{"id":41794,"date":"2012-02-23T17:16:00","date_gmt":"2012-02-23T17:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/?p=41794"},"modified":"2022-11-27T17:21:52","modified_gmt":"2022-11-27T17:21:52","slug":"jose-afonso-e-de-todos-e-nao-pertence","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/jose-afonso-e-de-todos-e-nao-pertence\/","title":{"rendered":"Jos\u00e9 Afonso \u00e9 de todos e n\u00e3o pertence a ningu\u00e9m."},"content":{"rendered":"\n<p>Sempre foi dif\u00edcil v\u00ea-lo por inteiro, com a carga de s\u00edmbolo da resist\u00eancia a sobrep\u00f4r-se ao m\u00fasico. 25 anos ap\u00f3s a sua morte, continuamos a ver mais o homem pol\u00edtico ou j\u00e1 vemos melhor o g\u00e9nio musical?<\/p>\n\n\n\n<p>As iniciativas sucedem-se e continuar\u00e3o a suceder-se. A data redonda potencia a homenagem. 25 anos. Um quarto de s\u00e9culo sem Jos\u00e9 Afonso. Desde o in\u00edcio da semana decorre em Coimbra o ciclo&nbsp;<em>Zeca Afonso &#8211; O rosto da utopia<\/em>, que encerra hoje, no Caf\u00e9 Santa Cruz, com uma tert\u00falia. Em Lisboa, a Associa\u00e7\u00e3o Jos\u00e9 Afonso promove um espect\u00e1culo em que participar\u00e3o Francisco Fanhais, Zeca Medeiros ou os Couple Coffee, na Academia de Santo Amaro, em Alc\u00e2ntara. E em Abril, a reactivada editora Orfeu iniciar\u00e1 a reedi\u00e7\u00e3o da sua obra e em Braga, no Theatro Circo, o Canto D&#8221;Aqui celebra hoje e amanh\u00e3 o legado de Jos\u00e9 Afonso e Adriano Correia de Oliveira, sobre cuja morte passam este ano tr\u00eas d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Os espect\u00e1culos no Theatro Circo s\u00e3o obra de uma nova associa\u00e7\u00e3o, chamada Amigos Maiores Que O Pensamento. A primeira frase do seu manifesto, exclamativa, \u00e9 a seguinte: &#8220;Tempos de borrasca invadem-nos a alma!&#8221; E, em tempos de borrasca, continua o texto, precisamos do exemplo de Zeca e Adriano: &#8220;H\u00e1 sempre algu\u00e9m que resiste, h\u00e1 sempre algu\u00e9m que diz n\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um Jos\u00e9 Afonso militante, s\u00edmbolo da revolu\u00e7\u00e3o do 25 de Abril, que ali sobressai: \u00f3rf\u00e3os dele, precisamos de resgatar o seu exemplo. Mas precisar\u00e1 Jos\u00e9 Afonso e a sua obra desse resgate? 25 anos ap\u00f3s a morte, o que resiste? O que fica da sua m\u00fasica, o que fica da sua humanidade vida fora? Falamos com Vitorino, que com ele conviveu e dele tanto bebeu na sua forma\u00e7\u00e3o, e ouvindo m\u00fasicos de uma gera\u00e7\u00e3o posterior, com Tiago Sousa, autor de m\u00fasica instrumental, na tangente entre o erudito e o improviso jazz, que, \u00e0 primeira vista, poucos pontos de contacto ter\u00e1 com Jos\u00e9 Afonso, e com Pedro Silva Martins, compositor nos Deolinda, que descende directamente da sua tradi\u00e7\u00e3o. Sobressai a complexidade de algu\u00e9m que n\u00e3o pode ser compartimentado.<\/p>\n\n\n\n<p>Simplificar Jos\u00e9 Afonso \u00e9 diminu\u00ed-lo. Para o ver realmente temos que o abra\u00e7ar na sua totalidade. Citamo-lo: &#8220;\u00c0s vezes apetece-me acordar a chamar-me, por exemplo, Ant\u00f3nio Silva Fragata Qualquer-Coisa Smith, a viver numa situa\u00e7\u00e3o diferente, noutra terra, e n\u00e3o me habituar \u00e0 minha personalidade, p\u00fablica ou privada. Mas isso \u00e9 cada vez menos poss\u00edvel: a gente agarra-se a uma carca\u00e7a, \u00e0 biografia que nos atribuem, e ficamos indissoluvelmente ligados a isso.