{"id":41852,"date":"2005-11-27T18:26:00","date_gmt":"2005-11-27T18:26:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/?p=41852"},"modified":"2022-11-27T18:43:34","modified_gmt":"2022-11-27T18:43:34","slug":"jorge-sampaio-comove-se-com-as-cancoes-de-jose-afonso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/jorge-sampaio-comove-se-com-as-cancoes-de-jose-afonso\/","title":{"rendered":"Jorge Sampaio comove-se com as can\u00e7\u00f5es de Jos\u00e9 Afonso"},"content":{"rendered":"\n<p>O Presidente da Rep\u00fablica fez ontem em Gr\u00e2ndola um comovido regresso ao passado, mais precisamente ao per\u00edodo que antecedeu o 25 de Abril de 1974 em que as can\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o tiveram uma import\u00e2ncia &#8220;significativa&#8221; para a democracia portuguesa. Depois de ter visitado a colectividade onde Jos\u00e9 Afonso actuou em 1964, a Fraternidade Oper\u00e1ria, Jorge Sampaio reconheceu que as suas can\u00e7\u00f5es &#8220;ficam para sempre&#8221;. A cerim\u00f3nia de homenagem nacional a Jos\u00e9 Afonso foi um tributo que a C\u00e2mara Municipal de Gr\u00e2ndola quis prestar ao cantor &#8220;que se inspirou neste povo para a can\u00e7\u00e3o que foi a senha para o dia da liberta\u00e7\u00e3o&#8221;, salientou Carlos Beato, presidente do munic\u00edpio. A sess\u00e3o foi preenchida com uma actua\u00e7\u00e3o da banda da Sociedade Filarm\u00f3nica Fraternidade Oper\u00e1ria, que interpretou v\u00e1rios temas de Jos\u00e9 Afonso, terminando com a &#8221; Gr\u00e2ndola Vila Morena&#8221; cantada pelas crian\u00e7as da escola b\u00e1sica. &#8220;Fiquei muito contente por ver os jovens a interpretar Zeca Afonso&#8221;, destacou Jorge Sampaio, que se deixou envolver pelas orquestra\u00e7\u00f5es &#8220;bem conseguidas&#8221; pelos m\u00fasicos da terra. Para o Presidente da Rep\u00fablica, as can\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o que percorreram o universo contestat\u00e1rio do antigo regime &#8220;s\u00e3o momentos de hist\u00f3ria significativa da vida portuguesa&#8221;.Jorge Sampaio n\u00e3o pode ver o palco onde actuou Jos\u00e9 Afonso em 1964, &#8220;por se encontrar em muito mau estado e n\u00e3o haver verba para o recuperar&#8221;, lamentou um dirigente da Fraternidade Oper\u00e1ria. Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o, membro da direc\u00e7\u00e3o desta colectividade, a quem Jos\u00e9 Afonso enviou em 1964 a primeira vers\u00e3o das quatro que foram elaboradas para a can\u00e7\u00e3o &#8221; Gr\u00e2ndola Vila Morena&#8221;, recordou que quando o cantor l\u00e1 entrou ficou siderado quando viu expostas obras de Lenine. &#8220;Um autor com uma leitura t\u00e3o indigesta&#8221;, comentou Sampaio, admirado pela a ousadia dos grandolenses. Os sobressaltos que t\u00eam afectado a democracia portuguesa justifica a necessidade de senhas &#8220;como aquela que representou a can\u00e7\u00e3o chave da noite de 25 de Abril de 1974&#8221;, advertiu o Presidente da Rep\u00fablica. Por isso, frisou: &#8220;Me sinto comovido quando ou\u00e7o as can\u00e7\u00f5es de Zeca Afonso&#8221;, recordando aquela vez que ouviu Gr\u00e2ndola Vila Morena &#8220;ao servi\u00e7o daquele dia inesquec\u00edvel&#8221;. A sua viv\u00eancia com o homenageado n\u00e3o foi muito forte, &#8220;mas tenho os seus discos, embora um pouco desarrumados&#8221;, revelou Sampaio, frisando que o seu relacionamento foi mais forte com Adriano Correia de Oliveira. Comentando o paralelismo entre a situa\u00e7\u00e3o actual e a de antes do 25 de Abril de 1974, o chefe do Estado disse que &#8220;sobre a liberdade nada est\u00e1 definitivamente conquistado, tal como a liberdade de express\u00e3o que deve ser uma luta quotidiana&#8221;.H\u00e9lder Costa, natural de Gr\u00e2ndola e director do Grupo de Teatro a Barraca, lembrou o percurso que fez ao lado de Jos\u00e9 Afonso. Primeiro em Coimbra onde estudou Direito e vivia na Rep\u00fablica do Pr\u00e1-quist\u00e3o, que Zeca Afonso visitava. &#8220;Nessa altura j\u00e1 era c\u00e9lebre pelas can\u00e7\u00f5es. N\u00f3s \u00e9ramos amigos sendo ele mais velho&#8221;.Lembra-se de ele dedilhar as primeiras notas do &#8220;Menino \u00e9 d&#8217;oiro&#8221; &#8220;e malta a goz\u00e1-lo para ele parar com a mariquice&#8221;.Depois convidou-o a vir at\u00e9 Gr\u00e2ndola, onde o cantor ficou admirado &#8220;pela actividade cultural e art\u00edstica&#8221; da Fraternidade Oper\u00e1ria. Todos os anos em Maio esta colectividade realizava grandes manifesta\u00e7\u00f5es culturais. Foi l\u00e1 que H\u00e9lder Costa levou \u00e0 cena a sua primeira pe\u00e7a de teatro &#8221; Gota de Mel&#8221;, um libelo contra a guerra, que foi logo proibida.Assim, em 17 de Maio de 1964, a colectividade conseguiu levar Carlos Paredes e Jos\u00e9 Afonso a um espect\u00e1culo que ficou na mem\u00f3ria do povo de Gr\u00e2ndola e que acabou por se transformar no elemento criador da &#8221; Gr\u00e2ndola Vila Morena&#8221;. &#8220;O entusiasmo foi grande, foi uma loucura&#8221;, recordou H\u00e9lder Costa. Nessa noite estreou can\u00e7\u00f5es que ningu\u00e9m sabia que tinha e passados uns dias mandou a letra da &#8221; Gr\u00e2ndola Vila Morena&#8221; para um dos directores da colectividade Jos\u00e9 da Concei\u00e7\u00e3o. O presidente da C\u00e2mara de Gr\u00e2ndola, Carlos Beato, recordou no seu discurso de homenagem que &#8220;foi aqui que ele se inspirou encontrando amigos em todas as esquinas e foi aqui que ele imortalizou para sempre a Vila Morena&#8221;. Mais tarde, em 1971, Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco fez a orquestra\u00e7\u00e3o em Paris onde o &#8220;Cantigas de Maio&#8221; foi gravado.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2004\/10\/25\/jornal\/jorge-sampaio-comovese-com-as-cancoes-de-jose-afonso-194445\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Carlos Dias, in Jornal P\u00fablico, 25.10.2004<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Presidente da Rep\u00fablica fez ontem em Gr\u00e2ndola um comovido regresso ao passado, mais precisamente ao per\u00edodo que antecedeu o 25 de Abril de 1974 em que as can\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o tiveram uma import\u00e2ncia &#8220;significativa&#8221; para a democracia portuguesa. 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