{"id":7733,"date":"2007-02-23T23:02:00","date_gmt":"2007-02-23T23:02:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=7733"},"modified":"2021-12-17T11:40:06","modified_gmt":"2021-12-17T11:40:06","slug":"zeca-disperso-pelo-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/zeca-disperso-pelo-pais\/","title":{"rendered":"Zeca disperso pelo pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_NeDJGBTlLoA\/Rd9zFF-lxXI\/AAAAAAAAAO4\/Hx91auDbyyE\/s1600-h\/thumbs.sapo\"><img alt=\"\" border=\"0\" id=\"BLOGGER_PHOTO_ID_5034869439764743538\" src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/_NeDJGBTlLoA\/Rd9zFF-lxXI\/AAAAAAAAAO4\/Hx91auDbyyE\/s400\/thumbs.sapo\" style=\"cursor: hand; float: left; margin: 0px 10px 10px 0px;\" \/><\/a>JOS\u00c9 AFONSO GRAVOU DISCOS DURANTE 32 ANOS ENTRE 1953 E 1985. A SUA VASTA OBRA \u00c9 UM DOS MAIS FUNDAMENTAIS TESOUROS DA HIST\u00d3RIA DA M\u00daSICA POPULAR PORTUGUESA. ENTRE OS SEUS DISCOS OBRIGAT\u00d3RIOS FIGURA, EM MAIORIT\u00c1RIA, A PRODU\u00c7\u00c3O EXECUTADA NA D\u00c9CADA DE 1970.<\/p>\n<p>Os consensos nunca foram o ponto forte de Zeca Afonso, mas, 20 anos cumpridos sobre a sua morte, o reconhecimento sobre a import\u00e2ncia da obra que legou aproxima-se precisamente daquele grau pleno de aceita\u00e7\u00e3o que o autor de &#8220;Filhos da madrugada&#8221; sempre considerou pernicioso, devido ao risco de inebriar os autores e afast\u00e1-los do que realmente importa.<\/p>\n<p>Hoje, artistas representativos de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m um p\u00fablico numeroso que ainda se rev\u00ea nos temas que ajudaram a acentuar as fragilidades de um regime putrefacto, continua a ver na obra de Zeca um artista comprometido com a realidade de um tempo que ainda \u00e9 o nosso.<\/p>\n<p>&#8220;As suas can\u00e7\u00f5es permanecem frescas e esse \u00e9 um m\u00e9rito que ningu\u00e9m lhe pode retirar&#8221;, defende Carlos T\u00ea, o compositor e letrista que enfatiza o interesse ainda suscitado pelos seus discos com a &#8220;cont\u00ednua redescoberta&#8221; das novas gera\u00e7\u00f5es. &#8220;Ver o seu trabalho interpretado por outros \u00e9 a melhor homenagem que se lhe pode fazer e aquilo a que ele, certamente, mais gostaria de assistir&#8221;, adianta.<\/p>\n<p>Sam the Kid \u00e9 um dos novos autores do meio musical portugu\u00eas para quem a obra do cantautor n\u00e3o soa estranha, embora reconhe\u00e7a que &#8220;h\u00e1 met\u00e1foras escondidas em que eu n\u00e3o percebo tudo&#8221;. &#8220;\u00c9 uma m\u00fasica excelente&#8221;, afirmou o &#8216;rapper&#8217;, que j\u00e1 usou excertos de &#8216;Gr\u00e2ndola, vila morena&#8217; num dos seus temas&#8221;, \u00e0 ag\u00eancia Lusa.<\/p>\n<p>O interesse pelo material que produziu durante mais de tr\u00eas d\u00e9cadas resiste \u00e0 \u00f3bvia data\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica de parte do seu trabalho. E se \u00e9 certo que mais nenhuma releitura da sua m\u00fasica atingiu a visibilidade de &#8220;Os filhos da madrugada&#8221; &#8211; \u00e1lbum de homenagem em 1994, que reuniu contributos de uma dezena e meia de artistas -, todos os anos surgem novos sinais de fasc\u00ednio. Um dos mais recentes exemplos \u00e9 o espect\u00e1culo que Cristina Branco apresenta no Jardim de Inverno do Teatro S\u00e3o Luiz, em Lisboa, conferindo novas texturas \u00e0s suas can\u00e7\u00f5es mais emblem\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Se, como compositor, o seu talento \u00e9 amplamente reconhecido, tamb\u00e9m como int\u00e9rprete Zeca Afonso re\u00fane incondicionais. \u00c9 o caso de produtor e m\u00fasico M\u00e1rio Barreiros, f\u00e3 de &#8220;uma voz que primava pela simplicidade&#8221;.