{"id":7440,"date":"2006-09-10T12:58:00","date_gmt":"2006-09-10T12:58:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=7440"},"modified":"2021-12-17T11:40:09","modified_gmt":"2021-12-17T11:40:09","slug":"antonio-pinho-brojo-sobre-jose-afonso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/antonio-pinho-brojo-sobre-jose-afonso\/","title":{"rendered":"Ant\u00f3nio Pinho Brojo sobre Jos\u00e9 Afonso"},"content":{"rendered":"<div align=\"justify\">Excerto de uma entrevista mais alargada a Ant\u00f3nio Pinho Brojo, hist\u00f3rico guitarrista de Coimbra, liderada por Ant\u00f3nio Manuel Nunes, que podem ler na \u00edntegra no blog do guitarrista Oct\u00e1vio S\u00e9rgio &#8211; <a href=\"http:\/\/guitarradecoimbra.blogspot.com\/\">http:\/\/guitarradecoimbra.blogspot.com<\/a><\/p>\n<p>(&#8230;)<br \/>AMN: Estamos a caminhar para os finais dos anos 40\u2026<br \/>APB: Sim. Entretanto aparece o Zeca Afonso, \u00e0 volta de 1948, tamb\u00e9m cantando exclusivamente o fado tradicional. Eu, em 1952, exactamente, fiz discos de 78 rota\u00e7\u00f5es com o Jos\u00e9 Afonso, Luiz Goes e Fernando Rolim. \u00c9, digamos, depois dos discos do Menano, do Paradela, do Lucas Junot, a primeira vez que s\u00e3o lan\u00e7ados discos de 78 rota\u00e7\u00f5es com os tr\u00eas cantores que depois vieram a ser uma Segunda Gera\u00e7\u00e3o de Ouro. O Luiz Goes, repare, trazia atr\u00e1s de si um patrim\u00f3nio musical formid\u00e1vel. O tio dele, o Armando Goes, tinha, como sabe, o estilo que nem sempre era o do fado tradicional. Ele insistiu no fado lisboeta, cantou sonetos e o Luiz Goes continuou a heran\u00e7a do tio.<\/p>\n<p>AMN: Estes discos de 1952 eram j\u00e1 um projecto art\u00edstico diferenciado em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s heran\u00e7as recebidas? Gravou apenas porque havia necessidade de novos discos no mercado, pensou, estudou, ensaiou, ou as grava\u00e7\u00f5es foram espont\u00e2neas?<br \/>APB: N\u00e3o! Foi um projecto diferente. N\u00e3o foi espont\u00e2neo. Com a aproxima\u00e7\u00e3o dos Anos 50, a\u00ed por 1951, eu venho para Coimbra, para a Universidade. Em minha casa surge uma tert\u00falia, a Tert\u00falia do Calhab\u00e9. Tert\u00falia com quem? Com um sujeito que ainda est\u00e1 vivo e que \u00e9 funcion\u00e1rio da Assist\u00eancia Social, que era o Jos\u00e9 Rodrigues, um apaixonado pelo estilo do Artur Paredes e seu conviva. Ele era sobretudo um cultor da guitarra, da guitarra do Artur Paredes e teve uma grande import\u00e2ncia na minha forma\u00e7\u00e3o e na do Portugal tamb\u00e9m. E com o Jos\u00e9 Rodrigues e com o Flor\u00eancio Neto de Carvalho \u2013 que era um homem que tinha uma virtude extraordin\u00e1ria. Conhecia muito bem o fado de Coimbra e sabia interpretar (=imitar) o estilo de cada um dos cantores da Primeira Gera\u00e7\u00e3o de Ouro, ent\u00e3o resolvemos chamar o Fernando Rolim, o Zeca, o Goes e o Machado Soares que entrou mais tarde. E resolvemos que as coisas tinham ca\u00eddo numa tal decad\u00eancia\u2026<\/p>\n<p>AMN. Voc\u00eas tinham consci\u00eancia dessa \u201cdecad\u00eancia\u201d art\u00edstica?<br \/>APB: Tivemos a no\u00e7\u00e3o dessa crise e pens\u00e1mos \u201cn\u00f3s temos de fazer um estudo das ra\u00edzes!