{"id":42207,"date":"2022-12-12T15:23:32","date_gmt":"2022-12-12T15:23:32","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/?p=42207"},"modified":"2022-12-12T15:27:41","modified_gmt":"2022-12-12T15:27:41","slug":"um-que-nao-vai-em-futebois","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/um-que-nao-vai-em-futebois\/","title":{"rendered":"Um que n\u00e3o vai em futeb\u00f3is"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"1024\" height=\"732\" src=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Assis-Pacheco-e-Jose-Afonso-1024x732.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-42208\" srcset=\"https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Assis-Pacheco-e-Jose-Afonso-1024x732.jpg 1024w, https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Assis-Pacheco-e-Jose-Afonso-300x215.jpg 300w, https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Assis-Pacheco-e-Jose-Afonso-768x549.jpg 768w, https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Assis-Pacheco-e-Jose-Afonso-1140x815.jpg 1140w, https:\/\/aja.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Assis-Pacheco-e-Jose-Afonso.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Assis Pacheco e Jos\u00e9 Afonso em casa de Adriano C. de Oliveira, durante um encontro onde estiveram Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, Fanhais, entre outros&#8230;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Na Coimbra dos anos 50, provinciana e falaz, j\u00e1 havia todos os candidatos poss\u00edveis \u00e0s ortodoxias que depois nos estoquearam o lombo. Aquilo era o centro geogr\u00e1fico do parece mal, e digo-o com m\u00e1goa porque nasci l\u00e1, num r\u00e9s-do-ch\u00e3o de estudante, sem saber ainda (1937), ing\u00e9nuo de mim, o que me tocaria em sorte. Mas no pior pano cai a boa n\u00f3doa desses anos 50 a tenderem para 60, aos gritos chamava-se Jos\u00e9 Afonso, no liceu \u00abTurcop\u00eas\u00bb, inventor de m\u00fasica. Vinha de Aveiro, vinha duma serra na eira, vinha de \u00c1frica, de muitos s\u00edtios e de todos ao mesmo tempo, pecha de que nunca se livrou. <\/p>\n\n\n\n<p>Abrevi\u00e1mos-lhe o nome para Zeca, ouv\u00edamo-lo em sil\u00eancio e, \u00e0s tantas, perd\u00eamo-lo de vista: andava pela prov\u00edncia a ensinar meninos, a ganhar uns tustes com que aguentar a fam\u00edlia precoce. Os seus regressos, por vezes numa estrada \u00e0 espera de um autocarro com o Orfeon ou a Tuna dentro, eram sinal de festa. Falava pouco, mas diferente, por falar nisso, encostou muita gente \u00e0 parede. Outra sina sua.<\/p>\n\n\n\n<p>O pa\u00eds de fora-parte conheceu-o s\u00f3 nos idos de 60, quando as universidades bateram com o p\u00e9 no ch\u00e3o. J\u00e1 ele, creio bem, partira para novos casos, novas causas, descobrindo que o Portugal que sobrava das escolas superiores era quase todo, e algum passava mal. Se no 25 de Abril os capit\u00e3es escolheram a \u00abGr\u00e2ndola\u00bb para senha do movimento foi uma naturalidade: quem, de entre os anjos de pedra lioz, poderia responder-lhes? <\/p>\n\n\n\n<p>Ser heterodoxo, minoria de um, avesso das verdades oficiais, custa como o diabo. Jos\u00e9 Afonso est\u00e1 a\u00ed que n\u00e3o me desmente. Honra lhe seja feita, ele \u00e9 da ra\u00e7a dos que n\u00e3o v\u00e3o em futeb\u00f3is mansos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fernando Assis Pacheco<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Coimbra dos anos 50, provinciana e falaz, j\u00e1 havia todos os candidatos poss\u00edveis \u00e0s ortodoxias que depois nos estoquearam o lombo. 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