{"id":41812,"date":"2017-02-23T17:32:00","date_gmt":"2017-02-23T17:32:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/?p=41812"},"modified":"2022-11-27T17:34:35","modified_gmt":"2022-11-27T17:34:35","slug":"zeca-afonso-o-que-dizem-dele-os-jovens-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/zeca-afonso-o-que-dizem-dele-os-jovens-2\/","title":{"rendered":"Zeca Afonso: O que dizem dele os jovens."},"content":{"rendered":"\n<p>A direita n\u00e3o vai \u00e0 bola com ele. O Portugal de l\u00e9s a l\u00e9s. Orgias de ritmo. O nosso pai. Ponte entre Portugal e \u00c1frica. N\u00e3o era grande poeta. Assim falam os que eram adolescentes quando Zeca morreu. Por Jo\u00e3o Bonif\u00e1cio<\/p>\n\n\n\n<p>a Um homem come\u00e7a um dia a executar o que por menoridade sem\u00e2ntica chamamos &#8220;obra&#8221;. Mas \u00e9 poss\u00edvel que esse homem nunca tenha a certeza de escapar ao julgamento do tempo: tudo tem um certo intervalo em que o seu reinado se edifica. O que lhe far\u00e3o os que v\u00eam depois? \u00c9 essa a pergunta que fazemos hoje que passam 20 anos sobre a morte de Zeca Afonso, a quem as homenagens oficiais consagram o ep\u00edteto de &#8220;maior g\u00e9nio da m\u00fasica portuguesa&#8221;. Pergunt\u00e1mos aos que estavam a tornar-se homens quando Zeca morreu e aos que estavam a nascer quando Zeca nos deixou. A ideia \u00e9 saber como Zeca sobrevive e \u00e9 recebido pelos filhos da liberdade.&#8221;A influ\u00eancia que ele tem nos m\u00fasicos \u00e9 total. S\u00f3 isso lhe garante uma certa posteridade.&#8221; A frase \u00e9 do poeta Pedro Mexia, 34 anos alinhados \u00e0 direita. A ausculta\u00e7\u00e3o entre m\u00fasicos parece dar-lhe raz\u00e3o. Victor Afonso, 34 anos, que edita discos de electr\u00f3nica enquanto Kubik, chama-lhe &#8220;esp\u00edrito criativo e irrequieto&#8221;. Afonso estudou Zeca desde cedo, primeiro &#8220;aos dez anos nas aulas de guitarra cl\u00e1ssica&#8221;, depois &#8220;no curso de educa\u00e7\u00e3o musical, nas cadeiras de etnografia, n\u00e3o porque o Zeca fizesse m\u00fasica verdadeiramente etnogr\u00e1fica mas porque partia dela para lhe atribuir elementos de uma grande modernidade est\u00e9tica&#8221;.<br>Esse lado etnogr\u00e1fico parece ser particularmente reconhecido, e mesmo entre poetas: Mexia real\u00e7a o &#8220;trabalho de campo [de recolhas] de Zeca, at\u00e9 porque a cultura popular que vinha do Estado Novo era muito artificial&#8221;. E o tamb\u00e9m poeta Jos\u00e9 Miguel Silva, 38 anos alinhados \u00e0 esquerda, destaca &#8220;o papel muito importante na revitaliza\u00e7\u00e3o da m\u00fasica popular portuguesa&#8221;, chamando a aten\u00e7\u00e3o &#8220;para uma tradi\u00e7\u00e3o que estava um bocado esquecida&#8221;.<br>Miguel Almeida, 33 anos, fan\u00e1tico da obra de Zeca, n\u00e3o tem d\u00favidas em reafirmar o lado camale\u00f3nico do compositor: &#8220;H\u00e1 ali muita Beira (a de c\u00e1 e a de Mo\u00e7ambique), \u00c1frica a rodos, Portugal de l\u00e9s a l\u00e9s e um sentido musical enorme, sem medo de experimentar. Tens no Zeca desde can\u00e7\u00f5es despidas, completamente espectrais, fantasmag\u00f3ricas, a orgias de ritmo.&#8221; Mas, e faz quest\u00e3o de vincar isto, &#8220;ele n\u00e3o era uma ilha isolada, era uma parte do Portugal em que vivia, e por isso hoje faz-me alguma confus\u00e3o esta tentativa de separar o m\u00fasico do pol\u00edtico, de o branquear. N\u00e3o havia Zeca sem luta contra o fascismo, sem revolu\u00e7\u00e3o, sem o afirmar destemido de ideais que hoje nos podem parecer deslocados e anacr\u00f3nicos.