{"id":6881,"date":"2005-11-29T08:21:00","date_gmt":"2005-11-29T08:21:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/wp\/?p=6881"},"modified":"2021-12-17T11:41:23","modified_gmt":"2021-12-17T11:41:23","slug":"jose-afonso-geografias-de-uma-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/jose-afonso-geografias-de-uma-vida\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Afonso: Geografias de uma vida"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/media-archive\/2005\/11\/ZECA.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-large wp-image-15243\" title=\"ZECA\" src=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/media-archive\/2005\/11\/ZECA-749x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"477\" height=\"650\" \/><\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201cALGUMA COISA DO QUE SOU E FUI, FOI EM VIAGEM\u201d<br \/>\nJos\u00e9 Afonso<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">A Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso (AJA) inicia por ocasi\u00e3o da passagem do seu 18\u00ba anivers\u00e1rio, a mostra p\u00fablica da 1\u00aa realiza\u00e7\u00e3o do seu projecto \u201cJOS\u00c9 AFONSO \u2013 GEOGRAFIAS DE UMA VIDA\u201d, este ano subordinado ao tema \u201cMO\u00c7AMBIQUE 1964 \u2013 1967\u201d.<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">O projecto da AJA assenta no intuito de revisitar os lugares por onde Jos\u00e9 Afonso passou e semeou o seu exemplo de cidadania, recolhendo testemunhos, not\u00edcia e documenta\u00e7\u00e3o de toda a ordem, das suas viv\u00eancias (sobretudo as de car\u00e1cter c\u00edvico e cultural), ou mesmo das que indirectamente acabou por proporcionar. Anualmente, por ocasi\u00e3o do anivers\u00e1rio da AJA, far-se-\u00e1 mostra p\u00fablica da faceta exposicional dessa actividade. Assim, a 2 e 3 de Dezembro de 2005, \u00e0s 21H00 no anfiteatro da Biblioteca P\u00fablica Municipal de Set\u00fabal<\/strong>, decorrer\u00e3o sess\u00f5es em que veremos, ouviremos e falaremos sobre alguns exemplos de actividades que Jos\u00e9 Afonso desenvolveu quer na antiga Louren\u00e7o Marques (Maputo), quer na Cidade da Beira.<\/span><\/div>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong><\/strong><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">As colabora\u00e7\u00f5es de Jos\u00e9 Afonso em teatro e cinema que decorreram durante o per\u00edodo em an\u00e1lise ser\u00e3o o motivo central do evento, sendo importante referir que estas n\u00e3o esgotam, longe disso, a actividade de Jos\u00e9 Afonso nas referidas \u00e1reas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em 1965 Jos\u00e9 Cardoso, considerado um dos decanos do cinema mo\u00e7ambicano procede \u00e0 montagem do seu primeiro filme de fic\u00e7\u00e3o, intitulado \u201cO An\u00fancio\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Afonso assiste no Cine-Clube da Beira a essa opera\u00e7\u00e3o e prop\u00f5e ao autor a composi\u00e7\u00e3o de uma can\u00e7\u00e3o para o filme. Aceite a oferta, surge \u201cVejam Bem\u201d, que viria anos mais tarde a ser inclu\u00edda no seu \u00e1lbum \u201cCantares do Andarilho\u201d.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em Outubro de 1967, o filme participa no 1\u00ba Festival Nacional de Cinema de Amadores de Aveiro, e na cr\u00f3nica de F. Gon\u00e7alves Lavrador sobre o dito festival, publicada na Revista V\u00e9rtice n\u00ba 291, de Dezembro de 1967, pode ler-se:<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u2026 \u201cNos filmes de enredo, ou seja, no cinema de fic\u00e7\u00e3o, uma grande dist\u00e2ncia separa dos restantes os dois filmes premiados, ex-aequo, na primeira posi\u00e7\u00e3o, como ali\u00e1s o j\u00fari quis destacar ao n\u00e3o atribuir qualquer segundo pr\u00e9mio.\u201d \u201c\u2026.Realmente , quer o \u201cO An\u00fancio\u201d, de Jos\u00e9 Cardoso (trof\u00e9u de ouro do Clube dos Galitos, melhor argumento, melhor mensagem humana e melhor interpreta\u00e7\u00e3o), quer\u2026 \u2026revelam um cuidado sentido cinematogr\u00e1fico, com abandono de todas as ret\u00f3ricas mais ou menos gastas, de todos os artificialismos de ordem est\u00e9tica e de toda e qualquer tend\u00eancia para o rodriguinho tem\u00e1tico.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201c\u2026\u201dO An\u00fancio\u201d, da Equipa Beira-64, sob a direc\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Cardoso, foi a pel\u00edcula mais apreciada pelo p\u00fablico, que lhe conferiu um pr\u00e9mio por vota\u00e7\u00e3o \u2026\u201d \u201c\u2026Trata-se de um filme de constru\u00e7\u00e3o muito cl\u00e1ssica e linear, simples e l\u00edmpido no seu desenvolvimento, parafraseando, imag\u00e8ticamente e num tom que tem qualquer coisa de chaplinesco, uma can\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Afonso com a qual abre (ap\u00f3s uma portada com sons naturais) e finaliza. Eis uma obra que se deve apontar como um exemplo a todos.