{"id":7665,"date":"2007-02-16T08:13:00","date_gmt":"2007-02-16T08:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=7665"},"modified":"2021-12-17T11:40:07","modified_gmt":"2021-12-17T11:40:07","slug":"clube-literario-do-porto-homenageia-jose-afonso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/clube-literario-do-porto-homenageia-jose-afonso\/","title":{"rendered":"Clube Liter\u00e1rio do Porto homenageia Jos\u00e9 Afonso"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">Clube Liter\u00e1rio do Porto homenageia Jos\u00e9 Afonso no m\u00eas em que se assinala 20 anos sobre a sua morte<br \/>Estrela na constela\u00e7\u00e3o da utopia\u00ab20 Anos de Caminho\u00bb \u00e9 o tema da homenagem organizada pela Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso e que decorre at\u00e9 amanh\u00e3 no Clube Liter\u00e1rio do Porto. O ser\u00e3o de anteontem foi dedicado aos testemunhos de dois grandes amigos do cantautor, Al\u00edpio de Freitas e Benedicto Garcia Villar.<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\"><strong>Goreti Teixeira<\/strong><\/div>\n<div align=\"justify\">O dia foi dos namorados, mas a noite foi dedicada a lembrar aquele que ainda hoje \u00e9 considerado um dos mentores da m\u00fasica de interven\u00e7\u00e3o em Portugal: Jos\u00e9 Afonso. Este ano assinalam-se 20 anos sobre a sua morte e, um pouco por todo o Pa\u00eds, as iniciativas sucedem-se para recordar n\u00e3o s\u00f3 o m\u00fasico, mas o homem e militante pol\u00edtico que utilizou a m\u00fasica como instrumento de luta em prol de um mundo melhor. Anteontem, o Clube Liter\u00e1rio do Porto abriu as suas portas \u00e0 homenagem \u00ab20 Anos de Caminho\u00bb, organizada pela Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso, que termina amanh\u00e3, com um debate em torno da m\u00fasica e para o qual foram convidados Francisco Fanhais e Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco. Em vez das rosas, os cravos vermelhos decoravam a sala. Em vez da m\u00fasica rom\u00e2ntica ecoava a \u00abGrandola, Vila Morena\u00bb atrav\u00e9s de uma grava\u00e7\u00e3o in\u00e9dita que registou a primeira vez em que o tema foi cantado na Galiza. Sentados \u00e0 mesma mesa estiveram Al\u00edpio de Freitas, presidente da associa\u00e7\u00e3o, e Benedicto Garcia Villar, cantor galego, que durante anos acompanhou Jos\u00e9 Afonso. Ao longo de mais de uma hora, ambos falaram das suas viv\u00eancias pessoais com o cantautor. Al\u00edpio de Freitas recusou-se a falar especificamente da obra, pois n\u00e3o se considera um estudioso \u201ccomo aqueles que organizaram toda uma teoria sobre o Zeca e que jamais lhe teria passado pela cabe\u00e7a, porque ele nunca planeou nada. Ia avan\u00e7ando de acordo com a sua percep\u00e7\u00e3o e, por isso, esteve sempre no lugar certo\u201d, disse o orador que, aos 26 anos, parte para o Brasil, onde come\u00e7ou a sua grande experi\u00eancia de vida. \u201cFui preso, torturado, exilado, lutei contra a ditadura na Am\u00e9rica Latina e s\u00f3 ouvi falar de Zeca Afonso quando, depois de ter enviado uma carta para Portugal, me apercebi que do outro lado estava algu\u00e9m que se preocupava com a luta que est\u00e1vamos a travar\u201d, explica. Mas apesar da dist\u00e2ncia e do desconhecimento, Al\u00edpio de Freitas recorda que a primeira vez que o viu, em 1980, \u201cabracei-o e achei que o tinha reencontrado e n\u00e3o que o estava a conhecer\u201d. Um sentimento m\u00fatuo que perdurou at\u00e9 aos \u00faltimos dias de vida do m\u00fasico, quando Al\u00edpio se tornou o seu rep\u00f3rter pessoal lendo-lhe todos os jornais e revistas, contando-lhe as intrigas pol\u00edticas, \u201cporque grande parte das pessoas que o visitavam pareciam que estavam num funeral\u201d, constata. \u201cCom ele \u2013 continua \u2013 aprendi imensas li\u00e7\u00f5es: a da solidariedade, a da amizade e do estar atento ao mundo que me rodeia e compreendi o sentido de todas as suas can\u00e7\u00f5es, porque nada nele foi casual\u201d. Para este amigo, Jos\u00e9 Afonso, assim como Camilo Torres, Che Guevara, Adriano e outros nomes mais que \u201cderam a vida pela utopia, por um mundo melhor\u201d n\u00e3o est\u00e3o em parte incerta, s\u00e3o \u201cestrelas na constela\u00e7\u00e3o da utopia e, destas estrelas, os astr\u00f3nomos n\u00e3o percebem nada\u201d, assegura. <\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">Benedicto Garcia VillarCompanheiro de ViagemJuntamente com Jos\u00e9 Afonso, Benedicto Garcia Villar andou, segundo Al\u00edpio de Freitas, \u201ca incomodar aqueles que eram os senhores do poder e s\u00f3 n\u00e3o o fizeram mais porque n\u00e3o lhes foi permitido\u201d. Um privil\u00e9gio que o ex-cantor galego afirma \u201cn\u00e3o se poder resumir em palavras\u201d. Para complementar o seu testemunho pessoal trouxe um conjunto de documentos escritos e \u00e1udio e fotografias in\u00e9ditas que s\u00e3o o registo dos muitos momentos vividos por ambos e que intitulou de \u00abHist\u00f3ria de uma amizade incombust\u00edvel\u00bb. A primeira vez que ouviu Jos\u00e9 Afonso foi atrav\u00e9s do disco \u00abTraz outro amigo tamb\u00e9m\u00bb e, juntamente, com um grupo de amigos partiu em direc\u00e7\u00e3o a Portugal para o conhecer.<\/p>\n<\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><strong>Not\u00edcia da edi\u00e7\u00e3o on-line do &#8220;Primeiro de Janeiro&#8221; 16 de Fevereiro de 2007<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clube Liter\u00e1rio do Porto homenageia Jos\u00e9 Afonso no m\u00eas em que se assinala 20 anos sobre a sua morteEstrela na constela\u00e7\u00e3o da utopia\u00ab20 Anos de Caminho\u00bb \u00e9 o tema da homenagem organizada pela Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso e que decorre at\u00e9 amanh\u00e3 no Clube Liter\u00e1rio do Porto. O ser\u00e3o de anteontem foi dedicado aos testemunhos de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[160,91],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7665"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7665"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7665\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7665"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7665"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7665"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}