\u201d Com o trabalho discogr\u00e1fico do Artur Paredes e o apoio do Jos\u00e9 Rodrigues surge um \u201cRenascimento\u201d. Em minha casa come\u00e7\u00e1mos a fazer exactamente esse trabalho. O Flor\u00eancio de Carvalho o que \u00e9 que fazia? Quando aparecia um rapaz, ele dizia, \u201c\u00f3 p\u00e1, tu tens uma voz estupenda para cantar, eu vou-te ensinar fados do Bettencourt como ele os cantava\u201d. E depois cantava-lhe \u00e0 maneira do Bettencourt, do Paradela, do Menano. Depois corrigia o cantor, obrigava-o a dizer o poema. Havia toda uma aprendizagem que era no sentido de primeiro saber o que estava a cantar, reproduzir o conte\u00fado do poema e dar-lhe depois express\u00e3o na m\u00fasica dentro do estilo. Outros teriam um estilo mais parecido com o Menano\u2026 de facto, houve um trabalho de sapa, de estudo e de recolha, de regresso \u00e0s ra\u00edzes dos anos 20. Mas aten\u00e7\u00e3o, o Flor\u00eancio representava j\u00e1 algo de progresso, introduzia j\u00e1 o seu contributo. O Flor\u00eancio tamb\u00e9m cantava, embora tivesse problemas de garganta e tivesse muitas vezes dificuldades de cantar, mas sobretudo tinha uma expressividade extraordin\u00e1ria.<br \/>Os discos surgem como consequ\u00eancia desse treino, desse estudo. Os discos aparecem, deliberadamente, como uma forma de afirma\u00e7\u00e3o e de \u201creposi\u00e7\u00e3o\u201d. <\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">AMN: Quais foram as reac\u00e7\u00f5es aos discos?<br \/>APB: Foi \u00f3ptimo, foi \u00f3ptimo!<\/p>\n<p>AMN: Havia uma lacuna fonogr\u00e1fica de quase 30 anos\u2026<br \/>APB: N\u00e3o era f\u00e1cil. As empresas de grava\u00e7\u00e3o eram poucas e n\u00e3o tinham muitos meios. O Fado de Coimbra estava num gueto, verdadeiramente num gueto! Ainda hoje lhe devo dizer uma coisa, o grande mal disto tudo est\u00e1 em a Can\u00e7\u00e3o de Coimbra ser sempre associada restritamente ao meio de Coimbra, \u00e9 sempre considerada como uma m\u00fasica urbana muito local. Nunca adquiriu um estatuto na m\u00fasica ligeira portuguesa, ao contr\u00e1rio do Fado de Lisboa. Ainda hoje na r\u00e1dio, \u00e9 dif\u00edcil, \u00e9 raro, pode contar pelos dedos o n\u00famero das situa\u00e7\u00f5es em que est\u00e1 a ouvir m\u00fasica diversa e no meio da m\u00fasica sai uma can\u00e7\u00e3o de Coimbra. \u00c9 raro! Felizmente que aparece, mas \u00e9 raro.<br \/>Tinha havido ali um hiato tremendo e aqueles discos tiveram uma enorme aceita\u00e7\u00e3o. Os discos foram gravados aqui em Coimbra no Emissor Regional, em condi\u00e7\u00f5es muito fracas, e depois passadas a 45 rota\u00e7\u00f5es e 33 rota\u00e7\u00f5es e cassetes. O Portugal j\u00e1 nessa altura entrou. Foi o meu 2\u00ba guitarra nesses discos. Quando eu me vou embora para a Sui\u00e7a em 1954 \u2013 o meu trajecto vai at\u00e9 54, de 1943-1944 at\u00e9 54 &#8211; , o Portugal vai continuar o nosso trabalho.<br \/>Em toda a minha \u00e9poca, eu cito o Jo\u00e3o Bag\u00e3o, cito o Jos\u00e9 Maria Amaral, o Carvalho Homem, o Manuel Branquinho (embora o Manuel Branquinho nunca tenha sido um guitarrista, em meu entender, eu sou oficial do mesmo of\u00edcio, que se tivesse afirmado muito significativamente. Quando reaparece, mais tarde, \u00e9 a cantar). Como violas eram o Aur\u00e9lio Reis, que j\u00e1 era uma figura habitual, era o Eduardo Tavares de Melo, o M\u00e1rio Castro. Na minha gera\u00e7\u00e3o isto foi o n\u00facleo fundamental. <\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">AMN: Carlos Figueiredo, era um homem marginal a estes meios?<br \/>APB: O Figueiredo (risos)\u2026 voc\u00ea j\u00e1 se apercebeu que o meio \u00e9 fechado e pequeno\u2026 h\u00e1 certas rivalidades. H\u00e1 sempre uns ditos de bastidores, umas piadas. Nessa altura tamb\u00e9m havia essa mesma rivalidade. Ainda que, o Jo\u00e3o Bag\u00e3o, o Jos\u00e9 Maria Amaral e o Carvalho Homem tivessem actuado muitas vezes em conjunto, de tal maneira que o Jos\u00e9 Maria Amaral foi 2\u00ba guitarra do Jo\u00e3o Bag\u00e3o, depois o Jos\u00e9 Maria Amaral autonomiza-se e constitui o seu pr\u00f3prio grupo em que eu entrei como 2\u00ba guitarra, depois o Jos\u00e9 Maria Amaral vai-se embora e eu fico com o Carvalho Homem\u2026 Eu n\u00e3o tinha problemas, integrava-me facilmente embora sentisse as rivalidades, que ent\u00e3o nos cantores eram \u201cnot\u00e1veis\u201d. No meu grupo n\u00e3o, o Fernando Rolim, o Luiz Goes e o Zeca Afonso iam cantar a minha casa e havia entre n\u00f3s um grande entrosamento.