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Por sua vez, na Revista \u201cTempo\u201d, n.\u00ba 11 de 29 de Novembro de 1970, editada em Mo\u00e7ambique, numa cr\u00f3nica assinada por Maria de Lurdes, podia ler-se num artigo intitulado \u201cUm grande cineasta da Beira\u201d:<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201c No pequeno cinema-est\u00fadio do B\u00ba da COOP (na cave do PH8) assistimos a uma das sess\u00f5es que a Sec\u00e7\u00e3o de Cinema de Amadores do Cine-Clube de Louren\u00e7o Marques faz \u00e0s sextas-feiras\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201c\u2026 A segunda parte da sess\u00e3o ofereceu-nos uma surpresa ainda maior: a revela\u00e7\u00e3o de um cineasta da Beira, Jos\u00e9 Cardos, autor de tr\u00eas filmes: \u201cAn\u00fancio\u201d que \u00e9 a primeira realiza\u00e7\u00e3o do autor,\u2026. \u201c\u2026em \u201cAn\u00fancio\u201d, pequena hist\u00f3ria \u00e0 maneira neo-realista, muito bem contada e com sequ\u00eancias de extraordin\u00e1rio conte\u00fado dram\u00e1tico e originalidade, o pr\u00f3prio Jos\u00e9 Cardoso interpreta a figura de um pobre diabo que ap\u00f3s um dia desesperante \u00e0 procura de emprego em v\u00e3o, solit\u00e1rio e com fome, se v\u00ea compelido por um grupo de foli\u00f5es a participar numa festa de Carnaval&#8230;\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201c\u2026O filme tem como fundo sonoro uma balada de Jos\u00e9 Afonso\u2026\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201c\u2026O filme social est\u00e1 afinal ao alcance do cineasta amador.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em 7 de Fevereiro de 1971, o n\u00ba 332 do seman\u00e1rio mo\u00e7ambicano\u201cA Voz de Mo\u00e7ambique\u201d, faz capa total com uma imagem de Jos\u00e9 Afonso com o t\u00edtulo \u201cJos\u00e9 Afonso a figura do ano\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Explicando a Jos\u00e9 Afonso esse galard\u00e3o, menciona-se nas \u201c&#8230; as raz\u00f5es de uma escolha\u201d:<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201c&#8230; acordou-se, desta feita, na personalidade de Jos\u00e9 Afonso para \u201cfigura do ano\u201d de V.M. &#8230;\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201c &#8230;Escolha feliz? Sim, se isso dependesse apenas da simpatia pessoal e da mensagem fraterna que constituem o carisma do trovador. Mas, de Mo\u00e7ambique?- perguntar-se-, legitimamente. Temos um punhado de raz\u00f5es a favor disso&#8230;\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201c&#8230;Tr\u00eas LPs de n\u00edvel excelente, meia d\u00fazia de EPS, algumas desloca\u00e7\u00f5es ao estrangeiro, cifrando-se por um igual n\u00famero de \u00eaxitos, convites honrosos e reconhecimento, por parte do p\u00fablico e da cr\u00edtica. Em resumo ascese a uma maturidade art\u00edstica a que corresponde o justo corol\u00e1rio da fama.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u201cOra, pensamos que um pouco de tudo isto nos cabe a n\u00f3s, a Mo\u00e7ambique. Os factos acabados de relatar foram imediatamente precedidos pelo per\u00edodo de cerca de tr\u00eas anos que Jos\u00e9 Afonso viveu em Mo\u00e7ambique, e que supomos decisivos e frutuosos na gesta da sua personalidade art\u00edstica. A quase totalidade das can\u00e7\u00f5es distribuidas pelos referidos LPs foi composta em Mo\u00e7ambique e algumas delas gravadas em primeira m\u00e3o (por vezes em vers\u00f5es ligeiramente diferentes) em casa de amigos , sendo ainda frequentes \u2013 do Xipamanine \u00e0 Ponta Gea \u2013 as alus\u00f5es a um quotidiano que \u00e9 nosso. &#8230;\u201d, \u201c&#8230; O perfil l\u00edmpido de uma voz que \u00e9 a imagem, sem adornos, da pr\u00f3pria fraternidade bastava para aliciar a nossa simpatia e ades\u00e3o&#8230;\u201d, \u201c&#8230; ao creditarmos a Jos\u00e9 Afonso o t\u00edtulo da nossa escolha, expomos-lhe o d\u00e9bito a Mo\u00e7ambique. E ficamos quites.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">LOUREN\u00c7O MARQUES 1964 \u2013 1965<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Quando fui para o Maputo, ent\u00e3o Louren\u00e7o Marques, em 1964, estava no in\u00edcio da minha fase mais ou menos organizada de cantor nos meios acad\u00e9micos, nas associa\u00e7\u00f5es de estudantes e nas colectividades.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Infiltrei-me em alguns meios e \u00eda conseguindo, com as minhas cantigas, dar os meus habituais recados.