&#8221;<br>Valete, o rapper<br>Zeca, para todos os efeitos, \u00e9 um s\u00edmbolo pol\u00edtico, &#8220;essa figura f\u00edsica capaz de responder aos acontecimentos do seu tempo&#8221; (Jos\u00e9 Miguel Silva). Para um rapper como Valete, vindo dos sub\u00farbios de Lisboa, e empenhado em olhar a realidade social, possuidor de toda a discografia de Zeca a partir dos anos 70, isso \u00e9 muito importante: &#8220;A minha escola, progressista e de interven\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma continua\u00e7\u00e3o da escola dele e do Z\u00e9 M\u00e1rio, que leva para a m\u00fasica, mais que o entretenimento, o intervir e o consciencializar. Se o Zeca n\u00e3o existisse n\u00f3s tamb\u00e9m n\u00e3o exist\u00edamos. S\u00e3o os nossos pais.&#8221;<br>Mas nem toda a gente o descobriu assim. Quando Cristina Branco, 34 anos, fadista (ou nem por isso) descobriu &#8220;o lado empenhado dele&#8221;, na altura &#8220;em que se desperta para a consci\u00eancia pol\u00edtica&#8221;, isto \u00e9, na adolesc\u00eancia, essa revela\u00e7\u00e3o &#8220;n\u00e3o foi um choque&#8221;. Por v\u00e1rias raz\u00f5es, mas uma acima de todas: &#8220;Na casa dos meus pais sempre se ouviu o Zeca, em particular as can\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias para crian\u00e7as, as can\u00e7\u00f5es de embalar.&#8221; A fadista cresceu em Almeirim numa fam\u00edlia de esquerda.<br>Mudemos de agulha para algu\u00e9m dois anos mais velho, &#8220;ferozmente neutro&#8221;, e que cresceu em Coimbra: o cantautor JP Sim\u00f5es. &#8220;A princ\u00edpio inspirou-me um certo aborrecimento &#8211; e s\u00f3 depois fiquei f\u00e3.&#8221; Esse depois deu-se na altura do liceu, em que o &#8220;ouvia imenso&#8221;. Mas l\u00e1 por meio dos anos 80, as coisas, entre os adolescentes, estavam muito barricadas: JP acha que havia &#8220;um grupo que cantava o Zeca Afonso&#8221;, um g\u00e9nero de pessoas &#8220;que se vestia como amante da natureza&#8221;. Zeca era, conclui, &#8220;ref\u00e9m de um contexto partid\u00e1rio e est\u00e9tico&#8221;. Afonso tem a mesma impress\u00e3o: &#8220;Nos anos 80 toda essa gente era vista como &#8220;cantores de esquerda&#8221;. Havia um preconceito, que n\u00e3o sei se haver\u00e1 ainda hoje.&#8221; Sim\u00f5es: &#8220;As coisas estavam encaixotadas nos seus formalismos e como as posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas v\u00eam de fam\u00edlias, \u00e9 prov\u00e1vel que os de direita n\u00e3o o ouvissem &#8211; mas ele j\u00e1 ultrapassou esse bic\u00f3rnio da pol\u00edtica nacional.&#8221; Cristina Branco: &#8220;Houve quase um complexo em rela\u00e7\u00e3o a tudo isso e uma necessidade de deixar passar sem explicar o que era o Zeca.&#8221;<br>E hoje? Mexia: &#8220;As pessoas da direita ideol\u00f3gica n\u00e3o v\u00e3o \u00e0 bola com ele.&#8221; Valete acha que os amigos n\u00e3o ouvem Zeca: &#8220;Vivo nos sub\u00farbios, tenho amigos de segunda gera\u00e7\u00e3o de imigrantes e tenho amigos brancos da minha idade, ouviram falar, mas poucos t\u00eam contacto com a discografia, tem muito pouca presen\u00e7a na juventude.&#8221;<br>O m\u00fasico Kalaf, que reconhece que as pessoas que lhe est\u00e3o pr\u00f3ximas &#8220;n\u00e3o o ouvem de todo&#8221;, acredita que o esquecimento de Zeca se deve a &#8220;ter sido comunista, e saiu de moda ser comunista&#8221;. Kalaf, poeta e cantor que nasceu em Angola, chegou a Zeca &#8220;pela vers\u00e3o que os Tubar\u00f5es fizeram do Venham mais cinco, com o Ildo Lobo a cantar. Tinha talvez uns 17 anos. Devia estar a chegar a Portugal.&#8221; &#8220;Ele fazia a ponte de Portugal para \u00c1frica, n\u00e3o deixando de ser m\u00fasico portugu\u00eas&#8221;, explica Kalaf. Sentiu-se &#8220;atra\u00eddo pela poesia dele, pelos textos&#8221;.<br>Palavras: a Mexia interessa-lhe &#8220;a liga\u00e7\u00e3o com as cantigas de amigo, letras que podiam ser poemas medievais &#8211; a maneira como ele pegava naquilo tinha imensa for\u00e7a, e deu dignidade \u00e0 cultura popular portuguesa&#8221;. Mais uma vez, Jos\u00e9 Miguel Silva tem opini\u00f5es similares: Zeca &#8220;n\u00e3o ser\u00e1 um grande poeta&#8221;, mas &#8220;as letras dele t\u00eam uma grande for\u00e7a emotiva&#8221;.