{"id":7565,"date":"2006-12-22T13:11:00","date_gmt":"2006-12-22T13:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=7565"},"modified":"2021-12-17T11:40:08","modified_gmt":"2021-12-17T11:40:08","slug":"persistencias-da-importancia-da-musica-de-jose-afonso-na-holanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/persistencias-da-importancia-da-musica-de-jose-afonso-na-holanda\/","title":{"rendered":"Persist\u00eancias &#8211; Da import\u00e2ncia da m\u00fasica de Jos\u00e9 Afonso na Holanda"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\"><strong>Este artigo, da autoria de Rui Mota, foi retirado da revista n\u00ba7 da AJA de 1993<\/strong><\/p>\n<p><em>Esta hist\u00f3ria come\u00e7a em 1972&#8230;<br \/>Nesse ano, num dia em Janeiro, uma orquestra holande\u00ad<br \/>sa de instrumentos de sopro nascia em Amsterd\u00e3o. O nome que adoptaram foi o t\u00edtulo da sua primeira composi\u00e7\u00e3o: &#8216;De Volharding&#8217;. Em tradu\u00e7\u00e3o literal, qualquer coisa como &#8216;Perseveran\u00e7a&#8217; ou &#8216;Persist\u00eancia&#8217;.<br \/>Tocavam em tudo o que era manifesta\u00e7\u00f5es de rua, fosse con\u00adtra a guerra do Vietnam, pela democratiza\u00e7\u00e3o da universida\u00adde ou a favor do aborto. De acordo com a sua filosofia o grupo dirigia-se a si mesmo e n\u00e3o obedecia a dirigentes&#8230;<br \/>Vinte anos mais tarde, a orquestra ainda existe. Com outros membros, \u00e9 certo (da forma\u00e7\u00e3o original, mais n\u00e3o restam do que dois ou tr\u00eas nomes), continuando a tocar temas que fize\u00adram (a sua) hist\u00f3ria.<br \/>Entre os mais conhecidos, alguns que nos s\u00e3o particularmente gratos. Est\u00e3o neste caso, &#8216;Gr\u00e2ndola&#8217; e &#8216;Coro da Primavera&#8217;. E \u00e9 aqui que entra o Zeca&#8230;<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>ENTRA O ZECA AFONSO<\/p>\n<p>Porque isso aconteceu, j\u00e1 todos os leitores est\u00e3o neste mo\u00admento a imaginar. . .<br \/>At\u00e9 1974, Portugal &#8216;n\u00e3o existia&#8217; nos meios de informa\u00e7\u00e3o holandeses.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m dos &#8216;her\u00f3is&#8217; nacionais da \u00e9poca (que inclu\u00edam s\u00edm\u00adbolos como F\u00e1tima, Salazar e Eus\u00e9bio), parcas eram as refe\u00adr\u00eancias na imprensa local ao nosso pa\u00eds.<br \/>A partir desse ano, e pelas raz\u00f5es que muitos de n\u00f3s persis\u00adtem em n\u00e3o esquecer, &#8216;surgiu&#8217; mais um pa\u00eds no mapa da Europa democr\u00e1tica. Indelevelmente ligado a esse ano e data hist\u00f3rica estava uma can\u00e7\u00e3o que passou a fazer parte do patrim\u00f3nio cultural da resist\u00eancia e solidariedade holandesa. N\u00e3o passava semana, que a televis\u00e3o n\u00e3o transmitisse ima\u00adgens do nosso pa\u00eds, invariavelmente acompanhadas das estrofes da &#8216;Gr\u00e2ndola&#8217;.<br \/>Na verdade, a can\u00e7\u00e3o chegaria \u00e0 Holanda muito antes do Zeca&#8230; Este passaria (praticamente despercebido) pelo cir\u00adcuito emigrante de Amsterd\u00e3o na sua primeira visita \u00e0quela cidade em Setembro de 1974 e, s\u00f3 quase dois anos mais tarde, cantaria pela primeira vez para o p\u00fablico holand\u00eas.<br \/>Nessa altura, perante uma assist\u00eancia de 5.000 espectadores que, de bra\u00e7o dado e a uma temperatura ambiente de 13 graus negativos, repetiram as estrofes da can\u00e7\u00e3o obrigando o cantor a actuar em dois palcos na mesma noite do Festival da Contra-Cultura, em Utrech\u00ed.<br \/>Com &#8216;Gr\u00e2ndola&#8217; eleito hino da &#8216;resist\u00eancia europeia&#8217;, a popu\u00adlaridade da m\u00fasica portuguesa n\u00e3o parou de aumentar&#8230;<br \/>\u00c9 aqui que entra o Amilcar.<\/p>\n<p>AMILCAR VASQUES DIAS<br \/>Chegado \u00e0 Holanda em 1974, Amilcar Vasques Dias &#8211; um<br \/>estudante-compositor de m\u00fasica contempor\u00e2nea &#8211; cedo entraria em contacto com o circuito musical holand\u00eas. A\u00ed conheceria Louis Andriessen, fundador e principal impul\u00adsionador do &#8216;De Volharding&#8217;, atrav\u00e9s de quem chegaria \u00e0orquestra com quem come\u00e7ou a trabalhar.<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em>Estamos no princ\u00edpio dos anos oitenta e Jos\u00e9 Afonso inicia um per\u00edodo de visitas regulares \u00e0 Holanda, durante as quais a sua obra ganha uma nova dimens\u00e3o, gra\u00e7as a duas digres\u00ads\u00f5es de relativo sucesso.<\/p>\n<p>Amilcar \u00e9 convidado a fazer arranjos de composi\u00e7\u00f5es do Zeca para o &#8216;De Volharding&#8217;, que ser\u00e3o gravadas posteriormente. Datam desse per\u00edodo, as grava\u00e7\u00f5es de &#8216;Gr\u00e2ndola&#8217; e &#8216;Coro da Primavera&#8217; e, posteriormente, &#8216;Amor Militante&#8217; baseado num poema de Manuel Alegre.<br \/>Mais tarde, j\u00e1 com Jos\u00e9 Afonso doente e durante um concerto de homenagem que lhe foi feito no &#8216;Melkweg&#8217; de Amsterd\u00e3o (Abril de 1985), e que juntou mais de 50 artistas em palco, l\u00e1 estavam, lado a lado, a orquestra &#8216;De Volharding&#8217; e o Amilcar, que tocou piano nessa noite&#8230;<\/em><\/div>\n<div align=\"justify\"><em><\/em> <\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este artigo, da autoria de Rui Mota, foi retirado da revista n\u00ba7 da AJA de 1993 Esta hist\u00f3ria come\u00e7a em 1972&#8230;Nesse ano, num dia em Janeiro, uma orquestra holande\u00adsa de instrumentos de sopro nascia em Amsterd\u00e3o. O nome que adoptaram foi o t\u00edtulo da sua primeira composi\u00e7\u00e3o: &#8216;De Volharding&#8217;. 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