{"id":7916,"date":"2007-04-13T23:21:00","date_gmt":"2007-04-13T23:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=7916"},"modified":"2021-12-17T11:39:51","modified_gmt":"2021-12-17T11:39:51","slug":"ja-o-mundo-se-nao-lembra-de-cantigas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/ja-o-mundo-se-nao-lembra-de-cantigas\/","title":{"rendered":"\u201cJ\u00c1 O MUNDO SE N\u00c3O LEMBRA DE CANTIGAS\u2026\u201d"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">Abril cheira a Liberdade e foi nesse contexto que Helena Afonso, filha de Zeca Afonso falou ao Jornal do Bairro sobre as voltas do seu tutor andarilho. Jorge Luz, ent\u00e3o estudante numa faculdade em Lisboa, recorda a v\u00e9spera do 1\u00ba. de Maio em que foi levado, com Zeca e outras centenas de jovens, para a pris\u00e3o de Caxias.<\/p>\n<p>H\u00e1 33 anos milhares de jovens portugueses perdiam bra\u00e7os, pernas e vidas numa Guerra Colonial que n\u00e3o desejavam travar. A Liberdade de express\u00e3o era censurada sob pena de morte e os opositores ao regime dividiam- se, uns exilados, outros enclausurados em pris\u00f5es e a n\u00e3o esquecer os enviados para tortura e por fim morrerem em Cabo Verde, no campo de concentra\u00e7\u00e3o do Tarrafal. Os trabalhadores eram escravizados, faltava- lhes \u201ca sa\u00fade, o p\u00e3o, a cultura e a habita\u00e7\u00e3o\u201d. Fam\u00edlias viviam na mis\u00e9ria, no medo, na car\u00eancia e na opress\u00e3o&#8230; uns j\u00e1 n\u00e3o acreditavam na hip\u00f3tese de fugir \u00e0s amarras do Estado paternalista, outros queriam e fizeram a revolu\u00e7\u00e3o, uma revolu\u00e7\u00e3o com sangue que apenas naquele dia n\u00e3o foi derramado&#8230; no Dia 25 de Abril! Jos\u00e9 Afonso \u00e9 uma das figuras mais emblem\u00e1ticas do Abril de 1974. Autor de \u201cGr\u00e2ndola Vila Morena\u201d, a sua voz gritou mais alto do que muitas das muralhas da opress\u00e3o. Por entre as ondas da r\u00e1dio foi o seu canto que deu luz verde aos militares que avan\u00e7aram para a Revolu\u00e7\u00e3o. A partir da\u00ed, a Liberdade! Mais do que um mito, o Zeca foi um Homem do mundo, do pa\u00eds, da Capital e at\u00e9 mesmo de Campo de Ourique. A sua passagem pelo Bairro, em \u201879 foi recordada por Rui Santos, no jornal O Banc\u00e1rio, que disse \u201cquis o tempo que vivemos proporcionar um contacto espor\u00e1dico mas muito marcante, quando o Zeca, antes de entrar no palco, sentiu a garganta arranhada, com o muito fumo que havia no pavilh\u00e3o do CACO e teve necessidade de a molhar com um c\u00e1lice de vinha da Madeira, convidando-nos para o acompanhar ao balc\u00e3o do Canas, onde afinou a garganta, para depois cantar alguns dos seus inesquec\u00edveis poemas\u201d. Zeca foi assim\u2026 um poeta, um andarilho e um cantor que deixou marcas nos locais por onde passou, sempre com humildade!<\/p>\n<p>O Zeca costuma ser recordado no dia 23 de Fevereiro, este ano com maior destaque por se marcarem 20 anos sobre a sua morte. Acredita que as homenagens t\u00eam vindo na altura certa?