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O que podia ter sido n\u00e3o \u00e9 para aqui chamado. N\u00e3o sabemos o que podia ter sido porque isso seria darmo-nos import\u00e2ncia demasiada. Seria julgar que poder\u00edamos continuar uma narrativa predefinida quando o homem independente que a construiu j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 entre n\u00f3s.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O g\u00e9nio modesto<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Afonso morreu \u00e0s tr\u00eas da madrugada de 23 de Fevereiro de 1987, em Set\u00fabal, onde morava. O seu corpo cedeu por fim \u00e0 esclerose lateral amiotr\u00f3fica que o consumiu. Desaparecia aquele que ser\u00e1, porventura, o m\u00fasico portugu\u00eas mais importante do s\u00e9culo XX. Desaparecia o g\u00e9nio modesto que foi cantor por, dizia ele, ter sido proibido de dar aulas durante o Estado Novo. Erguia a voz em den\u00fancia das injusti\u00e7as, desigualdades e atrocidades da ditadura (e das injusti\u00e7as, desigualdades e atrocidades que se mantiveram em democracia) porque, muito simplesmente, um cidad\u00e3o, seja ele cantor ou sapateiro, n\u00e3o pode fechar os olhos \u00e0 realidade que o rodeia.<\/p>\n\n\n\n<p>O que podia ter sido esse homem que contaria hoje 82 anos neste pa\u00eds e nesta Europa a viver uma profunda crise de tudo n\u00e3o \u00e9 para aqui chamado. N\u00e3o temos esse desplante. Para mais, quando h\u00e1 uma vida e a obra que a vida foi deixando com tamanha riqueza. Para mais, quando essa vida, biografada e recuperada a cada novo n\u00famero redondo passado sobre a sua morte, continua a ser algo que n\u00e3o conseguimos abarcar totalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Afonso, nascido em Aveiro, descoberto cantor na Coimbra universit\u00e1ria, andarilho pelo Alentejo, pelo Algarve, pelo Douro ou pela Beira mo\u00e7ambicana, n\u00e3o \u00e9 dado a simplifica\u00e7\u00f5es. N\u00e3o pode ser simplesmente o homem de cravo erguido cantando&nbsp;<em>Gr\u00e2ndola Vila Morena<\/em>, n\u00e3o pode ser simplesmente o grande cantor que entoa&nbsp;<em>Menino d&#8221;Oiro<\/em>, oferecendo a can\u00e7\u00e3o \u00e0 mem\u00f3ria popular que n\u00e3o regista autoria. Perante a dificuldade em encarar o complexo, \u00e9 f\u00e1cil encontrar socorro no clich\u00e9. Mergulhando nos textos que se foram escrevendo at\u00e9 uma d\u00e9cada ap\u00f3s a sua morte, duas ideias surgem de forma recorrente. Que seria necess\u00e1rio passarem algumas gera\u00e7\u00f5es at\u00e9 conseguirmos olh\u00e1-lo de forma distanciada. Conseguiremos agora? Que era imprescind\u00edvel recuper\u00e1-lo para as novas gera\u00e7\u00f5es, que j\u00e1 n\u00e3o o ouviam, que o desconheciam. Ouvir\u00e3o agora?