{"id":8089,"date":"2007-06-18T13:30:00","date_gmt":"2007-06-18T13:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=8089"},"modified":"2021-12-17T11:39:48","modified_gmt":"2021-12-17T11:39:48","slug":"lancamento-do-ultimo-disco-de-julio-pereira-geografias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/lancamento-do-ultimo-disco-de-julio-pereira-geografias\/","title":{"rendered":"Lan\u00e7amento do \u00faltimo disco de J\u00falio Pereira &#8220;Geografias&#8221;"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">O \u00e1lbum &#8220;Geografias&#8221;, editado dia 18 de Junho, assinala o regresso de J\u00falio Pereira ao bandolim, um instrumento que acompanha o m\u00fasico desde a inf\u00e2ncia e que neste disco se conjuga de forma in\u00e9dita com a guitarra portuguesa. Um disco a descobrir!<\/p>\n<p>Fonte: Lusa<\/p>\n<p>Depois de ter composto para crian\u00e7as, com &#8220;Faz-de-conta&#8221; (2003), J\u00falio Pereira gravou um \u00e1lbum instrumental onde demonstra o seu virtuosismo como int\u00e9rprete e autor. Nos onze temas de &#8220;Geografias&#8221; o m\u00fasico viaja para v\u00e1rias latitudes, combinando sonoridades e ritmos que \u00e0 partida podem n\u00e3o fazer sentido juntos. &#8220;Este \u00e9 um disco onde vou a mais s\u00edtios, porque a m\u00fasica instrumental leva as pessoas a lugares diferentes&#8221;, afirmou J\u00falio Pereira em entrevista \u00e0 ag\u00eancia Lusa.<\/p>\n<p>Se dentro de &#8220;Fado Luso&#8221; h\u00e1 m\u00fasica popular portuguesa e ritmos africanos, &#8220;Porta do Oriente&#8221; remete para rotas long\u00ednquas e &#8220;Santa Moura&#8221; num instante parece uma can\u00e7\u00e3o de embalar, para de seguida fazer lembrar canto \u00e1rabe ou uma moda minhota.<\/p>\n<p>S\u00e3o geografias recriadas por J\u00falio Pereira a partir de uma mem\u00f3ria pessoal e da combina\u00e7\u00e3o entre bandolim, guitarra portuguesa, viola, bouzouki e sintetizadores. &#8220;Esta mistura, sobretudo do bandolim com a guitarra portuguesa, acho que deve ter sido a primeira em termos de trabalho com alguma profundidade&#8221;, disse.<\/p>\n<p>Para o novo \u00e1lbum, J\u00falio Pereira contou ainda com a colabora\u00e7\u00e3o de tr\u00eas vozes femininas num registo de vocaliza\u00e7\u00f5es que funcionam como um instrumento: Sara Tavares, Marisa Pinto, dos Donna Maria, e Isabel Dias, do grupo tradicional minhoto Ra\u00edzes. Para &#8220;Geografias&#8221;, o m\u00fasico abdicou de tocar todos os instrumentos em est\u00fadio, repartindo as despesas com Miguel Veras (viola ac\u00fastica) e Bernardo Couto (guitarra portuguesa). O processo de composi\u00e7\u00e3o e de grava\u00e7\u00e3o acabou por ser in\u00e9dito, precisamente por causa dessa partilha.<\/p>\n<p>&#8220;Compor \u00e9 um acto solit\u00e1rio, mas esta \u00e9 a primeira vez que componho \u00e0 frente de outra pessoa&#8221;, referiu o autor de &#8220;Rituais&#8221; (2001), recordando as sess\u00f5es em que experimentava temas novos no bandolim.<\/p>\n<p>J\u00falio Pereira, que durante muitos anos ficou praticamente conotado com o cavaquinho, diz que prefere cada vez mais o bandolim. &#8220;O cavaquinho \u00e9 uma mem\u00f3ria&#8221;, afirma o tocador ao recordar o sucesso alcan\u00e7ado com o \u00e1lbum &#8220;Cavaquinho&#8221; em 1981. &#8220;N\u00e3o sei o que \u00e9 que aconteceu, mas teve consequ\u00eancias completamente inesperadas e \u00e9 a partir da\u00ed que saio do anonimato&#8221;, assinala.