{"id":8154,"date":"2007-07-17T14:20:00","date_gmt":"2007-07-17T14:20:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=8154"},"modified":"2021-12-17T11:39:48","modified_gmt":"2021-12-17T11:39:48","slug":"chula-da-povoa-e-nossa-senhora-da-guia-seguido-de-testemunho-de-benedicto-garcia-villar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/chula-da-povoa-e-nossa-senhora-da-guia-seguido-de-testemunho-de-benedicto-garcia-villar\/","title":{"rendered":"&#8220;Chula da P\u00f3voa&#8221; e &#8220;Nossa Senhora da Guia&#8221; seguido de testemunho de Benedicto Garcia Villar"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"><embed height=\"350\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/HyaUvp-pNB8\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"425\" wmode=\"transparent\"><\/embed><\/p>\n<p>Os gaiteiros Treixadura intrepretam um tema tradicional Galego. Os gaiteiros de Lisboa interpretam um tema tradicional Portugu\u00eas. O que se v\u00ea \u00e9 uma mostra da cultura comum entre galegos e portugueses&#8230; <\/p><\/div>\n<div align=\"justify\">\n<p><embed height=\"350\" src=\"http:\/\/www.youtube.com\/v\/VDNWmlKZONo\" type=\"application\/x-shockwave-flash\" width=\"425\" wmode=\"transparent\"><\/embed><\/p>\n<p>Testemunho de Benedicto Garcia Villar<\/p><\/div>\n<div align=\"justify\">No ver\u00e3o do 73 fomos \u00e1 Illa da Fuzeta para estrear umas tendas de campismo que compr\u00e1ramos em &#8220;Trigano&#8221; numa viagem a Fran\u00e7a e B\u00e9lgica, \u00e1 que viera o Zeca e o meu camarada Bibiano.<br \/>A estrea foi por tudo o alto e a ela asistiron o Zeca e a Z\u00e8lia, os mi\u00fados, Pedro e Joana e n\u00f3s, Maite e eu. A do Zeca, familiar, com v\u00e1rios quartos, j\u00e1 se adivinhava de lonje que n\u00e3o \u00eda ser morada do seu dono que na altura andava lixado coa s\u00faa perenne insomnia. N\u00f3s, os galegos, ficamos naquela tenda m\u00e1is pequena que para dois era de m\u00e1is. Ali\u00e1s, e \u00fanico que hab\u00eda a fazer naquela illa despovoada (a penas \u00edan pessoas e non hab\u00eda nem &#8220;vaporetto&#8221; nem nada parecido e assim as viajems ao &#8220;continente&#8221; eram a &#8220;brazo&#8221;, a vogar co remo) era po\u00f1er o coiro, tudo o coiro, ao sol, para esc\u00e1ndalo, \u00e9 verdade, de alg\u00fams. Si hab\u00eda d\u00faas Zeca e fam\u00edlia cada d\u00eda para tomar aquela marabilla de sardinhas grelhadas. N\u00e3o tenho a certeza de se s\u00e3o as melhores as de al\u00e9m ou as de Rianxo, na r\u00eda de Arousa, ou as de Safi, no atl\u00e1ntico marroquino, onde as tomamos no ano 2000 numa viajem que fizemos coa Z\u00e8lia e onde h\u00e1 muitos portugueses a travalhar, entre eles um t\u00edo da Z\u00e8lia que era a quem \u00edamos em particular a visitar naquele porto t\u00e3o cheio de color e alegr\u00eda. Isto deve ser aplic\u00e1vel a casi tudos os portos, hajo eu, de jeito que n\u00e3o estou a descuvrir nada novo, pero dado que pas\u00e1vamos pelo sabor das sardinhas&#8230;<br \/>segundo as s\u00faas fontes, era cantada nas celebra\u00e7\u00f5es nas d\u00faas beiras do Minho, no norte galego e no sul portugu\u00e9s. A can\u00e7\u00e3o, simples de composi\u00e7\u00e3o, tinha tres quadras:<\/p>\n<p>Nosa Senhora da Gu\u00eda<br \/>Gu\u00eda aos homens do mare<br \/>Venha ver a barca vela<br \/>Que se vai deitar no mare<br \/>Nosa Senhora vai dentro<br \/>Os anjinhos a remare<\/p>\n<p>A partir desse momento a can\u00e7\u00e3o, tal e como estava, foi inclu\u00edda por n\u00f3s nos espect\u00e1culos que sempre realiz\u00e1vamos acompanh\u00e1ndonos mutuamente para, com m\u00e1is ou menos fortuna, sumar d\u00faas violas e, sobre de tudo, d\u00faas vozes, pois os dois \u00e9ramos moito dados a fazer d\u00faos. Sempre era eu quem aprend\u00eda alguma nova forma de impostar, de flexionar a voz, de construir as segundas vozes \u00e1 &#8220;alentejana&#8221; ou como fosse. \u00c9 a vantagem de compartir com um g\u00e9nio: um sempre receve muito, muito, muito&#8230;<\/p>\n<p>A partir do 25 de avril, n\u00e3o voltamos a ter esta esp\u00e9cie de parelha (o seu lugar ser\u00eda ocupado pelo Bibiano ata o 78). A\u00ednda que sempre mantivemos, at\u00e9 o fim dos seus d\u00edas, a mesma cordialidade, o &#8220;gui\u00e3o&#8221; que tinhamos que interpretar foi outro bem diferente. Em tanto que, em Portugal, as liberdades inundavan as r\u00faas e o Zeca tinha que dedicarse a canalizar tuda aquela energ\u00eda desbordante que o mantinha em constante &#8220;bebedeira&#8221; intelectual, art\u00edstica, pol\u00edtica e humana, em Espanha a\u00ednda tardar\u00edam em chegar: em fevereiro do 77 a\u00ednda eram prohibidos espect\u00e1culos.<br \/>No mes de maio desse ano gravei o meu primeiro L.P.: &#8220;Pola Uni\u00f3n&#8221; e nele hav\u00eda uma can\u00e7\u00e3o intitulada &#8220;Nosa Se\u00f1ora da Gu\u00eda&#8221;:<\/p>\n<p>Nosa Senhora da Gu\u00eda<br \/>Gu\u00eda \u00f3s homes do mare<br \/>Ve\u00f1a ver a barca vela<br \/>Que se vai deitar no mare<br \/>Nosa Se\u00f1ora vai dentro<br \/>E os anxi\u00f1os a remare<br \/>En Ourense as gueivotas<br \/>Non saben o que \u00e9 voare<br \/>Os mari\u00f1eiros traballan<br \/>No mare da liberdade<br \/>Outros pesqueiros reventan<br \/>Pr\u00f3s se\u00f1ores engordare<br \/>Hai un caravel vermello<br \/>No fusil do militare<br \/>Quen non viu cantar un vello<br \/>Non sabe o que \u00e9 cantare<\/p>\n<p>Coa emo\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria do ne\u00f3fito (e eu \u00e9ra-o pois a penas gravara um e.p. de 4 can\u00e7\u00f5es no 68 em Barcelona) dinlhe ao Zeca o disco e ele fez o pr\u00f3prio e trocou-o por um dele. Neste dico estava &#8220;Chula da P\u00f3voa&#8221; a s\u00faa vers\u00e3o, m\u00e1is portuguesa, com uma irm\u00e1 no meu disco, m\u00e1is galega.<br \/>\u00c1 &#8220;Nosa Se\u00f1ora da Gu\u00eda&#8221; aconteceulhe o melhor que lhe pode acontecer a uma can\u00e7\u00e3o: sem saver a s\u00faa origem, sem saver sequera quem a gravou, ag\u00fams, mo\u00e7os e n\u00e3o t\u00e3o mo\u00e7os c\u00e1ntana pelas r\u00faas&#8230;<br \/>Nesta p\u00e1gina-e p\u00f3dese ouvir um bocadinho:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.ghastaspista.com\/historia\/polaunion.php\">http:\/\/www.ghastaspista.com\/historia\/polaunion.php<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os gaiteiros Treixadura intrepretam um tema tradicional Galego. Os gaiteiros de Lisboa interpretam um tema tradicional Portugu\u00eas. 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