{"id":8150,"date":"2007-07-15T00:31:00","date_gmt":"2007-07-15T00:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=8150"},"modified":"2021-12-17T11:39:48","modified_gmt":"2021-12-17T11:39:48","slug":"quadras-de-jose-afonso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/quadras-de-jose-afonso\/","title":{"rendered":"Quadras de Jos\u00e9 Afonso"},"content":{"rendered":"<p>Nestas quadras v\u00e3o not\u00edcias<br \/>P\u2019ra quem est\u00e1 mal informado<br \/>D\u00e1-me o tom desta cantiga<br \/>Quero estar bem preparado<\/p>\n<p>Nestas quadras v\u00e3o not\u00edcias<br \/>P\u2019ra quem est\u00e1 mal informado<br \/>D\u00e1-me o tom desta cantiga<br \/>Quero estar bem preparado<\/p>\n<p>Quero estar bem preparado<br \/>O Sol e D\u00f3 bate fino<br \/>Quando o compasso \u00e9 folgado<br \/>Entra melhor no ouvido<\/p>\n<p>Os ricos mentem ao povo<br \/>Com artes de feiticeiro<br \/>Dizem que s\u00e3o pela P\u00e1tria<br \/>Mas s\u00f3 pensam no dinheiro<\/p>\n<p>Hoje os tempos est\u00e3o mudados<br \/>Mal vai para quem trabalha<br \/>Sai das tuas tamanquinhas<br \/>E luta contra o canalha<\/p>\n<p>Sobem as rendas de casa<br \/>A habita\u00e7\u00e3o \u00e9 um luxo<br \/>Mas h\u00e1 quem tenha pal\u00e1cio<br \/>Piscina, parque e repuxo.<\/p>\n<p>Foi dar a Lisboa um Pinto<br \/>Habitar um avi\u00e1rio<br \/>Fizeram dele ministro<br \/>Mas n\u00e3o passa dum fals\u00e1rio<\/p>\n<p>Nunca vi na minha vida<br \/>De uniforme ou \u00e0 paisana<br \/>Um guarda republicana<br \/>Bater num capitalista<\/p>\n<p>Tu chamaste-me comuna<br \/>Pensando que me ofendias<br \/>Com esse nome viveu<br \/>Paris os seus melhores dias<\/p>\n<p>Haja ganas com fartura<br \/>P\u2019ra levantar o pa\u00eds<br \/>Quando o mal n\u00e3o tem rem\u00e9dio<br \/>Corta-se o mal pela raiz<\/p>\n<p>Mineiros da nossa terra<br \/>Abrindo covas no fundo<br \/>Pescadores l\u00e1 do mar alto<br \/>Que deram li\u00e7\u00f5es ao mundo<\/p>\n<p>Muita gente prevenida<br \/>Grita e berra que se farta<br \/>Antes que seja crescida<br \/>H\u00e1 que matar a lagarta<\/p>\n<p>C\u00e3ezinhos de pelo fino<br \/>Pela trela passeando<br \/>S\u00e3o os \u00faltimos suspiros<br \/>Que a Europa nos est\u00e1 mandando<\/p>\n<p>Hoje h\u00e1 Sandras e Patr\u00edcias<br \/>Sinal dos tempos que v\u00e3o<br \/>Acabaram-se as Marias<br \/>Tudo vem da imita\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>S\u00f3nias, M\u00f3nicas, Sofias<br \/>E Carlas ao desbarato<br \/>Ningu\u00e9m quer um fato pr\u00f3prio<br \/>Tudo quer mudar de fato<\/p>\n<p>Algarve, o que vejo agora?<br \/>Fazem de ti capoeira<br \/>Para pedires uma bica<br \/>Falas em l\u00edngua estrangeira<\/p>\n<p>Vida cara, vida cara<br \/>Onde ir\u00e1 isto parar?