{"id":7807,"date":"2007-03-17T19:00:00","date_gmt":"2007-03-17T19:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=7807"},"modified":"2021-12-17T11:40:05","modified_gmt":"2021-12-17T11:40:05","slug":"zeca-afonso-no-ai-pode","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/zeca-afonso-no-ai-pode\/","title":{"rendered":"Zeca Afonso no &#8216;ai-pode&#8217;"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">Vivemos no tempo em que os n\u00fameros falam e, desta vez, o que eles dizem \u00e9 que o disco Jos\u00e9 Afonso chegou ao n\u00famero um da tabela nacional de vendas.<\/p>\n<p>\u00c9 sabido que os &#8220;n\u00fameros um&#8221;, como a tradi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o o que eram &#8211; ainda assim, n\u00e3o deixa de ser uma boa surpresa que o \u00e1lbum mais vendido em Portugal seja uma antologia do autor de Gr\u00e2ndola Vila Morena.<\/p>\n<p>Nasci em 1974 e talvez por isso esteja mais \u00e0 vontade para dizer o \u00f3bvio sobre a obra de Zeca Afonso: \u00e9 indispens\u00e1vel retornar uma e outra vez a esta m\u00fasica e a esta voz.<\/p>\n<p>A m\u00fasica e a voz de Can\u00e7\u00e3o de Embalar, Cantigas do Maio, A Morte Saiu \u00e0 Rua, Senhor Arcanjo. Retornar sempre ou, no caso das novas gera\u00e7\u00f5es e dos mais-que-distra\u00eddos, escutar pela primeira vez, pela primeira vez arriscar o espanto destas palavras-melodias t\u00e3o solit\u00e1rias e t\u00e3o populares, t\u00e3o modernas e t\u00e3o tradicionais, t\u00e3o revolucion\u00e1rias e t\u00e3o de todos.<\/p>\n<p>Neste canto acha-se a qualidade do que \u00e9 para l\u00e1 do tempo sem ser pesad\u00e3o de &#8220;intemporal&#8221;.<\/p>\n<p>O sil\u00eancio, a certeza, a ousadia simples e despida destas composi\u00e7\u00f5es\/interpreta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil dizer ao certo o que \u00e9. Um mist\u00e9rio n\u00e3o matem\u00e1tico, que reage \u00e0 an\u00e1lise. Uma coisa no centro que segura a emo\u00e7\u00e3o, e prende-a, prende-a at\u00e9 ao ponto \u00f3ptimo. Uma voz que, sempre que acontece, &#8220;caem os anjos no alguidar&#8221;.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que parece ser a opini\u00e3o dominante sobre o &#8220;legado do Zeca&#8221;, n\u00e3o vejo vantagem em separar o &#8220;g\u00e9nio musical&#8221; do &#8220;cantor militante&#8221;. Antes o oposto, talvez. Nesta \u00e9poca de tantos &#8220;jogos criativos&#8221; sem espessura nem pensamento, a seriedade do seu caminho &#8211; num contexto completamente diferente, j\u00e1 se sabe &#8211; deve servir como excelente aviso.<\/p>\n<p>S\u00e3o can\u00e7\u00f5es t\u00e3o portuguesas, que ouvi&#8211;las \u00e9 como nos ouvirmos ao espelho. Can\u00e7\u00f5es em que a &#8220;po\u00e9tica&#8221; do todo (palavra, m\u00fasica, voz) se organiza com tal justeza e generosidade que cada termo &#8211; mesmo os que, fora dali, surgiriam como tristemente &#8220;datados&#8221; &#8211; traz consigo uma hip\u00f3tese de reinven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Com Zeca Afonso no &#8220;ai-pode&#8221;, v\u00ea-se melhor a cidade, garanto. Os outros, a diferen\u00e7a, o lado de l\u00e1 deste mundo.<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Jacinto Lucas Pires<\/div>\n<div align=\"justify\">in <a href=\"http:\/\/dn.sapo.pt\/2007\/03\/09\/opiniao\/zeca_afonso_aipode.html\">Di\u00e1rio online<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vivemos no tempo em que os n\u00fameros falam e, desta vez, o que eles dizem \u00e9 que o disco Jos\u00e9 Afonso chegou ao n\u00famero um da tabela nacional de vendas. \u00c9 sabido que os &#8220;n\u00fameros um&#8221;, como a tradi\u00e7\u00e3o, j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o o que eram &#8211; ainda assim, n\u00e3o deixa de ser uma boa surpresa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[77],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7807"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7807"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7807\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7807"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7807"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7807"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}