{"id":33559,"date":"2017-08-17T17:39:00","date_gmt":"2017-08-17T17:39:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/?p=33559"},"modified":"2022-02-17T17:51:27","modified_gmt":"2022-02-17T17:51:27","slug":"minha-mae-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/minha-mae-2\/","title":{"rendered":"Minha m\u00e3e"},"content":{"rendered":"\n<p>Composi\u00e7\u00e3o musical de inspira\u00e7\u00e3o estr\u00f3fica, ainda apegada ao efeito de repeti\u00e7\u00e3o assente na redondilha maior, mas ensaiando contido tentame de ruptura expresso no solo de viola de acompanhamento e na inclus\u00e3o de um trauteio entre coplas. O \u00faltimo elemento como que introduz na leitura da obra art\u00edstica um elemento de perburba\u00e7\u00e3o: estr\u00f3fica? com refr\u00e3o? \u201cMinha M\u00e3e\u201d configura uma ponte simb\u00f3lica entre o antes cl\u00e1ssico (quadra, efeito de repeti\u00e7\u00e3o) e o depois (solo de viola, trauteio) e o debutante Movimento da Balada. Jos\u00e9 Afonso elabora a composi\u00e7\u00e3o em compasso quatern\u00e1rio (4\/4), espraiando-se num sentimental R\u00e9 Menor. O trauteio \u00e9 interpretado em tern\u00e1rio.<br>O trauteio n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de captar. Jos\u00e9 Afonso n\u00e3o separa distintamente as s\u00edlabas e n\u00e3o \u00e9 claro se diz sempre \u201cla-r\u00e3-r\u00e3\u201d. Algumas vezes parece ouvir-se \u201cna-r\u00e3-n\u00e3\u201d, \u201cna-r\u00e3-la\u201d ou at\u00e9 \u201cna-r\u00e3-l\u00e3\u201d.<br>A presente transcri\u00e7\u00e3o de letra segue \u201cCantares de Jos\u00e9 Afonso\u201d, Lisboa, Edi\u00e7\u00e3o das AAEE, 1969, e tamb\u00e9m \u201cJos\u00e9 Afonso. Textos e Can\u00e7\u00f5es\u201d, Lisboa, Ass\u00edrio e Alvim, 1983, p. 34.<br>A autoria da m\u00fasica, oficialmente reclamada por Jos\u00e9 Afonso (1929-1987), levanta algumas d\u00favidas, pois o Juiz Conselheiro Alcindo Costa (relato de 18\/06\/2003) diz ter aprendido uma melodia semelhante a esta por volta dos sete anos em Tr\u00e1s-os-Montes, em plena d\u00e9cada de 1930. O mais certo \u00e9 Jos\u00e9 Afonso ser o autor da melodia na parte corresponde \u00e0s estrofes, tendo reelaborado uma melodia de origem popular provincial no que respeita ao trauteio. Nos embalos populares era costume as m\u00e3es rematarem os d\u00edsticos com estorpecedores \u201c\u00f3-\u00f3-\u00f3s\u201d e \u201cna-n\u00e3-n\u00e3-n\u00e3s\u201d, sendo plaus\u00edvel que Jos\u00e9 Afonso tenha escutado este tipo de trauteios quando viveu em Belmonte (1938-1940). D\u00favidas n\u00e3o subsistem, todavia, quanto ao sentido canto com que parece evocar a figura materna, Maria das Dores, ausente da vida do menino e adolescente nos per\u00edodos 1930-1933, 1936-1937, e longamente a partir de 1938. Em coment\u00e1rio aos textos publicados em 1969, subscreveu \u201cA uma m\u00e3e n\u00e3o canonizada por nenhuma data oficial, nem institucionalizada por nenhuma nota oficiosa\u201d.<br>A primeira grava\u00e7\u00e3o conhecida deste tema foi efectuada por Jos\u00e9 Afonso no teatro da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra no Ver\u00e3o de de 1961, sendo o cantor acompanhado \u00e0 viola por Jos\u00e9 Niza e Durval Moreirinhas: LP \u201cCoimbra Orfeon of Portugal\u201d, USA, Monitor MP-596, ano de 1962; reeditado na cassete \u201cOrfe\u00e3o Acad\u00e9mico de Coimbra\u201d, Ova\u00e7\u00e3o, OV-K77046, ano de 1987, Lado A, Faixa n\u00ba 3; idem, no Cd \u201cOrfe\u00e3o Acad\u00e9mico de Coimbra\u201d, Ova\u00e7\u00e3o, OV-CD-012, ano de 1991 (estas reedi\u00e7\u00f5es s\u00e3o omissas quanto \u00e0 data da grava\u00e7\u00e3o e instrumentistas). Notam-se claras diverg\u00eancias entre o registo do autor e grava\u00e7\u00f5es de terceiros, diferen\u00e7as estas que tamb\u00e9m