{"id":33552,"date":"2017-02-17T17:09:00","date_gmt":"2017-02-17T17:09:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/?p=33552"},"modified":"2022-02-17T17:36:32","modified_gmt":"2022-02-17T17:36:32","slug":"grandola-vila-morena","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/grandola-vila-morena\/","title":{"rendered":"Gr\u00e2ndola, vila morena"},"content":{"rendered":"\n<p>(\u2026)De facto, Otelo Saraiva de Carvalho escolheu entre tr\u00eas can\u00e7\u00f5es de Jos\u00e9 Afonso: \u201cGr\u00e2ndola\u201d, \u201cTraz outro amigo tamb\u00e9m\u201d e \u201cVenham mais cinco\u201d. As \u00faltimas duas fazem um apelo ao ouvinte para participar na luta. O que levou o estratego do 25 de Abril \u00e0 escolha de \u201cGr\u00e2ndola\u201d foi a frase: \u201cO povo \u00e9 quem mais ordena\u201d, um princ\u00edpio importante para ser proclamado nos primeiros minutos da revolu\u00e7\u00e3o 57. Al\u00e9m disso, estava proibida a radiodifus\u00e3o das outras duas can\u00e7\u00f5es.<br>Como foi assinalado atr\u00e1s, esta can\u00e7\u00e3o \u00e9 a mais conhecida deste autor, pelo que o p\u00fablico continuava a pedi-la, onde quer que Jos\u00e9 Afonso actuasse. \u00c0s vezes, ele recusava apresent\u00e1-la, porque n\u00e3o queria fazer disso uma esp\u00e9cie de ritual para idealizar o passado. Ou ent\u00e3o pedia ao pr\u00f3prio p\u00fablico que a cantasse, o que condiz com a mensagem e o modo de representa\u00e7\u00e3o da can\u00e7\u00e3o: Jos\u00e9 Afonso utilizou a tradi\u00e7\u00e3o musical alentejana, onde se canta muitas vezes em coro polif\u00f3nico. Nesta forma, h\u00e1 um cantor que canta a primeira estrofe, e o coro canta a segunda. Tamb\u00e9m o estilo do texto \u00e9 conforme \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o alentejana: duas estrofes sempre se espelham uma \u00e0 outra. Gr\u00e2ndola \u00e9 uma vila no Baixo Alentejo, que serve de exemplo de uma sociedade onde extiste igualdade, liberdade e fraternidade. Na frase \u201cO povo \u00e9 quem mais ordena\u201d, Jos\u00e9 Afonso fala do poder popular que persistiu ao longo da ditadura, em centros culturais onde n\u00e3o havia directores e as responsabilidades eram partilhadas. Para o cantor, estas formas de rela\u00e7\u00f5es humanas comprovavam que a ideologia da classe dominante n\u00e3o tinha penetrado no povo. Estes centros remontavam \u00e0 \u00e9poca anterior ao Salazarismo, quando desempenhavam um papel importante a n\u00edvel cultural e de consciencializa\u00e7\u00e3o. O regime fascista dissolveu muitos deles ou reduziu as suas actividades ao desporto outras coisas \u201cinofensivas\u201d. No entanto, alguns houve que continuaram o seu trabalho clandestinamente, como foi o caso de Gr\u00e2ndola, onde Jos\u00e9 Afonso actuou algumas vezes.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong><em>in<\/em>&nbsp;\u201cA can\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o portuguesa \u2013 Contribui\u00e7\u00e3o para um estudo e tradu\u00e7\u00e3o de textos\u201d de Oona Soenario, 1994-1995, Universidade de Antu\u00e9rpia<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(\u2026)De facto, Otelo Saraiva de Carvalho escolheu entre tr\u00eas can\u00e7\u00f5es de Jos\u00e9 Afonso: \u201cGr\u00e2ndola\u201d, \u201cTraz outro amigo tamb\u00e9m\u201d e \u201cVenham mais cinco\u201d. As \u00faltimas duas fazem um apelo ao ouvinte para participar na luta. O que levou o estratego do 25 de Abril \u00e0 escolha de \u201cGr\u00e2ndola\u201d foi a frase: \u201cO povo \u00e9 quem mais [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[115,80,274],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33552"}],"collection":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=33552"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/33552\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=33552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=33552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/aja.pt\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=33552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}