{"id":33541,"date":"2020-06-17T17:03:00","date_gmt":"2020-06-17T17:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/aja.pt\/?p=33541"},"modified":"2022-02-17T17:04:07","modified_gmt":"2022-02-17T17:04:07","slug":"cantar-alentejano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/aja.pt\/en\/cantar-alentejano\/","title":{"rendered":"Cantar alentejano"},"content":{"rendered":"\n<p>\u201cCantar Alentejano\u201d \u00e9 dedicado a Catarina Euf\u00e9mia, uma lend\u00e1ria comunista que foi morta a tiro pela PIDE numa vila alentejana, Baleiz\u00e3o, em 1954. Ela lutava pela semana de trabalho de 40 horas. Ainda hoje, o PCP comemora o dia da sua morte.<br>Todavia, segundo E.Engelmayer, esta can\u00e7\u00e3o n\u00e3o serve para comemorar e idealizar uma pessoa. A morte de Catarina simboliza o sofrimento dos agricultores alentejanos. A sua depend\u00eancia dos latifundi\u00e1rios apresentava bastantes semelhan\u00e7as com a escravid\u00e3o. A revolu\u00e7\u00e3o s\u00f3 dificilmente p\u00f4de alterar esta situa\u00e7\u00e3o. Por exemplo, o sal\u00e1rio m\u00ednimo que foi introduzido depois do 25 de Abril, n\u00e3o abrangia os trabalhadores rurais. Por isso, estes organizaram-se por iniciativa pr\u00f3pria, sobretudo no Alentejo. Os sindicatos rurais que nessa altura surgiram, tamb\u00e9m apoiavam as ocupa\u00e7\u00f5es espont\u00e2neas de terras incultas. Na segunda fase do per\u00edodo dito de excep\u00e7\u00e3o, o governo come\u00e7ou a legaliz\u00e1-las. Os propriet\u00e1rios pouco podiam fazer contra as ocupa\u00e7\u00f5es, pois foram promulgados decretos que consagraram o princ\u00edpio de que as terras deviam ser usadas para produzir tudo o que fosse necess\u00e1rio para a economia. Entendia-se por \u201ctudo o necess\u00e1rio\u201d tanto o rendimento como os empregos. (\u2026) isto n\u00e3o era o caso em muitas terras. O abandono das terras era considerado agora um delito grave, e os trabalhadores rurais podiam ocupar as terras, alegando que as trabalhariam ao servi\u00e7o da economia nacional.<br>Jos\u00e9 Afonso tinha uma liga\u00e7\u00e3o especial com o Alentejo. Como membro do coro universit\u00e1rio de Coimbra, Orfeon, passou por l\u00e1 em excurs\u00f5es, e viveu l\u00e1 como professor do ensino secund\u00e1rio. Conheceu assim as p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es em que vivia a popula\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria. (\u2026)os trabalhadores rurais do Alentejo eram mais progressistas, j\u00e1 antes do 25 de Abril. Este fen\u00f3meno \u00e9 atribu\u00eddo ao facto de que a maior parte deles n\u00e3o possu\u00eda a terra que trabalhava, como tamb\u00e9m \u00e0s circunst\u00e2ncias de trabalho (colectivo e em grandes explora\u00e7\u00f5es) e \u00e0 vida em aldeias de assalariados. Surgira j\u00e1 nos anos da Primeira Rep\u00fablica (1910-1926) uma tradi\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00e3o e de luta sindical e pol\u00edtica. Isto explica por que \u00e9 que o PCP tinha uma muito maior implanta\u00e7\u00e3o no Sul, onde persistia uma \u201cfome da terra\u201d.Jos\u00e9 Afonso reconhecia nesta popula\u00e7\u00e3o que t\u00e3o duramente lutava pela subsist\u00eancia, um grande potencial revolucion\u00e1rio e dedicou v\u00e1rias can\u00e7\u00f5es a esta regi\u00e3o, como p.ex. \u201cCantar Alentejano\u201d e \u201cA mulher da erva\u201d. Tamb\u00e9m a famosa can\u00e7\u00e3o \u201cGr\u00e2ndola, viIa morena\u201d trata de uma vila alentejana.<\/p>\n\n\n\n<p><br><strong><em>in<\/em>&nbsp;\u201cA can\u00e7\u00e3o de interven\u00e7\u00e3o portuguesa \u2013 Contribui\u00e7\u00e3o para um estudo e tradu\u00e7\u00e3o de textos\u201d de Oona Soenario, 1994-1995, Universidade de Antu\u00e9rpia<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cCantar Alentejano\u201d \u00e9 dedicado a Catarina Euf\u00e9mia, uma lend\u00e1ria comunista que foi morta a tiro pela PIDE numa vila alentejana, Baleiz\u00e3o, em 1954. Ela lutava pela semana de trabalho de 40 horas. Ainda hoje, o PCP comemora o dia da sua morte.Todavia, segundo E.Engelmayer, esta can\u00e7\u00e3o n\u00e3o serve para comemorar e idealizar uma pessoa. 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