<br>Preconceitos<br>Sim\u00f5es v\u00ea nele um homem cuja qualidade principal \u00e9 &#8220;o lirismo, no sentido mais amplo, no sentido de cantar o mundo com as suas cambiantes&#8221;. Afonso chama-lhe &#8220;cronista acutilante&#8221; e admira &#8220;a forma como ele fazia fintas \u00e0 censura.&#8221; Cristina Branco tamb\u00e9m n\u00e3o sobrevaloriza a quest\u00e3o pol\u00edtica: &#8220;Vejo-o como um observador da vida, uma pessoa extremamente simples.&#8221; Bernardo Soares, engenheiro, 33 anos, tamb\u00e9m fan\u00e1tico de Zeca, encontra na sua obra &#8220;uma forma de se ser portugu\u00eas, uma condi\u00e7\u00e3o que ali est\u00e1, decantada, sintetizada, omnipresente, mas dilu\u00edda numa outra condi\u00e7\u00e3o eventualmente superior: a condi\u00e7\u00e3o humana&#8230; E n\u00e3o se destrin\u00e7a onde come\u00e7a o Homem e acaba o Portugu\u00eas ou vice-versa, com as contradi\u00e7\u00f5es todas de uma e de outra coisa&#8221;.<br>Caman\u00e9, fadista, 40 anos (tamb\u00e9m homem das esquerdas) acha que &#8220;houve algumas pessoas que tentaram ignorar a dimens\u00e3o art\u00edstica do Zeca por quest\u00f5es pol\u00edticas&#8221;, o que n\u00e3o lhe parece correcto, porque &#8220;a dimens\u00e3o art\u00edstica \u00e9 superior&#8221;. Mas o que afastava Mexia da m\u00fasica de Zeca era uma quest\u00e3o quase geracional: &#8220;Eu tinha um preconceito com a m\u00fasica portuguesa.&#8221; Curioso que tamb\u00e9m Jos\u00e9 M\u00e1rio Silva tenha uma experi\u00eancia similar \u00e0 de Mexia: &#8220;Nessa altura, em que ele morreu, estava muito voltado para a m\u00fasica anglo-sax\u00f3nica, ouvi-o depois.&#8221; Esse problema nunca existiu para Caman\u00e9: lembra-se &#8220;perfeitamente&#8221; da morte de Zeca, &#8220;de falarem de todas as dificuldades que passou, da doen\u00e7a que ele teve, do \u00faltimo concerto no Coliseu; durante muito tempo falou-se muito desse concerto, foi muito emocionante e ele j\u00e1 n\u00e3o tocava muito tempo ao vivo, foi uma esp\u00e9cie de despedida&#8221;.<br>Mas n\u00e3o \u00e9 preciso viver os acontecimentos para senti-los da mesma forma: Mariana Pereira tem 22 anos e est\u00e1 a acabar Economia no ISEG (Lisboa). Quando ouve o concerto do Coliseu ainda lhe v\u00eam l\u00e1grimas aos olhos: &#8220;A minha m\u00e3e n\u00e3o quis ir porque sabia que ele ia falecer dentro de pouco tempo &#8211; tudo isso me transporta \u00e0quele tempo que n\u00e3o vivi.&#8221; Para ela Zeca &#8220;ainda \u00e9 muito o 25 do Abril, as mem\u00f3rias que ouvia contar&#8221;. Lembra-se de ouvir o av\u00f4 a cant\u00e1-lo. Mariana n\u00e3o conhece muitas pessoas com quem se passasse o mesmo. Diz que nunca falou com pessoas da sua gera\u00e7\u00e3o sobre Zeca. &#8220;Senti-me muito diferente das outras pessoas da minha idade, talvez por esse enquadramento familiar.&#8221;<br>A confiar no testemunho dela, far\u00e1 sentido a pergunta de Mexia: &#8220;Como \u00e9 que Zeca ir\u00e1 sobreviver ao ocaso das ideias e da pol\u00edtica?&#8221; Voltando ao f\u00e3 Bernardo Soares e \u00e0 sua ideia de portugalidade: &#8220;Quase 900 anos depois ainda c\u00e1 andamos \u00e0s cabe\u00e7adas a isto tudo. As can\u00e7\u00f5es do Zeca apontam outro caminho.&#8221;<br>Entre as pessoas que ouvimos, Cantigas do Maio \u00e9 o disco mais destacado. Depois v\u00eam Eu Vou Ser Como A Toupeira e Venham Mais Cinco e Traz Outro Amigo Tamb\u00e9m. No que toca a can\u00e7\u00f5es, as opini\u00f5es s\u00e3o mais variadas, mas duas ficam aqui registadas; entre uma e outra perfaz-se um arco que une morte e liberdade.