{"id":7895,"date":"2007-04-09T12:06:00","date_gmt":"2007-04-09T12:06:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=7895"},"modified":"2021-12-17T11:39:51","modified_gmt":"2021-12-17T11:39:51","slug":"adriano-nasceu-ha-65-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/adriano-nasceu-ha-65-anos\/","title":{"rendered":"Adriano nasceu h\u00e1 65 anos"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_NeDJGBTlLoA\/RhotegwYXGI\/AAAAAAAAAgU\/G5sn0oJgehg\/s1600-h\/adriano.jpg\"><img alt=\"\" border=\"0\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5051399934261615714\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_NeDJGBTlLoA\/RhotegwYXGI\/AAAAAAAAAgU\/G5sn0oJgehg\/s200\/adriano.jpg\" style=\"cursor: hand; float: left; margin: 0px 10px 10px 0px;\" \/><\/a> Adriano Correia de Oliveira foi, acima de tudo, um homem simples. Talvez por isso n\u00e3o tenha a notoriedade de outros cantores da sua gera\u00e7\u00e3o. Abordava as can\u00e7\u00f5es como peda\u00e7os de vida. Tinham de ser relevantes para a sociedade. Adriano compunha para deixar um tra\u00e7o. Compunha por pensar que esse tra\u00e7o podia despertar no outro uma emo\u00e7\u00e3o, uma perplexidade, uma repulsa.<\/p>\n<p>Adriano Correia Gomes de Oliveira nasceu no Porto em 9 de Abril de 1942, filho de Joaquim Gomes de Oliveira e de Laura Correia. Ainda muito novo foi viver para Avintes, onde fez a escola prim\u00e1ria. Depois de completar os estudos secund\u00e1rios, inscreveu-se no curso de Direito da Universidade de Coimbra. Gostava de participar na vida cultural da Universidade. Cantou no Orfe\u00e3o Acad\u00e9mico de Coimbra e fez teatro. N\u00e3o tardou a descobrir o fado. A sua voz triste era perfeita para o tom rom\u00e2ntico e contemplativo da tradi\u00e7\u00e3o coimbr\u00e3.<\/p>\n<p>No in\u00edcio da d\u00e9cada de 60 tornou-se militante do PCP. Era um homem de esquerda que gostava da luta pol\u00edtica. Moldado por convic\u00e7\u00f5es inabal\u00e1veis, lutou sempre contra um pa\u00eds que vivia adormecido. Em 1962, participou nas greves acad\u00e9micas e concorreu \u00e0s elei\u00e7\u00f5es da Associa\u00e7\u00e3o Acad\u00e9mica, atrav\u00e9s da lista do Movimento de Unidade Democr\u00e1tica (MUD). Todas estas movimenta\u00e7\u00f5es levaram-no a gravar, no seu terceiro \u00e1lbum, uma das baladas fundamentais da sua carreira, \u201cTrova do Vento que Passa\u201d, com poema de Manuel Alegre. Versos como \u201cH\u00e1 sempre algu\u00e9m que resiste \/ H\u00e1 sempre algu\u00e9m que diz n\u00e3o\u201d entraram no esp\u00edrito de todos os que ansiavam pela liberdade. Foi o hino do movimento estudantil.<\/p>\n<p>Em 1966 casou-se com Matilde Leite, com quem teve dois filhos. Veio para Lisboa, onde pretendia retomar o curso. Como ainda estava no primeiro ano, foi obrigado a cumprir o servi\u00e7o militar. Nunca parou de gravar e de ajudar os movimentos estudantis na luta contra o regime salazarista. Em 1969, o \u00e1lbum intitulado \u201cAdriano Correia de Oliveira\u201d foi considerado o melhor disco do ano, o que o levou a participar no famoso programa de televis\u00e3o \u201cZip-Zip\u201d.<\/p>\n<p>Depois de ter terminado o servi\u00e7o militar, arranjou emprego no gabinete de imprensa da Feira Internacional de Lisboa (FIL). Nesse mesmo ano decidiu avan\u00e7ar com o \u00e1lbum \u201cO Canto e as Armas\u201d. Habituado a gravar discos com can\u00e7\u00f5es independentes umas das outras, Adriano Correia de Oliveira gravou um \u00e1lbum conceptual, constru\u00eddo \u00e0 volta de um poema de Manuel Alegre. Foi uma op\u00e7\u00e3o arriscada, tanto art\u00edstica como politicamente, j\u00e1 que Manuel Alegre era um autor proibido. Depois de \u201cO Canto e as Armas\u201d, Adriano continuou a produzir discos pol\u00edticos que denunciavam a realidade portuguesa, tendo marcado a exist\u00eancia de muitos que o ouviram. \u201cS\u00e3o grandes aqueles que modificam a vida das pessoas\u201d, lembra a historiadora Irene Pimentel.<\/p>\n<p>Chegou a Revolu\u00e7\u00e3o de Abril, e Adriano Correia de Oliveira j\u00e1 podia cantar, com alegria, a liberdade. Participou em v\u00e1rios espect\u00e1culos, em Lisboa e no Porto. Sempre considerou que a cultura deveria ser para todos e fez os poss\u00edveis por espalh\u00e1-la pela popula\u00e7\u00e3o. Em 1974 fundou o \u201cColectivo de Ac\u00e7\u00e3o Cultural\u201d e andou pelo Pa\u00eds, com o apoio do Partido Comunista, a anunciar a Revolu\u00e7\u00e3o. Era a \u00e9poca do PREC e de todas as utopias. Em 1975 recebeu o pr\u00e9mio de melhor artista do ano, atribu\u00eddo pela revista brit\u00e2nica \u201cMusic Week\u201d.<\/p>\n<p>Mas nem por isso se deixou paralisar pela pris\u00e3o das recorda\u00e7\u00f5es. Continuou o seu combate contra a injusti\u00e7a social, com uma sofreguid\u00e3o de gozar o \u201ctempo que passa\u201d. No fim da d\u00e9cada de 70 Adriano fundou a cooperativa art\u00edstica Cantarabril, o sonho da sua vida, mas n\u00e3o tardaram os problemas internos que culminaram na sua expuls\u00e3o, em 1981. Nunca deixou de ter projectos, mas a morte interrompeu-os. Morreu em Avintes em 16 de Maio de 1982.<\/p>\n<p>Adriano Correia de Oliveira foi um dos renovadores da can\u00e7\u00e3o de Coimbra. Um artista extraordin\u00e1rio, que deixou can\u00e7\u00f5es eternas, que urge redescobrir. <\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adriano Correia de Oliveira foi, acima de tudo, um homem simples. 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