{"id":34561,"date":"2022-02-20T19:26:05","date_gmt":"2022-02-20T19:26:05","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/?p=34561"},"modified":"2022-02-22T01:51:06","modified_gmt":"2022-02-22T01:51:06","slug":"londres-a-cidade-de-que-mais-gosto-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/londres-a-cidade-de-que-mais-gosto-i\/","title":{"rendered":"Londres, a cidade de que mais gosto I"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"34561\" class=\"elementor elementor-34561\" data-elementor-settings=\"[]\">\n\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-section-wrap\">\n\t\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-65580e2f elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"65580e2f\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-1e78a0f3\" data-id=\"1e78a0f3\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-2d33fc10 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"2d33fc10\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t<style>\/*! elementor - v3.5.6 - 28-02-2022 *\/\n.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-stacked .elementor-drop-cap{background-color:#818a91;color:#fff}.elementor-widget-text-editor.elementor-drop-cap-view-framed .elementor-drop-cap{color:#818a91;border:3px solid;background-color:transparent}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap{margin-top:8px}.elementor-widget-text-editor:not(.elementor-drop-cap-view-default) .elementor-drop-cap-letter{width:1em;height:1em}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap{float:left;text-align:center;line-height:1;font-size:50px}.elementor-widget-text-editor .elementor-drop-cap-letter{display:inline-block}<\/style>\t\t\t\t<!-- wp:paragraph -->\n<p>Londres \u00e9 provavelmente a cidade de que mais gosto e, possivelmente, a que melhor conhe\u00e7o. Por \u201csnobismo\u201d, at\u00e9 costumo dizer que conhe\u00e7o melhor Londres do que o Porto, o que n\u00e3o \u00e9 mentira.<\/p>\n<p>Visitei Londres mais de 100 vezes, seja por motivos profissionais (a maior parte das vezes), seja em f\u00e9rias e\/ou simplesmente por gosto.<\/p>\n<p>Foi a cidade seguinte ao baptismo de voo para Paris, no dia 22 de Mar\u00e7o de 1970, desta feita num quadrimotor que partiu junto \u00e0 costa francesa, atravessou a Mancha e aterrou na costa fronteiri\u00e7a: voo de estudantes, bem mais divertido por causa do barulho e dos constantes po\u00e7os de ar e consequentes trepida\u00e7\u00f5es..<\/p>\n<p>Em Londres \u2013 n\u00e3o esquecer que est\u00e1vamos no final da d\u00e9cada de 60 \u2013 fiquei em casa das irm\u00e3s da Mil\u00fa (M\u00e3e dos meus filhos Jo\u00e3o Pedro e Ant\u00f3nio Lu\u00eds), Nina e Manuela, no n\u00famero 8 de Oakley Street, a rua de Albert Bridge, perpendicular \u00e0 King\u2019s Road, um dos ber\u00e7os da swinging London e onde viriam a viver, anos mais tarde, David Bowie, George Best e Bob Marley.<\/p>\n<p>A Nina e a Manela estudavam em Londres e trabalhavam no Chelsea Kitchen, um dos restaurantes da moda, que era gerido por um portugu\u00eas de Luanda, Jorge Castilho.<\/p>\n<p>Era um novo mundo \u00e0 minha frente: sa\u00ed da ditadura do Estado Novo, agora mesclada de \u201cprimavera marcelista\u201d, para aterrar no \u201colho do furac\u00e3o\u201d, no cora\u00e7\u00e3o dos \u201canos 60\u201d: Londres! O que poderia eu mais desejar?