<\/p>\n<p>Helena Afonso \u2013 Este g\u00e9nero de datas, tamb\u00e9m chamadas de \u201cdata padr\u00e3o\u201d s\u00e3o pretextos utilizados para lembrar figuras de pessoas, isso pratica-se em todo o lado e neste caso n\u00e3o \u00e9 excep\u00e7\u00e3o. O que eu condeno e acho quase escandaloso \u00e9 que o Zeca, uma figura nacional e mesmo invulgar dentro do seu g\u00e9nero seja t\u00e3o poucas vezes recordado e a sua obra, a sua m\u00fasica, t\u00e3o pouco passada nos Media. \u00c9 raro ouvirmos uma das suas can\u00e7\u00f5es na r\u00e1dio ou na televis\u00e3o, para n\u00e3o dizer que n\u00e3o existe um \u00fanico document\u00e1rio, que mere\u00e7a essa designa\u00e7\u00e3o, sobre a sua vida. N\u00e3o h\u00e1 uma preocupa\u00e7\u00e3o nem um interesse em abordar uma figura que d\u00e1 nome a ruas, a escolas e a parques&#8230; Eu olho com algum cepticismo para as comemora\u00e7\u00f5es e para a concentra\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de refer\u00eancias na televis\u00e3o e na r\u00e1dio porque passaram-se 20 anos e neste espa\u00e7o de tempo podemos contar as vezes em que a figura do Zeca foi abordada.<\/p>\n<p>As emissoras nacionais devem ter maiores responsabilidades na divulga\u00e7\u00e3o da m\u00fasica portuguesa?<\/p>\n<p>Helena Afonso \u2013 Com certeza! Eu sou a favor das quotas obrigat\u00f3rias que se aplicam em muitos pa\u00edses, nomeadamente a Fran\u00e7a, onde se ouve a m\u00fasica nacional com regularidade&#8230; a quota que ali foi institu\u00edda tamb\u00e9m o deveria ser em Portugal. Caso contr\u00e1rio, ficamos totalmente dominados pela m\u00fasica anglo-sax\u00f3nica, a m\u00fasica comercial de pior qualidade&#8230;<\/p>\n<p>Para al\u00e9m de cantor de interven\u00e7\u00e3o, o Zeca tamb\u00e9m foi um defensor da m\u00fasica popular. Muitos jovens associam o popular ao pimba, o que pode contribuir para tornar este um g\u00e9nero em vias de extin\u00e7\u00e3o&#8230;<\/p>\n<p>Helena Afonso \u2013 \u00c9 evidente que a m\u00fasica do Zeca est\u00e1 perfeitamente ligada a ra\u00edzes etnogr\u00e1ficas, \u00e0 qual foram sendo acrescentados elementos de outras influ\u00eancias, como a africana, o jazz, ou a m\u00fasica moderna e contempor\u00e2nea. Em rela\u00e7\u00e3o aos mais novos, o que posso dizer \u00e9 que o conhecimento come\u00e7a no ambiente familiar e cultural! Hoje assisto a estudantes com batina a ouvirem coisas atrozes e horrorosas que nada t\u00eam a ver com o fato coimbr\u00e3o e com a m\u00fasica popular portuguesa, o que \u00e9 uma deturpa\u00e7\u00e3o quase obscena das composi\u00e7\u00f5es com qualidade!<\/p>\n<p>No concerto do Coliseu, o Zeca apresentou a Gr\u00e2ndola Vila Morena dizendo \u201cagora vamos cantar aquela nov\u00edssima can\u00e7\u00e3o&#8230;\u201d. Esta m\u00fasica tornou-se enfadonha?