{"id":8436,"date":"2007-12-02T22:52:00","date_gmt":"2007-12-02T22:52:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=8436"},"modified":"2021-12-17T11:39:33","modified_gmt":"2021-12-17T11:39:33","slug":"maior-que-o-pensamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/maior-que-o-pensamento\/","title":{"rendered":"&#8220;Maior que o pensamento&#8221;"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">\u00c9 vulgar, quando algu\u00e9m com notoriedade desaparece, como cogumelos nascerem amigos e companheiros, que sempre t\u00eam uma hist\u00f3ria para contar, como se fora sua mas normalmente com outros acontecidas. Do Zeca e com o Zeca, n\u00e3o faltam narrativas. Nem sempre edificantes. Gente que pode ter sido sua contempor\u00e2nea em Coimbra mas que n\u00e3o foi de sua privan\u00e7a, barafusta com uma ou outra historieta que, algumas vezes, de forma acintosa, tem por objectivo p\u00f4r em causa aspectos da sua personalidade, quando n\u00e3o da sua vida privada, pelo inc\u00f3modo da grandeza e refinamento ideol\u00f3gico.<br \/>Tem-me acontecido virem contar-me pequenos epis\u00f3dios de viv\u00eancia coimbr\u00e3 passados comigo, que eventualmente relatei, que dada a volta costumeira e por desfibrilha\u00e7\u00e3o entr\u00f3pica, regressa a mim na euforia de algu\u00e9m que conta como se passados consigo.<br \/>O Zeca paga esse pre\u00e7o, exactamente pelo que sempre foi mas sobretudo pelo mito que se tornou, pelo que v\u00e3o transitando em julgado algumas cal\u00fanias e desmandos em que se tornou f\u00e9rtil ou sempre o foi a Coimbra provinciana e invejosa, mais apta a notabilizar bo\u00e9mios que os que cometiam o pecado capital de pensar, pensar livremente, agir no espa\u00e7o subjectivo da liberdade consentida, no exerc\u00edcio de um estilo de vida que \u00e9 ess\u00eancia da cria\u00e7\u00e3o po\u00e9tica.<br \/>Assim o Zeca, livre pensador que adornava uma rara alma de artista e uma assumida consci\u00eancia c\u00edvica, interventora e comprometida ideologicamente, que veio a traduzir-se no plano da cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica numa obra que o coloca entre os principais m\u00fasicos do sec. XX, naquilo a que depois se chamou cantautores.<br \/>O Zeca mais pr\u00f3ximo do que pretexta esta sess\u00e3o de homenagem \u00e9 o int\u00e9rprete de m\u00fasica de matriz coimbr\u00e3, maxime aquilo a que se convencionou com maior ou menor rigor chamar de fado de Coimbra.<br \/>O Zeca Afonso andava pelos bancos do liceu D. Jo\u00e3o III em Coimbra e j\u00e1 participava em serenatas e tamb\u00e9m em espect\u00e1culos populares, pela m\u00e3o de Fl\u00e1vio Rodrigues e Fernando Rodrigues, os irm\u00e3os barbeiros a quem a m\u00fasica coimbr\u00e3 tanto deve, mas que v\u00e3o andando esquecidos ou aqui e ali relembrados, porque uma forma bacoca de elitismo sempre ali morou, instado no c\u00f3digo gen\u00e9tico universit\u00e1rio.<br \/>A um tempo, jogava futebol nos juniores da Acad\u00e9mica, imagine-se, a extremo direito, e garanto-vos que tinha um jeit\u00e3o.