{"id":7732,"date":"2007-02-23T22:58:00","date_gmt":"2007-02-23T22:58:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=7732"},"modified":"2021-12-17T11:40:06","modified_gmt":"2021-12-17T11:40:06","slug":"uma-referencia-20-anos-depois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/uma-referencia-20-anos-depois\/","title":{"rendered":"Uma refer\u00eancia 20 anos depois"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">M\u00fasicos de todos os g\u00e9neros enaltecem a obra pioneira de Zeca Afonso na m\u00fasica contempor\u00e2nea portuguesa e continuam a beber na sua obra. Uma refer\u00eancia com profundo sentido l\u00edrico e intervencionista que ainda hoje faz escola. Desapareceu h\u00e1 vinte anos. Zeca Afonso \u00e9 uma refer\u00eancia da m\u00fasica popular portuguesa que deixou can\u00e7\u00f5es com um profundo sentido do lirismo, afirmaram \u00e0 ag\u00eancia Lusa m\u00fasicos de gera\u00e7\u00f5es posteriores \u00e0 do cantautor, que faleceu h\u00e1 vinte anos.A cantora Filipa Pais tinha 19 anos quando Zeca Afonso morreu e recorda-se dele desde a inf\u00e2ncia. \u201cO Zeca faz parte do meu crescimento e n\u00e3o imagino a m\u00fasica popular portuguesa sem ele\u201d, referiu a int\u00e9rprete de \u201c\u00c0 porta do mundo\u201d, \u00e1lbum com o qual venceu o pr\u00e9mio Jos\u00e9 Afonso em 2003. Para Filipa Pais, Zeca Afonso tem sido pouco recordado, tirando efem\u00e9rides como a que se assinala sexta-feira, \u00e0 passagem dos 20 anos da morte do cantor. \u201cN\u00e3o passa na r\u00e1dio, ningu\u00e9m fala dele e no entanto \u00e9 a maior refer\u00eancia da m\u00fasica popular portuguesa\u201d, sublinhou.Jos\u00e9 Afonso, falecido a 23 de Fevereiro de 1987, aos 57 anos, est\u00e1 entre os que fizeram da can\u00e7\u00e3o um meio de interven\u00e7\u00e3o. Come\u00e7ou por gravar fados e baladas de Coimbra, mas viria a ser conhecido sobretudo pela interpreta\u00e7\u00e3o de can\u00e7\u00f5es cuja mensagem era t\u00e3o importante como a melodia, muitas vezes com origem na tradi\u00e7\u00e3o portuguesa e africana.Sam the Kid, 27 anos e um dos nomes do hip hop nacional, disse que gosta da voz \u201cmeio sofrida\u201d de Zeca Afonso, embora nem sempre entenda a mensagem das letras. \u201c\u00c9 uma m\u00fasica excelente, mas h\u00e1 met\u00e1foras escondidas em que eu n\u00e3o percebo tudo\u201d, referiu o m\u00fasico, que j\u00e1 utilizou nas suas composi\u00e7\u00f5es excertos de m\u00fasicas, por exemplo, de Carlos Paredes, e de \u201cGr\u00e2ndola, Vila Morena\u201d, de Zeca Afonso.Se hoje fosse vivo, Jos\u00e9 Afonso talvez gostasse de hip hop, defende Sam The Kid, que tra\u00e7a um paralelismo entre o trabalho do compositor e este g\u00e9nero musical, na tentativa de passar uma mensagem. \u201cO Vitorino disse-me um dia que achava que n\u00f3s no hip hop t\u00ednhamos uma linguagem mais directa e que consegu\u00edamos comunicar mais do que no tempo deles\u201d, recorda o m\u00fasico.~<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">No estrangeiro<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Zeca Afonso gravou em Londres, Madrid e Paris, sempre de olhos postos na realidade portuguesa, ainda antes da revolu\u00e7\u00e3o de Abril. Entre 1970 e 1974 lan\u00e7ou \u201cTraz outro amigo tamb\u00e9m\u201d, \u201cCantigas do Maio\u201d, \u201cEu vou ser como a toupeira\u201d ou \u201cVenham mais cinco\u201d. Em Mar\u00e7o de 1974 actuou no Coliseu de Lisboa, ao lado de Adriano Correia de Oliveira, Fernando Tordo e Manuel Freire, cantando \u201cGr\u00e2ndola, Vila Morena\u201d, o tema que serviria de senha um m\u00eas depois para a revolu\u00e7\u00e3o.O \u00e1lbum \u201cCantigas do Maio\u201d, considerado um dos melhores de Zeca Afonso, \u00e9 tamb\u00e9m uma refer\u00eancia para Teresa Salgueiro, dos Madredeus. \u201cN\u00e3o tinha muitos discos dele e n\u00e3o era uma seguidora muito atenta, mas os meus pais tinham o `Cantigas do Maio\u00a6 que eu cantava muitas vezes\u201d, recorda a cantora.Em 1994, os Madredeus fariam uma vers\u00e3o do tema \u201cMaio Maduro Maio\u201d, para a colect\u00e2nea \u201cFilhos da Madrugada\u201d, refere Teresa Salgueiro, para quem a morte de Zeca Afonso foi \u201cprematura\u201d, porque \u201cele fez muito pela cultura portuguesa\u201d. O \u201cprofundo sentido do lirismo\u201d \u00e9 elogiado em declara\u00e7\u00f5es \u00e0 Lusa por JP Sim\u00f5es, m\u00fasico que canta a gera\u00e7\u00e3o de 1970 embalado pela guitarra ac\u00fastica com tons de bossa-nova. Apesar de s\u00f3 ouvir Zeca Afonso h\u00e1 pouco mais de uma d\u00e9cada, JP Sim\u00f5es reconheceu que \u201cn\u00e3o h\u00e1 muitas m\u00fasicas [como as de Zeca] onde as letras sejam t\u00e3o importantes\u201d, destacando can\u00e7\u00f5es como \u201cMaio Maduro Maio\u201d e \u201cQue amor n\u00e3o me engana\u201d.