<\/p>\n<p>Helena Afonso \u2013 A Gr\u00e2ndola ganhou uma din\u00e2mica pr\u00f3pria e emancipou- se como can\u00e7\u00e3o. Foi utilizada, cantada e mesmo manipulada em toda a esp\u00e9cie de situa\u00e7\u00f5es&#8230; existe uma identifica\u00e7\u00e3o natural, pelo menos de uma certa gera\u00e7\u00e3o, \u00e0 volta da Gr\u00e2ndola e um conceito que a tornou numa esp\u00e9cie de complemento ao Hino nacional pela liberdade, que \u00e9 o significado do 25 de Abril. Imagino que o Zeca, tendo de a cantar em repetidas situa\u00e7\u00f5es, se cansou um bocado e tinha alguma ironia ao falar nisso. Ele n\u00e3o era um cantor que gostasse das coisas demasiado f\u00e1ceis, que se resumissem a um estandarte, ele exprimia-se atrav\u00e9s da m\u00fasica e procurava textos mais subtis e a Gr\u00e2ndola era uma m\u00fasica escarrapachada e que era cantada em todas as manifesta\u00e7\u00f5es e com\u00edcios! Cheguei a assistir, no estrangeiro, a grupos de estrangeiros a cantarem o Hino nacional e a Gr\u00e2ndola no Dia de Cam\u00f5es!<\/p>\n<p>Como era a vida antes da Revolu\u00e7\u00e3o, a PIDE era realmente atroz?<\/p>\n<p>Jorge Luz \u2013 A PIDE prendia indiscriminadamente os opositores \u00e0 Guerra Colonial, ao Regime Salazarista, \u00e0s den\u00fancias quanto a situa\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria&#8230; A PIDE era o que era, prendia, espancava, oprimia!<\/p>\n<p>Helena Afonso \u2013 Lembro- me claramente do ambiente de tens\u00e3o que havia na altura, devido a um conjunto de acontecimentos. Em 1969 tinha sido a revolta dos estudantes em Coimbra e que teve uma grande projec\u00e7\u00e3o no meio estudantil, que n\u00e3o era um meio de subestimar, pois nele enquadravam-se as elites do pa\u00eds, muitos eram filhos de militares e de pol\u00edticos e n\u00e3o podemos esquecer que na \u00e9poca s\u00f3 esses \u00e9 que estudavam&#8230; As frentes de batalha da Guerra Colonial tinham-se agravado, as gera\u00e7\u00f5es estavam traumatizadas com essas quest\u00f5es, todos os jovens sabiam o que os esperava&#8230;<\/p>\n<p>Jorge Luz \u2013 Todos os jovens dessa altura t\u00eam amigos que foram mortos na Guerra&#8230; Essa era a grande luta, ir ao centro do Regime e p\u00f4r-lhe um fim!<\/p>\n<p>Helena Afonso \u2013 E esse era tamb\u00e9m o grande tabu do fascismo! Era um assunto intoc\u00e1vel e a censura n\u00e3o permitia que se falasse em nada! O tema era cada vez mais premente e dava direito \u00e0 pris\u00e3o em Caxias, em Peniche, em deporta\u00e7\u00f5es, etc, etc&#8230; Em 1973 deu-se o Congresso de Aveiro que por se referir \u00e0 Guerra Colonial mobilizou a sociedade portuguesa, que ia da Igreja ao Partido Socialista, ao Partido Comunista e a toda a oposi\u00e7\u00e3o portuguesa&#8230;<\/p>\n<p>Jorge Luz \u2013 E ali\u00e1s, acabou com uma interven\u00e7\u00e3o da pol\u00edcia de choque a espancar toda a gente&#8230;<\/p>\n<p>Helena Afonso \u2013 Alarmou toda a cidade mas foi o primeiro Congresso da Oposi\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica que conseguiu trazer \u00e0 tona a quest\u00e3o da Guerra Colonial, cuja problem\u00e1tica foi debatida durante tr\u00eas dias seguidos. Da\u00ed surgiu uma grande movimenta\u00e7\u00e3o, fizeram-se murais, abaixo- assinados, manifesta\u00e7\u00f5es, ocupa\u00e7\u00f5es como a da Capela do Rato&#8230; o que n\u00e3o sab\u00edamos nem pod\u00edamos imaginar \u00e9 que os Capit\u00e3es de Abril, aqueles que eram directamente afectados pela Guerra, j\u00e1 se estavam a organizar!<\/p>\n<p>Ainda antes do 25 de Abril, o Jorge chegou a ser preso com o Zeca. Como foi esse epis\u00f3dio?