<br \/>Entrado na universidade, para frequentar Hist\u00f3rico-Filos\u00f3ficas, Jos\u00e9 Manuel Cerqueira Afonso dos Santos integra o Orfeon e torna-se solista de segundos tenores. Tem uma voz suave, pessoal e em quita\u00e7\u00e3o de pieguismos, como poucos faz ouvir palavras inteiras, divide com rigor a sintaxe musical, articula com sentimentalidade premunida o a dizer, desvenda semiogonias que tantas vezes o verbo esconde.<br \/>Mas o Zeca n\u00e3o era muito de estar arrumadinho em naipes, de se perfilar em corais. Foi estando como pretexto para outras digress\u00f5es, deu uma m\u00e3ozinha quando foi criado o coral das Letras, primeiro coro misto da nossa academia.<br \/>Aconteceu casar muito cedo e nascerem-lhe dois filhos. Foi do amor uma decis\u00e3o contrariada que lhe acumulou dificuldades. Passou a morar com a Amalita, como lhe chamava ternamente, numa cave da Rua de S. Salvador, em frente da casa da m\u00e3e do Jorge Godinho, senhora que foi formando os filhos a dar cama, mesa e roupa lavada a estudantes.<br \/>Nessa casa, num quarto das traseiras, voltado para a rua do Loureiro, arrumava os c\u00f3digos e rubricava a viola o Levy Batista, e por l\u00e1 andava eu, entre o tertuliar conspirativo e uns garganteios, consolidados depois na Tuna e segredados nas mesas do Caf\u00e9 Montanha, em partilha fraternal.<br \/>Connosco tamb\u00e9m o Zeca, inevitavelmente, a rilhar maus momentos, com subtis apoios de alguns de n\u00f3s e a solidariedade de poucos.<br \/>Tempos dif\u00edceis, porque chamado para a tropa vai a Mafra para o curso de oficiais milicianos, regressando a Coimbra com a galonite de alferes atravessada nos ombros.<br \/>Era insuper\u00e1vel nas caricaturas que fazia de toda a militan\u00e7a, acidulado para a hirerarquia das contin\u00eancias, incontinente de fina ironia quando de pistola \u00e0 cinta sa\u00eda para a ronda de pol\u00edcia militar, pr\u00e1tica corrente da sociedade castrense.<br \/>A guerra colonial suspirante a menos de uma d\u00e9cada, j\u00e1 respirava entre aqueles de n\u00f3s que \u00e9ramos menos dos copos e mais das leituras e do compromisso c\u00edvico, e at\u00e9 se dera o caso de Agostinho Neto ser h\u00f3spede da tal casa, como de resto o era tamb\u00e9m Carlos Mac Mahon.<br \/>\u00cdamos falando em surdina a pensar se as paredes tinham ouvidos, entre uns fados tradicionais e umas can\u00e7onetas napolitanas, que a viola do Levy magistralmente sublinhava e a guitarra do guitarrinhas, o Jorge Godinho, amparava como podia, at\u00e9 ascenderem ambos ao estrelato daquilo a que se chamou Quinteto de Coimbra, ou mais afiambrado, Coimbra quintet, coisa que nunca existiu.<br \/>Eram tempos da fraternidade a pairar no para sempre do tempo, que se instaurou para que mais bem se compreenda o Zeca que volta a Coimbra na crise acad\u00e9mica de 62 a partilhar com os jovens de ent\u00e3o a dimens\u00e3o das revoltas, Abril antes de Abril t\u00e3o mal recebido por tantos dos que agora blasonam de terem sido seus companheiros.<br \/>Por isso me importa aqui, sem um m\u00f3dico de esquecimento do excelente int\u00e9rprete da m\u00fasica de Coimbra, a que de resto regressou com o disco de homenagem a Edmundo Bettencourt, colega que fora de seu pai, me importa, dizia, celebrar o cantor de interven\u00e7\u00e3o pol\u00edtica projectado sobremaneira nas mem\u00f3rias porque uma sua can\u00e7\u00e3o foi senha da madrugada de Abril da liberdade sonhada, cantor de protesto que vale por uma obra po\u00e9tica e musical que est\u00e1 muito para al\u00e9m das circunstanciais fronteiras, que seria certamente celebrado em todo o mundo se em l\u00edngua mais universal tivesse cantado.