<br \/>Com havia as estrelas, o Figueiredo, a quem n\u00f3s cham\u00e1vamos o Figueiralho (risos), era um homem que n\u00e3o era um violista de primeira \u00e1gua, embora tivesse o seu m\u00e9rito, era sempre o violista substituto. E ent\u00e3o utilizou um sistema curioso: quando arranjava um cantor muito bom, dizia-lhe \u201ceu ponho-o a cantar mas voc\u00ea fica comigo\u201d. Havia este sistema tamb\u00e9m na altura. Como voc\u00ea sabe os cantores foram sempre adstritos a grupos e de certa maneira era dif\u00edcil a um cantor ir com um outro grupo, era visto como uma trai\u00e7\u00e3o aos seus companheiros. Isto j\u00e1 existia.<br \/>Muitas vezes o Figueiredo integrava-se nestes grupos, mas sempre com a sensa\u00e7\u00e3o de que era um elemento de substitui\u00e7\u00e3o. O que o Figueiredo tinha era coisa extraordin\u00e1ria, apesar de ser um tipo de import\u00e2ncia menor, boi um bel\u00edssimo compositor. Fez fados tradicionais muito bem feitos, que n\u00f3s aproveit\u00e1mos, o \u201cAdeus S\u00e9 Velha saudosa\u201d, o \u201cOndas do Mar\u201d, \u201cO Sol anda l\u00e1 no C\u00e9u\u201d. O Zeca Afonso nessa altura era um cantor tradicional, tendo uma voz de pouca amplitude. Tinha uma voz fraca para cantar o fado tradicional. O ele ter explorado a balada, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida nenhuma que \u00e9 esse o tipo de m\u00fasica que ele, j\u00e1 nessa altura, considerava mais adequado \u00e0 sua maneira de ser e para as suas possibilidades vocais. Ali\u00e1s, ele tinha uma coisa muito curiosa. Eu posso-lhe contar um epis\u00f3dio. Fomos fazer a\u00ed um espect\u00e1culo e ele cantou o \u201c\u00c1guia que vais t\u00e3o alta\u201d maravilhosamente. Deram-lhe aplausos. E no fim h\u00e1 um sujeito, um antigo estudante, um velhinho, que vai ter com ele e lhe diz \u201cVoc\u00ea \u00e9 realmente um cantor extraordin\u00e1rio e deve ser muito feliz\u201d. E diz ele, \u201cVoc\u00ea est\u00e1 enganado\u201d, e acrescenta com aquele ar dele \u201cEu nem gosto do Fado de Coimbra\u201d. Isto mostra que realmente o Zeca Afonso tinha de evoluir para outro tipo de m\u00fasica. <\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">AMN: Chegou a acompanhar essa evolu\u00e7\u00e3o?<br \/>APB: N\u00e3o, n\u00e3o acompanhei, porque eu depois da Sui\u00e7a, a\u00ed por 1959, afastei-me. Foi uma fase muito dif\u00edcil para mim, porque eu preparava a minha tese de doutoramento. Eu doutoro-me em 1961.<br \/>Guitarrista que aparece nessa altura com uma pujan\u00e7a formid\u00e1vel \u00e9 o Jorge Tuna, o Portugal que vem de mim, da minha gera\u00e7\u00e3o, mas que come\u00e7a a compor e, sobretudo, j\u00e1 com os poemas do Manuel Alegre a fazer as trovas e baladas. O Portugal acompanha o Zeca Afonso, o Adriano Correia de Oliveira, o Ant\u00f3nio Bernardino. \u00c9 curioso, o Ant\u00f3nio Bernardino fez lembrar na altura em que apareceu uma esp\u00e9cie, como \u00e9 que eu hei-de dizer, de Manuel Juli\u00e3o. Um homem vers\u00e1til, cantava tudo, fado cl\u00e1ssico sim, gostava muito dos fados do \u00c2ngelo de Ara\u00fajo, a can\u00e7\u00e3o. Eu at\u00e9 1961 n\u00e3o participei, ainda que uma vez ou outra acompanhasse o Zeca Afonso, sobretudo em f\u00e9rias. <\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">AMN: E ele j\u00e1 em ruptura?