<\/p>\n<p>Jorge Luz \u2013 Em v\u00e9speras do Dia 1\u00ba. de Maio era habitual a pol\u00edcia prender. Prendia indiscriminadamente dezenas, centenas de pessoas&#8230; nesse dia fui preso com umas dezenas de colegas da Faculdade de Ci\u00eancias, tal como o Zeca! Seguimos para Caxias, como geralmente acontecia nessas situa\u00e7\u00f5es. Havia um jornal clandestino que se chamava \u201cMiss\u00e3o de Apoio aos Presos Pol\u00edticos\u201d e que continha uma lista incr\u00edvel e intermin\u00e1vel dos detidos. Os estudantes e os oper\u00e1rios tinham uma luta comum, que era a luta contra a Guerra e obviamente o Regime anterior ao 25 de Abril n\u00e3o perdoava isso!<\/p>\n<p>Helena Afonso \u2013 Temos de dizer uma coisa importante! Pessoas como o Jorge ou o Zeca foram presas at\u00e9 ao fim do dia mas os dirigentes oper\u00e1rios foram presos, na mesma altura, durante a noite. A pol\u00edcia invadia as casas das pessoas para as levar! N\u00e3o podemos esquecer que este foi um pa\u00eds de classes e ainda o \u00e9. At\u00e9 nisso havia uma distin\u00e7\u00e3o entre os estudantes e os trabalhadores!<\/p>\n<p>Passamos \u00e0 pergunta da praxe, onde estava no 25 de Abril de 1974?<\/p>\n<p>Helena Afonso \u2013 Eu estava em Set\u00fabal, no Liceu. A partir da madrugada come\u00e7aram a haver uma s\u00e9rie de telefonemas e as pessoas perceberam que n\u00e3o havia escola, a perguntar \u201cj\u00e1 ouviste umas coisas esquisitas na r\u00e1dio?\u201d e isso provocou um pavor geral. H\u00e1 poucos meses tinha havido uma tentativa de golpe levada a cabo pelos Ultras da Direita e isso gerou uma grande d\u00favida. O receio s\u00f3 se dissipou quando foi ouvida a Gr\u00e2ndola Vila Morena&#8230;<\/p>\n<p>Jorge Luz \u2013 Eu estava h\u00e1 alguns meses exilado em Paris, a tentar organizar a minha vida para continuar a estudar. Soube do 25 de Abril por volta do meio-dia, algu\u00e9m entrou aos saltos a falar de uma Revolu\u00e7\u00e3o em Portugal e&#8230; no dia seguinte eu estava c\u00e1!<\/p>\n<p>Helena Afonso \u2013 O 25 de Abril foi um acto libert\u00e1rio, algo completamente inesperado&#8230; finalmente era o fim daquilo! Foi um efeito surpresa fant\u00e1stico! Num tempo rodeado por escutas e por toda a esp\u00e9cie de vigias a situa\u00e7\u00e3o foi t\u00e3o in\u00e9dita que come\u00e7\u00e1mos todos a telefonar e a passar informa\u00e7\u00f5es e quanto mais se apelava \u00e0 calma maior era a euforia. O pessoal irrompeu para a rua, aquilo foi um \u201ca ver se te avias\u201d e num instante as pessoas estavam todas juntas a festejar.<\/p>\n<p>Passados mais de 30 anos, o que falta para que os sonhos dos \u201cconstrutores\u201d de Abril se tornem realidade?<\/p>\n<p>Jorge Luz \u2013 Para al\u00e9m de ter sido um grande artista, m\u00fasico e cantor, o Zeca foi um homem que denunciou todas as prepot\u00eancias do poder neste pa\u00eds e a maior homenagem que lhe podemos prestar \u00e9 continuar a denunciar determinadas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em tempos de repress\u00e3o, as den\u00fancias eram subtis e talvez por isso mais interiorizadas. E agora, quais s\u00e3o as melhores formas para denunciar?