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">CIDADE DA BEIRA 1965 \u2013 1967<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Cheguei \u00e0 Beira e a\u00ed fui imediatamente protegido pelo Cine-Clube local&#8230;<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Comecei a conviver com aqueles sujeitos, encontrei um sentido enorme de camaradagem e de solidariedade entre os seus membros.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Era uma aut\u00eantica col\u00f3nia e a\u00ed apercebi-me da actividade intensa por eles desenvolvida.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em 23 de Agosto de 1966, o Teatro de Amadores da Beira (T.A.B.) leva a cena pela 1\u00aa vez Bertolt Brecht em Portugal, com a pe\u00e7a \u201cA Excep\u00e7\u00e3o e a Regra\u201d. Jos\u00e9 Afonso comp\u00f4s especialmente para o efeito 5 can\u00e7\u00f5es: \u201c\u00c9 para Urga\u201d (aparece tamb\u00e9m referida como \u201cA Caminho de Urga\u201d), \u201cCoro dos Tribunais\u201d, \u201cEu marchava de dia e de noite (Canta o comerciante)\u201d e \u201cAli est\u00e1 o rio\u201d todas elas publicadas, e \u201cCanta o Ju\u00edz\u201d que nunca ter\u00e1 sido editada.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Em \u201cLivra-te do Medo &#8211; Est\u00f3rias &amp; Andan\u00e7as do Zeca Afonso\u201d de Jos\u00e9 Ant\u00f3nio Salvador, Jo\u00e3o Afonso dos Santos recorda \u201cest\u00f3rias\u201d relativas ao facto, nomeadamente a do \u201ccensor\u201d de servi\u00e7o.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Mas a Beira em 65 e 66? \u201cHavia a tal associa\u00e7\u00e3o que resolveu promover as comemora\u00e7\u00f5es da Tomada da Bastilha como se estiv\u00e9ssemos em Coimbra. A direc\u00e7\u00e3o mandou fazer uma r\u00e9plica da fachada da S\u00e9 Velha em cart\u00e3o ou madeira para montar na pra\u00e7a onde se faria a sess\u00e3o comemorativa. No programa inclu\u00edram-se fados e guitarradas. Cantaria eu e o meu irm\u00e3o. Uma pe\u00e7a do Brecht \u201cA Excep\u00e7\u00e3o e a Regra\u201d e um tipo, que por coincid\u00eancia tamb\u00e9m era o censor da Beira, fazia uma aula com uns doutores vestidos de \u201cbaby-dol\u201d a apanhar violetas. O doutor da censura resolveu cortar Brecht e em alguns cortes permitiu-se mesmo \u201creescrev\u00ea-lo\u201d \u00e0 margem propondo modifica\u00e7\u00f5es ao texto. Perante isto o meu irm\u00e3o, e depois eu, disse logo:\u201dse n\u00e3o h\u00e1 Brecht, eu n\u00e3o canto fados\u201d. Isto uns dias antes da festa. Ora sem fados n\u00e3o haveria espect\u00e1culo e o censor n\u00e3o poderia fazer o seu n\u00famero da aula das violetas&#8230; De modo que teve de dar o dito por n\u00e3o dito e autorizar a representa\u00e7\u00e3o da pe\u00e7a. Foi assim que o Brecht apareceu pela primeira vez no imp\u00e9rio colonial. O Zeca musicou, ent\u00e3o, as can\u00e7\u00f5es que vieram a integrar o \u00e1lbum \u201cCoro dos Tribunais\u201d. Para o tal cavalheiro censor foi um sofrimento atroz autorizar o Brecht.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Zeca Afonso foi expulso de Mo\u00e7ambique pela PIDE quando, em 1972, se deslocou a Louren\u00e7o Marques para visitar os pais.<\/div>\n<p>&nbsp;<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">OUTRA VOZ<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Outra voz outra garganta<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Outra m\u00e3o que se estende \u00e0 que tombara<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Uma fagulha num palheiro acesa<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\u00d3 meus irm\u00e3os a luta j\u00e1 n\u00e3o p\u00e1ra<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Jos\u00e9 Afonso<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Escrito na pris\u00e3o de Caxias<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cALGUMA COISA DO QUE SOU E FUI, FOI EM VIAGEM\u201d Jos\u00e9 Afonso &nbsp; A Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso (AJA) inicia por ocasi\u00e3o da passagem do seu 18\u00ba anivers\u00e1rio, a mostra p\u00fablica da 1\u00aa realiza\u00e7\u00e3o do seu projecto \u201cJOS\u00c9 AFONSO \u2013 GEOGRAFIAS DE UMA VIDA\u201d, este ano subordinado ao tema \u201cMO\u00c7AMBIQUE 1964 \u2013 1967\u201d. &nbsp; O projecto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":15243,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[86,87,88],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6881"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6881"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6881\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15243"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6881"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}