<br \/>M\u00fasico inspirad\u00edssimo e poeta de rara sensibilidade, mas acima de tudo muito consciente dos mecanismos da cria\u00e7\u00e3o, estranhamente ou talvez n\u00e3o a sua obra po\u00e9tica n\u00e3o consta das recolhas e refer\u00eancias da poesia portuguesa contempor\u00e2nea, n\u00e3o se elenca nos c\u00e2nones historiogr\u00e1ficos da nossa literatura e, n\u00e3o obstante, acentua-se, marca como poucos a contemporaneidade.<br \/>N\u00e3o sei de manual escolar onde apare\u00e7a um poema seu, e como seria importante, ainda que n\u00e3o se atrevessem \u00e0 dimens\u00e3o mais notadamente pol\u00edtica, como seria importante dar a ler a sua obra eminentemente l\u00edrica, na qual a limpidez de um olhar inteligente sobre a vida, sobre as pessoas e sobre os sentimentos ressoa como das mais conseguidas da segunda metade do s\u00e9culo vinte.<br \/>Mas a literatura ausentou-se do ensino da L\u00edngua, pensar realmente d\u00e1 trabalho, instalou-se a ideia peregrina de que a escola \u00e9 espa\u00e7o l\u00fadico. Sabemos o pre\u00e7o, na charneca intelectual em que o pa\u00eds estiola.<br \/>Celebrem-se por oposi\u00e7\u00e3o os estudos de Elfriede Engelmayer e os esfor\u00e7os de Viale Moutinho, persistentes em trabalhos adultos sobre o nosso poeta e compositor, registos se n\u00e3o exaustivos garantem por\u00e9m uma vis\u00e3o clarividente do Homem e da Obra, grafados com mai\u00fasculas, porque de coisa grande se trata.<br \/>Entre muitas dezenas, proponho este poema escrito em Coimbra, em 1955:<\/p>\n<p>A minha voz n\u00e3o ouve a voz do vento<br \/>A minha m\u00e3o n\u00e3o sente a m\u00e3o que sinto<br \/>Os meus olhos n\u00e3o v\u00eaem o que eu vejo<br \/>Desisto e invejo o que me d\u00e1 alento<\/p>\n<p>Seduzo-me a tentar mas n\u00e3o me tento<br \/>Pretendo-me sem dar-me o pretendido<br \/>Se busco perco-me onde n\u00e3o h\u00e1 p\u2019rigo<br \/>Nutro de olvido com que me sustento<\/p>\n<p>Se por aqui n\u00e3o venho ali n\u00e3o sigo<br \/>O que m traz por c\u00e1 foi-me esquecendo<br \/>Desfa\u00e7o o feito e fa\u00e7o o presumido<br \/>Nada consigo e nisto vou cedendo<\/p>\n<p>Nisto prossigo e nisto me entendendo<br \/>(A voz de bronze que me traz consigo)<br \/>\u00d3 minha amada v\u00ea como estou vendo<br \/>Ceia tamb\u00e9m comigo \u00f3 meu amigo<\/p>\n<p>Atendamos uma outra maneira de exteriorizar o sentido, ante a morte de um ente querido, escrito nos anos cinquenta, quando dele se sabe que cantava em serenatas e brincava com as palavras, nas conversas \u00e0 mesa do caf\u00e9. \u00c9 um extraordin\u00e1rio poema sobre a morte, a morte petrificada em incomunica\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>Pela quietude das tuas m\u00e3os unidas.<br \/>Desce o eterno e a paz.<br \/>Nada perturba o sil\u00eancio posto nas tuas p\u00e1lpebras.<br \/>\u00c9 a morte o templo, a plenitude infinda.<br \/>Abatem-se os contornos, teu vulto esfuma a rigidez das coisas,<br \/>a exactid\u00e3o concreta.