{"id":6966,"date":"2006-03-23T15:36:00","date_gmt":"2006-03-23T15:36:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=6966"},"modified":"2021-12-17T11:41:11","modified_gmt":"2021-12-17T11:41:11","slug":"poemas-a-jose-afonso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/poemas-a-jose-afonso\/","title":{"rendered":"Poemas a Jos\u00e9 Afonso"},"content":{"rendered":"<p><strong>Id\u00edlio com a morte<\/strong><br \/><em>F\u00e1tima Maldonado<\/em><\/p>\n<p>Para o Jos\u00e9 Afonso<\/p>\n<p>I<\/p>\n<p>Ap\u00f3s duelo h\u00f3rrido<br \/>tenaz o cavaleiro<br \/>jaz inerte<br \/>mas n\u00e3o est\u00e1 vencido,<br \/>melhor dizendo perdeu os estribos<br \/>e vai sem pedais em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 morte.<br \/>Quem sabe, talvez ela o console,<br \/>lhe d\u00ea afinal o que nenhuma mulher,<br \/>sereia, s\u00edlfide ou cadela<br \/>logrou entregar,<br \/>abrir, envolver ou mostrar.<br \/>Nunca viu horizonte<br \/>onde pudesse \u00e0 sombra do pinhal descansar,<br \/>o escudo recebendo a car\u00edcia do sol,<br \/>nem no rega\u00e7o a dama do lic\u00f3rnio o acolheu<br \/>ou conheceu a partida das l\u00e1grimas<br \/>e mesmo assim o cavaleiro n\u00e3o esquece<br \/>feras letras, voc\u00e1bulos no z\u00e9nite<br \/>que a vida lhe ensinou a desdenhar.<br \/>Quando for o regresso<br \/>mais s\u00e1bio, mais seg&#8217;uro e mais audaz<br \/>talvez ent\u00e3o se resigne ao amor.<\/p>\n<p>II<\/p>\n<p>Pediu o cavaleiro<br \/>ao homem que maneja<br \/>o ferro<br \/>o seu vocabul\u00e1rio.<br \/>Pediu-lhe emprestadas<br \/>as formas das censuras,<br \/>o fia gelo, a verg\u00f4ntea, o montante,<br \/>a p\u00f3lvora que rodeia<br \/>os voc\u00e1bulos<br \/>e fez delas coroas de espinhos.<\/p>\n<p><strong>Salutaci\u00f3n \u00e1 Jos\u00e9 Afonso<\/strong><br \/><em>Atahualpa Yupanqui 9 Marzo 1985<\/em><\/p>\n<p>Ya no estoy en tu piedra. hermano Afonso.<br \/>Como un viento de mi pampa<br \/>\/legu\u00e9 \/leno de cantos enamorados y salvages.<br \/>Aqui quedan algunos, cerca de tus olivos.<br \/>junto a los rios, trepando ca\/les<br \/>y caminos duros. Ouros como los hombres y<br \/>las cosas.<br \/>Como no amar la tierra, compaflero?<br \/>Si en el aroma fuerte de la hierba<br \/>te saluda en la tarde la paloma escondida. <br \/>La mano deI amigo es tu estandarte.<br \/>Tan hondo como el mar es el amor deI pueblo.<br \/>Donde quiera que vayas, la poesia amanece <br \/>como una novia inacabable y tierna.<br \/>A mi Am\u00e9rica vuelvo, Jos\u00e9 Afonso.<br \/>Te abrazo. hermano, y aI combate vamos. <br \/>Somos hechos de l\u00faz y polvareda.<\/p>\n<p><strong><br \/>Jos\u00e9 Afonso<\/strong><br \/><em>H\u00e9lia Correia<\/em><\/p>\n<p>Em louvor da desordem.<br \/>Exaltando<br \/>o vinho e os seus fermentos.<br \/>Em louvor dos motivos<br \/>e em louvor<br \/>da pura insensatez,<br \/>nos sentaremos n\u00f3s ouvindo este homem, <br \/>atravessados pelo seu galope.<\/p>\n<p>Como a uma crian\u00e7a, aconchegamos tudo aquilo que ele amou.<br \/>Tudo o que \u00e9 t\u00e9rreo<br \/>e sujo<br \/>e sorridente,<br \/>e oferece o rosto<br \/>de chap\u00e3o \u00e0 luz.<br \/>Coisas que nos deslizam sob a pele disparando calor.<br \/>Regendo as linhas<br \/>fundamentais da vida.<\/p>\n<p>H\u00e1 um n\u00f3 de caminhos onde este homem<br \/>se p\u00f4s a esconder p\u00f3lvora e sementes,<br \/>calend\u00e1rios rurais.<br \/>Dele n\u00e3o pode falar-se sem que se ou\u00e7a <br \/>a espantosa alegria.<br \/>Sem que de novo bata pelos s\u00edtios<br \/>o eco de um tambor.<\/p>\n<p>\u00c9 bem poss\u00edvel<br \/>que a can\u00e7\u00e3o vele, oculta nas cidades. <br \/>Que se incline nos nossos pensamentos <br \/>como um espelho lunar,<br \/>duro e pac\u00edfico.<br \/>E sob o seu olhar nos desloquemos <br \/>por entre a turbul\u00eancia.<br \/>E dela venha um \u00edntimo sentido<br \/>e o seu ardor nos saiba<br \/>conduzir.<\/p>\n<p>Pois deste homem ficou o of\u00edcio. <br \/>Os meios.<br \/>Sabemos de que modo se levantam <br \/>as pedras sobre as pedras. <br \/>Sabemos de que modo<br \/>as agu\u00e7ar.