<\/p>\n<p>Actualmente, \u00e9 o bandolim o instrumento que mais gosta de tocar, por ser, entre os cordofones pequenos, &#8220;aquele que tem mais possibilidades de evolu\u00e7\u00e3o&#8221;. \u00c9 tamb\u00e9m o instrumento que o acompanha desde a inf\u00e2ncia, nos tempos em que o pai o ensinou a tocar &#8220;modinhas tradicionais&#8221;. Al\u00e9m de ser um disco com composi\u00e7\u00f5es inspiradas na m\u00fasica popular e tradicional, &#8220;Geografias&#8221; introduz ainda apontamentos electr\u00f3nicos, com a presen\u00e7a discreta de sintetizadores em temas como &#8220;Colares de Luz&#8221; e &#8220;Porta do Oriente&#8221;.<\/p>\n<p>J\u00falio Pereira explica que sempre teve apet\u00eancia tanto para instrumentos tradicionais como para os novos instrumentos. &#8220;Fa\u00e7o parte de uma gera\u00e7\u00e3o que \u00e9 transversal \u00e0s duas coisas. Apanho tanto o que \u00e9 antigo como os novos instrumentos&#8221;, refere o m\u00fasico, num exerc\u00edcio de mem\u00f3ria que o leva aos tempos da guitarra el\u00e9ctrica e do rock na d\u00e9cada de 1970. Pode haver quem s\u00f3 se lembre de J\u00falio Pereira a tocar cavaquinho e viola braguesa ou ao lado de Zeca Afonso, com quem tocou durante muitos anos.<\/p>\n<p>Mas a verdade \u00e9 que J\u00falio Pereira fez parte do movimento rock da d\u00e9cada de setenta, no p\u00f3s-25 de Abril, empunhando uma guitarra el\u00e9ctrica e gravando com grupos como os Petrus Castrus e os Xarhanga. &#8220;H\u00e1 uma grande parte da minha vida em que oi\u00e7o g\u00e9neros musicais que n\u00e3o passam por nada do que \u00e9, digamos, tradicional&#8221;, refor\u00e7a J\u00falio Pereira.<\/p>\n<p>No entanto, o m\u00fasico garante que n\u00e3o regressar\u00e1 a esses tempos e que se afastou do rock como m\u00fasico. Da dedica\u00e7\u00e3o e pesquisa das ra\u00edzes da m\u00fasica tradicional e popular portuguesa sa\u00edram \u00e1lbuns como &#8220;O meu bandolim&#8221; (1992), &#8220;Miradouro&#8221; (1988), &#8220;Braguesa&#8221; (1983) ou este &#8220;Geografias&#8221;. Para Setembro, J\u00falio Pereira prepara uma digress\u00e3o por Portugal e Espanha, onde &#8220;Geografias&#8221; tamb\u00e9m ser\u00e1 tamb\u00e9m editado.<\/p>\n<p>O m\u00fasico quer que os concertos sejam um prolongamento do \u00e1lbum, com a participa\u00e7\u00e3o em palco dos m\u00fasicos Miguel Veras e Bernardo Couto. A digress\u00e3o, ainda sem datas anunciadas, ser\u00e1 a primeira em nome pr\u00f3prio ao cabo de dez anos, marcados apenas por actua\u00e7\u00f5es como convidado de outros m\u00fasicos. &#8220;Nos \u00faltimos anos toquei sobretudo l\u00e1 fora&#8221;, afirmou o m\u00fasico, constatando que o actual cen\u00e1rio musical portugu\u00eas n\u00e3o \u00e9 dos melhores. J\u00falio Pereira reconhece que a m\u00fasica instrumental de raiz popular e tradicional n\u00e3o passa tanto na r\u00e1dio ou na televis\u00e3o, mas esta realidade \u00e9 contornada atrav\u00e9s da Internet.