<br>O engenheiro Bernardo Soares, f\u00e3 de Zeca, relembra um tema do \u00faltimo disco de Zeca, Galinhas do mato: &#8220;\u00c9 dif\u00edcil conter a como\u00e7\u00e3o quando, em Alegria Da Cria\u00e7\u00e3o, Janita Salom\u00e9, substituindo o j\u00e1 debilitado Zeca, canta &#8220;de nada me arrependo\/ s\u00f3 a vida\/ me ensinou a cantar\/ esta cantiga&#8221;, irrompendo de seguida as vozes do coro Cramol com toda a sua tel\u00farica pujan\u00e7a. E a cantiga \u00e9 uma e s\u00f3 uma, a de um voo picado sobre a condi\u00e7\u00e3o humana.&#8221; Da morte para a liberdade, o testemunho de Victor Afonso, m\u00fasico: &#8220;Houve uma m\u00fasica que me tocou particularmente, que \u00e9, passe o clich\u00e9, o Gr\u00e2ndola &#8211; n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a quest\u00e3o da refer\u00eancia pol\u00edtica. Como estudante de m\u00fasica, se formos rigorosos, \u00e9 uma composi\u00e7\u00e3o que sintetiza toda a arte do Zeca: em termos de composi\u00e7\u00e3o, arranjos, linha mel\u00f3dica, modula\u00e7\u00f5es, e repetitividade r\u00edtmica, \u00e9 t\u00e3o complexa e mesmo assim transporta uma t\u00e3o grande carga emocional. \u00c9 perfeita.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de uma dupla compila\u00e7\u00e3o que re\u00fane os 30 melhores temas de Jos\u00e9 Afonso, uma s\u00e9rie de discos de homenagem est\u00e3o a ser preparados. Cristina Branco vai transpor para disco o espect\u00e1culo no Teatro S\u00e3o Luiz. A forma\u00e7\u00e3o traz arranjos que imprimem um tom quase blues (Outubro). O italiano David Zaccaria recria a obra de Zeca num disco (Abril), com Dulce Pontes e Ux\u00eda. A orquestra Drumming, com arranjos de Pinho Vargas, Laginha e Sassetti dar\u00e1 um espect\u00e1culo (25 de Abril) na Casa da M\u00fasica. Se resultar, h\u00e1 disco. Os brasileiros Couple Coffee v\u00e3o editar C&#8221;as tamanquinhas do Zeca (Mar\u00e7o). Os Frei Fado d&#8221;El Rei lan\u00e7am (Abril) um disco de vers\u00f5es, Senhor poeta.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 mais de vinte homenagens a Zeca entre hoje e amanh\u00e3 (lista completa na p\u00e1gina da Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso, www.aja.pt, ou em www.vejambem.blogspot.com). Destacamos tr\u00eas: hoje, no Entroncamento, no Cine-Teatro S\u00e3o Jo\u00e3o (21h30), Jo\u00e3o Afonso, o sobrinho, interpreta a obra do tio. Amanh\u00e3, em Coimbra, h\u00e1 (21h00) uma tert\u00falia na livraria Almedina Est\u00e1dio, com m\u00fasicos que o acompanharam (Rui Pato e Carlos Correia), m\u00fasicos da \u00e9poca (Manuel Freire) e amigos (Jos\u00e9 Mesquita e Ab\u00edlio Hernandez). No mesmo dia, em Guimar\u00e3es, no Centro Vila Flor, concerto com Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, Jo\u00e3o Afonso e Am\u00e9lia Muge.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A direita n\u00e3o vai \u00e0 bola com ele. O Portugal de l\u00e9s a l\u00e9s. Orgias de ritmo. O nosso pai. Ponte entre Portugal e \u00c1frica. N\u00e3o era grande poeta. Assim falam os que eram adolescentes quando Zeca morreu. Por Jo\u00e3o Bonif\u00e1cio a Um homem come\u00e7a um dia a executar o que por menoridade sem\u00e2ntica chamamos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[91,77],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41812"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41812"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41812\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41813,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41812\/revisions\/41813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41812"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41812"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41812"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}