<br \/>Nenhuma dor descerrar\u00e1 nossas bocas profanas<br \/>para pronunciar o c\u00e9samo que te abrir\u00e1 os c\u00e9us,<br \/>pobre silhueta humana, j\u00e1 perten\u00e7a neutral,<br \/>informe barro<br \/>Inalter\u00e1vel mist\u00e9rio, subsist\u00eancia.<br \/>Entre o vivo e o morto o abismo sa incomunica\u00e7\u00e3o,<br \/>A dist\u00e2ncia absurda da intemporalidade.<br \/>O entrar na origem, menos exist\u00eancia<br \/>Que companhia apenas de todas as coisas que ali est\u00e3o<br \/>Em frente al\u00e9m.<br \/>S\u00f3 contemplar-te para penetrar teu mist\u00e9rio<br \/>E apressar a corrida para a petrifica\u00e7\u00e3o.<br \/>Depois sim: vossa presen\u00e7a pura<br \/>Entre Impronunci\u00e1veis e Inconceb\u00edveis-Nada..<\/p>\n<p>Que coisa o amor! Pobre balbucie<br \/>G\u00e9rmen do primeiro estrebuchar da primeira forma.<br \/>Embri\u00e3o latejando o que quer persistir e continuar-se-Assim<\/p>\n<p>E se ainda n\u00e3o perceberam at\u00e9 ao fim estes grande poeta e homem de ac\u00e7\u00e3o c\u00edvica, fiquemos com esta carta escrita \u00e0 filha Joana, na pris\u00e3o de Caxias, em Maio de 1973: <\/p><\/div>\n<div align=\"justify\">Prosema III<\/p>\n<p>Querida Joana:<br \/>Como sabes eu estou preso mas tamb\u00e9m n\u00e3o sou um homem mau. Viste como foi. N\u00e3o sejas rabugenta e ajuda o Pedro. Se ele estiver birrento lembra-te que ainda \u00e9 um beb\u00e9 e tu mais crescida que ele. O que eu n\u00e3o gosto \u00e9 que sejas ego\u00edsta porque \u00e9 muito feio. Se alguma das tuas amigas querem tudo para elas deixa l\u00e1. Elas fazem mal mas tu n\u00e3o. Explica-lhes que n\u00e3o devem ser ego\u00edstas. Tem cuidado com os sugos e outras porcarias iguais porque podes ficar sem dentes. Depois, mesmo que os queiras ter j\u00e1 ningu\u00e9m te os pode p\u00f4r. Ficas como os velhinhos. Alguns deles tinham a mania de comer guloseimas, gelados e caramelos. E tamb\u00e9m chocolates.<br \/>Eu lembro-me muito de ti e do Pedro. O Z\u00e9 ainda n\u00e3o cortou as barbas? Diz \u00e0 Lena que eu n\u00e3o gosto que ela seja desarrumada.<br \/>Todos t\u00eam que ajudar a m\u00e3e e a Dina.<br \/>Muitos beijos do<br \/>Zeca Pai<br \/>Caxias, 13-5-1973<\/p>\n<p>Todos sabemos que a maior parte da sua obra po\u00e9tica n\u00e3o foi musicada. Tamb\u00e9m sabemos que musicou outros poetas, Cam\u00f5es, Pessoa, Sena, Ant\u00f3nio Quadros pintor, Ary, Ant\u00f3nio Barahona, Ferreira Guedes Lu\u00eds Andrade, Paulo Armando e Ant\u00f3nio Aleixo. Estas cantigas, como toda a sua obra, mais l\u00edrica ou mais interventora, com resson\u00e2ncias \u00e9picas, s\u00e3o notavelmente alguns dos grandes momentos da nossa m\u00fasica dita popular, pela forma rigorosa como articula os sons com a respira\u00e7\u00e3o po\u00e9tica, como nos alerta e nos convoca.<br \/>Pouco se repara na constru\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o dos Vampiros, na simplicidade inultrapass\u00e1vel das palavras para o objecto que se prop\u00f5e, na tessitura epopaica em que a met\u00e1fora se desfaz e se refaz, para se metonimizar em den\u00fancia do poder arbitr\u00e1rio e do capital s\u00f4frego, como escapa a muitos a densa ternura do Menino do Bairro Negro, a quem se devolve a esperan\u00e7a do sol nascente, a luz da reden\u00e7\u00e3o, o novo dia de todas as auroras, como se um embalo, onde comovida a ternura se expande e purifica.