<\/p>\n<p>Jorge Luz \u2013 Agora podemos denunciar sem medos&#8230;<\/p>\n<p>Helena Afonso \u2013 No 25 de Abril as pessoas tinham uma s\u00e9rie de objectivos que diferiam mas existem outros nomes \u00e0 escala Mundial que recolocam a quest\u00e3o do indiv\u00edduo na sociedade. No tempo da repress\u00e3o era evidente quem era o inimigo mas hoje as coisas s\u00e3o mais complicadas! Aparentemente existem melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e de acesso \u00e0 Cultura e a muitas outras coisas, mas existem novas m\u00e1fias que concentram em si o acesso ao dinheiro e ao poder. Eu recordo-me dum epis\u00f3dio em que n\u00e3o haviam elei\u00e7\u00f5es livres mas que o Zeca e outros se punham em frente \u00e0s f\u00e1bricas porque tinham descoberto uma cl\u00e1usula que dizia que era permitida a angaria\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os para se inscreverem em listas de votos, ningu\u00e9m estava interessado em votar por s\u00f3 haver um partido&#8230; Eles colocavam-se \u00e0 porta das f\u00e1bricas com listas de recenseamento, o que estava dentro da lei, mas falavam com as pessoas sobre os seus pr\u00f3prios interesses. Para mim esse era um trabalho genial e de cidadania! O Zeca era um homem teimoso e com uma imagina\u00e7\u00e3o sem fim. Uma situa\u00e7\u00e3o que considero escandalosa e que deve ser denunciada refere- se \u00e0s pol\u00edticas de Emigra\u00e7\u00e3o deste pa\u00eds, que sempre foram hip\u00f3critas. Nunca se fez nada para apoiar os emigrantes, n\u00e3o existem apoios para os que pretendem regressar, nem para as terceiras gera\u00e7\u00f5es que nasceram no estrangeiro. Houve sim um consenso silencioso quanto \u00e0 utilidade de receber os rendimentos que v\u00eam dos emigrantes. O Estado devia procurar formas de gerir certas zonas rurais do interior e apostar em incentivos que levassem as pessoas a fixar-se nessas \u00e1reas. Esta vaga \u00e9 cont\u00ednua, vai prosseguir, h\u00e1 um envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e s\u00e3o os jovens que continuam a sair do pa\u00eds!<\/p>\n<p>O nosso Bairro vive paredes meias com o antigo Casal Ventoso e as consequ\u00eancias da droga s\u00e3o not\u00f3rias. Ser\u00e1 que esta foi uma moda do p\u00f3s 25 de Abril?<\/p>\n<p>Helena Afonso \u2013 A droga \u00e9 um neg\u00f3cio claramente introduzido para se criarem consumidores. Nos bancos sui\u00e7os, por exemplo, a droga produz mais dinheiro do que neg\u00f3cios como o do petr\u00f3leo. A droga sempre existiu e uma das vantagens do 25 de Abril \u00e9 podermos falar das coisas mais abertamente&#8230;<\/p>\n<p>M\u00f3nica Almeida  <a href=\"http:\/\/www.jornalregional.com\/?p=cfcd208495d565ef66e7dff9f98764da&amp;distrito=&amp;concelho=&amp;op=noticia&amp;n=929c8a86b32a2c5781d997a77c5015d2\">Jornal regional<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abril cheira a Liberdade e foi nesse contexto que Helena Afonso, filha de Zeca Afonso falou ao Jornal do Bairro sobre as voltas do seu tutor andarilho. 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