ferem o trauteio. Assim, conforme os gostos e arranjos, ora se escuta \u201cla-ra-ra\u201d, \u201cla-ra-r\u00e1, \u201cl\u00e3-r\u00e3-r\u00e3\u201d\u2026<br>O mesmo tema foi gravado por Adriano Correia de Oliveira no EP \u201cFados de Coimbra\u201d, Porto, Orfeu, ATEP 6077, ano de 1962, acompanhado \u00e0 viola por Rui Pato. Reedi\u00e7\u00f5es: antologia Cd \u201cAdriano. Obra Completa\u201d, Lisboa, Movieplay, 35.003, ano de 1994 (\u201cAdriano. Fados e baladas de Coimbra\u201d, Lisboa, Movieplay, 35.004, 1994, faixa n\u00ba 12). Adriano grava uma esp\u00e9cie de variante do original: nas coplas bisa o 1\u00ba d\u00edstico; suprime a 3\u00aa quadra e adultera o 2\u00ba trauteio.<br>Esp\u00e9cime regravado pelo pr\u00f3prio Jos\u00e9 Afonso, acompanhado por Rui Pato na viola nylon: EP \u201cBaladas e Can\u00e7\u00f5es\u201d, Porto, Ofir, AM 4.016, ano de 1964 e LP \u201cBaladas e Can\u00e7\u00f5es\u201d, Porto, Ofir, AMS 301, ano de 1967. Foi este registo remasterizado no CD \u201cJos\u00e9 Afonso. Baladas e Can\u00e7\u00f5es\u201d, Lisboa, EMI-VC 724383661725, ano de 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros registos:<\/p>\n\n\n\n<p>-Jos\u00e9 Maria Lacerda e Megre, CD \u201cCoimbra Eterna\u201d, Porto, STRAUSS, ST 5190, ano de 1998, faixa n\u00ba 18, acompanhado por Assis e Santos\/Moniz Palme (gg), M\u00e1rio Ribeiro\/Manuel Costa (vv). Vocaliza\u00e7\u00e3o excessivamente arrastada, como que modificando a linha mel\u00f3dica. O cantor bisa os primeiros d\u00edsticos das quadras e o acompanhamento de guitarra parece-nos excessivamente pr\u00f3ximo do concebido em 1956-1957 por Machado Soares para o tema SERRA d\u2019ARGA;<\/p>\n\n\n\n<p>-Frederico Vinagre, fadista profissional activo em Lisboa, no CD \u201cFrederico Vinagre. Fados de Coimbra\u201d, Lisboa, Metro-Som, CD 151, ano de 2001 (remasteriza\u00e7\u00e3o de um Lp da d\u00e9cada de 1980, com Oct\u00e1vio S\u00e9rgio e Durval Moreirinhas);<\/p>\n\n\n\n<p>-Jos\u00e9 Henrique Dias, LP \u201cDe Coimbra\u2026 por Bem\u201d, Lisboa, Discossete, LP-800, ano de 1991, Lado A, faixa n\u00ba 3. Este registo foi vertido no CD \u201cFados de Coimbra e Tunas Acad\u00e9micas. Ra\u00edzes e Tradi\u00e7\u00f5es\u201d, CDSETE, Cd 3, ano de 2001;<\/p>\n\n\n\n<p>-CD \u201cQuinteto de Coimbra. Guitarra e Can\u00e7\u00e3o de Coimbra\u201d, Coimbra, Casa de Fados, ano de 2001, faixa n\u00ba 7. Forma\u00e7\u00e3o profissional constitu\u00edda por Patrick Mendes\/Ant\u00f3nio Ata\u00edde (vozes), Ricardo Dias (g) e Nuno Botelho\/Pedro Lopes (vv). Registo pr\u00f3ximo de Adriano Correia de Oliveira, com repeti\u00e7\u00e3o dos primeiros d\u00edsticos das quadras;<\/p>\n\n\n\n<p>-Ant\u00f3nio Jesus, CD \u201cAnt\u00f3nio Jesus. O canto, a guitarra e os amigos\u201d, Coimbra, AEMINIUM Records 004, ano de 2002.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o confundir esta composi\u00e7\u00e3o com duas outras cuja melodia \u00e9 distinta:<\/p>\n\n\n\n<p>-Minha M\u00e3e (Minha m\u00e3e \u00e9 pobrezinha), gravada na d\u00e9cada de 1920 pelo estudante de Medicina da Universidade do Porto Carlos Leal;<\/p>\n\n\n\n<p>-Minha M\u00e3e (Oh minha m\u00e3e, minha m\u00e3e), esp\u00e9cime da d\u00e9cada de 1940, da autoria de Manuel Juli\u00e3o, gravado por Manuel Branquinho.<br><br>Jos\u00e9 Anjos de Carvalho e Ant\u00f3nio Manuel Nunes.<br><strong>http:\/\/guitarradecoimbra.blogspot.com<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Composi\u00e7\u00e3o musical de inspira\u00e7\u00e3o estr\u00f3fica, ainda apegada ao efeito de repeti\u00e7\u00e3o assente na redondilha maior, mas ensaiando contido tentame de ruptura expresso no solo de viola de acompanhamento e na inclus\u00e3o de um trauteio entre coplas. 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