<br \/>Pergunta a dona de casa<br \/>Sem ter com que se amanhar<\/p>\n<p>\u00c9 j\u00e1 mis\u00e9ria doirada<br \/>Ver comida boa e farta<br \/>E pagar uma fortuna<br \/>Por um quilo de batata<\/p>\n<p>\u00c9 j\u00e1 mis\u00e9ria revolta<br \/>Ver a loi\u00e7a sobre a mesa<br \/>Quem fez o cabaz da fome,<br \/>Rouba, rouba concerteza<\/p>\n<p>Tudo s\u00e3o palavras mansas<br \/>Tudo s\u00e3o palavras caras<br \/>Avan\u00e7a, meu povo, avan\u00e7a<br \/>Avan\u00e7a que j\u00e1 n\u00e3o p\u00e1ras<\/p>\n<p>H\u00e1 de tudo nesta feira<br \/>Juncada de rosmaninho<br \/>Menina, toma cautela<br \/>Que andam chulos p\u2019lo caminho<\/p>\n<p>Na sociedade marcada<br \/>O sistema \u00e9 que n\u00e3o presta<br \/>E p\u2019ra manter a fachada<br \/>H\u00e1 sempre um tambor da festa<\/p>\n<p>Tenho debaixo da l\u00edngua<br \/>O princ\u00edpio duma trova<br \/>Hei-de encontrar uma rima<br \/>Dedicada \u00e0 gente nova<\/p>\n<p>A velhice n\u00e3o se enjeita<br \/>Como o lixo da cal\u00e7ada<br \/>Pa\u00eds que os velhos rejeita<br \/>N\u00e3o \u00e9 pa\u00eds, n\u00e3o \u00e9 nada<\/p>\n<p>Numa escola de Set\u00fabal<br \/>Ficou surda uma menina<br \/>Tanta pancada lhe dera<br \/>A professora malina<\/p>\n<p>Discursos, festas, col\u00f3quios<br \/>N\u00e3o chegam (nem caridade)<br \/>O melhor s\u00e3o as crian\u00e7as<br \/>Disse o poeta, e \u00e9 verdade<\/p>\n<p>Seja cada dia um ano<br \/>Que um ano n\u00e3o d\u00e1 p\u2019ra mais:<br \/>Col\u00f3quios, festas, sorrisos,<br \/>Missas internacionais<\/p>\n<p>Faz aqui falta uma trova<br \/>Duma crian\u00e7a oprimida;<br \/>Ela que fale da fome,<br \/>Ela que fale da vida<\/p>\n<p>Ela que fale da pomba<br \/>Que tem a asa ferida;<br \/>Ela que fale da nuvem<br \/>Que encobre a terra polu\u00edda<\/p>\n<p>Veio uma carta de longe<br \/>Dum amigo de Bragan\u00e7a<br \/>Que fugiu daqui a salto<br \/>E hoje vive na Fran\u00e7a<\/p>\n<p>Diz que trabalha na \u201cchaine\u201d<br \/>Como uma besta de carga<br \/>E que n\u00e3o foi de vontade<br \/>Que deixou a p\u00e1tria amada<\/p>\n<p>Mandou o filho \u00e0 escola<br \/>Onde s\u00f3 fala franc\u00eas<br \/>Quando as saudades apertam<br \/>Diz que vai voltar de vez<\/p>\n<p>Mas sabe que o desemprego<br \/>\u00c9 um inimigo real<br \/>E assim se vai conformando<br \/>Longe da terra natal<\/p>\n<p>O emigra erga a mola<br \/>Num pa\u00eds que n\u00e3o \u00e9 seu<br \/>Produz fortunas alheias<br \/>Com as m\u00e3os que Deus lhe deu<\/p>\n<p>Disse-me um dia um careca<br \/>Quando uma cobra tem sede<br \/>Corta-lhe logo a cabe\u00e7a<br \/>Encosta-a bem \u00e0 parede<\/p>\n<p>Quando uma lancha se afunda<br \/>Nunca a culpa \u00e9 do patr\u00e3o<br \/>\u00c9 sempre de quem se amola<br \/>L\u00e1 no fundo do por\u00e3o<\/p>\n<p>Esta terra ser\u00e1 nossa<br \/>Quando houver revolu\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nestas quadras v\u00e3o not\u00edciasP\u2019ra quem est\u00e1 mal informadoD\u00e1-me o tom desta cantigaQuero estar bem preparado Nestas quadras v\u00e3o not\u00edciasP\u2019ra quem est\u00e1 mal informadoD\u00e1-me o tom desta cantigaQuero estar bem preparado Quero estar bem preparadoO Sol e D\u00f3 bate finoQuando o compasso \u00e9 folgadoEntra melhor no ouvido Os ricos mentem ao povoCom artes de feiticeiroDizem que 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