<\/p>\n<p>Existe ainda<br \/>um cord\u00e3o de linguagens. <br \/>Vibra teimosamente o ar, movido por sopros<br \/>e at\u00e9 mesmo<br \/>por fadigas.<br \/>E a sua voz empurra e alimenta essas circula\u00e7\u00f5es.<br \/>\u00c9 o vento do sol<br \/>que permanece.<\/p>\n<p><strong>Homenagem a Jos\u00e9 Afonso<\/strong><br \/><em>Lu\u00eds Serrano<\/em><\/p>\n<p>Esta voz<br \/>\u00e9 o que resta dum grito <br \/>ou dum sil\u00eancio<br \/>ou dum pranto desabitado<br \/>voz solit\u00e1ria e branca <br \/>onde uma \u00e1gua desprevenida<br \/>lentamente anoitece<br \/>a mem\u00f3ria das coisas<br \/>est\u00e1 nessa luz desamparada <br \/>que respira<br \/>e tamb\u00e9m os filhos esses <br \/>t\u00e3o incertos<br \/>delicados frutos<br \/>por quem perseguimos <br \/>l\u00e1grimas e risos<\/p>\n<p><strong>Novos cruzados<\/strong><br \/>Lembrando Luiza Neto Jorge e as suas deambula\u00e7\u00f5es em Faro com A. Barahona, Zeca, Bronze e Pit\u00e9<br \/><em>Luiza Neto Jorge<\/em><\/p>\n<p>Sequiosos descem, <br \/>seus corpos de esponja <br \/>a rolar na treva,<br \/>iates rompendo<br \/>\u00e0 babugem de \u00e1gua,<br \/>caravanas caras<br \/>em fossados por <br \/>rochedos e hortas,<br \/>sedentos recolhem <br \/>cisternas, piscinas <br \/>sob o seu pend\u00e3o,<br \/>e saqueiam, sangram <br \/>consagrados \u00e0 <br \/>salva\u00e7\u00e3o do corpo <br \/>estes cruzados!<\/p>\n<p><strong>Para Jos\u00e9 Afonso<\/strong><br \/><em>Ant\u00f3nio Ramos Rosa<\/em><\/p>\n<p>O canto que se erguia<br \/>na tua voz de vento<br \/>era de sangue e oiro<br \/>e um astro insubmisso<br \/>que era menino e homem <br \/>fulgurava nas \u00e1guas<br \/>entre fogos silvestres. <br \/>Cantavas para todos<br \/>os acordes da terra,<br \/>os obscuros gritos<br \/>e os del\u00edrios e as f\u00farias<br \/>de uma revolta justa <br \/>contra eternos vampiros. <br \/>Que imensa a aventura<br \/>da luz por entre as sombras! <br \/>A vida convertia-se<br \/>num rio incandescente<br \/>e num prod\u00edgio branco<br \/>o canto sobre os barcos!<br \/>E o desejo t\u00e3o fundo <br \/>centrava-se num ponto<br \/>em que atingia o uno<br \/>e a claridade intacta.<br \/>O canto era car\u00edcia<br \/>para uma ferida extrema <br \/>que era de todos n\u00f3s<br \/>na ang\u00fastia insustent\u00e1vel. <br \/>Mas ressurgia dela<br \/>a mais fina energia <br \/>ressuscitando o ser<br \/>em plenitude de \u00e1gua<br \/>e de um fogo amoroso.<br \/>\u00c9 j\u00e1 manh\u00e3 cantor<br \/>e o teu canto n\u00e3o cessa <br \/>onde n\u00e3o h\u00e1 a morte<br \/>e o cora\u00e7\u00e3o come\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Quando a luz fechou os olhos<\/strong><br \/><em>Janita Salom\u00e9<\/em><\/p>\n<p>Quando a luz fechou os olhos <br \/>Amansou a terra um ar morno<br \/>De cinza, doce, de cores desmaiadas <br \/>Pelos perfumes vindos no bafo da noite<\/p>\n<p>Do ramo mais fino do sil\u00eancio<br \/>Soou o rouxinol num canto dorido<br \/>De seda e ondas, que soltava em cada nota <br \/>Um fio delicado de fumo como fogo-f\u00e1tuo<\/p>\n<p>Teceu um v\u00e9u e ali se guardou <br \/>De volta \u00e0s entranhas da vida <br \/>Basta um sopro m\u00e1gico, liberto, <br \/>Para que a luz acorde a cantar<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Id\u00edlio com a morteF\u00e1tima Maldonado Para o Jos\u00e9 Afonso I Ap\u00f3s duelo h\u00f3rridotenaz o cavaleirojaz inertemas n\u00e3o est\u00e1 vencido,melhor dizendo perdeu os estribose vai sem pedais em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 morte.Quem sabe, talvez ela o console,lhe d\u00ea afinal o que nenhuma mulher,sereia, s\u00edlfide ou cadelalogrou entregar,abrir, envolver ou mostrar.Nunca viu horizonteonde pudesse \u00e0 sombra do pinhal [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[78],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6966"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6966"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6966\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6966"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6966"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6966"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}