<br \/>APB: J\u00e1! Ele passou f\u00e9rias em minha casa no Algarve, v\u00e1rias vezes, ele era um homem despegado do dinheiro e \u00e0s tantas chegava ao meio do m\u00eas de Agosto e n\u00e3o tinha o dinheiro e ia para minha casa para ter autonomia. Era realmente um artista, um poeta. E nessa altura acompanhei-o, por exemplo na \u201cBalada do Outono\u201d e numa s\u00e9rie de can\u00e7\u00f5es que ele fez por essa altura. Eu encontrei-me perante um Zeca Afonso a cantar coisas completamente diferentes. <\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">AMN: Na Crise Acad\u00e9mica de 1969 estava em Coimbra?<br \/>APB: Estava em Coimbra. <\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">AMN: \u00c9 correcto afirmar-se, como \u00e0s vezes se diz, que em 1969 se produziu o disco \u201cFlores para Coimbra\u201d, os cantores desertaram e tudo acabou? <\/div>\n<div align=\"justify\">APB: A Crise de 1969 provocou um \u201cbouleversement\u201d em Coimbra. <\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\"><\/div>\n<div align=\"justify\">AMN: A linha cl\u00e1ssica era apodada de \u201creaccion\u00e1ria\u201d e de \u201cfascista\u201d\u2026<\/div>\n<div align=\"justify\">APB: Exacto. O fado tradicional e a guitarra foram identificados com o regime, com uma carga negativa. Mas nunca at\u00e9 a\u00ed o fado tradicional e a guitarra tinham sido identificados com o regime. Normalmente no meio havia contestat\u00e1rios. Muitos guitarristas e cantores eram tipos normalmente n\u00e3o \u201carregiment\u00e1veis\u201d. \u00c9 evidente que se dizia \u201c\u00e9 um fado reaccion\u00e1rio\u201d, \u201c\u00e9 um fado conservador\u201d. \u00c9 o pr\u00f3prio regime ou as figuras afectas ao regime que agarram o fado de Coimbra armados em protectores, independentemente, meu caro Nunes, de um certo feitio sempre conservador do antigo estudante de Coimbra. Se um velho est\u00e1 sempre a dizer \u201cno meu tempo \u00e9 que era bom\u201d, o antigo estudante de Coimbra tamb\u00e9m diz \u201cno meu tempo \u00e9 que era bom, assim e assado\u201d. Inclusivamente, eu, neste momento, sou capaz de j\u00e1 ser um conservador! Eu j\u00e1 estou a entrar na idade do conservadorismo. <\/div>\n<div align=\"justify\">AMN: Assiste-se efectivamente a uma dispers\u00e3o de cultores com a Crise de 1969?<br \/>APB: H\u00e1 uma dispers\u00e3o e uma desmotiva\u00e7\u00e3o dos cultores. 1969 foi um momento tremendo. E repare, se n\u00f3s quisermos ser justos relativamente ao Zeca Afonso, eu recordo-me perfeitamente dele ter afirmado por volta de 1974 que n\u00e3o queria guitarras a acompanh\u00e1-lo, que n\u00e3o queria \u201craquetes\u201d a acompanh\u00e1-lo, como ele chamava \u00e0 guitarra. Ele n\u00e3o cantava fado de Coimbra. Fado de Coimbra era uma coisa abomin\u00e1vel. Ele a\u00ed teve tamb\u00e9m um papel de certa maneira prejudicial. Prejudicou o fado de Coimbra. Depois ele fez contri\u00e7\u00e3o. E quando edita o disco de fado de Coimbra (1981) ele vem desdizer tudo quanto tinha afirmado. Isto significa que a partir de 1969, e indo at\u00e9 1974, h\u00e1 enorme confus\u00e3o.<br \/>(&#8230;)<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Excerto de uma entrevista mais alargada a Ant\u00f3nio Pinho Brojo, hist\u00f3rico guitarrista de Coimbra, liderada por Ant\u00f3nio Manuel Nunes, que podem ler na \u00edntegra no blog do guitarrista Oct\u00e1vio S\u00e9rgio &#8211; http:\/\/guitarradecoimbra.blogspot.com (&#8230;)AMN: Estamos a caminhar para os finais dos anos 40\u2026APB: Sim. 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