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Por inteiro<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Vitorino, Tiago Sousa e Pedro Silva Martins s\u00e3o un\u00e2nimes num ponto. Jos\u00e9 Afonso foi um marco absoluto na m\u00fasica portuguesa e deixou um legado inigual\u00e1vel. Vitorino come\u00e7a por recordar a &#8220;ruptura&#8221; que fez em in\u00edcio de carreira num fado de Coimbra &#8220;que nunca mais evoluiu&#8221;. Aponta como foi, depois, respons\u00e1vel pelo in\u00edcio do &#8220;internacionalismo ao n\u00edvel da m\u00fasica&#8221;, introduzindo &#8220;a m\u00fasica africana nas m\u00fasicas ocidentais e dando pontap\u00e9 de sa\u00edda ao que se chama hoje&nbsp;<em>world music<\/em>&#8220;. Pedro Silva Martins n\u00e3o tem d\u00favidas: Jos\u00e9 Afonso &#8220;inventou a m\u00fasica popular portuguesa&#8221;. Teve a vis\u00e3o, &#8220;in\u00e9dita at\u00e9 ent\u00e3o&#8221;, de, &#8220;experimentando e inovando, olhar para aquilo que \u00e9 Portugal e que \u00e9 a m\u00fasica portuguesa&#8221;. E alcan\u00e7ar mais longe. Ou seja, pensar &#8220;o que poderia ser&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa carreira que se estendeu desde o final da d\u00e9cada de 1950 at\u00e9 1985, data da edi\u00e7\u00e3o do seu \u00faltimo \u00e1lbum&nbsp;<em>Galinhas do Mato<\/em>, Jos\u00e9 Afonso foi m\u00fasico em evolu\u00e7\u00e3o e ruptura constante. A voz, de um timbre impressionante, aliou-se a uma for\u00e7a po\u00e9tica que irrompeu desde cedo. A m\u00fasica, a partir do momento em que colabora com Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, em&nbsp;<em>Cantigas do Maio<\/em>&nbsp;(1971), ganha uma inventividade inaudita, com a abertura a novos instrumentos, com a riqueza do surrealismo de raiz popular a transbordar das letras para a m\u00fasica. E, depois disso, h\u00e1 as experi\u00eancias r\u00edtmicas que levam&nbsp;<em>jazz<\/em>&nbsp;a padr\u00f5es r\u00edtmicos minhotos, h\u00e1 \u00c1frica, que o marcou profundamente, a tornar-se indiscutivelmente sua.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste m\u00fasico que n\u00e3o era propriamente um instrumentista de excep\u00e7\u00e3o &#8211; &#8220;tocava guitarra ainda pior do que eu&#8221;, sorri Vitorino -, tudo era vertido em m\u00fasica. &#8220;Era um homem extremamente culto nas Humanidades e tinha a fantasia delirante dos ib\u00e9ricos, com paralelismo no realismo fant\u00e1stico sul-americano&#8221;, aponta o cantor alentejano.<\/p>\n\n\n\n<p>Aquela erup\u00e7\u00e3o de criatividade foi fundamental para a eclos\u00e3o de uma das mais criativas gera\u00e7\u00f5es que a m\u00fasica portuguesa conheceu, a de Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, S\u00e9rgio Godinho ou Fausto. E, nessa erup\u00e7\u00e3o de criatividade, estava inscrito o homem empenhado politicamente. O opositor do regime salazarista que, por isso, deu com as costas na pris\u00e3o por mais de uma vez e que, naturalmente, viu a sua m\u00fasica censurada. O s\u00edmbolo da resist\u00eancia ao fascismo e, mais tarde, a voz do sonho revolucion\u00e1rio sa\u00eddo do 25 de Abril.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante muito tempo, essa dimens\u00e3o sobrep\u00f4s-se \u00e0 do m\u00fasico &#8211; era sempre do pol\u00edtico que se falava quando se falava de ou com Jos\u00e9 Afonso. &#8220;Essas coisas tendem ser sobrevalorizadas&#8221;, suspirava ele. Essas &#8220;coisas&#8221;, diz hoje Pedro Silva Martins, come\u00e7am a ser desmistificadas. &#8220;A quest\u00e3o pol\u00edtica foi, para o bem e para o mal, uma cruz que o seu legado carregou durante n\u00e3o sei quantos anos. Na nossa gera\u00e7\u00e3o, talvez porque n\u00e3o vivemos e estejamos mais afastados daquela euforia pol\u00edtica, conseguimos