<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Participa\u00e7\u00e3o c\u00edvica<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Depois da revolu\u00e7\u00e3o de Abril, Zeca Afonso participou em v\u00e1rios movimentos populares, editou \u201cCom as minhas tamanquinhas\u201d, \u201cEnquanto \u00e0 for\u00e7a\u201d e \u201cFura Fura\u201d.Em 1983 voltou a actuar no Coliseu de Lisboa, acompanhado de v\u00e1rios amigos e artistas, mas n\u00e3o chegou a interpretar todas as can\u00e7\u00f5es, por causa da doen\u00e7a que o vitimaria quatro anos depois.Em 1985, ainda lan\u00e7ou \u201cGalinhas do mato\u201d, o seu \u00faltimo \u00e1lbum. Zeca Afonso conferiu \u00e0 m\u00fasica e \u00e0 can\u00e7\u00e3o popular portuguesa, \u201cde forma in\u00e9dita e at\u00e9 agora \u00fanica, um valor social e cultural at\u00e9 a\u00ed praticamente inexistente\u201d, qualificou o etnomusic\u00f3logo Ant\u00f3nio Tilly dos Santos. <\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Davide Zaccaria cria projecto<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">O compositor Davide Zaccaria criou um projecto musical em que pretende fazer confluir cantoras de forma\u00e7\u00f5es musicais distintas, tendo como pano de fundo a m\u00fasica de Jos\u00e9 Afonso.\u201cTerra d\u2019\u00c1gua\u201d \u00e9 o t\u00edtulo do projecto, que junta as cantoras portuguesas Dulce Pontes, Filipa Pais e L\u00facia Moniz e as espanholas Mar\u00eda Anadon e Ux\u00eda. O projecto, cujo \u00e1lbum \u00e9 editado precisamente hoje, \u00e9 um tributo ao m\u00fasico e poeta que foi Jos\u00e9 Afonso. Para Zaccaria, recriar o repert\u00f3rio do autor de \u201cGr\u00e2ndola, vila morena\u201d, foi \u201crelativamente f\u00e1cil\u201d por estar j\u00e1 habituado a ele e\u201ccorresponder a uma paix\u00e3o\u201d. \u201cTenho tocado e feito arranjos para can\u00e7\u00f5es do Zeca, quer com o meu grupo, quer com Dulce Pontes, at\u00e9 neste seu recente trabalho\u201d,assinalou. Relativamente a este projecto, esclareceu ter procurado \u201capresentar Jos\u00e9 Afonso fora da simbologia pol\u00edtica e dar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 vertente de compositor\u201d.Mar\u00eda Anadon interpreta \u201cA morte saiu \u00e0 rua\u201d, um poema de homenagem ao escultor Jos\u00e9 Dias Coelho, assassinado a 19 de Dezembro de 1961, em Lisboa, pela PIDE. De Lu\u00eds de Cam\u00f5es, com m\u00fasica de Jos\u00e9 Afonso, Ux\u00eda interpreta \u201cVerdes s\u00e3o os campos\u201d e L\u00facia Moniz \u201cQue amor n\u00e3o me engana\u201d.Filipa Pais, que j\u00e1 interpretou temas de Jos\u00e9 Afonso,nomeadamente quando fez parte do grupo Lua Extravagante, canta \u201cEu dizia\u201d. Dulce Pontes, que tamb\u00e9m no seu primeiro \u00e1lbum, \u201cL\u00e1grima\u201d, revisitou o repert\u00f3rio, canta \u201cCoro da Primavera\u201d. Todas estas can\u00e7\u00f5es \u201cpertencem ao imagin\u00e1rio colectivo e s\u00e3o uma inspira\u00e7\u00e3o para muitos artistas\u201d. \u201cPretende-se tamb\u00e9m recuperar e\/ou redescobrir m\u00fasicas menos escutadas\u201d, acrescentou.Das tr\u00eas m\u00fasicas in\u00e9ditas, Zaccaria interpreta \u201cTerra de Zeca\u201d, um tema de sua autoria inspirado na m\u00fasica de raiz popular composta por Jos\u00e9 Afonso.<\/p>\n<p><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><a href=\"http:\/\/www.oprimeirodejaneiro.pt\/?op=artigo&amp;sec=c20ad4d76fe97759aa27a0c99bff6710&amp;subsec=&amp;id=e494087f2e795dea630f653d637109e0\">O Primeiro de Janeiro<\/a>  23.2.07<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>M\u00fasicos de todos os g\u00e9neros enaltecem a obra pioneira de Zeca Afonso na m\u00fasica contempor\u00e2nea portuguesa e continuam a beber na sua obra. 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