/p>\n<p>Devido \u00e0 sua actividade revolucion\u00e1ria esteve preso duas vezes. Soube-se em Portugal atrav\u00e9s de uma carta que Al\u00edpio de Freitas conseguiu contrabandear do pres\u00eddio onde se encontrava que havia, nessa altura, dois portugueses presos no Brasil. Zeca Afonso teve conhecimento desta carta e comp\u00f4s uma m\u00fasica \u00e0 qual deu o nome de \u201cAl\u00edpio de Freitas\u201d como forma de homenagear o portugu\u00eas que tamb\u00e9m lutava pela liberdade no pa\u00eds irm\u00e3o. Quando lhe contaram da m\u00fasica que Jos\u00e9 Afonso tinha feito, o sacerdote que estava preso em Santa Cruz n\u00e3o conhecia o cantor nem o seu trabalho. \u201cEra muito dif\u00edcil a informa\u00e7\u00e3o de Portugal chegar ao Brasil naqueles tempos e ningu\u00e9m me sabia dar indica\u00e7\u00f5es sobre o Zeca\u201d, explica.<\/p>\n<p>Depois deste epis\u00f3dio a vontade de conhecer Zeca Afonso cresceu. Assim que regressou a Portugal, em 1980, Al\u00edpio foi apresentando ao cantor e, segundo o sacerdote, a empatia foi imediata. \u201cQuando conheci o Zeca tive a sensa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 o conhecia h\u00e1 muitos anos e ele sentiu o mesmo. Por isso, costumo dizer que n\u00e3o conheci o Zeca mas sim, reencontrei-o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, cantor intervencionista, trabalhou e privou com Zeca Afonso enquanto autor de arranjos dos discos do falecido m\u00fasico. A rela\u00e7\u00e3o com Zeca foi mais pr\u00f3xima depois da Revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril. Antes de 1974, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco esteve exilado em Paris por ser contra o regime ditatorial. O cantor recorda que, durante a grava\u00e7\u00e3o dos discos de Zeca, houve apenas uma vez um pequeno desacordo entre ambos. \u201cO Zeca n\u00e3o concordava com os arranjos musicais que eu tinha feito para a can\u00e7\u00e3o \u201cMaio, maduro Maio\u201d. Achava estranho e n\u00e3o tinha a certeza se iria funcionar com o p\u00fablico. Disse-lhe que a m\u00fasica ia ficar assim e que dali a dez anos convers\u00e1vamos sobre o assunto. A m\u00fasica foi um sucesso e nunca mais falamos nisso at\u00e9 que, uma d\u00e9cada depois, o Zeca veio ter comigo e deu-me raz\u00e3o\u201d, recorda, divertido.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco lamenta n\u00e3o existir um \u00fanico livro com as melodias e acordes do \u201cmestre\u201d para as gera\u00e7\u00f5es mais novas aprenderem como \u00e9 que Zeca Afonso cantou e tocou as suas m\u00fasicas. \u201c\u00c9 inadmiss\u00edvel que o livro n\u00e3o esteja \u00e0 venda. Est\u00e1 feito h\u00e1 cerca de quatro anos mas n\u00e3o foi autorizado a ser publicado\u201d, assegura.<\/p>\n<p>Por: Ana Isabel Borrego | O Mirante<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Museu do Neo-Realismo, em Vila Franca de Xira, encheu-se para ouvir falar de Zeca Afonso. Al\u00edpio de Freitas e Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco evocaram o homem que lutou contra o regime atrav\u00e9s da m\u00fasica e da poesia. \u201cO Zeca n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 intemporal, como \u00e9, acima de tudo, universal. \u00c9 um m\u00fasico e um poeta [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[91,152],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8439"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8439"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8439\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8439"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8439"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8439"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}