<\/p>\n<p>Unidos pela devo\u00e7\u00e3o, os apreciadores de Zeca convergem tamb\u00e9m no reconhecimento da escassa divulga\u00e7\u00e3o que a sua m\u00fasica merece hoje nas r\u00e1dios e televis\u00f5es. Uma pecha que s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 mais grave porque, como sublinha Janita Salom\u00e9, &#8220;todas as pessoas sabem cantarolar can\u00e7\u00f5es do Zeca, tal como acontece com alguns fados&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Esp\u00edrito de andarilho&#8221;<\/p>\n<p>O quase unanimismo que rodeia a obra do cantor e compositor nascido em Aveiro &#8211; cidade que praticamente ignora a efem\u00e9ride hoje assinalada &#8211; encontra um indicador exemplar no n\u00famero de localidades que aderiram \u00e0 data.<\/p>\n<p>Do vasto programa previsto para hoje, o mais ambicioso pertence ao Centro Cultural de Vila Flor, em Guimar\u00e3es. Hoje e amanh\u00e3, h\u00e1 workshops, debates, encena\u00e7\u00f5es musicais e sobretudo aquela que promete ser a mais ampla mostra bibliogr\u00e1fica, com discos, livros, brochuras, v\u00eddeos, revistas, cat\u00e1logos e fotografias.<\/p>\n<p>Director da Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso (AJA), Paulo Esperan\u00e7a n\u00e3o concorda que a descentraliza\u00e7\u00e3o de eventos possa ofuscar a visibilidade do ambicioso plano de iniciativas a desenvolver ao longo do ano &#8220;Pelo contr\u00e1rio. Esta dispers\u00e3o vai plenamente ao encontro do esp\u00edrito de andarilho que caracterizou o Zeca, sempre interessado em levar a sua m\u00fasica a novos locais&#8221;.<\/p>\n<p>A associa\u00e7\u00e3o, sediada em Set\u00fabal, pretende fazer da efem\u00e9ride o pretexto ideal para levar as m\u00fasicas do cantor a um p\u00fablico numeroso, &#8220;n\u00e3o s\u00f3 as pessoas que desde sempre conviveram com elas mas tamb\u00e9m as novas gera\u00e7\u00f5es&#8221;.<\/p>\n<p>Depois de Felgueiras, Guimar\u00e3es e Porto, a AJA quer levar a outras localidades do pa\u00eds, at\u00e9 final do ano, iniciativas capazes de contribuir para que mais pessoas conhe\u00e7am a sua obra.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o estamos dependentes de subs\u00eddios. Tentamos potenciar as actividades que desenvolvemos, apresentando-as \u00e0s autarquias eventualmente interessadas&#8221;, diz Paulo Esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>&#8220;Venham mais cinco&#8221; (1973)<\/p>\n<p>Gravado em Paris, inclui algumas das can\u00e7\u00f5es que escreveu durante a sua pris\u00e3o em Caxias.<\/p>\n<p>&#8220;Coro dos Tribunais&#8221; (1974)<\/p>\n<p>Disco composto e gravado poucos meses ap\u00f3s o 25 de Abril. Conta com &#8220;O que faz falta&#8221; e outras p\u00e9rolas .<\/p>\n<p>&#8220;Ao vivo no Coliseu&#8221;<\/p>\n<p>(1983)<\/p>\n<p>Registo em formato duplo que compila o hist\u00f3rico concerto. Ao longo de 17 can\u00e7\u00f5es faz-se uma retrospectiva da sua obra. Termina com uma arrepiante &#8220;Gr\u00e2ndola&#8221; cantada pelo p\u00fablico.<\/p>\n<p>&#8220;Cantigas do Maio&#8221; (1971)<\/p>\n<p>\u00c9 frequentemente referido como &#8220;o melhor disco de sempre da m\u00fasica portuguesa&#8221;. Gravado no Outono de 1971 em Herouville, Fran\u00e7a, conta com arranjos e direc\u00e7\u00e3o musical de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco. \u00c9 nesta obra sublime que surgem as can\u00e7\u00f5es eternas como &#8220;Senhor Arcanjo&#8221;, &#8220;Cantar Alentejano&#8221; (dedicado a Catarina Euf\u00e9mia) ou &#8220;Coro da Primavera&#8221;.<\/p>\n<p>Mais importante ainda &#8220;Cantigas do Maio&#8221; \u00e9 o disco de &#8220;Gr\u00e2ndola Vila Morena&#8221;.<\/p>\n<p><\/div>\n<div align=\"justify\"><strong>S\u00e9rgio Almeida <\/strong><a href=\"http:\/\/jn.sapo.pt\/2007\/02\/23\/cultura\/zeca_disperso_pelo_pais.html\"><strong>Jornal de Not\u00edcias<\/strong><\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>JOS\u00c9 AFONSO GRAVOU DISCOS DURANTE 32 ANOS ENTRE 1953 E 1985. A SUA VASTA OBRA \u00c9 UM DOS MAIS FUNDAMENTAIS TESOUROS DA HIST\u00d3RIA DA M\u00daSICA POPULAR PORTUGUESA. 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