<\/p>\n<p>No portal Myspace.com (www.myspace.com\/juliopereira ), o m\u00fasico apresenta algumas das suas composi\u00e7\u00f5es e n\u00e3o esconde a surpresa ao ver que tem cem ou duzentas audi\u00e7\u00f5es di\u00e1rias dos seus temas. Em apenas dois meses registou 12 mil audi\u00e7\u00f5es no myspace, um espa\u00e7o virtual acess\u00edvel para milh\u00f5es de utilizadores onde &#8220;a m\u00fasica acaba por se tornar f\u00edsica&#8221;. &#8220;N\u00e3o imaginava que isto ia acontecer &#8211; disse &#8211; e n\u00e3o tenho d\u00favidas de que a Internet \u00e9 o maior dos presentes&#8221;.<\/p>\n<p>Biografia<br \/>Jo\u00e3o Lu\u00eds Oliva<br \/>Como multi-instrumentista, compositor e produtor, ao longo de 30 anos de carreira, J\u00falio Pereira tem norteado a sua preocupa\u00e7\u00e3o art\u00edstica por par\u00e2metros que tomam como refer\u00eancia a universalidade das manifesta\u00e7\u00f5es culturais.<br \/>O que, de forma nenhuma, contraria a import\u00e2ncia do seu trabalho no \u00e2mbito da m\u00fasica tradicional portuguesa e da considera\u00e7\u00e3o \u00e9tnica dos sons e das suas ra\u00edzes. \u00c9 que esse trabalho sempre teve como horizonte a incorpora\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o portuguesa nas correntes est\u00e9ticas que marcam as sucessivas\u201ccontemporaneidades&#8221;.<\/p>\n<p>Assim, as suas obras de autor, concretizadas em 15 discos de longa dura\u00e7\u00e3o, depois de reflectirem a import\u00e2ncia da inova\u00e7\u00e3o musical dos anos 60\/70, cen\u00adtraram-se num trabalho de recupera\u00e7\u00e3o renovadora dos sons dos instrumentos tradicionais \u201cquase perdidos\u201d \u2014 de que os mais paradigm\u00e1ticos exemplos s\u00e3o Cavaquinho (1981) , Braguesa (1982) e O meu bandolim (1992) \u2014, bem como, sobretudo a partir dos anos 90, na associa\u00e7\u00e3o desses sons a (sempre) novas solu\u00e7\u00f5es ac\u00fasticas \u2014 como Rituais (2000) significativamente documenta. O que, ali\u00e1s, o situa como figura incontorn\u00e1vel da m\u00fasica portuguesa da se\u00adgunda metade do s\u00e9c. XX.<\/p>\n<p>Embora o seu trabalho n\u00e3o se tenha \u2014 at\u00e9 agora, e dominantemente \u2014 cruzado com a melodiza\u00e7\u00e3o de textos, a sua selectividade po\u00e9tica leva-o, actual\u00admente, a preparar um disco &#8211; Faz-de-conta &#8211; que se cruza com nomes nucleares de autores de l\u00edngua portuguesa, como Eug\u00e9nio de Andrade e Vinicius de Moraes.<\/p>\n<p>A atestar a sua experi\u00eancia e o seu testemunho musical, referem-se a centena de discos em que interveio como instrumentista, orquestrador ou produtor. N\u00e3o sem deixar de referir a import\u00e2ncia da sua \u00edntima liga\u00e7\u00e3o \u00e0 carreira de Jos\u00e9 Afonso, a partir de finais dos anos 70, bem como a sua participa\u00e7\u00e3o em trabal\u00adhos conjuntos com Pete Seeger e The Chieftains&#8221; <\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O \u00e1lbum &#8220;Geografias&#8221;, editado dia 18 de Junho, assinala o regresso de J\u00falio Pereira ao bandolim, um instrumento que acompanha o m\u00fasico desde a inf\u00e2ncia e que neste disco se conjuga de forma in\u00e9dita com a guitarra portuguesa. Um disco a descobrir! 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