<\/p>\n<p>Nem sei como sintetizar em 3.000 caracteres o que vi e como vi essas f\u00e9rias da P\u00e1scoa londrinas! Vou focar-me, por isso, num epis\u00f3dio muito particular que talvez mais interesse aos leitores da Gazeta da Beira.<\/p>\n<p>E o que foi esse \u201cepis\u00f3dio muito particular\u201d?<\/p>\n<p>T\u00e3o-s\u00f3 a grava\u00e7\u00e3o do LP \u201cTraz Outro Amigo Tamb\u00e9m\u201d, de Jos\u00e9 Afonso.<\/p>\n<p>Rui Pato, habitual viola do cantor, disse-me que Arnaldo Trindade, editor discogr\u00e1fico de Jos\u00e9 Afonso, tinha tanta confian\u00e7a na potencialidade do cantor que lhe sugeriu um \u201cbom est\u00fadio \u00e0 sua escolha\u201d, tendo Jos\u00e9 M\u00e1rio Branco, seu futuro produtor, escolhido o est\u00fadio da Pye Records, em Londres, n\u00e3o muito longe de Marble Arch.<\/p>\n<p>Da equipa habitual de Jos\u00e9 Afonso s\u00f3 quem n\u00e3o conseguiu participar na aventura foi ironicamente Rui Pato, castigado com o servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio na sequ\u00eancia da crise acad\u00e9mica de 1969, em Coimbra. Tamb\u00e9m Lu\u00eds Cola\u00e7o, guitarrista dos \u00c1lamos e militante do MPLA, teve dificuldades em embarcar e chegou atrasado. Foi salvo in extremis pelo presidente do RCP, Botelho Moniz, onde Cola\u00e7o era funcion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Carlos Correia, conhecido como B\u00f3ris, foi o substituto de Rui Pato. Tinha sido companheiro de Cola\u00e7o nos \u00c1lamos, pelo que, como se diz na g\u00edria futebol\u00edstica, se encontravam \u201centrosados\u201d.<\/p>\n<p>Foram delirantes aqueles dias londrinos, a come\u00e7ar pelas demonstra\u00e7\u00f5es de judo que eu e Jos\u00e9 Afonso (outro fan\u00e1tico da modalidade) faz\u00edamos em casa das irm\u00e3s Videira, servindo um colch\u00e3o como \u201cdojo\u201d (e n\u00f3s de pijama) e a Manela a p\u00f4r as moedas no \u201cmeter\u201d da electricidade para n\u00e3o ficarmos \u00e0s escuras! A Inglaterra vivia ainda \u201cnoutro mundo\u201d, como os Beatles cantavam em \u201cLovely Rita\u201d.<\/p>\n<p>Os est\u00fadios da Pye eram do mais moderno que havia \u00e0 \u00e9poca e os seus t\u00e9cnicos super-jovens, altamente competentes, que ficavam de boca aberta a ouvir cantar Jos\u00e9 Afonso, mesmo sem perceber patavina. O que mais os deslumbrava era a simplicidade da m\u00fasica e o facto de o cantor se enganar constantemente na letra.<\/p>\n<p>No est\u00fadio ao lado, os Status Quo gravavam o seu primeiro \u00e1lbum de \u201chard rock\u201d (\u201cMa Kelly\u2019s\u00a0 Greasy Spoon\u201d) pelo que se entende o ar at\u00f3nito dos jovens t\u00e9cnicos que at\u00e9 entornaram uma ch\u00e1vena de caf\u00e9 no gravador principal, sem se ralarem muito! Num segundo (express\u00e3o idiom\u00e1tica) tudo ficou OK.<\/p>\n<p>Lu\u00eds Pinheiro de Almeida, in <a href=\"https:\/\/gazetadabeira.pt\/luis-pinheiro-de-almeida-4\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Gazeta da Beira<\/a>, 13.05.2021<\/p>\n<!-- \/wp:paragraph -->\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Londres \u00e9 provavelmente a cidade de que mais gosto e, possivelmente, a que melhor conhe\u00e7o. Por \u201csnobismo\u201d, at\u00e9 costumo dizer que conhe\u00e7o melhor Londres do que o Porto, o que n\u00e3o \u00e9 mentira. Visitei Londres mais de 100 vezes, seja por motivos profissionais (a maior parte das vezes), seja em f\u00e9rias e\/ou simplesmente por gosto. 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