olhar para a sua m\u00fasica no seu todo e com uma vis\u00e3o descomprometida&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Pedro Silva Martins n\u00e3o renega a relev\u00e2ncia do comprometimento social no percurso de Jos\u00e9 Afonso, mas acentua que s\u00f3 podemos olh\u00e1-lo tendo em conta que &#8220;a personalidade art\u00edstica pode ser independente da personalidade pol\u00edtica&#8221;. Acolhendo-o na totalidade, h\u00e1 todo um mundo para aproveitar. A abrang\u00eancia da sua influ\u00eancia \u00e9 prova disso mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Um deus<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As reedi\u00e7\u00f5es que a Orfeu iniciar\u00e1 em Abril com&nbsp;<em>Cantares do Andarilho<\/em>&nbsp;(1968) e&nbsp;<em>Contos Velhos, Rumos Novos<\/em>&nbsp;(1969), que prosseguir\u00e1 em Maio com&nbsp;<em>Traz Outro Amigo Tamb\u00e9m<\/em>&nbsp;(1970) e&nbsp;<em>Cantigas do Maio<\/em>&nbsp;(1971) e que se estender\u00e1 at\u00e9&nbsp;<em>Fura Fura<\/em>&nbsp;(1979) &#8211; h\u00e1 a possibilidade de&nbsp;<em>Fados de Coimbra e Outras Can\u00e7\u00f5es<\/em>&nbsp;(1981) ser tamb\u00e9m abrangido -, ser\u00e3o acompanhadas de textos escritos por m\u00fasicos cujas carreiras se iniciaram ap\u00f3s a morte de Jos\u00e9 Afonso. Re\u00fanem nomes t\u00e3o diversos quanto a fadista Cristina Branco, o nosso interlocutor Pedro Silva Martins ou o&nbsp;<em>rapper<\/em>&nbsp;Valete.<\/p>\n\n\n\n<p>Recuando uns anos, recuperamos uma entrevista ao \u00cdpsilon em que B Fachada, nome incontorn\u00e1vel da can\u00e7\u00e3o portuguesa da actualidade, exclama algo que muito desagradaria a um homem nada dado a pedestais: &#8220;Zeca \u00e9 um deus&#8221;. Ao que acrescentou: &#8220;Mas \u00e9 mais do que um deus interventivo, que isso n\u00e3o me traz grande efeito. A minha rela\u00e7\u00e3o com ele \u00e9 mesmo formal. Tem aquela coisa como letrista que praticamente n\u00e3o voltou a acontecer&#8221;. Ou\u00e7amos ent\u00e3o, de seguida, Tiago Sousa. O pianista, autor dos celebrados&nbsp;<em>Insomnia<\/em>&nbsp;ou&nbsp;<em>Walden&#8221;s Pond Monk<\/em>&nbsp;e que assinou uma vers\u00e3o de&nbsp;<em>A formiga no carreiro<\/em>&nbsp;em&nbsp;<em>(Re)Interven\u00e7\u00e3o<\/em>, \u00e1lbum de homenagem editado pela Orfeu em 2010, v\u00ea na obra de Jos\u00e9 Afonso uma intemporalidade tem\u00e1tica que reflecte na perfei\u00e7\u00e3o a actualidade. &#8220;Liga-me a ele a preocupa\u00e7\u00e3o de fazer da m\u00fasica n\u00e3o s\u00f3 um aparelho espectacular de entretenimento&#8221; mas uma for\u00e7a &#8220;que tenta transformar a realidade em que vivem as pessoas&#8221;. Mantendo a independ\u00eancia do gesto: &#8220;Na minha opini\u00e3o, o PCP absorveu-o para a sua narrativa, mas ceder a ela revela ignor\u00e2ncia da obra. Como ele dizia &#8220;eu sou o meu pr\u00f3prio comit\u00e9 central&#8221;&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Vitorino recorda que com a morte de Jos\u00e9 Afonso se perdeu algu\u00e9m que era um &#8220;aglutinador de amigos&#8221;, com quem se aprendia atrav\u00e9s do quotidiano, &#8220;naquele humor entre o Coimbr\u00e3o e o surreal&#8221; que se manifestou at\u00e9 ao fim. &#8220;Tinha a capacidade de marchar ao lado do enterro.