<br \/>Escolhi estes porque s\u00e3o as suas prim\u00edcias, mas validamos por igual o ba\u00fa de todos os seus tesouros.<br \/>N\u00e3o me chegava toda esta noite, n\u00e3o chegavam muitas noites e toda a vossa paciente benevol\u00eancia para percorrer a obra po\u00e9tica do Zeca onde se reconhecem cerca de duzentos poemas, que entrela\u00e7am a fina ironia com as transpar\u00eancias l\u00edricas do amor e da morte, mas sempre a claridade solid\u00e1ria e a nota\u00e7\u00e3o de um futuro a haver, com a chama empunhada para luminoso caminho dos humildes e a palavra apontada a todas as iniquidades. Cantou a esperan\u00e7a, como cantou a raiva e a revolta.<br \/>Cantou as lonjuras da plan\u00edcie her\u00f3ica e olhou como irm\u00e3o as suas gentes, musicou pe\u00e7as de teatro com can\u00e7\u00f5es marcantes, notificou-nos para a nossa responsabilidade c\u00edvica com cantigas de todos os Maios, no abra\u00e7o a quantos amigos maiores que o pensamento, vieram nas estradas, convocou-nos para as fileiras clamando pela amizade solid\u00e1ria, trouxe a estrela d\u2019alva ao sonho dos meninos, soltou pombas brancas e chamou-as ao nosso desassossego, alertou os submissos e apelou a mudar de rumo as formigas no carreiro, balada de Outono de \u00e1guas de um rio da esperan\u00e7a que volte a cantar, com ceifeiras a olharem a morte sa\u00edda \u00e0 rua na paleta do pintor, lin\u00f3leo de Dias Coelho atravessado pelo tiro da raiva trai\u00e7oeira numa rua de Alc\u00e2ntara, com Catarina no tempo, porque se um homem se p\u00f5e a cantar, vejam bem, amigos, que n\u00e3o h\u00e1 s\u00f3 gaivotas em terra, e \u00e9 preciso ensinar o sonho, maduro Maio para os \u00edndios da meia praia saberem como encontrar o lugar, para que todos os homens, seus irm\u00e3os, ergam punhos bem apertados ao internacionalismo das mais ridentes utopias, de p\u00e9, pois<\/p>\n<p>N\u00e3o basta pregar um prego<br \/>Para ter um bairro novo<br \/>S\u00f3 unidos venceremos<br \/>Reza um ditado do povo.<\/p>\n<p>Para sempre o Zeca se ficou nas suas tamanquinhas porque plantou a semente das palavras e elas a\u00ed est\u00e3o, a\u00ed ficaram, com elas vamos, e ainda aqueles que ficarem, os que se afastaram no caminho, os que perderam \u00e9lan e agora partilham da ta\u00e7a do vinho novo, encontrar\u00e3o sempre, se souberem ouvir, se ler souberem, se pensarem at\u00e9 doer, que em Coimbra tudo come\u00e7ou no tempo em que em flor se abriu a sombra da sua capa, para nos contar baixinho contos de amor velhinhos em qualquer noite fria e triste, porque ao lembr\u00e1-lo, aqui reunidos numa celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica, amigos, companheiros, senhoras e senhores, para todo o sempre, a cabra da velha torre, de todos os amores, chora por ele, chora por n\u00f3s se n\u00e3o soubermos honrar a sua mem\u00f3ria.<br \/>Disse<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Henrique Dias <\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00c9 vulgar, quando algu\u00e9m com notoriedade desaparece, como cogumelos nascerem amigos e companheiros, que sempre t\u00eam uma hist\u00f3ria para contar, como se fora sua mas normalmente com outros acontecidas. 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