&#8221; E discorda com veem\u00eancia dos que afirmam que a pol\u00edtica em Jos\u00e9 Afonso obscurece o seu g\u00e9nio musical: &#8220;Sabe o que \u00e9 que apaga o g\u00e9nio musical? \u00c9 quererem p\u00f4-lo no cantinho do cantor. As ideias de esquerda s\u00e3o muito atacadas em Portugal porque o pa\u00eds \u00e9 conservador, com uma direita sempre muito corrosiva e com poder nas unhas. H\u00e1 um sentido redutor da sua obra por ele ser um homem da esquerda humanista que nunca se deixou embrulhar em partidos. Era, como todos n\u00f3s, um homem com o cora\u00e7\u00e3o \u00e0 esquerda. Vermelho.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Onde est\u00e1 ent\u00e3o Jos\u00e9 Afonso? Em tudo o que se escreveu acima. Na absoluta singularidade do seu g\u00e9nio, na for\u00e7a das suas convic\u00e7\u00f5es, na sua humanidade desarmante. Tudo isso est\u00e1 na m\u00fasica. Como nos diz Tiago Sousa &#8220;ouvimos Zeca e reconhecemos Zeca, mas se utilizarmos soa demasiado a imita\u00e7\u00e3o. H\u00e1 repercuss\u00f5es, seja em S\u00e9rgio Godinho e restantes contempor\u00e2neos, seja num B Fachada que vive do patrim\u00f3nio que o Zeca usava, mas tentar melhorar aquilo que j\u00e1 foi feito \u00e9 um acto ingl\u00f3rio&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resume Pedro Silva Martins, para criar algo de bom a partir de uma can\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Afonso, &#8220;tem que se fazer pr\u00f3ximo, e sendo pr\u00f3ximo n\u00e3o ser\u00e1 melhor&#8221;. Esse \u00e9 o seu legado. Este: &#8220;Ouvindo a discografia toda, e ouvindo-a cronologicamente, compreende-se a evolu\u00e7\u00e3o e o bichinho do g\u00e9nio a crescer com o tempo, com as viagens que fez, com a m\u00fasica que foi descobrindo, com o pa\u00eds que ouvimos desenvolver-se paralelamente [na m\u00fasica]&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Numa entrevista a Jos\u00e9 Amaro Dion\u00edsio, publicada no seman\u00e1rio&nbsp;<em>Expresso<\/em>&nbsp;em 1985, Jos\u00e9 Afonso dizia: &#8220;N\u00e3o me arrependo de nada do que fiz. Mais: eu sou o que fiz.&#8221; Na sua totalidade, foi imenso. E j\u00e1 conseguimos v\u00ea-lo como deve ser visto. Inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.publico.pt\/2012\/02\/23\/jornal\/jose-afonso-e-de-todos-e-nao-pertence-a-ninguem-24043058\">M\u00e1rio Lopes, in Jornal P\u00fablico, 23.2.2012<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre foi dif\u00edcil v\u00ea-lo por inteiro, com a carga de s\u00edmbolo da resist\u00eancia a sobrep\u00f4r-se ao m\u00fasico. 25 anos ap\u00f3s a sua morte, continuamos a ver mais o homem pol\u00edtico ou j\u00e1 vemos melhor o g\u00e9nio musical? As iniciativas sucedem-se e continuar\u00e3o a suceder-se. A data redonda potencia a homenagem. 25 anos. Um quarto de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[77],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41794"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=41794"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41794\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":41796,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/41794\/revisions\/41796"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=41794"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=41794"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=41794"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}